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Aprendizagem e controle motor tema 2

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Introdução à aprendizagem e controle
motor
Fundamentos do desenvolvimento motor, da aprendizagem motora e do controle motor.
Profa. Rossana de Vasconcelos Pugliese Vito
1. Itens iniciais
Propósito
Compreender o conceito do desenvolvimento motor para fins de conhecimento das teorias da aprendizagem
motora e do controle motor é imprescindível no processo de formação do profissional que atua com o corpo e
o movimento.
Objetivos
Identificar a funcionalidade do movimento a partir da correlação entre crescimento, desenvolvimento e
maturação.
 
Reconhecer a relação entre habilidade e capacidade motora.
 
Identificar uma prática de intervenção profissional a partir das habilidades desenvolvidas no
comportamento motor.
Introdução
Neste conteúdo, vamos estudar os fundamentos básicos do desenvolvimento, da aprendizagem e do controle
motor, bem como suas conexões e aplicabilidades na prática do profissional, relacionando as principais
características de cada um e suas inter-relações.
O profissional que trabalha com o corpo em movimento
precisa compreender a origem do movimento, suas
possibilidades naturais de funcionamento
(desenvolvimento motor), a aquisição de novos gestos
motores (aprendizagem motora) e o aperfeiçoamento
deles (controle motor).
Além disso, é necessário saber quais aspectos intervêm no desdobramento desse processo, qual é a faixa
etária adequada e como as habilidades motoras são desenvolvidas no comportamento motor.
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1. Funcionalidade do movimento 
Desenvolvimento motor e desenvolvimento humano
Para compreender o desenvolvimento motor, é imprescindível conhecer os conceitos que compõem tal
processo, pois eles são anteriores ao próprio nascimento do ser humano e interferem em todo o ciclo vital.
Você já parou para pensar que o movimento humano
ocorre antes mesmo do pensamento?
Agora, iniciaremos o estudo do desenvolvimento motor pela compreensão do desenvolvimento humano.
O desenvolvimento humano compreende todas as alterações sofridas pelo homem, da fecundação até a
morte. Essa questão é bastante abrangente e orientou grande parte dos estudos no decorrer da evolução da
humanidade. Tais estudos envolvem discussões intrínsecas às três principais correntes que norteiam as
teorias do desenvolvimento humano (SILVA, 1994). São elas:
Concepção inatista
O desenvolvimento é determinado somente por fatores biológicos, em que as características físicas e
psicológicas são decorrentes da herança genética. Segundo essa concepção, o ser humano, ao
nascer, já apresentaria capacidades definidas e as fases do desenvolvimento predeterminadas. Os
padrões do comportamento já estariam presentes no nascimento e o surgimento de uma nova
habilidade dependeria somente do processo de maturação do sistema nervoso.
Segundo Silva (1994), as condições do ambiente não
teriam grande influência na aquisição de habilidades,
pois defende que foram determinadas pela
hereditariedade.
Concepção ambientalista
O desenvolvimento é determinado pelo ambiente e o indivíduo nasce sem características
predeterminadas, cabendo ao ambiente decidir.
Conforme Silva (1994), a partir dessa abordagem, a
criança é um ser passivo frente ao ambiente,
enquanto os adultos a seu redor teriam o papel de
administrar e promover seu desenvolvimento.
Concepção interacionista
O desenvolvimento infantil é compreendido dentro de um contexto mais complexo como um processo
contínuo e dinâmico, que ocorre pela plena interação entre organismo e ambiente, na qual há uma
influência mútua de um sobre o outro. Essa corrente é a junção das concepções inatista e
ambientalista.
Crescimento, desenvolvimento e maturação
O desenvolvimento como processo é caracterizado pela integração entre crescimento e maturação do
indivíduo.
Atenção
Embora o desenvolvimento e o crescimento sejam processos constantemente dinâmicos, com início na
fecundação e término na morte do indivíduo, trata-se de questões muito diferentes. 
Segundo Lima (1981), o crescimento é o aumento de massa, resultado da incorporação e aumento das células.
Com o crescimento, as células se reproduzem e aumentam seu número total no organismo.
Já o desenvolvimento “é a diferenciação, aquisição ou aperfeiçoamento de funções orgânicas, capacidades
cognoscitivas, emocionais ou sociais, que se consegue através do tempo” (LIMA, 1981, p. 305).
 
Embora alguns autores tratem o crescimento e o desenvolvimento como sinônimos, são processos diferentes
que se desenvolvem em paralelo.
Atividade de reflexão discursiva
Questionamentos têm surgido sobre os fatores
hereditários e ambientais. Você saberia responder sobre as
seguintes questões:
 
O quanto é herdado?
 
O quanto é influenciado pelo ambiente?
Chave de resposta
Há uma resposta coerente para essas perguntas:
“Em qualquer área que seja influenciada pela hereditariedade, há uma amplitude de respostas possíveis,
dependendo do ambiente. [...] A forma como nossa herança se manifesta depende, em boa parte, de
nosso ambiente específico.”
(PAPALIA; OLDS, 1998, p. 71)
Em outras palavras, é possível afirmar que a hereditariedade limita o desenvolvimento, mas o ambiente
influencia o compasso em que ele se desenvolve.
Outra questão inerente ao processo de desenvolvimento humano é a maturação, que corresponde a “uma
sequência de mudanças físicas determinada biologicamente e de comportamentos que resultam do processo
de envelhecimento, e não da aprendizagem ou da experiência de vida” (PAPALIA; OLDS, 1998, p. 72).
Saiba mais
A maturação anatômica tem suas próprias leis de evolução: uma sucessão maturativa do sistema
nervoso. O desenvolvimento estrutural é necessário para o desenvolvimento funcional, e o aparecimento
de novas formas de conduta corresponde a modificações de estruturas. 
Embora seja imprescindível para o desenvolvimento, a maturação não é uma condição suficiente para explicar
o comportamento, que é resultado de uma composição entre maturação, ambiente e hereditariedade.
Fatores que compõem o desenvolvimento.
Idade cronológica e biológica
O desenvolvimento pode ser classificado de vários modos.
A idade cronológica, embora de uso universal, não é um
indicador confiável do estágio de maturação biológica. Ela
demonstra características bastante específicas no início da
vida, mas que, depois, tornam-se generalistas.
Possivelmente, isso ocorre porque, com os anos de vida, o
sujeito fica cada vez mais influenciado pelo ambiente em
que vive, podendo ampliar suas potencialidades genéticas
ou não, o que determina seu nível de desenvolvimento.
Resumindo
Portanto: “[...] a idade cronológica é uma estimativa bruta do nível de desenvolvimento do indivíduo, que
pode ser determinado de modo mais preciso por outros meios” (GALLAHUE; OZMUN, 2013, p. 28). 
A idade cronológica é capaz de mostrar há quanto tempo o indivíduo nasceu, pois indica o tempo cronos, mas,
como índice de envelhecimento, ela é falha. O índice que realmente mensura a idade de cada indivíduo é a 
idade biológica, que fornece a taxa de progressão relacionada à maturidade. É uma idade variável e possui
correspondência aproximada com a idade cronológica (GALLAHUE; OZMUN, 2013). Corresponde ao conjunto
de fatores que explicam a eficiência sistêmica do organismo humano.
 
A forma de calcular a idade biológica é multifatorial: não se restringe a apenas um fator, como a idade
cronológica, que tem apenas o tempo como referência. Segundo Gallahue e Ozmun (2013), a idade biológica é
determinada pela medição das seguintes idades:
Organismo
Nosso organismo é um sistema complexo, formado por órgãos que funcionam de maneira integrada e,
por consequência, influenciam todo o sistema.
Idade biológica.
Outros indicadores podem ser considerados:
Idade morfológica
Comparação do tamanho da pessoa, em termos de estatura e peso, com uma padronização normativa.
Saiba mais
O tamanho normativo foi estabelecido pela primeira vez na década de 1940, por meio da elaboração de
gráficos de alturas e pesos de milhares de indivíduos. 
Atualmente, “os pediatras usamgráficos de crescimento físico desenvolvidos pelo National Center for Health
Statistics” (GALLAHUE; OZMUN, 2013, p. 29), muito similares ao seguinte gráfico:
Gráfico de Índice de Massa Corporal.
Idade esquelética
É a idade biológica do crescimento do esqueleto. “Ela pode ser determinada com precisão por um raio-X dos
ossos carpais das mãos e do punho” (GALLAHUE; OZMUN, 2013, p. 29). É muito utilizada em casos de
crescimento atrasado ou acelerado da criança e no desporto de alto rendimento.
Raios X dos ossos da mão e do punho. 
Idade dentária
Outro meio interessante e preciso de determinação da idade biológica ocorre por meio da sequência do
desenvolvimento dos dentes, que pode ser medida pela idade de calcificação (GALLAHUE; OZMUN, 2013).
Raios X dentário de uma criança.
Idade sexual
Compõe mais um método de mensuração da idade biológica. A maturação sexual é determinada pelo
crescimento/desenvolvimento das características sexuais primárias e secundárias (GALLAHUE; OZMUN,
2013).
O surgimento de pelos na face de meninos e a menarca
em meninas estão relacionados à idade sexual.
Além desses, existem outros métodos de classificação da idade de um indivíduo. Eles incluem medições das
seguintes idades:
Idade emocional – dada pela medição da capacidade de socialização e de funcionamento dentro de um
ambiente social/cultural;Idade mental – dada pela medição complexa do potencial mental do indivíduo no
que tange ao aprendizado e à autopercepção;Idade autoconceitual – dada pela medição da avaliação
pessoal que o indivíduo faz do próprio valor ou da própria capacidade;Idade perceptiva – dada pela
avaliação do desenvolvimento da percepção pessoal.
GALLAHUE; OZMUN, 2013, p. 29
Períodos do desenvolvimento intrauterino
O ovo fecundado, que vai se tornar um novo ser humano, inicia sua segmentação poucas horas após a
“copulação”. Essa é operada por um único espermatozoide, no meio de 300 a 500 milhões de
espermatozoides que são depositados no interior da vagina após a ejaculação (teoria monospérmica). Assim,
o desenvolvimento começa com uma célula altamente especializada, o ovócito fertilizado ou zigoto, que é 
totipotente.
Totipotente
Pode dar origem a todos os tipos de células. 
Atenção
A vida existente desde a fecundação do óvulo deve ter seu desenvolvimento acompanhado ainda no
ventre materno. 
Fonseca (1998) relata que o desenvolvimento intrauterino é a base do desenvolvimento extrauterino, pois as
questões relativas à concepção e ao período pré-natal influenciam completamente no desenvolvimento da
criança.
Período pré natal
Período que vai da concepção ao nascimento. 
O desenvolvimento humano intrauterino é divido em
três períodos:
Período pré-embrionário – da concepção ao primeiro.
 
Período embrionário – do primeiro ao segundo mês.
 
Período fetal – dos 2 aos 9 meses.
Fases do desenvolvimento humano intrauterino.
Vamos detalhar cada um deles a seguir:
Período pré-embrionário
Este período abrange da primeira à terceira semana de gestação, da fecundação até o início do
desenvolvimento do sistema cardiovascular. Em meio a isso, surgem os processos de segmentação,
gastrulação e neurulação. A mistura cromossômica recebida pelos pais forma o zigoto. Com a mitose
(processo de divisão celular), ocorre a formação dos blastômeros, que se desenvolvem e se solidificam na 
mórula, transformando-se em uma cavidade com líquido chamada de blástula.
Mistura cromossômica
23 cromossomos da mãe + 23 cromossomos do pai = 46 pares de cromossomos = 2 pares sexuais
(genossomas) + 44 pares somáticos (autossomas)
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Desenvolvimento embrionário.
Saiba mais
Blastômeros“Qualquer uma das várias células resultantes das divisões iniciais do zigoto, que formam as
fases do embrião denominadas mórula e blástula.” Mórula“Estágio embrionário, caracterizado por uma
massa de células aglomeradas – [parecida com uma amora, o que originou seu nome] –, formadas por
mitoses sucessivas do zigoto. Em humanos, corresponde aos três ou quatro primeiros dias após a
fertilização.” Fonte: Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa 
Ao mesmo tempo em que a segmentação ocorre, o zigoto é rodeado de células nutritivas e vai sendo
empurrado até o útero. 
 
Ao chegar ao útero, a mórula lança secreções ricas em açúcar e sais – ação associada a uma ativação
hormonal à base de progesterona, que provoca a hipervascularização da mucosa uterina. 
 
O processo de especialização celular vai se operando por meio de mecanismos bioquímicos ativados
em nível do código genético. 
 
As células do trofoblasto (exteriores), que originam os anexos embrionários, segregam um líquido para
dentro da blástula, o qual permite a nidação (implantação) no útero. Essa ocorre, mais ou menos, sete
dias após a fecundação, que, em termos gerais, completa o período do zigoto ou período pré-
embrionário (FONSECA, 1998).
Saiba mais
Trofoblasto “Camada de células epiteliais que forma a parede externa da blástula dos mamíferos
(blastocisto) e atua na implantação e nutrição do embrião.” Fonte: Dicionário Eletrônico Houaiss da
Língua Portuguesa 
1. 
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3. 
4. 
Período embrionário
Neste período, que vai de três a oito semanas, formam-se os órgãos e os principais sistemas corporais.
Período embrionário - 8 semanas de gestação.
Nascem os olhos e as orelhas; na face, surge o lábio superior, o palatino, os maxilares e a língua.
No fim do segundo mês, surgem os primeiros movimentos. Os folículos pilosos e as glândulas
sudoríparas começam a crescer e a atuar. O coração pulsa com maior intensidade, os braços crescem, o
estômago e o fígado iniciam suas funções.
Atenção
Todas as estruturas que o recém-nascido vai apresentar já se encontram no embrião (FONSECA, 1998). 
Período fetal
Neste período, o desenvolvimento intrauterino que se observa do terceiro ao nono mês é o desenvolvimento
estatural, ponderal e motor. Fonseca (1998) relata as principais características do feto mês a mês de seu
desenvolvimento.
Feto – 3º mês.
No terceiro mês, surgem os movimentos de flutuação com fixação na âncora
do cordão umbilical. A boca entreabre-se, as inalações e sucções são
desencadeadas. O feto pode realizar uma enormidade de padrões de
comportamento, dentro, evidentemente, de um envolvimento líquido.
Feto – 4º mês.
No quarto mês, o feto já tem 24cm. Aparecem unhas nos dedos. A velocidade
do crescimento é máxima nesse período. Já é possível detectar o batimento
cardíaco e a estrutura da placenta aumenta de tamanho.
Feto – 6º mês.
No quinto e no sexto mês, o feto tem 31cm. Surgem o lanugo, as
sobrancelhas, as pestanas e o cabelo. O vernix seosa cobre a totalidade do
corpo, protegendo a pele, que se torna mais consistente. Ouve-se sons, e os
testículos saem das bolsas. Ocorre uma motilidade espontânea, ampla e lenta
de exploração da piscina uterina.
Feto – 9º mês.
No sétimo, oitavo e nono mês, há uma diferenciação de período de vigilância
e sonolência. O crescimento ponderal e estatural cresce segundo novas
proporções. A formação de gorduras protetoras da pele opera uma função
homeopática, já mais eficaz. O nascimento prematuro é viável. A motricidade
fetal pode ser detectada por uma simples palpação da parede abdominal e é
do tipo anfíbio. A respiração é mais regular, a hipotonia diminui, os reflexos
são mais vivos, rápidos e duráveis, e ocorrem sinergias tônico-reflexivas.
Saiba mais
LanugoLã, em latim, que cobre a maioria do corpo do feto. Vernix seosaSubstância gordurosa
esbranquiçada que lubrifica a pele do feto para facilitar o parto. Podemos fazer uma analogia com o
mecanismo protetor idêntico ao das espécies anfíbias. 
Saiba mais sobre esse último período do feto:
1. A “cambalhota” final, com a colocação cefálica, vai preparando o terreno para a ultrapassagem do
“estrangulamento público”, que culmina no parto. A postura predominante é caracterizada pela flexão da
coluna e pela flexão dos membros. Há que se ocupar o mínimo espaço uterino possível. Ocorre hipertonia ao
nível dos flexores e hipotonia nos extensores.2. Os movimentos espontâneos são mais amplos, o automatismo primário está prestes a funcionar, e as
recepções auditivas manifestam-se por reações tônico-motoras em cadeia. Há sinergia entre os olhos e a
cabeça. Por falta de espaço, a motricidade diminui. Separam-se as pálpebras, e os cabelos estão mais
desenvolvidos.
3. O desenvolvimento do sistema nervoso envolve a extensão dos axônios e a arborização dendrítica, bem
como a modificação das sinapses e a aquisição das bainhas protetoras de mielina, refletindo uma produção de
efeitos químicos mais ativada e adequada.
 
4. Ao fim dos 9 meses, a penugem cai em grande parte, e as proporções corporais harmonizam-se. O corpo
ajusta-se à forte compressão uterina. As contrações uterinas tendem a ser mais sensíveis à medida que se
aproxima o parto. Restam, agora, o rompimento da bolsa d’água, a queda do tampão mucoso e o início do
trabalho de parto. A adaptação da vida aérea acelera-se e consolida-se. O córtex ainda não é excitável, mas o
feto está maduro.
Após o nascimento, vem o chamado período neonatal, no qual há necessidade de o recém-nascido sobreviver
por si só.
 
 período neonatal
Período de transição da vida intrauterina, que corresponde às quatro primeiras semanas de vida do
bebê. 
Papalia e Olds (1998) afirmam que, antes de
nascer, a circulação sanguínea, a respiração, a
ingestão de nutrientes, a eliminação dos
dejetos e a regulação da temperatura eram
acompanhadas pelo corpo da mãe. Depois de
nascer, o bebê precisa efetuar todas essas
funções sozinho. “Nunca mais ele sofrerá
tamanha mudança para manter sua vida”
(PAPALIA; OLDS, 1998, p. 131). Saindo da
placenta (ambiente líquido) para a terra
(anbiente gasoso), o neonato terá de aprender
a sobreviver fora do ventre materno, crescendo
e se desenvolvendo dia a dia. As conquistas
são diárias!
Saiba mais
Segundo os estudiosos do evolucionismo, a conquista da bipedia trouxe ônus e bônus à evolução da
espécie. Um ponto de atenção é que, a partir desse momento, a mulher não pode mais carregar o feto
em gestação por um período maior que 42 semanas, o que faz com que o recém-nascido humano nasça
extremamente frágil se comparado com neonatos de outras espécies, mesmo os primatas (TONI et al.,
2004). 
Assim que um bebê nasce, o pediatra o examina para verificar seu bem-estar. É a primeira nota de sua vida, o
chamado Score de Apgar, que, segundo Holland (2004, p. 9): “é realizado no primeiro e no quinto minuto
depois do parto e alerta a equipe médica caso o bebê precise imediatamente de qualquer cuidado extra para
se adaptar ao novo ambiente”. Nele, são analisados:
 
Frequência cardíaca.
 
Respiração.
 
Tônus muscular.
 
Resposta reflexa.
 
Cor da pele.
 
O teste é um indicador de saúde geral do recém-nascido.
Ao nascer, a postura do neonato é a mesma de dentro do útero materno: fetal. Quanto à fisiologia do bebê, o
metabolismo do recém-nascido apresenta uma taxa basal duas vezes maior que a do adulto em relação a seu
peso corporal. Esse aumento se deve, em parte, ao aumento do gasto energético em função de débito
cardíaco (duas vezes maior) e ao volume respiratório por minuto (GUYTON, 1977).
 
Veja o quadro a seguir sobre as variáveis pré e pós-natal:
VARIÁVEIS PRÉ-NATAL PÓS-NATAL
1. Envolvimento Líquido amniótico. Gasoso (ar).
2. Temperatura
externa
Mais ou menos
constante.
Varia consoante às condições externas.
3. Fornecimento
de O2
Hemotrófico: difusão
através da barreira da
placenta.
Dos alvéolos para o sangue.
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VARIÁVEIS PRÉ-NATAL PÓS-NATAL
4. Nutrição
Realizada pelos
elementos nutritivos do
sangue da mãe.
Depende da alimentação que é fornecida
pelos adultos.
5. Eliminação dos
produtos
metabólicos
Através do sangue
maternal.
Eliminação pelos pulmões (CO2), pela
pele, pelos rins e pelos intestinos.
6. Estimulação
sensorial
Reduzida,
essencialmente tátil-
cinestésica e vestibular.
Interoceptividade.
Ampliada de acordo com a estimulação
social, envolvendo todas as modalidades
sensoriais: proprioceptivas e
telerreceptivas (audição e visão).
7. Atividade
motora
Significativa,
diversificada e viva.
Sinergias tônico-reflexas.
Movimentos
espontâneos.
Reflexos incondicionados e
deslocamentos passivos.
Movimentos indiferenciados.
Descargas tônicos-emocionais.
Dialéticas hipotenia-hipertonia,
satisfação-necessidade.
Quadro: Variáveis pré e pós-natal.
Extraída de Pugliese, 2018, p. 69.
Atenção
Entre as muitas adaptações sofridas pelo bebê ao nascer, apontou-se como principal a adaptação da
respiração ou a adaptação respiratória que o neonato tem de sofrer. Isso porque, uma transição bem-
sucedida do sistema respiratório e circulatório pulmonar do estado fetal para o neonatal determina a
sobrevida do recém-nascido. 
Infância e adolescência
A partir de agora, veremos duas fases com características marcantes do desenvolvimento humano: a infância
e a adolescência.
Infância
Partindo para as questões inerentes à infância, este período é marcado por mudanças regulares nos domínios
cognitivo, afetivo e motor, bem como por aumentos regulares de altura, peso e massa muscular.
Atenção
No início da infância, a taxa de crescimento desacelera, mas se mantém constante até a puberdade. 
Segundo Beresford (1999), o desenvolvimento da criança é uma complexa teia que envolve o desenvolvimento
biofísico/biológico, bioemocional/psicológico, biomoral/humano, biossócio/histórico e biotrancendente/
cósmico, em que um aspecto interfere no outro. Papalia e Olds (1998, p. 12) relatam que diferentes áreas “se
sobrepõem e interagem entre si durante toda a vida, já que o desenvolvimento em uma área afeta o
desenvolvimento nas outras”.
 
Relacionando essa complexa teia com o que a criança traz de informação genética mais as influências que ela
recebe do meio, Wallon (1989) acrescenta que, a cada idade, estabelece-se um tipo particular de interações
entre o sujeito e seu ambiente. Os espaços, as pessoas, a linguagem e a cultura formam o contexto do
desenvolvimento.
O meio transforma-se com a criança, assim como a
criança transforma-se com o meio.
A maturação também é uma condição essencial para que haja o desenvolvimento. Segundo Gesell e Amatruda
(2000), existem leis sobre o amadurecimento que explicam as tendências do desenvolvimento infantil, porém,
cada criança tem um ritmo característico de sua individualidade.
Adolescência
A adolescência ocorre a partir da transição da infância e é marcada por mudanças significativas que
influenciam no crescimento e no desenvolvimento. Quando entra na adolescência, o sujeito é afetado por uma
série de mudanças biológicas e sociais.
Mudanças expressivas acontecem nessa fase da vida: o estirão de crescimento, o início da puberdade e a
maturação sexual são marcadores biológicos primários da adolescência.
 
Alguns fenômenos culturais têm ocorrido nessa faixa etária. Segundo Gallahue e Ozmun (2013), o surgimento
da maturação sexual está cada vez mais prematuro, demonstrando uma redução na média de idade da
puberdade. Paralelo a isso, a dependência econômica se alongou.
Características genéticas e culturais de acordo com a faixa
etária
O desenvolvimento motor é a contínua alteração no comportamento motor ao longo da vida. Isso ocorre a
partir da influência dos aspectos biológicos do indivíduo, das condições do ambiente em que o indivíduo está
inserido e da necessidade da tarefa a ser cumprida (GALLAHUE; OZMUN, 2013).
A demanda gera o desenvolvimento, mas esse ocorre a
partir daquilo que o indivíduo é genética e
culturalmente.
O quadro a seguir demonstra as principais características observadas no crescimento e no desenvolvimento
de um ser humano sem nenhuma patologia associada:
Faixa etária Principais desenvolvimentos
Estágio pré-natal: da
concepção ao nascimento
A estrutura básica do corpo e dos órgãos se forma.
O crescimento físico é o mais rápido do ciclo vital.
A vulnerabilidade às influências do meio ambiente é
grande.
Infância: do nascimento aos
3 anos
O recém-nascido é dependente, mas competente.Todos os sentidos funcionam desde o nascimento.
O crescimento físico e o desenvolvimento das
capacidades motoras são rápidos.
A habilidade para aprender e lembrar está presente,
mesmo nas primeiras semanas de vida.
As ligações afetivas aos pais e aos outros se formam
próximo ao final do primeiro ano.
A autoconsciência desenvolve-se no segundo ano.
A compreensão e a fala se desenvolvem rapidamente.
O interesse por outras crianças aumenta.
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Faixa etária Principais desenvolvimentos
Infância: dos 3 aos 6 anos
A família ainda é o foco da vida, embora outras
crianças comecem a se tornar mais importantes.
As habilidades motoras fina e geral e a força
aumentam.
O jogo, a criatividade e a imaginação se tornam mais
elaborados.
A imaturidade cognitiva leva a muitas ideias “não
lógicas” sobre o mundo.
O comportamento é bastante egocêntrico, mas a
compreensão da perspectiva de outras pessoas
evolui.
Infância: dos 6 aos 12 anos
Os companheiros assumem importância central.
As crianças começam a pensar de modo lógico,
embora bastante concretamente.
O egocentrismo diminui.
As habilidades de memória e linguagem aumentam.
Os ganhos cognitivos aprimoram a habilidade para se
beneficiar da escolarização formal.
O autoconceito se desenvolve, afetando a autoestima.
O crescimento físico é mais lento.
A força e as capacidades atléticas se aprimoram.
Adolescência: dos 12 até
cerca de 20 anos
As mudanças físicas são rápidas e profundas.
A maturidade reprodutiva é atingida.
A busca pela identidade se torna central.
Grupos de colegas ajudam a desenvolver e a testar o
autoconceito.
A habilidade para pensar abstratamente e usar o
raciocínio científico se desenvolve.
O egocentrismo adolescente persiste em alguns
comportamentos.
O relacionamento com os pais geralmente é bom.
Quadro: Principais desenvolvimentos na infância e na adolescência.
Adaptado de Papalia e Olds, 1998, p. 23.
Crescimento, desenvolvimento e maturação
A especialista Rossana de Vasconcelos Pugliese Vito apresenta os conceitos principais de crescimento,
desenvolvimento e maturação:
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Conteúdo interativo
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Verificando o aprendizado
Questão 1
1. Analise as afirmativas a seguir sobre crescimento e desenvolvimento humano:
I. Alguns autores tratam o crescimento e o desenvolvimento como sinônimos, mas são
processos diferentes.
II. O crescimento envolve o aumento de massa corporal (tamanho e superfície), resultante da
incorporação de substâncias que aumentam o tamanho das células.
III. Desenvolvimento e crescimento são conceitos afins.
Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s):
A I somente.
B I e II.
C III somente.
D II somente.
E II e III.
A alternativa B está correta.
Os termos “crescimento” e “desenvolvimento” não são sinônimos. Esse entendimento é fruto de um grande
erro conceitual. O crescimento envolve aspectos concretos, ganhos possíveis de mensurar, vistos a olho
nu. Já o desenvolvimento envolve aspectos abstratos de ganhos no comportamento.
Questão 2
Analise as afirmativas a seguir sobre as idades cronológica e biológica:
I. A idade cronológica é capaz de mostrar há quanto tempo o indivíduo nasceu, mas, como
índice de envelhecimento, ela é falha, pois a idade biológica nem sempre lhe corresponde.
II. O índice que mensura a idade de cada indivíduo não pode ser a idade biológica.
III. A idade biológica do indivíduo fornece a taxa relacionada à maturidade.
Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s):
A I somente.
B I e II.
C III somente.
D II e III.
E I e III.
A alternativa E está correta.
A idade cronológica é uma contagem de tempo (tempo cronos), enquanto a idade biológica é uma
contagem diante das mudanças de seus processos..
2. Habilidade e capacidade motora
Aquisição de habilidades e capacidades motoras
O termo motor refere-se ao desenvolvimento dos fatores biológicos e mecânicos que influenciam o
movimento. No entanto, raramente, é usado sozinho, servindo de prefixo ou sufixo em diversos termos.
 
Já a capacidade motora é uma qualidade do indivíduo relacionada a sua capacidade funcional, o que envolve
qualidades físicas definidas geneticamente.
Saiba mais
Historicamente falando, a informação antes aceita de uma capacidade motora geral foi impugnada. Tal
fato representa uma grande evolução científica. 
Ter capacidade superior em uma área não garante capacidade similar em outras. O desenvolvimento
motor é algo [extremamente] específico. O conceito antiquado de que a pessoa tem ou não tem
capacidade em situações de movimento foi substituído pelo conceito de que cada um tem
potencialidades específicas dentro de cada uma das muitas áreas do desempenho.
GALLAHUE; OZMUN, 2013, p. 23
Em outras palavras, ninguém é bom em tudo!
A habilidade motora é uma tarefa ou ação de movimento voluntária realizada pelo corpo, que pode ser
aprendida e dirigida para uma finalidade (GALLAHUE; OZMUN, 2013).
 
Veja o quadro a seguir com os termos usados no desenvolvimento motor:
Comportamento
motor
Estudo de alterações no aprendizado motor, controle motor e
desenvolvimento motor, realizadas pela interação do aprendizado e
dos processos biológicos.
Controle motor Mudanças neurais e físicas na performance de tarefas isoladas.
Aprendizado motor Mudanças envolvendo a aquisição e o refinamento de habilidades de
movimento.
Aptidão física
Habilidade de realizar atividade física, combinada com a constituição
genética do indivíduo e com a manutenção da adequação nutricional.
Pode ser subdividida em componentes relativos à saúde (resistência
cardiovascular, resistência muscular, força muscular, flexibilidade e
composição corporal) e relativos à performance (velocidade,
potência, agilidade, equilíbrio e coordenação).
Desenvolvimento
motor
Alterações progressivas do comportamento motor, no decorrer do
ciclo da vida, realizadas pela interação entre as exigências da tarefa,
a biologia do indivíduo e as condições do ambiente.
Motor Fatores que afetam o movimento.
Movimento Ato observável de se mover.
Padrão motor Processos biológicos e mecânicos comuns.
Padrão de
movimento
Série organizada de movimentos relacionados (por exemplo, um
padrão lateral do braço).
Padrão motor
fundamental Processo comum de movimentos básicos.
Padrão de
movimento
fundamental
Série organizada de movimentos básicos (por exemplo, empurrar).
Habilidade motora
Processo comum de ganho de controle do movimento voluntário do
corpo, dos membros ou da cabeça (também chamado de “tarefa” ou
“ação”).
Habilidade de
movimentos
especializada
Forma, precisão e controle no desempenho de um movimento (por
exemplo, derrubar um objeto que se arremessou em sua direção ou
rachar lenha).
Habilidade esportiva
Combinação de um padrão de movimento fundamental com forma,
precisão e controle no desempenho de uma atividade relacionada ao
esporte (por exemplo, rebater no beisebol ou no softbol).
Educação motora
Processo permanente de alteração do comportamento motor que se
realiza em função de fatores ambientais específicos de
oportunidades para a prática, de encorajamento, instrução e da
ecologia (isto é, o contexto) do ambiente (por exemplo, alteração nas
habilidades de derrubar no decorrer do tempo).
Conceituação dos termos comumente usados no desenvolvimento motor.
Quadro: Adaptado de Gallahue e Ozmun, 2013, pág. 32.
Genótipo: fatores genéticos no desenvolvimento de
habilidades motoras
Todos somos produtos de estruturas genéticas específicas e das experiências que acumulamos desde a
fecundação. Desse modo, a interação entre atividade física, genética e nutrição sugere os limites máximo e
mínimo da aptidão física que podem ser esperados de um indivíduo.
1. A união do óvulo e do espermatozoide marca o ponto da concepção e a determinação da herança genética
da pessoa. A mãe e o pai contribuem, cada um com 23 cromossomos.
 
2. Os dois núcleos celulares alinham-se lado a lado,por algumas horas, depois se fundem e formam o zigoto.
3. As heranças genéticas, tanto da mãe quanto do pai, são transferidas para essa única célula. É nesse
instante que o potencial genético se determina.
Cromossomos
Estruturas em forma de barra, existentes nas células, que carregam todas as informações genéticas do
indivíduo. 
A estrutura genética determina o nível extremo de
aptidão física que pode ser obtido (GALLAHUE; OZMUN,
2013).
Atenção
A aptidão física é resultado da constituição genética do indivíduo somada à boa nutrição. A herança
genética controla os limites mínimo e máximo do funcionamento do comportamento motor. 
Fenótipo: fatores ambientais no desenvolvimento de
habilidades motoras
Sobre a relação social das crianças, é importante sinalizar que (BARROS, 1987):
 
Entre os 4 ou 5 meses, um bebê nota outros bebês e pode vir a sorrir para eles.
 
Aos 8 ou 9 meses, pode tentar se relacionar com outro bebê a partir de um brinquedo e fica atento ao
choro de outras crianças.
 
Aos 9 ou 10 meses, o bebê já é capaz de imitar os movimentos de outro bebê, mas não dá seu
brinquedo a ele.
Muitos estudos sobre a necessidade de socialização dos bebês foram desenvolvidos. Com base nesses
estudos, é possível afirmar que o processo de socialização dos pequenos é iniciado por meio de mecanismos
de identificação, a partir dos quais se inicia a formação de esquemas em direção aos processos cognitivos
iniciais.
 
Esse conceito de associação/identificação só se refere a um lugar exterior entre os elementos associados, ao
passo que a “ideia de assimilação implica a integração dos dados a uma estrutura anterior ou mesmo a
constituição de uma nova estrutura sob a forma elementar de um esquema” (PIAGET, 2002, p. 12). O
desenvolvimento da criança possui um constante estado de equilíbrio/desequilíbrio, é um processo dinâmico,
fruto do próprio desenvolvimento.
• 
• 
• 
Saiba mais
“A maneira como o ambiente doméstico da criança se comporta para com ela tem também a sua
influência” (GESELL; AMATRUDA, 2000, p. 266). 
Quando os pais compreendem o temperamento de seus filhos como seu estado de desequilíbrio/equilíbrio,
podem ajudar mais em seu desenvolvimento, equilibrando o ambiente ao redor da criança.
Atenção
O meio é um fator de influência para equilibrar e desequilibrar, pois o comportamento dos bebês varia
conforme o ambiente a seu redor e as interações sociais. Isso tende a se transformar de acordo com a
idade. 
Os estudos realizados sobre o comportamento social do ser humano observam as primeiras relações sociais
do bebê, ou seja, sua ligação afetiva com a mãe. Várias teorias sobre Psicologia do Comportamento afirmam
que essa ligação com a mãe, por meio da amamentação (alimentação), de cuidados e da preservação da vida,
é, sem dúvida, seu primeiro contato social. No decorrer da vida, a influência do meio é interminável!
 
Conforme Alcock (2011), o ser humano é um organismo que demanda do ambiente e é sensível a ele. O
desenvolvimento comportamental é um processo de interação entre informação genética e influências
ambientais, tanto internas quanto externas.
A hereditariedade tem uma influência marcante e limitada, mas o meio, também marcante, não é limitado, pois,
desde o nascimento até a morte, o indivíduo é influenciado pelo ambiente em que vive. Assim, tanto a
maturação quanto o aprendizado desempenham papéis importantes na aquisição das habilidades de
movimento.
A experiência pode afetar o surgimento dos
movimentos e o nível de seu desenvolvimento
(GALLAHUE; OZMUN, 2013).
Para que isso ocorra, é fundamental que a criança possa ser oportunizada a praticar as habilidades quando
estiver pronta em termos desenvolvimentais, para tirar o maior benefício delas. Antes da prontidão
maturacional, não haverá benefícios.
Resumindo
Para que haja aprendizagem motora, é necessária uma análise prévia sobre em que fase está o
desenvolvimento motor, o qual implica a compreensão dos fatores genéticos, ambientais e
maturacionais. Hoje, tanto a privação quanto a estimulação têm potencial para influenciar o ritmo do
desenvolvimento (GALLAHUE; OZMUN, 2013, p. 90). 
O que são habilidades motoras?
A especialista Rossana de Vasconcelos Pugliese Vito esclarece os conceitos de habilidade motora e sua
importância fundamental no universo da aprendizagem motora:
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Verificando o aprendizado
Questão 1
1. Analise as afirmativas a seguir sobre a habilidade motora:
I. A experiência pode implicar o surgimento dos movimentos e o nível de seu desenvolvimento.
II. Antes da maturação, já há benefícios.
III. Aprendizado e maturação são importantes na aquisição das habilidades de movimento.
Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s):
A I somente.
B I e III.
C III somente.
D II somente.
E II e III.
A alternativa B está correta.
Antes da prontidão maturacional, nada se desenvolve. Afinal, a maturação é condição básica para o
desenvolvimento humano.
Questão 2
Analise as afirmativas a seguir sobre a aptidão física:
 
I. Pode ser subdividida em componentes relativos à saúde – resistência muscular localizada,
força muscular, composição corporal, flexibilidade e resistência cardiovascular.
II. Possui cinco componentes relativos à performance – coordenação, equilíbrio, agilidade,
velocidade e potência.
III. Seus componentes são velocidade, composição corporal, flexibilidade e potência.
Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s):
A I somente.
B I e II.
C III somente.
D II e III.
E I e III.
A alternativa B está correta.
Compreender a subdivisão da aptidão física é um bom indicador para planejar o desenvolvimento, a
aprendizagem, o controle e o posterior desempenho motor.
3. Prática de intervenção profissional 
Neurociência do exercício
A Neurociência é a ciência que estuda o Sistema Nervoso Central (SNC) e o Sistema Nervoso Periférico (SNP),
integrada com as bases cerebrais da mente e do comportamento humano, diante dos estudos do
conhecimento científico entre a mente e o cérebro, a consciência e a cognição, para entender as questões da
aprendizagem e o comportamento humano (RELVAS, 2017).
 
O sistema nervoso tem como função receber e transmitir impulsos elétricos. Ele é dividido em Sistema
Nervoso Central (SNC), formado pelo encéfalo e pela medula espinhal, e Sistema Nervoso Periférico (SNP),
constituído por nervos e gânglios.
Sistema nervoso.
O tecido nervoso é composto, principalmente, por: neurônios, células com longos prolongamentos e células da
glia ou neuroglias, que sustentam os neurônios e participam de outras funções importantes.
A glia é constituída por células não neurais que auxiliam os neurônios, formando uma cobertura que circunda e
isola os axônios por uma barreira chamada bainha de mielina, cuja função é transmitir os impulsos nervosos.
Existem, ainda, células gliais, que nutrem, sustentam e protegem os neurônios.
Neurônios aferentes 
Os neurônios aferentes são os responsáveis
por levar informações do SNP para o SNC.
Neurônios eferentes 
Os eferentes transmitem informações
do SNC para o SNP.
Para compreender a comunicação entre SNC e SNP e
sua relação com o comportamento motor, é necessário
compreender o conceito de integração sensorial,
implícito na diferenciação entre sensação e percepção.
Inervação do SNP em comunicação com o SNC – caminho percorrido por todas as
sensações.
O que são sensações?
A palavra sensação vem do latim sentio, que significa ter ou experimentar pelos sentidos. Portanto, as
sensações são os sentimentos, aquilo que se manifesta como reações neurovegetativas. Elas estão divididas
em três grupos:
Sensações.
Interoceptivas
Sensações oriundas do meio interno do organismo, que asseguram a regulação das necessidades
elementares. São elas que expressam fome, estados de tensão, satisfação etc.
Proprioceptivas
Sensações oriundas das informações sobre a posição do corpo no espaço e sobre as posturas,
garantindo a regulação dos movimentos. Estão vinculadas aos receptoresperiféricos, ou seja,
músculos e articulações – canais semicirculares que informam as mudanças da posição no espaço.
Exteroceptivas
Sensações oriundas do mundo exterior, ou seja, olfato, visão, audição, tato e paladar.
O que são percepções?
A palavra percepção vem do latim percepiere, que significa se apoderar, movimento de colher. As percepções
surgem a partir das sensações.
Exemplo
A sensação do frio para todos nós é a mesma – fria –, mas sua percepção é subjetiva, isto é, para alguns,
agradável e, para outros, nem tanto. 
Merleau-Ponty (1999) afirma que um dos prejuízos da humanidade, em especial, na análise das filosofias
clássicas, é relacionar sensação e percepção como sinônimos. Para ele, a sensação ocorre pelos órgãos dos
sentidos e possui qualidades primárias e secundárias. É o juízo de uma realidade concreta, o visível: “A
sensação pura será a experiência de um ‘choque’ indiferenciado, instantâneo e pontual” (MERLEAU-PONTY,
1999, p. 23).
 
Já a percepção é a maneira pela qual somos afetados, é um estado de nós mesmos, é a interpretação daquilo
que sentimos, pois olhar sem sentir é não perceber a essência do que observamos. Assim, o sentido do que
vemos é a essência, é o fenômeno, é o invisível (MERLEAU-PONTY, 1999, p. 23).
As conexões entre sensação e percepção, em especial, a
compreensão do conceito de percepção, são frutos dos
estudos do psiquismo. Para entendermos isso, vamos
voltar um pouco na história do corpo.
Antes de interpretar os aspectos psíquicos da Psicomotricidade, é preciso compreender o ser humano por
meio de seu corpo, em conexão com seu mundo interno e externo. Vejamos como esse processo ocorre.
Sensações 
As sensações são as informações como
são.
Percepções 
Já as percepções passam por um
processamento, no qual são
organizadas e analisadas a partir de
nossas experiências anteriores, o que
gera um olhar subjetivo.
Integração sensorial.
Os órgãos do sentido são responsáveis por levar as informações sensoriais para o SNC, são as vias sensitivas
por meio dos neurônios aferentes que direcionam as informações para o SNC. De lá, as informações
processadas produzem respostas motoras que, por meio das vias motoras e dos neurônios eferentes, dão o
estímulo necessário ao sistema muscular.
Atenção
Os neurônios motores são células que controlam as atividades dos músculos esqueléticos. As fibras
musculares esqueléticas são inervadas diretamente pelos neurônios motores inferiores. Os neurônios na
região espinhal interagem e determinam as informações transmitidas pelos neurônios motores inferiores
aos músculos. 
Sendo assim, a integração sensorial só ocorre pela comunicação neurológica entre SNC e SNP, entre o
processamento da sensação para a percepção e consequente resposta.
Assim, o movimento é produzido. Do processamento da
sensação até a resposta motora há um longo caminho
biológico. Para compreender esse caminho, trataremos,
a seguir, do funcionamento cerebral.
Funcionamento cerebral
Existem inúmeras teorias sobre como ocorre a organização funcional do cérebro humano, dentre elas, a teoria
de Alexander Luria, que descreveu um modelo no qual o cérebro humano opera a partir de unidades
funcionais que trabalham em conjunto em prol de uma função complexa, independentemente de sua
distribuição.
 
“Luria apresenta uma alternativa à questão tão debatida das localizações cerebrais, distinguindo a função
como funcionamento de um tecido particular e a função como sistema funcional complexo” (LURIA, 1980 apud
FREITAS, 2006, p. 91-92). Ele relata que os processos mentais são sistemas funcionais complexos.
 
Luria pensou o Sistema Nervoso Central estruturado de modo hierarquizado e verticalizado. As estruturas
superiores são dependentes das estruturas inferiores. Quanto mais superior, mais elaborada a função.
Alexander Luria
(1902-1907) Grande pesquisador, médico e psicólogo russo, que trabalhou com o psicólogo bielo-russo
Lev Vygotsky (1896-1934), por quem tinha grande admiração. Foi um dos pioneiros da ciência do
sistema nervoso. Suas pesquisas inauguraram um novo capítulo do estudo do cérebro e da função
interna de funcionamento, introduzindo um novo ramo científico, chamado de Psiconeurologia.Dentre os
muitos legados deixados por ele, a formulação do conceito de neuroplasticidade foi um dos mais
extraordinários para a humanidade. 
Segundo Luria (1984), o cérebro contém
sistemas individuais que fornecem as
condições para operacionalizar a atividade
mental superior, a qual antecede a conduta
consciente humana.
 
O autor começa a abordar a noção de função
como um sistema complexo e plástico, que,
para realizar uma tarefa particular, utiliza um
grupo de componentes diferentes e
permutáveis. Qualquer que seja a tarefa, trata-
se de uma atividade conjunta de níveis corticais e subcorticais que se retroalimentam em um processamento
simultâneo.
Comentário
Essa visão das relações entre cérebro e comportamento permite encarar a lesão cerebral de modo
diferente dos estudos anteriores. Isso poque, aqui, a função é distribuída por várias zonas do cérebro, o
que faz com que uma lesão produza um efeito distinto no comportamento. Assim, o efeito da lesão atua
como elemento de desorganização do sistema de trabalho das diferentes áreas dispersas e interativas. 
De acordo com Luria (1984), a reabilitação da função não é atribuída à regressão ao estágio anterior de
organização nem à transferência de função para um novo centro, mas sim, a uma reorganização estrutural de
um novo e dinâmico sistema, englobando informações superiores e inferiores, corticais e subcorticais.
 
Segundo Fonseca (2012), Luria introduziu a noção de organização sistêmica, que ajuda a explicar a
reabilitação da função, em especial, nas crianças e jovens e, assim como Vygotsky, reforçou que as formas
superiores de atividade mental têm sua gênese nas questões sócio-históricas e culturais, as quais emergem
no desenvolvimento da motricidade e da linguagem, guiando e organizando a atividade psíquica superior, ou
seja, a atividade do próprio cérebro.
 
Vejamos alguns objetos de estudo de Luria (1984) que refletem na motricidade e na linguagem humana:
 
• Estrutura interna da atividade mental.
 
• Organização dos diferentes componentes que contribuem para a estrutura final da atividade mental
 
• Análise da atividade psicológica humana que está por trás da ação propriamente dita.
 
Ao abordar a noção de função como um sistema complexo e plástico, Luria (1984) aponta que as condições
para a operacionalização das atividades mentais superiores que antecedem toda conduta consciente humana
estão diretamente vinculadas a esses sistemas do cérebro. As funções psicomotoras e os substratos
neurológicos utilizados por elas passam a ser vistos como sistemas organizados, dinâmicos e complexos.
Atenção
Ausentes no instante do nascimento, as zonas de trabalho responsáveis pela atividade cognitiva
complexa (psicomotora ou simbólica) são encadeadas estruturalmente durante o processo de
desenvolvimento. Toda aquisição cognitiva da criança – postura bípede, manipulação práxica
(manipulação de alguns objetos com as mãos), compreensão auditiva, fala, leitura, escrita etc. – é
consequência de uma atividade simultânea e integrada dos centros de trabalho dispersos no cérebro. 
Do mesmo modo que não podemos desvincular a
linguagem gestual, a comunicação não-verbal
emocional e mímica, a atenção, a percepção, a
memória e o pensamento da linguagem falada, não
podemos estudar a motricidade humana de forma
isolada. Afinal, para que ela ocorra, deve haver a
organização do tônus de repouso e de ação, o controle
postural, a regulação vestibular antigravitacional e
espacial, a noção do corpo e sua relação com o espaço,
a memória e as aferências do meio.
Unidades funcionais do cérebro
Para Luria (1984), o cérebro é composto de múltiplas estruturas funcionais, que estão sistematicamente
integradas em três grandes unidades funcionais fundamentais, as quais participam de todo tipo de atividade
mental, seja nomovimento voluntário, na elaboração práxica e psicomotora, seja na produção da linguagem
falada ou escrita.
 
As três unidades funcionais de Luria (1984) são:
Primeira unidade funcional
Regular o tônus cortical e a função de vigilância.
Segunda unidade fundamental
Obter, captar, processar e armazenar informações vindas do mundo exterior.
Terceira unidade fundamental
Programar, regular e verificar a atividade mental.
A atividade mental do ser humano, em geral, e sua atividade consciente, em particular, acontecem a partir da
participação conjunta das três unidades funcionais fundamentais. Cada uma delas tem sua função no
processamento mental materializado no comportamento humano.
 
Segundo Fonseca (2012), cada uma das três unidades funcionais básicas apresenta uma estrutura
hierarquizada em três zonas corticais, organizadas verticalmente. São elas:
Estrutura hierarquizada em três zonas corticais.
Projeção
Recebe e emite os impulsos para a periferia.
Projeção-associação
Processa a informação integrada e prepara os programas.
Sobreposição
Organiza as formas mais complexas de atividade, exigindo a participação conjunta de muitas áreas
corticais – razão pela qual é a última estrutura a se desenvolver em termos filogenéticos e
ontogenéticos.
Atenção
A diferenciação estrutural de unidades funcionais atinge graus de progressiva organização. 
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Primeira unidade
Sobre a primeira unidade, para o desenvolvimento humano, o estado de alerta e vigilância é fundamental.
Além disso, certo nível tônico cortical é imprescindível a qualquer atividade mental, da mesma forma que certo
nível tônico postural é imprescindível ao movimento voluntário.
 
Esta unidade se estrutura a partir do tronco encefálico, o qual fica localizado entre a medula e o cérebro. A
primeira função do tronco cerebral é a regulação do ciclo sono-vigília em estados atencionais.
Saiba mais
O aumento e a modulação da vigilância foi uma necessidade para a sobrevivência da espécie humana,
da filogênese à ontogênese. A preparação para o inesperado é uma condição de sobrevivência ainda
hoje. A adaptação e a superação de situações inesperadas necessitam de uma mobilidade energética,
compatível com a modificação tônica ocorrida nas respostas adaptativas. Sem uma modulação tônica,
nem a atividade mental nem a atividade corporal que lhe dá suporte podem se desenvolver (FONSECA,
2012). 
A primeira unidade funcional está localizada no tronco
cerebral, no diencéfalo e nas regiões médias do córtex.
Segunda unidade
A segunda unidade é específica em termos de modalidade sensorial, capaz de receber informações visuais,
auditivas, gustativas, olfativas, vestibulares e tátil-cinestésicas. É o grande sistema de recepção (input),
análise e armazenamento oriundo do mundo exterior e do mundo interno ao indivíduo, que reúne um
mecanismo sensorial específico dos processos gnósicos, ou seja, instrumentos perceptivos. É nessa unidade
que as sensações, após serem processadas, transformam-se em percepções. Isso é o processo gnósico!
 
É na segunda unidade funcional que ocorrem a sensação e a percepção a partir dos sentidos (interoceptivos,
exteroceptivos e proprioceptivos). Cabe a ela receber e analisar as informações que chegam dos órgãos
sensoriais, interpretando-as e lhes atribuindo significado. São os chamados processamento, interpretação,
organização e armazenamento das informações.
A segunda unidade funcional está localizada nas
regiões posteriores e laterais do neocórtex, que
representa a convexidade superficial dos hemisférios
cerebrais.
Terceira unidade
A terceira unidade é responsável por programar, regular e verificar, ou seja, organizar a atividade consciente.
O córtex frontal participa da preparação dos processos de ativação que surgem com as formas mais
complexas de atividade consciente.
 
Segundo Fonseca (2012), o desenvolvimento dessa terceira unidade funcional está associado à progressiva
corticalização das funções de programação, regulação e verificação das atividades conscientes – funções
inseparáveis da linguagem, que é o maior regulador do comportamento humano.
A terceira unidade funcional (córtex anterior) é
responsável pela regulação da resposta e da ação
motora. Ela está localizada na região do córtex anterior,
exatamente à frente do sulco central, formando os
lóbulos frontais.
Atenção
As três unidades apresentam atividade hierarquizada, mas, dialeticamente, são recíprocas, colocando
em prática a atividade de uma unidade em interação com as outras. 
Desenvolvimento, aprendizagem, controle e desempenho
motores
O processo de desenvolvimento motor é o resultado das características pessoais do indivíduo (aspectos
biológicos) somado a suas experiências e necessidades.
De acordo com Gallahue e Ozmun (2013), são três os fatores a serem considerados para análise operacional
da causa do desenvolvimento motor: indivíduo, ambiente e tarefa.
 
A interação entre as necessidades da tarefa, a biologia do indivíduo e as condições do ambiente alteram
continuamente o comportamento motor de um indivíduo durante seu ciclo da vida, ocasionando seu
desenvolvimento motor.
 
O desenvolvimento motor também pode ser definido como o estudo das mudanças que ocorrem no
comportamento motor humano durante as várias fases da vida. É um processo sequencial e contínuo que se
relaciona com a idade, mas não depende exclusivamente dela, podendo ser mais rápido ou mais lento, algo
ordenado.
Resumindo
Determinado avanço serve de base para a aquisição seguinte, de maneira irreversível, ordenada e
controlada. Essas mudanças no comportamento motor são o resultado das interações entre o indivíduo e
o ambiente. Isso inclui aspectos físicos, sociais, afetivos e cognitivos. 
No ensino de habilidades motoras, uma área que investiga fatores que auxiliam no processo de
aprendizagem é a área da aprendizagem motora. Dentre os fatores investigados estão as formas de
fornecer informação prévia à prática, o estabelecimento de metas a serem atingidas durante a prática, as
formas de correção após a prática e, por último, a prática propriamente dita. As formas de fornecer
informação prévia à prática do gesto motor podem ser a instrução verbal e a demonstração.
UGRINOWITSCH; BENDA, 2011, p. 25
A aprendizagem motora pode ser apresentada em dois processos fundamentais: estabilização e
adaptação. O primeiro é aquele em que se busca, como a própria palavra indica, a estabilidade funcional,
que resulta na padronização espacial e temporal do movimento, isto é, na formação de uma estrutura.
Movimentos inicialmente inconsistentes vão sendo gradativamente refinados até se alcançar padrões de
movimento precisos e consistentes. Nesse processo, o elemento fundamental é o feedback, ou seja,
mecanismo de redução do erro. O segundo é aquele em que se procura adaptações às novas situações
ou tarefas motoras (perturbação), mediante a aplicação das habilidades já adquiridas. Nesse processo,
exigem-se modificações na estrutura da habilidade já adquirida e sua posterior reorganização em um
nível superior de complexidade. Existem perturbações para as quais a adaptação se faz pela flexibilidade
inerente à estrutura adquirida, ou seja, pela mudança de parâmetros do movimento. Entretanto, existem
perturbações de tal nível que, por mais que haja disponibilidade na estrutura, não há condições de
adaptar-se. Nesse caso, exige-se uma reorganização da própria estrutura, que, quando concluída,
reflete uma mudança qualitativa do sistema.
TANI, 2000, p. 56
O controle motor está relacionado ao sistema nervoso,
responsável por controlar músculos e nervos, bem
como por coordenar movimentos e permitir as
sensações necessárias para o desenvolvimento motor.
Comentário
Compreender o funcionamento do sistema nervoso é fundamental para entender como o
desenvolvimento motor ocorre e como utilizamos diversos parâmetros, como idade, sexo e
características físicas e motoras, para ampliar nossos estudose o conhecimento necessário para uma
intervenção profissional que efetivamente favoreça a aprendizagem e o controle motor. 
No estudo do movimento humano, o desempenho motor está relacionado a fatores biológicos e mecânicos
que influenciam o movimento, o que remete à necessidade de um ambiente que encoraje, assegure e favoreça
o desenvolvimento motor, ou seja, a interação social com aqueles que “cuidam” das crianças.
 
A prática da atividade física no decorrer do ciclo da vida é imprescindível por motivos bastante peculiares a
cada ciclo. Vejamos sua relevância em cada fase de desenvolvimento:
Ciclo inicial
Neste ciclo, a atividade física é capaz de apresentar o mundo ao bebê a
partir das sensações absorvidas pelo próprio corpo. À medida que os
bebês crescem, conhecendo o mundo pela perspectiva sensório-motora,
seus corpos desenvolvem-se.
Infância
A infância chega e, ainda a partir do corpo e da atividade física, a criança
torna-se mais saudável do ponto de vista físico; mais inteligente e
equilibrada do ponto de vista psicoemocional; capaz de se comunicar
melhor do ponto de vista da socialização.
Adolescência
Para os adolescentes, a atividade física é capaz de oferecer o equilíbrio
biológico e emocional, tão necessários nessa fase turbulenta dos
organismos, inicialmente, amenizando os efeitos da puberdade.
Fase adulta
Nesta fase, a atividade física auxilia na manutenção da saúde física e
mental. As atividades desenvolvidas podem ser uma continuidade
daquelas praticadas em fases anteriores, ou podem representar novas
aprendizagens e descobertas.
Velhice
A atividade física desacelera o processo de envelhecimento, muitas
vezes, resgatando a autonomia.
O corpo desenvolve o comportamento motor naturalmente, de acordo com as necessidades de cada fase da
vida. Quando há a necessidade de um novo aprendizado motor, o comportamento motor modifica-se, porque
aprendeu algo novo, e, assim, mais uma vez, o desenvolvimento acontece. Isso ocorre a partir do
desenvolvimento e aperfeiçoamento das habilidades motoras.
Atenção
A aprendizagem e o controle motor podem ser mais exigidos para gestos motores muito elaborados.
Quando isso ocorrer, o objetivo será o desempenho motor. 
Desencadeamento de estruturas.
Como funciona a aquisição de habilidades motoras?
A especialista Rossana de Vasconcelos Pugliese Vito esclarece o processo de desenvolvimento,
aprendizagem e controle motor:
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Analise as afirmativas a seguir sobre os conceitos de sensação e percepção:
I. Ambos os conceitos são sinônimos.
II. Se tenho calor, é sensação e, se essa experiência é insuportável para mim, é percepção.
III. Se tenho calor, é percepção e, se essa experiência é insuportável para mim, é sensação.
Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s):
A I somente.
B II somente.
C III somente.
D I e II.
E II e III.
A alternativa B está correta.
A sensação é igual para todas as pessoas. Já a percepção é individual, é subjetiva.
Questão 2
Analise as afirmativas a seguir sobre a primeira unidade funcional do cérebro proposta por
Luria (1984):
I. O desenvolvimento do tônus é irrelevante para o movimento voluntário.
II. A atividade mental depende de um nível tônico cortical.
III. Alerta e vigilância são estados essenciais ao desenvolvimento.
Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s):
A I somente.
B II somente.
C III somente.
D I e II.
E II e III.
A alternativa E está correta.
A maturação do tônus representa a maturação da primeira unidade funcional. Para que ela ocorra, o tronco
encefálico deve estar amadurecido, permitindo a passagem das informações sensoriais.
4. Conclusão
Considerações finais
O desenvolvimento motor saudável deve-se à prática da atividade física no decorrer do ciclo da vida. O
exercício físico é proporcionado por meio das intervenções dos profissionais de Educação Física, os quais
devem utilizar como ferramenta de seu planejamento o estímulo às habilidades motoras.
Podcast
Agora, a especialista Rossana de Vasconcelos Pugliese Vito encerra o conteúdo resumindo o conteúdo
trabalhado.
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Explore+
Para se aprofundar nos assuntos estudados, sugerimos as seguintes leituras:
 
FONSECA, V. Desenvolvimento psicomotor e aprendizagem. Porto Alegre: Artmed, 2008.
 
GALVÃO, I. Henri Wallon: uma concepção dialética do desenvolvimento infantil. Petrópolis: Vozes, 1998.
 
MOSS, I. R. Considerações fisiológicas. In: OSKI, F. A. et al. (org.). Princípios e prática de pediatria. Rio
de Janeiro: Guanabara Koogan, 1992.
 
TANI, G.; CORRÊA, U. C. Aprendizagem motora e o ensino do esporte. São Paulo: Blucher, 2016.
Referências
ALCOCK, J. Comportamento animal: uma abordagem evolutiva. Porto Alegre: Artmed, 2011.
 
BARROS, C. S. G. Pontos de psicologia do desenvolvimento. 2. ed. São Paulo: Ática, 1987.
 
BERESFORD, H. Valor: saiba o que é. Rio de Janeiro: Shape, 1999.
 
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WALLON, H. As origens do pensamento na criança. São Paulo: Manole, 1989.
	Introdução à aprendizagem e controle motor
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Objetivos
	Introdução
	O profissional que trabalha com o corpo em movimento precisa compreender a origem do movimento, suas possibilidades naturais de funcionamento (desenvolvimento motor), a aquisição de novos gestos motores (aprendizagem motora) e o aperfeiçoamento deles (controle motor).
	1. Funcionalidade do movimento
	Desenvolvimento motor e desenvolvimento humano
	Você já parou para pensar que o movimento humano ocorre antes mesmo do pensamento?
	Concepção inatista
	SegundoSilva (1994), as condições do ambiente não teriam grande influência na aquisição de habilidades, pois defende que foram determinadas pela hereditariedade.
	Concepção ambientalista
	Conforme Silva (1994), a partir dessa abordagem, a criança é um ser passivo frente ao ambiente, enquanto os adultos a seu redor teriam o papel de administrar e promover seu desenvolvimento.
	Concepção interacionista
	Crescimento, desenvolvimento e maturação
	Atenção
	Questionamentos têm surgido sobre os fatores hereditários e ambientais. Você saberia responder sobre as seguintes questões:
	O quanto é herdado?
	O quanto é influenciado pelo ambiente?
	Saiba mais
	Idade cronológica e biológica
	O desenvolvimento pode ser classificado de vários modos. A idade cronológica, embora de uso universal, não é um indicador confiável do estágio de maturação biológica. Ela demonstra características bastante específicas no início da vida, mas que, depois, tornam-se generalistas. Possivelmente, isso ocorre porque, com os anos de vida, o sujeito fica cada vez mais influenciado pelo ambiente em que vive, podendo ampliar suas potencialidades genéticas ou não, o que determina seu nível de desenvolvimento.
	Resumindo
	Outros indicadores podem ser considerados:
	Idade morfológica
	Saiba mais
	Idade esquelética
	Idade dentária
	Idade sexual
	O surgimento de pelos na face de meninos e a menarca em meninas estão relacionados à idade sexual.
	Períodos do desenvolvimento intrauterino
	Atenção
	O desenvolvimento humano intrauterino é divido em três períodos:
	Vamos detalhar cada um deles a seguir:
	Período pré-embrionário
	Saiba mais
	Saiba mais
	Período embrionário
	Atenção
	Período fetal
	Feto – 3º mês.
	Feto – 4º mês.
	Feto – 6º mês.
	Feto – 9º mês.
	Saiba mais
	Saiba mais sobre esse último período do feto:
	Saiba mais
	O teste é um indicador de saúde geral do recém-nascido.
	Atenção
	Infância e adolescência
	Infância
	Atenção
	O meio transforma-se com a criança, assim como a criança transforma-se com o meio.
	Adolescência
	Características genéticas e culturais de acordo com a faixa etária
	A demanda gera o desenvolvimento, mas esse ocorre a partir daquilo que o indivíduo é genética e culturalmente.
	Crescimento, desenvolvimento e maturação
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	1. Analise as afirmativas a seguir sobre crescimento e desenvolvimento humano:I. Alguns autores tratam o crescimento e o desenvolvimento como sinônimos, mas são processos diferentes.II. O crescimento envolve o aumento de massa corporal (tamanho e superfície), resultante da incorporação de substâncias que aumentam o tamanho das células.III. Desenvolvimento e crescimento são conceitos afins.Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s):
	Analise as afirmativas a seguir sobre as idades cronológica e biológica:I. A idade cronológica é capaz de mostrar há quanto tempo o indivíduo nasceu, mas, como índice de envelhecimento, ela é falha, pois a idade biológica nem sempre lhe corresponde.II. O índice que mensura a idade de cada indivíduo não pode ser a idade biológica.III. A idade biológica do indivíduo fornece a taxa relacionada à maturidade.Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s):
	2. Habilidade e capacidade motora
	Aquisição de habilidades e capacidades motoras
	Saiba mais
	Em outras palavras, ninguém é bom em tudo!
	Genótipo: fatores genéticos no desenvolvimento de habilidades motoras
	A estrutura genética determina o nível extremo de aptidão física que pode ser obtido (GALLAHUE; OZMUN, 2013).
	Atenção
	Fenótipo: fatores ambientais no desenvolvimento de habilidades motoras
	Saiba mais
	Atenção
	A experiência pode afetar o surgimento dos movimentos e o nível de seu desenvolvimento (GALLAHUE; OZMUN, 2013).
	Resumindo
	O que são habilidades motoras?
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	1. Analise as afirmativas a seguir sobre a habilidade motora:I. A experiência pode implicar o surgimento dos movimentos e o nível de seu desenvolvimento.II. Antes da maturação, já há benefícios.III. Aprendizado e maturação são importantes na aquisição das habilidades de movimento.Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s):
	Analise as afirmativas a seguir sobre a aptidão física:
	I. Pode ser subdividida em componentes relativos à saúde – resistência muscular localizada, força muscular, composição corporal, flexibilidade e resistência cardiovascular.II. Possui cinco componentes relativos à performance – coordenação, equilíbrio, agilidade, velocidade e potência.III. Seus componentes são velocidade, composição corporal, flexibilidade e potência.Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s):
	3. Prática de intervenção profissional
	Neurociência do exercício
	Para compreender a comunicação entre SNC e SNP e sua relação com o comportamento motor, é necessário compreender o conceito de integração sensorial, implícito na diferenciação entre sensação e percepção.
	O que são sensações?
	Interoceptivas
	Proprioceptivas
	Exteroceptivas
	O que são percepções?
	Exemplo
	As conexões entre sensação e percepção, em especial, a compreensão do conceito de percepção, são frutos dos estudos do psiquismo. Para entendermos isso, vamos voltar um pouco na história do corpo.
	Atenção
	Assim, o movimento é produzido. Do processamento da sensação até a resposta motora há um longo caminho biológico. Para compreender esse caminho, trataremos, a seguir, do funcionamento cerebral.
	Funcionamento cerebral
	Comentário
	Atenção
	Do mesmo modo que não podemos desvincular a linguagem gestual, a comunicação não-verbal emocional e mímica, a atenção, a percepção, a memória e o pensamento da linguagem falada, não podemos estudar a motricidade humana de forma isolada. Afinal, para que ela ocorra, deve haver a organização do tônus de repouso e de ação, o controle postural, a regulação vestibular antigravitacional e espacial, a noção do corpo e sua relação com o espaço, a memória e as aferências do meio.
	Unidades funcionais do cérebro
	Primeira unidade funcional
	Segunda unidade fundamental
	Terceira unidade fundamental
	Projeção
	Projeção-associação
	Sobreposição
	Atenção
	Conteúdo interativo
	Primeira unidade
	Saiba mais
	A primeira unidade funcional está localizada no tronco cerebral, no diencéfalo e nas regiões médias do córtex.
	Segunda unidade
	A segunda unidade funcional está localizada nas regiões posteriores e laterais do neocórtex, que representa a convexidade superficial dos hemisférios cerebrais.
	Terceira unidade
	A terceira unidade funcional (córtex anterior) é responsável pela regulação da resposta e da ação motora. Ela está localizada na região do córtex anterior, exatamente à frente do sulco central, formando os lóbulos frontais.
	Atenção
	Desenvolvimento, aprendizagem, controle e desempenho motores
	Resumindo
	O controle motor está relacionado ao sistema nervoso, responsável por controlar músculos e nervos, bem como por coordenar movimentos e permitir as sensações necessárias para o desenvolvimento motor.
	Comentário
	Ciclo inicial
	Infância
	Adolescência
	Fase adulta
	Velhice
	Atenção
	Como funciona a aquisição de habilidades motoras?
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	Analise as afirmativas a seguir sobre os conceitos de sensação e percepção:I. Ambos os conceitos são sinônimos.II. Se tenho calor, é sensação e, se essa experiência é insuportável para mim, é percepção.III. Se tenho calor, é percepção e, se essa experiência é insuportável para mim, é sensação.Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s):
	Analise as afirmativas a seguir sobre a primeira unidade funcional do cérebro proposta por Luria (1984):I. O desenvolvimento do tônus é irrelevante para o movimento voluntário.II. A atividade mental depende de um nível tônico cortical.III. Alerta e vigilância são estados essenciais ao desenvolvimento.Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s):
	4. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
	Explore+
	Referências

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