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Curso FIC: Segurança Alimentar e 
Controle de Qualidade 
Higiene na Manipulação de 
Alimentos 
1. Introdução 
A higiene na manipulação de alimentos é um dos pilares fundamentais da 
segurança alimentar. A correta aplicação de práticas higiênicas previne a 
contaminação dos alimentos por microrganismos patogênicos, resíduos químicos e 
agentes físicos que podem comprometer a saúde do consumidor. A falta de higiene 
pode resultar em surtos de doenças transmitidas por alimentos (DTA), gerando 
impactos negativos na saúde pública e na credibilidade dos estabelecimentos que 
produzem e comercializam alimentos. 
Além de ser um requisito legal, a adoção de boas práticas de higienização 
melhora a qualidade dos produtos e prolonga sua vida útil, reduzindo desperdícios e 
garantindo maior segurança ao consumidor final. A contaminação cruzada, um dos 
principais riscos no ambiente de manipulação, ocorre quando microrganismos são 
transferidos de uma superfície contaminada para alimentos prontos para consumo. 
Essa contaminação pode ocorrer por meio de utensílios, equipamentos, mãos não 
higienizadas ou até mesmo pelo contato entre alimentos crus e prontos para 
consumo. Para evitar esse problema, é essencial que todos os envolvidos no 
processo de manipulação de alimentos adotem medidas rigorosas de limpeza e 
desinfecção. 
A higiene correta não só reduz o risco de contaminação como também 
contribui para a conformidade com normas sanitárias vigentes, promovendo a 
confiança do consumidor e garantindo a integridade dos produtos. Este módulo 
aborda os principais aspectos da higienização pessoal, de utensílios e do ambiente 
físico, destacando a importância de cada um desses elementos para a segurança 
alimentar. 
 
2. Higienização Pessoal, de Utensílios e do Ambiente Físico 
 
A higienização adequada é essencial para garantir a segurança alimentar e 
evitar contaminações. Ela deve abranger: 
 
2.1. Higienização pessoal: 
 
• Lavar as mãos frequentemente com água e sabão, especialmente antes de 
manipular alimentos, após utilizar o sanitário, ao tocar em superfícies 
potencialmente contaminadas e ao manusear alimentos crus. 
• Utilizar uniformes limpos e exclusivos para o ambiente de manipulação, evitando a 
contaminação por agentes externos. O uso de aventais descartáveis pode ser uma 
alternativa para evitar a transferência de sujidades. 
• Evitar o uso de adornos como anéis, pulseiras e brincos, pois podem acumular 
sujeira e microrganismos, além de representarem um risco de queda nos alimentos. 
• Manter as unhas curtas, limpas e sem esmalte, pois unhas longas podem acumular 
resíduos e microrganismos prejudiciais à segurança alimentar. 
• Usar toucas ou redes para cobrir os cabelos, evitando que fios caiam nos alimentos 
e minimizando o risco de contaminação. 
• Evitar tossir ou espirrar próximo aos alimentos, cobrindo a boca com o antebraço e 
lavando as mãos imediatamente após. 
 
2.2. Higienização de utensílios: 
 
• Lavar todos os utensílios com detergente neutro, utilizando água corrente e 
esponjas limpas para remover sujidades visíveis. Esponjas e panos devem ser 
frequentemente substituídos para evitar a proliferação de microrganismos. 
• Enxaguar bem para eliminar qualquer resíduo de detergente que possa 
comprometer a segurança alimentar e interferir no sabor dos alimentos. 
• Desinfetar utilizando soluções sanitizantes adequadas, como hipoclorito de sódio 
na concentração recomendada (geralmente 100 a 200 ppm para superfícies que 
entram em contato com alimentos). 
• Armazenar os utensílios corretamente em locais limpos e secos, evitando 
recontaminação e protegendo-os contra poeira e contato com superfícies não 
higienizadas. 
 
2.3. Higienização do ambiente físico: 
 
• Manter bancadas, pisos e paredes sempre limpos e secos, prevenindo o acúmulo 
de umidade, que favorece a proliferação de microrganismos e o crescimento de 
mofo. 
• Utilizar produtos de limpeza adequados para cada superfície, garantindo a eficácia 
na remoção de sujeira e microrganismos patogênicos. Produtos desinfetantes 
devem ser utilizados conforme recomendação do fabricante. 
• Estabelecer uma rotina de limpeza periódica, garantindo a remoção eficiente de 
resíduos alimentares e prevenindo infestações de pragas. A limpeza deve seguir um 
cronograma diário, semanal e mensal, dependendo do nível de contaminação e do 
uso das áreas. 
• Evitar o acúmulo de lixo e manter lixeiras sempre fechadas, com tampa e pedal, 
prevenindo a atração de vetores de doenças, como insetos e roedores. O lixo deve 
ser retirado regularmente para evitar odores e riscos de contaminação. 
• Controlar a presença de pragas por meio de medidas preventivas, como o 
fechamento adequado de frestas e ralos, além do uso de barreiras físicas e 
armadilhas não tóxicas. 
Uma higienização adequada reduz significativamente os riscos de 
contaminação e garante a produção de alimentos seguros para o consumo. O 
cumprimento dessas boas práticas é essencial para qualquer estabelecimento que 
manipule alimentos, assegurando conformidade com as regulamentações sanitárias 
e promovendo a saúde dos consumidores. 
 
3. Introdução às Normas Sanitárias RDC 275 e RDC 216 
 
A ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) é responsável por 
regulamentar e fiscalizar a produção e manipulação de alimentos no Brasil, com o 
objetivo de garantir que os produtos alimentícios atendam aos padrões de qualidade 
e segurança. Para isso, são estabelecidas normas sanitárias que orientam e exigem 
que as boas práticas de fabricação e manipulação sejam seguidas em todas as etapas 
da cadeia produtiva. 
 
3.1. RDC 275/2002 
A RDC 275/2002 trata da obrigatoriedade da adoção de Procedimentos 
Operacionais Padronizados (POPs) em estabelecimentos de alimentos e do uso de 
checklists para a inspeção sanitária. A adoção de POPs é fundamental para garantir a 
padronização e a segurança das operações realizadas nos estabelecimentos 
alimentícios, uma vez que esses documentos descrevem detalhadamente as práticas 
a serem seguidas em cada processo, desde a recepção de matéria-prima até o 
armazenamento e distribuição dos alimentos. A norma também aborda aspectos da 
inspeção sanitária, como a higiene do ambiente, o controle de pragas e a qualidade 
da água utilizada no processo. 
Os POPs são uma ferramenta essencial para garantir a rastreabilidade dos 
processos e minimizar os riscos de contaminação dos alimentos, além de facilitar a 
fiscalização por parte dos órgãos sanitários. 
 
3.2. Exemplo de POP da RDC 275/2002: Controle de Temperatura em Câmaras 
Frigoríficas 
Um exemplo de POP que poderia ser elaborado para atender à RDC 275/2002 
seria um POP sobre o controle de temperatura em câmaras frigoríficas. Este 
documento descreveria detalhadamente: 
 
Objetivo: Garantir que as câmaras frigoríficas mantêm a temperatura adequada 
para a conservação de alimentos perecíveis. 
Responsável: Funcionário encarregado da verificação da temperatura. 
Procedimento: 
1. Verificar a temperatura interna das câmaras frigoríficas no início do expediente e a 
cada 4 horas. 
2. Registrar a temperatura em planilha específica. 
3. Caso a temperatura esteja fora do intervalo permitido (por exemplo, entre 0°C e 
4°C), comunicar imediatamente o supervisor e tomar as medidas corretivas. 
4. A cada 6 meses, realizar uma calibração dos termômetros para garantir a precisão 
das leituras. 
Equipamento: Termômetro digital calibrado. 
Critérios de Aceitação: Temperatura entre 0°C e 4°C. 
Ações Corretivas: Ajustar a temperatura do equipamento ou verificar problemas no 
sistema de refrigeração, conforme o caso. 
A implementação de um POP como esse ajuda a manter os alimentos em 
condições seguras e minimiza os riscos de contaminação, como o crescimento de 
microrganismos patogênicos. 
 
3.3. RDC 216/2004 
A RDC 216/2004 estabelece as Boas Práticas para Serviços de Alimentação, 
com o objetivo de regulamentar a manipulação segura dos alimentos nos serviços de 
alimentação, como restaurantes,lanchonetes, hotéis e cozinhas industriais. A norma 
é focada na segurança alimentar e na prevenção de contaminações durante as fases 
de manipulação, preparo, armazenamento e transporte dos alimentos. 
Entre os principais pontos abordados pela RDC 216/2004, destacam-se: 
• Higiene Pessoal: Requisitos para a limpeza e a saúde dos manipuladores de 
alimentos, como o uso de uniformes adequados, lavagem frequente das mãos e a 
proibição de manipulação de alimentos por pessoas doentes. 
• Controle de Matéria-Prima: Regras para o recebimento, armazenamento e 
controle de validade dos ingredientes e produtos alimentícios. 
• Preparo e Armazenamento: Condições adequadas de preparo e armazenamento, 
como a utilização de utensílios e equipamentos limpos, controle de temperatura e 
separação de alimentos crus de prontos para consumo. 
• Transporte: Requisitos para o transporte seguro de alimentos, garantindo que 
sejam mantidas as condições de higiene e temperatura adequadas. 
• Descarte de Resíduos: Orientações sobre o manejo e descarte adequado de 
resíduos alimentares, evitando contaminações cruzadas. 
• Manutenção Preventiva: A necessidade de realizar manutenção periódica em 
equipamentos, instalações e utensílios, prevenindo problemas que possam afetar a 
segurança alimentar. 
3.4. POPs Obrigatórios pela RDC 275/2002 
A RDC 275/2002 especifica que os POPs devem abranger uma série de 
procedimentos operacionais essenciais para garantir a segurança alimentar e a 
qualidade dos alimentos. Alguns dos POPs obrigatórios incluem: 
• Controle de Temperatura de Armazenamento: POPs para controle de 
temperatura em câmaras frigoríficas e ambientes de armazenamento. 
• Higiene do Ambiente: Procedimentos para limpeza e sanitização das instalações. 
• Controle de Pragas: Procedimentos para a inspeção e controle de pragas nos 
estabelecimentos. 
• Controle de Qualidade da Água: Procedimentos para monitoramento da 
qualidade da água utilizada nas operações. 
• Rastreabilidade de Produtos: Procedimentos para registrar e controlar a origem e 
destino dos produtos manipulados. 
• Controle de Materiais e Equipamentos: Procedimentos para garantir que 
utensílios e equipamentos estejam em condições sanitárias adequadas. 
 
3.5. Importância dos POPs 
 
Os POPs são vitais porque: 
• Padronizam as operações, garantindo que todas as etapas da produção sigam os 
mesmos critérios de qualidade e segurança. 
• Minimizam os riscos de contaminação, evitando problemas relacionados à higiene, 
temperatura inadequada, controle de pragas, entre outros. 
• Facilitam a fiscalização pelos órgãos competentes, pois servem como referência 
para a inspeção sanitária e controle de processos. 
Por isso, a adoção de POPs é uma exigência fundamental para qualquer 
estabelecimento que manipule alimentos, sendo uma ferramenta não apenas de 
compliance legal, mas também de garantia de qualidade e segurança alimentar. 
As RDC 275/2002 e RDC 216/2004 estabelecem a base para garantir que 
alimentos sejam manipulados e produzidos em condições seguras, tanto para os 
consumidores quanto para os manipuladores. A implementação eficaz dos POPs e 
das boas práticas de fabricação e manipulação são fundamentais para evitar riscos à 
saúde pública e garantir a qualidade do produto final. 
 
4. Boas Práticas de Fabricação (BPF) 
As Boas Práticas de Fabricação (BPF) são um conjunto de normas, práticas e 
procedimentos estabelecidos para garantir que os produtos alimentícios sejam 
produzidos, manipulados, armazenados e transportados de forma segura e que 
atendam aos requisitos de qualidade. O objetivo das BPF é prevenir a contaminação 
dos alimentos, reduzir os riscos à saúde pública e assegurar que os produtos 
alimentícios sejam seguros para o consumo. 
Elas são essenciais para a manutenção da segurança alimentar e estão 
diretamente relacionadas à qualidade e à segurança dos alimentos produzidos e 
consumidos. Para garantir que as BPF sejam eficazes, é necessário que todos os 
aspectos da cadeia de produção e distribuição de alimentos sejam controlados e 
monitorados de forma rigorosa. 
Aqui estão os principais pontos das BPF, com uma explicação detalhada 
sobre cada um: 
 
A) Qualificação e Treinamento de Funcionários 
A qualificação e o treinamento dos funcionários são aspectos essenciais das 
BPF, pois os manipuladores de alimentos são uma das principais fontes de 
contaminação alimentar. Portanto, garantir que todos os envolvidos na produção de 
alimentos tenham conhecimento sobre as práticas de segurança alimentar e higiene 
é fundamental. 
Qualificação: Refere-se à formação técnica e experiência dos trabalhadores. É 
importante que os funcionários possuam habilidades e conhecimentos adequados 
para realizar suas tarefas, seja no setor de manipulação de alimentos, na limpeza e 
sanitização ou no controle de qualidade. A qualificação pode incluir cursos técnicos 
ou especializados na área de alimentos, manipulação segura e controle de processos. 
Treinamento: Todos os manipuladores de alimentos devem ser treinados 
periodicamente em tópicos essenciais para a segurança alimentar, como: 
• Higiene pessoal: Como lavar as mãos corretamente, uso de uniformes, luvas, 
toucas e máscaras. 
•Prevenção de contaminação cruzada: Como evitar que alimentos crus 
contaminem alimentos prontos para consumo. 
• Controle de temperatura: Como manusear alimentos de forma segura, 
garantindo que sejam mantidos na temperatura adequada durante todo o processo, 
desde a armazenagem até o preparo e distribuição. 
• Procedimentos Operacionais Padronizados (POPs): Conhecimento sobre os 
POPs a serem seguidos nas operações. 
A falta de treinamento adequado pode resultar em falhas operacionais que 
comprometem a segurança alimentar, colocando em risco a saúde dos 
consumidores. 
 
B) Controle de Fornecedores e Matérias-Primas 
O controle rigoroso dos fornecedores e das matérias-primas é fundamental 
para garantir a qualidade e segurança dos alimentos. Um fornecedor inadequado 
pode fornecer ingredientes de baixa qualidade ou contaminados, o que 
comprometerá todo o processo de produção. 
Seleção de fornecedores: A empresa deve realizar uma avaliação criteriosa dos 
fornecedores antes de estabelecer uma parceria, considerando não só o custo, mas 
também a capacidade do fornecedor de garantir a qualidade e a segurança dos 
produtos fornecidos. Isso envolve verificar se os fornecedores possuem certificações 
como a ISO 22000 ou BPF. 
Auditorias e inspeções de fornecedores: Periodicamente, é importante que os 
fornecedores sejam auditados para garantir que estão atendendo às exigências de 
segurança alimentar e qualidade. Isso pode envolver a inspeção dos processos 
produtivos do fornecedor, verificação de seus sistemas de controle de qualidade e 
análise de seus produtos. 
Controle de qualidade das matérias-primas: Além de controlar a qualidade dos 
fornecedores, é essencial monitorar a qualidade das matérias-primas assim que 
chegam ao estabelecimento. Isso inclui: 
• Verificar a validade e integridade dos ingredientes. 
• Armazenar os produtos de acordo com suas necessidades específicas 
(temperatura, umidade, etc.). 
• Garantir que as matérias-primas não estejam contaminadas e sejam adequadas 
para o uso alimentar. 
 
C) Monitoramento de Temperatura de Armazenamento e Transporte 
O controle de temperatura é um dos aspectos mais críticos da segurança 
alimentar. A temperatura inadequada pode favorecer o crescimento de 
micro-organismos patogênicos que podem causar doenças alimentares, como 
Salmonella, Listeria e E. coli. 
• Armazenamento: O armazenamento adequado de alimentos deve garantir que 
eles sejam mantidos a temperaturas seguras. A faixa de temperatura crítica varia de 
acordo com o tipo de alimento, mas, em geral, alimentos perecíveis (como carnes, 
laticínios e vegetais) devem ser mantidos em temperaturas refrigeradas entre 0°C e 
5°C, enquanto alimentos congelados devem ser armazenados a temperaturas abaixo 
de -18°C. 
• Transporte: O transportede alimentos também deve ser feito de acordo com 
padrões rigorosos de temperatura. Veículos que transportam alimentos perecíveis 
devem ser equipados com sistemas de refrigeração e os motoristas devem ser 
treinados para garantir que os alimentos sejam transportados nas condições 
adequadas. 
• Monitoramento contínuo: Para garantir que os alimentos estejam sendo 
armazenados e transportados nas condições ideais, é essencial monitorar 
constantemente a temperatura de ambientes de armazenamento e veículos de 
transporte. Termômetros e sistemas de controle remoto podem ser usados para 
registrar a temperatura em tempo real e alertar os funcionários sobre qualquer 
desvio. 
 
D) Implementação de Procedimentos Operacionais Padronizados (POPs) 
A implementação de Procedimentos Operacionais Padronizados (POPs) é um 
dos pilares das BPF. Os POPs são documentos que descrevem de maneira detalhada 
os procedimentos que devem ser seguidos em todas as etapas da produção e 
manipulação de alimentos, com o objetivo de garantir que todas as operações sejam 
realizadas de forma segura e eficiente. 
Objetivos dos POPs: 
• Padronizar processos para evitar falhas operacionais. 
• Minimizar riscos de contaminação e garantir a segurança alimentar. 
• Treinar os funcionários para seguir as normas e procedimentos de segurança 
alimentar. 
Exemplos de POPs: Além dos POPs de controle de temperatura que 
mencionei anteriormente, outros exemplos incluem: 
• POP de Higiene Pessoal: Como os manipuladores devem se comportar durante o 
processo de manipulação de alimentos. 
• POP de Limpeza e Sanitização: Procedimentos detalhados sobre a limpeza das 
instalações, utensílios e equipamentos. 
• POP de Controle de Pragas: Como realizar inspeções regulares e quais medidas 
tomar em caso de infestação. 
 
E) Garantia da Rastreabilidade dos Produtos 
A rastreabilidade é a capacidade de seguir o trajeto de um produto alimentar 
ao longo da cadeia de produção, desde a matéria-prima até o consumo final. Ela é 
essencial para garantir a segurança alimentar e facilitar a recuperação de produtos 
em caso de problemas relacionados à saúde pública. 
• Importância da rastreabilidade: Se um lote de alimento for contaminado ou 
apresentar algum defeito, a rastreabilidade permite identificar rapidamente sua 
origem e destino, possibilitando o descarte rápido do produto contaminado e a 
redução de danos. A rastreabilidade também facilita as investigações em casos de 
surtos alimentares. 
• Como garantir a rastreabilidade: A rastreabilidade pode ser alcançada por meio 
de sistemas de controle de estoque e documentação que registre todas as etapas de 
produção, desde a recepção das matérias-primas até a distribuição dos produtos. 
Isso pode incluir a utilização de códigos de barras, etiquetas de lote e sistemas 
informatizados. 
As Boas Práticas de Fabricação (BPF) são fundamentais para garantir a 
produção de alimentos seguros e de qualidade. Elas envolvem a qualificação dos 
funcionários, o controle de fornecedores e matérias-primas, o monitoramento 
rigoroso das condições de armazenamento e transporte, a implementação de POPs 
e a garantia da rastreabilidade dos produtos. A adoção dessas práticas não só é uma 
exigência legal, como também uma medida essencial para a segurança do 
consumidor e o sucesso de qualquer estabelecimento alimentício. 
 
5. Importância do Responsável Técnico em Serviços de 
Alimentação 
O Responsável Técnico (RT) em serviços de alimentação desempenha um 
papel crucial na garantia da segurança alimentar e qualidade dos produtos 
alimentícios oferecidos ao consumidor. Este profissional, normalmente um 
nutricionista, biólogo, engenheiro de alimentos ou outro profissional da área de 
ciências dos alimentos, é designado para supervisionar, orientar e garantir que todas 
as atividades do estabelecimento atendam às exigências legais e técnicas, com foco 
na saúde pública e no cumprimento das normas sanitárias. O RT é, portanto, uma 
figura central na prevenção de riscos à saúde, na implementação de boas práticas e 
na formação de uma cultura de segurança alimentar dentro da empresa. Vamos 
detalhar os principais aspectos da atuação do responsável técnico em serviços de 
alimentação: 
 
5.1. Garantir a Adequação às Normas Sanitárias Vigentes 
Uma das responsabilidades mais importantes do RT é garantir que o serviço 
de alimentação esteja em conformidade com as normas sanitárias estabelecidas 
pelas autoridades de saúde pública. No Brasil, a ANVISA (Agência Nacional de 
Vigilância Sanitária) é o órgão responsável por regular e fiscalizar os serviços 
alimentícios, enquanto outras regulamentações estaduais e municipais também 
podem ser aplicadas. 
• Legislação vigente: O RT deve ter um profundo conhecimento das normas 
sanitárias, como as Resoluções da ANVISA (RDC 275/2002 e RDC 216/2004), que 
regulam, entre outros, os requisitos de higiene, controle de qualidade e segurança 
alimentar nos serviços de alimentação. A conformidade com essas normas garante 
que os produtos alimentícios não apresentem riscos à saúde dos consumidores, 
evitando surtos alimentares e problemas de contaminação. 
• Monitoramento de processos: Para garantir o cumprimento das 
regulamentações, o RT deve supervisionar as operações cotidianas do 
estabelecimento, como a manipulação de alimentos, o controle de temperatura e a 
higienização das instalações e equipamentos. Ele deve estar atento a cada etapa do 
processo de produção, desde a recepção das matérias-primas até a distribuição do 
produto final, verificando se todas as atividades estão sendo realizadas conforme as 
normas. 
 
5.2. Supervisionar a Equipe e Garantir Boas Práticas 
Além de garantir a conformidade com as normas, o RT tem a 
responsabilidade de supervisionar e treinar a equipe de trabalho no cumprimento 
das Boas Práticas de Fabricação (BPF) e outras práticas de segurança alimentar. O 
treinamento adequado dos manipuladores de alimentos é um dos aspectos mais 
críticos para a prevenção de contaminações e para a produção de alimentos seguros. 
• Treinamento contínuo: O RT deve promover treinamentos regulares para todos os 
colaboradores, especialmente aqueles diretamente envolvidos com a manipulação 
de alimentos. Isso inclui treinamento em higiene pessoal, controle de temperatura, 
evitação de contaminação cruzada, limpeza e sanitização de instalações e uso de 
equipamentos de proteção. Treinamentos periódicos são necessários para garantir 
que os funcionários estejam atualizados sobre as melhores práticas e os 
procedimentos a serem seguidos. 
• Supervisão contínua: Além dos treinamentos, o RT deve supervisionar as 
atividades diárias da equipe, garantindo que as boas práticas de fabricação e 
manipulação de alimentos sejam seguidas rigorosamente. Ele também deve garantir 
que a equipe tenha condições adequadas de trabalho, com acesso a materiais e 
equipamentos de higiene e uniformes apropriados. 
 
5.3. Implementar Sistemas de Controle de Qualidade e Segurança Alimentar 
O RT também é responsável pela implementação e monitoramento de 
sistemas de controle de qualidade e segurança alimentar. Isso envolve a criação de 
procedimentos operacionais padronizados (POPs) e a aplicação de sistemas de 
autocontrole para identificar e corrigir problemas relacionados à qualidade e à 
segurança dos alimentos. 
• Procedimentos Operacionais Padronizados (POPs): O RT deve elaborar e 
garantir a implementação de POPs que abordem todas as etapas do processo 
produtivo, desde a recepção de matérias-primas até a distribuição dos alimentos ao 
consumidor. Os POPs devem cobrir aspectos como o controle de temperatura, a 
higienização, a conservação dos alimentos e a identificação de produtos 
contaminados. 
• Sistema de Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC): O RT deve 
implementar e monitorar o sistema APPCC, que permite identificar e controlar os 
pontos críticos no processo de produção que possam representar riscos à saúde do 
consumidor, como contaminação microbiana,física ou química. Ele deve realizar 
inspeções regulares para garantir que os controles estejam funcionando 
corretamente e que qualquer desvio seja corrigido imediatamente.

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