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GEOTERAPIA 
AULA 2 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Cristiano Alexandre de Andrade Neiva de Lima 
 
 
CONVERSA INICIAL 
Nesta aula, vamos conhecer como as argilas são formadas e quais são 
seus minerais constituintes, além de outros minerais que estão inclusos na 
geoterapia e terapias naturais. Além disso, compreenderemos suas 
propriedades principais e suas classificações. 
Bons estudos! 
TEMA 1 – CONSTITUIÇÃO DAS ARGILAS 
Vamos aprofundar nossa reflexão e abordar aspectos um pouco mais 
científicos das argilas, a fim de compreender um pouco mais sobre suas 
capacidades terapêuticas. 
As argilas e minerais argilosos são formados pelo intemperismo, ou seja, 
pela ação de temperatura e pressão (físico-química), bactérias (biológicas) e 
ações mecânicas das águas e ventos que desfragmentam ou dissolvem as 
rochas e vão se sedimentando, formando como produto as argilas (Branco, 
2014). Podem ser classificadas em primárias e secundárias. As primárias são 
resultantes da ação físico-química do ambiente e geralmente se apresentam 
secas, muito finas e em rochas. Já as secundárias são as decorrentes das 
chuvas e ventos, normalmente têm aspecto mais pastoso, o que chamam de 
lama (Claudino, 2010). 
Elas são muito finas (estão na faixa de 2 a 4 micron, variando conforme a 
nomenclatura da área de estudo) e se constituem principalmente de silicatos de 
alumínio, ferro e magnésio hidratado. Esses silicatos de argila também podem 
ser chamados de filossilicatos, pois estão dispostos em camadas. Camadas de 
silicato (SiO4) com ligações com outros metais tri ou divalentes (ligações 
covalentes), ou seja, junto a esses silicatos, encontramos outros íons e outras 
partículas como: quartzo, pirita, calcita, hematita, feldspatos e mica (Buriti et al., 
2019). 
Esses minerais se agrupam em modelos tridimensionais e em camadas, 
em concentrações de 1:1 (uma camada tetraédrica e 1 octaédrica) ou 2:1 (2 
camadas tetraédricas e 1 no meio octaédrica), e formam modelos diferentes. 
Entre esses grupos, temos caulinita, ilita, esmectita (montmorilonite), clorita, 
 
 
vermiculita, hormitas (paligorskita/atapulgita) e conferem as propriedades de 
plasticidade da argila (Victoria, 2018). As mais utilizadas na indústria 
farmacêutica e cosmética são a caulinita, montimorilonita e a paligorskita 
(Carretero; Gomes; Tateo, 2013). Embora sejam classificadas assim, geralmente 
estão misturadas em diferentes quantidades de minerais, por isso variam muito 
de acordo com a localidade extraída. Além dessas classificações, a mica, o talco 
e o quartzo, embora estejam acima da granulometria exigida (2 a 4 micron), 
aparecem com frequência nas argilas e possuem as propriedades plásticas da 
argila, bem como outros minerais, visto que não precisamos trabalhar com tipos 
puros para utilizar a geoterapia. 
A identificação das argilas se dá pela granulometria, que é o estudo do 
tamanho das partículas, sendo estas menor que 0,002 mm, como mencionado; 
para a identificação da classe da argila, utiliza-se a difratometria por raio-x, ou 
seja, dá a porcentagem da quantidade de argilas, como caulinita, esmectita, ilita, 
clorita, vermiculita, quartzo, hematitas etc. A análise da composição química 
auxilia no fechamento da classificação delas, feita por espectroscopia de 
fluorescência de raio-x que demonstra graficamente todos os elementos 
químicos presentes. Os minerais que geralmente aparecem são óxidos: SiO2, 
TiO2, Al2O3, Fe2O3, MnO, MgO, CaO, Na2O, K2O e P2O5. Por isso, se for trabalhar 
com geoterapia ou argilas, é importante adquirir uma argila com laudo técnico 
que mostre quais são os minerais delas, facilitando a escolha terapêutica. 
A geoterapia inclui também outros materiais que provêm da terra que não 
seguem a nomenclatura citada. Entre eles, podemos citar o uso das lamas 
vulcânicas ricas em enxofre, bem como a dolomita e o carvão ativado. 
TEMA 2 – ARGILOMINERAIS 
Existem mais de 40 argilominerais, mas poucos são empregados na 
saúde e também pela prevalência desses argilominerais no solo. A maioria das 
argilas para uso cosmético ou medicinal contém vários tipos de argilominerais 
misturados, e varia conforme a produção industrial e adição de substâncias 
desintoxicantes, estimulantes ou calmantes. Por exemplo, a argila verde pode 
 
 
conter grande porcentagem de montimorilonita e menores concentrações de 
ilitas, caulinita, quartzo e hematita. 
2.1 Caulinita 
A caulinita é um argilomineral do grupo caulinitas e também é conhecida 
como caulim. É extraída em minas do Amapá, Pará, no sudeste e sul do Brasil e 
depois vendida a várias empresas do país a fim de ser devidamente preparada 
para as mais diversas finalidades, incluindo as estéticas. 
 
Créditos: RHJPhtotoandilustration / Shutterstock. 
A caulinita [Al4Si4O10(OH)8] é um filossilicato 1:1, de coloração branca (às 
vezes pode ter outras cores por apresentar impurezas) e que possui em sua 
composição em média 40% de óxido de alumínio, 46% de óxido de silício, água 
14% (Wilson; Wilson; Patey, 2014). 
Ela tem pouca capacidade de absorção, de troca catiônica e é bem pouco 
abrasiva, mas é muito utilizada para cosmética, em cremes, pós, maquiagens, 
protetores solares e máscaras faciais, principalmente para peles sensíveis e 
secas. Internamente, pode ser usada como antidiarreico e protetor gástrico. 
Devido à alta quantidade de alumínio e silício, é antisséptico, cicatrizante 
e estimulante da circulação, além de possuir uma capacidade alta de retenção 
de calor, reduzindo o calor da inflamação. Já o silício estimula a produção de 
colágeno e fibras cicatrizantes e também tem uma ação de preenchimento. 
 
 
Outros minerais das classes das caulinitas são haloisita, diquita e nacrita. 
2.2 Montmorilonita 
A montmorilonita é uma junção de hidróxidos de alumínio [Al(OH)3] com 
magnésio [Mg(OH)2] – algumas literaturas também indicam ou ferro [Fe(OH)2] 
com sílica (SiO2) e os cátions estabilizadores são sódio (Na+), cálcio (Ca+2) e/ou 
magnésio (Mg+2) em diferentes concentrações e água. Ela faz parte de um dos 
maiores grupos de argilas, as esmectitas. No Brasil é extraída na Paraíba, Bahia 
e São Paulo. Quando encontrada sozinha, sem outros minerais, ela é 
denominada bentonita, nome proposto pela Associação Internacional para 
Estudos das Argilas (Aipea). 
A montmorilonita possui uma grande variação na coloração, do 
acinzentado ao vermelho, conforme a quantidade de ferro e outros minerais que 
são encontrados. Sua composição mineralógica básica é 44% de silicatos (SO2), 
18% de óxidos de alumínio (Al2O3), até 6% de magnésio (Mg), 1% de óxido de 
sódio (Na2O), 1% de óxido de cálcio (CaO) e 30% de água (H2O). É uma argila 
com estrutura lamelar 2:1, possui propriedades de grande troca de íons (cátions) 
e grande capacidade de absorção e adsorção (Mouzon; Bhuiyan; Hedlund, 
2016). 
Há certa dificuldade de classificar esse mineral, pois algumas 
classificações o colocam como classe de vários minerais que possuem a mesma 
estrutura geométrica e propriedades, por isso apresentam-se de formas tão 
variadas – umas com estruturas com sódio (Na), outras com magnésio (Mg) e 
lítio (Li), outras com maior quantidade de cálcio (Ca). Cada uma recebe um nome 
diferente: beidelita, nontronita, saponita, hectorita, stevensita e sauconita. 
 
 
 
Créditos: Akvals / Shutterstock. 
Essa é a argila mais empregada para fins medicinais, como cataplasma e 
máscaras, com potencial efeito anti-inflamatório, analgésico, cicatrizante, 
estimulador da energia vital e da circulação. Pode auxiliar na redução de 
infecções, modificando o meio local e interferindo no metabolismo do 
microrganismo, além do poder absortivo. 
Também pode ser utilizada para uso interno como proteção gástrica, 
antidiarreico e antiácido. Na cosmética, seu emprego está associado com 
protetor solar e máscaras para peles oleosas e acneicas. Compõe parte da 
maioria das argilas, em diferentesporcentagens, preta, azul, cinza, verde, 
amarela e vermelha. 
2.3 Ilitas 
As argilas do tipo ilitas têm estrutura lamelar 2:1, são esverdeadas e 
possuem praticamente a mesma estrutura geométrica das montimorilonitas; o 
que irá diferenciar é o cátion potássio (K+). Elas estão entre as mais comuns, 
junto com as montimorilonitas, e são utilizadas topicamente na pele e para 
extração de potássio. O uso interno deve ser muito criterioso, visto que 
consumimos na alimentação, e o excesso de potássio afeta o sistema nervoso e 
cardiovascular. 
 
 
 
2.4 Cloritas 
As cloritas são argilominerais que contêm em sua estrutura o Fe+2 e Fe+3, 
junto com as estruturas comuns das argilas, silicatos de alumínio e silicatos de 
magnésio; podem conter hematita (Fe02) e outros minerais combinados com Fe. 
Outras espécies de cloritas contêm níquel, manganês, cálcio, zinco e lítio – tudo 
vai depender de sua geologia. Quanto à cor, variam desde preto esverdeado, 
marrom e cinza, cinza esverdeado, azulados, rosa, vermelhos. Quanto mais 
vermelho ou escuro, mais se sugere a presença de maior quantidade de ferro. 
São muito associadas a outras argilas e rochas como caulinita, calcitas, quartzo, 
hematitas e outros. 
2.5 Paligorskita 
 O argilomineral paligorskita, também conhecido como atapulgita, pertence 
a uma classe de argilas fibrosas ou chamadas interestratificadas. É muito visado 
nas indústrias, incluindo as cosméticas, devido às suas propriedades de 
aumentar significativamente de volume na presença de água e à sua estabilidade 
e viscosidade com altas concentrações de eletrólitos. De coloração branca, 
constituída de silicatos de alumínio e magnésio, são muito utilizadas pelas 
indústrias cosméticas internacionais. 
TEMA 3 – OUTROS MINERAIS 
Além dos filossilicatos citados anteriormente, junto às argilas encontramos 
outros minerais com propriedades parecidas e que são muito utilizadas na 
clínica. Em outros casos, podemos empregar o carvão ativado, que não é 
encontrado com as rochas, mas sim produzido com a combustão de materiais 
orgânicos. 
3.1 Talco 
O talco é um mineral de coloração que varia do verde escuro, verde claro, 
branco amarelado e branco e tem propriedades parecidas com as das argilas. É 
um filossilicato também e possui muito magnésio (32% aproximadamente). Não 
 
 
apresenta alumínio em sua composição, e para ser encontrado necessita ser 
extraído de rochas – uma delas é a pedra-sabão –, mas também está presente 
nas argilas cloritas, vermiculitas, dolomitas, quartzo etc. Ele é muito utilizado na 
indústria farmacêutica e cosmética pelas propriedades de absorção e 
espalhabilidade. Além do talco, também se observa o uso de carbonatos (C) e 
sulfatos (S), que podem ser encontrados associados às argilas. 
3.2 Dolomita 
A dolomita não é classificada como argila, mas muitos geoterapeutas a 
empregam para uso interno e em máscaras externas. Pertencente ao grupo dos 
carbonatos, é encontrada em várias rochas, junto com outros minerais; possui 
várias cores, desde preto, vermelho, marrom, rosa e branco (geralmente a 
utilizada é a branca). Constitui carbonatos duplos, de cálcio e magnésio 
[CaMg(CO3)]. No Brasil, foi patenteada como Gran White e é utilizada como 
suplemento de cálcio e magnésio, até mesmo para auxiliar no tratamento da 
osteoporose. Contém mais de 20 minerais em pequenas proporções, por isso é 
utilizada como complemento remineralizante. 
Estudo realizado em um instituto de ciência em Israel verificou que esse 
suplemento beneficiava os rins, melhorando a produção de calcitriol, 
responsável pela absorção do cálcio pelos intestinos. Um grupo de idosos foi 
acompanhado para verificar a massa óssea (Edelstein et al., 2001). 
3.3 Carvão ativado (Carbo activatus) 
 Esse carvão não é o mesmo do carvão de uso doméstico; ele pode ser 
feito da queima de cortiça, da casca de coco ou outros vegetais. Seu uso é 
antigo, relatos remetem ao emprego dele no Egito e Grécia para intoxicações e 
distúrbios digestivos. 
O carvão ativado é muito utilizado em emergências médicas na 
intoxicação por paracetamol e pesticidas (organofosforados), mas também pode 
ser empregado como agente desintoxicante interna e externamente na clínica. 
O carvão ativado ou carbono ativado também está presente em filtros de água, 
incluindo tratamentos de esgoto. 
 
 
Ele possui grande capacidade de adsorção, o que caracteriza a absorção 
e retenção de substâncias tóxicas exógenas ou endógenas, incluindo toxinas de 
bactérias. Algumas indústrias farmacêuticas já o disponibilizam há algum tempo 
em forma de comprimidos para intoxicações gastrointestinais leves. Pode ser útil 
também como antidiarreicos e para gases, porém é contraindicado para grávidas 
e obstruções do trato gastrointestinal, na constipação intestinal e em casos de 
sangramentos (hemorragias e úlceras). 
Externamente, pode ser utilizado em máscaras cosméticas e em 
pequenas quantidades como dentifrício (clareador mecânico dental). Existem 
também curativos com carvão ativado estéril, que podem ser úteis para feridas, 
como escaras e úlceras varicosas que apresentam exsudatos e mau odor, e 
auxiliam muito na recuperação. É encontrado em casas de materiais hospitalares 
e farmácias. 
Uma pesquisa realizada na Universidade de Illinois, Chicago, verificou 
que o uso de carvão ativado junto ao medicamento aciclovir tópico reduziu mais 
rápido a inflamação e a carga viral (Yadavalli et al., 2019). 
TEMA 4 – PROPRIEDADES TERAPÊUTICAS 
As argilas podem ser utilizadas para uso oral (ingestão), tópico (aplicação 
local) e como excipientes na indústria farmacêutica (para auxiliar na absorção de 
medicamentos e dar volume). 
A geoterapia é uma terapia antiga que se desenvolveu com a observação, 
ou seja, de modo empírico. Apesar de poucos estudos sobre o efeito terapêutico 
das argilas, seguimos com constatações diárias nas clínicas e spas com os 
benefícios identificados. Existem muitos trabalhos sobre suas propriedades 
físico-químicas para a produção de cosméticos, na estética e em outras 
indústrias como de telhas e cerâmicas; entretanto, no quesito geoterapia, artigos 
que estejam de acordo com os métodos que a ciência exige atualmente são 
escassos. 
Algumas propriedades já conhecidas que podem contribuir com efeitos 
terapêuticos. Vamos indicá-las a seguir: 
 
 
• Material inócuo – muito pouco tóxico para seres vivos, e consegue ficar 
estável em um amplo espectro de pH, facilitando a inserção de outras 
substâncias junto às argilas. Nas terapias, podemos utilizar as infusões, 
decoctos, óleos essenciais, que não interagem com as argilas no sentido 
de modificar propriedades. 
• Proteção da pele – as caulinitas, talcos e esmectitas podem ser 
adicionadas em cosméticos para auxiliar na proteção da pele (protetores 
solares), para absorção de secreções e bactérias da pele (efeito leve 
antisséptico); é útil também na seborreia. 
• Cosmético – em cremes, bases e pós, auxiliam a diminuir brilho, cobrir 
manchas e peeling mecânico. 
• Protetores gastrointestinais – no uso interno, a caulinita e a paligorskita 
apresentam ação sobre a mucosa gástrica, têm alta espalhabilidade e 
aderência, além da adsorção que retém toxinas, bactérias e vírus em sua 
superfície. As esmectitas são mais sensíveis aos ácidos gástricos e por 
isso não são utilizadas. As argilas não são absorvidas e são eliminadas 
pelas fezes (Carretero, 2001). 
• Adsorção – retenção de substâncias na sua superfície. Como mencionado 
anteriormente, as argilas têm capacidade de reter substâncias em sua 
superfície, como secreções, gorduras, toxinas, bactérias e vírus. Elas 
possuem em sua borda atração negativa, atraindo radicais livres 
carregados positivamente para sua superfície (Vila y Campana, 2000). 
• Anti-inflamatório – com duas propriedades: a de adsorção, removendo 
toxinas de qualquer natureza, e de equilíbrio térmico, removendo o 
excesso de calor.É útil nos casos de acnes, furúnculos e úlceras. 
• Trocas iônicas – os cátions livres entre as camadas das argilas interagem 
entre eles e com o meio externo. Por exemplo, ao se utilizarem argilas 
mais quentes, facilita-se a troca de substância que a pele libera para 
dentro das argilas, enquanto seus minerais transitam para a pele. 
• Tixotrópica – facilidade em se transformar em gel e em pó quando seco. 
• Coloidal – capacidade de misturar fases diferentes, como água e óleo, e 
manter uma estabilidade. 
 
 
• Absorção – alta capacidade de absorver água e aumentar o seu volume; 
pode ser útil em casos de inchaços e edemas. 
• Antitranspirante – pela sua capacidade de absorção de umidade e 
também pela presença de minerais que auxiliam no efeito antisséptico e 
oclusivo. 
• Antidiarreica – a caulinita e a paligorskita apresentam grande capacidade 
de absorção, removendo o excesso de água das fezes; podem absorver 
também o excesso de gases. 
• Laxativa – argilas ricas em sódio (Na), como são algumas esmectitas, 
podem provocar efeito laxativo osmótico e faz com que a água seja 
concentrada em maior quantidade para os intestinos, aumentando volume 
das fezes e provocando peristalse. Esse efeito deve ser usado apenas 
para casos leves; em situações de constipação grave ou obstrução de 
intestinos, não deve ser utilizada (Carreteiro, 2001). 
• Retenção térmica – as argilas em geral têm capacidade de retenção de 
calor; mesmo aplicada fria, irá remover o calor interno e posteriormente 
equilibrará, trazendo sensação de bem-estar. Em casos deficientes de 
calor corpóreo, utilizaremos as argilas quentes. 
• Remineralizante – devido à capacidade de troca iônica, conforme os 
minerais presentes, estes podem ser levados para dentro do tecido 
cutâneo. 
• Plasticidade – facilmente moldável. 
• Baixo custo – facilidade para comprar com vistas a realizar tratamentos. 
Para Vila y Campana (2000), as argilas favorecem a cicatrização, 
reduzem cicatrizes, é antisséptica e bactericida, analgésica e anti-inflamatória, 
miorrelaxante, sedativa, equilibrador energético, equilibrador térmico. Cita 
Raymond Dextreit, comentando sobre as propriedades das argilas como 
catalisadoras de reações orgânicas, muito além das propriedades 
termodinâmicas e das substâncias que contêm (Vila y Campana, 2000). 
Para Dornellas e Martins (2009), as argilas possuem também 
propriedades de estimular a microcirculação cutânea, regulação sebácea e 
queratinização, analgésica, cicatrizante, tonificante e antirreumática. 
 
 
Para Medeiros (2020) e muitos outros terapeutas de geoterapia, as argilas 
possuem propriedades energéticas. Utilizando o efeito piezelétrico, produzidos 
pelas estruturas dos silicatos e dos minerais da argila quando hidratadas e 
agitadas para adquirir o ponto de gel, faz com que os íons produzam certa 
condutibilidade de propriedade elétrica, o que também estimula as trocas com a 
pele. Estudo realizado no departamento da Unisul demonstrou que os potenciais 
elétricos produzidos pelas argilas são compatíveis com as diferenças de 
potenciais da membrana celular; a ação de um campo elétrico mínimo para atuar 
na pele é de 10mV, e a argila apresentou 15mV. 
Peretto (2000) cita Raymond Dextreit, que relata a capacidade de 
absorver acúmulo de radiações no corpo ou energizar o corpo que necessita. 
Acreditamos que o que ele esteja comentando sobre energizar é a capacidade 
de melhorar o campo eletromagnético das células. Dextreit usava um aparelho 
para verificar a radiação, o contador Geiger-Muler, empregado até os dias de 
hoje (Peretto, 2000). 
A empresa brasileira TerraMater Active Minerals, com sede em Santa 
Catarina e que vende argilas para cosméticas, desenvolve uma série de ensaios 
a respeito dos efeitos das argilas sobre a pele e cabelos. Um dos estudos 
produzidos tem como avaliação a produção de colágeno e elastina, a proteção 
dos fios de cabelo e a redução na produção de melanina. Recentemente, se 
evidenciou uma ação biológica, influindo na ação da expressão gênica 
inflamatória da pele, além de ações antioxidantes e hidratantes. 
TEMA 5 – MICRONUTRIENTES E MACRONUTRIENTES 
Micronutrientes ou oligoelementos são minerais encontrados em 
pequenas quantidades no corpo humano e responsáveis por catalisar nosso 
metabolismo. Embora estejam em pequenas quantidades exercem muitas ações 
enzimáticas. Jacques Menetrier é o criador da oligoterapia, cujo objetivo é ativar 
determinado oligoelemento para determinada rota metabólica. 
Os oligoelementos também são usados na nutrição (para prevenção) e na 
farmacologia (auxiliando no tratamento de doenças). Esses micronutrientes se 
classificam em essenciais e não essenciais: zinco, cobre, cobalto, selênio, 
 
 
molibdênio, bromo, lítio, ferro, iodo, manganês, boro, flúor, arsênio, enxofre, 
vanádio, níquel, zinco e estanho. Atualmente existem estudos de outros 
microelementos, mas esses são os mais conhecidos. 
Os elementos minerais que fazem parte da composição da argila acabam 
sendo absorvidos e atuando como oligoelementos, colaborando nos tratamentos 
de saúde e estéticos; por isso, é importante conhecer os argilominerais 
presentes. Conforme a revisão sistemática de Ramirez et al. (2014) e as 
observações de Dornellas e Martins (2009), alguns oligoelementos e suas ações 
são: 
• Cobre (Cu): presente em vários processos gerais, nas funções do sistema 
nervoso central, desenvolvimento de vasos sanguíneos, síntese da 
hemoglobina e desenvolvimento do tecido conjuntivo; interfere na 
absorção do ferro, se deficiente (anemia hipocrômica). É observado em 
carnes, nozes, mariscos, grãos integrais. 
• Cromo (Cr): participa do metabolismo da glicose, atua sobre o 
metabolismo de colesterol e triglicerídeos. Presente em uvas, carnes, 
fígado, pimenta preta e ostras. Sua deficiência pode causar intolerância a 
açúcar e alteração do metabolismo dos lipídios. 
• Manganês: participa na formação dos ossos, é antioxidante, atua no 
metabolismo dos macronutrientes (proteínas, carboidratos e lipídeos), na 
biossíntese do colágeno, tem ação anti-infecciosa, cicatrizante e 
antialérgica; é encontrado em legumes, cereais, frutas secas, chá e café. 
Sua deficiência pode influenciar a formação óssea, o crescimento e gerar 
anomalias ósseas, além de afetar as glândulas reprodutoras. Excesso 
pode provocar alterações neurológicas. 
• Ferro: fundamental para a respiração celular e transferência de elétrons. 
Na pele, a falta desse mineral se manifesta por uma epiderme fina, seca 
e sem elasticidade. A falta de ferro é uma das causas de anemia. 
• Cobalto (Co): faz parte da cianocobalamina (vitamina B12), atuando na 
formação dos glóbulos vermelhos e na síntese do DNA. A deficiência da 
vitamina B12 pode ocasionar anemia (sintomas comuns, fadiga, fraqueza, 
palidez) e doenças neurológicas (perda de sensibilidade, dormência, 
 
 
confusão mental, perda de reflexos). Está presente em carnes vermelhas, 
moluscos, levedura de cerveja e repolho. 
• Zinco (Zn): faz parte de enzimas que interagem com o oxigênio (O2) e as 
que interferem no metabolismo do DNA e RNA. É encontrado em 
champignon, levedura de cerveja, germe de trigo, leite, nozes, maçãs, 
feijões e gema de ovo. É um elemento importante para grávidas, e sua 
deficiência atua nos metabolismos citados; alguns estudos referem sua 
deficiência em alguns tipos de câncer. Pode estar deficiente também o 
cobalto. 
• Lítio (Li): atua no metabolismo do ácido fólico, na vitamina B12 e no DNA, 
inibe o glicogênio (glicose armazenada no fígado) e a ação do hormônio 
estimulante da tireoide. Está presente em água potável, leite e laticínios, 
ovos, batatas e cereais. 
• Selênio (Se): atua como antioxidante, cardioprotetor e na regulação da 
tireoide, bem como neutraliza metais pesados. É encontrado em 
proteínas, legumes, cereais e frutas secas. 
• Iodo (I): síntese de hormônios da tireoide, metabolismoenergético e 
produção de calor. Está presente em frutos do mar e alimentos iodados. 
Sua deficiência pode causar bócio, deficiência mental, aumento de 
abortos e malformação congênita. Não está presente na maioria das 
argilas, mas pode ser encontrado em algumas lamas especiais, como 
lama do mangue ou a lama do Mar Morto. 
• Silício (Si): desempenha papel importante na reconstituição dos tecidos 
cutâneos e na defesa do tecido conjuntivo. Tem ação hemostática, 
purificante, adstringente e remineralizante. Possui efeito hidratante na 
pele e reduz as inflamações, além de favorecer a elasticidade da pele, 
atuando em flacidez cutânea. 
Os elementos que geralmente são tóxicos e que às vezes podem ser 
encontrados em argilas são: 
• Cádmio (Cd): interfere na absorção de cálcio, ferro e cobre e pode ter um 
efeito estrógeno conforme a dose; presente em comida refinada (arroz e 
 
 
farinhas brancas). É um oligoelemento tóxico, se acumula no organismo, 
pode afetar os rins, os pulmões, mucosas e alterar a imunidade. 
• Titânio (Ti): em microdoses, estimula o crescimento, porém tem efeito 
carcinogênico e estimula o efeito tóxico de elementos mercúrio (Hg) e 
chumbo (Pb). 
• Mercúrio (Hg): presente em alguns pescados, pode ser encontrado em 
lamas contaminadas. Bloqueia o transporte de açúcar e causa danos 
cerebrais e no feto. 
Outros elementos não são considerados oligoelementos, mas estão 
presentes no corpo em maior quantidade. Como estão presentes nas argilas, 
vale citá-los: 
• Sódio (Na) e potássio (K): ajudam a preservar o equilíbrio iônico das 
células; atuam no funcionamento de todas as células, nervos e músculos. 
• Potássio (K): possui uma estreita concentração no sangue, geralmente 
encontra-se dentro das células. Sua deficiência pode ser causada por 
vômitos, diarreia, uso excessivo de laxantes ou diuréticos. É importante 
destacar aqui que se descobriu que quem sofre de hipocalemia 
(deficiência de potássio) não deve ingerir argila bentonita junto com os 
alimentos ou suplementos, pois ela se liga ao potássio no intestino. Essas 
deficiências podem causar fraqueza, arritmias cardíacas, hipotensão e 
hipoventilação, entre outros sintomas. Alguns medicamentos como 
salbutamol, medicamentos para diabetes (hipoglicemiantes) e digoxina 
também podem levar à deficiência de potássio. 
• Alumínio (Al): inibe cofatores para a formação de neurotransmissores; se 
consumido ou inalado, é prejudicial, causando alterações neurológicas e 
imunológicas. Em ínfimas quantidades, é eliminado pelas fezes, um pouco 
pelos rins e pela vesícula. Externamente possui uma atividade biológica 
interessante, estimula a cicatrização, podendo inibir até o crescimento de 
algumas bactérias como a Staphylococcus aureus em feridas. Importa 
lembrar que as argilas não possuem alumínio livre, mas faz parte das 
estruturas intrínsecas delas; o que é liberado geralmente são seus 
cátions. 
 
 
NA PRÁTICA 
Cada argila possui vários tipos de argilominerais e oligoelementos. Seu 
poder principal de adsorção, absorção e retenção térmica são seus efeitos mais 
evidentes. Se a argila apresenta maior quantidade em caulinita, pode ser 
utilizada internamente para azia e gastrite leve, e para peles sensíveis e 
inflamações (externamente). 
As argilas com montmorilonitas são as mais empregadas para a 
geoterapia e se distinguem conforme o local de onde são retiradas, pois assim 
variam os seus cátions; em geral, ferro, sódio, cálcio e magnésio são os cátions 
presentes. Com esses macronutrientes e todas as propriedades citadas, trazem 
muitos benefícios ao corpo. 
FINALIZANDO 
Vimos que as argilas provêm de rochas sedimentares e também são 
denominadas filossilicatos. Podem estar estruturadas em camadas, 
principalmente entre silício e alumínio, em formatos 1:1 ou 2:1, o que lhes 
confere maior ou menor propriedade. Apresentam entre essas camadas cátions 
que se intercalam entre suas estruturas e podem ser doadas para estruturas 
externas, como a pele por exemplo. 
Cada argila possui uma combinação de argilominerais, dependendo do 
solo formado e das condições climáticas. Os principais argilominerais utilizados 
na prática da geoterapia estão as caulinitas e as esmectitas (montmorilonitas). 
Cada uma tem base de aluminossilicato, variando seus cátions e estruturas, 
conferindo maior ou menor capacidade de absorção, adsorção e trocas iônicas. 
Vimos também que, nas argilas, os cátions que interagem com a pele 
podem ser absorvidos e agir como oligoelementos ou elementos que estimulam 
enzimas e funções orgânicas. Desse modo, se pudermos escolher o tipo de 
argila, poderemos fazê-lo conforme sua matéria-prima. 
 
 
 
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