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Caro estudante, seja bem-vindo a mais um semestre de nosso curso. Espero que o primeiro semestre tenha sido muito proveitoso e que tenha ficado um gostinho de quero mais. Estudaremos aqui a administração e seu contexto atual, as funções da administração e do administrador contemporâneo e também falaremos das habilidades necessárias a uma gestão eficaz. Como estamos ainda no início de nossa construção, conheceremos as bases da administração e sua estrutura, pois somente um bom alicerce garante que o prédio cresça com segurança, certo? Estudaremos questões fundamentais aos nossos dias: centralização e descentralização. O que fazer? Que decisão tomar? Vamos ver, vamos ver. Falando em decisão, estudaremos o escopo do processo decisório nas organizações, reconhecendo o ambiente e as necessidades nele inseridas. Ainda nas abordagens contemporâneas, conheceremos o conceito e as aplica- ções das organizações de aprendizagem, e no final você deve se responder: será que a minha é assim? Será que pode se transformar em uma? Nossa viagem é longa, e atravessamos o planeta para chegarmos ao Japão e conhecermos o modelo japonês de administração, estudando e entendendo suas raízes históricas e as influências geradas em toda a indústria ocidental. Nessa aula, vamos fazer uma reflexão confuciana: tudo o que ouço, esqueço; tudo o que vejo lembro; tudo o que faço, aprendo. O que isso quer dizer? Vamos conhecer algumas ferramentas que nos auxiliarão no dia-a-dia, vamos colocar a mão na massa, implementando mudanças possíveis em nossas organizações. Por fim, vamos mergulhar nas quatro grandes áreas da empresa – Gestão de Pessoas, Marketing, Produção e Finanças, conhecendo, de forma detalhada, as ações e tarefas desenvolvidas, as particularidades e termos que envolvem cada uma delas. EMENTA Administração e o contexto organizacional. Estrutura organizacional. Funções administrativas. A dinâmica do processo decisório. Tendências em administração. OBJETIVOS Conhecer a administração em seu contexto atual, e as estruturas organizacionais. Entender o escopo do processo decisório nas organizações e o processo de aprendizagem nas organizações. Analisar o modelo japonês de administração, identificando a sua influência em termos globais. Conhecer as quatro grandes áreas da empresa: gestão de pessoas, marketing, produção e finanças. CONTEÚDO PROGRAMÁTICO Administração e contexto organizacional Estrutura organizacional Processo decisório Organizações de aprendizagem Modelo japonês de administração e gestão da qualidade Grandes áreas da empresa: gestão de pessoas, marketing, produção e finanças BIBLIOGRAFIA BÁSICA DRUCKER, Peter F. Profissão de Administrador. São Paulo: Thomson Learning, 2001. MAXIMIANO, Antonio Cesar Amaru. Teoria geral da administração: da escola cien- tífica à competitividade na economia globalizada. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2000. TANURE, Betânia. Estratégia e Gestão Empresarial: construindo empresas brasi- leiras. São Paulo: Campus, 2004. BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR DRUCKER, Peter F. Prática da Administração de Empresas. São Paulo: Thomson Learning, 2003. OLIVEIRA, Djalma de P. R. de. Excelência na Administração Estratégica. 4. ed. São Paulo: Atlas, 1999. Objetivos Esperamos que, ao final desta aula, você seja capaz de: reconhecer os diferentes níveis da organização; compreender a importância da eficiência e da eficácia para as organi- zações, e as suas diferenças. Pré-requisitos Para que você compreenda bem o conteúdo dessa aula, é importante relembrar os princípios da Administração Científica e da Teoria Clássica da Administração, bem como os diferentes níveis hierárquicos visualizados nas organizações. Esse conteúdo foi abordado na disciplina Teoria Geral da Administração. Introdução Vou pedir permissão e perguntar: você já sabe, efetivamente, por que esco- lheu estudar Administração? Se você ainda não sabe bem, não se preocupe, pois o objetivo desta disciplina é justamente levá-lo a um melhor entendimento da profissão que resolveu abraçar. De forma bem generalista, podemos dizer que o objetivo de qualquer pessoa que escolha a Administração como profissão é melhorar o desempenho de organizações, e, conseqüentemente, seus resultados. Mas como poderia fazer isso? Melhorando os processos da organização, seu modus operandi. Vamos clarear isso? Você já foi mal atendido em uma loja, já demorou para conseguir um docu- mento em uma repartição pública, já comprou um produto que não correspondeu às expectativas? Certamente que sim, e vou parar por aqui para você não se lembrar das empresas com as quais tais episódios aconteceram e ficar nervoso, ok? Historicamente, a Administração é abordada como um conjunto de funções, uma série de papéis e aplicação de habilidades específicas. Todas elas estão rela- cionadas ao comportamento do administrador e são dependentes uma das outras. Teoricamente, como vimos desde o início de nosso curso, elas fundamentam o Administração e Contexto Organizacional exercício de nossa função, mas é necessário que observemos bem o contexto das organizações, pois esses papéis têm se transformado nos últimos tempos. Segundo Silva (2001, p. 5), “uma teoria é um conjunto de conceito de idéias que explica e prediz fenômenos sociais e físicos”. Mas será que a prática da Administração tem muito a ver com suas teorias? Por que tanta teoria é sempre uma pergunta recorrente, mas as teorias consti- tuem-se a base do entendimento e do alicerce do desenvolvimento de nossas ações, de nossas decisões. Vamos ler mais sobre isso? 1.1 Teoria + Prática Comumente vemos o seguinte paradoxo: teoria versus prática, certo? Nosso objetivo aqui, como o próprio nome da disciplina sugere, é abordar as teorias, relacionando-as à prática da administração, ressaltando a importância do conhe- cimento teórico da administração, para o entendimento situacional e contextual das organizações. Algumas das teorias estudadas até aqui foram desenvolvidas a partir da obser- vação de aspectos relativos à gestão das organizações, advindas da experiência e do desenvolvimento de ações práticas. Por outro lado, temos também teorias que se desenvolveram a partir de métodos científicos, o que lhes confere um caráter mais adequado, em termos da consideração da Ciência da Administração. A partir da implementação de novas teorias, o profissional poderá identificar novas perspectivas de observação, propondo, inclusive, novas formas de se pesquisar um objeto, levando a novos conhecimentos que enriqueçam os já existentes. A figura a seguir representa a fusão e o relacionamento entre as teorias e a prática administrativa. Veja como fica claro! Figura 1: Teorias e prática administrativa Fonte: adaptado de Silva (2001, p. 5). 1.2 Conceitos de Administração É sempre importante conhecermos, de modo aprofundado, conceitos que nos sejam basilares, certo? Nesse sentido, vamos conceituar Administração? Segundo Silva (2001), a administração é relacionada com o alcance de objetivos, por meio do esforço de outras pessoas. Simples, mas objetiva. Para ajudar nossa conceituação, vejamos a contribuição de grandes estudiosos da ciência, relacionado-as às escolas (teorias) correspondentes: Escola Funcional (Abordagem Clássica) – segundo Terry, citado por Silva (2001), administração é um processo distinto, que consiste no planeja- mento, organização, atuação e controle, para determinar e alcançar os objetivos da organização, pelo uso de pessoas e recursos. Escola das Relações Humanas (Abordagem Humanística) – para Appley, citado por Silva (2001), administração é o alcance de resultados, por meio dos esforços de outras pessoas. Escola da Tomada de Decisão – de acordo com Drucker, citado por Silva (2001), administração é, simplesmente, o processo de tomada de decisão e o controle sobre as ações dos indivíduos, para o expresso propósito de alcance de metas pré-determinadas. Ainda segundo Silva (2001, p. 6), a partir das muitas definições possí-a reconstrução do país, devastado ao fim da segunda grande guerra. A empresa que mais aproveitou os princípios de administração desen- volvidos a partir de então no Japão, foi a Toyota, cedendo, inclusive, seu nove para a composição de um novo paradigma da administração. Depois do Taylorismo, tínhamos agora o Toyotismo. Segundo Maximiano (2004), a contribuição da Toyota para a história da moderna administração foi muito além da simples incorporação e melhoramentos da filosofia e das técnicas da qualidade. O sistema Toyota de produção, que vem evoluindo desde os anos 50 do século XX, e é a semente do modelo japonês de administração, baseia-se não apenas nos especialistas da qualidade, mas, principalmente, nas técnicas desenvolvidas por figuras já conhecidas de vocês: Henry Ford e Frederick Taylor. Os dois princípios mais importantes no sistema Toyota são a eliminação de desperdícios e a fabricação com qualidade. Vamos entendê-los melhor? 5.2 A questão do desperdício O embrião do sistema Toyota nasceu em uma visita que Eiji Toyoda e Taiichi Ohno fizeram à Ford nos anos de 1950. Concluíram que o principal problema do modelo idealizado por Henry Ford era o desperdício de recursos de todas as espécies - humanos, materiais, financeiros, de tempo e de espaço. O modelo privi- legiava fábricas enormes, estoques igualmente grandes e despendiosos. Como um princípio seguido a risca era o da especialização dos operários, verificava-se em suas indústrias um grande desperdício de recursos humanos. As atividades execu- tadas eram as exclusivamente relacionas às especializações de cada indivíduo. O modelo de Ford, que era o paradigma vigente em praticamente todas as indústrias do mundo, trabalhava dentro de uma lógica de abundância de recursos, para eventuais necessidades. Como vimos, essa é a filosofia just in case. Se para as indústrias ocidentais a preocupação exagerada era necessária, para os japoneses, ainda lutando pela reconstrução do país e lidando com grande limitação de recursos, as palavras de ordem eram racionalização e economia. Nesse sentido, para aumentar a eficiência e tornar-se competitiva, era preciso promover alterações no modelo de Ford, era preciso eliminar o desperdício. Segundo Maximiano (2004), eliminar desperdícios significa reduzir ao mínimo a atividade que não agrega valor ao produto. Segundo os manuais da Toyota, citados ainda por Maximiano (2004), os desperdícios classificam-se em sete tipos principais: tempo perdido em conserto ou refugo; produção além do volume necessário ou antes do momento necessário; operações desnecessárias no processo de manufatura; transporte; estoque; movimento humano; espera. Se eliminarmos efetivamente os desperdícios, o que restará? Restará tão- somente o esforço para agregar valor ao produto, objetivando produzi-lo de forma a satisfazer as necessidades dos clientes. Segundo Maximiano (2004), agregar valor ssignifica realizar operações de transformação de materiais e componentes estritamente relacionadas com a elaboração do produto. Vejamos as três idéias fundamentais para a eliminação de desperdícios segundo o Sistema Toyota. 5.2.1 Racionalização do trabalho A idéia utilizada no Sistema Toyota para a racionalização do trabalho baseou-se na racionalização da utilização da mão-de-obra, por meio do agru- pamento de trabalhadores em equipes, com forte influência do líder. Às equipes era dada uma determinada tarefa, e, de forma coletiva, a missão era realizá-la da melhor forma possível. 5.2.2 Just in time Em contraposição ao just in case, amplamente utilizado nas indústrias ociden- tais, o sistema buscava trabalhar de acordo com o método just in time, que signi- fica no momento certo, na hora certa. O objetivo principal era a diminuição dos estoques e a conseqüente redução no tempo de fabricação dos produtos. Segundo Maximiano (2004), o princípio é estabelecer um fluxo contínuo de materiais, sincronizado com a programação do processo produtivo, para mini- mizar a necessidade de estoques. Para tanto, é imprescindível que haja compro- metimento dos fornecedores, para a manutenção adequada desse fluxo, e o fortalecimento da cadeia de suprimentos (supply chain), assunto que veremos mais adiante em nosso curso. 5.2.3 Produção flexível O sistema de produção flexível consiste na produção de produtos em lotes pequenos e dinâmicos, que possam atender as necessidades dos clientes de maneira rápida e eficaz. Para tanto o maquinário, e sobretudo as equipes de trabalho, deviam estar preparados para efetuar as mudanças nos moldes que propiciassem as mudanças das peças a serem fabricadas. Essa flexibilização garante maior eficiência nos processos, melhora a produtividade de forma quan- titativa e qualitativa. 5.3 Fabricação com qualidade A fabricação com qualidade tem por princípio fundamental a identificação e a correção de defeitos, a partir da identificação de suas causas. Isso levará, também, à diminuição do desperdício, certo? Para que isso aconteça, é preciso que três fatores sejam trabalhados na organização. Vejamos quais são eles a seguir. 5.3.1 Fazer certo da primeira vez A Toyota, e também a grande maioria das indústrias japonesas, sofreu forte influência dos pensadores americanos que atuaram para ajudar a reconstrução do país, ao fim da Segunda Guerra. Deming, já citado anteriormente, difundiu várias idéias e princípios, mas talvez o mais marcante deles seja esse: fazer certo da primeira vez. Quais são as conseqüências disso? Segundo Maximiano (2004), a filosofia de fazer certo na primeira vez torna o trabalhador responsável pela qualidade de seu trabalho. O controle da quali- dade, normalmente feito por inspetores ao final do processo produtivo, perde o sentido, à medida que o processo todo é garantido pelos próprios trabalha- dores. Havia ali, portanto, mais um desperdício a ser eliminado. Alain Santos Realce 5.3.2 Atuar nas causas Outra questão importante relacionada ao sistema Toyota, e muitíssimo relacio- nada ao conceito de qualidade, é a busca de atuação das equipes nas causas dos problemas. Não adianta propor emendas, tratando assim as conseqüências inde- sejadas de um processo. É preciso identificar quais as causas de tal deficiência, e nelas atuar. Nesse sentido, qualquer trabalhador deve ter o poder de parar a linha de produção, ao verificar um problema que comprometa a qualidade do produto final. Uma técnica bastante utilizada aqui, e que veremos adiante de forma desdo- brada, é sistematicamente perguntar os porquês. Já estamos quase lá. 5.3.3 Círculos da qualidade Os círculos da qualidade foram desenvolvidos por Kaoru Ishikawa (que também colaborará conosco em nosso tópico Ferramentas), e aplicados primei- ramente na Toyota. A idéia original consistia na criação de grupos de trabalho voluntários que se reuniam para discutir problemas e propor soluções para a empresa e seus departamentos. O objetivo imediato dos círculos da qualidade é complementado por outros objetivos - implícitos e explícitos. Segundo Maximiano (2004), estes objetivos são: envolver os funcionários no processo de análise e resolução de problemas, alargando seu campo de visão, suas responsabilidades e, conseqüente- mente, seu sentido de realização; melhorar a comunicação dentro do próprio grupo de trabalho, que fica preju- dicada no sistema tradicional do trabalho isolado da linha de montagem; estimular um clima de criatividade, mentalidade da qualidade, autocron- tole e prevenção de falhas. Os círculos da qualidade prevêem a utilização de várias ferramentas que ajudam o processo de gestão, e baseiam-se fortemente em uma metodologia desenvolvida para a visualização e o tratamento sistemático e sistêmico dos problemas, a metodologia PDCA. Vamos ver o que é isso? 5.4 PDCA Um dos princípios da Qualidade é a busca pela melhoria contínua. De nada vão adiantar informações, indicadores, gráficos e outras ferramentas, se não houver, por parte do administrador, a percepção da necessidade de semprebuscar melhorar todos e quaisquer processos organizacionais. A filosofia do melhoramento contínuo pode ser representada pelo ciclo PDCA, que também é conhecido como ciclo de Shewhart, que foi o seu ideali- zador, mas muitos também o conhecem como ciclo de Deming – que você viu em nosso capítulo sobre a Gestão da Qualidade – que foi efetivamente o respon- sável por seu desenvolvimento e reconhecimento. O ciclo PDCA é um método gerencial, para a promoção da melhoria contínua, e reflete, em suas quatro fases, a base da filosofia do melhoramento contínuo. MARSHALL (2003, p. 82) nos revela que “praticando-as de forma cíclica e ininterrupta, acaba-se por promover a melhoria contínua e sistemática na organização, consolidando a padronização de práticas”. Figura 1: Ciclo PDCA P D CA Fica muito fácil a visualização das etapas de desenvolvimento do ciclo PDCA. Primeiramente, devemos efetuar o planejamento; depois, executá-lo, verificar o seu desempenho e corrigir eventuais falhas no processo. Não é fácil? Desmembrando o ciclo PDCA, identificamos algumas atividades que devem ser executadas em cada uma das etapas, e de que forma elas auxiliam a organização em buscar efetivamente melhorar os seus processos, seus produtos e, conseqüentemente seus resultados. Vejamos então como fica o modelo: Figura 2: Atividades no ciclo PDCA Fonte: Marshall Jr (2004, p. 82). Segundo Marshall Júnior (2004), as fases do PDCA são as seguintes: primeira fase – plan (planejamento). Deve-se estabelecer os objetivos e metas, para que sejam desenvolvidos métodos, procedimentos e padrões para alcançá-los. Normalmente, as metas são desdobradas do planeja- mento estratégico e representam requisitos do cliente ou parâmetros e características de produtos, serviços ou processos. Os métodos contem- plam os procedimentos e as orientações técnicas necessárias para se atin- girem as metas; segunda fase – do (execução). Essa é a fase de implementação do plane- jamento. É preciso fornecer educação e treinamento para a execução dos métodos desenvolvidos na fase de planejamento. Ao longo da execução, devem-se coletar os dados que serão utilizados na fase de verificação. Quando o pessoal envolvido na execução vem participando desde a fase de planejamento, o treinamento, em geral, deixa de ser necessário; terceira fase – check (verificação). É quando se verifica se o planejamento foi consistentemente alcançado, pela comparação entre as metas desejadas e os resultados obtidos. Normalmente, usam-se, para isso, ferramentas de controle e acompanhamento, como cartas de controle, histogramas, folhas de verificação, entre outras. É importante ressaltar que essa comparação deve ser baseada em fatos e não em opiniões ou intuição; quarta fase – act (agir corretivamente). Nessa fase, têm-se duas alternativas. A primeira consiste em buscar as causas fundamentais, a fim de prevenir a repetição dos efeitos indesejados, no caso de não terem sido alcançadas as metas planejadas. A segunda, em adotar como padrão o planejado na primeira fase, já que as metas planejadas foram alcançadas. Executar as ações previstas no PDCA faz com que o administrador possa obter certa previsibilidade dos processos da empresa, e isso certamente aumen- taria a competitividade da empresa em seu mercado. Isso somente é possível graças à severa obediência aos padrões. Observaremos na próxima figura que, quando a melhoria é bem sucedida, a organização deve adotar o método plane- jado, tomando-o padrão. Se essa não for a condição, voltamos ao padrão ante- rior, executando o ciclo PDCA novamente. Nosso próximo passo é conhecer as ferramentas que apóiam esse processo. Prepare-se para colocar a mão na massa. Vamos em frente? 5.5 Ferramentas É hora de colocarmos a mão na massa. Você, que a essa altura já é um apaixonado pelas coisas da administração, vai se deliciar. Está preparado? 5.5.1 Brainstorming O brainstorming é um processo de geração de idéias, no qual os indiví- duos de um grupo emitem o maior número de idéias possível, buscando resolver algum problema existente na organização. A utilização desta ferramenta é muito importante, pois as idéias surgem de forma espontânea e rápida. Normalmente, o número de pessoas envolvidas em um brainstorming varia de cindo a doze pessoas que, voluntariamente, se dispõem a participar do processo. É importante lembramos que você deverá estipular regras e tempo limite, para que sua aplicação não seja inoportuna. O grande propósito do uso desta ferramenta é fazer com que os colaboradores, depois de conhecerem o foco da discussão, possam opinar livremente e de forma criativa acerca do problema apresentado. Além de sua aplicabilidade prática, o envol- vimento e a participação das pessoas auxiliam no desenvolvimento das equipes. Segundo Marshall Júnior (2004), o brainstorming apresenta as seguintes características: capacidade de auto-expressão, livre de inibições ou preconceitos da própria pessoa ou de qualquer outra do grupo; liberação da criatividade; capacidade de aceitar e conviver com diferenças conceituais e multidisciplinares; ausência de julgamento prévio; registro das idéias; capacidade de síntese; delimitação de tempo; ausência de hierarquia durante o processo. Segundo Rodrigues (2004), para a aplicação eficiente do brainstorming, devemos dividi-lo em etapas, que serão descritas a seguir, para que você possa compreender melhor: etapa 1 – estabelecer o objetivo a ser tratado claramente; etapa 2 – convocar a equipe; etapa 3 – indicar um coordenador para dirigir a equipe; etapa 4 – indicar um membro da equipe que irá registrar as idéias e adminis- trar o tempo; etapa 5 – definir regras de funcionamento: definir a metodologia, a forma de participação ou intervenção dos membros; todas as idéias devem ser registradas onde possam ser vistas por todos; nenhuma idéia pode ser criticada ou rejeitada; outras idéias podem e devem ser criadas a partir de idéias anteriores. 5.5.2 Cartas de controle Carta de controle é um tipo específico de gráfico utilizado na gestão de organi- zações, para a verificação e acompanhamento da variabilidade de um processo, buscando identificar causas possíveis e anomalias nos processos executados coti- dianamente. É importante frisar que nas cartas de controle estão inseridas causas comuns (intrínsecas ao processo) e causas especiais (aleatórias). Segundo Marshall Jr. (2004), as causas comuns estão relacionadas ao funcio- namento do próprio sistema (por exemplo, projetos e equipamentos), enquanto as causas especiais refletem ocorrências fora dos limites de controle (falha humana, queda de energia, matéria-prima inadequada etc). Vejamos a ilustração a seguir. Figura 3: Carta de controle LSE LSC Média LIC LIE In di ca do r da Q ua lid ad e Tempo Fonte: adaptado de Marshall Jr (2004, p. 93). Para a elaboração de uma carta de controle, é necessário que se efetuem cálculos estatísticos para a identificação de limites - limite superior de controle (LSC), e limite inferior de controle (LIC). Com esses dois dados, teremos a média. Se os dados aqui observados estiverem dentro desses limites, significa que o processo analisado está sob controle, ou seja, encontra-se estável, e que as variações fazem parte do processo. Dados encontrados fora desses limites indicam ocorrências indesejáveis, fato que sugere uma atenção pormenorizada e detalhada da ocorrência. Como pudemos perceber, existem dois outros limites - limite superior de espe- cificação (LSE) e limite inferior de especificação (LIE). A partir de seus indica- dores, nós administradores podemos perceber que a ocorrência fugiu ao que está intrinsecamente ligado ao processo, sendo algo anormal. É importante frisar que os dados utilizados como referência para os limites de especificação baseiam-se nas expectativas do cliente. Com a observação dessa ferramenta, o gestor terá clara noção da variabi- lidade do processo. Não significa dizer que o produto é bom, significaque o processo é executado com consistência, mesmo que seja consistentemente ruim. 5.5.3 Diagrama de Ishikawa O Diagrama de Ishikawa é conhecido por muitos nomes, podendo ser chamado de diagrama de causa e efeito ou diagrama espinha de peixe. Seu objetivo fundamental é a identificação das possíveis causas que levam a um determinado efeito ou problema. A partir daí, as causas são agrupadas por categorias que indiquem semelhança e facilitem a identificação efetiva das causas. Segundo Marshall Jr (2004) em linhas gerais, são as seguintes as etapas de elaboração do diagrama de Ishikawa: discussão do assunto a ser analisado pelo grupo, contemplando seu processo, como ocorre, onde ocorre, áreas envolvidas e escopo; descrição do efeito (problema ou condição específica) no lado direito do diagrama; levantamento das possíveis causas e seu agrupamento por categorias no diagrama; análise do diagrama elaborado e coleta de dados para determinar a freqüência de ocorrência das diferentes causas. Vejamos a figura que exemplifica o diagrama: Figura 4: Diagrama de IshikawaFiFigugug ra MateriaisMateriais MétoddosMétoddos Mão-dde-obbraMão-dde-obbra EExames EExames laboratoriais laboratoriais com erroscom erros aggraramama ddee IsIshihikakawawa Máquq inasMáquq inas Dependência de fornecedor único Insumos de baixa qualidade Armazenamento inadequado dos insumos Falta de padrões documentais Baixo nível de padronização Temperatura inadequada do ambiente Falta de manutenção preventiva Manuais excessivamente técnicos Erros de digitação Troca de exames Rotatividade excessiva de pessoas Nível de escolaridade ou formação inadequada para as funções técnicas Manuais em inglês Desmotivação Fonte: adaptado de Marshall Jr (2004, p. 95). 5.5.4 Diagrama de dispersão O diagrama de dispersão é uma ferramenta que ajuda o gestor a visualizar qualquer alteração sofrida por uma variável, quando uma outra se modifica. Alain Santos Realce Esse assunto será discutido também na disciplina Estatística. Um bom exemplo que podemos utilizar aqui é o impacto do uso de fertilizantes na produtividade de uma determinada área. Quanto maior a quantidade de fertilizantes, maior a produtividade. Vejamos a ilustração: Figura 5: Diagrama de Dispersão Fertilizante Pr od ut iv id ad e Fonte: adaptado de Marshall Jr (2004, p. 96). O diagrama de dispersão serve apenas para demonstrar a intensidade da relação entre variáveis, não objetivando identificar se uma é causa da outra. A relação, de acordo com a visualização gráfica pode configurar-se em positiva, negativa ou sem relação entre variáveis. Vamos para a próxima? 5.5.5 Gráfico de Pareto O gráfico de Pareto é construído em formato de barras, e a sua principal característica é a formatação, a partir de dados de freqüência acumulados. Sua aplicação visa a ajudar o gestor a priorizar ações em problemas que ocorrem mais freqüentemente na organização. Essa ferramenta tem suas origens nos estudos de um economista italiano chamado Vilfredo Pareto, que, analisando a sociedade de seus país à época, chegou à conclusão que existia uma grande desigualdade na distribuição das riquezas da população, e em suas conclusões indicou que 20% da população detinha 80% da renda, enquanto o restante da população brigava pelos 20% da renda restante. Sucintamente, podemos dizer que um pequeno número de problemas ou causas indesejadas é responsável pela maioria de ocorrências verificadas em uma organização. Assim, podem ser tratados os problemas que efetivamente impactam a eficiência da organização. Vamos visualizar o gráfico? Figura 6: Gráfico de Pareto DIAGRAMA DE PARETO 100% 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 A B C D E Bola para frente. Vamos agora entender a relação entre gravidade, urgência e tendência? Vamos à matriz GUT! 5.5.6 Matriz GUT Como em outras ferramentas estudadas até aqui, o objetivo da matriz GUT é estabelecer prioridade para o tratamento de problemas e a análise de riscos. As letras G, U e T, significam, respectivamente, Gravidade, Urgência e Tendência. Mas como isso pode ser utilizado e interpretado pelo gestor? Vamos ver? Gravidade: considera-se a intensidade ou profundidade dos danos que o problema estudado pode causar, se nada for feito. A escala de 1 a 5 para a identificação configura-se assim: 1 – dano mínimo; 2 – dano leve; 3 – dano regular; 4 – dano grande; 5 – dano gravíssimo. Urgência: considera-se o tempo para que a situação fique insustentável, que se perca o controle. A escala também é de 1 a 5: 1 – longuíssimo prazo (dois ou mais meses); 2 – longo prazo (um mês); 3 – médio prazo (uma quinzena); 4 – curto prazo (uma semana); 5 – imediatamente (está ocorrendo). Tendência: considera-se o desenvolvimento que o problema terá na ausência de ação. Novamente a escala vai de 1 a 5: 1 – desaparece; 2 – reduz-se ligeiramente; 3 – permanece inalterada; 4 – aumenta; 5 – piora muito. A técnica consiste na listagem de atividades que devem ser realizadas e, a partir de discussões em equipe (brainstorming), decide-se o que deve ser feito prioritariamente. Vamos ver o exemplo. PROBLEMAS G U T GUT Gravidade Urgência Tendência Capacitar colabora- dores para utilização de equipamentos 5 5 4 100 Aquisição de novos equipamentos 2 2 3 12 Desenvolvimento de novos métodos de trabalho 3 4 4 48 Fonte: adaptado de Meirelles (2001, p. 54). Note que a última coluna (GUT) refere-se à multiplicação dos três fatores, o que indica, efetivamente, o problema que deverá ser tratado prioritariamente. A nossa próxima ferramenta será nossa auxiliar no desenvolvimento de planos de ação. Não se preocupe com a sopa de letrinhas - 5W2H. 5.5.7 5W2H Não se assuste com este nome. Esta é mais uma ferramenta administrativa que irá ajudá- lo em sua organização. É usada quando o administrador deseja mapear e padronizar os processos organizacionais e para a confecção e elaboração de planos de ação. É para o uso de gerentes, e indica responsabilidades, métodos, objetivos, prazos e recursos utilizados. Como falamos no início, não é para você se assustar com o nome. Abaixo relacionaremos o significado de cada um dos 5W e 2H. Eles representam as iniciais de palavras que vão nortear o desenvolvimento do trabalho. Seguirão na tabela a seguir, com a devida tradução: 5W 2H What - O Que? How - Como? Who - Quem? How Much - Quanto Custa? When - Quando? Where - Onde? Why - Por que? Perceberam? Nesta ferramenta você identificará o que será feito por quem, quando, onde e por que será feito. Complementando teremos como será feito, e quanto custará. Abaixo você encontrará um exemplo que certamente o ajudará na sua compreensão: PLANO DE AÇÃO Setor: Serviços de Apoio e Logística Objetivo: Reduzir custos internos de geração de fotocópias em 30% Responsável: João Prazo: 30-6-200X O QUE (WHAT) QUEM (WHO) QUANDO (WHEN) ONDE (WHERE) POR QUE (WHY) COMO (HOW) CUSTOS (HOW MUCH) Reavaliação de contratos e negociação com os fornecedores Joana Até 15-4-X Em nossa empresa e nos forne- cedores Há suspeitas de as cláusulas de desconto por volume não estarem compatí- veis com o mercado Comparação com outros contratos (mercado) e pesquisa junto a fornecedores alternativos Remuneração de 100 horas de técnicos + R$ 2.000,00 em despesas diversas Estabelecimento de maior rigor nas autorizações Paulo Até 10-5-X Nos departa- mentos e cargos com poder de autori- zação Há muitas cópias particulares e também documentos que poderiam circular por e-mail Conversas com as chefias e responsáveis pela análise de fluxo de tarefas Remuneração de 150 horas de técnicos Centralização dos serviços Carlos Até 10-5-X Na admi- nistração central Para facilitar a implemen- tação de controles Realocação das máquinas e colabo- radores do setor Remuneração de 120 horas de técnicos + R$ 5.000,00 em obras e mudança Fonte: Marshal Jr.(2004, p. 103). Síntese da aula Nessa aula, pudemos conhecer alguns dos principais aspectos relacionados ao modelo japonês de administração. Conhecemos os preceitos da gestão da qualidade e, por fim, com gostinho de mão na massa, trabalhamos com algumas ferramentas administrativas que vão ajudar você a melhorar a gestão das orga- nizações. Espero que lhes sejam muito úteis, pois a nós o são. Objetivos Esperamos que, ao final desta aula, você seja capaz de: conhecer os processos e a estrutura da área de pessoas em uma organização; conhecer os processos e a estrutura da área de marketing em uma organização. Pré-requisitos É importante que você relembre os parâmetros dos sistemas abertos e também, que tenha entendido bem todos os aspectos relacionados à estrutura das organiza- ções, vistos até aqui. Por uma questão de respeito aos autores citados, não faremos distição entre os termos administração de recursos humanos e gestão de pessoas. Introdução Chiavenato (2000) nos ensina que a administração de recursos humanos diz respeito à administração de pessoas que participam das Organizações e que nelas desempenham determinados papéis. Sabemos que as pessoas passam a maior parte de seu tempo trabalhando em organizações, e essas, conseqüentemente, causam um grande impacto sobre as vidas e qualidades de vidas dos indivíduos. Nesse contexto, as organizações são constituídas de pessoas e dependem delas para atingir seus objetivos; em contrapartida, as pessoas dependem das organiza- ções, para que possam alcançar vários objetivos pessoais que, isoladamente, com esforço individual, não seriam possíveis de se alcançar. Segundo Chiavenato (2000), “as organizações surgem exatamente para aproveitar a sinergia dos esforços de vários indivíduos que trabalham em conjunto”. De acordo com Kwasnicka (1995), “a Administração de Recursos Humanos representa o esforço das organizações em atrair, preparar, adaptar, desenvolver e incorporar de forma permanente, bons profissionais ao esforço produtivo”. O conceito clássico que temos de Recursos Humanos é o homem certo, no lugar certo e no momento certo. Grandes áreas: gestão de pessoas e marketing Alain Santos Realce 6.1 Gestão de pessoas 6.1.1 Fundamentos Para entendermos o relacionamento entre indivíduos e organizações, devemos abordá-lo sob o prisma de sistemas abertos em contínua interação com seus respectivos ambientes - interno e externo A função de Recursos Humanos (RH) se reflete na vertente externa de relações com o ambiente onde a empresa age (mercado de trabalho), onde se concentra o desafio de enfrentar e superar, de forma racional e eficiente, os inúmeros desa- fios internos em termos de gestão adequada da mão-de-obra disponível. Todas essas vertentes, externas e internas, devem contribuir, decisivamente, na maneira como os objetivos serão atingidos em função do planejamento estra- tégico de RH. Portanto, conseguir o tipo e número certo de pessoas exige plane- jamento de que irá derivar os planos da organização. O processo de planejamento ocorre em três estágios: planejamento, progra- mação e avaliação. De acordo com Bateman e Snell (1998), primeiro os gestores de RH precisam conhecer os planos de negócio, qual o direcionamento da empresa, em que negócios participa e qual o crescimento esperado. Em segundo lugar, programar as atividades específicas, tais como recrutamento, seleção, trei- namento, demissões. E, nesse estágio, os planos devem ser implementados. Em terceiro, as atividades de RH são avaliadas, para que se determine se elas estão de fato produzindo os resultados esperados e se, efetivamente, contribuem com os planos de negócios da organização. 6.1.2 Objetivos Os principais objetivos da área de pessoas são: criar, manter e desenvolver um contingente de pessoas com habilidades, motivação e satisfação para realizar os objetivos da organização; criar, manter e desenvolver condições organizacionais de aplicação, desenvolvimento e satisfação plena das pessoas, e alcance dos obje- tivos individuais; alcançar a eficiência e eficácia por intermédio das pessoas. 6.1.3 Dificuldades Destacamos a seguir, algumas dificuldades encontradas: lidar com os meios e não os fins; lidar com recursos vivos; lidar com todas as pessoas, de diferentes departamentos e chefias; não controlar diretamente os eventos e condições que produzem a efici- ência e eficácia; razoável poder e controle sobre os destinos da organização; não lidar diretamente com as fontes de receitas; padrões de desempenho e de qualidade de RH complexos e diferenciados; há muitos desafios e riscos não controlados, não padronizados e imprevisíveis. 6.1.4 Princípios Não há um campo comum que defina claramente o que o profissional de RH deve fazer, mas se estabeleceram dez princípios para serem usados em soluções de problemas e tomada de decisão em sua área de atuação. Princípio de justiça: imparcialidade, equidade, objetividade e racionalidade. Respeito: considerar valores e crenças pessoais Respeito ao todo organizacional: sempre considerar o impacto das decisões sobre o sistema global. Serviço: ações e atitudes contributivas para a vida da organização. Advocacia: ações e atitudes legais. Autoridade: mais em função de influência e menos de comando. Razão: procedimentos, políticas e práticas devem sempre ser embasados na razão. Papel de RH: desde trabalhos burocráticos de suporte, integração, estra- tégica, fomento ao desenvolvimento de boas relações interpessoais, até a oferta de serviços demandados pelas regulamentações ou leis trabalhistas. Todo versus a parte: apoiar a ligação entre serviços e programas, ressaltando a importância de todas as áreas que são igualmente essenciais e significantes. Mediação e não arbitragem: tratar os conflitos pela linha de mediação e não arbitrariamente, mediação gera compromisso e reconciliação e arbitragem impõe a decisão à força a uma das partes. Esses princípios apenas norteiam as ações de RH e são extremamente genéricos, pois o intuito é ter parâmetros que transcendam todos os tipos de Organização. 6.1.5 Abordagem sistêmica da gestão de pessoas Vejamos os parâmetros do sub-sistema – gestão de pessoas: Entradas: sabemos que o sistema é alimentado com informações, energias ou recursos que impulsionam o processo; em RH, temos duas perspectivas de alimentação: Políticas de RH e análise do Ambiente externo. Somente a partir da análise ambiental, teremos subsídios para traçar um conjunto de políticas que condicionarão as ações do processo. Na análise ambiental, devemos considerar vários aspectos: existência de mão-de- obra necessária na comunidade; perfil do mercado de trabalho, a imagem da empresa, competitividade, concorrência, cultura e saúde. Quanto às políticas de RH, devemos considerar: o ambiente e objetivos empresariais, tecnologia empregada e o mercado de mão-de-obra. Processo da função gestão de pessoas: a figura acima retrata bem as atividades que compõem os subsistemas. Segundo Chiavenato (2000), esses cinco subsis- temas formam um processo global e dinâmico através do qual as pessoas são captadas e atraídas, aplicadas em suas tarefas, mantidas na organização, desen- volvidas e monitorizadas pela organização. Esses subsistemas não se relacionam de uma única e específica maneira e são contingentes ou situacionais, variando conforme a organização; dependem de fatores organizacionais, humanos, tecno- lógicos, etc. Portanto, são extremamente variáveis, embora interdependentes. Saídas: o resultado do processo depende das funções definidas e implemen- tadas, ou seja, do desempenho da função de RH. Para Kwasnicka (1995), “a qualidade das decisões e a adequação da política definida anteriormente irão dar a medida certa do sucesso da administração de Recursos Humanos”. Os parâmetros básicos para mensuração do desempenho de RH são: eficácia organizacional, satisfação pessoal, melhoria da tecnologia e imagem da empresa na comunidade. O desafio para obtenção destesucesso é o equi- líbrio entre os objetivos individuais e organizacionais e, para tanto, a empresa deve buscar uma postura pró-ativa - antecipar desafios, estar sensível às tendên- cias e cenários e uma postura humanística - tratar todos os colaboradores com importância e dignidade. E aí vem a pergunta: qual é a cara do pessoal que você quer na sua empresa? Falar e entender de gente é um desafio enorme. Todo mundo quer gente boa trabalhando na empresa. Todavia, quem administra ou manda na empresa também deve se auto-avaliar, pois a cara do dono é a cara da empresa. Donos estruturados têm empresas estruturadas, donos gentis têm empresas gentis, donos grosseiros têm empresas grosseiras. O grande diferencial para o sucesso é a capacidade de atrair e reter gente que tenha paixão por servir e ajudar as pessoas a alcançarem o sucesso. 6.2 Marketing Marketing: fazendo vendas ou fazendo clientes? Quando Henry Ford disse: “você pode comprar um carro de qualquer cor, desde que seja preto”, jamais imaginou que as coisas evoluiriam tanto em termos de marketing. Avançamos várias fases: do marketing de massa; para o marketing de segmento; marketing de nicho; marketing one to one e chegamos a um marke- ting personalizado. E, nisso tudo, quais foram os fatores determinantes dessa evolução de conceitos, jeitos e ferramentas? O cliente passou a ser visto de uma forma diferente pelas empresas. Começou a participar das decisões de produtos e serviços. Começou a querer coisas cada vez mais específicas e personalizadas. Passou a exigir um design e uma estética a seu gosto. As empresas, forçadamente, tiveram que ouvir e atender ou não teriam mais clientes. Muitas delas, aliás, fecharam as portas porque não prepararam o seu pessoal para ouvir, interpretar e azeitar o processo de produção. Quebraram! Vale aqui um dos conceitos mais interessantes que já conheci: “marketing é a capacidade de conquistar e manter relacionamentos lucrativos” (KOTLER, 2000). 6.2.1 Marketing de massa x marketing one-to-one Veja as diferenças entre o marketing de massa e o marketing um-a-um, apre- sentado por Kotler (2000): MARKETING DE MASSA MARKETING UM-A-UM Cliente médio Cliente individual Anonimato do cliente Perfil do cliente Produto padrão Oferta de mercado personalizada Produção de massa Produção personalizada Distribuição de massa Distribuição individualizada Publicidade de massa Mensagem individualizada Promoção de massa Mensagens de mão dupla Mensagem de mão única Economias de escopo Economias de escala Participação do cliente Participação de mercado Clientes lucrativos Todos os clientes Retenção do cliente Atração do cliente Marketing um-a-um Outras considerações: Interagir com clientes específicos para conhecer melhor suas necessidades individuais e construir relacionamentos mais fortes Customizar produtos, serviços e mensagens a cada cliente Bancos de dados de clientes e database marketing Se, para as empresas, há um investimento grande em conquistar clientes, o desafio maior é mantê-los. A todo o momento, vemos empresas conquistando clientes com a mão direita e perdendo clientes com a mão esquerda. Como poderíamos, então, gerir o marketing para atrair e, efetivamente, manter os clientes? Convidamos você, a partir de agora, para conhecer e aprender a implementar o marketing nas empresas! Vamos nessa? 6.2.2 Fundamentos Para Kotler (2000), os conceitos fundamentais de marketing são: I – definição de marketing Marketing é um processo social e gerencial pelo qual pessoas e grupos obtêm aquilo de que necessitam e desejam mediante a criação, oferta e troca de produtos de valor com outros; II – conceitos centrais de marketing Relacionaremos a seguir os principais conceitos relacionados à Gestão Mercadológica – Marketing: Mercados-alvo e segmentação – todo produto ou serviço contém caracterís- ticas que os profissionais de marketing devem traduzir em benefícios para o mercado-alvo. São esses benefícios que o consumidor percebe estarem disponíveis em um produto, que terão impacto na capacidade percebida de atender à(s) necessidade(s) e ao(s) desejo(s) do consumidor. Profissionais de marketing e clientes potenciais – um profissional de marke- ting é alguém que ativamente busca uma resposta de um ou mais clientes potenciais, para uma troca de valores. Um cliente potencial é identificado como alguém que deseja efetuar uma troca e tem condições de fazê-lo. Necessidades, desejos e demandas – necessitar é estar em um estado de privação de alguma satisfação básica. Desejos são anseios por algo específico que venha satisfazer necessidades. Demandas são desejos por produtos específicos, apoiados pelo poder de compra. Produto ou oferta – qualquer coisa oferecida para venda que satisfaça uma necessidade ou desejo. Os produtos consistem em três componentes primários: bens, serviços e idéias. Um produto físico proporciona a ação ou serviço desejado. Valor e satisfação – valor é a estimativa do consumidor quanto à capacidade geral do produto de satisfazer suas necessidades, esta estimativa é determinada de acordo com o menor custo possível de aquisição, propriedade e uso. Troca e transações – efetuar uma troca significa obter um produto desejado, mediante o oferecimento em retorno de alguma coisa desejável. Para que o potencial de troca possa existir, cinco condições são essenciais (p. 34). Uma transação é a comercialização de valores e envolve várias dimensões. Relacionamentos e redes – o marketing de relacionamento desenvolve relacio- namentos ganha-ganha de longo prazo entre empresas de marketing e partes- chave (fornecedores, clientes, distribuidores). O resultado final do marketing de relacionamento é um patrimônio corporativo singular denominado rede de marketing, de relacionamentos profissionais mutuamente compensadores. Alain Santos Realce Canais de marketing – alcançar o mercado-alvo é crucial. Para conseguir isso, a empresa de marketing pode usar canais de comunicação de duas vias (mídia eletrônica através da Internet) versus meios mais tradicionais. A empresa deve também tomar decisões sobre os canais de distribuição, canais comerciais e canais de vendas (para realizar as transações). Cadeia de suprimento – um canal mais longo, que se estende das maté- rias- primas e componentes ao produto final/compradores. A cadeia de suprimento representa um sistema de entrega de valor. Concorrência – inclui todas as ofertas e substitutos rivais reais e poten- ciais. Uma visão mais abrangente da concorrência ajuda o profissional de marketing a reconhecer os níveis de concorrência, com base no grau em que os produtos são passíveis de substituição: concorrência de marca, setorial, de forma e genérica. Ambiente de marketing – o ambiente de marketing inclui o ambiente de tarefa (participantes imediatos envolvidos nos ambientes de produção, distribuição e promocional) e o ambiente geral, mais abrangente (ambientes demográ- fico, econômico, natural, tecnológico, político-legal e sociocultural). Mix de marketing – o conjunto de ferramentas de marketing que a empresa utiliza para atingir seus objetivos de marketing no mercado-alvo. Envolve o reconhecimento e o uso dos 4Ps (produto, preço, promoção e praça) e dos 4Cs (cliente, custo, comunicação e conveniência) no curto e no médio prazos. 6.2.3 A Gestão de marketing O processo de planejamento e gestão de marketing envolve algumas etapas, que vamos apresentar agora: Fonte: Figura adaptada de Kotler (2000) PM – Pesquisa de Mercado SDP – Segmentação, Definição de público-alvo e Posicionamento MM – Mix de Marketing ou composto de marketing E – Execução ou implementação C – Controle ou monitoramento A – Avaliação e feedback Vamos acompanhar de forma mais detalhada estes processos? Pesquisa de mercado: é a primeira coisa que deve ser feita. O propósito da pesquisa é conhecer o mercado, ouvir os clientes, conhecer os concorrentes, compreender o comportamento dos consumidores, avaliar os produtos eserviços, a imagem e a reputação da empresa. Este assunto será abordado em uma disciplina específica em nossos próximos semestres. Segmentação, definição de público-alvo e posicionamento: após as informa- ções obtidas com a pesquisa de mercado, é possível identificar as caracterís- ticas dos consumidores. Esses consumidores podem ser agrupados por classe social, idade, sexo, renda, escolaridade, profissão, etc. A esse agrupamento denominamos de segmento ou segmentos de mercado. A partir dessa reali- dade, é imprescindível que a empresa selecione quais os agrupamentos que ela pretende atingir ou atender. Os agrupamentos ou segmentos que a empresa escolher será o público- alvo, ou seja, o principal grupo de pessoas a quem vamos vender e servir. Para escolher esse público, é indispensável que sejam avaliados alguns quesitos, como a mensuralidade, a substancialidade, a acessibilidade e a operacionalidade em atender o público escolhido. Uma vez que o público está escolhido, então é a hora e a vez de a empresa estabelecer sua posição no jogo. Em que posição a empresa vai jogar? Esse é o posicionamento, ou seja, a forma com que a empresa vai posicionar seus produtos, serviços, preços, comunicação, localização, distri- buição mais conveniente para atender os clientes, gerando satisfação e lucratividade. Nesse momento, a empresa também estará definindo como ela quer que os clientes a conheçam. Então, cada vez que alguém precisar de um determinado produto, é interessante que lembrem primeiro de quem? Da empresa do concorrente ou da minha empresa? Não precisa nem responder, não é? Quando lembramos de lã de aço, lembramos de quê? De sabão em pó? De refrigerante? De chinelo de dedos? Então, por que e de que forma você gostaria de ser lembrado pelos seus clientes? Lembre-se: quem quer ser tudo para todos, é nada para ninguém. Por isso, é preciso se posicionar no campo de jogo. Mix de Marketing: o mix de marketing envolve o que chamamos de 4 Ps: produto, preço, promoção e praça; ou os 4 Cs: conteúdo, condições, comu- nicação e conveniência. Se fôssemos ampliar ainda mais, poderíamos então ter os 7 Cs: comunidade, conectividade, cuidado com o cliente, comuni- cação, conteúdo, customização e conveniência. Se partirmos do pressuposto de que a empresa já conhece parcialmente o mercado, definiu seu público e demarcou o seu posicionamento, agora é a hora de posicionar seus produtos e serviços, sua política de preços, sua forma de comunicar e sua conveniência, para que o cliente possa ter comodidade ao comprar. O cliente dita o que quer! A empresa ouve e coloca à disposição. Quanto mais ajustada estiver essa sintonia, melhor será o relacionamento. De que forma os clientes querem os produtos, com que design, com que estética, sabor, embalagem, tamanhos, variações. Quanto eles estão dispostos a pagar, percebendo as reais utilidades e as características de cada produto? Como eu mostro tudo isso? A comunicação de todo esse esforço empolga ou desanima, atrai ou repele, conquista ou não se importa com o cliente? E onde estou, faci- lita a vida do cliente ou complica a proximidade? Agilizo ou não me preocupo com a entrega? Cada vez mais os clientes esperam que as empresas dediquem atenção em organizar melhor tais aspectos. Execução, controle e avaliação: esse também é o desafio permanente do gestor. Decidir como executar, controlar e avaliar são requisitos funda- mentais para mensurar e alinhar os resultados em cada ação. Um dos diretores da AMBEV disse, em uma oportunidade que onde pudermos colocar números, colocamos. Quando as ações estão planejadas, é bem mais fácil definir o perfil da equipe que vai colocar a mão na massa: fazendo, controlando e avaliando. O monitoramento sistemático das ativi- dades permitirá o ajuste da rota na direção do alvo, e a avaliação será a retroalimentação necessária para que o processo de melhoria continue avançado sempre. Lembre desta máxima: com a mão direita conquistamos clientes e com a mão esquerda perdemos clientes! Síntese da aula Nessa aula, visitamos duas áreas importantíssimas da organização. Conhecemos a estrutura e o processo da área de gestão de pessoas (recursos humanos) e também a área de marketing, que trata do relacionamento com o mercado, com os clientes e suas necessidades. Para reflexão deixo a seguinte afirmação. Apenas se tivermos equipes compostas de pessoas felizes faremos nossos clientes felizes. Gestão de pessoas para o marketing. Objetivos Esperamos que, ao final desta aula, você seja capaz de: conhecer os processos e a estrutura da área de produção em uma organização; conhecer os processos e a estrutura da área finaceira e suas principais aplicações e tarefas. Pré-requisitos É importante que você tenha compreendido bem os princípios relativos à Administração Científica de Taylor e as aplicações de Ford, para um melhor entendimento dos processos de gestão da produção. Para a função financeira, você também utilizará os princípios vistos em nossa disciplina Teoria Geral da Administração (primeiro período), além de relembrar questões referentes à estru- tura organizacional, vistos neste material, em nossa segunda aula. Introdução Todas as organizações trabalham com o objetivo de produzir algo, sejam bens ou serviços. Para tanto uma importante questão é identificar a necessidade de recursos financeiros necessários para que se transformem os esforços da organização em algo que atenda às necessidades dos clientes. Vamos começar com a área de produção e seus processos. Está preparado? Na seqüência conheceremos as peculiaridades da área financeira da organi- zação. Vamos em frente! 7.1 Produção Kwasnicka (1995) nos ensina que as organizações, para sobreviver, devem produzir algo de que as pessoas necessitem, ao preço que elas estão dispostas a pagar. A função Produção é uma atividade de transformação de matéria-prima em utilidades necessárias ao consumidor. Grandes áreas: produção e finanças Para Stoner (1994), o processo de transformação de insumos em produtos ou serviços varia de organização para organização e tem representado um desafio ao gestor, à medida que os consumidores querem produtos e serviços com altos níveis de qualidade, flexíveis, confiáveis e com características extras. Tradicionalmente, atender essas expectativas, gera bens caros de se produzir. Conscientizar-se das prioridades competitivas, estabelecer padrões que possibilitem a projeção de sistemas operacio- nais, que atendam as crescentes expectativas dos consumidores, são as formas que os administradores têm para igualar os planos de produção aos planos estratégicos. Para se entender a função produção e, conseqüentemente, projetar um sistema eficiente, devemos tomar decisões sobre quais e quantos produtos e serviços serão produzidos, como e onde eles serão produzidos e por quem. Considerando que cada organização tem suas peculiaridades, que dependem muito do produto oferecido ao mercado e sua capacidade de produção, um bom início é compreender os subsistemas essenciais desta função, quais sejam: enge- nharia do produto, o planejamento da produção e a engenharia do processo. Observando as entradas: inputs no modelo sistêmico, consideramos quatro elementos fundamentais e essenciais para a produção tomar forma e operar, ou seja, entrar em pleno funcionamento. A primeira se refere à tecnologia que será empregada e utilizada pela organi- zação, suas características técnicas, tipo de matéria-prima, equipamentos neces- sários, graus de automação, processos contínuos ou intermitentes. A segunda entrada diz respeito à força de trabalho e se resume no conhecimento do perfil da mão-de-obra disponível e necessária à tecnologia definida. Este elemento é de suma importância, pois é imprescindível ao sucesso de sua produção e qualidade de seus produtos, refletindo a produtividade. O terceiro elemento de entrada é o capital financeiro de que a organização dispõe, para iniciar seus negócios e adquirir os elementosque impulsionam a produção, como os insumos de produção. E o não menos importante, quarto elemento, as necessidades do mercado que se traduzem em conhecimento e certeza de se produzir algo que as pessoas querem e necessitam consumir. O núcleo do sistema estará, portanto, pronto para iniciar os preparativos para começar suas atividades, ou seja, detalhar os três subsistemas mencionados. 7.1.1 Engenharia do produto A engenharia do produto se subdivide em três etapas: a) o planejamento e projeto de produtos e serviços – engenharia diz respeito à decisão da empresa quanto à forma e o projeto de execução desses produtos ou serviços. E, mesmo que esta já esteja estabelecida há algum tempo, pode e deve adequar seu produto às demandas do mercado e renova ou reformula seu projeto. Para Stoner (1994), esse processo consiste em três etapas básicas: I. pesquisa: gerar as idéias dos produtos/serviços; II. seleção: entre as idéias geradas pela pesquisa, escolher as tecnolo- gicamente viáveis, comercializáveis e compatíveis com a estratégia geral da organização; III. projeto: estipular especificações estratégicas para o produto/serviço. As especificações finais devem ser ótimas em termos de confiabilidade, flexi- bilidade, velocidade de entrega, qualidade e custo (produtibilidade). Os cinco objetivos estratégicos da produção consistem na confiabilidade, flexi- bilidade, velocidade de entrega, qualidade e custo do produto ou serviço. Em termos literais, a produtibilidade é garantida à medida que verificamos se o produto e serviço são produzidos economicamente em níveis acei- táveis de qualidade e confiabilidade, dentro dos sistemas de operação existentes. Se não for, quais ajustes são necessários para produzi-los? Esses ajustes são possíveis ou demandam a mudança radical do sistema? Portanto, devemos continuamente analisar a produtibilidade; b) o desenvolvimento e especificação do produto: correspondem à fase de execução dos desenhos, com todos os detalhes bem especificados, inclusive, se houver necessidade, criação de protótipos, os quais são submetidos a vários testes, como meio de garantir o sucesso final do produto. Ainda nesta fase, são necessárias as especificações e descrição do material a ser usado, os procedimentos operacionais, tais como: padrões de desempenho, tole- rância, dimensões, entre outros; é o detalhamento do produto final; c) especificação do processo: sabemos que o processo operacional ou de produção inicia-se com o fluxo de matéria-prima e termina com o produto acabado até sua estocagem, mas de que modo o produto ou serviço deve fluir através dele? Esta decisão é necessária em dois momentos na empresa, quando esta está em início de operação e quando irá começar uma nova produção referente a um novo produto. Desenhos e gráficos de montagem, fichas de itinerários e gráficos de fluxo ajudam a analisar e desenrolar o processo. Segundo Stoner (1994), a análise pode levar a mudança da seqüência, a combinação ou eliminação de opera- ções para reduzir os custos de manuseio de materiais e armazenagem. Em geral, quanto menos armazenamento e atrasos envolvidos no processo, melhor. 7.1.2 Planejamento e controle da produção O planejamento e controle da produção é assim dividido: a) planejamento da produção: decidido sobre o produto ou serviço, passamos ao planejamento das atividades necessárias a consecução destes. O planejamento da produção envolve as decisões sobre instalações, capacidade e seleção e edificação do prédio. Quanto às decisões sobre as instalações, essas se baseiam em vários crité- rios qualitativos e quantitativos. Os fatores quantitativos incluem impostos estaduais e locais, custo de vida local, custos de seguros, transportes, mão- de-obra local, materiais, construção, energia e terrenos. Esses custos são quantificáveis, o que facilita analisar as alternativas por meio de compa- ração, entretanto, as questões qualitativas devem ser ponderadas na hora da decisão. As questões qualitativas incluem: proximidade do mercado x proximidade do fornecedor; clima, atitudes da comunidade, atendimento médico e hospitalar e muitos outros fatores. No quesito capacidade, as decisões devem estar focadas no quanto se é capaz de produzir, levando-se em conta a capacidade do mercado consumidor. Devemos nos preocupar com o equilíbrio entre a capaci- dade de produção e a do mercado em consumir, uma vez que criar mais capacidade de produção sem haver necessidade é dispendioso e, mantê-la baixa, pode provocar perda de mercado. Para a seleção e edificação da fábrica, devemos considerar facilidade de expansão, sistema de luz e ventilação, flexibilidade na disposição do layout e os custos de manejo dos materiais. Deve-se verificar, também, as instalações aos empregados, refeitórios, ambulatórios, áreas de descansos, conforme determinações legais ou a critério da empresa; b) programação da produção: corresponde ao detalhamento dos programas e planos de produção, embasados no planejamento estraté- gico, para um nível mais compreensível aos escalões inferiores da orga- nização. Segundo Kwasnicka (1995), podemos definir a programação de produção como a atividade que procura combinar as necessidades de produção com os recursos e equipamentos disponíveis. Cada ativi- dade é coordenada com outras, para que o fluxo caminhe calmamente, produzindo os resultados esperados. Os problemas mais comuns na programação são relacionados ao estoque frente à demanda flutuante. As alternativas são: manter a produção fixa e o estoque alto, a um custo é elevado; variar a produção, segundo a demanda, e manter o estoque pequeno, gerando, ainda, um custo alto ou, ainda, manter os dois sistemas, para ter um estoque mínimo a custo mínimo. Existem várias técnicas para se programar as atividades de produção, ferramentas como Gráfico de Gantt, PERT, CPM, entre outros, que disci- plinam a análise dos trabalhos a serem executados e forçam o gestor a pensar logicamente e a programar melhor a produção. Mas uma das melhores inovações são os softwares de administração de projetos, que oferecem alguns relatórios padronizados e, diferentemente destas ferra- mentas citadas, que são mais simples, os softwares permitem que os gestores experimentem os cenários de e se para achar o modo mais rápido e barato de executar tarefas e subtarefas relacionadas; c) controle da produção: é de extrema importância para se verificar se as exigências do mercado estão sendo atendidas. A complexidade ou simplicidade do controle está correlacionada ao quanto é simples ou complexo o sistema de produção. No controle de produção, as atividades mais importantes são: I. assegurar a qualidade do produto acabado ou de suas partes; II. assegurar a qualidade da matéria-prima utilizada; III. definir padrões para a qualidade necessária ao produto; IV. estabelecer um programa de inspeção, definindo quem, quando, quanto e onde inspecionar. 7.1.3 Engenharia do processo Na engenharia do processo temos: a) Layout: é o planejamento do arranjo físico e envolve decisões sobre como organizar espacialmente as instalações físicas. Segundo Stoner (1994), no planejamento do arranjo físico as decisões de processo e de equipamentos são traduzidas em arrumações físicas para produzir. Devemos nos preocupar com espaços para instalações produtivas - postos de trabalho e equipamentos; instalações não-produtivas – armazenagem e locais de manutenção, e instalações de apoio – escritórios, banheiros, refeitórios, estacionamentos e salas de espera. Na prática, a maior parte dos sistemas de operações utiliza uma combinação de arranjos físicos apropriados aos diversos estágios da criação do produto ou serviço; b) desenvolvimento do processo: podemos incluir as atividades inerentes às funções operacionais que tratam da transformação dos materiais. O fluxo dentro do processo de produção consiste em liberar e enviar os planos, programas e recursos ao local da operação e, após a sua execução, inspecionar e expedir. Esse fluxo está relacionado ao tipode operação – contínua e intermi- tente – e ao controle e inspeção da produção. A operação contínua é aquela em que o produto passa pelo fluxo longo de operação, sem sofrer interrupções bruscas; e a operação intermitente exige freqüentes interrupções do equipamento. Quanto ao controle e inspeção, consiste no conjunto de procedimentos que tem por objetivo coordenar os elementos de produção a fim de obter o melhor resultado de produção, a um baixo custo. Normalmente, faz-se o controle do processo e o controle do produto, o primeiro é mais abrangente e serve como feed- back ao sistema global; o segundo, mais pontual e vai definir a quali- dade obtida na produção; c) serviços de apoio: obviamente, a produção interage com várias ativi- dades auxiliares, pois fazem parte de um modelo sistêmico de configu- ração, caracterizado por inúmeras interações. As atividades auxiliares ou de apoio ao processo produtivo são: almoxarifado, manutenção, ferramentaria, apontamento de mão de obra, armazenagem, etc. Neste capítulo, foram apresentados os aspectos principais da Função Produção e, como podemos observar, as atividades que, resumida- mente, influenciam a produtibilidade (custo, qualidade, velocidade de entrega, confiabilidade e flexibilidade), são: I. planejar as necessidades futuras de capacidade de forma que se possa atender à demanda de mercado; II. planejar os níveis apropriados de estoque, garantindo o funciona- mento suave da fábrica com o mínimo de investimento possível; III. programar atividades de produção, de forma a não desperdiçar esforços, ocupando os recursos com as atividades prioritárias, visando a atender plenamente os pedidos dos clientes; IV. indicar a situação corrente das pessoas, equipamentos, materiais, ordens e demais recursos produtivos, de forma a manter o plane- jado alinhado às ações de produção; V. prover informações a respeito das atividades físicas e financeiras da produção, de forma que todas as funções da organização atuem de modo coerente e integrado; VI. manter e cumprir os prazos dados aos clientes, mesmo em situações ambientais dinâmicas e difíceis de prever. 7.2 Finanças Os aspectos financeiros das empresas passaram por diferentes enfoques no decorrer dos tempos, como vários processos e estruturas da administração. No passado, a principal preocupação voltava-se à obtenção de fundos; depois, em como utilizá-lo, e, nesta fase, houve trabalhos significativos para desen- volver uma análise sistemática da empresa e o fluxo de fundos correspondente. Nos dias de hoje, o principal enfoque baseia-se no processo decisório, na busca de valor para o negócio. Quais decisões financeiras maximizam a valo- rização da empresa? De acordo com Gropelli e Nikbakht (1998), finanças é a aplicação de uma série de princípios econômicos para maximizar a riqueza ou valor total de um negócio. Para Kwasnicka (1995), o valor da empresa hoje depende do fluxo de ganho que se espera gerar no futuro. As decisões financeiras afetam ambos: o volume do fluxo de ganho ou lucratividade e os riscos que envolvem esses ganhos. 7.2.1 Abordagem sistêmica da gestão financeira O sistema global da função financeira está baseado nas principais áreas de decisão financeira, das quais podemos destacar: a decisão sobre investimento, a decisão de distribuição dos lucros e de financiamento. Os principais objetivos da função financeira se concentram em obter o montante adequado de capital, conservá-lo e obter lucro com o seu uso. De acordo com Ross apud Lemes Júnior (2002), é objetivo normativo da empresa maximizar o valor de mercado do capital dos proprietários existentes. Administração Financeira é a arte e a ciência de administrar recursos finan- ceiros para maximizar a riqueza dos acionistas. Modelo sistêmico da função financeira Analisando a função financeira sistemicamente, temos: entradas: são todas as informações que afetam direta ou indiretamente o fluxo de fundos da empresa; quanto mais informações agregarmos, principalmente as provenientes das interações ambientais externas, mais êxito teremos em nossas ações financeiras. Como todos os planejamentos, marketing, produção, pessoal, etc., envolvem algum recurso financeiro, todos, obviamente, afetam o plane- jamento financeiro. E, neste planejamento, deve-se incluir o orçamento financeiro, procedimentos e controles e previsões. A preparação do Orçamento envolve todas as outras funções, corres- ponde a uma tarefa interfuncional e compete à Função Financeira apenas a consolidação das partes elaboradas. Isto garante o equilíbrio de receita e despesa, evitando distorções causadas por problemas internos. Os procedimentos e controles financeiros são feitos por meio de demons- trativos financeiros, os quais controlam três importantes condições: liquidez - capacidade de converter itens do ativo em caixa, financeira geral - equi- líbrio a longo prazo entre dívidas e patrimônio líquido e sua rentabilidade - capacidade de ter lucro com regularidade e durante um bom tempo. O ambiente externo tem grande interação com a função financeira, devido à política econômica, que regulamenta o mercado financeiro, principal fonte de recursos empresariais. O mercado de capitais é um grande elemento de entrada para o sistema financeiro da empresa. A Bolsa de Valores e o comportamento dos juros são importantes tanto na busca quanto na apli- cação de recursos. O regime político- econômico pode permitir ou inibir o crescimento de determinados setores, bem como pode, ou não, incentivar uma maior participação do capital privado na economia. processo: compõem-se de três partes estreitamente relacionadas com as áreas de decisões financeiras já faladas: Fonte de Recursos, Aplicação de Recursos e Pagamento de Dividendos. As Fontes de Recursos podem se tornar um problema complexo para a empresa, dependendo do custo para garantir os fundos necessários. Muitas empresas não geram fundos suficientes, provenientes de suas vendas para crescer. Para simplificação, estamos considerando apenas duas grandes fontes de recursos: a de terceiros e a própria. A fonte de terceiros, podemos classificá-la em: empréstimo de capital de terceiros - proveniente de bancos, outras empresas e agências governamentais, e emissão de debêntures (títulos de crédito emitidos por empresa de sociedade anônima) - títulos representa- tivos de dívida geral a longo prazo, com custo fixo de juros, prevendo uma escala de resgate de valor corrigido. A fonte de capital próprio corresponde, desde a constituição do capital com reservas dos proprietários, emissão de títulos ao investidor, retenção de lucros e depreciação do ativo fixo. Aplicação de Recursos sofre restrições, as quais podemos considerar: restrições regulamentares, restrições competitivas e restrições impostas pelas fontes de recursos propriamente dita. O dilema financeiro consiste em manter a liquidez e a rentabilidade. Segundo Kwasnicka (1995), toda empresa necessita de suficiente liquidez para manter um bom crédito na praça e esse objetivo está relacionado com o aspecto investimento, o uso do capital para aumentar a liquidez pode resultar na perda de lucro. Daí a necessidade de prestar muita atenção à natureza dos investimentos. Pagamento de dividendos é a principal razão porque os investidores compram ações de uma empresa. Esta, por sua vez, deve manter suas ações atrativas a investimentos, desenvolvendo boas políticas de divi- dendos. Sua preocupação deve estar focada no fluxo de caixa, já que o pagamento de dividendos diminui o fluxo de dinheiro. Saídas: os outputs do sistema financeiro estão muito ligados à imagem da empresa, principalmente para as empresas de capital aberto. Como já dissemos anteriormente, o objetivo da empresa é maximizar a riqueza de seus proprietários, no momento que o valor de mercado da empresa for aumentado, este objetivo será atingido. Para isso deve-se considerar: lucros por ação, retornos de investimentos, política de dividendos, entre outros. As ferramentas quepossibilitam essa análise são os demonstrativos financeiros - que incluem balanços, demonstrativos de resultados e os fluxos de caixa - fornecendo uma fotografia instantânea da liquidez, da condição financeira geral e da lucratividade. Além disso, existem os índices financeiros - que comparam o desempenho financeiro da empresa numa área específica. 7.2.2 Decisões da Área Financeira a) Decisão de financiamento Lemes Jr. (2002) nos ensina que a estrutura financeira de uma empresa corres- ponde à composição de seus recursos, ao seu passivo. As decisões de financiamento devem ancorar-se na análise de uma série de questões inerentes ao passivo. Estrutura do passivo a ser analisadas. Qual a estrutura de capital? De onde vêm os recursos? Qual a participação de capital próprio? Qual a participação de capital de terceiros? Qual o perfil de endividamento? Qual o custo de capital e como reduzi-lo? Quais as fontes e custos de financiamentos? Quais delas devem ser substituídas ou eliminadas? Qual o risco financeiro? Qual o sincronismo entre os vencimentos das dívidas e a geração de meios de pagamento? b) Decisão de investimento Toda aplicação de capital em algum ativo, seja ele tangível ou não, visando a obter retorno no futuro, é um investimento. Os investimentos empresariais podem abranger desde a aquisição de novas linhas de produção, de reposição de equipa- mentos, substituição de mão-de-obra até a criação de uma nova empresa. Ao contrário das decisões de financiamento em que analisávamos o passivo, nossa preocupação agora é com as contas do ativo. Segundo Lemes Júnior, mesmo sabendo que as estruturas das empresas variam e todas possuem características específicas, as questões a serem analisadas no processo deci- sório de investimento são semelhantes para qualquer uma. O que varia é a extensão e grau de importância destas questões para atender suas caracterís- ticas próprias. Estrutura do ativo que deve ser analisada. Onde estão aplicados os recursos financeiros? Quantos em ativos circulantes ou permanentes? Qual a melhor composição dos ativos? Qual o risco de investimento? Qual o retorno do investimento? Quais as novas alternativas de investimentos? Como decidir em quais ativos investir? Como maximizar a rentabilidade dos investimentos existentes? O que deve ser descartado, reduzido ou eliminado, por não acres- centar valor? Todas as perguntas acima são imprescindíveis, para que o gestor tenha subsí- dios suficiente para basear suas decisões. 7.2.3 Funções da gestão financeira As principais funções da administração financeira são agrupadas em duas grandes áreas: Tesouraria e Controladoria. Tabela 1: Administração financeira TESOURARIA CONTROLADORIA Administração de Caixa Administração de custos e preços Administração de Crédito e Cobrança Auditoria Interna Administração de Risco Contabilidade Câmbio Orçamento Decisão de Financiamento Patrimônio Decisão de Investimento Planejamento Tributário Planejamento e Controle Financeiro Relatórios Gerenciais Proteção dos Ativos Salários Relação com acionistas e investidores Sistemas de Informação Relações com os Bancos Fonte: adaptado de Kwaniscka (1995, p. 121). Portanto, a Administração envolve, basicamente, a gestão de recursos financeiros, e o gestor financeiro é responsável pela saúde econômica e financeira da empresa. Síntese da aula Nessa aula, a nossa última, conhecemos de forma geral, as estrututuras e funções das áreas de produção e finanças de uma organização. Vimos as princi- pais decisões relacionas a cada uma delas, analisando de forma sistêmica e inte- grada. Lembro também que estas duas áreas serão estudadas de modo pormenori- zado em outas disciplinas de nosso curso, como a Gestão da Produção e Logística e a Administração Financeira e Análsie de Investimentos. Até lá, fica o gostinho. TEORIA GERAL DA ADIMINISTRAÇÃO 1 TEORIA GERAL DA ADIMINISTRAÇÃO 2veis – respeitando-se a questão temporal da análise – é possível a definição do seguinte conceito: “Administração é um conjunto de atividades dirigidas à utilização eficiente e eficaz dos recursos, para alcançar um ou mais objetivos ou metas organizacionais”. Graficamente, a definição pode ser assim demonstrada: Fonte: adaptado de Silva (2001, p. 7). 1.3 Aspectos atemporais da administração Em qualquer atividade estruturada, a administração se faz presente, inde- pendentemente do caráter e dos objetivos da organização. Sob este prisma, podemos afirmar que, em qualquer nível da organização (assunto que aborda- remos com maior profundidade a seguir), temos processos de gestão. Para essa análise, não há necessidade de nos preocuparmos com o momento, ou seja, o tempo em que ela ocorre. Qualquer organização, em sua essência, possui as seguintes características em relação às atividades administrativas, segundo Silva (2001): a administração é propositada: complementação de atividades com outras a) pessoas e por elas, com o uso adequado dos recursos disponíveis; a administração é concernente com idéias, coisas e pessoas: orientação b) de metas e foco na ação para alcance dos resultados administrativos/ gerenciais; a administração é processo social: processo em que as ações adminis-c) trativas são principalmente atinentes às relações entre as pessoas; a administração é uma força coordenada: coordenação de esforços ded) empregados, cada um com seus próprios valores e aspirações, em um programa organizacional; a administração é concernente com esforços de equipe: o alcance dee) certos objetivos é mais fácil por uma equipe do que por um indivíduo trabalhando sozinho; a administração é uma atividade: que exige discernimento, para distinção f) dos conhecimentos e habilidades exigidas para o seu desempenho; a administração é um processo composto: pelas funções (planejamento,g) organização, direção e controle) que não podem ser desempenhadas de maneira independente, pois a realização de uma delas interfere nas demais; a administração age como força criativa e revigorante na organização:h) o resultado da atividade, em algumas situações, é maior do que a soma total dos esforços colocados pelo grupo; esta sinergia, em resumo, provê a vida da organização; a administração é uma disciplina dinâmica: as funções administrativas sãoi) orientadas para o crescimento organizacional, não sendo passivas, mas de comportamento ajustável e adaptável às necessidades desse crescimento; a administração é intangível: é uma força invisível, cuja presença éj) evidenciada pelos resultados dos seus esforços, que são, por exemplo, ordenação, saídas adequadas de trabalho, clima de trabalho satisfa- tório, satisfação pessoal dos funcionários, etc. 1.4 Princípios da administração Um princípio nada mais é do que uma base de conhecimento que indica e explica os resultados, a partir da aplicação de determinado princípio. Segundo Silva (2001, p. 8), princípio é “uma afirmativa básica ou uma verdade funda- mental que provê entendimento e orientação ao pensamento e à prática, na tomada de decisões”. Na administração, os princípios ajudam o gestor a pensar e agir sobre um determinado problema, sobre uma determinada questão. Segundo Massie, citado por Silva (2001), os princípios são considerados aproximações da gene- ralização, a partir da experiência, não sendo, portanto, um conjunto de regras rígidas e inflexíveis. Para Massie, os princípios são: dinâmicos: são flexíveis por natureza e estão continuamento mudando;a) generalizações: não podem ser estabelecidos tão rigorosamente comob) os das ciências físicas: seres humanos se comportam mais erraticamente do que fenômenos físicos; relativos: são relativos e não leis absolutas que possam ser aplicadasc) cegamente em todas as situações; inexatos: são relacionados ao caos e procuram trazer ordem a ele, regu-d) lando o comportamento humano em qualquer situação; universais: a maioria dos princípios administrativos pode ser aplicadoe) em qualquer tipo de organização. Segundo Terry, citado por Silva (2001), a utilidade dos princípios se baseia na premissa de que eles provêem conduta eficiente. A partir da aplicação dos princípios da administração, erros básicos e problemas comuns podem ser evitados e/ou devidamente resolvidos pelos gestores. Sendo assim, será que você, ao aplicar os princípios da administração, poderá ajudar a sua organização no desenvolvimento das atividades, pode conduzi-la rumo ao sucesso? Claro que sim, e por isso aproveito, mais uma vez, para elogiar a sua escolha pela carreira da Administração. De acordo com Terry, citado por Silva (2001), os princípios ajudam as orga- nizações a: a) aumentar a eficiência: os princípios ajudam no pensamento e nas ações; b) cristalizar a natureza da administração: os princípios consolidam o sempre crescente conhecimento e pensamento no campo da administração; c) melhorar a pesquisa em administração: a administração trata com seres humanos, cujo comportamento é bastante imprevisível, e os princípios ajudam pela generalização dos testes de comportamento, entendendo e predizendo as ocorrências futuras; d) alcançar metas sociais: os princípios administrativos desempenham um papel importante na melhoria da qualidade e do padrão de vida das pessoas. Você lembra quem foi o estudioso da administração (que não era adminis- trador) que primeiro definiu os princípios de nossa ciência? Quem respondeu Fayol acertou, parabéns! Ele foi realmente o primeiro a definir princípios para a administração, bem como as funções básicas da empresa e do administrador (planejamento, organizacão, coordenação, comando e controle). Por acaso, esse é o nosso próximo assunto. 1.5 Funções da administração As funções da administração são as atividades básicas a serem desempenhadas pelos administradores, para que a organização possa alcançar os objetivos propostos. Eu sei que não seria necessário, mas vamos relembrar? Planejamento: função responsável pela determinação dos objetivos/ metas que direcionarão a organização para o futuro, bem como os recursos necessários para a sua consecussão. Organização: função no qual são designadas as tarefas, seus processos e a ligação entre as diversas atividades dos departamentos e da organização. Direção: função responsável pela influência necessária, para que as pessoas possam desempenhar seus papéis com a máxima eficácia, energia, motivação e comprometimento. Controle: função que se encarrega da comparação entre o que foi plane- jado e os resultados efetivamente alcançados. Reafirmo que não era preciso lembrá-los, mas, em todo caso, vamos ler mais um pouco? Planejamento Estabelecer objetivos e missão Examinar alternativas Determinar as necesidades de recursos Criar estratégias para o alcance de objetivos Organização Desenhar cargos e tarefas específicas Criar estrutura organizacional Definir posições de staff Coordenar as atividades de trabalho Estabelecer políticas e procedimentos Definir a alocação de recursos Direção Conduzir e motivar os colaboradores Estabelecer comunicação com a equipe Apresentar solução para os conflitos Gerenciar mudanças Controle Medir o desempenho Estabelecer comparação do desempenho com os padrões Tomar decisões para a melhoria do desempenho 1.6 Os níveis da administração Embora todos os administradores devam executar as quatro funções descritas acima (planejamento, organização, direção e controle), não necessariamente encon- tram-se nos mesmos níveis na organização. Sim, é sobre isso que vamos falar agora. A organização divide-se em três níveis, que aqui vamos chamar de Nível Operacional, Nível Tático ou Gerencial e Nível Estratégico. Apesar de muitos questionamentos e de análises diferenciadas, utiliza-se comumente o desenho de uma pirâmide para a alocação dos níveis da organização. Você pode usá-la para descrever qualquer organização. Observe a figura a seguir: Vamos detalhá-los para entendê-los melhor? Nível Estratégico:correspondente à alta administração, à cúpula da empresa. É importante pensarmos que em seu escopo encontram-se as decisões de longo prazo da organização, havendo, também, a necessidade de um enten- dimento macro sobre seus processos e atividades. Nela, estão os dirigentes e diretores da organização. Nível Tático: correspondente à média administração, tem em seus escopo o desenvolvimento gerencial da organização, a coordenação das atividades e importante elo de ligação entre as decisões de nível estratégico e as ações operacionais. Nesse nível encontram-se os gerentes. Nível Operacional: correspondente ao nível de supervisão da organização, tendo em seu escopo decisões de implementação imediata, de curto prazo. Neste nível, são geridos os processos produtivos das organizações.Aqui, temos os supervisores, que administram a execução das tarefas. É importante lembrarmos um quadro que estudamos em nossa disciplina de Teoria Geral da Administração, chamado A proporcionalidade das funções admi- nistrativas. Nele, Fayol descreve, que à medida que o administrador ascende nos níveis da organização, passa a desenvolver, de forma mais aprofundada, suas funções básicas - no caso da Teoria de Fayol - planejar, organizar, coor- denar, comandar e controlar, lembra-se? Tenho certeza de que você também se lembra das habilidades necessárias aos administradores, certo? Pois agora rela- cionaremos as habilidades (conceituais, humanas e técnicas) com os respectivos níveis da organização. Vamos ver? 1.7 Habilidades e níveis da organização Ter habilidade é fundamental para o desempenho de qualquer atividade, certo? Pensando na complexidade da vida contemporânea, sobretudo no que diz respeito à vida das organizações, é imprescindível que o administrador as possua, e mais do que isso, as aplique. Segundo Silva (2001), habilidades são as destrezas específicas para trans- formar conhecimento em ação, que resulte no desempenho desejado para o alcance dos objetivos. Já falamos sobre o paradoxo teoria e prática, e agora reforçamos tais conceitos com a inserção das habilidades em relação aos níveis da organi- zação; por esse motivo, os administradores devem desenvolver o conhecimento aplicado a cada uma das habilidades - conceitual, humana e técnica. Vejamos essa correlação no quadro a seguir: Fonte: adaptado de Silva (2001, p. 15). Hellriegel e Slocum Jr, citados por Silva (2001), sugerem o estudo de outras habilidades gerenciais, além das acima mencionadas, e que estão intrinseca- mente ligadas às necessidades de nosso tempo: habilidades de comunicação – relacionadas ao recebimento e envio de informações, pensamentos, sentimentos e atitudes; habilidades de pensamento crítico – relacionadas à consideração meticu- losa das implicações de todos os elementos conhecidos de um problema. A partir do uso de tais habilidades, o comportamento do administrador é influenciado pelo papel que desempenha. Vamos entender isso melhor? 1.8 Papéis administrativos Segundo Silva (2001, p. 16), “papéis são os conjuntos de expectativas de comportamento de um administrador, em situações específicas”. Para Mintzberg, citado por Silva (2001), de um administrador se espera o desempenho de dez papéis, agrupados em três categorias, que são: a) papéis interpessoais: aqueles desempenhados para o relacionamento e interação com outras pessoas. São três os papéis interpessoais: chefe: em que o administrador se coloca como um representante da organização no que se refere aos princípios, missão, objetivos; líder: em que o administrador contrata, motiva os funcionários e trata do processo comportamental da equipe; de ligação: em que o administrador se envolve no tratamento com pessoas de fora da organização de modo regular, para alcance dos objetivos organizacionais; b) papéis informacionais: aqueles desempenhados ao trocar e processar informações. Também são três os papéis informacionais que o adminis- trador deve desempenhar: monitor: em que o administrador acompanha ativamente o ambiente para obter informações que sejam relevantes para o desempenho da organização; disseminador: em que as informações importantes, colhidas do ambiente, são transmitidas às pessoas adequadas da organização; interlocutor: em que as informações de alta significância (e/ou respostas) são dadas em nome da empresa; c) papéis decisoriais: aqueles desempenhos quando os adminstradores tomam decisões. São quatro os papéis decisoriais: empreendedor: em que o administrador procura por oportunidades de que a organização possa se valer e toma ação para isto; solucionador de conflitos: em que o administrador resolve conflitos internos ou externos à organização; alocador de recursos: em que o administrador determina como os recursos (dinheiro, equipamentos, instalações e recursos) serão distribuídos entre as várias áreas da organização; negociador: em que o administrador se ocupa em operar acordos e contratos no melhor interesse da organização, por causa das infor- mações e autoridade necessárias para tal; Para poder cumprir todos esses papéis, é preciso que o administrador reúna uma série de competências. Vamos identificar algumas delas? Vamos em frente! 1.9 Competências dos administradores Em toda e qualquer carreira profissional, exige-se que os indivíduos possuam determinadas competências, que, teoricamente, indicam a sua qualificação. No caso específico de nossa formação, as competências configuram-se como exigências que extrapolam as funções de planejamento, organização, direção e controle. Segundo Hellriegel, citado por Silva (2001), uma competência administra- tiva é um conjunto de conhecimentos, habilidades, comportamentos e atitudes de que uma pessoa necessita, para ser eficaz em um vasto campo de funções administrativas, em vários tipos de organizações. A American Assembly of Collegiate Schools of Business (AACSB), citada por Silva (2001), lista algumas competências necessárias ao administrador contemporâneo: liderança: habilidade em influenciar outros a realizar tarefas; auto-objetividade: habilidade em avaliar a si mesmo realisticamente; flexibilidade comportamental: habilidade em modificar o comporta- mento pessoal para alcançar uma meta; comunicação escrita: habilidade em expressar-se claramente por escrito; comunicação verbal: habilidade em expressar claramente idéias em apresentações orais; impacto pessoal: habilidade em criar uma boa impressão e instigar confiança; resistência ao stress: habilidade em realizar tarefas sob condições estressantes; tolerância na incerteza: habilidade em produzir em situações adversas. A competência do administrador pode levá-lo a uma maior ou menor efici- ência, a uma maior ou menor eficácia em suas atividades. Vamos ver a diferença entre eficiência e eficácia? Vamos lá! 1.10 Eficiência e eficácia Não basta ser eficiente. É preciso que sejamos eficientes e eficazes, bem como nossas organizações. E o que significa isso? Vamos entender melhor? Em uma visão geral, podemos dizer que eficiência é fazer certo alguma coisa, e eficácia é fazer de maneira correta, a coisa certa. Fonte: adaptado de Chiavenato (2003, p. 156). Segundo Silva (2001), a eficácia de uma empresa depende, basicamente, de dois aspectos: a) da capacidade de identificar as oportunidades e necessidades do ambiente; b) da flexibilidade e adaptabilidade, objetivando o aproveitamento dessas oportunidades e necessidades do ambiente. Está pronto para ser eficaz? Pois é nesse sentido que construiremos nossa relação no segundo semestre, buscando, a partir da observação de aspectos teóricos e práticos da adminis- tração, o desenvolvimento das competências necessárias ao melhor exercício possível da profissão. Síntese da aula Nessa primeira aula, você reforçou o conceito de administração, ampliando a análise em termos de funções, níveis e contexto organizacionais. Analisamos as competências necessárias aos gestores contemporâneos e as diferenças entre eficiência e eficácia.Vimos o quanto é imortante sermos eficientes, e como ser eficaz, nos dias de hoje, é imprescindível. Objetivos Esperamos que, ao final desta aula, você seja capaz de: compreender as diferenças entre organizações com gestão centralizada e descentralizada; identificar as diferenças entre as estruturas de organizações mecanis- ticas e orgânicas. Pré-requisitos Para que você compreenda bem o conteúdo dessa aula, é importante relem- brar alguns conceitos estudados na unidade anterior, bem como as caracterís- ticas da Burocracia, conteúdo também abordado na disciplina Teoria Geral da Administração. Por fim, é importante que você tenha em mente, de forma clara, as diferenças entre as organizações mecanísticas e orgânicas, que vimos na Teoria Contingencial. Bom estudo! Introdução O ambiente exerce influência nas organizações, independente de seu tamanho, atividade, objetivos e missão. Essa influência tanto pode ser positiva, vestindo-se de oportunidade, quanto negativa, mostrando-se uma iminente ameaça. As organizações não são, portanto, afetadas da mesma forma, nem tampouco pode considerar-se estável e manter-se em uma posição de conforto em relação às mutações do ambiente, e essas mudanças exigem que gestores estejam sempre atentos, para, a partir de informações que indiquem necessi- dades mais ou menos urgentes de transformação, possa tomar as decisões mais acertadas, mais eficazes. Todas as organizações possuem uma estrutura, mesmo que não a perceba, não a entenda, e deve moldá-la para enfrentar as mudanças no ambiente, cada vez complexo e dinâmico. Estrutura organizacional Segundo Silva (2001), a estrutura organizacional é definida como um sistema de suporte de relacionamentos consistentes entre as várias posições, dentro de uma organização. Segundo o dicionário Houaiss, estrutura significa organização, disposição e ordem dos elementos essenciais que compõem um corpo (concreto ou abstrato), como o de um edifício, do corpo humano, de uma organização, etc. Começaremos falando sobre a parte formal da organização e suas principais características. Penso que estamos estruturados para continuar, certo? Vamos lá! 2.1 A organização formal A organização nada mais é do que um conjunto de funções estabelecidas hierarquicamente, com o objetivo de produzir, com eficácia, bens e serviços. Segundo Chiavenato (2003) e outros autores, os princípios fundamentais da organização formal são: a) divisão do trabalho: é a decomposição de uma tarefa em uma série de pequenas tarefas, tendo como objetivo a padronização e a simpli- ficação das atividades, a melhoria do trabalho, a partir da departa- mentalização (assunto para daqui a pouco), o aumento da eficiência e, consequente, redução de custos; b) especialização: a especialização é decorrente do princípio da divisão do trabalho, pois cada órgão, cargo ou indivíduo passa a ter funções específicas; c) hierarquia: outra decorrência da divisão do trabalho e, consequentemente, da especialização. Com a óbvia necessidade da assunção do comando por alguém, cria-se, automaticamente, a noção de hierarquia. A hierar- quia divide a organização em níveis de autoridade, e a estrutura formal apresenta uma cadeia de níveis hierárquicos que se sobrepõem. Lembra-se da pirâmide? É a sua melhor representação. A autoridade se disitingue, segundo Daft, citado por Chiavenato (2003), por três características: autoridade é alocada em posições da organização e não em pessoas: os administradores têm autoridade devido às posições que ocupam. Outros administradores nas mesmas posições têm a mesma autoridade; autoridade é aceita pelos subordinados: a autoridade é aceita pela crença em que os que comandam possuem, com legitimidade, o direito de dar ordens e esperar por seu cumprimento; autoridade flui abaixo por meio da hierarquia verticalizada: a auto- ridade flui do topo até a base da organização (top down), e as posi- ções localizadas acima têm mais autoridade dos que as inferiores. Alain Santos Realce Se a autoridade é o direito de mandar, a responsabilidade configura-se como a outra face. É o dever de desempenhar a atividade para a qual o indivíduo foi designado. Quanto mais autoridade, mais responsabilidade. É comum ouvirmos que a responsabilidade é delegada, mas, na prática, o que ocorre é a delegação da autoridade. Mas o que é delegar? Chiavenato (2003) nos ensina que delegação é o processo de transferir autoridade e responsabilidade para posições inferiores na hierarquia. Horton, citado por Chiavenato (2003), considera que as técnicas de delegação de autoridade são: delegar a tarefa inteira; delegar à pessoa certa; delegar responsabilidade e autoridade; proporcionar informação adequada; manter retroação; avaliar e recompensar o desempenho; d) amplitude administrativa: a distribuição de autoridade e responsabili- dade gera a análise da amplitude administrativa. A amplitude adminis- trativa, que também podemos chamar de amplitude de comando, indica o número de subordinados que um administrador pode manter sob seu comando, ou seja, que pode supervisionar. Quanto maior esse número, maior a sua amplitude de comando. É importante citarmos que quanto mais aproximamos a base organização de sua alta administração, maiores as chances de manutenção de uma comunicação eficaz. Vamos entender melhor visualizando as figuras seguintes? Figura 1: Amplitude administrativa As figuras nos ajudarão no próximo assunto. Vamos falar sobre departa- mentalização. Sua organização, ou as que você visita como cliente não pussui departamentos? É isso. Vamos em frente! 2.2 Departamentalização Segundo Faria (2002), departamentalização é o processo de estabelecer unidades compostas de grupos, com funções relacionadas. Cada agrupamento é atribuído a um chefe, com autoridade para dirigi-las. Segundo essa premissa, é necessário que as atividades sejam agrupadas de forma lógica. Existem alguns critérios para esse agrupamento, que segundo Faria (2002) são os descritos a seguir: 2.2.1 Departamentalização por função Ocorre quando existe agrupamento, em um mesmo órgão, das atividades que possuam objetivos e/ou propósitos similares. É certamente o critério mais utilizado nas empresas. Vejamos a figura a seguir: Figura 2: Organograma 2.2.2 Departamentalização por produto Ocorre pelo agrupamento das atividades diretamente relacionadas a um determinado produto ou serviço. Vamos observar mais uma figura? Figura 3: Organograma 2.2.3 Departamentalização por processo A departamentalização por processo ocorre quando reúnem-se pessoas que utilizam uma mesma técnica e/ou equipamento. Profissionais de uma mesma espe- cialização costumam ser agrupados sob esta perspectiva. Olhemos a figura. Figura 4: Organograma 2.2.4 Departamentalização por clientela Refere-se ao agrupamento de atividades com o objetivo de servir um dado grupo de pessoas ou clientes. Segundo Faria (2002, p. 185), o interesse fundamental pelo cliente passa a ser a razão primordial para agrupar as atividades. Vamos à figura. Figura 5: Organograma 2.2.5 Departamentalização por localização Ocorre, particularmente em empresa que têm atividades em locais fisica- mente distantes. Sob essa perspectiva, é conveniente que as atividades sejam executadas de forma agrupada, em determinada região, sob a administração de um gestor local. Vamos ver a última figura? Figura 6: Organograma Nosso próximo assunto é a classificação das estruturas de uma organização. Preparados? Vamos lá! 2.3 Classificação das estruturas Existem muitas classificações para as estruturas organizacionais. Segundo Faria (2002), de modo geral podemos classificá-las de diversos modos. Como no tópico anterior, ilustraremos cada uma das classificações para seu melhor entendimento. 2.3.1 Radial Segundo Faria (2002) é o tipo mais simples. Há o chefe, única autoridade da organização, e os executores das tarefas, que, apesar de diretamente subor- dinados, não possuem relações formais. É uma estruturautilizada por organiza- ções mais rudimentares. Vejamos a ilustração. Figura 7: Organograma de Estrutura Radial 2.3.2 Linear Existem duas configurações para a estrutura linear: simples (vertical) ou departa- mental. Nas estruturas lineares simples, a autoridade é representada por uma linha vertical, do superior ao inferior, e as ordens e/ou comunicações fluem em sentido vertical. Modelo muito adotado por pequenas empresas. Nas estruturas lineares departamentais, a base configura- se semelhante, mas a delegação/hierarquia é distribuída a subordinados de mesma linha hierárquica, fluindo destes para os elementos da escala imediatamente inferior. Vejamos as representações a seguir. Figura 8: Organograma de Estrutura Linear Simples Figura 9: Organograma de Estrutura Linear Departamental As estruturas acima indicadas são chamadas de lineares, pela existência de linhas diretas de autoridade e de responsabilidade, entre o superior e os subor- dinados. Suas características, segundo Faria (2002) são: autoridade única: cada subordinado se reporta exclusivamente a seu superior e tem apenas um chefe; as comunicações: entre os órgãos ou cargos existentes na organização se realizam unicamente por meio das linhas do organograma; centralização das decisões: o terminal de comunicação liga o órgão ou cargo subordinado a seu superior até a cúpula da organização; aspecto piramidal: em decorrência da centralização da autoridade no topo e da autoridade linear, geralmente a organização apresenta uma conformação piramidal. As estruturas lineares são de fácil compreensão, definindo de forma clara e nítida as responsabilidades e autoridades dos cargos envolvidos. Uma questão marcante nesse caso é a estabilidade. Quer saber por que isso é um ponto de atenção? Vamos ver? A estabilidade configura-se como uma desvantagem desse modelo de estrutura, porque indica rigidez e inflexibilidade à organização. Outro foco para análise é uma certa tendência à gestão autocrática, graças ao modelo de comando único. Normalmente, esse modelo é aplicado a organizações em início de ativi- dade (start-up), pequenas empresas ou àquelas que possuem certas rotinas com poucas ou raras alterações. 2.3.3 Funcional Essa estrutura caracteriza-se pela decomposição da direção em diferentes funções. Cada função é exercida por indivíduos que possuam aptidões espe- ciais. Segundo Faria (2002), nessa estrutura se aplica o princípio da especiali- zação das funções de cada tarefa, e suas características são: autoridade dividida: baseia-se na especialização e dentro de uma auto- ridade de conhecimento. Cada subordinado recorre a muitos superiores, mas dentro dos assuntos da especialidade de cada um; linhas diretas de comunicação: as comunicação internas da organização são feitas diretamente, sem necessidade de intermediação; descentralização das decisões: as decisões são delegadas aos órgãos especializados. Não é a hierarquia que promove as decisões, mas a especialidade; ênfase na especialização: profunda separação das funções, de acordo com as especialidades envolvidas. As responsabilidades são delimitadas de acordo com as especializações. Para melhor entendimento, vamos visualizar a figura a seguir: Figura 10: Organograma de Estrutura Funcional A estrutura funcional proporciona aumento da especialização da organi- zação, mas pode diluir a autoridade do comando, o que, em determinados casos, pode trazer complicações à organização. Segundo Faria (2002, p. 191), a sua aplicação deve ser feita de maneira restrita aos seguintes casos: quando a organização for pequena e tiver uma equipe bem entrosada , seguindo a orientação de um dirigente eficaz; quando, em determinadas circunstân- cias, durante um certo período, a organização delega autoridade funcional a algum órgão especializado sobre os demais órgãos, a fim de implantar alguma rotina. 2.3.4 Linha-Staff É uma estrutura semelhante à departamental, com a inserção de um órgão de assessoria (staff), que tem a função de aconselhar o corpo diretor da organi- zação em suas decisões. O staff não é responsável direto por quaisquer decisões tomadas no âmbito da organização. Faria (2002) nos mostra que as principais funções do staff, são: serviços: atividades especializadas (contabilidade, pessoal, compras, P&D, processamento de dados, propaganda, etc.); consultoria e assessoria: atividades especializadas (assistência jurídica, métodos e processos, consultoria trabalhista, etc.); monitoração: acompanhamento e avaliação de uma determinada ativi- dade, sem intervir, ou influenciar; planejamento e controle: planejamento e controle orçamentário, de produção, de controle de manutenção de máquinas e equipamentos, de qualidade, etc. Vejamos a figura que ilustra essa estrutura: Figura 11: Organograma de Estrutura Linha-Staff Ainda segundo Faria (2002), essas funções podem existir em qualquer nível de uma organização do tipo linha-staff: fusão da estrutura linear com a estrutura funcional, quando ocorre o predomínio da primeira; coexistência entre as linhas formais de comunicação e as linhas diretas de comunicação, ocorrendo uma conciliação entre as linhas formais de comunicação, entre superiores e subordinados, que representam a hierar- quia, e as linhas diretas de comunicação entre qualquer órgão e staff; separação entre os órgãos executivos e os órgãos assessores; hierarquia versus especialização, ocorrendo a manutenção da hierar- quia, sem abrir mão da especialização. Esse tipo de estrutura, como qualquer outro, possui vantagens e desvanta- gens. Como vantagens, podemos destacar a manutenção do princípio de autori- dade única, unidade de comando e assessoria especializada, sem interferência do staff no comando dos prestadores de serviços. Em contrapartida, as desvantagens desse tipo de estrutura são: possibilidade de conflitos entre a assessoria e os órgãos; o profissional de staff, por muitas vezes, carece de prática profissional; o profissional de linha, por sua maior experiência e tempo de prática, pode rejeitar novas idéias; possível enfraquecimento da linha, por pressões do staff. Após conhecermos os tipos de estrutura, precisamos de uma reflexão: qual será o melhor modelo? Qual devo implementar em minha organização? Vamos finalizar. Não existe um tipo de estrutura ideal, um modelo. Cada organização possui suas especificidades, e deve pensar em uma estrutura que possa lhe fornecer resultados satisfátórios, com economia e uma boa performance. A estrutura da organização indica também outro aspecto importante nos processos de gestão da organização: o grau de centralziação das decisões. Vamos em frente! 2.4 Centralização x descentralização As decisões na sua organização são tomadas com a participação de todos? Uma única pessoa é responsável por todas as decisões importantes da empresa? É sobre isso que falaremos agora. 2.4.1 Centralização A centralização é percebida quando a maior parte das decisões é tomada pelos ocupantes de cargos situados nos esferas mais elevadas da hierarquia organizacional. Percebe-se, assim, uma concentração de autoridade nos pontos centrais da organização, daí o conceito de centralização. A centralização norteia-se por ações uniformes, por princípio. Se o objetivo é a manutenção do estado atual das coisas, uma autoridade central, obviamente ocupando níveis superiores na organização, indica o que deve ser feito. Segundo Faria (2002), existem determinadas decisões que, normalmente, devem ser centralizadas: decisões que envolvem custos muito altos: não necessariamente custos finan- ceiros, mas de reputação da empresa, de moral dos colaboradores, etc.; decisões de políticas ou diretrizes para a empresa e seu planejamento social: a centralização de tais decisões facilita a uniformidade de ação, proporcionando maior coerência no planejamento. A centralização de decisões é necessária à sobrevivência da organização, mas deve haver cuidado para que não exceda um certo limite. Segundo Faria(2002), a falta de coragem ou a falta de confiança muitas vezes provoca em excesso de centralização, já que os dirigentes partem do princípio de que seus subordinados são incapazes de tomar, até mesmo, pequenas decisões. O oposto da centralização é... descentralização, nosso próximo assunto. 2.4.2 Descentralização Como são tomadas as decisões na sua organização? As pessoas são consul- tadas? Existe discussão (no bom sentido) antes de qualquer escolha? É disso que falaremos agora. Alain Santos Realce A gestão de uma organização é descentralizada quando os indivíduos posi- cionados hierarquicamente em posições de menor destaque, têm o poder de tomar decisões. Para tanto, é imprescindível que exista um sistema de delegação bem definido. A descentralização não é quantificada, ou seja, não pode ser estruturada em diferentes organizações segundo os mesmos moldes: cada organização, cada empresa possui suas próprias características. Segundo Faria (2002), o grau de descentralização é determinado pelo tipo de autoridade que é delegada, pelo nível da organização em que ela é dele- gada e pelas características de que se reveste a delegação. Nesse sentido, ainda segundo Faria (2002), podemos definir a delegação como: livre: quando um chefe pode receber autoridade para decidir, sem consultar ninguém; com consulta: quando o chefe pode decidir, depois de consultar seu superior hierárquico; aconselhamento: quando o chefe pode decidir, depois de consultar uma autoridade funcional e levar em conta seus conselhos, antes de tomar a decisão. Vejamos no quadro a seguir, sinteticamente, as vantagens e desvantagens da descentralização: Tabela 1: Descentralização da gestão VANTAGENS DESVANTAGENS 1. As decisões são tomadas mais rapi- damente pelos próprios executores da ação. 1. Pode ocorrer falta de informação e coordenação entre os departamentos envolvidos. 2. Tomadores de decisão são os que têm mais informação sobre a situação. 2. Maior custo pela exigência de melhor seleção e treinamento dos administrado- res médios. 3. Maior participação no processo deci- sório promove motivação e moral ele- vado entre os administradores médios. 3. Risco da subobjetivação: os administra- dores podem defender mais os objetivos departamentais do que os empresariais. 4. Proporciona excelente treinamento para administradores médios. 4. As políticas e procedimentos podem variar enormemente nos diversos departamentos. Vimos que as estruturas organizacionais variam, obviamente. Mas uma pergunta precisa ser respondida: como se dá o processo de formalização das estruturas organizacionais? Vamos ver? 2.5 Formalização das estruturas organizacionais A formalização da estrutura organizacional é necessária, para que a organi- zação possa representar, de forma clara e sucinta, seu funcionamento, seu modus operandi. Às organizações modernas cabe a obrigação de delimitar sua comuni- cação e o seu processo de gestão. Segundo Faria (2002), os principais meios utili- zados para a formalização da estrutura organizacional, e de seus processos são: organograma: é a apresentação gráfica da estrutura organizacional de uma empresa, especificando as linhas formais de autoridade, os níveis hierárquicos e a divisão das atividades; Figura 12: Organograma cronograma: é a representação gráfica da previsão e da execução real de um trabalho, pressupondo as tarefas e os respectivos prazos; fluxograma: representa a seqüência lógica e normal das fases, etapas ou passos de um trabalho, caracterizando, ainda, seus executores. Obs.: os dois exemplos acima poderão ser visualizados de forma pormeno- rizada em nosso Ambiente Virtual de Aprendizado – AVA. 2.6 Estruturas Mecanísticas e Orgânicas A Administração é uma ciência social aplicada e, como já estudamos até aqui, contou com a colaboração de estudiosos de outras ciências (engenharia, psicologia, sociologia, etc.) para se desenvolver. Vamos analisar aqui a influência dos estudos de dois sociólogos muito importantes. Vamos ver quem são, e o que fizeram? Burns e Stalker estudaram a relação entre as práticas administrativas e o ambiente onde estavam inseridas. Verificaram, com os estudos, que existiam dois tipos de estruturas: as estruturas mecanísticas e as estruturas orgânicas. Vamos reforçar as características de cada uma delas? Segundo Burns e Stalker, citados por Chiavenato (2001), as organizações com estrutura mecanística apresentam as seguintes características: estrutura burocrática baseada em uma minuciosa divisão do trabalho; cargos ocupados por especialistas com atribuições claramente definidas; decisões centralizadas e concentradas na cúpula da empresa; hierarquia rígida de autoridade baseada no comando único; sistema rígido de controle: a informação sobe por meio de filtros e as decisões descem por meio de uma sucessão de amplificadores; predomínio da interação vertical entre superior e subordinado; amplitude de controle administrativo mais estreito; ênfase nas regras e procedimentos formais; ênfase nos princípios universais da Teoria Clássica. Vejamos o modelo na figura seguinte: Figura 13: Organização com estruturas mecanísticas Em contrapartida, as organizações com estruturas orgânicas têm as seguintes características: estruturas organizacionais flexíveis com pouca divisão do trabalho; cargos continuamente modificados e redefinidos por meio da interação com outras pessoas que participam das tarefas; decisões descentralizadas e delegadas aos níveis inferiores; tarefas executadas por meio do conhecimento que as pessoas têm da empresa como um todo; hierarquia flexível, com predomínio da interação lateral sobre a vertical; amplitude de controle administrativo mais ampla; maior confiabilidade nas comunicações internas; ênfase nos princípios de relacionamento humano da Teoria das Relações Humanas. Como fizemos anteriormente, vejamos a figura a seguir. Figura 14: Organizações com estruturas orgânicas Síntese da aula Nessa aula, vimos como se estruturam as organizações. Vimos a departamen- talização, seus tipos, e a importância de uma definição clara dos papéis a serem desempenhados. Vimos, também, a diferença entre as organizações que traba- lham de forma centralizada ou descentralizada, suas vantagens e implicações. Para finalizar, retomando assunto discutido na Teoria Contigencial, estudamos as diferenças entre as organizações de estrutra orgânica e mecanística. É isso aí! Objetivos Esperamos que, ao final desta aula, você seja capaz de: compreender a importância do processo decisório para as organizações; conhecer os tipos de decisão enfrentados pelos gestores nas organiza- ções contemporâneas. Pré-requisitos Para um bom entendimento deste conteúdo, é imprescindível a compreensão das habilidades necessárias aos gestores contemporâneos. Uma das caracterís- ticas importantes aos gestores atuais é o entendimento de seu posicionamento enquanto decisor. Nesse prisma, é importante entender o escopo de suas deci- sões e o ambiente no qual a organização se insere. Bom estudo! Introdução Qualquer que seja a organização, de um carrinho de cachorro-quente até uma grande corporação, todas se deparam, constantemente, com a necessidade de tomar decisões. Porém, as dimensões são diferentes, variando de acordo com a complexi- dade e exigências de cada problema; isto não significa dizer que uma decisão em uma grande corporação seja mais importante do que em uma pequena. 3.1 Os problemas e o processo decisório Daft (2002) nos ensina que “tomada de decisão é formalmente definida como o processo de identificação e solução de problemas”. É composto, basica- mente, por duas dimensões distintas: a identificação do problema, e a solução do problema, que será motivo de nossos estudos, a partir daqui. Para que possamos navegar com segurança neste que pode ser um grande diferencial de competência entre os administradores, é necessário que façamos uma reflexão, acerca do significado da palavra decisão. O que é decisão? Formule suas idéias,anote-as. Processo decisório Vamos lá! Em qualquer situação, faz-se necessário tomar uma decisão. A manutenção do fluxo pode significar ações que produzam mudanças, que por sua vez podem ser grandes e gerarem alto impacto, mudanças grandes e pequeno impacto, imediatas, de curto prazo, longo prazo e várias outras combi- nações. Como dissemos, podem ser tomadas pelo proprietário de um pequeno negócio ou por um mega-investidor. 3.2 Decisões programadas e não-programadas Como visto, as decisões organizacionais variam em razão da sua comple- xidade, podendo ser classificadas como: decisões programadas e não progra- madas. Vamos ver como são elas? Decisão programada: são decisões que se manifestam de maneira rotineira e repetitiva, tendo o tomador de decisões padrões e procedi- mentos que o orientam. Normalmente, este tipo de decisão se dá com um grande número de informações e se estabelece dentro de um ambiente de certeza. Para Daft (2002), “as decisões programadas incluem regras de decisão, como o momento de se substituir uma máquina copiadora de um escritório”. Decisão não-programada: este tipo de decisão está relacionado a situa- ções específicas, próprias, criadas a partir de problemas não rotineiros, que exigem um posicionamento. Elas são recentes e mal definidas; portanto, não dispõem de padrões ou procedimentos definidos para uma tomada de decisão. Este tipo de decisão, normalmente, ocorre em situação de alto risco e incerteza, em função de sua imprecisão. Para Daft (2002), “as decisões não programadas têm sido chamadas de decisões perversas”, porque a mera definição do problema pode tornar-se uma atividade maior. Os problemas perversos estão associados a conflitos gerenciais em torno de objetivos e alternativas, mudanças rápidas das circunstâncias e relações não claras entre os elementos da decisão. Certo (2003) define que “as decisões programadas e não-programadas devem ser consideradas situadas em extremos opostos do continuum de progra- mação de decisão”, conforme ilustrado na figura abaixo, bem como propõe um quadro de contra-ponto, entre as formas tradicionais e modernas de tomada de decisão, demonstrando aspectos referenciais deste antagonismo. Continuum das decisõesC 3.3 Tomada de decisão organizacional e individual Grande parte dos processos de tomada de decisão está relacionada à estru- tura interna da organização e seus vários mecanismos de coordenação (ajusta- mento mútuo, supervisão direta, padronização do trabalho, padronização dos resultados e padronização das habilidades das pessoas), bem como à menor ou maior instabilidade do ambiente externo. 3.4 Modelo racional de tomada de decisão Esse modelo é fundamentado nos conceitos da administração do homem econômico racional, em que se entende que os problemas podem ser enun- ciados de maneira clara, a fim de orientar sua resolução, segundo uma maneira estruturada, composta por uma seqüência de atividades que devem ser cumpridas. Nesse modelo, busca-se o esgotamento das variáveis, por meio do emprego de modelos matemáticos e estatísticos que buscam reduzir a complexidade dos problemas, a partir de um maior número de informações sobre a situação a ser analisada. Porém, o ambiente ideal no mundo real, que permitiria um status de perfeição a este modelo, dificilmente se torna concreto, isso se deve à dificuldade em se esgotar as variáveis causais de uma situação-problema. Definitivamente, não conseguimos explicação de tudo, em 100%. No outro extremo das ciências sociais, encontramos o homem administrador, que, por meio da criação de estratégias e modelos, constrói um processo de tomada de decisão, que leva em conta as limitações cognitivas e as dificuldades computacionais, para a determinação de soluções ideais, validando, portanto, soluções satisfatórias ou adequadas. O modelo racional se estabelece, segundo Daft (2002), em oito etapas: monitoramento do ambiente da decisão: nesta etapa, o tomador de deci- sões monitora as variáveis internas e externas que exercem influência sobre determinadas situações, dentro do seu escopo de decisão. Isso permite que sejam acompanhados possíveis desvios no comportamento planejado ou aceitável. Esse monitoramento ocorre pelo do emprego de indicadores, informações comparativas e outros mecanismos; definição do problema da decisão: este processo está relacionado à especificação do problema; especificação dos objetivos da decisão: nesta etapa, se estabelecem os resultados de desempenho a serem alcançados, em razão da decisão; diagnosticar o problema: é o momento do aprofundamento, na busca de se caracterizarem as variáveis causais envolvidas com o problema; Alain Santos Realce Alain Santos Realce desenvolver soluções alternativas: nesta etapa, são levantadas todas as opções possíveis e disponíveis para alcançar os objetivos desejados; avaliar as alternativas: nesta etapa, são empregados modelos mate- máticos e técnicas estatísticas, a fim de se estimar a probabilidade da ocorrência do evento proposto; escolher a melhor alternativa: nesta etapa, são utilizados os conhe- cimentos adquiridos nas outras etapas, para orientar a escolha da melhor alternativa; implementar a alternativa escolhida: nesta etapa, são empregadas técnicas gerenciais, para a sensibilização dos envolvidos na implemen- tação; são estabelecidos os indicadores para o monitoramento e acom- panhamento do processo. As decisões são tomadas em resposta a algum problema a ser resolvido, alguma necessidade a ser satisfeita ou a algum objetivo a ser alcançado. A decisão envolve um processo. Esse é o chamado processo tomada de decisão. Tabela 1: Vantagens e Desvantagens VANTAGENS DESVANTAGENS Grande compromisso do grupo com a decisão. Maior consumo de tempo. Melhor entendimento por parte do grupo do problema. Inapropriada influência da dinâmica de grupo (dominação, inflexibilidade, pensamento grupal). Redução da probabilidade de uso de evasivas. Tendência a ter compromisso com as soluções de qualidade inferior. Consideração mais compreensiva do problema e assuntos relacionados. É isso aí. O importante é percebermos que a análise do ambiente, cada vez mais dinâmico e mutante, é fundamental para que nossas decisões possam ser as mais acertadas possíveis. A decisão a ser tomada agora é: vamos às atividades? Síntese da aula Nesta aula, estudamos os aspectos importantes para a análise do gestor em seu processo decisório. Analisamos e referenciamos algumas importantes teorias, revisitamos alguns assuntos importantes e posicionamos a organização em um ambiente de incerteza, que é exatamente igual ao em que atuamos hoje, em qualquer organização. Por fim, identificamos as variáveis que compõem o modelo racional de tomada de decisão, muito útil para a sua implemetação nas empresas. É isso aí! Objetivos Esperamos que, ao final desta aula, você seja capaz de: conhecer os conceitos relacionados às organizações de aprendizagem (learning organizations); conhecer as cinco disciplinas da organizações que aprendem. Pré-requisitos Para a compreensão desta aula, é imprescindível que você relembre aspectos relacionados à Teoria de Sistemas, estudada em nosso primeiro período. Vimos que os sistemas estão sempre em processo de retroalimentação (feedback) e o aprendizado para as organizações são os momentos em que elas aprendem e, sobretudo, implementam as proposições que nascem no seio de suas equipes. Como você já aprendeu, vamos adiante! Introdução Aprendemos a todo o momento. E o ideal seria que aplicássemos o que aprendemos em prol de um objetivo maior, não é verdade? Quanto mais a organização aprende, mais pode criar diferencias que a posicionem de maneira estratégica e positiva no mercado. É por aí que vamos passear agora. 4.1 Origem da organização de aprendizado A organização de aprendizagem foi criada por Chris Argyris (1975), professor de Harvard. O conceito é baseado na idéia de Argyris, chamada de double-looping learning, que é quandoos erros são corrigidos pela alte- ração das normas empresariais que o causaram. Mas foi em 1990 que Peter Senge popularizou o conceito através do seu best-seller: A Quinta Disciplina (do original, em inglês: The Fifth Discipline: The Art and the Pratice of a Learning Organization), 15 anos após o início de seus estudos. Organizações de aprendizado Senge, o criador de A Quinta Disciplina, apostou na estruturação de uma teoria que privilegiasse o pensamento sistêmico (que você já conhece bem) e os modelos mentais; e que, com o passar do tempo, este modismo - ao contrário de outros, que nascem, crescem, declinam e morrem - se tornasse duradouro e continuasse a ter valorização em sua implementação e desenvolvimento. E, para alcançar este objetivo, parece-nos, em suma, que sua idéia básica foi criar uma nova filosofia administrativa, e não mais um modismo ou modelo de vida curta. A teoria desenvolvida por Senge baseia-se em uma quebra de paradigma saindo da concepção de mundo fragmentado, na qual não existe conexão entre os fatos, e pensando nas organizações, em áreas que não se comunicam, que não possuem conexão. As organizações de aprendizagem, por sua vez, são organizações em que as pessoas buscam expandir sua capacidade, trabalhando sempre em busca de melhores resultados. Assim, são estimulados novos pensa- mentos, além da perspectiva de aprendizado coletivo. Desaparece a figura de um único e onisciente líder - dentre tantos que apareceram na trilha histórica da administração empresarial e que perpetuaram seus nomes; em seu lugar, surgem a formação de equipes coesas que aprendem em conjunto e tornam-se bem-sucedidas em seus objetivos e metas. Mas nunca param de aprender, realimen- tando o processo e seus próprios desempenhos, em ciclos infinitos de melhoria. 4.2 Conceito Segundo Senge (1990), as Organizações que Aprendem são organizações em que as pessoas expandem continuamente sua capacidade de criar o futuro. Senge (1990) assevera que as organizações que aprendem são organiza- ções nas quais as pessoas expandem continuamente sua capacidade de criar os resultados que realmente desejam, nos quais se estimulam padrões de pensa- mento novos e abrangentes, a aspiração coletiva ganha liberdade e as pessoas aprendem continuamente a aprender juntas. As organizações que aprendem concentram suas forças em métodos de apren- dizagem e não, apenas, em métodos de ensino. É preciso que o enfoque se desloque dos métodos de ensino e passe a se concentrar nos métodos de aprendizagem. Pode-se, assim, destacar uma premissa que afeta a transformação de uma empresa numa organização de aprendizagem: nem sempre o ensino resulta em aprendizagem. A aprendizagem ocorre de modo mais eficaz, se a pessoa está preparada para aprender, o que resulta de uma combinação de crescimento e experiência, e quando aquele que aprende está motivado a aprender. As organizações, de um modo geral, não aprendem apenas quando se dispõem a tal. Aprendem, se a informação e o conhecimento lhes despertam o interesse e desde que atendam a suas expectativas. Aprendem com as experiên- cias cotidianas, quando descobrem novas maneiras de fazer coisas que já prati- cavam. Quando realizam treinamento, seminários, palestras, aprendem com as mudanças, com as crises, através da aprendizagem de seus membros. É uma questão de predisposição ao aprendizado. 4.3 As cinco disciplinas Senge (1990) nos revela que disciplina é um conjunto de práticas de apren- dizagem, por meio das quais as pessoas se transformam, adquirindo novas competências. E as organizações devem desenvolver cinco disciplinas funda- mentais, de forma a embasar e incentivar o processo de aprendizagem Domínio pessoal: auto-conhecimento e conseqüente consciência do que as pessoas querem efetivamente, objetivando seus esforços. Essa disciplina se refere à capacidade das pessoas em alcançar alto nível de domínio pessoal, comprometendo-se com seu próprio aprendizado ao longo da vida. As orga- nizações são conglomerados heterogêneos de pessoas e, mais ainda, que em cada região, lugar ou país, as características educacionais e culturais intrín- secas a estas são, às vêzes, substancialmente diferentes, o que impede, de saída, que se intente uma padronização da disciplina ora abordada. O apren- dizado do domínio pessoal deve ser cultuado e aperfeiçoado durante toda nossa existência. Modelos mentais: é o mapa de identidade, as idéias mais enraizadas e gene- ralizadas que influenciam a forma de uma pessoa ver e se relacionar com o mundo. Representam, sem dúvida, uma insofismável realidade. Todos nós temos modelos mentais que vamos formando durante nossa vida, e, com certeza, eles vão se enraizando em nossa mente, cada vez mais firmemente. É justa- mente em decorrência deste fenômeno - e que Peter Senge, inclusive o destaca - que nos parece bastante difícil, quando já adultos, promovermos drásticas alterações em nossos modelos mentais. Essa reeducação mental, para que se tornasse efetiva, teria que se iniciar igualmente em idade pré-adolescente e, a partir daí, seguir em sistema de aprendizado constante, no sentido de ajustar esses modelos à realidade altamente mutante no decurso de uma vida. Em uma organização, gerentes podem discutir seus modelos mentais arraigados e, em conjunto, tentar mudá-los para o bem do grupo, da empresa. Visões compartilhadas: quando o objetivo é claro, conhecido e partilhado por todos, as pessoas têm a oportunidade de se dedicar e aprender, cons- truindo visões partilhadas. Esta disciplina deve ser levada à prática por ser uma saudável iniciativa organizacional. Diz respeito a traduzir a visão individual em uma visão compartilhada, um conjunto de princípios e práticas orientadoras, direcionadas a um mesmo objetivo futuro, benéfico para o grupo. Segundo Senge (1990), o princípio relevante que voga nesta disci- plina é que, no grupo organizacional, estimula-se um compromisso genuíno e um verdadeiro envolvimento, não apenas a aceitação tácita de uma orien- tação que vem de cima. Aprendizagem em grupo: os membros do grupo elaboram uma lógica comum, de forma que o resultado das habilidades grupais é maior e mais significativo que a somatória das habilidades individuais de cada pessoa. É uma complementação da disciplina anterior. Este princípio defende, em suma, o diálogo entre os componentes das equipes que compõem a orga- nização, privilegiando o pensamento conjunto, em sobreposição ao foco nas idéias individualizadas, preconcebidas. Como afirma Senge (1990), “a aprendizagem em equipe é vital, pois as equipes, e não os indivíduos, são a unidade de aprendizagem fundamental nas organizações modernas. Esse é um ponto crucial: se as equipes não tiverem capacidade de aprender, a organização não a terá”. Pensamento sistêmico: integra as outras disciplinas anteriormente descritas, sendo, portanto, a quinta disciplina. Segundo Senge (1990), o pensamento sistê- mico impede que as outras disciplinas sejam truques separados ou mesmo mais um modismo da administração para promover mudanças organizacionais. Como sabemos e estudamos em diversas disciplinas, as empresas são sistemas compostos por diversas partes que se conectam umas às outras, por fios invisíveis, como afirma Senge (1990). Essa conexão entre as partes impõe que cada um e todos os empregados tenham a capacidade de ver o todo empresa- rial não o diferenciando por setores, departamentos, divisões, etc. 4.4 Destaques da quinta disciplina A quinta disciplina, e de forma mais abrangente, os estudos de Peter Senge sobre a aprendizagem organizacional produziram algumas idéias e conceitos importantes. Vejamos quais são eles. Processo de mudança: como as mudanças são cada vez mais freqüentes, uma das competências mais duradouras tornou-se aprender a aprender. Organização/divisão do trabalho no Ocidente: a construção da Organização que aprende, dada à predominância do paradigma Taylorista/Fordista de orga- nização do trabalho no Ocidente, requerum autêntico esforço de mudança cultural, leva tempo e implica lidar com todas as cinco disciplinas apresentadas. Naturezas individual e coletiva da aprendizagem: as três primeiras disciplinas - Domínio Pessoal, Modelos Mentais e Visão Compartilhada - dizem respeito à aprendizagem em nível individual, enquanto as duas outras - Aprendizagem em Equipe e Pensamento Sistêmico - referem-se à aprendizagem em nível coletivo. A contribuição específica da quinta disciplina: a disciplina Pensamento Sistêmico faz a integração das outras disciplinas e (re)lembra às Organizações que elas estão inseridas num contexto social dinâmico, que transcende as fronteiras organizacionais, mas também enfatiza que essas mesmas Organizações são sujeitos ativos na definição do seu próprio destino. Níveis de domínio das disciplinas: o domínio de cada disciplina tem três níveis: adoção de novas práticas; compreensão dos princípios que regem aquelas práticas; essências, isto é, o estado de ser que os indivíduos ou grupos experi- mentam enquanto avançam no domínio das disciplinas. Etapas do processo de domínio das disciplinas: esse domínio das disciplinas não ocorre de uma única vez, mas percorre três etapas: cognitiva: primeiro contato com o novo e se reflete, também, num novo vocabulário, na tentativa de mudar o comportamento; novas regras: à medida que os velhos pressupostos se afrouxam devido às novas idéias experimentadas, as pessoas começam a testar regras de ações novas baseadas nos novos pressupostos; valores e pressupostos operantes: as pessoas conseguem reunir as regras que refletem novos valores de ação e pressupostos operantes, inclusive em situações de estresse e de ambigüidade. Nessa etapa, ocorre a apreensão do novo pelas pessoas, tornando-o parte de si. 4.5 Como aperfeiçoar os processos de aprendizagem O ato de explicitar os processos de aprendizado gera inúmeros benefí- cios. A partir a partir daí, a organização pode aumentar a sua capacidade de aprendizado. Segundo Garvin e outros (1998), a reflexão revela oportunidades para aperfeiçoar o ciclo aprender a agir de uma ou mais maneiras: tornando o ambiente externo mais saudável para o aprendizado; melhorando a infra-estrutura de aprendizado; aperfeiçoando o conhecimento e as habilidades de aprendizado das pessoas. Um ambiente de aprendizado saudável: ambientes de aprendizado saudá- veis possuem algumas características comuns: menos níveis hierárquicos, clima de trabalho adequado, sobretudo a perspectiva do trabalho em equipe e comunicação eficaz. Nesses ambientes, as pessoas são estimuladas a observar os acontecimentos do ambiente externo e os erros cometidos pela própria empresa, aprendendo permanetemente com eles. Garvin (1998) nos ensina que as organizações que aprendem estimulam os pontos de vista diferentes, pois eles poderão trazer consigo novas idéias, mais eficazes. A infra-estrutura de aprendizado: a infraestrutura também configura-se em um importante ponto de atenção, pois pode-se criar valor com sua adequação. Segundo Garvin (1998), os elementos dessa infra-estrutura podem assumir as seguintes formas: bibliotecas do conhecimento, com bancos de dados eletrônicos que armazenem o conhecimento sobre as coisas; mecanismos de sondagem para monitorar tecnologias, concorrentes e clientes; programas integrados de ensino, treinamento e aconselhamento que arma- zenem os conhecimentos explícitos e tácitos de como fazer as coisas; instalações para ensino, treinamento e aconselhamento; instalações e sistemas para testar novas idéias (protótipos, simulações, conceitos de teste de mercado, etc.); sistemas de comunicação, como e-mail, voice mail, videoconferência e outros tipos de comunicação sem fio; sistemas que facilitem o trabalho em equipe, como salas de groupware; sistemas que facilitem o compartilhamento do conhecimento tácito, como transferências de pessoal, centros de excelência e equipes multifuncionais. 4.6 O conhecimento e a capacidade de aprendizado das pessoas Nem todas as pessoas têm a mesma capacidade de aprendizado, mas indiscutivelmente todas as têm. Segundo Garvin (1998), no centro da capa- cidade de aprendizado de uma organização estão seus funcionários. Para aprender eficazmente, eles precisam, antes de qualquer coisa, estar profun- damente engajados e comprometidos no processo de definição de metas da organização. Ainda segundo Garvin (1998), o que coíbe o aprendizado organizacional é a capacidade de aprender, principalmente das pessoas e das equipes. Portanto, um bom ponto de partida é aperfeiçoar a capacidade de aprendizado indivi- dual e em equipe. Espero que o apendizado tenha valido muito a pena. Até o próximo assunto. Síntese da aula Vimos nessa aula, a importância do conhecimento para as organizações. O conceito de organização de aprendizagem vem alinhado com o aumento da competitividade e de melhor gestão do conhecimento gerado dentro e fora da organização. Com conhecimento das cinco disciplinas, ampliamos a análise dessa nova organização, na qual conhecer tem a importância que merece. Objetivos Esperamos que, ao final desta aula, você seja capaz de: conhecer o modelo japonês de administração e a gestão da qualidade; entender a metodologia PDCA e conhecer as ferramentas administra- tivas que a compõe. Pré-requisitos Para um bom entendimento desta aula, é preciso que você retome alguns conceitos aprendidos na disciplina Teoria Geral da Administração em nosso primeiro período. Vamos revisitar Taylor, Ford e Fayol, amplando os seus conhe- cimentos e verificando a implementação dos princípios, defendidos por eles com maior racionalidade. Vamos em busca da qualidade? Introdução Será que existem diferenças entre o modelo de gestão japonês e os outros que conhecemos? Será que o modelo japonês influenciou a industrialização e os processos produtivos de nossas empresas, quer sejam fabricantes de produtos e/ ou prestadoras de serviços? Esse é o nosso assunto agora. Prepare-se para uma viagem no tempo e no espaço. Vamos para o outro lado do mundo, e percebe- remos que ele está muito perto de nós. Vamos lá! Para começarmos, vejamos um quadro comparativo entre as idéias ociden- tais e orientais: Tabela 1: Modelos de gestão IDÉIAS OCIDENTAIS IDÉIAS ORIENTAIS Linha de montagem móvel, com trabalha- dores especializados. Grupos de trabalho autogeridos. Verticalização, controle de todas as fontes de suprimentos, administração de esto- ques, mentalidade just in case (por via das dúvidas). Parceria com fornecedores dedicados, produção enxuta, mentalidade just in time (somente quando necessário). O Modelo Japonês de Administração e a Gestão da Qualidade IDÉIAS OCIDENTAIS IDÉIAS ORIENTAIS Tamanho é documento Guerra ao desperdício Máquinas os equipamentos dedicados Produção Flexível Estruturas organizacionais e divisionali- zadas e hierárquicas Administração enxuta, empresa enxuta Controle da qualidade Círculos da qualidade, aprimoramento contínuo Alto luxo e alto preço Alta qualidade e baixo preço Ford, General Motors, General Eletric Toyota, Mitsubish, Nissan Fonte: Maximiano (2004, p. 207) 5.1 Sistema Toyota de produção Desde o início do século XX até a década de 1970, as organizações base- avam seus modelos de gestão em conceitos e técnicas amplamente utilizadas por organizações americanas e européias. A partir de então, o modelo japonês de administração torna-se conhecido além das fronteiras nipônicas. Chegara a vez de um novo modelo, uma nova forma de gestão. Segundo Maxiamiano (2004), na transição para o século XXI, o modelo japonês, uma versão sensivelmente melhorada das técnicas e proposições ocidentais sobre a administração, tornou-se um modelo universal, e um dos prin- cipais pilares que sustentam a competitividade na economia global. Vejamos o começo dessa história. Em 1950, Willian Edwards Demming, estatístico especialista em quali- dade, foi ao Japão proferir palestras para líderes industriais, tendo em vista a preocupação com