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AFECÇÕES DO ESTÔMAGO E INTESTINO Gastrites Enterites Colite GASTRITE AGUDA • Inflamação e lesão da mucosa gástrica em resposta a uma agressão • Causa mais comum de vômitos em cães • Afecção autolimitante e leve • Vômito agudo • Sem causa aparente • Resolução 24-48h GASTRITE AGUDA Etiologia: • Alteração dietética • Corpo estranho • Ingestão de alimento deteriorado • Plantas tóxicas • Substâncias químicas irritantes ou toxinas • Drogas (aines, antibióticos) • Infecções virais ou bacterianas • Distúrbios sistêmicos GASTRITE AGUDA • Aspectos clínicos • Mais comum em cães que em gatos • Início agudo de náusea e vômito • Presença de alimento e bile • Pode ter sangue • Sialorréia • Anorexia aguda • Depressão GASTRITE AGUDA • Diagnóstico: • Anamnese • Exame físico • Exames complementares • Resposta à terapia • Diagnóstico de exclusão • A não ser que veja o animal ingerindo a substância GASTRITE AGUDA • Diagnóstico: • Diagnóstico de exclusão • Corpo estranho • Obstrução • Enterite parvovirótica • Uremia • Cetoacidose diabética • Hipoadrenocorticismo • Hepatopatia • Pancreatite GASTRITE AGUDA • Exames complementares • Hemograma • Perfil bioquímico • Avaliação hepática • Avaliação renal • Glicemia • Urinálise • Radiografia abdominal / ultrassonografia abdominal • Endoscopia • Laparotomia exploratória GASTRITE AGUDA • Tratamento • Restrição dietética – 24h • Manutenção da hidratação • Via oral • Água • Via endovenosa • Suplementação • Potássio (2meq/L de líquido) • Glicose (1ml de sol. De glicose a 50%/kg) GASTRITE AGUDA • Terapia médica • Antieméticos • Metoclopramida 0,2 a 0,5 mg/kg/TID/SC • Maropitant 2mg/kg/SID/SC • Ondansetrona 0,2 mg/kg/TID/SC • Antiácidos • Omeprazol • 0,5-1,0 mg/kg VO/IV SID ou BID GASTRITE AGUDA Retomar a alimentação gradativa Pequenas quantidades Leve • Queijo cottage, peito de frango e batata cozida Antibiótico é raro • Linfocítica plasmocítica – reação imunológica ou inflamatória • Eosinofílica – reação alérgica • GRANULOMATOSA - PARASITA EM GATOS - (ollullanus tricuspis) • ATRÓFICA – DOENÇA IFLAMATÓRIA GÁSTRICA CRÔNICA • Cães e gatos • Vômito crônico • + 3x/mês durante 3 meses consecutivos • Várias vezes ao dia • Patogenia • Danos na mucosa gástrica • Retrodifusão de ácido gástrico • Lesão adicional da mucosa • Inflamação da mucosa GASTRITE CRÔNICA • Etiologia • Complicação da gastrite aguda • Ulcerações gastroduodenais • Refluxo enterogástrico • Helicobacter sp. – Principalmente gatos • Hipersensibilidade alimentar • Disbiose GASTRITE CRÔNICA GASTRITE CRÔNICA • Sinais clínicos • Vômito Crônico • Semanas a meses • Não associado a ingestão de alimentos • Erosões e úlceras - hematêmese e melena • Gastrite por refluxo • Náuseas, vômito de fluido corado por bile ou espuma no início da manhã – estômago vazio • Anorexia • Perda de peso • Diagnóstico • Anamnese • Exame físico • Avaliação laboratorial • Pode verificar eosinofilia • Radiografia/ultrassonografia abdominal • Espessamento da mucosa • Endoscopia x laparotomia • Biópsia – confirmatório • Parasitas GASTRITE CRÔNICA x • Tratamento • Eliminar as causas de gastrite • Gastrite linfocítica-plasmocítica • Dieta • Alta digestibilidade • Restrita em gorduras/fibras • Refeições pequenas e várias vezes ao dia • Dietas de eliminação – HIPOALERGÊNICA • Caseiras GASTRITE CRÔNICA GASTRITE CRÔNICA • Omeprazol 0,5-2mg/kg 12/12h • Ranitidina 2mg/kg VO 3 x ao dia Controle da acidez • Metoclopramida- 0,2-0,4mg/kg VO, IM, SC, IV 8/8h Distúrbio de motilidade secundário Antibióticos (Helicobacter sp.) • Prednisolona 2,2mg/kg/dia ou menor dosagem eficaz Corticosteroides Antiparasitários Ciclosporina, Azatioprina • Prognóstico • Variável • Identificada a causa e correção Þ prognóstico bom • Gatos com gastrite linfocítica – podem desenvolver linfoma • Gastrite crônica idiopática Þ tratamento dietético a longo prazo GASTRITE CRÔNICA ENTERITES INTRODUÇÃO DOENÇAS INTESTINAIS: MOTILIDADE, SECREÇÃO, ABSORÇÃO E DIGESTÃO DIARREIA: OSMÓTICA, SECRETÓRIA E ESXUDATIVA. Doenças intestinais Osmolaridde Secreção Motilidade Permeabilidade DIARREIA Evolução Aguda (3 semanas) Mecanismo Osmótica Secretória Exsudativa Alterações da motilidade Mista DIARREIA •Localização • Intestino grosso • Intestino delgado •Etiologia • Alimentar • Tóxica • Viral • Parasitária • Bacteriana • Alérgica • Fármacos • Neoplasia • Doença hepática • Doença renal • Doença hormonal DIARREIA • Mecanismo • Osmótica • Excesso de moléculas hidrossolúveis na luz intestinal • Exemplo – sobrecarga alimentar, má digestão/absorção, laxantes • Secretória • Estimulação da secreção intestinal • Exemplo - endotoxinas bacterianas • Exsudativa • Extravasamento de fluido tecidual, proteínas séricas, muco e sangue • Exemplo - ulcerações, inflamações • Alterações da motilidade • Material fecal retido, solutos não absorvidos • Exemplo - síndrome do intestino irritável, colite, hipertireoidismo Delgado Grosso Volume Aumentado (+++) Normal a aumentado Frequência Normal a aumentada Aumentada (+++) Muco Ausente Frequente Tipo de sangue Melena Hematoquezia Esteatorréia Frequente Ausente Tenesmo/Disquezia Ausente Frequente Perda de peso/vômito Frequente Ausente Desidratação Frequente Ausente Flatulência Frequente Ausente LOCALIZAÇÃO DIARREIA AGUDA – ENTERITE AGUDA • Etiologia • Dieta – principalmente em jovens – cães e gatos • Virais – parvovírus canino e felino, coronavírus canino e felino • Bacterianas – salmonelose, campilobacteriose, clostridiose • Parasitárias – nematódeos, cestódeos e/ou protozoários • Corpo estranho ENTERITE AGUDA - ASPECTOS CLÍNICOS Diarreia com ou sem vomito Desidratação Febre Anorexia Prostação Gemidos e/ou dor abdominal Hipotermia, hipoglicemia, estupor... Animais jovens ENTERITE AGUDA - DIAGNÓSTICO • Histórico • Anamnese • Exame físico geral • Amostras de fezes • Parasitas • Febre + sangue nas fezes • Hemograma – neutropenia • Elisa para parvovírus • Glicemia em filhotes ENTERITE AGUDA - DIAGNÓSTICO EM FELINOS COM DIARREIA E FEBRE ENTERITES AGUDAS - DIAGNÓSTICO •Massas abdominais, obstrução ou corpo estranho • Radiografias abdominais • Ultrassonografia ENTERITES AGUDAS - TRATAMENTO Sintomático - suporte Homeostase de fluidos Suplementação com potássio Raramente se usa antidiarreicos Antieméticos para vômitos • Ondansentrona 0,2mg/kg/tid/sc Antiparasitários ENTERITES AGUDAS - TRATAMENTO • Alimentação leve em pequenas quantidades • Febril ou leucopênico • Antibioticoterapia • Ceftriaxona 50 a 100mg/kg, BID • Metronidazol 10 a 15 mg/kg BID • Glicose • Higiene em casos de vírus • Prognóstico depende da condição do animal ENTERITE INFECCIOSA Parvovírus canino Parvovirus canino tipo 2 Fecal – oral Anorexia, depressão Vômitos e diarreia profusa e as vezes hemorrágicas Desidratação Hipoglicemia e hipotensão Coronavírus canino Fecal-oral Diarreia aquosa Gravidade aumentada com associação ao parvovirus. ENTERITE INFECCIOSA • Diagnóstico • Histórico e sinais clínicos • Parvovírus canino – teste de elisa • Leucopenia – vírus destrói células em divisão (medula óssea e criptas intestinais) • Coronavírus – microscopia eletrônica e isolamento do vírus. • Destroi células maduras e não as criptas • Sem leucopenia. Pode haver infecção simultânea ENTERITE INFECCIOSA TRATAMENTO Fluidoterapia Ringuer com lactato Calcular perdas e manutenção Administrar potássio 30 a 40 meq/litro(cuidado) Glicose Antibióticos Ceftriaxona, Cefalotina – 50mg/kg Enrofloxacino – 5mg/kg ENTERITE INFECCIOSA TRATAMENTO • Antieméticos • Ondansetrona • Ranitidina • Maropitante • Nutrição • Pequenas quantidades hipercalóricas • Sonda nasoesofágica ENTERITE INFECCIOSA TRATAMENTO • Terapia especial • Filgrastim • Estimula produção de leucócitos • Monitorização• Exame físico • Potássio • Glicemia • Hematócrito • Leucócitos DOENÇA INFLAMATÓRIA INTESTINAL Pode acometer qualquer região do TGI (DII x colite x gastrite crônica). Idiopática: disbiose, hipersensibilidade alimentar, genética e sist. Imune. Infiltrado inflamatório: linfocítico-plasmocítico e outros. Cães e gatos: vômito, diarreia e alterações de peso/alimentares. DIAGNÓSTICO: ANAMNESE (EVOLUÇÃO CLÍNICA), EXAME FÍSICO GERAL (NORMAL?) E EXAME ESPECÍFICO: CAVIDADE ORAL, ESÔFAGO, ABDÔMEN (INSPEÇÃO, PALPAÇÃO, PERCUSSÃO E AUSCULTAÇÃO). ALTERAÇÕES HEMATOLÓGICAS? COBALAMINA, FOLATO, COLESTEROL, CÁLCIO IÔNICO, PROTEÍNA C REATIVA. DOENÇA INFLAMATÓRIA INTESTINAL DIAGNÓSTICO EXAMES DE IMAGEM – ULTRASSONOGRAFIA ABDOMINAL/INTESTINAL: ESPESSAMENTO PERDA DA ESTRATIFICAÇÃO PARIETAL ESPESSAMENTO DA MUSCULAR LINFADENOPATIA REGIONAL ALTERAÇÕES PANCREÁTICAS, HEPÁTICAS, BILIARES, PERITONEAIS ASSOCIADAS. DOENÇA INFLAMATÓRIA INTESTINAL DIAGNÓSTICO DEFINITIVO: HISTOPATOLOGIA BIÓPSIA INTESTINAL POR CELIOTOMIA OU POR ENDOSCOPIA. DIAGNÓSTICO DE EXCLUSÃO: SEMPRE QUE POSSÍVEL. TRATAMENTO: DIETA, SIMBIÓTICO, ANTIBIÓTICO, NUTRACÊUTICOS, ANALGÉSICOS, SUPORTE E IMUNOMODULAÇÃO. DOENÇA INFLAMATÓRIA INTESTINAL IMUNOMODULAÇÃO: BUDESONIDA 1 A 3MG/ANIMAL PREDNISOLONA 1-2 MG/KG SID A BID CICLOSPORINA 5-7MG/KG SID A BID CLORAMBUCILA 2MG/GATO OU 4MG/M2 CÃO AZATIOPRINA 1-2MG/KG SID, BID DIAS ALTERNADOS. DOENÇA INFLAMATÓRIA INTESTINAL COLITE Inflamação do intestino grosso • Doença inflamatória intestinal dos pequenos animais • Infiltração de células inflamatórias • Linfócitos, eosinófilos, plasmócitos, macrófagos ou combinação destas • Idiopática Colite linfocítica plasmocítica canina ou felina Colite histiocítica ou granulomatosa COLITE LINFOCÍTICA PLASMOCÍTICA CANINA E FELINA • Sinais clínicos gatos • Vômitos • Diarreias • Letargia • Hiporexia ou polifagia • Cães • Urgência para defecar • Diarreia crônica com diminuição do volume • Polifagia COLITE LINFOCÍTICA PLASMOCÍTICA CANINA E FELINA • Diagnóstico • Ausência de resposta a terapia sintomática (protocolo de exclusão) • Parasiticidas, antibióticos, dietas de exclusão • Duração crônica • Exames laboratoriais inconclusivos • Colonoscopia com biopsia intestinal • Conclusivo COLITE LINFOCÍTICA PLASMOCÍTICA CANINA E FELINA • imunossupressão – • prednisona 2mg/kg cães • prednisolona em gatos – 4mg/kg – 10 dias; vai diminuindo a dose • menor dose efetiva • dietas hipoalergênicas • omega 3 em felinos • antibióticos – metronidazol 10 a 25 mg/kg COLITE LINFOCÍTICA PLASMOCÍTICA CANINA E FELINA • Prognóstico • Bom a reservado • Imunossupressão pode piorar o quadro • Recidivas • Paciência do tutor • Não tem cura, apenas controle