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1) A diversidade de sexos é essencial ao reconhecimento da união estável? Fundamente a sua resposta com base no atual entendimento adotado pelos Tribunais Superiores.
A diversidade de sexos não é essencial ao reconhecimento da união estável. Isso porque, desde o julgamento da ADPF 132 e da ADI 4277 pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em 2011, foi reconhecido que as uniões homoafetivas devem receber o mesmo tratamento jurídico conferido às uniões estáveis entre pessoas de sexos diferentes. Assim, o artigo 1.723 do Código Civil, que trata da união estável entre “homem e mulher”, passou a ser interpretado de forma conforme à Constituição Federal, que garante os princípios da igualdade (art. 5º, caput) e da dignidade da pessoa humana (art. 1º, III). Portanto, a orientação sexual dos conviventes não é um impedimento para o reconhecimento da união estável, e as uniões homoafetivas gozam dos mesmos direitos e deveres das uniões heteroafetivas.
2) Há prazo para constituição da união estável? Apresente de modo fundamentado a sua opinião sobre o tema.
Não há prazo mínimo para a constituição da união estável no ordenamento jurídico brasileiro. O artigo 1.723 do Código Civil exige apenas convivência pública, contínua e duradoura, com objetivo de constituição de família. A jurisprudência do STJ é pacífica ao afirmar que a duração do relacionamento não é determinante, desde que estejam presentes os elementos essenciais da união estável, como a notoriedade da relação, estabilidade, apoio mútuo e o animus familiae.
Nesse sentido: “A lei não exige tempo mínimo nem convivência sob o mesmo teto, mas não dispensa outros requisitos [...] como convivência duradoura e pública, apoio mútuo e intuito de constituir família.” (REsp 1.194.059/SP, Rel. Min. Massami Uyeda, 3ª Turma, DJe 14/11/2012).
Dessa forma, a duração do relacionamento não é o fator determinante, mas sim a existência dos elementos essenciais como a publicidade da relação, a estabilidade da convivência e o intuito de constituir uma família. Portanto, a ausência de prazo reflete a valorização do vínculo afetivo e do projeto de vida em comum, elementos centrais da união estável.
união estavel é uma união de fato, não precisa de contrato, é preenchida quando preenche os requisitos da lei 
3) Quanto ao reconhecimento, quais são as principais diferenças entre o casamento e a união estável? 
Os pontos principais que diferenciam o casamento da união estável é que o casamento é um ato formal e solene, enquanto a união estável pode ser informal, por meio de convivência pública, continua e duradoura. Outra diferença se relaciona ao regime de bens, enquanto o casamento é possível escolher o melhor regime que se enquadra ao casal, a UE aplica-se automaticamente o regime de comunhão parcial de bens, salvo se formalizado regime diferente em pacto entre as partes. 
No casamento, há alteração do estado civil para casado, a UE por outro lado, não sofre alteração. Na união estável, não há alteração de estado civil. Além disso, enquanto o casamento é reconhecido a partir da data de celebração, a união estável pode ser reconhecida por escritura pública ou decisão judicial, e pode retroagir até a data do início da convivência, caso essa seja devidamente comprovada.
No que toca a legislação, o casamento tem reconhecimento regulamentada por lei, já a UE somente foi reconhecida legalmente a partir da CF/88 e Lei 9.278/96.
No casamento, a dissolução ocorre por meio do divorcio, enquanto na UE ocorre quando os parceiros deixam de conviver/ separação de fato.
Por fim, é certo dizer que em relação aos filhos, no casamento, os filhos são reconhecidos automaticamente como filho do casal, de outro lado, na UE há necessidade de reconhecimento voluntário para que os filhos sejam legalmente reconhecido como filho do casal.
4) Aponte fundamentadamente em quais hipóteses não poderá ser constituída uma união estável.
A união estável não pode ser constituída nas hipóteses de impedimentos matrimoniais, previstos no art. 1.521 do Código Civil, salvo uma exceção expressamente prevista no parágrafo único do art. 1.723. Assim, não é possível constituir união estável entre pessoas que já são casadas e ainda vivem em sociedade conjugal, entre ascendentes e descendentes, irmãos, sogro e nora (enquanto não cessada a sociedade conjugal), adotantes e adotados, entre outros casos de parentesco que configuram impedimento.
Contudo, o mesmo artigo 1.723 do Código Civil prevê que pessoas casadas, mas separadas de fato ou judicialmente, podem constituir união estável, desde que não mantenham mais a convivência conjugal com o cônjuge anterior. Tal entendimento é também reforçado pela jurisprudência do STJ, que reconhece a possibilidade de união estável envolvendo pessoas casadas que estejam separadas de fato, desde que comprovada a ruptura da sociedade conjugal anterior e a existência dos requisitos da união estável. Inclusive, é válido pontuar que caso essas pessoas impedidas venham a constituir relação não eventual, tem-se que essa será caracterizada como concubinato.
separacao de fato encerra - dever de fidalidade, de coabitacao e comunicabilidade de patrimonio
5) Partindo-se da premissa constante do artigo 1.723 do Código Civil de que a união estável exige convivência pública, contínua e duradoura, com o objetivo de constituição de família, é possível se falar em dever de mútua assistência entre os conviventes?
Sim, existe o dever de mútua assistência entre os conviventes da união estável. O art. 1.724 do Código Civil estabelece expressamente que os companheiros devem-se respeito e consideração mútuos, assistência moral e material, guarda, sustento e educação dos filhos. Esse dispositivo demonstra que os conviventes estão sujeitos a obrigações recíprocas semelhantes às do casamento, como previsto no art. 1.566, III do Código Civil.
A doutrina e a jurisprudência reconhecem que o vínculo afetivo e familiar estabelecido na união estável impõe obrigações pessoais e patrimoniais entre os parceiros, inclusive o dever de mútua assistência, que se manifesta na ajuda material e emocional durante a convivência e, eventualmente, após sua dissolução. Esse entendimento está de acordo com os princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana e da solidariedade familiar.
6) Ocorrendo a ruptura da união estável, os companheiros poderão exigir o pagamento de alimentos uns aos outros?
Sim, é possível que, após a dissolução da união estável, um dos conviventes exija alimentos do outro, desde que estejam presentes os requisitos legais. A legislação brasileira admite a aplicação do art. 1.694 do Código Civil, que trata da obrigação alimentar, às relações oriundas da união estável, com base no dever de mútua assistência previsto no art. 1.724 do CC. Desse modo, os companheiros, assim como os casados, poderão requerer o pagamento de alimentos, de maneira temporária, após o término do relacionamento, caso comprovem a necessidade. 
Conforme Dimas, “a ideia [da aplicação de alimentos compensatórios] é atenuar esse desequilíbrio econômico, com fundamento no princípio da solidariedade, condenando o cônjuge/companheiro afortunado a indenizar o outro, a fim de reequilibrar suas condições sociais”.
Logo, para a concessão dos alimentos, é necessário observar os critérios da necessidade de quem pede e a possibilidade de quem deve pagar, conforme o princípio da proporcionalidade, além da inexistência de culpa exclusiva na separação. A jurisprudência do STJ, como no REsp 1.537.549/MG, entende que os alimentos podem ser fixados por tempo determinado, de acordo com as possibilidades de reinserção no mercado de trabalho ou autonomia do alimentado. Assim, os alimentos decorrentes da união estável não são automáticos e devem ser analisados caso a caso, de forma justa e equilibrada. art 1, inc iii CF
7) É possível se falar em conversão da união estável em casamento pela via extrajudicial?
A partir da Lei 14.382/22 entendeu-se que é possível a conversão da união estável em casamento de forma extrajudicial. Esse procedimento foi regulamentadopela Resolução nº 35/2007 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que estabelece que os companheiros podem requerer a conversão, desde que comprovem a existência da união estável por meio de documentos ou declaração. Não há necessidade de processo judicial para essa conversão, bastando que ambos estejam de acordo e que não existam impedimentos legais.
A conversão deve ser requerida pelos companheiros perante o oficial de registro civil de pessoas naturais de onde residem. Assim, dar-se-á seguimento ao processo de habilitação, da mesma forma que no casamento comum. A conversão em casamento garante segurança jurídica, facilita o acesso aos efeitos legais plenos do casamento e pode ser uma forma de formalizar a relação preexistente, com todos os seus direitos patrimoniais e sucessórios. LRP - 6015 art 70-A
1) Partindo-se do pressuposto de que através do contrato de união estável, os conviventes regulamentam seu relacionamento nos planos econômico e existencial, é correto afirmar que a instrumentalização dessa relação através do contrato de convivência representa a validade indiscutível da união estável?
A escritura pública embora dotada de fé pública como disposto no art. 215, CC, não é o bastante para a formalização ou validade da união estável, e portanto, sua incontestabilidade. A união estável, conforme dispõe o artigo 1.723 do Código Civil e a Lei 9278/96, no seu artigo 01 que é configurada pela convivência pública, contínua e duradoura, estabelecida com o objetivo de constituição de família. Ou seja, trata-se de uma situação de fato que, para ser reconhecida juridicamente, deve preencher esses requisitos, independentemente da existência de um contrato formal.
Embora o contrato de convivência, previsto no artigo 1.725 do Código Civil, seja um instrumento lícito e válido para regular os aspectos patrimoniais e existenciais da união, ele não tem o condão de, por si só, constituir a união estável. Nesse sentido, o Enunciado 380 da IV Jornada de Direito Civil do Conselho da Justiça Federal reforça que tal contrato não gera automaticamente os efeitos jurídicos da união estável caso não estejam presentes os requisitos legais do artigo 1.723 do Código Civil.
Portanto, a instrumentalização da relação por meio de contrato de convivência é importante, uma vez que serve como meio de prova vultoso, mas não assegura, de forma absoluta e indiscutível, a validade da união estável, que depende da comprovação da convivência com as características exigidas pela legislação vigente.
2) Discorra sobre as formas que o contrato de união estável pode possuir, bem como manifeste a sua opinião sobre qual delas seria a mais recomendável nos dias atuais. contrato de união estável pode ser formalizado de duas formas: por instrumento particular ou por escritura pública.
O instrumento particular é válido, mas pode ter menor força probatória e não é oponível a terceiros. A escritura pública, prevista no art. 215 do Código Civil, oferece maior segurança jurídica e é mais eficaz perante terceiros, sendo a forma mais indicada atualmente. 
Assim, embora as duas formas sejam admitidas, a escritura pública é a mais recomendável nos dias atuais, pois permite definir claramente o regime de bens (art. 1.725 do CC), evita conflitos e garante maior proteção jurídica aos conviventes.
3) João e Maria, conviventes desde o ano de 2015, conforme faz prova escritura pública de união estável, resolvem colocar fim à sua união. Diante disso, responda:
3.a) Tendo em vista que houve a lavratura de uma escritura pública de união estável, deverão os conviventes adotar alguma medida junto ao cartório para formalizar o término dessa convivência?
Considerando que João e Maria formalizaram sua união estável por meio de escritura pública, é recomendável que também formalizem a dissolução dessa união, a fim de conferir segurança jurídica ao término da convivência. De acordo com o artigo 733, §1º, do Código de Processo Civil a dissolução da união estável poderá ser realizada por escritura pública, desde que não haja filhos menores ou incapazes e que os conviventes estejam de comum acordo quanto à partilha de bens. A escritura pública de dissolução constitui título hábil para qualquer ato de registro, dispensando homologação judicial. Dessa forma, João e Maria podem comparecer ao cartório de notas para lavrar a escritura de dissolução, formalizando consensualmente o fim da união.
3.b) Caso João e Maria tenham filhos menores, deverão os conviventes adotar alguma medida para formalizar o término da união? De que forma?
Antigamente, caso João e Maria possuíssem filhos menores, a dissolução da união estável deveria obrigatoriamente ser judicial, mesmo que o término fosse consensual. Isso porque a presença de filhos menores ou incapazes imporia a necessidade de análise judicial quanto à guarda, ao regime de convivência e à fixação de alimentos, com a obrigatória intervenção do Ministério Público para assegurar os direitos dos menores, conforme dispõe o artigo 733, §1º, do Código de Processo Civil.
Todavia, a resolução nº 571/2024 no art. 34, § 2º em conjunto com o art. 46 -A permitiu que houvesse a lavratura da escritura pública no que couber a união estável. Dessa maneira, caso haja filhos comuns do casal sendo esses menores e incapazes é fato que será permitida a lavratura da escritura pública desde que seja devidamente comprovada a prévia resolução judicial de todas as questões referentes à guarda, visitação e alimentos. 
4) Conceitue namoro qualificado e apresente a sua maior diferença em relação à união estável.
O namoro qualificado é uma relação afetiva contínua, pública e duradoura entre duas pessoas, mas sem o objetivo de constituir família, o que o diferencia juridicamente da união estável. Ainda que o casal compartilhe momentos importantes da vida, tenha uma rotina em comum e, eventualmente, até coabite, o elemento subjetivo essencial da união estável — a intenção de constituir família — não está presente.
A legislação brasileira não define expressamente o namoro qualificado, mas a doutrina e a jurisprudência vêm reconhecendo essa categoria como uma forma de evitar o reconhecimento equivocado de uma união estável. O artigo 1.723 do Código Civil define a união estável como uma relação "duradoura, pública e contínua" com o objetivo de constituição de família, sendo esse o principal critério diferenciador.
A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem reiterado que o simples namoro, ainda que longo ou com sinais de estabilidade, não se confunde com união estável se não houver intenção de constituir família. A título de exemplo, a expressão “namoro qualificado” foi utilizada pelo Superior Tribunal de Justiça (RESP Nº 1454643, Relator: Marco Aurélio Belizze, Terceira Turma, J. 10/03/2015). Na ocasião, a compra de um apartamento para “futura moradia” por um das partes e posterior casamento sob o regime da comunhão parcial de bens deixou claro que o casal não tinha interesse em reconhecer efeitos familiares e patrimoniais anteriores à data do enlance, pois se assim quisessem teriam optado pela conversão da união estável em casamento ou realizado um pacto antenupcial.
Assim, a principal diferença entre o namoro qualificado e a união estável está na ausência da intenção de constituir família. Enquanto no namoro qualificado há vínculo afetivo e convivência, não existe a comunhão de vida típica da união estável, nem os efeitos patrimoniais dela decorrentes.
5) É possível estabelecer em contrato de união estável o compartilhamento de obrigações atinentes à custódia e despesas com animais de estimação?
Sim, é possível estabelecer em contrato de união estável cláusulas sobre a custódia e as despesas com animais de estimação. Embora o Código Civil ainda trate os animais como sencientes (art. 82), a jurisprudência e a doutrina vêm reconhecendo seu valor afetivo nas relações familiares. O STJ já admitiu a custódia compartilhada de pets com base no vínculo afetivo e no bem-estar do animal.
Nos termos do art. 1.725 do Código Civil, os conviventes podem regularos efeitos patrimoniais da união, e, conforme o art. 421, a liberdade contratual é permitida, desde que respeitada a função social do contrato. Assim, cláusulas sobre custódia e despesas com animais são válidas, desde que pautadas na boa-fé e no cuidado com o animal, trazendo segurança jurídica às partes.
6) Caso o contrato de união estável devidamente confeccionado estipule cláusula que altera a ordem de vocação hereditária, o que ocorrerá?
Caso o contrato de união estável contenha cláusula que altere a ordem de vocação hereditária, tal disposição será nula e sem efeito jurídico. Isso porque a ordem de vocação hereditária é matéria de direito indisponível, regulada pelo Código Civil e pela Constituição Federal, não podendo ser modificada por acordo entre as partes.
O artigo 1.829 do Código Civil estabelece a ordem legal de sucessão, determinando quem são os herdeiros legítimos e a sequência de chamada à herança. Essa regra é imperativa e visa proteger direitos indisponíveis dos herdeiros necessários, especialmente descendentes, ascendentes e cônjuge ou companheiro.
Além disso, o artigo 1.845 do Código Civil prevê que a herança é transmitida nos termos da lei, sendo vedada qualquer renúncia antecipada à sucessão futura, o que reforça a impossibilidade de alteração contratual da vocação hereditária.
Portanto, cláusulas contratuais que tentem modificar a ordem de sucessão são consideradas nulas, conforme o princípio da indisponibilidade dos direitos sucessórios, garantindo-se a aplicação da ordem legal prevista no Código Civil.
Conceitue regime de bens, enumerando as suas espécies, assim como descrevendo qual é a relevância do instituto na atualidade. O regime de bens em um casamento é o conjunto de regras que duas pessoas escolhem para reger o patrimônio particular ou adquirido em conjunto pelo casal, antes ou durante o casamento. Além disso, o regime de bens dita quais regras serão seguidas na ocasião de dissolução da sociedade conjugal, seja por divórcio ou morte de um dos cônjuges. No Código Civil atual, existem cinco regimes de bens que podem ser escolhidos: comunhão parcial de bens, comunhão universal de bens, participação final nos aquestos e separação de bens (convencional ou obrigatória).
2) Descreva qual é o termo inicial do regime de bens, reportando-se aos casos de casamento e união estável. O termo inicial do regime de bens é a data do casamento, ou seja, a data em que o matrimônio é devidamente registrado. Na união estável, o termo inicial é reconhecido pela jurisprudência como a data em que o casal passou a demonstrar o intuito de constituir família, que pode coincidir ou não com a data de registro oficial da união.
4) Silvio e Íris resolveram se casar sob o regime da comunhão parcial de bens. Ocorre que, anos após o matrimônio, Silvio deixou de trabalhar como camelô para atuar no segmento de cosméticos, negócio que prosperou e passou a fazer com que cada vez mais ele viesse a assinar contratos importantes como empresário de renome. Porém, o fato de ter que contar com a presença de Íris para assinar alguns desses contratos passou a lhe causar perdas financeiras. Diante disso, ambos compareceram ao seu escritório para saber se alguma medida judicial poderia ser adotada. Como advogado, indique qual seria uma opção viável para que Silvio passe a ter maior autonomia no desenvolvimento de suas atividades empresariais? Para que Silvio possa ter mais mais autonomia no seu comércio, ou seja, para que não precise da presença/assinatura de sua mulher em diversos contratos, tem-se que ambos podem requerer, judicialmente, a alteração do regime de bens de seu casamento, que atualmente é da comunhão parcial de bens, para o regime da separação convencional de bens.
4.a) Quais documentos seriam indispensáveis ao ajuizamento dessa ação? Por qual motivo? Além dos documentos pessoais, eles precisam da certidão de casamento atualizada, pacto antenupcial, se houver, vez que esse altera o regime de bens escolhido, certidões negativas de débitos e ações judiciais, para provarem que não estarão prejudicando terceiros por meio desta escolha, documentos dos imóveis ou veículos que possuem, além da petição inicial assinada por ambos os cônjuges, para provar que o pedido é consensual.
art. 734, par 1 a 3 do CPC
4.b) Qual será o efeito da sentença perante terceiros? A mudança não pode prejudicar terceiros de boa-fé, e em caso de prejuízo, será ineficaz em relação a eles. Dessa forma, a sentença que autoriza a alteração do regime de bens somente terá efeitos perante terceiros após seu registro no Registro Civil e, quando for o caso, em outros registros públicos, como o Registro de Imóveis ou a Junta Comercial. Até que esses registros sejam realizados, a alteração não será oponível a terceiros, conforme entendimento consolidado na jurisprudência.
efeitos ex nunc
4.c) Deverá ser adotada alguma cautela para fins de publicidade e geração de efeitos perante terceiros da futura decisão judicial? Para que a decisão judicial que autoriza a alteração do regime de bens produza efeitos perante terceiros, é necessário adotar medidas de publicidade específicas. Após o trânsito em julgado da sentença, esta deverá ser registrada no Cartório de Registro Civil onde consta o assento de casamento, promovendo-se a devida averbação da mudança. Além disso, dependendo da natureza dos bens envolvidos, também poderá ser exigida a averbação da decisão em outros registros públicos, como o Registro de Imóveis, a Junta Comercial ou o Departamento de Trânsito (Detran), com o objetivo de tornar pública a modificação do regime e assegurar sua eficácia em relação a terceiros. Essas cautelas são fundamentais para garantir a segurança jurídica, prevenindo eventuais questionamentos futuros por parte de terceiros que tenham se relacionado com o casal sob o regime anterior. Isso encontra-se disposto no art. 734, parágrafos § 1º e § 3º. 
5) João, viúvo, pai de duas crianças, resolveu casar-se com Maria antes de realizar o inventário dos bens vinculados ao seu matrimônio anterior, fato que fez com que o seu segundo casamento fosse convolado sob o regime da separação obrigatória de bens. Ocorre que, passados alguns anos, João regulariza a questão pendente através da confecção do inventário dos bens deixados pela falecida, levando a efeito a partilha aos herdeiros. Partindo desse pressuposto, bem como do fato de que João e Maria contam com 50 anos de idade, qual será o regime de bens atinente ao atual casamento de João? O casamento de João e Maria foi inicialmente convolado sob o regime da separação obrigatória de bens, conforme previsto no art. 1.641 do Código Civil, por existir uma causa suspensiva que diz que viúvo (a) com filhos do cônjuge falecido deve realizar o inventário e a partilha dos bens antes do novo casamento. No entanto, após a regularização do inventário e a partilha dos bens da falecida, João e Maria podem solicitar a alteração do regime de bens para um modelo mais adequado às suas necessidades patrimoniais.
Existindo a possibilidade de alteração do regime de bens, o Código Civil permite a modificação do regime de bens mediante autorização judicial, desde que haja pedido conjunto dos cônjuges, justificativa plausível e ausência de prejuízo a terceiros. Como João e Maria têm 50 anos de idade, não há impedimento legal para a alteração, pois a separação obrigatória de bens só é imposta automaticamente para pessoas com mais de 70 anos. 
Há de se constatar, no entanto, que tal mudança deve ser solicitada pelas partes e não acontecerá automaticamente com o fim do fato impeditivo, nesse caso, a abertura do inventário dos bens vinculados ao casamento anterior.
6) Partindo-se da premissa de que o artigo 230 do Código Civil de 1916 estabelecia expressamente que: “O regime dos bens entre os cônjuges começa a vigorar desde a data do casamento, e é irrevogável”, e que o artigo 2.039 do Código Civil de 2002 prevê que: “o regime de bens nos casamentos celebrados na vigência do Código Civil anterior, Lei no 3.071, de 1o de janeiro de 1916, é o por eleestabelecido”, explique de modo fundamentado se um casal que contraiu núpcias sob a vigência do antigo Código Civil poderá alterar nos dias de hoje o regime de bens à época escolhido.
Sim, um casal que se casou sob a vigência do Código Civil de 1916 pode, atualmente, solicitar a alteração do regime de bens, desde que cumpra os requisitos estabelecidos pelo Código Civil de 2002. O Código Civil de 1916 determinava a imutabilidade do regime de bens (art. 230), ou seja, uma vez escolhido, não poderia ser alterado. No entanto, o Código Civil de 2002 trouxe uma inovação ao permitir a modificação do regime de bens mediante autorização judicial (art. 1.639, §2º). O art. 2.039 do Código Civil de 2002 estabelece que os casamentos celebrados sob o Código anterior continuam regidos por ele. 
Entretanto, isso não impede a aplicação das novas regras sobre alteração do regime de bens, desde que respeitados os direitos adquiridos e os interesses de terceiros. Portanto, apesar da regra de imutabilidade prevista no Código Civil de 1916, a legislação atual permite a alteração do regime de bens, garantindo maior autonomia aos cônjuges na administração patrimonial. (lindb permite desde que não cause instabilidade) seria um cerceamento de direitos
7) João adquire um imóvel ainda solteiro pelo valor de R$500.000,00, sendo anotada na certidão de matrícula imobiliária a existência de financiamento bancário. Anos mais tarde, João conhece Maria e resolvem se casar sob o regime da comunhão parcial de bens. Partindo-se do pressuposto que antes do casamento João adimpliu apenas a quantia equivalente a R$100.000,00 pela compra do bem, e que atualmente o contrato/imóvel encontra-se quitado, explique se Maria será beneficiada de alguma forma em caso de divórcio.João adquiriu um imóvel por R$ 500.000,00 antes de se casar com Maria, tendo quitado apenas R$ 100.000,00 antes da união. O restante do valor foi pago após o casamento, que foi celebrado sob o regime da comunhão parcial de bens. Esse regime prevê que os bens adquiridos de forma onerosa durante o casamento se comunicam entre os cônjuges.
Apesar de o imóvel ter sido formalmente adquirido antes do casamento, a maior parte da dívida foi quitada durante a união. De acordo com a interpretação predominante na doutrina e jurisprudência, nos casos de financiamento com cláusula de alienação fiduciária, a propriedade do bem se consolida apenas após o pagamento integral. Assim, entende-se que parte do bem foi efetivamente adquirida durante o casamento.
Dessa forma, Maria tem direito à meação sobre a parte do imóvel quitada enquanto casada com João. Como R$ 400.000,00 foram pagos na constância do casamento, ela poderá reivindicar metade desse valor, ou seja, R$ 200.000,00, em caso de divórcio. Isso decorre do reconhecimento do esforço comum e das regras que regem a comunhão parcial de bens.
1) Em certas circunstâncias a lei determina que entre os nubentes aplicar-se-á o regime da separação de bens, sendo tal disposição uma forma de se proteger o nubente ou terceiro ou por ser exigido como sanção. Nesse sentido, constata-se que o inciso II do artigo 1.641 do Código Civil estabelece que a pessoa maior de 70 anos deverá se casar sob o regime de separação de bens. Partindo-se dessas premissas, suponha que João e Maria, que acabaram de completar 70 anos, conviventes há 05 anos, resolvam se casar neste mês, estarão eles obrigados a casar sob o regime da separação de bens? Fundamente sua resposta. De acordo com o artigo 1.641, inciso II, do Código Civil, os maiores de 70 anos têm de se casar pelo regime legal de separação de bens, uma medida feita para proteger os idosos, que são pessoas vulneráveis. No entanto, o STF, por unanimidade, no ARE 1.309.642 (Tema 1.236), decidiu que, apesar da intenção protecionista, tal norma era, principalmente, discriminatória, vez que viola os direitos dos idosos e os trata como incapazes. Nesse sentido, o STF afastou a obrigatoriedade do regime de separação, afirmando que cabe aos nubentes escolher o regime que melhor se adequa a sua situação e que, caso se quedem em silêncio, valerá a separação legal por presunção. Sendo assim, João e Maria não estão obrigados a casarem-se pelo regime de separação legal, sendo que podem manifestar o desejo de contrair matrimônio com outro regime de bens por meio de escritura pública, firmada em cartório.
Além disso, de acordo com o Provimento 143 de 30 de agosto de 2023 do CNJ (Art. 9º-D, §§ 1º e 2º), caso João e Maria não se manifestem no momento da conversão da união estável em casamento, permanece o regime escolhido na união estável. Ou seja, de toda a forma, eles não seriam obrigados a se casar pelo regime legal de separação de bens. Caso eles queiram modificar o regime de bens a ser adotado, deverão fazer pacto antenupcial nesse sentido, a não ser que escolham o regime da comunhão parcial. 
Nesse sentido, ainda, o Enunciado nº 261 da III Jornada de Direito Civil, que dita que “A obrigatoriedade do regime da separação de bens não se aplica a pessoa maior de sessenta anos, quando o casamento for precedido de união estável iniciada antes dessa idade.” Tal enunciado fora redigido como desmembramento lógico dos artigos 4º e 5º da LINDB, vez que, havendo lacuna na lei (que não trata da conversão de união estável em casamento para maiores de 70 anos), cabe ao juiz atender ao fim social dela, a partir de analogia, costumes e princípios gerais do direito. 
Sendo assim, entende-se que seria injusto forçar somente os maiores de 70 anos que desejam converter união estável em casamento a serem sujeitos ao regime de separação obrigatória de bens, de modo que se deve, portanto, oferecer aos nubentes a chance de escolherem qual regime melhor se adapta à sua situação.
2) É possível se falar em comunicação dos bens adquiridos na constância do casamento no regime de separação obrigatória? Fundamente sua resposta. 
Sim, é possível falar em comunicação dos aquestos - bens adquiridos onerosamente durante o casamento - mesmo sob o regime de separação obrigatória de bens, com base na Súmula 377 do Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com essa súmula, "no regime de separação legal de bens, comunicam-se os adquiridos na constância do casamento", ou seja, os aquestos são passíveis de partilha entre os cônjuges, ainda que o regime determine, em regra, a separação patrimonial.
É válido pontuar que a separação obrigatória de bens está prevista no artigo 1.641 do Código Civil, e se aplica em hipóteses específicas, como nos casamentos de pessoas com mais de 70 anos ou nos casos em que há exigência legal expressa, por exemplo, quando um dos nubentes depende de autorização judicial para casar. Esse regime tem por finalidade proteger o patrimônio dos cônjuges em situações que o legislador entende serem de potencial vulnerabilidade ou risco, presumindo-se que não há comunhão de interesses patrimoniais.
Contudo, a jurisprudência evoluiu no sentido de reconhecer que, mesmo nesses casos, pode haver comunicação dos bens adquiridos durante o casamento se ficar comprovado que houve esforço comum do casal para a aquisição do patrimônio, seja esse esforço direto (como o trabalho remunerado de ambos) ou indireto (como a colaboração na administração do lar, apoio moral e afetivo, entre outros).
O entendimento consolidado pela Súmula 377 e reafirmado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem como fundamento o princípio da solidariedade familiar, previsto na Constituição Federal (art. 226), e visa evitar situações de injustiça, como a concentração patrimonial em apenas um dos cônjuges quando ambos contribuíram para sua formação, ainda que sob formas distintas.
Portanto, a comunicação de aquestos no regime de separação obrigatória não é automática, como ocorre em outros regimes (como o da comunhão parcial), mas depende de prova do esforço comum. Trata-se de uma mitigação prática da separação de bens, reconhecendo a realidade fática da convivência e da colaboração mútua no âmbito familiar.
3) No que tange ao regime da comunhão parcial, disserte sobre a previsãode que os bens “adquiridos com valores exclusivamente pertencentes a um dos cônjuges, em sub-rogação dos bens particulares” são considerados incomunicáveis. Durante sua explanação aponte qual é o artigo de lei que trata do tema, bem como discorra sobre de que maneira tal direito é levado a efeito em situações práticas.
	A regra geral do regime de bens da comunhão parcial (art. 1.658 do CC) dita que comunicam-se todos os bens adquiridos na constância do casamento. O artigo 1.659, inciso II, do Código Civil, entretanto, afirma que serão excluídos da partilha todos “os bens adquiridos com valores exclusivamente pertencentes a um dos cônjuges em sub-rogação dos bens particulares”. 
	Isso significa que os bens comprados (mesmo que por ambos os cônjuges), mas com valores pretéritos ao vínculo matrimonial, pertencentes a somente um dos cônjuges, fogem à regra geral, vez que, apesar de terem sido adquiridos na constância do casamento, não poderão ser partilhados, pertencendo somente ao cônjuge que contribuiu com o valor para pagá-lo.
	Em termos práticos, a aplicação desta regra encontra obstáculos na dificuldade de demonstrar a existência de sub-rogação, sendo que cabe ao cônjuge que alega o dever de provar que foram utilizados valores seus, vez que a presunção legal é a do esforço comum e, portanto, partilha de todos os aquestos.
	Hoje, a doutrina e jurisprudência são claras ao demandarem que a sub-rogação esteja descrita no título aquisitivo do novo bem. Nesse sentido, Sílvio de Salvo Venosa:
Os bens que substituem os bens particulares, os que a lei se refere como sub-rogados, também se excluem da comunhão. Para que se aplique o dispositivo, é necessário que o cônjuge ressalve essa sub-rogação no título aquisitivo e prove que de fato um bem substitui outro.
Ou seja, na prática, para que a sub-rogação seja reconhecida e o bem adquirido seja considerado incomunicável, é crucial que haja prova inequívoca da origem dos recursos utilizados na compra e da destinação desses recursos para a aquisição do novo bem em substituição ao particular. 
Essa prova pode ser feita por meio de documentos como escrituras públicas contendo a menção expressa da sub-rogação, extratos bancários demonstrando a movimentação dos valores do bem particular para a aquisição do novo, entre outros meios de prova admitidos em direito.
4) João e Maria, casados sob o regime da comunhão parcial de bens, resolveram durante o matrimônio que pretendem adquirir um imóvel, sendo que almejam realizar tal compra em percentuais distintos entre cada um deles, na razão de 2/3 para Maria e 1/3 para João. Em caso de divórcio, quando da meação, como deverá ser partilhado tal bem? Fundamente sua resposta.
No regime da comunhão parcial de bens, conforme dispõe o artigo 1.658 do Código Civil, comunicam-se os bens adquiridos onerosamente durante a constância do casamento, com exceção dos bens elencados no artigo 1.659 (como os adquiridos por doação, herança, sub-rogação de bens particulares, entre outros).
A regra geral é que todos os bens adquiridos de forma onerosa durante o casamento pertencem ao casal em iguais proporções (50% para cada um), independentemente de quem realizou a compra ou contribuiu com mais recursos financeiros. Isso ocorre porque, nesse regime, presume-se o esforço comum do casal na constituição do patrimônio.
Ainda que João e Maria manifestem a intenção de adquirir o bem em percentuais distintos (2/3 para Maria e 1/3 para João), essa vontade particular não tem o condão de alterar os efeitos legais do regime de bens previamente escolhido, que determina a comunhão plena de aquestos. Ou seja, a manifestação de vontade dos cônjuges, nesse caso, não se sobrepõe à norma legal que rege o regime de comunhão parcial.
A jurisprudência majoritária dos tribunais brasileiros e a doutrina especializada entendem que acordos informais sobre divisão desigual de bens comuns não têm eficácia jurídica se contrariam a estrutura do regime adotado e não forem formalizados por meio de pacto antenupcial ou partilha homologada judicialmente.
Dessa forma, em caso de divórcio, o imóvel deverá ser partilhado igualmente entre os dois cônjuges, em partes de 50% para cada um, uma vez que foi adquirido na constância do casamento e presumidamente com esforço comum, ainda que Maria tenha contribuído com maior parte do valor. Para que a partilha desigual tivesse validade, seria necessário que o casal tivesse optado por outro regime de bens (como o da separação convencional ou da participação final nos aquestos) ou celebrado contrato com força jurídica reconhecida, o que não ocorreu neste caso.
5) Partindo-se do pressuposto de que no regime de participação final dos aquestos “há formação de massas particulares incomunicáveis durante o casamento, mas que na dissolução da sociedade conjugal tornam-se comuns, pois cada cônjuge é credor da metade do que o outro adquiriu onerosamente na constância do matrimônio”, é possível se falar na hipótese de responsabilidade de um dos cônjuges por débitos adquiridos pelo outro na constância de casamento vigente por esse regime? Fundamente sua resposta.
	Na constância de um casamento regido pelo regime da participação final dos aquestos, tem-se que serão aplicadas, na prática, as regras da separação convencional de bens, sendo que cabe a cada cônjuge a administração e a responsabilidade pelo que adquirir, incluindo débitos. Sendo assim, via de regra, durante o casamento não existe responsabilidade de um cônjuge pelas dívidas adquiridas pelo outro.
	Nesse sentido, cada cônjuge responde pela obrigação que contraiu, débitos estritamente pessoais ficam a cargo do cônjuge devedor e oneram seus bens privativos, não podendo comprometer solidariamente o patrimônio comunicável, a determinação de que cada consorte responda pelas dívidas que contraiu, salvo comprovação de terem revertido em benefício do outro, art. 1.677 CC, devendo comprovar que fez em benefício da família.
6) João e Maria são casados pelo regime da comunhão parcial de bens, sendo que João trabalha como ferramenteiro em uma metalúrgica instalada na cidade de Osasco. Certo dia, já no final de seu expediente, João foi atingido por uma peça de metal que se desprendeu de uma grua, acidente que lhe causou a amputação de seu braço esquerdo. Diante do ocorrido, João processou a empresa em que trabalha, tendo sido a sua ação julgada procedente, de modo que a metalúrgica foi condenada a adimplir a título de indenização a importância de R$500.000,00 em razão da perda parcial da capacidade laborativa. Estranhamente, dias após o recebimento da indenização, Maria ingressa com ação de divórcio, arrolando dentre o patrimônio a ser partilhado a indenização recebida por João. Como juiz da causa, explique se Maria possui direitos sobre a indenização paga a João.
A indenização adveio em decorrência de acidente de trabalho, que acarretou na perda parcial da capacidade laborativa de João. Assim, trata-se, de verba de caráter personalíssima, devida por força de diminuição parcial do trabalho por parte do empregado, em restrição pessoal que o acompanhará ao longo de sua vida laboral e cujo ressarcimento tem o escopo de recompor sua perda, não se confundindo, portanto, com as verbas trabalhistas usuais, fruto do trabalho, a teor do artigo 1660, inciso V do Código Civil, que se comunicam porque refletem ganhos que seriam compartilhados ao longo do casamento, caso corretamente pagas pelo empregador.
Esse o entendimento do assentado pelo C. STJ: 
“DIREITO CIVIL. DISSOLUÇÃO DA UNIÃO ESTÁVEL. PARTILHA DE BENS. VERBAS INDENIZATÓRIAS. EXPECTATIVA DE DIREITO EM AÇÕES JUDICIAIS. ACIDENTE DE TRABALHO. INDENIZAÇÃO. 1. Na dissolução da união estável, a partilha de bens refere-se ao patrimônio comum formado pelo casal, não se computando indenizações percebidas a título personalíssimo por quaisquer dos ex-companheiros, tal qual a recebida em razão de acidentes de trabalho, pois certo que a reparação deve ser feita àquele que sofreu o dano e que carrega consigo a deficiência adquirida. 2. A indenização recebidaem razão do pagamento de seguro de pessoa cujo risco previsto era a invalidez temporária ou permanente não constitui frutos ou rendimentos do trabalho que possam ajustar-se às disposições do inciso VI do art. 271 do Código de Civil de 1916. 3. Recurso especial não-conhecido. (REsp 848.998/RS, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, QUARTA TURMA, julgado em 28/10/2008, DJe 10/11/2008)
Assim, Maria não teria direito a partilha deste montante, por se tratar de verba indenizatória trabalhista em decorrência de acidente laboral e possuir caráter personalíssimo.

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