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m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Camila Moma | Diabetes Mellitus Tipo 2 2ENDOCRINOLOGIA APRESENTAÇÃO: @estrategiamed @ profa.camilamoma /estrategiamed Estratégia MED t.me/estrategiamed PROF. CAMILA MOMA O diabetes mellitus tipo 2 (DM tipo 2) corresponde a cerca de 90% dos casos de DM. É caracterizado por apresentar uma série de defeitos patológicos que levam à hiperglicemia, sendo desencadeado, principalmente, pela resistência à insulina. É uma doença de padrão poligênico, mas com forte penetrância familiar, sendo possível identificar familiares de primeiro ou segundo graus acometidos. Apesar do componente genético, os fatores ambientais, como obesidade, sedentarismo e maus hábitos alimentares também têm grande importância no desenvolvimento da doença e são os principais responsáveis pelo alarmante aumento nos casos de DM tipo 2, nas últimas décadas. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ https://www.instagram.com/estrategiamed/ https://www.instagram.com/profa.camilamoma/ https://www.facebook.com/estrategiamed1 https://www.youtube.com/channel/UCyNuIBnEwzsgA05XK1P6Dmw?app=desktop https://t.me/estrategiamed m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Camila Moma | Curso Extensivo | 2023 3 ENDOCRINOLOGIA Diabetes Mellitus Tipo 2 SUMÁRIO 1.0 EPIDEMIOLOGIA 4 1.1 FATORES DE RISCO 6 1.2 RASTREAMENTO 9 1.3 PREVENÇÃO 11 2.0 EVOLUÇÃO E CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS 14 2.1 FISIOPATOGENIA DA DOENÇA: DA RESISTÊNCIA INSULÍNICA AO DIAGNÓSTICO DE DIABETES MELLITUS 14 2.2 MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS 15 3.0 TRATAMENTO 18 3.1 TRATAMENTO NÃO MEDICAMENTOSO 18 3.1.1 PRINCÍPIOS DA ORIENTAÇÃO NUTRICIONAL 18 3.1.2 ORIENTAÇÕES QUANTO À PRÁTICA DE ATIVIDADE FÍSICA 19 3.2 TRATAMENTO MEDICAMENTOSO 22 3.3 CLASSES MEDICAMENTOSAS DE ANTIDIABÉTICOS 22 3.3.1 MEDICAÇÕES QUE AUMENTAM A SECREÇÃO DE INSULINA DE FORMA INDEPENDENTE DOS NÍVEIS GLICÊMICOS 22 3.3.2 MEDICAÇÕES COM EFEITO INCRETÍNICO 27 3.3.3 MEDICAÇÕES COM EFEITO SENSIBILIZADOR DE INSULINA 33 3.3.4 MEDICAÇÕES QUE PROVOCAM GLICOSÚRIA 39 3.3.5 MEDICAÇÕES QUE DIMINUEM A ABSORÇÃO INTESTINAL DE GLICOSE 43 3.3.6 POTÊNCIA EM REDUZIR HBA1C 45 3.3.7 ORIENTAÇÕES PARA A DECISÃO TERAPÊUTICA NO DM TIPO 2 47 4.0 RESUMO DAS RECOMENDAÇÕES MEDICAMENTOSAS 53 5.0 RESUMO DO LIVRO E PONTOS-CHAVES 57 6.0 LISTA DE QUESTÕES 65 7.0 VERSÕES DAS AULAS 66 8.0 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA 66 9.0 LISTA DE IMAGENS E TABELAS 68 9.1 POSOLOGIA E APRESENTAÇÃO DOS ANTIDIABÉTICOS 68 9.2 ASSOCIAÇÕES FARMACOLÓGICAS 72 10.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS... PARA A VIDA PRÁTICA 76 m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Camila Moma | Curso Extensivo | 2023 4 ENDOCRINOLOGIA Diabetes Mellitus Tipo 2 1.0 EPIDEMIOLOGIA Segundo os dados mais recentes da International Diabetes Federation (IDF), 9,3% dos indivíduos entre 20 e 79 anos (463 milhões de pessoas) apresentavam diabetes mellitus em 2019; somam-se a esses números mais 350 milhões acometidos por pré-diabetes. O Brasil é o quarto país em população de diabéticos no mundo: são 16,8 milhões de indivíduos diagnosticados, com projeção de aumento para 26 milhões em 2045. Esse crescimento de forma epidêmica é devido, principalmente, ao DM tipo 2, uma vez que se associa a fatores como rápida urbanização, industrialização, adoção de estilos de vida não saudáveis, como padrões alimentares hipercalóricos (dieta rica em gorduras e açúcares e pobre em fibras) e sedentarismo, aumento do peso corporal e envelhecimento da população. Apesar do DM tipo 2 ser uma doença mais frequente em adultos, geralmente > 45 anos, sua prevalência tem aumentando na faixa etária pediátrica e em adultos jovens, correspondendo a quase 20% dos casos em crianças e adolescentes. Credita-se uma grande parte desses números à elevação simultânea da obesidade, condição relacionada com a piora da resistência à insulina. Cerca de 79% dos casos de DM estão concentrados nos países em desenvolvimento e, segundo estimativas, esse percentual aumentará ao longo dos anos. Esses países já enfrentam grandes desafios no controle de doenças infecciosas e esse aumento nos casos de DM, principalmente em indivíduos em idade produtiva, pode significar um impacto enorme nos recursos destinados à saúde. Em 2019, os custos de saúde relacionados com o DM foram da ordem de 53 bilhões de dólares, no Brasil, além de mais de 135 mil mortes associadas à doença no mesmo ano. O aumento de casos tem impacto não apenas no sistema de saúde, mas também nos setores produtivos da sociedade, uma vez que atinge faixas etárias economicamente ativas. Soma-se a isso o fato de que indivíduos com DM apresentam um encurtamento na sobrevida média de até 12 anos. Segundo estimativas da IDF, 40-60% dos pacientes com DM morrem antes de completar 60 anos, no Brasil. A principal causa de morte no DM são doenças cardiovasculares Devemos lembrar que as doenças cardiovasculares também geram morbidade ao incapacitar o paciente para atividades de vida diária, por exemplo, ocasionando sequelas de acidente vascular encefálico ou insuficiência cardíaca pós-infarto do miocárdio. O lastro de morbidades geradas pelo DM também é enorme; podemos citar a retinopatia diabética como a principal causa de cegueira em pessoas com idade ativa para o trabalho, o aumento em dez vezes do risco de doença renal crônica terminal e a ocorrência, no mundo, de uma amputação a cada 30 segundos, relacionada com complicações diabéticas. O DM afeta homens e mulheres de forma semelhante (9,1% versus 8,4%), tendo incidência diferente apenas na puberdade, quando as meninas são levemente mais acometidas, provavelmente, por associação com a síndrome de ovários policísticos. CAPÍTULO m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Camila Moma | Curso Extensivo | 2023 ENDOCRINOLOGIA Diabetes Mellitus Tipo 2 5 Vamos resumir os principais pontos deste tópico: 9,3% da população mundial tem DM 79% em países em desenvolvimento No Brasil são 16,8 milhões de DM ↓ Expectativa de vida ↑ Mortalidade ↑ crescente em faixas etárias mais jovens e economicamente mais ativas ↑ Morbidade FATORES RELACIONADOS AO AUMENTO DA PREVALÊNCIA DE DM: • Urbanização • Industrialização • Dieta hipercalórica rica em gorduras e açúcares • Sedentarismo • Obesidade • Envelhecimento populacional CAI NA PROVA (HOSPITAL ALVORADA - HA – SP 2017) A magnitude do problema de uma epidemia de Diabetes Mellitus (DM) está em curso. Atualmente, podemos CONCORDAR que: A) Cerca de metade desses indivíduos vivem em países em desenvolvimento, onde a epidemia tem maior intensidade. B) Nos países em desenvolvimento, a epidemia apresenta menor intensidade. C) Ocorre menor proporção de pessoas acometidas em grupos etários mais jovens. D) Ocorre crescente proporção de pessoas acometidas em grupos etários mais jovens, as quais coexistem com o problema que as doenças infecciosas causam. COMENTÁRIOS: Correta a alternativa D.Você deve sempre se lembrar de que a maior parte dos casos de diabetes mellitus é encontrada em países em desenvolvimento (79%) e que a faixa etária mais acometida é a de adultos, porém, devido ao aumento paralelo da obesidade e dos maus hábitos de vida, a incidência tem aumentado em faixas etárias mais jovens. Nos países em desenvolvimento, o aumento dos casos de diabetes mellitus tornou-se mais uma batalha na esfera de saúde, uma vez que essas nações ainda enfrentam problemas relacionados com as doenças infecciosas. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nãà IC). Quanto à insuficiência hepática, os iDPP-4 podem ser utilizados nas classes Child-Pugh A e B. Na classe C, apenas a linagliptina e a saxagliptina, pois as demais drogas não apresentam estudos para essa população. Calma! Nas provas, quando é apresentado um paciente com insuficiência hepática, o avaliador quer que você suspenda os antidiabéticos e prescreva insulina. E se, nas alternativas, não existir a opção da insulina? Os pacientes com insuficiência hepática apresentam maior risco de hipoglicemia, pois eles têm comprometimento da produção de glicose (gliconeogênese e glicogenólise). Assim, a última coisa que queremos é prescrever uma droga que aumente hipoglicemias! Nessa situação, em particular, a linagliptina é uma ótima alternativa, assim como os inibidores da SGLT-2, que veremos mais adiante. E se o paciente apresentar insuficiência hepática e insuficiência renal? Na TFG 60 mL/min Vildagliptina 50 mg/dia 50 mg/dia 50 mg 12/12h Sitagliptina 25 mg/dia 50 mg/dia 100 mg/dia Saxagliptina 2,5 mg/dia 2,5 mg/dia 5 mg/dia Alogliptina 6,25 mg/dia 12,5 mg/dia 25 mg/dia Linagliptina 5 mg/dia (UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO - UFRJ 2017) Os antidiabéticos orais que inibem a dipeptidil peptidase-4 têm a vantagem de: A) Ter início rápido de ação. B) Reduzir a glicemia pós-prandial. C) Não causar hipoglicemia. D) Dispensar ajuste de dose na insuficiência renal. Lembre-se: a melhor opção terapêutica, via oral, para diabetes mellitus na presença de taxa de filtração glomerularprescrever duas drogas com ações incretínicas para o mesmo paciente! Não há efeitos colaterais pela associação, mas não haverá nenhum benefício adicional. Portanto, se o paciente está em uso de iDPP-4 e você quer prescrever um AgR GLP-1/ Análogo de GLP-1 (para perda ponderal ou redução de risco cardiovascular), não se esqueça de suspender o iDPP-4! CAI NA PROVA (UDI HOSPITAL - UDI 2018) O controle ponderal é parte importante do tratamento de pacientes diabéticos tipo II. Assinale a alternativa que contém EXCLUSIVAMENTE medicamentos que NÃO provocam ganho de peso: A) Insulina humalog - Liraglutida - Repaglinida B) Metformina - Repaglinida - Glicazida C) Glimepirida - Sitagliptina - Exenatida D) Acarbose - Metformina - Pioglitazona E) Metformina - Liraglutida – Sitagliptina *apenas Liraglutida e Semaglutida m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Camila Moma | Curso Extensivo | 2023 32 ENDOCRINOLOGIA Diabetes Mellitus Tipo 2 COMENTÁRIOS: Correta a alternativa E.A liraglutida e a exenatida são, respectivamente, análogo e agonista do receptor de GLP-1 e promovem efeitos semelhantes ao próprio hormônio: aumento da secreção de insulina dependente da glicemia, (UNIRIO 2020) Em relação ao tratamento do diabetes mellitus 2 a droga que é agonista do GLP-1 é A) acarbose. B) liraglutida. C) dapagliflozina. D) repaglinida. E) pioglitazona. COMENTÁRIOS: Correta a alternativa B. Para ficar mais fácil de decorar quais são os AgR GLP-1/ análogos de GLP-1, lembre-se de que tais drogas terminam em “tida”: exenatida, lixisenatida, liraglutida, dulaglutida e semaglutida. (INSTITUTO FERNANDES FIGUEIRA - IFF 2018) Atualmente dispomos de vários fármacos utilizados para o controle da glicemia no paciente com diabete melito tipo 2, o que aumentou substancialmente a complexidade terapêutica dessa síndrome. A hiperglucagonemia pode contribuir para a hiperglicemia e alguns fármacos podem reduzir os níveis de glucagon. Assinale a alternativa que contém um fármaco que NÃO contribui para a redução no glucagon: A) Sitagliptina. B) Canaglifozina. C) Insulina. D) Exenatida. COMENTÁRIOS: Correta a alternativa B.As drogas com efeitos incretínicos (aumento de secreção de insulina e redução de glucagon) são os iDPP-4 e os AgR/análogos de GLP-1. diminuição do esvaziamento gástrico, com maior sensação de saciedade e diminuição da fome por ação em receptores hipotalâmicos e centrais. Desse modo, são relacionadas com a diminuição de peso. A insulina, a repaglinida, a gliclazida, a glimepirida e a pioglitazona estão associadas ao ganho ponderal. A metformina, a acarbose e a sitagliptina são neutras em relação às alterações de peso corporal. A acarbose é a única representante no Brasil dos inibidores da alfa-glicosidase. Os inibidores de SGLT-2, como a dapagliflozina, sempre terminam em “flozina”. A repaglinida é uma glinida (veja que a terminação da droga é o nome da classe medicamentosa). A pioglitazona é uma glitazona (a classe também é denominada tiazolidinedionas ou agonistas do receptor PPAR-ʏ). O glucagon like peptide-1 (GLP-1) é degradado pela dipeptidil peptidase-4 (DPP-4). A sitagliptina é um inibidor da DPP-4; assim, ao inibir essa enzima, é possível aumentar o tempo de ação do GLP-1, cujos efeitos são aumentar a secreção de insulina e diminuir os níveis de glucagon circulantes. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Camila Moma | Curso Extensivo | 2023 ENDOCRINOLOGIA Diabetes Mellitus Tipo 2 33 3.3.3 MEDICAÇÕES COM EFEITO SENSIBILIZADOR DE INSULINA Biguanidas A única representante da classe é a metformina. Lançada em 1960, essa droga já se firmou como a primeira escolha terapêutica no DM tipo 2, uma vez que seu custo-benefício é enorme. A principal ação da metformina é bloquear uma enzima pertencente à gliconeogênese, reduzindo a transformação de lactato em piruvato. Outra ação sensibilizadora de insulina ocorre nos músculos, nos quais há maior captação de glicose (entretanto, a metformina tem ação predominantemente hepática; veremos que as tiazolidinedionas agem mais no tecido periférico). Pelo fato de melhorar a sensibilidade à insulina, a metformina reduz a acantose nigricans, tornando-a menos espessada. A metformina também é capaz de ativar uma enzima nos hepatócitos que reduz os níveis circulantes de lipídios, além de diminuir sua síntese no fígado e no músculo, efeitos considerados extraglicêmicos. O status de droga de primeira escolha não é por acaso: a metformina apresenta baixo custo, boa tolerabilidade (especialmente nas versões de liberação prolongada) e ótimo perfil de segurança. Não é associada ao ganho de peso e, em obesos, há alguns dados sugerindo modesta perda ponderal. Além disso, por atuar em mecanismos não relacionados com a secreção de insulina, não apresenta risco de hipoglicemia. Devido aos efeitos sensibilizadores de insulina, não deve ser suspensa em pacientes cuja doença evoluiu para necessidade de insulinização plena. Em outras palavras, mantemos a metformina sempre, salvo contraindicações. Contraindicações ao uso de metformina As contraindicações à metformina envolvem situações em que há maior risco de acidose láctica: 1. TFG 4 nmol/L (valor de normalidade: 0,5-1,5 nmol/L). A acidose láctica é uma acidose metabólica com ânion GAP elevado. Desse modo, não devemos utilizar a metformina em insuficiência renal (TFGcomo cirurgias (perdas sanguíneas) e insuficiência cardíaca descompensada, ambas levando à hipoperfusão renal. Assim, a metformina deve ser suspensa 24 horas antes de cirurgias. Outra condição associada à piora da função renal são os agentes contrastados iodados, que podem induzir nefropatia por toxicidade tubular e por redução da perfusão renal. É por esse motivo que pacientes diabéticos devem suspender o uso de metformina por 24-48 horas antes da realização de exames com contrastes e é fundamental que eles recebam hidratação adequada, a fim de prevenir a hipoperfusão renal. Os principais efeitos adversos da metformina são gastrointestinais: sabor metálico na boca, estufamento, flatulência, dor abdominal e diarreia. Antes de suspender a medicação, devemos tentar o comprimido de liberação estendida (metformina XR): consiste em uma “esponja”, que contém a droga, permitindo a liberação mais lenta da medicação. Muitos pacientes relatam encontrar o comprimido nas fezes e isso é normal; você pode tranquilizá-los dizendo que aquilo é apenas o invólucro e que a droga foi, de fato, absorvida. Outro efeito colateral que pode ocorrer em até 30% dos pacientes é a deficiência de vitamina B12, que é decorrente de má absorção desencadeada pela metformina. É rara a apresentação como anemia megaloblástica, mas devemos nos atentar a quadros de neuropatia periférica, que podem ocorrer como complicação microvascular do diabetes ou por deficiência da vitamina B12. Quanto ao risco cardiovascular, a metformina é considerada segura e, em alguns estudos, inferiu-se possível efeito benéfico da droga. Não há estudos randomizados duplo-cegos de metformina versus placebo para avaliação de desfechos cardiovasculares; entretanto, todos os demais estudos apresentavam metformina como uma das drogas utilizadas pelos pacientes. Para finalizar, a metformina pode ser utilizada em crianças com diabetes mellitus tipo 2, a partir de 6 anos de idade. As outras drogas possíveis de serem utilizadas na faixa etária pediátrica são a insulina e a liraglutida (aprovada para ≥ 10 anos de idade). m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Camila Moma | Curso Extensivo | 2023 ENDOCRINOLOGIA Diabetes Mellitus Tipo 2 35 CAI NA PROVA (SUS - BA 2020) Menina, 15 anos de idade, retorna à UBS para levar exames solicitados, por se queixar de secreção vaginal esbranquiçada, polaciúria e enurese. Refere, também, manchas escuras em região cervical. Apresenta IMC: 30 Kg/m², acima do percentil 97 da curva da OMS para a idade. Sumário de urina mostra glicosúria (++), sem outros achados anormais, glicemia: 230mg/mL. Diante do quadro descrito, indique o fármaco (nome da droga) recomendado como primeira escolha, para a condição de base nesse caso. COMENTÁRIOS: Correta a resposta "Metformina". Na presença de sintomas, apenas uma glicemia aleatória ≥ 200mg/dL é suficiente para fechar o diagnóstico de diabetes. Como a adolescente apresenta obesidade (IMC acima do percentil (UNESP 2020) Homem de 40 anos, sem comorbidades, em avaliação de rotina na UBS. Exame físico: BEG, PA 130/80 mmHg, IMC 30 kg/m2. Glicemia de jejum 148 (há 3 meses) e 156 (atual). Além de orientar mudança de estilo de vida com dieta e atividade física, a conduta é: A) reavaliar paciente em 3 meses e, se não tiver atingido o controle da doença, introduzir metformina. B) reavaliar paciente em 3 meses e, se não tiver atingido o controle da doença, introduzir glibenclamida. C) introduzir metformina. D) introduzir glibenclamida. COMENTÁRIOS: Correta a alternativa C. A presença de duas glicemias em jejum ≥ 126mg/dL é suficiente para o diagnóstico de diabetes mellitus. O fato de o paciente ser adulto e obeso fala mais a favor de diabetes mellitus tipo 2, por ter maior resistência 95) e acantose nigricans (“manchas escurecidas na região cervical”), o diagnóstico mais preciso é de diabetes mellitus tipo 2. A medicação de primeira escolha para tratamento de DM tipo 2 é a metformina. Atua melhorando a sensibilidade hepática (principalmente) e periférica à insulina, inibindo, portanto, a glicogenólise e a gliconeogênese e reduzindo a lipólise muscular e hepática. Em crianças e adolescentes com diabetes mellitus tipo 2, as únicas medicações disponíveis para tratamento são metformina, insulina e liraglutida (análogo de GLP-1, permitidas para pacientes com ≥10 anos de idade). à ação da insulina. Devemos evitar a inércia terapêutica e, portanto, uma vez diagnosticada a doença, o tratamento adequado precisa ser instituído, baseado no tripé mudança alimentar-atividade física- medicação. A droga de primeira escolha para tratamento de diabetes mellitus tipo 2 é a metformina, devido ao seu excelente custo-benefício, ser neutra em relação ao peso e bem tolerada. A metformina atua melhorando a sensibilidade hepática e periférica à insulina, diminuindo a produção hepática de glicose e reduzindo a lipólise e a síntese de ácidos graxos pelos músculos e fígado. A sulfonilureia não deve ser droga de primeira escolha, pois está relacionada com o ganho de peso e à hipoglicemia.m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Camila Moma | Curso Extensivo | 2023 36 ENDOCRINOLOGIA Diabetes Mellitus Tipo 2 (SECRETARIA ESTADUAL DE SAÚDE - RIO DE JANEIRO - SES - RJ 2019) Paciente de 55 anos, com sobrepeso, diabetes mellitus tipo 2 e hipertensão arterial sistêmica controlada com enalapril comparece à consulta referindo que, após início de um remédio para o diabetes, há dois meses, vem tendo diarreia diariamente. O hipoglicemiante oral que mais provavelmente pode ter sido prescrito foi: A) gliclazida B) acarbose C) metformina D) pioglitazona COMENTÁRIOS: Profa. Tereza Guerra - Endocrinologia. Correta a alternativa C. Os efeitos colaterais mais comuns associados ao uso da metformina são os gastrointestinais: sabor metálico na boca, anorexia, náusea, desconforto abdominal e diarreia. Tais sintomas costumam ser leves, (ASSOCIAÇÃO MÉDICA DO RIO GRANDE DO SUL - AMRIGS 2017) Embora a metformina seja a droga indicada no manejo inicial do diabete melito tipo 2, ela NÃO está indicada quando o paciente tem: A) Alcalose. B) Cardiopatia isquêmica. C) Hipercapnia. D) Pancreatite. E) Creatinina > 1,5 mg/dl. COMENTÁRIOS: Profa. Tereza Guerra – Endocrinologia. Atenção: o gabarito da questão é a alternativa que traz uma contraindicação ao uso da metformina! As contraindicações ao seu uso são as seguintes: • Função renal comprometida - taxa de filtração glomerular estimada (TFGe) 1,5 mg/dL em homens e > 1,4 mg/dL em mulheres. Entretanto, as recomendações atuais das principais sociedades médicas é de que essa ponderação seja feita com base na taxade filtração glomerular estimada e não em um valor absoluto de creatinina, que pode ter significados distintos em pacientes diversos. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Camila Moma | Curso Extensivo | 2023 ENDOCRINOLOGIA Diabetes Mellitus Tipo 2 37 Tiazolidinedionas A única droga disponível no Brasil é a pioglitazona, que atua como agonista dos receptores nucleares PPAR-ʏ (receptores ativadores de proliferação de peroxissomos ʏ) e dos PPAR-α, alterando a transcrição de vários genes envolvidos no metabolismo da glicose e de lipídios. As tiazolidinedionas também são chamadas de glitazonas. Os PPAR-α são encontrados, em sua maioria, no fígado, coração, músculo esquelético e parede de vasos. Ao estimulá-los, a pioglitazona leva ao aumento da produção das lipoproteínas lipases, que hidrolisam os triglicérides dentro dos vasos, liberando ácidos graxos, que são captados e estocados pelo tecido adiposo. Além disso, também aumentam a síntese de apolipoproteína A-I, resultando em elevação de HDL. Essa ação agonista nos PPAR-α leva a um melhor perfil de triglicérides e HDL, da mesma forma que ocorre com os fibratos, que são drogas que estimulam os PPAR-α. Já os PPAR-ʏ estão presentes, principalmente, no tecido adiposo, estimulando o estoque de gorduras, porém com diminuição do processo inflamatório. Além disso, os PPAR-ʏ também são encontrados no sistema nervoso central e, quando estimulados, aumentam o apetite, sendo uma das hipóteses para o ganho de peso relacionado com o uso das tiazolidinedionas. Outro mecanismo de ação que colabora para o aumento ponderal é a retenção hídrica; a ativação dos PPAR-ʏ presentes nos ductos coletores leva à reabsorção de sódio, com consequente reabsorção de água. Como resultado, os pacientes podem apresentar edema periférico e macular e, até mesmo, congestão cardíaca. Por esse motivo, a pioglitazona é contraindicada em portadores de insuficiência cardíaca classes funcionais NYHA III e IV. Para relembrar... As classes funcionais da IC são divididas conforme a classificação da New York Heart Association (NYHA): NYHA I: assintomático; NYHA II: dispneia a grandes esforços; NYHA III: dispneia a pequenos e moderados esforços. Assintomático em repouso; NYHA IV: dispneia mesmo em repouso. Guarde! PIOGLITAZONA é contraindicada em IC classes funcionais NYHA III e IV. Os mecanismos pelos quais as tiazolidinedionas reduzem a resistência à insulina ainda não são, claramente, estabelecidos. A principal hipótese é a de que essas drogas, ao reduzirem os triglicérides circulantes e os ácidos graxos livres (que são estocados), levam à diminuição do processo inflamatório no tecido adiposo, resultando em mudanças no perfil de citocinas secretadas, com consequente incremento na sensibilidade à insulina nos tecidos periféricos. Segundo estudos, a melhora da inflamação vem acompanhada de aumento de captação de glicose, associada, em menor grau, à redução da produção hepática de glicose. Em relação à segurança cardiovascular, a rosiglitazona não é mais prescrita devido à associação com maior incidência de infarto do miocárdio. A pioglitazona, pelo contrário, parece associar-se à diminuição de risco cardiovascular, sendo uma das possíveis explicações a melhora do perfil lipídico, ocasionada pela sua ação nos PPAR-α (a rosiglitazona é agonista exclusivo de PPAR-ʏ). m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Camila Moma | Curso Extensivo | 2023 38 ENDOCRINOLOGIA Diabetes Mellitus Tipo 2 Além da insuficiência cardíaca (classes funcionais NYHA III e IV), outra contraindicação ao uso de tiazolidinedionas é o maior risco de fraturas. O mecanismo patológico envolvido ainda não é bem claro, mas, aparentemente, a ativação dos PPAR-ʏ tipo 2 leva à diferenciação das células precursoras mesenquimais em adipócitos, com consequente redução na diferenciação para osteoblastos (células responsáveis pela formação da matriz óssea). Ainda, a ativação do PPAR-ʏ tipo 1 aumenta a atividade de osteoclastos, incrementando a reabsorção óssea. Assim, pacientes com fatores de risco para fraturas não devem utilizar tiazolidinedionas, tais como: • Fratura prévia; • Idade avançada; • Baixo peso corporal; • Em tratamento com glicocorticoides; • História familiar de fratura de quadril; • Tabagismo ativo; • Consumo excessivo de álcool (> 2 doses de destilado/ dia se homens e > 1 dose/dia se mulheres); • Artrite reumatoide; • Osteoporose secundária (má absorção intestinal, hipogonadismo, menopausa precoce). Outras duas condições contraindicam o uso de tiazolidinedionas: a doença hepática ativa e a história de câncer de bexiga. Apesar de não existir relatos de hepatotoxicidade com o uso de pioglitazona, a elevação de ≥ 2,5 vezes nos níveis de transaminases impede o seu uso; essa recomendação é fruto da experiência com a troglitazona, que foi retirada do mercado por ser muito hepatotóxica. Por outro lado, há estudos demonstrando melhora bioquímica e histológica com o uso de pioglitazona em pacientes com esteato-hepatite não alcóolica gordurosa (NASH) e diabetes tipo 2; porém seu uso deve sempre ser muito racionalizado, pois é uma droga que leva ao ganho de peso. Quanto ao câncer de bexiga, alguns dados sugeriram aumento na incidência desse tumor com o uso da pioglitazona, portanto, ela não deve ser a escolha terapêutica nos pacientes com histórico da neoplasia. CAI NA PROVA (SES- DF 2020) Considere uma paciente de 54 anos de idade, diabética (HbA1c = 8,2%), cardiopata isquêmica com infarto agudo do miocárdio prévio e insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida. Encontra-se em tratamento para diabetes com metformina 850 mg três vezes ao dia e glibenclamida 5 mg pela manhã. No exame físico, chama a atenção a presença de manchas hiperpigmentadas/escurecidas em áreas de dobras. A respeito desse caso clínico e com base nos conhecimentos médicos correlatados, bem como nas últimas diretrizes mundiais relacionadas ao tratamento da diabetes, publicadas em 2019, julgue o item a seguir. Para essa paciente, a pioglitazona não seria recomendada. A) CERTO B) ERRADO m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Camila Moma | Curso Extensivo | 2023 ENDOCRINOLOGIA Diabetes Mellitus Tipo 2 39 COMENTÁRIOS: Correta a alternativa A. A afirmação está correta. Como a paciente apresenta insuficiência cardíaca (IC) com fração de ejeção reduzida, não seria prudente prescrever pioglitazona, uma vez que essa medicação está relacionada com (FACULDADE DE MEDICINA DO ABC 2016) Em relação ao tratamento farmacológico de diabetes mellitus tipo 2, assinale a alternativa correta: A) O uso crônico de metformina em monoterapia raramente causa hipoglicemia e pode estar associado à deficiência de vitamina B12. B) Os agonistas de receptores de GLP1 aumentam de forma significativa o risco de pancreatite aguda. C) Os inibidores de DPP4 em monoterapia aumentam o risco de hipoglicemias, mas são neutros em relação ao peso. D) O uso crônico de pioglitazona pode aumentar o risco de fraturas de ossos longos, mas tem efeito benéfico em pacientes com insuficiência cardíaca congestiva. COMENTÁRIOS: Correta a alternativa A.A metformina é segura, do ponto de vista de hipoglicemias, pois seu mecanismo de ação não envolve a secreção de insulina, mas a melhora da sensibilidade hepática à ação da insulina, diminuindo 3.3.4 MEDICAÇÕES QUE PROVOCAM GLICOSÚRIA Inibidores do transportador sódio-glicose tipo 2 (iSGLT-2) Quais são os iSGLT-2? a descompensação de quadros de IC. A pioglitazona é um agonista dos receptores PPAR-ʏ, melhorando a sensibilidade muscular e hepática à insulina. Entretanto, tais receptores também estão presentes no túbulocoletor e, uma vez estimulados, passam a reabsorver sódio e água, levando à retenção hídrica e ao aumento de volume circulante, que pode descompensar a insuficiência cardíaca. Por esse motivo, a pioglitazona é contraindicada em pacientes com IC classes funcionais NYHA III e IV. gliconeogênese e glicogenólise. A metformina reduz a absorção intestinal de vitamina B12, podendo ocasionar reduções de 5-10% dos níveis séricos dessa vitamina. Quanto aos análogos de GLP-1, foram descritos casos de pancreatite aguda durante o uso, porém ainda não estabelecida nenhuma relação causal. É recomendado que pacientes com antecedente de pancreatite não utilizem a medicação. Os inibidores de DPP-4, realmente, são neutros em relação ao peso, mas não causam hipoglicemia, uma vez que o estímulo à produção de insulina é dependente da ingesta alimentar. A pioglitazona está associada à maior ocorrência de osteoporose e fraturas, sendo contraindicada em pacientes de risco. Também aumenta a retenção hídrica, piorando a sobrecarga volêmica e podendo resultar em descompensação cardíaca. Assim, a pioglitazona é contraindicada em pacientes com insuficiência cardíaca classes funcionais NYHA III e IV. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Camila Moma | Curso Extensivo | 2023 40 ENDOCRINOLOGIA Diabetes Mellitus Tipo 2 Os inibidores do SGLT-2 são a classe medicamentosa mais nova no arsenal terapêutico do DM tipo 2. Seu mecanismo de ação consiste em inibir os transportadores de sódio-glicose tipo 2, presentes, majoritariamente, no túbulo proximal, impedindo a reabsorção de sódio e de glicose. Você se lembra de que, no DM tipo 2, o limiar de reabsorção renal da glicose é mais elevado, pois há maior concentração de SGLT-2 nos rins? Pois bem, ao inibi-los, os iSGLT-2 atuam em um dos defeitos patológicos do diabetes tipo 2, colaborando, assim, para a normalização da glicemia. Como a inibição da reabsorção renal é dependente dos níveis de glicose filtrada, os iSGLT-2 não causam hipoglicemia, uma vez que sua ação acompanha os níveis glicêmicos. Outro efeito benéfico é a redução ponderal, vista, de forma mais frequente, nos três primeiros meses de tratamento, com posterior manutenção. A média, nos estudos, foi de 3kg a menos nos pacientes em uso de iSGLT-2. A redução de peso é correlacionada com a perda de calorias por meio da glicosúria. Adicionalmente, os iSGLT-2 têm modesta ação em diminuir a pressão arterial, uma vez que o bloqueio da reabsorção de glicose é acoplado com o de sódio. Guarde este conceito: toda vez que uma molécula de sódio vai para algum espaço (intravascular, intratubular, intracelular), ela “arrasta” consigo uma molécula de água. Assim, ao promover a excreção de sódio, os iSGLT-2 também aumentam a excreção de água, reduzindo o volume circulante, resultando na queda pressórica. Atente-se ao fato de que essas drogas não são anti-hipertensivas, possuindo, apenas, ação modesta na pressão arterial. Entretanto, em idosos que já utilizam medicações anti- hipertensivas, são necessários monitorização e acompanhamento, pois há maior risco de hipotensão. Além disso, o aumento de fraturas relacionado com a canagliflozina tem, como principal hipótese, as quedas secundárias à redução pressórica induzida por tais drogas. O estudo EMPA-REG foi um marco no tratamento de pacientes diabéticos de alto risco cardiovascular, pois mostrou redução do desfecho primário (morte cardiovascular, IAM não fatal, AVC não fatal), da morte cardiovascular, da morte por todas as causas e da hospitalização por insuficiência cardíaca. Achados semelhantes foram vistos no estudo DAPA HEART FAILURE, que avaliou pacientes com insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (com ou sem diabetes), o que reforça, portanto, os benefícios extraglicêmicos dessa classe medicamentosa para indivíduos de alto risco cardiovascular. Uma subanálise do EMPA-REG também demonstrou menor incidência de desfechos renais desfavoráveis, com redução no risco de progressão da doença renal. Tais dados foram corroborados pelo estudo CREDENCE, em 2019, que avaliou a canagliflozina, encontrando, também, diminuição de mortalidade nos pacientes com doença renal crônica e albuminúria positiva. Outros achados, ainda que não sejam muito relevantes na prática clínica, são a diminuição nos níveis de ácido úrico e o aumento discreto no LDL-colesterol (que não deve ser empecilho para a prescrição do inibidor de SGLT-2). A definição de paciente de alto risco consiste no indivíduo com evidência de doença isquêmica (cardíaca, cerebral ou arterial periférica). Retomando o mesmo que já foi dito sobre a liraglutida e a semaglutida: os efeitos benéficos na redução de risco cardiovascular da empagliflozina aplicam-se aos pacientes de alto risco! Para os pacientes que não se encaixam nessas condições, a droga ainda é excelente escolha, por promover controle glicêmico sem hipoglicemias e por reduzir peso. Os inibidores de SGLT-2 são excelentes opções terapêuticas na associação com a metformina em pacientes: 1. Com doença cardiovascular estabelecida, para redução de risco (mortalidade, descompensação de IC); 2. Com doença renal crônica (taxa de filtração glomerular > 30 mL/minuto) e albuminúria positiva (> 300mg/g de creatinina), para redução da perda de função; 3. Com insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, para diminuição de mortalidade e de descompensação pela IC (lembre-se de que aqui tanto faz se o paciente é diabético ou não). Até agora, vimos as ações benéficas dos iSGLT-2: controlam os níveis glicêmicos sem causar hipoglicemias, reduzem a pressão arterial e o peso e trazem benefícios cardiovasculares e renais para pacientes de alto risco. Fixados esses conceitos, vamos ver os efeitos adversos. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Camila Moma | Curso Extensivo | 2023 ENDOCRINOLOGIA Diabetes Mellitus Tipo 2 41 A hipotensão em idosos, como dito anteriormente, pode ocorrer e levar ao aumento de fraturas devido ao maior risco de quedas. Portanto, cuidado na prescrição de iSGLT-2 em indivíduos que já utilizam outros anti-hipertensivos. Outro efeito colateral são as infecções de trato urinário. Ao impedir a reabsorção da glicose, os iSGLT-2 desencadeiam glicosúria; é absolutamente normal, portanto, a presença de glicose em exames urinários. Soma-se a isso a mudança de pH e de flora bacteriana, aumentando a frequência de infecções urogenitais. As mulheres são as mais acometidas e a candidíase vulvovaginal é a forma de apresentação mais comum. Assim, ao escolhermos um iSGLT-2 para tratamento do DM tipo 2, devemos orientar as pacientes quanto à higiene íntima: a) quanto à direção da limpeza, após urinar, da frente para trás, evitando trazer as bactérias do ânus e da vagina para o canal uretral; b) evitar uso de sabonetes que mudem o pH genital; c) uso de roupa íntima que permita ventilação, como tecidos de algodão; d) urinar logo após as relações sexuais. O fato de o paciente apresentar um episódio de infecção urogenital não é motivo para a suspensão do iSGLT-2, pois, com o passar do tempo, há readequação da flora local. Entretanto, se ocorrerem novos episódios infecciosos, mesmo após as corretas orientações, a descontinuação da droga pode ser necessária. Outro efeito adverso observado foi o aumento de duas vezes no risco de amputação , predominantemente, de dedos do pé ou metatarsal, com o uso de canagliflozina, o que gerou imensa repercussão; como o número de casos de amputação foi pequeno, a droga não foi retirada do mercado, mas a recomendação é não a prescrever para pacientes com risco (neuropatia, vasculopatia, amputação ou úlcera prévias). Com o uso mais frequente de iSGLT-2, foram descritos casos de cetoacidosediabética euglicêmica (isto é, com glicemias 300mg/g de creatinina eprescritos para pacientes com pé em risco (vasculopatas, neuropatia periférica com histórico de úlceras ou amputações prévias). Incorreta a alternativa D. Os inibidores de SGLT-2 estão associados à ocorrência de cetoacidose euglicêmica em pacientes diabéticos insulinopênicos (DM tipo 2 de longa duração, por exemplo). Incorreta a alternativa E. Os pacientes com histórico de cistites de repetição e/ou urolitíase (que propicia infecções do trato urinário) não são candidatos ao uso de inibidores de SGLT-2, uma vez que tais drogas aumentam o risco de novas infecções. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Camila Moma | Curso Extensivo | 2023 44 ENDOCRINOLOGIA Diabetes Mellitus Tipo 2 CAI NA PROVA (SES- PE 2014) Todas as alternativas abaixo apresentam a medicação hipoglicemiante e um efeito colateral da droga, EXCETO: A) Metformina/deficiência de vitamina B12. B) Exenatide/pancreatite. C) Acarbose/flatulência. D) Pioglitazona/osteoporose. E) Sitagliptina/calciúria. COMENTÁRIOS: Correta a alternativa E.O uso de metformina pode levar à deficiência de vitamina B12 por diminuição da absorção no íleo. (HOSPITAL DE OLHOS GROTTONE - HOG - SP 2017) Qual dos hipoglicemiantes abaixo tem maior ação na glicemia pós prandial? A) Metformina. B) Acarbose. C) Glibenclamida. D) Clorpropamida. Apesar de corresponder a menos de 1% das reações adversas, a pancreatite pode ocorrer durante o uso de agonistas do receptor de GLP-1. A acarbose pode ocasionar flatulência em até 73% dos pacientes, o que implica, diretamente, na adesão ao tratamento. A pioglitazona é associada à diminuição de densidade óssea e risco de fraturas, mais frequentemente em mulheres. A sitagliptina, um inibidor da DPP-4, não possui relação com aumento da excreção de cálcio. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Camila Moma | Curso Extensivo | 2023 ENDOCRINOLOGIA Diabetes Mellitus Tipo 2 45 COMENTÁRIOS: Correta a alternativa B. Quando você se deparar com uma questão que pergunta qual droga tem melhor ação na glicemia pós- prandial, lembre-se das glinidas (que aumentam a secreção de insulina e devem ser ingeridas antes das A acarbose, geralmente, é cobrada como alternativa da questão e não como o tema central. É importante saber seu mecanismo de ação, seus efeitos adversos gastrointestinais e suas vantagens (não causa hipoglicemia nem ganho de peso). 3.3.6 POTÊNCIA EM REDUZIR HBA1C Agora que terminamos de ver as diferentes classes medicamentosas para o tratamento do DM tipo 2, precisamos saber a potência em reduzir hemoglobina glicada, pois é um tema que pode ser cobrado nas provas. O valor estimado da redução vem de estudos em que a maioria dos pacientes apresentavam HbA1c inicial ao redor de 8%. É claro que, quanto maior a HbA1c inicial, maior é o potencial de redução dos níveis glicêmicos de cada medicação. Veja, a seguir, que as drogas com maior potência em reduzir a hemoglobina glicada são metformina , sulfonilureias e glinidas: refeições) e da acarbose, que inibe a quebra de dissacarídeos em monossacarídeos, retardando a absorção intestinal da glicose. A metformina atua reduzindo a produção hepática de glicose; é melhor, portanto, em estados de jejum. A glibenclamida e a clorpropamida são sulfonilureias; sendo assim, aumentam a secreção de insulina de forma independente dos níveis glicêmicos. Pelo fato de possuírem meia-vida mais prolongada (quando comparadas às glinidas), atuam tanto no período prandial quanto em jejum. METFORMINA SULFONILUREIAS GLINIDAS TIAZOLIDINEDIONAS ANÁLOGOS DE GLP-1 iDPP-4 iSGLT-2 INIBIDORES DE α- GLICOSIDASE HBA1C -1,5-2% -0,8-1,4% -0,5-1% -0,5-0,8%m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Camila Moma | Curso Extensivo | 2023 46 ENDOCRINOLOGIA Diabetes Mellitus Tipo 2 CAI NA PROVA (HOSPITAL ISRAELITA ALBERT EINSTEIN - HIAE 2020) Foram estudados os efeitos de diversas drogas, como monoterapia, na redução do nível de hemoglobina glicada. Dos abaixo, os dois medicamentos com maior eficiência (redução de 1% a 2%) são: A) Empagliflozina e metformina. B) Metformina e gliclazida. C) Sitagliptina e gliclazida. D) Liraglutida e sitagliptina. E) Liraglutida e pioglitazona. COMENTÁRIOS: Correta a alternativa B.O potencial de redução da hemoglobina glicada é diferente para cada classe medicamentosa e esperam- se reduções maiores com HbA1c mais elevadas. Observe a tabela a seguir (não precisa decorar, apenas Classe medicamentosa Principais drogas Redução na HbA1c (%) Sulfonilureias Glibenclamida Glimepirida Gliclazida 1,5-2% Metiglinidas Repaglinida 1,5-2% Biguanidas Metformina 1,5-2% Inibidores da α-glicosidase Acarbose 0,5-0,8% Tiazolidinedionas Pioglitazona 0,8-1,4% Inibidores da DPP-4 Sitagliptina Vildagliptina Linagliptina Alogliptina 0,6-0,8% Análogos de GLP-1 Exenatida Dulaglutida Liraglutida Lixisenatida 0,8-1,2% Inibidores de SGLT-2 Empagliflozina Dapagliflozina Canagliflozina 0,5-1% veja que as sulfonilureias, as metiglinidas e a metformina possuem as maiores reduções de HbA1c). m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Camila Moma | Curso Extensivo | 2023 ENDOCRINOLOGIA Diabetes Mellitus Tipo 2 47 3.3.7 ORIENTAÇÕES PARA A DECISÃO TERAPÊUTICA NO DM TIPO 2 Sintomas leves + HbA1cm e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Camila Moma | Curso Extensivo | 2023 48 ENDOCRINOLOGIA Diabetes Mellitus Tipo 2 Tanto a ADA quanto a SBD sugerem a sequência a seguir para a escolha do segundo antidiabético em pacientes sem doença cardiovascular estabelecida. O raciocínio leva em consideração os efeitos colaterais e os benefícios das medicações. Assim, os iSGLT-2 e os análogos de GLP-1 aparecem nos primeiros lugares, pois provocam perda de peso e baixo risco de hipoglicemia. Já as sulfonilureias aparecem na última colocação por aumentarem o peso e a incidência de hipoglicemias. AGONISTAS DO RECEPTOR DE GLP-1 iSGLT-2 iDPP-4 PIOGLITAZONA GLINIDAS SULFONILUREIAS NEUTRO SEQUÊNCIA DE ESCOLHA DOS ANTIDIABÉTICOS PARA ASSOCIAÇÃO COM A METFORMINA* REDUZEM PESO AUMENTAM PESO BAIXO RISCO DE HIPOGLICEMIAS *considerando apenas os benefícios da droga. As características individuais devem ser ponderadas na decisão terapêutica ALTO RISCO DE HIPOGLICEMIAS Escolha terapêutica após metformina Doença cardiovascular estabelecida ou doença renal crônica Risco de hipoglicemiaPREFERIR iSGLT-2 Agonistas / Análogos de GLP-1 Obesidade Dificuldade com custo do tratamento EVITAR Sulfonilureias Glinidas Insulina PREFERIR iSGLT-2 Agonistas/Análogos de GLP-1 PREFERIR Sulfonilureias Tiazolidinedionas Insulina SIM NÃO m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Camila Moma | Curso Extensivo | 2023 ENDOCRINOLOGIA Diabetes Mellitus Tipo 2 49 Os pacientes com sintomas graves, que incluem adinamia, poliúria e polidipsia intensas, associados à HbA1c > 9% (pela ADA, > 10%) e/ou glicemias > 300 mg/dL, devem ser tratados, primeiramente, com insulinoterapia. Esses indivíduos correm risco de descompensações, como estado hiperglicêmico hiperosmolar ou, mais raramente, cetoacidose diabética, em que a mortalidade pode atingir até 15%. A escolha é baseada na fisiopatologia: quando há hiperglicemia grave, ocorre toxicidade nas células-beta pancreáticas, que passam a produzir menos insulina. A queda nos níveis de insulina leva ao aumento paralelo de glucagon, que estimula a produção hepática de glicose, piorando o quadro metabólico. Os pacientes podem descompensar em situações de estresse, como infecções, cirurgias, traumas, em que há elevação dos demais hormônios contrarreguladores de insulina, em especial, a adrenalina, que reduz a captação periférica de glicose e amplifica a secreção do glucagon. Assim, o tratamento ideal consiste em elevar os níveis séricos de insulina e diminuir os de glucagon. Quando utilizamos insulina, ocorre bloqueio da produção hepática de glicose e redução dos níveis de glucagon. Nos casos que necessitam de internação, como o estado hiperglicêmico hiperosmolar (EHH) e a cetoacidose diabética (CAD), encontraremos glicemias geralmente elevadas (> 300mg/dL, sendo até > 1000 mg/dL no EHH), alteração de nível de consciência e, na CAD, dor abdominal, náuseas e vômitos (sintomas relacionados com a cetoacidose). CAI NA PROVA (UERJ - 2020) Homem de 74 anos, viúvo e aposentado, procurou uma unidade básica de saúde e relatou queixas de poliúria e turvação da visão. Acrescentou que não costuma fazer exames, dietas e que leva uma vida sedentária. Os exames indicaram bom estado geral, IMC = 31, glicemia de jejum = 250 mg/dL e HbA1c = 8%. Nesse caso, a conduta terapêutica inicial mais indicada é: A) insulina basal associada à insulina regular B) metformina com outra droga hipoglicemiante C) sulfonilureia em dose máxima, devido à maior potência hipoglicemiante D) agonista do receptor de GLP-1 devido ao benefício adicional de perda de peso COMENTÁRIOS: Correta a alternativa B. O paciente apresenta diagnóstico de diabetes mellitus, uma vez que possui sintomas clássicos de hiperglicemia (poliúria) e glicemia ≥ 200mg/dL. A HbA1c ≥ 6,5% também seria diagnóstica nessa situação, uma vez que o paciente está sintomático. Feito o diagnóstico, devemos escolher o melhor esquema terapêutico. O paciente apresenta sintomas leves a moderados (veja que há descrição de bom estado geral e sem perda de peso), com glicemia em jejum entre 200-299 mg/dL e HbA1c entre 7,5 - 9 %. Assim, a orientação da Sociedade Brasileira de Diabetes é a prescrição de metformina associada a um segundo agente anti-hiperglicemiante. Se a questão fosse além, perguntando qual seria a melhor associação, nesse caso específico, deixaríamos como últimas opções as sulfonilureias, as glinidas e a pioglitazona, pois todas aumentam o peso e, além disso, as sulfonilureias e as glinidas estão relacionadas com maior risco de hipoglicemias.m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Camila Moma | Curso Extensivo | 2023 50 ENDOCRINOLOGIA Diabetes Mellitus Tipo 2 (HOSPITAL UNIVERSITÁRIO DE TAUBATÉ- UNITAU 2020) Mulher, branca, 42 anos, portadora de diabetes mellitus tipo 2 desde os 40 anos. Antecedentes patológicos: hipertensão arterial e insuficiência cardíaca. Medicação em uso para diabetes: metformina XR 2.000 mg/dia. Exames laboratoriais: glicemia de jejum 150 mg/dL, HbA1c 7,9%, função renal dentro da normalidade. Exame físico: dentro da normalidade, exceto IMC: 26,1 kg/m². Assinale a alternativa CORRETA quanto à segunda opção de medicação para controle glicêmico. A) Gliclazida MR, 60 mg ao dia. B) Empagliflozina, 25 mg ao dia. C) Pioglitazona, 30 mg ao dia. D) Insulina N humana, 10 unidades ao dia. E) Insulina degludeca, 10 unidades ao dia. COMENTÁRIOS: Correto a alternativa B.Observe que a paciente já faz uso de metformina e encontra-se fora da meta glicêmica (HbA1c 300 mg/dL e/ou HbA1c > 9%), portanto, podemos iniciar uma segunda classe terapêutica, antes da insulinização. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pia nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Camila Moma | Curso Extensivo | 2023 ENDOCRINOLOGIA Diabetes Mellitus Tipo 2 51 QUANDO DEVO CONSIDERAR A INSULINA COMO TRATAMENTO INICIAL NO DM2? Sinais de catabolismo (perda de peso, cetose, hipertrigliceridemia) Sintomas de hiperglicemia (poliúria, polidipsia, nictúria, perda involuntária de peso) Glicemia plasmática ≥ 300 mg/dL* HbA1C ≥ 10% *A American Diabetes Association não especifica se seria a glicemia de jejum ou uma glicemia aleatória. Correta a alternativa D.Pelo conjunto de sinais, sintomas e achados laboratoriais, a indicação de insulinoterapia é inquestionável. Após a instituição do tratamento, o paciente deve ser reavaliado; se as glicemias em jejum e pré-prandiais não estiverem 7%). Preste bastante atenção nas opções das alternativas e tome os seguintes cuidados: 1. Não prescrever medicação da mesma classe terapêutica. Por exemplo, se o paciente já utiliza metformina e glibenclamida, não adianta associar outra sulfonilureia; 2. Não prescrever inibidor de DPP-4 com AgR GLP-1/Análogo de GLP-1! Lembre-se de que ambos têm efeito incretínico; 3. Se o paciente está fora da meta glicêmica, você tem que associar outra droga. Portanto, não suspenda as medicações já em uso (salvo contraindicações, como insuficiência renal); 4. Aumentar as medicações para a dose máxima não é suficiente para trazer o paciente para o controle adequado. Por exemplo, se o paciente utiliza metformina 1.700 mg/dia e glibenclamida 10 mg/dia e apresenta HbA1c = 8,5%, não adianta aumentar a metformina para 2.550 mg/dia e glibenclamida para 20 mg/dia, pois a HbA1c não cairá para 10 anos de diagnóstico) são mais candidatos à insulinoterapia do que à adição de uma terceira droga antidiabética, visto que já possuem reserva de células-beta pancreáticas diminuída. Durante a fase de insulinização plena (etapa 4), com insulina basal e prandial, podem ser mantidas as medicações que não se relacionam com a secreção de insulina, como metformina, pioglitazona, acarbose e inibidores de SGLT-2. CAI NA PROVA (REDE D´OR - 2014) Homem, 70 anos, decide trocar de médico e procura seu atendimento. Ele tem o diagnóstico de diabetes mellitus há 15 anos. Realiza monitorização da glicemia capilar com regularidade e os valores em jejum comumente chegam perto de 200 mg/dL. Sua última hemoglobina glicada, realizada há 3 meses estava em 10%. O paciente segue adequadamente a dieta recomendada por seu nutricionista e faz uso regular de metformina (2 g ao dia) e glipizida (20 mg/dia). Não tem nenhuma outra comorbidade além de hipertensão bem controlada com losartana e clortalidona. O passo mais apropriado agora é: A) Acrescentar pioglitazona. B) Acrescentar inibidor de DPP-IV. C) Acrescentar liraglutida. D) Acrescentar insulina glargina ou NPH. COMENTÁRIOS: Correta a alternativa D. O paciente faz uso de duas classes terapêuticas para tratamento do diabetes mellitus (metformina e glipizida) e encontra-se fora das metas terapêuticas, com HbA1c 10%. Assim, precisamos otimizar o tratamento e a principal escolha seria a insulina, uma vez que o paciente possui doença de longa data (etapa 3 da progressão do tratamento em diabetes). m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Camila Moma | Curso Extensivo | 2023 ENDOCRINOLOGIA Diabetes Mellitus Tipo 2 53 CAPÍTULO 4.0 RESUMO DAS RECOMENDAÇÕES MEDICAMENTOSAS MAPA MENTAL- Escolhendo a melhor opção terapêutica no DM tipo 2 DM TIPO 2 1ª ESCOLHA TERAPÊUTICA METFORMINA SEM CONTRAINDICAÇÕES TFG 15mL/minuto. A seguir, criei um esquema para facilitar a escolha do antidiabético se o paciente apresentar mais de uma comorbidade associada. Observe que os iSGLT-2 e os agonistas de receptor de GLP-1 são ótimas escolhas em várias situações, exceto TFG• TFG 15mL/min. • IC: ◊ Metformina contraindicada em IC descompensada; ◊ iDPP-4: apenas cautela com saxagliptina e alogliptina, pois aumentam risco de descompensações. Demais iDPP-4 são seguros. • Alto risco cardiovascular: o uso de sulfonilureias, glinidas e insulina deve ser prescrito com cautela, devido ao risco de hipoglicemias. • Insuficiência hepática: em geral, a preferência é por insulina. ◊ iDPP-4: apenas alogliptina e vildagliptina estão relacionadas com a elevação de transaminases; ◊ Acarbose: contraindicada em cirrose hepática; ◊ Pioglitazona: contraindicada se transaminases > 2,5- 3x o valor superior da normalidade. • AVC prévio: ◊ Agonistas do receptor de GLP-1: preferência por semaglutida, devido à redução de risco. Vamos treinar? CAI NA PROVA (UFSC- 2020) Assinale a alternativa correta sobre a terapêutica medicamentosa dos pacientes com diabetes mellitus do tipo 2. A) Em pacientes com insuficiência cardíaca, as gliptinas são preferidas aos demais antidiabéticos. B) Em pacientes com doença renal crônica estágio 3A, o uso de gliflozinas deve ser evitado devido ao aumento de risco de progressão da doença renal. C) Uma vez iniciada, a metformina deve ser mantida pelo período em que for tolerada e deve ser sempre suspensa quando introduzido o tratamento injetável não insulínico. D) Em pacientes que possuem doença aterosclerótica estabelecida, o uso de agonistas do GLP1 é recomendado pelo seu potencial benefício cardiovascular. E) Em pacientes obesos não catabólicos que necessitem intensificar o tratamento antidiabético com tratamento injetável, o uso de insulina é preferível aos agonistas do GLP1. COMENTÁRIOS: Incorreta a alternativa A. Em pacientes com IC, a classe terapêutica de escolha são os inibidores de SGLT-2, por reduzirem risco de hospitalizações. Incorreta a alternativa B. O estágio 3A, pela KDIGO, refere-se à TFG entre 45-60mL/minuto. As gliflozinas (ou iSGLT-2) são contraindicadas em TFGo é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Camila Moma | Curso Extensivo | 2023 6 ENDOCRINOLOGIA Diabetes Mellitus Tipo 2 1.1 FATORES DE RISCO O desenvolvimento de DM tipo 2 resulta da combinação de herança poligênica e fatores ambientais. O genótipo é uma condição importante, uma vez que se observa maior prevalência de diabetes mellitus em determinadas etnias, como afro-americanos, nativos americanos, índios Pima e hispânicos. Além disso, a penetrância desses genes é relativamente alta, visto que 39% dos indivíduos com DM tipo 2 têm, pelo menos, um parente afetado e, entre gêmeos monozigóticos, o risco de desenvolver DM tipo 2 chega a quase 90%. IDADE O DM tipo 2 é, predominantemente, uma doença de adultos; assim, seu aparecimento é maior em indivíduos com > 45 anos. Entretanto, como dito antes, tem-se observado maior incidência em faixas etárias mais jovens, devido ao aumento da obesidade e dos maus hábitos de vida. ANTECEDENTE FAMILIAR POSITIVO Apesar da herança poligênica, há alta penetrabilidade dos genes que aumentam o risco de DM tipo 2. Assim, é comum encontrar familiares de primeiro e segundo graus acometidos. SOBREPESO/ OBESIDADE E DISTRIBUIÇÃO DE GORDURA O aumento progressivo do peso corporal está relacionado, de forma paralela, com o risco de desenvolver DM tipo 2. O padrão de distribuição da gordura corporal também é outro fator de risco para diabetes, sendo mais importante naqueles indivíduos com predominância de deposição em abdome. As medidas aumentadas da relação cintura-quadril e da circunferência abdominal refletem a gordura visceral, que tem maior implicação no desenvolvimento de resistência insulínica. A distribuição de gordura visceral tem influência genética e de fatores ambientais, como o uso de glicocorticoides, antipsicóticos e antirretrovirais. PADRÕES DIETÉTICOS A dieta hipercalórica de padrão ocidental, caracterizada por consumo elevado de carne vermelha, carnes processadas, alimentos gordurosos e ricos em açúcares, é associada ao maior risco de desenvolver DM tipo 2, independentemente do índice de massa corporal (IMC). Entretanto, esse risco é ainda mais elevado em indivíduos obesos, sendo até 11 vezes maior quando comparado a pessoas com IMC normal. Há estudos que correlacionam o consumo de bebidas açucaradas, como refrigerantes e sucos industrializados, à obesidade (durante a infância) e com DM tipo 2 (na vida adulta). A ingestão diária de grãos integrais, frutas, vegetais, castanhas, peixes, carnes brancas e azeite de oliva é associada à diminuição, de forma modesta, do risco de DM tipo 2. Entretanto, esse padrão de dieta, conhecido como “dieta do Mediterrâneo”, melhora o controle glicêmico de pacientes diabéticos e, assim, deve sempre ser estimulado. Fonte: Shutterstock Fonte: Shutterstock Fonte: Shutterstock m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Camila Moma | Curso Extensivo | 2023 ENDOCRINOLOGIA Diabetes Mellitus Tipo 2 7 Os laticínios, principalmente aqueles com redução de gordura, correlacionam-se a menor risco de DM tipo 2, independentemente do IMC. SEDENTARISMO A falta de atividade física promove ganho de peso, baixa capacidade aeróbica e diminuição de força muscular, que são relacionados com o maior risco de desenvolver DM tipo 2. A prática frequente de exercícios moderados é efetiva na prevenção de diabetes mellitus, pois promove manutenção ou perda de peso, aumento da sensibilidade à insulina (através de maior translocação de receptores de glicose, denominados GLUT-4, nas células musculares) e utilização de ácidos graxos como fonte de energia pelos músculos. TABAGISMO Apesar do efeito causal não ser completamente esclarecido, há correlação positiva entre o hábito de fumar e o DM tipo 2. As principais hipóteses levam em consideração que o tabagismo possa ocasionar resistência à insulina e deposição de gordura abdominal. Após dez anos da interrupção do hábito de fumar, o risco de desenvolver diabetes é igual ao de quem nunca fumou. PESO AO NASCER E DURANTE A INFÂNCIA Indivíduos predispostos geneticamente ao baixo peso ao nascer, quando expostos ao ambiente de restrição de crescimento intrauterino, sofrem alterações epigenéticas que ocasionam resistência à insulina como forma de sobrevivência; porém, na vida adulta, tais modificações aumentam o risco de desenvolver diabetes mellitus tipo 2. Além disso, o aumento de peso durante a infância, mesmo em crianças nascidas com peso normal, correlaciona-se com o maior risco de desenvolver diabetes mellitus na vida adulta. Entretanto, se essas crianças normalizam o peso antes da puberdade, o risco de DM tipo 2 se iguala ao das crianças que sempre tiveram peso adequado. Caso a regularização do peso ocorra após a puberdade, ainda há um risco residual de desenvolver DM tipo 2, porém menor do que se não tivessem perdido peso. COMORBIDADES ASSOCIADAS AO AUMENTO DE RISCO DE DM TIPO 2 1. Síndrome metabólica A síndrome metabólica é caracterizada por um conjunto de fatores que elevam o risco cardiovascular e sua principal característica é a resistência à insulina. Os critérios variam conforme a entidade escolhida (OMS, IDF ou NCEP), mas, em geral, os componentes são o aumento de circunferência abdominal (CA), a resistência à insulina (expressa por meio de hiperglicemia), a hipertensão arterial, hipertrigliceridemia e os baixos níveis de HDL- colesterol. A síndrome metabólica, mesmo em indivíduos não obesos, aumenta, em até cinco vezes, o risco de desenvolver DM tipo 2, em até duas vezes, o de doenças cardiovasculares e em 60% o de mortalidade por todas as causas. 2. Doenças cardiovasculares Os pacientes com insuficiência cardíaca ou infarto agudo do miocárdio têm risco maior de desenvolver DM tipo 2. A hipertensão está associada ao aparecimento de DM tipo 2, mas não há efeito de causalidade entre tais condições. O que parece mais provável é o compartilhamento de fatores de risco, como obesidade, tabagismo e envelhecimento. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Camila Moma | Curso Extensivo | 2023 8 ENDOCRINOLOGIA Diabetes Mellitus Tipo 2 3. Hipertrigliceridemia e HDL-colesterol baixo Esse padrão de dislipidemia, componente da síndrome metabólica, correlaciona-se com o maior risco de diabetes mellitus tipo 2. 4. Diabetes gestacional Mulheres que apresentam diabetes gestacional têm risco elevado de desenvolver DM tipo 2, uma vez que mostram deficiência, tanto na secreção de insulina quanto na sua ação. O risco tem relação com a gravidade do diabetes gestacional e parece ser maior nos cinco primeiros anos após o parto. Dessa maneira, é recomendado que tais pacientes sejam acompanhadas, de modo a identificar mais precocemente as elevações glicêmicas. 5. Síndrome dos ovários policísticos A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é uma condição reconhecida por apresentar resistência à insulina. Assim, mesmo em pacientes de peso normal, há maior risco de desenvolver quadro de diabetes, especialmente, se houver um parente de primeiro grau afetado, demonstrando predisposição genética para a doença. Quando há obesidade associada, o risco torna-se ainda maior. Além do DM tipo 2, mulheres com SOP têm maior risco de complicações durante a gravidez, como diabetes gestacional, hipertensão, pré-eclâmpsia e abortos. ETNIAS Nos Estados Unidos, afro-americanos, índios e hispânicos apresentam risco maior de desenvolver DM tipo 2, quando comparados aos caucasianos. Populações de determinadas ilhas no oceano Pacífico também foram identificadas como de risco aumentado. No Brasil, devido à intensa miscigenação, é difícil definir grupos étnicos de maior propensão para diabetes tipo 2. Indivíduos asiáticos e seus descendentes possuem maior chance de apresentar resistênciahipercalórica, rica em gorduras saturadas e açúcares; • Tabagismo; • Baixo peso ao nascer e ganho ponderal excessivo durante a infância; • Baixa qualidade de sono e duração (curta ou muito longa); • Etnias específicas: afro-americanos, índios americanos, hispânicos, populações de determinadas ilhas no oceano Pacífico. No Brasil, devido à miscigenação, é complicado estimar riscos específicos; entretanto, descendentes de asiáticos tendem a ter maior resistência à insulina; • Comorbidades: ◊ Síndrome metabólica; ◊ Doenças cardiovasculares: IAM, IC, hipertensão arterial; ◊ Síndrome dos ovários policísticos; ◊ DM gestacional. 5. O rastreamento deve ser realizado, basicamente, em todos os indivíduos com ≥ 45 anos ou em qualquer idade com algum fator de risco para diabetes associado. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Camila Moma | Curso Extensivo | 2023 58 ENDOCRINOLOGIA Diabetes Mellitus Tipo 2 RASTREAMENTO DE DIABETES MELLITUS EM ADULTOS1 1. Indivíduos ≥ 45 anos. 2. Indivíduos em qualquer idade, com sobrepeso (IMC 25-29,9 kg/m2) ou obesidade (IMC ≥ 30 kg/m2), na presença de, pelo menos, mais um dos fatores abaixo: • Hipertensão arterial; • História familiar de DM tipo 2; • Doença cardiovascular; • Síndrome dos ovários policísticos; • HDL-colesterol 250 mg/dL; • Sedentarismo; • Presença de obesidade grave: grau 2 (IMC 35-39,9 kg/m2) ou grau 3 (IMC ≥ 40 kg/m2); • Presença de sinais de resistência à insulina (acantose nigricans); • Etnias em que o risco de DM tipo 2 é maior que o da população em geral. *Asiáticos ou descendentes devem ser rastreados se IMC ≥ 23 kg/m2. 3. Indivíduos com pré-diabetes devem ser testados, pelo menos, anualmente. 4. Mulheres com diabetes gestacional devem ser testadas, pelo menos, a cada três anos. 5. Indivíduos com teste de rastreamento normal devem ser testados a cada três anos ou em intervalo inferior se o risco aumentar (por exemplo, se, no período, houver o diagnóstico de hipertensão, o paciente deve ser novamente testado). RASTREAMENTO DE DM TIPO 2 EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES Toda criança ou adolescente com sobrepeso (IMC ≥ percentil 85) ou obesidade (IMC ≥ percentil 95) e, pelo menos, um dos fatores abaixo: • História materna de DM ou crianças nascidas de mães com diabetes gestacional; • Familiares de primeiro ou segundo grau com DM tipo 2; • Etnias de maior risco para DM tipo 2; • Sinais ou condições associadas à resistência insulínica: acantose nigricans, SOP, hipertensão, dislipidemia ou nascido pequeno para a idade gestacional (PIG). Se testes normais, repetir a cada três anos ou em intervalos menores, se o IMC continuar a subir. 6. Os testes utilizados no rastreamento são os mesmos para diagnóstico de diabetes mellitus: CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS PARA DIABETES MELLITUS Glicemia em jejum TOTG1 HbA1c2 Glicemia aleatória Normal 35 kg/m2; • Pacientes com antecedente de diabetes gestacional; • Hiperglicemia mais acentuada (hemoglobina glicada > 6%); • Elevação de hemoglobina glicada, apesar das modificações de estilo de vida. 9. A fisiopatogenia do DM tipo 2 envolve: • Resistência à ação da insulina, com consequentes: ◊ Hipersecreção de insulina (porém, de modo disfuncional); ◊ Diminuição da captação periférica de glicose; ◊ Aumento da produção hepática de glicose (glicogenólise e gliconeogênese); ◊ Perda progressiva de função de células-beta pancreáticas. • Diminuição de GLP-1; • Aumento da reabsorção renal de glicose; • Alteração dos centros hipotalâmicos de controle de apetite. 10. As características principais do DM tipo 2 estão resumidas no quadro a seguir. CARACTERÍSTICAS DO PACIENTE COM DM TIPO 2 Herança poligênica Anticorpos contra células-beta negativos Sinais de resistência à insulina: Aumento de circunferência abdominal; Acantose nigricans; Síndrome dos ovários policísticos (hiperandrogenismo + irregularidade menstrual/amenorreia). Em geral, são pacientes com sobrepeso (IMC 25-29,9 kg/m2) ou obesidade (IMC ≥ 30 kg/m2) Hiperinsulinemia (↑ insulina e/ou ↑ peptídeo C aos exames) e hiperglicemia ao diagnóstico Podem estar presentes comorbidades que aumentam risco cardiovascular (HAS, dislipidemia, IAM, insuficiência cardíaca) m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Camila Moma | Curso Extensivo | 2023 60 ENDOCRINOLOGIA Diabetes Mellitus Tipo 2 11. Tratamento não medicamentoso: • Por se tratar de doença crônica, que, inicialmente, é oligossintomática, é necessário construir vínculo, educar o paciente e a família e individualizar o tratamento. O objetivo é obter a maior adesão possível, evitando/reduzindo o risco de complicações crônicas. • Orientações alimentares devem ser individualizadas e a divisão dos nutrientes segue a recomendação para a população em geral. A dieta do Mediterrâneo e as low carbs tendem a ser melhores, porém aqui também vale mais a adesão do que “empurrar” prescrições dietéticas específicas. • Orientações quanto ao exercício incluem mínimo de 150 minutos/semana, com intensidade moderada e associada à atividade de força/resistência. ◊ Pacientes sintomáticos, do ponto de vista cardiológico, ou com algum fator de risco adicional ou que desejam iniciar atividade física intensa devem ser rastreados para doença miocárdica isquêmica. ◊ Pacientes com retinopatia diabética proliferativa só podem realizar exercícios leves. Pacientes com retinopatia diabética não proliferativa grave não podem ser submetidos a exercícios intensos ou com risco de impacto. 12. Orientações para iniciar o tratamento medicamentoso em pacientes com DM tipo 2: Sintomas leves + HbA1cTipo 2 61 13. Mecanismos de ação das drogas utilizadas no tratamento do DM tipo 2: METFORMINA PIOGLITAZONA ACARBOSE iSGLT-2 SULFONILUREIAS GLINIDAS iDPP-4 AGONISTAS DO RECEPTOR DE GLP-1 Bloqueia a gliconeogênese Inibe a α-glicosidase, enzima que cliva poli em monossacarídeos Por meio de receptores específicos, despolarizam a célula beta, levando à secreção contínua de insulina Secreção de insulina independe dos níveis glicêmicos Inibem a dipeptidil peptidase-4, enzima que degrada o GLP-1 Efeito incretínico (↑ insulina e ↓ glucagon) ↓ absorção intestinal da glicose Atuam de forma semelhante ao GLP-1 e tem duração maior Inibem os transportadores de sódio-glicose tipo 2 no túbulo proximal, causando glicosúria ↑ Captação periférica de glicose ↓ Resistência à ação da insulina 14. A metformina é a droga de primeira escolha, salvo contraindicações: Contraindicações à metformina: 1. TFG 30mL/min), principalmente com albuminúria, a classe terapêutica de escolha são os iSGLT-2, pois reduzem a progressão para doença renal terminal. AGONISTAS DO RECEPTOR DE GLP-1 iSGLT-2 iDPP-4 PIOGLITAZONA GLINIDAS SULFONILUREIAS NEUTRO SEQUÊNCIA DE ESCOLHA DOS ANTIDIABÉTICOS PARA ASSOCIAÇÃO COM A METFORMINA* REDUZEM PESO AUMENTAM PESO BAIXO RISCO DE HIPOGLICEMIAS *considerando apenas os benefícios da droga. As características individuais devem ser ponderadas na decisão terapêutica ALTO RISCO DE HIPOGLICEMIAS m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Camila Moma | Curso Extensivo | 2023 ENDOCRINOLOGIA Diabetes Mellitus Tipo 2 63 19. Se o paciente tiver doença renal crônica com TFG 15mL/min) e a insulina. 20. Quando o paciente apresentar IC, a classe terapêutica de escolha são os iSGLT-2, pois diminuem a taxa de hospitalizações por descompensação. Devem ser evitadas a pioglitazona (contraindicada em classes funcionais NYHA III e IV) e duas drogas pertencentes aos iDPP-4, a saxagliptina e a alogliptina. Entretanto, tenha em mente que, para as provas, os iDPP-4 são considerados seguros do ponto de vista cardiológico. 21. Efeitos colaterais mais cobrados em provas: 22. Lembre-se de que os agonistas de receptor de GLP-1 são medicações injetáveis, de administração subcutânea. 23. As medicações permitidas para uso pediátrico são: • Metformina: a partir de 6 anos; • Liraglutida: a partir de 10 anos; • Insulina: qualquer idade. 24. Há diferença na potência de reduzir HbA1c. Decore que a metformina, as sulfonilureias e as glinidas são as drogas com maior redução. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Camila Moma | Curso Extensivo | 2023 64 ENDOCRINOLOGIA Diabetes Mellitus Tipo 2 Ufa! Terminamos! Vamos consolidar o conhecimento resolvendo questões? Apenas um conselho: caso você não se lembre muito bem das metas glicêmicas e lipídicas, recomendo reler, rapidamente, no livro introdução ao diabetes mellitus - metas de controle), pois há perguntas neste bloco que questionam a necessidade de mudança do tratamento (paciente fora da meta) e se há indicação de estatina. E por que elas estão neste livro? Porque, ao mesmo tempo, perguntam sobre a medicação para tratamento do DM tipo 2. METFORMINA SULFONILUREIAS GLINIDAS TIAZOLIDINEDIONAS ANÁLOGOS DE GLP-1 iDPP-4 iSGLT-2 INIBIDORES DE α- GLICOSIDASE HBA1C -1,5-2% -0,8-1,4% -0,5-1% -0,5-0,8% m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Camila Moma | Curso Extensivo | 2023 65 ENDOCRINOLOGIA Diabetes Mellitus Tipo 2 Baixe na Google Play Aponte a câmera do seu celular para o QR Code ou busque na Google Play (disponível em breve na App Store) Baixe o app Estratégia MED Preparei uma lista exclusiva de questões com os temas dessa aula! Acesse nosso banco de questões e resolva uma lista elaborada por mim, pensada para a sua aprovação. Lembrando que você pode estudar online ou imprimir as listas sempre que quiser. Resolva questões pelo computador Copie o link abaixo e cole no seu navegador para acessar o site Resolva questões pelo app Aponte a câmera do seu celular para o QR Code abaixo e acesse o app https://bit.ly/3dbIRAO m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ https://bit.ly/3dbIRAO m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Camila Moma | Curso Extensivo | 2023 66 ENDOCRINOLOGIA Diabetes Mellitus Tipo 2 7.0 VERSÕES DAS AULAS CAPÍTULO Caro aluno! Para garantir que o curso esteja atualizado, sempre que alguma mudança no conteúdo for necessária, uma nova versão da aula será disponibilizada. CAPÍTULO 8.0 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA 1. International Diabetes Federation. IDF Atlas. 9. ed. Bruxelas: International Diabetes Federation; 2019. 2. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa nacional de saúde 2013: percepção do estado de saúde, estilos de vida e doenças crônicas. Brasil, grandes regiões e unidades da federação. Rio de Janeiro; 2014. 3. 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Liraglutide and Cardiovascular Outcomes in Type 2 Diabetes. N Engl J Med. 2016 Jul; 375: 311-322. 32. Marso, S.P.; Bain, S.C.; Consoli, A. et al. Semaglutide and CardiovascularOutcomes in Patients with Type 2 Diabetes. N Engl J Med. 2016 Nov; 375: 1834-1844. 33. Charbonnel, B.; Dormandy, J.; Erdmann, E.; Massi-Benedetti, M.; Skene, A. The Prospective Pioglitazone Clinical Trial in Macrovascular Events (PROactive). Diabetes Care. 2004 Jul; 27(7): 1647-1653. 34. Billington, E.; Grey, A.; Bolland, M. The effect of thiazolidinediones on bone mineral density and bone turnover: systematic review and meta-analysis. Diabetologia. 2015; 58(10): 2238–2246. 35. Viscoli, C.M.; Inzucchi, S.E.; Young, L.H. et al. Pioglitazone and Risk for Bone Fracture: Safety Data From a Randomized Clinical Trial. J Clin Endocrinol Metab. 2017 Mar 1; 102(3): 914-922. 36. Zinman, B.; Wanner, C.; Lachin, J.M. et al. Empagliflozin, Cardiovascular Outcomes, and Mortality in Type 2 Diabetes. 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Dapagliflozin and Cardiovascular Outcomes in Type 2 Diabetes. N Engl J Med. 2019 Jan; 380: 347-357. 38. Neal, B.M.B.; Perkovic, V.; Mahaffey, K.W. et al. Canagliflozin and Cardiovascular and Renal Events in Type 2 Diabetes. N Engl J Med. 2017 Aug; 377: 644-657. 39. McMurray, J.J.V.; Solomon, S.D.; Inzucchi, S.E. et al. Dapagliflozin in Patients with Heart Failure and Reduced Ejection Fraction. N Engl J Med. 2019, Nov; 381: 1995-2008. 40. Yu, X.; Zhang, S.; Zhang, L. Newer Perspectives of Mechanisms for Euglycemic Diabetic Ketoacidosis. Int J Endocrinol. 2018 Oct 2; 2018: 7074868. 41. Perkovic, V.; Jardine, M.J.; Neal, B. et al. Canagliflozin and Renal Outcomes in Type 2 Diabetes and Nephropathy. N Engl J Med. 2019 Jun; 380: 2295-2306. 9.0 LISTA DE IMAGENS E TABELAS CAPÍTULO 9.1 POSOLOGIA E APRESENTAÇÃO DOS ANTIDIABÉTICOS SULFONILUREIAS Princípio ativo Nomes comerciais principais Apresentação, dose máxima e posologia Glibenclamida Daonil 5 mg/comprimido (via oral) Dose máxima: 20mg/dia Administrar 1-2x/dia (dividir as doses se >10mg/dia)TFG 60 mL/min: 100mg/dia (1x/dia) TFG 30-60 mL/min: 50mg/dia (1x/dia) TFG 60 mL/min: 50mg 2x/dia TFG 60 mL/min: 25mg 1x/dia TFG 30-60 mL/min: 12,5mg/dia TFG 60 mL/min: 5mg 1x/dia TFG 60mL/min: 1g 12/12h (dose máxima) TFG 30-60mL/min: 500mg 12/12h (dose máxima) TFG 60kg, aumentar para 100mg, 3x/dia. TFGassociação com metformina, linagliptina e saxagliptina (veja mais no próximo tópico). 9.2 ASSOCIAÇÕES FARMACOLÓGICAS Com o intuito de aumentar a adesão do paciente ao tratamento, podemos utilizar associações farmacológicas, cuja grande vantagem é a redução do número de comprimidos (ou de aplicações subcutâneas), ao longo do dia. ASSOCIAÇÕES FARMACOLÓGICAS DE SULFONILUREIA E METFORMINA Princípios ati- vos Nomes comerciais principais Apresentação, dose máxima e posologia Metformina + glimepirida Meritor Comprimido de 2mg de glimepirida + 1000mg de metformina. Comprimido de 4mg de glimepirida + 1000mg de metformina. Administração via oral. Dose mínima: 2mg/1000mg/dia. Dose máxima: 4mg/1000mg 2x/dia. A seguir, estão as associações de iDPP-4 e metformina. Em pacientes com função renal preservada, devemos manter a dose plena do iDPP-4. Portanto, a escolha da apresentação vai variar conforme a quantidade de metformina que se deseja administrar. Por exemplo, no caso da sitagliptina, a dose plena é de 100mg/dia; assim, você pode escolher doses de metformina de 1000mg/dia, 1700mg/dia ou 2000mg/dia. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Camila Moma | Curso Extensivo | 2023 ENDOCRINOLOGIA Diabetes Mellitus Tipo 2 73 ASSOCIAÇÕES FARMACOLÓGICAS DE IDPP-4 E METFORMINA Princípio ativo Nomes comerciais principais Apresentação, dose máxima e posologia Linagliptina + metformina Trayenta duo Comprimido de 2,5mg de linagliptina + 850mg de metformina. Administrar via oral, 2x/dia. Sitagliptina + metformina Janumet Comprimidos de 50mg de sitagliptina + 500mg de metformina. Comprimidos de 50mg de sitagliptina + 850mg de metformina. Comprimidos de 50mg de sitagliptina + 1000mg de metformina. Administrar via oral, 2x/dia. Sitagliptina + metformina de liberação estendida Janumet XR Comprimidos de 50mg de sitagliptina + 1000mg de metformina XR- administração via oral, 2x/dia. Comprimidos de 100mg de sitagliptina + 1000mg de metformina XR- administração via oral, 1x/dia. Vildagliptina + metformina Galvus met Comprimidos de 50mg de vildagliptina + 500mg de metformina. Comprimidos de 50mg de vildagliptina + 850mg de metformina. Comprimidos de 50mg de vildagliptina + 1000mg de metformina. Administração via oral, 2x/dia. Saxagliptina + metformina de liberação estendida Kombiglyze XR Comprimidos de 5mg de saxagliptina + 500mg de metformina XR- administração via oral, 1x/dia. Comprimidos de 5mg de saxagliptina + 1000mg de metformina XR- administração via oral, 1x/dia. Comprimidos de 2,5mg de saxagliptina + 1000mg de metformina XR- administração 2x/dia. Alogliptina + metformina Nesina met Comprimidos de 12,5mg de alogliptina + 500mg de metformina. Comprimidos de 12,5mg de alogliptina + 850mg de metformina. Administração via oral, 2x/dia. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Camila Moma | Curso Extensivo | 2023 74 ENDOCRINOLOGIA Diabetes Mellitus Tipo 2 ASSOCIAÇÕES FARMACOLÓGICAS DE ISGLT-2 E METFORMINA Princípio ativo Nomes comerciais principais Apresentação, dose máxima e posologia Dapagliflozina + metformina de liberação estendida Xigduo XR Comprimidos de 5mg de dapagliflozina + 1000mg de metformina XR- administração via oral, 2x/dia. Comprimidos de 10mg de dapagliflozina + 1000mg de metformina XR- administração via oral, 1x/dia. ASSOCIAÇÕES FARMACOLÓGICAS DE ISGLT-2 E IDPP-4 Princípio ativo Nomes comerciais principais Apresentação, dose máxima e posologia Empagliflozina + linagliptina Glyxambi Comprimidos de 25mg de empagliflozina + 5mg de linagliptina- administração via oral, 1x/dia. Dapagliflozina + saxagliptina Qtern Comprimidos de 10mg de dapagliflozina + 5mg de saxagliptina- administração via oral, 1x/dia. A associação de alogliptina e pioglitazona reúne duas drogas não recomendadas no caso de insuficiência cardíaca. Portanto, bastante atenção às características do paciente. ASSOCIAÇÕES FARMACOLÓGICAS DE IDPP-4 E PIOGLITAZONA Princípio ativo Nomes comerciais principais Apresentação, dose máxima e posologia Alogliptina + pioglitazona Nesina pio Comprimidos de 25mg de alogliptina + 15mg de pioglitazona. Comprimidos de 25mg de alogliptina + 30mg de pioglitazona. Administrar via oral, 1x/dia. Utilizamos os agonistas do receptor de GLP-1 associados às insulinas quando o paciente está otimizado com antidiabéticos orais e/ ou insulina basal e, ainda, fora da meta de controle. Lembre-se de que os agonistas do receptor de GLP-1 são mais potentes que os iDPP-4 e podem restaurar o controle glicêmico pós-prandial. Já a insulina basal ultralenta permite melhor controle das glicemias em jejum e pré- prandiais, com menor risco de hipoglicemias, quando comparadas à insulina NPH, uma vez que não fazem pico de ação. A grande vantagem dessa associação é que os pacientes não ganham peso e podem, até, apresentar perda ponderal, ao contrário do que observamos em pacientes insulinizados. Ao iniciar o tratamento com essa associação farmacológica, devemos suspender a insulina basal dos pacientes que já a utilizam. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Camila Moma | Curso Extensivo | 2023 ENDOCRINOLOGIA Diabetes Mellitus Tipo 2 75 ASSOCIAÇÕES FARMACOLÓGICAS DE AGONISTAS DO RECEPTOR DE GLP-1 E INSULINAS ULTRALENTAS Princípio ativo Nomes comerciais principais Apresentação, dose máxima e posologia Liraglutida + degludeca Xultophy Canetas descartáveis de 3mL, contendo degludeca 100 UI/mL e liraglutida 3,6mg/mL. Administração subcutânea, 1x/dia. Dose máxima: 50 unidades/dia (equivalente a 50 UI de insulina degludeca e 1,8mg de liraglutida). Início da medicação em pacientes com antidiabéticos orais: 10 unidades/dia. Transferência de agonista de receptor de GLP-1 para xultophy: Iniciar com 16 unidades/dia. Transferência de insulina basal para xultophy: Iniciar com 16 unidades/dia. Todos os pacientes devem ter as doses ajustadas conforme a glicemia em jejum. Deve-se aguardar, pelo menos, três dias para ajustes de dose, uma vez que a insulina degludeca demora até três dias para atingir platô de ação. Lixisenatida + glargina U-100 Soliqua Canetas descartáveis em duas apresentações: Caneta 10-40 (caneta amarela), contendo 300 UI de insulina glargina U-100 e 150mcg de lixisenatida. Cada unidade aplicada de soliqua 10-40 contém 1 UI de insulina glargina e 0,5mcg de lixisenatida. Caneta 30-60 (caneta verde), contendo 300 UI de insulina glargina e 100mcg de lixisenatida. Cada unidade aplicada de soliqua 30-60 contém 1 UI de insulina glargina e 0,33mcg de lixisenatida. Administração subcutânea, 1x/dia. Início do tratamento em pacientes com antidiabéticos orais: Soliqua 10-40: iniciar com 10 unidades/dia. Transferência do tratamento em pacientes que utilizam 30 unidades/dia de soliqua 10-40, é recomendada a troca para a caneta de 30-60, pois estamos diante de um paciente que necessita de mais insulina basal do que agonista de receptor de GLP-1. Na transferência de uma caneta para a outra, manter a dose e realizar os ajustes. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Camila Moma | Curso Extensivo |2023 76 ENDOCRINOLOGIA Diabetes Mellitus Tipo 2 CAPÍTULO 10.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS... PARA A VIDA PRÁTICA Caro aluno, vimos juntos neste livro o quanto o DM tipo 2 impacta na saúde individual e do próprio país. Assim, devemos, sempre, ser ativos na promoção de medidas que reduzam a incidência dessa doença, como estimular hábitos de vida saudáveis. Também é nossa função identificar os pacientes de risco e rastreá-los, com a finalidade de identificar, precocemente, os casos de pré-diabetes e diabetes, uma vez que ambas as condições são relacionadas com maior mortalidade cardiovascular. Não devemos adiar o tratamento, que deve ser baseado em medidas não farmacológicas e em medicamentos, ambos importantes para a evolução da doença. Toda vez que você se deparar com um paciente com DM tipo 2, treine seu raciocínio da seguinte maneira: 1. Quanto tempo de doença? - Essa informação lhe dará o potencial de uso de drogas que atuam na secreção de insulina. Em geral, pacientes com > 10 anos de diagnóstico terão menor resposta do que os recém- diagnosticados. 2. Há comorbidades que aumentam o risco cardiovascular? - Lembre-se de que devemos estratificar o paciente quanto ao risco cardiovascular e tratá-lo, se houver indicação, a fim de reduzir morbimortalidade. 3. Possui alguma contraindicação à metformina? - Como é a droga de primeira escolha, devemos afastar TFGà insulina; portanto, para esse grupo, há critérios diferenciados para identificá-lo como de risco, considerando o índice de massa corporal ≥ 23 kg/m2 e a circunferência abdominal 250 mg/dL; • Sedentarismo; • Presença de obesidade grau 2 (IMC 35-39,9 kg/m2) ou grau 3 (IMC ≥ 40 kg/m2); • Presença de sinais de resistência à insulina (acantose nigricans); • Etnias em que o risco de DM tipo 2 é maior que o da população em geral. * Asiáticos ou descendentes devem ser rastreados se IMC ≥ 23 kg/m2. 3. Indivíduos com pré-diabetes devem ser testados, pelo menos, anualmente. 4. Mulheres com diabetes gestacional devem ser testadas, pelo menos, a cada três anos. 5. Indivíduos com teste de rastreamento normal devem ser testados a cada três anos ou em intervalo inferior, se o risco aumentar (por exemplo, se no período ocorrer o diagnóstico de hipertensão, o paciente deverá ser, novamente, testado). 1Orientações da American Diabetes Association (ADA), Standards of Medical Care in Diabetes -2020, e da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), posicionamento no 1/2019. Em crianças e adolescentes, a ADA recomenda o seguinte: RASTREAMENTO DE DM TIPO 2 EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES 1. Toda criança ou adolescente com sobrepeso (IMC ≥ percentil 85) ou obesidade (IMC ≥ percentil 95) e pelo menos um dos fatores abaixo: • História materna de DM ou crianças nascidas de mães com diabetes gestacional; • Familiares de primeiro ou segundo grau com DM tipo 2; • Etnias de maior risco para DM tipo 2; • Sinais ou condições associadas à resistência insulínica: acantose nigricans, SOP, hipertensão, dislipidemia ou nascido pequeno para a idade gestacional (PIG). 2. Se os testes resultarem normais, repetir a cada três anos ou em intervalos menores, se o IMC continuar a subir. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Camila Moma | Curso Extensivo | 2023 10 ENDOCRINOLOGIA Diabetes Mellitus Tipo 2 Repare que as orientações de rastreamento envolvem os fatores de risco para DM tipo 2. Assim, qualquer paciente com sobrepeso/obesidade e um fator de risco já merece ser testado. Para o rastreamento, pode ser utilizado qualquer um dos testes sedimentados para o diagnóstico de DM. Quando você se deparar com questões que perguntam qual o melhor teste para rastreamento populacional, leve em consideração o custo e a aplicabilidade do exame; assim, nessas condições, a glicemia em jejum é o teste de escolha. Individualmente, o teste oral de tolerância à glicose é o mais efetivo em identificar pacientes com pré-diabetes ou diabetes, pois avalia a resposta de insulina em relação a uma sobrecarga de glicose. Com o passar do tempo, devido à resistência à insulina, ocorre um esgotamento das células- CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS PARA DIABETES MELLITUS Glicemia em jejum TOTG1 HbA1c2 Glicemia aleatória Normal 45 anos ou 2. Em qualquer idade, na presença de sobrepeso (IMC ≥ 25 kg/m2) ou obesidade (IMC ≥ 30 kg/m2) e, pelo menos, mais um fator de risco. Apenas em populações asiáticas é que se considera o IMC ≥ 23 kg/m2 como indicador de rastreamento, quando em associação a, pelo menos, um fator de risco para diabetes. Correta a alternativa C.Afirmações I e II são corretas. 1.3 PREVENÇÃO Uma vez identificados os pacientescom fatores de risco ou já diagnosticados com pré-diabetes, devemos intervir, prontamente, para evitar a progressão ou retardar o aparecimento de DM tipo 2. As medidas mais efetivas são as mudanças no estilo de vida, envolvendo adaptações dietéticas, inclusão de atividade física regular e perda de peso. PLACEBO 40 30 20 10 0 0 0,5 1,0 Adaptado de Diabetes Prevention Program Research Group. Reduction in the Incidence of Type 2 Diabetes with Lifestyle Intervention or Metformin. N Engl J Med. 2002 Feb; 346: 393-403 2,0 3,0 4,03,52,51,5 ANO IN C ID Ê N C IA A C U M U LA D A D E D IA B E T E S ( % ) METFORMINA MODIFICAÇÕES DE ESTILO DE VIDA Os principais estudos que demonstram a importância de hábitos mais saudáveis na prevenção de DM tipo 2 são o Diabetes Prevention Program (DPP) e o Finnish Diabetes Prevention Study. No DPP, o grupo de pacientes submetido à atividade física regular (pelo menos 150 minutos/semana) e à perda mínima de 7% do peso ponderal apresentou redução de 58% no risco de desenvolver DM tipo 2 versus 31% no grupo que utilizou apenas metformina. Após 10 e 15 anos, os pacientes foram reavaliados e observou-se uma redução sustentada na prevenção de diabetes no grupo com modificações de estilo de vida. No Finnish Diabetes Prevention Study, indivíduos de meia- idade, com sobrepeso e pré-diabetes foram randomizados em dois grupos: intervenção intensiva no estilo de vida e apenas observação. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Camila Moma | Curso Extensivo | 2023 12 ENDOCRINOLOGIA Diabetes Mellitus Tipo 2 Ao final de sete anos, houve redução de 43% no risco de desenvolver diabetes no grupo sob intervenção. Esses estudos mostram que é fundamental a mudança de hábitos e a perda ponderal em indivíduos com pré-diabetes ou fatores de risco para desenvolver DM. A metformina mostrou eficácia em relação ao grupo placebo, segundo dados do DPP, porém ainda inferior aos resultados produzidos pelas modificações de estilo de vida. As medidas mais eficazes na prevenção do DM tipo 2 são as modificações de estilo de vida! Para prevenção de DM tipo 2, a metformina é indicada nas seguintes situações: • Pacientes muito obesos: IMC ≥ 35 kg/m2; • Pacientes com antecedente de diabetes gestacional; • Hiperglicemia mais acentuada (hemoglobina glicada > 6%); • Elevação de hemoglobina glicada, apesar das modificações de estilo de vida. Apenas reforçando: embora a metformina tenha indicações precisas, a mudança para hábitos mais saudáveis e a perda ponderal ainda são as medidas que devem ser fortemente implementadas! Outras medicações também já foram testadas para prevenção de DM tipo 2, como acarbose, orlistate, pioglitazona e análogos de GLP-1, porém não são recomendadas para esse fim, uma vez que falta comprovação sobre a durabilidade do efeito e há escassez de estudos de custo-efetividade. O orlistate e a liraglutida (análogo de GLP-1) são medicações utilizadas para tratamento da obesidade. A orientação dietética deve ser individualizada e, de preferência, rica em fibras e com baixa quantidade de gordura saturada e açúcares, como a dieta do Mediterrâneo. O principal objetivo da modificação alimentar é a perda de peso sustentada; assim, o acompanhamento, em longo prazo, é fundamental. Devemos evitar abordagens com dietas muito restritivas ou monótonas (isto é, com pouca variabilidade de cardápio), pois elas são, frequentemente, abandonadas pelos pacientes. O mais importante é instituir novos hábitos alimentares, que sejam adequados ao perfil de cada indivíduo e que tragam o benefício desejado, que é a perda de peso mantida ao longo do tempo. Não devemos nos esquecer de que o pré-diabetes é uma condição que aumenta o risco cardiovascular. Assim, sempre que nos depararmos com indivíduos pré-diabéticos, devemos também analisar as demais comorbidades que possam aumentar tal risco. Por exemplo, pacientes que fumam devem ser estimulados a interromper esse hábito, tanto para reduzir a progressão para DM tipo 2 quanto para prevenir as demais doenças associadas ao tabagismo (infarto, AVC, doença obstrutiva pulmonar crônica, entre outras). Também é fundamental estratificar o risco cardiovascular desses pacientes, sendo recomendado o tratamento com estatina para aqueles com risco moderado e alto. Apesar das estatinas serem drogas potencialmente hiperglicemiantes, a redução do risco cardiovascular traz benefício significativo, mesmo com a elevação glicêmica. Outra comorbidade comum em pacientes pré-diabéticos é a hipertensão. Como escolha terapêutica, seria prudente evitar o uso de medicações indutoras de hiperglicemia, como os diuréticos tiazídicos e os betabloqueadores.m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Camila Moma | Curso Extensivo | 2023 ENDOCRINOLOGIA Diabetes Mellitus Tipo 2 13 Em resumo: 1. As modificações de estilo de vida (dieta + atividade física + perda ponderal) são as estratégias mais eficazes para reduzir o risco de DM tipo 2. 2. A metformina é a única droga aprovada para evitar a progressão para diabetes e deve ser utilizada nos pacientes de maior risco (obesos graus 2 e 3, diabetes gestacional prévio, HbA1c > 6% e progressão de HbA1c, apesar das intervenções no estilo de vida). 3. Nos pacientes pré-diabéticos, a reavaliação glicêmica deve ser feita, pelo menos, anualmente, e todas as comorbidades que aumentam o risco cardiovascular devem ser tratadas. CAI NA PROVA (FUNDAÇÃO BANCO DE OLHOS DE GOIÁS - FUBOG 2018) Podemos determinar como medidas preventivas, diversos conceitos envolvendo diabetes, hipertensão e tabagismo. Sobre isso, assinale a alternativa INCORRETA: A) Há evidências de que alterações no estilo de vida, com ênfase na alimentação e na redução da atividade física, associam-se a acentuada redução na prevalência de DM2. B) Os programas de prevenção primária do DM2 baseiam-se em intervenções na dieta e na prática de atividades físicas, visando combater o excesso de peso em indivíduos com maior risco de desenvolver diabetes, particularmente nos com tolerância à glicose diminuída. C) Nos portadores de DM2 que também apresentam obesidade, hipertensão arterial e dislipidemia, as intervenções devem abranger essas múltiplas anormalidades metabólicas, o que, além de prevenir o surgimento de diabetes, evitaria doenças cardiovasculares e reduziria a mortalidade. D) Medidas de redução do consumo de cigarro auxiliam no controle do DM, visto que o tabagismo se associa ao mau controle do diabetes. COMENTÁRIOS: Correta a alternativa A. As medidas preventivas para diabetes mellitus tipo 2 envolvem perda ponderal, readequação dietética (com alimentos ricos em fibras, pobres em açúcares e em gorduras saturadas) e prática frequente de atividade física. Todos os fatores de risco cardiovascular devem ser, apropriadamente, manejados, como o tabagismo, a hipertensão e as dislipidemias. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Camila Moma | Curso Extensivo | 2023 14 ENDOCRINOLOGIA Diabetes Mellitus Tipo 2 CAPÍTULO 2.0 EVOLUÇÃO E CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS 2.1 FISIOPATOGENIA DA DOENÇA: DA RESISTÊNCIA INSULÍNICA AO DIAGNÓSTICO DE DIABETES MELLITUS Logo a seguir, veremos os defeitos na homeostase da glicose que confluem para o surgimento do diabetes mellitus tipo 2. Tais conceitos são importantes para a compreensão do tratamento medicamentoso. Como vimos, a predisposição genética e, na maior parte, os fatores ambientais propiciam o desenvolvimento da resistência à insulina, que aparece, em média, cinco anos antes do diagnóstico de diabetes. Nas fases iniciais, há hipersecreção de insulina, com o intuito de vencer a barreira criadaà sua ação, mantendo a normoglicemia. Por esse motivo, é fundamental identificarmos os pacientes com os fatores de risco discutidos anteriormente e instituir as medidas preventivas cabíveis, principalmente, as mudanças de estilo de vida, antes que elevações glicêmicas sejam identificadas. A secreção de insulina também se encontra alterada nesses pacientes, uma vez que a pró-insulina não é clivada, adequadamente, em insulina. A principal hipótese é a de que, por conta da hipersecreção, os grânulos contendo pró-insulina não conseguem maturar por completo, com consequente diminuição da clivagem da molécula precursora em insulina e peptídeo C. Assim, apesar da hipersecreção de insulina pelas células-beta pancreáticas, uma parte do conteúdo do grânulo fica comprometida por não ter sido clivada, permanecendo sob a forma de pró-insulina. Com o passar do tempo, a secreção tende a cair devido a vários fatores, ainda não completamente elucidados, que atingem as células-beta, como apoptose, diminuição da expressão de transportadores GLUT-2, glicotoxicidade, lipotoxicidade devido à deposição de ácidos graxos, presença de moléculas com potencial de reduzir a secreção, como o polipeptídeo amiloide (também chamado amilina), entre outros. Adicionalmente, com o avançar da idade, mesmo em indivíduos normais, há declínio da função das células-beta; por conta disso, o DM tipo 2 tende a ser mais frequente em pessoas > 45 anos. Além da resistência à insulina e dos defeitos de clivagem da pró-insulina, ocorre diminuição da produção de GLP-1 (glucagon like peptide-1) e resistência à ação do GIP (polipeptídeo inibitório gástrico), que correspondem a > 90% dos hormônios incretínicos (moléculas produzidas no intestino e que são capazes de estimular a secreção de insulina). O GIP é secretado pelas células K do duodeno e jejuno e o GLP-1, pelas células L do íleo, em resposta à alimentação rica em carboidratos e gorduras. Ambos são metabolizados pela enzima peptidil peptidase-4 (DPP-4) e possuem meia-vida muito curta, ao redor de 2 minutos. Os níveis reduzidos de GLP-1 e a resistência ao GIP contribuem para a elevação da glicemia. A alteração dos hormônios incretínicos colabora para a elevação dos níveis plasmáticos de glucagon. Tanto o GIP quanto o GLP-1 diminuem a secreção de glucagon nos períodos pós-prandiais, levando à inibição da produção hepática de glicose, o que contribui com redução de 50% no valor glicêmico após as refeições. Assim, a maior secreção de glucagon, aliada à maior sensibilidade hepática a esse hormônio, proporcionam o surgimento de hiperglicemia. Além disso, o glucagon estimula a lipólise, com maior liberação de ácidos graxos na circulação, piorando a resistência à ação da insulina. Com a perda da secreção de insulina ao longo do tempo, aliada à resistência a sua ação no fígado e maiores níveis plasmáticos de glucagon, ocorre queda na relação insulina/glucagon. Quando essa razão cai, há estímulo à produção hepática de glicose (glicogenólise e gliconeogênese), colaborando para o surgimento de hiperglicemia, inclusive em estados de jejum. O rim também está presente nesse cenário de criação da hiperglicemia. Normalmente, toda a glicose filtrada é reabsorvida pelos rins, sendo 90% nos túbulos proximais, por meio de transportadores de sódio-glicose tipo 2 (SGLT-2). Em indivíduos diabéticos, há maior capacidade de reabsorção renal de glicose devido à elevada expressão de SGLT-2. Assim, só veremos glicosúria quando a hiperglicemia ultrapassar a capacidade de reabsorção, que, geralmente, ocorre em níveis glicêmicos superiores a 180 mg/ dL. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Camila Moma | Curso Extensivo | 2023 ENDOCRINOLOGIA Diabetes Mellitus Tipo 2 15 Por fim, a insulina atua nos centros hipotalâmicos de controle do apetite, inibindo a fome; nos pacientes obesos, apesar da hiperinsulinemia em resposta à alimentação, os efeitos no hipotálamo são reduzidos e retardados, mostrando resistência central à ação desse hormônio. 2.2 MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS A resistência à insulina desencadeia, como resposta, a hipersecreção desse hormônio pelas células-beta pancreáticas, cuja principal função é aumentar a captação da glicose pelos diversos tecidos. Além disso, também tem efeitos no crescimento celular; assim, em estados de excesso de insulina, podemos observar alguns sinais clínicos, que são resultantes desse processo, como a acantose nigricans e o hiperandrogenismo. Ambos não são exclusividade do diabetes mellitus tipo 2, sendo encontrados em outras condições. A acantose nigricans é uma lesão em placa, hipercrômica, de aspecto aveludado, presente, principalmente, em dobras cutâneas. Os pacientes costumam referir-se a ela como “uma sujeira que não sai”. Os mecanismos que levam ao desenvolvimento da acantose nigricans m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Camila Moma | Curso Extensivo | 2023 16 ENDOCRINOLOGIA Diabetes Mellitus Tipo 2 ainda não são bem esclarecidos, mas a principal hipótese, em situações de hiperinsulinemia, é a estimulação de receptores de insulin growth factor-1 (IGF-1) pela insulina. O IGF-1 e a insulina compartilham muitas semelhanças estruturais e um pode ativar o receptor do outro, porém com baixa afinidade; assim, quando há excesso de insulina, há maior estimulação dos receptores de IGF-1, levando à proliferação de fibroblastos e queratinócitos. Raramente, a acantose nigricans pode ser uma manifestação paraneoplásica, ocorrendo em localizações atípicas como faces extensoras, palmas, plantas e mucosas. Também pode ser familiar, devido a mutações do FGFR3 (receptor do fator de crescimento de fibroblastos tipo 3) ou estar relacionada com síndromes genéticas, caracterizadas por resistência à insulina, como as lipodistrofias. A acantose nigricans associada aos quadros de hiperinsulinismo pode melhorar com a perda de peso, que é o método mais eficaz, e o uso de medicações sensibilizadoras de insulina, como a metformina e a pioglitazona. Acantose nigricans Note o aspecto hipercrômico, aveludado e em placas. Na segunda foto, é possível observar lesões proeminentes, como “verrugas”, denominadas acrocórdons (processos ceratócitos pedunculados), comuns em pacientes com resistência à insulina. Acantose nigricans Acrocórdons Há outras lesões dermatológicas que podem ser mais encontradas em pacientes com diabetes, como a necrobiose lipoídica. A resistência insulínica também pode propiciar o hiperandrogenismo em mulheres, manifestando-se clinicamente pela presença de hirsutismo, acne e alopecia de padrão androgenético. Com a progressão dos defeitos intrínsecos, desencadeados pela resistência à insulina, inicia-se o aumento dos níveis glicêmicos, que ocorre de forma insidiosa na maioria dos casos. Como dito anteriormente, do estado inicial de resistência à insulina até o diagnóstico de diabetes mellitus devido à presença de hiperglicemia são, em média, cinco anos. Os pacientes podem ser diagnosticados, mais precocemente, por meio de exames de rotina; por isso a importância do rastreamento em populações de risco. Entretanto, muitos indivíduos são identificados devido aos sintomas decorrentes da hiperglicemia. Os principais são a poliúria, a polidipsia e as infecções fúngicas recorrentes. A glicemia, ao ultrapassar o limiar de reabsorção renal, é excretada na urina, ocasionando diurese osmótica. Consequentemente, a diminuição de volume circulante leva à maior tonicidade plasmática, que ativa a sede, aumentando a ingestão de água. A hiperglicemia também acarreta disfunção imunológica e mudança de flora microbiótica local, propiciando infecções recorrentes, principalmente, as fúngicas. A pele e as mucosas são os locais mais acometidos, tantoque, nas provas, é comum a descrição de “candidíase vaginal” em pacientes com DM tipo 2. A hiperglicemia crônica é tóxica às células, pois leva à ativação de vias intracelulares que culminam com o aumento do estresse oxidativo, causando injúrias e, até mesmo, morte celular. Considerando a evolução insidiosa e o potencial dano ocasionado pela hiperglicemia, é recomendado o rastreamento de complicações ao se realizar o diagnóstico de DM tipo 2. Fonte: Shutterstock Fonte: Shutterstock m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Camila Moma | Curso Extensivo | 2023 ENDOCRINOLOGIA Diabetes Mellitus Tipo 2 17 A perda ponderal e a polifagia também podem estar presentes e são relacionadas com a diminuição da ação da insulina pela resistência periférica. A insulina estimula a utilização da glicose, a síntese proteica e o estoque de lipídios; uma vez que ela não consegue agir adequadamente há elevação de hormônios contrarreguladores, caracterizados pelas ações catabólicas, como proteólise, lipólise e glicogenólise, levando à perda de peso. A hiperglicemia associada a estados graves de resistência à insulina, por exemplo, como em infecções ou traumas, pode sucumbir em complicações agudas graves como o estado hiperglicêmico hiperosmolar (mais frequente) e a cetoacidose diabética (mais rara no DM tipo 2). Características do paciente com DM tipo 2 Herança poligênica Anticorpos contra células-beta negativos Sinais de resistência à insulina: Aumento de circunferência abdominal; Acantose nigricans; Síndrome dos ovários policísticos (hiperandrogenismo + irregularidade menstrual/amenorreia). Em geral, são pacientes com sobrepeso (IMC 25-29,9 kg/m2) ou obesidade (IMC ≥ 30 kg/m2) Hiperinsulinemia (↑ insulina e/ou ↑ peptídeo C aos exames) e hiperglicemia ao diagnóstico Podem estar presentes comorbidades que aumentam risco cardiovascular (HAS, dislipidemia, IAM, insuficiência cardíaca) CAI NA PROVA (SES - DF 2020) Considere uma paciente de 54 anos de idade, diabética (HbA1c = 8,2%), cardiopata isquêmica com infarto agudo do miocárdio prévio e insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida. Encontra-se em tratamento para diabetes com metformina 850 mg três vezes ao dia e glibenclamida 5 mg pela manhã. No exame físico, chama a atenção a presença de manchas hiperpigmentadas/escurecidas em áreas de dobras. A respeito desse caso clínico e com base nos conhecimentos médicos correlatados, bem como nas últimas diretrizes mundiais relacionadas com o tratamento da diabetes, publicadas em 2019, julgue o item a seguir. Essa paciente tem acantose nigricans, que é comum em pacientes diabéticos e obesos. Essas lesões de pele nunca melhoram com o tratamento. A) CERTO B) ERRADO COMENTÁRIOS: Correta a alternativa B.ERRADO. A acantose nigricans é uma manifestação cutânea, caracterizada por lesões hiperpigmentadas e aveludadas, geralmente, em dobras. Devido à estimulação dos receptores de IGF-1, ocorre crescimento e proliferação de fibroblastos e queratinócitos. Em indivíduos com diabetes mellitus tipo 2, a presença da resistência à insulina leva ao aumento de produção de insulina pelas ilhotas pancreáticas, com maior estimulação aos receptores de IGF-1. Dessa maneira, melhorar a resistência à ação da insulina diminuiria a quantidade de insulina circulante. Duas medicações são capazes de incrementar a sensibilidade à insulina, a metformina e a pioglitazona. Entretanto, o tratamento mais eficaz para a melhora das lesões cutâneas é a perda de peso. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Camila Moma | Curso Extensivo | 2023 18 ENDOCRINOLOGIA Diabetes Mellitus Tipo 2 CAPÍTULO 3.0 TRATAMENTO Todo paciente com doença crônica deve ser incluído em uma rede de cuidados, de preferência, multiprofissional. Um dos grandes desafios no tratamento de diabetes mellitus, principalmente quando diagnosticado durante exames de rotina, em condições assintomáticas, é convencer o paciente sobre a importância da adesão à terapêutica proposta. Além disso, devemos, também, tratar as comorbidades que ofereçam risco cardiovascular, a fim de diminuir a morbimortalidade. O vínculo é o ponto fundamental nessa jornada; por meio de uma boa relação, é possível educar o paciente, com o intuito de que ele conheça a doença que possui, sua gravidade e que seja capaz de reconhecer situações de risco. Devemos individualizar cada tratamento, pois, assim, é viável alinhar o custo das medicações com o orçamento do paciente, minimizar efeitos colaterais e otimizar a posologia, a fim de reduzir esquecimentos no uso das drogas. É nosso dever estimular a incorporação de hábitos mais saudáveis e ajudar na construção de um estilo de vida melhor, tanto alimentares quanto físicos. Além disso, o paciente deve entender que a ausência de sintomas, devido ao uso das medicações, não pode ser obstáculo para a manutenção dos hábitos mais saudáveis. Devemos sempre ouvir o paciente quanto aos seus anseios e dúvidas, visto que o diabetes é uma doença complexa, crônica, debilitante e, muitas vezes, associada a transtornos depressivos, que podem comprometer a adesão ao tratamento. O risco de depressão é 2-3 vezes maior em pacientes com diabetes mellitus e cerca de 2/3 dos casos não são diagnosticados. Segundo estudos, a depressão piora o controle glicêmico e, infelizmente, a piora metabólica agrava o quadro depressivo. A educação dos familiares quanto à doença fortalece a adesão do paciente, uma vez que torna o ambiente doméstico mais propício a aceitar as mudanças necessárias para a condução adequada do tratamento, como melhorias alimentares e estímulos a hábitos mais saudáveis, além de imprimir responsabilidade de cuidado aos que rodeiam o indivíduo doente. Assim, os pontos-chaves no tratamento do paciente com diabetes são: 3.1 TRATAMENTO NÃO MEDICAMENTOSO 3.1.1 PRINCÍPIOS DA ORIENTAÇÃO NUTRICIONAL Alguns padrões dietéticos têm mostrado bons resultados em relação ao controle metabólico no diabetes mellitus, entre eles, a dieta do Mediterrâneo, a dieta baixa em carboidratos (low carb) e a vegetariana. A dieta do Mediterrâneo, rica em verduras, legumes, frutas, oleaginosas, grãos integrais e peixes está relacionada com a diminuição de mortalidade e tornou-se o padrão de dieta saudável. Quanto às dietas low carb, o grande impasse é a dificuldade em sustentá-las a longo prazo. Entretanto, devemos sempre lembrar que o mais importante é oferecer ao paciente a individualização do plano dietético, uma vez que a intenção é confluir os bons hábitos alimentares com as necessidades e demandas individuais. Assim, conseguimos perpetuar a mudança positiva e atingir o objetivo, que é o controle metabólico. Portanto, se o paciente não se encaixar no perfil das dietas acima citadas, a prescrição deve considerar o equilíbrio entre os macronutrientes, mantendo os percentuais de calorias de carboidratos, proteínas e gorduras iguais aos recomendados para a população em geral: m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Camila Moma | Curso Extensivo | 2023 ENDOCRINOLOGIA Diabetes Mellitus Tipo 2 19 • Carboidratos: 45-60% das recomendações diárias de calorias. De forma individualizada e feita por profissional experiente, podem ser realizadas diminuições na quantidade de carboidratos. Devemos preferir carboidratos com menor índice glicêmico e evitar grandes cargas glicêmicas, a fim de impedir elevações abruptas da glicemia pós-prandial. ◊ Frutose: não se recomenda adição aos alimentos. ◊ Sacarose: limitada a 5-10% do total de calorias. • Proteínas: 15-20% do valor energético total diário. Recomendam-se, preferencialmente, fontes proteicas como carnes brancas e peixes,visto que possuem menor teor de gordura saturada quando comparado à carne vermelha. • Gorduras: 20-30%. As gorduras mono e poli-insaturadas devem ser preferidas e as gorduras saturadas precisam ser limitadas em até 10% do valor energético total. • Fibras: 20g para cada 1.000kcal. Os micronutrientes seguem as mesmas recomendações da população em geral. 3.1.2 ORIENTAÇÕES QUANTO À PRÁTICA DE ATIVIDADE FÍSICA A prática de exercícios deve sempre ser estimulada por todos os profissionais de saúde que participam do cuidado ao paciente diabético. Recomenda-se a combinação de exercícios aeróbicos com os resistidos (musculação, por exemplo) e aumento da frequência e duração dos treinos ao longo do tempo. A atividade física melhora a captação de glicose muscular de forma independente da insulina por até duas horas após o término do exercício; também melhora a sensibilidade da insulina, resultando na maior translocação de receptores GLUT-4 para a membrana celular, por até 48 horas. Por conta disso, é importante não ficar mais de dois dias seguidos sem praticar exercícios. Como o diabetes mellitus é uma doença que eleva o risco cardiovascular e pode vir associada a outras comorbidades, devemos avaliar se há necessidade de estratificação desse paciente, por meio de exames complementares. Segundo as diretrizes de 2019/2020 da Sociedade Brasileira de Diabetes, é sugerida a seguinte abordagem: FATORES AGRAVANTES NA ESTRATIFICAÇÃO DE RISCO CARDIOVASCULAR Hipertensão arterial Síndrome metabólica Antecedente familiar + para IAM ou AVC (considerar homens 10 anos Idade > 49 anos (homens) e > 56 anos (mulheres) Taxa de filtração glomerular 30mg/g de creatinina Neuropatia autonômica cardiovascular Retinopatia diabética Adaptado das Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes 2019/2020. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Camila Moma | Curso Extensivo | 2023 20 ENDOCRINOLOGIA Diabetes Mellitus Tipo 2 Na anamnese, devemos avaliar se o paciente apresenta sintomas típicos ou atípicos sugestivos de isquemia miocárdica e se há anormalidades no eletrocardiograma de repouso, que sejam suspeitas de doença cardiovascular. Nesses casos, a orientação é prosseguir a estratificação de risco, sendo o exame de escolha o teste ergométrico, que também pode ser indicado em pacientes que desejam iniciar atividade física de alta intensidade. Resumindo... Rastreamento de doença miocárdica isquêmica em pacientes diabéticos: - Paciente sintomático, do ponto de vista cardiológico; - Paciente com algum fator de risco adicional; - Antes do início de atividade física de alta intensidade. As complicações microvasculares também representam determinadas restrições à prática de exercícios: RECOMENDAÇÕES DE ATIVIDADE FÍSICA EM PACIENTES COM COMPLICAÇÕES MICROVASCULARES Retinopatia São contraindicados exercícios intensos e com risco de impacto se retinopatia não proliferativa grave. Se retinopatia proliferativa, são indicados apenas exercícios leves. As elevações pressóricas, especialmente em exercícios isométricos e durante manobras de Valsalva, podem agravar a retinopatia. Neuropatia Adaptar o exercício conforme a capacidade proprioceptiva e de dor do paciente. Utilizar sapatos adequados, a fim de evitar ulcerações nos pés. Nefropatia Atenção com maior risco de hipoglicemia em pacientes que apresentam taxa de filtração glomerular reduzida.m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Camila Moma | Curso Extensivo | 2023 ENDOCRINOLOGIA Diabetes Mellitus Tipo 2 21 (HOSPITAL DO AÇÚCAR- AL 2018) Dentro das limitações impostas à atividade física na presença de complicações crônicas do Diabético, determine a alternativa CORRETA. A) A presença de retinopatia restringe o tipo de exercício que pode ser praticado, já que esforços que causem grandes elevações de pressão arterial, especialmente contrações isométricas e manobra de Valsalva, podem ser contraindicados dependendo da presença de retinopatia. B) A presença de retinopatia não restringe o tipo de exercício que pode ser praticado, já que esforços que não causam grandes elevações de pressão arterial, mesmo contrações isométricas e manobra de Valsalva, podem ser contraindicados dependendo da presença de retinopatia. C) A presença de retinopatia restringe o tipo de exercício que pode ser praticado, já que esforços que pequenas elevações de pressão arterial, especialmente contrações isométricas e podem ser contraindicados dependendo da presença de retinopatia. D) A presença de retinopatia proíbe qualquer tipo de exercício a ser praticado, já que esforços que causem grandes elevações de pressão arterial, especialmente contrações isométricas e manobra de Valsalva, podem ser contraindicados independendo da presença de retinopatia. COMENTÁRIOS: Correta a alternativa A.As recomendações de exercício dependem do grau de retinopatia: - Sem retinopatia: não há restrições; - Retinopatia não proliferativa leve: devem ser evitadas atividades físicas que aumentem de forma significativa a pressão arterial; - Retinopatia não proliferativa grave: exercícios de alto impacto e de choque direto não devem ser realizados; - Retinopatia proliferativa: são orientados apenas exercícios de baixo impacto, como caminhadas em esteira, natação e bicicleta ergométrica. CAI NA PROVA (UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA - UNESP 2017) Considerando que o autocuidado é a prática principal de controle do diabetes mellitus tipo 2 e que muitas situações ou comorbidades podem representar um obstáculo à sua realização, é correto afirmar que A) a prevalência de depressão é menor entre portadores de diabetes mellitus do que na população em geral. B) o estresse só é um obstáculo ao autocuidado quando leva o paciente a um descontrole na dieta. C) a ausência de sintomas pode limitar o autocuidado mesmo quando o paciente toma a medicação corretamente. D) o apoio familiar não é relevante se considerarmos que a prática do autocuidado é atividade do próprio paciente. COMENTÁRIOS: Correta a alternativa C.A adesão ao tratamento depende de diversos fatores, como a educação e o apoio familiar e a criação do vínculo entre o paciente e os profissionais de saúde. É fundamental que o paciente entenda que a ausência de sintomas não deve ser argumento para limitar o tratamento adequado, visto que as complicações do diabetes dependem da hiperglicemia crônica. Além disso, precisamos ficar atentos a situações que diminuam o autocuidado, como os transtornos depressivos, que costumam ser 2-3 vezes mais frequentes entre indivíduos diabéticos do que na população em geral. O controle do estresse também é importante no manejo do diabetes mellitus, visto que se correlaciona ao aumento de hormônios contrarreguladores de insulina, como o cortisol e a adrenalina, que possuem efeito hiperglicemiante e, portanto, podem dificultar a homeostase da glicose. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Camila Moma | Curso Extensivo | 2023 22 ENDOCRINOLOGIA Diabetes Mellitus Tipo 2 3.2 TRATAMENTO MEDICAMENTOSO Caro aluno, esse é um dos principais temas em diabetes e, por isso, preciso que você preste muita atenção. Veja, no gráfico a seguir, como costumam ser cobradas as drogas antidiabéticas: EFEITOS COLATERAIS DA METFORMINA EDEMA (PIOGLITAZONA) INDICAÇÃO DE INSULINA ITU (iSGLT2) PROTEÇÃO RENAL (iSGLT2) ACIDOSE LÁCTICA (METFORMINA) HIPOGLICEMIA (GLINIDAS E SULFONILUREIAS) AJUSTE DE TRATAMENTO MEDICAÇÕES NEUTRAS OU QUE REDUZEM O PESO INSUFICIÊNCIA RENAL 0 5 10 15 20 25 TEMAS DAS QUESTÕES ENVOLVENDO ANTIDIABÉTICOS MECANISMOS DE AÇÃOBENEFÍCIO CARDIOVASCULAR IC DESCOMPENSADA (EM GERAL, PIOGLITAZONA) Apesar dos inibidores de SGLT-2 (iSGLT-2) serem os menos frequentes, houve, desde 2015, uma tendência de aumento das questões envolvendo essa classe medicamentosa, visto que ela se correlaciona à diminuição de risco cardiovascular, a maior proteção renal e à redução de descompensação de insuficiência cardíaca. Vamos começar estudando cada mecanismo de ação e efeitos adversos das drogas para, em seguida, compreender como é feita a escolha terapêutica. 3.3 CLASSES MEDICAMENTOSAS DE ANTIDIABÉTICOS 3.3.1 MEDICAÇÕES QUE AUMENTAM A SECREÇÃO DE INSULINA DE FORMA INDEPENDENTE DOS NÍVEIS GLICÊMICOS SULFONILUREIAS Quais são as sulfonilureias? m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Camila Moma | Curso Extensivo | 2023 ENDOCRINOLOGIA Diabetes Mellitus Tipo 2 23 CONCEITO PARA INICIAR: Lembre-se de que, em pacientes não diabéticos, o principal estímulo à secreção de insulina é o aumento dos níveis glicêmicos. A maior conversão de glicose em glicose-6-fosfato leva a diversas reações intracelulares que fecham o canal de K+. Com isso, ocorre despolarização e o cálcio entra na célula, com consequente secreção de insulina. As sulfonilureias são drogas que se ligam em receptor próprio nos canais de K+-ATP dependentes, inibindo o influxo de K+. Consequentemente, a célula se mantém despolarizada, o que permite a entrada de cálcio, cujo aumento intracelular estimula a liberação dos grânulos de insulina. Essas medicações costumam ter duração mais prolongada, o que permite a secreção de insulina de forma contínua e independente dos níveis de glicose. Por esse motivo, são drogas relacionadas com a hipoglicemia, uma vez que não há interrupção da secreção de insulina, mesmo com a queda nos níveis glicêmicos. Entre as sulfonilureias, há diferenças no risco de hipoglicemia, sendo maior com a glibenclamida, intermediário com a glimepirida e menor com a glipizida e a gliclazida. É importante destacar esse ponto porque vi algumas raras questões abordando a diversidade na classe. Mas, no geral, a mensagem que tem que ficar é a de que essas drogas estão associadas à hipoglicemia. Conceito: O pré-condicionamento cardíaco ocorre quando há isquemia de curta duração, com posterior reperfusão. Funciona como um processo adaptativo, com o intuito de evitar danos, caso ocorra persistência da isquemia. Quando esse processo é inibido, os mecanismos de proteção, como a angiogênese, encontram-se reduzidos e, portanto, se houver isquemia persistente, a área infartada tende a ser muito maior. Lembre-se, também, de que as sulfonilureias têm longa duração (8-32 horas). Assim, se um paciente apresenta hipoglicemia, não adianta fazer apenas a infusão imediata de glicose e mandá-lo para casa, pois a droga ainda estará agindo. É preciso orientá-lo quanto a alimentar-se regularmente, realizar controles glicêmicos e, obviamente, suspender/trocar a medicação. Outro agravante que deve ser pensado é a piora da função renal, uma vez que ocorre diminuição do clearance da droga, resultando em sua disponibilidade por maior tempo. Entre as sulfonilureias, a glimepirida atinge controle glicêmico semelhante às outras drogas da classe, porém com doses menores, uma vez que possui efeitos adicionais como melhorar a sensibilidade periférica à insulina e mimetizar sua ação no fígado, inibindo a produção hepática de glicose. São efeitos modestos, mas que colaboram para a diminuição dos níveis glicêmicos. Quanto ao risco cardiovascular, a preferência é pela gliclazida ou pela glimepirida, pois tais medicações são seletivas para os receptores de sulfonilureias pancreáticos, não se ligando a receptores semelhantes no miocárdio, como ocorre com a glibenclamida. Esta, por não ser seletiva, inibe os receptores presentes no miocárdio, levando à perda do pré-condicionamento cardíaco. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Camila Moma | Curso Extensivo | 2023 24 ENDOCRINOLOGIA Diabetes Mellitus Tipo 2 Assim, caso um paciente com doença isquêmica cardíaca, como angina e infarto do miocárdio, necessite de uma sulfonilureia para melhor controle glicêmico, a glibenclamida não é recomendada! Outro efeito colateral comum das sulfonilureias é o ganho de peso, que pode ser controlado se o paciente tiver aderido às mudanças alimentares e à atividade física. Entretanto, como no diabetes mellitus tipo 2 há alteração do controle hipotalâmico do apetite, esses pacientes tendem a perder menos peso que indivíduos normais, quando submetidos ao mesmo programa de intervenção. Em conclusão, devemos evitar medicações que causem ganho ponderal, pois os pacientes com diabetes têm maior dificuldade em perder peso. As sulfonilureias não são recomendadas na insuficiência renal com taxa de filtração glomerular (TFG)ação, que costuma ser ao redor de 1-2 horas. Porém, devido à meia- vida reduzida, essas medicações devem ser tomadas próximo às refeições, com o intuito de cobrir o período pós-prandial. Isso leva ao aumento do número de comprimidos ao dia, o que repercute na menor adesão. Além da hipoglicemia, as glinidas também podem levar ao ganho ponderal. Perceba que essa classe é muito semelhante às sulfonilureias, uma vez que a secreção de insulina é mantida, independentemente dos níveis glicêmicos. Quais são as glinidas? a creatinina está muito elevada (e não temos dados suficientes para cálculo exato do clearance), é de se supor que a taxa de filtração glomerular esteja abaixo de 30mL/min. Nos pacientes com grande prejuízo da filtração glomerular, devemos suspender as medicações que possam causar danos ou intoxicação. No caso dos anti-hiperglicemiantes, a suspensão dessas drogas é indicada pois, como não conseguem ser depuradas, devido à perda de função renal, aumentam o risco de hipoglicemias. Como o paciente não apresenta hiperglicemia considerável, a orientação é suspender a glibenclamida, observar o comportamento glicêmico e, caso necessário, introduzir inibidor de DPP-4 (com ajuste de dose) ou insulina. Lembre- se de que pacientes com insuficiência renal têm maior risco de hipoglicemia, pois apresentam, também, comprometimento da glicogenólise (o rim é responsável por 15% da glicose oferecida em períodos de jejum). O enalapril deve ser suspenso devido à hipercalemia. Por atuar inibindo a enzima conversora de angiotensina, há diminuição nos níveis de angiotensina II, estimulando menos a secreção de aldosterona. A aldosterona é responsável pela excreção renal de potássio, porém, quando em níveis baixos, há maior retenção de K+. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Camila Moma | Curso Extensivo | 2023 26 ENDOCRINOLOGIA Diabetes Mellitus Tipo 2 Atenção! Não prescrevemos sulfonilureias associadas às glinidas, pois, como ambas aumentam a secreção de insulina de maneira independente dos níveis glicêmicos, há maior risco de hipoglicemias graves! *contraindicação relativa, uma vez que a droga tem duração curta. Entretanto, não deve ser primeira escolha medicamentosa nesse grupo de pacientes Como sua metabolização ocorre, de forma predominante, no fígado, com posterior excreção renal, seu uso não é recomendado em pacientes com insuficiência hepática ou insuficiência renal (TFG