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29/03/2025 1 PRÁTICAS DE SAÚDE BASEADA EM EVIDÊNCIAS - SBE Prof. Dra. Layana Guimarães Pimenta Fisioterapeuta - Mestre em Neurociências - Doutora em Fisioterapia layanaguimaraes@gmail.com CONTEÚDOS Eixo 1 - Introdução à Saúde Baseada em Evidências (SBE). Mentalidade do Clínico que se Baseia em Evidências. O que É e o que NÃO é SBE. 1 2 29/03/2025 2 CONTEÚDOS Eixo 2 - O consumidor de ciência. Pergunta clínica e busca em base de dados. Análise de evidências (erro sistemático). Análise de evidências (erro aleatório). CONTEÚDOS Eixo 3 - Implementação da SBE. O problema dos procedimentos desnecessários. Desafios e barreiras para a implementação. Estratégias de implementação. 3 4 29/03/2025 3 OBJETIVO DA AULA Apresentar os princípios da Saúde Baseada em Evidências (SBE) e como o profissional de saúde pode utilizá-los para tomar decisões clínicas sábias através do raciocínio clínico probabilístico. Identificar, avaliar, interpretar e aplicar os conhecimentos provenientes de pesquisa no cuidado da saúde CONTEÚDOS Eixo 1 - Introdução à Saúde Baseada em Evidências (SBE). • Mentalidade do clínico que se baseia em Evidências. • O que é e o que não é SBE. 5 6 29/03/2025 4 CONHECIMENTO Conhecer é elaborar um modelo de realidade Nesse sentido, três elementos são necessários para que haja conhecimento: Sujeito: o ser que conhece; Objeto: aquilo que o sujeito investiga para conhecer; Imagem mental (opinião, ideia ou conceito) que resultam da relação sujeito-objeto e que passa a habitar a subjetividade daquele que conhece. CONHECIMENTO Uma criança de três anos pensa de maneira mágica O homem do paleolítico pensava a partir de uma perspectiva mítica Uma pessoa da Idade Média refletia através de superstições. O pensamento tem muitas formas e dimensões : o ser humano desenvolveu uma maneira de pensar que mudou a história da humanidade o pensamento científico. 7 8 29/03/2025 5 TIPOS DE CONHECIMENTO Conhecimento empírico: conhecimento popular. Conhecimento científico: informações e fatos que são comprovados por meio da ciência; Conhecimento filosófico: nasce a partir das reflexões que o ser humano faz sobre questões subjetivas; Conhecimento teológico ou religioso: baseado na fé religiosa, acreditando que ela detém a verdade absoluta. 9 10 29/03/2025 6 TIPOS DE CONHECIMENTO Trovão: Conhecimento filosófico Conhecimento religioso Conhecimento empírico Conhecimento científico CONHECIMENTO EMPÍRICO É o conhecimento popular Adquirimos através da observação e interação do ser humano com o ambiente ao redor. É resultante do senso comum, e pode ser baseado em experiências, sem a necessidade de uma comprovação científica. Não há preocupação em refletir criticamente sobre o objeto em observação, limitando-se apenas à dedução. 11 12 29/03/2025 7 CONHECIMENTO EMPÍRICO É adquirido por meio de simples deduções e sem provas concretas, sendo um conhecimento falível e inexato. Agricultor que sabe exatamente quando plantar e colher cada vegetal, apenas por observar e aprender com os resultados de suas colheitas anteriores. O sol gira em torno da terra CONHECIMENTO CIENTÍFICO Está relacionado com a lógica e o pensamento crítico e analítico. É o conhecimento que temos sobre fatos analisados e comprovados cientificamente, de modo que sua veracidade ou falsidade podem ser comprovadas. 13 14 29/03/2025 8 Baseado em experiências comprovadas, porém é falível e aproximadamente exato novas ideias podem modificar teorias antes aceitas. É verificável, pois surge através de resultados científicos. Ex: A descoberta de outros planetas, por meio da observação com telescópios super desenvolvidos. CONHECIMENTO CIENTÍFICO CONHECIMENTO CIENTÍFICO Aspectos fundamentais do pensamento cientifico: CAUSA: todos os acontecimentos ao nosso redor ocorrem por uma razão, ou seja, há algumas causas que explicam os fenômenos e estas causas podem ser descobertos a partir de um método baseado no método científico. 15 16 29/03/2025 9 CONHECIMENTO CIENTÍFICO Neste sentido, o esquema geral do método científico é a seguinte: 1) Hipótese explicativa sobre o fenômeno observado 2) Acúmulo de dados baseados na observação e na experimentação; 3) Comparação dos dados obtidos com a hipótese inicial; 4) Após análise dos dados estabelecer uma lei geral que explica este fenômeno. CONHECIMENTO CIENTÍFICO Consequentemente, o pensamento científico é baseado no rigor da pesquisa, na quantificação de dados e leis e nas teorias que sustentam as observações. O pensamento científico não dá lugar à subjetividade, à fantasia, aos preconceitos, enfim, a tudo que não pode ser demonstrado. Baseado na objetividade, na racionalidade e na sistematicidade. 17 18 29/03/2025 10 CONHECIMENTO CIENTÍFICO O pensamento científico está muito presente na vida cotidiana e nos permite fazer perguntas baseadas na razão, o que nos leva a buscar a verdade. Nutrição? Psicologia? Enfermagem – bloco cirúrgico? POR QUE PRECISAMOS DA CIÊNCIA? Comprovar hipóteses, dúvidas Confirmar se uma intervenção funciona melhor do que outra ou nenhuma intervenção; Saber se um hábito faz bem ou mal à saúde ao longo do tempo; Oferecer o melhor modelo de atenção ao paciente; Escolha pelo tratamento mais eficaz, de menor custo e menor risco; Tomada de decisão clínica 19 20 29/03/2025 11 VIÉS DE CONFIRMAÇÃO http://medicinabaseadaemevidencias.blogspot.com/ Tendência em buscar, interpretar ou priorizar informações de um modo que confirma minhas crenças ou hipóteses. Elston DM, 2020 VIÉS DE CONFIRMAÇÃO “A perspectiva limitada pode obscurecer a compreensão da realidade. Para aprender a verdadeira natureza de algo, deve-se manter a mente aberta e considerar que a verdade pode estar além da percepção inicial.” Peterson S et al., 2022 21 22 29/03/2025 12 EVIDÊNCIA CIENTÍFICA 17 anos de atraso17 anos de atrasoPesquisa Prática Clínica Evidências Morris 2011 EVIDÊNCIA EMPÍRICA Nunca foi testado Resultante da observação Senso comum 23 24 29/03/2025 13 OBSERVAÇÃO CLÍNICA “Meus pacientes melhoram” “O meu tratamento funciona, não importa o que a evidência diz” Melhora clínica não é sinônimo de eficiência terapêutica SAÚDE BASEADA EM EVIDÊNCIAS - SBE 25 26 29/03/2025 14 DEFINIÇÃO É quando a tomada de decisão clínica provém da utilização da sua experiência clínica, somada com evidências de pesquisas clínicas relevantes e de alta qualidade, aliada as preferências do seu paciente. DEFINIÇÃO: PILARES DA SBE 27 28 29/03/2025 15 PILARES DA SBE Pesquisa clínica de alta qualidade: É aquela que se distingue de pesquisas de baixa qualidade por ser bem desenhada, conduzida e relatada de uma forma que nos permite confiar nos resultados. Diferença entre pesquisa clínica e pesquisa básica? Baixo risco de viés Alta qualidade PILARES DA SBE Preferências do paciente: Condutas propostas pelo profissional de saúde Importância da participação dos pacientes O que realmente importa Quais as expectativas Direito de aceitar ou não a conduta Habilidades de comunicação, empatia e flexibilidade 29 30 29/03/2025 16 PILARES DA SBE Experiência do profissional Dia-a-dia da clínica. Somado com o conhecimento de pesquisas de alta qualidade Diferencia o profissional experiente do recém-formado NÃO É EVIDÊNCIA! FATORES ADICIONAIS A TOMADA DE DECISÃO Cultura Equipamentos Habilidades do profissional Condições de trabalho 31 32 29/03/2025 17 CONTEXTUALIZANDO A SBE É uma iniciativa com a intenção de traduzir uma linguagem epidemiológica / científica para o pensamento clínico. No entanto a consequência da tradução acaba sendo uma simplificação. Não podemos propor um pensamento simples ao profissional de saúdeque está tomando decisões complexas. Na minha prática funciona! O pesquisador não sabe atender paciente! A técnica foi aplicada de forma errada! Não tem evidência para isso! A clínica é soberana! Meus pacientes melhoram! • Na ausência de uma base teórica forte, jargões são utilizados a respeito de conceitos que perderam sua essência. 33 34 29/03/2025 18 PROCESSO DE TOMADA DE DECISÃO O raciocínio clínico deve ser usado para analisar, sintetizar e interpretar informações relevantes. Evidências, informações dos pacientes e conhecimento da prática devem ser integradas usando o julgamento profissional. Pesquisa clínica de alta qualidade Conhecimento do profissional Preferências do paciente Prática Baseada em Evidência RACIOCÍNIO CLÍNICO SAÚDE BASEADA EM EVIDÊNCIAS Garante um norte, uma direção ao profissional Menor chance de errar, efeitos adversos Segurança para tomar decisão clínica PESQUISA 35 36 29/03/2025 19 POR QUE A SBE É IMPORTANTE? PACIENTES CONVÊNIOS / GOVERNO: SBE PROFISSIONAIS DA SAÚDE PACIENTES Intervenções testadas, eficazes e seguras Menor tempo de tratamento Maior eficiência dentro da sua jornada PACIENTES: receberão intervenções seguras e eficazes 37 38 29/03/2025 20 PROFISSIONAIS DA SAÚDE Confiança da população na profissão; Maior reconhecimento Maior confiabilidade dos dados entre clínicas e profissionais Autonomia PROFISSIONAIS DA SAÚDE: Intervenções baseadas em evidências eleva a confiança da população sobre a profissão. Autonomia. SISTEMAS DE SAÚDE/GOVERNO Melhores decisões sobre investimentos Modelo de saúde baseadas em valor Menor risco à população Pesquisas para implementação de tecnologias em saúde que gerem melhor custo-benefício para a sociedade Análise de segurança x eficácia x custo- efetividade Tecnologias que gerarão valor ao sistema de saúde. CONVÊNIOS/ GOVERNO: Maior custo- benefício Menores riscos Melhor remuneração 39 40 29/03/2025 21 PROVEDORES DE SERVIÇOS (EMPRESAS, CONVENIOS, GOVERNO) Menor gasto Maior eficácia Remuneração diferenciada Satisfação do cliente PACIENTES: receberão intervenções seguras e eficazes CONVÊNIOS/ GOVERNO: Maior custo-benefício Menores riscos Melhor remuneração SBE PROFISSIONAIS DA SAÚDE: Intervenções baseadas em evidências eleva a confiança da população sobre a profissão. Autonomia. 41 42 29/03/2025 22 SAÚDE BASEADA EM EVIDÊNCIAS Qual a mentalidade do clínico que se baseia em Evidências? SAÚDE BASEADA EM EVIDÊNCIAS Qual a mentalidade do clínico que se baseia em Evidências? O que não é: Leitura de artigo Atender só com o que o paciente gosta Falar que na minha prática funciona 43 44 29/03/2025 23 REFLEXÕES SOBRE PBE CONTEÚDOS Eixo 2 - O consumidor de ciência. Pergunta clínica e busca em base de dados. Análise de evidências. 45 46 29/03/2025 24 PASSOS PARA APLICAÇÃO DA PBE 1) Converter a informação necessária em perguntas de pesquisa. 2) Rastrear as melhores evidências para responder a essas perguntas. 3) Avaliar criticamente a evidência quanto o seu impacto de validade e aplicabilidade. 4) Integrar a evidência com a sua experiência clínica e os valores e expectativas do paciente. 5) Avaliar a eficácia e eficiência na execução das etapas 1 a 4 e buscar maneiras de melhorá-las para uma próxima vez. PRIMEIRO PASSO: Formular uma pergunta clínica relevante! “O princípio de toda sabedoria não está na resposta, mas na pergunta”. Algumas respostas, sobre como o problema do paciente afeta seu dia-a-dia, são mais bem obtidas perguntando ao paciente. Outras informações são respondidas pelo conhecimento prático que está ao nosso alcance. Mas algumas informações são melhores respondidas por pesquisas clínicas de alta qualidade. 47 48 29/03/2025 25 FORMULAR PERGUNTA DE PESQUISA Pergunta PICO P = População I = Intervenção C = Comparador O = Outcome (Desfecho) Para saber formular a pergunta, devemos saber o que queremos encontrar nas respostas POPULAÇÃO 49 50 29/03/2025 26 INTERVENÇÃO COMPARADOR Controle: > nenhum tratamento > Placebo > Intervenção fictícia 51 52 29/03/2025 27 DESFECHO (OUTCOME) CASO CLÍNICO: Pedro tem 27 anos. Ele apresenta um quadro de dor lombar de início relativamente agudo (cerca de 2 semanas) com dor irradiando para a perna esquerda. Ele não tem déficits neurológicos aparentes. O problema surgiu durante um período de trabalho pesado e piorou progressivamente nos dias seguintes. O ortopedista prescreveu analgésicos, anti-inflamatórios e repouso no leito por 5 dias, mas isso trouxe pouca melhora. Pedro foi então encaminhado a você para tratamento para aliviar a dor e restabelecer sua função. 53 54 29/03/2025 28 TIPO DE PERGUNTA X TIPO DE ESTUDO Efeitos de intervenção• Esse problema poderia ter sido evitado? • Se meu objetivo é melhorar sua capacidade funcional, devo aconselhá-lo a permanecer ativo ou descansar na cama? • O que posso fazer para aliviar a dor dele durante esse período? • Há algo que eu possa fazer para acelerar a recuperação dele? Experiências• O que ele pensa sobre ficar na cama ou voltar ao trabalho? • Qual é a principal preocupação dele sobre a doença? Prognóstico• Qual é a probabilidade de que o problema se resolva sozinho dentro de um mês? Diagnóstico• Como posso decidir se ele tem envolvimento da raiz nervosa? • Quais testes seriam úteis para descartar condições mais graves, como malignidade? Dano ou etiologia • O trabalho pesado é a causa do problema dele? A pesquisa clínica que responde a esse tipo de pergunta é, portanto, a pesquisa mais importante para a prática clínica. FORMULANDO PERGUNTAS CLÍNICAS: EFEITOS DA INTERVENÇÃO Caso clínico do Pedro. Dúvida sobre aconselhar ele a ficar na cama ou a continuar sua rotina diária o mais ativamente possível. Ele foi explícito que quer que você faça algo para aliviar sua dor e restabelecer sua função. OUTCOME (RESULTADO)COMPARATIVOINTERVENÇÃOPACIENTE Dor e incapacidadePermanecer ativoRepousoAdulto com dor lombar aguda Em pacientes com dor lombar aguda, o repouso no leito ou o conselho para permanecer ativo produz maiores reduções na dor e na incapacidade?' 55 56 29/03/2025 29 FORMULANDO PERGUNTAS CLÍNICAS: EXPERIÊNCIA DO PACIENTE Perguntas sobre a experiência podem estar relacionadas a qualquer aspecto da prática clínica. Geralmente são perguntas abertas. Especificar o paciente ou problema (P) e o fenômeno de interesse (O) OUTCOME (RESULTADO)COMPARATIVOINTERVENÇÃOPACIENTE Principais preocupaçõesXXXXXXXXXXXXXAdulto com dor lombar aguda Quais são as principais preocupações dos adultos com dor lombar aguda? FORMULANDO PERGUNTAS CLÍNICAS: PROGNÓSTICO Ao fazer perguntas sobre prognóstico, devemos especificar o paciente ou problema (P) e o resultado em que está interessado (O). Podemos especificar também o prazo do resultado. (T) PICOT T=time frame (tempo) TEMPOOUTCOME (RESULTADO)COMPARATIVOINTERVENÇÃOPACIENTE 6 semanasProbabilidade de ficar sem dorXXXXXXXXXXXXXAdulto com dor lombar aguda Em pacientes com dor lombar aguda, qual é a probabilidade de ficar sem dor em 6 semanas?' 57 58 29/03/2025 30 FORMULANDO PERGUNTAS CLÍNICAS: DIAGNÓSTICO Perguntas sobre a precisão do teste de diagnóstico, devemos especificar o paciente ou problema (P) , o teste de diagnóstico (I) e o diagnóstico para o qual você está testando (O). Ele não tem déficits neurológicos aparentes. Dor irradiando para a perna esquerda. OUTCOME (DIAGNÓSTICO)COMPARATIVOINTERVENÇÃOPACIENTE Comprometimento da raiz nervosaXXXXXXXLasègue’s TestAdulto com dor lombar aguda Em adultos com dor lombar aguda, quão preciso é o teste de Lasègue’s para avaliar comprometimento da raiz nervosa? EXEMPLOS Em adultos ansiosos, a terapia (TCC) aliada a exercícios reduz a ansiedade mais do que a terapia sem exercícios?PACIENTE INTERVENÇÃO OUTCOME COMPARADOR ENSAIOS CLÍNICOS ALEATORIZADOS E/OU REVISÕES SISTEMÁTICAS 59 60 29/03/2025 31 EXEMPLO Em adultos obesos, a dieta em baixa caloria aliada ao exercício reduz o peso mais do que exercício físico sozinho? PACIENTE INTERVENÇÃO OUTCOME COMPARADOR ENSAIOS CLÍNICOS ALEATORIZADOS E/OU REVISÕES SISTEMÁTICAS EXEMPLO A cirurgia robótica reduz a incidência de infecção hospitalar mais do que a cirurgia convencional? PACIENTE INTERVENÇÃO OUTCOME COMPARADOR ENSAIOS CLÍNICOS ALEATORIZADOS E/OU REVISÕES SISTEMÁTICAS 61 62 29/03/2025 32 EXEMPLO Em pacientes com câncer, a cirurgia robótica melhora a qualidade de vida mais do que a cirurgia convencional? PACIENTE INTERVENÇÃO OUTCOME COMPARADOR ENSAIOS CLÍNICOS ALEATORIZADOS E/OU REVISÕES SISTEMÁTICAS FORMULAR PERGUNTA DE PESQUISA Pergunta PICOT P = População I = Intervenção C = Comparador O = Outcome (Desfecho) T – Tempo 63 64 29/03/2025 33 FORMULAR PERGUNTA DE PESQUISA Pilates funciona? Pilates funciona para dor lombar? Pilates melhora a função de pacientes com dor lombar? Pilates é superior a outros exercícios para melhora da função? VAMOS PRATICAR? 1) Quem é a população da pergunta: "efetividade do aleitamento materno na prevenção de alergias"? 2) Qual o desfecho da pergunta "comidas fast-food causam obesidade e diabetes tipo 2"? 3) Como seria o PICO da pergunta "o que é dengue"? 65 66 29/03/2025 34 O QUE É EVIDÊNCIA O QUE É EVIDÊNCIA Condições de saúde pouco conhecidas ou raras; Não possuem grupo controle Estudos in vitro / em animais: testa mecanismos 67 68 29/03/2025 35 ESTUDO DE COORTE / LONGITUDINAL • Prognóstico: curso natural X curso clínico (com e sem uma certa condição de saúde – fatores de risco) • Incidência: grupo saudável que desenvolvem uma condição com o tempo (expostos aos riscos) • Prospectivo ou retrospectivo • Exemplo: • Estudo de incidência e fatores de risco para lesões de menisco em 100 jogadores de handball • 56 em 100 tem lesão e 44 em 100 não tem • Chance de lesão = 0.56/0.44 = 1.27 (> que 1 = >50% de lesão) • Fatores: volume de treino, lesões prévias ESTUDOS OBSERVACIONAIS Transversais Acurácia diagnóstica Prevalência – fatores de risco Rápidos de serem aplicados Tempo determinado Não tem relação causa : efeito Baixo custo Longitudinais Prognóstico-fatores de risco Incidência Tempo maior: meses, anos, décadas Pode ser aplicado em diversos intervalos de tempo Relação causa:efeito Foca em uma única variável Custo maior 69 70 29/03/2025 36 71 72 29/03/2025 37 O QUE É EVIDÊNCIA O QUE É EVIDÊNCIA • Efeitos de intervenções • Benefícios; efeitos adversos; tempo-custo- benefício. • Revisão Sistemática: Conjunto estruturado/ sistematizado de ensaios clínicos sobre uma pergunta de pesquisa específica. 73 74 29/03/2025 38 COMO TESTAR UMA INTERVENÇÃO? US COMO TESTAR UMA INTERVENÇÃO? ESTUDO DE CASO 75 76 29/03/2025 39 COMO TESTAR UMA INTERVENÇÃO? SÉRIE DE CASOS COMO TESTAR UMA INTERVENÇÃO? FOLLOW-UP FOLLOW-UP ESTUDO CONTROLADO vs 77 78 29/03/2025 40 COMO TESTAR UMA INTERVENÇÃO? FOLLOW-UP FOLLOW-UP ESTUDO CONTROLADO vs INTERVENÇÃO CONTROLE COMO TESTAR UMA INTERVENÇÃO? Comparação entre grupos: como garantir que são iguais? RANDOMIZAÇÃO Controle de Confundidores: - História natural da doença; - Efeito placebo; - Regressão para a média; - Paciente bonzinho; - Viés de memória. 79 80 29/03/2025 41 COMO TESTAR UMA INTERVENÇÃO? FOLLOW-UP FOLLOW-UP vs ESTUDO CONTROLADO ALEATORIZADO MELHOR QUE UM ESTUDO CONTROLADO ALEATORIZADO REVISÃO SISTEMÁTICA E META-ANÁLISE 81 82 29/03/2025 42 O QUE É EVIDÊNCIA- Respondem perguntas sobre efetividade de um tratamento - É a base da SBE - Devem ser consumidos rotineiramente pelos clínicos PESQUISAS QUALITATIVAS Caráter exploratório, experiências de percepções ou necessidades 83 84 29/03/2025 43 DIRETRIZES DE PRÁTICA CLÍNICA (GUIDELINES) Não são estudos clínicos Alta qualidade Englobam todos os aspectos de uma condição de saúde Documentos extensos elaborados por associações, governo ou grupos com informações de alta qualidade. DIRETRIZES DE PRÁTICA CLÍNICA (GUIDELINES) Onde encontrar: Periódicos científicos Sites de associações / governos Programas nacionais de diretrizes clínicas https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/ https://www.pedro.org.au/portuguese/ http://guidelines.gov http://nice.org.uk https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/protocolos-clinicos-e-diretrizes- terapeuticas-pcdt 85 86 29/03/2025 44 BUSCA NA BASE DE DADOS Artigos Científicos: resultados de pesquisas escritas por pesquisadores e publicadas após processo de revisão por editores e outros pesquisadores. Base de dados: Coleções organizadas de artigos científicos. BUSCA NA BASE DE DADOS Diversas bases de dados Levantamento de dados em bases de dados de saúde – pergunta de pesquisa clínica Evidência mais recente e de mais alta qualidade 87 88 29/03/2025 45 https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/ Maior base de dados biomédica do mundo Indexa mais de 35 milhões de literatura biomédica Todos os desenhos de estudos e assuntos Não fornece os textos completos, apenas links para acesso BUSCA NA BASE DE DADOS 89 90 29/03/2025 46 Rede internacional sem fins lucrativos com sede no Reino Unido; Compila informações de alta qualidade para auxiliar a tomada de decisões em saúde; Membros e apoiadores de mais de 190 países; Sem conflito de interesses. ALTO RIGOR METODOLÓGICO BUSCA NA BASE DE DADOS 91 92 29/03/2025 47 MESH TERMS – MEDICAL SUBJECT TERMS 93 94 29/03/2025 48 OPERADORES BOLEANOS AND • Todos os termos • Combina palavras-chave diferentes OR • Inclui qualquer termo • Para variações de palavras/sinônimos NOT • Exclui termos indesejados • Diminui resultados indesejados • BUSQUE NAS BASES DE DADOS, EXEMPLO: 95 96 29/03/2025 49 VAMOS PRATICAR? Fiz a busca, e agora? Boa busca = bons resultados Avaliação crítica - Bons delineamentos; - Baixo risco de viés. VIÉS: Qualquer fator que diminui a credibilidade do estudo. Tende a seguir certo resultado. Estudos com alto risco de viés tendem a superestimar os resultados. AVALIAR A QUALIDADE METODOLÓGICA DOS ESTUDOS 97 98 29/03/2025 50 AVALIAÇÃO DO RISCO DE VIÉS Inabilidade de avaliar criticamente Escala PEDro Escala de risco de viés da Cochrane Correlação Cochrane X PEDro = 0.90 VIESES EM ESTUDOS CLÍNICOS ALEATORIZADOS Viés de Seleção Viés de Performance Viés de Detecção Viés de Atrito Viés de Relato Furlan 2015, Yamato 2017, Higgins 2016 e 2017 99 100 29/03/2025 51 VIESES EM ESTUDOS CLÍNICOS ALEATORIZADOS Viés de Seleção Viés de Performance Viés de Detecção Viés de Atrito Viés de Relato Furlan 2015, Yamato 2017, Higgins 2016 e 2017 seleção dos participantes: método de randomização, de alocação cegamento do terapeuta e do paciente cegamento do avaliador Perda de pacientes ao longo do estudo Adesão Protocolo do estudo publicado Escala PEDro Pontuação de 0 a 10 AVALIAÇÃO DO RISCO DE VIÉS 101 102 29/03/2025 52 1. os critérios de elegibilidade foram especificados Notas de administração: Este critério pode considerar-se satisfeito quando o relatório descreve a origem dos sujeitos e a lista de requisitos utilizados para determinar quais os sujeitos elegíveis para participar no estudo. Explicação: Esse critério é relacionado a validade externa, mas não é relacionado a validade interna ou validade estatística do estudo. 2. os sujeitos foram aleatoriamente distribuídos por grupos (num estudo crossover, os sujeitos foram colocados em grupos de forma aleatória de acordo com o tratamento recebido) Notas de administração: Considera-se que num determinado estudo houve distribuição aleatória se o relatório referir quea distribuição dos sujeitos foi aleatória. O método de aleatoriedade não precisa de ser explícito. Procedimentos tais como lançamento de dados ou moeda ao ar devem considerar-se de distribuição aleatória. Procedimentos de distribuição quase-aleatória tais como os que se efectuam a partir do número de registo hospitalar, da data de nascimento, ou de alternância, não satisfazem este critério. Explicação: Distribuição aleatória assegura que os grupos de tratamento e controle são comparáveis (dentro dos limites de acontecimentos “ao acaso”). 103 104 29/03/2025 53 3. a distribuição dos sujeitos foi cega Notas de administração: Distribuição cega significa que a pessoa que determinou a elegibilidade do sujeito para participar no estudo clínico desconhecia, quando a decisão foi tomada, o grupo a que o sujeito iria pertencer. Deve atribuir-se um ponto a este critério, mesmo que não se diga que a distribuição foi cega, quando o relatório refere que a distribuição foi feita a partir de envelopes opacos fechados ou que a distribuição implicou o contacto com o responsável pela distribuição dos sujeitos por grupos, e este último não estava implicado no estudo clínico. Explicação: “Cega” ou “Escondida” se refere ao fato de que a pessoa que determinou a elegibilidade para a inclusão de voluntários ao estudo não sabia, naquele momento, em qual grupo o voluntário seria alocado. Potencialmente, se a distribuição não for escondida (ou cega), a decisão sobre incluir ou não o sujeito ao estudo pode ser influenciada pelo conhecimento prévio do grupo o qual o sujeito seria alocado. Isso pode produzir desvios sistemáticos na distribuição aleatória. Existe evidência empírica que a distribuição escondida é um fator preditivo no efeito terapêutico (veja: Schulz et al (1995) JAMA 273:408-412). 4. inicialmente, os grupos eram semelhantes no que diz respeito aos indicadores de prognóstico mais importantes Notas de administração: No mínimo, nos estudos de intervenções terapêuticas, o relatório deve descrever pelo menos uma medida da gravidade da condição a ser tratada e pelo menos uma (diferente) medida de resultado-chave que caracterize o ponto de partida. O examinador deve assegurar-se de que, com base nas condições de prognóstico de início, não seja possível prever diferenças clinicamente significativas dos resultados, para os diversos grupos. Este critério é atingido mesmo que somente sejam apresentados os dados iniciais do estudo. Explicação: Esse critério pode proporcionar uma indicação de viés em potencial que ocorreu ao acaso na distribuição aleatória. Discrepâncias grosseiras entre os grupos pode ser indicativo de procedimentos inadequados de aleatorização. 105 106 29/03/2025 54 5. todos os sujeitos participaram de forma cega no estudo Notas de administração: Ser cego para o estudo significa que a pessoa em questão (sujeito, terapeuta ou avaliador) não conhece qual o grupo em que o sujeito é integrado. Mais ainda, sujeitos e terapeutas só são considerados “cegos” se for possível esperar-se que os mesmos sejam incapazes de distinguir entre os tratamentos aplicados aos diferentes grupos. Nos estudo clínicos em que os resultados-chave são relatados pelo próprio (por exemplo, escala visual análoga, registo diário da dor), o avaliador é considerado “cego” se o sujeito foi “cego”. Explicação: “Cegar” os sujeitos consiste em assegurar que os sujeitos foram incapazes em distinguir se eles receberam ou não o tratamento. Quando os sujeitos foram certificar que o efeito aparente (ou a ausência do efeito) do tratamento não ocorreu devido a efeitos placebo ou efeito de Hawthorne (que é um artefato experimental que as respostas dos sujeitos são distorcidos pelas expectativas dos pesquisadores). 6. todos os fisioterapeutas que administraram a terapia fizeram-no de forma cega Notas de administração: Ser cego para o estudo significa que a pessoa em questão (sujeito, terapeuta ou avaliador) não conhece qual o grupo em que o sujeito é integrado. Mais ainda, sujeitos e terapeutas só são considerados “cegos” se for possível esperar-se que os mesmos sejam incapazes de distinguir entre os tratamentos aplicados aos diferentes grupos. Nos estudo clínicos em que os resultados-chave são relatados pelo próprio (por exemplo, escala visual análoga, registo diário da dor), o avaliador é considerado “cego” se o sujeito foi “cego”. Explicação: “Cegar” os terapeutas consiste em assegurar que os terapeutas foram incapazes em discriminar se os sujeitos receberam ou não o tratamento. Quando os terapeutas estão “cegos”, o leitor se certifica que o efeito aparente (ou a ausência do efeito) do tratamento não ocorreu devido ao entusiasmo ou falta de entusiasmo frente as condições de tratamento e controle. 107 108 29/03/2025 55 7. todos os avaliadores que mediram pelo menos um resultado-chave, fizeram-no de forma cega Notas de administração: Ser cego para o estudo significa que a pessoa em questão (sujeito, terapeuta ou avaliador) não conhece qual o grupo em que o sujeito é integrado. Mais ainda, sujeitos e terapeutas só são considerados “cegos” se for possível esperar-se que os mesmos sejam incapazes de distinguir entre os tratamentos aplicados aos diferentes grupos. Nos estudo clínicos em que os resultados-chave são relatados pelo próprio (por exemplo, escala visual análoga, registo diário da dor), o avaliador é considerado “cego” se o sujeito foi “cego”. Explicação: “Cegar” os avaliadores consiste em assegurar que os avaliadores foram incapazes em discriminar se os participantes dos estudo receberam ou não o tratamento. Quando os avaliadores estão “cegos”, o leitor se certifica que o efeito aparente (ou a ausência do efeito) do tratamento não ocorreu devido a influências dos avaliadores que mediram os resultados das intervenções. 8. medições de pelo menos um resultado-chave foram obtidas em mais de 85% dos sujeitos inicialmente distribuídos pelos grupos Notas de administração: Este critério só se considera satisfeito se o relatório referir explicitamente tanto o número de sujeitos inicialmente integrados nos grupos como o número de sujeitos a partir dos quais se obtiveram medidas de resultados-chave. Nos estudo clínicos em que os resultados são medidos em diferentes momentos no tempo, um resultado-chave tem de ter sido medido em mais de 85% dos sujeitos num destes momentos. Explicação: É importante que as medidas de resultados sejam realizadas em todos os sujeitos que foram distribuídos aos grupos. Os sujeitos que não responderam as avaliações podem ser sistematicamente diferentes daqueles que responderam, o que introduz viés ao estudo. A magnitude desse viés aumenta na medida que o número de participantes que não responderam as avaliações aumenta. 109 110 29/03/2025 56 9. todos os sujeitos a partir dos quais se apresentaram medições de resultados receberam o tratamento ou a condição de controle conforme a distribuição ou, quando não foi esse o caso, fez-se a análise dos dados para pelo menos um dos resultados-chave por “intenção de tratamento” Notas de administração: Uma análise de intenção de tratamento significa que, quando os sujeitos não receberam tratamento (ou a condição de controle) conforme o grupo atribuído, e quando se encontram disponíveis medidas de resultados, a análise foi efetuada como se os sujeitos tivessem recebido o tratamento (ou a condição de controle) que lhes tido sido atribuído inicialmente. Este critério é satisfeito, mesmo que não seja referida a análise por intenção de tratamento, se o relatório referir explicitamente que todos os sujeitos receberam o tratamento ou condição de controlo, conforme a distribuição por grupos. Explicação: É quase inevitável que não ocorram violações do protocolo de pesquisa em estudos clínicos. São considerados violações de protocolo problemas como: sujeitos não recebendo os tratamentos que deveriam, ou recebendo tratamentos que não deveriam receber. A análise dos dados de acordo com as intervenções que os sujeitos receberam (ao invés de analisar em acordocom os tratamentos que os sujeitos deveriam receber) podem influenciar nos resultados. É também importante que quando for feita a análise, que a mesma seja feita de acordo com as condições planejadas na distribuição aleatória. Isso é comumente chamado de “análise por intenção de tratamento”. Para maiores informações leia Hollis S & Campbell F (1999) BMJ 319:670-674. 10. os resultados das comparações estatísticas inter-grupos foram descritos para pelo menos um resultado-chave Notas de administração: Uma comparação estatística inter-grupos implica uma comparação estatística de um grupo com outro. Conforme o desenho do estudo, isto pode implicar uma comparação de dois ou mais tratamentos, ou a comparação do tratamento com a condição de controlo. A análise pode ser uma simples comparação dos resultados medidos após a administração do tratamento, ou a comparação das alterações num grupo em relação às alterações no outro (quando se usou uma análise factorial de variância para analisar os dados, esta última é frequentemente descrita como interacção grupo x tempo). A comparação pode apresentar-se sob a forma de hipóteses (através de um valor de p, descrevendo a probabilidade dos grupos diferirem apenas por acaso) ou assumir a forma de uma estimativa (por exemplo, a diferença média ou a diferença mediana, ou uma diferença nas proporções, ou um número necessário para tratar, ou um risco relativo ou um razão de risco) e respectivo intervalo de confiança. Explicações: Em estudos clínicos, testes estatísticos devem ser feitos para determinar se a diferença entre os grupos ocorreu ou não “por acaso”. 111 112 29/03/2025 57 11. o estudo apresenta tanto medidas de precisão como medidas de variabilidade para pelo menos um resultado-chave Notas de administração: Uma medida de precisão é uma medida da dimensão do efeito do tratamento. O efeito do tratamento pode ser descrito como uma diferença nos resultados do grupo, ou como o resultado em todos os (ou em cada um dos) grupos. Medidas de variabilidade incluem desvios-padrão (DP’s), erros-padrão (EP’s), intervalos de confiança, amplitudes interquartis (ou outras amplitudes de quantis), e amplitudes de variação. As medidas de precisão e/ou as medidas de variabilidade podem ser apresentadas graficamente (por exemplo, os DP’s podem ser apresentados como barras de erro numa figura) desde que aquilo que é representado seja inequivocamente identificável (por exemplo, desde que fique claro se as barras de erro representam DP’s ou EP’s). Quando os resultados são relativos a variáveis categóricas, considera-se que este critério foi cumprido se o número de sujeitos em cada categoria é dado para cada grupo. Explicação: Estudos clínicos proporcionam estimativas precisas do efeito de um determinado tratamento. A melhor estimativa (medida de precisão) de um tratamento é a diferença (ou razão) dos resultados entre os grupos de tratamento e controle. A medida do grau de incerteza associado com essa estimativa pode somente ser calculada se o estudo apresentar medidas de variabilidade 113 114 29/03/2025 58 ESCALA COCHRANE Geração da sequência de alocação (Viés de seleção) Sigilo de alocação (Viés de seleção) Cegamento dos participantes e equipe (Viés de performance) Cegamento dos avaliadores (Viés de detecção) Dados incompletos dos desfechos (Viés de atrito) Relato seletivo dos desfechos (Viés de relato) Outras fontes de viés ESCALA COCHRANE Geração da sequência de alocação (Viés de seleção) Sigilo de alocação (Viés de seleção) Cegamento dos participantes e equipe (Viés de performance) Cegamento dos avaliadores (Viés de detecção) Dados incompletos dos desfechos (Viés de atrito) Relato seletivo dos desfechos (Viés de relato) Outras fontes de viés 115 116 29/03/2025 59 PONTOS CRUCIAIS O grupos controle e tratamento são comparáveis? Os follow-ups foram completos ou quase completos? Houve cegamento (vedamento) de pacientes e/ou avaliadores e/ou terapeutas? A análise foi por intenção de tratamento? ATENÇÃO Saiba interpretar o artigo, nem sempre a conclusão dos autores é a correta; Não se baseie apenas pelo resumo “Em resumos de revisões sistemáticas em dor lombar, foram encontrados spin nas conclusões de 8 a cada 10 resumos, além de serem inconsistentes com o texto completo” (Nascimento DP et al., 2021). 117 118 29/03/2025 60 SPIN ✧ Interpretação exagerada dos resultados de um estudo, de forma que os autores interpretam os resultados de forma tendenciosa ✧ Exemplos: ✧ Relato seletivo de resultados positivos e omissão de negativos ✧ Recomendação de tratamento sem resultados clinicamente relevantes ✧ Omitir os efeitos adversos da intervenção ✧ Focar em desfechos secundários Boutron 2010, Yavchitz 2016 CONTEÚDOS Eixo 3 - Implementação da SBE. O problema dos procedimentos desnecessários. Desafios e barreiras para a implementação. Estratégias de implementação. 119 120 29/03/2025 61 COMO IMPLEMENTAR A EVIDÊNCIA? ✧ Necessidades e preferências do paciente ✧ Religião ✧ Cultura ✧ Crenças ✧ Experiências com tratamentos prévios ✧ Alergias ✧ Histórico de saúde COMO IMPLEMENTAR A EVIDÊNCIA? ✧ Experiência clínica do profissional de saúde ✧ Conhecimento prévio ✧ Especialização na área ✧ Material disponível ✧ Tempo de prática Posso usar uma intervenção que ainda não foi testada em pesquisa clínica? Cuidado!!! Discuta os riscos com o paciente!!! 121 122 29/03/2025 62 Cuidado com medicamento/técnica cirúrgica/equipamento que ainda não foram testados em pesquisa clínica!!! Só utilize se houver evidência científica de sua eficácia Pontuação: Pior 0 – 10 Melhor Melhor pontuação: Acima de 7 COMO IMPLEMENTAR A EVIDÊNCIA? ✧ Atualização independente ✧ Artigos com MELHOR QUALIDADE METODOLÓGICA ✧ ECA 123 124 29/03/2025 63 COMO IMPLEMENTAR A EVIDÊNCIA? ✧ Atualização independente ✧ Artigos com MELHOR QUALIDADE METODOLÓGICA ✧ RS (Cochrane) COMO INTERPRETAR RESULTADOS DE PESQUISAS 125 126 29/03/2025 64 HIPÓTESE Toda pesquisa tem uma hipótese A dieta low carb é melhor que a dieta de baixa caloria na redução da hiperglicemia em pacientes diabéticos? Hipótese nula H0 = não haverá diferenças H1 = haverá diferenças TESTE DE HIPÓTESE 127 128 29/03/2025 65 P (PROPABILIDADE) Explica se APENAS HOUVE diferença Não explica o TAMANHO da diferença ENTENDENDO A EVIDÊNCIA TAMANHO DO EFEITO E INTERVALO DE CONFIANÇA Tamanho do efeito – effect size > Inferência a partir de uma amostra > Medem o efeito “médio” da intervenção > Desfechos contínuos x Desfechos dicotômicos CLINICAMENTE RELEVANTE??? 129 130 29/03/2025 66 O ESTUDO É CLINICAMENTE RELEVANTE? Todo o efeito estimado tem uma incerteza porque os estudos utilizam amostras para fazer uma inferência sobre a população Intervalo de Confiança a 95% > Não há diferença entre os grupos se o IC cruza o 0 Incerteza Efeito prejudicial do tratamento Tratamento muito eficazNenhum efeito 131 132 29/03/2025 67 Efeito prejudicial do tratamento Tratamento muito eficazNenhum efeito Valor mínimo de melhora Efeito prejudicial do tratamento Tratamento muito eficazNenhum efeito Valor mínimo de melhora 133 134 29/03/2025 68 Efeito prejudicial do tratamento Tratamento muito eficazNenhum efeito Valor mínimo de melhora Efeito prejudicial do tratamento Tratamento muito eficazNenhum efeito Valor mínimo de melhora 135 136 29/03/2025 69 INTERVALO DE CONFIANÇA Exercício X PlaceboMédia (DP)Variável Efeito do tratamentoPLACEBOEXERCÍCIO (valor p)(IC - 95%)Dor p > 0,05-0.9 (-1.8 to 0.0)5.6 (2.6)4.6 (2.8)2 meses p > 0,05-0.5 (-1.4 to 0.5)5.6 (2.5)5.0 (2.9)6 meses pe divulgados abertamente – NÃO O CONTRÁRIO CUIDADO! Procure estudos sobre a técnica antes de pagar pelo curso POSSO GENERALIZAR OS RESULTADOS DO ESTUDO PARA A MINHA REALIDADE? Perfil e tamanho da Amostra; Diagnóstico; Descrição da intervenção; Dose da intervenção; Desfechos; Subgrupos. 139 140 29/03/2025 71 COMO LER UM ARTIGO CIENTÍFICO? Objetivo É relevante para minha prática? Métodos O desenho é apropriado? Tem validade externa? Viés importante? Resultados (tabelas e figuras) Tamanho do efeito e IC 95% Pense na sua prática clínica para interpretar Introdução e Discussão, se achar necessário Discuta com colegas 141 142 29/03/2025 72 MENSAGENS FINAIS Fale sobre PBE – propague sua importância; Faça parte de grupos de pesquisa; Faça reuniões científicas no seu ambiente de trabalho Seja crítico ao ler artigos científicos; Leia o texto completo, não tome decisões pelo resumo; Não acredite em resultados / cursos / técnicas milagrosas; Cuidado com resultados otimistas; A ciência está em constante evolução, mantenha-se atualizado; A ciência não é exata; Comunicação terapeuta-equipe-paciente é fundamental para a tomada de decisão. LINKS/MATERIAIS ÚTEIS Netflix: Operação Enganosa / Take your pill / A indústria da cura www.medicinabaseadaemevidencia.com.br https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/ http://guidelines.gov http://nice.org.uk https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/protocolos-clinicos-e-diretrizes-terapeuticas-pcdt Instagram: @leo_costa_pbe @luciola_costa @fernandalandeiro @luisclcorreia 143 144 29/03/2025 73 PSICOLOGIA NUTRIÇÃO 145 146 29/03/2025 74 NUTRIÇÃO NUTRIÇÃO 147 148 29/03/2025 75 REFERÊNCIAS Elston DM. Confirmation bias in medical decision-making. J Am Acad Dermatol. 2020 Mar;82(3):572. doi: 10.1016/j.jaad.2019.06.1286. Epub 2019 Jul 3. PMID: 31279036. Peterson S, Shepherd M, Farrell J, Rhon DI. The Blind Men, the Elephant, and the Continuing Education Course: Why Higher Standards Are Needed in Physical Therapist Professional Development. J Orthop Sports Phys Ther. 2022 Jul 26:1-14. doi: 10.2519/jospt.2022.11377. Epub ahead of print. PMID: 35881703. da Silva TM, Costa Lda C, Garcia AN, Costa LO. 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