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DANY, DIDACT I, 2025, 2S

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Prévia do material em texto

Universidade Católica de Moçambique 
Instituto de Educação a Distancia 
 
 
Planificação organizada de estratégias e actividades de Ensino-Aprendizagem 
 
Daniel José Sande 
708244386 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Chimoio, Setembro, 2025 
Curso: Licenciatura em Ensino de 
Língua Portuguesa 
Disciplina: Didáctica de Português I 
Turma: A 
Ano: 2º 
Semestre: 2º 
Tutor: Maria Rita Joanquene Ntoja 
 
 
 
 
Índice 
CAPÍTULO I – INTRODUÇÃO ................................................................................................ 1 
1.1 Contextualização .................................................................................................................. 1 
1.2 Objetivos ............................................................................................................................... 1 
1.2.1 Objetivo Geral ................................................................................................................... 1 
1.2.2 Objetivos Específicos ........................................................................................................ 2 
1.3 Metodologia .......................................................................................................................... 2 
Capítulo II – Revisão da Literatura ............................................................................................ 3 
2.1 Conceito e Importância da Planificação no Ensino .............................................................. 3 
2.2 Tipos e Níveis de Planificação ............................................................................................. 4 
2.2.4 Relação entre os diferentes níveis de planificação ............................................................ 4 
2.3 Estrutura de um Plano Sequencial e Organizado ................................................................. 5 
2.4 Estratégias de Ensino-Aprendizagem na Língua Portuguesa ............................................... 6 
2.5 Atividades de Aprendizagem ............................................................................................... 8 
2.6 Relação entre Planificação, Estratégias e Avaliação ............................................................ 9 
2.7 Desafios e Boas Práticas na Planificação do Ensino em Moçambique .............................. 10 
Conclusão ................................................................................................................................. 11 
Bibliografia ............................................................................................................................... 12 
 
 
 
 
 
 
 
 
CAPÍTULO I – INTRODUÇÃO 
1.1 Contextualização 
O ensino da Língua Portuguesa, em Moçambique, enfrenta desafios relacionados à 
organização do processo pedagógico, à seleção de estratégias adequadas e à implementação 
de atividades significativas que favoreçam a aprendizagem. O professor, como mediador do 
conhecimento, necessita de instrumentos que o auxiliem a planificar as suas aulas de forma 
estruturada, coerente e eficiente. Nesse sentido, a planificação sequencial e organizada de 
ensino assume um papel essencial, pois permite antecipar, prever e orientar as etapas do 
processo educativo, promovendo a participação ativa dos alunos. 
De acordo com Libâneo (2013), a planificação é o processo pelo qual o professor prevê 
objetivos, conteúdos, métodos e formas de avaliação, assegurando a organização do trabalho 
educativo. Assim, no contexto do ensino da Língua Portuguesa, a planificação garante que as 
aulas não ocorram de forma improvisada, mas sim dentro de uma sequência lógica que 
respeite as necessidades cognitivas e socioculturais dos estudantes. 
O Currículo do Ensino Primário de Moçambique (MINEDH, 2022) orienta que o professor 
deve considerar, na sua planificação, a realidade dos alunos, os recursos disponíveis e os 
objetivos de aprendizagem. Essa planificação deve ser flexível, dinâmica e adaptável, 
permitindo ao professor reorganizar as suas práticas de acordo com os desafios encontrados 
em sala de aula. 
No contexto atual, em que se busca promover uma educação inclusiva e de qualidade, a 
planificação organizada das estratégias e atividades de ensino revela-se indispensável para o 
desenvolvimento de competências linguísticas, comunicativas e críticas. Este trabalho 
procura, portanto, apresentar os principais passos de elaboração de um plano sequencial e 
organizado de ensino-aprendizagem, com propostas de estratégias e atividades voltadas ao 
ensino da Língua Portuguesa. 
1.2 Objetivos 
1.2.1 Objetivo Geral 
Analisar a importância da planificação organizada e sequencial do ensino, destacando 
estratégias e atividades que favoreçam o processo de ensino-aprendizagem da Língua 
Portuguesa. 
1.2.2 Objetivos Específicos 
Identificar os principais elementos que compõem um plano de ensino sequencial e 
organizado; 
Descrever os passos fundamentais para a elaboração de um plano de ensino-aprendizagem 
coerente; 
Propor estratégias metodológicas adequadas ao ensino da Língua Portuguesa; 
Sugerir atividades práticas que promovam a participação ativa e significativa dos alunos no 
processo educativo. 
1.3 Metodologia 
O presente trabalho baseia-se em uma abordagem qualitativa e descritiva, utilizando pesquisa 
bibliográfica como principal método de recolha de dados. Foram consultados manuais da 
disciplina de Didática do Português I, o Currículo do Ensino Primário de Moçambique, bem 
como livros, artigos científicos e publicações atualizadas disponíveis em plataformas digitais 
confiáveis. 
Segundo Gil (2019), a pesquisa bibliográfica consiste na análise de materiais já publicados 
que tratam do tema estudado, permitindo compreender e fundamentar teoricamente o 
problema em investigação. Dessa forma, a metodologia adotada possibilita a elaboração de 
um estudo fundamentado e aplicável à realidade educacional moçambicana, servindo como 
guia prático para professores e formadores de professores. 
A escolha deste método justifica-se pela necessidade de aprofundar o conhecimento teórico 
sobre a planificação do ensino e, ao mesmo tempo, propor estratégias e atividades que possam 
ser aplicadas em sala de aula, garantindo a melhoria contínua do processo de ensino-
aprendizagem. 
 
 
 
 
Capítulo II – Revisão da Literatura 
2.1 Conceito e Importância da Planificação no Ensino 
A planificação do ensino é um processo sistemático e organizado que visa orientar o trabalho 
do professor na condução das atividades pedagógicas. Trata-se de um instrumento essencial 
para garantir que o ensino seja coerente, estruturado e eficiente, permitindo que os objetivos 
educacionais sejam alcançados de forma gradual e progressiva. 
Segundo Libâneo (2013), a planificação é o ato de prever, organizar e estruturar os elementos 
do processo de ensino-aprendizagem, incluindo objetivos, conteúdos, métodos, recursos e 
formas de avaliação. Para o autor, a planificação evita a improvisação e assegura que o 
trabalho docente seja desenvolvido de maneira consciente e orientada para resultados. 
No contexto do ensino da Língua Portuguesa em Moçambique, a planificação é 
particularmente relevante por diversos fatores. Em muitas escolas, os professores enfrentam 
desafios como turmas numerosas, escassez de recursos didáticos e diversidade linguística dos 
alunos. O Currículo do Ensino Primário (MINEDH, 2022) destaca que a planificação deve 
considerar esses contextos, promovendo a participação ativa dos estudantes e valorizando 
suas realidades socioculturais. 
A importância da planificação está ligada, principalmente, à melhoria da qualidade do ensino. 
Quando bem elaborada, ela: 
Garante coerência pedagógica, evitando lacunas ou sobreposição de conteúdos; 
Facilita a organização do tempo escolar, permitindo que o professor distribua os conteúdos de 
acordo com o calendário letivo; 
Favorecea aprendizagem significativa, pois orienta a escolha de estratégias adequadas às 
necessidades dos alunos; 
Permite a avaliação contínua, assegurando que o progresso do aluno seja monitorado e 
ajustado ao longo do processo. 
Perrenoud (2000) defende que a planificação não deve ser vista como um documento estático, 
mas sim como um guia flexível, capaz de se adaptar às circunstâncias imprevistas que surgem 
no cotidiano escolar. Essa visão é fundamental para a realidade moçambicana, onde fatores 
externos, como questões socioeconômicas e culturais, influenciam diretamente o processo de 
ensino-aprendizagem. 
Assim, a planificação não é apenas uma exigência administrativa, mas um instrumento 
indispensável para a promoção de uma educação de qualidade, voltada para a formação 
integral do aluno. 
2.2 Tipos e Níveis de Planificação 
A planificação pode ser organizada em diferentes níveis, dependendo da amplitude e da 
duração do planeamento. Cada nível tem objetivos específicos e complementares, garantindo 
que o processo de ensino-aprendizagem ocorra de forma progressiva e bem estruturada. 
2.2.1 Planificação anual ou de longo prazo 
A planificação anual refere-se à organização do trabalho docente para todo o ano letivo. Nela, 
o professor distribui os conteúdos previstos no currículo oficial, definindo os objetivos gerais, 
as competências a serem desenvolvidas e os principais métodos de ensino. 
Segundo Libâneo (2013), a planificação anual fornece uma visão global do percurso de 
aprendizagem, funcionando como um mapa orientador que guia as ações do professor ao 
longo do ano. 
Em Moçambique, o MINEDH (2022) estabelece que a planificação anual deve estar alinhada 
ao calendário escolar e ao plano curricular nacional, garantindo que os conteúdos obrigatórios 
sejam abordados de forma equilibrada. 
2.2.2 Planificação trimestral ou de médio prazo 
A planificação trimestral detalha os conteúdos e estratégias a serem trabalhados em cada 
trimestre letivo. Ela serve como uma ponte entre a visão global da planificação anual e a 
prática diária do professor. 
Zabala (1998) destaca que esse nível de planificação é importante para ajustar os objetivos 
gerais às necessidades específicas da turma, possibilitando uma organização mais precisa dos 
conteúdos, métodos e formas de avaliação. 
2.2.3 Planificação diária ou plano de aula 
O plano de aula é o nível mais específico da planificação e corresponde à organização 
detalhada de cada aula. Nele, o professor define atividades, estratégias, recursos e formas de 
avaliação para uma situação de ensino concreta. 
Gil (2019) afirma que o plano de aula é essencial para que o professor conduza suas aulas 
com clareza e segurança, evitando improvisações e garantindo que os objetivos definidos 
sejam alcançados. 
No contexto do ensino da Língua Portuguesa, o plano de aula deve considerar aspectos como: 
A diversidade linguística dos alunos; 
A integração de atividades de leitura, escrita, oralidade e gramática; 
O uso de recursos locais e tecnológicos, quando disponíveis. 
2.2.4 Relação entre os diferentes níveis de planificação 
Os níveis de planificação estão interligados e devem ser construídos de forma coerente. A 
planificação anual fornece a visão macro; a trimestral detalha os conteúdos em etapas 
intermediárias; e o plano de aula operacionaliza o ensino na prática diária. 
Essa interdependência garante que o processo de ensino-aprendizagem seja sequencial, 
evitando a fragmentação dos conteúdos e promovendo a continuidade da aprendizagem. 
2.3 Estrutura de um Plano Sequencial e Organizado 
Um plano sequencial e organizado de ensino deve conter elementos essenciais que orientem o 
professor em todas as etapas do processo pedagógico. Esses elementos asseguram que a 
planificação seja clara, objetiva e coerente com os objetivos educacionais. 
Segundo Libâneo (2013) e Zabala (1998), os principais componentes de um plano de ensino 
são: 
1. Identificação 
Nome da escola, disciplina, ano de escolaridade, período e professor responsável. 
Serve para contextualizar o plano dentro do calendário escolar. 
2. Objetivos gerais e específicos 
Os objetivos gerais indicam a meta ampla a ser alcançada, enquanto os específicos detalham 
as competências e habilidades que os alunos devem desenvolver. 
Devem estar alinhados ao currículo nacional e às diretrizes pedagógicas do MINEDH. 
 
3. Conteúdos programáticos 
São os temas, conceitos e habilidades que serão ensinados. 
Devem ser organizados de forma lógica e progressiva, respeitando a sequência didática. 
4. Estratégias e métodos de ensino 
Descrição das abordagens pedagógicas que serão utilizadas. 
Exemplo: trabalho em grupo, exposição dialogada, projetos interdisciplinares, dramatizações. 
5. Recursos didáticos 
Materiais e ferramentas que auxiliarão no processo de ensino, como livros, quadros, cartazes, 
tecnologias digitais, entre outros. 
6. Atividades de aprendizagem 
Conjunto de tarefas que incentivam a participação ativa dos alunos. 
Devem ser diversificadas, incluindo atividades de motivação, desenvolvimento e 
consolidação. 
7. Avaliação 
Estratégias para acompanhar e medir o progresso dos alunos. 
Deve incluir avaliação diagnóstica, formativa e somativa. 
 Importante: O Currículo do Ensino Primário de Moçambique (MINEDH, 2022) recomenda 
que a avaliação seja contínua e participativa, permitindo ajustes durante o processo educativo. 
2.4 Estratégias de Ensino-Aprendizagem na Língua Portuguesa 
As estratégias de ensino-aprendizagem correspondem aos caminhos, métodos e 
procedimentos utilizados pelo professor para facilitar a construção do conhecimento. Elas 
orientam a forma como os conteúdos são apresentados, como as atividades são conduzidas e 
como os alunos participam ativamente do processo educativo. 
Segundo Zabala (1998), as estratégias são fundamentais para dar significado ao ensino, pois 
permitem que os estudantes relacionem novos conteúdos às experiências prévias, promovendo 
uma aprendizagem significativa. Libâneo (2013) acrescenta que a escolha da estratégia deve 
estar diretamente ligada aos objetivos de aprendizagem, à faixa etária dos alunos e ao 
contexto sociocultural da turma. 
No ensino da Língua Portuguesa, as estratégias devem estimular o desenvolvimento de 
competências linguísticas, comunicativas e críticas, envolvendo práticas de leitura, escrita, 
oralidade e reflexão gramatical. O Currículo do Ensino Primário (MINEDH, 2022) recomenda 
a utilização de estratégias diversificadas e interativas, que promovam a participação dos 
alunos e valorizem a língua portuguesa como instrumento de comunicação e identidade 
nacional. 
As principais estratégias que podem ser utilizadas no ensino da Língua Portuguesa incluem: 
2.4.1 Estratégias centradas no professor 
Estas estratégias colocam o docente como principal agente do processo de ensino, sendo 
responsável por transmitir os conteúdos de forma estruturada. Embora sejam tradicionais, 
ainda são importantes quando usadas de forma crítica e dinâmica. 
Exposição dialogada: o professor explica o conteúdo, mas incentiva a participação dos alunos 
com perguntas e discussões. 
Demonstração: usada em conteúdos como gramática ou produção textual, em que o professor 
exemplifica e os alunos reproduzem. 
Exemplo prático: ao ensinar a estrutura de uma carta formal, o professor pode primeiro 
demonstrar o modelo no quadro e, em seguida, guiar os alunos na construção coletiva de um 
exemplo. 
2.4.2 Estratégias centradas no aluno 
Essas estratégias priorizam a participação ativa do estudante, que assume papel de 
protagonista na construção do conhecimento. Elas estão em sintonia com a pedagogia ativa e 
colaborativa. 
Aprendizagem cooperativa: os alunos trabalham em grupos para resolver problemas ou 
produzir textos. 
Projetos interdisciplinares: os conteúdos da Língua Portuguesa são integrados a outras 
disciplinas. 
Resolução de problemas:situações desafiadoras que exigem pesquisa, análise e 
argumentação. 
Debates e dramatizações: atividades que desenvolvem oralidade, argumentação e pensamento 
crítico. 
Exemplo prático: para trabalhar interpretação de textos narrativos, o professor pode organizar 
uma dramatização baseada em contos tradicionais moçambicanos, incentivando a expressão 
oral e corporal dos alunos. 
2.4.3 Estratégias tecnológicas e inovadoras 
O avanço tecnológico oferece novas possibilidades para o ensino. O uso de recursos digitais 
pode tornar as aulas mais atrativas e acessíveis. 
Uso de vídeos educativos para introduzir temas ou analisar narrativas. 
Aplicativos de leitura e escrita, que auxiliam na prática autônoma dos alunos. 
Aulas híbridas, combinando momentos presenciais e virtuais. 
Exemplo prático: o professor pode utilizar gravações de narrativas orais em línguas locais, 
disponíveis em plataformas digitais, para trabalhar a compreensão auditiva e a valorização da 
cultura nacional. 
2.5 Atividades de Aprendizagem 
As atividades de aprendizagem são os instrumentos práticos que concretizam as estratégias 
pedagógicas. Representam as ações realizadas pelos alunos durante a aula e devem ser 
planejadas para favorecer a participação, a motivação e o desenvolvimento de competências. 
De acordo com Vygotsky (2007), as atividades devem ser desafiadoras, mas adequadas ao 
nível de desenvolvimento dos alunos, permitindo a construção do conhecimento por meio da 
interação social. 
As atividades de aprendizagem no ensino da Língua Portuguesa podem ser classificadas em 
três momentos: 
2.5.1 Atividades de motivação 
São realizadas no início da aula, com o objetivo de despertar o interesse dos alunos e conectar 
o conteúdo ao seu cotidiano. 
Contação de histórias. 
Provérbios ou adivinhas relacionados ao tema. 
Exibição de imagens ou pequenos vídeos. 
Exemplo: antes de trabalhar a temática de fábulas, o professor pode contar uma fábula curta 
em língua local, incentivando os alunos a identificarem a moral da história. 
2.5.2 Atividades de desenvolvimento 
Correspondem ao núcleo da aula, em que o conteúdo principal é abordado. 
Leitura coletiva e interpretação de textos. 
Análise gramatical contextualizada. 
Produção textual em grupo ou individual. 
Trabalhos colaborativos de pesquisa. 
Exemplo: após a leitura de um texto informativo, os alunos podem responder a perguntas, 
construir um resumo ou elaborar um cartaz explicativo. 
2.5.3 Atividades de consolidação e avaliação formativa 
Visam fixar os conhecimentos adquiridos e permitir ao professor verificar se os objetivos 
foram atingidos. 
Revisões em grupo. 
Jogos didáticos. 
Autoavaliação e feedback coletivo. 
Exemplo: o professor pode organizar uma roda de leitura na qual cada aluno compartilha um 
trecho de texto produzido, recebendo comentários construtivos dos colegas. 
2.6 Relação entre Planificação, Estratégias e Avaliação 
A avaliação é um elemento integrante da planificação, pois permite monitorar o progresso dos 
alunos e ajustar as estratégias utilizadas. Sem avaliação contínua, o professor não consegue 
identificar dificuldades, corrigir falhas nem melhorar sua prática pedagógica. 
Segundo Perrenoud (2000), a avaliação deve ser formativa, ou seja, voltada para acompanhar 
e promover a aprendizagem, e não apenas para classificar os alunos. 
No contexto do ensino da Língua Portuguesa, a avaliação deve considerar as diferentes 
competências: leitura, escrita, oralidade e gramática. Para isso, é importante combinar 
diferentes tipos de avaliação: 
Diagnóstica: aplicada no início do processo para identificar conhecimentos prévios. 
Formativa: realizada durante as atividades, com feedback constante. 
Somativa: aplicada ao final de uma unidade ou período, com caráter classificatório. 
O Currículo do Ensino Primário (MINEDH, 2022) reforça a importância da avaliação 
contínua e participativa, envolvendo também os alunos no processo, por meio da 
autoavaliação e da coavaliação. 
2.7 Desafios e Boas Práticas na Planificação do Ensino em Moçambique 
Apesar da importância da planificação, diversos desafios dificultam sua implementação eficaz 
nas escolas moçambicanas. Entre os principais, destacam-se: 
Falta de recursos didáticos e tecnológicos; 
Turmas numerosas, dificultando o acompanhamento individualizado; 
Formação insuficiente de alguns professores em metodologias ativas; 
Contextos socioculturais diversificados, com barreiras linguísticas. 
No entanto, experiências bem-sucedidas têm demonstrado que é possível superar esses 
desafios por meio de boas práticas, tais como: 
Formação continuada de professores, focada em estratégias inovadoras; 
Uso criativo de recursos locais, como histórias tradicionais e materiais recicláveis; 
Integração da comunidade escolar no processo educativo; 
Valorização das línguas locais como ponto de partida para o ensino da Língua Portuguesa. 
Essas boas práticas estão alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), 
especialmente o ODS 4, que visa garantir educação inclusiva e de qualidade para todos 
(ONU, 2023). 
 
 
 
 
 
 
Conclusão 
A planificação sequencial e organizada do ensino da Língua Portuguesa constitui um 
elemento essencial para a promoção de uma aprendizagem significativa, participativa e 
contextualizada. Ao longo deste trabalho, verificou-se que a planificação vai além de uma 
exigência administrativa, sendo um instrumento pedagógico que orienta a prática docente, 
favorece a gestão do tempo e dos recursos e garante a coerência do processo de ensino-
aprendizagem. 
A fundamentação teórica apresentada evidenciou que a planificação deve considerar os 
contextos socioculturais dos alunos, bem como os desafios específicos do sistema educacional 
moçambicano, como turmas numerosas, escassez de materiais e diversidade linguística. 
Quando bem estruturada, ela possibilita que o professor selecione estratégias adequadas, 
proponha atividades motivadoras e realize avaliações contínuas, assegurando que cada 
estudante seja protagonista na construção do conhecimento. 
Conclui-se, assim, que a planificação não é um fim em si mesma, mas um meio para a 
melhoria da qualidade da educação. Para que o ensino da Língua Portuguesa seja eficaz, faz-
se necessária a formação contínua de professores, o investimento em recursos pedagógicos e o 
fortalecimento da colaboração entre escola, família e comunidade. Dessa forma, será possível 
construir uma educação mais inclusiva, crítica e transformadora, alinhada aos Objetivos de 
Desenvolvimento Sustentável e às metas nacionais de qualidade educativa. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Bibliografia 
Gil, A. C. (2019). Métodos e técnicas de pesquisa social (7.ª ed.). Atlas. 
Libâneo, J. C. (2013). Didática (2.ª ed.). Cortez. 
MINEDH. (2022). Currículo do Ensino Primário. Ministério da Educação e Desenvolvimento 
Humano. 
https://www.mined.gov.mz 
ONU. (2023). Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – ODS 4: Educação de qualidade. 
Organização das Nações Unidas. 
https://sdgs.un.org/goals 
Perrenoud, P. (2000). Avaliação: da excelência à regulação das aprendizagens. Artmed. 
Vygotsky, L. S. (2007). A formação social da mente (7.ª ed.). Martins Fontes. 
Zabala, A. (1998). A prática educativa: Como ensinar. Artmed.

Mais conteúdos dessa disciplina