Prévia do material em texto
Asma A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas caracterizada por obstrução recorrente e reversível das vias respiratórias em resposta a estímulos irritantes, que são frequentemente demasiado fracos para afetar indivíduos não asmáticos. ● Prevalência: A asma é uma das doenças crônicas mais comuns, afetando tanto crianças quanto adultos. É um problema de saúde mundial, atingindo cerca de 300 milhões de pessoas. No Brasil, estima-se que existam aproximadamente 20 milhões de asmáticos. Nos EUA, mais de 25 milhões de pacientes são afetados, resultando em 2 milhões de atendimentos de emergência e 500 mil hospitalizações anualmente. ● Fisiopatologia: A obstrução do fluxo aéreo na asma resulta da broncoconstrição por contração dos músculos lisos brônquicos, inflamação da parede brônquica e aumento da secreção de muco. A inflamação subjacente das vias aéreas contribui para a hiper-reatividade das vias aéreas, a limitação do fluxo aéreo, os sintomas respiratórios e a cronicidade da doença. ● Gatilhos: Os ataques de asma podem ser desencadeados por alérgenos, exercício, estresse e infecções respiratórias. Outros fatores incluem agentes físico-químicos (p. ex., exercício; hiperventilação com ar frio e seco; poluentes do ar como dióxido de enxofre e dióxido de nitrogênio), infecções virais respiratórias (p. ex., influenza A) e substâncias ingeridas (p. ex., propranolol, ácido acetilsalicílico; AINEs, penicilina, isocianatos, anidridos, cromato). ● Duas fases: A asma apresenta-se em duas fases, demonstradas por alterações no volume expiratório forçado em 1 segundo (VEF1 ) após a inalação de pólen de grama em um indivíduo alérgico. ○ Fase inicial: Caracterizada por broncoespasmo. ○ Fase tardia: Caracterizada por inflamação. ● Hipersensibilidade vs. Hiper-reatividade: Dois aspectos da hiper-reatividade das vias respiratórias separam a resposta asmática a estímulos da resposta não asmática: hipersensibilidade e hiper-reatividade. ○ Hipersensibilidade descreve uma resposta normal a estímulos com níveis anormalmente baixos. Isso significa que as vias respiratórias dos asmáticos sofrem constrição na presença de estímulos que não provocam resposta em indivíduos normais. ○ Hiper-reatividade descreve uma resposta exagerada a níveis normais de estímulos, ou seja, as vias respiratórias dos asmáticos respondem com demasiada intensidade. ● Componente Imunológico: ○ O fator predisponente identificável mais forte para o desenvolvimento da asma é a atopia, ou a produção de anticorpos de imunoglobulina E (IgE) em resposta à exposição a alérgenos. ○ Os linfócitos T (LTH ) desempenham um papel preponderante. As células TH 2 produzem IL-4, IL-5, IL-6, IL-9, IL-10 e IL-13 e favorecem a resposta imune humoral, envolvendo a produção de anticorpos pelas células B. ○ Mastócitos, eosinófilos e outras células inflamatórias (como células epiteliais, células da musculatura lisa, células endoteliais, fibroblastos e nervos) liberam vários mediadores como histamina, leucotrienos, prostanoides, PAF (fator de ativação plaquetária), cininas, adenosina, endotelinas, óxido nítrico, citocinas, quimiocinas e fatores de crescimento, que contribuem para broncospasmo, exsudação plasmática, secreção de muco, HRVA (hiper-reatividade das vias aéreas) e alterações estruturais. Os eosinófilos ativados, em particular, secretam grânulos citotóxicos, que provocam lesão tecidual local e induzem remodelagem das vias respiratórias, mediadores lipídicos e neuromodeladores que afetam o tônus das vias respiratórias, bem como citocinas e quimiocinas que recrutam outras células inflamatórias. DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica) DPOC é um termo intencionalmente impreciso usado para denotar um processo caracterizado pela presença de bronquite crônica ou enfisema que pode levar ao desenvolvimento de obstrução fixa das vias aéreas. Embora bronquite crônica e enfisema sejam frequentemente considerados processos independentes, eles compartilham alguns fatores etiológicos comuns e estratégias de tratamento e, muitas vezes, são encontrados juntos no mesmo paciente. A DPOC é geralmente progressiva. Atualmente, é a quarta causa de mortes no mundo. ● Bronquite Crônica: ○ Definição: Definida por uma história de tosse produtiva por 3 meses do ano em 2 anos consecutivos. ○ Sintomas: Dispneia e obstrução das vias aéreas, frequentemente com um elemento de reversibilidade, estão presentes de forma intermitente ou contínua. ○ Causa: O tabagismo é a causa principal, embora outros irritantes inalados possam produzir o mesmo processo. ○ Patologia: Embora os eventos patológicos predominantes sejam a inflamação das vias aéreas maiores, acompanhada por espessamento da mucosa e hipersecreção de muco, é a inflamação nos bronquíolos menores o local principal de aumento da obstrução do fluxo de ar. ● Enfisema: ○ Definição: Condição marcada por aumento irreversível dos espaços aéreos distais aos bronquíolos terminais, acompanhado por destruição de suas paredes, na maioria das vezes sem fibrose óbvia. ○ Patologia: Ao contrário da bronquite crônica, o defeito patológico primário no enfisema não está nas vias aéreas, mas sim nas paredes da unidade respiratória, onde a perda de tecido elástico resulta em uma diminuição da tensão de retração apropriada para dar suporte às vias aéreas distais durante a expiração. ○ Sintomas: Dispneia progressiva e obstrução irreversível acompanham a destruição de espaços aéreos, sem hipersecreção de muco e tosse produtiva. Além disso, a perda de área de superfície alveolar e do leito capilar acompanhante para troca de gases contribui para a hipoxia e dispneia progressivas. ○ Mecanismo: A hipótese elastase-antielastase do enfisema sugere que o pulmão é protegido de dano elastolítico por inibidor de α1 -protease e α2 -macroglobulina. A elastase é derivada principalmente de neutrófilos, mas macrófagos secretam uma metaloprotease semelhante à elastase e podem ingerir, e posteriormente liberar, elastase neutrofílica. Oxidantes derivados de neutrófilos e macrófagos ou da fumaça de cigarro podem inativar o inibidor de α1 -protease e interferir no reparo da matriz pulmonar. Antioxidantes endógenos, como superóxido dismutase, glutationa e catalase, protegem o pulmão contra lesão oxidante. Principais Diferenças entre Asma e Bronquite Crônica ● Natureza da Doença: A asma é caracterizada por episódios reversíveis de obstrução das vias aéreas, enquanto a bronquite crônica é uma condição contínua com produção de muco e obstrução não totalmente reversível. ● Causa Principal: A asma é frequentemente associada a alergias e irritantes específicos, enquanto a bronquite crônica está fortemente ligada ao tabagismo e exposição prolongada a irritantes ambientais. ● Sintomas: A asma envolve episódios agudos de sibilância e falta de ar, ao passo que a bronquite crônica se manifesta principalmente com tosse produtiva persistente e falta de ar durante atividades. Estratégias Farmacológicas para o Tratamento da Asma Os medicamentos utilizados no tratamento da asma atuam de duas maneiras: como "agentes de alívio" e "agentes de controle e prevenção". Broncodilatadores (Aliviadores) Esses agentes afetam o tônus do músculo liso das vias respiratórias por meio de sua ação sobre receptores do sistema nervoso autônomo e vias de sinalização. A ativação simpática (mediada principalmente por receptores β2 -adrenérgicos) resulta em broncodilatação, enquanto a estimulação parassimpática (mediada por receptores muscarínicos de acetilcolina) resulta em broncoconstrição. Além disso, inibem a liberação de mediadores dos mastócitos e a liberação de TNF-α dos monócitos e aumentam a depuração do muco por uma ação sobre os cílios. 1. Agonistas β-Adrenérgicos: ○ Mecanismo de Ação: Esses agonistas ligam-se aos receptores β2 -adrenérgicos nas células do músculo liso das vias aéreas, levando ao relaxamento e broncodilatação. Eles atuam pordescoberta do prontosil, um antibiótico que salvou sua filha e que foi clinicamente aprovado em 1935. Apesar do progresso, houve um vazio de mais de 30 anos na descoberta de novas classes de antibióticos após 1984. A resistência a antibióticos como fluoroquinolonas, cefalosporinas de terceira geração e aminoglicosídeos tem aumentado globalmente. Classificação e Mecanismos de Ação dos Antimicrobianos Antimicrobianos são substâncias de origem natural ou sintética que suprimem o crescimento ou destroem microrganismos. A seleção de um antimicrobiano eficaz deve se basear na sensibilidade do patógeno e na possível toxicidade para o paciente. A toxicidade seletiva é frequentemente relativa, exigindo que a concentração do fármaco seja cuidadosamente controlada para atingir o microrganismo enquanto é tolerada pelo hospedeiro. Os antimicrobianos podem ser classificados como bacteriostáticos ou bactericidas. ● Bacteriostáticos inibem o crescimento e a multiplicação bacteriana, permitindo que o sistema imune do paciente elimine os patógenos. Exemplos incluem as tetraciclinas. ● Bactericidas matam as bactérias. Fármacos que interferem na síntese da parede celular bacteriana (como penicilinas) ou que inibem enzimas cruciais (como as quinolonas) são geralmente bactericidas. São de escolha para pacientes gravemente enfermos e imunocomprometidos. Os principais mecanismos de ação dos antimicrobianos incluem: ● Inibição da síntese da parede celular (ex: β-lactâmicos, vancomicina). ● Inibição da síntese de proteínas (ex: tetraciclinas, aminoglicosídeos, macrolídeos). ● Inibição da função ou síntese de ácidos nucleicos (ex: fluoroquinolonas, rifampicina). ● Inibição do metabolismo (ex: sulfonamidas, trimetoprima). ● Inibição das funções da membrana celular (ex: isoniazida, anfotericina B, polimixina). Farmacologia de Classes Específicas de Antimicrobianos 1. β-Lactâmicos Os β-lactâmicos são fármacos bactericidas que atuam inibindo a síntese de peptidoglicanos da parede celular bacteriana. Possuem um anel β-lactâmico que deve estar intacto para sua atividade. a) Penicilinas ● Exemplos: Benzilpenicilina (natural), amoxicilina (semissintética), piperacilina (ureidopenicilina). ● Farmacocinética: A penicilina G é destruída pelo ácido gástrico e preferencialmente administrada por via IV e IM. A penicilina V e a amoxicilina são mais estáveis por via oral. Possuem meia-vida curta (1-2h) e são eliminadas renalmente. A probenecida inibe a secreção tubular da penicilina, prolongando sua permanência no organismo. ● Usos clínicos: Meningite bacteriana, infecções ósseas e articulares (Staphylococcus aureus), infecções de pele e tecidos moles, faringite, otite média, bronquite, pneumonia, infecções do trato urinário, gonorreia, sífilis e endocardite. Para infecções graves, como sepse, o tratamento geralmente é empírico com penicilinas, muitas vezes em combinação com aminoglicosídeos. ● Efeitos adversos: Náusea, vômito, reações alérgicas (comuns), neutropenia, encefalopatia em altas concentrações, diarreia ou colite por C. difficile e icterícia. ● Resistência: Principalmente por β-lactamases extracelulares e periplasmáticas. b) Cefalosporinas ● Estrutura: Possuem um grupo β-lactâmico fundido a um anel di-hidrotiazínico, o que lhes confere maior resistência à hidrólise por β-lactamases. São hidrossolúveis e estáveis em meio ácido. ● Gerações e espectro de ação: ○ Primeira geração (ex: cefalexina): Ativas contra cocos Gram-positivos (como Staphylococcus aureus, Streptococcus pneumoniae) e alguns bacilos Gram-negativos (como Escherichia coli, Klebsiella pneumoniae). ○ Segunda geração (ex: cefuroxima): Espectro expandido para Haemophilus influenzae, Enterobacteriaceae. ○ Terceira geração (ex: ceftriaxona): Maior atividade contra bacilos Gram-negativos (incluindo Pseudomonas aeruginosa em alguns casos) e cocos Gram-negativos (Neisseria gonorrhoeae), mas menor contra S. aureus. ○ Quarta geração: Cobertura antibacteriana comparável à terceira geração, mas com maior estabilidade contra β-lactamases. ● Farmacocinética: As cefalosporinas orais de primeira geração são bem absorvidas. Muitos fármacos de segunda e terceira gerações são administrados por via parenteral. A maioria é excretada renalmente, com meia-vida curta, exceto a ceftriaxona (meia-vida mais longa, 6-9 horas, devido à ligação proteica). ● Usos clínicos: Septicemia, pneumonia, meningite, infecções do trato biliar, infecções do trato urinário e sinusite. ● Efeitos adversos: Náusea, vômito, desconforto abdominal, nefrotoxicidade, intolerância ao álcool, cefaleia, hipersensibilidade (semelhante à penicilina), diarreia ou colite por C. difficile. c) Carbapenêmicos ● Exemplos: Ertapenem, imipenem, meropenem. ● Uso: Considerados "fármacos de reserva" para infecções graves por germes multirresistentes. ● Espectro: Ativos contra cocos Gram-positivos (incluindo pneumococos β-lactamase+), Gram-negativos (Pseudomonas aeruginosa, Neisseria, Bacteroides) e anaeróbios. O ertapenem não atua contra P. aeruginosa. ● Farmacocinética: Administração IV ou IM, excreção renal e meia-vida curta (1-5 horas). ● Efeitos adversos: Similares a outros β-lactâmicos (náuseas, vômitos), podem suprimir a microbiota normal. O imipenem apresenta neurotoxicidade, podendo causar convulsões. ● Resistência: Alta resistência às β-lactamases e boa penetração na barreira hematoencefálica (BHE). d) Monobactâmicos ● Exemplo: Aztreonam. ● Estrutura: Relacionado às penicilinas, mas com uma estrutura de anel única. ● Alergenicidade: Pouca alergenicidade cruzada com as penicilinas. ● Espectro de ação: Limitado a bactérias Gram-negativas aeróbias (ex: P. aeruginosa, Neisseria meningitidis, H. influenzae). Não tem atividade contra bactérias Gram-positivas ou anaeróbias. ● Farmacocinética: Administrado IM ou IV. É resistente à maioria das β-lactamases, exceto ESBLs. Excreção renal, com meia-vida de 2 horas. ● Efeitos adversos: Semelhantes a outros β-lactâmicos, mas com excelente tolerabilidade. Pode causar efeitos cutâneos e gastrintestinais, aumento das transaminases e fosfatase alcalina. A nefrotoxicidade é rara. 2. Glicopeptídeos ● Exemplos: Teicoplanina, telavancina, vancomicina, daptomicina. ● Mecanismo de ação: Inibem a síntese da parede celular, impedindo a ligação de peptidoglicanos. A telavancina também interrompe a permeabilidade da membrana celular. ● Espectro de ação: Ativos contra Gram-positivos, especialmente Staphylococcus resistente à meticilina (MET(R)). A vancomicina oral é usada para C. difficile. ● Resistência: Incomum, mas pode ocorrer por espessamento da parede celular (em S. aureus) ou por modificação na parede celular para evitar a ligação do glicopeptídeo (incorporação de D-lactato em vez de D-alanina). ● Farmacocinética: Mal absorvidos por via oral, administrados por infusão intravenosa para infecção sistêmica. A vancomicina oral é apenas para C. difficile. São excretados principalmente pelos rins. ● Efeitos adversos: Nefrotoxicidade, febre, tromboflebite, erupções cutâneas, distúrbios do sangue, ototoxicidade (zumbido), náusea, diarreia e infecções fúngicas. 3. Lipopeptídeos ● Exemplo: Daptomicina. ● Mecanismo de ação: Liga-se à parede celular de bactérias Gram-positivas, criando canais transmembrânicos que permitem o extravasamento de íons, destruindo o potencial da membrana. ● Espectro de ação: Bactericida contra um espectro similar à vancomicina, usada para infecções complicadas de pele e tecidos moles. Não penetra a membrana de bactérias Gram-negativas. ● Resistência: Pode ocorrer por mudança na estrutura da membrana bacteriana. ● Farmacocinética: Administrada por via intravenosa e eliminada inalterada pelos rins, com meia-vida de cerca de 8 horas. ● Efeitos adversos: Desconforto gastrintestinal e reações no local da injeção. 4. Polimixinas ● Exemplos: Colistimetato de sódio, colistina e polimixinas B e E.● Mecanismo de ação: Atuam como "detergentes", ligando-se à parede celular de bactérias suscetíveis e alterando a permeabilidade das membranas externa e interna aos íons K+ e Na+, levando à lise bacteriana. ● Espectro de ação: Bactericida contra bactérias Gram-negativas, incluindo espécies de Pseudomonas. Inativas contra bactérias Gram-positivas. ● Resistência: Adquirida é rara. ● Farmacocinética: Não são absorvidas pelo trato GI, sendo administradas sistemicamente. O colistimetato de sódio é pouco absorvido no intestino e administrado por inalação ou topicamente. Excretado inalterado pelos rins, com meia-vida de 4-8 horas. O uso clínico é limitado pela toxicidade. ● Efeitos adversos: Nefrotoxicidade, neurotoxicidade, broncoespasmo e irritação no local da injeção. 5. Quinolonas ● Exemplos: Fluoroquinolonas (ciprofloxacino, moxifloxacino, norfloxacino, ácido nalidíxico). ● Mecanismo de ação: Inibem a replicação do DNA bacteriano bloqueando a DNA girase bacteriana (topoisomerase II) e, em alguns casos, a topoisomerase IV. Essas enzimas são cruciais para o relaxamento e replicação do DNA. ● Espectro de ação: Amplo espectro antimicrobiano. O ciprofloxacino é eficaz contra diversas Gram-negativas (incluindo P. aeruginosa) e algumas Gram-positivas. O moxifloxacino tem maior atividade contra Gram-positivos. ● Resistência: Pode ocorrer por mutações que alteram os sítios-chave da DNA topoisomerase II ou IV, ou por aumento do efluxo ativo dos fármacos. ● Farmacocinética: Boa absorção oral do ciprofloxacino. O ciprofloxacino e o norfloxacino são eliminados principalmente pelos rins, com meias-vidas curtas (3-4 horas). O moxifloxacino é metabolizado no fígado e tem meia-vida mais longa (12 horas). ● Efeitos adversos: Náusea, vômito, dor abdominal, diarreia, efeitos no SNC, dor no ouvido, zumbido, erupções cutâneas, dor e inflamação nos tendões, e alterações cardíacas (moxifloxacino). 6. Nitroimidazóis ● Exemplos: Metronidazol e tinidazol. ● Mecanismo de ação: Somente anaeróbios e alguns protozoários contêm a enzima oxidorredutase, que converte esses fármacos em seus derivados tóxicos. ● Espectro de ação: Bactérias e protozoários anaeróbios. O metronidazol é importante para tratar colite por C. difficile e faz parte da terapia para erradicar Helicobacter pylori. ● Resistência: Mais comum com absorção reduzida ou desenvolvimento de oxidorredutases alteradas. ● Farmacocinética: Bem absorvidos por via oral. Penetram bem em fluidos corporais e podem atravessar a placenta. Eliminados principalmente por metabolismo hepático. ● Efeitos adversos: Náusea, vômito, gosto metálico, diminuição do apetite e intolerância ao álcool. 7. Nitrofurantoína ● Mecanismo de ação: Ativada dentro das bactérias por flavoproteínas redutases em metabólitos instáveis que perturbam o RNA ribossômico, DNA e outros componentes intracelulares. ● Espectro de ação: Ativa contra a maioria dos cocos Gram-positivos e E. coli. O uso é restrito a infecções do trato urinário inferior. ● Farmacocinética: Boa absorção intestinal, mas meia-vida plasmática muito curta (meio de uma proteína G estimuladora (Gs ), produzindo relaxamento do músculo liso e broncodilatação. Eles também inibem a liberação de mediadores dos mastócitos e melhoram a depuração mucociliar. ○ Tipos: ■ Agonistas β2 de Curta Ação (BACAs): Têm rápido início de ação (2 a 5 minutos) e proporcionam alívio de 4 a 6 horas. Exemplos incluem salbutamol (albuterol) e terbutalina. São usados para o alívio rápido do broncoespasmo agudo. Todos os pacientes asmáticos devem receber um inalante BACA. No entanto, não têm efeito anti-inflamatório e nunca devem ser usados como terapia única para pacientes com asma crônica. ■ Agonistas β2 de Longa Duração (BALAs): Proporcionam broncodilatação por pelo menos 12 horas. Exemplos incluem formoterol e salmeterol. Nem salmeterol nem formoterol devem ser usados para o alívio rápido de um ataque de asma agudo. A monoterapia com BALA é contraindicada, devendo ser usada apenas combinada com um medicamento que controle a asma. ○ Administração: Ambos são administrados por inalação (aerossol, pó ou solução nebulizada) , o que minimiza drasticamente a incidência de efeitos colaterais sistêmicos. ○ Efeitos Colaterais: Os principais efeitos colaterais após o uso por via inalatória incluem tremores e taquicardia. Efeitos adversos como taquicardia, hiperglicemia, hipopotassemia e hipomagnesemia são minimizados quando os fármacos são administrados por inalação. 2. Anticolinérgicos (Antagonistas dos Receptores Muscarínicos): ○ Mecanismo de Ação: Ao bloquearem o efeito da acetilcolina sobre os receptores M3 , os antimuscarínicos promovem broncodilatação e diminuição da secreção brônquica. Eles bloqueiam a contração dos músculos lisos das vias aéreas e a secreção de muco mediadas pelo nervo vago. O bloqueio dos receptores M2 (autorreceptores) faz com que o terminal axônico da fibra pós-ganglionar aumente a liberação de acetilcolina, o que em parte reduz a eficácia do antagonismo nos receptores M3 . ○ Exemplos: Ipratrópio e tiotrópio. O tiotrópio age mais rapidamente (5 minutos em comparação com 15 a 20 minutos do ipratrópio) e tem uma ação mais duradoura (24 horas contra 3 a 6 horas do ipratrópio). Isso é devido ao tiotrópio se dissociar muito lentamente dos receptores muscarínicos, e a dissociação dos receptores M3 é significativamente mais lenta do que a verificada nos receptores M2 . ○ Usos Terapêuticos: Diferentemente dos β2 -agonistas, os antimuscarínicos têm uma ação mais evidente nos quadros de broncoespasmo induzido pela superestimulação colinérgica, como, por exemplo, em crises induzidas por fatores psicogênicos. São pouco eficazes contra estímulos causados por alérgenos, embora inibam o aumento na secreção de muco e a depuração mucociliar das secreções brônquicas. Podem ser uma excelente alternativa em pacientes que não suportam os tremores e a taquicardia induzidos pelos β2 -agonistas, como, por exemplo, os idosos. ○ Efeitos Colaterais: São bem tolerados e não promovem efeitos colaterais relevantes devido à sua estrutura química polar (derivado nitrogenado quaternário da N-isopropilatropina), o que dificulta a absorção sistêmica desses fármacos. 3. Metilxantinas: ○ Mecanismo de Ação: Inibidores não seletivos da fosfodiesterase que impedem a degradação de AMPc, atuando também como antagonistas dos receptores de adenosina, resultando em relaxamento do músculo liso e broncodilatação. A inibição das fosfodiesterases tipos III e IV nas células do músculo liso resulta em broncodilatação. Além disso, ativam as histonas desacetilases, o que dificulta a transcrição de vários genes com ação pró-inflamatória. ○ Exemplo: Teofilina. É comercializada na forma de um complexo de teofilina-etilenodiamina, conhecido como aminofilina. ○ Uso Terapêutico: O uso das xantinas na asma é cada vez mais restrito devido à maior eficácia e segurança dos β2 -agonistas e dos anti-inflamatórios inalatórios. No entanto, a teofilina é uma das opções de tratamento devido ao seu baixo custo. É fármaco de segunda escolha e, em geral, deve ser associada a glicocorticoides em pacientes cuja asma não responde adequadamente aos β2 -agonistas. Pode ser utilizada por via intravenosa na asma grave aguda. ○ Farmacocinética: Atinge concentração plasmática máxima em torno de 2 horas. Existem preparações de liberação contínua, permitindo intervalos posológicos de 8, 12 e 24 horas. É eliminada por metabolismo hepático. ○ Efeitos Colaterais: Têm uma janela terapêutica muito estreita. Os efeitos adversos mais comuns estão relacionados com o TGI (azia, dor abdominal, náuseas, vômito) em decorrência do aumento da acidez gástrica, ou então com o SNC (cefaleia, ansiedade, agitação, tremor e insônia). Doses mais elevadas podem provocar crises epilépticas e taquiarritmias potencialmente fatais. O monitoramento sérico das concentrações de teofilina é necessário. 4. Magnésio: ○ Mecanismo de Ação: Os íons magnésio inibem o transporte de cálcio nas células do músculo liso e podem interferir nas reações de fosforilação intracelulares que induzem a contração do músculo liso. ○ Uso Terapêutico: O sulfato de magnésio tem sido usado experimentalmente nas exacerbações da asma aguda. Duas meta-análises sugeriram benefício com uso de sulfato de magnésio em pacientes com exacerbações graves da asma que procuram um serviço de emergência. Controladores (Agentes Anti-inflamatórios) 1. Corticosteroides: ○ Mecanismo de Ação: Induzem efeitos anti-inflamatórios diretos nas vias aéreas. Alteram a transcrição de muitos genes, induzem apoptose em diversas células inflamatórias (eosinófilos e LTH 2). Revertem o edema de mucosa, diminuem a permeabilidade dos capilares e inibem a liberação de leucotrienos. Não relaxam diretamente a musculatura lisa brônquica e, por isso, têm poucos efeitos diretos nos broncoespasmos. ○ Uso Terapêutico: Corticosteroides inalados (CSI) constituem o principal tratamento preventivo para a grande maioria dos pacientes com asma e são os fármacos de primeira escolha no tratamento de manutenção da asma devido ao seu potente efeito anti-inflamatório. Após vários meses de uso regular, os CSIs reduzem a hiper-reatividade do músculo liso das vias aéreas a vários estímulos broncoconstritores. A asma grave e persistente pode exigir o uso de glicocorticoide oral, por um curto período de tempo. ○ Administração: Produzem concentrações locais mais altas nas vias respiratórias que as produzidas por dose equivalente de corticosteroides administrados sistemicamente, permitindo doses totais mais baixas e reduzindo efeitos sistêmicos. A inalação possibilita uma redução de 100 vezes na dose necessária para obter efeito anti-inflamatório semelhante. A técnica de inalação apropriada é crítica para o sucesso do tratamento. O uso de espaçadores é recomendado para melhorar a oferta dos glicocorticoides inalados. ○ Exemplos: Beclometasona, triancinolona, fluticasona, budesonida, flunisolida, mometasona e ciclesonida. ○ Efeitos Colaterais: Glicocorticoides administrados por via oral ou parenteral têm uma variedade de efeitos adversos potencialmente graves. CSIs, particularmente se forem usados com o espaçador, apresentam poucos efeitos sistêmicos. A deposição do CSI na mucosa oral e laríngea pode causar candidíase orofaríngea (devido à imunossupressão local) e rouquidão[cite: 300]. Os pacientes devem lavar a boca com água fazendo gargarejo para diminuir esses efeitos adversos. 2. Cromoglicatos (Estabilizadores de Mastócitos): ○ Mecanismo de Ação: Inibem o transporte de íons cloreto, o que, por sua vez, afeta a regulação do cálcio ao impedir a liberação de grânulos, diminuindo, possivelmente, a resposta dos mastócitos a estímulos inflamatórios. Inibem a desgranulação e a liberação de histamina dos mastócitos. Inibem a resposta alérgica imediata a um estímulo antigênico. ○ Uso Terapêutico: Atuam mais como profiláticos e são úteis na asma do exercício. Não aliviam a resposta alérgica uma vez desencadeada.Não são úteis no manejo dos ataques agudos de asma, pois não são broncodilatadores. Mais efetivos em crianças e adultos jovens. ○ Efeitos Colaterais: Segurança global (baixa absorção sistêmica). Os efeitos adversos são mínimos e incluem gosto anormal, sensação de ardência nos olhos, tosse e irritação da garganta. 3. Agentes Modificadores da Via dos Leucotrienos: ○ Mecanismo de Ação: Leucotrienos (LTB4 , LTC4 , LTD4 e LTE4 ) são produtos do metabolismo do ácido araquidônico pela via da 5-lipoxigenase e fazem parte da cascata inflamatória. LTB4 é um potente atraente químico de neutrófilos e eosinófilos, enquanto os cisteinil-leucotrienos promovem contração de músculos lisos bronquiolares, aumentam a permeabilidade endotelial e promovem a secreção de muco. ○ Tipos: ■ Inibidores de 5-Lipoxigenase: Zileutona bloqueia a biossíntese de leucotrienos a partir do ácido araquidônico. É um inibidor seletivo e específico da 5-lipoxigenase, prevenindo a formação de LTB4 e de cisteinil-leucotrienos. Induz broncodilatação, alivia sintomas e produz melhora duradoura nos testes de função pulmonar na asma. Mostra-se efetiva no tratamento da asma induzida por frio, fármacos e alérgenos. ■ Antagonistas do Receptor de Leucotrienos: Zafirlucaste e montelucaste são antagonistas seletivos do receptor de cisteinil leucotrienos (CysLT1), bloqueando os efeitos dos cisteinil-leucotrienos. Mostram-se efetivos contra a asma induzida por antígenos, exercício físico, exposição a frio ou ácido acetilsalicílico. Melhoram significativamente o tônus brônquico, os testes de função pulmonar e os sintomas da asma. ○ Uso Terapêutico: Apresentam eficácia modesta quando utilizados profilaticamente e de modo isolado na asma moderada. Embora relaxem a musculatura lisa brônquica e diminuam o broncoespasmo na asma leve, sua ação é inferior à dos agonistas β2 . No entanto, apresentam um efeito sinérgico relevante tanto com os agonistas β2 como com os glicocorticoides , sendo comumente utilizados na asma grave, principalmente em crianças, permitindo a redução da dose de glicocorticoide. São extremamente eficazes em casos de asma induzida por AAS e por exercício. Não devem ser usados em situações em que é necessária a broncodilatação imediata. ○ Efeitos Colaterais: Os efeitos colaterais são mínimos. Podem induzir cefaleia e distúrbios gastrintestinais. Zileutona pode causar aumento das enzimas hepáticas. Zileutona reduz a depuração de teofilina e varfarina. 4. Anticorpos (Terapias Biológicas): Esses agentes visam componentes específicos da resposta imune envolvidos na asma. São considerados boas terapias alternativas aos corticosteroides, especialmente no manejo da asma grave, onde podem melhorar a qualidade de vida de muitos pacientes. ○ Omalizumabe: Anticorpo monoclonal murino humanizado de IgG1 dirigido contra o domínio de ligação do receptor de IgE (FceRI) de alta afinidade na IgE humana. Impede a ligação da IgE ao Fc$\varepsilon$RI em mastócitos e células apresentadoras de antígeno, diminuindo a quantidade de IgE circulante. Isso inibe a extrusão de grânulos dos mastócitos após nova exposição ao alérgeno, modulando a reação asmática aguda. Infrarregula o Fc$\varepsilon$RI nas células apresentadoras de antígeno, diminuindo o processamento e apresentação do antígeno aos linfócitos CD4+ , atenuando a reação asmática crônica. ○ Terapias anti-IL-5: Visam a interleucina-5 (IL-5), uma citocina pró-eosinofílica secretada pelas células T2 que leva à inflamação eosinofílica das vias respiratórias. Úteis para asma eosinofílica grave. ■ Mepolizumabe e Reslizumabe: Anticorpos monoclonais humanizados anti-IL-5. Reduzem eosinófilos circulantes e teciduais. ■ Benralizumabe: Anticorpo monoclonal humanizado contra o receptor IL-5. ■ Uso Terapêutico: Ensaios clínicos mostraram eficácia na melhora da função pulmonar e de medidas de controle da asma, bem como na prevenção de crises em pacientes asmáticos com eosinofilia periférica. Mepolizumabe e benralizumabe são administrados por injeção subcutânea, ao passo que reslizumabe é administrado pela via intravenosa. ○ Dupilumabe: Anticorpo humanizado de IgG4 contra o receptor IL-4$\alpha$ para IL-4 e IL-13. Reduz a frequência das crises de asma e melhora a função pulmonar. Estratégias Farmacológicas para o Tratamento da DPOC O tratamento farmacológico da DPOC é direcionado ao alívio dos sintomas e à prevenção da progressão da doença. 1. Broncodilatadores: A inalação de broncodilatadores, incluindo os β2 -agonistas adrenérgicos e os anticolinérgicos (ipratrópio e tiotrópio), são a base do tratamento da DPOC. Esses fármacos aumentam o fluxo aéreo, aliviam os sintomas e diminuem a taxa de exacerbações. Os fármacos de longa ação, BALAs e tiotrópio (um LAMA), são o tratamento de primeira escolha para todos os pacientes, exceto aqueles que estão sob risco baixo com menos sintomas. A associação de um anticolinérgico e um β2 -agonista pode ser útil em pacientes com respostas inadequadas a um broncodilatador simples inalado. ○ Broncodilatadores de Curta Duração: Exemplos incluem salbutamol (albuterol) e ipratrópio. ○ Broncodilatadores de Longa Duração: Exemplos incluem arformoterol, formoterol, salmeterol e tiotrópio. 2. Corticosteroides: O acréscimo de um CSI a um broncodilatador de longa ação pode melhorar os sintomas, a função pulmonar e a qualidade de vida em pacientes de DPOC com VEF1 de menos de 60% do predito. No entanto, o uso de um CSI está associado com aumento do risco de pneumonia. Embora usados com frequência nas exacerbações agudas, os corticosteroides orais não são recomendados para o tratamento de longa duração. Os esteroides inalatórios não influenciam o declínio progressivo da função pulmonar nos pacientes com DPOC. 3. Outros Fármacos: ○ Roflumilaste: Um inibidor da fosfodiesterase-4 de uso oral, empregado para diminuir as exacerbações em pacientes com bronquite crônica grave. Teoriza-se que reduz a inflamação aumentando os níveis intracelulares de monofosfato cíclico de adenosina (AMPc) nas células pulmonares. Não é broncodilatador e não é indicado para o alívio do broncoespasmo agudo. Seu uso é limitado por efeitos adversos comuns, incluindo náuseas, êmese, diarreia e cefaleia. ○ Teofilina: Assim como na asma, a teofilina foi largamente substituída por broncodilatadores de longa ação mais eficazes e tolerados. ○ Antibióticos: Recomendados se houver evidência de infecção. Patógenos comuns nas crises de DPOC incluem Haemophilus influenzae (20-30%), Streptococcus pneumoniae (10-15%), Moraxella catarrhalis (10-15%), Pseudomonas aeruginosa (5-10%) e Chlamydophilia pneumoniae (3-5%). ○ Oxigenoterapia: A oxigenoterapia a longo prazo administrada em domicílio prolonga a vida em pacientes com doença grave e hipoxemia. ————————————————————————————————————————— Anti-histamínico A histamina é um mensageiro químico produzido principalmente nos mastócitos, que desempenha um papel crucial em várias respostas celulares, como reações alérgicas e inflamatórias, secreção de ácido gástrico e neurotransmissão em algumas áreas do cérebro. Embora a histamina não tenha aplicações clínicas diretas, os medicamentos que interagem com sua ação, conhecidos como anti-histamínicos ou bloqueadores do receptor da histamina, são de grande importância terapêutica. A histamina está presente em quase todos os tecidos do corpo, com concentrações significativas nos pulmões, pele, vasos sanguíneos e trato gastrointestinal. Ela é encontrada em altas concentrações em mastócitos e basófilos e atua como neurotransmissor no cérebro. A histamina é formada pela descarboxilação do aminoácido histidina pela histidina-descarboxilase, uma enzima presente em várias células do organismo, incluindo neurônios, células parietais gástricas, mastócitos e basófilos. Nos mastócitos, a histamina é armazenada em grânulos e, se não for armazenada, é rapidamente inativada pela diaminoxidase. A liberaçãode histamina pode ser desencadeada por diversos estímulos, como destruição celular (causada por frio, toxinas, venenos de insetos e aranhas, e traumas), alergias e anafilaxias. A histamina exerce seus efeitos ligando-se a receptores específicos, sendo os tipos H1 e H2 os mais estudados e alvos de fármacos com utilidade clínica. Receptores de Histamina ● Receptores H1: Estão presentes no músculo liso, endotélio vascular e cérebro. São importantes na contração da musculatura lisa (causando broncoconstrição e cólicas intestinais, bem como sintomas de asma e diarreia), aumento da permeabilidade dos capilares (resultando em edema e rubor na pele, conhecido como "tríplice resposta"), e estimulação das terminações nervosas sensoriais (causando prurido e dor). No SNC, os receptores H1 são responsáveis pela manutenção da vigília e consciência. ● Receptores H2: Encontram-se em células parietais gástricas, músculo cardíaco, mastócitos e cérebro. Sua ativação estimula a secreção de ácido clorídrico no estômago. Também estão envolvidos na redução da pressão arterial sistêmica e na estimulação do cronotropismo e inotropismo positivos no coração. ● Receptores H3: Principalmente expressos no SNC e em alguns nervos periféricos. Pouco estudados, inibem a síntese e liberação de histamina. ● Receptores H4: Encontrados em células hematopoiéticas, mucosa gástrica, derme e SNC. Estão relacionados à quimiotaxia e secreção de citocinas. Anti-histamínicos O termo "anti-histamínico" refere-se principalmente aos bloqueadores dos receptores H1. Eles atuam bloqueando a resposta mediada pelo receptor no tecido-alvo, em vez de influenciar a formação ou liberação de histamina. São mais eficazes na prevenção dos sintomas do que em revertê-los. Os bloqueadores dos receptores H1 são divididos em duas gerações: 1. Primeira Geração: ○ Características: São fármacos mais antigos, amplamente utilizados, eficazes e de baixo custo. A maioria deles penetra no sistema nervoso central (SNC), causando sedação. Além disso, podem interagir com outros receptores (colinérgicos, adrenérgicos ou serotoninérgicos), produzindo uma variedade de efeitos indesejados. ○ Exemplos: Bronfeniramina, Clorfeniramina, Clemastina, Ciclizina, Ciproeptadina, Difenidramina, Dimenidrinato, Doxilamina, Hidroxizina, Meclizina e Prometazina. ○ Usos terapêuticos: Condições alérgicas e inflamatórias (rinite, conjuntivite, urticária) , enjoo e náuseas do movimento (difenidramina, dimenidrinato, ciclizina, meclizina e prometazina) , e como soníferos (difenidramina e doxilamina) devido às suas propriedades sedativas acentuadas. ○ Efeitos Adversos: Sedação é o efeito mais comum. Outros efeitos centrais incluem fadiga, tontura, falta de coordenação e tremores. Podem causar efeitos anticolinérgicos como secura na boca e nas passagens nasais, visão turva e retenção urinária. Também podem ocorrer efeitos gastrointestinais como perda de apetite, náuseas, vômitos, dor epigástrica, constipação e diarreia. Aumento de apetite e ganho de peso podem ocorrer com o uso prolongado de ciproeptadina. ○ Interações: Potencializam os efeitos de outros depressores do SNC, incluindo o álcool. Pacientes em uso de inibidores da monoaminoxidase (IMAOs) não devem usar anti-histamínicos, pois os IMAOs podem exacerbar os efeitos anticolinérgicos. Podem diminuir a eficácia de inibidores da colinesterase usados no tratamento da doença de Alzheimer. 2. Segunda Geração: ○ Características: São mais recentes e específicos para os receptores H1 periféricos. São geralmente mais polares, o que dificulta a travessia da barreira hematoencefálica e, consequentemente, causam menos depressão do SNC e menor sedação do que os de primeira geração. ○ Exemplos: Acrivastina, Cetirizina, Desloratadina, Fexofenadina, Levocetirizina e Loratadina. ○ Usos terapêuticos: Principalmente em condições alérgicas e inflamatórias, como rinite alérgica e urticária, devido à sua seletividade pelos receptores H1 periféricos. ○ Efeitos Adversos: A cefaleia é a reação adversa mais comum associada a esses fármacos. Devido ao seu baixo potencial sedativo, são recomendados para indivíduos que exercem atividades que exigem estado de alerta. Farmacocinética: Os bloqueadores dos receptores H1 são bem absorvidos após administração oral, atingindo o nível sérico máximo em 1 a 2 horas. A meia-vida plasmática média é de 4 a 6 horas para a maioria dos fármacos de primeira geração, e de 12 a 24 horas para meclizina e os de segunda geração. Os bloqueadores H1 de primeira geração se distribuem em todos os tecidos, incluindo o SNC. Muitos anti-histamínicos H1 de primeira geração e alguns de segunda geração (como desloratadina e loratadina) são biotransformados pelo sistema CYP450 hepático. A cetirizina e a levocetirizina são excretadas quase totalmente inalteradas na urina, e a fexofenadina nas fezes. A duração de ação de muitos anti-histamínicos H1 de uso oral é de 24 horas, permitindo a dosificação única diária. Outros Fármacos para o Tratamento de Alergias: Além dos anti-histamínicos, outras classes de medicamentos são utilizadas no tratamento de alergias: ● Estabilizadores de membrana de mastócitos: Inibem a liberação de histamina dos mastócitos (ex: cromoglicato dissódico). ● Vasoconstritores e descongestionantes: Atuam na redução do inchaço e da congestão nasal (ex: epinefrina, efedrina, fenilefrina). ● Glicocorticoides: Possuem propriedades anti-inflamatórias e imunossupressoras (ex: prednisolona, prednisona, beclometasona, hidrocortisona). ● Antileucotrienos: Bloqueiam a ação dos leucotrienos, melhorando sintomas de asma e rinite alérgica (ex: montelucaste, zafirlucaste). ● Imunoterapia específica com alérgenos (IT): Consiste na administração de doses crescentes de alérgenos específicos para induzir tolerância, sendo indicada em casos de asma alérgica com anticorpos IgE para alérgenos ambientais. ————————————————————————————————————————— Laxantes e Antidiarreicos Laxantes A constipação afeta um terço da população. Prevenção da Constipação: ● Orientar e educar sobre o hábito intestinal ● Hidratação ● Ingestão de fibras ● Exercícios físicos Medicamentos que podem causar constipação: ● Derivados do ópio (ex: morfina, codeína) ● Anticolinérgicos (antagonistas muscarínicos) ● Propranolol ● Clonidina ● Sais de ferro ● Anti-histamínicos Indicações para o Uso de Laxantes: ● Compactação fecal ● Pacientes geriátricos ● Limpeza intestinal (preparo para procedimentos cirúrgicos/diagnósticos) ● Hemorroidas Contraindicações para o Uso de Laxantes: ● Dor não diagnosticada ● Hemorragia retal ● Obstrução intestinal Classificação dos Laxantes: 1. Fibras e suplementos (formadores de massa) 2. Laxantes salinos e osmóticos açucarados 3. Laxantes estimulantes ou irritantes 4. Agentes surfactantes e emolientes 5. Agentes lubrificantes 1. Fibras e Suplementos (Formadores de Massa) ● Modo de Ação: Ligam-se à água, sofrendo expansão e aumentando o volume das fezes. Ativam mecanorreceptores que estimulam o peristaltismo. Melhoram a consistência fecal. ● Preparações: Polímeros hidrofílicos não-absorvíveis (metilcelulose, carboximetilcelulose) e fibras vegetais não-digeríveis (Psyllium, Agar, Plantago ovata). ● Início do Efeito: 12-24 horas. ● Administração: Ingerir com muito líquido. ● Usos: Colostomia ou ileostomia. Indicado para uso a longo prazo e são seguros. 2. Laxantes Salinos e Osmóticos Açucarados ● Modo de Ação: São moléculas solúveis, mas não absorvíveis, que retêm água no intestino por sua ação osmótica. Hidratam as fezes e distendem as paredes do tubo digestivo, estimulando o peristaltismo. ● Início do Efeito: 1-3 horas. ● Preparações: ○ MgSO4 , Na2 SO4 , Na2 PO4 , MgOH2 . O sulfato não é absorvível, levando à retenção de cátions para manter a neutralidade e a água. Íons Mg2+ promovem a liberação de colecistocinina/pancreozimina da mucosa duodenal, um polipeptídeo queestimula o peristaltismo. ○ Glicerol, sorbitol, lactulose, manitol. Não são absorvíveis e retêm água. ● Usos: Preparo de cirurgias, desintoxicações por envenenamento e tratamento de encefalopatia hepática. A lactulose, por fermentação por bactérias do cólon, acidifica o intestino e danifica a microflora, evitando a produção bacteriana de NH3 absorvível (o NH4+ não é absorvível). ● Contraindicações: ○ Preparações com alto teor de Na+ são contraindicadas na hipertensão e ICC (insuficiência cardíaca congestiva). ○ Preparações com alto teor de Mg2+ são contraindicadas em insuficiência renal devido ao risco de intoxicação por Mg2+. ● Reações Adversas: Possibilidade de desidratação. 3. Laxantes Estimulantes e Irritantes ● Modo de Ação: Exercem ação irritante na mucosa entérica. Estimulam a motilidade por efeito direto na musculatura lisa intestinal ou por efeito direto nos neurônios entéricos. ● Início do Efeito: 6-12 horas. ● Usos: Após ingestão de toxinas, em casos urgentes. ● Preparações: Bisacodil, Fenolftaleína , Antraquinonas (Sene, Cáscara sagrada, Aloe e Ruibarbo) , Óleo de rícino (Ricinus communis). 4. Agentes Surfactantes e Emolientes ● Modo de Ação: Aumentam as secreções de água e eletrólitos. Agem como surfactante aniônico que diminui a tensão superficial para misturar substâncias aquosas e graxas, possuindo propriedades detergentes. Estimulam o fluxo intestinal e a secreção de eletrólitos e água, alterando a permeabilidade da mucosa intestinal. ● Início do Efeito: 24-72 horas. ● Preparações: Docusatos. ● Usos: Cirurgias, hérnias, idosos, casos não urgentes. 5. Agentes Lubrificantes ● Modo de Ação: Emulsificam-se com o bolo fecal. Lubrificam as fezes, revestindo a superfície do bolo fecal e do intestino com um filme imiscível. ● Início do Efeito: 6-8 horas. ● Preparações: Óleo mineral. ● Usos: Expulsão de parasitas (após terapia anti-helmíntica) e hemorroidas e fissuras anais. ● Observação: Pouco recomendado para uso convencional devido à absorção de vitaminas lipossolúveis (A, D, E, K). Riscos do Uso de Laxantes: ● Desequilíbrio no balanço hidroeletrolítico. ● Arritmias cardíacas secundárias à hipocalemia. ● Risco de dependência ao uso de laxativos. ● Agentes irritantes esvaziam o cólon prematuramente, levando à perda enteral de NaCl, KCl e água. Para evitar a perda de NaCl e água, o organismo responde com aumento da liberação de aldosterona, que estimula a reabsorção renal desses eletrólitos. A ação da aldosterona está associada ao aumento da excreção de KCl. A perda enteral e renal de K+ leva à hipocalemia. Esta condição resulta em uma redução do peristaltismo (atonia intestinal) , levando à constipação e formando um ciclo vicioso. Antidiarreicos Diarreia: ● Alteração do hábito intestinal caracterizada por: Aumento da frequência e do volume das evacuações; Diminuição da consistência das fezes. ● É uma das formas do organismo de eliminar toxinas, bactérias e outros elementos estranhos, sendo um mecanismo de proteção natural. Classificação por Duração: ● Diarreia Aguda: Duração limitada (algumas horas ou poucos dias). ● Diarreia Crônica: Duração de semanas (4 semanas), meses ou reaparecimento regular. Possíveis Causas da Diarreia: ● Infecções por vírus, bactérias ou parasitas. ● Alergias (alimentar ou medicamentosa). ● Reação ao uso de alguns medicamentos como: Antibióticos , Antirretrovirais , Antiácidos com Mg2+ , Hormônios. ● Doença Inflamatória Intestinal. Classificação por Fisiopatologia: ● Diarreia Osmótica: Presença de conteúdo hiperosmolar que determina a passagem de líquido para a luz intestinal. ● Diarreia Disabsortiva: Deficiências digestivas do intestino delgado que impedem a correta digestão ou absorção, provocando diarreia com esteatorreia. ● Diarreia Motora: Alterações motoras que levam ao trânsito intestinal acelerado ou por redução da área absortiva. ● Diarreia Secretora: Hipersecreção de água e eletrólitos pelo enterócito, promovida por enterotoxinas bacterianas, hormônios e outros secretagogos. ● Diarreia Exsudativa: Enfermidades causadas por lesões da mucosa decorrentes de processos inflamatórios ou infiltrativos. Perigos da Diarreia: ● O principal perigo é a desidratação. ● Perda de grande quantidade de sais e água. ● Bebês e crianças, e idosos são mais vulneráveis. ● Sintomas da desidratação: Boca seca , lábios rachados , letargia , confusão mental , diminuição da urina. Tratamento da Diarreia: ● Manutenção do equilíbrio hidro-eletrolítico: Preparações com glicose e NaCl (ex: soro caseiro, sais de reidratação oral). ● Uso de anti-infecciosos: Para Escherichia, Salmonella, Shigella, Giardia, etc.. ● Uso de espasmolítico ou outro antidiarreico: Para tratamento sintomático. Considerações Importantes para Antidiarreicos: ● Pesquisar a etiologia: Infecção, toxina, medicamento/radioterapia, ansiedade. ● Prioridade para reposição hidro-eletrolítica. ● Antidiarreicos para uso ocasional. ● EXCLUIR ORIGEM INFECCIOSA: Não usar quando houver febre superior a 38∘C ou sangue nas fezes. Diarreia Aguda: ● É um quadro de instalação súbita, geralmente autolimitada, tendo como principal causa os agentes infecciosos ou toxinas. ● Etiologia: ○ Infecciosa (85%): ■ Virais (70%): Rotavírus, Adenovírus, Citomegalovírus, Vírus Norwalk. ■ Bacterianas (25%): Shigella, Salmonella, Campylobacter jejuni, Escherichia coli, Yersinia enterocolítica, Staphylococcus aureus, Bacillus cereus, Vibrio cholerae, Clostridium difficile. ■ Parasitárias (5%): Giardia lamblia, Entamoeba histolytica, Cryptosporidium, Cyclospora, Isospora belli, Microsporida, Strongyloides stercoralis. ○ Não-infecciosa (15%): ■ Drogas: Álcool, Antiácidos com Mg, Antiarrítmicos, Antibióticos, Anti-inflamatórios, Antilipidêmicos, Digitálicos, Lactulose, Manitol, Prostaglandinas, Quimioterápicos, Metformina, Acarbose. ■ Doenças: Apendicite, Colite isquêmica, Neoplasia de cólon, Intolerância à lactose, Diarreia diabética, Hipertireoidismo. ● Características (Inflamatória vs. Não-inflamatória): ○ Inflamatória: Local afetado (Íleo e cólon) , Leucócitos fecais (Presentes) , Etiologia (Bactérias invasivas e produtoras de citocinas, parasitas) , Características Clínicas (Diarreia de pequeno volume com muco, pus ou sangue; dor abdominal em cólicas, tenesmo e dor retal) , Necessidade de investigação diagnóstica (Sempre). ○ Não-inflamatória: Local afetado (Intestino delgado) , Leucócitos fecais (Ausentes) , Etiologia (Vírus e enterotoxinas) , Características Clínicas (Diarreia aquosa de grande volume, sem muco, pus ou sangue; Pode ter náuseas, vômitos ou cólicas leves) , Necessidade de investigação diagnóstica (Se houver grandes perdas ou toxemia). ● Avaliação Clínica: Avaliar a gravidade da doença (duração da diarreia, presença de muco, pus ou sangue, estado geral e imunológico do paciente, grau de desidratação, manifestações extra-intestinais). ● Avaliação Laboratorial: Lâmina direta das fezes para pesquisa de hemácias e leucócitos , Coprocultura , Pesquisa de antígenos virais (rotavírus) , Parasitológico das fezes , Hemograma, potássio, sódio, magnésio, ureia, creatinina , Rx simples de abdômen , Colonoscopia (se persistência da diarreia sanguinolenta após antibioticoterapia). Diarreia Crônica: ● É um quadro diarreico que se estende por mais de 4 semanas. ● Quase sempre é de causa não infecciosa. ● Exige investigação da causa e geralmente terapia adicional. ● Etiologia (exemplos): ○ Diarreia Osmótica: Intolerância à lactose (congênita ou adquirida), Ingestão de açúcares não absorvíveis (manitol, sorbitol, lactulose), Alcoolismo crônico (atrofia das vilosidades), Má-absorção intestinal (espru celíaco, giardíase, pelagra), Insuficiência pancreática, Sulfato de magnésio, sulfato de sódio, hidróxido de magnésio. ○ Diarreia Secretora: Abusos de laxantes, Má-absorção de sais biliares, Adenoma viloso do cólon, Hormônio-mediada (TSH,gastrina, calcitonina, VIP, serotonina), Colite infecciosa, Insuficiência adrenal, DM. ○ Diarreia Motora: Síndrome do intestino irritável, Pós cirurgia (vagotomia, gastrectomia), Esclerodermia, Síndrome carcinoide, Supercrescimento bacteriano, Hipertireoidismo. ○ Diarreia Inflamatória: Doença intestinal inflamatória, Colites diversas (isquêmicas, auto-imunes, tóxicas), Neoplasias (linfoma, adenocarcinoma), Colite microscópica, Endometriose, Causas infecciosas (AIDS, TB, shiguelose, amebíase, esquistossomose), Colite actínica. ● Tratamento: Reidratação , Dieta , Medicamentoso (tratamento sintomático) , Tratamento direcionado para a doença de base. Classificação de Antidiarreicos: 1. Derivados do ópio 2. Antagonistas muscarínicos 3. Subsalicilato de bismuto 4. Octreotídeo 5. Colestiramina 6. Modificadores da flora intestinal 7. Adsorventes 1. Derivados do Ópio: ● Modo de Ação: Ativam receptores opióides e diminuem o peristaltismo (peristaltismo propulsivo - espasmos focais). Inibem a secreção intestinal de água e eletrólitos. ● Preparações: Elixir Paregórico® (tintura de ópio) , Codeína , Difenoxilato (Lomotil®: Cloridrato de Difenoxilato + Sulfato de Atropina) , Loperamida (Imosec®). ● Loperamida: Opióide sintético com semelhança estrutural com opióides. ○ Início de ação: 0,5 a 1 hora. ○ Meia-vida de eliminação: 7 a 14 horas. ○ Duração de ação: até 24 horas. ● Efeitos Adversos: Constipação, anorexia, sonolência, vertigens, risco de dependência. ● Contraindicações da Loperamida: Hipersensibilidade à loperamida , Colite pseudomembranosa associada ao uso de antibióticos , Colite ulcerativa aguda , Disenteria aguda sanguinolenta , Diarreia bacteriana (ex: Salmonella e Shigella) , Crianças. 2. Antagonistas Muscarínicos (ex: Atropina): ● Modo de Ação: Antagonista muscarínico que diminui a secreção e motilidade GI. ● Usos: Usado em algumas preparações combinadas, como o Lomotil. 3. Subsalicilato de Bismuto (ex: Siparox): ● Modo de Ação: Inibidor da motilidade e secreções intestinais. ● Usos: Diarreias moderadas ou leves. 4. Octreotídeo: ● Modo de Ação: Octapeptídeo análogo sintético da somatostatina. É um agente anti-secretor. ● Usos: Inibe a diarreia secretora severa. ● Doses: 100 – 500 µg, SC, 3x/dia. 5. Colestiramina: ● Modo de Ação: Antidiarreico luminal. Resina de troca iônica que liga ácidos biliares e algumas toxinas bacterianas. ● Observação: Diminui a absorção intestinal de fármacos ministrados simultaneamente (digitálicos, vitamina K, varfarina). 6. Modificadores da Flora Intestinal (Probióticos): ● Modo de Ação: Microrganismos probióticos são suplementos alimentares microbianos vivos que apresentam efeitos benéficos para um hospedeiro quando ingeridos. Promovem equilíbrio microbiano intestinal, reconstituindo a flora normal. ● Usos: Amenizam a diarreia causada por rotavírus e antibioticoterapia, fundamentalmente em crianças não amamentadas ao peito. ● Exemplos: Lactobacillus acidophilus , Saccharomyces boulardii (Floratil®) , Bacillus cereus (Biovicerin®). 7. Adsorventes (ex: pectina, carvão ativado): ● Modo de Ação: Adsorção. ● Usos: Em intoxicação (VO). ● Observação: Necessidade de presença de trânsito intestinal normal. ————————————————————————————————————————— Antieméticos Introdução aos Antieméticos Náuseas e vômitos constituem efeitos colaterais indesejáveis de muitos fármacos de uso clínico, notadamente aqueles usados na quimioterapia do câncer, mas também opioides, anestésicos gerais e digoxina. Ocorrem também na cinetose, no início da gravidez e em numerosos estados patológicos (por exemplo, enxaqueca), bem como infecções bacterianas e virais. O trato gastrointestinal (GI) possui sua própria rede neuronal integradora, o sistema nervoso entérico, que contém quase o mesmo número de neurônios que a medula espinal[cite: 97]. Mecanismos de Êmese e Ação Antiemética Estímulos irritantes e até mesmo a distensão mecânica desencadeiam a liberação de mediadores como acetilcolina (ACh), histamina (H), serotonina (5-HT), dopamina (D) e Substância P. Os fármacos antieméticos atuam em diversos locais, incluindo a zona de gatilho quimiorreceptora (ZGQ), o centro do vômito e o trato GI. Classificação dos Antieméticos 1. Antagonistas dos Receptores H1 ● Exemplares: Cinarizina, ciclizina, prometazina. A doxilamina/piridoxina é aprovada durante a gravidez. ● Características: São eficazes e alguns (prometazina e doxilamina) são mais utilizados e eficientes em condições específicas, como enjoo matinal da gravidez. ● Modo de Ação: Atuam nos receptores H1 no SNC (que causam sedação) e, possivelmente, têm ações anticolinérgicas no aparelho vestibular. ● Usos: Distúrbios vestibulares, uso de analgésicos, cinetose, enjoo matinal. ● Principais Efeitos Adversos: Sonolência e sedação. 2. Antagonistas Muscarínicos ● Exemplares: Hioscina (escopolamina). ● Características: Pode ser administrada VO ou na forma de adesivo. Pouca penetração no SNC. ● Modo de Ação: Ações anticolinérgicas no aparelho vestibular e, possivelmente, em outros locais. ● Usos: Profilaxia e tratamento da cinetose. ● Principais Efeitos Adversos: Sonolência, boca seca e visão embaçada. 3. Antagonistas dos Receptores 5-HT3 ● Exemplares: Granisetrona, ondansetrona, palonosetrona. ● Características: A ZGQ constitui o principal local de ação desses fármacos. Podem ser administrados VO ou IV. ● Modo de Ação: Bloqueiam os receptores 5−HT3 na ZGQ e no trato GI. ● Usos: Prevenção e tratamento de vômitos (em menor grau, de náuseas) do pós-operatório e vômitos induzidos por quimioterapia. ● Principais Efeitos Adversos: Cefaleia e desconforto GI. 4. Antagonistas dos Receptores D2 ● Exemplares: ○ Antipsicóticos: Clorpromazina, perfenazina, haloperidol. ■ Características: Atuam principalmente contra na ZGQ, mas também bloqueiam os receptores de histamina e muscarínicos. ■ Usos: Náuseas e vômitos mais intensos associados ao câncer, rádio, aos fármacos citotóxicos, opioides, anestésicos e outros. ■ Principais Efeitos Adversos: São comuns e consistem em sedação, hipotensão e sintomas extrapiramidais, incluindo distonias e discinesias tardias. ○ Metoclopramida (Plasil®): ■ Características: Atua na ZGQ, mas também tem ação periférica no TGI. Aumenta a motilidade do esôfago, do estômago e intestino. ■ Usos: Antiemético e no tratamento do DRGE (Doença do Refluxo Gastroesesofágico), hepáticos e biliares. ■ Principais Efeitos Adversos: Pode ter comprometimento de movimentos (mais comum em crianças e adultos jovens), fadiga, inquietação motora, torcicolo espasmódico, crises oculógiras (mov. inv. olhos para cima). Estimula a liberação de PRL (prolactina), causando galactorreia e distúrbios da menstruação. ○ Domperidona (Motilium®): ■ Características: Semelhante à metoclopramida, com exceção de não atravessar facilmente a BHE (Barreira Hematoencefálica). Isso resulta em menos efeitos colaterais centrais. ■ Principais Efeitos Adversos: Pequeno aumento do risco de efeitos adversos cardíacos graves. 5. Antagonistas dos Receptores de Neurocinina (NK1) ● Exemplares: Aprepitanto, fosaprepitanto (pró-fármaco). ● Características: São considerados ferramentas importantes do tratamento antiemético moderno e seu uso tem se expandido para além da oncologia. O aprepitanto é VO e o fosaprepitanto é IV. ● Modo de Ação: Bloqueiam os receptores NK1 na ZGQ, centro do vômito e, possivelmente, no trato GI. ● Usos: Manejo da náusea e vômito induzidos por quimioterapia (NIVQ), em combinação com antagonistas 5−HT3 e corticosteroides (como dexametasona). Também são usados para náusea e vômito pós-operatório (NVPO). ● Principais Efeitos Adversos: Fadiga, tontura, dispepsia, dor de cabeça, insônia e ansiedade (menos comuns). Fármacos são inibidores moderados do citocromo P450 3A4 (CYP3A4). 6. Canabinoides ● Exemplares: Nabilona. ● Características: Diminui o vômito causadopor agentes que estimulam a ZGQ e, às vezes, é eficaz quando outros fármacos falham. Pode haver participação de receptores opioides em seu mecanismo de ação. É bem absorvido pelo TGI via oral e metabolizado em muitos tecidos. Possui meia-vida de 120 minutos e seus metabólitos são excretados na urina e fezes. ● Modo de Ação: Provavelmente receptores CB1 no trato GI. ● Usos: Vômito induzido por fármacos citotóxicos em pacientes nos quais outros fármacos não foram eficazes. ● Principais Efeitos Adversos: Os efeitos indesejáveis são comuns, particularmente sonolência, tontura e boca seca. Alterações do humor e hipotensão postural também são bastante frequentes. Alguns pacientes sofrem alucinações e reações psicóticas, que lembram os efeitos de outros canabinoides. 7. Outros Fármacos (Glicocorticoides) ● Exemplares: Dexametasona. ● Características: Em altas doses, também podem controlar a êmese, especialmente quando causada por fármacos citotóxicos. ● Modo de Ação: O mecanismo de ação não está bem esclarecido, mas provavelmente envolve múltiplos locais, incluindo o trato GI. ● Usos: Costuma ser administrada em combinação com metoclopramida ou ondansetrona a pacientes que recebem agentes citotóxicos ou que apresentam náuseas e vômitos no pós-operatório. ————————————————————————————————————————— Antiácidos e Mucoprotetores O trato gastrointestinal, além de sua função principal de digestão e absorção de alimentos, possui seu próprio sistema neural integrador, o sistema nervoso entérico, e é o local de diversas patologias comuns, desde dispepsia simples até doenças autoimunes complexas como a doença de Crohn. As doenças ácido-pépticas são condições onde o ácido gástrico e a pepsina atuam como fatores patogênicos. Apesar de cáusticos, o ácido e a pepsina geralmente não causam lesões devido a mecanismos de defesa intrínsecos, como as barreiras ao refluxo do conteúdo gástrico para o esôfago, proporcionadas pelo esfíncter esofágico inferior. 1. Antiácidos Antiácidos são agentes que neutralizam o ácido gástrico e reduzem a atividade da pepsina, que diminui quando o pH aumenta para valores acima de 4,0 a 5,0. Alguns antiácidos também adsorvem a pepsina. Eles aliviam os sintomas, promovem a cicatrização de úlceras e reduzem a recorrência, sendo relativamente baratos. Contudo, foram superados por medicamentos supressores de acidez no tratamento da úlcera péptica, sendo atualmente usados por curtos períodos para alívio sintomático. Os antiácidos são bases fracas inorgânicas que reagem com o ácido gástrico, formando água e sal. O objetivo é neutralizar diretamente o ácido secretado pelas células parietais gástricas e inibir a atividade das enzimas pépticas, que são inativadas em pH acima de 5. Quando administrados em quantidade e tempo suficientes, os antiácidos podem promover o fechamento de úlceras duodenais, mas são menos eficazes para úlceras gástricas. 1.1. Tipos de Antiácidos Existem dois tipos principais de antiácidos: ● Absorvíveis (sistêmicos): ○ Bicarbonato de sódio (NaHCO3 ) ○ Citrato de sódio (Na3 C6 H5 O7 ) ○ Esses antiácidos promovem neutralização rápida e completa, mas podem causar alcalose e devem ser usados apenas por curtos períodos (1 ou 2 dias). ● Não-absorvíveis (não-sistêmicos): ○ Carbonato de cálcio (CaCO3 ) ○ Hidróxido de magnésio (Mg(OH)2 ) ○ Hidróxido de alumínio (Al(OH)3 ) ○ Esses antiácidos causam poucos efeitos colaterais sistêmicos e são os preferidos. ○ Os sais de magnésio podem causar diarreia, e os sais de alumínio podem causar constipação. Por isso, muitas vezes são usados em misturas para equilibrar a função intestinal. 1.2. Exemplos de Antiácidos e seus Efeitos ● Bicarbonato de Sódio (NaHCO3 ): ○ Ação: Reage com o ácido estomacal, aumentando o pH e aliviando a hiperacidez. É de ação muito rápida. ○ Vantagem: Grande poder antiácido. ○ Desvantagem: Pode causar alcalose metabólica (pH sanguíneo superior a 7,45) devido ao aumento de bicarbonato plasmático. A liberação de CO2 pode causar distensão abdominal e flatulência. Deve ser usado apenas para alívio temporário. ○ Indicação: Azia, indigestão, dores de estômago. ○ Exemplo: ENO. ● Citrato de Sódio: ○ Ação: Similar ao bicarbonato de sódio. Pode reagir com o cálcio livre na urina, prevenindo cálculos renais. ○ Desvantagem: Em alguns casos, pode apresentar menores resultados com os mesmos efeitos colaterais que o bicarbonato de sódio. ● Hidróxido de Magnésio (Mg(OH)2 ): ○ Ação: Reage com o suco gástrico formando cloreto de magnésio. Não causa alcalose sistêmica devido à baixa absorção de magnésio no intestino. ○ Vantagem: Insolúvel, não forma CO2 , potente antiácido. ○ Desvantagem: Causa efeito laxante. Possibilidade de absorção de íon magnésio e sabor desagradável. ○ Exemplo: Leite de Magnésia. ○ Uso como antiácido: Para adultos e crianças acima de 12 anos, 1 colher de chá (5 mL) a 1 colher de sopa (15 mL), podendo repetir a dose até um máximo de 3 colheres de sopa (45 mL) a cada 24 horas. ○ Uso como laxante: Para adultos e crianças acima de 12 anos, 2 a 4 colheres de sopa (30 a 60 mL) uma vez ao dia. Para crianças de 6 a 11 anos, 1 a 2 colheres de sopa (15 a 30 mL) uma vez ao dia. ● Trissilicato de Magnésio: ○ Ação: Pó insolúvel que reage lentamente com o suco gástrico, formando cloreto de magnésio e sílica coloidal. Possui efeito antiácido prolongado e adsorve pepsina. ● Hidróxido de Alumínio (Al(OH)3 ): ○ Ação: Forma cloreto de alumínio no estômago, que é reabsorvido no intestino. Eleva o pH do suco gástrico para cerca de 4 e adsorve pepsina. Sua ação é gradual e o efeito dura várias horas. ○ Vantagem: Não altera o equilíbrio ácido-básico nem a motilidade intestinal. ○ Desvantagem: Causa constipação. Pode impedir a absorção de fosfatos. ○ Indicação: Usado para tratar pacientes com insuficiência renal crônica, pois se combina com fosfatos no TGI, aumentando a eliminação de fosfato nas fezes e diminuindo a eliminação renal. ○ Exemplo: Pepsamar. ○ Modo de usar: Mastigar ou dissolver na boca 2 a 4 comprimidos, cerca de uma hora após as refeições e ao deitar. Não deve ser usado por mais de duas semanas sem avaliação médica. ● Carbonato de Cálcio (CaCO3 ): ○ Ação: Classificado como não sistêmico por não produzir alcalose. Reage com o ácido clorídrico no estômago formando cloreto de cálcio, que reage com bicarbonato de sódio no intestino formando carbonato de cálcio. Alivia a dor de úlceras gástricas e duodenais, protegendo a mucosa e revelando maior atividade antiácida. ○ Vantagem: Bom poder antiácido. ○ Desvantagem: Constipante. Pode produzir cálculos renais e tem sabor desagradável. Produz CO2 no estômago. 1.3. Efeitos Colaterais dos Antiácidos ● Alcalose: Causada pelo NaHCO3 . ● Distensão abdominal, flatulência: Devido à liberação de CO2 por NaHCO3 e CaCO3 . ● Hipercalcemia: Em excesso de CaCO3 , o Ca2+ é absorvido como CaCl2 . ● Constipação: Produtos ricos em Al3+ e Ca2+. ● Diarreia: Mg2+ devido ao poder osmótico. ● Agravamento de HAS (hipertensão arterial sistêmica) e ICC (insuficiência cardíaca congestiva): Produtos ricos em Na+. 1.4. Interações com Outros Fármacos ● Formam complexos insolúveis: Podem alterar a absorção de tetraciclinas, digoxina, ferro, e fluoroquinolonas. ● Aumentam o pH gástrico: Isso pode alterar a taxa de desintegração e dissolução de medicamentos, bem como sua solubilidade e absorção. ● Aumentam o pH urinário: Alteram a eliminação renal, aumentando a eliminação de fármacos ácidos e diminuindo a de fármacos básicos. 1.5. Papel do Profissional de Saúde É crucial avaliar o problema do paciente: ● Se for ocasional e autolimitado, o uso de antiácidos pode ser aconselhado. ● Se for persistente e não responsivo, pode indicar uma doença subjacente mais grave, como úlcera péptica, refluxo gastroesofágico ou síndrome do cólon irritável. ● Recomenda-se ingerir qualquer medicamento por via oral 1a 2 horas após a administração do antiácido. 2. Mucoprotetores Mucoprotetores potencializam a proteção da mucosa, formando uma barreira física sobre a superfície da úlcera. 2.1. Sucralfato ● Composição: Complexo de hidróxido de alumínio e sacarose sulfatada que libera alumínio em presença de ácido. ● Modo de Ação: Em meio ácido (pHou pacientes com disfagia, as formulações disponíveis em cápsulas (mas não os comprimidos) podem ser abertas, e os microgrânulos misturados com suco de maçã ou de laranja ou com alimentos moles. O esomeprazol, omeprazol e pantoprazol também estão disponíveis em suspensões orais. O lansoprazol está disponível na forma de comprimido que se desintegra na boca, e o rabeprazol em formulação que pode ser polvilhada no alimento. ● Usos: Pacientes refratários a antagonistas H2 , tratamento da úlcera gástrica e duodenal, refluxo gastroesofágico, esofagite erosiva, hipergastrinemia e síndrome de Zollinger-Ellison. ● Reações Adversas: Efeitos TGI como náusea, dor abdominal, constipação, flatulência e diarreia. Efeitos no SNC como cefaleia. ● Interações: Inibem o CYP450, afetando o metabolismo de varfarina, fenitoína e benzodiazepínicos metabolizados por oxidação (diazepam, triazolam, midazolam). Aumentam os efeitos da amiodarona, citalopram, fluoxetina, propranolol, sertralina. Diminuem a absorção de vitamina B12. Há diminuição do efeito do cetoconazol, carbamazepina, fenitoína, rifampicina, itraconazol, atazanavir e indinavir. ● Clopidogrel: Vários estudos sugerem que os IBPs podem diminuir a eficácia clínica do agente antiplaquetário clopidogrel. Uma explicação é que IBPs e clopidogrel compartilham uma via metabólica comum mediada pela isoenzima do citocromo P450 CYP2C19 no fígado. A maioria dos IBPs é metabolizada pela CYP2C19, e o clopidogrel é convertido de pró-fármaco em fármaco ativo pela mesma enzima. A inibição do CYP2C19 pode interferir na ativação metabólica do clopidogrel, reduzindo sua atividade antiplaquetária e potencialmente aumentando o risco de trombose. No entanto, a importância clínica dessa interação permanece incerta, com estudos observacionais apresentando resultados conflitantes. Um ensaio clínico de grande porte não encontrou diferença significativa em desfechos clínicos adversos (morte cardiovascular, infarto do miocárdio ou acidente vascular encefálico) entre indivíduos tratados com clopidogrel como único medicamento e aqueles tratados concomitantemente com clopidogrel e um inibidor da bomba de prótons. Estudos demonstraram que o omeprazol e o lansoprazol podem levar a uma menor formação de metabólitos do clopidogrel, indicando menor bioativação. Já o pantoprazol e o esomeprazol mostraram valores de PRI (índice de reatividade plaquetária) similares, sugerindo ausência de interação metabólica significativa. ● Omeprazol: A alimentação interfere na absorção do fármaco, sendo melhor absorvido em jejum, de preferência antes do café da manhã. Quando administrado por sonda nasogástrica, deve ser administrado junto com suco ácido. Sua biodisponibilidade é de 30-40% e a meia-vida de 0,5-2 horas. É eliminado pela urina (80%) e fezes. Não necessita de ajuste para função hepática, mas deve ser utilizado com cautela nessa situação. O tratamento prolongado (geralmente mais de 3 anos) pode causar gastrite atrófica e má absorção de Vitamina B12. Não há comprovação de eficácia e segurança em crianças menores de 2 anos. Categoria de risco C na gestação e não recomendado na lactação. ● Pantoprazol: A posologia habitual é de um comprimido de 40 mg ao dia antes, durante ou após o café da manhã. Úlceras duodenais normalmente cicatrizam em duas semanas. Quando associado a antibióticos para erradicação do Helicobacter pylori, recomenda-se a administração em jejum. Sua biodisponibilidade é de 77% e a meia-vida de 1 hora. É eliminado pela urina (71%) e fezes. Não necessita ajuste para função hepática. Categoria de risco B na gestação e é secretado no leite, não sendo recomendado na lactação. Não há comprovação de eficácia e segurança em crianças. ● Lansoprazol: É melhor absorvido em jejum, de preferência antes do café da manhã. Sua biodisponibilidade é de 80% em jejum e 50-70% após as refeições. A meia-vida é de 2 horas. É eliminado pelas fezes (67%) e urina. A dose deve ser reduzida em pacientes com grave dano hepático. Categoria de risco B na gestação e não se sabe se é secretado no leite, não sendo recomendado seu uso na lactação. É o representante da classe mais influenciado pela alimentação. Não há estudos comprovando a segurança em crianças menores de 1 ano de idade. ● Dexlansoprazol: Suprime a secreção de ácido gástrico pela inibição específica da (H+, K+)-ATPase na célula parietal gástrica. Bloqueia a etapa final da produção de ácido. Sua formulação utiliza tecnologia de liberação retardada dupla, criando um perfil de concentração plasmática/tempo com dois picos distintos. As indicações incluem cicatrização de esofagite erosiva, manutenção da cicatrização e alívio da pirose, e tratamento da pirose associada à DRGE não-erosiva. Deve ser tomado sem alimentos. Reações adversas incluem alteração do paladar, convulsão, tontura, cefaleia, enxaqueca, comprometimento da memória, parestesia, hiperatividade psicomotora, tremor, neuralgia do trigêmeo. Interage com ampicilina, atazanavir, nelfinavir, digoxina, produtos com ferro, cetoconazol, varfarina, tacrolimo, metotrexato e inibidores de HIV protease. 3. Erradicação de Helicobacter pylori O Helicobacter pylori é uma bactéria que vive no muco que cobre a superfície do estômago e foi identificada em 1983. É um fator de risco para câncer gástrico, e sua erradicação promove fechamento rápido e duradouro de úlceras. ● Esquemas Terapêuticos (terapia tripla): ○ Inibidores da Bomba de Prótons (omeprazol 20 mg) - 2x ao dia. ○ Amoxicilina 1g - 2x ao dia. ○ Claritromicina 500mg - 2x ao dia. ○ Duração de 14 dias. ● Retratamento: Para o retratamento, o esquema de segunda linha mais usado é feito com a substituição da claritromicina por levofloxacino. ————————————————————————————————————————— Farmacologia de Antimicrobianos: Penicilinas, Cefalosporinas, Carbapenêmicos e Polipeptídicos Introdução à Farmacologia e Microrganismos A Farmacologia Médica estuda como os medicamentos interagem com os sistemas biológicos. Nosso corpo abriga uma vasta quantidade de micróbios, superando em número as células humanas. Estima-se que o corpo humano tenha cerca de 10 trilhões de células, e que o número de bactérias apenas no intestino pode ser 10 vezes maior, chegando a 100 trilhões de microrganismos. Isso é possível porque as bactérias são muito menores que as células humanas, e juntas podem pesar até 4 quilos. Infecções bacterianas são condições causadas pela invasão e multiplicação de bactérias patogênicas nos tecidos humanos, resultando em uma resposta inflamatória ou imune do hospedeiro. Essa definição inclui: ● Invasão: Bactérias que penetram barreiras naturais como pele ou mucosas. ● Multiplicação: Bactérias que se replicam dentro do organismo. ● Dano tecidual: Causado diretamente pelas bactérias (toxinas, enzimas) ou pela resposta inflamatória do hospedeiro. ● Resposta do hospedeiro: Manifestada por febre, aumento de leucócitos e produção de anticorpos. Histórico e Descoberta de Antibióticos A história da descoberta de antibióticos mostra diferentes estágios. A "early stage" (1910-1930) inclui o arsphenamine e a descoberta da penicilina e sulfonamidas. A "golden era" (1936-1975) viu o uso clínico de penicilina e sulfonamidas, e o surgimento de novas classes como aminoglicosídeos, tetraciclinas, macrolídeos e cefalosporinas. A "medicinal chemistry era" (1975-2000) introduziu carbapenêmicos, monobactâmicos e lipopeptídeos, entre outros. A partir de 2001, a era "resistant and narrow-spectrum" trouxe novos lipopeptídeos, pleuromutilinas e cefalosporinas de espectro expandido. Alexander Fleming, em 1928, observou que uma colônia de mofo contaminante em uma placa de cultura de Staphylococcus impedia o crescimento normal das bactérias. Ele chamou essa substância de "suco de mofo" e, mais tarde, "penicilina". Essa descoberta se tornaria a "maior vitória já alcançada contra a doença". Gerhard Domagk, por sua vez, foi laureado com o Nobel por sua