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EFICIÊNCIA ENERGÉTICA 
AULA 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Paulo Sergio da Silva Seixas
 
 
CONVERSA INICIAL 
Seja bem-vindo à disciplina de Eficiência Energética, na qual trataremos 
de definições e conceitos gerais, além da compreensão da legislação a respeito 
desse assunto e dos programas de governo. 
Esperamos trazer, de maneira clara, as metodologias de melhoria de 
eficiência energética a serem abordadas em nossas aulas para que possamos 
aplicá-las em nossos projetos e programas de gerenciamento de energia. 
TEMA 1 – ASPECTOS GERAIS DA EFICIÊNCIA ENERGÉTICA 
Antes de falarmos sobre Eficiência Energética, vamos procurar no 
dicionário Aurélio sua definição. Ele nos traz eficiência como “ação ou virtude 
de produzir um efeito”, o que torna a definição muito simples na área da 
engenharia. Uma definição melhor, que hoje nos vêm à memória, também é 
como “fazer mais com menos, ou pode-se fazer a mesma coisa, mantendo o 
conforto e a qualidade”. 
A palavra Eficiência tem se confundido muito como Eficácia, em meio 
aos diversos conceitos solicitados durante o curso, porém uma coisa é certa: 
Ao falarmos de energia, especificamente na eficiência energética, 
precisamos gerar a mesma quantidade de energia com menos recursos 
naturais, ou seja, obter o mesmo serviço com menos energia. 
Buscamos, cada dia mais, equipamentos mais eficientes, que utilizem 
menos recursos para proporcionar a mesma quantidade de energia útil, 
contribuindo para esse uso mais eficiente da energia. 
Participamos de uma campanha governamental em 2016 pela 
substituição das lâmpadas incandescentes por lâmpadas fluorescentes e, mais 
atualmente, por lâmpadas de LED (Light Emitting Diode, que utilizam 
componentes eletrônicos, ditos emissores de luz). Nesse caso, estamos 
promovendo uma ação de eficiência energética, pois o consumo das lâmpadas 
de LED é de cerca de 90% menor que as incandescentes. 
Por exemplo, uma calha de lâmpada fluorescente composta de duas 
lâmpadas de 40 W e um reator eletrônico tem um consumo aproximado de 100 
W o conjunto. Ao substituir a calha e utilizar duas lâmpadas de 18 W de LED, o 
consumo final é de 36 W (2x36 W somente), uma vez que, nesse conjunto, 
 
 
3 
inexiste o reator. Os dois sistemas apresentam a mesma característica de 
luminosidade, porém o LED nos traz um ambiente mais limpo, sem a calha 
robusta, além da inexistência de zumbidos característicos dos reatores (que são 
mais caros do que as lâmpadas, e por vezes necessitam de troca). Assim, essa 
substituição fornece de imediato uma redução de consumo de 64% se 
comparada às lâmpadas fluorescentes, isto é, fez muito mais com menos. Em 
se tratando de lâmpadas incandescentes, os resultados são muito mais 
atraentes, pois nessas há muita perda de energia pelo calor. 
A primeira iniciativa governamental para incentivar o uso de medidas de 
eficiência energética em nível nacional ocorreu em 1981, com a criação do 
Programa Conserve, que visava promover a conservação de energia na 
indústria, o desenvolvimento de produtos eficientes e a substituição de 
energéticos importados por fontes nacionais. No ano seguinte, foi lançado o 
Programa de Mobilização Energética (PME), que tinha como características 
ações para incentivar o uso de medidas de conservação de energia e, 
especialmente, substituir derivados de petróleo por fontes renováveis de energia 
(MME, 2011). 
Em 1985, por meio de uma atuação abrangente e coordenada, foi lançada 
a Portaria Interministerial n. 1.877, dos Ministérios de Minas e Energia e do 
Ministério da Indústria e Comércio Exterior, que instituiu o Programa Nacional de 
Conservação de Energia Elétrica (Procel), que abordaremos com mais detalhes 
posteriormente no item Programas de Governo. Sua missão foi promover o uso 
racional de energia elétrica em todo país e, dentre suas iniciativas, está a criação 
do Programa Brasileiro de Etiquetagem (Brasil, 1985). 
Para a comparação de eficiências entre fabricantes de eletrodomésticos 
e eletrônicos, foi criado o Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE), que, 
coordenado pelo Inmetro, promove o uso eficiente de energia elétrica e fornece 
informações sobre a eficiência energética dos equipamentos. 
Dessa forma, na hora da compra, é possível escolher o equipamento mais 
eficiente, estimulando a indústria na fabricação de produtos que passam a 
concorrer em sua eficiência. 
Por meio de decreto presidencial de 18 de julho de 1991, foi instituído o 
Programa Nacional da Racionalização do Uso de Derivados do Petróleo e do 
Gás Natural (Conpet). Assim, como o Procel, o Conpet foi criado com a finalidade 
de estimular o uso racional de recursos energéticos no país, mas focado em 
 
 
4 
fontes de energia não renováveis. O Conpet também atua no âmbito do 
Programa Brasileiro de Etiquetagem (Brasil, 1991). 
O Selo Conpet de Eficiência Energética é concedido a fogões, 
aquecedores de água a gás e carros, destacando sua eficiência energética. Você 
também pode procurar o selo Conpet na hora de comprar esses produtos. 
Figura 1 – Selo Conpet 
 
Crédito: Seixas, 2020. Disponível em: . 
A imagem acima é de um aquecedor de água a gás, com destaque para 
etiqueta do Inmetro com a classificação e o selo do Conpet que você encontrará 
nos produtos. Este produto é classificado como classe A, sendo essa a maior 
eficiência energética da categoria, ou seja, menor consumo de gás para executar 
o mesmo serviço. 
Com o aumento da eficiência energética e o uso consciente de energia, 
serão necessários menos recursos naturais para gerar energia, com menores 
impactos negativos ao meio ambiente. 
1.1 Histórico da Legislação sobre Eficiência Energética no Brasil 
Em 1997, pela Lei n. 9.478, foi lançada a Política Energética Nacional 
(PEN), que cria o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e a Agência 
Nacional de Petróleo (ANP). Essa Lei dispõe sobre a política energética nacional, 
as atividades relativas ao monopólio do petróleo, institui o Conselho Nacional de 
Política Energética e a Agência Nacional do Petróleo e dá outras providências. 
Trata das políticas nacionais para o aproveitamento racional das fontes de 
 
 
5 
energia cujos objetivos são: preservar o interesse nacional; promover o 
desenvolvimento, ampliar o mercado de trabalho e valorizar os recursos 
energéticos; utilizar fontes alternativas de energia, promover a livre concorrência; 
e outros mais além desses. 
O Conselho Nacional de Política Energética – CNPE foi vinculado à 
Presidência da República e presidido pelo Ministro de Estado de Minas e 
Energia, com a atribuição de propor ao Presidente da República políticas 
nacionais e medidas específicas destinadas a promover o aproveitamento 
racional dos recursos energéticos do país, assegurar o suprimento de insumos 
energéticos às áreas mais remotas ou de difícil acesso do país, rever 
periodicamente as matrizes energéticas aplicadas às diversas regiões do país, 
tudo isso considerando as fontes convencionais e alternativas e as tecnologias 
disponíveis. 
No início deste século, foi publicada Lei n. 9.995/2000, que desenvolve a 
pesquisa e o desenvolvimento em eficiência energética, e foi publicada a Lei n. 
10.295/2001, que marcou a área de eficiência energética no país, da qual 
trataremos no terceiro tema desta aula. 
Nos anos seguintes, em referência ao Programa Brasileiro de 
Etiquetagem (PBE), o governo lançou novos programas de certificação de 
eficiência energética: para edifícios comerciais, públicos e de serviços, em 2009, 
e para edifícios residenciais, em 2010. 
No ano de 2012, na área de energias renováveis e de eficiência 
energética, a Resolução Aneel n. 482/2012 instituiu um sistema de 
compensação de energia elétrica no Brasil (Net Metering). Nesse sistema de 
compensação, as unidades consumidoras com micro ou minigeração distribuída(potência instalada de até 1 MW), por meio de fonte hidráulica, solar, eólica, 
biomassa ou cogeração qualificada, podem compensar seu consumo de energia. 
Em 2015, a Resolução n. 482 foi atualizada pela Resolução da Aneel n. 
687; nesta última, o período de compensação, que era de 36 meses, foi ampliado 
para 60 meses, e o limite de potência instalada por usina foi aumentado para 3 
MW para fonte hidrelétrica e 5 MW para outras fontes de energia renováveis e 
cogeração qualificada. 
A Aneel criou, ainda, a figura da “geração compartilhada”, possibilitando 
que diversos interessados se unam em um consórcio ou em uma cooperativa, 
 
 
6 
instalem uma micro ou minigeração distribuída e utilizem a energia gerada para 
redução das faturas dos consorciados ou cooperados. 
Complementarmente a toda essa criação de programas e leis, o 
lançamento de planos nacionais foi uma importante medida para apoiar o 
planejamento e a execução de medidas de conservação de energia. 
Entre os planos mais relevantes que versam sobre o assunto, estão o 
Plano Nacional de Energia 2030 e o Plano Nacional de Eficiência energética, os 
quais serão apresentados a seguir. 
1.2 Plano Nacional de Energia 2030 
No Plano Nacional de Energia 2030, o PNE 2030, é apresentado o 
potencial de aplicação de medidas de eficiência energética no Brasil para 
diferentes cenários macroeconômicos, indicados na Tabela 1. Esses cenários 
foram formulados com base em estimativas de crescimento econômico nacional 
e internacional nos próximos anos. 
Tabela 1 – Caracterização de cenários macroeconômicos nacionais para o 
período de 2005 a 2030 
Cenários 
macroeconômicos 
Produtividade da 
economia 
brasileira 
Taxa média de crescimento do 
consumo nacional 2005-2030 
(% ao ano) 
 
A Elevada 4,3 
 
B1 Média para elevada 3,6 
 
B2 Média para reduzida 3,1 
 
C Reduzida 2,5 
 
Fonte: MME, 2007. 
O Plano Nacional de Energia, PNE 2030, é o primeiro estudo de 
planejamento integrado dos recursos energéticos realizado no âmbito do 
governo brasileiro. Conduzidos pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) em 
estreita vinculação com o Ministério de Minas e Energia (MME), os estudos do 
PNE 2030 originaram a elaboração de quase uma centena de notas técnicas. O 
trabalho fornece os subsídios para a formulação de uma estratégia de expansão 
da oferta de energia econômica e sustentável com vistas ao atendimento da 
evolução da demanda, segundo uma perspectiva de longo prazo. 
 
 
7 
O desenvolvimento dos trabalhos foi conduzido pela incorporação da 
necessária participação de elementos da sociedade, com divulgação pública 
para esse tipo de estudo e ampla cobertura dos principais meios de 
comunicação. Além do ineditismo dos trabalhos realizados acerca do PNE 2030, 
cabe registrar que os estudos foram realizados em menos de um ano. 
O PNE 2030 se constitui em estudo pioneiro no Brasil realizado por um 
ente governamental. É a primeira vez no país, no âmbito do governo, que se 
desenvolve um estudo de planejamento de longo prazo de caráter energético – 
vale dizer, cobrindo não somente a questão da energia elétrica, como também 
dos demais energéticos, notadamente petróleo, gás natural e biomassa. As 
referências anteriores disponíveis no âmbito de entidades de governo são os 
estudos da Petrobras, na área de petróleo e gás, e da Eletrobrás, como 
coordenadora do extinto Grupo Coordenador do Planejamento dos Sistemas 
Elétricos (GCPS), na área de eletricidade. 
O PNE 2030 surge como uma referência nova e esperada, cumprindo um 
papel há muito reclamado por toda a sociedade. A EPE, como condutora dos 
estudos do PNE 2030, contribui de maneira decisiva para a recuperação do 
processo de planejamento energético nacional, recuperação colocada, desde 
sempre, como objetivo inafastável pelo Ministro de Estado de Minas e Energia. 
Além disso, a conclusão dos estudos na forma e no prazo propostos reafirma o 
acerto na criação da EPE e consolida a instituição como referência do 
planejamento setorial. 
O PNEf adotou medidas para a indústria, criando mecanismos que 
estimulam os empreendedores/empresários a contratar serviços de consultoria 
em eficiência energética e, com isso, acaba modernizando a indústria nacional. 
Incentivos fiscais estão sendo feitos para que esses empresários renovem seus 
equipamentos, tornando-os mais eficientes. 
A expansão de sistemas de cogeração de energia aumentam o 
rendimento dos processos, diminuindo os seus custos, por exemplo, com o 
reaproveitamento de resíduos gerados (como biomassa e gases de coque). 
O setor de transportes também passa por mudanças na matriz energética 
brasileira, procurando alterar-se para um modelo misto rodoviário, ferroviário e 
hidroviário. O desenvolvimento tecnológico aponta para a necessidade de 
melhoria nos motores dos veículos, pensando-se em motores híbridos e 
elétricos. 
 
 
8 
Outro ponto que pode ser ressaltado é a ampliação de Programa 
Brasileiro de Etiquetagem Veicular, ou seja, termos o maior número de tipos e 
modelos de veículos que venham a ficar acessível a todos os públicos. 
O Plano Nacional de Eficiência Energética, quando se trata do uso de 
energia em edificações, requer investimento em capacitação técnica dos 
profissionais da construção civil, fazendo melhorias de eficiência energética. Os 
estudos no âmbito do setor público têm sido notados nessa mudança, tanto no 
planejamento urbano quanto nos códigos de obras dos municípios. Vemos, 
então, a necessidade de uma certificação obrigatória da eficiência energética de 
edifícios. Em 2014, essa certificação tornou-se mandatória nos edifícios públicos 
federais e voluntária nos edifícios públicos estaduais e municipais, comerciais e 
residenciais. 
Ao tratarmos de iluminação pública, o PNEf aborda a necessidade de 
aplicação do Programa Nacional de Iluminação Pública e Sinalização 
Semafórica Eficientes (Procel Reluz) de maneira mais eficiente. Implementando 
medidas de eficiência energética em sistemas de iluminação pública diversos, 
como rodovias, parques e praças. Uma medida complementar foi a de incentivar 
a indústria nacional de Light Emitting Diodes (LED) para aplicação na iluminação 
pública, assim como nos demais setores. 
Na área de saneamento básico, o Plano Nacional de Eficiência Energética 
aponta a necessidade de melhorias no diagnóstico e intervenção dos sistemas 
de abastecimento e tratamento de água, focando a eficiência energética. Para 
isso, há necessidade de ampliação das linhas de financiamento nos produtos, 
incrementando os níveis de eficiência energética. 
O tema eficiência energética também envolve educação em todos os 
níveis de ensino. Com temas como o combate ao desperdício de energia, o 
conhecimento adquirido em sala de aula deve ser repassado à população, pelos 
alunos ou em palestras educativas, expandindo os conhecimentos sobre 
conservação de energia na formação profissional de engenheiros e arquitetos. 
Isso fará com que se consolidem a rede de laboratórios de certificação e os 
centros de pesquisa em eficiência energética no país. 
Entre as principais motivações para a criação da Lei n.10.295/2001, sobre 
a qual trataremos em nosso tema 3, está a crise nacional de energia elétrica 
ocorrida naquele ano. O Brasil superou o racionamento de energia 
principalmente devido a mecanismos de gestão do lado da demanda, como 
 
 
9 
também em mudanças de hábito de consumo e substituição de equipamentos 
deficientes por de tecnologias superiores. 
De acordo com o Plano Nacional de Energia 2030, existe um potencial 
médio de aplicação de medidas de eficiência energética na faixa de 2,9% a 7,3% 
para 2020 e 4,4% a 10,9% para 2030, em relação a 2010, considerando 
diferentes setores e cenários macroeconômicos nacionais. Esse potencial de 
eficiência energética pode variar bastante, dependendo do desenvolvimento 
econômico. 
Apesar de todo o desenvolvimento que tivemosnos últimos anos, o Brasil 
ainda se encontra muitos atrás de vários países desenvolvidos, como Estados 
Unidos e membros da União Europeia, em suas políticas públicas de eficiência 
energética. 
Entre as iniciativas nacionais de incentivo ao uso de medidas de eficiência 
energética, o Programa Brasileiro de Etiquetagem tem se destacado, avaliando 
atualmente centenas de produtos, incluindo eletrodomésticos, equipamentos 
hidrossanitários, edifícios e automóveis. Ações precisam ser desenvolvidas para 
aumentar a conservação energética, tais como: modernização da indústria, 
diversificação da malha de transportes, implementação de políticas de combate 
ao desperdício de energia e de normas de eficiência energética que sejam mais 
rigorosas em concessão de certificações. 
TEMA 2 – LEI N. 9.991/2000 
Criado pela Lei n. 9.991, de 24 de junho de 2000, e regulamentado pelo 
Decreto n. 3.867, de 16 de julho de 2001, o Fundo Setorial de Energia (CT-
ENERG) tem como objetivo fundamental o financiamento de atividades de 
pesquisa científica e desenvolvimento tecnológico do setor elétrico, bem como 
de projetos que busquem o aumento da eficiência no uso final de energia. O CT-
ENERG tem como objetivos principais: estimular a pesquisa e a inovação 
voltadas à busca de novas alternativas de geração de energia com menores 
custos e melhor qualidade; promover o desenvolvimento e o aumento da 
competitividade da tecnologia industrial nacional, com incremento do intercâmbio 
internacional no setor de pesquisa e desenvolvimento; estimular a formação de 
recursos humanos na área e fomentar a capacitação tecnológica nacional. 
A Lei regulamentada pelo Decreto n. 3.867, de 16 de julho de 2001, dispõe 
sobre realização de investimentos em pesquisa e desenvolvimento e em 
 
 
10 
eficiência energética por parte das empresas concessionárias, permissionárias 
e autorizadas do setor de energia elétrica, e dá outras providências. 
Em seu Artigo 1º, consta que as concessionárias e permissionárias de 
serviços públicos de distribuição de energia elétrica ficam obrigadas a aplicar, 
anualmente, o montante de, no mínimo, setenta e cinco centésimos por cento de 
sua receita operacional líquida em pesquisa e desenvolvimento do setor elétrico 
e, no mínimo, vinte e cinco centésimos por cento em programas de eficiência 
energética no uso final, observando que, a partir de 1º de janeiro de 2011, para 
as concessionárias e permissionárias cuja energia vendida for inferior a 1.000 
GWh por ano, o percentual mínimo a ser aplicado em programas de eficiência 
energética no uso final pode ser de até 0,50% (cinquenta centésimos por cento). 
Nesse caso, para as concessionárias e permissionárias, o percentual para 
aplicação em pesquisa e desenvolvimento será aquele necessário para 
complementar o montante total estabelecido acima, não devendo ser inferior a 
cinquenta centésimos por cento. 
Em seu Artigo 3º, as concessionárias de serviços públicos de transmissão 
de energia elétrica ficam obrigadas a aplicar, anualmente, o montante de, no 
mínimo, um por cento de sua receita operacional líquida em pesquisa e 
desenvolvimento do setor elétrico. 
Já no Artigo 4º, os recursos para pesquisa e desenvolvimento, previstos 
nos artigos anteriores, devem ser distribuídos da seguinte forma: 
I. 40% (quarenta por cento) para o Fundo Nacional de 
Desenvolvimento Científico e Tecnológico - FNDCT, criado pelo 
Decreto-Lei nº 719, de 31 de julho de 1969, e restabelecido pela Lei nº 
8.172, de 18 de janeiro de 1991; 
II. 40% (quarenta por cento) para projetos de pesquisa e 
desenvolvimento, segundo regulamentos estabelecidos pela Agência 
Nacional de Energia Elétrica - ANEEL; 
III. 20% (vinte por cento) para o MME, a fim de custear os estudos e 
pesquisas de planejamento da expansão do sistema energético, bem 
como os de inventário e de viabilidade necessários ao aproveitamento 
dos potenciais hidrelétricos. 
§ 1º Para os recursos referidos no inciso I, será criada categoria de 
programação específica no âmbito do FNDCT para aplicação no 
financiamento de programas e projetos de pesquisa científica e 
desenvolvimento tecnológico do setor elétrico, bem como na eficiência 
energética no uso final. 
§ 2º Entre os programas e projetos de pesquisa científica e tecnológica 
do setor de energia elétrica, devem estar incluídos os que tratem da 
preservação do meio ambiente, da capacitação dos recursos humanos 
e do desenvolvimento tecnológico. 
No Artigo 5º, os recursos serão aplicados da seguinte forma: 
 
 
11 
I. os investimentos em eficiência energética, previstos no art. 1º, serão 
aplicados de acordo com regulamentos estabelecidos pela ANEEL; 
II. no mínimo 30% (trinta por cento) dos recursos referidos nos incisos 
I, II e III do art. 4º desta Lei serão destinados a projetos desenvolvidos 
por instituições de pesquisa sediadas nas regiões Norte, Nordeste e 
Centro-Oeste, incluindo as respectivas áreas das Superintendências 
Regionais; 
III. as instituições de pesquisa e desenvolvimento receptoras de 
recursos deverão ser nacionais e reconhecidas pelo Ministério da 
Ciência e Tecnologia - MCT; 
IV. as instituições de ensino superior deverão ser credenciadas junto 
ao Ministério da Educação - MEC. 
O Artigo 6º nos mostra que ele será constituído no âmbito do Ministério 
da Ciência e Tecnologia, que lhe prestará apoio técnico, administrativo e 
financeiro. O Comitê Gestor tem a finalidade de definir diretrizes gerais e plano 
anual de investimentos, acompanhar a implementação das ações e avaliar 
anualmente os resultados alcançados na aplicação dos recursos de que trata o 
inciso I do artigo 4º: 
§ 1º O Comitê Gestor será composto pelos seguintes membros: 
I. três representantes do Ministério da Ciência e Tecnologia, sendo um 
da Administração Central, que o presidirá, um do Conselho Nacional 
de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq e um da 
Financiadora de Estudos e Projetos - FINEP; 
II. um representante do Ministério de Minas e Energia; 
III. um representante da ANEEL; 
IV. dois representantes da comunidade científica e tecnológica; 
V. dois representantes do setor produtivo. 
§ 2º Os membros do Comitê Gestor a que se referem os incisos IV e V 
do § 1º terão mandato de dois anos, admitida uma recondução, 
devendo a primeira investidura ocorrer no prazo de até noventa dias a 
partir da publicação desta Lei. 
§ 3º A participação no Comitê Gestor não será remunerada. 
No artigo 7º, os recursos aplicados na forma desta Lei não podem ser 
computados para os fins previstos na Lei n. 8.661, de 2 de junho de 1993. 
No artigo 8º, consta que não se aplica a este Fundo o disposto na Lei n. 
9.530, de 10 de dezembro de 1997. 
A Lei entrou em vigor na data de sua publicação, ou seja, 24 de julho de 
2000, no Governo Fernando Henrique Cardoso. 
TEMA 3 – LEI N. 10.295/2001 
Quando falamos de eficiência energética, vemos que, desde 2001, o 
Brasil tem participado mais veementemente pela edição da Lei n. 10.295, 
também conhecida como Lei de Eficiência Energética. Ela trata da conservação 
de energia na Política Energética Nacional, estimulando o desenvolvimento 
 
 
12 
tecnológico, a preservação ambiental e a introdução de produtos mais eficientes 
no mercado nacional. 
A Lei de Eficiência Energética aplica parâmetros que determinam a 
existência de níveis mínimos de eficiência energética, os quais remetem ao 
máximo de consumo específico de energia de máquinas e aparelhos movidos à 
energia, que pode ser elétrica, de insumos energéticos, ou de derivados de 
petróleo; fabricados ou comercializados no país, bem como de edificações 
construídas com base em indicadores técnicos pertinentes e de maneira 
compulsória. 
O artigo 1º trata da Política Nacional de Conservação e uso racional de 
Energia, visando a alocação eficiente de recursos energéticos e a preservação 
do meio ambiente. 
Em seu artigo 2º, consta que o Poder Executivo estabelecerá níveis 
máximosde consumo específico de energia, ou mínimos de eficiência 
energética, de máquinas e aparelhos consumidores de energia fabricados ou 
comercializados no país, com base em indicadores técnicos pertinentes. 
§ 1o Os níveis a que se refere o caput serão estabelecidos com base 
em valores técnica e economicamente viáveis, considerando a vida útil 
das máquinas e aparelhos consumidores de energia. 
§ 2o Em até 1 (um) ano a partir da publicação destes níveis, será 
estabelecido um Programa de Metas para sua progressiva evolução. 
Artigo 3o Os fabricantes e os importadores de máquinas e aparelhos 
consumidores de energia são obrigados a adotar as medidas 
necessárias para que sejam obedecidos os níveis máximos de 
consumo de energia e mínimos de eficiência energética, constantes da 
regulamentação específica estabelecida para cada tipo de máquina e 
aparelho. 
§ 1o Os importadores devem comprovar o atendimento aos níveis 
máximos de consumo específico de energia, ou mínimos de eficiência 
energética, durante o processo de importação. 
§ 2o As máquinas e aparelhos consumidores de energia encontrados 
no mercado sem as especificações legais, quando da vigência da 
regulamentação específica, deverão ser recolhidos, no prazo máximo 
de 30 (trinta) dias, pelos respectivos fabricantes e importadores. 
§ 3o Findo o prazo fixado no § 2o, os fabricantes e importadores estarão 
sujeitos às multas por unidade, a serem estabelecidas em 
regulamento, de até 100% (cem por cento) do preço de venda por eles 
praticados. 
No artigo 4º: o Poder Executivo desenvolverá mecanismos que promovam 
a eficiência energética nas edificações construídas no país. 
No artigo 5º: previamente ao estabelecimento dos indicadores de 
consumo específico de energia, ou de eficiência energética, de que trata esta 
Lei, devem ser ouvidas em audiência pública, com divulgação antecipada das 
propostas, entidades representativas de fabricantes e importadores de máquinas 
 
 
13 
e aparelhos consumidores de energia, projetistas e construtores de edificações, 
consumidores, instituições de ensino e pesquisa e demais entidades 
interessadas. 
No artigo 6º, a Lei entra em vigor na data de sua publicação, que ocorreu 
em 17 de outubro de 2001, no Governo Fernando Henrique Cardoso. 
TEMA 4 – RESOLUÇÃO NORMATIVA N. 271, DE 3 DE JULHO DE 2007 
Altera a redação dos arts. 1º e 3º da Resolução Normativa n. 77, de 18 de 
agosto de 2004: 
O DIRETOR-GERAL DA AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA 
ELÉTRICA - ANEEL, no uso de suas atribuições regimentais, de 
acordo com deliberação da Diretoria, tendo em vista o disposto no art. 
26, §§ 1º, 5º e 8º, da Lei nº 9.427, de 26 de dezembro de 1996, com 
redação dada pelo art. 17 da Lei nº 10.438, de 26 de abril de 2002, e 
pelo art. 21 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, no art. 7º do 
Decreto nº 2.655, de 2 de julho de 1998, com base no art. 4º, inciso III, 
Anexo I, do Decreto nº 2.335, de 6 de outubro de 1997, na Resolução 
Normativa nº 77, de 18 de agosto de 2004, o que consta no Processo 
nº 48500.004606/03-53, e considerando que: as contribuições 
recebidas entre 05 de fevereiro de 2007 a 05 de março de 2007, 
período de realização da Audiência Pública nº 002/2007, por 
intercâmbio documental, foram objeto de análise da ANEEL e 
permitiram o aperfeiçoamento deste ato regulamentar, resolve: 
Art. 1º Alterar os arts. 1º e 3º da Resolução Normativa nº 077, de 18 de 
agosto de 2004, que passam a vigorar com a seguinte redação: 
Art. 1º Estabelecer, na forma desta Resolução, os procedimentos 
vinculados à redução das tarifas de uso dos sistemas elétricos de 
transmissão e de distribuição, aplicáveis aos empreendimentos 
hidrelétricos com potência igual ou inferior a 1.000 (mil) kW, para 
aqueles caracterizados como pequena central hidrelétrica e àqueles 
com base em fontes solar, eólica, biomassa ou cogeração qualificada, 
conforme regulamentação da ANEEL, cuja potência injetada nos 
sistemas de transmissão ou distribuição seja menor ou igual a 30.000 
(trinta mil) kW, incidindo na produção e no consumo da energia 
comercializada pelos aproveitamentos. 
Art. 3º Fica assegurado o direito a 100% (cem por cento) de redução, 
a ser aplicado às tarifas de uso dos sistemas elétricos de transmissão 
e de distribuição, incidindo na produção e no consumo da energia 
comercializada pelos empreendimentos a que se refere o art. 1º desta 
Resolução, desde que atenda a uma das seguintes condições: 
IV. aqueles que utilizem como insumo energético, no mínimo, 50% 
(cinquenta por cento) de biomassa composta de resíduos sólidos 
urbanos e/ou de biogás de aterro sanitário ou biodigestores de 
resíduos vegetais ou animais, assim como lodos de estações de 
tratamento de esgoto. 
TEMA 5 – PROGRAMAS DO GOVERNO: SELO PROCEL 
Especificamente para eletricidade, o Programa Nacional de Conservação 
de Energia Elétrica, o Procel, coordenado pela Eletrobras, tem como seu 
principal símbolo o Selo Procel: 
 
 
14 
Figura 2 – Selo Procel 
 
Fonte: Inmetro. 
O Selo Procel indica ao consumidor os produtos que apresentam os 
melhores níveis de eficiência energética em sua categoria (ventiladores de teto, 
lavadoras automáticas, geladeiras etc.). Assim, se você for a uma loja para 
comprar um eletrodoméstico e escolher aquele com o selo Procel, saberá que 
este produto consome menos energia que outro equivalente sem o selo, 
proporcionando economia na conta de eletricidade e acarretando menos 
impactos no meio ambiente. 
Por outro lado, os fabricantes de produtos como lâmpadas, TVs e 
aparelhos de ar-condicionado tentam fazer produtos cada vez mais eficientes 
para receberem o selo Procel, beneficiando, assim, toda a sociedade. 
A geladeira a seguir traz a Etiqueta Nacional de Conservação de Energia 
do Inmetro, que classifica os produtos em faixas coloridas que variam da mais 
eficiente (A) a menos eficiente (de C até G, dependendo do produto), além de 
fornecer informações de consumo de eletricidade e água, que você encontrará 
nos produtos – dê preferência a produtos classe A com o selo Procel, que 
apresentam maior eficiência energética da categoria. 
Figura 3 – Selo Procel e informações de consumo 
 
Crédito: Seixas, 2020. Disponível em: . 
 
 
15 
Enquanto a etiqueta do Inmetro informa a classificação dos produtos, o 
Selo Procel indica que aquele produto que recebeu o selo se destaca em 
eficiência energética. 
É importante observar, na hora de comprar, se os equipamentos trazem 
esse selo, principalmente para os equipamentos de maior consumo mensal. Por 
exemplo: 
Figura 4 – Objetos que podem apresentar selo Procel 
 
Fonte: EPE. 
O Selo Procel de Economia de Energia, ou simplesmente Selo Procel, 
é uma ferramenta simples e eficaz que permite ao consumidor conhecer, entre 
os equipamentos e eletrodomésticos à disposição no mercado, os mais 
eficientes e que consomem menos energia. 
Criado pelo Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica – 
Procel, programa do Governo Federal executado pela Eletrobras, o Selo Procel 
foi instituído por Decreto Presidencial em 8 de dezembro de 1993. 
A partir de sua criação, foram firmadas parcerias junto ao Inmetro, a 
agentes como associações de fabricantes, pesquisadores de universidades e 
laboratórios, com o objetivo de estimular a disponibilidade, no mercado 
brasileiro, de equipamentos cada vez mais eficientes. 
Para isso, são estabelecidos índices de consumo e desempenho para 
cada categoria de equipamento. Cada equipamento candidato ao Selo deve ser 
submetido a ensaios em laboratórios indicados pela Eletrobras. Apenas os 
produtos que atingem esses índices são contemplados com o Selo Procel. 
 
 
16 
Tabela 2 – Informações Procel 
 
Equipamentos Categorias Critérios 
Específicos 
Eletrodomésticos 
Congeladores Congeladores port.- 
Refrigeradores Refrigeradores port.- 
Lavadoras Semiautomáticas Automáticas port. ing.Televisores Televisores port.- 
Equipamentos Categorias Critérios 
Específicos 
Ventiladores Mesa Teto port. ing. 
Condicionadores de ar Split Janela port. ing. 
Micro-ondas Micro-ondas port. ing 
 
Iluminação 
Lâmpadas Fluorescentes 
Compactas 
Lâmpadas Fluor. Compactas 
127/220V 
port. ing. 
Lâmpadas a Vapor de 
Sódio 
Lâmpadas a Vapor de Sódio port. - 
Lâmpadas LED Lâmpadas LED port. ing. 
Reatores Eletromagnéticos – Lâmpadas 
Vapor de Sódio 
Eletrônicos – Lâmpadas 
Tubulares 
port. 
 
port. 
Luminárias LED Luminária LED para Iluminação 
Pública 
port. ing. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Bombas e Motores 
Bombas e Motobombas Bombas e Motobombas port. 
Motores Elétricos Motores Elétricos port. 
 
Solares 
Sistema de Aquecimento 
Solar 
Coletores Solares 
Reservatórios Térmicos 
port. 
port. 
 
 
17 
Sistema Fotovoltaico Módulos Fotovoltaicos port. 
Fonte: Procel Info. 
Posteriormente, trataremos da melhoria da eficiência de alguns itens aqui 
apresentados, como da própria energia elétrica, iluminação e motores. 
FINALIZANDO 
Em nosso tema 1, definimos Eficiência Energética e, para termos essa 
eficiência, precisamos gerar a mesma quantidade de energia com menos 
recursos naturais, ou seja, obter o mesmo serviço com menos energia. Vimos as 
iniciativas governamentais, com a criação de diversos programas, como o 
Programa Conserve, o Programa de Mobilização Energética (PME), o Programa 
Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), a criação do Programa 
Brasileiro de Etiquetagem (PBE), o Programa Nacional da Racionalização do 
Uso de Derivados do Petróleo e do Gás Natural (Conpet), além do PNE 2030, 
que é um plano a longo prazo. 
Nos temas 2, 3 e 4, falamos sobre as Legislações que regem a eficiência 
energética, organizando e direcionando o setor. 
No tema 5, tratamos especificamente do Programa Nacional de 
Conservação de Energia Elétrica, o Procel, que faz com que a indústria busque 
o melhor selo para seus equipamentos, ou seja, um “A”, de melhor eficiência. 
 
 
 
18 
REFERÊNCIAS 
ALTOÉ, L. et al. Políticas públicas de incentivo à eficiência energética. Estudos 
Avançados, v. 31, n. 89, 2017. Disponível em: 
. Acesso 
em: 30 set. 2019. 
ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica. Resolução Normativa n. 271, 
de 3 de julho de 2007. Brasília, DF, 3 jul. 2007. Disponível em: 
. Acesso em: 30 set. 2019. 
_____. Resolução normativa n. 482, de 17 de abril de 2012. Brasília, DF, 17 
abr. 2012. Disponível em: 
. Acesso em: 30 set. 2019. 
____. Geração distribuída. Brasília, DF, 15 ago. 2018. Disponível em: 
. Acesso em: 30 set. 2019. 
BRASIL. Lei n. 9.478, de 6 de agosto de 1997. Diário Oficial da União, Brasília, 
DF, 6 ago. 1997. Disponível em: 
. Acesso em: 30 set. 
2019. 
EFICIÊNCIA energética. EPE, s.d. Disponível em: 
. Acesso em: 30 
set. 2019. 
LEI de Eficiência Energética. Procel Info, 2014. Disponível em: 
. Acesso em: 30 set. 
2019. 
MME – Ministério de Minas e Energia. Relatório de Atividades do Comitê 
Gestor de Indicadores e Níveis de Eficiência Energética – CGIEE, 2014. 
Disponível em: 
 
 
19 
. Acesso em: 30 set. 
2019. 
_____. Plano Nacional de Eficiência Energética: premissas e diretrizes 
básicas na elaboração do plano. Brasília, DF, s.d. Disponível em: 
. Acesso 
em: 30 set. 2019. 
PLANO Nacional de Energia – 2030. EPE, s.d. Disponível em: 
. Acesso em: 30 set. 2019.

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