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A relevância da escrita como um fator possibilitador do desenvolvimento cognitivo do individuo e da sua inserção social nas sociedades letradas, há muito tem sido identificada e discutida por pesquisadores e educadores. Neste cenário, o papel do ensino da leitura e da escrita destaca – se, já que é na escola que o contato com o sistema de escrita ocorre de forma sistematizada. 
O acesso á escrita é o único meio de alcance da democracia e do poder individual, o qual ele define como “a capacidade de compreender por que as coisas são como são” e que não se confunde com os “poderes” permitidos ou facilitados pelo status social do indivíduo. Desta forma ele diferencia o “Poder “dos “poderes”, dizendo que o primeiro permite ir além do que é evidente, possibilitando a descoberta das relações por detrás das circunstâncias, situações ou coisas, estando, portanto, ligado à transformação; 
Esta concepção de alfabetização rejeitava e rejeita a ideia de que a leitura é uma atividade social e compartilhada, que se desenvolve por meio da própria atividade de leitura e através da participação de pessoas com competências variadas e com subjetividades diversificadas. 
Diferentemente da escrita, as outras mídias são mais prováveis de “aprisionarem” o não – leitor, já que as informações nelas veiculadas refletem uma seleção consciente daqueles leitores que as fazem e as despejam sobre os primeiros. 
De acordo com Solé, as estratégias, assim como os procedimentos, podem ser definidas como um conjunto de ações voltadas para execução de uma meta. Elas tem a função de regular a ação do sujeito, já que lhe permitem avaliar, selecionar, persistir ou mudar determinadas ações em favor de seus objetivos. No entanto, diferentemente dos procedimentos (microestratégias), as estratégias (macroestratégias) possibilitam a generalização de sua aplicação, ao mesmo tempo em que exigem a sua contextualização para que sua aplicação seja efetiva. 
A principal implicação é o reconhecimento do letramento como um fenômeno neutro, natural, singular, autônomo, visível. Neutro no sentido de que pode ser indiferentemente aplicado a qualquer aluno: da região norte/ da região sul, pobre/ rico, da zona urbana/ da rural criança/ jovem adulto etc. Natural, porque resulta de um consenso social que segue a ordem regular das coisas ignorando o diferente o inadequado. Singular, porque está equacionado a uma pratica universalizante cujo interesse é homogeneizar o saber do aluno, conduzindo – o a um único lugar o da cultura letrada, canônica, dominante, sem atender aos interesses e às necessidades comunicativas de grupos específicos. Autônomo, porque ocorre de modo descontextualizado, atribuindo a escrita características intrínsecas, responsáveis pelo desenvolvimento cognitivo. Visível, pelo poder e legitimação que ao letramento canônico (letramento cultural) é atribuído. 
A postulação das noções de ‘ letramento autônomo’ em oposição a ‘letramento ideológico’, sendo entendida a primeira como uma tecnologia neutra e universal, cuja aquisição, por si mesma, produz efeitos sobre o desenvolvimento cognitivo e social, e a segunda como um posicionamento sensível ao caráter sociocultural das praticas de letramento e ás estruturas de poder na sociedade, suscita uma rica discussão sobre a natureza ideológica dos letramentos. 
A fala e a escrita são modalidades de uso da mesma língua, contudo apresentam características próprias. É fundamental você perceber as diferenças entre fala e escrita para entender como esse conhecimento implica no processo de ensino e aprendizagem. 
Se o ambiente é propício e incentivador da leitura e da escrita, o aluno terá mais subsídios para uma alfabetização mais eficiente e para o desenvolvimento do habito e do gosto pela leitura, muitas vezes, somente o ambiente escolar e o trabalho desenvolvido pelos professores não são suficientes para que o aluno desperte seu interesse pela leitura e desenvolva sua habilidade da escrita. 
A tipologia textual tem como base textos com sequencias linguísticas que se apresentam no interior de um gênero textual são a narração, a argumentação, a exposição, a descrição e a injunção, entre outros. Seus fatores determinantes são aspectos de natureza linguística, como a ortografia, a concordância, a regência, a acentuação e a pontuação entre outras. 
No processo de aprendizagem da língua escrita, o trabalho com objetos significativos para o aluno, com certeza, contribuirá muito para o desenvolvimento da alfabetização. Quando o aluno percebe que portadores de textos estão ligados a assuntos do seu cotidiano, seu interesse é estimulado, pois entende que a língua escrita tem significado na sua realidade imediata. 
Para Vygotsky os gestos tem o significado de uma escrita no ar, é uma maneira de simbolizar atos, ações, sentimentos e objetos dentro do imaginário. “ O gesto é o signo visual inicial que contem a futura escrita da criança, assim como uma semente contém um carvalho”. As atividades de dramatização desenvolvidas durante o período pré-escolar são treinamentos para a atividade de escrita, uma vez que os gestos constituem – se em escrita, uma escrita feita no ar e, os signos escritos são simples gestos que foram fixados. 
No processo de alfabetização as etapas que o aluno analfabeto irá ultrapassar para atingir o seu objetivo não diferem de um individuo para outro. 
No início da década de 1960 e meados da década de 1970, a Linguística textual tinha por preocupação central, o estudo de mecanismos interfrásticos. Nesse período, o texto era conceituado como uma “frase complexa”, ou seja, ele seria apenas uma unidade linguística superior à sentença. Foi nesse período que surgiu a necessidade de construção de gramaticas textuais, pois até então, existiam, somente, gramaticas que enfatizavam o estudo exaustivo dos constituintes das frases. 
É devido á preocupação de Van Dijk em elaborar gramaticas que explicassem as “estruturas profundas” do texto, que os aspectos semânticos passam a ser inseridos no estudo da língua, pois até então, apenas as estruturas sintáticas eram estudadas. 
Embora a Linguística Textual tenha agregado os aspectos semânticos aos estudos do texto, os linguistas textuais ainda sentiam a “necessidade de ir além da abordagem sintático – semântica, como já havia sido indiciado por Van Dijk, visto ser o texto a unidade básica de comunicação/ interação humana”. Por isso, a Linguística Textual adota, também, a perspectiva pragmática. 
Logo, na perspectiva pragmática, utilizar a língua significa praticar ações linguísticas como uma atividade social, com o intuito de os indivíduos se comunicarem bem em diversas situações comunicativas. Por isso, na década de 1980, os fatores sintáticos – semânticos passam a incorporar aspectos pragmáticos e contextuais. 
Entretanto, apenas os aspectos sintáticos – semânticos e pragmáticos não conseguiram abarcar, eficientemente, todas as singularidades textuais e, por isso, na década de 1980, surgem novas orientações nos estudos do texto, o que Koch denomina “ A virada cognitivista”. 
Segundo Koch não tardou para que os linguistas questionassem a perspectiva cognitivista, aderindo á perspectiva sociocognitivo – interacionista, segundo a qual, “nossa cognição é o resultado das nossas ações e das nossas capacidades sensório motoras”, então, essas ações não se realizam, somente, na mente dos homens, elas são um conjunto de ações conjuntas praticadas por eles. 
Os parâmetros curriculares nacionais de língua portuguesa propõem a utilização dos gêneros textuais como objeto de ensino para a pratica de leitura, produção e sugerem o lugar do texto oral e escrito como a concretização de um gênero, e, por isso, defendem os gêneros como fortes aliados no processo de ensino – aprendizagem da língua portuguesa. 
Pensando, então, na importância do ensino dos gêneros na sala de aula, Dolz e Schneuwly (2004) formulam um modelo didático que tem por objetivo entender as particularidades de cada gênero baseado em estudos e teorias já desenvolvidos por pesquisadores da área, a fim decompreender a relação entre os gêneros trabalhados na escola e também os gêneros que fora dela funcionam como objeto de referência para o aprendizado do aluno, pois segundo os autores, a sequência didática3 possibilita aos alunos colocar em prática os aspectos da linguagem já internalizados, e aqueles que eles ainda não têm domínio, possibilitando-lhes aprender e compreender melhor o conteúdo trabalhado pelo professor.
Outro componente no ensino da língua materna é o sentido normativo, provavelmente o que todos nos mais lembramos quando pensamos em nossas aulas de língua portuguesa Travaglia chama essa perspectiva de ensino prescritivo, na qual se promove uma variedade da língua como modelo, como norma, suprimindo as demais variedades da língua.

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