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PSICOLOGIA DO 
DESENVOLVIMENTO – 
ADULTO 
AULA 4 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Rafael A. Cazuza 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
O processo saúde-doença está constantemente presente durante o 
desenvolvimento humano. O conceito de patologia, opondo-se ao de 
normalidade, sugere uma condição intraindivíduo e não propõe uma lógica 
patologizante da vida humana (Canguilhem, 1982). Nesse sentido, o processo 
de adoecimento está intrinsecamente ligado à vida humana e à morte, como 
parte da história do indivíduo. O trabalho das ciências da saúde estaria ligado à 
redução do sofrimento e promoção de qualidade de vida, garantindo os direitos 
humanos de cada paciente. 
Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) 
mostram que a expectativa de vida do brasileiro vem aumentando 
paulatinamente década após década, chegando a 78 anos para homens e 80 
anos para mulheres, números nunca antes visto na história. Além disso, a 
mortalidade infantil chegou a cair 91% em 2019, comparado com os anos 1940 
(IBGE, 2019). Esses números mostram que o avanço da medicina e do acesso 
aos meios básicos de sobrevivência têm aumentado constantemente. 
Entretanto, uma população que vive mais não vive necessariamente melhor ou 
mais saudável. O aumento da expectativa de vida apresenta novos desafios no 
cuidado à saúde e exige um novo olhar sobre o desenvolvimento adulto. 
Para a psicologia do desenvolvimento, cabe identificar os principais 
processos que que surgem a partir de um rompimento no desenvolvimento 
saudável, levando ao aparecimento de determinadas doenças e, 
consequentemente, à morte. Doenças crônicas e graves estão inteiramente 
ligadas ao processo patológico no desenvolvimento. Além disso, mesmo 
doenças físicas no desenvolvimento podem desencadear desordens 
psicológicas, havendo grandes comorbidades, como dores crônicas e depressão 
(de Heer et al., 2014). 
 Ao longo desta aula, abordaremos as principais causas de adoecimento 
e morte no ser humano por meio de uma compreensão do ciclo vital, buscando 
avaliar o que é o desenvolvimento normal e o patológico, preservando a 
longevidade e qualidade de vida. O objetivo é que, como aluno, você seja capaz 
de identificar as principais causas de adoecimento, tanto físico quanto mental, e 
reconhecer como essas causas se inter-relacionam, compreender como 
 
 
3 
patologias mentais também podem levar à morte e, ainda, compreender a morte 
como parte do ciclo vital. 
TEMA 1 – PRINCIPAIS DOENÇAS E CAUSAS DE MORTE 
Neste primeiro tema, buscaremos abordar as principais causas de 
adoecimento e morte do ser humano. Objetivaremos relacionar as causas de 
adoecimento como forma de rompimento da normalidade no desenvolvimento e, 
ao mesmo tempo, tratar a morte como parte do ciclo vital e envelhecimento. 
É interessante ressaltar que sempre buscaremos avaliar cada forma de 
adoecimento mental ou físico na fase adulta de forma a compreender os 
possíveis meios terapêuticos de melhorar a qualidade de vida e bem-estar, assim 
como a longevidade e o cumprimento do ciclo vital de forma saudável em seu 
potencial máximo. 
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), as principais causas 
de adoecimento no mundo em 2020 ainda foram as doenças cardíacas, 
contribuindo para 16% da causa de mortes totais. Além disso, a diabetes e a 
demência também representam um grande percentual na contagem de doenças 
físicas, estando sempre entre as dez principais causas de mortes no mundo 
(OPAS, 2020). Além disso, estima-se que a proporção da população mundial 
com hipertensão chegará a um terço da população em 2025 (Kearney et al., 
2005). 
Já em relação à prevalência de diabetes, houve um aumento duas vezes 
na década de 1990, sendo a do tipo dois a mais comum de iniciar em adultos 
(Weinstein et al., 2004). Ainda, quando surgem em adultos, a diabetes do tipo 
dois costuma apresentar comorbidades graves, como doenças cardíacas, 
acidentes vasculares cerebrais, cegueira, doenças renais ou perda de membros 
(American Diabetes Association, 1992). 
No Brasil, dados semelhantes são apresentados. Segundo a Secretária 
de Vigilância em Saúde, as três principais causas de óbitos no Brasil ainda 
incluem doenças cardíacas (isquêmica e cerebrovascular) e demências 
(incluindo o Alzheimer) (SVS, 2016). Abordaremos mais a seguir o caso especial 
das demências. Dados recentes sobre mortalidade no Brasil atribuem mais de 
70% das mortes a condições crônicas não transmissíveis, ou seja, condições 
extremamente debilitantes e que possuem tratamento na maioria das vezes 
(Schimidt, 2011). 
 
 
4 
Abordaremos com mais cuidado a situação das doenças e condições 
crônicas não transmissíveis no próximo tema. Entretanto, é importante ressaltar 
que, nesses casos, além da mortalidade, o indivíduo é acompanhado de grande 
sofrimento, os quais incluem tanto as condições físicas como transtornos 
mentais. 
Outro fator importante que atua sobre as causas de adoecimento e morte 
são as disparidades sociais. O desafio da pobreza no tratamento de doenças 
crônicas e nos principais fatores de mortalidade e adoecimento se apresenta por 
meio de condições sanitárias básicas até o acesso a tratamentos mais 
especializados. Dessa forma, são as classes mais pobres que são afetadas e 
prevalentes nos números de morte e adoecimento (Barreto e Carmo, 2007). 
TEMA 2 – DESENVOLVIMENTO DE DOENÇAS CRÔNICAS E 
INCAPACITANTES 
A morte não é a única preocupação na saúde e psicologia do 
desenvolvimento. Doenças crônicas físicas ou mentais são extremamente 
incapacitantes e impactam não só a saúde do indivíduo, mas a de toda a 
comunidade ao seu redor, seja pelo impacto emocional e financeiro na família 
ou pelo efeito econômico que gera aos sistemas de saúde com os gastos nos 
tratamentos dessas condições, também fazendo parte da maior parte da 
mortalidade computada no Brasil nas últimas décadas (Schimidt et al., 2011). 
Dados anteriores demonstram que pessoas com doenças crônicas 
apresentam uma piora considerável em fatores de bem-estar pessoal, material, 
desenvolvimento pessoal e higiene pessoal (Martins et al., 1996). Nessa 
perspectiva, é de grande importância a identificação da origem e possíveis 
tratamentos dessas doenças para que o ciclo vital do indivíduo seja continuado 
da forma mais adequada, gerando menos sofrimento. A psicologia do 
desenvolvimento se preocupa com a identificação de fatores internos e externos 
que possam promover o aparecimento dessas condições incapacitantes, que 
impedem o ciclo vital saudável. 
Além das doenças que vimos anteriormente, as doenças crônicas são um 
grupo de doenças permanentes que podem ter duração de meses ou de uma 
vida toda e incluem os transtornos mentais, assim como condições de dores 
crônicas e incapacitantes (Schimidt, 2011). Abordaremos com mais 
detalhamento as prevalências de transtornos mentais mais a seguir. 
 
 
5 
Em relação às dores crônicas, podemos dizer que são condições 
complexas de grande impacto pessoal e social, não podendo ser consideradas 
somente sintomas de outra doença, mas condições separadas com tratamentos 
próprios. Segundo o estudo de carga global de doenças de 2016, a dor crônica, 
assim como doenças que a provocam, são os líderes mundiais em nível de 
incapacitância (Mills et al., 2019). 
Segundo a Associação Internacional do Estudo da Dor, estima-se que 
haja uma prevalência de 10% da população mundial que sofra de dores crônicas 
(IASP, 2003). Um estudo realizado com trabalhadores em Londrina-PR, Brasil, 
evidenciou que a prevalência de dores crônicas de qualquer tipo era maior que 
60%, com um efeito maior sobre mulheres. Esse fator é altamente debilitante e 
pode provocar um grande impacto a nível pessoal, profissional e econômico, 
além de afetar o sistema de saúde (Kreling et al., 2006). 
Referente ao tratamento de dores crônicas, diversos estudos têm se 
voltado paratratamentos farmacológicos e assistência psicossocial. A dor é um 
fenômeno complexo, caracterizado por questões sensoriais, mas também 
emocionais e cognitivas. Quadros de dores crônicas podem desencadear 
diversos outros transtornos, como depressão e transtornos de ansiedade, 
reduzindo a qualidade de vida (Castro, 2011). 
No próximo tema, abordaremos questões referentes à saúde mental no 
desenvolvimento de doenças crônicas e agudas, tendo em vista o impacto 
emocional, psicológico e cognitivo que essas condições exercem. 
TEMA 3 – DESENVOLVIMENTO DE ADOECIMENTO E SAÚDE MENTAL 
O processo de adoecimento causa sofrimento e angústia a quem o sente. 
Além disso, causa um impacto social e familiar grande, além de impacto 
econômico e psicológico. O processo de adoecer faz parte da vida e do 
desenvolvimento, funcionando como mais um dos obstáculos a serem 
enfrentados ao longo da vida. O trabalho do psicólogo é entender como o 
desenvolvimento patológico pode ser mitigado a fim de se proporcionar 
qualidade de vida aos pacientes, mesmo em condições crônicas. 
Como vimos anteriormente, existe uma grande prevalência de doenças 
crônicas no mundo e, no Brasil, essas são as grandes causadoras de morte. Isso 
impacta tanto as ações pessoais como as sociais no sentido de tratamento e 
 
 
6 
gasto com essas condições. Nesse sentido, buscaremos vias e ferramentas 
como forma de compreender o adoecimento e tratá-lo de forma interdisciplinar. 
O conceito ampliado de saúde engloba diversas ações no sentido de não 
entender a saúde somente como ausência de doença, uma vez que, em 
condições crônicas, a doença provavelmente não deixará o paciente, embora 
seja possível promover sua saúde e bem-estar. Isso inclui ações de 
planejamento em saúde, promoção e prevenção, identificação de grupos de 
risco, cuidados em populações vulneráveis, atenção ampliada e sistemas 
integralizados de saúde (Rios et al., 2019). 
As ações em um conceito ampliado de saúde devem contemplar medidas 
interdisciplinares na medida em que o adoecimento e as doenças crônicas são 
afetados de maneira multifatorial. Além disso, grupos em situação vulnerável 
devem ser tratados com a devida contextualização, tendo seus direitos 
fundamentais de acesso à saúde integral respeitados. 
TEMA 4 – DESENVOLVIMENTO DE TRANSTORNOS MENTAIS 
Em aulas anteriores, abordamos os sintomas ansiosos e depressivos na 
fase adulta. Entretanto, durante o desenvolvimento adulto, diversos outros tipos 
de transtornos além dos ansiosos e depressivos podem impactar a vida dos 
indivíduos e da comunidade. Abordaremos neste tema outros transtornos 
mentais comuns que afetam a vida adulta, incluindo transtornos de humor e 
psicoses. 
Estudos epidemiológicos mostram que os transtornos mentais 
representam uma grande parcela do adoecimento mundial. Entre os transtornos 
mentais, há os de menor prevalência (esquizofrenia, distúrbios alimentares e 
desordem bipolar) e os de maior prevalência (transtornos de ansiedade e 
transtornos depressivos) (Baxter et al., 2013). 
No Brasil, o número de casos de transtornos de ansiedade na população 
do Sudeste chega a 20% (Mangolini et al., 2019). No caso de transtornos 
depressivos, os números variam de 8% a 12% da população em algumas regiões 
(Villano; Nanhay, 2011). No mundo, a prevalência de transtornos depressivos 
correspondem a 35% das causas de adoecimento mental; transtornos de 
ansiedade a 44%; esquizofrenia a 14%; transtorno bipolar a 11%; e desordens 
alimentares a 15% (Baxter et al., 2013). 
 
 
7 
Discutimos anteriormente como os transtornos ansiosos e depressivos 
surgem no desenvolvimento, entretanto, não comentamos sobre outros 
transtornos mentais menos prevalentes e como eles impactam a vida do 
indivíduo. 
Vimos que transtornos alimentares representam 15% de prevalência na 
população mundial (Baxter et al., 2013). Existem fatores de risco ambientais, 
psicológicos e genéticos no desenvolvimento desse tipo transtorno. Para o 
diagnóstico, levamos em conta o histórico alimentar do paciente, assim como o 
histórico de outros transtornos, questões de relação familiar, a cultura na qual o 
paciente está inserido (em que há uma valorização exagerada de corpos 
magros) e disfunções metabólicas cerebrais. A entrada em dietas com finalidade 
de emagrecimento somada a outros fatores de personalidade e nutricionais 
podem desencadear predisposições genéticas a transtornos mentais referentes 
à autoimagem, chamados de distorções cognitivas (Morgan et al., 2012). 
Em relação à esquizofrenia, vimos que há uma prevalência de 14% na 
população mundial (Baxter et al., 2013). As causas do desenvolvimento de uma 
esquizofrenia são ainda desconhecidas, mas sabe-se que existe um fator 
genético importante. Segundo pesquisas, há uma prevalência de 70% de casos 
de desenvolvimento de psicose em gêmeos monozigóticos adotados 
separadamente. Além disso, é possível que fatores nutricionais, gestacionais e 
até ambientais na fase adulta possam ser fatores de risco para o 
desenvolvimento de esquizofrenia (Vallada; Samaia, 2000). 
Em relação ao transtorno bipolar, vimos que possui uma prevalência de 
11% na população mundial (Baxter et al., 2013). Assim como ocorre com 
transtornos ambientais e diferentemente da esquizofrenia, o transtorno bipolar 
se apresenta com mais clareza em relação aos aspectos biológicos, psicológicos 
e ambientais no seu desenvolvimento. Além de fatores de herdabilidade 
predominantes no transtorno bipolar, também há grandes fatores de risco 
sociais, sendo esse transtorno comum em populações pobres ou pouco 
escolarizadas e com alto nível de desemprego. O transtorno também é 
prevalecente em indivíduos solteiros e em mulheres nos três primeiros meses 
do pós-parto (Michelon; Vallanda, 2005). 
É importante ressaltar que a prevalência epidemiológica desses 
transtornos aponta para na direção de alguns fatores de risco. Vimos que para 
 
 
8 
diversos transtornos, padrões socioeconômicos ou de gênero podem sugerir 
alguma vulnerabilidade. 
Dificilmente encontraríamos dados parecidos em pessoas com amplo 
acesso à saúde e à educação. Isso nos diz muito sobre a forma de 
desenvolvimento humano presente na sociedade. O desenvolvimento do adulto 
depende da confluência de diversos fatores ambientais socioculturais para que 
suas fases de vida sejam adequadas. Como vimos anteriormente, modelos de 
desenvolvimento em fases pressupõem que haja uma continuidade entre os 
indivíduos, entretanto, esses dados são pouco testáveis, tendo em vista a 
disparidade entre formas de crescer, aprender e se desenvolver. 
TEMA 5 – DEMÊNCIAS 
As demências são caracterizadas por uma perda gradativa da cognição e 
geralmente estão associadas a questões hereditárias e de envelhecimento. A 
demência inicia-se geralmente por perdas cognitivas como memória e 
aprendizado, progredindo para o comprometimento de funções motoras e 
emocionais. Nesse aspecto, podemos enquadrar uma gama diversa de 
síndromes demenciais que vão desde a Doença de Alzheimer até quadros 
induzidos por alcoolismo ou depressão. Em termos diagnósticos, uma análise 
neuropatológica é necessária, mas uma abordagem clínica pode ser suficiente 
para realizar o diagnóstico diferencial inicial (Neto et al., 2005). 
Como comentado anteriormente, as demências são responsáveis por 
grande parte das causas de adoecimento e morte no Brasil, estando atrás 
somente de doenças infecciosas das vias aéreas, isquemia cardíaca e doenças 
cerebrovasculares (SVS, 2017). Além disso, as demências, principalmente a 
doença de Alzheimer, estão bastante correlacionadas ao envelhecimento, 
estando mais presentes em indivíduos acima dos 50 anos (Guimarães et al., 
2018). Estudos mostram uma prevalência de 7,1% entre 1990 e 2000 na América 
do Sul para populações acima de 65 anos, sendo um percentual que aumenta 
com a idade. Enquanto isso, no Brasil, essa taxa chega a serde 13,8% em 
pessoas acima de 65 anos (Atalaia-Silva et al., 2008). 
 A fisiopatologia das demências ainda não foram completamente 
elucidadas, o que impacta diretamente nos níveis de prevenção e tratamento. 
Sabe-se que a doença de Alzheimer possui alguns biomarcadores importantes 
no diagnóstico do quadro, como a formação de placas senis por aglomerados 
 
 
9 
proteicos b-amilóides que provocam morte celular (Guimarães et al., 2018). 
Como comentado em aulas anteriores, a plasticidade neural (crescimento celular 
e formações de novas conexões) são extremamente importantes no 
desenvolvimento de habilidades cognitivas no adulto. Dessa forma, a morte 
celular ocasionada pelas placas senis rompem a capacidade de memória e 
aquisição de novas habilidades, chegando ao ponto de ser extremamente 
incapacitante. 
 Alguns fatores de risco podem ser identificados, como baixa escolaridade 
e pobreza (Atalaia-Silva et al., 2008). Entretanto, os estudos que identificam 
essas correlações ainda carecem de maior refino para verificar determinantes 
sociais do aparecimento de demências. Ao que parece, a influência genética nas 
síndromes demenciais é muito forte para ser ignorada. Estudos de gêmeos 
mostram que em irmãos monozigóticos (compartilham quase 100% do mesmo 
DNA) a prevalência de co-ocorrência é de 50% (Cordeiro et al., 2008). Nesses 
casos, parece haver uma função genética na formação de placas senis em 
doença de Alzheimer. Além disso, alguns estudos têm demonstrado o papel da 
acetilcolina, da neuroinflamação e do alto colesterol no surgimento de demências 
(Sereniki; Vital, 2008). 
 As demências também incluem um grupo de síndromes que são induzidas 
por outros fatores, como alcoolismo e depressão (Neto et al., 2005). Em casos 
de depressão, pode haver uma confusão com demência, já que ambas as 
condições causam déficits cognitivos. Além disso, é possível que a depressão 
seja um sintoma ou até que ela coexista com uma demência. Já em relação ao 
alcoolismo, ele se apresenta como fator de risco para o surgimento direto de uma 
demência por intoxicação alcoólica. 
 Apesar de progressiva e incurável, parece que alguns tratamentos, pelo 
menos para a Doença de Alzheimer, têm sido propostos. Nesse sentido, propõe-
se intervenções farmacológicas sintomáticas no tratamento de sintomas 
cognitivos e comportamentais (Sereniki; Vital, 2008). Além dos tratamentos, é 
importante ressaltar a questão do cuidado e qualidade de vida de pacientes que 
sofrem dessa condição. Sendo assim, devemos efetivar esforços no sentido de 
promover uma rede de apoio a uma grande camada populacional que sofre 
dessas condições. 
 
 
10 
NA PRÁTICA 
 O censo é uma ferramenta de conhecimento da população. Com base 
nesse tipo de ferramenta de controle demográfico e epidemiológico, 
conseguimos identificar prevalências de certas condições, fatores de riscos, 
populações susceptíveis, tratamentos, níveis de incapacitância e causas de 
morte. 
Um exemplo prático se refere ao último tópico abordado. Devemos 
conhecer a prevalência de cada demência na sociedade. Dessa forma, é 
possível identificar fatores de risco, determinantes genéticas e ambientais que 
estão relacionadas à prevalência dessa condição. Ao identificar grupos de risco 
e promover ações de conscientização, devemos promover ações de políticas 
públicas de saúde na tentativa de reduzir a prevalência da condição e de fornecer 
melhor qualidade de vida à pessoa que sofre. 
Em termos práticos, o estudo da epidemiologia das causas de morte e 
adoecimento ajudam a compreender como o envelhecimento e fatores de risco 
podem contribuir para o surgimento de tais condições de maneira geral. Além 
disso, alguns comportamentos e estilos de vida contribuem para o rompimento 
do ciclo vital normal do ser humano, gerando condições crônicas que podem 
gerar danos à saúde e, consequentemente, a morte de maneira prematura. 
Juntamente a isso, eventos estressores também podem desencadear 
condições predispostas ou até gerar adoecimento psíquico sem histórico prévio. 
Um outro exemplo prático nesse sentido se apresentaria como o seguinte: 
Um jovem adulto saudável que passa a ter problemas familiares 
apresenta quadros isolados de ansiedade. Os eventos ocorrem com cada vez 
mais frequência, até que essa ansiedade se generalize para outros aspectos da 
vida fora da família. De maneira a se esquivar de tais estressores, o jovem 
começa a fazer uso constante de tabaco (cigarro). Passados anos de uso 
contínuo de fumo, o homem desenvolve problema respiratório e cardíaco. Todos 
esses fatores funcionam como um estressor ainda mais forte, formando um 
círculo no desenvolvimento vital do sujeito. O adoecimento provocado por fatores 
externos e agora internos, tanto orgânicos quanto psicológico, pode vir a 
ocasionar a morte desse sujeito com idade de 45 anos, abaixo da média da 
expectativa de vida local. 
 
 
11 
 Nesse sentido, uma condição estressora não natural gera 
comportamentos e hábitos não saudáveis que interrompem o desenvolvimento 
normal do adulto. O quadro patológico se instala, provocando a morte precoce e 
contribuindo para a estatística de mortes gerais. Dessa forma, é importante 
conhecer os fatores de risco de adoecimento para que seja possível fazer uma 
intervenção o quanto antes, evitando a degradação da saúde, o sofrimento e o 
adiantamento da morte. 
FINALIZANDO 
O adoecimento é uma forma de compreender obstáculos que afetam o 
desenvolvimento normal do ciclo vital até a morte. Ao longo desta aula, 
discutimos as principais causas de adoecimento e morte do ser humano. 
Compreendemos que a morte é um processo normal e esperado, entretanto, o 
conceito de normalidade nos direciona de forma a evitar e tratar fatores 
incapacitantes e causadores de sofrimento com base em um entendimento de 
ciclo vital intrassujeito. 
Nesta aula, também vimos que há um padrão de adoecimento por faixa 
etária e que algumas doenças promovem a morte precoce. Para a psicologia do 
desenvolvimento, cabe identificar esses fatores externos ou internos 
relacionados ao desenvolvimento humano e envelhecimento. Devemos analisar 
fatores de risco associados ao desenvolvimento a fim de prevenir condições 
debilitantes. Vimos que alguns fatores do desenvolvimento podem desencadear 
condições crônicas, como depressão e dores crônicas que causam grande 
impacto na saúde e que necessitam de acompanhamento constante. 
Vimos também que doenças físicas podem ser fatores de risco para o 
aparecimento de transtornos mentais. Os transtornos mentais, por sua vez, 
possuem alto grau de incapacitância e estão associados com condições físicas. 
Por fim, abordamos os casos especiais das demências que têm grande 
relação com o desenvolvimento e envelhecimento. Discutimos seus fatores de 
risco e possíveis tratamentos e acompanhamentos. 
 
 
 
12 
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