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Obrigação de dar
Coisa certa e coisa
incerta
Relembrando...
A obrigação de dar, pelo que consta do atual Código Civil, é
subclassificada em duas modalidades:
a)obrigação de dar coisa certa, também denominada obrigação
específica;
b)obrigação de dar coisa incerta ou obrigação genérica.
“As obrigações de dar, que têm por
objeto prestações de coisas,
consistem na atividade de dar
(transferindo-se a propriedade da
coisa), entregar (transferindo-se a
posse ou a detenção da coisa) ou
restituir (quando o credor recupera
a posse ou a detenção da coisa
entregue ao devedor)”. (GAGLIANO;
PAMPLONA FILHO, 2022)
Obrigação de dar
coisa certa
Obrigação de
dar coisa certa:
A obrigação de dar tem como objeto a
prestação de uma coisa (transferir, entregar
ou devolver).
Na obrigação de dar coisa certa, o devedor
se obriga a dar (entregar ou restituir) coisa
individualizada, pormenorizada.
Exemplo: transferir a propriedade da Moto
Honda CG 150, vermelha, ano/modelo 2021,
placa QWA1C22
Código Civil - Art. 233. A obrigação de dar
coisa certa abrange os acessórios dela
embora não mencionados, salvo se o
contrário resultar do título ou das
circunstâncias do caso.
ATENÇÃO!
Como o que caracteriza a obrigação de dar coisa certa é
o fato de o objeto da prestação ser coisa
individualizada,  não se permite ao devedor modificar o
objeto da prestação de maneira unilateral. Em razão do
princípio da especificidade ou da exatidão o credor não é
obrigado a receber coisa diversa, ainda que mais
valiosa (CC, art. 313).
Obrigação de dar coisa
certa
Em observância ao princípio da gravitação
jurídica, no que se refere à extensão da
obrigação, em regra, o bem acessório segue o
principal (acessorium sequitur principale)
(art. 233, CC). Esse princípio não se aplica às
pertenças, definidas no art. 93 do CC.
Por se tratar de obrigação de cunho pessoal,
não pode o credor buscar a coisa. Não há o
direito à ação reipersecutória, mas pode, em
caso de inadimplemento do devedor, requerer
condenação por perdas e danos, mais juros e
atualização monetária segundo índices
oficiais regularmente estabelecidos, e
honorários de advogado (CC, art. 389).
Obrigação de dar coisa certa – responsabilidade por
perda ou deterioração da coisa:
A responsabilidade pela perda ou deterioração da coisa segue a máxima do
res perit domino, ou seja, a coisa perece para o dono.
Como se determina quem é o dono? Observar o disposto nos arts. 1.245,
1.246 e 1.267 do CC.
Se a coisa se perder sem culpa lato sensu do devedor, antes da tradição ou
pendente condição suspensiva, se resolve a obrigação para ambas as
partes. Naturalmente, caso já tenha havido pagamento, este deverá ser
restituído ao comprador, sob pena de enriquecimento sem causa (CC, art.
234).
Caso a coisa se perca por culpa do devedor, responderá ele pelo
equivalente, além das perdas e danos.
o art. 234 do Código Civil em vigor, havendo obrigação de
dar coisa certa e perdendo-se a coisa sem culpa do
devedor, antes da tradição ou pendente condição
suspensiva, resolvem-se a obrigação e o respectivo
contrato para ambas as partes, sem o pagamento das
perdas e danos. Isso porque a coisa perece para o dono
(res perit domino), conforme consagrado desde o Direito
Romano. Anote-se que a expressão resolver, aqui, significa
que as partes voltam à situação primitiva, anterior à
celebração da obrigação, sem outras consequências
jurídicas.
Os casos em que a culpa é ausente envolvem, por regra, as
ocorrências de caso fortuito (por mim conceituado como aquele
decorrente de evento totalmente imprevisível) e força maior
(evento previsível, mas inevitável). A culpa, para tanto, é
concebida em sentido amplo (lato sensu), englobando o dolo
(intenção de descumprimento) e a culpa em sentido estrito ou
stricto sensu (descumprimento a um dever preexistente por
imprudência, negligência ou imperícia). Interessa também
lembrar o conceito de condição suspensiva, que é o evento
futuro incerto a que fica subordinada a eficácia de um negócio
jurídico, obrigação ou contrato.
 Situações, a pessoa responde pelo caso fortuito e pela
força maior, a saber:
a)Devedor em mora, a não ser que prove ausência total de
culpa ou que a perda da coisa, objeto da obrigação, ocorreria
mesmo não havendo a mora (art. 399 do CC).
b)Havendo previsão no contrato quanto à responsabilização
por tais eventos (art. 393 do CC).
c)Havendo previsão legal quanto à responsabilização por
tais fatos, em casos específicos.
Sob outro prisma, caso haja
culpa em sentido amplo do
devedor (ou culpa lato sensu,
que engloba o dolo, e a culpa
stricto sensu), ele responderá
pelo valor da obrigação, sem
prejuízo das perdas e danos,
que devem ser acrescidas (art.
234 do CC) – resolução +
perdas e danos (emergente e
lucros cessantes).
Obrigação de dar coisa certa:
Na hipótese de deterioração da
coisa, sem culpa do devedor,
poderá o credor resolver a
obrigação, ou aceitar a coisa,
abatido de seu preço o valor que
perdeu (ofensa ao equilíbrio
obrigacional inicial) (CC, art.
235).
Se coisa se deteriorar por culpa
(ou dolo) do devedor, poderá o
credor exigir o equivalente, ou
aceitar a coisa no estado em que
se acha, com direito a reclamar,
em um ou em outro caso,
indenização das perdas e danos
(CC, art. 236).
Observar o disposto no art. 237
do CC:
Art. 237. Até a tradição pertence
ao devedor a coisa, com os seus
melhoramentos e acrescidos,
pelos quais poderá exigir
aumento no preço; se o credor
não anuir, poderá o devedor
resolver a obrigação.
Parágrafo único. Os frutos
percebidos são do devedor,
cabendo ao credor os
pendentes.
Enuncia o art. 235 do CC que, na obrigação específica, se
a coisa estiver deteriorada ou desvalorizada sem culpa do
devedor, o credor terá duas opções:
a)resolver a obrigação, sem o direito a perdas e danos, já
que não houve culpa genérica da outra parte;
b)ficar com a coisa, abatido do preço o valor
correspondente ao perecimento parcial.
o art. 236 do CC as regras previstas para os casos em que há culpa
do devedor na deterioração da coisa, tendo o credor outras duas
opções:
a)exigir o valor equivalente à obrigação, como o preço pago
anteriormente, sem prejuízo das perdas e danos (danos materiais e
morais);
b)aceitar a coisa deteriorada ou desvalorizada, também sem
prejuízo de perdas e danos.
Art. 237 do Código Civil em vigor, até
a tradição pertence ao devedor a
coisa, com os seus melhoramentos e
acrescidos, pelos quais poderá
exigir aumento no preço; se o credor
não anuir, poderá o devedor resolver
a obrigação. Tais melhoramentos
são também denominados cômodos
obrigacionais (DINIZ, Maria Helena.
Código Civil..., 2005, p. 277).
Parágrafo único. Os frutos percebidos são do devedor, cabendo
ao credor os pendentes.
Obrigação de restituir:
Também denominada
obrigação de devolver.
Difere da obrigação de dar: na
obrigação de dar, a coisa
pertence ao devedor até a
tradição ao credor.
Na obrigação de restituir ou
devolver, a coisa é de
propriedade do credor,
todavia, está na posse do
devedor, que tem a obrigação
de restituí-la ao credor.
Ex: Locação de veículos. Código Civil - Art. 240. Se a
coisa restituível se perder
sem culpa do devedor, antes
da tradição, sofrerá o credor a
perda, e a obrigação se
resolverá, ressalvados os seus
direitos até o dia da perda.
Contudo, se a coisa se perder
por culpa do devedor,
responderá este pelo
equivalente, mais perdas e
danos (CC, art. 239).
Na obrigação de restituir coisa certa o devedor tem o
dever de devolver coisa que não lhe pertence. No caso de
perda da coisa sem culpa do devedor e antes da tradição,
aplica-se a remota regra pela qual a coisa perece para o
dono (res perit domino), suportando o credor o prejuízo,
conforme determina o art. 238 do CC. Pelo mesmo
dispositivo, o credor, proprietário da coisa que se perdeu,
poderá pleitear os direitos que já existiam até o dia da
referida perda.
 No caso de um incêndio causado por caso fortuito ou força maior e
que destrói o apartamento, o locador (credor da coisa) não poderá
pleitear umnovo imóvel do locatário (devedor da coisa) que estava
na posse do bem, ou o seu valor correspondente, mas terá direito
aos aluguéis vencidos e não pagos até o evento danoso.
Obviamente, não será possível pleitear os aluguéis do período
compreendido entre o incêndio que destruiu o imóvel locado e a
efetiva entrega das chaves pelo locatário, como decidiu
corretamente o Superior Tribunal de Justiça, em acórdão do ano de
2019 (STJ, REsp 1.707.405/SP, 3.ª Turma, Rel. Min. Ricardo Villas
Bôas Cueva, Rel. p/ Acórdão Min. Moura Ribeiro, j. 07.05.2019, DJe
10.06.2019).
Obrigação de restituir:
Se a coisa a ser restituída se deteriorar sem culpa do devedor, recebê-la-á o credor, tal qual se ache,
sem direito a indenização; se por culpa do devedor, responderá este pelo equivalente, mais perdas e
danos.
No caso de melhoramento da coisa:
Art. 241. Se, no caso do art. 238, sobrevier melhoramento ou acréscimo à coisa, sem despesa ou
trabalho do devedor, lucrará o credor, desobrigado de indenização.
Art. 242. Se para o melhoramento, ou aumento, empregou o devedor trabalho ou dispêndio, o caso se
regulará pelas normas deste Código atinentes às benfeitorias realizadas pelo possuidor de boa-fé ou
de má-fé.
Parágrafo único. Quanto aos frutos percebidos, observar-se-á, do mesmo modo, o disposto neste
Código, acerca do possuidor de boa-fé ou de má-fé.
Para a obrigação de restituir, também há regras específicas para
eventuais deteriorações ou desvalorizações da coisa, previstas no art.
240 do Código Civil, a saber:
a)Havendo deterioração sem culpa do devedor, o credor receberá a
coisa no estado em que se encontrar, sem direito a qualquer
indenização, como ocorre nas hipóteses que envolvem caso fortuito e
força maior.
b)Havendo culpa do devedor, o credor passa a ter o direito de exigir o
valor equivalente à coisa, mais as perdas e danos que o caso
determinar (o comando legal manda aplicar o art. 239).
Tendo em vista a vedação ao enriquecimento sem
causa, o art. 241 do CC prevê que, se sobrevier
melhoramento ou acréscimo à coisa, sem despesa ou
trabalho do devedor, o credor as lucrará, ficando
desobrigado ao pagamento de indenização. Como
exposto, a coisa perece para o dono e, pelos mesmos
fundamentos, lidos em sentido contrário, havendo
melhoramentos, essas vantagens também serão
acrescidas ao patrimônio do proprietário da coisa, no
caso o credor da obrigação.
Havendo justo título na posse do devedor (ius possidendi), o que
induz à presunção da sua boa-fé (art. 1.201, parágrafo único, do
CC), ele terá direito à indenização e à retenção da coisa pelas
benfeitorias necessárias e úteis. No que concerne às
voluptuárias, o devedor poderá levantá-las desde que isso não
gere diminuição do valor da coisa principal e que o sujeito passivo
da obrigação tenha agido de boa-fé. Em caso de má-fé, somente
serão ressarcidas as benfeitorias necessárias, não havendo
qualquer direito de retenção quanto a estas (art. 1.220 do CC).
Em relação às benfeitorias úteis e voluptuárias, havendo má-fé
do devedor, não lhe assistirá qualquer direito.
“Ação de cobrança – Contrato de venda de ponto comercial – Inadimplência – Benfeitorias necessárias –
Retomada de bens imobilizados – Possibilidade – Cláusula contratual expressa – Princípios da autonomia da
vontade e da força obrigatória do contrato. As partes firmaram um contrato de venda de ponto comercial,
inadimplido em parte pela corré. Cabível a compensação do valor gasto com benfeitorias necessárias com o
débito em discussão, de acordo com o disposto nos artigos 242 e 1.219 do Novo Código Civil. Em atenção aos
princípios da autonomia da vontade e da força obrigatória do contrato, considera-se plenamente válida a
cláusula contratual que dispôs acerca da retomada, pelos vendedores, dos bens imobilizados em caso de
inadimplência da compradora. Apelação provida” (TJRS, Acórdão 70026656843, 10.ª Câmara Cível, Porto
Alegre, Rel. Des. Túlio de Oliveira Martins, j. 29.10.2009, DJERS 03.12.2009, p. 71).
 A prometeu a entrega de um cavalo a B,
tendo o último pago o preço. Negando-
se o primeiro a entregar a coisa, caberá
ação de execução de obrigação de dar,
sendo possível a B requerer ao
magistrado a fixação de uma multa diária
(astreintes) a cada dia que a coisa não
for entregue, sem prejuízo dos danos
decorrentes do atraso da entrega do
animal.
Obrigação de
dar coisa
incerta
Obrigação de dar coisa incerta:
Leciona FLÁVIO TARTUCE (2022):
“Também denominada obrigação genérica, a expressão obrigação de dar coisa incerta
indica que a obrigação tem por objeto uma coisa indeterminada, pelo menos
inicialmente, sendo ela somente indicada pelo gênero e pela quantidade, restando uma
indicação posterior quanto à sua qualidade que, em regra, cabe ao devedor. Na
verdade, o objeto obrigacional deve ser reputado determinável, nos moldes do art. 104,
inc. II, do CC.
(...) Assim, coisa incerta não quer dizer qualquer coisa, mas coisa indeterminada, porém
suscetível de determinação futura. A determinação se faz pela escolha, denominada
concentração, que constitui um ato jurídico unilateral.”
CARLOS ROBERTO GONÇALVES preleciona: “Na obrigação de dar coisa INCERTA, ao
contrário, o objeto não é considerado em sua individualidade, mas no gênero a que
pertence... por exemplo: dez sacas de café, sem especificação da qualidade.
Determinou-se, in casu, apenas o gênero e a quantidade, faltando determinar a
QUALIDADE para que a referida obrigação se convole em obrigação de dar coisa certa
e possa ser cumprida (art. 245)”. (2022)
Obrigação de dar coisa
incerta:
A coisa incerta é coisa indeterminada, mas
suscetível de determinação. A determinação se
faz pela escolha, denominada concentração, que
constitui um ato jurídico unilateral.
A quem cabe fazer a escolha? 
Art. 244. Nas coisas determinadas pelo gênero e
pela quantidade, a escolha pertence ao devedor,
se o contrário não resultar do título da
obrigação; mas não poderá dar a coisa pior, nem
será obrigado a prestar a melhor.
Art. 245. Cientificado da escolha o credor,
vigorará o disposto na Seção antecedente.
Art. 246. Antes da escolha, não poderá o devedor
alegar perda ou deterioração da coisa, ainda que
por força maior ou caso fortuito.
A quem cabe a escolha? 
Art. 244. Nas coisas determinadas pelo
gênero e pela quantidade, a escolha
pertence ao devedor, se o contrário não
resultar do título da obrigação; mas não
poderá dar a coisa pior, nem será obrigado a
prestar a melhor.
Art. 245. Cientificado da escolha o credor,
vigorará o disposto na Seção antecedente.
Art. 246. Antes da escolha, não poderá o
devedor alegar perda ou deterioração da
coisa, ainda que por força maior ou caso
fortuito.
Obrigação de dar
dinheiro
Obrigação pecuniária
Ob
rig
aç
ão
 d
e 
da
r
di
nh
ei
ro
:
O Código Civil de 2002 disciplina as obrigações pecuniárias nos
arts. 315 e seguintes.
Segundo Pablo Stolze Gagliano e Rodolfo Pamplona Filho (2022): 
“Uma das inovações positivadas é a constante do art. 317, que dá
poderes ao juiz para corrigir o valor econômico do contrato, se
motivos imprevisíveis, supervenientes, tornarem manifestamente
desproporcional o valor da prestação devida, em cotejo com
aquele pactuado ao tempo da celebração do negócio. Trata-se de
aplicação específica da teoria da imprevisão, apenas para
reconhecer ao juiz poderes para atualizar monetariamente a
prestação contratual, uma vez que as regras genéricas da
imprevisão, autorizadoras da resolução ou da revisão dos termos
da própria avença, encontram-se consignadas nos arts. 478 a 480
do Código Civil de 2002.
Digna de nota também é a previsão do art. 318 do novo diploma
legal, que considera ‘nulas as convenções de pagamento em ouro
ou em moeda estrangeira, bem como para compensar a diferença
entre o valor desta e o da moeda nacional’, ressalvados os casos
previstos em legislação especial, a exemplo dos contratos
internacionais de importação e exportação.”
Obrigação de fazer
Obrigação de
fazer
Obrigação de fazer consiste no ato ou serviço positivo a ser
executado pelo devedor embenefício do credor. A principal
diferença em relação as obrigações de dar é que nas
obrigações de fazer o ato de fazer precede a entrega da coisa
e o interesse recai sobre a pessoa que faz e não sobre o bem.
A prestação do fato poderá ser fungível ou infungível.
Obrigações de fazer fungíveis: são aquelas que podem ser
prestadas por quem quer que seja, não sendo relevante que
seja executada pelo devedor, pois no ato não foram levadas
em conta características pessoais do executor, ou seja, não
são obrigações intuito personae (personalíssimas).
Obrigações infungíveis: são aquelas que não podem ser
executadas por outra pessoa senão aquela que se obrigou,
pois foram consideradas as características pessoais do
devedor para a execução da tarefa, por exemplo, a obrigação
contraída por pintor renomado. Neste tipo de obrigação, a
pessoa que irá executar é relevante, pois se trata de uma
obrigação intuito personae (em razão da
pessoa/personalíssima).
Obrigação de
fazer no
Código Civil:
Art. 247. Incorre na obrigação de indenizar perdas e danos o
devedor que recusar a prestação a ele só imposta, ou só por
ele exequível.
Art. 248. Se a prestação do fato tornar-se impossível sem
culpa do devedor, resolver-se-á a obrigação; se por culpa
dele, responderá por perdas e danos.
Art. 249. Se o fato puder ser executado por terceiro, será
livre ao credor mandá-lo executar à custa do devedor,
havendo recusa ou mora deste, sem prejuízo da indenização
cabível.
Parágrafo único. Em caso de urgência, pode o credor,
independentemente de autorização judicial, executar ou
mandar executar o fato, sendo depois ressarcido.
Obrigação de fazer - descumprimento:
Execução judicial das obrigações de fazer
fungíveis: arts. 814 a 821 do Código de
Processo Civil (CPC) de 2015.
O CPC privilegia que a obrigação de fazer seja
cumprida pelo obrigado na avença entre as
partes (devedor), motivo pelo qual, como forma
de forçá-lo a cumprir a prestação, estabelece
no seu art. 814 que o juiz, na execução fundada
em título extrajudicial, ao despachar a inicial,
fixará multa (astreinte) por período de atraso
no cumprimento da obrigação e a data a partir
da qual será devida (art. 814, CPC).
Obrigação de não
fazer
Obrigação de não fazer:
“A obrigação de não fazer (obligatio ad non faciendum) é a
única obrigação negativa admitida no Direito Privado
Brasileiro, tendo como objeto a abstenção de uma conduta.
Por tal razão, havendo inadimplemento, a regra do art. 390
da codificação material merece aplicação, pela qual “nas
obrigações negativas o devedor é havido por inadimplente
desde o dia em que executou o ato de que se devia abster”. O
que se percebe é que o descumprimento da obrigação
negativa se dá quando o ato é praticado. 
A obrigação de não fazer é quase sempre infungível,
personalíssima (intuitu personae), sendo também
predominantemente indivisível pela sua natureza, nos
termos do art. 258 do Código Civil.” (TARTUCE, 2022)
Pode se estipular qualquer
obrigação de não fazer?
“A despeito de a liberdade negocial imperar
especialmente no Direito das Obrigações, deve
ser observado que não serão consideradas
lícitas as obrigações de não fazer que violem
princípios de ordem pública e vulnerem
garantias fundamentais. Assim, a priori, não se
devem reputar válidas obrigações negativas
como as seguintes: de não casar, de não sair da
cidade, de não transitar por determinadas
ruas, de não trabalhar etc. Todas elas atingem,
em última análise, direitos da personalidade e
não são juridicamente admitidas.” (GAGLIANO;
PAMPLONA FILHO, 2022)
Inadimplemento das
obrigação de não fazer:
O inadimplemento das obrigações de não fazer tem início a partir do dia em
que o devedor executou o ato pela qual comprometeu se abster, de acordo
com o previsto no art. 390 do CC/2002:
“Art. 390. Nas obrigações negativas o devedor é havido por inadimplente
desde o dia em que executou o ato de que se devia abster”.
Além disso, se a prática do ato não advém da culpa do devedor, a obrigação
simplesmente se resolve, retornando ao status quo ante. Neste sentido é o
art. 250 do CC/2002: 
“Art. 250. Extingue-se a obrigação de não fazer, desde que, sem culpa do
devedor, se lhe torne impossível abster-se do ato, que se obrigou a não
praticar”.
No entanto, se a prática do ato ocorreu por culpa do devedor, o credor terá
direito a perdas e danos.
O devedor obrigado fica a devolver o que haja recebido para que o ato não se
realize.
Direito de autotutela: art. 251 do CC.
Súmula nº 410 do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Obrigação de não fazer:
Atividade autodirigida – AAD:
1- Disserte sobre boa-fé objetiva e suas repercussões na relação
obrigacional.

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