Prévia do material em texto
Terapia Nutricional nas Doenças do Estresse Metabólico/Paciente Crítico Disciplina: Dietoterapia e Suporte Nutricional Professora: Samara Mesquita Estresse metabólico Quando o evento envolve sepse (infecção),trauma, queimaduras ou cirurgia, a resposta sistêmica é ativada. As mudanças fisiológicas e metabólicas que se seguem podem provocar choques e outros resultados negativos. Em parte, as respostas estão relacionadas com a idade do paciente, estado de saúde prévio, doenças preexistentes, tipo de infecção e presença de síndrome da multidisfunção orgânica Estresse metabólico O resultado é o catabolismo acelerado do corpo magro ou da massa esquelética, o que clinicamente resulta em equilíbrio nitrogenado negativo e desgaste muscular. FASE DO CHOQUE: Ocorre imediatamente após a lesão física, associado a hipovolemia, choque e hipóxia tissular. - Diminuição do débito cardíaco e queda de consumo de oxigênio e da temperatura corporal. - Os níveis de insulina caem como resposta direta ao aumento do glucagon, mais provavelmente como um sinal do aumento da produção hepática da glicose. FASE DE FLUXO: Ocorre aumento do débito cardíaco, do consumo de oxigênio, da temperatura corporal, do dispêndio de energia e do catabolismo total das proteínas corporais, seguido à ressuscitação por aplicação de soros e a restauração do transporte de oxigênio. Estresse metabólico Estresse metabólico A IL-6 é secretada pelas células T e por macrófagos para estimular a reposta imunológica ao trauma ou outro dano tecidual que possa causar inflamação; possui ambas as ações pró-inflamatória e anti- inflamatória. Admite-se que as citocinas estimulem a captação hepática de aminoácidos, a síntese proteica, bem como acelerem a desintegração muscular, induzindo a gliconeogênese. A IL-1 tem papel importante na estimulação da resposta à fase aguda. O nervo vago ajuda a regular a produção de citocina através de uma “via anti-inflamatória colinérgica”, com a liberação do receptor nicotínico acetilcolina alfa 7 para reduzir o excesso de atividade das citocinas Resposta metabólica Resposta metabólica A resposta à lesão é regulada por citocinas metabolicamente ativas (proteínas pró-inflamatórias) como a interleucina-1 (IL-1), IL-6 e o fator de necrose tumoral (FNT), que são liberados pelas células fagocitárias em resposta aos danos teciduais, à inflamação e a algumas medicações. Inanição x Estresse metabólico A inanição caracteriza-se pelo decréscimo do gasto de energia, diminuição da gliconeogênese, aumento da produção de corpos cetônicos e decréscimo da gênese de ureia. Inversamente, o gasto de energia no estresse é acentuadamente aumentado, bem como a gliconeogênese, a proteólise, a gênese da ureia. A resposta ao estresse é ativada por mediadores hormonais e celulares — os hormônios contrarregulatórios, como catecolaminas e cortisol Síndrome da resposta inflamatória sistêmica . Inanição x Estresse metabólico O choque resulta em hipoperfusão intestinal. O intestino hipoperfundido é uma fonte de mediadores pró-inflamatórios. A hipoperfusão intestinal precoce causa íleo paralítico ou falta de peristaltismo tanto no estômago quanto no intestino delgado e as infecções tardias causam uma piora ainda maior dessa disfunção intestinal. Considera-se que a alimentação enteral seja capaz de restaurar a função intestinal e influenciar o curso clínico. O mecanismo desse efeito se deve à integridade estrutural e funcional aprimorada do intestino A nutrição enteral (NE) pode influenciar na manutenção das junções apertadas entre as células intraepiteliais, estimulando o fluxo sanguíneo e induzindo a liberação de fatores tróficos . A manutenção da altura das vilosidades suporta os imunócitos secretores que compõem o tecido linfoide associado ao intestino Inanição x Estresse metabólico Inanição x Estresse metabólico • Má nutrição relacionada com inanição; • Má nutrição relacionada com doença crônica; • Má nutrição relacionada com doença aguda; A última categoria inclui aqueles pacientes que estão com SIRS e SMDO e se caracteriza por uma resposta intensificada da citocina, o que leva, por sua vez, a perdas profundas de massa livre de gordura. Terapia Nutricional Em função da gravidade da doença do paciente, a ingestão oral de alimentos ou líquidos pode estar extremamente limitada. OBSERVAÇÕES: • Ingestão oral inadequada de alimento e bebida (exigindo outro meio para a administração de nutriente ou líquido) • Ingestão oral inadequada ou excessiva de infusão de NE ou NP (para necessidades corporais de pacientes não ambulatoriais) • Infusão inapropriada de NE ou NP (p. ex., utilizar NP quando NE é possível) • Ingestão inadequada ou excessiva de líquido (a partir de infusões intravenosas [IV], soluções de nutrientes, transportes por sonda) • Necessidades de nutrientes intensificadas (como proteína para a cicatrização de feridas) • Ingestão excessiva de carboidrato ( ao alimentar um paciente com má nutrição crônica, com potencial para síndrome da realimentação, com solução parenteral) • Valores laboratoriais anormais relacionados com a nutrição • A função gastrointestinal (GI) alterada (como vômito, diarreia, constipação). A terapia de suporte nutricional incorpora NE precoce quando possível, distribuição apropriada de macro e micronutrientes e o controle glicêmico. Os resultados favoráveis esperados dessas práticas incluem a redução da gravidade da doença, decréscimo do tempo de internação na UTI e redução da morbidade infecciosa e mortalidade em geral. Terapia Nutricional Cuidados Nutricionais A perda de massa corporal magra e o acúmulo de líquido são comuns em pacientes de UTI, e a capacidade de reconhecê-los, assim como outros parâmetros físicos importantes, é essencial. Em geral, a avaliação do estado nutricional do paciente focaliza, na pré-admissão, no pré-operatório ou na pré-lesão, a presença de qualquer disfunção num sistema orgânico, a necessidade de terapia de suporte nutricional precoce e as opções que existem para acesso enteral ou parenteral. Principais Recomendações A avaliação nutricional deve ser realizada após a triagem nutricional durante as primeiras 48h de admissão na UTI, devendo ser repetida a cada 7-10 dias. NECESSIDADE ENERGÉTICA: Utilização da calorimetria indireta (CI) para estimar o gasto energético de repouso (GER) e para planejar a oferta calórica em pacientes críticos que necessitam de TN. O método deve ser empregado sempre que disponível. Equações preditivas são consideradas imprecisas para os pacientes críticos, podendo subestimar ou superestimar as suas necessidades energéticas. Na falta de um gráfico metabólico para a CI, as necessidades energéticas podem ser calculadas como 25-30 kcal/kg/dia Principais Recomendações Principais Recomendações PROTEÍNA: A monitorização da oferta proteica em pacientes críticos é recomendada. Contudo, ainda é incerto qual é a oferta ótima de proteína e como deve ser administrada a esses pacientes. Oferta proteica inadequada: influencia no desfecho do paciente crítico, o que justificaria seu monitoramento. Recomendação entre 1,2-2 g proteína/kg por dia. Os dados que contribuíram com essas recomendações demonstram a capacidade do corpo em utilizar quantidades crescentes de proteína para atender aos requisitos funcionais, impedindo a oxidação das proteínas como fonte energética e vencendo a resistência anabólica. Principais Recomendações Via preferencial em pacientes críticos: O uso de nutrição enteral (NE) ao invés de nutrição parenteral (NP), em pacientes críticos com indicação de TN. OUTRAS OBSERVAÇÕES: • Em pacientes que estejam hemodinamicamente compensados e não apresentem disfunção no trato gastrointestinal, o uso de fibras solúveis pode ser considerado. • Não recomenda-seo uso rotineiro de suplementação de glutamina enteral em pacientes críticos. • Com o consumo calórico aumentado, pode haver aumento da necessidade de vitaminas do complexo B, particularmente de tiamina e de niacina. • O catabolismo e a perda de tecido corporal magro aumentam as perdas de potássio, magnésio, ferro e zinco. Principais Recomendações Principais Recomendações Tempo e Vias da Alimentação • A nutrição enteral (de preferência) deve ser iniciada cedo, nas primeiras 24-48 horas da admissão na UTI, e avançadas em direção à quantidade necessária durante as próximas 48-72 horas; • A ingestão de 50% a 65% da quantidade necessária de calorias durante a primeira semana de internação é considerada suficiente para alcançar o benefício médico da NE. • A prática é direcionada a pacientes que estão hemodinamicamente estáveis. • Em ambiente de instabilidade hemodinâmica (necessidade de grandes volumes ou uso de agentes com alta dose de catecolamina), alimentação por sonda deve ser evitada até que o paciente esteja completamente estável para minimizar o risco de lesão isquêmica ou de reperfusão; Queimaduras graves As metas da terapia de suporte nutricional depois de lesão por queimadura grave incluem a minimização da inanição, a prevenção ou a correção de deficiência de nutrientes específicos, a provisão de calorias adequadas para satisfazer as necessidades calóricas enquanto se está tentando minimizar as complicações metabólicas associadas, restabelecer o equilíbrio hidroeletolítico para que haja diurese adequada e homeostase normal. Cuidado cirúrgico adequado, controle de infecção e nutrição devem estar disponíveis o mais breve possível depois da queimadura. Atrasos na admissão em uma unidade especial de tratamento de queimaduras podem ser prejudiciais, especialmente para crianças, uma vez que a má nutrição é uma preocupação comum A vitamina C, por estar envolvida na síntese de colágeno e na função imunológica, pode ser necessária em doses bem maiores para acelerar a cura dos ferimentos. Doses de 500 mg, duas vezes ao dia, fazem parte do protocolo de rotina em alguns centros de queimados (Mayes e Gottschlich, 2003). A vitamina A também é um importante nutriente para manter a função imunológica e promover a epitelização. A dosagem de 5.000 unidades de vitamina A por 1.000 calorias de NE muitas vezes é recomendada Terapia Nutricional A vitamina C, por estar envolvida na síntese de colágeno e na função imunológica, pode ser necessária em doses bem maiores para acelerar a cura dos ferimentos. • Doses de 500 mg, duas vezes ao dia, fazem parte do protocolo de rotina em alguns centros de queimados. A vitamina A também é um importante nutriente para manter a função imunológica e promover a epitelização. • A dosagem de 5.000 unidades de vitamina A por 1.000 calorias de NE muitas vezes é recomendada; Queimaduras graves Cirurgia • Pacientes pós-operatórios que estão gravemente enfermos e internados na UTI devem receber NE precoce, a menos que seja absolutamente contraindicado. Esta prática depois de cirurgia GI de grande porte está associada à redução da infecção e à diminuição do período de internação; • O uso de fórmulas imunologicamente aprimoradas está associado à diminuição das complicações em pacientes que tenham passado por cirurgia gastrointestinal. • Se a alimentação oral não for possível ou um período prolongado de NPT for previsto, um dispositivo de acesso para alimentação enteral deverá ser inserido no momento da cirurgia. Principais Recomendações As sondas para gastrostomia e jejunostomia combinadas oferecem vantagens significativas sobre a gastrostomia padrão porque permitem a drenagem gástrica simultânea através do tubo de gastrostomia e da alimentação enteral via tubo ou sonda jejunal. Efeito da utilização de óleo de peixe com terapia nutricional para melhorar resultados cirúrgicos em adultos mais velhos depois de cirurgia de grande porte: redução de inflamação sistêmica, perda de músculo magro e perda de peso; O momento da introdução de alimentos sólidos após a cirurgia depende do estado de alerta do paciente e da condição do trato GI. Uma prática geral tem sido a progressão durante um período de várias refeições a partir de líquidos simples a alimentos liquidificados e, finalmente, a alimentos sólidos. Os pacientes cirúrgicos podem ser alimentados com uma dieta regular de alimentos sólidos em vez de uma dieta exclusiva de líquidos – VER TOLERÂNCIA. OBRIGADA Email: samararosa@professor.uniateneu.edu.br Redes sociais (@samara.mesquita_nutricionista) REFERÊNCIAS: ROSSI, L.; POLTRONIERI, F.(org). Tratado de Nutrição e Dietoterapia/1.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2019. 1112 p. ISBN 978-85-277-3546-9; FERNANDES, Frederico Leon Arrabal et al. Recomendações para o tratamento farmacológico da DPOC: perguntas e respostas. Jornal Brasileiro de Pneumologia, v. 43, p. 290-301, 2017. MAHAN, L.K.; ESCOTT-STUMP, S. KRAUSE Alimentos, Nutrição e Dietoterapia. Rio de Janeiro: Roca, 2022 Manual Orientativo: Sistematização do Cuidado de Nutrição / [organizado pela] Associação Brasileira de Nutrição ; organizadora: Marcia Samia Pinheiro Fidelix. – São Paulo : Associação Brasileira de Nutrição, 2014. Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Guia de nutrição para pacientes e cuidadores: orientações aos pacientes / Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. - 3a ed. - Rio de Janeiro: Inca, 2015. ALVES, Juliana Tepedino Martins et al. Diretriz BRASPEN de terapia nutricional no paciente com doenças neurodegenerativas. Braspen Journal, v. 37, n. 2, Supl 2, p. 2-34, 2023. Slide 1: Terapia Nutricional nas Doenças do Estresse Metabólico/Paciente Crítico Slide 2: Estresse metabólico Slide 3: Estresse metabólico Slide 4: Estresse metabólico Slide 5: Estresse metabólico Slide 6 Slide 7: Resposta metabólica Slide 8: Inanição x Estresse metabólico Slide 9: Síndrome da resposta inflamatória sistêmica Slide 10: Inanição x Estresse metabólico Slide 11: Inanição x Estresse metabólico Slide 12: Inanição x Estresse metabólico Slide 13: Terapia Nutricional Slide 14: Terapia Nutricional Slide 15: Cuidados Nutricionais Slide 16: Principais Recomendações Slide 17: Principais Recomendações Slide 18: Principais Recomendações Slide 19: Principais Recomendações Slide 20: Principais Recomendações Slide 21: Principais Recomendações Slide 22: Queimaduras graves Slide 23: Terapia Nutricional Slide 24: Queimaduras graves Slide 25: Cirurgia Slide 26: Principais Recomendações Slide 27 Slide 28