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soi Iii 3° PERÍODO Revisão para N1 PRESSÃO ARTERIAL REGULAÇÃO DA PRESSÃO ARTERIAL Fluxo Sanguíneo O fluxo geralmente significa a taxa de fluxo, que é o volume sanguíneo que passa em um dado ponto do sistema por unidade de tempo. Velocidade de fluxo A velocidade de fluxo é uma medida de o quão rápido o sangue flui ao passar por um ponto. O fluxo sanguíneo total é o débito cardíaco (DC) - o volume sanguíneo ejetado pelo ventrículo esquerdo em um determinado período de tempo, o débito cardíaco depende da frequência cardíaca e do volume sistólico: débito cardíaco (DC) = frequência cardíaca (FC) × volume sistólico (VS). O DC depende de dois outros fatores: (1) Da diferença de pressão que conduz o fluxo sanguíneo por um tecido e (2) Da resistência ao fluxo sanguíneo em vasos sanguíneos específicos. PRESSÃO ARTERIAL • A contração dos ventrículos produz a pressão arterial (PA), a pressão hidrostática exercida pelo sangue nas paredes de um vaso sanguíneo. • A PA é determinada pelo débito cardíaco, volume de sangue e resistência vascular. RESISTÊNCIA VASCULAR • A tendência de o sistema circulatório se opor ao fluxo sanguíneo é denominada resistência ao fluxo. • Um aumento na resistência de um vaso sanguíneo resulta em redução do fluxo por ele. • O fluxo é inversamente proporcional à resistência; Parâmetros determinam a resistência: 1. Raio do lúmen (r): Quanto menor o diâmetro do vaso sanguíneo, maior a resistência que ele oferece ao fluxo sanguíneo. 2. Comprimento do vaso sanguíneo (L): Quanto mais longo o vaso, maior a resistência. As pessoas obesas frequentemente têm hipertensão arterial (pressão arterial elevada) porque os vasos sanguíneos adicionais em seu tecido adiposo aumentam o comprimento total de seus vasos sanguíneos. 3. Viscosidade (“espessura”) do líquido: A viscosidade do sangue depende principalmente da proporção de eritrócitos em relação ao volume de plasma (líquido) e, em menor grau, da concentração de proteínas no plasma. Quanto maior a viscosidade do sangue, maior a resistência. O SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO ALTERA A FREQUÊNCIA CARDÍACA • A frequência cardíaca é iniciada pelas células autoexcitáveis do nó SA, porém, ela é modulada por estímulos neurais e hormonais. • As porções simpática e parassimpática do sistema nervoso autônomo influenciam a frequência cardíaca através de um controle antagônico. • A atividade parassimpática diminui a frequência cardíaca, ao passo que a atividade simpática a aumenta. Controle parassimpático • O neurotransmissor parassimpático acetilcolina (ACh) diminui a frequência cardíaca. • A acetilcolina ativa os receptores colinérgicos muscarínicos (A ativação desses receptores no sistema nervoso periférico tem ações que incluem a redução da frequência e força da contração cardíaca, o relaxamento de vasos sanguíneos periféricos) que influenciam os canais de K+ e Ca2+ nas células marca-passo. Controle simpático • A estimulação simpática nas células marca-passo acelera a frequência cardíaca. • As catecolaminas noradrenalina (dos neurônios simpáticos) e adrenalina (da medula da glândula suprarrenal) aumentam o fluxo iônico através dos canais If e de Ca2+. REGULAÇÃO NEURAL • Os barorreceptores, receptores sensitivos sensíveis à pressão, estão localizados na aorta, nas artérias carótidas internas (artérias do pescoço que fornecem sangue ao encéfalo) e outras grandes artérias do pescoço e do tórax. • E l e s e nv i a m i m p u l s o s p a r a o c e n t ro cardiovascular para ajudar a regular a pressão sanguínea. • Os doi s reflexos barorreceptores mais importantes são o reflexo do seio carótico e o reflexo da aorta, onde eles monitoram continuamente a pressão do sangue que flui para o cérebro (barorreceptores carotídeos) e para o corpo (barorreceptores aórticos). • Os impulsos nervosos se propagam dos barorreceptores do seio carótico para os axônios sensitivos nos nervos glossofaríngeos (IX) para o centro cardiovascular no bulbo. • Os barorreceptores da aorta iniciam o reflexo da aorta, que regula a pressão arterial sistêmica. • Os impulsos nervosos dos barorreceptores aórticos chegam ao centro cardiovascular via axônios sensitivos do nervo vago (X). • Quando a pressão arterial cai, os barorreceptores são menos distendidos e enviam impulsos nervosos em uma frequência mais lenta ao centro cardiovascular. Maria Vitória de Sousa Santos • Em resposta, o centro CV diminui a estimulação parassimpática do coração por meio dos axônios motores dos nervos vago e aumenta a estimulação simpática do coração via nervos aceleradores cardíacos. • Outra consequência do aumento na estimulação simpática é o aumento na secreção de epinefrina e norepinefrina pela medula da glândula suprarrenal. • Conforme o coração bate mais rápido e com mais força, e a resistência vascular sistêmica aumenta, o débito cardíaco e a pressão arterial aumenta até o nível normal. • Inversamente, quando é detectado um aumento na pressão, os barorreceptores enviam impulsos em uma frequência mais rápida. • O centro CV responde aumentando a estimulação parassimpática e diminuindo a estimulação simpática. Reflexos quimiorreceptores • Os quimiorreceptores, receptores sensitivos que monitoram a composição química do sangue, estão localizados perto dos barorreceptores do seio carótico e do arco da aorta em pequenas estruturas chamadas glomos caróticos e glomos para-aórticos, respectivamente. • Estes quimiorreceptores detectam mudanças nos níveis sanguíneos de O2, CO2 e H+. Hipoxia (baixa disponibilidade de O2), acidose (aumento na concentração de H+) ou hipercapnia (excesso de CO2) estimulam os quimiorreceptores a enviar impulsos ao centro cardiovascular. • Em resposta, o centro CV aumenta a estimulação simpática de arteríolas e veias, provocando vasoconstrição e aumento da pressão sanguínea. REGULAÇÃO HORMONAL DA PRESSÃO SANGUÍNEA Vários hormônios ajudam a regular a pressão arterial e o fluxo sanguíneo por meio da alteração no débito cardíaco, alteração da resistência vascular sistêmica ou ajuste do volume total de sangue: 1. S i s t e m a r e n i n a - a n g i o t e n s i n a - aldosterona (RAA). Quando o volume de sangue cai ou o fluxo sanguíneo para os rins diminui, as células justaglomerulares dos rins secretam renina na corrente sanguínea. Na sequência, a renina e a enzima conversora de angiotensina (ECA) atuam sobre seus substratos para produzir o hormônio ativo angiotensina II, que aumenta a pressão arterial de duas maneiras. Em primeiro lugar, a angiotensina II é um potente vasoconstritor; isso aumenta a pressão arterial ao aumentar a resistência vascular sistêmica. Em segundo lugar, estimula a secreção de aldosterona, a qual aumenta a reabsorção dos íons sódio (Na+) e água pelos rins. A reabsorção de água aumenta o volume sanguíneo total, o que eleva a pressão arterial. Além disso estimula a sede no hipotálamo, aumentando a ingestão de água. 2. Epinefrina e norepinefrina. Em resposta à estimulação simpática, a medula da glândula suprarrenal libera epinefrina e norepinefrina. Esses hormônios aumentam o débito cardíaco ao elevarem a velocidade e força das contrações cardíacas. Também causam constrição das arteríolas e veias na pele e órgãos abdominais e dilatação das arteríolas no músculo cardíaco e esquelético, o que ajuda a aumentar o fluxo sanguíneo para o músculo durante o exercício. 3. Hormônio antidiurético (HAD). O hormônio antidiurético (HAD) é produzido pelo hipotálamo e liberado pela neuro hipófise em resposta à desidratação ou à diminuição no volume sanguíneo. Entre outras ações, o HAD causa vasoconstrição, o que aumenta a pressão arterial. Por isso, o HAD é também chamado vasopressina. O HAD também promove o deslocamento de água do lúmen dos túbulos renais para a corrente sanguínea. Isso resulta em aumento no volume sanguíneo e diminuiçãoOs critérios de Duke modificados são subdivididos em: 1. Critérios maiores: Hemocultura positiva para EI, indícios de acometimento do endocárdio. 2. Critérios menores: Predisposição à EI, doença cardíaca predisponente, ou uso de substâncias psicoativas intravenosas; febre com temperatura > 38°C; fenômenos vasculares, inclusive indícios de embolia arterial; fenômenos imunes como glomerulonefrite; indícios microbiológicos, inclusive hemocultura que não atende aos critérios maiores. Os casos são classificados como: 1. Definitivos: Quando preenchem dois critérios maiores, um critério maior mais dois critérios menores, ou cinco critérios menores. Maria Vitória de Sousa Santos 2. Possíveis: Quando atendem a um critério maior e um critério menor, ou três critérios menores. 3. Descartado: Quando se estabelece um diagnóstico alternativo, a infecção regride com tratamento antibiótico em 4 dias ou menos, ou não há evidência histológica de infecção. Exames solicitados: - Hemocultura - Ecocardiograma - Eletrocardiograma - Radiografia do tórax TRATAMENTO • O tratamento para EI deve ser iniciado imediatamente após a coleta de três amostras de hemoculturas. • O antimicrobiano deve ser escolhido de acordo com o agente etiológico identificado, com sua sensibilidade e com a condicão cardíaca (prótese valvar ou infecção em valva natural). • O tratamento é realizado por via parenteral e por tempo prolongado (entre 2 e 6 semanas, dependendo do agente etiológico identificado). • O sucesso do tratamento depende da erradicação do micro-organismo causador da EI mediante o uso de agentes antimicrobianos. • Quase sempre são utilizados, no mínimo, dois fármacos, que atuarão em sinergia. • Na abordagem de uma antibioticoterapia após cirurgia para endocardite, deve-se aguardar a cultura da valva retirada. • Caso haja crescimento bacteriano, o esquema deverá ser reiniciado. Tratamento Cirúrgico • As principais indicações cirúrgicas são insuficiência cardíaca, infecção não controlada e prevenção de eventos embólicos. COMPLICAÇÕES • Entre as principais complicações da EI encontram-se se a insuficiência cardíaca (IC - com mortalidade estimada entre 55% e 85%) e embolização para sít ios extracardíacos, principalmente para o sistema nervoso central (SNC- 65% dos casos). • A IC é causada, principalmente, por regurgitação aórtica e mitral. • A falência cardíaca decorrente da insuficiência aórtica é pouco tolerada, uma vez que o ventrículo não se adapta tão bem à sobrecarga de volume em relação ao leito arterial pulmonar (como ocorre na insuficiência mitral). • Dessa maneira, pode haver falência cardíaca aguda, estando indicada a troca valvar em caráter emergencial. • Piores resultados cirúrgicos são obtidos em pacientes com IC classe funcional III-IV. insuficiência renal e idade avançada. • Outra complicação da EI é a embolização para sítios extracardíacos, dentre os quais o território cerebrovascular é o mais acometido (65% dos casos), sendo a artéria cerebral média a principal envolvida (cerca de 90% das embolias). • Entretanto, o risco de embolia é de até 50%, inicialmente, reduzindo-se para 15% após a primeira semana de tratamento e para apenas 1% após 4 semanas, de modo que o início rápido e efetivo da antibioticoterapia pode preveni-la. DOENÇAS DO PERICÁRDIO PERICÁRDIO O pericárdio, também conhecido como saco pericárdico, é uma membrana serosa com duas camadas que isolam o coração das outras estruturas torácicas. Funções: 1. Mantêm a posição do coração no tórax; 2. Impedem que o órgão distenda excessivamente; 3. Funcionam como barreira contra infecção. Formado por: 1. Camada interna fina, também conhecida como pericárdio visceral, que adere ao epicárdio; 2. Camada externa fibrosa, ou pericárdio parietal, que está ligada aos grandes vasos que entram e saem do coração, do esterno e do diafragma. Cavidade pericárdica Cavidade que separa as duas camadas do pericárdio. Esse espaço contém contém cerca de 50 ml de líquido seroso. Tal líquido funciona como lubrificante e impede forças de atrito à medida que o coração contrai e relaxa. DOENÇAS DO PERICÁRDIO PERICARDITE AGUDA Definição • Pericardite é um processo inflamatório do pericárdio. • A pericardite aguda – definida por sinais e sintomas resultantes da inflamação pericárdica com duração menor do que 2 semanas – pode ocorrer como doença isolada ou secundária a outras doenças sistêmicas. Etiologia • Infecções virais (principalmente por vírus Coxsackie e ecovírus) e de origem idiopática são as causas mais comuns de pericardite. • Outras causas de pericardite aguda são infecções bacterianas ou micobacterianas, doenças do tecido conjuntivo (p. ex., lúpus eritematoso sistêmico, artrite reumatoide), uremia, pós- Maria Vitória de Sousa Santos cirurgia cardíaca, invasão neoplásica do pericárdio, radioterapia, traumatismo, efeitos tóxicos de alguns fármacos e processos inflamatórios adjacentes do miocárdio ou do pulmão. Fisiopatologia • Como também ocorre com o u t r o s d i s t ú r b i o s inflamatórios, a pericardite aguda frequentemente está associada ao aumento da permeabilidade capilar. • Os capilares que irrigam o pericárdio seroso tornam-se permeáveis, possibilitando que proteínas plasmáticas (inclusive fibrinogênio) saiam dos capilares e entrem no espaço pericárdico, causando a formação de um exsudato variável quanto à composição e ao volume de acordo com o agente etiológico. • A pericardite aguda comumente está associada a um exsudato fibrinoso (que contém fibrina) , que cicatriza por resolução ou progride para a formação de tecidos fibróticos e aderências entre as duas camadas do pericárdio seroso. • A inflamação também pode afetar o miocárdio superficial e a pleura adjacente. Manifestações Clínicas • As manifestações clínicas da pericardite aguda constituem a tríade de dor torácica, atrito pericárdico, alterações do eletrocardiograma (ECG) e derrame pericárdico. • Podem variar de acordo com o agente etiológico. • Quase todos os pacientes com pericardite aguda referem dor torácica. • Em geral, a dor tem início repentino, é bem demarcada na área precordial e pode irradiar ao pescoço, dorso, abdome ou lado do tórax. • Nos casos típicos, em razão das alterações do retorno venoso e do enchimento cardíaco, a dor piora quando o paciente respira profundamente, tosse, deglute e muda de posição (tipo pleurítica). • Em muitos casos, o paciente sente alívio na posição sentada e inclinado para frente. • O atrito pericárdico é altamente especifico para pericardite aguda, sendo descrito como um som rude, estridente e superficial, com a intensidade dos movimentos respiratórios sendo maior no final da expiração. • Além desses sinais e sintomas, o paciente pode apresentar febre e acometimento de vias aéreas superiores (sintomas gripais).Podem estar associados, também, taquicardia, taquipneia e dispneia. A presença de disfunção ventricular esquerda ao exame fisico sugere miocardite associada, assim como sinais de disfunção ventricular direita podem indicar tamponamento cardíaco. Diagnóstico • O diagnóstico da pericardite aguda baseia-se nas manifestações clínicas, no ECG, nas radiografias do tórax e no ecocardiograma. • O atrito pericárdico descrito frequentemente como um som agudo ou rangente resulta da esfregação e do atrito entre as superfícies pericárdicas inflamadas. As alterações eletrocardiográficas da pericardite: 1. Elevações difusas do segmento ST e a depressão do segmento PR; 2. Normalização dos segmentos ST e PR; 3. Inversões com alargamento das ondas T; 4. Normalização das ondas T. Os marcadores laboratoriais de inflamação s i s t ê m i c a t a m b é m p o d e m s e r demonstrados: 1. Leucometria: Útil na contagem de leucócitos para verificar se existe alguma reação inflamatória.2. E l e v a ç ã o d a v e l o c i d a d e d e hemossedimentação : Velocidade de hemossedimentação (VHS) é um tipo de exame de sangue que mede a rapidez com que os eritrócitos (glóbulos vermelhos) se assentam no fundo de um tubo de ensaio que contém uma amostra de sangue. Normalmente, os eritrócitos se assentam em ritmo relativamente lento. Uma velocidade mais rápida que o normal pode indicar uma inflamação no corpo. 3. Aumento da proteína C reativa (PCR): A proteína C reativa alta surge na maior parte dos processos inflamatórios do corpo humano. Tratamento • A pericardite idiopática aguda geralmente é autolimitada e sua etiologia suposta é viral. • Em geral, os sintomas são controlados eficientemente com anti-inflamatórios não esteroides (AINE). • A colchicina pode ser usada para pacientes que respondem, lentamente ao AINE. • A colchicina produz seus efeitos anti-- inflamatórios impedindo a polimerização dos microtúbulos, inibindo a migração e a fagocitose dos leucócitos. • Quando há infecção, frequentemente são prescritos antibióticos específicos para o agente etiológico. Maria Vitória de Sousa Santos • Os corticoides podem ser usados para tratar pacientes que não melhore com AINE e colchicina. DERRAME PERICÁRDICO E TAMPONAMENTO CARDÍACO Definição • Derrame pericárdico é a acumulação de líquido na cavidade pericárdica, geralmente em consequência de um processo infeccioso ou inflamatório. • A cavidade pericárdica tem pouco volume de reserva. • A relação de pressão-volume entre os volumes cardíaco e pericárdico normais pode ser dramaticamente afetada por quantidades pequenas de líquido, quando são alcançados níveis críticos de derrame. • Como as pressões de enchimento do coração direito são menores do que as do coração esquerdo, as elevações de pressão geralmente são detectadas por sinais e sintomas de insuficiência cardíaca direita, até que se consiga a equalização das pressões. Fisiopatologia Fatores que determinam o efeito do derrame pericárdico na função cardíaca: 1. O volume de líquido; 2. Velocidade de acumulação; 3. Elasticidade do pericárdio. Observação: Derrames pericárdicos pequenos podem ser assintomáticos, ou causar algumas anormalidades clínicas. Mesmo os derrames volumosos que se acumulam lentamente podem causar poucos sintomas ou nenhum, contanto que o pericárdio consiga estirar-se e evitar a compressão do coração. • Contudo, a acumulação rápida de apenas 200 ml pode aumentar a pressão intracardíaca a níveis que limitam gravemente o retorno venoso ao coração. • Os sinais e sintomas de compressão cardíaca também podem ocorrer com acúmulos relativamente pequenos de líquidos quando o pericárdio está espessado por tecidos fibróticos ou infiltrados neoplásicos. Tamponamento Cardíaco • É uma consequência do derrame pericárdico, no qual há compressão do coração em consequência da acumulação de líquido, pus ou sangue no saco pericárdico. • Essa condição potencialmente fatal pode ser causada por infecções, neoplasias e hemorragia. • O tamponamento cardíaco aumenta a pressão intracardíaca, causa limitação progressiva do enchimento diastólico dos ventrículos e diminui o volume ejetado e o débito cardíaco. • A gravidade do quadro depende do volume de líquido e da velocidade com que se acumula. Manifestações Clínicas • Os sintomas vão desde dor torácica insidiosa (de caráter opressivo) até síndromes compressivas (disfagia, dispneia, dor abdominal, tosse seca, rouquidão). • A acumulação significativa de líquido no saco pericárdico aumenta a estimulação adrenérgica, c a u s a n d o t a q u i c a r d i a e a u m e n t o d a contratilidade cardíaca. • Também há elevação da pressão venosa central, distensão das veias jugulares, redução da pressão arterial sistólica, redução da pressão do pulso e sinais de choque circulatório. • As bulhas cardíacas podem ser abafadas em razão dos efeitos isolantes do líquido pericárdico e da função cardíaca deprimida. • Em geral, os pacientes que desenvolvem lentamente tamponamento cardíaco apresentam sinais de doença aguda, mas não tão dramáticos q u a n t o o s o b s e r v a d o s n o s c a s o s d e tamponamento com evolução rápida. Diagnóstico • O diagnóstico é clinico, com dados da anamnese e exame fisico: triade de Beck (hipotensão, abafamento de bulhas, distensão venosa jugular), taquicardia e pulso paradoxal. Os exames utilizados são ecocardiograma, eletrocardiograma e radiografia do tórax. • Um elemento diagnóstico fundamental é o pulso paradoxal. • Pulso Paradoxal: Refere-se a queda da pressão arterial sistólica maior que 10mmHg durante a inspiração, que decorre de uma redução da complacência ventricular esquerda. Complicações • Em condições normais, a redução da pressão intratorácica que ocorre durante a inspiração aumenta o fluxo venoso, ampliando o enchimento do ventrículo e do átrio direitos. • Isso causa abaulamento do septo interventricular para a esquerda e reduções discretas do enchimento ventricular esquerdo, do volume ejetado e da pressão arterial sistólica. • Nos casos de tamponamento cardíaco, o ventrículo esquerdo (VE) é comprimido por dentro, pelo movimento do septo interventricular e por fora, pelo líquido acumulado no saco pericárdico. • Isso provoca redução acentuada do enchimento ventricular esquerdo e do volume ejetado pelo ventrículo esquerdo. Maria Vitória de Sousa Santos Tratamento • O tratamento do derrame pericárdico depende da progressão do tamponamento cardíaco. • Com os derrames pericárdicos pequenos ou um tamponamento cardíaco brando, o uso de AINE, colchicina ou corticoides pode reduzir a acumulação de líquido. • Pericardiocentese, ou remoção de líquido do saco pericárdico, geralmente com ajuda do ecocardiograma, é o tratamento inicial preferido. • A pericardiocentese fechada, que é realizada com uma agulha introduzida através da parede torácica, pode ser um procedimento de emergência necessário para salvar a vida dos pacientes com tamponamento cardíaco grave. • A pericardiocentese aberta pode ser usada para tratar derrames recidivantes ou loculados (i. e., confinados a uma ou mais bolsas no espaço pericárdico) e, durante o procedimento, podem ser realizadas biópsias e estabelecidas janelas de acesso pericárdico. • A aspiração e o exame laboratorial do líquido pericárdico podem ser usados para determinar o agente etiológico. PERICARDITE CONSTRITIVA Definição • Cardiopatia secundária a um processo inflamatório crônico que envolve os dois folhetos do pericárdio, leva a seu espessamento e endurecimento e exerce um efeito limitante ao enchimento ventricular diastólico. DOENÇA ARTERIAL OBSTRUTIVA PERIFÉRICA DOENÇA ARTERIAL OBSTRUTIVA PERIFÉRICA • A Doença arterial obstrutiva periférica (DAOP) é caracterizada pelo estreitamento, endurecimento e obstrução das artérias dos membros inferiores. • Isto ocorre pelo envelhecimento das artérias e pelo acúmulo de gordura, cálcio ou outros elementos em suas paredes, fazendo com que o fluxo sanguíneo fique prejudicado e podendo causar complicações. • A aterosclerose é uma causa importante de doença arterial periférica (DAOP) e é mais comumente observada nos vasos dos membros inferiores. A DAOP pode também resultar de trombose, embol ia , vascul i te, d isplas ia fibromuscular ou aprisionamento. • As artérias femoral superficial e poplítea são os vasos mais comumente afetados. • Quando as lesões se desenvolvem na perna e no pé, as artérias tibial, fibular comum ou os vasos dos pés são os mais comumente afetados. • A doença costuma ser mais observada em homens e mulheres à medida que envelhecem. Etiologia Os fatores de risco para esta doença são semelhantes aos da aterosclerose: 1. Tabagismo 2. Diabetes 3. Obesidade 4. Hipertensão arterial 5. Colesterol alto 6. Idade avançada 7. Histórico familiar Manifestaçõesclínicas • Tal como acontece com a aterosclerose em outros sítios, os sinais e sintomas de oclusão do vaso são graduais. - Observação: Geralmente, existe pelo menos um estreitamento de 50% do vaso antes que apareçam os sintomas de isquemia. 1. Claudicação intermitente ou dor ao caminhar: Tipicamente, as pessoas com o transtorno se queixam de dor na panturrilha, porque o músculo gastrocnêmio tem o maior consumo de oxigênio durante a caminhada. Algumas pessoas podem se queixar da sensação de uma dor vaga ou dormência. Observação: A claudicação intermitente ocorre quando a demanda de oxigênio do músculo esquelético durante o esforço físico supera o fornecimento de oxigênio pelo sangue, e resulta da ativação de receptores sensoriais locais pelo acúmulo de lactato e de outros metabólitos. Pacientes com claudicação intermitente podem ter uma única ou múltiplas lesões oclusivas nas artérias que irrigam os membros inferiores 2. Fraqueza nas pernas 3. Feridas que não cicatrizam nos dedos, pés ou pernas 4. Mudança na coloração das pernas 5. Perda de pelos 6. Crescimento lento das unhas dos pés 7. Disfunção erétil nos homens 8. Alterações atróficas e afinamento da pele e dos tecidos subcutâneos na parte inferior da perna. 9. Diminuição do tamanho dos músculos da perna. 10. O pé muitas vezes se apresenta frio, e os pulsos poplíteo e podálico são fracos ou inexistentes. 11. Quando o fluxo sanguíneo é reduzido a ponto de já não mais atender às necessidades mínimas d e m ú s c u l o s e n e r vo s e m re p o u s o , desenvolvem-se dor isquêmica em repouso, ulceração e gangrena. Maria Vitória de Sousa Santos 12. À medida que se desenvolve a necrose do tecido, tipicamente se manifesta dor grave na região de ruptura cutânea. Classificação da DAOP Diagnóstico • Os métodos de diagnóstico incluem a inspeção dos membros para verificar se há sinais de isquemia crônica de baixo grau, como atrofia subcutânea, unhas quebradiças, queda de pelos, palidez, frieza ou rubor pendente. • A palpação dos pulsos das artérias femoral, poplítea, tibial posterior e dorsal do pé possibilita uma estimativa do nível e do grau de obstrução. A proporção entre a pressão sistólica do tornozelo e do braço (i. e., artérias tibial e braquial) é empregada para detectar uma obstrução significativa, sendo que um valor inferior a 0,9 indica oclusão. - Índice tornozelo-braquial (ITB): ITB é medido por meio da razão entre a pressão arterial sistólica (PAS) do braço e a do tornozelo, tanto esquerdo quanto direito. A relação PAS braço/PAS tornozelo normal é acima de 0,90. A obstrução leve caracteriza-se por ITB entre 0,71-0,90; moderada 0,41-0,70; e grave 0,00-0,40. • Normalmente, a pressão sistólica no tornozelo excede a da artéria braquial, porque a pressão sistólica e a pressão diferencial tendem a aumentar à medida que a onda de pressão se move para longe do coração. - Observação: A pressão arterial deve ser medida em diversos pontos na perna para determinar o nível de obstrução. • Um estetoscópio de ultrassom Doppler pode ser usado para detectar pulsos e medir a pressão arterial. Também podem ser empregados como métodos: 1. Ultrassom dúplex – visualiza as artérias e diz a porcentagem de estreitamento. 2. Ressonância magnética – utiliza um campo magnético para visualizar as artérias e dizer a porcentagem de estreitamento. Requer a injeção de um contraste na veia do braço, que faz os vasos aparecerem mais nítidos. 3. Tomografia computadorizada – utiliza raios X para visualizar as artérias e dizer a porcentagem de estreitamento. Também requer a injeção de um contraste na veia do braço. 4. Angiografia – utiliza raios X e contraste injetado diretamente nas artérias. Prevenção Algumas medidas para prevenir a doença obstrutiva são: 1. Não fumar 2. Prática regular de exercícios físicos 3. Alimentação balanceada 4. Controle do peso 5. Controle dos níveis de colesterol 6. Controle rigoroso da pressão arterial 7. Controle rigoroso do diabetes Tratamento 1. Antiplaquetários: (ácido acetilsalicílico ou clopidogrel) reduzem a taxa de mortalidade por acidente vascular em pessoas com DAOP em aproximadamente 25%. 2. Estatinas : Diminuem o colesterol e estabilizam a placa de gordura, impedindo-as de se romperem e causarem trombos e êmbolos. 3. Cilostazol: Inibidor da fosfodiesterase. 4. Pentoxifilina: Um antagonista do receptor de adenosina difosfato [ADP] que diminui viscosidade do sangue e melhora a flexibilidade das hemácias. 5. Endarterecromia: Retirada da placa que está causando obstrução. 6. Bypass femoropoplíteo: Consiste na construção de um novo caminho para o fluxo de sangue através de um enxerto, que pode ser uma parte de uma das veias ou um tubo sintético conectado acima e abaixo de um bloqueio, permitindo que o sangue flua, contornando a lesão. 7. Stent: Outro método de tratamento é a angioplastia transluminal percutânea com colocação de stent, em que um cateter-balão é inserido na área da estenose e o balão insuflado para aumentar o diâmetro do vaso. OBSTRUÇÃO TOTAL PERIFÉRICA • Oclusão arterial aguda é um evento súbito que interrompe o fluxo arterial para os tecidos ou órgãos afetados. Maria Vitória de Sousa Santos • A maioria das oclusões arteriais agudas resulta de um êmbolo ou trombo. • Embora muito menos comum do que êmbolos e trombos, um traumatismo ou espasmo arterial provocado por punção arterial pode representar outra causa de oclusão arterial aguda. Etiologia e Patogênese • Embolia: Refere-se a uma partícula que se move livremente, como um coágulo sanguíneo que se solta e viaja através dos grandes vasos da circulação até se alojar em um vaso menor e obstruir o fluxo sanguíneo. • A maioria dos êmbolos surge no coração e é causada por condições que provocam a formação de coágulos sanguíneos que se desenvolvem na parede de uma câmara do coração ou na superfície de uma valva (estase sanguínea). • Os êmbolos geralmente são uma complicação de uma doença cardíaca: doença cardíaca isquêmica com ou sem infarto, fibrilação atrial ou doença cardíaca reumática. • Outros tipos de êmbolos são os êmbolos gordurosos que se originam na medula óssea de ossos fraturados, êmbolos de ar do pulmão e embolia de líquido amniótico que se desenvolve durante o parto. • Trombo: é um coágulo que se forma na parede de um vaso e continua a aumentar até alcançar um tamanho que obstrui o fluxo sanguíneo. Os trombos muitas vezes surgem como resultado da erosão ou ruptura da cápsula fibrosa de uma placa aterosclerótica. Manifestações clínicas A apresentação de embolia arterial aguda frequentemente é descrita como: 1. Tiro de pistola- manifestação aguda; 2. Palidez; 3. Frialdade (baixa temperatura); 4. Inexistência de pulso; 5. Dor; 6. Parestesia; 7. Paralisia. • A oclusão em uma das extremidades provoca a manifestação de dor aguda súbita com dormência, formigamento, fraqueza, palidez e frio. • Frequentemente, pode ser observada uma linha de demarcação nítida entre o tecido oxigenado acima da linha de obstrução e o tecido isquêmico e abaixo da linha de obstrução. • Não há pulsos abaixo do nível da oclusão. • Essas alterações são rapidamente acompanhadas por cianose, manchas e perda sensorial dos reflexos e da função motora. • Ocorre morte do tecido, a não ser que o fluxo sanguíneo seja restaurado. Diagnóstico e Tratamento • O diagnóstico da oclusão arterial aguda é baseado nos sinais de comprometimento do fluxo sanguíneo. • Devem ser utilizados avaliação visual, palpação dos pulsos e métodos para verificação do fluxo sanguíneo. • O tratamento da oclusão arterial aguda visa restabelecer o fluxo sanguíneo. • Uma embolectomia, que é a remoção cirúrgica do êmbolo, é a terapia ideal quando ocorre a obstrução de uma grande artéria. • A terapia trombolítica (i. e., estreptoquinase ou ativadorde plasminogênio tecidual), pode ser empregada na tentativa de dissolver o coágulo. • Gera lmente é admin i s t rada a t e rap ia anticoagulante (i. e., heparina) para evitar a extensão do êmbolo e para impedir a progressão do trombo original. • A aplicação de frio deve ser evitada e a extremidade deve ser protegida contra lesões que possam resultar de superfícies duras e da sobreposição de cobertas. INSUFICIÊNCIA VENOSA CRÔNICA DISTÚRBIOS DA CIRCULAÇÃO VENOSA VARIZES • As varizes, que são veias dilatadas e tortuosas dos membros inferiores, são comuns e muitas vezes conduzem a problemas secundários de insuficiência venosa. As veias varicosas são descritas como primárias ou secundárias: 1. Varizes primárias: Têm origem nas veias safenas superficiais. 2. Varizes secundárias: Resul tam do comprometimento do fluxo nos canais venosos profundos. • Aproximadamente 80 a 90% do sangue venoso dos membros inferiores são transportados através dos canais profundos. • O desenvolvimento secundário de varizes se torna inevitável quando o fluxo nesses canais profundos é deficiente ou bloqueado. • A causa mais comum de veias varicosas secundárias é a trombose venosa profunda (TVP). • Outras causas incluem a existência de uma fístula arteriovenosa (AV) congênita ou adquirida, malformações venosas congênitas e pressão sobre as veias abdominais causadas pela gestação ou por um tumor. Maria Vitória de Sousa Santos • A incidência de varizes aumenta com a idade • Também pode ser observada maior incidência em pessoas obesas, devido ao aumento da pressão intra-abdominal, e entre as pessoas que passam de pé a maior parte do dia devido a sua ocupação profissional (p. ex., enfermeiras). Etiologia E Patogênese • Permanecer de pé por períodos prolongados e o aumento da pressão intra-abdominal são fatores importantes no desenvolvimento de varizes primárias. • Permanecer de pé por períodos prolongados aumenta a pressão venosa e causa a dilatação e o estiramento da parede do vaso. • Um dos fatores mais importantes para o aumento da pressão venosa é o efeito hidrostático associado à posição ortostática. • Quando uma pessoa se encontra em posição ortostática, todo o peso das colunas de sangue venoso é transmitido para as veias das pernas. • Os efeitos da força da gravidade são agravados em pessoas que ficam por longos períodos sem usar os músculos da perna para ajudar a bombear o sangue de volta ao coração. • A alta incidência de varizes em gestantes também sugere um efeito hormonal sobre a musculatura lisa venosa, que contribui para a dilatação das veias e a insuficiência valvular. • A exposição prolongada ao aumento da pressão faz as válvulas venosas perderem a competência, de modo que não conseguem mais se fechar corretamente. • Quando isso acontece, o refluxo do sangue causa maior dilatação da veia, afastando as lâminas da válvula e causando maior incompetência valvular em seções das veias distais adjacentes. Manifestações Clínicas • A maioria das mulheres com varizes superficiais reclama de sua aparência desagradável. • Em muitos casos, pode se manifestar dor e edema nos membros inferiores, especialmente após longos períodos de permanência em pé. • O edema geralmente desaparece à noite, quando as pernas são elevadas. • É mais comum o aparecimento de sintomas quando as veias comunicantes não são competentes. Diagnóstico • O diagnóstico de varizes muitas vezes pode ser estabelecido depois da obtenção de histórico e exame físico completos, especialmente pela inspeção dos membros envolvidos. 3. Teste de Perthes: Neste teste, um torniquete é aplicado ao joelho afetado, enquanto a pessoa é instruída a levantar 10 vezes o calcanhar e depois a perna é avaliada. Se as varizes se esvaziam, o local de refluxo está acima do torniquete. Se as veias permanecem distendidas, o local de refluxo está abaixo do torniquete. 4. O teste de fluxo ultrassônico com Doppler: Também pode ser utilizado para avaliar o fluxo nos grandes vasos. 5. Estudos angiográficos: Também pode utilizando um meio de contraste radiopaco, também são utilizados para avaliar a função venosa. Tratamento • Depois que os canais venosos tiverem sofrido sucessivos estiramentos e as válvulas tiverem perdido a competência, pouco pode ser feito para restaurar o tônus venoso e o funcionamento normal. • Idealmente, devem ser tomadas medidas para impedir o desenvolvimento e a progressão das varizes. • Isto inclui perder peso e a adoção de medidas concentradas em evitar atividades como permanecer de pé por muito tempo, que produz elevação da pressão venosa. • As medidas para o tratamento de varizes se concentram em melhorar o fluxo venoso e na prevenção de lesões de tecidos. • Quando colocadas corretamente, as meias elásticas de suporte comprimem as veias superficiais e previnem a distensão. • Essas meias devem ser colocadas antes que a pessoa se levante, quando as veias das pernas estão vazias. • A escleroterapia, que muitas vezes é utilizada no tratamento de pequenas varizes residuais, envolve a injeção de um agente esclerosante nas veias superficiais colabadas para produzir fibrose do lúmen vascular. • O tratamento cirúrgico consiste na remoção das varizes e das veias perfurantes que perderam a competência, porém é um tratamento limitado a pessoas com canais venosos profundos pérvios. INSUFICIÊNCIA VENOSA CRÔNICA Maria Vitória de Sousa Santos • O termo insuficiência venosa se refere às c o n s e q u ê n c i a s fisiológicas de uma t r o m b o s e v e n o s a p r o f u n d a , i n c o m p e t ê n c i a v a l v u l a r o u d a combinação das duas condições. • A causa mais comum é TVP, que provoca d e f o r m i d a d e d a s válvulas, tornando-as incapazes de fechamento. • Quando ocorre incompetência valvular, o fluxo efetivo unidirecional do sangue e o esvaziamento das veias profundas não acontecem. • As bombas musculares também são ineficazes, muitas vezes conduzindo o sangue em direção retrógrada. • Uma falha secundária nas veias comunicantes e superficiais submete os tecidos subcutâneos a altas pressões. Manifestações Clínicas • Nos casos de insuficiência venosa, os sinais e sintomas estão associados ao comprometimento do fluxo sanguíneo. • Ao contrário da isquemia causada por insuficiência arterial, a insuficiência venosa resulta na congestão dos tecidos, edema, e, por fim, insuficiência nutricional dos tecidos. • O edema é exacerbado por longos períodos de pé. • Ocorre necrose dos depósitos de gordura subcutânea, seguida de atrofia cutânea. • É comum a observação da pigmentação castanha da pele, causada por depósitos de hemossiderina resultantes da destruição das hemácias. • Desenvolve-se insuficiência linfática secundária, com esclerose progressiva dos canais linfáticos em face do aumento da demanda para a eliminação do líquido intersticial. • Em casos avançados de insuficiência venosa, o comprometimento da nutrição tissular provoca dermatite de estase e o desenvolvimento de úlceras de estase ou úlceras venosas. • A dermatite de estase se caracteriza por pele fina, brilhante, de coloração branco-azulada, com pigmentação irregular e descamação, pela falta de suporte dos tecidos subcutâneos subjacentes. • Pequenas lesões resultam em ulcerações relativamente indolores, porém de difícil cicatrização. • A perna é particularmente propensa ao desenvolvimento de dermatite de estase e úlceras venosas. • A maioria das lesões se localiza medialmente o tornozelo e na perna, com maior frequência um pouco acima do maléolo medial. • Outras causas comuns de úlceras dos membros inferiores são a insuficiência arterial, neuropatia (muitas vezes devido ao diabetes) e úlceras de pressão. • Pessoas com insuficiência venosa de longa data também podem sofrer enrijecimento da articulação do tornozeloe perda de massa e força muscular. Estase venosa e dermatite • Dermatite e úlceras de estase, ou simplesmente dermatite de estase, é uma inflamação na pele causada por acúmulo de sangue nas veias das pernas. • No interior das veias da perna há válvulas que fazem com que o sangue flua em apenas uma direção, para o coração. Contudo, essas válvulas vão se enfraquecendo conforme a pessoa envelhece, o que permite que o sangue acabe fluindo na direção contrária e se emposse nos pés ou pernas. Essa situação e chamada de insuficiência venosa ou estase venosa, o que leva a uma inflamação no local, que é a dermatite ou úlcera de estase. • A princípio, a pele fica pruriginosa, vermelha, escamosa e espessa, geralmente nas canelas. • Algumas zonas da pele podem se romper e acabar formando uma ferida aberta (úlcera). • As úlceras, às vezes, se tornam infectadas com bactérias, causando celulite (uma infecção bacteriana da pele) e são, geralmente, dolorosas. TVP E TEP TROMBOSE VENOSA PROFUNDA • A trombose venosa profunda (TVP) significa que houve formação de coágulo dentro de veias profundas, mais comumente nas pernas. • Este coágulo dificulta ou impede o retorno do sangue em direção ao coração, podendo provocar desde quadros leves a situações mais graves. • As principais complicações decorrentes dessa doença são: insuficiência venosa crônica/ Maria Vitória de Sousa Santos síndrome pós-trombótica (edema e/ou dor em membros inferiores, mudança na pigmentação, ulcerações na pele) e embolia pulmonar (EP). • A Embolia Pulmonar ocorre devido ao desprendimento de um fragmento do coágulo pode “viajar” nas veias na forma de um êmbolo e ocluir artérias responsáveis pela circulação que alimenta os pulmões. Resulta de múltiplos fatores muitas vezes abrangidos na tríade de Virchow: 1. Hipercoa gulabi l idade : E s tados hipercoaguláveis, aumento do número de plaquetas; maior disponibilidade de fatores pró-coagulantes; redução de inibidores da coagulação. 2. Estase sanguínea: Diminuição da velocidade da circulação do sangue nas veias. 3. Lesão endotelial: O endotélio tem ações pró e anticoagulante. Agressões variadas ao endotélio (físicas, químicas ou biológicas) podem torná-lo pró-coagulante por aumento na síntese de fatores da coagulação (fator VII) e de fatores ativadores de plaquetas (TXA2 e ADP). Etiologia e Patogênese • A trombose venosa está associada a estase do sangue, aumento da coagulação sanguínea e lesão da parede vascular. • A estase sanguínea ocorre com a imobilidade de um membro ou do corpo inteiro. • O repouso no leito e a imobilização estão associados a diminuição do fluxo sanguíneo, represamento venoso nos membros inferiores e aumento do risco de TVP. • Hipercoagulabi l idade é um mecanismo homeostático concebido para aumentar a formação de coágulos, e as condições que aumentam a concentração ou a ativação de fa tore s de coagu lação pred i spõem ao desenvolvimento de TVP. • A trombose também pode ser causada por deficiências hereditárias ou adquiridas de determinadas proteínas plasmáticas que normalmente inibem a formação de trombos, como a antitrombina III, proteína C e proteína S. • No entanto, os fatores de risco hereditário mais comuns são o fator V de Leiden e mutações nos genes da protrombina. • O uso de contraceptivos orais e a terapia de reposição hormonal parecem incrementar a coagulação e predispõem à trombose venosa, um risco que é ainda maior em mulheres fumantes. • Determinados tipos de câncer estão associados ao aumento na tendência à coagulação e, embora o motivo seja desconhecido, substâncias que promovem a coagulação do sangue podem ser produzidas pelas células tumorais ou liberadas dos tecidos circundantes em resposta a um crescimento canceroso. • Interações imunológicas com células cancerosas podem resultar na liberação de citocinas capazes de causar dano endotelial e predispor ao desenvolvimento de trombose. • Uma lesão ao vaso pode ser resultado de um traumatismo ou de uma intervenção cirúrgica. • Também pode ocorrer secundariamente a um processo infeccioso ou inflamatório na parede do vaso. Fatores De Risco Para Trombose Venosa Muito embora a trombose venosa possa acontecer sem explicação em cerca de quase metade dos pacientes, existem fatores que contribuem para o seu aparecimento: 1. Predisposição genética (trombofilias genéticas); 2. Idade acima de 40 anos; 3. Gravidez e período após o parto; 4. Câncer, obesidade, tabagismo; 5. Uso de anticoncepcionais e reposição hormonal.; 6. Infecções, doenças cardíacas e pulmonares grave; 7. Alteração de fatores de coagulação; 8. Traumatismos (fraturas, hemorragia interna); 9. Redução da mobilidade (pela imobilização de um membro por fratura, entorse, etc.); 10. Pacientes acamados; 11. Cirurgias de longa duração; 12. Viagens na posição sentada por mais de 6 horas; 13. Varizes e suas complicações; 14. História familiar de trombose. Manifestações Clínicas • Muitos indivíduos com trombose venosa são assintomáticos; em até 50% dos casos a TVP é assintomática. • A inexistência de sinais e sintomas provavelmente ocorre porque a veia não está totalmente ocluída ou por causa da circulação colateral. Quando presentes, podem consistir de: 1. Dor; 2. Edema (principalmente unilateral e assimétrico); 3. Eritema; 4. Cianose; 5. Dilatação do sistema venoso superficial; 6. Aumento de temperatura; 7. Empastamento muscular; 8. Sensibilidade dos músculos profundos; 9. Dor à palpação. Maria Vitória de Sousa Santos Sinais no exame clínico: 1. Sinal de Bancroft: Surge quando o paciente apresenta dor ao realizar o aperto da musculatura da perna contra a tíbia. 2. Sinal de Homans: O paciente refere dor na dorso-flexão do pé. 3. Sinal da Bandeira: Diminuição da mobilidade da panturrilha secundária a um edema. Diagnóstico Vários testes são úteis para essa finalidade, incluindo venografia ascendente, ultrassonografia (p. ex., em tempo real, modo B, dúplex) e quantificação do dímero D no plasma. 1. Ultrassonografia com Doppler 2. Flebografia 3. D- Dímero Tratamento • A terapia profilática com anticoagulantes frequentemente é empregada em pessoas com alto risco para o desenvolvimento de trombose venosa profunda. • Os objetivos do tratamento da trombose venosa devem se concentrar em evitar a formação de trombos adicionais, evitar a extensão e embolização de trombos existentes e minimizar os danos às válvulas venosas. ANTICOAGULANTES Os anticoagulantes inibem a ação dos fatores de coagulação (p. ex., heparina) ou interferem com a síntese dos fatores de coagulação (p. ex., antagonis- tas da vitamina K, como a varfarina). 1- Heparina A heparina é um anticoagulante injetável de ação rápida, usado com frequência para interferir agudamente na formação de trombos. 1. Mecanismo de ação: A heparina atua em inúmeros alvos moleculares, mas seu efeito anticoagulante é consequência da ligação à antitrombina III, com a rápida inativação subsequente dos fatores de coagulação. Na ausência de heparina, a antitrombina III interage lentamente com a trombina e o fator Xa. Quando a heparina se liga à antitrombina III, ocorre uma alteração conformacional que catalisa a inibição da trombina cerca de mil vezes. As HBPMs complexam com a antitrombina III e inativam o fator Xa (incluindo o localizado nas superfícies das plaquetas), mas não se ligam tão avidamente à trombina. 7-Varfarina Os anticoagulantes cumarínicos devem sua ação à habilidade de antagonizar a função de cofator da vitamina K. O único anticoagulante cumarínico terapeuticamente relevante é a varfarina. 1. Mecanismo de ação: Seu mecanismo de ação ocorre através da inibição da conversão cíclica da vitamina K, induzindo a produção e a s e c r e ç ã o h e p á t i c a d e p r o t e í n a s descarboxiladas ou parcialmente carboxiladas, que apresentam 10 a 40%da atividade biológica normal. Sendo assim a varfarina não consegue ser efetiva sobre a atividade de moléculas plenamente carboxiladas na circulação e em doses terapêuticas, reduzindo em 30 a 50% a quantidade total dos fatores II, VII, IX e X. O efeito antitrombótico pleno após a instituição da terapia com varfarina só é atingido após alguns dias. EMBOLIA PULMONAR • A embolia pulmonar se desenvolve quando uma substância transmitida pelo sangue se aloja em um ramo da artéria pulmonar e obstrui o fluxo sanguíneo. • A embolia pode consistir em um trombo, no ar que tenha sido acidentalmente injetado durante uma infusão intravenosa, na gordura que foi mobilizada a partir da medula óssea depois de uma fratura ou a partir de um depósito traumático de gordura, ou líquido amniótico que tenha entrado na circulação materna após a ruptura das membranas no momento do parto. Fisiopatologia • Quase todas as embolias pulmonares resultam de trombos que surgem a partir de trombose venosa profunda (TVP) nos membros inferiores ou superiores. • Os efeitos da embolia na circulação pulmonar estão relacionados com a obstrução mecânica da circulação pulmonar e os reflexos neuro-humorais que causam vasoconstrição. A obstrução do fluxo sanguíneo pulmonar provoca: 1. Broncoconstrição reflexa na área afetada do pulmão 2. Perda de ventilação 3. Comprometimento das trocas gasosas 4. Perda de surfactante alveolar (provocada pelo déficit de irrigação) 5. Hipertensão pulmonar 6. Insuficiência cardíaca direita quando sucede vasoconstrição maciça por causa de um grande êmbolo. Fatores de risco Dentre os fatores fisiológicos que contribuem para o desenvolvimento de trombose venosa, destaca-se a tríade de Virchow, que consiste em estase venosa, Maria Vitória de Sousa Santos l e s ã o e n d o t e l i a l v e n o s a e e s t a d o s d e hipercoagulabilidade. Manifestações Clínicas As manifestações de embolia pulmonar dependem do tamanho e da localização da obstrução. Sintomas frequentes: 1. Dor no tórax; 2. Dispneia; 3. Aumento da frequência respiratória. 4. Ocorre hipoxemia moderada, sem retenção de dióxido de carbono, como resultado do comprometimento das trocas gasosas. Sintomas de embolia moderada: 1. Dificuldade respiratória acompanhada de dor pleurítica; 2. Apreensão; 3. Febre baixa; 4. Tosse produtiva com expectoração de sangue; 5. Taquicardia para compensar a diminuição da oxigenação e o padrão de respiração é rápido e superficial. Sintomas de embolia maciça: 1. Colapso repentino; 2. Dor subesternal no tórax, choque e, às vezes, a perda de consciência; 3. O pulso é rápido e fraco, a pressão arterial é baixa, as veias do pescoço se mostram distendida; 4. Falência aguda do ventrículo direito (cor pulmonale agudo); 5. Infarto pulmonar; 6. Pele se apresenta cianótica e diaforética. Efeitos da obstrução • A obstrução aguda da circulação arterial pulmonar promove aumento da pressão arterial pulmonar, causada tanto pela obstrução mecânica como pela liberação de substâncias vasoconstritoras do trombo, como serotonina e tromboxano A, liberadas pelas plaquetas da massa trombótica. • Esse aumento de pressão na artéria pulmonar é refletida na pós-carga do VD. • Como consequência, o VD se dilata e o septo interventricular (SIV) é rechaçado para a esquerda, diminuindo a cavidade do ventrículo esquerdo (VE). • Com a disfunção do VD, há diminuição de seu débito para o pulmão e, consequentemente, para o VE. • O enchimento do VE é prejudicado pela diminuição do débito do VD para o VE, pela obstrução vascular pulmonar e pela redução de sua cavidade pelo rechaçamento do SIV, alterações estas que promovem redução do débito cardíaco (DC) que, se for importante, pode levar ao choque. • Com a distensão do VD, há também aumento da pressão do seio coronariano, com diminuição da perfusão coronariana. • A perpetuação desse ciclo pode levar a infarto do VD, choque e morte. Diagnóstico • O diagnóstico de embolia pulmonar deve se basear em s ina i s e s in tomas c l ín icos, determinações de gasometria sanguínea, estudos de trombose venosa, teste da troponina, dímero D, radiografias do pulmão e TC helicoidais do tórax. • Os exames laboratoriais e os radiológicos são úteis na exclusão de outras condições capazes de originar sintomas semelhantes. 1. Eletrocardiograma 2. Ecocardiograma 3. Ultrassonografia com Doppler 4. Dímero D 5. Radiografia de tórax 6. Cintilação pulmonar de ventilação e perfusão 7. Angiotomografia computadorizada helicoidal 8. Angiografia pulmonar: Tratamento Os objetivos do tratamento de embolia pulmonar devem se concentrar na: 1. Prevenção de TVP e do desenvolvimento de tromboembolismo; 2. Proteção dos pulmões contra a exposição ao tromboêmbolo quando ocorre; 3. Manutenção da vida e no restabelecimento do fluxo sanguíneo pulmonar no caso de grande e embolia pulmonar potencialmente fatal. • A terapia trombolítica com ativador do plasminogênio tecidual recombinante pode ser indicada em pessoas com êmbolos múltiplos ou grandes. • A prevenção se concentra na identificação de pessoas em risco, prevenção de estase venosa e de estados de hipercoagulabilidade, e a detecção precoce da trombose venosa. • É importante que a pessoa comece a se movimentar o mais rapidamente possível após a doença ou após um procedimento cirúrgico. • Para as pessoas em risco de desenvolvimento da doença, o uso de meias elásticas de compressão graduada e botas de compressão pneumática intermitentes (CPI) pode impedir a estase venosa. • A profilaxia farmacológica envolve a utilização de fármacos anticoagulantes. • É frequentemente utilizada a heparina de baixo peso molecular. Maria Vitória de Sousa Santos • A varfarina, um anticoagulante oral, pode ser utilizada para pessoas com risco a longo prazo de desenvolvimento de tromboembolia. BRONCOASPIRAÇÃO A broncoaspiração é a entrada de substâncias estranhas, tais como alimentos e saliva, na via respiratória. Essa condição pode ocorrer pelo enfraquecimento dos músculos usados na deglutição, o que pode causar a dificuldade no ato de engolir, também conhecida como disfagia. FATORES DE RISCO Algumas s i tuações ou condições cl ínicas comprometem a proteção fisiológica das vias aéreas inferiores, alterando principalmente o correto fechamento glótico e o reflexo da tosse, dentre elas: 4. Consciência reduzida; 5. Distúrbios de deglutição / déficit neurológico; 6. Doença do refluxo gastroesofágico; 7. Lesão mecânica na glote ou no esfíncter esofágico inferior devido à traqueostomia, intubação endotraqueal, broncoscopia, endoscopia digestiva; 8. Alimentação por sonda nasogástrica; 9. Pacientes submetidos a qualquer procedimento oral; 10. Paciente com higiene oral prejudicada; 11. Pacientes submetidos a cirurgias buco maxilar, cabeça e pescoço; com complicações da anestesia; 12. Idosos; 13. Crianças menores de 1 ano (sufocação) e prematuridade; 14. Pacientes gravemente enfermos e ventilados mecanicamente. - Observação: Pacientes idosos tendem a aspirar devido a condições associadas ao envelhecimento que alteram o nível de consciência, uso de sedativos, distúrbios neurológicos, fraqueza e outros distúrbios, como empiema (pus franco no espaço pleural) pulmonar. Na população pediátrica, as causas de disfagia que podem causar aspiração broncopulmonar incluem: paralisia cerebral; lesão cerebral adquirida / traumática; outras doenças neuromusculares; malformações craniofaciais; malformações das vias aéreas; doença card íaca congêni ta ; doença gastrointestinal; lesões por ingestão; e nascimento prematuro. SINTOMAS DE BRONCOASPIRAÇÃO Os principais sintomas de broncoaspiração podem ser: 1. Tosse ou engasgo; 2. Regurgitação; 3. Febre e calafrios; 4. Fadiga; 5. Confusão; 6. Dor ou impossibilidade de engolir; 7. Problemas para falar;8. Sibilâncias; 9. Cianose; 10. Palidez; 11. Dispneia de intensidade variável; 12. Excesso de saliva. COMPLICAÇÕES • As complicações mais comuns são pneumonia e pneumonite por aspiração, pois à medida que bactérias e outros microrganismos se tornam parte do infiltrado no tecido pulmonar, o efeito resultante é a inflamação nos pulmões e nos brônquios. • Ademais, a Aspiração Broncopulmonar pode causar síndrome do desconforto respiratório agudo, exacerbação da asma e lesão pulmonar aguda, resultando em morbidade e mortalidade significativas. Pneumonite e pneumonia • A pneumonite e a pneumonia por aspiração são causadas pela inalação de substâncias tóxicas e/ ou irritantes, geralmente conteúdo gástrico, aos pulmões. O resultado pode ser pneumonite indetectável ou química, pneumonia bacteriana, ou obstrução das vias respiratórias. • Os sintomas incluem tosse e dispneia. • O diagnóstico baseia-se em manifestações clínicas e radiografia de tórax. O tratamento e o prognóstico diferem quanto à substância aspirada. Pneumonite química • Múltiplas substâncias são diretamente tóxicas aos pulmões ou estimulam uma resposta inflamatória quando aspiradas; o ácido gástrico é o mais comum dessas substâncias aspiradas. • O c o n t e ú d o g á s t r i c o p r o v o c a l e s ã o principalmente por causa de ácido gástrico. • O ácido gástrico provoca queimadura química das vias respiratórias e dos pulmões, acarretando broncoconstrição rápida, atelectasia (colapso/ colabamento completo ou parcial de um pulmão), edema e hemorragia alveolar. • Essa síndrome pode desaparecer de forma espontânea, habitualmente em poucos dias, ou progredir para síndrome do desconforto respiratório agudo (condição em que há o acúmulo de fluidos nos sacos de ar dos pulmões, privando os órgãos de receberem oxigênio). Pneumonia por aspiração Maria Vitória de Sousa Santos • Indivíduos saudáveis comumente aspiram pequenas quantidades de secreções orais, mas os mecanismos de defesa normais geralmente eliminam o inóculo sem sequelas. • A aspiração de grandes quantidades ou a a s p i r a ç ã o e m u m p a c i e n t e c o m comprometimento das defesas pulmonares com frequência provoca pneumonia e/ou abcesso pulmonar. • A pneumonia aspirativa, é uma infecção do pulmão causada pela aspiração ou inalação de líquidos ou partículas que vieram da boca ou do estômago, atingindo as vias respiratórias, e levando ao aparecimento de alguns sinais e sintomas como tosse, sensação de falta de ar e dificuldade para respirar, por exemplo. • Pacientes idosos tendem a aspirar por causa de condições associadas ao envelhecimento que alteram a consciência (p. ex., o uso de sedativos) e outras doenças (p. ex., transtornos neurológicos, transtornos da deglutição). • A pneumonia aspirativa, também chamada de pneumonia por aspiração, está normalmente associada com alterações da deglutição e, por isso, acontece com mais frequência em bebês, idosos e pessoas que respiram com ajuda de aparelhos. • Os principais sintomas de pneumonia aspirativa são: Febre acima de 38ºC; Tosse com catarro, que muitas vezes tem mau cheiro; Sensação de falta de ar; Dificuldade para respirar; Dor no tórax; Cansaço fácil. • Pneumonia aspirativa em bebê: A pneumonia aspirativa em bebê é uma das principais infecções nos pulmões em crianças com menos de 1 ano de idade, uma vez que é comum que o lactente se engasgue ou coloque objetos pequenos objetos na boca, que podem ir para os pulmões. Geralmente, essa pneumonia é causada por engasgamentos com vômito, podendo acontecer quando o bebê tem malformações do esôfago, como atresia ou quando regurgita de barriga para cima. Hipoxemia grave • A obstrução da via aérea superior, quando não tratada a tempo, pode levar a hipoxemia e, em seguida, evoluir rapidamente, causando hipóxia grave (falta de oxigênio disponível aos tecidos corpóreos), perda de consciência e morte. • A hipoxemia grave apresenta o padrão de respiração de Cheyne-Stokes, caracterizada por períodos de apneia de 10 a 20 segundos separados por períodos iguais de hiperventilação, quando o volume corrente aumenta e diminui de maneira gradual COMO PREVENIR BRONCOASPIRAÇÃO 1. Deixe o chão de casa sempre limpo e tenha cuidado ao manusear alimentos em grão por causa das crianças; 2. Evite dar aos pequenos alimentos como pipoca e bala, pois eles facilitam o engasgo; 3. Após a amamentação, deixe o bebê em pé, no colo, por pelo menos 20 minutos antes de deitá- lo; 4. Na hora de dormir, lembre-se de fazer com que o berço fique um pouco mais alto do lado em que a criança deita a cabeça; 5. Deixe a criança dormir do lado esquerdo para n ã o c o m p r i m i r o e s t ô m a g o a p ó s a amamentação. Isso evita as golfadas e, consequentemente, a sufocação por engasgo; 6. Não dormir logo depois que comer; 7. Mastigar os alimentos adequadamente; 8. Comer devagar; 9. Vigie a criança enquanto ela dorme para que as medidas de socorro possam ser tomadas em tempo hábil caso ocorra algum acidente. DIAGNÓSTICO 1. Raio X do tórax: Pode observado: imagens de condensação por atelectas ia e/ou pneumonia secundaria, além de obstrução parcial que pode originar enfisema. 2. Broncoscopia: Permite avaliar a traqueia, os brônquios e parte dos pulmões. É introduzido um broncoscópio (tubo) na boca ou no nariz do paciente, que possui na sua extremidade uma câmara de vídeo e uma fonte de luz fria, permitindo ao médico examinar diretamente as vias respiratórias. 3. Videofluoroscopia de deglutição: Exame mais avançado para a avaliação da deglutição, que possibilita o diagnóstico das disfagias. 4. Salivograma: Exame cintilográfico que pode demonstrar as microaspirações causadas por di s túrbios de deg lut ição. Possui a l ta sensibilidade, comparado com outros exames diagnósticos para broncoaspiração, podendo ser detectadas microaspirações. TRATAMENTO • Em casos de emergência, o tratamento visa melhorar a oxigenação do paciente e evitar a disseminação do material aspirado, estando o mesmo na dependência do tipo de material e gravidade da aspiração em relação à frequência e volume, quadro clínico e temporalidade do evento • Endoscopia: retirada do corpo estranho com auxílio de um equipamento flexível. • Traqueotomia: procedimento reservado para pacientes que aspiraram corpo estranho muito Maria Vitória de Sousa Santos grande, que não podem passar na região sub - glote. TUBERCULOSE O QUE É TUBERCULOSE? • A tuberculose é uma doença infecciosa e transmissível que afeta prioritariamente os pulmões, embora possa acometer outros órgãos e/ou sistemas. A doença é causada pelo Mycobacterium tuberculosis ou bacilo de Koch. • A transmissão é direta, de pessoa a pessoa, portanto, a aglomeração de pessoas é o principal fator de transmissão. • O doente expele, ao falar, espirrar ou tossir, pequenas gotas de saliva que contêm o agente infeccioso e podem ser aspiradas por outro indivíduo contaminando-o. • Má alimentação, falta de higiene, tabagismo, alcoolismo, uso de drogas ilíticas ou qualquer outro fator que gere baixa resistência orgânica, também favorece o estabelecimento da doença. ETIOLOGIA • Tuberculose é uma doença infecciosa causada pela micobactéria M. tuberculosis. • Esses microrganismos são semelhantes às outras bactérias, com exceção de sua cápsula cerosa externa que as torna mais resistentes à destruição; o bacilo da tuberculose pode persistir em lesões necróticas e calcificadas antigas e manter sua capacidade de reiniciar a proliferação. • Os bacilos da tuberculose são aeróbios estritos, que proliferam em ambientes ricos em oxigênio. • Isso explica sua tendência de causar doença dos lobos superiores ou das partes mais altas do lobo inferior do pulmão, onde a ventilação e a concentração de oxigênio são mais altas. Estrutura da Mycobacterium tuberculosis O Mycobacteriumtuberculosis possui três componentes em sua parede, cada um com determinada função na reação inflamatória: (1) lipídeos, que são responsáveis pela ativação de monócitos e macrófagos e sua posterior transformação em células epitelioides e células gigantes multinucleadas; (2) proteínas (tuberculoproteína), que conferem sensibilização ao bacilo e contribuem para a formação de células epitelioides e células gigantes; (3) carboidratos, responsáveis pela reação neutrofílica. PATOGÊNESE • A patogênese da tuberculose que acomete indivíduos imunocompetentes não expostos anteriormente é centrada na formação de uma resposta imune celular, que confere resistência ao microrganismo e leva ao desenvolvimento de hipersensibilidade tecidual aos antígenos da tuberculose. • As características destrutivas da doença, inclusive a necrose caseosa e a formação de cavidades, resultam da reação imune de hipersensibilidade, em vez da capacidade destrutiva do bacilo da tuberculose. • Os macrófagos são as células principais infectadas pelo M. tuberculosis. • Os núcleos goticulares inalados descem pela árvore brônquica sem aderir ao epitélio e são depositados nos alvéolos. • Pouco depois de entrar nos pulmões, os bacilos são fagocitados pelos macrófagos alveolares, mas resistem à destruição, aparentemente porque os lipídios da parede celular do M. tuberculosis impedem a fusão dos fagossomos e lisossomos. • Embora os macrófagos que ingerem inicialmente o M. tuberculosis não consigam destruí-lo, estas células iniciam uma reação imune celular que, por fim, contém a infecção. • À medida que os bacilos da tuberculose multiplicam-se, os macrófagos infectados decompõem as micobactérias e apresentam seus antígenos aos linfócitos T. • Por sua vez, os linfócitos T sensibilizados estimulam os macrófagos a aumentar sua concentração de enzimas líticas e sua capacidade de destruir as micobactérias. • Quando são liberadas, essas enzimas líticas também destroem os tecidos do pulmão. • O desenvolvimento de uma população de linfócitos T ativados e a formação concomitante de macrófagos ativados capazes de ingerir e destruir os bacilos constituem a resposta imune celular – um processo que demora cerca de 3 a 6 semanas para que se torne eficaz. • Nos indivíduos com imunidade celular normal, a resposta imune celular resulta na formação de Maria Vitória de Sousa Santos uma lesão granulomatosa brancoacinzentada bem demarcada conhecida como foco de Ghon, que contém os bacilos da tuberculose, macrófagos modificados e outras células imunes. • Em geral, essa lesão está localizada na área subpleural dos segmentos superiores dos lobos inferiores ou nos segmentos inferiores do lobo superior. • Quando a quantidade de microrganismos é grande, uma reação de hipersensibilidade produz necrose significativa dos tecidos e provoca necrose caseosa (semelhante ao queijo) macia. • Durante esse mesmo período, os bacilos da tuberculose liberados dos macrófagos são levados pela drenagem linfática até os linfonodos traqueobrônquicos do pulmão afetado e lá provocam a formação de granulomas caseosos. • A combinação da lesão pulmonar primária com os granulomas dos linfonodos é conhecida como complexo de Ghon. • Por fim, o complexo de Ghon cicatriza e sofre retração, fibrose e calcificação – esta última detectável nas radiografias. • En t re tan to, quan t idade s pequenas de microrganismos são capazes de permanecer viáveis por alguns anos. • Mais tarde, quando os mecanismos imunes decaem ou falham, a infecção tuberculosa latente pode evoluir para tuberculose secundária. TIPOS DE TUBERCULOSE Tuberculose Primária • A tuberculose primária é a forma da doença que se desenvolve em uma pessoa previamente não exposta e, portanto, não sensibilizada. • Nos casos típicos, essa infecção é iniciada em consequência da inalação de núcleos goticulares contendo bacilos da tuberculose. • A maioria dos pacientes com tuberculose primária desenvolve infecção latente, na qual linfócitos T e macrófagos circundam os microrganismos dos granulomas limitando sua disseminação. • Pacientes com tuberculose latente não têm doença em atividade e não podem transmitir o bacilo às outras pessoas. • Na maioria das pessoas, a infecção primária é contida, porém, em outras, a tuberculose primária é progressiva. • Esses pacientes desenvolvem tuberculose primária progressiva com destruição continuada dos tecidos pulmonares e disseminação da doença para diversas áreas do pulmão. Tuberculose progressiva • A tuberculose progressiva primária é causada por reinfecção secundária aos núcleos goticulares inalados ou pela reativação de uma lesão primária previamente cicatrizada. • Em geral, isso ocorre nos casos em que os mecanismos de defesa do organismo estão deprimidos. • A imunidade parcial que acompanha a tuberculose primária confere proteção contra reinfecção e, até certo ponto, ajuda a delimitar a doença, caso aconteça reativação. O primeiro contato do bacilo com o indivíduo (primoinfecção) determina diversas reações: 1. Exsudativa (nódulo exsudativo) 2. Produtiva (granuloma duro) 3. Produtivo-caseosa (granuloma com necrose caseosa) 4. Cicatrizante (nódulo calcificado). Reação exsudativa • O bacilos inalados chegam aos alvéolos, onde macrófagos alveolares e polimorfonucleares neutrófilos atraídos pela fração de carboidrato da bactéria são a primeira linha de defesa do hospedeiro. • Nas três primeiras semanas de infecção, a resposta inflamatória pulmonar é inespecífica (pneumonia) e feita por neutrófilos e macrófagos. • Apesar de fagocitarem os bacilos, os macrófagos não os destroem, pois componentes do BK bloqueiam a fusão dos fagossomos com os lisossomos por meio da inibição da acidificação e do aumento de Ca++ no citoplasma. • Com isso, os bacilos permanecem vivos e proliferam. Em alguns indivíduos, há liberação de substâncias oxidantes e elastases, sobretudo pelos neutrófilos, que originam um foco de alveolite aguda exsudativa caracterizada por necrose de alvéolos, exsudação de fibrina, neutrófilos degenerados e grande número de bacilos viáveis (forma anérgica). Reação produtiva • Como a resposta puramente exsudativa não é suficiente para conter o avanço do bacilo, é acionada uma segunda linha de defesa. • Macrófagos contendo bacilos liberam IL-12, que estimula linfócitos T (Th1) a liberar citocinas, sobretudo interferon-γ (IFN-γ), que é o principal ativador de macrófagos, tornando-os capazes de matar os microrganismos. • Ao mesmo tempo, os macrófagos ativados liberam outras citocinas (p. ex., TNF-α) e quimiocinas que comandam a reação de hipersensibilidade (teste cutâneo à tuberculina) e a formação de granulomas. • Por ação do IFN-γ, macrófagos ativados transformam-se em células epitelioides; estas Maria Vitória de Sousa Santos tendem a se aglomerar e a formar sincícios, originando células gigantes multinucleadas. • Com a organização dessas células, a inflamação adquire o padrão granulomatoso. Reação produtivo-caseosa • Macrófagos, células epitelioides e linfócitos T causam a morte dos bacilos existentes no granuloma. • Dependendo do número de bacilos presentes e do grau de hipersensibilidade do hospedeiro, surge necrose caseosa no centro do granuloma. • Quanto maior a carga de bacilos e maior o grau de hipersensibilidade do hospedeiro, maior é a extensão da necrose nos granulomas. Reação de cicatrização • Com a morte dos bacilos e o controle da multiplicação bacteriana, o granuloma segue o curso natural de reparação de toda reação inflamatória, que é sua colagenização induzida pelo fator de crescimento de fibroblastos (FGF) secretado por macrófagos. • Com isso, a lesão entra em processo de cicatrização, hialinização e calcificação. Tuberculose Secundária • A tuberculose secundária é o padrão da doença que surge em um hospedeiropreviamente sensibilizado. • Ela pode seguir logo após a tuberculose primária, porém mais comumente aparece muitos anos após a infecção inicial, usualmente quando a resistência do hospedeiro está enfraquecida. • Ela mais comumente deriva da reativação de uma infecção latente, mas também pode resultar de uma reinfecção exógena, no caso de uma redução da imunidade do hospedeiro, ou quando um grande inóculo de bacilos virulentos sobrecarrega o sistema imune do hospedeiro. • A tuberculose pulmonar secundária classicamente envolve o ápice dos lobos superiores de um ou ambos os pulmões. • Devido à preexistência de hipersensibilidade, os bacilos elicitam uma imediata e marcante resposta tecidual, que tende a isolar o foco de infecção. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS Tuberculose primária Normalmente a primária é assintomática, mas nos pacientes com doença progressiva, os sintomas em alguns casos geralmente são insidiosos e inespecíficos, inclusive: 1. Febre alta; 2. Emagrecimento; 3. Fadiga; 4. Sudorese noturna; 5. Pleurite; 6. Linfadenite; 7. Inicialmente a tosse é seca e logo depois de torna produtiva com escarros purulentos com raias de sangue (a medida que a doença progride, contribuindo para a infecção de outras pessoas); 8. Dispneia (Surge a medida que a doença avança para tuberculose progressiva primária tardia); 9. Estertores a ausculta pulmonar 10. Erosão de um vaso sanguíneo (disseminação hematogênica- tuberculose miliar). Tuberculose secundária Sintomas sistêmicos, provavelmente relacionados com citocinas liberadas pelos macrófagos ativados (p. ex., TNF e IL‐1), frequentemente aparecem precocemente no curso da doença e incluem: 1. Mal‐estar; 2. Anorexia; 3. Perda de peso; 4. Febre (comumente é baixa e remitente, aparecendo no fim da tarde e então decresce). 5. Com o envolvimento pulmonar progressivo, aparece um aumento na quantidade de escarro, primeiramente mucoide e depois purulento; 6. Algum grau de hemoptise está presente em cerca de metade de todos os casos de tuberculose pulmonar; 7. Dor pleurítica pode resultar da extensão da infecção para as superfícies pleurais; 8. Manifestações extrapulmonares de tuberculose são numerosas e dependem do sistema de órgãos envolvido. FATORES DE RISCO Diversos fatores podem comprometer a resposta imune e facilitar o adoecimento, sendo os mais conhecidos: 1. Extremos de dade (neonatos e idosos); 2. Desnutrição; 3. Diabetes 4. Infecção pelo HIV 5. Neoplasias; 6. Imunodepressão por uso de medicações (uso crônico de corticóides, imunodepressores); 7. Tabagismo; 8. Etilismo. - Observação: A poluição do ar, locais mal ventilados e com concentração de pessoas, situação comum nas cidades, aumentam o risco de adoecer por TB. Algumas populações especiais apresentam também um risco aumentado de adoecer por TB. Os moradores de rua e presidiários. A realidade dos presídios brasileiros favorece a disseminação da bactéria da tuberculose: superlotação, baixa incidência solar, acesso limitado ao serviço de saúde, Maria Vitória de Sousa Santos desnutrição, uso de álcool e drogas e comorbidades como HIV. DIAGNÓSTICO Os métodos de triagem usados mais comumente para diagnosticar tuberculose pulmonar são testes cutâneos tuberculínicos e radiografias do tórax. 1. Teste cutâneo tuberculínicos: O teste c u t â n e o c o m t u b e r c u l i n a a v a l i a a hipersensibilidade retardada (i. e., celular, ou do tipo IV) que se segue à exposição ao bacilo da tuberculose. Os pacientes que positivam sua reação ao teste tuberculínico geralmente assim continuam por toda sua vida. Uma reação positiva ao teste cutâneo não significa que o indivíduo tenha tuberculose em atividade. Isso significa apenas que houve exposição ao bacilo e que o indivíduo desenvolveu imunidade celular ao microrganismo. 2. Baciloscopia direta : O diagnóstico definitivo da tuberculose pulmonar em atividade baseia-se no isolamento dos bacilos em cul turas, ou na ident ificação do microrganismo a partir das técnicas de amplificação do ácido desoxirribonucleico (DNA) ou RNA. 3. Cultura: Exames bacteriológicos com amostras de escarro iniciais, aspirados gástricos o u l ava d o s b r ô n q u i c o s o b t i d o s p o r broncoscopia de fibra óptica podem ser realizados. 4. Radiografia de tórax: A radiografia de tórax é método diagnóstico de grande importância na investigação da tuberculose. Nela podem ser observados vários padrões radiológicos sugestivos de atividade de doença, como cavidades, nódulos, consolidações, massas, processo intersticial (miliar), derrame pleural e alargamento de mediastino. 5. TC do tórax: A tomografia computadorizada (TC) do tórax é mais sensível para demonstrar alterações anatômicas dos órgãos ou tecidos comprometidos e é indicada na suspeita de tb pulmonar quando a radiografia inicial é normal, e na diferenciação com outras doenças torácicas, especialmente em pacientes imunossuprimidos. 6. Te s t e r á p i d o m o l e c u l a r p a r a tuberculose (TRM): TRM-TB é um teste de amplificação de ácidos nucleicos utilizado para detecção de DNA dos bacilos do complexo M. tuberculosis e triagem de cepas resistentes à rifampicina. TRATAMENTO • Os objetivos do tratamento são erradicar todos os bacilos da tuberculose do paciente infectado, ao mesmo tempo que se evita o desenvolvimento de resistência significativa aos fármacos. • O tratamento da tuberculose em atividade requer o uso de vários fármacos. Os principais fármacos usados para tratar tuberculose são: 1. Isoniazida: A INH é extremamente potente contra o bacilo da tuberculose e, talvez, o fármaco mais amplamente utilizado para tratar essa doença. Embora seu mecanismo de ação exato ainda seja desconhecido, aparentemente o fármaco combina-se com uma enzima necessária às cepas do bacilo da tuberculose sensíveis à INH. A resistência ao fármaco desenvolve-se rapidamente e a combinação com outros fármacos eficazes dificulta o desenvolvimento de resistência. 2. Rifampicina: A rifampicina inibe a síntese de RNA no bacilo. 3. Pirazinamida (PZA) e Etambutol: Embora o etambutol e a PZA inibam comprovadamente a proliferação do bacilo da tuberculose, seus mecanismos de ação são praticamente desconhecidos. 4. Estreptomicina: A estreptomicina deve ser administrada por injeções, limitando sua utilidade, principalmente no tratamento de longa duração. Entretanto, a estreptomicina ainda é um fármaco importante para o tratamento da tuberculose e é usado em especial nos pacientes com formas graves e potencialmente fatais da doença. • O tratamento da tuberculose é padronizado, deve ser realizado de acordo com as recomendações do Ministério da saúde e compreende duas fases: 1. Intensiva (ou de ataque) tem como objetivo reduzir rapidamente a população bacilar e a eliminação dos bacilos com resistência natural a algum medicamento. Uma consequência da redução rápida da população bacilar é a diminuição da Maria Vitória de Sousa Santos contagiosidade. Para tal, são associados medicamentos com alto poder bactericida. 2. Manutenção tem o objetivo de eliminar os bacilos latentes ou persistentes e a redução da possibilidade de recidiva da doença. Nessa fase, são associados dois m e d i c a m e n t o s c o m m a i o r p o d e r bactericida e esterilizante, ou seja, com boa atuação em todas as populações bacilares. ESQUEMAS O esquema indicado para casos novos em adultos e adolescentes (> 10 anos), de todas as formas de tuberculose pulmonar e extrapulmonar (exceto a forma meningoencefálica), infectados ou não por HIV: 1. Fase intensiva: Rifampicina (R) + Isoniazida (H) + Pirazinamida (Z) + Etambutol (E) durante 2 meses (2 RHZE). 2. Fase de manutenção: Rifampicina + Isoniazida durante 4 meses (4 RH). O esquema indicado para casos novos em crianças (exceto a forma meningoencefálica), infectados ou não por HIV: 1. Fase de ataque: 2 RHZ 2. Fase de manutenção: 4 RH - Observação: O etambutol não é recomendado como tratamento para crianças comna produção de urina. 4. Peptídio natriurético atrial (PNA). Liberado pelas células do átrio do coração, o PNA reduz a pressão arterial ao causar vasodilatação e promover a perda de sal e água na urina, o que reduz o volume sanguíneo. HIPERTENSÃO ARTERIAL DEFINIÇÃO DE HIPERTENSÃO ARTERIAL • A hipertensão arterial (HA) é uma doença crônica não transmissível (DCNT) definida por níveis pressóricos, em que os benefícios do tratamento (não medicamentoso e/ ou medicamentoso) superam os riscos. • Trata-se de uma condição multifatorial, que depende de fatores genéticos/ epigenéticos, ambientais e sociais, caracterizada por elevação persistente da pressão arterial (PA), ou seja, PA sistólica (PAS) maior ou igual a 140 mmHg e/ou PA diastólica (PAD) maior ou igual a 90 mmHg, medida com a técnica correta, em pelo menos duas ocasiões diferentes, na ausência de medicação anti-hipertensiva. FATORES DE RISCO PARA HA Entre os fatores de risco, destacam-se: genéticos; biológicos, que inclui idade, sexo e raça; ambientais e estilo de vida, que incluem sobrepeso e obesidade, consumo dietético excessivo de sódio e inadequado de potássio, dieta não saudável Maria Vitória de Sousa Santos atividade física insuficiente e consumo de álcool e apneia obstrutiva do sono. DIAGNÓSTICO • A avaliação inicial de um paciente com hipertensão arterial (HA) inclui a confirmação do diagnóstico, a suspeita e a identificação de causa secundária, além da avaliação do risco cardiovascular (CV). Fazem parte dessa avaliação: 1. A medida da pressão arterial (PA) no consultório e/ou fora dele, utilizando-se técnica adequada e equipamentos validados e calibrados. 2. A obtenção de história médica (pessoal e familiar). 3. A realização de exame físico. 4. A investigação clínica e laboratorial. CLASSIFICAÇÃO TIPOS DE HIPERTENSÃO ARTERIAL Hipertensão arterial primária • Hipertensão essencial, também chamada de hipertensão primária, é a pressão arterial elevada (superior a 140/90 mmHg) sem qualquer causa identificável. • Embora a causa seja desconhecida, fatores relacionados ao estilo de vida do indivíduo estão correlacionados ao aparecimento da condição. Hipertensão arterial secundária • Hipertensão secundária é a elevação da pressão arterial em consequência de outra condição patológica. • Entre as causas mais comuns de hipertensão, secundária estão a doença renal (hipertensão renovascular), os distúrbios dos hormônios corticais suprarrenais, o feocromocitoma, a coarctação da aorta e o uso de anticoncepcionais orais. 1. Hipertensão renal: A hiper tensão renovascular se refere à hipertensão causada pela redução do fluxo sanguíneo renal e pela ativação do mecanismo da renina-angiotensina- aldosterona. É a causa mais comum de hipertensão secundária, sendo responsável por 1 a 2% de todos os casos de hipertensão. Como consequência da diminuição do fluxo sanguíneo renal observada com a doença renovascular, o rim afetado libera quantidades excessivas de renina, aumentando os níveis circulantes de angiotensina II. 2. D i s t ú r b i o s d o s h o r m ô n i o s adrenocorticais: O aumento dos níveis de hormônios adrenocorticais também pode ocasionar a hipertensão, em consequência da retenção renal de sal e água induzida por hormônios. 3. Feocromocitoma: O feocromocitoma é um tumor do tecido cromafínico, o qual contém células nervosas simpáticas que são coradas com sais de cromo e liberam catecolaminas. 4. Coarctação da aorta: A coarctação da aorta é uma condição congênita envolvendo um estreitamento na área do arco aórtico. O estreitamento aórtico aumenta a resistência ao fluxo sanguíneo e isso eleva a pressão no ventrículo esquerdo, em uma tentativa de superar a resistência. 5. Anticoncepcionais orais: O uso de anticoncepcionais orais é uma causa comum de hipertensão secundária em mulheres jovens. A causa do aumento da pressão arterial não está muito clara, embora haja indícios de que a causa provável seja a expansão do volume, uma vez que tanto os estrogênios quanto as progesteronas sintéticas contidas nas pílulas anticoncepcionais orais causam retenção de sódio. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS DA HIPERTENSÃO • A hipertensão primária é tipicamente um distúrbio assintomático. • Os sintomas, quando ocorrem, frequentemente estão relacionados aos efeitos da hipertensão a longo prazo sobre outros sistemas de órgãos-alvo, como encéfalo, rins, coração, olhos e vasos sanguíneos. 1. Aterosclerose • A hipertensão é um fator de risco importante para a aterosclerose, porque promove e/ou acelera a formação de placas e sua possível ruptura. 2. Hipertrofia ventricular esquerda • A elevação na pressão arterial aumenta a carga de trabalho do ventrículo esquerdo, por aumentar a pressão contra a qual o coração precisa bombear o sangue ejetado na circulação sistêmica. • Com o passar do tempo, a pressão aumenta a carga de trabalho do coração, e a parede ventricular esquerda sofre remodelamento e hipertrofia para compensar o aumento do trabalho em decorrência da pressão. 3. Nefroesclerose hipertensiva Maria Vitória de Sousa Santos • A hipertensão crônica leva à nefroesclerose, causa comum de doença renal crônica. • A lesão dos rins é produzida por diversos mecanismos. Uma das formas mais significativas de a hipertensão causar lesão renal é por hipoperfusão glomerular, a qual promove glomeruloesclerose e fibrose tubulointersticial. • Outro mecanismo estudado inclui a disfunção endotelial decorrente da elevação da pressão glomerular. 4. Demência e AVE • Demência e comprometimento cognitivo são mais frequentes em hipertensos. A hipertensão, em particular a hipertensão sistólica, é um importante fator de risco para acidente vascular encefálico e hemorragia intracerebral. • Acredita-se que essas alterações contribuam para a hipoperfusão, perda da autorregulação do fluxo sanguíneo e comprometimento da barreira hematencefá l ica , finalmente levando à desmielinização da substância branca. 5. Olho • O olho de um hipertenso inicialmente apresenta aumento do tônus vasomotor, que causa estreitamento arteriolar generalizado. • Com a persistência da hipertensão, as alterações arterioscleróticas se agravam e incluem a hiperplasia da parede média, espessamento da íntima e degeneração hialina. • A longo prazo, essas alterações podem causar lacerações arteriovenosas (AV) mais graves e cegueira. INSUFICIÊNCIA CARDÍACA H I P E RT E N SÃO A RT E R I A L X H I P E RT ROF I A VENTRICULAR • A elevação na pressão arterial aumenta a carga de trabalho do ventrículo esquerdo, por aumentar a pressão contra a qual o coração precisa bombear o sangue ejetado na circulação sistêmica. • Com o passar do tempo, a pressão aumenta a carga de trabalho do coração, e a parede ventricular esquerda sofre remodelamento e hipertrofia para compensar o aumento do trabalho em decorrência da pressão. • A hipertrofia ventricular atua como um mecanismo adaptativo, por meio do qual o ventrículo consegue compensar o aumento no estresse da parede. • Essa hipertrofia ventricular esquerda é um fator de risco importante para o desenvolvimento de cardiopatia coronariana, arritmias cardíacas, morte súbita e insuficiência cardíaca congestiva, uma vez que o ventrículo não consegue bombear com eficiência. HIPERTROFIA E O REMODELAMENTO DO MIOCÁRDIO • O desenvolvimento da hipertrofia do miocárdio constitui um dos principais mecanismos utilizados pelo coração para compensar um aumento na carga de trabalho. • A hipertrofia e o remodelamento inadequados podem resultar em alterações na estrutura (i. e., massa muscular, dilatação das câmaras) e na função (i. e., comprometimento da função sistólica ou diastólica), as quais frequentemente levam à disfunção adicional da bomba e à sobrecarga hemodinâmica. TIPOS DE HIPERTROFIA 1. Hipertrofia concêntrica, com um aumento na espessuraonde podem ser expelidos ou ingeridos. • Estes últimos atravessam o tubo digestório e atingem o intestino delgado e dentro de 8 dias começa a exercer hematofagismo, fixando-se à mucosa, transformam-se na larva L5 (após 15 dias de infecção), seu habitat final. • Após 30 dias da infecção tornam-se adultos, exercem hematofagismo, iniciam a cópula e em seguida a oviposição (35 a 60 dias). Manifestações clínicas Os sintoma surge de acordo com a carga parasitária. 1. Palidez; 2. Olhos e mucosas descoradas; 3. Fadiga; 4. Vertigens; 5. Tonturas; 6. Desânimo e fraqueza; 7. Dores de cabeça; 8. Dores epigátricas; 9. Falta de apetite; 10. Cólicas; 11. Vômitos; 12. Flatulências; 13. Diarreias sanguinolentas ou não. 14. Anemia (pois os parasitos se alimentam de sangue); 15. O intestino é acometido pela destruição dos tecidos e ingestão de hemácias pelos parasitos, podendo gerar úlceras intestinais além de anemia e hipoproteinemia (causando uma hipoalbuminemia e edema generalizado -anasarca); 16. A penetração das larvas causa dermatites de intensidades variáveis de acordo com o número de larvas e o sistema imunológico do hospedeiro. 17. A passagem das larvas pelos pulmões pode provocar lesões transitórias e sintomas como dispneia, tosse e febre baixa. - Observação: As crianças intensamente infectadas podem também apresentar retardo de crescimento, decorrente de diarreia crônica com redução da absorção de nutrientes, bem como certo prejuízo do desenvolvimento cognitivo. - Observação: Podemos considerar uma fase aguda que corresponde ao período de migração das larvas no tecido cutâneo e pulmonar e uma fase crônica, a partir da instalação dos vermes adultos no intestino delgado, quando inicia o quadro de anemia, dependendo da carga parasitária. Controle e prevenção • Além de medidas como educação sanitária, saneamento adequado, canalização e tratamento dos esgotos domésticos, individualmente algumas medidas podem ser adotadas, como uso de calçados, lavagem adequada dos alimentos ingeridos crus e tratamento anti-helmíntico. Sendo o homem a única fonte de infecção, o tratamento em massa contribui com a profilaxia da doença. Diagnóstico • Exame de fezes: Métodos de Sedimentação Espontânea, Willis e TF Test. Tratamento • O tratamento das ancilostomatidoses pode ser feito com albendazol, mebendazol ou levamisol. • Nos casos de anemia é preciso associar dieta rica em ferro, e, quando o grau for elevado, pode ser Maria Vitória de Sousa Santos necessária uma suplementação com sulfato ferroso. 3 - S T R O N G Y L O I D E S S T E R C O R A L I S (ESTRONGILOIDÍASE) • Strongyloides stercoralis é o único nematódeo intestinal cujos ovos eclodem no próprio trato digestório humano, tornando possível ao parasito multiplicar-se no interior do hospedeiro pela autoinfecção. • Essa multiplicação pode ser extremamente eficaz, e eventualmente fatal, em indivíduos com comprometimento imunitário grave, como os receptores de transplantes e os pacientes com doenças crônicas debilitantes e infecção com o retrovírus HTLV-I. • Tem distribuição geográfica mundial, com incidência menor que a de ancilostomatídeos porque as larvas infectivas têm menor longevidade por não possuírem dupla bainha. Transmissão • A transmissão da estrongiloidíase ocorre pela penetração de larvas filarioides presentes no solo, através da pele do homem e também pelos mecanismos de autoinfecção interna e autoinfecção externa. 18. Autoinfecção externa ou exógena: A larva rabditoide na região perianal de um indivíduo infectado transforma-se em larva filarioide, infectando esse indivíduo completando o ciclo direto (em crianças, idosos, pacientes que usam fraudas, indivíduos com deficiência higiênica (fezes em pelos perianais); 19. Autoinfecção interna: A larvas rabditoides na luz do intestino se transformam nas larvas filarioides, penetram na mucosa intestinal (íleo ou cólon), apresentando infecção crônica; ocorre em indivíduos infectados com constipação intestinal, deficiência imunológica (imunossupressão, radioterapia, HIV positivo etc). Habitat • O S. stercoralis é encontrado no intestino delgado, em especial duodeno e jejuno, onde as fêmeas partenogenéticas vivem com a cabeça mergulhada na mucosa. Ciclo de vida • O S. stercoralis apresenta dois tipos de ciclo: direto e indireto, ambos monoxênicos, ou seja, com participação de um único hospedeiro, o homem. • A forma parasitária adulta é a fêmea partenogenética, que libera ovos embrionados no intestino, os quais eclodem liberando a larva rabditoide, que é eliminada para o meio exterior com as fezes. • A ocorrência de um ou de outro ciclo depende das condições climáticas e da constituição cromossômica das larvas. • As condições ambientais favoráveis ao desenvolvimento de larvas L1 até L3 no solo são semelhantes àquelas descr i tas para os ancilostomídeos: temperatura entre 25°C e 30°C, umidade elevada e ausência de luz solar direta. • Novas infecções são contraídas por penetração, na pele, dessas larvas filarioides infectantes, de m o d o a n á l o g o a o d e s c r i t o p a r a o s ancilostomídeos. • As fêmeas partenogenéticas triploides (3n) podem eliminar três tipos de ovos que eclodem ainda na luz do intestino, liberando as larvas rabditoides de três tipos: triploides (3n) que se transformam em larvas filarioides infectantes, diploides (2n) que originam as fêmeas de vida livre e haploides (1n) que evoluem para machos de vida livre. Ciclo direto, ou partenogenético • Havendo condições adequadas de clima e solo as larvas rabditoides (L1) eliminadas no solo, se forem triploides (3n), se desenvolverão para rabditoides (L2) e em seguida para filarioides (L3), também triploides, com capacidade de penetrar a pele do homem. Ciclo indireto ou sexuado ou de vida livre • Havendo condições adequadas de clima e solo, as larvas L1 eliminadas no solo, se forem haploides (n) ou diploides (2n), se desenvolverão, respectivamente, para machos e fêmeas de vida livre. • Após a cópula, as fêmeas produzem ovos que desenvolvem larvas rabditoides triploides que no solo evoluem até filarioides infectivas. As larvas filarioides (L3) resultantes de qualquer um dos ci- clos penetram pela pele do homem, caem na corrente sanguínea e chegam aos pulmões, de onde se dirigem para os alvéolos e mudam para L4, sobem pela árvore brônquica chegando à faringe, podendo ser expectoradas ou deglutidas. • Nesse caso, passam pelo trato digestório e chegam ao intestino delgado onde sofrem nova m u d a t r a n s f o r m a n d o - s e e m f ê m e a partenogenética que inicia a eliminação de ovos larvados entre 17 e 25 dias após a infecção. • Os ovos eclodem no intestino delgado e as larvas rabditoides são eliminadas para o ambiente junto com as fezes. • Em casos de constipação intestinal, pode ocorrer o mecanismo de autoinfecção interna devido às larvas rabditoides sofrerem mudas no intestino, transformando-se em filarioides infectivas, as quais penetram a mucosa e fazem o ciclo pulmonar. Maria Vitória de Sousa Santos • Esse mecanismo pode acarretar a cronificação da infecção levando a um quadro de hiperinfecção, ou infecção disseminada. • Essa forma pode ser fatal, especialmente nos pacientes imunossuprimidos, pois, devido à falta de de fe sa , a s l a rvas e a té a s f êmeas partenogenéticas poderão se localizar nos pulmões. • Outro mecanismo de transmissão possível é o da autoinfecção externa, comum em crianças que usam fraldas ou idosos que permanecem com restos de fezes na região perianal devido à má higiene, fazendo com que larvas rabditoides presentes nessa região se desenvolvam até filarioides infectivas. Manifestações clínicas • A patogenia na estrongiloidíase depende da carga parasitária, estado nutricional e resposta imune do parasitado. • As manifestações clínicas podem ocorrerna pele, nos pulmões e no intestino, podendo ser totalmente ausentes nas infecções com baixa carga parasitária. 1. Na fase cutânea: Dermatite, mas geralmente passa despercebida. 2. Na fase pulmonar: Infiltrado inflamatório e possível quadro de pneumonia com tosse, febre, hemoptise, dispneia e falta de ar (Síndrome de Löoffler- eosinofilia). 3. Na fase intestinal: A presença das fêmeas partenogenéticas e das larvas eliminadas causa lesões na mucosa do intestino com formação de infi l t rado inflamatór io mononuc l ea r, hemorragia e úlceras. Observa-se diarreia, constipação intestinal, cólicas, náuseas e vômitos. - Observação: Nos casos de hiperinfecção, a constante reinfecção faz com que as larvas fiquem retidas no tecido conjuntivo estimulando reação imune com formação de edema e fibrose que ocasiona rigidez da mucosa, com alterações do peristaltismo, causando o íleo paralítico. Controle e prevenção • Uso de calçados, hábitos de higiene pessoal, saneamento básico, alimentação saudável, fervura da água e lavagem adequada dos alimentos, além do tratamento dos infectados. Diagnóstico • O diagnóstico da estrongiloidíase é feito pelo exame parasitológico de fezes para pesquisa de larvas, pelo método de Baermann-Moraes. Tratamento • O tratamento da estrongiloidíase é feito com albendazol, que atua contra as larvas e as fêmeas partenogenéticas. • É necessária uma dieta rica, especialmente em ferro, e de fácil assimilação. SISTEMA IMUNE/ IMUNOSSUPRIMIDOS E DOENÇAS HELMINTICAS • As infecções graves têm sido associadas a imunossupressão, especialmente quando há comprometimento da imunidade mediada por células Th2, como ocorre em linfomas, leucemias agudas ou crônicas, carcinomas metastáticos, síndrome nefrótica, glomerulonefrite crônica, subnutrição (deficiências protéico-calórica graus II e III), alcoolismo crônico, diabetes melito, transplante renal , HIV, AIDS, uso de corticosteróides ou de outros imunossupressores. • Sabe-se que os corticosteróides e seus metabólitos exercem um efeito estimulatório direto sobre as larvas intra-intestinais acelerando sua conversão (rabditóide em filarióide), favorecendo a auto- infecção ou ainda um efeito sobre a fêmea parasita levando ao aumento da oviposição. ASMA E DPOC DISTÚRBIOS DAS VIAS RESPIRATÓRIAS • Alterações na per meabil idade das vias respiratórias envolvem mudanças no diâmetro das vias respiratórias devido ao aumento na capacidade de resposta da musculatura lisa dos brônquios ou mudanças na estrutura da parede brônquica, lesão à mucosa de revestimento das vias respiratórias ou excesso de secreções nas vias respiratórias. Principais: 4. Asma brônquica: É uma doença crônica das vias respiratórias que provoca episódios de obstrução devido ao aumento na capacidade de resposta da musculatura lisa dos brônquios e inflamação das vias respiratórias. Os episódios geralmente são reversíveis. Maria Vitória de Sousa Santos 5. DPOC: Representa um grupo de doenças que causam a obstrução crônica e recorrente das vias respiratórias pulmonares. Estes distúrbios podem afetar a permeabilidade das estruturas brônquicas (bronquite crônica), a difusão gasosa nos alvéolos distais aos bronquíolos terminais (enfisema), ou uma combinação de ambos. ASMA O que é ? A asma é uma doença crônica das vias respiratórias que provoca episódios de obstrução, hiper- responsividade brônquica (HRB), inflamação das vias respiratórias e, em alguns indivíduos, a remodelação destas. Fatores de Risco 1. Predisposição genética para a produção de uma resposta mediada pela imunoglobulina E (IgE) a alergênios comuns (o IgE é o anticorpo envolvido na manifestação de reações alérgicas e inflamações); 2. Histórico familiar de asma; 3. Alergias; 4. Exposição pré-natal a fumaça de cigarro e poluição, bem como múltiplas predisposições genéticas que potencialmente podem se sobrepor. Etiologia e patogênese • As células Th2, respondem ao estímulo provocado por alergênios e helmintos (parasitos intestinais), estimulando a diferenciação de células B em plasmócitos produtores de IgE, produzem fatores de crescimento para mastócitos, além de recrutar e ativar eosinófilos. • A inflamação das vias aéreas é central na fisiopatologia da doença e causa disfunção das vias aéreas, parte pela da liberação de mediadores inflamatórios potentes, parte pela remodelagem das paredes das vias aéreas. • À medida que a doença se agrava, há secreção local aumentada de fatores de crescimento, induzindo hipertrofia de glândulas mucosas, proliferação de músculo liso, angiogênese, fibrose e proliferação de feixes nervosos. Respostas do TH2, IgE e Inflamação • Uma anormalidade fundamental na asma é a resposta exagerada do TH2 aos antígenos ambientais normalmente inofensivos. • As células TH2 secretam citocinas que promovem uma inflamação e estimulam a produção de IgE e outros anticorpos pelas células B. Essas citocinas incluem: 1. IL‐4: Estimula a produção de IgE; 2. IL‐5: Ativa eosinófilos recrutados localmente; 3. IL‐13: Estimula a secreção de muco pelas glândulas submucosas brônquicas e também promove a produção de IgE por células B. • Essas células T e células epiteliais secretam quimiocinas que recrutam mais células T e eosinófilos, exacerbando a reação. • Como em outras reações alérgicas, a IgE se liga aos receptores Fc nos mastócitos submucosos, e a exposição repetida ao alérgeno faz com que os mastócitos liberem o conteúdo dos grânulos e produzam citocinas e outros mediadores, que coletivamente induzem a reação de fase inicial (hipersensibilidade imediata) e a reação de fase tardia. • Quando os mastócitos são ativados, a liberação de histamina; prostaglandina D2; citocinas, como IL-1 a IL-5, interferona, TNF (fator de necrose tumoral alfa) e fator de estimulação de colônias de granulócitos e macrófagos; e leucotrienos provoca broncoconstrição maciça e inflamação do endotélio vascular pulmonar. Observação: São creditados ao TNF-α o aumento da migração e ativação de células inflamatórias (p. ex., eosinófilos e neutrófilos) e uma contribuição em todos os aspectos da remodelação das vias respiratórias, incluindo a proliferação e ativação de fibroblastos, aumento da produção de glicoproteínas pela matriz extracelular e hiperplasia das células da mucosa. • A r e a ç ã o i n i c i a l é d o m i n a d a p o r broncoconstrição, aumento da produção de muco, graus variáveis de vasodilatação e aumento da permeabilidade vascular. A broncoconstrição é desencadeada pelo estímulo direto de receptores vagais subepiteliais (parassimpáticos) através de reflexos centrais e locais desencadeados por mediadores produzidos por mastócitos e outras células na reação. Maria Vitória de Sousa Santos • A reação de fase tardia é dominada pelo recrutamento de leucócitos, notavelmente eosinófilos, neutrófilos e mais células T. • Eosinófilos tendem a permanecer nas vias respiratórias de pessoas com asma, produzindo enzimas inflamatórias e liberando leucotrienos, assim como muitas enzimas pró-inflamatórias. • A liberação de leucotrienos provoca maior secreção de muco, o que muitas vezes obstrui ainda mais a via respiratória e aumenta a liberação de histamina pelos mastócitos. • Esse processo inflamatório produz episódios recorrentes de obstrução das vias respiratórias, caracterizados por sibilação, dificuldade respiratória, aperto no tórax e tosse, que muitas vezes é pior à noite e no início da manhã. • Uma inflamação crônica pode conduzir à remodelação das vias respiratórias, na qual as limitações do fluxo aéreo podem ser apenas parcialmente reversíveis. • Isso pode ser resultado dos efeitos a longo prazo de uma inflamação de estruturas das vias respiratórias. Remodelamento brônquico • A persistência da inflamação brônquica pode provocar alterações estruturais irreversíveis nas vias aéreas de asmáticos(remodelamento), as quais são responsáveis pela piora progressiva e irreversível da função respiratória em alguns pacientes. • Inflamação persistente causa agressão e reparo inadequado, resultando em espessamento da parede, o que pode contribuir para a hiper- reatividade brônquica. Achados no remodelamento: (a) fibrose abaixo da membrana basal, por deposição de colágenos tipos I, III e V, fibronectina, laminina e tenascina; (b) espessamento da submucosa por deposição de colágeno e proteoglicanos; (c) hipertrofia e hiperplasia das células musculares lisas; (d) Aumento do tamanho das g lândulas submucosas e no número de células calciformes das vias aéreas; (e) hipertrofia e hiperplasia das glândulas mucosas e aumento das células caliciformes; (f) espessamento da adventícia por infiltrado inflamatório; Tais alterações estruturais nas vias respiratórias contribuem para manter e para agravar a obstrução brônquica. Manifestações clínicas As crises de asma podem ocorrer espontaneamente ou em resposta a vários gatilhos, infecções respiratórias, estresse emocional ou mudanças climáticas. Os sintomas da asma são: 1. Falta de ar ou dificuldade para respirar; 2. Ligeiro aumento da frequência respiratória; 3. Sensação de aperto no peito ou peito pesado; 4. Chiado no peito; 5. Crise imobilizante e aguda; 6. Tosse; 7. Fadiga e Pele úmida (conforme a evolução da doença); 8. Conforme a eficácia da ventilação alveolar diminui, e desenvolve-se uma falta de correspondência entre ventilação e perfusão, causando hipoxemia e hipercapnia. 9. A resistência vascular pulmonar pode aumentar como re su l t ado da h ipoxemia e da hiperinflação, levando a um aumento da pressão arterial pulmonar e aumento da demanda de trabalho no coração direito. Observação: Esses sintomas variam durante o dia, podendo piorar à noite ou de madrugada e com as atividades físicas. A maior diminuição da Maria Vitória de Sousa Santos função respiratória ocorre aproximadamente às 4 h, período em que os níveis de cortisol estão baixos, os níveis de melatonina estão altos e a atividade dos eosinófilos é maior. Observação: Durante uma crise prolongada, o ar fica aprisionado por trás das vias respiratórias ocluídas e estreitadas, provocando a hiperinflação dos pulmões. Como resultado, é necessária uma quantidade maior de energia para superar a tensão já existente nos pulmões e é exigida a ação dos m ú s c u l o s a c e s s ó r i o s ( p . e x . , m ú s c u l o s esternocleidomastóideos) para manter a ventilação e as trocas gasosas. Este aumento do trabalho respiratório eleva ainda mais a demanda de oxigênio e provoca dispneia e fadiga. Diagnóstico O diagnóstico de asma deve se basear no histórico cuidadoso, anamnese, exame físico, testes laboratoriais, estudos da função pulmonar e na avaliação da alergia. 1-Espirometria: • A confirmação do diagnóstico de asma usualmente é feita através da espirometria, a qual fornece duas medidas importantes para o diagnóstico de limitação ao fluxo de ar das vias aéreas: VEF1 (Volumes expiratório forçado no primeiro segundo) e CVF (Capacidade vital forçada). • O diagnóstico de limitação ao fluxo aéreo é estabelecido pela redução da relação VEF1/CVF, e a intensidade dessa limitação é determinada pela redução percentual do VEF1 em relação ao seu previsto. • O diagnóstico de asma é confirmado não apenas pela detecção da limitação ao fluxo de ar, mas pr inc ipa lmente pe la demons t ração de significativa reversibilidade, parcial ou completa, após a inalação de um broncodilatador de curta ação. • A resposta ao broncodilatador é considerada significativa e indicativa de asma quando o VEF1 aumenta, pelo menos: 1. 2 0 0 m L e 1 2 % d e s e u v a l o r p r é - broncodilatador 2. 200 mL de seu valor pré-broncodilatador e 7% do valor previsto São indicativos de asma na espirometria: a) obstrução das vias aéreas caracterizada por redução do VEF1 para abaixo de 80% do previsto e da sua relação com a capacidade vital forçada para abaixo de 75% em adultos e de 86% em crianças; b) obstrução ao fluxo aéreo, que desaparece ou melhora significativamente após o uso de broncodilatador (aumento do VEF1 de 7% em relação ao valor previsto e de 200 mL em valor absoluto, após inalação de agente beta2- agonista de curta duração); 2-Verificação da hiper-responsividade das vias aéreas • A asma pode estar presente em pacientes com esp i rometr ia nor mal ou sem re spos ta broncodilatadora significativa. • Nesses casos, o diagnóstico deve ser confirmado pela demonstração da hiper-responsividade das vias aéreas. • A hiper-responsividade pode ser medida através da inalação de substâncias broncoconstritoras (metacolina, carbacol e histamina) ou testada pelo teste de broncoprovocação por exercício. 3-Medidas do estado alérgico • Existe uma forte associação entre asma, rinite e outras doenças alérgicas. Estas informações contribuem muito mais para o planejamento terapêutico do que para o diagnóstico da asma. • A avaliação da atopia requer anamnese cuidadosa e confirmação da sensibilização alérgica por meio de testes cutâneos ou através da determinação das concentrações séricas de IgE específica por teste radioalergoabsorvente. Tratamento Tratamento farmacológico O tratamento farmacológico da asma pode ser dividido em: medicamentos de alívio usados no momento da crise e os medicamentos de manutenção. O tratamento farmacológico da asma pode ser dividido em: A. Medicamentos de alívio: Usados no momento da crise, incluem broncodilatadores e corticóides sistêmicos. B. Medicamentos de manutenção: São usados corticóides inalatórios, broncodilatadores e antag. de receptores de leucotrienos. 1. Beta2-Adrenérgicos : Os medicamentos de alívio imediato, como os agonistas β2- adrenérgicos de ação rápida (p. ex., albuterol, levalbuterol, pirbuterol) relaxam a musculatura lisa dos brônquios e proporcionam alívio imediato dos sintomas, geralmente em um intervalo de 30 min, além de diminuirem a desgranulação dos mastócitos e a liberação de h i s tamina , in ibem o ex t ravasamento microvascular nas vias respiratórias e aumentam a depuração mucociliar e a sua utilização é recomendada para aliviar crises agudas de asma. 2. A n t i c o l i n é r g i c o s : A s m e d i c a ç õ e s anticolinérgicas (p. ex., ipratrópio) bloqueiam as vias vagais eferentes pós-ganglionares Maria Vitória de Sousa Santos causadoras de broncoconstrição. Esses medicamentos, administrados por inalação, produzem broncodilatação por ação direta sobre as grandes vias respiratórias e não alteram a composição ou a viscosidade do muco brônquico. Acredita-se que podem fornecer algum benefício aditivo para o tratamento de exacerbações da asma quando administrados juntamente com agonistas β2- adrenérgicos. 3. Corticoides: Os corticoides inibem a inflamação das vias respiratórias, revertem a regulação para baixo do beta-receptor e inibem a produção de citocina e a ativação da proteína de adesão. Bloqueiam a resposta tardia (mas não a resposta inicial) aos alergênios inalados. 4. Estabilizadores de mastócitos: Os estabilizadores dos mastócitos inibem a liberação de histamina dos mastócitos, reduzem a hiper-responsividade das vias respiratórias e bloqueiam as respostas precoce e tardia aos alergênios. Ex: Cromolina 5. Modificadores de leucotrienos: Modulam a síntese ou ação dos leucotrienos. DOENÇA PULMONAR OBSTRUTIVA CRÔNICA (DPOC) • A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) se caracteriza por obstrução crônica e recorrente do fluxo de ar nas vias respiratórias pulmonares. • A obstrução do fluxo aéreo geralmente é progressiva e acompanhada por uma reação inflamatória a partículas ou gases nocivos. Fatores de Risco 1. Tabagismo 2. Poeira ocupacional 3. Irritantes químicos 4. Fumaça de lenha 5. Infecções respiratórias graves na infância6. Condição socioeconômica Fatores individuais 1. Genética 2. Deficiência de alfa-1 antitripsina 3. Deficiência de glutationa transferase 4. Alfa-1 antiquimotripsina 5. Hiper-responsividade brônquica 6. Desnutrição 7. Prematuridade Etiologia e patogênese Os mecanismos envolvidos na patogênese da DPOC geralmente são múltiplos e incluem: 1. Inflamação e fibrose da parede brônquica: Inflamação e fibrose da parede brônquica, obstrue o fluxo aéreo e busca impedir a correspondência entre ventilação e perfusão. 2. Hipertrofia das glândulas submucosas e hipersecreção de muco: O excesso de secreção de muco, obstrue o fluxo aéreo e busca impedir a correspondência entre ventilação e perfusão. 3. Perda de fibras elásticas pulmonares e de tecido alveolar: A destruição do tecido alveolar diminui a área de superfície para as trocas gasosas e a perda das fibras elásticas prejudica a taxa de fluxo expiratório, aumenta a retenção de ar e predispõe ao colapso das vias respiratórias. A DPOC engloba dois tipos de doença obstrutiva das vias respiratórias: 1. Enfisema: Com alargamento dos espaços aéreos e destruição de tecido pulmonar. 2. Bronquite obstrutiva crônica: Com aumento da produção de muco, obstrução das vias respiratórias menores e tosse crônica. Enfisema • O enfisema se caracteriza pela perda da elasticidade pulmonar e aumento anormal dos alvéolos distais aos bronquíolos terminais, com destruição das paredes alveolares e dos leitos capilares. • A ampliação dos alvéolos conduz à hiperinflação dos pulmões e produz um aumento da capacidade pulmonar total (CPT). • Duas das causas reconhecidas de enfisema são o tabagismo, que incita a lesão pulmonar, e uma deficiência herdada de α1-antitripsina (AAT), uma enzima antiprotease que protege o pulmão de lesões. • A ATT é um inibidor de protease que ajuda a proteger o pulmão de enzimas proteases, como a elastase de neutrófilos, que danifica o tecido pulmonar saudável e também auxilia na eliminação de bactérias durante uma disfunção respiratória aguda. • Acredita-se que o enfisema seja o resultado da degradação de elastina e outros componentes da parede dos alvéolos por enzimas, chamadas proteases, que digerem as proteínas. • Normalmente, enzimas antiprotease, incluindo a α1-antitripsina, protegem o pulmão. • A fumaça do cigarro e outros irritantes estimulam o movimento de células inflamatórias nos pulmões, resultando no aumento da liberação de elastase e outras proteases. • Nos casos em que o fumante desenvolve DPOC, a produção e liberação antiprotease pode ser inadequada para neutralizar o excesso de produção de protease, de tal maneira que o processo de destruição do tecido elástico permanece sem controle. Maria Vitória de Sousa Santos Observação: A deficiência de α1-antitripsina é herdada como uma característica autossômica recessiva. • O tabagismo e infecções repetidas das vias respiratórias, que também diminuem os níveis de α1-antitripsina, contribuem para o risco de desenvolvimento de enfisema em pessoas com deficiência de α1- antitripsina. Bronquite crônica • A bronquite crônica representa uma obstrução das pequenas e grandes vias respiratórias. • A condição é mais comumente observada em homens de meia-idade e está associada à irritação crônica causada pelo tabagismo e a infecções recorrentes. • Um diagnóstico clínico de bronquite crônica requer histórico de tosse produtiva crônica durante pelo menos 3 meses consecutivos por pelo menos 2 anos consecutivos. • Tipicamente, a tosse se manifesta há muitos anos, com um aumento gradual nos períodos de exacerbação aguda, que produzem expectoração purulenta. • A característica precoce da bronquite crônica é a hipersecreção de muco nas grandes vias respiratórias, associada à hipertrofia das glândulas submucosas na traqueia e brônquios. • Histologicamente, essas alterações incluem um aumento acentuado nas células caliciformes e um excesso de produção de muco, com obstrução do lúmen das vias respiratórias, infiltração inflamatória e fibrose da parede bronquiolar. • Afirma-se que tanto a hipertrofia da submucosa nas grandes vias respiratórias quanto o aumento de células caliciformes nas pequenas vias respiratórias representam uma reação de proteção contra o fumo do tabaco e outros poluentes. Manifestações clínicas • As manifestações clínicas da DPOC geralmente têm um início insidioso. • Caracterist icamente, o indivíduo busca atendimento médico na quinta ou sexta década de vida, com manifestações como: 1. Fadiga 2. Intolerância ao exercício, 3. Tosse, 4. Produção de escarro 5. Dificuldade respiratória. 6. Desenvolvem-se hipoxemia, hipercapnia e cianose, que refletem o desequilíbrio entre ventilação e perfusão. 7. Desenvolve-se comprometimento respiratório que é maior na expiração que na inspiração, re su l tando no aumento do t raba lho respiratório, mas com eficácia reduzida. 8. O desenvolvimento de dispneia aos esforços, sensação de peso, dificuldade respiratória ou respiração ofegante. 9. A fase expiratória da respiração é prolongada e na auscultação podem ser ouvidos sibilos expiratórios e crepitações. 10. Pessoas com obstrução grave ao fluxo aéreo também podem apresentar as seguintes características: uso dos músculos acessórios e sentar na posição de “tripé” para facilitar a u t i l i z a ç ã o d o s m ú s c u l o s esternocleidomastóideos, escaleno e intercostal. Observação: A respiração com os lábios semicerrados aumenta o fluxo de ar, porque aumenta a resistência ao fluxo de saída e ajuda a impedir o colapso das vias respiratórias por aumentar a pressão das vias. Observação: A hipoxemia grave, em que os níveis de PO2 arterial caem para menos de 55 mmHg, provoca vasoconstrição reflexa dos vasos pulmonares e maior comprometimento das trocas gasosas no pulmão. Observação: A hipoxemia também estimula a produção de hemácias, causando policitemia. O aumento da vasoconstr ição pulmonar e subsequente elevação da pressão arterial pulmonar aumentam ainda mais o trabalho do ventrículo direito. Como resultado, as pessoas com DPOC podem desenvolver insuficiência cardíaca do lado direito com edema periférico (i. e., cor pulmonale). Observação: A tosse produtiva ocorre geralmente na parte da manhã e a dispneia se torna mais grave à medida que a doença progride. Importante • Os termos [em inglês] “pink puffer” e “ blue bloater”, respectivamente soprador rosado e azul pletórico, têm sido usados para diferenciar as manifestações clínicas de enfisema e as de bronquite obstrutiva crônica. • Pessoas com predominância de sintomas de enfisema são classicamente referidas como pink puffers, em uma referência à inexistência de cianose, uso de músculos acessórios e respiração com os lábios semicerrados (“soprador”). • Com a perda da elasticidade e a hiperinflação dos pulmões, as vias respiratórias muitas vezes sofrem colapso durante a expiração, pois a pressão nos tecidos pulmonares circundantes excede a pressão das vias respiratórias. • O ar permanece retido nos alvéolos e pulmões, produzindo um aumento nas dimensões anteroposteriores do tórax, o chamado tórax em Maria Vitória de Sousa Santos tonel ou barril, característica típica de pessoas com enfisema. • Estas apresentam diminuição drástica nos sons respiratórios por todo o tórax. • Com o diafragma funcionando perto da capacidade máxima, o indivíduo poderá sinalizar vulnerabilidade ao desenvolvimento de fadiga diafragmática e insuficiência respiratória aguda. • A pessoa com a síndrome clínica de bronquite crônica classicamente é chamada de azul pletórico, uma referência à cianose e à retenção de líquido associadas à insuficiência cardíaca direita. Diagnóstico • O diagnóstico de DPOC deve se basear em um histórico cuidadoso e exame físico, estudos de função pulmonar. • A obstrução das vias respiratórias prolongaa fase expiratória da respiração e oferece a possibilidade de comprometimento das trocas gasosas por causa do desequilíbrio entre ventilação e perfusão. Espirometria • A Espirometria é um exame utilizado para medir a quantidade e o fluxo de ar que entra e sai dos pulmões. • A CVF é a quantidade de ar que pode ser expirada forçosamente após a inspiração máxima. • Em um adulto com função respiratória normal, isso deve ser alcançado em um intervalo de 4 a 6 s. • Em pessoas com doença pulmonar crônica, o tempo necessário para alcançar a CVF é maior, o VEF1 é menor e a razão VEF1/ CVF é reduzida. • Em casos graves, a CVF é marcadamente reduzida. • As medições de volume pulmonar revelam um aumento acentuado no VR, aumento na TLC (Capacidade pulmonar total) e elevação da relação VR/TLC. • As medições de espirometria podem ser utilizadas para verificar a gravidade da doença. • Outras medidas de diagnóstico passam a ser importantes como o avanço da doença. Medições de tolerância ao exercício, estado nutricional, saturação de hemoglobina e gasometria arterial podem ser utilizadas para avaliar o impacto global da DPOC sobre o estado de saúde e orientar o tratamento. Tratamento Tratamentos farmacológico O tratamento farmacológico da DPOC envolve o uso de broncodilatadores, como a inalação de agentes adrenérgicos e anticolinérgicos. 1. Agonistas β2-adrenérgicos: Fármacos que ativam receptores β2-adrenérgicos específicos na superfície das células musculares lisas, aumentando o AMP cíclico intracelular e levando ao relaxamento brônquico com redução da resistência ao fluxo aéreo. 2. Anticolinérgicos: (p. ex., brometo de ipratrópio, brometo de tiotrópio), que são administrados por inalação, produzem broncodilatação por bloqueio dos receptores colinérgicos parassimpáticos que produzem contração do músculo liso dos brônquios. Também reduz o volume de expectoração sem alterar sua viscosidade. 3. Corticosteroides: O acréscimo de um CSI a um broncodilatador de longa ação pode melhorar os sintomas, a função pulmonar e a qualidade de vida em pacientes de DPOC com VEF1 de menos de 60% do predito. Observação: Pode provocar pneumonia. Maria Vitória de Sousa Santosda parede, como ocorre na hipertensão. Ocorre em consequência de uma sobrecarga ventricular em pressão, contribuindo para a replicação paralela das miofibrilas, ao e s p e s s a m e n t o d o s m i ó c i t o s q u e , consequentemente, ocasionam o aumento na espessura da parede ventricular com diminuição do tamanho das câmaras cárdiacas. 2. Hipertrofia excêntrica, com um aumento desproporcional no comprimento do músculo, como ocorre na CMD. Ocorre em consequência a uma sobrecarga de volume sanguíneo, contribuindo para a replicação das miofibrilas em séries, ao alongamento das células musculares cardíacas e para a dilatação das câmaras cardíacas aumentando, consequentemente, o volume diastólico. INSUFICIÊNCIA CARDÍACA • É a incapacidade do coração de bombear sangue em quantidade e pressão necessárias para a perfusão dos órgãos. A ICC surge quando o coração não consegue produzir débito suficiente Maria Vitória de Sousa Santos para satisfazer as demandas metabólicas dos tecidos ou apenas consegue satisfazê-las sob pressões de enchimento superiores às normais. Disfunção Sistólica X Diastólica • Em resumo: A disfunção sistólica representa uma diminuição na contratilidade miocárdica cardíaca e um comprometimento da capacidade de ejetar o sangue do VE, enquanto a disfunção diastólica representa uma anormalidade no relaxamento e no enchimento ventriculares. A. Na disfunção ventricular sistólica, a con t ra t i l idade do miocárd io e s tá comprometida, levando a uma diminuição na fração de ejeção e no débito cardíaco (fração de ejeçãobulha; quarta bulha; hiperfonese de segunda bulha no foco aórtico, além de sopros nos focos mitral e aórtico. 6. Exame do pulmão: ausculta de estertores, roncos e sibilos. 7. Exame do abdome: massas abdominais indicativas de rins policísticos, hidronefrose, tumores e aneurismas, identificação de sopros abdominais na aorta e nas artérias renais. 8. Extremidades: palpação de pulsos braquiais, radiais, femorais, tibiais posteriores e pediosos. Se houver forte suspeita de doença arterial obstrutiva periférica, determinar o índice tornozelo-braquial (ITB). 9. Exame neurológico Maria Vitória de Sousa Santos 10. Exame de fundo de olho: identificar es tre i tamento arter io lar, cruzamentos arteriovenosos patológicos, hemorragias, exsudatos e papiledema. AVALIAÇÃO LABORATORIAL EXAMES COMPLEMENTARES A avaliação complementar tem como objetivo detectar lesões clínicas ou subclínicas em órgãos- alvo, no sentido de melhor estratificar o risco cardiovascular (CV). Exames complementares indicados a hipertensos: 1. Radiografia de tórax: pacientes com suspeita clínica de insuficiência cardíaca, quando os demais exames não estão disponíveis; avaliação de acometimento pulmonar e de aorta. 2. Ecocardiograma: hipertensos estágios 1 e 2 sem hipertrofia ventricular esquerda ao ECG, mas com dois ou mais fatores de risco, hipertensos com suspeita clínica de insuficiência cardíaca. 3. Microalbuminúria: pacientes hipertensos diabéticos, hipertensos com síndrome metabólica e hipertensos com dois ou mais fatores de risco. 4. Ultrassom de carótida: pacientes com sopro carotídeo, com sinais de doença cerebrovascular ou com doença aterosclerótica em outros territórios. 5. Teste ergométrico: suspeita de doença coronariana estável, diabetes ou antecedente familiar para doença coronariana em paciente com PA controlada. 6. Hemoglobina glicada: na impossibilidade de realizar hemoglobina glicada, sugere-se a realizacão do teste oral de tolerância à glicose em pacientes com glicemia de jejum entre 100 e 125mg/dL TRATAMENTO NÃO MEDICAMENTOSO Refere-se a condutas na modificação do estilo de vida (o tratamento inicial da hipertensão deve concentrar-se nas mudanças de estilo de vida): 1. Controle do peso: dar início a programas de emagrecimento e aumento de atividade física, sendo a meta a ser alcançada IMCrenal e na velocidade de filtração glomerular. Efeitos adversos: Podem provocar hipotensão sintomática na primeira dose. O fenômeno de tolerância é frequente, necessitando aumento da dose para manter o efeito anti-hipertensivo (taquifilaxia). ADRENÉRGICOS DE AÇÃO CENTRAL Os alfa-agonistas de ação central agem por meio do estímulo dos receptores alfa-2 que estão envolvidos nos mecanismos simpatoinibitórios. Os efeitos bem definidos dessa classe são: diminuição da atividade simpática e do reflexo dos barorreceptores, o que contribui para a bradicardia relativa e a hipotensão notada na posição ortostática; discreta diminuição na RVP e no débito cardíaco; redução nos níveis plasmáticos de renina; e retenção de fluidos. Clonidina: A clonidina reduz o tônus simpático e aumenta o tônus parassimpático, resultando em diminuição da pressão arterial e bradicardia. Metildopa: A metildopa baixa a pressão arterial, principalmente pela redução da resistência vascular periférica, com diminuição variável da frequência cardíaca e do débito cardíaco. VASODILATADORES Esses vasodilatadores produzem relaxamento do músculo liso vascular, primariamente em artérias e Maria Vitória de Sousa Santos arteríolas. Isso resulta em diminuição da resistência periférica e, por isso, da pressão arterial. DOENÇA DE CHAGAS • A Doença de Chagas (DC) é uma doença i n f e c c i o s a , q u e t a m b é m é c o n h e c i d a popularmente por “doença do coração crescido” e é causada pelo protozoário flagelado Trypanosoma cruzi, que é transmitido pelo contato com as fezes e urina dos insetos vetores, chamados de “barbeiros” no Brasil, da família Triatomidae. • Além disso, algumas formas de transmissão são por via oral, pela ingestão de alimentos contaminados com os parasitas; da mãe para o filho ou de forma congênita, por transfusão sanguínea e acidentes laboratoriais. ASPECTOS BIOLÓGICOS • Os principais estágios do parasito encontrados no vetor: - Epimastigotas: Estágios capazes de dividir- se, mas não de infectar células. - Tripomastigotas metacíclicos: Estágios infectantes, mas sem capacidade de dividir-se. • No hospedeiro mamífero, predominam os: - Amastigotas: Estágios capazes de dividir-se, mas pouco infectantes para células, encontrados no interior de células nucleadas. - Tripomastigotas sanguíneos: Que não se reproduzem, mas são muito infectantes, encontrados na na corrente sanguínea. CICLO DE VIDA DO AGENTE ETIOLÓGICO MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS FASES DA DOENÇA Fase Aguda • Inicia-se logo após a entrada do parasito no hospedeiro por infecção primária ou por reativação do processo infeccioso durante a fase crônica da doença. • Frequentemente é assintomática e nem sempre é diagnosticada. • Quando sintomática, a parasitemia é muito elevada, com sinais de hipoxemia. Além disso, o hospedeiro doente pode apresentar manifestações cutâneas, como os chagomas, se a inoculação for através da pele, ou o sinal de Romaña (edema bipalpebral unilateral, de consistência elástica e indolor), se a inoculação for na conjuntiva. Fase Crônica • A fase crônica é a grande responsável pela morbimortalidade relacionada à doença de Chagas, pois, nesse momento, o hospedeiro pode permanecer assintomático durante anos. • É caracterizada por baixa parasitemia e pode ser dividida classicamente nas formas indeterminada, cardíaca e digestiva. DIAGNÓSTICO DA DOENÇA DE CHAGAS • Uma vez que o portador da doença de Chagas comumente se encontra na forma indeterminada da doença, o exame laboratorial é um dos instrumentos mais importantes do qual o médico poderá dispor para ratificar sua hipótese diagnóstica. • A anamnese deve ser realizada cuidadosamente para identificar possíveis fatores de risco, e o exame físico deve ser minucioso. Métodos Sorológicos • Tais exames são extremamente relevantes para o diagnóstico da fase crônica, uma vez que a parasitemia é baixa ou é considerada inexistente, destacando-se que sua utilidade na fase aguda é apenas complementar. Os métodos mais utilizados são: 1. A hemaglutinação indireta (HAI) 2. A imunofluorescência indireta (IFI) 3. Método imunoenzimático (ELISA). • Detectam-se, em geral, anticorpos anti-T. cruzi da classe IgG (duas coletas com intervalo mínimo de 15 dias entre uma e outra) e anticorpos anti-T. cruzi da classe IgM, sendo que estes últimos podem apresentar resultados falso-reativos em várias doenças febris. Exames Complementares • Após a confirmação do diagnóstico da doença de Chagas, deve-se realizar uma avaliação mais detalhada do paciente, a fim de buscar informações que possam ser úteis ao prognóstico. Maria Vitória de Sousa Santos • Durante a análise dos dados do paciente, deve-se averiguar o grau de acometimento dos órgãos mais afetados pela doença; atenção especial deverá ser dada à presença de arritmias cardíacas, insuficiência cardíaca congestiva, tromboembolismo e doença gastrintestinal. 1. ECG convencional: representando um bom preditor de acometimento do m i o c á r d i c o . D e v e - s e a t e n t a r principalmente para a ocorrência de taquicardia sinusal, estreitamento do complexo QRS, alterações do seguimento ST ou da onda T, e etc. 2. Ecocardiografia: Tem grande relevância para definir a gravidade do acometimento cardíaco por meio da medida da fração de ejeção do ventrículo esquerdo. 3. Dosagem do peptídio natriurético tipo B (BNP): A produção de BNP pelos ventrículos é estabelecida quando ocorre distensão da parede cardíaca, em função de pré-carga aumentada decorrente de acré sc imo de pre s são na câmara ventricular. A dosagem de BNP é um importante biomarcador de disfunção ventricular esquerda em pacientes com tripanossomíase americana e é também um preditor de risco de AVE ou de morte. 4. Radiografia de tórax : A radiografia de tórax deve ser solicitada. Em casos mais avançados da cardiopatia dilatada, entretanto, o aumento do coração pode ser percebido por ocasião da avaliação da área cardíaca. 5. Ressonância magnética: A ressonância magnética cardíaca representa um exame de imagem alternativo e eficaz, pois as imagens fornecidas por ela podem detectar precocemente o envolvimento cardíaco na doença de Chagas, devido ao seu potencial p a r a d e m o n s t r a r a l t e r a ç õ e s morfofuncionais cardíacas. 6. Outros exames: Outros exames que devem ser solicitados são hemograma, urina de rotina, provas de função hepática e ensaios para a avaliação da coagulação (tempo de tromboplastina parcial ativado – TTPA). Deve-se também atentar para a realização de endoscopias e radiografias do tubo gastrintestinal, caso o paciente apresente queixas digestivas. TRATAMENTOS Tratamento Específico • O tratamento antimicrobiano dirigido ao T. cruzi tem como objetivos curar a infecção, prevenir lesões orgânicas ou sua evolução e diminuir a possibilidade de transmissão do protozoário. • O fármaco de escolha disponível para o tratamento específico da doença de Chagas no Brasil é o benznidazol. • O tratamento deve ser realizado pelo período de 60 dias, nas doses de 5 mg/kg/dia para adultos e de 10 mg/kg/dia para crianças, por via oral, sempre em duas a três tomadas diárias (12/12 horas ou 8/8 horas). • Devido ao efeito do benznidazol sobre os parasitos circulantes, a eficácia envolvendo esse fármaco tem sido relatada durante a fase aguda da infecção, podendo levar, inclusive, à cura parasitológica. Tratamento Sintomático • Na fase aguda, deve ser feito repouso, e podem s e r u s a d a s m e d i c a ç õ e s a n t i t é r m i c a s , anticonvulsivantes e diuréticas, além de digitálicos e outros fármacos para o tratamento do quadro de miocardite aguda. • Na fase crônica (para a CCC), recomendam-se d i e t a e r e p o u s o c o m o t e r a p i a s n ã o medicamentosas, mas podem ser usados inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA), betabloqueadoresseletivos, digitálicos e diuréticos, conforme a necessidade de cada paciente. • Fenômenos tromboembólicos devem ser tratados com anticoagulantes, e o ácido acetilsalicílico pode ser usado para fins profiláticos, com o intuito de minimizar tais ocorrências. • Em casos graves, o transplante cardíaco pode ser a única alternativa viável, embora seja de difícil acesso e ainda haja a possibilidade de recorrência da doença devido às formas infectantes presentes em outros tecidos do receptor do órgão. MIOCARDIOPATIA DILATADA O QUE É MIOCARDIOPATIA? É um grupo heterogêneo de doenças do miocárdio associadas à disfunção mecânica e/ou elétrica. MIOCARDIOPATIA DILATADA A MCD é caracterizada por aumento ventricular, redução da espessura da parede ventricular e comprometimento da função sistólica de um ou de ambos os ventrículos. Afeta principalmente o ventrículo esquerdo, uma importante câmara de bombeamento do seu coração. O ventrículo esquerdo torna-se ampliado (dilatado) e as fibras musculares se esticam ao máximo, tendo dificuldade maior de se encurtar e comprimir o sangue para fora durante a contração. Maria Vitória de Sousa Santos A L T E R A Ç Õ E S H I S T O L Ó G I C A S D A MIOCARDIOPATIA DILATADA Histologicamente, a MCD é caracterizada por fibras miocárdicas atróficas e hipertróficas, além de fibrose intersticial. CAUSAS DA MIOCARDIOPATIA DILATADA Aproximadamente 20 a 35% dos casos foram relatados como familiares e é confirmado quando dois ou mais parentes de primeiro ou segundo grau tem a mesma doença. Outras causas incluem infecções-miocardites (i. e., virais, bacterianas, fúngicas, micobacterianas, parasitárias), toxinas, alcoolismo (o acetaldeído tem ação tóxica sobre o miocárdio), agentes quimioterápicos, metais pesados, periparto ( os fatores contribuintes incluem hipertensão associada à gravidez, sobrecarga de volume, deficiência nutricional, distúrbios metabólicos (p. ex., diabetes gestacional) e/ou respostas imunes) e diversos outros distúrbios. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS Normalmente, a afecção é identificada com o surgimento de suas manifestações clínicas, incluindo dispneia, ortopneia, redução da capacidade de praticar exercícios, fadiga, fraqueza, falta de ar (dispneia), quando você está ativo ou deitado, vertigens, tonturas ou desmaios, inchaço (edema) nas pernas, tornozelos e pés, inchaço do abdome, ganho de peso repentino de retenção de líquidos, falta de apetite e pele pálida. ACHADOS COMUNS NA MIOCARDIOPATIA DILATADA 1. Nos estágios terminais, as pessoas com MCD costumam apresentar frações de ejeção i n f e r i o r e s a 2 5 % ( a n o r m a l é d e aproximadamente 50 a 60%). 2. A dilatação de cavidades esquerdas ou das quatro cavidades: 3. M o v i m e n t o a s s i n c r ô n i c o d o s e p t o interventricular 4. À medida que a doença progride, a estase do sangue junto às paredes das câmaras cardíacas pode levar à formação de trombos e à embolia sistêmica. 5. É comum haver regurgitação de valva mitral ou tricúspide e arritmias cardíacas. 6. A morte normalmente decorre de insuficiência cardíaca ou arritmias e pode ser súbita. DIAGNÓSTICO DA MIOCARDIOPATIA DILATADA • O diagnóstico de cardiomiopatia dilatada é feito com base nos sintomas da pessoa, nos resultados de um exame físico e em testes adicionais. • Na anamnese, depois de afastadas as causas mais comuns associadas a dilatação ventricular, deve-se buscar um diagnóstico etiológico, observando que entre as causas secundarias mais comuns em nosso meio estão as infecciosas. O que pode ser observado no exame físico : 1. Na inspeção deve-se observar taquipneia, turgência jugular, edema periférico e ictus cordis desviado para a esquerda da linha hemiclavicular e abaixo do quinto espaço intercostal. 2. Pulso arterial com amplitude reduzida ou até alternante (nos casos de maior disfunção ventricular) pode ser palpado. 3. O ritmo cardíaco pode ser irregular por fibrilação atrial (FA) ou ES, com presença de B3 (galope protodiastólico). 4. Sopro sistólico de regurgitação mitral e/ou tricúspide pode ser auscultado, além de estertores crepitantes por derrame pleural e até abolição do MV em base HTD ou de ambos HT. 5. Hepatomegal ia e pulso hepát ico são decorrentes de IC direita. 6. Ascite e anasarca podem estar presentes nos estágios avançados, assim como caquexia. 7. Podem ocorrer sinais de baixo débito, como palidez cutânea, pulso filiforme ou alternante, má perfusão tissular periférica e cianose. Exames Complementares 1. Eletrocardiograma: O eletrocardiograma (ECG) usualmente demonstra alterações como sinais de sobrecarga ventricular esquerda, alterações do ritmo e distúrbios de condução, sendo o bloqueio completo de ramo esquerdo o mais comum. Diminuição da progressão da onda R ou presença de ondas Q nas precordiais direitas podem ocorrer mesmo na ausência de doença coronar iana i squêmica . Tem importância ainda na avaliação do controle da frequência cardíaca nas taquicardiomiopatias. 2. Radiografia do tórax: Na radiografia de tórax, cardiomegalia é o achado mais comum. A presença de sinais de congestão pulmonar e/ ou derrame pleural direito ou bilateral pode ainda corroborar o diagnóstico de IC. 3. Ecocardiograma: O ecocardiograma, assim como o ECG, é um exame fundamental, que fornece dados para diagnóstico, diagnóstico diferencial e prognóstico. Outros Exames 1. Biópsia endomiocárdica: A Biópsia Endomiocárdica consiste na obtenção de pequenos fragmentos do músculo cardíaco para a n á l i s e m i c r o s c ó p i c a ( e s t u d o anátomopatológico). 2. Cateterismo cardíaco: O teste pode ser usado para ver suas artérias coronárias em um Maria Vitória de Sousa Santos raio-X, medir a pressão em seu coração e coletar uma amostra de tecido muscular para verificar se há danos que demonstrem um risco para miocardiopatia. TRATAMENTO DA MIOCARDIOPATIA DILATADA • O tratamento da MCD é direcionado para o alívio dos sintomas de insuficiência cardíaca e para a redução do trabalho do coração. • Os agentes farmacológicos incluem diuréticos para reduzir a pré-carga (congestão sistêmica), betabloqueadores para diminuir a frequência cardíaca e a demanda de oxigênio do miocárdio, agentes redutores da pós-carga para melhorar a contratilidade e diminuir as pressões de enchimento do ventrículo esquerdo, e inibidores da ECA para promover vasodilatação (esses agentes reduzem a pós-carga e melhoram o déb i to card íaco, razão pe la qua l são recomendados a todo paciente com redução da função sistólica do ventrículo esquerdo). • Também podem ser utilizados anticoagulantes para prevenir a formação de trombos, e antiarrítmicos. • Também é importante remover ou evitar os agentes causais (se identificados); evitar depressores do miocárdio, incluindo álcool; e encorajar atividades físicas conforme a tolerância. DOENÇA ARTERIAL CORONARIANA 1. Conceito : O ter mo doença ar ter ia l coronariana (DAC) descreve um tipo de cardiopatia causada por redução do fluxo sanguíneo das coronárias. 2. Causas: Na maioria dos casos, a DAC é causada por aterosclerose, que acomete não apenas as artérias coronárias, como também as artérias de outras partes do corpo. Nos demais casos, a DAC pode resultar do aumento da demanda (p. ex., aumento da frequência cardíaca ou hipertensão); da diminuição do volume sanguíneo (p. ex., hipotensão ou choque); da diminuição da oxigenação (p. ex., resultante de pneumonia ou ICC); ou da redução da capacidade de transportar oxigênio (p. ex., causada por anemia ou intoxicação por monóxido de carbono). 3. Consequências: As doenças das artérias coronárias podem causar isquemia miocárdica e angina, infarto do miocárdio ou ataque cardíaco, arritmias cardíacas, distúrbios da condução, insuficiência cardíaca e morte súbita. 4. Fatores de risco: Os principais fatores de risco da DAC são tabagismo, hipertensãoarterial, níveis séricos altos de colesterol total e lipoproteína de baixa densidade (LDL), nível sérico baixo de lipoproteína de alta densidade (HDL), diabetes, idade avançada, obesidade abdominal e falta de atividade física. - Observação: Os pacientes com diabetes e síndrome metabólica têm riscos especialmente altos de desenvolver DCV e morbidade significativa causada por esta doença. ATEROSCLEROSE CORONARIANA E PATOGÊNESE DA DOENÇA ARTERIAL CORONARIANA • Aterosclerose é a causa mais comum de DAC, tem evolução lenta e progressiva. • A doença arterial coronariana geralmente é dividida em dois tipos : síndrome coronariana aguda e cardiopatia isquêmica crônica. Síndrome Coronariana Aguda A síndrome coronariana aguda (SCA) constitui um espectro de doenças cardíacas isquêmicas agudas, que variam de angina instável a infarto do miocárdio resultante do rompimento de uma placa aterosclerótica. Cardiopatia Isquêmica Crônica A cardiopatia isquêmica crônica caracteriza-se por episódios recidivantes e transitórios de isquemia miocárdica e angina estável, que resultam do estreitamento do lúmen de uma artéria coronária em consequência de aterosc lerose e/ou vasospasmo. Placas Estáveis Versus Instáveis Existem dois tipos de lesões ateroscleróticas: • Placa fixa ou estável, que obstrui o fluxo sanguíneo (está associado a angina estável). • Placa instável ou vulnerável (ou placa de alto risco), que pode romper e causar adesão de plaquetas e formação de trombos (está associada a angina instável). Trombose E Obstrução Vascular • A trombose localizada que ocorre depois da ruptura de uma placa resulta de uma interação complexa entre seu centro lipídico, as células musculares lisas, os macrófagos e o colágeno. • O centro lipídico é um estímulo para a agregação plaquetária e a formação de trombos. • As células musculares lisas e as células esponjosas do centro lipídico contribuem para a expressão do fator tissular nas placas instáveis. • Quando fica exposto ao sangue, o fator tissular ativa a via extrínseca da coagulação, resultando na formação local de trombina e na deposição de fibrina. • As plaquetas desempenham um papel importante na relação entre ruptura das placas e DAC aguda. Como parte da resposta à ruptura das placas, as Maria Vitória de Sousa Santos plaquetas aderem ao endotélio e liberam substâncias (i. e., difosfato de adenosina [ADP], tromboxano A2 e trombina) que promovem mais agregação das plaquetas e formação de trombos. Biomarcadores Séricos • Os biomarcadores séricos para SCA são troponina I (TnI) e troponina T (TnT) específicas dos tecidos cardíacos e creatinoquinase MB (CK- MB). • Os ensaios das troponinas são muito específicos para tecidos miocárdicos e tornam-se os biomarcadores principais para diagnosticar infarto do miocárdio. • Quando se compara a troponina com a CKMB, o nível de troponina detecta necrose dos músculos cardíacos mais precocemente que a CKMB. • Os médicos que solicitam dosagens dos biomarcadores cardíacos devem enfatizar os níveis de troponina em vez da concentração de CKMB para diagnosticar. Angina Instável • Os pacientes que não apresentam sinais de marcadores séricos de lesão miocárdica são classificados como portadores de AI. • Sintomas: A dor é o principal sintoma e os episódios de dor são desencadeados por pequenos esforços, ou até em repouso, e duram mais tempo (acima de 10 min). É o tipo de angina que geralmente precede o infarto do miocárdio. Angina Estável • A angina estável crônica está associada a uma obstrução coronariana fixa, que acarreta desproporção entre o fluxo sanguíneo coronariano e as necessidades metabólicas do miocárdio. • Em geral, a angina de peito é desencadeada por condições que aumentam as demandas cardíacas, inclusive esforço físico, exposição ao frio e estresse emocional. • Sintomas: Nos casos típicos, a dor é descrita como uma sensação de aperto, esmagamento ou sufocação, é contínua e aumenta em intensidade apenas no início e no final do episódio. A dor da angina geralmente se localiza na área precordial ou subesternal do tórax e é semelhante à dor do infarto do miocárdio, porque pode irradiar para o ombro esquerdo, a mandíbula, o braço ou outras áreas do tórax. • Tipicamente, a angina estável crônica é desencadeada por esforços ou estresse emocional e atenuada depois de alguns minutos em repouso ou com o uso de nitroglicerina. Infarto Agudo Do Miocárdio • Consiste na necrose do músculo cardíaco em consequência à isquemia. • A maior parte dos IMs é causada pela trombose aguda de uma artéria coronária. • Na maioria dos casos, a ruptura ou erosão de uma placa aterosclerótica preexistente atua como um núcleo para a formação de um trombo, seguida da obstrução vascular e do subsequente infarto transmural do miocárdio perfundido. • Segundos após a obstrução vascular, a glicólise aeróbica cessa, levando à queda do nível de trifosfato de adenosina (ATP) e ao acúmulo de metabólitos potencialmente nocivos (p. ex., ácido láctico) nos cardiomiócitos. • A consequência funcional é a rápida perda da contratilidade, que ocorre em aproximadamente um minuto do início da isquemia. • Essas alterações iniciais são potencialmente reversíveis. Somente a isquemia grave, que dura pelo menos 20-40 minutos, causa dano irreversível e necrose por coagulação nos miócitos. Características Clínicas • O IM clássico é anunciado por dor (ou pressão) torácica subesternal intensa e em aperto que pode irradiar para o pescoço, a mandíbula, o epigástrio ou o braço esquerdo. • Ao contrário da angina pectoris, a dor normalmente dura vários minutos a horas, e não diminui com a administração de nitroglicerina ou com o repouso. • O pulso geralmente está rápido e fraco, e os pacientes muitas vezes apresentam sudorese e náuseas. • A dispneia é comum, atribuída à contratilidade miocárdica deficiente e à disfunção do aparelho da valva atrioventricular esquerda, que levam à congestão e ao edema pulmonares agudos. • As alterações eletrocardiográficas são importantes para o diagnóstico do IM; elas englobam ondas Q, segmentos ST anormais e ondas T invertidas (as duas últimas representam alterações da repolarização do miocárdio). • A avaliação laboratorial do IM baseia-se na determinação dos níveis sanguíneos de macromoléculas que extravasam através das membranas das células lesadas do miocárdio. Essas moléculas incluem a mioglobina, as troponinas cardíacas T e I (TnT, TnI) - mais utilizados e a creatina cinase. DIAGNÓSTICO DA DAC • Entre os métodos usados para avaliar o fluxo sanguíneo coronariano e a perfusão miocárdica estão eletrocardiograma, prova de esforço, ecocardiograma, radiografia do tórax, cintigrafia cardíaca, RM, TC e cateterismo cardíaco. TRATAMENTOS DA DAC Maria Vitória de Sousa Santos • O tratamento da DAC deve abranger quatro aspectos principais: tratamento de doenças associadas, mudança no estilo de vida, tratamento clinico medicamentoso e revascularização miocárdica. • Os portadores de DAC devem adotar medidas quanto a seus hábitos de vida com o objetivo de diminuir a progressão da aterosclerose, como: 1. Controle do peso. 2. Prática regular de exercício fisico (aumenta o HDL-C, reduz triglicérides, diminui a pressão arterial, funciona como coadjuvante no controle do peso corporal e eleva a reserva coronariana). 3. Controle da pressão arterial. 4. Controle do diabetes mellitus. 5. Controle dos níveis de LDL-C e HDL-C. 6. Abandono do tabagismo. Medicações Que Diminuem Morbimortalidade 1. Antiplaquetários 2. In ib idores da enz ima conver sora da angiotensina II (IECA) 3. Betabloqueadores 4. Agentes hipoglicemiantes Medicações Que Reduzem Sintomas E Isquemia Miocárdica 1. Bloqueadores de canais de cálcio 2. Nitratos Tratamento Intervencionista 1. Intervenção coronariana percutânea (ICP) A angioplast ia coronarianatransluminar percutânea ACTP com balão consiste em dilatar uma placa aterosclerótica estenótica com um balão inflável. Nesse local, o balão é usado para expandir o lúmen da artéria coronária por estiramento e rompimento da placa aterosclerótica e, em menor grau, distribuição da placa ao longo de seu eixo longitudinal. 2. C i r u r g i a d e r e v a s c u l a r i z a ç ã o miocárdica (CRM) Tem como objetivos o alivio de sintomas, o aumento da sobrevida e a diminuição das chances de reinfarto. A cirurgia de revascularização do miocárdio, também conhecida como cirurgia de ponte de safena, tem como objetivo melhorar o fluxo sanguíneo para o músculo cardíaco em pessoas que apresentam obstruções graves nas ar tér ias do coração (coronár ias ) . É um procedimento que utiliza veias ou artérias saudáveis das pernas, dos braços ou do tórax do próprio paciente para criar um caminho alternativo para o sangue. Essas veias e artérias são chamadas de pontes, pois redirecionam o sangue para uma área da coronária localizada após o segmento obstruído. QUA L A D I F E R E NÇA E NT R E A N G I N A E PRECORDIALGIA? • A angina refere-se àquela sensação de peso, dor ou aperto no peito que acontece quando há diminuição do fluxo de sangue nas artérias, responsáveis por levar oxigênio ao coração – tal situação é conhecida como isquemia cardíaca. • Porém, diferente da angina, a dor precordial é aquela dor no peito, na região do coração que pode ou não ter relação com problemas cardíacos – visto que pode ocorrer por excesso de gases ou mudança repentina de postura, por exemplo. A dor precordial pode ser dividia em: 1. Dor típica: é caracterizada por angina ou infarto do miocárdio, semelhante a um aperto ou opressão no peito. Normalmente, o incômodo dura mais de 10 minutos e pode irradiar para outras partes do corpo, como o pescoço, ombros, braço esquerdo e, às vezes, para o braço direito, apontando para problemas como angina e infarto, por exemplo. 2. Dor atípica: aponta para uma causa diferente de angina ou infarto, excluído sintomas associados a estes problemas. Tosse, febre, queimação ou azia podem acompanhar este tipo de dor. A duração dos sintomas é em torno de segundos ou minutos, melhorando com o uso de medicamentos. FEBRE REUMÁTICA • A febre reumática é uma doença inflamatória aguda, multissistêmica, mediada pelo sistema imune, que ocor re após in fecção por estreptococos β-hemolíticos do grupo A (geralmente após uma faringite, mas, em raros casos, a infecção acomete outra parte do corpo, como a pele). • A doença reumática cardíaca é a manifestação cardíaca da febre reumática; e está associada a inflamações de todas as partes do coração, mas a inflamação e a cicatrização das valvas produzem as características clínicas mais importantes. Classificação: 1. Fase aguda da FR inclui história de uma infecção estreptocócica desencadeante e acometimento subsequente dos componentes do tecido conjuntivo do coração, dos vasos sanguíneos, das articulações e das estruturas subcutâneas. 2. Estágio recidivante consiste na progressão dos efeitos cardíacos da doença. 3. Fase crônica da FR caracterizase por deformidade irreversível das valvas cardíacas e é uma causa comum de estenose da valva mitral. Maria Vitória de Sousa Santos PATOGENIA • A febre reumática aguda é uma reação de hipersensibilidade classicamente atribuída a anticorpos contra moléculas dos estreptococos do grupo A que reagem de modo cruzado com antígenos miocárdicos do hospedeiro e moléculas articulares, devido a mimetismo molecular entre proteínas bacterianas e do hospedeiro. • Em particular, os anticorpos contra proteínas M a n t i g ê n i c a ( a q u a l p o s s u i s e q u ê n c i a s polipeptídicas semelhantes a proteínas humanas) de certas cepas de estreptococos reagem tanto com essa proteína quanto com moléculas existentes no coração, ligam-se a proteínas do miocárdio e das valvas cardíacas e causam lesão por meio da ativação do complemento e de células portadoras do receptor para Fc (inclusive macrófagos). • As células TCD4+ que reconhecem os peptídios estreptocócicos também podem reagir de forma cruzada com antígenos do hospedeiro e desencadear respostas inflamatórias mediadas por citocinas. MORFOLOGIA • A febre reumática aguda é caracterizada por focos inflamatórios discretos em diferentes tecidos. • As lesões inflamatórias encontradas no miocárdio — os chamados corpos de Aschoff — são patognomônicos da febre reumática; esses nódulos consistem em acúmulos de linfócitos (basicamente células T), plasmócitos dispersos e macrófagos volumosos ativados denominados células de Anitschkow associados a zonas de necrose fibrinoide. • As células de Anitschkow têm citoplasma abundante e núcleos com cromatina condensada no centro que forma uma fita ondulada e delgada (as chamadas “células em lagarta”). • Durante a febre reumática aguda, os corpos de Aschoff podem ser encontrados em qualquer uma das três camadas do coração: pericárdio, miocárdio ou endocárdio (inclusive nas valvas). É por isso que se diz que a febre reumática causa uma pancardite com as seguintes características: 1. O pericárdio pode exibir um exsudato fibrinoso, que geralmente se resolve sem deixar sequelas. 2. O envolvimento do miocárdio — miocardite — manifesta-se na forma de corpos de Aschoff dispersos no interior do tecido conjuntivo intersticial. 3. O envolvimento valvar resulta em necrose fibrinoide e deposição de fibrina ao longo das linhas de fechamento que formam vegetações de 1 a 2 mm — verrugas — que perturbam pouco o funcionamento do coração. DOENÇA VALVAR • A doença valvar manifesta-se principalmente na forma de estenose fibrótica deformante da valva atrioventricular esquerda (mitral). • A doença reumática cardíaca crônica é caracterizada pela organização da inflamação aguda e pela subsequente cicatrização. • Os corpos de Aschoff são substituídos por cicatrizes fibrosas, de modo que essas lesões raramente são vistas na doença crônica. • Em particular, as válvulas das valvas tornam-se espessadas e retraídas de modo permanente. • Classicamente, a valva atrioventricular esquerda (mitral) exibe: 1. espessamento das válvulas, 2. fusão e encurtamento das comissuras 3. espessamento e fusão das cordas tendíneas • A consequência funcional mais importante da doença reumática cardíaca é a estenose e a regurgitação valvares; a estenose tende a predominar. • Na estenose mitral intensa, o átrio esquerdo dilata-se progressivamente por causa da sobrecarga de pressão, o que precipita a fibrilação atrial. • A combinação de dilatação e fibrilação é um substrato fértil para a trombose, e a formação de trombos murais grandes é comum. • A congestão venosa passiva de longa duração provoca alterações no parênquima e nos vasos pulmonares que são típicas da insuficiência cardíaca esquerda. • Com o tempo, essas alterações levam à hipertrofia e à falência do ventrículo direito. • Na estenose mitral pura, o ventrículo esquerdo geralmente está normal. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS • A febre reumática aguda ocorre quase sempre em crianças; a principal manifestação clínica é a cardite. • No entanto, cerca de 20% das primeiras crises ocorrem em adultos, e a artrite é a característica predominante. • Em todos os grupos etários, os sintomas normalmente começam 2 a 3 semanas após a infecção estreptocócica e são evidenciados por febre e poliartrite migratória — uma grande articulação torna-se dolorida e inchada durante dias e, então, ocorre resolução espontânea sem sequelas residuais. • Os sinais clínicos da cardite incluem atrito pericárdico e arritmias; a miocardite pode ser Maria Vitória de Sousa Santos agressiva o suficiente para provocar dilatação cardíaca, que leva à insuficiência funcional da valva atrioventricular esquerda e à ICC. • A maioria dos pacientescom FR refere história de infecção da faringe, cefaleia, febre (38,5 a 40°C), dor abdominal, náuseas, vômitos, inflamação dos linfonodos (em geral, no ângulo da mandíbula), assim como outros sinais e sintomas de infecção estreptocócica. • Além dos diferentes sopros cardíacos, da hipertrofia e dilatação cardíacas e da ICC, os pacientes com cardiopatia reumática crônica têm com frequência arritmias (especialmente fibrilação atrial na presença de estenose mitral) e complicações tromboembólicas resultantes de trombos murais atriais. DIAGNÓSTICO • Nenhum exame laboratorial é específico para estabelecer o diagnóstico de FR. • Em razão da ocorrência de diversos sinais e sintomas, os critérios diagnósticos de Jones – prestam-se a facilitar a padronização do diagnóstico da FR. • Os critérios de Jones subdividem as manifestações clínicas dessa doença em critérios maiores e menores com base em sua prevalência e especificidade. • Dois critérios maiores (i. e., cardite, poliartrite, core ia , e r i t ema marg inado e nódu lo s subcutâneos) ou um maior e dois menores (i. e., artralgia, febre e nível alto de VHS, PCR ou leucometria), acompanhados de indícios de in fecção preg res sa por EGA, indicam probabilidade alta de FR. 1. Ecocardiograma 2. Ecodoppler 3. Eletrocardiograma 4. Radiografia de tórax ENDOCARDITE INFECCIOSA • A endocardite infecciosa é uma infecção grave das valvas cardíacas ou do endocárdio mural que leva à formação de vegetações compostas de resíduos de trombos e microrganismos, muitas vezes associados à destruição dos tecidos cardíacos subjacentes. • As causas mais comuns da endocardite são a doença reumática cardíacas, prolapso da valva mitral e aórtica, estenose valvar, cardiopatias congênitas, valvas cardíacas artificiais e dispositivos implantáveis (p. ex., marcapassos e desfibriladores). • Fatores pertinentes ao hospedeiro, inclusive neutropenia (nível muito baixo dos neutrófilos), i mu n o d e fi c i ê n c i a , n e o p l a s i a m a l i g n a , imunossupressão terapêutica, diabetes e uso de álcool ou fármacos intravenosos são fatores predisponentes. Classificação A endocardite infecciosa pode ser classificada em aguda ou subaguda, com base na velocidade e na gravidade da evolução clínica; as diferenças são atribuídas à virulência do microrganismo responsável e à presença ou não de doença cardíaca subjacente. 1. A endocardite aguda consiste em uma infecção destrutiva e turbulenta causada com frequência por um microrganismo altamente virulento que ataca uma valva previamente normal. 2. A endocardite subaguda consiste em uma infecção causada por microrganismos de baixa virulência que afetam um coração previamente anor mal , pr inc ipa lmente com va lvas cicatrizadas ou deformadas. A doença normalmente aparece de modo insidioso e — mesmo sem tratamento — segue um curso demorado de semanas a meses; a maioria dos pacientes recupera-se após receber a antibioticoterapia adequada. ETIOLOGIA • A maioria dos estudos evidencia como agentes etiológicos mais frequentemente associados à El os estreptococos, os estafilococos, os enterococos e as bactérias do grupo HACEK (Haemophilus, Act inobac i l lus ac t inomycetemcomitans, Cardiobacterium hominis, Eikenella corrodens e Kingella kingae). • No entanto, a doença pode ser causada por outras bactérias e também por fungos, micobactérias, clamídias e micoplasmas. • Estreptococos e estafilococos são responsáveis por 80% dos casos de EI, sendo essa proporção variável de acordo com o tipo de valva acometida (nativa ou protética), a fonte de infecção, a idade e fatores predisponentes, como a presença de valvopatias prévias e próteses valvares, o uso de substâncias endovenosas e o estado imunológico prévio. Exemplos 1. Staphylococcus aureus: É o agente patogênico principal entre os usuários de substâncias intravenosas. 2. Staphylococcus epidermidis: É o agente patogênico principal para a EI de valvas cardíacas artificiais, também é o agente patogênico principal para às infecções de dispositivos implantáveis e às infecções adquiridas nos serviços de saúde. Maria Vitória de Sousa Santos 3. O Streptococcus viridans: (estreptococo alfa-hemolítico), por fazer parte da microbiota normal da cavidade oral, pode colonizar valvas previamente acometidas por distúrbios congênitos ou adquiridos, a partir de bacteriemias transitórias. PATOGÊNESE • O mecanismo ou a porta de entrada do agente na corrente sanguínea pode ser uma infecção manifesta em qualquer local, um procedimento dentário ou cirúrgico que cause bacteremia transitória, a injeção de material contaminado diretamente na corrente sanguínea por usuários de drogas intravenosas ou uma fonte oculta localizada no intestino, na cavidade oral ou mesmo lesões sem importância. • A disseminação dos microrganismos na corrente sanguínea é o fator principal que resulta no desenvolvimento da EI. • Lesão endotelial, bacteriemia e disfunção hemodinâmica podem promover a formação de um trombo de fibrina-plaquetas sobre o revestimento endotelial. • O trombo está sujeito à implantação de bactérias durante a bacteriemia transitória, causando ativação dos monócitos, bem como formação de citocinas e fatores tissulares, resultando na proliferação progressiva das vegetações valvares infectadas. • Com as formas aguda e subaguda de EI, formam-se lesões vegetativas friáveis, volumosas e potencialmente destrutivas nas valvas cardíacas. • Essas lesões vegetativas consistem em uma coleção de microrganismos e restos celulares entremeados em faixas de fibrina do sangue coagulado. • As lesões geralmente estão frouxamente aderidas às bordas livres da superfície valvar. • À medida que as lesões crescem, elas causam destruição da valva e provocam regurgitação valvar, abscessos do anel valvar com bloqueio cardíaco, pericardite, aneurisma e perfuração da valva. • As lesões vegetativas intracardíacas também causam efeitos locais e sistêmicos a distância. • A organização frouxa dessas lesões torna possível que microrganismos e fragmentos das lesões formem êmbolos, que são levados na corrente sanguínea e causam embolia cerebral, pulmonar ou sistêmica. • Os fragmentos podem alojar-se nos vasos sanguíneos diminutos, causando hemorragias demarcadas, abscessos e infartos dos tecidos. • Além disso, a bacteriemia pode desencadear reações imunes que parecem ser responsáveis pelas manifestações cutâneas, poliartrite, glomerulonefrite e outros distúrbios imunes. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS A febre é o sinal mais constante da endocardite infecciosa. 1. Fase aguda: Tem início repentino com febre de desenvolvimento rápido, calafrios, fraqueza e cansaço. Os sopros estão presentes em 90% dos pacientes com lesões no lado esquerdo do coração e indícios de disseminação embólica das lesões vegetativas. 2. Fase subaguda: A febre pode estar ausente ou é comumente baixa, e as únicas manifestações podem ser fadiga inespecífica, perda de peso e uma síndrome semelhante à gripe; a esplenomegalia também é comum nos casos subagudos, anorexia, mal-estar e letargia. Nos pacientes que não são prontamente tratados, os microêmbolos são formados e podem dar origem a petéquias, hemorragias no leito ungueal, hemorragias retinais (manchas de Roth), lesões eritematosas indolores na palma das mãos ou na sola dos pés (lesões de Janeway) ou nódulos doloridos nas pontas dos dedos (nódulos de Osler). DIAGNÓSTICO • O diagnóstico da doença não pode ser estabelecido por nenhum teste isolado, mas se baseia no exame clínico e nos resultados dos exames laboratoriais e do ecocardiograma. • Os critérios de Duke, oferecem aos profissionais de saúde um recurso padronizado de avaliação dos pacientes com quadro suspeito de EI, que incorpora os resultados da hemocultura e do exame ecocardiográfico, as manifestações clínicas e os dados laboratoriais.