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O que é doença celíaca e como fazer sua investigação? 25.1 CONCEITO A diarreia aguda é a perda de fluidos e eletrólitos pelas fezes, com presença de evacuações amolecidas mais que três vezes ao dia dentro de 24 horas. Quando é aguda pode durar até 14 dias. Quando é de origem infecciosa e sua duração se prolonga além dos 14 dias, chama-se diarreia persistente. Já quando a sua duração passa dos 30 dias, é classificada como diarreia crônica. Alguns grupos internacionais já aboliram o conceito de diarreia persistente e classificam como crônica a diarreia com duração além de 14 dias. O quadro clínico oposto à diarreia é a constipação. Em crianças a principal causa é funcional. De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), essa entidade é mais comum no primeiro ano de vida. A criança evacua menos de três vezes na semana e apresenta fezes duras, ressecadas e geralmente em cíbalos; podem apresentar muito esforço e dor ao evacuar. Crianças mais velhas podem apresentar comportamento retentivo em razão do medo da dor ao evacuar. As principais complicações são fissuras anais com sangramento vermelho-vivo nas fezes. Já a diarreia pode ocorrer por causa de uma variedade de condições metabólicas, estruturais ou infecções. 25.2 CAUSAS ▶ Desnutrição energético-proteica; ▶ Parasitoses intestinais; ▶ Infecções intestinais; ▶ Diarreia persistente — pós-enterite; ▶ Alergia à proteína do leite de vaca; ▶ Intolerância a dissacarídeos — lactose, sacarose; ▶ Doença celíaca; ▶ Fibrose cística; ▶ Imunodeficiências; ▶ Enteropatias perdedoras de proteínas; ▶ Doenças inflamatórias intestinais crônicas. 25.3 INVESTIGAÇÃO A investigação deve ser feita em pacientes com diarreia crônica e perda de peso e inicialmente pode ser resumida aos seguintes exames: ▶ pH fecal e pesquisa de substâncias redutoras; ▶ Protoparasitológicos (PPFs) — três amostras; ▶ Coprocultura; ▶ Elementos Anormais nas Fezes (EAFs); ▶ Gordura nas fezes; ▶ Hemograma completo; ▶ Calprotectina fecal; ▶ Antitransglutaminase. O PPF é feito para identificar giardíase; como 50% dos exames são negativos, são colhidas três amostras. Cultura de fezes positiva na diarreia crônica é pouco frequente, exceto para Salmonella, Yersinia, Campylobacter e Clostridium difficile. O hemograma permite afastar anemia ou confirmar quadros infecciosos. Se a criança apresenta sinais e sintomas que sugerem intolerância a dissacarídeos, podem ser solicitados o exame de fezes para a determinação de pH fecal e a pesquisa de substâncias redutoras. Na prática, os dados clínicos de distensão abdominal, fezes explosivas e aquosas, com dermatite perineal, podem ser suficientes para indicar a presença de algum grau de intolerância aos dissacarídeos. Quando há evidências de que, apesar da oferta calórica adequada, o ganho pôndero-estatural da criança é insuficiente, devem ser realizados testes de má absorção, como a pesquisa de gordura nas fezes. Se a pesquisa de gordura nas fezes for positiva, deverá ser realizada a prova de absorção da D-xilose, que avalia, de forma indireta, a integridade da mucosa da jejunal. Nos casos de fibrose cística, a absorção é normal, bem como a integridade da mucosa. Na doença celíaca, a absorção costuma ser diminuída, embora resultados normais não afastem o diagnóstico. Para a confirmação de doença celíaca, é necessária a presença de anticorpo antitransglutaminase e biópsia de intestino delgado por meio de endoscopia digestiva alta, que evidenciará atrofia vilositária intestinal e aumento de linfócitos intraepiteliais. Além disso, devem-se investigar as doenças inflamatórias intestinais, o que pode ser feito por dosagem de calprotectina fecal, colonoscopia, biópsia da mucosa e exames de imagem. Estudos hormonais: ▶ Polipeptídio intestinal vasoativo; ▶ Gastrina; ▶ Secretina. Diagnóstico diferencial: ▶ Giardíase; ▶ Doença inflamatória intestinal — Crohn/retocolite ulcerativa; ▶ Fibrose cística; ▶ Síndrome disabsortiva pós-gastrenterite; ▶ Doença celíaca. Figura 25.1 Doença de Crohn — cobblestone, aspecto em “pedra de calçamento” Fonte: adaptado de Endoscopic features and treatment response have better prediction rate than clinical symptoms/signs in distinguishing Crohn’s disease and intestinal tuberculosis, 2017. Figura 25.2 Demonstração do cólon Fonte: adaptado de Designua. Figura 25.3 Demonstração do cólon Fonte: Inter-observer agreement in the assessment of endoscopic findings in ulcerative colitis, 2004. Figura 25.4 Crianças com doença celíaca Fonte: Tetany caused by chronic diarrhea in a child with celiac disease: a case report, 2008. 25.4 TRATAMENTO Deve ser voltado para a causa-base. As medicações que atuam diminuindo o peristaltismo não são indicadas. 25.4 INTOLERÂNCIA À LACTOSE De acordo com o Departamento Científico de Gastroenterologia da SBP, a lactose é o principal açúcar da maioria dos leites, sendo quebrada pela lactase intestinal em galactose e glicose durante o processo de digestão. Crianças com intolerância à lactose podem ter deficiência parcial ou total da lactase, impedindo a quebra deste carboidrato em monossacarídeos reabsorvíveis à circulação para consumo celular. Dessa maneira, a lactose não digerida chega ao intestino grosso onde é fermentada pelas bactérias que colonizam essa porção intestinal, causando os desconfortos associados a essa condição. As manifestações clínicas são variáveis dependendo da quantidade de lactose ingerida e dos níveis secretados de lactase. Podem aparecer de 30 a 120 minutos após o consumo do alimento gerando sintomas gastrintestinais diversos, tais como: distensão abdominal, dor abdominal tipo cólica, gases e flatulência, diarreia, náusea e vômitos, assaduras e, ocasionalmente, constipação. Existem três manifestações possíveis: ▶ Hipolactasia do “tipo adulto”: mais comum em adultos; no Brasil estima-se que 40% das crianças acima de 3 anos com suscetibilidade genética apresentam essa condição. Os sintomas são geralmente brandos; ▶ Intolerância congênita à lactose: condição genética muito rara que se manifesta logo após o nascimento, impedindo aleitamento materno exclusivo. Requer o uso de fórmulas sem lactose; ▶ Intolerância secundária à lactose: doença adquirida por condições que lesionam o intestino delgado, levando a deficiência transitória da secreção de lactose — gastroenterite viral, giardíase, alergia à proteína do leite de vaca, doença celíaca e doença de Crohn. Recém-nascidos (RNs) prematuros podem apresentar secreção insuficiente de lactose, melhorando com o avanço da maturidade intestinal. O diagnóstico dessa condição pode ser realizado por meio de: ▶ Avaliação clínica: retirada de alimentos com lactose da dieta levam ao controle dos sintomas em dias ou semanas. É o método mais utilizado; ▶ Pesquisa da eliminação de hidrogênio em amostras de ar expirado: lactose não absorvida fermentada no cólon produz hidrogênio que é absorvido pela mucosa intestinal à corrente sanguínea, sendo eliminado em altas concentrações durante a expiração pulmonar; ▶ Teste de tolerância à lactose: em condições normais, após consumir lactose e ser digerida ocorre o aumento dos níveis séricos de glicose em mais de 20mg/dL; pessoas intolerantes não apresentam esta variação; ▶ Teste genético: detectar mutações específicas associadas à intolerância a lactose. O tratamento consiste em reduzir a ingestão de lactose presente no leite e em derivados. Também existe a administração oral de lactase antes da ingestão dos alimentos. 25.6 SÍNDROME DO INTESTINO IRRITÁVEL Quadro de dor abdominal associada à alteração do hábito intestinal pode tratar-se da Síndrome do Intestino Irritável (SII). Considera-se que essa condição seja resultante da modulação bidirecional entre cérebro e intestino, afetando o fluxo sanguíneo, motilidade, secreção e imunidade reguladas por diversos agentes hormonais, neurais e imunológicos. Em conjunto, isso gera uma hipersensibilidade visceral geralmente relacionada a situações emocionais — estresse ou depressão —, ao aumentode inflamação da mucosa intestinal — pós-infecciosa — e alterações da microbiota intestinal. Seu diagnóstico é feito a partir da presença de três critérios — todos devem estar presentes por pelo menos dois meses: ▶ Dor abdominal ao menos quatro dias por mês associada a um ou mais dos seguintes sintomas: ▷▷ Relação com a evacuação; ▷▷ Alteração na frequência das fezes; ▷▷ Alteração na aparência das fezes. ▶ Em crianças com constipação, a dor pode não resolver com o fim da constipação — crianças cuja dor se resolve têm constipação funcional, e não síndrome do intestino irritável; ▶ Após avaliação adequada, os sintomas não podem ser plenamente explicados por outra condição médica. Feito o diagnóstico, a abordagem deve abranger diferentes aspectos: ▶ Dietéticos: apesar da sua indicação em faixa etária pediátrica ainda não ter evidências científicas claras, aconselha-se restringir o consumo dos oligossacarídeos, dissacarídeos, monossacarídeos fermentáveis e polióis (FODMAPs), tais como: frutose, lactose, sorbitol, fruto-oligossacarídeos, gluco- oligossacarídeos e manitol. Recomenda-se supervisão com nutricionista para evitar inadequações nutricionais e/ou distúrbios alimentares. ▶ Farmacológicos — uso de probióticos para recuperar a microbiota intestinal e aliviar os sintomas. Recomenda-se priorizar os Lactobacillus rhamnosus e os Lactobacillus reuteri; ▶ Suporte psicológico: ao ter bem estabelecida a relação dos sintomas com questões emocionais, deve-se incentivar o aconselhamento emocional da criança. A abordagem cognitivo comportamental parece ser a de melhor resultado na faixa etária pediátrica. Isso pode ser especialmente importante para evitar o risco de manter SII na vida adulta. 25.7 GIARDÍASE A infecção intestinal pelo parasita Giardia lamblia, geralmente entra do critério de doença diarreica aguda; porém, sem tratamento pode ocasionar disenteria — fezes com sangue — por quatro a seis semanas, motivo pelo qual será abordada junto com as diarreias crônicas. Sua transmissão geralmente ocorre por contato direto, sendo muito comum em creches ou entre membros da mesma família, ao não lavar adequadamente as mãos após ir ao banheiro ou trocar fraldas. Também pode ser transmitida por água e alimentos contaminados. Na maioria dos casos, a giardíase cursa assintomática; porém, quando presentes, os sintomas incluem dor abdominal, diarreia, flatulência e perda do apetite. Raramente cursa com febre e perda de peso. O diagnóstico é feito com identificação da Giardia em exame coproparasitológico de fezes. O tratamento é focado na manutenção da hidratação de acordo com a clínica do paciente e indica-se o uso do metronidazol. 25.8 DOENÇA INFLAMATÓRIA INTESTINAL Conjunto de doenças que acometem o intestino e têm caráter inflamatório. Podem estar presentes em qualquer faixa etária, sendo mais comum após os 5 anos de vida e a adolescência — com pico de 11 a 13 anos. Quando acomete todo o sistema digestivo — da boca ao ânus — chama-se Doença de Crohn (DC) e quando está restrita ao cólon denomina-se retocolite ulcerativa (RCU). A DC acomete todas as paredes do trato digestivo de forma descontínua, enquanto a RCU acomete a mucosa do cólon e reto de maneira contínua, ocasionando diarreia sanguinolenta. Os sintomas mais comuns incluem diarreia crônica, dor abdominal, perda de peso e presença de fezes com sangue. Sua etiologia ainda não está clara, porém parece relacionar-se com fatores genéticos, ambientais e alterações imunológicas. Na DC pode haver fissuras, fístulas ou abscessos anais. A RCU pode apresentar sintomas extradigestivos, tais como artrite de quadril e joelhos, que podem ainda anteceder as manifestações gastrintestinais. Conjuntivite a uveíte podem surgir mais tardiamente, assim como pioderma gangrenoso e eritema nodoso. Alguns casos podem apresentar manifestação fulminante, com megacólon tóxico, hemorragia maciça, perfuração e morte. A maioria, porém, apresenta evolução crônica intermitente, períodos de surtos intercalados com sintomas mais leves ou ausentes. Os sintomas extradigestivos da DC incluem artrite de joelho e sacroilíaca, espondilite anquilosante — no adulto —, eritema nodoso e pioderma gangrenoso, aftas e estomatite orais e uveíte. A evolução grave com megacólon tóxico, hemorragia maciça e morte é mais comum na DC que na RCU. O diagnóstico é feito após exclusão de outras causas, sendo definitivo após realização de colonoscopia com biópsia de diversos segmentos para avaliar o comprometimento da parede intestinal. A calprotectina fecal é um exame útil de triagem. Mostra atividade de neutrófilos e, nos casos de DII em atividade, costuma estar acima de 200 mcg/g de fezes. O tratamento da RCU e da DC consiste em medicamentos que modulam a resposta inflamatória da criança como corticoides, sulfasalazina ou mesalazina; imunossupressores como azatioprina, 6-mercaptopurina ou metotrexato; antibióticos como ciprofloxacino e metronidazol; imunobiológicos como infliximabe ou adalimumabe. Tratamento cirúrgico: perfurações, estenoses com obstruções ou na ausência de resposta ao tratamento clínico Prognóstico é variável; crianças com RCU devem realizar colonoscopia anual, visto que se persistir sintomática por mais de 10 anos pode apresentar câncer. Apesar de ter menor incidência de câncer a DC é associada com baixa qualidade de vida. 25.9 FIBROSE CÍSTICA Trata-se de uma doença genética, de herança autossômica recessiva, que causa mau funcionamento do transportador de íons nas membranas celulares. Ocorre por mutações no gene que codifica a proteína transportadora de membrana CFTR. A mutação mais comum é a delta F508. Os sistemas mais acometidos são o respiratório e o digestivo. A disfunção de CFTR está associada ao baixo teor de água e consequente espessamento das secreções respiratórias, pancreáticas e do epitélio biliar. No trato gastrintestinal, a bile e a secreção pancreática anormal podem causar má absorção, má digestão com fezes gordurosas, malcheirosas e volumosas, doenças hepática e pancreática progressivas, prolapso retal e obstrução intestinal distal — intussuscepção. No RN, o íleo meconial ou o atraso da eliminação de mecônio — após as primeiras 48 horas de vida — devem levantar a suspeita da doença. No pulmão, a secreção espessa leva à obstrução das vias aéreas e à redução da atividade bactericida ciliar, o que causa a progressiva colonização pulmonar por bactérias patogênicas. A infecção crônica gera resposta inflamatória local e lesão tecidual, causando bronquiectasias. A bactéria predominante, nesses casos, é Pseudomonas aeruginosa. O exame de triagem é a dosagem da tripsina imunorreativa (IRT), que faz parte da fase III do teste básico disponível em rede pública. O diagnóstico presuntivo de fibrose cística é feito pelo aumento da IRT em amostras colhidas com até 30 dias de vida do RN. Quando o primeiro exame (IRT1) se mostra alterado, deve ser sempre coletada uma segunda amostra para confirmação diagnóstica (IRT2). Esse segundo exame deve ser feito entre a terceira e quarta semanas de vida do RN. Por segurança, optou-se por adotar como valores de referência normais níveis abaixo de 70 ng/mL, em sangue total, até 30 dias de vida. Crianças que apresentem os 2 IRTs alterados devem ser submetidas à avaliação clínica e teste do cloro no suor para confirmação diagnóstica. Neonatos cuja primeira amostra é positiva e nos quais não foi possível realizar a segunda amostra até 30 dias de vida também devem ser encaminhados ao teste do suor. O teste do cloro no suor tem elevadas sensibilidade e especificidade, com taxa superior a 95%. O diagnóstico é confirmado na presença de cloretos superior a 60 mEq/L. Manifestações clínicas: ▶ Íleo meconial: RN que não evacua nas primeiras 48 horas de vida, ao toque retal não apresenta fezes na ampola tamanha a viscosidade do mecônio; ▶ Exacerbação aguda pulmonar: tosse, alteração do aspecto das secreções, febre, alteração na ausculta pulmonar, piora nas provas de função pulmonar, dessaturação, alteração radiológicae/ou perda pulmonar; ▶ Síndrome de obstrução intestinal distal: dor abdominal, distensão e vômitos biliosos; ▶ Cirrose multilobar: acometimento hepático e das vias biliares. Apesar de ainda não ter cura, diversas medidas terapêuticas têm melhorado a qualidade de vida e a sobrevida dos pacientes afetados, como suporte nutricional — hipercalórico-hiperproteico —, reposição de enzimas pancreáticas, uso de antibióticos contínuos/intermitentes por via oral ou inalatória, inalação hipertônica, inalação com alfa-dornase para quebrar o muco, erradicação de cepas de Burckholderia sp. com trimetropim- sulfametoxazol, fisioterapia respiratória e acompanhamento com equipe multidisciplinar. Ocasionalmente precisam de transplante pulmonar. 25.10 DOENÇA CELÍACA Doença autoimune que gera processo inflamatório intestinal seguido de atrofia das vilosidades da mucosa intestinal e prejuízo global na absorção de carboidratos, lipídeos, proteínas, vitaminas e minerais. Processo autoimune ocorre ao iniciar contato com glúten, proteína existente em cereis, trigo, centeio, cevada e aveia. Por esse motivo, é comum que a criança inicie os sintomas alguns meses após iniciar a introdução alimentar. É comum apresentar diarreia crônica, perda de peso e distensão abdominal. Outras manifestações menos comuns incluem dor abdominal, constipação, baixa estatura e anemia crônica. Antecedentes que aumentam o risco de doença celíaca incluem histórico familiar positivo, portadores de síndrome de Down ou diabetes tipo 1. Diante da suspeita diagnóstica, devem-se dosar anticorpos da família imunoglobulina A (IgA) — antitransglutaminase e antiendomísio —, que quanto maior em quantidade, maior o risco de a criança ser portadora de doença celíaca. Se positivo, procede-se para a realização de endoscopia com biópsia intestinal, que identificará o padrão de atrofia intestinal. Uma vez confirmado o diagnóstico, o tratamento consiste na retirada do consumo do glúten da dieta da criança. Recomenda- se seguimento com nutricionista para evitar possíveis impactos nutricionais e emocionais. O que é doença celíaca e como fazer sua investigação? Doença celíaca é uma doença diarreica imunomediada provocada pelo consumo de glúten em indivíduos predispostos. Ocorre um processo inflamatório na mucosa do delgado que leva à atrofia vilositária e má absorção, desencadeando diarreia, emagrecimento, vômitos, alteração de crescimento, anemia. A investigação deve ser feita por meio da pesquisa de autoanticorpos da classe IgA — antitransglutaminase e antiendomísio — enquanto a criança ainda consome glúten e com a endoscopia digestiva alta com biópsia de duodeno — atrofia de vilosidades alongamento das criptas e aumento de linfócitos intraepiteliais. Universidade Estadual de Campinas Para a primeira fase da Unicamp é preciso responder 80 questões de múltipla escolha e 60 questões dissertativas com respostas mais curtas e objetivas. Um bom conhecimento das cinco cadeiras médicas (Clínica Médica, Cirurgia Geral, Pediatria, Ginecologia e Obstetrícia e Medicina Preventiva e Social) já é o suficiente para se sair bem na prova. Já na segunda fase é realizada a análise do currículo. Em geral, a maioria das questões da primeira fase abordam casos clínicos. São mais raras as perguntas simplesmente teóricas ou que não tenham uma aplicação em situações reais. Já as especialidades mais cobradas são: Pediatria, Saúde Coletiva, Ginecologia e Obstetrícia e Infectologia. Também é preciso ficar atento aos temas mais recorrentes nos anos anteriores, como Medicina do Trabalho, Neonatologia, atenção primária à saúde e Estratégia Saúde da Família, assistência ao pré-natal, doenças infecciosas, parto, ética médica, estudos epidemiológicos, emergências pediátricas e Medicina Família e Comunidade. São grandes as chances de que eles se repitam. UNICAMP | 2021 Menina, 2 anos e 6 meses, apresentando, desde os 8 meses de idade, dor e distensão abdominal acompanhadas às vezes de fezes líquidas. Refere inapetência e perda de peso. Após investigação e confirmação diagnóstica, devem ser excluídos da dieta: a) arroz, polvilho e amaranto b) amendoim, chia e tapioca c) trigo, centeio e cevada d) cará, batata e grão de bico Gabarito: c Comentários: a) Estes alimentos não contém glúten. b) Estes alimentos não contém glúten. c) O quadro descrito é compatível com doença celíaca que após confirmação diagnóstica deve ter como tratamento a exclusão do glúten da dieta que está presente no trigo, centeio e cevada. d) Estes alimentos não contém glúten. 25.1 CONCEITO 25.2 CAUSAS 25.3 INVESTIGAÇÃO 25.4 TRATAMENTO 25.4 INTOLERÂNCIA À LACTOSE 25.6 SÍNDROME DO INTESTINO IRRITÁVEL 25.7 GIARDÍASE 25.8 DOENÇA INFLAMATÓRIA INTESTINAL 25.9 FIBROSE CÍSTICA 25.10 DOENÇA CELÍACA DE OLHO NA PROVA