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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS DEPARTAMENTO DE FÍSICA Física Experimental Turma NA Prática 7: A lei de Ohm - curvas características de componentes elétricos Profa. Dra. Thereza Cury Fortunato Aluno: Diego Henrique R. Penha RA:. 740885 Aluna: Gabriela Peres Bianchin. RA:. 791551 Aluno: Renan Rodrigues F. Damin. RA:760487 23 de Agosto de 2024 São Carlos - SP Resumo: este relatório descreve o experimento realizado para obter e analisar as curvas características de componentes elétricos, especificamente resistores comerciais, lâmpadas e diodos, com o objetivo de verificar a conformidade com a Lei de Ohm e o comportamento ôhmico desses componentes. 1. Objetivos Nesse experimento, será possível analisar o comportamento resistivo de diferentes componentes elétricos, incluindo resistores, lâmpadas e diodos. Para isso, serão realizadas medições da corrente elétrica em função de vários valores de tensão aplicados a cada componente. Com base nas medições obtidas, serão elaborados gráficos de corrente (𝐼) versus tensão (𝑉) para cada tipo de componente, permitindo a análise de suas características resistivas e comparativas.. 2. Fundamentação teórica Lei de Ohm A Lei de Ohm é um princípio fundamental da eletricidade que descreve a relação entre a tensão (𝑉), a corrente (𝐼) e a resistência (𝑅 ) de um resistor. A lei pode ser expressa pela fórmula: 𝑉 = 𝐼 ⋅ 𝑅 onde: ● 𝑉 é a diferença de potencial (tensão) aplicada ao resistor, ● 𝐼 é a corrente que percorre o resistor, ● 𝑅 é a resistência do resistor. Um resistor é considerado ôhmico se sua resistência R é constante, independentemente da tensão aplicada e da polaridade. Em outras palavras, a resistência não muda com a variação de V ou a direção da corrente. Para tais componentes, a curva característica de corrente versus tensão (I x V) é uma linha reta. 2.1 Resistores ôhmicos e não ôhmicos Os resistores são componentes eletrônicos projetados para limitar o fluxo de corrente em um circuito. Resistores ôhmicos são aqueles que obedecem à Lei de Ohm, ou seja, sua resistência é constante para todas as tensões aplicadas. A resistência de um resistor ôhmico pode ser calculada a partir da inclinação da curva I-V obtida experimentalmente, e sua conformidade com a Lei de Ohm pode ser verificada por meio da análise dos dados coletados. Os componentes que não seguem a Lei de Ohm são classificados como não-ôhmicos. E para esses componentes, a relação entre a tensão e a corrente não é linear. Essa não-linearidade pode ser atribuída a várias causas, incluindo: ● Temperatura: A resistividade de materiais pode variar com a temperatura. Por exemplo, a resistência de uma lâmpada aumenta à medida que a corrente e, portanto, a temperatura aumentam. ● Tensão Mecânica: Alterações na tensão mecânica aplicada ao componente podem modificar sua resistividade. ● Pressão: A pressão atmosférica ou pressão aplicada sobre um material pode afetar sua resistividade. ● Luminosidade: Para certos dispositivos, como fotocélulas, a resistência pode mudar com a intensidade da luz. ● Campo Magnético: A presença de um campo magnético pode influenciar a resistência de materiais magnéticos ou semicondutores. O comportamento não-ôhmico é evidenciado pela forma da curva característica I-V, que apresenta uma disposição não linear dos pontos em um gráfico. A análise do comportamento ôhmico ou não-ôhmico é realizada através da construção e interpretação da curva característica I-V. Esta curva é obtida plotando-se a corrente (I) em função da tensão (V) aplicada ao componente. A forma da curva fornece informações sobre se o componente é ôhmico ou não-ôhmico, permitindo uma compreensão detalhada de seu comportamento elétrico. 3. Materiais utilizados ● Multímetros (2000N e VC88C) ● Fonte ICEL (Hikari HF 3003S) ● Protoboard ● Resistores ● Cabos conectores 4. Procedimento experimental 1) Os resistores R1 (com valor menor que 5kΩ) e R2 (com valor maior que 100kΩ) foram identificados. Os valores e suas incertezas foram medidos e anotados utilizando um ohmímetro. 2) O resistor R1 foi conectado ao circuito conforme o esquema. A tensão da fonte foi variada de -5V a 5V em passos iguais, e foram realizadas medições da tensão V e da corrente I para pelo menos 10 pontos de dados. 3) Após isso, R1 foi substituído por R2, e a coleta de dados foi repetida usando a escala de 200 μA para maior precisão. 4) Com a tensão da fonte ajustada para 5V, a corrente foi medida com e sem a conexão do voltímetro, para avaliar a influência dessa conexão no cálculo de R2. 5) O resistor RP foi removido e a lâmpada foi conectada ao circuito. A tensão máxima da fonte foi ajustada para 6V para evitar danos à lâmpada. 6) A tensão da fonte foi variada de -5V a 5V em passos iguais. A tensão V e a corrente I foram medidas para pelo menos 10 pontos de dados. As incertezas foram anotadas para as tensões de -1V, -3V, -5V, 1V, 3V e 5V. 7) O resistor RP foi inserido no circuito e o diodo foi conectado. A tensão da fonte foi ajustada para 0,5V e a corrente foi verificada. 8) A corrente do diodo foi medida para tensões variando de 0,1V a 0,8V na polarização direta. 9) A polarização foi invertida e a corrente foi medida para tensões de -1V a -5V. 5. Análise dos Resultados Tabela 1. Dados coletados no procedimento experimental, dos resistores e da lâmpada. R1 R2 Lâmpada U(V) i(μA) U(V) i(μA) U(V) i(μA) 3,42 1080 4,75 5,3 1,69 64800 3,9 1320 3,82 4,4 2,35 73900 1,9 590 2,9 3,2 3,17 88800 1,65 496 2,05 2,3 4,08 99600 0,84 260 1,54 1,7 4,8 113100 -0,78 -244 0,74 0,7 -1,76 -64700 -1,04 -346 -0,75 -0,8 -2,32 -75400 -2,67 -820 -1,1 -1,2 -3,22 -88800 -4,47 -1380 -3,09 -3,4 -4,17 -103200 -4,76 -1460 -3,97 -4,4 -4,82 -121100 Tabela 2. Dados coletados no procedimento experimental, do diodo em polarização direta e reversa. Diodo (Polarização Direta) Diodo (Polarização Reversa) U(V) i(μA) U(V) i(μA) 0,1 0 -0.5 0 0,2 0,1 -0,6 0 0,3 0,7 -0,7 0 0,4 1,3 -0,8 0 0,5 122,6 -1 -0,1 0,6 1610 -2 -0,2 0,7 9100 -3 -0,3 0,8 131600 -4 -0,4 -5 -0,5 A partir dos dados das Tabela 1 e Tabela 2, foram construídos gráficos de I vs V para os resistores, I vs V para a lâmpada, e I vs V para o diodo. Figura 1. Gráfico de Corrente (I) versus Tensão (V) do resistor 1, cuja resistência, pelo código de cores, é 3,2 k𝛺 ± 0,03 k𝛺. Figura 2. Gráfico de Corrente (I) versus Tensão (V) do resistor 2, cuja resistência, pelo código de cores, é 0,91 M𝛺 ± 0,038 M𝛺. Os gráficos obtidos para R1 e R2 e para a Lâmpada apresentam uma reta, o que confirma que a relação entre a corrente e a tensão é linear. Isso está de acordo com a Lei de Ohm, que nos diz que, para um resistor ideal, a corrente é diretamente proporcional à tensão aplicada. Além disso, a inclinação da reta no gráfico representa a resistência do resistor. Figura 3. Gráfico de Corrente (I) versus Tensão (V) da lâmpada. Figura 4. Gráfico de Corrente (I) versus Tensão (V) do diodo. A curva característica obtida do diodo determina que o mesmo não pode ser considerado ôhmico. Figura 5. Pontos obtidos com os dados do diodo na polarização reversa. A resistência dos resistores foi calculada utilizando o Método dos Mínimos Quadrados (MMQ), e os valores obtidos foram comparados com aqueles medidos diretamente. Tabela 3. Valores de “a” obtidos, de cada resistor utilizado, com os dados coletados e explicitados na Tabela 1. R1 R2 a 0,00317 ± 0,0000592 a 0,89663 ± 0,0066154 O valor de “a” corresponde a resistência do resistor, portanto R1 = 0,00317 M𝛺 ± 0,0000592 e R2 = 0,89663 M𝛺 ± 0,0066154 M𝛺. Sendo assim, os valores obtidosexperimentalmente e com o ohmímetro são similares e não apresentam incompatibilidade. Tabela 4. Valores da resistência da lâmpada determinados em diferentes tensões. Lâmpada U(V) i(μA) Resistência (MΩ) 1,69 64800 0,000026080 2,35 73900 0,000031800 3,17 88800 0,000035698 4,08 99600 0,000040964 4,8 113100 0,000042440 -1,76 -64700 0,000027202 -2,32 -75400 0,000030769 -3,22 -88800 0,000036261 -4,17 -103200 0,000040407 -4,82 -121100 0,000039802 A resistência da lâmpada foi determinada em diferentes tensões, verificando que a mesma não se comporta como um componente ôhmico, já que sua resistência varia significativamente de acordo com a tensão aplicada. 6. Conclusão Com a análise das curvas características de componentes elétricos, incluindo resistores, lâmpadas e diodos, obtivemos uma visão detalhada sobre o comportamento ôhmico desses componentes e sua conformidade com a Lei de Ohm. Os resultados demonstraram que os resistores R1 e R2 exibiram uma relação linear entre a corrente e a tensão, conforme evidenciado pelas linhas retas obtidas nos gráficos de corrente versus tensão (I-V). Por outro lado, a lâmpada apresentou uma curva característica não linear, indicando que não segue o comportamento ôhmico. A análise revelou que a resistência da lâmpada varia significativamente com a tensão aplicada, refletindo a influência da temperatura na resistência do componente. Esse comportamento não-ôhmico é esperado, uma vez que a resistência das lâmpadas aumenta com a corrente e a temperatura. Por fim, o diodo mostrou um comportamento não linear em ambos os casos de polarização. Na polarização direta, a corrente aumenta rapidamente com a tensão, enquanto na polarização reversa, a corrente foi quase nula até que a tensão atingisse um certo nível. Esses resultados indicam que o diodo não é um componente ôhmico, o que é típico para diodos em circuitos eletrônicos. Referências bibliográficas Apostila do Laboratório de Física Experimental B, Livro de Práticas, UFSCar, 2024. Professor Elétrico. Código de cores de resistores. Professoreletrico.com. Disponível em: https://professoreletrico.com/cursos/circuitos/codigo-de-cores-de-resistores/. Acesso em: 23 ago. 2024. https://professoreletrico.com/cursos/circuitos/codigo-de-cores-de-resistores/ https://professoreletrico.com/cursos/circuitos/codigo-de-cores-de-resistores/ HALLIDAY, David; RESNICK, Robert; WALKER, Jearl. Fundamentos de física: Eletromagnetismo. 6. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2001. v. 3. 5. Análise dos Resultados