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Doenç� d� Parkinso� A doença de Parkinson consiste em uma doença neurodegenerativa crônica, progressiva e multissistêmica que atinge a substância negra do mesencéfalo, componente do sistema extrapiramidal. EPIDEMIOLOGIA ● A doença de Parkinson apresenta distribuição universal, acometendo 2 a 3% da população com mais de 65 anos e correspondendo ao segundo tipo de doença neurodegenerativa mais comum (perde apenas para a doença de Alzheimer). ● No Brasil estima-se um total de 200 mil pessoas com doença de Parkinson. ● Quanto à sua distribuição, a doença de Parkinson apresenta discreto predomínio no sexo masculino (3:2), e a média de idade para o início dos sintomas é de 60 anos. ETIOPATOGENIA Noções anatômicas O sistema extrapiramidal atua no controle fino do movimento, sendo responsável pela modulação da função motora, pelo automatismo dos movimentos e pelo tônus muscular. Ele é composto pelo córtex pré-motor frontal (área terciária), tálamo, cerebelo e gânglios da base (putâmen, globo pálido, núcleo subtalâmico, substância negra e núcleo caudado). Os neurônios da substância negra são dopaminérgicos e atuam inibindo os neurônios colinérgicos do corpo estriado (= putâmen + núcleo caudado + globo pálido), através do feixe nigroestriatal. O corpo estriado, por sua vez, atua inibindo o córtex pré-motor, responsável pela execução e planejamento do movimento. Fisiopatologia Degeneração progressiva dos neurônios dopaminérgicos da parte compacta da substância negra → depleção de dopamina à nível do corpo estriado → aumento da atividade do corpo Bruna Larissa → MED 52 UNCISAL estriado e maior produção de acetilcolina → inibição aumentada do córtex pré-motor → síndrome extrapiramidal Observação: Os sintomas motores aparecem apenas quando cerca de 60-70% dos neurônios dopaminérgicos são comprometidos, implicando em um déficit dopaminérgico de 80%. Atenção: Outro ponto importante na fisiopatologia da doença de Parkinson é a formação e deposição de inclusões proteicas intraneuronais compostas sobretudo por alfa-sinucleína (= corpos de Lewy), o que faz com que a DP seja inclusa no grupo das sinucleinopatias, juntamente com a demência por corpos de Lewy e a atrofia sistêmica múltipla. Etiologia A doença de Parkinson é multifatorial, resultando da associação de fatores intrínsecos e extrínsecos. *Observação: Cerca de 10% dos casos de doença de Parkinson apresentam origem genética (herança mendeliana), apresentando início precoce (20 a 50 anos). Quando o início é antes dos 20 anos, o quadro é denominado parkinsonismo juvenil. QUADRO CLÍNICO Do ponto de vista clínico, a doença de Parkinson cursa com manifestações motoras (síndrome parkinsoniana) e não-motoras. a) Síndrome parkinsoniana (= síndrome extrapiramidal do bloqueio de movimento ou síndrome dopaminérgica): ★ Bradicinesia → engloba a lentidão / decréscimo na velocidade e amplitude dos movimentos, dificuldade em iniciar movimentos e perda dos movimentos automáticos, levando a dificuldades nas tarefas diárias, marcha em pequenos passos, fácies apática e alterações na fala. ○ Dificuldades nas tarefas diárias - a bradicinesia da mão dominante resulta em dificuldades para realizar algumas tarefas cotidianas (pentear os cabelos, escovar os dentes, fazer a barba, abotoar roupas, aplicar Bruna Larissa → MED 52 UNCISAL maquiagem, etc). Também é comum a dificuldade de escrever, que se manifesta através de micrografia (= escrita lenta com letras pequenas). A bradicinesia do tronco/corpo, por sua vez, pode implicar em dificuldades para levantar-se de cadeiras e virar-se no leito. Com a agravação da bradicinesia, a lentidão e a dificuldade de executar as atividades da vida diária aumentam: uma refeição normalmente consumida em 20 min pode ser demorar mais de 1h, e a deglutição pode ser prejudicada, havendo risco de engasgos e aspiração. ○ Marcha em pequenos passos - o início da marcha é difícil e o paciente apresenta passos extremamente curtos e rápidos, caminhando enrijecido e sem o movimento natural dos braços e permanecendo com o tronco inclinado para frente. Verifica-se dificuldade de parar a marcha, assim como de virar para os lados, o que se denomina propulsão/retropulsão e lateropulsão, respectivamente. ○ Fácies apática (em máscara) - caracteriza-se por expressividade reduzida (hipomimia), elevação dos supercílios e olhar vago e fixo. ○ Alterações na fala - a fala pode tornar-se suave (hipofonia) e a voz monótona e com pouca inflexão (aprosódia). Alguns pacientes podem apresentar disartria e taquifemia (= dificuldade de separar as sílabas das palavras) Bruna Larissa → MED 52 UNCISAL *Observação: Uma forma de avaliar clinicamente a bradicinesia nos MMSS é o fingertap test: pede-se ao paciente que toque com o indicador o seu dedo polegar da mesma mão repetidas vezes, observando a diminuição velocidade do movimento e redução progressiva de sua amplitude. ★ Tremor de repouso (“de contar moedas” ou “em pronação-supinação”) → é o sintoma inicial em cerca de 70% dos casos da doença de Parkinson, sendo tipicamente assimétrico (podendo ser uni ou bilateral) e lento, manifestando-se no repouso - ou quando há manutenção prolongada de determinada postura - e melhorando ou desaparecendo mediante movimento voluntário. O tremor acomete preferencialmente os membros (sobretudo o polegar e o indicador) e pode atingir o segmento cefálico, gerando mais comumente um “bater de dentes”. *A marcha pode funcionar como uma “manobra de distração” que torna o tremor mais clinicamente evidente. ★ Hipertonia/rigidez plástica → é predominantemente unilateral e evidencia-se através do sinal da roda denteada (= resistência intermitente ao estiramento muscular durante todo o arco do movimento - movimentos espasmódicos e rígidos / em etapas) ou do sinal do cano de chumbo (= resistência uniforme durante todo o arco do movimento). ★ Instabilidade postural → o paciente tende a andar com a cabeça em ligeira flexão, o tronco encurvado para frente e com postura em flexão, o que implica em um deslocamento do centro de gravidade natural do corpo; que somado à bradicinesia e à rigidez, resulta no aumento do risco de quedas. Deve-se destacar que essa alteração costuma ocorrer de forma mais tardia. ○ A abolição dos reflexos posturais pode ser avaliada através do pull-test: estando o paciente em ortostase, o examinador deve posicionar-se atrás do indivíduo e puxá-lo levemente para trás a fim de testar sua rigidez axial. Os portadores de doença de Parkinson costumam dar mais de dois passos para trás para retomar seu equilíbrio. ★ Outras alterações: congelamento (= incapacidade transitória de realizar movimentos ativos, podendo afetar as pernas, pálpebras, fala e escrita e Bruna Larissa → MED 52 UNCISAL apresentando duração de segundos → comumente se manifesta através de uma parada súbita na marcha [freezing gait], que pode ser desencadeado quando o paciente se depara com um obstáculo físico ou visual) e sinal de Myerson (= não-esgotamento do reflexo de piscar após percussão sucessiva da glabela) *Tríade clássica da Doença de Parkinson = tremor + rigidez + bradicinesia *Tétrade clássica da Doença de Parkinson = tremor + rigidez + bradicinesia + instabilidade postural *Atenção: Tremor parkinsoniano x outros tipos de tremores DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL TREMORES Tremor parkinsoniano ● É um tremor de repouso, melhorando com o movimento ● É unilateral ou bilateral assimétrico e predomina nos MMSS, podendo ocasionalmente acometer o segmento cefálico ● Responde bem a drogas dopaminérgicas e anticolinérgicas ● Apresenta história familiar positiva em 5 a 10% dos casos Tremor essencial *É a forma mais comum de tremor, apresentando aumento de sua ● É um tremor fino postural e cinético, melhorando com o repouso ● É bilateral (simétrico ou discretamente assimétrico) e predomina nos MMSS e no segmento cefálico ● Não cursa com outros sintomas motores ● Responde a betabloqueadores (propranolol) e Bruna Larissa → MED 52 UNCISAL prevalência conforme a idade primidona e melhoracom consumo de álcool. Nos casos refratários pode-se recorrer a topiramato e estimulação cerebral profunda. ○ *O tratamento promove melhora em 50 a 60% dos casos, sendo indicado para os pacientes que se queixam de incapacidade/constrangimento ● Apresenta história familiar positiva em 30 a 50% dos casos Tremor fisiológico *Pode estar presente em qualquer pessoa ● É um tremor geralmente postural, tendo relação com fatores emocionais (estresse, ansiedade, fadiga) ● É bilateral e apresenta alta frequência (8 a 12 Hz) ● Não há indicação de tratamento Tremor cerebelar (ou intencional) ● É um tremor que piora ao atingir / aproximar um alvo específico e desaparece no repouso ● Pode ser unilateral (ipsilateral à lesão) ou bilateral b) Alterações não-motoras ★ Hiposmia e outras alterações sensitivas (dor, parestesia, ardência, acatisia, síndrome das pernas inquietas) ★ Disautonomias (constipação, hipotensão postural, sudorese, seborreia, disfunção vesical, disfunção sexual, rinorreia) ★ Distúrbios do humor (depressão, ansiedade, medo, passividade, perda da assertividade, apatia, abulia) ★ Psicose ★ Distúrbios do sono → merece destaque o transtorno comportamental do sono REM (TCSREM), que cursa com perda da atonia durante o sono REM, levando a movimentos involuntários dos membros, constituindo a manifestação não-motora Bruna Larissa → MED 52 UNCISAL mais específica da doença de Parkinson. Outros transtornos do sono possivelmente observados incluem fragmentação do sono, sonolência diurna excessiva e alteração do ciclo de sono-vigília. ★ Demência de Parkinson → se desenvolve cerca de 5 a 10 anos após o início dos sintomas motores parkinsonianos, ocorrendo em até 50% dos pacientes com mais de 10 anos de doença. Caracteriza-se por comprometimento da memória operacional e de fixação e prejuízo das funções executivas, podendo cursar com alterações comportamentais, alucinações e delírios. Esse tipo de demência pode ser tratado com inibidores de colinesterase (donepezila, rivastigmina, galantamina), e, caso necessário, antidepressivos e antipsicóticos (quetiapina, clozapina). *Observação: As manifestações não-motoras da doença de Parkinson podem ser divididas em (1) precoces, que podem surgir antes dos sintomas motores (incluindo hiposmia, depressão, TCSREM e constipação intestinal); e (2) tardias, que surgem nas fases mais avançadas da doença (incluindo hipotensão ortostática, disfunção erétil, incontinência urinária e alterações cognitivas). ESTADIAMENTO CLÍNICO Os sintomas motores da Doença de Parkinson costumam ser inicialmente unilaterais, e à medida em que a doença avança as manifestações tendem a se tornar bilaterais (porém assimétricas), progredindo com a abolição dos reflexos posturais e por fim implicando em incapacidade. O estadiamento clínico de Hoehn-Yahr ilustra essa progressão. Bruna Larissa → MED 52 UNCISAL *A progressão da doença de Parkinson é lenta, e os pacientes mantêm-se independentes por pelo menos 5 anos a partir do início das manifestações motoras. Uma evolução rápida, com manifestações motoras graves após poucos anos do início da doença indica necessidade de avaliar outras possibilidades diagnósticas. INVESTIGAÇÃO DIAGNÓSTICA O diagnóstico da doença de Parkinson é clínico, baseando-se nos seguintes pontos: 1) Caracterização da síndrome parkinsoniana Presença de pelo menos 2 dos 4 sintomas motores cardinais: ● Bradicinesia → critério obrigatório* ● Tremor unilateral, de média frequência (4 a 12 Hz) e predominante no repouso ● Rigidez muscular plástica ● Instabilidade postural (não causada por distúrbios visuais, vestibulares, cerebelares, etc) Observação: Alguns autores (Merritt) consideram necessário a presença de 2 dos 6 sintomas motores principais para o diagnóstico do parkinsonismo: bradicinesia, tremor em repouso, rigidez, postura flexionada, abolição dos reflexos posturais e fenômeno de congelamento, sendo os dois primeiros critérios obrigatórios. *Dentre esses seis sinais motores, os tremores, a bradicinesia e a rigidez ocorrem no estágios iniciais da doença, enquanto que a postura em flexão, a abolição dos reflexos posturais e o congelamento da marcha aparecem nos estágios mais avançados. Quando as manifestações normalmente tardias ocorrem nos primeiros 2 anos do início da doença, deve-se suspeitar de alguma outra causa de parkinsonismo, a exemplo de paralisia supranuclear progressiva e atrofia de múltiplos sistemas. 2) Exclusão de outras formas de parkinsonismo Investigar parkinsonismo secundário e formas atípicas A doença de Parkinson é responsável por 70-80% dos casos de síndrome parkinsoniana. Os demais casos são ocasionados sobretudo por parkinsonismo secundário e parkinsonismo atípico. Bruna Larissa → MED 52 UNCISAL ➔ Parkinsonismo secundário = síndrome parkinsoniana decorrente de uma causa base identificável, apresentando início subagudo/agudo e acometimento bilateral inicial, geralmente havendo predomínio de rigidez e pouco tremor. Pode ser ocasionada por uso de certos fármacos, hidrocefalia de pressão normal, hipóxia, encefalite, neurossífilis, neurocisticercose, trauma, tumor, toxinas (CO, manganês, cianeto, MPTP), infartos múltiplos, hipotireoidismo, hipoparatireoidismo. → avaliar medicações de uso crônico (atuais e prévias) e excluir causas infecciosas, metabólicas, estruturais, tóxicas e vasculares. *Atenção: A causa mais comum de parkinsonismo secundário é o uso de medicamentos, destacando-se os antipsicóticos típicos (haloperidol). Além destes, também merecem destaque os antieméticos (ex: metoclopramida, bromoprida), BCC (ex: flunarizina, cinarizina) e anti-hipertensivos (ex: metildopa). Nesse caso, a retirada da droga causadora geralmente leva à remissão completa dos sintomas; devendo-se destacar, entretanto, que em alguns casos as manifestações podem levar até 2 anos para regredir, podendo-se nessa ocasião considerar o uso de antiparkinsonianos. ➔ Parkinsonismo atípico (ou síndromes Parkinson-plus) = síndrome parkinsoniana decorrente de outras doenças que não a doença de Parkinson, apresentando evolução clínica atípica e cursando com outros sinais e sintomas distintivos da doença de Parkinson Bruna Larissa → MED 52 UNCISAL *A causa mais comum de parkinsonismo atípico é a PSP ❖ Atrofia de múltiplos sistemas - cursa com parkinsonismo associado a um quadro predominantemente disautonômico (síncopes repetidas, disfunção erétil, retenção/incontinência urinária) e/ou cerebelar (disartria, desequilíbrio e dismetria). ❖ Paralisia supranuclear progressiva - cursa com parkinsonismo (sendo neste caso o tremor em repouso raro) associado a manifestações que incluem paralisia do olhar conjugado vertical, alterações na motricidade ocular (oftalmoplegia superior), instabilidade postural, quedas inexplicáveis, disartria e disfagia. Deve-se destacar que em virtude da dificuldade de olhar para baixo, descer escadas torna-se tarefa impossível com o tempo ❖ Demência por corpos de Lewy - caracteriza-se por declínio cognitivo associado a flutuações de vigília e atenção e alucinações visuais. Pode cursar com parkinsonismo, mas os sintomas cognitivos caracteristicamente ocorrem antes (ou até 1 ano depois) dos sintomas motores. ❖ Degeneração corticobasal - cursa com parkinsonismo associado a manifestações que incluem apraxia, mioclonia e síndrome do membro alienígena. ➔ Outras causas de parkinsonismo: doenças heredodegenerativas (ex: neurodegeneração com acumulação cerebral de ferro, doença de Huntington, doença de Wilson, neuroacantocitose) e deficiência de enzimas envolvidas na síntese de dopamina. *Observação: EXAMES COMPLEMENTARES Bruna Larissa → MED 52 UNCISAL O diagnóstico da Doença de Parkinson é fundamentalmente clínico. Entretanto, pensando na exclusão de outras causas, é importante solicitar exames de imagem (RM ou TC de crânio); e quando disponíveis, exames de neuroimagem funcional (PET, SPECT, TC-TRODAT, etc). Na ocasião de Doença de Parkinson, a RM pode evidenciar perda do sinal da cauda da andorinha na região da substância negramesencefálica; e o SPECT pode mostrar redução da captação do radiofármaco na via nigroestriatal. 3) Confirmação clínica com base na evolução típica da doença (pelo menos 3 sinais de suporte positivos) TRATAMENTO O tratamento da doença de Parkinson visa o alívio dos sintomas motores e não-motores e a garantia da funcionalidade pelo maior tempo possível, visto que nenhuma forma de terapia é capaz de conter a progressão da doença. A terapia deve ser individualizada, visto Bruna Larissa → MED 52 UNCISAL que cada paciente apresenta um conjunto singular de sinais e sintomas, resposta aos fármacos e necessidades sociais, ocupacionais e emocionais que devem ser levadas em consideração → Medidas não-farmacológicas ➢ Educação sobre a doença ➢ Estímulo à prática de exercícios físicos ➢ Fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia ➢ Suporte psicoterapêutico e psiquiátrico → Tratamento farmacológico O tratamento farmacológico da doença de Parkinson se baseia no uso de antiparkinsonianos: ANTIPARKINSONIANOS Levodopa (1ª linha) ● Mecanismo de ação: A levodopa é um precursor da dopamina que atua estimulando os receptores dopaminérgicos nos núcleos da base, levando a um maior equilíbrio entre a atividade dopaminérgica e colinérgica. *Observação: A levodopa é formulada em conjunto com um inibidor da descarboxilase (carbidopa ou benserazida), que atua de forma a evitar a metabolização periférica da levodopa - permitindo sua passagem através da BHE - e a diminuir os efeitos adversos da dopamina sobre os receptores periféricos (hipotensão postural, náuseas e vômitos). ● Indicação: É a droga antiparkinsoniana mais eficaz, sendo a primeira escolha para pacientes com sintomas moderados a graves. Deve-se destacar que a ação da levodopa torna-se cada vez menor após os primeiros 3 anos do tratamento (determinando necessidade de doses cada vez mais altas), motivo pelo qual seu uso costuma ser postergado ao máximo. Além disso, é importante ressaltar que os efeitos desse fármaco são menores sobre os tremores parkinsonianos. ● Posologia: iniciar com 100 mg 2 a 4x/dia 30 min antes das refeições [dose máxima de 1,5 a 2 g/dia] ○ Sinemet (100-200 mg levodopa + 25-50 mg carbidopa) ○ Prolopa (100-200 mg levodopa + 25-50 mg benserazida) ● Efeitos adversos: ○ Efeito wearing off = encurtamento do tempo dos efeitos, com reaparecimento dos sintomas em menos de 4h após a última dose ○ Efeito on/off = melhora do estado motor na primeira hora após a tomada do comprimido (on) e piora importante no período restante até a próxima dose (off). Essas flutuações se tornam cada vez mais abruptas e aleatórias em seu horário, Bruna Larissa → MED 52 UNCISAL podendo o período “off” envolver cãibras dolorosas, alterações do humor, ansiedade, distúrbios do pensamento, dor, acatisia e disautonomia. Para melhorar esse efeito, deve-se associar a levodopa à amantadina e/ou anticolinérgicos. ○ Discinesias de pico de dose = movimentos coreicos e distônicos afetando tronco e membros que surgem mediante doses altas de levodopa, manifestando-se de 20 min a 2h após uma dose. ○ Efeitos comportamentais = incluem sonolência, ilusões, paranoia, alucinações, confusão mental, inversão do ciclo sono-vigília, depressão, ansiedade, dor, disforia e acatisia. Pramipexol (agonista dopaminérgico) ● Mecanismo de ação: Age estimulando diretamente receptores dopaminérgicos no corpo estriado do cérebro. ● Indicação: Pode ser utilizado em monoterapia no início da doença (para postergar a introdução da levodopa) ou em combinação com outros antiparkinsonianos em fases mais avançadas. ● Posologia: iniciar com 0,125 mg 3x/dia [dose-alvo de 1,5 mg/dia] ● Efeitos adversos: hipotensão ortostática, anorexia, náuseas, taquicardia, síncope, alucinações, discinesias, transtornos do controle dos impulsos e comprometimento cognitivo. Selegilina (inibidor da MAO-B) ● Mecanismo de ação: Atua inibindo a degradação da dopamina na fenda sináptica por meio da inibição irreversível da monoaminoxidase-B. ● Indicação: É a única droga com efeito neuroprotetor, mas é um antiparkinsoniano fraco. Está indicada nos quadros iniciais com sintomas leves (para postergar a introdução da levodopa). Também pode ser utilizada em associação com a levodopa para diminuir o efeito on/off. ● Posologia: 5 a 10 mg/dia ● Efeitos adversos: Entacapona e tolcapona (inibidores da COMT) ● Mecanismo de ação: Atuam inibindo a catecol-O-metiltransferase, uma das enzimas responsáveis pela metabolização periférica da levodopa. ● Indicação: Podem ser utilizados em associação com a levodopa para diminuir o efeito on/off e/ou as disciensias. ● Posologia: ○ Entacapona = 200 mg 4x/dia (com levodopa) ○ Tolcapona = 100-200 mg 2 a 3x/dia (com levodopa) ● Mecanismo de ação: Age aumentando a liberação de Bruna Larissa → MED 52 UNCISAL Amantadina (bloqueador da recaptação de dopamina) dopamina para a fenda sináptica e exerce ação bloqueadora de receptores N-metil-Daspartato. ● Indicação: Pode ser utilizada para atenuar as discinesias associadas a altas doses de levodopa ou ainda nos casos em que o tremor é uma manifestação muito importante. ● Posologia: 100 mg 2x/dia ● Efeitos adversos: livedo reticular, edema pré-tibial, alucinações. Biperideno e triexifenidil (anticolinérgicos antimuscarínicos) ● Mecanismo de ação: Na Doença de Parkinson, a depleção de dopamina produz um estado de sensibilidade colinérgica, de modo que as drogas anticolinérgicas atuam melhorando o tremor. ● Indicação: Podem ser utilizados em associação com a levodopa nos casos em que o tremor é uma manifestação muito importante, sendo mais indicados nos pacientes mais jovens com função cognitiva preservada. Deve-se usá-los com parcimônia em pacientes muito idosos devido aos efeitos colaterais anticolinérgicos. ● Posologia: ○ Akineton (biperideno) - dose inicial de 1 mg 2x/dia [dose de manutenção de 3 a 16 mg/dia] ○ Artane (triexifenidil) - dose inicial de 2 mg 3x/dia [dose de manutenção de 6 a 15 mg/dia] ● Efeitos adversos: constipação, retenção urinária, xerostomia, xeroftalmia, borramento visual, confusão mental Bruna Larissa → MED 52 UNCISAL Observação: A professora comenta que na prática não existe tanto benefício em postergar o início da levodopa, uma vez que os efeitos wearing-off e on/off aparecem de forma natural com a evolução da doença, devido à depleção progressiva de dopamina. → Tratamento cirúrgico Pode ser indicado na ocasião de complicações motoras de longo prazo (> 5 anos) apesar do uso de terapia antiparkinsoniana otimizada, podendo envolver cirurgias ablativas ou DBS (Estimulação Cerebral Profunda). Essa abordagem, no entanto, não exclui a terapia farmacológica. ABORDAGENS CIRÚRGICAS NA DOENÇA DE PARKINSON Cirurgias ablativas ➔ Palidotomia (= isolamento cirúrgico de parte do globo pálido) - pode ser indicada na ocasião de discinesia unilateral prolongada ➔ Talamotomia (= isolamento cirúrgico de parte do tálamo) - pode ser indicada na ocasião de tremores incapacitantes Estimulação Cerebral Profunda (DBS) ➔ DBS palidal - pode ser indicada na ocasião de distonia e coreia contralaterais Bruna Larissa → MED 52 UNCISAL *Implantação de um dispositivo que emite ondas elétricas ➔ DBS talâmica - pode ser indicada na ocasião de tremores incapacitantes ➔ DBS subtalâmica - pode ser indicada na ocasião de discinesias bilaterais prolongadas PROGNÓSTICO ● Como a Doença de Parkinson é um processo neurodegenerativo, há agravação com o tempo. Depois de cerca de 15 anos com a doença, a maioria dos pacientes tem limitações graves e a taxa de mortalidade é maior em comparação com a população pareada por idade e sexo. ● Apesar da disponibilidade de fármacos eficazes para tratar os sintomas iniciais da doença, os sintomas motores de bradicinesia recorrem e a abolição dos reflexos posturais piora inexoravelmente, limitando a deambulação. Dessa forma, os pacientes tornam-se dependentes de outras pessoas para realizarem as atividades da vida diária e muitos são internados em instituições asilares.● As principais complicações da doença incluem: quedas, fraturas repetidas, disfagia com asfixia e aspiração, imobilidade e úlceras de pressão. Bruna Larissa → MED 52 UNCISAL