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EPILEPSIAS 
 
Epilepsia é um estado de predisposição duradoura a crises convulsivas recorrentes, 
sendo convulsão as descargas anormais, excessivas ou sincronizadas de neurônios 
principalmente do córtex cerebral. Um indivíduo é considerado como tendo epilepsia quando 
existe um dos seguintes (WILFONG, 2020): 
● Pelo menos duas convulsões não provocadas (ou reflexas) ocorrendo com mais de 24 
horas de intervalo. Crises reflexas são convulsões evocadas por estímulos externos 
específicos, flashes de luz; ou internos, como emoção, pensamentos. 
● Uma convulsão não provocada (ou reflexa) e uma probabilidade de novas convulsões 
que é semelhante ao risco geral de recorrência após duas convulsões não provocadas 
(por exemplo, ≥ 60%), ocorrendo nos próximos 10 anos. Esse pode ser o caso de 
lesões estruturais remotas, como AVC, infecção do SNC ou certos tipos de lesão 
cerebral traumática. 
● Diagnóstico de uma síndrome de epilepsia. 
A epilepsia é considerada uma doença associada ao distúrbio duradouro da função 
cerebral normal (WILFONG, 2020). Pode surgir de uma variedade de causas genéticas, 
estruturais, metabólicas, imunológicas, infecciosas ou desconhecidas (WILFONG, 2020). 
O esquema de classificação multinível da International League Against Epilepsy 
(ILAE) 2017, classifica crises convulsivas e epiléticas em quatro grupos básicos de acordo 
com os dados clínicos e achados no eletroencefalograma (EEG) (WILFONG, 2020): 
1. Focais (Parciais) 
Limitadas a um hemisfério. Quando associada a percepção prejudicada do indivíduo 
durante o ataque é considerada complexa, quando o paciente está ciente durante a convulsão é 
descrita como “sem prejuízo” e classificada como crise parcial simples. São subdivididas 
ainda com base nos sinais e sintomas clínicos e na localização do EEG (WILFONG, 2020): 
● Convulsões motoras atividade motora focal, às vezes com uma propagação 
anatômica ou marcha de atividade (jacksoniana), movimento versivo (virar os olhos, 
cabeça e / ou tronco), vocalização ou interrupção da fala. 
● Crises sensoriais parestesias, sensação de distorção de uma extremidade, vertigem, 
sensação gustativa, sintomas olfativos, sintomas auditivos e fenômenos visuais, como 
luzes piscando. 
● Convulsões autonômicas podem incluir uma sensação epigástrica de "elevação" 
(uma aura comum com epilepsia do lobo temporal medial), sudorese, piloereção e 
alterações pupilares. 
Ataques focais sem prejuízo da consciência também podem manifestar cortical 
superior, sintomas psíquicos, incluindo disfasia, sentimentos de familiaridade ("déjà vu"), 
distorções do tempo, mudanças afetivas (particularmente medo), ilusões e alucinações 
formadas. Essas crises costumam ser chamadas de auras (WILFONG, 2020). 
Crises focais com comprometimento da consciência, o paciente pode ter uma 
variedade de movimentos repetitivos (automatismos motores), que podem ser movimentos 
buco-bucais (mastigação, deglutição, sucção), fenômenos motores complexos, incluindo 
andar de bicicleta e chutar, balançar os braços e até correr, pular e girar. Essas crises 
envolvem regiões de ambos os hemisférios, explicando assim o comprometimento da 
consciência e a sintomatologia motora mais complexa e frequentemente bilateral (WILFONG, 
2020). 
O que parece ser uma crise generalizada pode resultar de uma crise focal que evoluiu 
rapidamente para uma crise convulsiva bilateral. O início focal pode não ser reconhecido 
clinicamente. As características clínicas da aura convulsiva ou do estado pós-ictal têm maior 
probabilidade de ter valor de localização preciso do que o fenômeno ictal mais dramático. O 
EEG normalmente revela um início focal para a convulsão ou picos localizados entre as 
convulsões (WILFONG, 2020). 
2. Generalizadas 
A consciência pode ser prejudicada e essa deficiência pode ser a manifestação 
inicial. Quando presentes, as manifestações motoras são bilaterais, os padrões de EEG ictais 
são bilaterais desde o início e, presumivelmente, refletem a descarga neuronal que está 
disseminada em ambos os hemisférios (WILFONG, 2020). 
As crises de ausência se manifestam como episódios de comprometimento súbito e 
profundo da consciência, sem perda do tônus corporal. Pacientes com crises não motoras 
generalizadas, como ausências, podem apresentar movimentos mioclônicos de baixa 
amplitude, bem como leve envolvimento tônico dos membros e tronco e automatismos 
motores simples, semelhantes aos observados em crises focais com comprometimento da 
consciência. A maneira preferida de descrever uma crise secundária generalizada é "crise 
focal evoluindo para uma crise tônico-clônica bilateral"(WILFONG, 2020). 
 
3. Desconhecido (Espasmos epiléticos): quando o início não pode ser claramente 
determinado como generalizado ou focal. Por exemplo os espasmos epilépticos, 
incluem espasmos infantis, estes são convulsões que envolvem espasmos dos 
músculos do pescoço, tronco e extremidades. 
4. Não classificado (devido a informações inadequadas) 
 
O tratamento de pacientes com epilepsia concentra-se em três objetivos principais: 
controlar as convulsões, evitar os efeitos colaterais do tratamento e manter ou restaurar a 
qualidade de vida (SCHACHTER, 2020). Geralmente, é apropriado encaminhar o paciente a 
um neurologista ao estabelecer um diagnóstico e formular um curso de tratamento. O 
encaminhamento a um especialista em epilepsia pode ser necessário se houver dúvida sobre o 
diagnóstico e / ou se o paciente continuar tendo convulsões (KARCESKI, 2019). 
Antes de iniciar o tratamento deve-se levar em consideração as comorbidades do 
paciente, pois muitos medicamentos anticonvulsivantes são metabolizados pelo fígado, 
excretados pelos rins ou ambos, além do grande potencial de interação com outras drogas 
(SCHACHTER, 2020). Dessa forma é importante realizar monitoramento laboratorial 
regularmente, alguns altores sugerem até 3 a 6 meses. São indispensáveis: hemograma 
completo, testes de função hepática, nitrogênio ureico no sangue (BUN) e medição dos níveis 
de creatinina e eletrólitos devem ser realizados antes do início da terapia com 
anticonvulsivantes. Os níveis de albumina também devem ser obtidos antes do início do 
tratamento com um dos anticonvulsivantes com alta ligação às proteínas (KARCESKI, 2019). 
O tratamento deve ser iniciado em monoterapia e em geral, a estratégia é ajustar 
gradualmente a dosagem até o máximo tolerado e/ou produzir controle ideal das crises. Para 
pacientes com epilepsia focal prefere-se Lamotrigina e Oxcarbazepina e para pacientes com 
epilepsia generalizada prefere-se Valproato e Lamotrigina (KARCESKI, 2019). 
 
Referências 
 
WILFONG, A. Convulsões e epilepsia em crianças: classificação, etiologia e características clínicas. UpToDate. 
Dezembro de 2020. Disponível em: 
. Acesso em: 06 Jan. 2021. 
 
SCHACHTER, S. Visão geral do tratamento da epilepsia em adultos. UpToDate. Setembro de 2020. Disponível 
em: 
. Acesso em: 06 de Jan. 2021. 
 
KARCESKI, S. Tratamento inicial da epilepsia em adultos. UpToDate. Maio 2019. Disponível em: 
https://www.uptodate.com/contents/initial-treatment-of-epilepsy-in-adults?sectionName=Pharmacokinetics&sear
ch=epilepsia&topicRef=2220&anchor=H1016715034&source=see_link#H1016717833 . Acesso em: 06 Jan. 
2021. 
https://www.uptodate.com/contents/lamotrigine-drug-information?search=epilepsia&topicRef=2212&source=see_link
https://www.uptodate.com/contents/oxcarbazepine-drug-information?search=epilepsia&topicRef=2212&source=see_link
https://www.uptodate.com/contents/valproate-drug-information?search=epilepsia&topicRef=2212&source=see_linkhttps://www.uptodate.com/contents/lamotrigine-drug-information?search=epilepsia&topicRef=2212&source=see_link
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