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CENTRO DE PÓS-GRADUAÇÃO JK Curso de Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Pessoas Brasília-DF, 8 de abril de 2013. Disciplina: Relações de Trabalho e Legislação Trabalhista Professores: Davi Rodrigues Ribeiro e Luís Henrique Oliveira AULA 5 DIREITO COLETIVO DE TRABALHO · O Direito Coletivo do Trabalho regula as relações inerentes à autonomia privada coletiva, ou seja, relações entre organizações coletivas de empregados e empregadores na dinâmica da representação e atuação coletiva dos trabalhadores. · Estabelece, ainda, as relações entre os representantes da coletividade laboral e o Estado. · Estuda a existência e desenvolvimento das entidades sindicais; negociação coletiva; greve; dissídio coletivo; mediação e arbitragem coletiva. LIBERDADE SINDICAL Princípio da unicidade sindical: o Brasil não é signatário da Con. 87 da OIT que, em síntese, fixa a liberdade sindical em quatro premissas: - liberdade de organização, - liberdade de administração, - liberdade de exercício das funções, e - liberdade de filiação e desfiliação. ORGANIZAÇÃO SINDICAL BRASILEIRA Segundo Renato Saraiva, “sindicato é a associação de pessoas físicas ou jurídicas que exercem atividade profissional ou econômica, para a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria, inclusive em questões judiciais ou administrativas”. Várias são as formas possíveis de organizações sindicais: · sindicato por categoria, por profissão ou por empresa, · centrais sindicais, · federações (nível estadual), · confederações (nível nacional), · comissões de fábrica e representação de trabalhadores, · associações profissionais – (org. sind. Embrionária) · Ordem dos Advogados e Músicos NOÇÃO DE CATEGORIA · Categoria econômica O legislador brasileiro optou pelo modelo de sindicato vinculado à atividade econômica do empregador, independente da função desempenhada pelo empregado. Caso a empresa desenvolva mais de uma atividade, o empregado será enquadrado de acordo com a atividade preponderante lá desenvolvida (CLT, art. 581, § 2º). Ex. Hipermecado com posto de combustível. · Categoria profissional diferenciada Por exceção, temos o conceito de categoria diferenciada, dado pelo art. 511, § 3º da CLT: ”é a que se forma dos empregados que exerçam profissões ou funções diferenciadas por força de estatuto profissional especial ou em consequência de condições de vida singulares”. NEGOCIAÇÃO COLETIVA: ACORDO E CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO · Normas Coletivas (fontes formais do direito) · Poder de auto-regulamentação (o direito não é obra exclusiva do estado) A negociação coletiva parte da premissa do princípio da proteção, eis que, isoladamente, o trabalhador não teria condições de negociar a contento com o empregador. Ex. O TST vem entendendo que a negociação coletiva é necessária quando da ocorrência de despedidas coletivas. O Acordo Coletivo de Trabalho está previsto no parágrafo primeiro do art. 611, da CLT, pelo qual “é facultado aos Sindicatos representativos de categorias profissionais celebrar Acordos Coletivos com uma ou mais empresas da correspondente categoria econômica, que estipulem condições de trabalho, aplicáveis no âmbito da empresa ou das acordantes respectivas relações de trabalho”. Por sua vez, a Convenção Coletiva de Trabalho está prevista no caput do art. 611, da CLT, indicando que “é o acordo de caráter normativo, pelo qual dois ou mais Sindicatos representativos de categorias econômicas e profissionais estipulam condições de trabalho aplicáveis, no âmbito das respectivas representações, às relações individuais de trabalho”. FLEXIBILIZAÇÃO DE DIREITOS TRABALHISTAS O objetivo precípuo da flexibilização é reduzir custos da produção e, em consequência, dotar o empreendimento de melhores condições de competição mercadológica. · Precarização · Não supressão de direitos (previdenciários, processuais, fiscais e ainda medicina e segurança do trabalho, redução salarial e dilação de jornada). Casos em que se admite flexibilização: Súmula 423 do TST: ”TURNO ININTERRUPTO DE REVEZAMENTO. FIXAÇÃO DE JORNADA DE TRABALHO MEDIANTE NEGOCIAÇÃO COLETIVA. VALIDADE. Estabelecida jornada superior a seis horas e limitada a oito horas por meio de regular negociação coletiva, os empregados submetidos a turnos ininterruptos de revezamento não tem direito ao pagamento da 7ª e 8ª horas como extras”. Súmula 85, item I, do TST: “a compensação de jornada de trabalho deve ser ajustada por acordo individual escrito, acordo coletivo ou convenção coletiva”. Orientação Jurisprudencial 251, da SDI-I do TST: “DESCONTOS. FRENTISTA. CHEQUES SEM FUNDOS. É lícito o desconto salarial referente à devolução de cheques sem fundos, quando o frentista não observar as recomendações previstas em instrumento coletivo”. OJ 323 da SDI-I do TST: “ACORDO DE COMPENSAÇÃO DE JORNADA. “SEMANA ESPANHOLA”. VALIDADE. É válido o sistema de compensação de horário quando a jornada adotada é a denominada "semana espanhola", que alterna a prestação de 48 horas em uma semana e 40 horas em outra, não violando os arts. 59, § 2º, da CLT e 7º, XIII, da CF/1988 o seu ajuste mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho”. Casos em que não se admite flexibilização (temas relacionados a segurança e medicina do trabalho): OJ 342 da SDI-I do TST: INTERVALO INTRAJORNADA PARA REPOUCO E ALIMENTAÇÃO. NÃO CONCESSÃO OU REDUÇÃO. PREVISÃO EM NORMA COLETIVA. INVALIDADE. EXCEÇÃO AOS CONDUTORES DE VEÍCULOS RODOVIÁRIOS, EMPREGADOS EM EMPRESAS DE TRANSPORTE COLETIVO URBANO. I - E inválida cláusula de acordo ou convenção coletiva de trabalho contemplando a surpressão ou redução do intervalo intrajornada porque este constitui medida de higiene, saúde e segurança do trabalho, garantido por norma de ordem pública (art. 71 da CLT e art. 7º, XXII, da CF/1998), infenso à negociação coletiva. II - Ante a natureza do serviço e em virtude das condições especiais de trabalho a que são submetidos estritamente os condutores e cobradores de veículos rodoviários, empregados em empresas de transporte público coletivo urbano, é valida cláusula de acordo ou convenção coletiva de trabalho contemplando a redução do intervalo, deste que garantida a redução da jornada para, no mínimo, sete horas diárias ou quarenta e duas semanais, não prorrogada , mantida a mesma remuneração e concedidos intervalos para descanso menores e fracionários ao final de cada viagem, não descontados da jornada. Orientação Jurisprudencial 30 da SDC do TST: “ESTABILIDADE DA GESTANTE. RENÚNCIA OU TRANSAÇÃO DE DIREITOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos do art. 10, II, "a", do ADCT, a proteção à maternidade foi erigida à hierarquia constitucional, pois retirou do âmbito do direito potestativo do empregador a possibilidade de despedir arbitrariamente a empregada em estado gravídico. Portanto, a teor do artigo 9º da CLT, torna-se nula de pleno direito a cláusula que estabelece a possibilidade de renúncia ou transação, pela gestante, das garantias referentes à manutenção do emprego e salário”. image1.jpeg