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REVISÃO DRAMA
PROBLEMA 1:
→ Acidente Botrópico: gênero Bothrops (jararaca); Veneno: proteolítico (proteases,
hialuronidases e fosfolipases), coagulante (ativação do fator X e de protrombina),
hemorrágico (hemorraginas, consumo de fatores de coagulação e plaquetopenia) e
inflamatório. Quadro: dor e edema de intensidades variáveis; em casos graves podem gerar
hipotensão arterial, choque, oligúria ou hemorragias intensas. Complicações: síndrome
compartimental, abscesso, necrose, choque e insuficiência renal aguda. Tratamento: elevar
local da mordida, analgesia, hidratação, antibioticoterapia, fasciotomia, debridamento de
necrose e drenagem de abscesso. Soroterapia: SAB ou SABC ou SABL; o mais incidente.
→ Acidente Crotálico: gênero Crotalus (cascavel); Veneno: neurotóxico (crotoxina que
impede liberação de Ach), miotóxico (rabdomiólise provavelmente por crotoxina e
crotamina) e coagulante (ativação do fibrinogênio em fibrina). Quadro: localmente é pouco
importante, podendo ou não haver dor, edema ou parestesia; sistemicamente há sinais e
sintomas neurotóxicos, mialgia, urina alterada, todos de intensidades variáveis.
Complicações: parestesia local duradoura e insuficiência renal aguda. Tratamento:
hidratação. Soroterapia: SAC ou SABC; 2º mais incidente.
→ Acidente Laquético: gênero Lachesis (surucucu). Veneno: proteolítico (mesmo do
botrópico), coagulante (ativação de fibrinogênio em fibrina), hemorrágico (hemorraginas) e
neurotóxico (estimulação vagal). Quadro: localmente há dor e edema, pode haver vesículas,
bolhas, hemorragia; sistemicamente pode haver síndrome vagal; gravidade moderada a grave.
Complicações: igual botrópico. Tratamento: igual botrópico. Soroterapia: SAL ou SABL;
3º mais incidente.
→ Acidente Elapídico: gênero Micrurus (coral-verdadeira); Veneno: neurotóxico
(pré-sináptico, NTXs que impede liberação de Ach e pós-sináptico, NTXs que competem
pelos receptores colinérgicos). Quadro: localmente pode haver dor discreta e parestesia,
sistemicamente é sempre grave, podendo causar vômito, fraqueza muscular, ptose palpebral,
oftalmoplegia, fácies miastênica, mialgia e disfagia. Complicações: insuficiência respiratória
aguda e apnéia. Tratamento: ventilação, anticolinesterásico e atropina. Soroterapia: SAE.
→ Acidente Escorpiônico: gênero Tityus (escorpiões). Veneno: ocorre a despolarização dos
canais de sódio pós-ganglionares promovendo a liberação de catecolaminas e acetilcolina.
Quadro: localmente gera dor com ou sem parestesia, sistemicamente pode gerar sudorese,
náuseas, vômitos, taquicardia, taquipneia, hipertensão, sialorréia, agitação e prostração,
bradicardia, insuficiência cardíaca, convulsões e coma. Complicações: edema pulmonar
agudo e choque. Tratamento: analgesia. Soroterapia: SAEEs ou SAAr.
→ Acidente Fonêutrico: gênero Phoneutria (aranha-armadeira). Veneno: neurotóxico
(PhTx2 causa ativação e retardo da inativação de canais de sódio neuronais, causando
liberação de catecolaminas e acetilcolina) e vasoativo (ativação do sistema calicreína-cininas
e de NO). Quadro: pode haver sintomas locais, sistemicamente pode haver taquicardia,
agitação, hipertensão, sudorese, hemeralopia, vômitos, sialorréia, diarréia, priapismo,
hipertonia e hipotensão. Complicações: choque e edema pulmonar agudo. Tratamento:
analgesia. Soroterapia: SAAr.
→ Acidente Loxoscélico: gênero Loxosceles (aranha-marrom). Veneno: inflamatório,
coagulante e hemolítico, todos causados pela esfingomielinase-D, que ativa cascatas do
sistema complemento, da coagulação e das plaquetas. Quadro: cutâneo - dor e lesões
hemorrágicas com áreas pálidas de isquemia e necrose; cutâneo-visceral - quadro cutâneo
associado a alterações clínicas e laboratoriais de hemólise. Complicações: infecção
secundária, perda tecidual, cicatrizes e insuficiência renal aguda. Tratamento: analgesia.
Soroterapia: SALox ou SAAr.
→ Acidente Latrodéctico: gênero Latrodectus (viúva-negra). Veneno: neurotóxico
(alpha-latrotoxina atua sobre terminações sensitivas causando dor, libera neurotransmissores
adrenérgicos e colinérgicos e altera a permeabilidade de sódio e potássio nas junções
neuromusculares). Quadro: localmente há dor com ou sem pápula eritematosa,
sistemicamente há tremores, ansiedade, excitabilidade, mioclonia, fácies latrodectísmica e
taquicardia seguida de bradicardia. Complicações: edema pulmonar agudo e choque.
Tratamento: analgesia, diazepam, cálcio e clorpromazina. Soroterapia: SALatr.
→ Dermatite urticante: vários gêneros de lagartas. Veneno: não se conhece a ação.
Quadro: localmente há dor intensa, edema, eritema e prurido, podendo haver bolhas e
necrose. Tratamento: analgesia, anti-inflamatório e anti-histamínico. Complicações:
síndrome hemorrágica por contato com Lonomia sp. - gera hemorragias locais e/ou viscerais
(com ou sem alterações hemodinâmicas e/ou falência de órgãos) → atribui-se ação aos
líquidos da hemolinfa e da secreção das espículas, tendo a histamina como principal
componente estudado até o momento. Soroterapia: SALon.
PROBLEMA 2:
→ Febre amarela: doença infecciosa não contagiosa endêmica em florestas tropicais das
Américas e África. Agente etiológico: Vírus Amarílico, gênero Flavivírus. Vetores: Aedes
sp. (ciclo rural da África), Haemagogus sp. e Sabethes sp. (ciclo rural da América) e Aedes
aegypti (ciclo urbano). Ciclo: silvestre - primatas não-humanos com viremia infectam novos
mosquitos, que irão infectar novos hospedeiros silvestres (suspeita-se que marsupiais e
preguiças têm papel no ciclo); urbano - humanos com viremia infectam novos mosquitos
Aedes aegypti, que irão contaminar outros humanos; ciclo urbano é atualmente extinto.
Fisiopatogenia: infecta as células linfóides e macrófagos dos linfonodos regionais e se
replicam; depois são liberadas na corrente sanguínea e migram para o fígado, onde infectam
células de Küpffer e hepatócitos, causando degeneração e necrose nas áreas médio-zonais.
Manifestações: leve - febre súbita com ou sem cefaléia, astenia, indisposição e tontura;
moderada - febre súbita e cefaléia intensa com ou sem náuseas, vômitos, dores, epistaxe,
subicterícia e sinal de Faget; grave - febre elevada súbita e cefaléia intensa, sinal de Faget,
icterícia, albuminúria e hemorragias; maligna - sintomas anteriores agravados (icterícia,
albuminúria e hemorragias) com período de remissão e talvez, posteriormente, período
toxêmico com CIVD e falência hepato-renal.
Diagnóstico: clínico → caso suspeito: pessoa residente ou procedente de área de risco para
febre amarela, nos 15 dias anteriores, sem comprovante de vacinação ou que tenha recebido a
primeira dose há menos de 30 dias que tenha até 7 dias de febre com dois ou mais dos
sintomas: cefaleia, mialgia, lombalgia, mal-estar, calafrios, náuseas, icterícia e/ou
manifestações hemorrágicas; laboratorial → caso confirmado: sorologia, RT-PCR, isolamento
viral e histopatologia.
Imunização: vacina de vírus atenuado; dose aos 9 meses e dose de reforço aos 4 anos;
subcutânea. Notificação: doença de notificação compulsória imediata ao município e ao
estado.
→ LIRAa: o Levantamento Rápido de Índices para o Aedes aegypti é uma metodologia ágil
que visa determinar a quantidade de imóveis com larvas de Aedes aegypti. Seus objetivos
incluem otimizar e orientar as ações de controle do vetor, facilitar a identificação de áreas de
risco, avaliar métodos de controle e promover a comunicação e mobilização por meio da
divulgação dos resultados para parceiros. Utiliza índices prediais (percentual de imóveis com
larvas), índice Breteau (percentual de depósitos com larvas) e o tipo predominante de
recipiente com larvas.
PROBLEMA 3
→ Dengue: doença causada por diferentes sorotipos do vírus DENV, é uma das mais
significativas arboviroses, com cerca de 100 milhões de casos anuais. Agente etiológico:
Vírus DENV, gênero Flavivírus (virulência DENV-3>DENV-2>DENV-4>DENV-1). Vetores:
Aedes aegypti (ciclo urbano) e Aedes albopictus (ciclo asiático, não muito bem definido papel
no ciclo das Américas). Ciclo: mosquitos fêmeas se infectam com sangue humanovirêmico;
o vírus se multiplica no aparelho digestivo do mosquito e chega nas glândulas salivares; passa
a transmiti-lo por toda a vida para outros seres humanos.
Fisiopatogenia: fagocitado por células dendríticas e transportado para os linfonodos
regionais, se multiplica e inicia-se a viremia; o vírus tem tropismo por células fagocitárias,
onde se replica; a presença alta de citocinas séricas, como TNF-α, IL-6 e IFN-γ liberados por
células T causam febre e mal-estar; a multiplicação viral no tecido muscular gera mialgia; a
multiplicação viral nos músculos oculomotores gera a cefaléia retroorbitária; o aumento da
carga viral resultante de uma cepa virulenta ou a facilitação da infecção mediada por
anticorpos de infecção prévia (por outro DENV) leva a uma resposta imune exacerbada,
envolvendo células do sistema imune, citocinas e imunocomplexos, o que causa aumento da
permeabilidade vascular endotelial, queda da pressão arterial e manifestações hemorrágicas,
associadas a trombocitopenia, conhecida como febre de dengue hemorrágica; o aumento de
fatores de ativação de plaquetas, agregação plaquetária no endotélio lesado e diminuição das
plaquetas circulantes é responsável pela plaquetopenia.
Manifestações: fase febril - febre alta, cefaléia, adinamia, mialgias, artralgias e dor
retroorbitária, exantema máculo-papular; fase crítica - defervescência da febre com início do
aparecimento de sinais de alarme (Sangramento, Irritabilidade e/ou letargia, Líquido
acumulado, Vômitos persistentes, Abdômen dolorido, Hipotensão postural, Hepatomegalia e
Hematócrito aumentado); pode evoluir para forma grave, caracterizada pelo extravasamento
de plasma, podendo haver choque, hemorragias graves e disfunções graves de órgãos; fase de
recuperação - reabsorção gradual do líquido extravasado e melhora clínica.
Diagnóstico: clínico → caso suspeito de dengue - residente em local com dengue ou advindo
de área com dengue, apresentando febre por até 7 dias e duas ou mais alterações
características da dengue; para crianças o quadro de febre aguda e o local de origem é
suficiente; caso suspeito de dengue com sinais de alerta - caso em que no período de
defervescência da febre apresenta um ou mais sinal de alarme; caso suspeito de dengue grave
- choque devido ao extravasamento de plasma e/ou sangramento grave e/ou
comprometimento grave dos órgãos; laboratorial → confirmado - todo caso suspeito de
dengue confirmado laboratorialmente com sorologia (5º dia ou mais), NS1 (até o 10º dia),
isolamento viral, RT-PCR (até o 10º dia) ou imuno-histoquímica.
Manejo e tratamento: grupo A - ausência de sinais de alerta e sem comorbidades; grupo B -
ausência de sinais de alarme com comorbidades (doenças crônicas) e/ou petéquias
espontâneo/induzido; grupo C - presença de um ou mais sinais de alarme; grupo D - presença
de sinais de choque, sangramento grave ou disfunção grave de órgão.
Notificação: a doença é de notificação compulsória semanal; os óbitos pela doença são de
notificação compulsória imediata ao município, ao estado e à união.
→ Zika: doença viral transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti. Agente
etiológico: vírus ZIKV, gênero Flavivirus. Vetores: mosquitos do gênero Aedes, sobretudo
Ae. aegypti e Ae. albopictus. Transmissão via inseto, sexual, perinatal e hemotransfusão.
Ciclo: silvestre - na África é transmitido entre primatas não humanos e mosquitos Aedes que
habitam a floresta; urbano - transmitido em um ciclo humano-mosquito-humano através do
vetor Aedes aegypti.
Fisiopatogenia: replicam-se nas células dendríticas, fibroblastos e queratinócitos da
epiderme e derme, indo depois para os nodos linfáticos e para a corrente sanguínea; o vírus
tem tropismo pelo SNC, podendo gerar a Síndrome de Guillain-Barré após desenvolvimento
do quadro clínico da infecção.
Manifestações: febre de início agudo com cefaléia discreta e surgimento de exantema
maculopapular pruriginoso; habitualmente a febre é baixa; a conjuntivite não purulenta tem
sido frequentemente relatada; há casos de Síndrome de Guillain-Barré que surgiram poucos
dias após o desenvolvimento da infecção.
Diagnóstico: clínico → caso suspeito - paciente que apresenta exantema maculopapular
pruriginoso, acompanhado de pelo menos dois dos seguintes sinais e sintomas: febre,
hiperemia conjuntival sem secreção, poliartralgia e edema periarticular; para gestantes basta
apresentar exantema; laboratorial → caso confirmado - RT-PCR (até 10 dias) e sorologia (5º
dia ou mais)
Manejo e tratamento: seguir classificação de risco e manejo semelhante aos pacientes da
dengue.
Notificação: Doença aguda de ZIKV ou Síndrome congênita é de notificação compulsória
semanal; Doença aguda EM GESTANTE é de notificação compulsória imediata para o
município e estado; Óbito é de notificação compulsória imediata para o município, estado e
união.
→ Chikungunya: arbovirose com sinais e sintomas parecidos aos da dengue. Agente
etiológico: vírus CHIKV, gênero Alphavirus. Vetores: Aedes aegypti e Aedes albopictus;
Ciclo: silvestre - o vírus é transmitido por mosquitos do gênero Aedes a primatas
não-humanos especialmente na África; urbano - envolve duas espécies de mosquitos
altamente antropofílicas A.aegypti e A. albopictus e o homem.
Fisiopatogenia: acomete células endoteliais, epiteliais, fibroblastos, dendríticas, macrófagos
e células B, assim como células musculares; a fase aguda está relacionada com a viremia e
concentração expressivas de citocinas inflamatórias; as dores musculoesqueléticas são
explicadas pelo escape precoce do vírus de monócitos e realocação nos macrófagos sinoviais.
Manifestações: fase aguda - febre súbita e poliartralgia, geralmente com dores nas costas,
rash cutâneo, cefaléia e fadiga; fase subaguda - desaparecimento de febre com persistência de
artralgia, pode haver edema de intensidade variável; caso passe de 3 meses é considerado
crônico; fase crônica - acometimento articular persistente ou recidivante, dor com ou sem
edema, limitação de movimento, deformidade e ausência de eritema; manifestações atípicas e
graves - meningoencefalite, encefalopatia, miocardite, insuficiência cardíaca, insuficiência
renal aguda, pneumonia, insuficiência respiratória e hepatite.
Diagnóstico: clínico → suspeito - paciente com febre por até sete dias acompanhada de
artralgia intensa de início súbito; pode estar associado à cefaléia, a mialgias e à exantema;
considerar história de deslocamento nos últimos 15 dias para áreas com transmissão de
chikungunya; laboratorial → confirmado - RT-PCR (até 10º dia) ou sorologia (5º dia ou
mais).
Manejo e tratamento: pacientes sem sinais de gravidade, sem critério de internação e/ou
condições de risco - exames, hidratação oral, sintomáticos e retorno se febre persistir por
mais de 5 dias; pacientes do grupo de risco - exames, hidratação oral, sintomáticos e retorno
diário até o fim da febra; pacientes com sinais de gravidade e/ou critério de internação -
exames, hidratação oral, sintomáticos e tratamento de complicações graves.
Notificação: doença de notificação compulsória semanal; caso confirmado em área sem
transmissão e/ou óbito pela doença são de notificação compulsória imediata ao município,
estado e união.
PROBLEMA 4
→ Principais doenças transmitidas pela água: Giardíase (protozoário Giardia lamblia): via
fecal-oral; Amebíase (protozoário Entamoeba histolytica): via fecal-oral; Hepatite A (vírus da
hepatite A - HAV): via fecal-oral; Rotavírus (gênero Rotavírus): via fecal-oral; Cólera
(bactéria Vibrio cholerae): via fecal-oral; Leptospirose (bactéria Leptospira): penetração em
pele lesionada, em pele íntegra imersa por longo tempo em água contaminada ou em
mucosas.
→ Amebíase: doença infecciosa com alta morbimortalidade que atinge principalmente
pessoas com baixas condições socioeconômicas. Agente etiológico: protozoário Entamoeba
histolytica, filo Rhizopoda; existe como trofozoíto (móvel) e cisto (imóvel). Transmissão:
ingestão de alimentos ou água contaminados com fezes contendo cistos, mas também sexo
anal-oral. Ciclo: começacom a ingestão de cistos que, ao chegarem ao íleo terminal ou ceco,
liberam os trofozoítos, que se instalam no intestino grosso; esse humano será reservatório do
protozoário e irá transmiti-lo em forma de cisto via fecal-oral.
Fisiopatogenia: 1ª etapa - colonização e aderência ao epitélio colônico; 2ª etapa - citólise e
úlcera epitelial (se dá por aumento intracelular do Ca2+; digestão da MEC aumenta ulceração;
a ameba digere eritrócitos pela ação de hemoglobinases; enzimas liberadas pelos neutrófilos e
monócitos aumentam ulceração); 3ª etapa - amebas invadem vasos da submucosa e ganham
acesso à corrente sanguínea, gerando quadros extraintestinais.
Manifestações: amebíase intestinal assintomática - maioria dos casos; amebíase intestinal
invasiva - pode se apresentar como 1)disenteria ou diarreia sanguinolenta, 2)colite
fulminante, 3)apendicite amebiana, 4)ameboma do cólon; amebíase hepática - abscesso no
lobo hepático direito com dor abdominal e febre; em casos crônicos paciente é toxêmico,
pálido, febril, com dor no hipocôndrio direito e hepatomegalia; complicações: doenças
pulmonares, pericardite, amebíase cutânea, peritonite, hipertensão portal e choque (ou seja,
pode atingir intestino, fígado, pulmões, coração, sistema nervoso central e pele).
Notificação: não é doença de notificação compulsória.
→ Giardíase: doença por protozoário que atinge principalmente a porção superior do
intestino delgado. Agente etiológico: Giardia lamblia, Giardia duodenalis e Giardia
intestinalis, filo Zoomastigophora, existe como cisto e trofozoíto. Transmissão: ingestão de
água, frutas, verduras e legumes contaminados pelos cistos, mas também sexo anal-oral.
Ciclo: começa com a ingestão de cistos que, ao atravessarem o estômago, liberam os
trofozoítos, que se instalam no intestino delgado; esse humano será reservatório do
protozoário e irá transmiti-lo em forma de cisto via fecal-oral.
Fisiopatogenia: o contato dos protozoítos com macrófagos ativa o linfócito T, que ativa o
linfócito B, que produz IgA e IgE; o IgE se liga aos mastócitos e causa sua degranulação,
provocando edema da mucosa e contração do músculo liso, aumentando a motilidade
intestinal e a renovação de enterócitos - consequentemente há diarréia e má absorção; outro
motivo para a má absorção pode ser o etapeamento das vilosidades; como consequência da
má absorção há esteatorréia, e como consequência do edema há o tenesmo.
Manifestações clínicas: forma aguda - diarreia e dor abdominal; forma crônica - esteatorréia,
fadiga, anorexia, flatulência e distensão abdominal; pode ocasionar perda de peso e anemia.
Notificação: não é doença de notificação compulsória.
PROBLEMA 5
→ Ancilostomose (agente - nematelminto Ancylostoma duodenale ou Necator americanus);
infecta por penetração ativa na pele; sintomas: exantema no local de entrada da larva, pode
apresentar dor abdominal ou outros sintomas de TGI a curto prazo; a longo prazo pode causar
anemia ferropriva; Ciclo: 1) Os ovos são eliminados nas fezes e eclodem, 2) Os ovos liberam
larvas rabditiformes, 3) Depois se tornam larvas filariformes, 4) Quando entram em contato
com o hospedeiro humano, penetram na pele e são levadas pelos vasos sanguíneos até o
coração e a seguir até o pulmão; 5) As larvas penetram os alvéolos pulmonares, ascendem a
árvore brônquica até a faringe e são deglutidas, 6) As larvas alcançam o intestino delgado,
onde se transformam em adultos e geram ovos.
→ Esquistossomose (agente - platelminto Schistosoma mansoni); infecta por penetração
ativa na pele; sintomas: dermatite, seguida após várias semanas por febre, calafrios, náuseas,
dor abdominal, diarreia, mal-estar e mialgia, cronicamente inclui diarreia sanguinolenta ou
hematúria. Ciclo: 1) Os ovos contendo miracídios são eliminados com as fezes ou a urina na
água, 2) Os ovos eclodem e liberam miracídios, 3) Os miracídios penetram em caramujos do
gênero Biomphalaria, 4) Dentro do caramujo tornam-se cercárias, 5) As cercárias são
liberadas do caramujo e penetram na pele do hospedeiro humano, 6) Ao penetrar torna-se
esquistossômulo, 7) Os esquistossômulos migram para os pulmões, depois para o coração, e
então se desenvolvem no fígado, saindo do fígado pelo sistema da veia porta quando
maduros, 8) O par (macho e fêmea) de vermes adultos migra para as veias intestinais no
intestino, no reto ou no plexo venoso do trato geniturinário, no qual vivem e botam ovos.
→ Tricuríase (agente - nematelminto Trichuris trichiura); disseminada pela via fecal-oral;
sintomas: pode haver dor abdominal, diarreia e, em casos graves, anemia e desnutrição.
Ciclo: 1) Os ovos não embrionados saem nas fezes, 2) No solo, os ovos se desenvolvem até
serem embrionados e tornarem-se infecciosos, 3) Os ovos são ingeridos, 4) Os ovos eclodem
no intestino delgado e liberam larvas, 5) As larvas amadurecem e estabelecem-se como
adultos no intestino grosso, quando geram ovos.
→ Estrongiloidíase (agente - nematelminto Strongyloides stercoralis); infecta por penetração
ativa na pele; sintomas: dor abdominal e diarreia, exantema, sintomas pulmonares e
eosinofilia. Ciclo: 1) Larvas rabditiformes são excretadas nas fezes e no solo, 2) As larvas
rabditiformes podem tornar-se adultos de vida livre ou tornarem-se larvas filariformes
infecciosas que penetram a pele humana, 3) As larvas filariformes penetram a pele humana,
4) As larvas migram por várias vias até o intestino delgado, onde se transformam em adultos,
5) No intestino delgado, as fêmeas adultas produzem ovos, 6) Os ovos eclodem em larvas
rabditiformes (a maioria dessas larvas é excretada nas fezes), 7) Algumas larvas tornam-se
larvas filariformes no intestino grosso e causam auto-infecção interna ou externa.
→ Larva migratória cutânea (agente - nematelminto Ancylostoma braziliensis ou
Ancylostoma caninum); infecta por penetração ativa na pele; sintomas: prurido intenso,
pápulas e eritema local, trajeto sinuoso por túnel subcutâneo. Ciclo: 1) Os gatos e cachorros
são infectados quando entram em contato com larvas presentes no ambiente, 2) Essa larvas,
no intestino, desenvolvem-se até a fase adulta e liberam ovos, que são eliminados nas fezes
dos animais, 3) No ambiente, o ovo eclode e libera larvas que desenvolvem-se até a sua fase
infectante e entra no ser humano por meio de feridas na pele ou através do folículo capilar.
→ Ascaridíase: infecção causada pela como lombriga, pode afetar o intestino e outros
órgãos, como pulmões, fígado e vesícula biliar. Agente etiológico: nematelminto Ascaris
lumbricoides. Transmissão: ingestão de água ou alimentos contaminados com ovos L3.
Ciclo: 1) Fêmea libera ovos que vão para o ambiente através das fezes; 2) Os ovos tornam-se
embrionados, passando pela fase L1 (larvas rabditiformes), L2 e L3 (larvas filariformes), que
é a forma infectante; 3) Os ovos L3 são ingeridos e eclodem no intestino delgado, que
atravessam a parede intestinal na altura do ceco, caem nos vasos linfáticos e veias, e chegam
no fígado, depois ao coração e, por fim, aos pulmões; 4) A larva passa pela fase L4, atravessa
alvéolos e chega na fase L5, vai à faringe, podendo ser expelidos ou deglutidos; 5) Alcançam
maturidade sexual em cerca de 60 dias, quando os ovos começam a aparecer nas fezes.
Fisiopatogenia: larvas - em infecções maciças há lesões hepáticas e pulmonares; vermes
adultos - em infecções médias e maciças podem apresentar ação espoliadora (subnutrição e
depauperamento físico e mental), ação tóxica (reação entre antígenos parasitários e
anticorpos alergizantes do hospedeiro), ação mecânica (causam irritação na parede e podem
levar à obstrução), localização ectópica (apêndice cecal, ducto colédoco e ducto pancreático
principal), podem aparecer manchas na pele (pelo consumo de vitaminas A e E).
Manifestações: os sintomas iniciais são pulmonares, seguidos de sintomas gastrointestinais,
com cólicas ou dor abdominal; as crianças infectadas podem desenvolver desnutrição;
diagnóstico é pela presença de ovos nas fezes, testes imunológicos não são muito bons.
→ Oxiuríase: é uma infecção intestinalcausada por parasita que provoca coceira intensa no
ânus. Agente etiológico: nematelminto Enterobius vermicularis. Transmissão: transmissão
fecal-oral, que nesse caso pode ocorrer por: heteroinfecção, infecção indireta, autoinfecção
direta, autoinfecção interna e, por fim, retroinfecção. Ciclo: 1) As fêmeas liberam ovos na
região anal; 2) Os ovos eliminados se tornam infectantes e são ingeridos pelo hospedeiro; 3)
No intestino delgado, os ovos eclodem em larvas rabditiformes; 4) No ceco, viram vermes
adultos e passam a produzir ovos.
Fisiopatogenia: pode provocar enterite catarral por ação mecânica e irritativa; o ceco
apresenta-se inflamado e, as vezes, o apêndice também é atingido; a alteração mais intensa e
mais fiequente é o prurido anal; o prurido ainda provoca perda de sono e nervosismo.
Manifestações: a característica principal é o prurido anal; podendo haver escoriações pelo
ato de coçar e resultar em infecções secundárias em torno do ânus; sintomas inespecíficos do
aparelho digestivo são registrados, como vômitos, dores abdominais, tenesmo, puxo e,
raramente, fezes sanguinolentas; já foram registrados sintomas no fígado e no aparelho
geniturinário feminino; diagnóstico por fezes é difícil, melhores escolhas são testes de Hall
(perianal) e teste de Graham (anal); teste para acompanhar cura é o teste de Hall; coleta das
fezes deve ser feita por 3 vezes em dias intercalados.
IMPORTANTE: os vermes que fazem ciclo de loss (ou ciclo pulmonar) são o Strongyloides
stercoralis, Ancylostoma duodenale, Necator americanus, Toxocara canis e Ascaris
lumbricoides (mnemônico SANTA). Eles são capazes de gerar uma síndrome chamada de
Síndrome de Loeffler, que é uma pneumonia eosinofílica causada por infiltrados
inflamatórios pulmonares desencadeados pela presença de larvas nos pulmões.
PROBLEMA 6
→ Doença de Chagas: agente - protozoário Trypanosoma cruzi; vetor - barbeiro (Triatoma
infestans) que transmite o parasita por meio de suas fezes contaminadas.
→ Malária: agente - protozoários do gênero Plasmodium (falciparum, vivax, ovale e
malariae); vetor - mosquito-prego (Anopheles) inocula os parasitas durante a picada.
→ Febre Maculosa: agente - bactérias Rickettsia rickettsii; vetor - carrapato-estrela
(Amblyomma cajennense) infectado inocula a bactéria durante picada.
→ Leishmaniose Visceral: esse tipo de leishmaniose afeta os órgãos internos, geralmente
baço, fígado e medula óssea. Agente etiológico: protozoários Leishmania (donovani e
infantum); tem forma amastigota e promastigota. Vetores: insetos fêmeas dos gêneros
Lutzomyia (mosquito-palha) nas Américas e Phlebotomus no Velho Mundo. Ciclo: as formas
amastigotas se multiplicam nos macrófagos de mamíferos até romperem a célula; os
protozoários livres são ou fagocitados por outro macrófago ou ingeridos pelos flebotomíneos
ao picarem os humanos; no intestino do inseto se desenvolve até a forma promastigota, migra
para a probóscida do mosquito e é transmitido para o mamífero durante o repasto sanguíneo.
Imunidade: diferenciação em Th1 e Th2, mas as IL’s do Th1 tem baixa produção e as IL’s do
Th2 são produzidos em grandes quantidades, ocorrendo grande ativação policlonal dos
linfócitos B e, consequentemente, aumento expressivo de IgM e IgG.
Fisiopatogenia: se caracteriza pelo comprometimento do sistema mononuclear fagocitário
(SMF), que apresenta hipertrofia e hiperplasia, acometendo principalmente fígado, baço e
medula óssea; fígado: hepatomegalia - hipertrofia e hiperplasia das células de Kupffer,
infiltrado linfoplasmocitário; hepatócitos com tumefação e/ou esteatose; pulmão: pneumonite
intersticial - infiltrado inflamatório, aumento de células intersticiais, congestão de capilares e
edema; broncopneumonia - infecção secundária mais frequente nos pacientes com LV e a
principal causa de óbito na doença; rim: proteinúria, hematúria, aumento da ureia, da
creatinina e diminuição do clearance - nefrite com edema e infiltrado linfoplasmocitário e de
hepatócitos, glomérulos com hipertrofia e hiperplasia de células mesangiais; baço:
esplenomegalia - hipertrofia e hiperplasia do SMF, congestão dos sinusóides, cordões de
Billroth com plasmocitose e redução da polpa branca; medula óssea: neutropenia, anemia,
plaquetopenia, plasmocitose - bloqueio da linhagem neutrofílica, predominância de
microeritroblastos, hipoplaquetopênia e aumento de macrófagos; tubo digestivo:
hipoalbuminemia - infiltrado inflamatório, edema e alargamento de vilosidades.
Manifestações: infecção assintomática - não apresenta nenhum sintoma e é comum em áreas
endêmicas; infecção oligossintomática - febrícula, tosse seca, diarréia, sudorese e adinamia,
associada a discreta visceromegalia; infecção aguda disentérica - febre alta, tosse e diarréia
acentuada; calazar clássico - fase inicial: febre alta abrupta, distúrbios TGI, adinamia,
prostração, sonolência, mal-estar, emagrecimento, tosse seca e pouco produtiva, pode haver
manifestações hemorrágicas; fase estado e final: febre irregular, caquexia, cabelos secos,
quebradiços e com sinal de bandeira, cílios alongados, deambula vagarosamente, edema nos
pés e nas mãos, hepatoesplenomegalia, tosse, diarreia, perturbações digestivas, náuseas,
vômitos, dispneia de esforço, cefaleia, zumbido, dores musculares, artralgia, epistaxes,
gengivorragias, sopro sistólico, insuficiência cardíaca.
Alterações laboratoriais: pancitopenia e inversão da relação albumina/globulina.
Notificação: doença de notificação compulsória semanal.
→ Leishmaniose Tegumentar Americana: esse tipo de leishmaniose afeta a pele e
mucosas. Agente etiológico: protozoários Leishmania (braziliensis, amazonensis e
guyanensis). Vetores: insetos fêmeas do gênero Lutzomyia (mosquito-palha). Ciclo: igual o
da LV, porém aqui o ser humano é hospedeiro acidental.
Manifestações: resposta imune adequada desenvolve a forma cutânea localizada; resposta
inadequada desenvolve a forma cutânea disseminada (cutâneo-mucosa); tardiamente à cura
da forma cutânea localizada pode se desenvolver a forma mucosa; há também uma forma rara
conhecida como forma cutânea difusa; forma cutânea: úlcera geralmente única e em forma de
cratera; é explicada pela intensidade de resposta Th2=Th1; forma cutâneo-mucosa (ou cutânea
disseminada): lesões múltiplas de pele com comprometimento das mucosas; é explicada pela
intensidade de resposta Th2>Th1; forma cutânea difusa: presença de nódulos isolados ou
agrupados e placas infiltradas; é explicado devido à supressão da resposta Th1 e Th2; forma
mucosa: geralmente acomete via respiratória superior; evolui com caráter ulcerativo e
mutilante ou com aumento de volume das partes moles, eritema e úlceras superficiais; é
explicada como hipersensibilidade tardia e a intensidade Th1>Th2.
Notificação: doença de notificação compulsória semanal.
PROBLEMA 7
→ Teníase, cisticercose e neurocisticercose: o complexo teníase-cisticercose constitui um
sério problema de saúde pública em países onde existem precárias condições sanitárias,
socioeconômicas e culturais, que contribuem para a transmissão. Agente etiológico:
platelmintos Taenia solium e Taenia saginata - tanto a forma larval quanto a adulta causam
doenças, sendo a teníase e a cisticercose, respectivamente. Transmissão: a teníase ocorre
pela ingestão de carne crua ou mal cozida de porco ou de boi infectado, enquanto a
cisticercose ocorre pela ingestão acidental de ovos de T. solium. Ciclo: o humano parasitado
elimina proglotes com ovos para o exterior; um hospedeiro intermediário próprio (bovino ou
suíno) ingere os ovos; no intestino as oncosferas que estavam nos ovos penetram o
hospedeiro, chegam na circulação sanguínea e são transportados a todos os órgãos e tecidos
do organismo; as oncosferas nos tecidos viram cisticercos que são ingeridos pelo ser humano;
no humano se no intestino delgado onde viram tênias adultas e geram ovos.
Fisiopatogenia e manifestações: Teníase - causa fenômenos tóxicos alérgicos, hemorragias
na mucosa, destruição do epitélio e produção de inflamação; pode causar tonturas, astenia,
apetiteexcessivo, náuseas, vômitos, alargamento do abdômen, dores em diferentes regiões do
abdômen, perda de peso, obstrução intestinal e apendicite. Cisticercose - se aloja no tecido
musculares, subcutâneo, glândulas mamárias, globo ocular e com mais freqüência no SNC; o
alojamento no músculo ou tecido subcutâneo costuma ser assintomático, mas pode provocar
dor, fadiga e cãibras; alojamento cardíaco pode gerar palpitações, ruídos anormais ou
dispnéia; alojamento nas mamas pode se apresentar como nódulo ou tumoração; alojamento
nos olhos pode promover a perda parcial ou total da visão, desorganização intra-ocular e
perda do olho. Neurocisticercose - é quando o cisticerco se aloja no SNC; no parênquima
pode causar processos compressivos, irritativos, vasculares e obstrutivos; no espaço liquórico
podem causar a obstrução do fluxo de LCR, hipertensão intracraniana e hidrocefalia;
calcificações podem gerar quadros de epilepsia.
→ Toxoplasmose: apresenta quadro clínico variado, desde infecção assintomática a
manifestações sistêmicas graves. Agente etiológico: protozoário Toxoplasma gondii, têm
morfologia de taquizoítos, bradizoítos e esporozoítos. Transmissão: ocorre por ingestão de
oocistos contendo esporozoítos, cistos contendo bradizoítos ou de taquizoítos eliminados no
leite; também pode ser contraída via congênita. Ciclo: Fase proliferativa: cada esporozoíto,
bradizoíto ou taquizoíto passará pelo epitélio intestinal, invadirá células do organismo,
sofrerá multiplicação, romperá a célula parasitada liberando novos taquizoítos e invadir novas
células; Fase crônica: alguns parasitos evoluem para a formação de cistos; Obs.: ambas essas
fases ocorrem assexuadamente; Fase coccidiana: ocorre nas células epiteliais do intestino
delgado de felídeos; nessas células os esporozoítos, bradizoítos ou taquizoítos se multiplicam
em merozoítos; a célula se rompe e libera os merozoítos que penetram em novas células e se
transformam em microgametas ou macrogametas; irão fecundar-se e formar o zigoto, que
formará o oocisto; o oocisto no meio exterior é maturado e sofre esporulação.
Fisiopatogenia: a patogenia na espécie humana está ligada a cepa do parasito, resistência da
pessoa e o modo pelo qual ela se infecta; a imunidade é predominantemente celular, da classe
Th1, mas em especial T CD8+, mas também há resposta humoral IgM, IgG e IgA.
Manifestações clínicas: toxoplasmose congênita: pode gerar aborto, nascimento prematuro e
anomalias; comumente ocorre a Tétrade de Sabin, com coriorretinite, calcificações cerebrais,
retardamento psicomotor e alterações do volume craniano; quando mais precoce for
adquirido na gestação mais grave é, porém a chance de transmissão vertical aumenta
conforme a gestação passa; geralmente as crianças com toxoplasmose congênita apresentam
os problemas tardiamente; toxoplasmose febril aguda (ou ganglionar): comprometimento
ganglionar e febre alta, geralmente tem curso crônico e benigno, mas pode afetar outros
órgãos; toxoplasmose ocular: retinocoroidite que pode evoluir para cegueira parcial, total ou
cura; toxoplasmose cutânea (ou exantemática): lesões generalizadas na pele, de evolução
rápida e fatal, mas rara; toxoplasmose cerebroespinhal (ou meningoencefálica): causa
sintomas como cefaléia, febre, paralisia a perda de capacidade motora, confusão mental,
convulsões, letargia, estupor, coma e até a morte; toxoplasmose generalizada: forma rara que
pode gerar comprometimento meningoencefálico, miocárdico, pulmonar, ocular, digestivo e
até mesmo testicular.
PROBLEMA 8
→ Programas de Vigilância em Saúde Ambiental: 1. Programa Nacional de Vigilância da
Qualidade da Água para Consumo Humano (VIGIAGUA), 2. Programa de Vigilância em
Saúde de Populações Expostas a Contaminantes Químicos (VIGIPEQ), 3. Vigilância em
Saúde de Populações Expostas a Solos Contaminados (VIGISOLO), 4. Vigilância em Saúde
de Populações Expostas a Poluentes Atmosféricos (VIGIAR), 5. Programa Nacional de
Vigilância em Saúde dos Riscos Associados aos Desastres (VIGIDESASTRES) e 6.
Vigilância em Saúde Ambiental Associada aos Fatores Físicos (VIGIFIS).
→ Complicações em saúde no trabalho: 1. Lesões Musculoesqueléticas (LER, DORT…),
2. Acidentes de Trabalho (queda, lesões…), 3. Exposição a Agentes Químicos e Biológicos
(tóxicos, microrganismos…), 4. Estresse e Distúrbios Psicossociais (depressão, burnout…),
5. Exposição a Agentes Físicos (ruídos, radiações…) e 6. Doenças Respiratórias (asma
ocupacional, bronquite…).
→ Saúde do Trabalhador: é uma abordagem integrada que visa promover a saúde física,
mental e social dos trabalhadores, prevenir doenças e acidentes no ambiente de trabalho por
meio de ações multidisciplinares, garantindo um ambiente de trabalho seguro e saudável.
→ Atribuições do médico do trabalho: 1) realização de exames admissionais, periódicos e
demissionais, 2) identificação de riscos ocupacionais, 3) elaboração e implementação de
programas de prevenção, 4) orientação e educação em saúde ocupacional, 5)
acompanhamento de casos de doenças ocupacionais.
→ Vigilância do Trabalho: os órgãos de vigilância do trabalho tem objetivo de garantir
ambientes de trabalho seguros e saudáveis para os trabalhadores. As funções dos órgãos de
vigilância do trabalho são: 1) Fiscalização e Inspeção, 2) Normatização e Regulamentação, 3)
Capacitação e Educação, 4) Investigação de Acidentes e Doenças Ocupacionais, 5)
Monitoramento e Avaliação.
→ Desenvolvimento Sustentável: é um modelo que visa equilibrar crescimento econômico e
social, atendendo às necessidades presentes sem comprometer o bem-estar das futuras
gerações. Isso implica promover a harmonia entre aspectos econômicos, sociais e ambientais,
conservando recursos naturais, protegendo o meio ambiente e melhorando a qualidade de
vida, enquanto se reduzem desigualdades sociais. O objetivo é alcançar um desenvolvimento
duradouro, justo e ecologicamente responsável.
QUESTÕES DE PROVAS ANTERIORES:
1) Paciente do sexo masculino, 19 anos, branco, acadêmico de Medicina, encaminhado a
Unidade de Emergência da Santa Casa relatando "picada de cobra" na face anterior da perna
direita há 2 horas e meia, quando participava de uma partida de futebol na Associação
Médica. Apresentava dor local intensa, náuseas e vômitos. Negava exteriorização de
sangramentos. Negava afecções previas e/ou uso de medicamentos. Ao exame físico,
encontrava-se em bom estado geral, eupneico, corado, hidratado e afebril. Destacavam-se no
exame físico, os achados locais da picada, a presença de edema, calor e petéquias na perna
direita. De acordo com este relato, o acidente ofídico é característico de:
RESPOSTA: C) Acidente botrópico em razão da ação inflamatória, coagulante e
hemorrágica do veneno.
2) Jeca trabalha em seu sítio e está magro, pálido e desanimado! Lembra que tudo começou
quando percebeu uma "coceira" no pé. Após alguns dias apresentou "uma tosse estranha",
dores abdominais e diarreia e resolveu procurar assistência médica. O médico que o atende
realiza anamnese completa, exame físico e solicita exames laboratoriais. Após receber os
resultados, observa-se anemia importante além de coproparasitológico positivo. Explica que
esses sintomas são decorrentes de parasitose intestinal. Assinale a alternativa que informa
corretamente o nome do parasita que acometeu Jeca, modo de transmissão e prevenção.
RESPOSTA: C) Ancylostoma duodenale; penetração ativa de larvas através da pele
humana; saneamento básico, evitar contato da pele com solos contaminados por larvas do
parasita, utilização de calçados.
3) De acordo com as doenças relacionadas ao caramujo Biomphalariae (1) e ao mosquito
Lutzomyia (2), assinale a alternativa correta que aponta suas respectivas sintomatologias.
RESPOSTA: B) Dores abdominais, diarreia e anemia (1) e lesões ulcerativas da pele (2).
4) A malária é uma doença de alta prevalência e morbidade. Classifique as alternativas a
seguir em (V) verdadeira ou (F) falsa. E, posteriormente, assinale a correta:
( ) A malária é uma doença febril aguda, causada por protozoários dogênero Plasmodium
inoculado pelo Anopheles na forma de esporozoítos.
( ) A infecção malárica pode ocorrer por transfusão sanguínea, compartilhamento de agulhas
ou acidentes em laboratório.
( ) A infecção inicia-se quando os parasitos na forma de merozoítos são inoculados na pele
pela picada do vetor, os quais irão invadir as células do fígado, os hepatócitos.
RESPOSTA: A) V, V e F.
5) Você viajou para a casa de sua tia Maria para passar o Natal com seus familiares. Lá,
estranha o comportamento de seu primo Antônio, 4 anos, que anda irritado, não consegue
dormir direito, acordando várias vezes durante a noite. Observou também que ele tem
reclamado de coceira na região anal e teve vários episódios de diarreia. Como você foi um
aluno exemplar no módulo DRAMA, logo orienta sua tia a procurar o médico pois suspeita
de:
RESPOSTA: C) Enterobiose.
6) Com relação a teníase e cisticercose, assinale (V) para sentença verdadeira ou (F) para
sentença falsa nas alternativas abaixo. E, posteriormente, assinale a correta:
( ) A teníase e a cisticercose são duas patologias distintas, causadas pela mesma espécie,
porém com fase de vida diferente.
( ) A cisticercose é uma alteração provocada pela presença da larva, conhecida como
canjiquinha, nos tecidos dos hospedeiros intermediários normais.
( ) A cisticercose humana é transmitida pela ingestão acidental de ovos viáveis que foram
eliminados nas fezes de portadores de teníase.
RESPOSTA: E) V, V e V.
7) Julia está de plantão no Hospital Cristo Rei em Santana do Araguaia. Recebe Maicon, 05
anos, acompanhado por sua mãe que refere que o menino sofreu picada de aranha não
identificada. O paciente apresenta edema, eritema, sudorese profusa, sialorréia, vômitos
frequentes, diarreia, priapismo, hipertonia muscular, hipotensão arterial. Júlia faz o
diagnóstico diferencial rapidamente, afirmando tratar-se de:
RESPOSTA: B) Acidente por Phoneutria.
8) Com relação a esquistossomose, assinale a alternativa correta relacionada ao contágio
desta parasitose.
RESPOSTA: D) Penetração ativa de cercárias do parasita.
9) Maria Augusta procura atendimento médico, pois há 3 dias vem apresentando febre baixa,
cefaleia e intenso exantema. Ontem, iniciou com um quadro de conjuntivite. De acordo com
os sintomas apresentados e direcionando a hipótese diagnóstica para um tipo de arbovirose,
assinale a alternativa correta.
RESPOSTA: B) Zika.
10) Com relação à febre maculosa, assinale a alternativa correta.
RESPOSTA: B) A partir da picada do carrapato infectado, a bactéria Rickettsia rickettsii
se dissemina pelo organismo via vasos linfáticos e pequenos vasos sanguíneos, atingindo
pele, cérebro, pulmões, coração, fígado, baço, pâncreas e trato gastrointestinal.
11) A toxoplasmose é uma doença infecciosa de grande importância médica. Com relação a
essa patologia, assinale a alternativa correta:
RESPOSTA: C) A contaminação pela via transplacentária ocorre se a gestante estiver na
fase aguda da doença ou tenha ocorrido uma reativação da infecção durante a gravidez
associada a imunossupressão acentuada.
12) A Leishmaniose Visceral (LV) é uma zoonose caracterizada pelo envolvimento sistêmico
que afeta milhões de pessoas em regiões tropicais e subtropicais do globo. Sobre essa doença
podemos afirmar:
I - A doença é causada por L. brasiliensis e tem tropismo por células do sistema fagocítico
mononuclear e pode ser encontrada em medula óssea, fígado e baço.
II - Doença transmitida pelo Anopheles, pode ter aumento da transaminase pirúvica devido a
lesão hepática.
III - Essa doença tem como característica no hemograma a pancitopenia devido
acometimento da medula óssea e sequestro esplênico.
IV - No hemograma é característica a leucocitose com aumento de polimorfonucleares e
trombocitopenia.
V - ALT e AST são enzimas presentes nas células do fígado cujos níveis séricos diminuem na
doença em curso.
RESPOSTA: a professora colocou como resposta correta “B) I, III e V estão corretas”,
mas eu discordo, uma vez que a L. brasiliensis transmite a LTA (não LV, como diz a
afirmação), ademais o ALT e AST aumentam no decorrer da doença devido à lesão
hepática. Na minha visão, a única afirmativa correta é a III.
13) Assinale a alternativa correta em relação aos exames complementares que podem auxiliar
no diagnóstico das zoonoses.
RESPOSTA: B) Na toxoplasmose gestacional é possível detectar IgM, IgG e IgA (5 a 14; 7
a 14; a partir de 14 dias de infecção, respectivamente), enquanto na congênita pode-se
detectar o IgG materno que pode atravessar barreira transplacentária.
14) A dengue é uma arbovirose que pode apresentar formas graves e levar à morte. Neste
contexto, assinale a alternativa correta:
RESPOSTA: D) Frente a impossibilidade de diagnóstico diferencial de dengue e outras
viroses, se adota medidas de manejo clínico para dengue, pois esse agravo apresenta
potencial de complicações e morte quando comparado à zika e Chikungunya.
15) Com relação à Dengue grave, responda:
A) De acordo com a classificação do paciente com Dengue, cite 2 sintomas específicos que
"caracterizam e diferem" cada um dos grupos A, B, C e D.
RESPOSTA: Grupo A - paciente com suspeita de dengue (febre de até 7 dias associada
com pelo menos dois sintomas clássicos - cefaléia, dor retroorbitária, mialgias,
artralgias…), ausência de sinais de alarme e sem comorbidades; Grupo B - paciente com
suspeita de dengue, ausência de sinais de alarme e que apresenta comorbidades e/ou
presença de petéquias (espontâneas ou por prova do laço); Grupo C - paciente com
suspeita de dengue e com presença de um ou mais sinais de alarme (sangramento,
irritabilidade e/ou letargia, líquido acumulado, vômitos persistentes, abdômen dolorido,
hipotensão postural, hepatomegalia e hematócrito aumentado); Grupo D - paciente com
suspeita de dengue e que apresente sinais de choque, sangramento grave ou disfunção
grave de órgãos.
B) Justifique os sintomas da Dengue relacionados abaixo:
RESPOSTA: - hipovolemia: extravasamento de plasma para o interstício; - dor
retroorbitária: replicação do vírus nos músculos oculomotores; - dores musculares:
replicação do vírus nos músculos esqueléticos; - aumento do hematócrito: extravasamento
de plasma para o interstício; - plaquetopenia: 1) aumento de fatores de ativação de
plaquetas, 2) aumento da agregação plaquetária no endotélio lesado e 3) diminuição das
plaquetas circulantes por ter menor produção.
16) Com relação a Leishmaniose Visceral:
a) Elabore um fluxograma (esquema) da fisiopatologia desta doença.
RESPOSTA: Mosquito Lutzomyia fêmea pica ser humano com protozoário na corrente
sanguínea e adquire forma amastigota do protozoário → Protozoário se desenvolve no
intestino do inseto até a forma promastigota → Durante repasto sanguíneo mosquito
fêmea Lutzomyia transmite protozoário na forma promastigota metacíclica ao ser humano
→ Protozoário é fagocitado pelo Sistema Mononuclear Fagocitário (SMF) e retorna à
forma amastigota → Protozoário se replica, rompe célula e se espalha pelos tecidos
corporais → O protozoário tem tropismo pelo SMF, portanto infecta principalmente o
fígado, baço e medula óssea, mas também pode infectar os rins, pulmões, intestino e pele.
b) Justifique os sintomas clínicos e achados laboratoriais listados abaixo, apresentados por
pacientes com leishmaniose visceral:
RESPOSTA: - hepatoesplenomegalia: os parasitas infectam células do SMF,
principalmente baço e fígado, causando hiperplasia e hipertrofia das células do SMF, que
https://decs.bvsalud.org/ths/resource/?id=12575
provoca congestão e processo inflamatório intenso; - anemia: além de 1) diminuição da
produção celular, também há 2) destruição de eritrócitos no baço, 3) fagocitose de
hemácias e 4) hemólise imunomediada; - pancitopenia: há desregulação da hematopoiese,
tanto eritropoiese quanto granulopoiese, caracterizada pela diminuição da produção
celular; - perda de peso: infiltrado inflamatório com edema e alargamento de vilosidades,
diminuindo a absorção dos nutrientes ingeridos.
17) A construção de um sistema de informaçãopara a vigilância ambiental em saúde deve
integrar aspectos de saúde e de meio ambiente, permitindo a produção de informações
estatísticas facilitadoras da interpretação da dinâmica com os demais sistemas, possibilitando
a elaboração e identificação de indicadores de saúde ambiental. Sendo assim, cite 05 sistemas
de vigilância em saúde que contribuem para a identificação de indicadores da Vigilância
Ambiental.
RESPOSTA: Vigiagua, Vigipeq, Vigisolo, Vigiar, Vigidesastres e Vigifis.
18) Caracterize o LIRAa e sua importância epidemiológica no estado de Mato Grosso do Sul.
RESPOSTA: O Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti é um método
simplificado para obtenção rápida de indicadores entomológicos e permite conhecer a
distribuição do vetor Aedes aegypti. Ele facilita a delimitação de áreas de risco
entomológico, permite a avaliação de metodologias de controle e contribui para as
atividades.
19) Dra. Ana Helena é infectologista e foi acionado para o caso da Maria Vitória, 5 anos,
natural de Campo Grande/MS que foi encaminhada pela USF Tarumã para o Hospital
Universitário por estar apresentando febre aferida (38,5-39°C iniciada há 20 dias com 3 picos
diários), hepatoesplenomegalia e perda de peso. Dra Ana Helena analisa alguns exames e
observa: alterações nas enzimas hepáticas TGO/TGP e, ao hemograma, pancitopenia.
a) Qual a hipótese diagnóstica que a Dra. Ana Helena traçou? Justifique sua resposta.
RESPOSTA: Leishmaniose Visceral, em virtude da hepatoesplenomegalia, febre alta há 20
dias, perda de peso, alterações de enzimas hepáticas e hemograma com pancitopenia.
b) Por que neste caso ocorre hepatoesplenomegalia?
RESPOSTA: Os parasitas infectam células do SMF, principalmente no baço e fígado que
provocam congestão nesses órgãos em virtude ao alto parasitismo, além do processo
inflamatório intenso.
20) Com relação ao acidente com escorpiões, cite as 2 espécies mais comuns que ocorrem no
Brasil, o mecanismo de ação do veneno, 3 sintomas e o tratamento.
RESPOSTA: As espécies mais comuns são o Tityus serrulatus e o Tityus bahiensis. O
mecanismo de ação do veneno é a alteração nos canais de sódio, produzindo
despolarização das terminações nervosas pós-ganglionares e consequente liberação de
catecolaminas e acetilcolina. Pode gerar dor local, sudorese, náuseas, vômitos,
taquicardia, taquipneia, hipertensão, sialorréia, agitação e outros. O tratamento é
sintomático para analgesia da dor local e específico com soro antiescorpiônico (SAEEs) ou
antiaracnídico (SAAr).
21) Em relação aos métodos para diagnosticar as Arboviroses, preencha o quadro abaixo com
o que pode ser pesquisado e um método de diagnóstico para avaliá-lo de modo a auxiliar no
diagnóstico clínico, levando em consideração a fase da doença (período de infecção).
FASE DA INFECÇÃO DENGUE ZIKA E/OU CHIKUNGUNYA
1º AO 5º DIA Antígeno NS1 (teste rápido
e/ou ELISA) ou RNA do vírus
(RT-PCR)
RNA do vírus (RT-PCR)
5º AO 10º DIA Antígeno NS1 (teste rápido
e/ou ELISA), RNA do vírus
(RT-PCR) ou IgM e IgG (teste
rápido e/ou ELISA)
RNA do vírus (RT-PCR) ou IgM
e IgG (teste rápido e/ou ELISA)
A PARTIR DO 10º DIA IgM e IgG (teste rápido e/ou
ELISA)
IgM e IgG (teste rápido e/ou
ELISA)
OUTRAS QUESTÕES:
1) Homem de 43 anos procura atendimento médico de urgência com história de picada de
cobra na região de tornozelo há 2 horas. Refere pouca dor no local, porém apresenta ptose
palpebral bilateral e dores musculares intensas. Sobre o caso descrito, assinale a alternativa
que apresenta o tipo de acidente ofídico e a conduta mais adequada. Alternativas:
E) Trata-se de um acidente crotálico e o soro específico deve ser administrado o mais
rápido possível, na dose de 5, 10 ou 20 ampolas, dependendo da gravidade do quadro.
2) Ao picarem, alguns insetos, cobras, aranhas e escorpiões, inoculam substâncias químicas
que provocam reações indesejáveis. No que se refere aos acidentes com animais peçonhentos,
é correto afirmar que:
E) Podem ocorrer reações graves como necrose tecidual ou insuficiência renal, de acordo
com o animal causador do acidente.
3)A respeito da fisiopatologia e manifestações clínicas do acidente relacionado à picada de
serpentes do gênero Crotalus, está correto o que se afirma em:
E )A rabdomiólise ocorre devido à ação miotóxica das frações de crotoxina e crotamina,
que levam à mioglobinúria.
5) Os exames laboratoriais em pacientes vítimas de picadas por escorpião (gênero Tityus),
são importantes para auxiliar no diagnóstico, classificar a gravidade e evolução do quadro.
Quanto aos achados laboratoriais característicos dos quadros moderados a grave de
escorpionismo: Analise as alternativas e assinale a alternativa incorreta:
E) Dentre os distúrbios metabólicos, nos quadros graves (principalmente por T.serrulatus),
a hiperpotassemia é um achado frequente.
6) Os acidentes por serpentes de importância médica no Brasil são divididos em quatro tipos.
Assinale a alternativa que apresenta a serpente responsável pelo acidente Elapídico.
B) Coral verdadeira.
7) A febre amarela é uma doença febril aguda, de curta duração (no máximo 12 dias) e
gravidade variável. Analise as afirmativas abaixo e assinale a alternativa correta.
I. Na Febre Amarela Urbana (FAU), o mosquito Aedes aegypti é o principal vetor e
reservatório e o homem, o único hospedeiro de importância epidemiológica.
II. A vacina contra febre amarela é a medida mais importante para prevenção e controle da
doença.
III. Não é uma doença de notificação compulsória imediata.
IV. É importante o controle do Aedes aegypti para eliminação do risco de reurbanização.
D) As afirmativas I, II e IV estão corretas.
8) Indivíduo de 34 anos, trabalhador em uma empresa extrativista de madeira, apresenta
quadro abrupto de febre, calafrios, cefaléia intensa, dor lombossacral, mialgia generalizada,
anorexia, náuseas, vômitos e epistaxe. Seus exames laboratoriais demonstram leucopenia,
provas hepáticas e testes de coagulação alterados e ECG com alterações no segmento ST-T.
Após realização de testes virológicos e sorológicos, confirma-se o diagnóstico de febre
amarela, sendo relacionada à atividade ocupacional. Diante dessa situação, são ações
pertinentes, EXCETO
A) Suspender indicação de vacinação aos trabalhadores não vacinados, para evitar
hipersensibilização.
9) A febre amarela é uma doença febril aguda de curta duração e gravidade variável.
Atualmente, casos de surtos vêm sendo noticiados na grande mídia, e vem causando certo
pânico na população. Acerca da febre amarela urbana (FAU), analise as afirmativas a seguir:
I. O mosquito Aedes Aegypti é o principal vetor e reservatório.
II. O principal transmissor da FAU para o ser humano é o macaco.
III. O tratamento é sintomático, sob hospitalização, com repouso e reposição hídrica e
sanguínea, quando indicada.
IV. Entre as medidas de controle estão a vacinação e a educação em saúde.
V. Na FAU não há período de incubação, sendo a transmissibilidade imediata após contrair a
infecção.
Assinale a alternativa correta:
C) Somente as afirmativas I, III e IV estão corretas.
10) O Ministério da Saúde indica dose única de febre amarela para as áreas com
recomendação de vacinação em todo o país. A população alvo a ser vacinada é:
A) Crianças de 9 meses de idade até as pessoas de 59 anos de idade.
11) O Brasil tem 396 casos confirmados de febre amarela, de acordo com o boletim do
Ministério da Saúde. Eles são parte das 1.538 notificações recebidas pelos órgãos de saúde
dos estados, sendo que 958 suspeitas ainda estão sob investigação e outras 184 já foram
descartadas. Em relação à febre amarela, é correto afirmar que:
B)No ciclo silvestre da febre amarela, os primatas não humanos (macacos) são os
principais hospedeiros e amplificadores do vírus. O homem participa como um hospedeiro
acidental.
12) A febre amarela voltou a representar um importante problema de saúde pública no Brasil.
Cerca de 15% dos acometidos adquirem a forma grave da doença, com alta letalidade. Os
achados clínicos são semelhantes aos da hepatite viral, da leptospirose,da malária, etc. O
seguinte achado é mais comum na febre amarela grave do que nas demais infecções citadas:
A) Albuminúria.
13)Assinale a alternativa que corresponde ao tratamento da síndrome compartimental aguda.
C) Fasciotomia.
14) Arbovírus (de “arthropod borne vírus”) são vírus que podem ser transmitidos ao homem
por vetores artrópodes. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) são “vírus
mantidos na natureza através de transmissão biológica entre hospedeiros vertebrados
suscetíveis por artrópodos hematófagos, ou por transmissão transovariana e, possivelmente,
venérea em artrópodos”. A seguir, os principais sinais e sintomas de 3 (três) dessas
arboviroses:
I. Período de incubação de aproximadamente 10 dias; febre súbita; poliartralgia geralmente
simétrica; exantema maculopapular em metade dos pacientes; pode cronificar, persistindo ,
principalmente a artralgia inflamatória.
II. Agravo com curso de 3 a 7 dias; mais de 80% de pacientes assintomáticos; exantema
maculopapular pruriginoso, hiperemia conjuntival não purulenta e sem prurido; artralgia que
pode persistir por até um mês; mialgia e cefaleia.
III. Período de incubação de 4 a 10 dias; Cefaleia; mialgia; exantema pruriginoso. Quadros
graves podem levar a choque, com ou sem hemorragia, podendo evoluir para óbito.
Marque a correspondência CORRETA:
B) I- Febre de Chikungunya, II- Zika, III- Dengue.
15) A dengue nas Américas atingiu o maior número de casos já registrados na História, com
mais de 2,7 milhões de casos, incluindo 22.127 graves e 1.206 mortes notificadas até o final
de outubro de 2019, conforme uma nova atualização epidemiológica da Organização
Pan-Americana da Saúde (OPAS). (BRASIL, 2019). Sobre esta doença, analise as afirmativas
abaixo e registre V, se for verdadeira, e F, se for falsa:
1- A infecção pelo vírus dengue pode ser assintomática ou sintomática.
2 - Os insetos vetores de dengue, Chikungunya e Zika no Brasil são mosquitos da família
Culicidae, pertencentes ao gênero Aedes, do subgênero Stegomyia.
3- O Aedes albopictus é o vetor da dengue na Ásia. Embora esteja presente nas Américas, até
o momento, não foi associado à transmissão de dengue, chikungunya e zika nesta região.
4 - Os três arbovírus (dengue, Zika e Chikungunya) podem ser transmitidos ao homem por
via vetorial, vertical e transfusional.
5 - Para o vírus dengue (DENV), Chikungunya (CHIKV) e Zika (ZIKV), existem registros de
transmissão vertical em humanos (gestante– feto).
A sequência correta de cima para baixo, é:
C) V, V, V, V, V.
16) De acordo com o Caderno do Ministério da Saúde sobre Dengue: diagnóstico e manejo
clínico, são considerados casos suspeitos de dengue com sinais de alarme todo caso de
dengue, que no período de defervescência da febre, apresenta um ou mais dos seguintes
sintomas:
A)Hepatomegalia > que 2 cm;
B)Aumento progressivo do hematócrito;
C)Sangramento de mucosa;
D) Todas as alternativas anteriores estão corretas.
17) A infecção pelo vírus dengue pode ser assintomática ou sintomática. Quando sintomática,
causa uma doença sistêmica e dinâmica de amplo espectro clínico, variando desde formas
oligossintomáticas até quadros graves, podendo evoluir para o óbito. No atual cenário
epidemiológico do Brasil, com confirmação de casos autóctones de chikungunya a partir de
2014 e de infecções pelo vírus zika em 2015, algumas particularidades a respeito do
diagnóstico diferencial entre dengue e essas doenças precisam ser avaliadas. Ao encontro
dessa temática, afirma-se:
I- É mais comum manifestação laboratorial de plaquetopenia, leucopenia, neutropenia no
vírus dengue quando comparado ao chikungunya.
II- A evolução após fase aguda do Chikungunya é caracterizada por fadiga, enquanto no vírus
da dengue observa-se artralgia crônica.
III- A intensidade da febre no vírus Zika é muito maior que no vírus dengue, que, na maioria
das vezes, é ausente.
IV- Choque é uma complicação atenuada aos casos de dengue, não ocorrendo com o vírus
Zika.
V- A dor retrorbital é mais frequente na infecção por vírus dengue, quando comparado com
chikungunya e Zika.
Assinale a alternativa correta:
C) Apenas as afirmações I, IV e V estão corretas.
18) Devido às características da dengue, pode‐se destacar seu diagnóstico diferencial em
várias síndromes clínicas. Considerando essa informação, assinale a alternativa que apresenta
uma das síndromes em que a dengue está incluída.
B) Síndrome anêmica hemolítica.
19) O calazar, ou leishmaniose visceral, apresenta-se atualmente como uma emergente
endemia de urbanização recente. A doença antes restrita a determinadas regiões geográficas
do Norte e Nordeste brasileiros, expande-se para outras regiões do Brasil, incluindo Sudeste e
Centro-Oeste. Em relação aos aspectos epidemiológicos, clínicos e terapêuticos dessa doença,
assinale a alternativa correta.
B) A leishmaniose visceral é transmitida por picada de insetos e atualmente acomete
principalmente crianças e jovens, que apresentam um quadro de febre prolongada,
hepatoesplenomegalia e pancitopenia. O tratamento para formas graves é feito com
formulações lipídicas de anfotericina B.
20) A Leishmaniose visceral é endêmica em algumas áreas do Pará, que pode também
coincidir com outras endemias cujo quadros clínicos são semelhantes. Por isso, é importante
valorizar alguns aspectos que colaboram no diagnóstico diferencial. No contexto, a
alternativa que reforça a hipótese de Leishmaniose visceral é:
B) Hemograma revelando pancitopenia.
21) Sobre a Febre Amarela é correto afirmar que: a
E) Na Febre Amarela urbana o principal vetor é o Aedes aegypti.
22) Sobre a dengue é correto afirmar que:
B) A dengue grave resulta de complexos mecanismos entre o vírus, a resposta imune do
hospedeiro, aspectos epidemiológicos e co-morbidades.
23) Em relação à Leishmaniose Visceral é CORRETO:
A) A intradermorreação de Montenegro é negativa durante o período da doença, não
sendo assim utilizada para o diagnóstico.
24) A toxoplasmose pode causar infecção congênita e infecção adquirida em crianças mais
velhas e adultos. O achado físico mais comum em crianças com toxoplasmose adquirida é:
E) Linfadenopatia.
25) Sobre a toxoplasmose, é correto afirmar:
C)A principal fonte de infecção humana pelo toxoplasma é a oral, por meio da ingestão de
oocistos esporulados presentes no solo contaminado ou de bradizoítos na carne mal cozida.
26) Em relação à toxoplasmose congênita, marque a alternativa ERRADA:
A)Das crianças infectadas verticalmente pela toxoplasmose, a minoria não apresenta
sintomas ao nascimento, vindo a manifestá-los tardiamente.
27) A respeito da toxoplasmose, analise as afirmativas abaixo:
I- Toxoplasmose é causada por um cisto do tipo Toxoplasma gondii, um dos parasitas mais
comuns do mundo. Ela pode ser adquirida por meio da ingestão de alimentos contaminados –
em especial carne crua ou mal passada, principalmente de porco e de carneiro - e vegetais que
abriguem os cistos do Toxoplasma após terem tido contato com as fezes de animais
hospedeiros.
II- A toxoplasmose é contagiosa entre humanos – ou seja, ela pode ser transmitida de pessoa
para pessoa. Os cistos podem infectar quase todas as partes do organismo humano, incluindo
cérebro, músculos e até mesmo o coração.
Assinale a alternativa CORRETA:
B) Apenas I.
28) A neurocisticercose (NCC) é a infecção parasitária mais comum do sistema nervoso
central (SNC), sendo causada pela larva da Taenia solium, o Cysticercus cellulosae. De uma
forma geral, o ciclo da doença compreende o homem como hospedeiro definitivo da Taenia
solium, e os suínos como hospedeiros intermediários, infectados pela forma larvária. Sobre
esta patologia é correto afirmar:
C) A ação patogênica do parasito no sistema nervoso (SN) se manifesta por: 1) efeito
mecânico provocado pelo volume e localização da vesícula, levando a bloqueio do sistema
ventricular e suas consequências: hipertensão intracraniana (HIC) e hidrocefalias; 2)
efeito tóxico devido à reação inflamatória, fibrose residual (gliose), granuloma e
calcificação.
29) As parasitosesintestinais são muito frequentes na infância. São consideradas problemas
de saúde pública, principalmente nas áreas rurais e periferias das cidades dos países
chamados subdesenvolvidos, onde são mais frequentes. As parasitoses são a doença mais
comum do mundo, atingindo cerca de 25% da população mundial (1 em cada 4 pessoas). Sua
transmissão depende das condições sanitárias e de higiene das comunidades. Além disso,
muitas dessas parasitoses relacionam-se a déficit no desenvolvimento físico e cognitivo e
desnutrição. Com relação às parasitoses é correto afirmar:
A) Ancilostomíase: O ancilóstomo entra pela pele das pessoas, podendo causar irritação,
até chegar no intestino, passando também pelo pulmão. Ele suga o sangue pela parede do
intestino, podendo causar diarreia pela inflamação e também anemia importante.

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