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DIFTERIA e-Book 2 DICA! SUMÁRIO: Acesse rapidamente o sumário sempre que quiser ir diretamente para outro capítulo. QR CODE: Aponte a câmera do seu celular para o QR code e clique no link. DICA! SUMÁRIO: Acesse rapidamente o sumário sempre que quiser ir diretamente para outra temática. QR CODE: Aponte a câmera do seu celular para o QR code ou clique no link.Ao longo do seu e-book, você observará o ícone do SUMÁRIO, no canto superior da tela, à direita - basta clicar e ele irá te direcionar ao sumário inicial. No decorrer do e-book você irá observar a presença de um QR Code, o qual, ao apontar a câmera do seu celular, te direcionará para os materiais complementares da Trilha de Conhecimento ou para links da web, que são relevantes para o aprofundamento do tema estudado. Veja como aproveitar ao máximo o seu e-book! 2023. Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde. Esta obra é disponibilizada nos termos da Licença Creative Commons – Atribuição – Não Comercial – Compartilhamento pela mesma licença 4.0 Internacional. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte. A coleção institucional do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde pode ser acessada, na íntegra, na Câmara Brasileira do Livro (CBL) - https://www.cblservicos.org.br Elaboração, distribuição e informações: MINISTÉRIO DA SAÚDE Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente - SVSA SRTV 702, Via W5 Norte Edifício PO 700, 7º andar CEP: 70723-040 – Brasília/DF Tel.: (61) 3315-3777 E-mail: gabnetesvsa@saude.gov.br CONSELHO NACIONAL DE SECRETARIAS MUNICIPAIS DE SAÚDE – Conasems Esplanada dos Ministérios, Bloco G, Anexo B, Sala 144 Zona Cívico-Administrativo, Brasília/DF CEP: 70058-900 Tel.:(61) 3022-8900 Núcleo Pedagógico Conasems Rua Professor Antônio Aleixo, 756 CEP 30180-150 Belo Horizonte/MG Tel: (31) 2534-2640 Diretoria Conasems Presidente Wilames Freire Bezerra Vice Presidente Charles Cézar Tocantins de Souza Cristiane Martins Pantaleão Diretor Financeiro Hisham Mohamad Hamida Secretário Executivo Mauro Guimarães Junqueira Organização: Núcleo Pedagógico do Conasems Supervisão-geral: Rubensmidt Ramos Riani Coordenação Pedagógica Cristina Fatima dos Santos Crespo Valdívia França Marçal Coordenação Educacional Kelly Cristina Santana Coordenação-técnica: Edilson Correa de Moura Luisa Wenceslau Elaboração de texto: Marcelo Henrique Alves Vilela Designers Instrucionais: Pollyanna Lucarelli Jacqueline Cristina Juliana de Almeida Fortunato Lais Soares Pereira German Coordenação de desenvolvimento gráfico: Cristina Perrone Diagramação e projeto gráfico: Aidan Bruno Alexandre Itabayana Caroline Boaventura Bárbara Napoleão Elen Eres Alves Lucas Mendonça Ygor Baeta Lourenço Fotografias e ilustrações: Fototeca do Conasems Imagens: Envato Elements https://elements.envato.com Freepik https://br.freepik.com Revisão linguística: Keylla Manfili Fioravante Assessoria executiva: Conexões Consultoria em Saúde LTDA. Tiragem: 1ª edição – 2023 – versão eletrônica Brasil. Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde Ebook difteria [livro eletrônico] / Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde ; [elaboração de texto Marcelo Henrique Alves Vilela]. -- 1. ed. -- Brasília, DF : CONASEMS, 2023. PDF Vários colaboradores. Bibliografia. ISBN 978-85-63923-30-1 1. Difteria 2. Doenças imunológicas - Prevenção 3. Educação a distância I. Vilela, Marcelo Henrique Alves. II. Título. CDD-614.4 23-167315 NLM-WA-100 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Índices para catálogo sistemático: 1. Epidemiologia : Saúde pública 614.4 Aline Graziele Benitez - Bibliotecária - CRB-1/3129 https://www.cblservicos.org.br Lista de Siglas CRIE | Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais. dT | Difteria, Tétano. DTP | Toxóides da Difteria, Tétano e Antígeno Particulado. dtxR | Detecção do Gene Regulador da Produção de Toxinas. ICC | Insuficiência Cardíaca Congestiva. MIF | Mulheres em Idade Fértil. OMS| Organização Mundial de Saúde. PCR | Reação em Cadeia da Polimerase. PNI | Programa Nacional de Imunizações. SAD | Soro Antidiftérico. SINAN | Sistema de Informação de Agravos de Notificação. SUS | Sistema Único de Saúde. tox | Gene da Toxina da Difteria. Lista de Gráficos, Figuras e Quadros Gráfico 1 | Casos confirmados de Difteria no Brasil – 1997/2022. – pág 16 Figura 1 | Paciente com Difteria Faríngea com membranas em tonsilas e úvulas. – pág 18 Figura 2 | Pescoço Taurino, Linfoadenopatia Cervical da Difteria, em um menino de 13 anos. – pág 19 Figura 3 | Faringoamigdaliana com aspecto necrótico. – pág 21 Figura 4 | Membrana nasal da Difteria, em um menino na idade pré-escolar. – pág 22 Figura 5 | Lesão de pele da Difteria em perna. – pág 24 Quadro 01 | Antibioticoterapia. – pág 33 Quadro 02 | Tratamento das complicações diftéricas. – pág 35 Quadro 03 |Conduta para imunização de comunicantes, de acordo com a situação vacinal. – pág 39 8 11 17 20 25 30 27 Introdução Histórico Inicial da Doença Sintomatologia Formas Clínicas da Difteria Principais Complicações Clínicas Diagnóstico Tratamento Sumário 37Comunicantes 42 55 58 Prevenção Conclusão Bibliografia Sumário BOAS- VINDAS Nele, descreveremos os aspectos históricos, epidemiológicos e clínicos da infecção pela bactéria Corynebacterium Diphtheriae, seu impacto na humanidade e medidas de tratamento e prevenção. Além do e-book, você também terá acesso à Teleaula e à Aula Web para enriquecer seus conhecimentos. Bons estudos! 7 Este é o seu e-book da Difteria. Introdução No Brasil, os Sistemas de Saúde têm estimulado a vacinação contra essa doença, e isso tem contribuído muito para seu controle. Entretanto, a Vigilância em Saúde ainda se faz necessária, pois a Difteria não é uma doença considerada erradicada. A Difteria é uma doença aguda, contagiosa e potencialmente fatal. Pode parecer uma doença em que apenas as crianças são infectadas, mas não é bem assim. Adultos também podem ser contaminados por ela. 9 Os sinais e sintomas da Difteria podem variar de leves a graves, e surgem de forma gradual, dificultando e confundindo o diagnóstico. Por isso, fique atento! Geralmente, os sintomas começam a se manifestar de dois a cinco dias, após a exposição à bactéria. No entanto, uma boa anamnese, em que se investigue a situação vacinal individual e coletiva, somada ao conhecimento do profissional sobre a doença e sobre o cenário atual da vacinação no Brasil, impõe a importância de não negligenciarmos a Difteria, reconhecendo a doença na fase inicial. A princípio, os sintomas iniciam-se com a inflamação da garganta e febre, isso induz o profissional de saúde despreparado a pensar somente em uma infecção viral de vias aéreas superiores ou Amigdalite, que são mais frequentes. Com a queda geral da cobertura vacinal (vacinação) nos últimos anos, a Difteria passou a ter, novamente,grande importância para todos nós. Assim, é importante reconhecer sua manifestação para a determinação de um efetivo tratamento. 10 Histórico Inicial da Doença A Difteria é causada por um Bacilo Toxigênico do gênero Corynebacterium, principalmente as espécies C. Diphtheriae e, mais raramente, por C. Ulcerans. Essas bactérias são Gram-Positivas e apresentam um período de incubação médio de seis dias, podendo se alojar nas amígdalas, faringe, laringe, fossas nasais e, às vezes, em outras mucosas e na pele. Difteria DIPHTHERA “par de fitas em couro” Vamos conhecer a Difteria com mais detalhes! 12 A palavra Difteria vem do grego Diphthera, que literalmente é traduzida como "par de fitas em couro (cabedal)". Uma alusão à pseudomembrana formada sobre a mucosa da faringe e observada no fundo da boca dos enfermos. Esse nome, Difteria, foi escolhido pelo médico higienista e bacteriologista alemão Friedrich Loeffler, em 1855. No entanto, há relatos de casos sugestivos de Difteria descritos por Hipócrates, entre os anos 400 e 300 a.C. Nos séculos XVIII e XIX ocorreram grandes epidemias de Difteria no leste europeu e nos Estados Unidos da América. A taxa de letalidade da doença respiratória clássica chegou a 50%, sendo uma das mais importantes causas de morte em todo o mundo. Nesse cenário, o microbiologista alemão Emil Adolf von Behring iniciou o desenvolvimento da terapia de soro antidiftérico, que foi, posteriormente, aprimorada pelo médico bacteriologista e imunologista francês Pierre Paul Emile Roux, de forma a se obter um tratamento eficaz para a doença. Entretanto, no período, descrito abaixo, a taxa de mortalidade pela doença ainda foi alta: Em sua era pré-vacina, mesmo com a utilização da terapia com Soro-antidiftérico, a doença ainda representava uma das causas mais importantes de morte entre crianças, especialmente, para menores de cinco anos. Aos 15 anos de idade, cerca de 80% dos adolescentes já estavam imunes à doença devido a infecção prévia, na forma aguda ou subclínica. Primeira Guerra Mundial: A taxa de mortalidade por Difteria foi de 15%. Segunda Guerra Mundial: Uma grande epidemia atingiu cerca de um milhão de pessoas, totalizando 50 mil mortes, em 1943. 13 Somente após a introdução da vacina, entre os anos de 1940 e 1950, que se iniciou uma mudança no cenário epidemiológico mundial da Difteria. Entretanto, países em desenvolvimento sofreram epidemias até que o Toxoide Diftérico, em 1980, se tornou acessível. 1973No Brasil, a implementação do Programa Nacional de Imunizações (PNI) aconteceu em 1973 e teve como objetivo imunizar toda população brasileira, a fim de reduzir a incidência das doenças endêmicas. 1973 1994 Em 1994, foi introduzida no PNI a vacina DTP (Toxoides da Difteria, Tétano e Antígeno Particulado Pertussis de células inteiras), que reduziu, significativamente, o número de casos de Difteria no Brasil. 14 A incidência de Difteria após a vacinação diminuiu drasticamente no mundo. Para isso, foi adotada, como série primária de vacinação, a aplicação de três doses aos 2, 4 e 6 meses, reforços aos 12-23 meses, 4-7 anos e 9-15 anos. As doses de reforço são necessárias para a manutenção da imunidade, que fica reduzida ao longo dos anos. As doses primárias são importantes para a redução no quantitativo de casos. 15 15 Fonte: Sinan/ SVS/MS – atualizado em 28/07/2022 (Adaptado). De acordo com os dados do gráfico acima, é possível perceber o impacto positivo da estratégia de vacinação como forma de reduzir o número de casos de Difteria no Brasil. Destaca-se, portanto, a vacinação como importante aliada contra essa e outras doenças. Observe, no Gráfico 1, o número de casos confirmados de Difteria no Brasil, no período de 1997 a 2022. Dados extraídos do Sistema de Informação de Agravos de Notificação- SINAN: 16 Gráfico 1- Casos confirmados de Difteria no Brasil - 1997/2022 Sintomatologia A manifestação clínica típica da Difteria é o surgimento de placas pseudomembranosas branco-acinzentadas, aderentes, localizadas nas amígdalas e que invadem estruturas vizinhas. Essas placas também podem ser encontradas na faringe, na laringe e nas fossas nasais, e, com menor frequência, na conjuntiva, na pele, no conduto auditivo, na vulva, no pênis (pós-circuncisão) e no cordão umbilical. Agora, vamos falar sobre a sintomatologia da Difteria: A dor de garganta, geralmente, é discreta, independentemente da localização ou da quantidade de placas existentes, e o odor fétido, relacionado à necrose do tecido, é bastante característico. Se a doença não for tratada, as placas poderão se estender pelas amígdalas e estruturas subjacentes, como pilares anteriores, úvula, palato mole e retrofaringe. Em alguns casos, as placas podem invadir a traquéia, os brônquios e os bronquíolos. Figura 1 – Paciente com Difteria Faríngea com membranas em tonsilas e úvula. A doença manifesta-se clinicamente por comprometimento do estado geral do paciente, apresentando prostração e palidez. Isso antecede de dois a três dias, com o surgimento das placas amigdalianas, as quais são constituídas por bactérias, fibrinas e células inflamatórias. Fonte: Red Book Atlas of Pediatric Infections Diseases, 2013 (p. 144). 18 Figura 2 – Pescoço Taurino, Linfoadenopatia Cervical da Difteria, em um menino de 13 anos. Dependendo da extensão e da localização da placa pseudomembranosa, pode ocorrer asfixia mecânica aguda no paciente, exigindo imediata intervenção cirúrgica (traqueostomia) para o restabelecimento da via aérea, para evitar a morte. Vejamos, a seguir, algumas formas clínicas da Difteria! Com a progressão da doença, o estado geral do paciente piora tanto pelo comprometimento causado pelas pseudomembranas, quanto pela absorção cada vez maior das toxinas. Nesse quadro, a febre, normalmente, não é muito elevada, variando de 37,5ºC a 38,5°C, embora temperaturas mais altas não afastem o diagnóstico. Casos graves, podem apresentar Edema do Pescoço, com aumento dos gânglios linfáticos, comumente chamado de “Pescoço Taurino”, além de Edema Periganglionar nas cadeias cervicais e submandibulares. 19 Fonte:Red Book Atlas of Pediatric Infections Diseases, 2013 (p. 144). Formas Clínicas da Difteria Faringoamigdaliana É a forma clínica mais comum da Difteria. Inicialmente, é observado um leve aumento de volume das amígdalas e hiperemia de toda a faringe. Em seguida, formam-se pseudomembranas características, aderentes e invasivas, que são constituídas por placas esbranquiçadas ou amarelo-acinzentadas, eventualmente, de cor cinzento-escura ou preta, que com o tempo se tornam espessas e com bordas bem definidas. As placas podem se estender pelas amígdalas, recobrindo-as, e frequentemente, invadem estruturas vizinhas, podendo, assim, serem observadas nos pilares anteriores, na úvula, no palato mole e na retrofaringe, adquirindo aspecto necrótico, como observado na figura abaixo. Fonte: Augusto Bene, [s.d.]. Disponível em: https://augustobene.com/difteria-causa-sintomas-e-tratamento/. Acesso em: 24 abril 2023. Figura 3 – Faringoamigdaliana com aspecto necrótico. O diagnóstico diferencial deve ser feito entre Amigdalite Estreptocócica, Angina Monocítica, Angina de Plaut Vicent e Agranulocitose. 21 https://augustobene.com/difteria-causa-sintomas-e-tratamento/ Difteria Hipertóxica Denominação dada aos casos com maior absorção de toxinas, apresentam uma maior gravidade e um importante comprometimento do estado geral do indivíduo. Pode-se observar, desde o início, a presença de placas de aspecto necrótico, que ultrapassam os limites das amígdalas, comprometendo as estruturas vizinhas, Linfonodomegalia da Cadeia Cervical, e Edema Periganglionar, pouco doloroso à palpação, caracterizando o Pescoço Taurino, como observado na figura 02. Nasal Ocorre, principalmente, em lactentes,e, na maioria das vezes, é concomitante à Difteria Faringoamigdaliana. Observa-se secreção nasal serossanguinolenta, geralmente, unilateral, podendo ser bilateral e provocar lesões nas bordas do nariz e no lábio superior. O diagnóstico diferencial deve ser feito entre a Rinite Estreptocócica, Rinite Sifilítica e corpo estranho nasal. Fonte: Red Book Atlas of Pediatric Infectious Diseases. 2013 (p. 145). Figura 4 – Membrana nasal da Difteria, em um menino na idade pré-escolar. 22 Laríngea É bastante comum no Brasil e, geralmente, a doença inicia-se na região da orofaringe, progredindo até a laringe. Do ponto de vista anatomopatológico, durante a doença a laringe é revestida por exsudatos fibrinosos brancos, e sangrantes ao descolamento. Os sintomas iniciais, além dos que são vistos na Difteria Faringoamigdaliana, são: tosse, rouquidão, disfonia e dificuldade respiratória progressiva, que pode evoluir para Insuficiência Respiratória Aguda. Em casos raros, pode haver comprometimento isolado da laringe, o que dificulta o diagnóstico. Cutânea Apresenta-se como uma úlcera arredondada, com exsudato fibrinopurulento e bordas bem demarcadas. Apesar de profunda, a lesão não alcança o tecido celular subcutâneo. No entanto, devido à pequena absorção da toxina pela pele, a forma cutânea da Difteria pode se tornar subaguda ou crônica, e, raramente, é acompanhada de repercussões cutâneas. Porém, do ponto de vista epidemiológico esse tipo de lesão é de grande importância, pois seu portador constitui-se em reservatório e disseminador do Bacilo Diftérico. 23 O diagnóstico diferencial deve ser feito entre Crupe Viral, Laringite Estridulosa, Epiglotite Aguda e inalação de corpo estranho. O diagnóstico diferencial deve ser feito entre Impetigo, Ectima, Eczema e Úlceras. Outras localizações Raramente, o Bacilo Diftérico pode acometer a vagina (ulcerações e corrimento purulento), o ouvido (processo inflamatório exsudativo do duto auditivo externo) e a conjuntiva ocular (a infecção pode ser inaparente ou manifestar-se sob a forma de conjuntivite aguda, com eventual formação de membrana). Figura 5 - Lesão de pele da Difteria em perna. Red Book Atlas of Pediatric Infections Diseases. 2013 (p. 146). 24 Principais Complicações Clínicas De acordo com o Guia de Vigilância em Saúde (BRASIL, 2021, p. 166), as principais complicações clínicas da Difteria estão relacionadas com: a localização e a extensão da membrana; a quantidade de toxina absorvida; o estado imunitário do paciente; a demora no diagnóstico e o início do tratamento. As principais complicações da Difteria são: Miocardite Neurite Renais 26 Essas complicações clínicas da Difteria estão relacionadas a alguns fatores. Clique aqui para conhecê-las. https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_vigilancia_saude_5ed_rev_atual.pdf Diagnóstico A Difteria é uma doença grave e seu diagnóstico deve ser clínico e laboratorial. Embora os exames laboratoriais sejam imprescindíveis para a confirmação de casos, e para nortear o encerramento das investigações, devido à letalidade da doença, os resultados não devem ser aguardados para o início do tratamento e das medidas de controle. Diagnóstico Laboratorial O Diagnóstico Laboratorial é feito por meio do isolamento e da identificação do C. Diphtheriae mediante cultura de amostras biológicas, coletadas adequadamente, mesmo sem as provas de toxigenicidade. Essa técnica é considerada o padrão-ouro para o diagnóstico da Difteria. No Laboratório de Referência Nacional, Instituto Adolfo Lutz, está disponível o ensaio de Reação em Cadeia da Polimerase (PCR), que permite a detecção do gene regulador da produção de toxinas (dtxR) e do gene da toxina da Difteria (tox). Para a coleta e a remessa de material para exames, utiliza-se um Swab estéril. Deve-se coletar, antes da administração de qualquer terapêutica antimicrobiana, o material das lesões (ulcerações, criptas das amígdalas), exsudatos de orofaringe e de nasofaringe (localizações mais comuns), ou de outras lesões cutâneas, conjuntivas e genitália externa, entre outras. 28 Coleta e remessa de material para exames: O prognóstico varia de acordo com o estado imunitário do paciente, e da precocidade do diagnóstico e início do tratamento. Os fatores associados ao mau prognóstico são: • Tempo da doença sem instituição de tratamento (pior quando acima de três dias). • Presença de Edema Periganglionar. • Presença de manifestações hemorrágicas. • Presença de placas extensas na orofaringe. • Miocardite precoce. • Presença de Insuficiência Renal. As culturas dos materiais da nasofaringe, região oral e de lesão de pele devem ser feitas de forma separada. Não se deve remover a pseudomembrana durante a coleta do material da orofaringe, pois a remoção acelera a absorção da toxina e leva a sangramento. 29 Todos os casos de Difteria devem ser notificados. Clique aqui e veja a Ficha de notificação compulsória ou escaneie o QR Code para fazer download. importante http://www.portalsinan.saude.gov.br/images/documentos/Agravos/Difteria/Difteria_v5.pdf http://www.portalsinan.saude.gov.br/images/documentos/Agravos/Difteria/Difteria_v5.pdf Tratamento Soro Antidiftérico (SAD) A medida terapêutica mais eficaz no tratamento da Difteria é a inativação da toxina circulante, o mais rápido possível, por meio da administração do Soro Antidiftérico (SAD). A aplicação deve ser feita em uma Unidade Hospitalar, e possibilitará a circulação de anticorpos em quantidade suficiente para neutralizar a toxina produzida pelos bacilos. Diante de suspeita clínica bem fundamentada, a administração do SAD deve ser feita o mais precocemente possível, pois ele não possui ação sobre a toxina já impregnada no tecido. O uso de antibiótico deve ser avaliado como medida complementar ao SAD, visando interromper a produção de exotoxina pela destruição dos Bacilos Diftéricos e sua disseminação. O SAD é uma solução contendo Imunoglobulinas purificadas, obtidas a partir de plasma de animais hiperimunizados contra a toxina produzida pelo Corynebacterium Diphtheriae, e, por ser um produto bastante purificado, é rara a possibilidade de causar complicações graves, tais como o Choque Anafilático e a Doença do Soro. Contudo, a sua administração somente deve ser feita em Serviços de Saúde preparados para o tratamento de complicações, ou seja, que possuam equipamentos de emergência e a presença do médico. Quando o serviço não dispuser de tais condições para o atendimento das emergências, o paciente deve ser encaminhado, imediatamente, para outro serviço capaz de garantir a administração segura do soro. O QUE É O SAD? 31 Por isso, antes da indicação do soro, deve-se realizar a anamnese de forma minuciosa, arguindo sobre o histórico do paciente. Essas informações são fundamentais para orientar a decisão sobre administrar o soro, ou encaminhar para outros serviços, tais como: No caso da confirmação de qualquer uma dessas informações, o profissional deve adotar o procedimento indicado para a prevenção da ocorrência de reações anafiláticas, conforme orientação do Manual de Vigilância de Eventos Adversos Pós-Vacinação, disponível na pasta “Material Complementar”. Clique aqui e veja informações sobre a Administração do Soro Antidiftérico (SAD) ou escaneie o QR code para fazer download do material. 1 Se anteriormente o paciente apresentou quadros de hipersensibilidade. 2 Se, em outra oportunidade, o paciente já fez uso de soros de origem equina. 3 Se o paciente mantém contato frequente com animais, principalmente, com equinos, seja por necessidade profissional ou por lazer. 32 https://conasems-ava-prod.s3.sa-east-1.amazonaws.com/ava/aulas/material-complementar-difteria-1689183253.pdf O tratamento com o uso de antibiótico deve ser considerado como medida auxiliar ao Soro Antidiftérico, objetivando interrompera produção de exotoxina pela destruição dos Bacilos Diftéricos e sua disseminação. Para isso, pode-se utilizar Eritromicina ou Penicilina G Cristalina ou Penicilina G Procaína, com a mesma eficácia, durante 14 dias (OMS, 2018), conforme orientação, a seguir: Fármaco Dose Via de administração Eritromicina 40 mg a 50 mg/kg/dia (dose máxima de 2 g/dia). Via oral. Penicilina G Cristalina 100.000 UI a 150.000 UI/kg/dia. Em quatro frações iguais, de 6 em 6 horas, por via endovenosa. Penicilina G Procaína 50.000 UI/kg/dia (dose máxima de 1.200.000 UI/dia). Em duas frações iguais, de 12 em 12 horas, por via intramuscular. Fonte: Adaptado do Guia de Vigilância em Saúde (2021). Antibioticoterapia 33 Quando houver melhora do quadro, a Penicilina G Cristalina pode ser substituída pela Penicilina G Procaína para se completarem os 14 dias de tempo total de tratamento. A Clindamicina constitui uma boa alternativa à Eritromicina e às Penicilinas, na dose de 20 mg a 40 mg/kg/dia, em frações iguais, de 8 em 8 horas, por via endovenosa, durante 14 dias. Para essas orientações, foram considerados somente os medicamentos descritos no Componente Estratégico da Assistência Farmacêutica da Rename (BRASIL, 2020c). Quadro 01 – Antibioticoterapia De forma geral, o tratamento sintomático consiste em repouso no leito, manutenção do equilíbrio hidroeletrolítico (gotejamento endovenoso de Soro Glicofisiológico, com acréscimo de Glicose a 25% ou 50%, para aumentar a oferta calórica), dieta leve, nebulização ou vaporização. De forma cuidadosa, deve-se proceder, com frequência, à aspiração das secreções. Não havendo boa aceitação dos alimentos e dos líquidos por via oral, deve-se administrá-los, preferencialmente, por sonda nasogástrica. Tratamento sintomático De acordo com o Guia de Vigilância em Saúde, produzido pelo Ministério da Saúde, em 2021 (p.170), a observação do paciente com Difteria deve ser contínua, e sempre considerar a possibilidade da ocorrência das complicações diftéricas, citadas no Quadro 2, a seguir: Tratamento das complicações diftéricas 34 35 Quadro 2: Tratamento das complicações diftéricas. Fonte: BRASIL. Ministério da Saúde, 2021 (Adaptado). Disponível em: guia_vigilancia_saude_5ed_rev_atual.pdf. Acesso em: 02 de mai. 2023. * Caso o paciente continue com sinais progressivos de obstrução alta, ou o caso já se apresente ao médico com quadro de Insuficiência Respiratória Alta estabelecida, a traqueostomia deve ser feita sem demora, evitando-se que o paciente venha a apresentar Hipóxia Severa. Insuficiência Respiratória: Traqueostomi a: indicada em caso de agravamento precoce. Instalação de aparelhos de respiração assistida*: indicada quando ocorrer paralisia da musculatura respiratória (diafragma e músculos intercostais). Administração de Dexametasona, em dose inicial de 0,6 mg/kg, seguida por 0,4 mg/kg/dia, por via endovenosa, em frações iguais, de 6 em 6 horas, como medida antiedematosa: indicada em casos leves e moderados de Laringite ou quando houver comprometimento respiratório alto. Miocardite: Repouso absoluto no leito (por 3 semanas); restrição de sódio e uso de cardiotônicos e diuréticos. Realizar eletrocardiograma com frequência. Polineurites: A cura costuma ser espontânea, em tempo variável O paciente deve ser mantido internado e em observação constante. Insuficiência Renal Aguda: Tratamento conservador, diálise peritoneal. https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_vigilancia_saude_5ed_rev_atual.pdf As pessoas com Difteria devem ser mantidas em isolamento respiratório, durante 14 dias, após a introdução da antibioticoterapia apropriada. Qualquer objeto ou substância capaz de absorver, reter e/ou transportar bacilos devem receber cuidados apropriados, segundo as normas de biossegurança. O ideal é suspender as medidas relativas às precauções respiratórias somente quando duas culturas de secreções, obtidas de nasofaringe, em meios específicos, forem negativas para C. Diphtheriae (OMS, 2018). Na Difteria Cutânea, também deve ser realizada, obrigatoriamente, duas culturas de material, colhido das lesões cutâneas, pelo menos, 24 horas depois de completada a antibioticoterapia. Já que a Difteria pode não conferir imunidade e sua reincidência não é incomum, os doentes serão considerados suscetíveis e devem ser vacinados logo após a alta. Falaremos, a seguir, sobre os Comunicantes. Precauções respiratórias 36 Comunicantes Para o controle dos comunicantes, é necessário que a busca seja feita, também, em instituições, em comunidades e em outros locais, que possibilitam o contato com o caso. Todos os comunicantes deverão ser submetidos a exame clínico e ficar sob vigilância, por um período mínimo de sete dias. Se, por motivos operacionais, não for possível coletar material de todos os comunicantes, recomenda-se priorizar os que tenham contato com crianças (professores, atendentes de creche, entre outros), pessoas que apresentem diminuição da imunidade, manipuladores de alimentos, pessoas não vacinadas, inadequadamente vacinadas ou com estado vacinal desconhecido. Comunicantes são os indivíduos que tiveram contato com o caso suspeito de Difteria, sob o risco de adoecimento, quer sejam moradores do mesmo domicílio ou não. 38 A situação vacinal de todos os comunicantes deverá ser verificada, considerando as doses registradas na caderneta de vacinação e, se necessário, iniciar ou atualizar o esquema vacinal com Penta, DTP, ou dT, de acordo com as orientações do Quadro 2, a seguir: História Vacinal Menores de 7 anos 7 anos ou maisO emprego sistemático dessa vacina, com altas coberturas vacinais ao longo do tempo, além de diminuir a incidência de casos clínicos, determina uma importante redução do número de portadores, induzindo a denominada imunidade coletiva. A vacinação normalmente é feita de forma sistemática, com aplicação de rotina do imunobiológico pelos Serviços de Saúde, ou em forma de campanhas de vacinação, ou, ainda, por vacinação seletiva, realizada diante da ocorrência de um caso suspeito da doença. Possui, aproximadamente, 97% de eficácia, pois até mesmo a doença, em geral, não confere imunidade permanente. O Ministério da Saúde, por meio do Guia de Vigilância em Saúde (2021), afirma que a vacinação com o Toxoide Diftérico é a medida de prevenção e controle mais importante da Difteria. 43 Considera-se adequadamente vacinado o indivíduo que: recebeu três doses de vacina DTP (contra Difteria, Tétano e Coqueluche) ou Tetravalente (DTP + Hib), ou Penta (DTP + Hib + Hepatite B) contra Difteria, Tétano, Coqueluche, Infecções Graves causadas pelo Haemophilus Influenzae e Hepatite B. Da mesma forma, quem recebeu a vacina Dupla Infantil (DT) - indicada a partir de 2 meses de vida, com intervalo de, pelo menos, 30 dias entre as doses (o ideal é o intervalo de 2 meses) e com 1º reforço, aplicado no prazo de 6 a 12 meses, após a 3ª dose. Seu 2º reforço deve se dar entre 4 a 6 anos de idade. O reforço com a dT (dupla adulto) deve ser realizado a cada dez anos. Para maiores de 7 anos, está adequadamente imunizado quem recebeu três doses da vacina dT (dupla adulto), com intervalo mínimo de 30 dias entre as doses (o ideal é o intervalo de dois meses), e reforço de dez em dez anos. 44 A vacina adsorvida Difteria, Tétano, Pertussis, Hepatite B (recombinante) e Haemophilus Influenzae b (conjugada) apresenta-se sob a forma líquida, em frascos multidose. Composição: é composta pela combinação de Toxoides purificados de Difteria e Tétano, suspensão celular inativada de Bordetella Pertussis (células inteiras), antígeno de superfície da Hepatite B (recombinante) e oligossacarídeos conjugados de Haemophilus Influenzae b (conjugada). Tem como adjuvante o fosfato de alumínio e como conservante o tiomersal. Contraindicação: a vacina está contraindicada nas situações de ocorrência de hipersensibilidade (reação anafilática), confirmada após a administração de doses anteriores e, também, quando houver história de hipersensibilidade a qualquer componente dos imunobiológicos. Vacina Penta A vacina Penta protege contra a Difteria, o Tétano, a Coqueluche, a Hepatite B e as Infecções causadas pelo Haemophilus Influenzae B. É indicada para a vacinação de crianças menores de 5 anos de idade, como dose do esquema básico. 45 Do mesmo modo, a vacina não deve ser administrada quando a criança apresentar quadro neurológico em atividade ou quando, após dose anterior de vacina com esses componentes, a criança registrar qualquer das seguintes manifestações: Convulsão, nas primeiras 72 horas, após a administração da vacina. Episódio Hipotônico- Hiporresponsivo, nas primeiras 48 horas, após a administração da vacina. Encefalopatia Aguda Grave, depois de sete dias, após a administração de dose anterior da vacina. Usuários a partir de 7 anos de idade. Nessas situações, encaminhe o usuário ao Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE) ou busque orientação nesse estabelecimento sobre as vacinas que devem ser indicadas para o usuário. 46 ➢ Administre a vacina em crianças menores de 2 anos no músculo vasto lateral da coxa e, nos maiores de dois anos, no músculo deltoide. ➢ Evite a administração na região glútea, em razão da maior quantidade de tecido adiposo, situação em que a vacina não é inoculada no interior do músculo. ➢ Adeque a agulha ao ângulo de administração, conforme a massa muscular do usuário a ser vacinado. Esses procedimentos são fundamentais para a prevenção de abscessos frios. Esquema, dose e volume: o esquema corresponde a três doses, administradas aos dois, aos quatro e aos seis meses de idade, com intervalo de 60 dias entre as doses. São necessárias doses de reforço com a vacina adsorvida Difteria, Tétano e Pertussis (DTP), que devem ser administradas aos 15 meses e aos 4 anos de idade. A idade máxima para se administrar as vacinas com o componente Pertussis de células inteiras é de 6 anos, 11 meses e 29 dias. Via de administração: a vacina é administrada por via intramuscular profunda. O volume a ser administrado é de 0,5 mL. 47 Vacina DTP A vacina protege contra a Difteria, o Tétano e a Coqueluche. É indicada para a vacinação de crianças, menores de 7 anos de idade, como dose de reforço do esquema básico da vacina Penta. A vacina adsorvida Difteria, Tétano e Pertussis (DTP ou Tríplice Bacteriana) é apresentada sob a forma líquida, em frasco multidose. Composição: é composta pela combinação de Toxoides purificados de Difteria e Tétano, suspensão celular inativada de Bordetella Pertussis (células inteiras), tendo o hidróxido de alumínio como adjuvante e o timerosal como conservante. Contraindicação: a vacina está contraindicada nas situações de ocorrência de hipersensibilidade (reação anafilática), confirmada após a administração de doses anteriores, e, também, quando houver história de hipersensibilidade a qualquer componente dos imunobiológicos. 48 Conservação: a vacina deve ser conservada entre +2ºC e +8ºC (sendo ideal +5ºC), não podendo ser congelada, pois o congelamento provoca a perda de potência e/ou forma agregados e aumenta o risco de reações. Da mesma forma, a vacina não deve ser administrada quando a criança apresentar quadro neurológico em atividade ou quando, após dose anterior de vacina com esses componentes, a criança registrar qualquer das seguintes manifestações: Nessas situações, encaminhe o usuário ao Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE) ou busque orientação nesse estabelecimento sobre as vacinas que devem ser indicadas para o usuário. Convulsão, nas primeiras 72 horas, após a administração da vacina. Colapso circulatório, com estado de choque ou com episódio Hipotônico- Hiporresponsivo, nas primeiras 48 horas, após a administração da vacina. Encefalopatia Aguda Grave, depois de sete dias, após a administração de dose anterior da vacina. Usuários a partir de 7 anos de idade. Em casos de Encefalopatia está contraindicada qualquer dose subsequente de vacinas com componente Pertussis. O indicado, nesses casos, é a vacina adsorvida Difteria e Tétano Infantil (Dupla Infantil). 49 Esquema, dose e volume: a vacina DTP é indicada para os reforços do esquema básico de vacinação com os componentes Diftérico, Tetânico e Pertussis. O primeiro reforço deve ser administrado aos 15 meses e o segundo, aos 4 anos de idade. A idade máxima para administrar as vacinas com o componente Pertussis de células inteiras é de 6 anos, 11 meses e 29 dias. O volume a ser administrado é de 0,5 mL. ➢ Ao indicar a vacina DTP, considere as doses administradas anteriormente e não reinicie o esquema. ➢ Se o esquema básico não for iniciado ou completado, até a idade de 6 anos, 11 meses e 29 dias, as doses necessárias serão administradas com a vacina adsorvida Difteria e Tétano Adulto (dT). ➢ Em crianças entre 4 e 6 anos, 11 meses e 29 dias de idade sem reforço, administre apenas um reforço. ➢ Nos comunicantes domiciliares e escolares de casos de Difteria ou de Coqueluche, menores de 7 anos de idade, não vacinados, com esquema incompleto ou com situação vacinal desconhecida, atualize o esquema. 50 Via de administração: a vacina é administrada por via intramuscular profunda. Conservação: a vacina deve ser conservada entre +2ºC e +8ºC (sendo ideal +5ºC), não podendo ser congelada, pois o congelamento provoca a perdade potência e/ou forma agregados e aumenta o risco de reações. ➢ Administre a vacina em crianças menores de 2 anos no músculo vasto lateral da coxa e, nos maiores de dois anos, no músculo deltoide. ➢ Evite a administração na região glútea, em razão da maior quantidade de tecido adiposo, situação em que a vacina não é inoculada no interior do músculo. ➢ Adeque a agulha ao ângulo de administração conforme a massa muscular do usuário a ser vacinado. ➢ Esses procedimentos são fundamentais para a prevenção de abscessos frios. 51 Vacina dT (Dupla Adulto) É indicada para prevenir contra o Tétano e a Difteria. A vacinação de mulheres em idade fértil (MIF) (dos 10 aos 49 anos), gestantes e não gestantes é feita, também, para a prevenção contra o Tétano Neonatal. A vacina adsorvida Difteria e Tétano Adulto (dT) é apresentada sob a forma líquida, em frasco unidose ou multidose. Composição: a vacina dT é uma associação dos Toxoides Diftérico e Tetânico, tendo o hidróxido ou o fosfato de alumínio como adjuvante e o timerosal como conservante. Contraindicação: a vacina está contraindicada nas situações de ocorrência de hipersensibilidade (reação anafilática), confirmada após a administração de doses anteriores, e, também, quando houver história de hipersensibilidade a qualquer componente dos imunobiológicos. Esquema, dose e volume: a vacina dT é administrada nos maiores de 7 anos de idade. Para os reforços ou usuários com esquema incompleto ou não vacinados, deve-se seguir as seguintes recomendações: 52 Sem comprovação vacinal: administre três doses. Com esquema incompleto: complete o esquema. Com esquema vacinal completo: administre uma dose a cada 10 anos. O intervalo entre as doses é de 60 dias, com um mínimo de 30 dias. Em todos os casos, após completar o esquema, é necessário administrar uma dose de reforço, a cada 10 anos. Nunca reinicie o esquema. O volume a ser administrado é de 0,5 mL. ➢ Em mulheres grávidas administre a vacina considerando o seu histórico vacinal para Difteria e Tétano. ➢ Em gestante com comprovação vacinal de três doses de vacina com componente tetânico, sendo a última dose feita há mais de 5 anos, administre um reforço. ➢ Essa vacina pode ser administrada a partir da comprovação da gravidez, em qualquer período gestacional. ➢ A última dose (ou reforço) deve ser administrada, pelo menos, 20 dias antes da data provável do parto. ➢ A vacinação da gestante é realizada para a prevenção contra o Tétano no recém-nascido e para a proteção da gestante. 53 Via de administração: a vacina é administrada por via intramuscular profunda. Conservação: a vacina deve ser conservada entre +2ºC e +8ºC (sendo ideal +5ºC), não podendo ser congelada, pois o congelamento provoca a perda de potência e/ou forma agregados e aumenta o risco de reações. ➢ Adeque a agulha ao ângulo de administração, conforme a massa muscular do usuário a ser vacinado. ➢ A vacina deve ser administrada, preferencialmente, na região do deltóide, na face externa superior do braço. Esses procedimentos são fundamentais para a prevenção de abscessos frios. 54 Conclusão A Difteria é uma doença grave, que afeta tanto as crianças como os adultos, podendo levar à morte. Com a queda geral da cobertura vacinal, nos últimos anos, a doença passou a ter, novamente, grande importância para todo Sistema de Saúde brasileiro. O diagnóstico deve ser clínico/laboratorial. Embora os exames laboratoriais sejam imprescindíveis para a confirmação de casos e para nortear o encerramento das investigações, devido à letalidade da doença, os resultados não devem ser aguardados para o início do tratamento e das medidas de controle. A medida terapêutica mais eficaz no tratamento da Difteria é a administração do Soro Antidiftérico (SAD) e, em alguns casos, o uso de antibiótico deve ser avaliado. 5556 57 É importante que as crianças recebam a vacina a partir dos 2 meses de vida, e que os reforços sejam administrados, a cada 6 a 12 meses, até os 4 a 6 anos de idade, bem como a cada dez anos a partir dessa idade. As pessoas que já receberam três doses da vacina DTP (contra Difteria, Tétano e Coqueluche) ou Tetravalente (DTP + Hib) estão adequadamente vacinadas. A melhor forma de prevenir a Difteria é por meio da vacinação, que deve ser realizada de forma rotineira ou em campanhas de vacinação. Da mesma forma, a prevenção pode se dar mediante vacinação seletiva, realizada diante da ocorrência de um caso suspeito da doença. Bibliografia BACKER, C. J. Red Book Atlas of Pediatric Infectious Disease. 3 ed. Norhtwest: American Academy of Pediatrics. 2018. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Articulação Estratégica de Vigilância em Saúde. Guia de Vigilância em Saúde.5. ed. rev. e atual. Brasília: Ministério da Saúde, 2022. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_vigilancia_saude_5ed_rev_atual.pdf. Acesso em: 02 fev. 2023. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Imunizações e Doenças Transmissíveis. Manual de vigilância epidemiológica de eventos adversos pós-vacinação. 4. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2020. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_vigilancia_epidemiologica_event os_vacinacao_4ed.pdf. Acesso em: 02 fev. 2023. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. Manual de Normas e Procedimentos para Vacinação. Brasília: Ministério da Saúde, 2014. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_procedimentos_vacinacao.pdf. Acesso em: 02 fev. 2023. 59 https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_vigilancia_saude_5ed_rev_atual.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_vigilancia_epidemiologica_eventos_vacinacao_4ed.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_vigilancia_epidemiologica_eventos_vacinacao_4ed.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_procedimentos_vacinacao.pdf BUTANTAN, Instituto. Dizeres de texto de bula: soro antidiftérico. SORO ANTIDIFTÉRICO. 2022. Patricia Meneguello S. Carvalho. Disponível em: https://docs.google.com/gview?url=https://uploads.consultaremedios.com.br/drug_le aflet/Bula-Soro-Antidifterico-Instituto-Butantan-Paciente-Consulta-Remedios.pdf?1665 081981&embedded=true. Acesso em: 22 out. 2022. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Diphtheria. Vaccine-Preventable Diseases Surveillance Standards. 5 Sep. 2018. Disponível em: https://www.who.int/immunization/monitoringsurveillance/burden/vpd/standards/en /. Acesso em: 14 nov. 2018. MEDICINANET. Difteria. 2009. Disponível em: https://www.medicinanet.com.br/conteudos/conteudo/2092/difteria.htm. Acesso em: 22 out. 2022. SANTOS, Carla Adriana. Cenário epidemiológico da Difteria na atualidade. 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