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Doença do Refluxo Gastroesofágico Ernesto Afonso de Carvalho Filho Doença do Refluxo Gastroesofágico 1- Definição - Retorno passivo do conteúdo gástrico para o esôfago em condições fisiológicas ou patológicas, podendo atingir órgãos contíguos a ele. - 10% a 20% da população adulta ocidental - Doença crônica mais comum do trato digestório alto Doença do Refluxo Gastroesofágico Doença do Refluxo Gastroesofágico 2 – Classificação A – Erosiva (DRE) – sintomas típicos de refluxo com presença de erosões ou suas complicações na mucosa esofágica B – Não erosiva (DRNE) – sintomas típicos também presentes porém, sem lesões esofágicas ao exame endoscópico ( 50% a 70% dos casos ) Doença do Refluxo Gastroesofágico 3 – Causas - relaxamento transitório inadequado do EEI sem relação com a deglutição ( principal causa ) - hérnia hiatal - aumento da pressão intragástrica ( relaxa o EEI ) - disfunção do EEI ( perda do tônus ) – fármacos, alimentos, bebidas, nicotina. Doença do Refluxo Gastroesofágico •A pressão do EIE tipicamente mantém uma zona de alta pressão que é 15- 30mmHg maior que a pressão intragástrica em repouso. Pressões do EIE abaixo destes valores geram refluxo. •Condições que diminuem a pressão do EIE: •- colecistoquinina, progesterona •- nitratos, bloqueadores de canais de cálcio •- gordura, álcool, tabagismo e cafeína Doença do Refluxo Gastroesofágico 4 - Mecanismos de defesa a – Barreira antirrefluxo -> EEI (esfíncter esofagiano inferior) -> Diafragma crural ( pilares diafragmáticos D e E ) – origem nas vértebras lombares e inserção no tendão central do diafragma b – Clareamento esofágico – gravidade, peristalse, salivação c – resistência da mucosa esofágica d – esvaziamento e pressão intragástricos Mecanismos de defesa Doença do Refluxo Gastroesofágico a – Barreira antirrefluxo -> EEI (esfíncter esofagiano inferior) -> Diafragma crural ( pilares di Doença do Refluxo Gastroesofágico 5 – Fatores de risco - obesidade – aumento da pressão abdominal - dieta rica em gorduras - álcool - tabagismo - medicamentos que diminuem a pressão do EEI – nitratos, anticolinérgicos, antidepressivos tricíclicos, progesterona - intubação nasogástrica - gravidez - stress emocional Doença do Refluxo Gastroesofágico 6 – Quadro clínico I – Sintomas típicos - pirose -> sensação de queimação retroesternal que se irradia do esterno à base do pescoço - regurgitação -> retorno do conteúdo ácido e alimentar para a boca Doença do Refluxo Gastroesofágico II – Sintomas atípicos – são sintomas esofágicos e extra-esofágicos que se relacionam a DRGE A - Sintomas atípicos esofágicos -> dor torácica não cardiogênica – dor retroesternal provocada por distúrbios motores do esôfago com semelhanças com a dor coronariana -> globo faríngeo – sensação de corpo estranho na faringe e laringe Doença do Refluxo Gastroesofágico B – sintomas atípicos extra-esofágicos -> faringite -> sinusite -> otite -> laringite (rouquidão) -> erosão do esmalte dental -> tosse crônica -> asma brônquica -> pneumonia por aspiração de repetição Doença do Refluxo Gastroesofágico 80% dos pacientes tem sintomas leves a moderados 15 a 20% desenvolvem complicações digestivas, sendo mais frequentes nos indivíduos com mais de 65 anos: - hemorragia - estenose esofágica - úlcera esofágica - esôfago de Barrett A intensidade dos sintomas não se correlaciona com o grau de esofagite Doença do Refluxo Gastroesofágico Sinais de alarme - Idade > 40 anos - Disfagia - Odinofagia - Anemia ou hemorragia digestiva - Emagrecimento - Náuseas e vômitos - Falha no tratamento clínico - História familiar de câncer esofágico Doença do Refluxo Gastroesofágico 7 – Diagnóstico A - Anamnese – permite o diagnóstico em bases clínicas na maioria dos casos B - Exame físico – relevante para os casos que apresentam complicações (anemia, emagrecimento) C - Endoscopia (EDA) – permite a identificação das ulcerações e inflamações esofágicas, como também estenoses e hemorragias - Avalia a presença e o grau de esofagite Doença do Refluxo Gastroesofágico - EDA obtém tecido para biópsia com identificação de metaplasia, displasia e carcinoma - Presença de afecções associadas como a hérnia hiatal - Está indicada nos pacientes com complicações como úlcera, estenose ou Barrett e naqueles com sinais de alarme - 70% dos casos de DRGE tem EDA normal, porém com sinais de esofagite na histologia em 40 a 50% deles Doença do Refluxo Gastroesofágico Classificação Endoscópica de Savary-Miller para esofagites Grau I – Erosões isoladas não confluentes Grau II – Erosões isoladas confluentes que não ocupam toda circunferência do esôfago Grau III – Erosões confluentes que ocupam toda circunferência do esôfago Grau IV – Presença de úlceras ou estenose Grau V – Esôfago de Barrett Doença do Refluxo Gastroesofágico Classificação Endoscópica de Savary-Miller para esofagites Grau I – Erosões isoladas não confluentes Grau II – Erosões isoladas confluentes que não ocupam toda circunferência do esôfago Grau III – Erosões confluentes que ocupam toda circunferência do esôfago Grau IV – Presença de úlceras ou estenose Grau V – Esôfago de Barrett Doença do Refluxo Gastroesofágico Classificação de Los Angeles GRAU A - uma (ou mais) solução de continuidade da mucosa confinada às pregas mucosas, não maiores que 5 mm cada GRAU B - pelo menos uma solução de continuidade da mucosa com mais de 5 mm de comprimento, confinada às pregas mucosas e não contíguas entre o topo de duas pregas Doença do Refluxo Gastroesofágico Classificação de Los Angeles GRAU C - pelo menos uma solução de continuidade da mucosa contígua entre o topo de duas (ou mais) pregas mucosas, mas não circunferencial (ocupa menos que 75% da circunferência do esôfago); GRAU D : uma ou mais solução de continuidade da mucosa circunferencial (ocupa no mínimo 75% da circunferência do esôfago). •As complicações (estenose, Barrett) são apresentadas à parte e podem ou não ser acompanhadas pelos vários graus de esofagite. Doença do Refluxo Gastroesofágico Classificação de Los Angeles GRAU C - pelo menos uma solução de continuidade da mucosa contígua entre o topo de duas (ou mais) pregas mucosas, mas não circunferencial (ocupa menos que 75% da circunferência do esôfago); GRAU D : uma ou mais solução de continuidade da mucosa circunferencial (ocupa no mínimo 75% da circunferência do esôfago). •As complicações (estenose, Barrett) são apresentadas à parte e podem ou não ser acompanhadaspelos vários graus de esofagite. Doença do Refluxo Gastroesofágico Classificação de Los Angeles GRAU C - pelo menos uma solução de continuidade da mucosa contígua entre o topo de duas (ou mais) pregas mucosas, mas não circunferencial (ocupa menos que 75% da circunferência do esôfago); GRAU D : uma ou mais solução de continuidade da mucosa circunferencial (ocupa no mínimo 75% da circunferência do esôfago). •As complicações (estenose, Barrett) são apresentadas à parte e podem ou não ser acompanhadas pelos vários graus de esofagite. Esofagite erosiva Doença do Refluxo Gastroesofágico Esôfago de Barrett Substituição do epitélio escamoso esofágico por epitélio colunar gástrico, com metaplasia intestinal (presença de células caliciformes) confirmada pela biópsia. Ocorre pela exposição prolongada do esôfago ao ácido gástrico (RGE), geralmente > 10 anos Metaplasia 🡪 Displasia de baixo grau 🡪 Displasia de alto grau 🡪 Neoplasia Doença do Refluxo Gastroesofágico D – pHmetria esofágica prolongada - avalia presença e intensidade do refluxo ácido - caracteriza o padrão de refluxo (ortostático, supino ou combinado) - relaciona queixa clínica com refluxo - estudo da recidiva dos sintomas no pós-operatório - identifica o grupo com RGE patológico sem esofagite ( principal indicação ) Junto com EDA compõe os exames específicos p/ diagnóstico da DRGE Doença do Refluxo Gastroesofágico E – ImpedanciopHmetria esofágica - avaliação retrógrada do material refluído com eletrodos que detectam os episódios de refluxo - natureza física (gasoso, líquido, sólido) - natureza química (ácido, não-ácido) – pH 07 pH entre 6,5 a 8,5, a tripsina e os sais biliares não conjugados podem causar dano para o epitélio esofágico. - Indicação de cirurgia (fundoplicatura) nos pacientes com refluxo não-ácido (refratários aos IBP) Doença do Refluxo Gastroesofágico F – Manometria esofágica – avalia a pressão dos esfíncteres esofágicos e a função motora do corpo do esôfago - diagnóstico dos distúrbios motores do esôfago ex: acalasia - atividade motora no pré-operatório (fundoplicatura) - posicionamento dos sensores de ph (pHmetria) nos esfíncteres Doença do Refluxo Gastroesofágico G -- R-X contrastado do esôfago - avalia morfologia do esôfago - estenoses - ulcerações - hérnia hiatal de grande volume Falha na identificação da esofagite e não caracteriza de forma adequada o RGE. Doença do Refluxo Gastroesofágico 8 – Tratamento clínico A - Medidas comportamentais - elevar 15 cm a cabeceira da cama Evitar: - gordurosos 🡪 frituras, leite integral, maionese, chocolate - cítricos 🡪 tomate, limão, laranja, abacaxi - carminativos 🡪 hortelã, menta - bebidas gasosas - café, chá preto, mate - condimentos (alho, cebola, pimenta) Doença do Refluxo Gastroesofágico - refeições copiosas e líquido durante as refeições - deitar-se nas 02 horas após as refeições - anticolinérgicos, antidepressivos tricíclicos, bloqueadores de canais de cálcio, alendronato Doença do Refluxo Gastroesofágico Medidas complementares a serem adotadas: - abandonar o hábito de fumar - redução do peso corporal Doença do Refluxo Gastroesofágico B - Medidas farmacológicas - IBP 🡪 dose padrão por 03 a 06 meses e eventualmente de forma contínua (omeprazol, pantoprazol ,esomeprazol) - Bloqueadores H2 🡪 hipossecretores com eficácia inferior aos IBP (ranitidina, famotidina, nizatidina) - Antiácidos 🡪 podem ser empregados sob demanda como sintomáticos - Procinéticos🡪 associados aos IBP quando em presença de gastroparesia, refluxo alcalino e nas grávidas com sintomas apesar do uso de BH2 (metoclopramida, bromoprida ) Tratamento clínico falha em 20 a 40% dos casos Doença do Refluxo Gastroesofágico 9- Tratamento cirúrgico - Falha no tratamento clínico - Esôfago de Barrett - Úlcera esofágica - Estenose do esôfago - Hérnia hiatal > 06 cm - Dependência diária de IBP - Complicações respiratórias (asma, pneumonias de repetição) Hérnia hiatal Fundoplicatura Fundoplicatura Doença do Refluxo Gastroesofágico 10 – tratamento endoscópico - ablação por radiofrequência - injeção de polímeros na JGE - fundoplicatura endoscópica Estes métodos ainda requerem validação para uso rotineiro Doença do Refluxo Gastroesofágico •Estudo prospectivo para reflexão sobre o refluxo (02/2021). •GERD está ligada a um maior risco de neoplasias de laringe e esôfago. •Estudo prospectivo de 16 anos mostrou que 931 pacientes desenvolveram adenocarcinoma do esôfago, 876 adenocarcinoma de células escamosas da laringe e 301 carcinoma de células escamosas do esôfago. Doença do Refluxo Gastroesofágico •Pacientes com GERD tem risco dobrado de desenvolver cada um destes tipos de câncer. •Os pesquisadores estimaram em aproximadamente 17% a probabilidade destes tumores de laringe e esôfago estarem associados a GERD. •Referência: https://acsjournals.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/cncr.33427 Doença do Refluxo Gastroesofágico •Bibliografia ••Zaterka, S e cols. Tratado de gastroenterologia 2ª edição 2016. ••Renato Dani Gastroenterologia essencial 4ª edição 2011. ••Savassi Rocha 80 questões comentadas em gastroenterologia 2010. •• Martin H. Floch Gastroenterologia de Netter 2005. ••Goldenberg S Atlas de técnicas operatórias em cirurgia geral 1990. ••Lázaro da Silva, A Roteiro em cirurgia geral 2ª edição 2007 cap 62. ••Paes Jr, J e Gavina-Bianchi, P Diagnóstico clínico e terapêutico das doenças cirúrgicas 1ª edição 2007.