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Protozoários – aula 1 Entamoeba histolytica e Entamoeba díspar ❖ Etiologia: ➢ A Entamoeba histolytica é o protozoário causador da amebíase, enquanto a Entamoeba dispar é uma espécie morfologicamente idêntica, mas não patogênica, sendo comensal ➢ A E. histolytica possui a capacidade de invadir a mucosa intestinal, levando a várias manifestações clínicas. ❖ Epidemiologia: ➢ Amplamente distribuída, com maior prevalência em regiões tropicais e subtropicais, especialmente onde as condições sanitárias são precárias. ➢ A transmissão ocorre pela ingestão de cistos presentes em água e alimentos contaminados ou através de objetos contaminados (fômites). ➢ A infecção é comum em países em desenvolvimento, onde a qualidade da água potável é baixa e o tratamento de esgoto é inadequado. ❖ Fisiopatologia e Patogenia: ➢ A E. histolytica adere à mucosa intestinal e penetra no tecido epitelial, causando necrose e ulcerações. ➢ Os trofozoítos se alimentam de células intestinais e eritrócitos, formando úlceras com o aspecto característico de "botão de camisa". ➢ A patogênese extraintestinal pode ocorrer quando os trofozoítos se disseminam para o fígado através da circulação porta, causando abscessos hepáticos. ➢ Em casos graves, a infecção pode se espalhar para pulmões e cérebro. ❖ Quadro clínico: ➢ Forma intestinal: Pode variar de assintomática a disenteria grave, com diarreia sanguinolenta, cólicas abdominais e febre. ➢ Forma extraintestinal: Inclui o desenvolvimento de abscessos hepáticos, com sintomas como dor no quadrante superior direito, febre, hepatomegalia e perda de peso. Abscessos pulmonares e cerebrais podem ocorrer em infecções mais graves. ➢ Pode causar: ▪ Portador assintomático ▪ Disenteria não complicada ▪ Disenteria complicada (perfuração, peritonite, hemorragia) ▪ Doença cólica não disentérica (úlcera cólica proximal); ameboma formação de granuloma no ceco ▪ Infecção primária: intestino ▪ Sistema porta ➔ pode chegar ao fígado ➔ infecção secundária (“migrou”) ▪ Abscesso hepático simples ▪ Abscesso hepático complicado (múltiplo e/ou extensão à pleura, pericárdio e peritônio) ▪ Infecções menos frequentes em outros locais (pele, genitália, pulmões, rins, cérebro) ❖ Ciclo de vida: os trofozoítos se reproduzem por cissiparidade. No ciclo biológico da Entamoeba histolytica é monoxênico e apresenta quatro estágios evolutivos: trofozoíto, pré- cisto, cisto e metacisto. Enquanto o pré-cisto e metacisto são apenas fases intermediárias, os cistos e trofozoítos constituem fases bem definidas do parasito. ❖ Diagnóstico: ➢ A detecção de trofozoítos ou cistos nas fezes é a principal forma de diagnóstico. A colonoscopia ou a retossigmoidoscopia podem revelar úlceras típicas. ➢ Exames de imagem como ultrassonografia, tomografia computadorizada (TC) ou cintilografia podem ser usados para identificar abscessos hepáticos. ➢ Para diferenciar E. histolytica de E. dispar, a PCR ou testes de antígeno podem ser utilizados. ❖ Diagnóstico diferencial: ➢ Outras causas de disenteria, como salmonelose, disenteria bacilar e esquistossomose, devem ser consideradas, principalmente se estiver em uma fase aguda. ➢ Infecções virais, doenças inflamatórias intestinais e colites também entram no diagnóstico diferencial. ❖ Tratamento: ➢ O tratamento de escolha para amebíase invasiva é o metronidazol ou tinidazol, seguido por um amebicida de contato, como paromomicina ou diloxanida, para erradicar os cistos intestinais. ❖ Prevenção: ➢ Melhoria das condições sanitárias, como tratamento de esgoto, fornecimento de água potável e boas práticas de higiene (lavagem das mãos, lavagem adequada de alimentos), são cruciais para a prevenção da amebíase. ❖ Prognóstico: O prognóstico para a amebíase é geralmente bom quando o tratamento é administrado precocemente. No entanto, complicações como abscessos hepáticos podem aumentar a morbidade e mortalidade, especialmente se houver perfuração intestinal ou disseminação para outros órgãos Giardia lamblia ❖ Etiologia: ➢ A Giardia lamblia (também chamada Giardia intestinalis ou Giardia duodenalis) é um protozoário flagelado responsável pela giardíase, uma infecção que afeta o intestino delgado, causando malabsorção de nutrientes. ❖ Epidemiologia: ➢ A giardíase tem distribuição global, sendo mais comum em áreas com saneamento inadequado e água contaminada. Reservatórios incluem humanos, animais domésticos e selvagens. ➢ A transmissão ocorre pela ingestão de cistos presentes na água ou alimentos contaminados ou por contato direto com superfícies infectadas (fômites). ❖ Fisiopatologia e Patogenia: ➢ Os cistos de Giardia são resistentes ao ambiente externo e, quando ingeridos, liberam trofozoítos no intestino delgado, onde aderem à mucosa, causando inflamação e atrofia das vilosidades intestinais. ➢ Isso resulta em má absorção de nutrientes, como gorduras e vitaminas, e provoca sintomas gastrointestinais. ❖ Quadro clínico: ➢ A giardíase pode ser assintomática ou apresentar-se com diarreia aquosa, explosiva e de odor fétido, acompanhada de dor abdominal, flatulência, distensão, perda de peso e má absorção de lactose e vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K). ➢ Em crianças, pode causar desnutrição severa. ❖ Diagnóstico: ➢ Feito através da identificação de cistos ou trofozoítos nas fezes por exame microscópico. Exames de imunofluorescência e testes de antígeno fecal também são utilizados. ➢ A PCR é útil em alguns casos para identificar espécies específicas. ❖ Diagnóstico diferencial: ➢ Deve incluir outras causas de diarreia crônica, como rotavírus, infecção por Cryptosporidium, síndrome do intestino irritável e doença celíaca. ❖ Tratamento: ➢ O tratamento padrão inclui metronidazol ou tinidazol. Outras opções são nitazoxanida ou albendazol, especialmente em casos resistentes ou recorrentes. ❖ Prevenção: ➢ A prevenção depende de melhorias no saneamento básico, filtragem adequada e tratamento da água, além da prática de boas medidas de higiene pessoal. ❖ Prognóstico: ➢ Com tratamento, o prognóstico é excelente. ➢ No entanto, infecções crônicas podem resultar em má absorção prolongada e desnutrição, especialmente em crianças. Balantidium coli ❖ Etiologia: ➢ Balantidium coli é o único protozoário ciliado que causa doença humana, conhecida como balantidiose. ➢ É um parasita intestinal de suínos e ocasionalmente infecta humanos. ❖ Epidemiologia: ➢ A balantidiose é mais comum em áreas rurais, onde há contato próximo com suínos, que são os principais reservatórios. ➢ Trabalhadores em criadouros de porcos, tratadores e abatedores têm maior risco de infecção. ➢ A transmissão ocorre pela ingestão de cistos em alimentos ou água contaminados. ❖ Fisiopatologia e Patogenia: ➢ Os cistos são resistentes ao ambiente e, uma vez ingeridos, liberam trofozoítos no intestino grosso, onde podem causar ulceração e inflamação da mucosa intestinal. ➢ Embora Balantidium coli raramente penetre profundamente na mucosa intestinal intacta, pode causar colite grave em indivíduos imunocomprometidos. ❖ Quadro clínico: ➢ Os sintomas variam de assintomáticos a disenteria grave, com diarreia sanguinolenta, cólicas abdominais, tenesmo e febre. ➢ Em casos graves, pode ocorrer perfuração intestinal. ❖ Diagnóstico: ➢ Exame parasitológico de fezes para detecção de cistos ou trofozoítos. ➢ A biópsia do intestino pode ser útil para confirmar o diagnóstico em casos de colite grave. ❖ Diagnóstico diferencial: ➢ Inclui amebíase, giardíase, colite ulcerativa e outras infecções que causam disenteria. ❖ Tratamento: ➢ A tetraciclina é o tratamento de escolha. ➢ Outras opções incluem metronidazol e iodoquinol. ❖ Prevenção: ➢ Envolve o manejo adequado de suínos, práticas de higiene pessoal e o tratamento de água contaminada. ❖ Prognóstico:➢ Com tratamento, o prognóstico é bom. ➢ No entanto, casos não tratados podem evoluir para complicações graves, como perfuração intestinal, especialmente em pacientes imunocomprometidos. Cryptosporidium spp. ❖ Etiologia: ➢ As espécies Cryptosporidium parvum e Cryptosporidium hominis são as principais causadoras de criptosporidiose em humanos. ➢ Outros animais também podem ser reservatórios. ❖ Epidemiologia: ➢ A infecção por Cryptosporidium é transmitida pela ingestão de oocistos em água contaminada ou alimentos, ou por contato direto com fezes de animais infectados. ➢ A criptosporidiose é uma causa comum de surtos de diarreia, especialmente em creches e locais com água não tratada. ❖ Fisiopatologia e Patogenia: ➢ Após a ingestão, os oocistos liberam esporozoítos que se aderem às células epiteliais do trato gastrointestinal, causando inflamação e atrofia das vilosidades. ➢ Em pacientes imunocomprometidos, a infecção pode se disseminar para o trato respiratório e outros órgãos. ❖ Quadro clínico: ➢ Em indivíduos imunocompetentes, a infecção é geralmente autolimitada e causa diarreia aquosa, anorexia, dor abdominal e febre. ➢ Em pacientes imunocomprometidos, como os com HIV/AIDS, a diarreia pode ser crônica, levando à desidratação grave, má absorção e perda de peso. ❖ Diagnóstico: ➢ O diagnóstico é feito pela detecção de oocistos nas fezes usando técnicas de concentração e coloração, como Ziehl-Neelsen modificado. ➢ A imunofluorescência e a PCR são usadas para aumentar a sensibilidade. ❖ Diagnóstico diferencial: ➢ Inclui outras causas de diarreia persistente, como giardíase, rotavírus, colite ulcerativa e doenças inflamatórias intestinais. ❖ Tratamento: ➢ Em imunocompetentes, a infecção é geralmente autolimitada e o tratamento pode não ser necessário. ➢ Nos casos graves ou em imunocomprometidos, a nitazoxanida pode ser utilizada. ➢ A reidratação oral ou intravenosa é essencial para evitar desidratação grave. ❖ Prevenção: ➢ Envolve o tratamento adequado da água, especialmente em locais de surtos. ➢ Medidas de higiene, como lavagem adequada das mãos e evitar contato com fezes de animais, são importantes. ❖ Prognóstico: ➢ Em imunocompetentes, o prognóstico é bom, com recuperação total. ➢ Em imunossuprimidos, o curso da doença pode ser grave e o prognóstico reservado, com alta mortalidade em alguns casos. Trypanosoma cruzi ❖ Etiologia: ➢ O Trypanosoma cruzi é o protozoário responsável pela doença de Chagas, uma infecção que afeta principalmente o coração e o sistema digestivo. ❖ Epidemiologia: ➢ A doença de Chagas é endêmica na América Latina, com maior prevalência em áreas rurais. ➢ A transmissão ocorre principalmente através das fezes infectadas do inseto vetor, o barbeiro (triatomíneos), que contamina a pele ou mucosas após a picada. ➢ Outras formas de transmissão incluem transfusões sanguíneas, transplantes de órgãos, transmissão vertical (congênita) e ingestão de alimentos contaminados. ❖ Fisiopatologia e Patogenia: ➢ O parasita invade as células do sistema reticuloendotelial, coração e intestino, onde se replica como amastigotas. ➢ A fase crônica da doença se caracteriza pela destruição tecidual, levando à miocardiopatia chagásica, megacólon e megaesôfago. ❖ Quadro clínico: ➢ A doença tem duas fases: ▪ Fase aguda: Geralmente assintomática, mas pode apresentar febre, linfadenopatia, hepatoesplenomegalia e sinais locais, como o chagoma de inoculação e o sinal de Romaña (edema periorbitário). ▪ Fase crônica: Manifesta-se anos ou décadas após a infecção inicial, com lesões cardíacas (miocardiopatia dilatada, arritmias), digestivas (megacólon, megaesôfago) e, raramente, neurológicas. ❖ Diagnóstico: ➢ Na fase aguda, o diagnóstico é feito pela visualização direta do parasita em esfregaços de sangue periférico ou gota espessa. ➢ Na fase crônica, a sorologia (ELISA, IFI) e métodos indiretos, como xenodiagnóstico ou hemocultura, são usados. ❖ Diagnóstico diferencial: ➢ Na fase aguda, deve-se considerar febres tropicais, como malária, leishmaniose e febre tifoide. ➢ Na fase crônica, o diagnóstico diferencial inclui outras causas de insuficiência cardíaca, como cardiomiopatias e doenças gastrointestinais. ❖ Tratamento: ➢ Na fase aguda e congênita, o tratamento com benznidazol ou nifurtimox é recomendado. ➢ Na fase crônica, o tratamento antiparasitário tem eficácia limitada, sendo o manejo focado nas complicações cardíacas e digestivas. ❖ Prevenção: ➢ Inclui o controle do vetor, triagem de doadores de sangue e órgãos, e educação sobre a higiene alimentar, especialmente em áreas endêmicas. ❖ Prognóstico: ➢ Na fase aguda, o prognóstico é geralmente bom com tratamento precoce. ➢ Na fase crônica, o prognóstico depende do grau de comprometimento cardíaco e digestivo, com aumento da mortalidade em casos de insuficiência cardíaca. ➢ Trichomonas vaginalis ❖ Etiologia: ➢ Trichomonas vaginalis é um protozoário flagelado que causa a tricomoníase, uma infecção sexualmente transmissível comum. ❖ Epidemiologia: ➢ A transmissão ocorre quase exclusivamente por contato sexual. ➢ A infecção é mais comum em mulheres, embora também infecte homens. ➢ A prevalência é alta em países em desenvolvimento e entre pessoas com múltiplos parceiros sexuais. ❖ Fisiopatologia e Patogenia: ➢ O protozoário adere ao epitélio urogenital e provoca uma resposta inflamatória, principalmente na mucosa vaginal e uretral. ➢ O parasita causa lesões superficiais que resultam em uma secreção purulenta. ❖ Quadro clínico: ➢ Mulheres: Vulvovaginite com corrimento vaginal espumoso, amarelado ou esverdeado, prurido, disúria e dispareunia. ➢ Homens: Geralmente assintomáticos, mas podem apresentar uretrite leve com secreção discreta. ❖ Diagnóstico: ➢ O diagnóstico é feito pela observação direta de trofozoítos móveis em secreção vaginal ou uretral. ➢ Métodos de cultura ou testes de amplificação de ácido nucleico (NAATs) são mais sensíveis. ❖ Diagnóstico diferencial: ➢ Outras causas de vulvovaginite, como candidíase, vaginose bacteriana e outras ISTs. ❖ Tratamento: ➢ O tratamento recomendado é o metronidazol ou tinidazol. ➢ Ambos os parceiros devem ser tratados simultaneamente para evitar a reinfecção. ❖ Prevenção: ➢ O uso de preservativos e práticas sexuais seguras são essenciais para a prevenção. ➢ O diagnóstico e tratamento precoce dos parceiros também são recomendados. ❖ Prognóstico: ➢ Com tratamento, o prognóstico é excelente, com resolução completa da infecção. ➢ No entanto, infecções não tratadas podem aumentar o risco de outras ISTs, incluindo HIV. Toxoplasma gondii ❖ Etiologia: ➢ Toxoplasma gondii é o causador da toxoplasmose, uma doença parasitária que pode afetar diversos órgãos, especialmente em indivíduos imunocomprometidos e durante a gestação. ❖ Epidemiologia: ➢ A toxoplasmose é uma infecção mundialmente distribuída. ➢ A infecção é adquirida principalmente pela ingestão de cistos em carne crua ou malcozida, pela exposição a fezes de gatos contaminadas com oocistos ou pela transmissão vertical da mãe para o feto. ❖ Fisiopatologia e Patogenia: ➢ Após a infecção, o T. gondii pode se disseminar através da corrente sanguínea, infectando múltiplos órgãos, como o cérebro, retina, músculos e fígado. ➢ Em hospedeiros imunocompetentes, a resposta imune controla a infecção e o parasita entra em uma fase latente dentro de cistos. ➢ Em imunocomprometidos, como pacientes com HIV/AIDS, a reativação pode ocorrer, causando lesões graves no sistema nervoso central. ❖ Quadro clínico: ➢ Toxoplasmose adquirida: Geralmente assintomática, mas pode causar sintomas inespecíficos como febre, linfadenopatia, fadiga e dores musculares. ➢ Toxoplasmose congênita: Ainfecção fetal pode resultar em aborto, natimorto ou malformações congênitas graves, como hidrocefalia, calcificações intracranianas e coriorretinite. ➢ Toxoplasmose em imunossuprimidos: Encefalite toxoplásmica é a forma mais grave, com sintomas como cefaleia, febre, convulsões e déficits neurológicos. ❖ Diagnóstico: ➢ A sorologia (IgG e IgM) é amplamente utilizada para diagnóstico. ➢ A PCR pode detectar o DNA do parasita em fluidos corporais, como líquor. ➢ Em casos graves, a biópsia tecidual pode ser necessária para identificar o parasita. ❖ Diagnóstico diferencial: ➢ Infecções virais como mononucleose, infecções por citomegalovírus e doenças neurológicas devem ser consideradas no diagnóstico diferencial. ❖ Tratamento: ➢ A combinação de pirimetamina, sulfadiazina e ácido folínico é o tratamento de escolha. ➢ Para prevenir a transmissão vertical, a espiramicina é recomendada para gestantes infectadas. ❖ Prevenção: ➢ Medidas preventivas incluem evitar o consumo de carne malcozida, higiene adequada ao manusear alimentos, e cuidados especiais com gatos, como evitar a manipulação de suas fezes. ❖ Prognóstico: ➢ Em imunocompetentes, o prognóstico é geralmente bom. ➢ Em imunossuprimidos e gestantes, o prognóstico pode ser reservado devido à gravidade das complicações Plasmodium sp. (Malária) ❖ Etiologia: ➢ O gênero Plasmodium é responsável pela malária, com quatro espécies principais que infectam humanos: P. falciparum, P. vivax, P. ovale e P. malariae. O P. falciparum é o mais letal. ❖ Epidemiologia: ➢ A malária é endêmica em regiões tropicais e subtropicais, especialmente na África subsaariana. ➢ A transmissão ocorre pela picada de mosquitos do gênero Anopheles infectados. ➢ Outras formas de transmissão incluem transfusões sanguíneas, compartilhamento de seringas contaminadas e transmissão vertical. ❖ Fisiopatologia e Patogenia: ➢ Após a picada do mosquito, os esporozoítos invadem as células do fígado, onde se replicam e são liberados na corrente sanguínea como merozoítos. ➢ Esses infectam os eritrócitos, onde se multiplicam e provocam sua ruptura. ➢ Isso causa a liberação cíclica de parasitas e substâncias tóxicas, resultando nos sintomas característicos de febre e calafrios. ❖ Quadro clínico: ➢ P. falciparum: Febres cíclicas, cefaleia, mialgia e anemia hemolítica. Pode evoluir para formas graves, como malária cerebral, insuficiência renal, edema pulmonar e choque. ➢ P. vivax e P. ovale: Apresentam recaídas devido à presença de formas latentes no fígado (hipnozoítos), com febres terçãs (a cada 48 horas). ➢ P. malariae: Caracteriza-se por febre quartã (a cada 72 horas) e pode causar infecções crônicas. ❖ Diagnóstico: ➢ A pesquisa de parasitas no sangue periférico (gota espessa e esfregaço delgado) é o método padrão para o diagnóstico. ➢ Testes rápidos e PCR também podem ser usados. ❖ Diagnóstico diferencial: ➢ Febres tropicais, como dengue, febre tifoide, leptospirose e febre Q, devem ser consideradas no diagnóstico diferencial. ❖ Tratamento: ➢ P. falciparum: O tratamento de primeira linha inclui terapias combinadas à base de artemisinina (ACT). Nos casos graves, artesunato intravenoso é recomendado. ➢ P. vivax e P. ovale: Além da cloroquina (em áreas sem resistência), a primaquina é usada para eliminar os hipnozoítos hepáticos. ➢ P. malariae: Cloroquina é eficaz. ❖ Prevenção: ➢ Uso de mosquiteiros impregnados com inseticida, repelentes, quimioprofilaxia para viajantes, e controle ambiental para reduzir populações de mosquitos vetores. ❖ Prognóstico: ➢ O prognóstico varia conforme a espécie de Plasmodium. P. falciparum pode ser fatal se não tratado, enquanto P. vivax e P. malariae têm um curso mais benigno, mas podem causar recaídas.