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EFICIÊNCIA ENERGÉTICA AULA 1 Prof. Paulo Sergio da Silva Seixas CONVERSA INICIAL Seja bem-vindo à disciplina de Eficiência Energética, na qual trataremos de definições e conceitos gerais, além da compreensão da legislação a respeito desse assunto e dos programas de governo. Esperamos trazer, de maneira clara, as metodologias de melhoria de eficiência energética a serem abordadas em nossas aulas para que possamos aplicá-las em nossos projetos e programas de gerenciamento de energia. TEMA 1 – ASPECTOS GERAIS DA EFICIÊNCIA ENERGÉTICA Antes de falarmos sobre Eficiência Energética, vamos procurar no dicionário Aurélio sua definição. Ele nos traz eficiência como “ação ou virtude de produzir um efeito”, o que torna a definição muito simples na área da engenharia. Uma definição melhor, que hoje nos vêm à memória, também é como “fazer mais com menos, ou pode-se fazer a mesma coisa, mantendo o conforto e a qualidade”. A palavra Eficiência tem se confundido muito como Eficácia, em meio aos diversos conceitos solicitados durante o curso, porém uma coisa é certa: Ao falarmos de energia, especificamente na eficiência energética, precisamos gerar a mesma quantidade de energia com menos recursos naturais, ou seja, obter o mesmo serviço com menos energia. Buscamos, cada dia mais, equipamentos mais eficientes, que utilizem menos recursos para proporcionar a mesma quantidade de energia útil, contribuindo para esse uso mais eficiente da energia. Participamos de uma campanha governamental em 2016 pela substituição das lâmpadas incandescentes por lâmpadas fluorescentes e, mais atualmente, por lâmpadas de LED (Light Emitting Diode, que utilizam componentes eletrônicos, ditos emissores de luz). Nesse caso, estamos promovendo uma ação de eficiência energética, pois o consumo das lâmpadas de LED é de cerca de 90% menor que as incandescentes. Por exemplo, uma calha de lâmpada fluorescente composta de duas lâmpadas de 40 W e um reator eletrônico tem um consumo aproximado de 100 W o conjunto. Ao substituir a calha e utilizar duas lâmpadas de 18 W de LED, o consumo final é de 36 W (2x36 W somente), uma vez que, nesse conjunto, 3 inexiste o reator. Os dois sistemas apresentam a mesma característica de luminosidade, porém o LED nos traz um ambiente mais limpo, sem a calha robusta, além da inexistência de zumbidos característicos dos reatores (que são mais caros do que as lâmpadas, e por vezes necessitam de troca). Assim, essa substituição fornece de imediato uma redução de consumo de 64% se comparada às lâmpadas fluorescentes, isto é, fez muito mais com menos. Em se tratando de lâmpadas incandescentes, os resultados são muito mais atraentes, pois nessas há muita perda de energia pelo calor. A primeira iniciativa governamental para incentivar o uso de medidas de eficiência energética em nível nacional ocorreu em 1981, com a criação do Programa Conserve, que visava promover a conservação de energia na indústria, o desenvolvimento de produtos eficientes e a substituição de energéticos importados por fontes nacionais. No ano seguinte, foi lançado o Programa de Mobilização Energética (PME), que tinha como características ações para incentivar o uso de medidas de conservação de energia e, especialmente, substituir derivados de petróleo por fontes renováveis de energia (MME, 2011). Em 1985, por meio de uma atuação abrangente e coordenada, foi lançada a Portaria Interministerial n. 1.877, dos Ministérios de Minas e Energia e do Ministério da Indústria e Comércio Exterior, que instituiu o Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), que abordaremos com mais detalhes posteriormente no item Programas de Governo. Sua missão foi promover o uso racional de energia elétrica em todo país e, dentre suas iniciativas, está a criação do Programa Brasileiro de Etiquetagem (Brasil, 1985). Para a comparação de eficiências entre fabricantes de eletrodomésticos e eletrônicos, foi criado o Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE), que, coordenado pelo Inmetro, promove o uso eficiente de energia elétrica e fornece informações sobre a eficiência energética dos equipamentos. Dessa forma, na hora da compra, é possível escolher o equipamento mais eficiente, estimulando a indústria na fabricação de produtos que passam a concorrer em sua eficiência. Por meio de decreto presidencial de 18 de julho de 1991, foi instituído o Programa Nacional da Racionalização do Uso de Derivados do Petróleo e do Gás Natural (Conpet). Assim, como o Procel, o Conpet foi criado com a finalidade de estimular o uso racional de recursos energéticos no país, mas focado em 4 fontes de energia não renováveis. O Conpet também atua no âmbito do Programa Brasileiro de Etiquetagem (Brasil, 1991). O Selo Conpet de Eficiência Energética é concedido a fogões, aquecedores de água a gás e carros, destacando sua eficiência energética. Você também pode procurar o selo Conpet na hora de comprar esses produtos. Figura 1 – Selo Conpet Crédito: Seixas, 2020. Disponível em: . A imagem acima é de um aquecedor de água a gás, com destaque para etiqueta do Inmetro com a classificação e o selo do Conpet que você encontrará nos produtos. Este produto é classificado como classe A, sendo essa a maior eficiência energética da categoria, ou seja, menor consumo de gás para executar o mesmo serviço. Com o aumento da eficiência energética e o uso consciente de energia, serão necessários menos recursos naturais para gerar energia, com menores impactos negativos ao meio ambiente. 1.1 Histórico da Legislação sobre Eficiência Energética no Brasil Em 1997, pela Lei n. 9.478, foi lançada a Política Energética Nacional (PEN), que cria o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e a Agência Nacional de Petróleo (ANP). Essa Lei dispõe sobre a política energética nacional, as atividades relativas ao monopólio do petróleo, institui o Conselho Nacional de Política Energética e a Agência Nacional do Petróleo e dá outras providências. Trata das políticas nacionais para o aproveitamento racional das fontes de 5 energia cujos objetivos são: preservar o interesse nacional; promover o desenvolvimento, ampliar o mercado de trabalho e valorizar os recursos energéticos; utilizar fontes alternativas de energia, promover a livre concorrência; e outros mais além desses. O Conselho Nacional de Política Energética – CNPE foi vinculado à Presidência da República e presidido pelo Ministro de Estado de Minas e Energia, com a atribuição de propor ao Presidente da República políticas nacionais e medidas específicas destinadas a promover o aproveitamento racional dos recursos energéticos do país, assegurar o suprimento de insumos energéticos às áreas mais remotas ou de difícil acesso do país, rever periodicamente as matrizes energéticas aplicadas às diversas regiões do país, tudo isso considerando as fontes convencionais e alternativas e as tecnologias disponíveis. No início deste século, foi publicada Lei n. 9.995/2000, que desenvolve a pesquisa e o desenvolvimento em eficiência energética, e foi publicada a Lei n. 10.295/2001, que marcou a área de eficiência energética no país, da qual trataremos no terceiro tema desta aula. Nos anos seguintes, em referência ao Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE), o governo lançou novos programas de certificação de eficiência energética: para edifícios comerciais, públicos e de serviços, em 2009, e para edifícios residenciais, em 2010. No ano de 2012, na área de energias renováveis e de eficiência energética, a Resolução Aneel n. 482/2012 instituiu um sistema de compensação de energia elétrica no Brasil (Net Metering). Nesse sistema de compensação, as unidades consumidoras com micro ou minigeração distribuída(potência instalada de até 1 MW), por meio de fonte hidráulica, solar, eólica, biomassa ou cogeração qualificada, podem compensar seu consumo de energia. Em 2015, a Resolução n. 482 foi atualizada pela Resolução da Aneel n. 687; nesta última, o período de compensação, que era de 36 meses, foi ampliado para 60 meses, e o limite de potência instalada por usina foi aumentado para 3 MW para fonte hidrelétrica e 5 MW para outras fontes de energia renováveis e cogeração qualificada. A Aneel criou, ainda, a figura da “geração compartilhada”, possibilitando que diversos interessados se unam em um consórcio ou em uma cooperativa, 6 instalem uma micro ou minigeração distribuída e utilizem a energia gerada para redução das faturas dos consorciados ou cooperados. Complementarmente a toda essa criação de programas e leis, o lançamento de planos nacionais foi uma importante medida para apoiar o planejamento e a execução de medidas de conservação de energia. Entre os planos mais relevantes que versam sobre o assunto, estão o Plano Nacional de Energia 2030 e o Plano Nacional de Eficiência energética, os quais serão apresentados a seguir. 1.2 Plano Nacional de Energia 2030 No Plano Nacional de Energia 2030, o PNE 2030, é apresentado o potencial de aplicação de medidas de eficiência energética no Brasil para diferentes cenários macroeconômicos, indicados na Tabela 1. Esses cenários foram formulados com base em estimativas de crescimento econômico nacional e internacional nos próximos anos. Tabela 1 – Caracterização de cenários macroeconômicos nacionais para o período de 2005 a 2030 Cenários macroeconômicos Produtividade da economia brasileira Taxa média de crescimento do consumo nacional 2005-2030 (% ao ano) A Elevada 4,3 B1 Média para elevada 3,6 B2 Média para reduzida 3,1 C Reduzida 2,5 Fonte: MME, 2007. O Plano Nacional de Energia, PNE 2030, é o primeiro estudo de planejamento integrado dos recursos energéticos realizado no âmbito do governo brasileiro. Conduzidos pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) em estreita vinculação com o Ministério de Minas e Energia (MME), os estudos do PNE 2030 originaram a elaboração de quase uma centena de notas técnicas. O trabalho fornece os subsídios para a formulação de uma estratégia de expansão da oferta de energia econômica e sustentável com vistas ao atendimento da evolução da demanda, segundo uma perspectiva de longo prazo. 7 O desenvolvimento dos trabalhos foi conduzido pela incorporação da necessária participação de elementos da sociedade, com divulgação pública para esse tipo de estudo e ampla cobertura dos principais meios de comunicação. Além do ineditismo dos trabalhos realizados acerca do PNE 2030, cabe registrar que os estudos foram realizados em menos de um ano. O PNE 2030 se constitui em estudo pioneiro no Brasil realizado por um ente governamental. É a primeira vez no país, no âmbito do governo, que se desenvolve um estudo de planejamento de longo prazo de caráter energético – vale dizer, cobrindo não somente a questão da energia elétrica, como também dos demais energéticos, notadamente petróleo, gás natural e biomassa. As referências anteriores disponíveis no âmbito de entidades de governo são os estudos da Petrobras, na área de petróleo e gás, e da Eletrobrás, como coordenadora do extinto Grupo Coordenador do Planejamento dos Sistemas Elétricos (GCPS), na área de eletricidade. O PNE 2030 surge como uma referência nova e esperada, cumprindo um papel há muito reclamado por toda a sociedade. A EPE, como condutora dos estudos do PNE 2030, contribui de maneira decisiva para a recuperação do processo de planejamento energético nacional, recuperação colocada, desde sempre, como objetivo inafastável pelo Ministro de Estado de Minas e Energia. Além disso, a conclusão dos estudos na forma e no prazo propostos reafirma o acerto na criação da EPE e consolida a instituição como referência do planejamento setorial. O PNEf adotou medidas para a indústria, criando mecanismos que estimulam os empreendedores/empresários a contratar serviços de consultoria em eficiência energética e, com isso, acaba modernizando a indústria nacional. Incentivos fiscais estão sendo feitos para que esses empresários renovem seus equipamentos, tornando-os mais eficientes. A expansão de sistemas de cogeração de energia aumentam o rendimento dos processos, diminuindo os seus custos, por exemplo, com o reaproveitamento de resíduos gerados (como biomassa e gases de coque). O setor de transportes também passa por mudanças na matriz energética brasileira, procurando alterar-se para um modelo misto rodoviário, ferroviário e hidroviário. O desenvolvimento tecnológico aponta para a necessidade de melhoria nos motores dos veículos, pensando-se em motores híbridos e elétricos. 8 Outro ponto que pode ser ressaltado é a ampliação de Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular, ou seja, termos o maior número de tipos e modelos de veículos que venham a ficar acessível a todos os públicos. O Plano Nacional de Eficiência Energética, quando se trata do uso de energia em edificações, requer investimento em capacitação técnica dos profissionais da construção civil, fazendo melhorias de eficiência energética. Os estudos no âmbito do setor público têm sido notados nessa mudança, tanto no planejamento urbano quanto nos códigos de obras dos municípios. Vemos, então, a necessidade de uma certificação obrigatória da eficiência energética de edifícios. Em 2014, essa certificação tornou-se mandatória nos edifícios públicos federais e voluntária nos edifícios públicos estaduais e municipais, comerciais e residenciais. Ao tratarmos de iluminação pública, o PNEf aborda a necessidade de aplicação do Programa Nacional de Iluminação Pública e Sinalização Semafórica Eficientes (Procel Reluz) de maneira mais eficiente. Implementando medidas de eficiência energética em sistemas de iluminação pública diversos, como rodovias, parques e praças. Uma medida complementar foi a de incentivar a indústria nacional de Light Emitting Diodes (LED) para aplicação na iluminação pública, assim como nos demais setores. Na área de saneamento básico, o Plano Nacional de Eficiência Energética aponta a necessidade de melhorias no diagnóstico e intervenção dos sistemas de abastecimento e tratamento de água, focando a eficiência energética. Para isso, há necessidade de ampliação das linhas de financiamento nos produtos, incrementando os níveis de eficiência energética. O tema eficiência energética também envolve educação em todos os níveis de ensino. Com temas como o combate ao desperdício de energia, o conhecimento adquirido em sala de aula deve ser repassado à população, pelos alunos ou em palestras educativas, expandindo os conhecimentos sobre conservação de energia na formação profissional de engenheiros e arquitetos. Isso fará com que se consolidem a rede de laboratórios de certificação e os centros de pesquisa em eficiência energética no país. Entre as principais motivações para a criação da Lei n.10.295/2001, sobre a qual trataremos em nosso tema 3, está a crise nacional de energia elétrica ocorrida naquele ano. O Brasil superou o racionamento de energia principalmente devido a mecanismos de gestão do lado da demanda, como 9 também em mudanças de hábito de consumo e substituição de equipamentos deficientes por de tecnologias superiores. De acordo com o Plano Nacional de Energia 2030, existe um potencial médio de aplicação de medidas de eficiência energética na faixa de 2,9% a 7,3% para 2020 e 4,4% a 10,9% para 2030, em relação a 2010, considerando diferentes setores e cenários macroeconômicos nacionais. Esse potencial de eficiência energética pode variar bastante, dependendo do desenvolvimento econômico. Apesar de todo o desenvolvimento que tivemosnos últimos anos, o Brasil ainda se encontra muitos atrás de vários países desenvolvidos, como Estados Unidos e membros da União Europeia, em suas políticas públicas de eficiência energética. Entre as iniciativas nacionais de incentivo ao uso de medidas de eficiência energética, o Programa Brasileiro de Etiquetagem tem se destacado, avaliando atualmente centenas de produtos, incluindo eletrodomésticos, equipamentos hidrossanitários, edifícios e automóveis. Ações precisam ser desenvolvidas para aumentar a conservação energética, tais como: modernização da indústria, diversificação da malha de transportes, implementação de políticas de combate ao desperdício de energia e de normas de eficiência energética que sejam mais rigorosas em concessão de certificações. TEMA 2 – LEI N. 9.991/2000 Criado pela Lei n. 9.991, de 24 de junho de 2000, e regulamentado pelo Decreto n. 3.867, de 16 de julho de 2001, o Fundo Setorial de Energia (CT- ENERG) tem como objetivo fundamental o financiamento de atividades de pesquisa científica e desenvolvimento tecnológico do setor elétrico, bem como de projetos que busquem o aumento da eficiência no uso final de energia. O CT- ENERG tem como objetivos principais: estimular a pesquisa e a inovação voltadas à busca de novas alternativas de geração de energia com menores custos e melhor qualidade; promover o desenvolvimento e o aumento da competitividade da tecnologia industrial nacional, com incremento do intercâmbio internacional no setor de pesquisa e desenvolvimento; estimular a formação de recursos humanos na área e fomentar a capacitação tecnológica nacional. A Lei regulamentada pelo Decreto n. 3.867, de 16 de julho de 2001, dispõe sobre realização de investimentos em pesquisa e desenvolvimento e em 10 eficiência energética por parte das empresas concessionárias, permissionárias e autorizadas do setor de energia elétrica, e dá outras providências. Em seu Artigo 1º, consta que as concessionárias e permissionárias de serviços públicos de distribuição de energia elétrica ficam obrigadas a aplicar, anualmente, o montante de, no mínimo, setenta e cinco centésimos por cento de sua receita operacional líquida em pesquisa e desenvolvimento do setor elétrico e, no mínimo, vinte e cinco centésimos por cento em programas de eficiência energética no uso final, observando que, a partir de 1º de janeiro de 2011, para as concessionárias e permissionárias cuja energia vendida for inferior a 1.000 GWh por ano, o percentual mínimo a ser aplicado em programas de eficiência energética no uso final pode ser de até 0,50% (cinquenta centésimos por cento). Nesse caso, para as concessionárias e permissionárias, o percentual para aplicação em pesquisa e desenvolvimento será aquele necessário para complementar o montante total estabelecido acima, não devendo ser inferior a cinquenta centésimos por cento. Em seu Artigo 3º, as concessionárias de serviços públicos de transmissão de energia elétrica ficam obrigadas a aplicar, anualmente, o montante de, no mínimo, um por cento de sua receita operacional líquida em pesquisa e desenvolvimento do setor elétrico. Já no Artigo 4º, os recursos para pesquisa e desenvolvimento, previstos nos artigos anteriores, devem ser distribuídos da seguinte forma: I. 40% (quarenta por cento) para o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - FNDCT, criado pelo Decreto-Lei nº 719, de 31 de julho de 1969, e restabelecido pela Lei nº 8.172, de 18 de janeiro de 1991; II. 40% (quarenta por cento) para projetos de pesquisa e desenvolvimento, segundo regulamentos estabelecidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica - ANEEL; III. 20% (vinte por cento) para o MME, a fim de custear os estudos e pesquisas de planejamento da expansão do sistema energético, bem como os de inventário e de viabilidade necessários ao aproveitamento dos potenciais hidrelétricos. § 1º Para os recursos referidos no inciso I, será criada categoria de programação específica no âmbito do FNDCT para aplicação no financiamento de programas e projetos de pesquisa científica e desenvolvimento tecnológico do setor elétrico, bem como na eficiência energética no uso final. § 2º Entre os programas e projetos de pesquisa científica e tecnológica do setor de energia elétrica, devem estar incluídos os que tratem da preservação do meio ambiente, da capacitação dos recursos humanos e do desenvolvimento tecnológico. No Artigo 5º, os recursos serão aplicados da seguinte forma: 11 I. os investimentos em eficiência energética, previstos no art. 1º, serão aplicados de acordo com regulamentos estabelecidos pela ANEEL; II. no mínimo 30% (trinta por cento) dos recursos referidos nos incisos I, II e III do art. 4º desta Lei serão destinados a projetos desenvolvidos por instituições de pesquisa sediadas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, incluindo as respectivas áreas das Superintendências Regionais; III. as instituições de pesquisa e desenvolvimento receptoras de recursos deverão ser nacionais e reconhecidas pelo Ministério da Ciência e Tecnologia - MCT; IV. as instituições de ensino superior deverão ser credenciadas junto ao Ministério da Educação - MEC. O Artigo 6º nos mostra que ele será constituído no âmbito do Ministério da Ciência e Tecnologia, que lhe prestará apoio técnico, administrativo e financeiro. O Comitê Gestor tem a finalidade de definir diretrizes gerais e plano anual de investimentos, acompanhar a implementação das ações e avaliar anualmente os resultados alcançados na aplicação dos recursos de que trata o inciso I do artigo 4º: § 1º O Comitê Gestor será composto pelos seguintes membros: I. três representantes do Ministério da Ciência e Tecnologia, sendo um da Administração Central, que o presidirá, um do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq e um da Financiadora de Estudos e Projetos - FINEP; II. um representante do Ministério de Minas e Energia; III. um representante da ANEEL; IV. dois representantes da comunidade científica e tecnológica; V. dois representantes do setor produtivo. § 2º Os membros do Comitê Gestor a que se referem os incisos IV e V do § 1º terão mandato de dois anos, admitida uma recondução, devendo a primeira investidura ocorrer no prazo de até noventa dias a partir da publicação desta Lei. § 3º A participação no Comitê Gestor não será remunerada. No artigo 7º, os recursos aplicados na forma desta Lei não podem ser computados para os fins previstos na Lei n. 8.661, de 2 de junho de 1993. No artigo 8º, consta que não se aplica a este Fundo o disposto na Lei n. 9.530, de 10 de dezembro de 1997. A Lei entrou em vigor na data de sua publicação, ou seja, 24 de julho de 2000, no Governo Fernando Henrique Cardoso. TEMA 3 – LEI N. 10.295/2001 Quando falamos de eficiência energética, vemos que, desde 2001, o Brasil tem participado mais veementemente pela edição da Lei n. 10.295, também conhecida como Lei de Eficiência Energética. Ela trata da conservação de energia na Política Energética Nacional, estimulando o desenvolvimento 12 tecnológico, a preservação ambiental e a introdução de produtos mais eficientes no mercado nacional. A Lei de Eficiência Energética aplica parâmetros que determinam a existência de níveis mínimos de eficiência energética, os quais remetem ao máximo de consumo específico de energia de máquinas e aparelhos movidos à energia, que pode ser elétrica, de insumos energéticos, ou de derivados de petróleo; fabricados ou comercializados no país, bem como de edificações construídas com base em indicadores técnicos pertinentes e de maneira compulsória. O artigo 1º trata da Política Nacional de Conservação e uso racional de Energia, visando a alocação eficiente de recursos energéticos e a preservação do meio ambiente. Em seu artigo 2º, consta que o Poder Executivo estabelecerá níveis máximosde consumo específico de energia, ou mínimos de eficiência energética, de máquinas e aparelhos consumidores de energia fabricados ou comercializados no país, com base em indicadores técnicos pertinentes. § 1o Os níveis a que se refere o caput serão estabelecidos com base em valores técnica e economicamente viáveis, considerando a vida útil das máquinas e aparelhos consumidores de energia. § 2o Em até 1 (um) ano a partir da publicação destes níveis, será estabelecido um Programa de Metas para sua progressiva evolução. Artigo 3o Os fabricantes e os importadores de máquinas e aparelhos consumidores de energia são obrigados a adotar as medidas necessárias para que sejam obedecidos os níveis máximos de consumo de energia e mínimos de eficiência energética, constantes da regulamentação específica estabelecida para cada tipo de máquina e aparelho. § 1o Os importadores devem comprovar o atendimento aos níveis máximos de consumo específico de energia, ou mínimos de eficiência energética, durante o processo de importação. § 2o As máquinas e aparelhos consumidores de energia encontrados no mercado sem as especificações legais, quando da vigência da regulamentação específica, deverão ser recolhidos, no prazo máximo de 30 (trinta) dias, pelos respectivos fabricantes e importadores. § 3o Findo o prazo fixado no § 2o, os fabricantes e importadores estarão sujeitos às multas por unidade, a serem estabelecidas em regulamento, de até 100% (cem por cento) do preço de venda por eles praticados. No artigo 4º: o Poder Executivo desenvolverá mecanismos que promovam a eficiência energética nas edificações construídas no país. No artigo 5º: previamente ao estabelecimento dos indicadores de consumo específico de energia, ou de eficiência energética, de que trata esta Lei, devem ser ouvidas em audiência pública, com divulgação antecipada das propostas, entidades representativas de fabricantes e importadores de máquinas 13 e aparelhos consumidores de energia, projetistas e construtores de edificações, consumidores, instituições de ensino e pesquisa e demais entidades interessadas. No artigo 6º, a Lei entra em vigor na data de sua publicação, que ocorreu em 17 de outubro de 2001, no Governo Fernando Henrique Cardoso. TEMA 4 – RESOLUÇÃO NORMATIVA N. 271, DE 3 DE JULHO DE 2007 Altera a redação dos arts. 1º e 3º da Resolução Normativa n. 77, de 18 de agosto de 2004: O DIRETOR-GERAL DA AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA - ANEEL, no uso de suas atribuições regimentais, de acordo com deliberação da Diretoria, tendo em vista o disposto no art. 26, §§ 1º, 5º e 8º, da Lei nº 9.427, de 26 de dezembro de 1996, com redação dada pelo art. 17 da Lei nº 10.438, de 26 de abril de 2002, e pelo art. 21 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, no art. 7º do Decreto nº 2.655, de 2 de julho de 1998, com base no art. 4º, inciso III, Anexo I, do Decreto nº 2.335, de 6 de outubro de 1997, na Resolução Normativa nº 77, de 18 de agosto de 2004, o que consta no Processo nº 48500.004606/03-53, e considerando que: as contribuições recebidas entre 05 de fevereiro de 2007 a 05 de março de 2007, período de realização da Audiência Pública nº 002/2007, por intercâmbio documental, foram objeto de análise da ANEEL e permitiram o aperfeiçoamento deste ato regulamentar, resolve: Art. 1º Alterar os arts. 1º e 3º da Resolução Normativa nº 077, de 18 de agosto de 2004, que passam a vigorar com a seguinte redação: Art. 1º Estabelecer, na forma desta Resolução, os procedimentos vinculados à redução das tarifas de uso dos sistemas elétricos de transmissão e de distribuição, aplicáveis aos empreendimentos hidrelétricos com potência igual ou inferior a 1.000 (mil) kW, para aqueles caracterizados como pequena central hidrelétrica e àqueles com base em fontes solar, eólica, biomassa ou cogeração qualificada, conforme regulamentação da ANEEL, cuja potência injetada nos sistemas de transmissão ou distribuição seja menor ou igual a 30.000 (trinta mil) kW, incidindo na produção e no consumo da energia comercializada pelos aproveitamentos. Art. 3º Fica assegurado o direito a 100% (cem por cento) de redução, a ser aplicado às tarifas de uso dos sistemas elétricos de transmissão e de distribuição, incidindo na produção e no consumo da energia comercializada pelos empreendimentos a que se refere o art. 1º desta Resolução, desde que atenda a uma das seguintes condições: IV. aqueles que utilizem como insumo energético, no mínimo, 50% (cinquenta por cento) de biomassa composta de resíduos sólidos urbanos e/ou de biogás de aterro sanitário ou biodigestores de resíduos vegetais ou animais, assim como lodos de estações de tratamento de esgoto. TEMA 5 – PROGRAMAS DO GOVERNO: SELO PROCEL Especificamente para eletricidade, o Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica, o Procel, coordenado pela Eletrobras, tem como seu principal símbolo o Selo Procel: 14 Figura 2 – Selo Procel Fonte: Inmetro. O Selo Procel indica ao consumidor os produtos que apresentam os melhores níveis de eficiência energética em sua categoria (ventiladores de teto, lavadoras automáticas, geladeiras etc.). Assim, se você for a uma loja para comprar um eletrodoméstico e escolher aquele com o selo Procel, saberá que este produto consome menos energia que outro equivalente sem o selo, proporcionando economia na conta de eletricidade e acarretando menos impactos no meio ambiente. Por outro lado, os fabricantes de produtos como lâmpadas, TVs e aparelhos de ar-condicionado tentam fazer produtos cada vez mais eficientes para receberem o selo Procel, beneficiando, assim, toda a sociedade. A geladeira a seguir traz a Etiqueta Nacional de Conservação de Energia do Inmetro, que classifica os produtos em faixas coloridas que variam da mais eficiente (A) a menos eficiente (de C até G, dependendo do produto), além de fornecer informações de consumo de eletricidade e água, que você encontrará nos produtos – dê preferência a produtos classe A com o selo Procel, que apresentam maior eficiência energética da categoria. Figura 3 – Selo Procel e informações de consumo Crédito: Seixas, 2020. Disponível em: . 15 Enquanto a etiqueta do Inmetro informa a classificação dos produtos, o Selo Procel indica que aquele produto que recebeu o selo se destaca em eficiência energética. É importante observar, na hora de comprar, se os equipamentos trazem esse selo, principalmente para os equipamentos de maior consumo mensal. Por exemplo: Figura 4 – Objetos que podem apresentar selo Procel Fonte: EPE. O Selo Procel de Economia de Energia, ou simplesmente Selo Procel, é uma ferramenta simples e eficaz que permite ao consumidor conhecer, entre os equipamentos e eletrodomésticos à disposição no mercado, os mais eficientes e que consomem menos energia. Criado pelo Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica – Procel, programa do Governo Federal executado pela Eletrobras, o Selo Procel foi instituído por Decreto Presidencial em 8 de dezembro de 1993. A partir de sua criação, foram firmadas parcerias junto ao Inmetro, a agentes como associações de fabricantes, pesquisadores de universidades e laboratórios, com o objetivo de estimular a disponibilidade, no mercado brasileiro, de equipamentos cada vez mais eficientes. Para isso, são estabelecidos índices de consumo e desempenho para cada categoria de equipamento. Cada equipamento candidato ao Selo deve ser submetido a ensaios em laboratórios indicados pela Eletrobras. Apenas os produtos que atingem esses índices são contemplados com o Selo Procel. 16 Tabela 2 – Informações Procel Equipamentos Categorias Critérios Específicos Eletrodomésticos Congeladores Congeladores port.- Refrigeradores Refrigeradores port.- Lavadoras Semiautomáticas Automáticas port. ing.Televisores Televisores port.- Equipamentos Categorias Critérios Específicos Ventiladores Mesa Teto port. ing. Condicionadores de ar Split Janela port. ing. Micro-ondas Micro-ondas port. ing Iluminação Lâmpadas Fluorescentes Compactas Lâmpadas Fluor. Compactas 127/220V port. ing. Lâmpadas a Vapor de Sódio Lâmpadas a Vapor de Sódio port. - Lâmpadas LED Lâmpadas LED port. ing. Reatores Eletromagnéticos – Lâmpadas Vapor de Sódio Eletrônicos – Lâmpadas Tubulares port. port. Luminárias LED Luminária LED para Iluminação Pública port. ing. Bombas e Motores Bombas e Motobombas Bombas e Motobombas port. Motores Elétricos Motores Elétricos port. Solares Sistema de Aquecimento Solar Coletores Solares Reservatórios Térmicos port. port. 17 Sistema Fotovoltaico Módulos Fotovoltaicos port. Fonte: Procel Info. Posteriormente, trataremos da melhoria da eficiência de alguns itens aqui apresentados, como da própria energia elétrica, iluminação e motores. FINALIZANDO Em nosso tema 1, definimos Eficiência Energética e, para termos essa eficiência, precisamos gerar a mesma quantidade de energia com menos recursos naturais, ou seja, obter o mesmo serviço com menos energia. Vimos as iniciativas governamentais, com a criação de diversos programas, como o Programa Conserve, o Programa de Mobilização Energética (PME), o Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), a criação do Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE), o Programa Nacional da Racionalização do Uso de Derivados do Petróleo e do Gás Natural (Conpet), além do PNE 2030, que é um plano a longo prazo. Nos temas 2, 3 e 4, falamos sobre as Legislações que regem a eficiência energética, organizando e direcionando o setor. No tema 5, tratamos especificamente do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica, o Procel, que faz com que a indústria busque o melhor selo para seus equipamentos, ou seja, um “A”, de melhor eficiência. 18 REFERÊNCIAS ALTOÉ, L. et al. Políticas públicas de incentivo à eficiência energética. Estudos Avançados, v. 31, n. 89, 2017. Disponível em: . Acesso em: 30 set. 2019. ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica. Resolução Normativa n. 271, de 3 de julho de 2007. Brasília, DF, 3 jul. 2007. Disponível em: . Acesso em: 30 set. 2019. _____. Resolução normativa n. 482, de 17 de abril de 2012. Brasília, DF, 17 abr. 2012. Disponível em: . Acesso em: 30 set. 2019. ____. Geração distribuída. Brasília, DF, 15 ago. 2018. Disponível em: . Acesso em: 30 set. 2019. BRASIL. Lei n. 9.478, de 6 de agosto de 1997. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 6 ago. 1997. Disponível em: . Acesso em: 30 set. 2019. EFICIÊNCIA energética. EPE, s.d. Disponível em: . Acesso em: 30 set. 2019. LEI de Eficiência Energética. Procel Info, 2014. Disponível em: . Acesso em: 30 set. 2019. MME – Ministério de Minas e Energia. Relatório de Atividades do Comitê Gestor de Indicadores e Níveis de Eficiência Energética – CGIEE, 2014. Disponível em: 19 . Acesso em: 30 set. 2019. _____. Plano Nacional de Eficiência Energética: premissas e diretrizes básicas na elaboração do plano. Brasília, DF, s.d. Disponível em: . Acesso em: 30 set. 2019. PLANO Nacional de Energia – 2030. EPE, s.d. Disponível em: . Acesso em: 30 set. 2019.