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COMUNICAÇÃO E LINGUAGEM

Capítulo sobre comunicação e linguagem: papel social da linguagem, a visão bakhtiniana do diálogo, linguagens verbal, não verbal e híbrida (HQs), diferenças entre fala e escrita e a função da gramática normativa na norma culta.

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Comunicação e Linguagem A linguagem assume um papel de destaque no processo de comunicação, pois garante diferentes operações intelectuais e possibilita a criação de mundos e, con- sequentemente, de perspectivas. É ainda por meio da linguagem que pensamento se organiza, que 0 indivíduo se identifica como pessoa, argumenta, explica e/ou justifica, quando interage com meio em que vive. (Terezinha de Jesus Costa) Para Bakhtin, a palavra procede de alguém e se dirige para alguém, orienta-se em função do interlocutor: "A palavra é uma espécie de ponte lançada entre mim e outros. Se ela se apoia sobre mim numa extremidade, na outra se apoia sobre meu interlocutor. A palavra é, portanto, território comum do locutor e do interlocutor". (2002, p. 113) diálogo, de acordo com Baktin, é princípio constitutivo da lin- guagem, que quer dizer que, em qualquer campo, a linguagem está impregnada de relações dialógicas, seja o diálogo entre interlocutores ou o diálogo entre discursos. A interação ou diálogo de interlocutores é princípio fundador da linguagem. É na relação entre sujeitos que se constroem a significação das palavras, o sentido do texto e os próprios sujeitos. Como o diálogo se constrói socialmente, pressupondo pelo menos dois interlocutores cujos discursos são impregnados de influências do contexto em que vivem e se relacionam, diálogo entre esses discursos acaba sendo inevitável. A linguagem é, portanto, a mais importante criação humana pois, sendo um todo organizado de sinais, serve como meio de comunica- ção entre os indivíduos. Para que ocorra a comunicação, o indivíduo vale-se dos variados recursos: gestos, expressões, símbolos, cores, desenhos, palavra falada, palavra escrita, porém o uso desses recursosdeve estar sempre de acordo com que quer comunicar e a quem quer comunicar. choro do bebê, por exemplo, movimenta a mãe para saber que não está bem, as cores diferentes dos semáforos possibilitam aos pedestres atravessarem ou não a rua, as placas de trânsito orientam motoristas, um apito, um ruído qualquer, um desenho, um gesto, tudo são sinais de comunicação. Fazemos uso, portanto, da linguagem verbal e da linguagem não verbal. A linguagem verbal é a forma de comunicação que faz uso da lavra, seja ela oral ou escrita. Assim, para sermos compreendidos por meio das palavras, precisamos ter domínio de um tipo particular de código; no nosso caso, código que utilizamos é a língua portuguesa que deve, portanto, ser comum a todos que querem se comunicar. Sejam bem-vindos. Mãe, estou estudando matemática na casa do João. Clara 12 Capítulo 1 Comunicação e linguagemA linguagem não verbal é a forma de comunicação cujo código utilizado não é a palavra. A comunicação é estabelecida por meio de gestos, desenhos, imagens, elementos visuais e sonoros. W.C. Há, ainda, as linguagens híbridas presentes, por exemplo, nas histó- rias em quadrinhos, que utilizam, normalmente, a imagem e a palavra. Ao fazer uso da língua é preciso alguns cuidados para que a co- municação se efetive. Contar uma história é diferente de escrevê-la. Observe: A língua falada tem, a seu favor, entre outros recursos expressivos, gestos, as expressões fisionômicas, além das repetições, da entonação, do olhar e, na maioria das vezes, a proximidade dos interlocutores favo- recendo, se necessário, a alteração do discurso. Não há preocupação com sinais de pontuação, com uso de "g" ou "j", "x" ou "ch" etc. Saiba Dados de 1995 Guia dos Curiosos apontam as 10 línguas mais faladas no mundo. Na sequência: mandarim, hindi, inglês, espanhol, russo, árabe, português, japonês, alemão, francês. Já a língua escrita exige mais do escrevente, pois não possui os recursos expressivos da língua falada - gestos, expressões faciais, entonação etc. Cabe, portanto, ao escrevente fazer uso de outros recursos, como, por exemplo, os sinais de pontuação. Capítulo Comunicação e linguagem 13Nem sempre indivíduo que está procedendo à leitura de algum texto compreende exatamente que o escrevente quis dizer. Dessa situação depreendemos a importância de se ter muito claro que se pretende dizer importância da clareza das ideias. Ideias claras, expressas por meio de recursos adequados da língua, facilitam a in- teração dos interlocutores. A escrita exige, para nos comunicarmos de um modo mais eficien- te e entender melhor mundo que nos rodeia, que as construções das sentenças sejam mais bem elaboradas e, para isso, precisamos conhecer também os aspectos básicos da língua que utilizamos: sons, as palavras e a forma de combiná-las. Esses aspectos básicos são a sua gramática. Originalmente, gramática era nome das técnicas de leitura e es- crita. Com tempo passou a estabelecer padrões de certo e errado para as formas do idioma sendo denominada gramática normativa. Cabe à gramática normativa estabelecer a norma culta, isto é, o padrão linguístico a ser ensinado nas escolas, nos livros e revistas, em textos científicos e didáticos, bem como na redação dos documentos oficiais. Sabemos, porém, que há outras variedades linguísticas, que diferem da norma culta. Todas são eficazes na comunicação verbal e possuem valor dentro das comunidades em que são faladas, e cada falante tem um modo particular de se expressar. Vários fatores podem interferir na maneira como uma pessoa se expressa: cidade de origem, região, faixa etária, nível cultural, grupos específicos etc. A isso chamamos de variações linguísticas. As variações linguísticas, portanto, são variações que uma língua apresenta ao ser utilizada. Elas podem ser históricas, geográficas e socioculturais. Numa situação informal, a gíria pode ser bem aceita; numa outra situação, por exemplo, numa conversa com o diretor de uma escola, normalmente, a gíria não é bem-vinda. Neste caso, mais adequado é o uso da norma culta. Pela variação histórica, percebemos que a língua não é imutável. Ela sofre transformações com passar do tempo seja na grafia, no modo 14 Capítulo 1 Comunicação e linguagemde falar e, muitas vezes, até no significado de algumas palavras. Como exemplo do modo de falar, podemos citar a palavra grã-fino, hoje em desuso e substituída por magnata, marajá. Na grafia, podemos citar a palavra farmácia, que já foi grafada pharmácia e, sobre a mudança de sentido, podemos mencionar balada, que sempre fez referência a uma canção própria para a dança. Hoje, seu sentido vincula-se ao ato de sair, passear, divertir-se. Em relação à variação geográfica, observam-se mudanças de pa- lavras, de um lugar para outro, para se referir a um mesmo objeto. A pronúncia específica dos falantes de uma região, a que denominamos "sotaque", também constitui um tipo de variação geográfica: sotaque gaúcho, sotaque mineiro etc. Vejamos alguns exemplos: "Aipim" e "macaxeira" são variações de mandioca. "Papagaio", "quadrado", "maranhão", "arraia", "pandorga" são variações do nome de uma brincadeira muito praticada por meninos, destacadamente nos meses de férias escolares: empinar pipas. Saiba Pãozinho é pãozinho francês em várias regiões; em Salvador é cace- tinho. As condições sociais influem no modo de falar dos indivíduos. Mesmo em uma roda de amigos, cada um faz uso particular da língua. Também jogadores de futebol e outros grupos sociais ou profissionais utilizam certas palavras e expressões próprias que, por sua expressi- vidade, acabam se estendendo à linguagem de todas as camadas sociais. Como curiosidade, nos anos 1960 e 1970, entre outras, eram co- muns as expressões "boko-moco", "cricri" e "na crista da onda", para se referir à pessoa que não sabe se comportar, à pessoa chata e àquilo que estava em pleno sucesso, respectivamente. Já nos anos 1980 e 1990, outras expressões foram incorporadas ao modo de falar: "xaveco", usada para "paquera", "mauricinho" e "patricinha" para se referir a pessoas que faziam uso de roupas de grife e "ficar", namorar sem compromisso. Capítulo 1 Comunicação e linguagem 15A frase "tá na cara que eles fico por fora porque não foram nas reunião" é associada a falantes que fazem parte de grupos sociais que não tiveram a oportunidade de receber uma educação formal. A mesma frase pode ser dita de outra maneira: "Eles nada compreen- deram porque não foram à reunião". Seja falando desta ou daquela maneira, indivíduos devem ser respeitados a fala é liberdade de expressão -, mas também devem estar atentos para adequar a língua às diferentes situações de comunicação. Como pudemos observar, cada falante da língua utiliza uma varian- te que é determinada pela classe social, formação cultural, região e também pelo momento histórico em que vive. Dominar maior número de variantes linguísticas e saber utilizá-las nas mais diferentes situações de comunicação é excelente condição para ato de comunicar-se com pessoas de qualquer região do país e de qualquer nível cultural. Desde que nascemos somos colocados em contato com a língua materna e aprendemos, por isso, a combinar os elementos que a constituem. Aprendemos a gramática "da língua" que não deve ser confundida com a "gramática escolar". Esta, ensinada pelas escolas, tem como objetivo, principalmente no que diz respeito a textos es- critos, a manutenção de uma certa unidade linguística, garantindo conhecimento e emprego da língua culta. Divisão da gramática A gramática normativa divide-se em: Fonética e Fonologia, Morfo- logia e Sintaxe. Propõe-se também a estudar as Figuras de Linguagem e Vícios de Linguagem, além de apresentar noções a respeito de Sentido das Palavras. Fonologia: é uma ciência linguística que estuda os sons da língua. Morfologia: é a parte da gramática que trata das palavras quanto à sua classificação, flexões, estrutura e formação. Sintaxe: parte da gramática que estuda relacionamento das palavras na frase. Cabe aos capítulos seguintes o estudo da gramática normativa e suas divisões. 16 Capítulo 1 Comunicação e linguagem

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