Prévia do material em texto
ALGORITMO DE AVALIAÇÃO DO RISCO CARDIOVASCULAR (ACC/AHA 2007 Guidelines on Perioperative Cardiovascular Evaluation and Care for Noncardiac Surgery. Circulation. 2007 Oct 23;116(17):e418-99) Operação de Emergência? Operação Pós-operatório: Avaliação de risco Controle dos fatores de risco Pesquisa de eventos cardiovasculares Paciente possui alguma cardiopatia descompensada? Insuficiência coronariana aguda ( Angina Instável: classe III ou IV; Infarto recente 100bpm no repouso; taquicardia ventricular) Valvopatia severa (Estenose aórtica grave: gradiente médio > 40mmHg, área valvar 2,0 0 Fatores de Risco e cirurgia não vascular (Paciente de Baixo Risco) 1 a 2 Fatores de Risco (Paciente de Risco Intermediário) ≥ 3 Fatores Risco (Paciente de Alto Risco) INTRODUÇÃO DE MEDIDAS PROTETORAS: Beta-bloqueador - Manter nos pacientes que já fazem uso - Introduzir para cirurgia vascular e nos pacientes com ≥ 2 FR ou coronariopatia isolada - Titular dose de β-bloq objetivando FC 60-70bpm e avaliar tolerância pela PA; introdução ideal no ambulatório e manter até 30º PO (avaliar indicação de manutenção pelas comorbidades) Estatina - Indicado para cirurgias vasculares, pacientes coronariopatas e pacientes de alto risco - Manter naqueles que já utilizam - Atorvastatina 20mg/dia ou sinvastatina 40mg/dia - Introduzir 2 semanas antes e manter até 30º PO (avaliar indicação de manutenção pelas comorbidades) AAS - Considerar manter, principalmente em operações vasculares e pacientes coronariopatas (profilaxia secundária) Realização de testes não invasivos se houver probabilidade de alterar a conduta MONITORIZAÇÃO DE ISQUEMIA MIOCÁRDICA NO PÓS-OPERATÓRIO: - Pacientes de risco moderado ou alto: ECG no pós-operatório(PO) imediato, 1º e 2º PO - Paciente de alto risco: coleta de troponina no 1º, 3º e 7º PO ou antes da alta hospitalar - Colher marcador de isquemia se alteração nova em ECG, precordialgia ou instabilidade hemodinâmica no perioperatório - Cirurgia vascular: ECG no POI, 1º e 2º PO e troponina nos 1º, 3º e 7º PO ou antes da alta hospitalar Não Sim Sim Não Não Sim Sim Não ou capacidade funcional desconhecida Proceder à cirurgia proposta Controle clínico de comorbidades Avaliação do Risco Pulmonar Risco Pneumonia 1 Risco Ins. Respir.* 2 Compl. Pulm.** 3 Fatores de Risco OR (IC95%) Pontos OR (IC95%) Pontos OR (IC95%) Pontos Procedi- mentos Operação de Aneurisma de Aorta Abdominal 4,29 (3,34-5,5) 15 14,3 (12,0-16,9) 27 - - Operação Torácica 3,92 (3,36-4,57) 14 8,14 (7,17-9,25) 21 11,4 (1,9-26,0) 24 Operação Abdominal Alta 2,68 (2,38-3,03) 10 4,21 (3,80-4,67) 14 4,4 (2,3-8,5) 15 Operação Cabeça e Pescoço 2,30 (1,73-3,05) 8 3,10 (2,40-4,01) 11 - - Neurocirurgia 2,14 (1,66-2,75) 8 4,21 (3,80-4,67) 14 - - Operação Vascular Arterial 1,29 (1,10-1,52) 3 4,21 (3,80-4,67) 14 - - Anestesia Geral 1,56 (1,36-1,80) 4 - - - - Operação Emergência 1,33 (1,16-1,54) 3 3,12 (2,83-3,43) 11 2,2 (1,0-4,5) 8 Transfusão de 5 ou mais concentrados de hemácias 1,35 (1,07-1,72) 3 - - - - Duração cirurgia 2-3 horas - - - - 4,9 (2,4-10,1) 16 Duração cirurgia > 3 horas - - - - 9,7 (4,7-19,9) 23 Idade (anos) > 80 5,63 (4,62-6,84) 17 1,91 (1,71-2,13) 6 5,1 (1,9-13,3) 16 70-79 3,58 (2,97-4,33) 13 1,4 (0,6-3.3) 3 60-69 2,38 (1,98-2,87) 9 1,51 (1,36-1,69) 4 50-59 1,49 (1,23-1,81) 4 - - Grau Funcional Dependente 2,83 (2,33-3,43) 10 1,92 (1,74-2,11) 7 - - Parcialmente dependente 1,83 (1,63-2,06) 6 - - Disfunções Orgânicas Diminuição de 10% do peso nos últimos 6 meses 1,92 (1,68-2,18) 7 - - - - Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica 1,72 (1,55-1,91) 5 1,81 (1,66-1,98) 6 - - Acidente Vascular Cerebral 1,47 (1,26-1,82) 4 - - - - Diminuição da Consciência 1,51 (1,36-1,80) 4 - - - - Corticoide Crônico 1,33 (1,12-1,58) 3 - - - - Ureia 60 mg/dl 1,41 (1,22-1,64) 3 2,29 (2,04-2,56) 8 - - Albumina 55 V Alto 15,8% >40 V Alto 30,5% *Insuficiência Respiratória: necessidade de ventilação mecânica > 48h após cirurgia ou reintubação. **Complicações pulmonares: infecção respiratória, insuficiência respiratória, derrame pleural, atelectasia, pneumotórax, broncoespasmo, pneumonite aspirativa. Algoritmo de Avaliação do Risco de Insuficiência Renal Aguda no Pós-operatório de Cirurgia não Cardíaca Fatores de Risco (FR) Hazard Ratio (IC95%) Cirurgia Intraperitoneal 3,3 (2,4-4,7) Insuficiência Renal - leve (Creatinina 1,2 a 1,9 mg/dL) ou - moderada (Creatinina ≥ 2,0 mg/dL) 3,1 (2,5-3,9) 3,2 (2,8-3,7) Ascite 3,0 (2,2-4,0) Insuficiência Cardíaca Congestiva 2,0 (1,4-3,0) Cirurgia de Emergência 1,9 (1,5-2,3) Idade ≥ 56 anos 1,7 (1,4-2,2) Hipertensão 1,5 (1,2-1,9) Sexo Masculino 1,4 (1,2-1,7) Diabetes Mellitus - uso de medicação oral ou - uso de insulina 1,3 (1,0-1,7) 1,7 (1,3-2,3) Estratificação de Risco Classe de Risco Risco de IRA Hazard Ratio (IC95%) Classe I (0 a 2 fatores de risco) - Baixo 0,2% Classe II (3 fatores de risco) - Baixo 0,8% 4,0 (2,9 – 5,4) Classe III (4 fatores de risco) - Moderado 1,8% 8,8 (6,6 – 11,8) Classe IV (5 fatores de risco) - Alto 3,3% 16,1 (11,9 – 21,8) Classe V (≥ 6 fatores de risco) - Alto 8,9% 46,3 (34,2 – 62,6) Referência bibliográfica: Kheterpal S, Tremper KK, Heung M, et al. Development and validation of an acute kidney injury risk index for patients undergoing general surgery: results from a national data set. Anesthesiology. 2009 Mar;110(3):505-15. * Critério de IRA no estudo= aumento de 2,0mg/dL ou necessidade de diálise ** Pacientes que desenvolveram IRA = mortalidade em 30 dias de 42% (Hazard Ratio=7,5) AVALIAÇÃO DO RISCO DE TEV EM PACIENTE CIRÚRGICO AVALIAÇÃO DO RISCO DE DELIRIUM NO PERIOPERATÓRIO RISCO DE DELIRIUM: ( ) SIM* ( ) NÃO *Quanto maior o número de fatores de risco, maior a probabilidade de ocorrência de Delirium (5 a 52%) ( ) IDADE > OU IGUAL A 70 ANOS ( ) MÚLTIPLAS COMORBIDADES ( ) DOENÇA NEUROLÓGICA OU PSIQUIÁTRICA PRÉVIA ( ) USO DE POLIFARMÁCIA ( ) USO DE MEDIC PSICOTRÓPICAS ( ) ETILISMO ( ) DOENÇA DE BASE GRAVE ( ) CIRURGIA DE GRANDE PORTE, QUADRIL, AORTA ( ) TEMPO DE INTERNAÇÃO POSSIVELMENTE PROLONGADO ( ) NECESSIDADE DE UTI ( ) DÉFICIT COGNITIVO PRÉVIO ( ) DEF. SENSORIAL PRÉVIO-DEPENDÊNCIA DE ÓCULOS/AP. AUDITIVO ( ) DOR IMPORTANTE ATUAL OU ESTIMADA NO POSOPERATÓRIO ORIENTAÇÕES: *Medidas preventivas no perioperatório: 1- Evitar desidratação e controle hidroeletrolítico-metabólico adequado – principalmente manter adequada hidratação e nutrição. 2- Medidas ambientais: quarto com janela para fora, criar ciclo dia-noite, relógio, calendário, presença da família, evitar ruído excessivo, evitar acordar à noite o paciente, evitar mudanças de quarto, minimizar tempo de UTI, fornecer óculos e aparelho auditivo. 3- Evitar abstinência de drogas que usava no perioperatório – ex: fazer desmame de benzodiazepínico, patch nicotina e ajustar dose medicamentos para idade e clearance. 4- Controle adequado da dor. 5- Mobilizar precocemente. 6- Deixar contenção mecânica para último caso. 7- Atividades programadas de estimulação da cognição – terapia ocupacional/lúdica. 8- Dar tiamina se houver suspeita de def nutricional. 9- Evitar benzodiazepínicos e cuidado com os opiáceos. 10- Operar com hematócrito acima de 30%. Risco para o desenvolvimento de insuficiência adrenal secundária no pós-operatório Pacientes de risco: uso de corticoide em dose equivalente a 20 mg/dia de prednisona por ao menos 3 semanas, ou 7,5 mg/dia por um mês, nos últimos 6-12 meses. Recomendações para Reposição de Glicocorticoides “Stress” Cirúrgico (necessidade de hidrocortisona) Exemplos de Procedimentos Cirúrgicos Dose de Hidrocortisona Baixo (25mg) Hernia inguinal, laparoscópia, operações superficiais, anestesia local, duração 1,5 (1 a 2 dias antes da cirurgia) – vit K 1,0 a 2,0mg oral - Cirurgia de emergência – Vit K oral 2,5 a 5,0mg; opção de plasma fresco ou complexo protrombínico Última dose de HBPM 24h antes da cirurgia Suspender HNF 4 a 6h antes da cirurgia Retomar HBPM 24h após cirurgia (adequada hemostasia); 48 a 72h após se cirurgia com sangramento de alto risco Reiniciar varfarina 12 a 24h após cirurgia (adequada hemostasia) - Procedimento odontológico menor: continuar varfarina com coadministração de agente prohemostático local ou suspender varfarina 2 a 3 dias antes da cirurgia - Procedimento dermatológico e cirurgia de catarata: manter varfarina (INRcálcio via oral (2 a 3g/dia de cálcio elementar) 5) 3ºPO se cálcio total 8,0mg/dL Prescrição de alta: - Todos devem receber orientação para dieta com 1g de cálcio por dia. - Manter suplementação de cálcio que paciente necessitou durante a internação. - Se introduzido calcitriol, manter a dose até o retorno (de preferência em uma semana). Pós-operatório de tireoidectomia parcial 1) Fornecer 1g de cálcio na dieta. 2) Dosar cálcio total 12h após cirurgia. Alta: - Cálcio total > 8,0mg/dL. -Todos devem receber orientação para dieta com 1g de cálcio por dia. 3) Se queda de cálcio, seguir orientações para tireoidectomia total. Hipocalcemia grave 1) Se crise hipocalcêmica (tetania, convulsões, laringoespasmo): - Gluconato de cálcio 10% 10 a 20mL em 10 min. 2) Se hipocalcemia grave (cálcio total 8,5mg/dL. - Carbonato de cálcio 1g duas vezes ao dia. Deve ser administrado às refeições. Máximo de 1 g de cálcio elementar por refeição. - Calcitriol: 4cp 3x/dia (1º dia); 4cp 2x/dia (2º dia); 4cp 1x/dia (3º dia) 3) Se hipocalcemia moderada (cálcio total 7,5-8,5mg/dL): - Carbonato de cálcio 1g duas vezes ao dia. - Calcitriol: 1 a 4cp 2x/dia Observações: a) Se sintomas leves (parestesias) e suspeita de hipocalcemia, introduzir calcitriol 2cp 12/12h + CaCO3 e aguardar dosagem de cálcio. b) Colher Ca, P, Mg e PTH antes do início do tratamento. c) CaCO3 (carbonato de cálcio) = 40% cálcio elementar (exemplo 1250mg CaCO3 = 500mg Ca elementar) Referência: capítulo Conduta nas Urgências em Endocrinologia. Martins MA, et al. Clínica Médica. São Paulo. Manole, 2009. PROTOCOLO PARA ACOMPANHAMENTO DE PACIENTES COM TUMORES HIPOFISÁRIOS DURANTE INTERNAÇÃO CIRÚRGICA Neurocirurgia e endocrinologia HC-FMUSP 1) Na internação: Checar ou solicitar se não tiver colhido : - T4 livre (se baixo iniciar administração de levotiroxina 25ug a 50 ug no primeiro dia) - Prolactina (antes da cirurgia para afastar prolactinoma, se macroadenoma com PRL > 100 avisar Dra. Nina ou Dr. Malebranche) - Último cortisol dosado para decisão de administração de corticosteróide intra e pósoperatório e colher novo na admissão, se não estiver em uso de glicocorticóide. 2) Intra-operatório e pós-operatório (TODOS ADENOMAS EXCETO CUSHING): A - Se cortisol pré-cirúrgico 13 mcg/dl ou em microadenomas (exceto cushing) não administrar glicocorticóide no intra e pós-operatório. C - Se cortisol entre 9 e 13 mcg/dl, administrar hidrocortisona 200 mg IV na SO e 50 mg IV de 8/8 h, apenas no pós-operatório imediato. Deixar a partir do 1º PO Solucortef a critério, sem acetato de cortisona 3) NOS PACIENTES COM DOENÇA DE CUSHING: Não há necessidade de GC no intra-operatorio nem no PO imediato A partir do primeiro dia de pós-operatorio prescrever acetato de cortisona (AC) 1º. PO – AC 25 mg 3x/dia (8, 14 e 20 horas) 2º. PO – AC 25 mg 2x/dia (8 e 14 horas) 3º. PO – AC 25mg as 8h e 12,5 mg as 14 horas 4º. PO – AC 25 mg somente de manhã (para colher F na manhã seguinte) 5º. PO – Alta com AC 25 mg ao acordar e 12,5 mg as 14 horas 4) EM TODOS OS CASOS A- sempre deixar na prescrição Hidrocortisona 200 mg IV se hipotensão arterial sintomática B - DDAVP 1/8 amp SC se sede intensa ou diurese > 600 ml/2horas, após coleta do sódio. AGUARDAR RESULTADO DO NA (solicitar com urgência) NUNCA administrar DDAVP se hiponatremia mesmo na presença de diurese elevada, de preferência administrar apenas se Na > 140. C – EM TODOS OS CASOS INTERNADOS EM USO DE MEDICAÇÃO PARA TRATAMENTO DA DOENÇA HIPOFISÁRIA (COMO: CABERGOLINA, DOSTINEX, BROMOCRIPTINA, PARLODEL, OCTREOTIDA, SANDOSTATIN, CETOCONAZOL, NIZORAL) A MEDICAÇÃO DEVE SER SUSPENSA APÓS A CIRURGIA PARA AVALIAÇÃO DO RESULTADO CIRÚRGICO 5) ALTA HOSPITALAR geralmente no 5º. PO - Colher Cortisol, T4 livre e Na em todos os casos PRL nos prolactinomas PRL, GH e IGF-1 nos acromegálicos FSH e LH nos gonadotrofinomas ACTH e cortisol na Doença de Cushing - Dar Impresso de orientações de PO. - Dar cópia de resumo de alta e do relatório de cirurgia para pacientes de outros serviços que não da neuroPQ. 6) EM CASOS COM FÍSTULA QUE FICARAM COM DLE - Após 5 dias de DLE ou havendo indicação para retirada do dreno, colher líquor do próprio cateter, após desprezar pequena quantidade de material contida no mesmo, na hora de retirar o dreno. Encaminhar para rotina e cultura. Alta após 12 a 24 horas da retirada apenas depois de verificar o resultado da citologia do líquor.