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EFEITOS DA ESTIMULAÇÃO ELÉTRICA FUNCIONAL (FES) NA REABILITAÇÃO MOTORA DE PACIENTES COM ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO (AVE)
Ribeirão Preto
2025
EFEITOS DA ESTIMULAÇÃO ELÉTRICA FUNCIONAL (FES) NA REABILITAÇÃO MOTORA DE PACIENTES COM ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO (AVE)
Projeto apresentado ao Curso de Fisioterapia da Universidade Anhanguera.
Orientador: 
Ribeirão Preto
2025
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO	4
1.1 O PROBLEMA	4
2 OBJETIVOS	5
2.1 OBJETIVO GERAL OU PRIMÁRIO	5
2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS OU SECUNDÁRIOS	5
3 JUSTIFICATIVA	6
5 METODOLOGIA	7
1 INTRODUÇÃO
O Acidente Vascular Encefálico (AVE) é uma das principais causas de incapacidade funcional no mundo, afetando diretamente a mobilidade e a independência dos indivíduos. A reabilitação motora é essencial para a recuperação da função e da qualidade de vida desses pacientes, sendo a Fisioterapia um dos pilares do processo de reabilitação. Nesse contexto, a Estimulação Elétrica Funcional (FES) tem sido cada vez mais utilizada como recurso terapêutico para promover ganhos motores (Kanika et al., 2023).
A FES consiste na aplicação de correntes elétricas de baixa intensidade com o objetivo de provocar contrações musculares funcionais, facilitando movimentos específicos, como o padrão de marcha e o alcance manual. Sua aplicação em pacientes pós-AVE tem demonstrado potencial para restaurar parcialmente a função neuromuscular, melhorar o recrutamento motor e reduzir a espasticidade. Essa abordagem contribui para a autonomia e engajamento do paciente nas atividades da vida diária (Rahayu et al., 2020).
Delimita-se este estudo à investigação das evidências disponíveis na literatura, no período de 2015 a 2025, sobre o uso da Estimulação Elétrica Funcional aplicada à reabilitação motora de pacientes adultos com AVE. O foco estará nas intervenções fisioterapêuticas descritas em artigos científicos publicados nas línguas portuguesa e inglesa, analisando os tipos de protocolos utilizados, os objetivos terapêuticos e os resultados relatados nos estudos (Kanika et al., 2023).
1.1 O PROBLEMA
Diante do tema, observa-se o seguinte problema: Como a Estimulação Elétrica Funcional tem sido utilizada nas intervenções fisioterapêuticas voltadas à recuperação motora de pacientes com AVE?
2 OBJETIVOS
2.1 OBJETIVO GERAL
Como objetivo geral, pretende-se Analisar, por meio de revisão bibliográfica, as evidências científicas sobre o uso da Estimulação Elétrica Funcional (FES) na reabilitação motora de pacientes adultos acometidos por Acidente Vascular Encefálico.
2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS
 
• Identificar, na literatura científica, os protocolos de aplicação da Estimulação Elétrica Funcional (FES) utilizados na reabilitação motora de pacientes pós-AVE;
• Descrever os benefícios relatados da FES na recuperação da função motora, com ênfase em membros superiores e/ou inferiores;
• Verificar as principais limitações e desafios apontados nos estudos quanto à aplicação da FES na prática fisioterapêutica.
3 JUSTIFICATIVA
O Acidente Vascular Encefálico (AVE) é uma das principais causas de incapacidade funcional no mundo, exigindo estratégias eficazes de reabilitação para promover a recuperação motora e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Dentre os recursos utilizados na Fisioterapia, a Estimulação Elétrica Funcional (FES) tem ganhado destaque por seu potencial de restaurar movimentos voluntários e facilitar o desempenho funcional.
Para a sociedade, compreender e divulgar intervenções que otimizem a reabilitação de pessoas acometidas por AVE é fundamental para reduzir o impacto da dependência funcional e favorecer o retorno às atividades cotidianas. O uso de tecnologias como a FES representa uma possibilidade de tornar a reabilitação mais eficiente, promovendo autonomia e diminuindo a sobrecarga sobre os sistemas de saúde e as famílias.
Justifica-se este estudo, pois há necessidade de reunir e sistematizar as evidências disponíveis na literatura científica sobre a utilização da FES no contexto da reabilitação pós-AVE. Por meio dessa revisão, busca-se oferecer subsídios para a prática clínica fisioterapêutica e contribuir com o avanço do conhecimento na área da neuroterapia.
4 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
A Estimulação Elétrica Funcional (FES) tem se consolidado como uma importante ferramenta terapêutica na reabilitação motora de pacientes acometidos por Acidente Vascular Encefálico (AVE). Essa técnica utiliza impulsos elétricos para ativar grupos musculares específicos, promovendo movimentos funcionais que auxiliam na recuperação da função motora comprometida. O AVE, por sua vez, é uma das principais causas de incapacidades neurológicas adquiridas, afetando a independência e qualidade de vida dos indivíduos. Diante disso, torna-se essencial investigar estratégias eficazes que contribuam para o restabelecimento motor. A análise da eficácia da FES se insere nesse contexto como um passo fundamental (Rahayu et al., 2020).
A recuperação motora após o AVE depende de múltiplos fatores, como a extensão da lesão, o tempo de início da reabilitação e a plasticidade neural residual. Nesse cenário, a FES surge como uma intervenção capaz de potencializar a reorganização cortical por meio da ativação repetitiva dos músculos paralisados ou enfraquecidos. Estudos clínicos apontam que a estimulação elétrica promove melhorias significativas na força muscular, no controle motor e na execução de tarefas funcionais. Essas melhorias são particularmente relevantes nos membros superiores e inferiores, regiões comumente afetadas pelo AVE. Assim, compreender a eficácia da FES permite um direcionamento mais preciso das abordagens terapêuticas (Kanika et al., 2023).
Especificamente nos membros superiores, a FES tem sido utilizada para facilitar movimentos como extensão do punho, abertura da mão e elevação do ombro, funções fundamentais para a realização de atividades da vida diária. Pacientes que recebem FES com regularidade tendem a apresentar melhora na capacidade de agarrar e manipular objetos, promovendo maior autonomia. Além disso, a repetição motora induzida pela estimulação contribui para a reativação de circuitos neuromusculares danificados. A literatura sugere que tais benefícios se intensificam quando a FES é associada a tarefas motoras específicas e intencionais. Portanto, seu uso nos membros superiores se mostra promissor e eficaz (Rahayu et al., 2020).
Nos membros inferiores, a FES é frequentemente aplicada para facilitar o padrão de marcha, estimular a dorsiflexão do pé e melhorar o equilíbrio postural. Essas intervenções contribuem significativamente para a recuperação da capacidade de locomoção, fator essencial para a reintegração social do paciente. Evidências demonstram que a FES auxilia na redução da espasticidade e na melhora da coordenação motora, elementos frequentemente comprometidos após o AVE. A possibilidade de simular movimentos funcionais durante a marcha com o auxílio da estimulação elétrica é um avanço terapêutico considerável. Tal abordagem oferece ganhos clínicos importantes e favorece a reabilitação global do paciente (Van de Port et al., 2012)
É importante destacar que a eficácia da FES está diretamente relacionada à individualização do tratamento e à sua integração em um plano terapêutico multidisciplinar. Parâmetros como intensidade, frequência e tempo de aplicação devem ser ajustados conforme as necessidades clínicas do paciente e sua resposta ao tratamento. A adesão ao protocolo de FES, aliada ao acompanhamento fisioterapêutico contínuo, potencializa os efeitos positivos na recuperação motora. Dessa forma, a análise de sua eficácia deve considerar não apenas os resultados objetivos, mas também fatores contextuais e subjetivos. A abordagem personalizada é, portanto, um aspecto central para o sucesso terapêutico da FES (Rahayu et al., 2020).
A comparação entre a Estimulação Elétrica Funcional (FES) e os métodos convencionais de fisioterapia na reabilitação pós-AVE é fundamental para aprimorar as estratégias terapêuticas. A FES atuadiretamente na contração muscular por meio de impulsos elétricos, promovendo movimentos funcionais mesmo em pacientes com déficits graves. Já a fisioterapia tradicional baseia-se em exercícios ativos e passivos, alongamentos e técnicas manuais. Embora ambos os métodos apresentem eficácia, suas abordagens e mecanismos diferem significativamente. Analisar comparativamente seus efeitos permite identificar o que há de mais eficaz na reabilitação neurológica (Peláez-Vélez et al., 2023).
A FES se destaca por estimular a neuroplasticidade por meio da repetição de movimentos funcionais, mesmo quando não há controle motor voluntário. Essa característica é especialmente relevante em fases iniciais da reabilitação, quando o paciente possui maior comprometimento. Em contrapartida, a fisioterapia convencional depende, em muitos casos, da colaboração ativa do paciente, o que pode limitar seus efeitos em quadros mais severos. Estudos indicam que a FES pode acelerar a recuperação em comparação com os métodos tradicionais. No entanto, a resposta ao tratamento pode variar conforme o tipo e a gravidade do AVE (Ontario Health, 2020).
Pesquisas recentes mostram que a associação entre FES e fisioterapia convencional gera resultados mais positivos do que o uso isolado de qualquer uma das técnicas. Pacientes submetidos a essa combinação apresentam maior evolução na força muscular, coordenação e funcionalidade. A repetição motora induzida pela FES potencializa o reaprendizado de padrões de movimento. Ao mesmo tempo, a fisioterapia tradicional contribui com ajustes posturais, controle da espasticidade e equilíbrio. Essa integração favorece uma abordagem mais completa e personalizada da reabilitação motora (Malik et al., 2015).
Apesar do avanço tecnológico da FES, a fisioterapia convencional oferece vantagens importantes, como o acompanhamento próximo do terapeuta e a adaptação constante das técnicas. A presença ativa do profissional permite correções imediatas e maior estímulo à adesão do paciente. Além disso, recursos manuais contribuem para a propriocepção e mobilização articular. A fisioterapia também favorece o vínculo terapêutico e a motivação contínua. Por isso, ainda desempenha papel central na reabilitação, mesmo diante das inovações tecnológicas (Kwakkel et al., 2015).
A aplicação da Estimulação Elétrica Funcional (FES) na reabilitação pós-AVE exige a definição de protocolos específicos que variam conforme a condição clínica do paciente e os objetivos terapêuticos. A literatura revela grande diversidade nos parâmetros utilizados, refletindo a necessidade de individualização do tratamento. Os protocolos diferem principalmente quanto à intensidade da corrente, frequência dos impulsos e tempo de aplicação. Essas variações influenciam diretamente os resultados funcionais alcançados. Portanto, mapear os principais protocolos é essencial para padronizar e qualificar a prática clínica (Kanika et al., 2023).
A intensidade da corrente elétrica é um dos elementos mais relevantes no protocolo de FES, devendo ser suficiente para provocar contrações visíveis sem causar desconforto. Protocolos de baixa intensidade costumam ser utilizados em pacientes com maior sensibilidade ou em fases iniciais da recuperação. Em contrapartida, intensidades moderadas a altas podem ser necessárias para promover movimentos funcionais mais amplos. A correta dosagem da intensidade é fundamental para garantir eficácia sem comprometer a adesão ao tratamento. A adaptação progressiva costuma ser recomendada para melhor resposta neuromuscular (Da Cunha et al., 2021).
A frequência dos impulsos elétricos também apresenta ampla variação entre os protocolos, oscilando geralmente entre 20 Hz e 50 Hz. Frequências mais baixas tendem a provocar contrações menos fatigantes, favorecendo sessões mais longas. Já as frequências mais elevadas promovem contrações mais fortes, porém com maior risco de fadiga muscular. A escolha da frequência deve considerar o tipo de movimento desejado e a tolerância individual. A modulação dos pulsos durante a sessão também tem sido explorada como forma de aumentar a eficácia terapêutica (Goncalves et al., 2023).
A duração das sessões de FES é outro aspecto crítico nos protocolos utilizados, podendo variar de 20 a 60 minutos por aplicação. O número de sessões semanais varia conforme a fase da reabilitação, com maior frequência nos estágios iniciais. Estudos demonstram que a regularidade e a continuidade do tratamento são determinantes para o sucesso terapêutico. Além disso, sessões prolongadas sem intervalos adequados podem causar fadiga e reduzir os benefícios da intervenção. O planejamento do tempo de aplicação deve equilibrar intensidade terapêutica e recuperação muscular (Brusola et al., 2023).
Os desfechos clínicos associados à FES são avaliados por meio de indicadores como força muscular, amplitude de movimento, capacidade de marcha e desempenho em atividades funcionais. Alguns protocolos também incluem escalas específicas de qualidade de vida e independência. A análise desses resultados permite verificar quais combinações de parâmetros promovem maiores ganhos funcionais. Além disso, observar o tempo necessário para alcançar melhorias fornece dados importantes para a tomada de decisões terapêuticas. Identificar padrões de resposta facilita a replicação de intervenções eficazes.
5 METODOLOGIA
 
Para a realização deste trabalho será feita uma revisão bibliográfica com análise de artigos datados entre os períodos de 2015 a 2025. Será feita uma pesquisa nas línguas portuguesa e inglesa nos principais sites de pesquisa sobre saúde, como Scielo (Scientific Electronic Library Online), PubMed e Lilacs. Serão utilizados os seguintes descritores: “fisioterapia”, “acidente vascular cerebral”, “neuroterapia” e “manejo da dor na paralisia cerebral”. Foram utilizados como critérios os artigos publicados no referido período, nos idiomas português e inglês, sendo excluídos aqueles que não apresentavam relação direta com o tema proposto.
6 CRONOGRAMA
	ATIVIDADES
	2025/1
	2025/2
	
	JAN
	FEV
	MAR
	ABR
	MAI
	JUN
	JUL
	AGO
	SET
	OUT
	NOV
	DEZ
	Escolha do tema. Definição do problema de pesquisa
	X
	X
	X
	X
	
	
	
	
	
	
	
	
	Definição dos objetivos, justificativa.
	X
	X
	X
	X
	
	
	
	
	
	
	
	
	Pesquisa bibliográfica e elaboração da fundamentação teórica.
	
	
	X
	X
	X
	
	
	
	
	
	
	
	Definição da metodologia.
	
	
	X
	X
	
	
	
	
	
	
	
	
	Entrega da primeira versão do projeto.
	
	
	
	
	X
	
	
	
	
	
	
	
	Entrega da versão final do projeto.
	
	
	
	
	X
	X
	
	
	
	
	
	
	Revisão das referências para elaboração do TCC.
	
	
	
	
	
	
	X
	
	
	
	
	
	Elaboração da Introdução
	
	
	
	
	
	
	
	X
	
	
	
	
	Revisão e reestruturação da Introdução e elaboração do Desenvolvimento
	
	
	
	
	
	
	
	
	X
	
	
	
	Revisão e reestruturação do Desenvolvimento
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	X
	
	
	Elaboração da Conclusão
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	X
	
	Reestruturação e revisão de todo o texto. Verificação das referências utilizadas.
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	Elaboração de todos os elementos pré e pós-textuais.
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	x
	
	Entrega do TCC-Artigo
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	Defesa do TCC-Artigo
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	X
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRUSOLA, Gregory et al. “Effectiveness of physical therapy interventions on post-stroke spasticity: An umbrella review.” NeuroRehabilitation vol. 52,3 (2023): 349-363. doi:10.3233/NRE-220275
GONCALVES, Stéphanie et al. “Impact of Active Physiotherapy on Physical Activity Level in Stroke Survivors: A Systematic Review and Meta-Analysis.” Stroke vol. 54,12 (2023): 3097-3106. doi:10.1161/STROKEAHA.123.043629.
DA CUNHA, Maira et al. “Functional electrical stimulation of the peroneal nerve improves post-stroke gait speed when combined with physiotherapy. A systematic review and meta-analysis.” Annals of physical and rehabilitation medicine vol. 64,1 (2021): 101388. doi:10.1016/j.rehab.2020.03.012
KANIKA et al. “Effectiveness of the physiotherapy interventions on complex regional pain syndrome in patients with stroke: A systematicreview and meta-analysis.” Journal of bodywork and movement therapies vol. 35 (2023): 175-181. doi:10.1016/j.jbmt.2023.04.040
KWAKKEL, Gert et al. “Constraint-induced movement therapy after stroke.” The Lancet. Neurology vol. 14,2 (2015): 224-34. doi:10.1016/S1474-4422(14)70160-7.
MALIK, Arshad Nawaz et al. “Technological advancements in stroke rehabilitation.” JPMA. The Journal of the Pakistan Medical Association vol. 72,8 (2022): 1672-1674. doi:10.47391/JPMA.22-90
ONTARIO HEALTH (Quality) . “Continual Long-Term Physiotherapy After Stroke: A Health Technology Assessment.” Ontario health technology assessment series vol. 20,7 1-70. 6 Mar. 2020
PELÁEZ-VÉLEZ, Francisco-Javier et al. “Use of Virtual Reality and Videogames in the Physiotherapy Treatment of Stroke Patients: A Pilot Randomized Controlled Trial.” International journal of environmental research and public health vol. 20,6 4747. 8 Mar. 2023, doi:10.3390/ijerph20064747
RAHAYU, Umi Budi et al. “Effectiveness of physiotherapy interventions in brain plasticity, balance and functional ability in stroke survivors: A randomized controlled trial.” NeuroRehabilitation vol. 47,4 (2020): 463-470. doi:10.3233/NRE-203210
VAN DE PORT, Ingrid G L et al. “Effects of circuit training as alternative to usual physiotherapy after stroke: randomised controlled trial.” BMJ (Clinical research ed.) vol. 344 e2672. 10 May. 2012, doi:10.1136/bmj.e2672.
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