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GESTÃO DE PESSOAS NA ESCOLA 2 Sumário NOSSA HISTÓRIA ................................................................................. 3 INTRODUÇÃO ....................................................................................... 4 OS PROCESSOS DA GESTÃO DE PESSOAS ..................................... 7 Agregar pessoas ...................................................................................................... 7 Aplicar pessoas ........................................................................................................ 8 Recompensar pessoas ............................................................................................ 8 Desenvolver pessoas ............................................................................................... 9 Manter pessoas ........................................................................................................ 9 Monitorar pessoas ................................................................................................. 10 COMPORTAMENTO E CLIMA ORGANIZACIONAL – ELEMENTOS BÁSICOS ............................................................................................. 11 Liderança ................................................................................................................ 12 Motivação ................................................................................................................ 14 Comunicação .......................................................................................................... 17 PRÁTICAS RESTAURATIVAS DE CONFLITOS ................................. 19 A mediação de conflitos ........................................................................................ 19 Finalidade da mediação de conflitos na escola ................................................... 20 Conflitos como oportunidade de aprendizagem e as práticas restaurativas ... 21 Objetivos das práticas restaurativas .................................................................... 23 REFERÊNCIAS .................................................................................... 25 3 NOSSA HISTÓRIA A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós- Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 4 INTRODUÇÃO As pessoas movem as organizações, as pessoas formam pessoas, as pessoas planejam, controlam, executam processos e atividades, as pessoas consomem produtos e serviços...Enfim, as pessoas são o bem mais precioso de uma organização! Tanto Lacombe (2006) quanto Chiavenato (2004) e outros autores já disseram e com propriedade, que as organizações são feitas de pessoas e para pessoas. As pessoas são fundamentais para cumprir os serviços para que as organizações alcancem seus objetivos e numa via de mão dupla, as organizações são importantes para que as pessoas satisfaçam suas necessidades. Fato é que a gestão de pessoas tem desempenhado a algum tempo, um papel estratégico dentro das mais diversas organizações, por isso um caderno específico para elas. Figura 1 – Os pilares da Gestão de pessoas 5 Dentre os alicerces da gestão escolar que ajudam a escola atingir seus propósitos temos a Gestão de Pessoas, a qual está apoiada nos seguintes pilares: motivação, processo de comunicação, o trabalho em equipe, os conhecimentos e competências e o treinamento. Considerando que o princípio, meio e o fim da educação é o ser humano e que os recursos mais importantes de uma organização são as pessoas, estudar a sua gestão é uma prática quase que inevitável para qualquer empresa, sobretudo as de educação, uma vez que cada ser humano possui aptidões, pretensões, atitudes, valores, motivações e comportamentos próprios, que podem de certa forma influenciar no clima organizacional (PEDRO, 2008). Mas o que vem a ser Gestão de Pessoas na atualidade? Com certeza vai além de deixar os colaboradores satisfeitos e motivados. Busca-se com ela, criar uma estratégia completa, que envolve toda a organização em busca do desenvolvimento, capacitação e humanização de quem faz parte dela (ÁVILA, 2018). E no ambiente escolar não é muito diferente. Embora o público seja diferenciado (professores, alunos, pais e responsáveis, comunidade no entorno, coordenadores, supervisores e demais profissionais que ali trabalham), é preciso que todos estejam em sintonia com os objetivos da instituição, motivados, aprimorando sempre seus conhecimentos pela formação continuada ou cursos de capacitação. Os gestores têm um papel importante pois precisam desenvolver a visão do processo completo, e ao mesmo tempo é preciso dividir os papeis de atuação mais próximos de cada função, entre gestores, coordenadores e professores. Diante das pessoas, é preciso se lembrar do papel de liderança que engaja e estimula a todos dentro dos mesmos ideais, mas estipulando os papeis e funções de cada um. Os líderes são capazes de manter o respeito e o entrosamento que favorece o trabalho em equipe, sempre incentivando e orientando para extrair o melhor das pessoas. 6 Pois bem, ao longo do caderno também falaremos dos seis processos básicos da gestão de pessoas e dos atributos liderança, motivação, comunicação e mediação de conflitos. Esta última talvez resume muito de tudo que falaremos. “Uma Cultura de Paz é um conjunto de valores, atitudes, tradições, comportamentos e estilos de vida baseados: a) No respeito à vida, no fim da violência e na promoção e prática da não violência por meio da educação, do diálogo e da cooperação (...)” Artigo 1º, da Declaração da ONU sobre uma Cultura de Paz, 1999 Figura 2 – Cultura da Paz no ambiente escolar 7 OS PROCESSOS DA GESTÃO DE PESSOAS Para alguns pode parecer que essa unidade estará muito voltada ao ambiente empresarial, mas justificamos que nem todas as instituições escolares são públicas e no ambiente privado esses processos são muito utilizados. Figura 3 – Processos da Gestão de Pessoas Agregar pessoas É o processo utilizado para encontrar novas pessoas para a empresa, incluindo o recrutamento e seleção de profissionais. Aqui, as atividades são desenvolvidas, no sentido de encontrar profissionais qualificados, que atendam às necessidades da organização e ajudam está a se tornar cada vez mais bem-sucedida em seu mercado de atuação. 8 Figura 4 – Agregar pessoas Aplicar pessoas Esse processo desenha as atividades que as pessoas realizarão na empresa, tendo a função de orientar e acompanhar seu desempenho. Ele também é responsável pelo desenho, análise e descrição de cargos, além de orientação das pessoas e avaliação de sua performance. Nas atividades relacionadas a este processo está também realizar práticas de integração do novo profissional, a fim deque ele se familiarize com a equipe que vai trabalhar, com os gestores e com a forma como a organização atua de maneira geral. Recompensar pessoas A Gestão de Pessoas sabe que não é só a empresa que tem anseios e necessidades, uma vez que cada profissional que dela faz parte também os têm. Neste sentido, entende que é preciso desenvolver estratégias para atender às expectativas individuais dos colaboradores, para que estes sintam-se plenamente motivados e realizem um trabalho de excelência no dia a dia. Assim, este terceiro processo é utilizado para que os colaboradores sintam-se recompensados e também como incentivo para as pessoas satisfazerem suas necessidades individuais. Aqui estão inclusos recompensas, remuneração, 9 benefícios, bônus e serviços sociais, que não tenham a ver apenas com retribuições financeiras. Estes programas de incentivo que são desenvolvidos de maneira variada de empresa para empresa, têm também como objetivo diminuir, consideravelmente, a taxa de rotatividade destas, para que assim se tornem cada vez mais estáveis e reconhecidas por serem bons lugares para trabalhar. Desenvolver pessoas Mesmo que se encontre profissionais altamente qualificados para compor o quadro de colaboradores da organização, é de fundamental importância que a empresa defina estratégias de desenvolvimento de pessoas, que tenham como objetivo adaptar o indivíduo aos seus processos organizacionais, bem como à sua cultura corporativa. Por este motivo, esse quarto processo de Gestão de Pessoas é voltado a capacitar e desenvolver o grupo de colaboradores, por meio de treinamentos, cursos, palestras e programas que os ajudem a crescer em suas carreiras. Com este processo, a Gestão de Pessoas acaba por capacitar e aperfeiçoar as ações do indivíduo, não só no âmbito profissional, mas também no pessoal. Manter pessoas Este processo é também responsável por diminuir o índice de turnover1 da empresa. Neste sentido, ele age para que os colaboradores mantenham-se sempre satisfeitos e motivados, com relação ao trabalho e à organização, e continuem exercendo suas atividades com excelência no dia a dia. O objetivo é criar condições ambientais e psicológicas para o indivíduo colaborar com a boa prática das atividades profissionais - como a administração da disciplina, higiene, segurança, qualidade de vida e manutenção de relações sindicais. 1 Turnover - utilizado para designar a rotatividade de pessoal em uma organização, ou seja, o número de entradas e saídas de colaboradores em um determinado período 10 Além disso, o incentivo à manutenção de bons relacionamentos interpessoais entre colaboradores, líderes e empresários, são também essenciais para que o indivíduo tenha vontade de permanecer por um longo período na empresa. Figura 5 – Avaliação de desempenho é uma boa maneira de manter, acompanhar e monitorar pessoas Monitorar pessoas Acompanhar e controlar as atividades dos profissionais, verificando sempre seus resultados individuais. Isso é o que faz o processo de monitoramento de pessoas. Tudo para que a empresa possa manter todos os processos iniciais e seus colaboradores satisfeitos com a organização a longo prazo. Cada um desses processos tem o intuito de manter seus colaboradores satisfeitos e motivados para que, assim, possam atingir os resultados esperados pela organização (IBC, 2019). 11 COMPORTAMENTO E CLIMA ORGANIZACIONAL – ELEMENTOS BÁSICOS Comportamento organizacional é justamente o estudo do comportamento humano no ambiente organizacional. Por sua vez, Clima Organizacional, segundo Litwin e Stringer (1968 apud MARQUES, 2015) é constituído por um conjunto de propriedades mensuráveis do ambiente de trabalho, percebidas direta ou indiretamente pelos indivíduos que vivem e trabalham neste ambiente e que influenciam a motivação e o comportamento dessas pessoas. De acordo com Chiavenato (2008), o clima organizacional reflete o modo como as pessoas interagem umas com as outras, com os clientes e fornecedores internos e externos, bem como o grau de satisfação com o contexto que as cerca, e ainda pode interferir na produtividade das pessoas no ambiente de trabalho. Com a maior valorização do conhecimento, a gestão de pessoas torna-se responsável por criar um clima organizacional propício à criação de valor, promovendo educação continuada e programas de incentivo, que se faz necessário para retenção do acervo intelectual, pois a saída de um colaborador pode resultar em perda de conhecimento, se a organização não estiver preparada para a gestão dos ativos intangíveis (QUEIROZ et al, 2005). São muitas as variáveis que compõem o clima organizacional, dentre elas: 1. Política salarial e de benefícios. 2. Integração entre departamentos. 3. Composição do estilo de funcionamento - times, grupos ou equipes. 4. Supervisão / Liderança / Estilo Gerencial. 5. Integração entre os Departamentos da Empresa. 6. Comunicação e Relacionamento Interpessoal. 7. Estabilidade no emprego. 8. Processo decisório. 12 9. Segurança do Trabalho. 10. Objetivos Organizacionais. 11. Orientação da Empresa para Resultados. 12. Vitalidade Organizacional. 13. Ética e Responsabilidade Social. 14. Qualidade e Satisfação dos clientes internos e externos. Como falamos na introdução optamos por analisar três desses componentes que são a liderança, a motivação e a comunicação que fazem uma grande diferença no ambiente educacional, seja ele público ou privado. Liderança Liderança é o processo pelo qual uma pessoa exerce influência sobre outras pessoas e inspira, motiva e dirige suas atividades para ajudar a atingir os objetivos de grupo e organizacionais. A pessoa que exerce tal influência é um líder. Quando os líderes são efetivos, a influência que exercem sobre os outros ajuda um grupo ou organização a atingir suas metas de desempenho. Quando os líderes são ineficazes, sua influência não contribui para, e, frequentemente prejudica, o cumprimento do objetivo. 13 Figura 6 – Desafios da Liderança Além de facilitar o cumprimento das metas de desempenho, a liderança efetiva aumenta a capacidade que uma organização tem de atender a todos os desafios contemporâneos, inclusive as necessidades de obter uma vantagem competitiva, de estimular o comportamento ético e de gerenciar uma força de trabalho diversa com justiça e igualdade. Os líderes que exercem influência sobre os membros da organização para ajudar a cumprir esses objetivos aumentam as chances de sucesso de suas organizações (JONES; GEORGE, 2008). Sucintamente, liderança seria a habilidade de influência sobre atitudes, comportamento e sentimento de outras pessoas. “A habilidade de influenciar pessoas para trabalharem entusiasticamente visando atingir objetivos comuns, inspirando confiança por meio da força do caráter” (HUNTER, 2006, p.18). Partindo da ideia que liderança nada mais é que influência, um bom líder deve saber como influenciar sua equipe, de forma que a mesma trabalhe para alcançar os objetivos traçados. Liderança é o processo de dirigir o comportamento das pessoas rumo ao alcance de alguns objetivos. Dirigir, nesse caso, significa levar as pessoas a agir de 14 uma certa maneira ou a seguir um curso particular de ação (CERTO, 1994 apud CHIAVENATO, 2004). Liderança é uma tentativa, no âmbito da esfera interpessoal, dirigida por um processo de comunicação, para a consecução de alguma meta ou de algumas metas (FLEISHMAN, 1973 apud CHIAVENATO, 2004). Liderança é uma influência interpessoal exercida em uma dada situação e dirigida por meio do processo de comunicação humana para a consecução de um ou mais objetivos específicos. Os elementos que caracterizam a liderança são, portanto,quatro: a influência, a situação, o processo de comunicação e os objetivos a alcançar (CHIAVENATO, 2004). Liderança é a habilidade de influenciar pessoas para o alcance de objetivos. Essa definição enfatiza que o líder está envolvido com outras pessoas para alcançar objetivos. A liderança é recíproca e ocorre entre pessoas. Liderança é uma atividade focada em pessoas, e não em atividades de folhear papéis ou resolver problemas. Liderança envolve o uso do poder (DAFT, 2002). Liderança é uma função das necessidades existentes em uma determinada situação e consiste em uma relação entre um indivíduo e um grupo. Nesses termos, o conceito de liderança repousa em uma relação funcional que existe quando um líder é percebido por um grupo como o possuidor ou controlador dos meios para a satisfação de suas necessidades (KNICKERBOCKER, 1967 apud CHIAVENATO, 2004). Motivação A motivação procura explicar porque as pessoas se comportam desta ou daquela maneira. Ela pode ser definida como “aquilo que induz as pessoas a agirem” (WAGEN; DAVIES, 2001), ou como toda força ou impulso interior que inicia, mantém e dirige a conduta de uma pessoa visando alcançar um objetivo determinado. No 15 ambiente profissional, “estar motivado” supõe estar estimulado e suficientemente interessado. Maximiano (2004) define motivação como “estado psicológico de disposição, interesse ou vontade de perseguir ou realizar uma tarefa ou meta”, sendo a origem da palavra derivada do latim motivos/movere, ou seja, mover. Complementa ainda que é o processo no qual o ser humano é incentivado, estimulado ou energizado por algum motivo. Vários autores apresentam diferentes teorias sobre estímulos para que as pessoas desempenhem suas funções com maior eficiência, citam fatores que motivam ou desmotivam o colaborador no desenvolvimento de suas atividades, onde as prioridades são inerentes aos valores de cada pessoa. Vamos falar um pouco sobre a Teoria de Maslow que foi proposta em 1954 e continua bem aceita nos dias atuais. Essa teoria afirma que existem cinco níveis de necessidades, assim as pessoas sentem-se motivadas quando as necessidades em um dos níveis são atendidas, e ao atingir os objetivos desse plano o próximo torna-se dominante, e assim sucessivamente. A ilustração abaixo é bem clara quanto a esses níveis. 16 Figura 7 – Hierarquia de necessidades de Maslow 17 Comunicação Comunicação eficaz não há dúvidas de que é uma das situações mais buscadas por todos, seja no ambiente pessoal ou empresarial, pois uma vez que há ruídos na comunicação, tudo pode sair de controle. Um ruído é qualquer elemento que interfira no processo da transmissão de uma mensagem de um emissor para um receptor. Os ruídos podem ser resultados de elementos internos e externos. Ruídos de comunicação são problemas relacionados à transmissão de mensagens, tarefas ou ordens, seja durante a execução de atividades ou reuniões que envolvam duas ou mais pessoas dentro de um ambiente empresarial. Eles são mais comuns do que se imagina. Isso porque as atividades dentro de uma empresa muitas vezes envolvem processos e pessoas diferentes que, ao lidarem com grande número de informações, podem fazer que com alguma etapa importante se perca, o que prejudica os resultados como um todo. Figura 8 – Ruído na comunicação Alguns exemplos são dados imprecisos em relatórios, e-mails mal escritos, telefone inaudível e outras formas de interferência. 18 Dentre os prejuízos para uma organização teremos a queda de rendimento e isso pode afetar a qualidade de vida dos funcionários, já que pode haver retrabalho e possíveis desentendimentos, trazendo prejuízos financeiros e na gestão de equipes. Bom, para trabalhar com pessoas é preciso conhecer tanto sobre o comportamento humano, como os sistemas e práticas disponíveis que auxiliam na construção de uma força de trabalho qualificada e motivada. Figura 9 – Liderança + comunicação + motivação = atingir objetivos comuns na gestão de pessoas 19 PRÁTICAS RESTAURATIVAS DE CONFLITOS Os conflitos sempre existiram na história da humanidade, mesmo porque o ser humano é um ser complexo e suas relações passam por modificação de comportamento, necessidades, desejos, enfim, situações que na realidade são normais em qualquer sistema social e porque não dizer, uma condição fundamental para o desenvolvimento pessoal e do próprio sistema, havendo ambos, condições para sua resolução. Figura 10 – Mediação de conflitos A mediação de conflitos A mediação de conflitos constitui um marco nas relações interpessoais porque demonstra a fragilidade de soluções impostas e a inutilidade do rancor como substituto às decisões temperadas pelo bom-senso (FIORELLI; FIORELLI; MALHADAS JUNIOR, 2008). Segundo Gouvêa Neto (2017), a mediação pode ser conceituada como um método de resolução de conflitos no qual um mediador imparcial e neutro facilita a comunicação entre as pessoas em busca de uma solução para o problema. Ela pode ser usada em muitos âmbitos e o escolar é um deles. É um processo flexível e pode 20 ser adaptado às necessidades específicas de um centro escolar, levando em conta a natureza dos conflitos e o objetivo do programa. É uma ótima ferramenta para melhorar a convivência no ambiente e na comunidade escolar e deve ser adotada por todas as instituições de ensino. A mediação é uma reunião entre o facilitador ou mediador e as partes envolvidas, visando ao restabelecimento do diálogo. Ela permite a solução de conflitos rotineiros através do diálogo e da compreensão e busca a construção de soluções a partir das necessidades dos envolvidos. É uma reunião restaurativa simplificada e o mediador pode ser qualquer pessoa. Atualmente as escolas têm usado muito alunos como mediadores, também chamado de “mediadores de pares”, “mediadores jovens” ou “mediadores mirins” (NUNES, 2014). Para Ferreira (2020), a educação tem o poder de transformar vidas, seja pelo conhecimento adquirido pelos alunos, pelas relações criadas entre professores e estudantes, pelos temas debatidos em sala de aula, pelo estudo da história ou pela convivência. Considera-se a escola como o primeiro espaço de socialização dos seres humanos e é nela que as pessoas começam a compartilhar experiências, a empatia e compreender os limites, questões que continuam a serem praticadas e desenvolvidas na faculdade. A mediação de conflitos escolares aparece como uma ferramenta para promover o diálogo e resolução de desentendimentos dentro de uma instituição escolar ou acadêmica. Finalidade da mediação de conflitos na escola A finalidade da mediação de conflitos escolares é a construção de uma atmosfera de cooperação, em que os alunos tornam-se efetivamente parte de uma comunidade e devem contribuir para que o ambiente seja pacífico e democrático. 21 Contudo, esse trabalho não se resume apenas à resolução de conflitos e os objetivos da prática podem ser expandidos, sendo possível diminuir tensões e hostilidades, melhorando o clima na sala de aula e a relação entre educadores e educandos. O desenvolvimento do pensamento crítico e da capacidade de solucionar problemas também é um ponto importante a ser destacado. A participação dos alunos possibilita que o espírito de liderança seja despertado, além da autoestima e habilidades em comunicação, características importantes para a vida profissional e adulta (FERREIRA, 2020). Conflitos como oportunidade de aprendizagem e as práticas restaurativas A escola é palco de uma diversidade de conflitos, sobretudo os de relacionamento, pois nela convivem pessoas de variadas idades, origens, sexos, etnias e condições socioeconômicas e culturais. Todos na escola devemestar preparados para o enfrentamento da heterogeneidade, das diferenças e das tensões próprias da convivência escolar, que muitas vezes podem gerar dissenso, desarmonia e até desordem (NUNES, 2014). A escola também é encarregada de formar valores e habilidades para a convivência e deve se preparar para trabalhar os conflitos que nela ocorrem. Muitos desses compõem o cotidiano dos nossos alunos e constituem práticas saudáveis para o desenvolvimento humano, tais como os conflitos nas brincadeiras, nos jogos, nas práticas esportivas, entre tantos. Por outro lado, alguns tomam rumos indesejados nas relações interpessoais e transformam-se em agressividades, atos de indisciplina, indiferença, depredação do patrimônio escolar, atitudes de preconceitos e discriminações. Esses desvios são preocupantes pois desestabilizam as relações escolares e são geradores de violência. Vários são os fatores que os desencadeiam entre os 22 alunos, na convivência escolar: a rivalidade entre grupos; as disputas de poder; as discriminações e as intolerâncias com as diferenças; a busca de afirmação pessoal; resistências às regras; desentendimentos e brigas; bullying; conflitos de interesses; namoros; perdas ou danos de bens escolares; assédios; uso de espaços e bens; falta de processos para a construção de consensos; necessidades de mudanças; a busca por novas experiências; reações a manifestações de injustiças, entre outras. De qualquer modo, até mesmo quando os conflitos tomam rumos indesejáveis, eles podem refletir aspectos positivos e são excelentes oportunidades de aprendizagem e de crescimento individual e coletivo, desde que devidamente bem compreendidos, elaborados e resolvidos, possibilitando uma melhoria na qualidade dos relacionamentos pessoais e sociais. Os conflitos ocorridos na escola, se bem gerenciados, podem ser aproveitados para o fortalecimento dos vínculos sociais. As práticas restaurativas são formas de gerenciamento de conflitos, através das quais um facilitador auxilia as partes direta e indiretamente envolvidas num conflito, a realizar um processo dialógico visando transformar uma relação de resistência e de oposição em relação de cooperação. Nesse processo, através de técnicas de comunicação não violenta, os envolvidos decidem coletivamente como lidar com circunstâncias decorrentes do ato danoso e suas implicações para o futuro, com vistas a alcançar uma boa reflexão, a restauração e a responsabilização, permitindo o fortalecimento das relações e dos laços comunitários. Diversas são as práticas restaurativas que podem ser utilizadas no contexto escolar, entre outras, o diálogo e o perguntar restaurativo, a mediação escolar, a mediação de pares, os encontros restaurativos, os círculos de paz e de diálogo e os círculos restaurativos. As Práticas Restaurativas originaram-se do modelo de Justiça Restaurativa, cuja filosofia surgiu inicialmente dentro do campo da justiça criminal e basearam-se em práticas oriundas de comunidades indígenas, principalmente do Sudeste Asiático 23 e do Canadá. Hoje as Práticas Restaurativas são recomendadas pela ONU e estão ganhando reconhecimento e aplicação na área da Educação e em outros campos da vida social (NUNES, 2014). Objetivos das práticas restaurativas Os princípios e valores das práticas restaurativas têm se revelado importantes nas escolas para criar uma cultura de diálogo, de respeito mútuo e de paz. É importante ressaltar que elas não são soluções para todos os problemas, mas são ferramentas úteis a possibilitar uma melhoria nos relacionamentos de forma a alterar os seguintes paradigmas: a) Elas levam a mudanças diretas no campo das inter-relações; b) Elas mostram aos envolvidos uma abordagem inclusiva e colaborativa, que resgata o diálogo, a conexão com o próximo, a comunicação entre os atores escolares, familiares, comunidades e redes de apoio; c) Elas buscam a restauração das relações; d) Elas guiam as pessoas a lidar com os conflitos de forma diferenciada, pois ao desafiar tradicionais padrões punitivos, passa-se a encarar os conflitos como oportunidades de mudança e de aprendizagem, ressaltando os valores da inclusão, do pertencimento, da escuta ativa e da solidariedade (NUNES, 2014, p. 21) As práticas restaurativas têm como objetivos principais: i) ajudar na segurança da comunidade escolar, pois têm estratégias que constroem relacionamentos e capacitam todos da escola para assumirem a responsabilidade pelo bem-estar dos seus membros. 24 ii) desenvolver competências nas pessoas, pois aumentam as habilidades pró- sociais daqueles que prejudicaram outros, ajudando no fortalecimento da personalidade de cada um. iii) trabalhar valores humanos essenciais, tais como: participação, respeito, responsabilidade, honestidade, humildade, interconexão, empoderamento e solidariedade. iv) restaurar aquela relação afetada pelo conflito, se possível com a reparação do dano causado à vítima. v) assumir responsabilidades: as práticas restaurativas permitem que os infratores prestem contas àqueles a quem prejudicaram, habilitando-os a repararem, na medida do possível, os danos causados. 25 REFERÊNCIAS ÁVILA, R. 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