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AULA 4 VIABILIDADE ECONÔMICO-FINANCEIRA Prof. Edson Miguel Zedebski 2 TEMA 1 – VALOR PRESENTE LÍQUIDO O Valor Presente Líquido (VPL) é a concentração de todos os fluxos de caixa esperados na data zero, sendo fundamental utilizar a Taxa Mínima de Atratividade (TMA). É uma técnica utilizada para avaliar, em valor presente, todos os fluxos de caixa pertinentes a um determinado projeto de investimento. Calôba (2002) define VPL como sendo a soma algébrica de todos os fluxos de caixa descontados para o instante presente (t=0), com uma determinada taxa de juros. Conforme Brealey (2006, p. 26), “o valor presente líquido é encontrado ao subtrair o investimento necessário.” Se o valor encontrado for maior que zero, é necessário aceitar o projeto de investimento, pois os retornos oferecidos cobrem o capital investido e o retorno mínimo exigido (taxa de atratividade). Além disso, oferecem um ganho líquido extraordinário ao investidor. Caso o resultado seja igual a zero, o projeto de investimento é indiferente, pois o retorno apenas cobrirá o capital investido e o retorno mínimo exigido, não oferecendo qualquer vantagem ou ganho além disso. Entretanto, caso o valor constatado seja menor que zero, o projeto de investimento deve ser rejeitado, pois os retornos oferecidos não são capazes de cobrir o capital investido acrescido do retorno mínimo (taxa de atratividade) exigido. O valor presente líquido é o resultado da somatória do valor presente das parcelas periódicas de lucro econômico (fluxo de caixa líquido) gerado ao longo da vida útil do projeto. O lucro econômico é resultado da receita periódica menos o custo operacional periódico, acrescido do custo de oportunidade do capital. Esses valores são traduzidos à data presente por meio de uma taxa de desconto específica, que já definimos anteriormente como Taxa Mínima de Atratividade (TMA). O valor presente líquido ou o método de avaliação de fluxos de caixa descontados de um projeto de investimento proporciona uma comparação entre o valor de investimento e o valor dos retornos esperados (na forma de fluxo de caixa líquido), com todos os valores considerados no momento atual. TEMA 2 – VALOR PRESENTE LÍQUIDO ANUALIZADO O método do valor presente líquido é uma das técnicas empregadas para a análise de viabilidade econômico-financeira de um projeto, utilizando o 3 fundamento do fluxo de caixa descontado. Ou seja, permite comparar o valor de um investimento no momento t=0 (fluxo de caixa líquido) com todos os fluxos de caixa representados pelos valores dos retornos esperados. As parcelas periódicas obtidas no transcurso da vida útil do projeto são trazidas ao momento presente (t=0) através de uma taxa de custo de oportunidade de capital, ou taxa mínima de atratividade (desconto). Ao efetuar uma somatória do valor das parcelas, confrontando esse valor com o que foi inicialmente investido, chegamos ao valor presente líquido. Em resumo, o Valor Presente Líquido (VPL) é o valor presente dos fluxos de caixa futuros de um projeto descontado o custo de oportunidade do capital. Se for positivo, o projeto cria valor para o acionista; se for negativo, destrói o valor, nos permitindo descobrir se o projeto custa mais do que vale, ou vale mais do que custa. O VPL é considerado por muitos analistas como o método mais recomendado para verificar a viabilidade de um projeto, por reconhecer o valor de dinheiro no tempo e refletir a variação da riqueza dos investidores. Para exemplificar, vamos supor que estamos analisando a viabilidade econômico- financeira de um projeto cuja vida útil é de quatro anos, para o qual será necessário, inicialmente (t=0), um investimento no valor de R$50.000. O valor líquido dos efetivos ingressos de caixa anuais são: R$22.000 no ano 1; R$33.000 no ano 2; R$44.000 no ano 3; e R$50.000 no ano 4. Considerando que o custo de oportunidade do capital é de 12% ao ano, pede-se a apuração do valor presente líquido do projeto. Utilizando a fórmula básica do Valor Presente Líquido, temos: VPL = PMT1 ÷ (1 + i) + PMT2 ÷ (1 + i)2 + PMT3 ÷ (1 + i)3 + PMT4 ÷ (1 + i)4 – Io VPL = 22.000 ÷ 1,12 + 33.000 ÷ (1,12)2 + 44.000 ÷ (1,12)3 + 50.000 ÷ (1,12)4 – 50.000 VPL = 22.000 ÷ 1,12 + 33.000 ÷ 1,2544 + 44.000 ÷ 1,4049 + 50.000 ÷ 1,5735 – 50.000 VPL = 19.643 + 26.307 + 31.319 + 31.776 – 50.000 VPL = 59.045 A seguir, apresentamos o fluxo de caixa do projeto. Tabela 1 – Fluxo de caixa do projeto Ano 0 1 2 3 4 Fluxo -50.000 19.643 26.307 31.319 31.776 4 Acumulado -50.000 -30.357 -4.050 27.269 59.045 No formato de diagrama o fluxo de caixa projetado é representado da seguinte forma: Esse é um caso típico de fluxo de caixa em que os valores envolvidos não são uniformes, e assim o cálculo não poderá ser efetuado na calculadora financeira com a utilização das teclas básicas ([PV], [FV] e [PMT]). Utilizando a calculadora financeira, chegamos à tabela a seguir. Tabela 2 – Teclas, visor e descrição Teclas Visor Descrição do evento 50000 CHS g CFo -50.000,00 Valor do investimento no momento t = zero 22000 g CFj 22.000,00 Valor da primeira parcela de retorno 33000 g CFj 33.000,00 Valor da segunda parcela de retorno 44000 g CFj 44.000,00 Valor da terceira parcela de retorno 50000 g CFj 50.000,00 Valor da quarta parcela de retorno 12 i 12,00 Taxa anual aplicada ao financiamento f NPV 59.045,00 Valor presente líquido do projeto Uma vez que o VPL resultou positivo, significa que o projeto cria valor e vale mais do que custa. Portanto, é viável. 2.1 VPL anualizado O Valor Presente Líquido anualizado (VPLa) corresponde a uma técnica adicional para análise do VPL que nos permite conhecer o valor que se pode obter, em média, por certos períodos de tempo da vida útil do projeto, não apenas considerando o valor obtido no momento t=0. Para calcular o VPLa, utilizamos como parâmetro a estrutura da fórmula dos juros pelo regime de capitalização composta: VPLa = VPL (1 + i)n . i (1 + i)n – 1 19.643 26.307 31.319 31.776 -50.000 1 2 3 4 0 5 Em que: • VPLa = valor presente líquido anualizado; • VPL = valor presente líquido; • n = período de tempo; e • i = taxa de juros Para exemplificar, vamos utilizar o mesmo exemplo empregado na técnica do VPL: admitir que estamos analisando a viabilidade econômico-financeira de um projeto, cuja vida útil é de quatro anos, e para o qual será necessário, inicialmente (t=0), um investimento no valor de R$50.000. O valor líquido dos efetivos ingressos de caixa anuais são: R$22.000 no ano 1; R$33.000 no ano 2; R$44.000 no ano 3; e R$50.000 no ano 4. Considerando que o custo de oportunidade do capital seja de 12% ao ano, pede-se a apuração do valor presente líquido anualizado do projeto. O cálculo do VPLa é efetuado observando etapas que permitem uma melhor compreensão da lógica. Primeira etapa: observar a estrutura do fluxo de caixa. Segunda etapa: calcular o VPL. Como vimos no item anterior, o VPL, nesse caso, resultou em: R$59.045, que é o valor que permite remunerar o capital inicialmente investido a 12% ao ano, gerando ainda um retorno dos R$59.045. Terceira etapa: calcular o VPLa. VPLa = VPL (1 + i)n . i (1 + i)n – 1 VPLa = 59.045 (1 + 0,12i)4 0,12 (1 + 0,12)4 – 1 VPLa = 59.045 (1,5735) 0,12 (1,5735) – 1 22.000 33.000 44.000 50.000 -50.000 1 2 3 4 0 6 VPLa = 59.045 0,1888 0,5735 VPLa = 59.045 x 0,3292 VPLa = 19.438 Não há teclas específicas para o cálculo do VPLa, diretamente na calculadora financeira. Quarta etapa: analisar o resultado. Ao interpretar esse resultado, concluímos que o projeto de investimento geraria um retorno anual de R$19.438, em média. Também por intermédio dessa técnica podemos concluir que o projeto conseguiria proporcionar um retornoacima da taxa de custo de capital. Logo, o projeto também deve ser analisado através da aplicação de outras técnicas. São as seguintes as conclusões das análises do VPLa: se VPLa for maior do que zero, o projeto é viável; porém, se VPLa for menor do que zero, o projeto não é viável. Também no caso da análise de inúmeros projetos, concluímos que, que quanto maior o VPLa, melhor será o projeto. TEMA 3 – PAYBACK SIMPLES Período de payback é um termo utilizado em análise de investimentos para apurar o tempo necessário para que os retornos apresentados nos fluxos de caixa positivos sejam capazes de cobrir os investimentos e os desembolsos realizados no fluxo de caixa. O principal objetivo é saber se o projeto se paga em sua vida útil. Geralmente, é calculado em número de anos e evidencia o tempo entre o momento da ocorrência do investimento (t=0) e o momento em que a soma dos retornos (cumulatividade) é igualada ao valor do investimento, sendo um dos indicadores mais simples para obter uma análise de investimentos, o que representa uma de suas principais vantagens. Existem dois métodos: payback simples e payback descontado. O payback simples considera o número de períodos (anos, meses, semanas etc.) até a recuperação do investimento inicial (devolução do capital investido). Para tanto, basta somar os valores dos retornos identificados nos fluxos de caixa até que a somatória seja igual ao valor investido. A maior desvantagem do payback simples 7 é que não considera o valor do dinheiro no tempo; em outras palavras, não leva em consideração as taxas de custo de capital (ou de atratividade), bem como a inflação verificada no período. O período de payback é recomendável para a análise de projetos que tenham vida útil pré-definida, ou aqueles que estejam sujeitos a variáveis como a inovação, em qualquer uma de suas abordagens. Por conta desse ponto de vista, os investidores irão questionar o período de tempo que irá sustentar a atividade que está sendo analisada, para investigar se os valores gerados nos fluxos de caixa acumulados, até aquele período, serão capazes de retornar integralmente o montante investido. A grande maioria dos gestores das empresas define, com antecedência, um prazo máximo para a reposição de todos os valores investidos em um projeto. A esse prazo, damos o nome de ponto de corte. Ao estabelecer uma comparação do período de payback do projeto com o período de corte definido pela empresa, uma decisão precisa ser tomada, normalmente o aceite dos projetos que evidenciem um período de payback inferior ao ponto de corte. Porém, esse critério apresenta algumas desvantagens. O período de payback ignora todos os fluxos de caixa posteriores ao ponto de corte. Sabemos que o emprego de um mesmo ponto de corte pode induzir os gestores a aceitar projetos com perfil de curto prazo, que não agregam valor e não aumentam a riqueza dos investidores. Para exemplificar o método do payback simples, vamos considerar a análise de viabilidade econômico-financeira de um projeto cuja vida útil é de 4 anos. Será necessário, inicialmente (t=0), um investimento no valor de R$50.000. O valor líquido dos efetivos ingressos de caixa anuais são de: R$22.000 no ano 1; R$33.000 no ano 2; R$44.000 no ano 3; e R$50.000 no ano 4. Considerando que o ponto de corte definido pelos investidores é de 2 anos, calcular e interpretar o período de payback simples do projeto. Tabela 3 – Fluxo de caixa do projeto Ano 0 1 2 3 4 Fluxo -50.000 22.000 33.000 44.000 50.000 Acumulado -50.000 -28.000 5.000 49.000 99.000 8 No formato de diagrama, o fluxo de caixa projetado pode ser representado da seguinte forma: Neste exemplo, o projeto se paga em seu segundo ano de vida útil, atendendo, inclusive, ao ponto de corte definido pelos investidores. Podemos, ainda, definir com maior precisão o momento da ocorrência do retorno do capital. Para tanto, basta somar, ao número do ano imediatamente anterior ao ano da recuperação, o resultado da divisão do montante que faltava retornar naquele ano, pelo retorno verificado no ano da recuperação. Então vejamos: o ano imdediatamente anterior ao ano da recuperação = 1, pois no fluxo de caixa acumulado, ao final do ano 1, o valor ainda estava negativo; montante que faltava retornar naquele ano = 28.000; retorno verificado no ano da recuperação = 33.000, pois no fluxo de caixa acumulado, ao final do ano 2, o valor já estava positivo. Logo: 1 + (28.000 ÷ 33.000) => 1 + 0,85 => 1,85. Definindo com maior precisão: 1 ano + 0,85 x 12 (meses) = 10,2 meses e 0,2 x 30 (dias) = 6 dias, o que equivale a dizer que o retorno do capital inicialmente investido ocorre em 1 ano, 10 meses e 6 dias. Logo, o projeto deverá ser considerado viável sob a ótica do payback simples. TEMA 4 – PAYBACK DESCONTADO O cálculo do período de payback simples é extremamente fácil de se fazer. Além disso, a sua interpretação é completamente lógica. No entanto, ele apresenta uma limitação significativa: não leva em consideração o valor do dinheiro no tempo (VDT). Utilizamos, então, o método do payback descontado para corrigir essa grave limitação, partindo do mesmo pressuposto utilizado no método do payback simples: verificar em que momento os fluxos de caixa acumulados irão devolver o 22.000 33.000 44.000 50.000 -50.000 1 2 3 4 0 9 valor total investido, levando em consideração uma taxa de custo de capital, ou taxa mínima de atratividade (desconto). Os fluxos de caixa são projetados pelo seu valor equivalente no momento presente, descontados de suas datas futuras e remunerados a uma determinada taxa, considerada requisito mínimo pelo investidor. A grande vantagem desse método é que ele leva em consideração valor do dinheiro no tempo, mesmo que parcialmente. Para exemplificar o método do payback descontado, vamos utilizar o mesmo exemplo empregado na técnica do payback simples, porém agora levando em consideração o valor do dinheiro no tempo. Vamos supor que desejamos analisar a viabilidade econômico-financeira de um projeto, cuja vida útil é de 4 anos, para o qual será necessário, inicialmente (t=0), um investimento no valor de R$50.000. O valor líquido dos efetivos ingressos de caixa anuais são: R$22.000 no ano 1; R$33.000 no ano 2; R$44.000 no ano 3; e R$50.000 no ano 4. Considerando que o custo de oportunidade do capital, ou taxa mínima de atratividade, seja de 12% ao ano, pede-se a apuração e a interpretação do valor do período de payback descontado do projeto. Como definimos anteriormente, para a obtenção do período de payback descontado, é necessário calcular o valor presente de cada um dos fluxos de caixa projetados, e em seguida acumulá-los. Posteriormente, identificamos o momento em que ocorre (se ocorrer!) o retorno integral do capital investido. Assim, o primeiro passo é conhecer o valor presente (no momento t=0) de cada um dos fluxos de caixa projetados. Utilizamos a fórmula básica do Valor Presente: VP = PMT1 ÷ (1 + i) + PMT2 ÷ (1 + i)2 + PMT3 ÷ (1 + i)3 + PMT4 ÷ (1 + i)4 VP = 22.000 ÷ 1,12 + 33.000 ÷ (1,12)2 + 44.000 ÷ (1,12)3 + 50.000 ÷ (1,12)4 VP = 22.000 ÷ 1,12 + 33.000 ÷ 1,2544 + 44.000 ÷ 1,4049 + 50.000 ÷ 1,5735 VP = 19.643 + 26.307 + 31.319 + 31.776 VP = 109.045 Tabela 4 – Fluxo de caixa do projeto Ano 0 1 2 3 4 Fluxo -50.000 19.643 26.307 31.319 31.776 Acumulado -50.000 -30.357 -4.050 27.269 59.045 10 No formato de diagrama o fluxo de caixa projetado é assim representado: Nesse exemplo, o projeto se paga apenas no terceiro ano de vida. Porém, apesar de ser pago dentro do seu período de vida útil, não atende ao requisito do ponto de corte definido pelos investidores. Podemos, ainda, definir com maior precisão o momento do retorno de capital. Para tanto, a exemplo do método de payback simples, bastasomar, ao número do ano imediatamente anterior ao ano da recuperação, o resultado da divisão do montante que faltava retornar naquele ano, pelo retorno verificado no ano da recuperação. Então vejamos: ano imediatamente anterior ao ano da recuperação = 2, pois no fluxo de caixa acumulado, ao final do ano 2, o valor ainda estava negativo; montante que faltava retornar naquele ano = 4.050; retorno verificado no ano da recuperação = 31.319, pois no fluxo de caixa acumulado, ao final do ano 3, o valor já estava positivo. Logo: 2 + (4.050 ÷ 31.319) => 2 + 0,13 => 2,13. Definindo com maior precisão: 2 anos + 0,13 x 12 (meses) = 1,56 meses e 0,56 x 30 (dias) = 16,8 dias, o que equivale a dizer que o retorno do capital inicialmente investido ocorre em 2 ano, 1 mês meses e 17 dias. Logo, o projeto deverá ser considerado viável sob a ótica do payback descontado. Para finalizar, considere um projeto com as seguintes características: investimento de R$65.000 no momento t=0; retorno de R$15.000 no momento t=1; retorno de R$20.000 no momento t=2; retorno de R$25.000 no momento t=3; retorno de R$30.000 no momento t=4; inicialmente desconsiderando custo de capital. Tabela 5 – Fluxo de caixa do projeto Ano 0 1 2 3 4 Fluxo -65.000 15.000 20.000 25.000 30.000 19.643 26.307 31.319 31.776 -50.000 1 2 3 4 0 11 Acumulado -65.000 -50.000 -30.000 -5.000 25.000 Nesse caso, pelo método do payback simples, o projeto se paga em seu quarto ano de vida. Ano imdediatamente anterior ao ano da recuperação = 3, pois no fluxo de caixa acumulado, ao final do ano 3, o valor ainda estava negativo; montante que faltava retornar naquele ano = 5.000; retorno verificado no ano da recuperação = 30.000, pois no fluxo de caixa acumulado, ao final do ano 4, o valor já estava positivo. Logo: 3 + (5.000 ÷ 30.000) => 3 + 0,17 => 3,17. Definindo com maior precisão: 3 anos + 0,17 x 12 (meses) = 2,0 meses, o que equivale a dizer que o retorno do capital inicialmente investido ocorre em 3 anos e 2 meses. Logo, o projeto deverá ser considerado viável sob a ótica do payback simples. Vamos, agora, admitir o mesmo exemplo, porém, a um custo de capital de 15% ao ano para utilizar o método do payback descontado: VP = PMT1 ÷ (1 + i) + PMT2 ÷ (1 + i)2 + PMT3 ÷ (1 + i)3 + PMT4 ÷ (1 + i)4 VP = 15.000 ÷ 1,15 + 20.000 ÷ (1,15)2 + 25.000 ÷ (1,15)3 + 30.000 ÷ (1,15)4 VP = 15.000 ÷ 1,15 + 20.000 ÷ 1,3225 + 25.000 ÷ 1,5209 + 30.000 ÷ 1,7490 VP = 13.043 + 15.123 + 16.438 + 17.153 VP = 61.757 Tabela 6 – Fluxo de caixa do projeto Ano 0 1 2 3 4 Fluxo -65.000 13.043 15.123 16.438 17.153 Acumulado -65.000 -51.957 -36.834 -20.396 -3.243 Neste caso, pelo método do payback descontado (15% ao ano), o projeto não se paga no seu período de vida útil. Ano imediatamente anterior ao ano da recuperação = ?, ou seja, indefinido, pois no fluxo de caixa acumulado, ao final do ano 4, o valor ainda estava negativo, faltando retornar naquele ano = 3.243. Logo, seria necessário verificar os retornos que se poderia obter após o quarto ano de vida do projeto. Dessa maneira, o projeto deverá ser considerado inviável sob a ótica do payback descontado. 12 Como podemos observar por meio desse último exemplo, há muitas situações nas quais, aparentemente, um projeto de investimento poderá ser considerado viável do posto de vista do método do payback simples. Porém, ao levar em consideração a taxa de atratividade ou de custo de capital, o mesmo projeto torna-se inviável, ou seja, não se paga dentro do período de vida útil. Assim sendo, custa mais do que vale, destruindo a riqueza dos investidores, por não ser capaz de remunerar o capital nele investido. Saiba mais Para ampliar a compreensão do conteúdo, assista aos vídeos: COMO CALCULAR o Payback Descontado? O que é Payback Descontado? Gabriel Castro Chaves, 25 out. 2019. Disponível em: . Acesso em: 1 abr. 2022. COMO CALCULAR o Payback Simples. Finkey, 4 mar. 2014. Disponível em: . Acesso em: 1 abr. 2022. EXERCÍCIOS SOBRE Payback e Payback Descontado. Davi Riani, 25 fev. 2022. Disponível em: . Acesso em: 1 abr. 2022. TEMA 5 – ESTUDO DE CASO Com o objetivo de estruturar o raciocínio necessário ao bom andamento dos conteúdos disponibilizados, vamos calcular as variáveis solicitadas nas atividades a seguir. Admitir que você está analisando a viabilidade econômico-financeira de um projeto cuja vida útil é de cinco anos, para o qual será necessário, inicialmente (t=0), um investimento no valor de R$180.000. O valor líquido dos efetivos ingressos de caixa anuais são: R$38.000 no ano 1; R$50.000 no ano 2; R$65.000 no ano 3; R$78.000 no ano 4; e R$85.000 no ano 5. Considerando que o custo de oportunidade do capital, ou taxa mínima de atratividade, seja de 15% ao ano, pede-se o cálculo e a interpretação do Valor Presente Líquido, do Valor Presente Líquido anualizado, do período de payback simples e do período de payback descontado do projeto, com uma conclusão sobre viabilidade econômico-financeira do projeto. 13 REFERÊNCIAS BREALEY, R. A.; MYERS, S. C. Investimento de capital e avaliação. Porto Alegre: Bookman, 2006. CALÔBA, G. M. Análise de Investimentos. 1. ed. São Paulo: Atlas, 2002.