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Puerpério · Compreende o período de grandes modificações físicas e psíquicas pós-parto dividindo-se em três fases: · Puerpério imediato: após a saída da placenta até o 10º dia após o parto. · Puerpério Tardio: entre o 11º e 40º dias após o parto. · Puerpério Remoto: 41º dias até 60º dias após o parto. · Na primeira fase – imediato- fenômenos catabólicos e involutivos das estruturas que sofreram hipertrofia no período gestacional; · Contração uterina com objetivo de minimizar as perdas sanguíneas: · Próximo a cicatriz umbilical logo após o parto. · Palpado intrapélvico duas semanas após o parto. · Atinge seu tamanho normal na sexta semana do puerpério. · Reflexo uteromamário: a ocitocina liberada pela amamentação contribui para a contração uterina. · Fechamento do colo uterino em uma semana após o parto. · Sangramento uterino após o parto (lóquios): produção e exsudatos associados a produtos de descamação da decídua e sangue. · Lóquia rubra inicialmente(sanguinolento). · Serossanguinolento · Lóquia Alba ao final de duas a três semanas(mucoso). · A presença de lóquios fétidos associado a outros sintomas é um sinal de alerta; · Edema simétrico de MMII podendo ser observado até decimo/decimo segundo dia pós-parto. · Urinário: aumento da excreção urinária; · Taquicardia no puerpério sugere perda sanguínea excessiva, descompensação cardíaca ou infecção. · Tomar cuidado: Débito cardíaco permanece aumentado por até 7 dias pós parto; · Febre no puerpério e o principal sintoma de infecção e constitui sinal de alerta. · Hipertensão arterial grave( PAS> ou igual 160 e/ou PAD> ou igual 110mmHg deve ser encaminhada para maternidade de referência. Principais causas de infecção puerpério: · Cistite; · Pielonefrite; · Infecção da ferida operatória pós-cesariana; · Endometrite(dor a palpação abdominal, útero amolecido e aumentado de volume, colo dilatado e doloroso à mobilização e/ou saída de secreção purulenta pela vagina. · Ingurgitamento mamário; · Mastite(edema, calor, hiperemia, dor, enduração local e/ou abscesso). Ações do Quinto dia (acolhimento da mulher e do RN) · Escuta inicial da puérpera( queixas, dúvidas e estimular perguntas); · Avaliar o cartão da gestante e resumo de alta hospitalar; · Condições da gestação( uso de medicamentos, intercorrências, realização de sorologias, etc); · Condições do parto( Data, via de parto, intercorrências no parto e pós-parto); · Aleitamento Materno, frequência das mamadas, dificuldade na amamentação e condições das mamas; · Características do sangramento vaginal; · Dor abdominal; · Queixas urinárias; · Febre; · Condições psicoemocionais(depressão pós-parto); · Exame físico: · Aferição da PA, ausculta cardíaca e respiratória, sinais vitais; · Palpação abdominal(condições do útero e presença de dor); · Características da ferida operatória; · Presença de edemas; · Exame das mamas(ingurgitamento, sinais inflamatórios e infecciosos); · Exame do períneo e genitália(sinais de infecção, presença e característica do lóquios, episiotomia e laceração); · Avaliação do momento da retirada dos pontos; · Agendamento de nova consulta do período puerperal idealmente com 40 dias pós-parto. Métodos contraceptivos: · DIU de cobre: primeiras 48 horas após o parto ou a partir de 6/8 semanas pós-parto; · Preservativo masculino ou feminino; · AC oral de progesterona(minipílula) ou AC injetável trimestral (Medroxiprogesterona): Utilizado durante a amamentação, iniciado após a sexta semana pós-parto. · AC oral combinado ou AC injetável mensal: Desaconselhável até o sexto mês pós parto, interfere na produção do leite materno. Aleitamento Materno Fisiologia da lactação · Prolactina: Hormônio que estimula a produção e a secreção láctea. · Ocitocina: Hormônio que estimula a expulsão do leite secretado. · Liberados em resposta ao reflexo da sucção do mamilo. Composição do leite materno · O leite materno supre todas as necessidades nutricionais até o sexto mês de vida; · MS recomenda o aleitamento materno EXCLUSIVO até seis meses de vida e complementado até dois anos ou mais; · Necessidades calóricas quanto as hídricas perfeitamente supridas pelo aleitamento materno exclusivo; · Proteínas , carboidratos, gorduras, sais minerais e quase todas vitaminas; · Exceção das vitaminas K e D; · Anemia ferropriva é bem menos comum no aleitamento materno exclusivo; · Quantidade de vitamina K não é adequada (Kanakion); · Vitamina D: estimular a exposição solar e/ou reposição oral( 200 UI/dia); · Colostro: Primeiro leite secretado(primeira semana), amarelado, rico em proteínas, imunoglobulinas IgA, leucócitos, sendo menos calórico, com menos lactose, gordura e vitaminas hidrossolúveis; · Leite de transição: 7 a 15 dias, diminuição progressiva das proteínas e aumento da gordura e lactose; · Leite maduro: Produzido após 15 dias, contem menos proteína e mais lactose, gorduras e vitaminas hidrossolúveis. · Leite anterior: rico em proteínas do soro (lactoalbumina) e lactose. · Leite do meio: rico em caseína. · Leite posterior: rico em gordura. Vantagens do aleitamento materno para o bebê · Fatores de proteção imunológica; · Fatores de crescimento para o epitélio intestinal; · Melhor perfil protéico, lipídico, glicídico e hidroeletrolítico; · Melhor perfil vitamínico; · Maior biodisponibilidade de ferro e cálcio; · Menor risco de infecções, alergias, obesidade na infância, DM tipo I, doenças intestinais, leucemia, linfoma, estresse psicológico, doenças intestinais, etc; · Melhor desenvolvimento cognitivo e acuidade visual. · Reduz o sangramento uterino puerperal; · Prolonga a amenorréia/efeito protetor contraceptivo; · Promove perda de peso no puerpério; · Reduz o risco de CA de mama e ovário; · Reduz o risco de osteoporose pós-menopausa; · Reduz o risco de DM tipo 2. Técnica de aleitamento materno · Deve se iniciado o mais precoce possível; · Bom posicionamento da mãe e bebê; · A nutriz deve posicionar a mão embaixo da mama com o polegar voltado para cima do mamilo e o indicador na parte debaixo formando a letra C. As duas mamas devem ser oferecidas e ao retornar nas próximas mamadas sempre reiniciar pela última mama que foi dada pela criança · Pega: Boca bem aberta abocanhando toda a aréola; lábio inferior evertido, língua em contato com a gengiva inferior e queixo tocando a mama; · Deve ser oferecido em livre demanda; · Deve ser sugado o peito até esvazia-lo completamente, passando em seguida para a outra mama. Começar a próxima mamada pela ultima mama oferecida na vez anterior; Contra-indicações ao aleitamento materno · Infecções maternas( mãe HIV positivo, herpes simples na mama, varicela, HTLV); · Fármacos antineoplásicos e imunossupressores; · Amiodarona; · Casos graves de psicose; · Doença orgânica grave da mãe; · Galactosemia do RN; · Atresia de esôfago.