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UNIDADE I e II
Prof. Ms Carlos Alberto
PSICANÁLISE E FILOSOFIA
SOBRE DIREITOS AUTORAIS E REPRODUÇÃO
Os conteúdos e mídias disponíveis nas aulas da Cruzeiro do Sul Educacional têm finalidade educacional e são destinados para o seu estudo individual. É proibida a cópia, reprodução (total ou parcial) ou disponibilização deste material, por quaisquer meios existentes ou que venham a ser criados, sem autorização prévia de seus autores.
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ATENÇÃO
PREMISSAS DA PSICANÁLISE
1. CONTEXTO HISTÓRICO E CULTURAL
Desenvolvimento da Psicanálise:
Criada por Sigmund Freud (1856-1939) através da observação clínica
Nasceu em contexto de guerra, com disseminação por meio do exílio
Cenário da Psicologia na Estruturalismo (Wundt): estudava elementos da consciência em laboratório
Funcionalismo: aplicações práticas, foco no "por que" das ações
Behaviorismo (Watson, Skinner): estudo do comportamento observável
Associacionismo: estudo da aprendizagem por associação de ideiasépoca:
1. CONTEXTO HISTÓRICO E CULTURAL
Exemplo: 
enquanto essas abordagens investigavam o que é consciente ou observável, Freud introduziu a noção de que conflitos inconscientes poderiam determinar sintomas sem que o sujeito tivesse consciência disso.
2. Primeira Tópica – Teoria Topográfica (1900)
Freud propôs a existência de três sistemas psíquicos:
Inconsciente
Abriga conteúdos reprimidos, desejos e lembranças incompatíveis com a consciência. Funciona de modo atemporal e simbólico.
Exemplo: experiências infantis traumáticas que influenciam escolhas afetivas na vida adulta sem serem lembradas conscientemente.
2. Primeira Tópica – Teoria Topográfica (1900)
Pré-consciente
Conteúdos que não estão presentes no momento, mas podem ser acessados com relativo esforço.
Exemplo: recordar o nome de um antigo professor quando alguém o menciona.
2. Primeira Tópica – Teoria Topográfica (1900)
Consciente
Campo das percepções imediatas, pensamentos e afetos atuais.
Exemplo: a leitura deste texto no presente momento.
3. Segunda Tópica – Teoria Estrutural (1920–1923)
A partir de sua prática clínica, Freud reformula o aparelho psíquico em três instâncias:
Id
Reservatório das pulsões, regido pelo princípio do prazer. Busca satisfação imediata.
Exemplo: o bebê que chora intensamente ao sentir fome.
3. Segunda Tópica – Teoria Estrutural (1920–1923)
Ego
Instância mediadora, regida pelo princípio da realidade. Responsável por funções como percepção, memória e pensamento.
Exemplo: sentir fome, mas aguardar o momento socialmente adequado para se alimentar.
3. Segunda Tópica – Teoria Estrutural (1920–1923)
Superego
Representa as normas, ideais e proibições internalizadas. Forma-se a partir do Complexo de Édipo.
Exemplo: sentimento de culpa ao desejar algo considerado moralmente inadequado.
4. Mecanismos de Defesa
São estratégias inconscientes do ego para lidar com a angústia psíquica:
Repressão: exclusão de conteúdos dolorosos da consciência;
Dissociação: separação de aspectos da experiência;
Idealização: atribuição de perfeição a pessoas ou objetos;
Identificação: incorporação de características do outro.
Exemplo: um sujeito que não se recorda de um evento traumático vivido na infância pode estar utilizando a repressão como defesa.
5. Desenvolvimento Psicossexual
Freud descreveu o desenvolvimento infantil em estágios, organizados em torno de zonas erógenas:
Oral (0–2 anos): prazer ligado à boca;
Anal (2–3 anos): controle esfincteriano;
Fálica (4–5 anos): interesse pelos genitais;
Latência (5–12 anos): relativa diminuição da sexualidade;
Genital (puberdade em diante): sexualidade madura.
Exemplo: a criança que busca conforto emocional na chupeta pode estar expressando características da fase oral.
6. Complexo de Édipo
Vivenciado na fase fálica, caracteriza-se pelo desejo inconsciente pelo genitor do sexo oposto e rivalidade com o do mesmo sexo. Sua resolução ocorre por meio da identificação, sendo fundamental para a constituição do superego.
Exemplo: a criança que expressa desejo de “casar” com a mãe ou o pai e manifesta ciúmes do outro genitor.
7. Principais Escolas Pós-Freudianas
Escola Inglesa
Melanie Klein: posições esquizoparanoide e depressiva;
Donald Winnicott: mãe suficientemente boa, objeto transicional, verdadeiro e falso self;
Wilfred Bion: continência, identificação projetiva, teoria dos grupos.
Exemplo: o ursinho ou cobertor que auxilia a criança a lidar com a separação materna é um objeto transicional.
7. Principais Escolas Pós-Freudianas
Escola Francesa
Jacques Lacan: retorno a Freud, primazia da linguagem, inconsciente estruturado como linguagem.
Escola Americana
Anna Freud: sistematização dos mecanismos de defesa;
Heinz Hartmann: autonomia do ego;
Heinz Kohut: psicologia do self.
8. Método Psicanalítico
Principais técnicas:
Livre associação;
Análise de sonhos;
Análise das resistências;
Transferência.
Exemplo: atrasos frequentes às sessões podem indicar resistência ao processo analítico.
9. Conceitos-Chave
Libido: energia pulsional;
Pulsão de morte: tendência à repetição e autodestruição;
Narcisismo: investimento libidinal no próprio eu;
Recalque: manutenção de conteúdos no inconsciente;
Catarse: alívio emocional decorrente da simbolização.
10. Estruturação da Personalidade
Indiferenciação: ausência de distinção eu–outro;
Diferenciação: surgimento do outro e das defesas;
Estrutura: organização relativamente estável (neurose, psicose).
Fatores determinantes incluem constituição psíquica, experiências precoces e eventos da vida adulta.
Exemplo: vivências precoces de abandono podem repercutir em dificuldades vinculares futuras.
Aplicações Contemporâneas da Psicanálise
Clínica psicanalítica e psicoterapia;
Instituições públicas;
Grupos terapêuticos;
Orientação de pais;
Leitura de fenômenos sociais e culturais.
LITERATURA, PSICANÁLISE E FILOSOFIA
1. RELAÇÃO ENTRE LITERATURA, FILOSOFIA E PSICANÁLISE
Fronteiras indefinidas:
Literatura não é apenas fantasia/ficção, mas discurso fundante da cultura ocidental
Não há limites claros entre discurso literário e filosófico
Conteúdo filosófico nas obras literárias e forma poética nos textos filosóficos
Exemplo: "O Banquete" de Platão - texto filosófico em forma de diálogo narrativo sobre o amor
2. PENSAMENTO REVOLUCIONÁRIO DE FREUD
Contexto Histórico
Freud (1856-1939): médico neurologista austríaco
Época dominada pelo cientificismo positivista
Estudava neuroses (doenças psíquicas sem causas fisiológicas)
2. PENSAMENTO REVOLUCIONÁRIO DE FREUD
Conceito Central: Princípio do Prazer (Libido)
Energia biológica voltada à autopreservação
Satisfação de necessidades fisiológicas (alimentar-se, repousar, copular)
Precisa ser reprimida para que possamos trabalhar e viver em sociedade
Sublimação:
Desvio dos instintos reprimidos para objetos de maior valor social
Exemplo: Frustração sexual canalizada para construir pontes, catedrais ou criar arte
3. COMPLEXO DE ÉDIPO
Origem na Literatura Clássica
"Édipo Rei" de Sófocles (427 a.C.):
Édipo mata o pai (sem saber) e casa-se com a mãe
Freud viu essa estrutura como base da psique humana
Desenvolvimento Infantil
Fase Simbiótica:
Bebê nasce prematuro e dependente
Corpo materno = primeiro objeto de prazer
Bebê não diferencia seu corpo do corpo da mãe
3. COMPLEXO DE ÉDIPO
Separação (Castração):
Pai representa a lei, ordem e cultura
Introduz a criança no mundo da cultura
Criança renuncia à simbiose com o corpo materno
Ocorre por volta dos 5 anos de idade
Exemplo: Criança que precisa aprender a dormir sozinha, comer sozinha, ir à escola - saindo do conforto do corpo materno
3. COMPLEXO DE ÉDIPO
Importância do Complexo de Édipo
Início da moral, consciência, direito e autoridade
Formação do superego (voz da consciência)
Transição do princípio do prazer para o princípio da realidade
Passagem da Natureza para a Cultura
4. RECALQUE E O INCONSCIENTE
Recalque ≠ Esquecimento:
Mecanismode defesa contra traumas
Retira conteúdo insuportável da consciência
Inconsciente não esquece - conteúdo retorna através de:
Sonhos
Atos falhos (troca involuntária de palavras)
Afasias (bloqueios de memória)
Humor/chiste (piadas)
Neuroses (obsessão, compulsão, ansiedade)
Psicoses (alucinações, paranoias)
Exemplo: Pessoa que "esquece" compromisso desagradável - na verdade está recalcando
5. EMBATE PLATÃO x POESIA
Fundação do Discurso Filosófico:
Platão queria expulsar os poetas da pólis (cidade grega)
Poesia vista como distorção perigosa da realidade
Filosofia = busca metódica pela verdade
Contradição: Platão usava formas literárias (diálogos)
Resultado:
Tensão permanente entre estético e filosófico
Relação dialética de troca constante (temas e estilos)
6. PSICANÁLISE E LITERATURA
Concepção Original
Psicanálise criada para o consultório (tratamento de neuroses)
Aplicar ao texto literário = mudança de objeto e sentido
Tipos de Crítica Psicanalítica
1. Análise do Autor
Especulativa, busca motivações inconscientes
Exemplo: Biografia de Leonardo da Vinci por Freud
6. PSICANÁLISE E LITERATURA
2. Análise do Conteúdo
Motivações inconscientes dos personagens
Exemplo: Símbolos fálicos, objetos com significado psicanalítico
3. Análise da Forma/Estrutura
Como o texto se organiza e se forma
4. Análise do Leitor
Efeitos psicológicos da leitura
7. VISÃO DE FREUD SOBRE ARTISTAS
Artistas como "Neuróticos Invejáveis":
Oprimidos por necessidades instintivas poderosas
Fogem da realidade para a fantasia
MAS: sabem transformar sonhos em obras aceitáveis aos outros
Forma artística proporciona "prazer preliminar" ao público
Limitações da Visão de Freud:
Influenciada pelo cientificismo do século XIX
Reduz arte a objeto de sublimação individual
Ignora outros aspectos da produção artística
8. MÉTODO DE ANÁLISE: O "SUBTEXTO"
Conceito
Texto oculto dentro da obra
Visível em "pontos sintomáticos": ambiguidades, evasões, ênfases exageradas
O "inconsciente" da própria obra
Técnica de Análise
"O que a obra NÃO diz pode ser tão importante quanto o que diz"
8. MÉTODO DE ANÁLISE: O "SUBTEXTO"
Observar ambiguidades
Identificar evasões
Notar ênfases exageradas
Buscar ausências, margens, contradições
Exemplo de "Filhos e Amantes" de D.H. Lawrence:
Superfície: história de família inglesa
Subtexto edipiano: Paul divide cama com mãe, tem hostilidade ao pai
Subtexto social: conflito de classes (pai operário, mãe classe média)
9. INTERPRETAÇÃO DOS SONHOS APLICADA À LITERATURA
Estrutura do Sonho segundo Freud
Conteúdo Latente:
Desejos inconscientes (matéria-prima)
Estímulos corporais
Imagens do dia anterior
Trabalho Onírico:
Condensação
Deslocamento
Representação simbólica
9. INTERPRETAÇÃO DOS SONHOS APLICADA À LITERATURA
Conteúdo Manifesto:
Sonho que lembramos
Narrativa reorganizada e relativamente coerente
Aplicação à Literatura
Texto literário = produção de realidade própria (não mero reflexo)
Análise foca em "trechos sintomáticos": deformações, ambiguidades, omissões
10. ARQUÉTIPO NARRATIVO: OBJETO FALTANTE E DESEJO
Jogo Fort-Da
Observação de Freud:
Neto brincava de jogar brinquedo longe ("fort" = foi embora)
Puxava de volta ("da" = aqui)
Simboliza domínio da ausência materna
Estrutura Básica da Narrativa
"Fort-Da" = menor história possível:
Objeto se perde
Objeto é recuperado
10. ARQUÉTIPO NARRATIVO: OBJETO FALTANTE E DESEJO
Narrativa clássica:
Estrutura original → desorganização → restauração
Algo precisa estar ausente para haver história
Exemplo: "Odisseia" de Homero - Ulisses (objeto perdido) busca retornar a Ítaca (lar perdido)
Papel do Desejo na Narrativa
Objeto perdido (corpo materno) impulsiona narrativa de nossas vidas
Buscamos substitutos para esse "paraíso perdido"
Desejo é estimulado pelo que não pode possuir totalmente
Suspense narrativo = prazer de tolerar o desaparecimento sabendo que haverá retorno
11. PULSÃO DE MORTE (ALÉM DO PRINCÍPIO DO PRAZER)
Conceito:
Desejo de retorno a estado anterior à vida consciente
Paz e tranquilidade da existência inorgânica
Manifesta-se em comportamentos autodestrutivos
Contexto Histórico:
Escrito após Primeira Guerra Mundial (1918)
Desilusão com cientificismo e razão
Questionamento do homem moderno
Exemplo na literatura: Personagens com tendências autodestrutivas, busca pelo vazio
12. ANÁLISE INTEGRADA: "FILHOS E AMANTES"
Leitura Psicanalítica
Paul divide cama com mãe (tendência edipiana)
Mãe com ciúmes de Miriam (rival amorosa)
Paul mata mãe em ato ambíguo (amor, vingança, libertação)
Leitura Social/Materialista
Pai minerador (classe trabalhadora)
Mãe letrada (classe média)
Divisão sexual do trabalho
Pai afastado emocionalmente pela alienação do trabalho
Distinção de classe complica relações familiares
Conclusão: Psicanálise e análise social = duas faces da mesma situação humana
13. LIMITES DA ANÁLISE PSICANALÍTICA/FILOSÓFICA
Riscos do Reducionismo:
Texto literário não pode ser reduzido a uma única teoria
Psicanálise, marxismo, feminismo = ferramentas que enriquecem interpretação
Literatura mantém especificidade como discurso
Mudar objeto (de paciente para texto) = perdas de sentido
Valor Real:
Literatura = discurso complexo, multifacetado
Aceita múltiplas interpretações simultâneas
Seu valor está justamente na impossibilidade de redução
SÍNTESE FINAL
Literatura, Filosofia e Psicanálise:
Três discursos sem fronteiras bem definidas
Inter-relacionados em temas e formas
Psicanálise e filosofia = hermenêuticas (dispositivos de interpretação)
Revelam lógicas latentes na obra literária
Literatura mantém autonomia, não pode ser reduzida
Legado de Freud para Análise Literária:
Inconsciente como estrutura narrativa
Objeto faltante como motor do desejo
Sonhos como modelo de interpretação
Sublimação como origem da criação artística
ATÉ A PRÓXIMA!
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