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A Neurose e a Psicose Conteudista Prof. Me. Hugo Tanizaka Revisão Textual Laís Otero Fugaitti 2 OBJETIVOS DA UNIDADE Atenção, estudante! Aqui, reforçamos o acesso ao conteúdo on-line para que você assista à videoaula. Será muito importante para o entendimento do conteúdo. Este arquivo PDF contém o mesmo conteúdo visto on-line. Sua dis- ponibilização é para consulta off-line e possibilidade de impressão. No entanto, recomendamos que acesse o conteúdo on-line para melhor aproveitamento. • Propiciar compreensões elucidativas acerca de casos emblemáticos de Freud; • Esboçar compreensão clínica e psicodinâmica sobre a neurose e a psicose. 3 A Histeria e a Clínica de Freud A histeria clássica, aquela que se popularizou na época de Freud, foi vista por muitas óticas, entre elas a da própria Psicanálise, que surgiu como um método para possibilitar o tratamento dessa neurose. Estudos psiquiátri- cos e neurológicos também eram muito comuns e muitas vezes resumiam a causa das neuroses ao orgânico, pautando-se somente em evidências fisiológicas para justificar a gênese dessas disfunções. Essa neurose foi abordada durante muito tempo pela via do espetáculo que se fazia com as sessões de hipnose. Na França, com Jean-Martin Charcot, os experimentos hipnóticos eram publicizados para que os estudiosos pu- dessem vislumbrar os efeitos dessa possibilidade terapêutica. Os sintomas que se apresentavam nessa época eram corporais, em sua maioria, envol- vendo disfunções que aparentemente tinham causa orgânica, quando não havia justificativa fisiológica para que pudessem acontecer. Após a dedicação de Freud em formular uma proposta terapêutica para o tratamento da histeria, outros autores puderam se dedicar a esse estudo, percebendo as variações que esses sintomas poderiam apresentar. Com os avanços científicos obtidos na Psicanálise, na Psicologia e na Psiquiatria, é comum pensar que as histerias do tempo de Freud ficaram no passado e que nos dias de hoje já não é mais possível abordarmos a estrutura neuró- tica em seu tipo histérico. Essa discussão deve ser feita com muito cuidado e honestidade intelectual. A histeria foi definida por Freud (1893-1895) como um tipo de neurose que se constitui a partir de uma relação de insatisfação diante do retorno de fatores inconscientes que não podem ser suportados na realidade psíquica, transformando-se em sintoma (FREUD; BREUER, 2016). A histeria pode se apresentar em subtipos, e os mais comuns são: histeria de conversão e his- teria de angústia. A histeria de conversão seria aquela em que o paciente apresenta sinto- mas corporais, a partir da somatização daquilo que diz respeito ao campo afetivo. Já a histeria de angústia se dá a partir da tensão envolvendo pen- samentos, euforia e sensações corporais que não necessariamente são conversões. 4 Os sintomas da histeria geralmente são latentes e passageiros, mas eclodem por meio de manifestações somáticas, como: […] perturbações da motricidade (contraturas musculares, dificulda- des da marcha, paralisias dos membros, paralisias faciais etc.); dis- túrbios da sensibilidade (dores localizadas, enxaquecas, anestesias de uma região limitada do corpo etc.), e os distúrbios sensoriais (ce- gueira, surdez, afonia etc.). Encontramos também um conjunto de afecções mais específicas, que vão desde as insônias e desmaios be- nignos até as alterações da consciência, da memória ou da inteligên- cia (ausências, amnésias etc.), chegando a estados graves de pseudo- coma. NASIO, 1991, p. 90 Não há como negar que o campo da histeria é o ponto de partida para os estudos freudianos sobre o psiquismo humano. Falar da constituição histórica da própria Psicanálise nos conduz a percorrer os caminhos da histeria na clínica de Freud, ao passo que muitos conceitos fundamentais surgem do seu trabalho com pessoas histéricas e as inquietações latentes e patentes do sofrimento que chegava em sua clínica – não à toa, é o que leva Freud a pensar no conceito mor do incons- ciente e propor a Psicanálise como instrumento para tratar sua sintomatologia. A partir disso, é inevitável falar o quanto a clínica da histeria passou por contra- dições e evoluções ao longo da sua construção, principalmente na elaboração do seu funcionamento, tal como já foi objeto de estudo de outros saberes e suas divergentes concepções. Somente no século XVIII Charcot trouxe a ideia de his- teria como uma neurose com causa traumática e de ordem genital, utilizando a hipnose como ferramenta para sua investigação e sustentação teórica. É dessa água que Freud bebe para, em um primeiro momento, relacionar a histeria a uma ordem sexual baseada em sua teoria da sedução, sendo substituída, em outro momento e de forma definitiva, pela teoria da fantasia. Nesse momento, foi compreendido que a histeria não se tratava de um trauma de ordem física, Saiba Mais Na clínica de Freud, a histeria: • É compreendida como um tipo de neurose; • Tem direta relação com a angústia recalcada; • Pode ser de conversão ou de angústia. 5 como propôs Charcot, mas sim de cunho psíquico, uma vez que um conflito in- consciente se mostrava parte da relação causal (BELINTANI, 2003). Para entender um pouco mais o percurso da histeria na clínica freudiana, pode- mos ver que em seu texto Estudos sobre a histeria, de 1895, Freud desliza por uma série de conceitos que tendem a substituir outras concepções já existentes acerca da histeria, principalmente quando busca se afastar cada vez mais do hipnotismo e trazer para a sua prática o que ele vai chamar de “associação livre”, esta que se tornará a regra fundamental da psicanálise. Segundo Pinto (2007), outros estudos freudianos também aparecem como pi- lares para o desenvolvimento de suas teorias em torno do fenômeno histérico, como A interpretação dos sonhos, de 1900, no qual ele considera os conteúdos do inconsciente como causa da histeria por meio do trabalho de análise dos so- nhos, bem como aprofunda seus estudos a partir dos Três ensaios sobre a te- oria da sexualidade, de 1905. Aqui, a teoria da sexualidade desenvolvida desde a infância traz para a neurose histérica “a impossibilidade do sujeito liquidar o Complexo de Édipo e evitar a angústia de castração, que o leva a rejeitar a sexualidade” (PINTO, 2007, p. 24, grifos do original). É por via dessas primeiras postulações nas obras freudianas que visualizamos uma construção mais ma- dura acerca da histeria na Psicanálise, na medida em que a própria Psicanálise evolui como método. Sabemos, como é caráter de qualquer pesquisa e investiga- ção, que Freud vai e retorna a muitos conceitos e teorizações, trazendo até hoje para a clínica moderna da Psicanálise a importância de voltamos aos equívocos e acertos dessa trajetória. Nasio (1991), em Histeria: a teoria e clínica psicanalítica, apresenta a partir do seu estilo direto o que ele caracteriza como as três faces da histeria na análise, o ponto central dessa exposição. A primeira modalidade, que o autor chama de “eu insatisfeito”, se refere à relação do sujeito com o Outro e à forma como o histéri- co tende a se assujeitar a partir das suas fantasias, nas quais ele é a vítima e está em constante insatisfação dentro dessas relações, sobretudo as relações mais próximas e ambivalentes. Essa fantasia é marcada pelo medo de satisfazer-se de um gozo máximo, absoluto, pelo qual ele poderia ser consumido totalmen- te, independentemente do objeto e do destino desse gozo. O que ocorre para o neurótico é a busca por frear qualquer proximidade a esse gozo e, por isso, necessita e agarra-se à sua amada e odiada fantasia de que nada nem ninguém lhe satisfaz. Em vista disso, cabe ao Outro fazer a função de algoz, na medida em que o analista também se torna para esse sujeito, por via transferencial, parte dessa conjunção. A segunda modalidade é definida pelo autor como o “eu histericizante”. Da mesma forma que o seu corpo é “libidinalmente intenso e fantasístico” (NASIO,6 1991, p. 17), o neurótico também transforma o corpo do Outro para exercer a mesma função. Isso significa que há um processo de erotização na forma como o histérico captura qualquer conteúdo que pertença ao outro ou que dirija ao outro, sem necessariamente ter consciência disso. Nesse processo, a erotização nada diz sobre um tipo sexualidade genital, vulgar ou pornográfico; é, na verdade, o que Nasio (1991, p. 17-18) chama de “simulacro da sexualida- de, uma pseudogenitalidade mais próxima das apalpadelas masturbatórias e das brincadeiras sexuais infantis do que de um compromisso real no sentido da concretização de uma verdadeira relação sexual”. Na cena analítica, isso também não deixa de ocorrer, suscitando na figura do analista a mesma ima- gem fantasística, por meio de falas ou gestos que rematam ao histérico um conteúdo libidinal. Quanto ao terceiro estado, o autor o chama de “eu tristeza”, por estar ligado a sentimentos de solidão e exclusão fortemente associados à posição de insa- tisfação que o indivíduo adota na sua subjetividade. Nesse momento, o histé- rico não é nada além do sofrimento que gera sua insatisfação; o vazio que lhe sobra nem mesmo lhe permite definir a sua identidade sexuada. Dessa forma, diante dessa dor, o histérico “fica na impossibilidade de se dizer homem ou mulher, de afirmar, muito simplesmente, a identidade de seu sexo” (NASIO, 1991, p. 19). Vídeo O Baile das Loucas. Há uma insatisfação que se apresenta na forma como o sujeito histérico lida com os seus desejos e como as ideias fantasísticas surgem para dar conta da- quilo a que o indivíduo se recusa: o encontro com a sexualidade, propriamente com o gozo desmedido que teme tomar integralmente. Sabemos que, para a Psicanálise, se há desejo, há falta. E a falta é escancarada para o histérico, o persegue. Primeiro, quando constata a falta fálica que o acomete no percurso edipiano da castração. Segundo, ao perceber que essa falta também atinge o Outro, esse Outro na figura da mãe, um ser também faltante. Terceiro, ao dar-se conta de que nem mesmo o pai, possuidor do falo, pode lhe suprir essa falta, tornando-se igualmente insuficiente. A partir disso, questionamos: o que faz o histérico diante da falta? Ele, ao se ver diante da falta, não aceita não possuir o objeto dela – o falo –, e dessa forma tenta alcançá-lo com todos os mecanismos psíquicos que possui, pois acredita que não o possuir decorre de uma injustiça à qual deve e tenta reverter (PEREIRA; SCAPIN, 2015). http://www.google.com https://bit.ly/465spKS 7 Nesse jogo histérico, busca-se, portanto, a referência de quem possui o falo, alie- nando o seu desejo ao desejo desse Outro. É nesse movimento que emerge um quê sacrificial nessas relações, em que o histérico muitas vezes abdica dos seus próprios desejos em prol do desejo desse outro que, na sua fantasia, pode equi- pá-lo com aquilo que ele não possui. Joël Dor (1991, p. 39) aponta que: Além disso, este caráter sacrificial obedece igualmente a um outro aspecto essencial da histeria: a dimensão do dado a ver. Este proces- so se realiza em favor de um deslocamento. Colocar-se a serviço do outro é sempre tentar mostrar-se a si mesmo através do outro e, as- sim, beneficiar-se de seu “esplendor”. Um tal modo de dependência traduz sempre o fato de abdicar alguma coisa de seu próprio desejo em benefício de um outro. Trata-se, portanto, de uma captura, que é dupla: encantar-se a si próprio na expressão de seu desejo, mas igualmente emboscar o outro com ele se confundindo e fazendo va- ler sem cessar o desejo que se crê ser o seu. Assim, à medida que o desejo do Outro se torna o seu desejo, Dor (1991) vai nos dizer que o histérico busca identificar-se com esse Outro e essa identificação pode ser tanto pelo sujeito feminino quanto pelo masculino Assim, o autor divide a identificação da mulher histérica com outra mulher por meio de duas possibi- lidades: 1) a mulher que não possui o falo e o deseja; 2) a mulher que também não o possui, mas reivindica-o. No primeiro caso, a mulher que deseja se alia àquele que ela julga possuir a resposta para a sua questão e, dessa forma, aceita não o ter, mas continua no movimento incessante de desejá-lo. Por outro lado, quando passa a reivindicar esse falo ausente, a identificação com essa mulher surge como uma espécie de “identificação militante, ou ainda, identificação de solidariedade” (DOR, 1991, p. 70). Em ambas as preposições, observa-se a alienação do histérico na relação com esses dois modelos, uma relação cega, frágil, pois são modelos que no fim nada dizem sobre a sua falta e, assim, o histérico permanece no grande e cômodo vácuo da sua insatisfação, pois satisfazer o seu desejo “é aceitar não ter o falo, e não poder possuí-lo é se defrontar com a castração” (PEREIRA; SCAPIN, 2015, p. 33). Assim, o objeto ideal do histérico é sempre aquele que ele não pode possuir, o que lhe escapa e se torna difícil de relacionar-se. Afinal, se ele tem um objeto que consagre, enfim, a sua completude, não poderá mais ater-se à recusa incessante do gozo pleno. Cabe, então, uma saída possível por meio da subversão histérica. Palonsky (1997) nos lembra de uma importante relação acerca da feminilidade e da maternidade, em que o filho viria para a mulher histérica como uma saída para o embate com a castração, fazendo a substituição da marca desse falo 8 perdido pela equação “falo = filho”. A partir disso, tanto para a mulher quanto para a esfera social, há uma grande confusão entre o “ser mulher” e o “ser mãe”, visto que o primeiro ainda não se encontra no campo da significação, de ser algo concreto, universal. Dessa forma, o “ser mulher” pode ser muitas coisas, sobre- tudo quando o “ser mãe” é algo exclusivo da sua condição como mulher, impos- sibilitado ao homem. Nesse sentido, Palonsky (1997) pensa a respeito da procura de mulheres por homens que possam lhe oferecer os espermatozoides que precisa para conce- ber uma gestação, tendo até mesmo o aparato tecnológico atual para gerar esse filho sozinha, a partir do que se chama de “produção independente” e da possibi- lidade de exercer a função tanto de mãe quanto de pai para essa criança. No entanto, a autora também nos traz outra possibilidade que a histérica pode utilizar para substituir a falta fálica, o que ela chama de narcisismo fálico, agora sob a equação “falo = corpo”. Isso se dá por meio da beleza ou de atributos refe- rentes ao corpo feminino, fazendo desse corpo o próprio falo. Isso significa que nas situações nas quais a aparência se torna um desagrado para essa mulher, podemos pensar que a mudança de percepção desse corpo seria “o equivalente a passar de um pênis ereto a um pênis flácido, no sentido de broxar. Essa quebra de imagem pode se dar por um motivo qualquer, passando da perfeição a uma imagem que não responde narcisicamente” (PALONSKY, 1997, p. 61). Diante disso, não é possível deixar de pensar que mesmo por meio das possibi- lidades dessas duas saídas para o sujeito histérico, haverá sempre um ponto de insatisfação no qual ele se sustentará para manter a distância de um gozo pleno e a manutenção da sua angústia. Uma hora perceberá que aquele filho, equipa- rado a uma prótese fálica, não corresponde às suas expectativas narcísicas, bem como o seu corpo, na mesma função de objeto fálico, não poderá permanecer ereto de forma integral. As Pacientes Histéricas de Freud Fundamentais para o nascimento da teoria psicanalítica, os casos de histeria foram os primeiros escritos da Psicanálise. Atendidos e teorizados por Sigmund Freud juntamente com Josef Breuer em seus Estudos sobre a histeria, de 1893- 1895, estão os casos que viriam a se tornar os mais emblemáticos da nova teoria, sendo a origem de conceitos e compreensões que vão para além do funciona- mento histérico e virão a se constituir como o pilar da constituição subjetiva em geral. Isso se dá porque Freud tomou essa estrutura como referência e modelo 9 para análisedas outras neuroses e, mais adiante em suas formulações, tomou as neuroses como referência para o estudo das psicoses e perversões, valendo- -se de mecanismos de defesa, modelos de funcionamento psíquico, topologia e assunções em geral propiciados pelo contato inicial com a histeria. Entretanto, a importância desse trabalho não se resume aos achados freudianos, mas abarca também a forma como essas pacientes eram consideradas e, consequentemen- te, tratadas pela comunidade médica e por seus parentes, uma vez que se acre- ditava que os sintomas por elas apresentados eram fingimento ou exagero. Em Estudos sobre a histeria, livro escrito por Freud e Breuer, os dois autores descrevem casos clínicos, apresentando sua sintomática e o método terapêutico que adotaram para tratar suas pacientes. Nesse momento, a Psicanálise ainda não estava estabelecida como método de tratamento por meio da associação livre, e os dois autores comentam seu trabalho com a hipnose e o método catár- tico (FREUD; BREUER, 2016). Esses sintomas são da histeria clássica, aquela que inicialmente chamou a atenção da área médica por sua impossibilidade de tratamento com os métodos tradicio- nais e que possibilitou a criação da Psicanálise. Muitas vezes, esses transtornos foram tratados de forma desumana, com procedimentos invasivos e agressivos, como é o caso do tratamento com eletroconvulsoterapia, popularmente conhe- cido como tratamento por eletrochoque. Aqui, vamos nos ater somente aos sintomas apontados por Freud e Breuer (2016) referentes às pacientes descritas em Estudos sobre a histeria e fazer uma re- lação entre a histeria clássica e a histeria presente nos nossos consultórios. A importância de se pensar a aplicabilidade da Psicanálise nos dias de hoje é algo que extrapola a questão técnica, relacionando-se diretamente à ética da nossa prática e como podemos pensar o sintoma a partir da sua relação com as políti- cas que perpassam o nosso fazer e o social. O primeiro caso é o de Anna O., uma jovem atendida por Breuer e o segundo é o de Emmy von N., o primeiro caso atendido por Freud, sendo seguidos pelos casos de Miss Lucy, Katharina e Elisabeth von R., também atendidos por ele. Esse estudo é o único trabalho em conjunto dos autores em questão, já que Breuer não se interessou em investir tanto na criação de uma nova teoria nem concor- dava com Freud em um ponto de grande importância nesta, o de que a histeria tem em sua origem patológica um componente sexual. No caso de Anna O., Freud via a relação entre a sexualidade e os sintomas da paciente, indicando que estes faziam referência a experiências anteriores em que ela sentira algo que não podia ser expressado por razões sociais; esse afeto retido sofreria alterações quanto ao seu conteúdo e passaria ao corpo em um 10 processo denominado conversão. Os sintomas da histeria seriam, dessa forma, um processo de defesa contra os pensamentos, afetos e experiências de teor sexual que não poderiam ser exteriorizados e eram inadmissíveis para o pró- prio sujeito. Aqui também é apresentado o conceito de divisão psíquica, sendo considerada a existência de uma disposição da paciente a entrar em estados em que a consciência lhe escapasse; ainda que aqui apareça de forma primitiva, essa concepção tem grande importância por ser a gênese da compreensão da divisão entre consciência e inconsciente. Foi possível observar também nesse caso que, ao serem trazidos à consciência, os sintomas se alteravam: o sintoma anterior se extinguia, entretanto, outro surgia, algo que Freud relacionou com uma ligação particular entre Anna O. e Breuer, o que viria a se configurar como o conceito de transferência. Por serem casos longos, neste material serão expostas de forma condensada as variadas sintomatologias expressas pelas pacientes histéricas atendidas por Freud e Breuer. Vejamos na lista abaixo os sintomas que se apresentaram nesses casos clássicos. Casos clássicos de histeria (Sintomas histéricos): • Emmy Von N.: medos, tiques vocais e dores no corpo; • Miss Lucy R.: rinite crônica, perda de olfato, analgesia do nariz e estado depressivo; • Katharina: sensação de pressão nos olhos, zumbido nos ouvidos, tontu- ra, falta de ar e sensação de sufocamento; • Elisabeth Von R.: dores pernas, dificuldades para andar e delírios de perseguição; • Anna O.: tosse intensa, paralisia, dificuldades de ingerir alimentos, dis- túrbios de visão, fala e audição, lapsos e alucinações. É interessante pensar esses casos sob a lente científica da contemporaneida- de. É evidente que pensar a estrutura histérica já não é mais tarefa exclusiva da Psicanálise. Porém a forma como outras áreas abordam esses sintomas é pela via da nosografia psiquiátrica, retirando o termo histeria e colocando sob o nome de outros transtornos. Os manuais diagnósticos da Psiquiatria – Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, quinta edição (DSM- 5), e Classificação Estatística Internacional de Doenças, décima revisão (CID-10) – não têm a histeria como uma possibilidade diagnóstica, porém utilizam seus 11 sintomas para propor outros transtornos e, necessariamente, aderir a um tra- tamento estritamente medicamentoso. Ainda que a Psicanálise não seja a única forma de pensar a histeria e conduzir o tratamento de um histérico, seu método permanece sendo eficaz e demandado cotidianamente. Essa mudança na forma de pensar a histeria pode ser observada no caso de Katharina, descrito anteriormente. Todos os sintomas apresentados pela pa- ciente nos dias de hoje seriam diagnosticados como um transtorno de ansieda- de, e não como uma histeria de angústia. Esses sintomas são exatamente o que os pacientes trazem em análise constantemente, chamando-os de ansiedade ou crises de ansiedade. Assim, muitos transtornos de hoje poderiam ser diagnosticados na época de Freud, ou até muito pouco tempo atrás, como histeria. Por exemplo: • Transtornos de ansiedade (ansiedade generalizada, pânico e outros); • Fibromialgia; • Dores crônicas; • Personalidade histriônica; • Perdas de memória; • Transtornos alimentares (anorexia, bulimia etc.); • Toxicomanias. Esses transtornos psiquiátricos seriam formas de sintomatologia de uma estru- tura histérica, sendo possível identificar a histeria comumente até os dias de hoje. A Psicanálise não trabalha com a nosografia psiquiátrica, mantendo seu diagnóstico estrutural e atendo-se ao movimento cultural, já que se entende que o social é também determinante do sintoma. Pensar na Psicanálise em sua pers- pectiva estrutural é, necessariamente, romper com a ideia de que uma disfunção é causada individualmente, como simples descompensação do sistema nervoso e seus neurotransmissores. A Psicanálise aborda essa questão pela via do sujeito dividido em sua relação com o Outro, na busca dos porquês, na medida em que opera na cadeia significante. É indispensável que os analistas de hoje tenham uma postura crítica e pensem os sintomas que chegam aos consultórios atrelados à política que interfere na nossa prática e, mais ainda, nessas formações sintomáticas. Lacan (1998, p. 322) 12 é categórico quanto a isso: “Que antes renuncie a isso, portanto, quem não con- seguir alcançar em seu horizonte a subjetividade de sua época”. Outro caso que merece especial atenção é o “Caso Dora”, publicado por Freud em 1905 e intitulado Análise fragmentária de uma histeria. O autor expõe sua descrição e articulações teóricas de uma paciente que chama de Dora. Esse é um caso que perpassa um momento importante na obra de Freud, pois seu atendi- mento e sua escrita se dão entre a publicação de A interpretação dos sonhos e de Três ensaios sobre a teoria da sexualidade. Nesse caso, Freud tentou estabelecer a eficácia e a possibilidade de aplicação da técnica da Psicanálise por meio da interpretação dos sonhos e da regra fundamental, a associação livre, assim como fazer relações desse caso com a sua teoria da sexualidade. Dora foi levada até Freudpelo pai pela primeira vez aos 16 anos, quando era acometida por uma tosse e uma rouquidão que desapareciam de forma espon- tânea. Somente deu início ao tratamento psicanalítico aos 18 anos, após apre- sentar outros sintomas e ser levada até Freud. Os sintomas apresentados por Dora eram psíquicos e somáticos: • Dispneia; • Tosse nervosa; • Afonia; • Enxaquecas; • Ânimo deprimido; • Insociabilidade histérica. Esses sintomas descritos por Freud foram abordados somente na segunda vez que a paciente procurou o psicanalista. Além disso, o médico destacou algumas características do seu estado: As principais características de seu estado doentio eram o ânimo deprimido e uma alteração no caráter. Era evidente que não estava satisfeita consigo e com seus familiares, tratava hostilmente o pai e já não se entendia com a mãe, que queria absolutamente que ela participasse dos cuidados da casa. Evitava encontros sociais; tanto quanto permitiam o cansaço e a desatenção de que se queixava, ocu- pava-se em ir a palestras para mulheres e cultivava estudos relati- vamente sérios. Um dia, os pais se horrorizaram a encontrar, dentro 13 ou sobre a escrivaninha da garota, uma carta em que ela se despedia deles, dizendo não conseguir mais suportar a vida. FREUD, 2016, p. 194 Após essa carta, o pai relativizou a possibilidade de Dora cometer suicídio e, em uma discussão posterior, a jovem perdeu a consciência; seu pai, então, decidiu que ela iria fazer um tratamento com Freud mesmo que contra sua vontade. Esse é um caso de histeria que Freud diagnosticou por conta de suas característi- cas, principalmente os estados de humor da paciente e a somatização presente. No relato do caso, esses sintomas datam da infância, o que vem a reforçar a teo- ria de Freud de que a causa das neuroses tem suas raízes na infância a partir do recalcado que retorna pela via dos sintomas. Vídeo Fragmento da Análise de um Caso de Histeria I (S. Freud, 1905) Fragmento da Análise de um caso de histeria II (S. Freud, 1905) Fragmento da Análise de um caso de histeria III (S. Freud, 1905) Fragmento da Análise de um caso de histeria IV (S. Freud, 1905) http://www.google.com https://bit.ly/3ZDa5Gr http://www.google.com https://bit.ly/3EXJ336 http://www.google.com https://bit.ly/3LIrTKz http://www.google.com https://bit.ly/3teHdIN 14 A Psicose na Obra de Freud Abordar o tema das psicoses em Psicanálise é complexo e, ao mesmo tempo, de extrema importância. Não é de hoje que os psicanalistas se debruçam a estudar, produzir e atender as psicoses, tendo-as como possibilidades dentro do trabalho clínico, sendo um assunto muito vasto que requer produções e transmissões com muito rigor, por conta de sua complexidade teórica e clínica. A psicose é uma estrutura clínica, ou seja, uma forma de resposta do sujeito diante da sua relação com o Outro, necessariamente sendo um fenômeno que diz respeito à linguagem e à realidade discursiva. Aqui será tomada no singular como estrutura e no plural dentro das suas variações; assim, entende-se que na psicose temos tipos clínicos que se dão dentro dessa mesma estrutura, que são: paranoia e esquizofrenia. A psicose é abordada por muitas áreas do conhecimento, mas sua produção teórica é normalmente um trabalho da Psiquiatria, da Psicanálise e da Psicologia. É importante frisar que o termo psicose tem origem psiquiátrica, mas foi adotado por Freud para diferenciar da neurose a partir da sua sintomática e da relação do indivíduo com a re- alidade. Essa retomada terminológica feita por Freud fez com que psicose se tornasse um termo muito voltado à Psicanálise e que remetesse a teorizações psicanalíticas sobre essa estrutura, não sendo tomada como um transtorno (MELO, 2009). A psicose atualmente não é muito abordada pela psiquiatria e em sua conceitu- ação psicanalítica, sendo retirada, por exemplo, do DSM-5 (Texto Revisado – TR), tratando-se não somente de uma discordância teórica e prática, mas envolvendo também uma questão política. Desde o surgimento da Psicanálise podemos ver que Freud adotou o termo e construiu a noção de estrutura psicótica, diferenciando da neurose e da perversão. Para Freud (2011a), a psicose é um conflito entre o eu e o mundo externo, em que esse eu fracassa ao dialogar, não havendo contato com a realidade na qual está inserido, sendo necessário que se criem outras realidades a partir dos delírios e alucinações (FREUD, 2011b). O delírio e a alucinação são, desde Freud, respostas sintomáticas a essa falta de estabilidade entre o eu e o mundo, sendo criações possíveis encontradas para superar essa falha na estrutura. Sendo assim, esses sintomas não são aborda- dos como características ou respostas que devem ser extirpadas ou eliminadas a todo custo, tendo-os como uma construção necessária e possível para aquele que está em uma estrutura psicótica. Ainda que Freud tenha incluído a psicose entre as formações estruturais e feito breves formulações sobre a clínica da psicose, não há, na Psicanálise de Freud, 15 uma construção teórica muito extensa, pois os estudos freudianos foram, em sua maioria, no campo das neuroses. Um dos casos publicados de Freud, chamado de “Caso Schreber” (1911), é um exemplo do trabalho do médico austríaco acerca da psicose, pois se refere a um caso de paranoia, havendo toda uma construção em torno do delírio. Nesse caso, Freud fez uma diferenciação entre os dois tipos clínicos da psicose, que são a paranoia e a esquizofrenia (FREUD, 2010). Utilizando o “Caso Schreber”, vamos pensar um pouco sobre a forma de com- preensão de Freud em relação à clínica das psicoses. É questionável se podemos dizer que esse é um caso de Freud, já que sua descrição não se trata de um atendimento feito pelo médico, e sim da análise literária de um livro publicado pelo próprio Schreber, intitulado Memórias de um doente dos nervos. O livro é uma autobiografia em torno do transtorno mental pelo qual Schreber é aco- metido, relatando alguns detalhes envolvendo a problemática, os sintomas e o tratamento empreendido. Por ser uma análise literária, não é lógico tomar esse caso como sendo de Freud, já que não havia uma relação analítica entre Schreber e o psiquiatra, não havendo transferência, ato analítico e apreensão discursiva no relato dos sintomas no contexto de uma análise. Isso se coloca como um problema na formulação da teoria psicanalítica, afinal, podemos pautar nossa clínica a par- tir da teorização de um material literário? É algo que necessita de revisões em torno da própria construção paradigmática que a Psicanálise forma acerca das psicoses, pois é comum que vejamos publicações que abordam a clínica das psicoses tendo esse caso como uma referência, como se tudo que diz respeito à paranoia se fundasse com a análise de Freud acerca da leitura que o autor faz do livro de Schreber. Aqui, deparamos com algo importante para pensar esse caso com a clínica con- temporânea, que é tomar o caso freudiano como modelo. Uma teoria como a Psicanálise deve se sustentar em formulações que tendam a progredir e não re- gressar aos modelos arcaicos de formular seu arcabouço conceitual, assim como a sua operação clínica. Tratando-se desse caso, é preciso que fiquemos atentos a essas questões. Atentar-se à forma que abordamos o caso Schreber não é si- nônimo de desqualificação, tampouco de um rechaço sem compreender a cons- trução freudiana que foi feita acerca da paranoia, compreendendo a importância literária que tem esse caso para a Psicanálise e sua história. O caso Schreber é de um caso de paranoia, um tipo clínico da psicose, que Freud tomou como uma possibilidade de atendimento psicanalítico e teceu algumas considerações a respeito. O psiquiatra demarcou a diferença entre a neurose e a paranoia nesse caso, colocando a paranoia como uma possibilidade clínica de expor aquilo que o neurótico esconde como um segredo, ainda que isso se dê de 16 maneira distorcida em relação à realidadepor meio dos sintomas apresentados pela via do delírio e da alucinação. Os sintomas de Schreber surgem quando ele depara com uma fadiga intelectual, primeiro após se candidatar ao Parlamento de uma província, e a segunda vez por conta da sobrecarga de trabalho ao assumir a presidência da Suprema Corte do mesmo local em que foi candidato. Em um primeiro momento, Schreber foi diagnosticado com um quadro de hipocondria, fazendo um tratamento por seis meses na clínica de um médico chamado Flechsig. Posteriormente, Schreber buscou a clínica de Flechsig por ter piora em seu quadro de forma muito rápida. As ideias hipocondríacas permaneciam, porém, acompanhadas de ideias de perseguição como consequência de alucinações. As alucinações também se apresentavam por meio de hiperestesia (sensibilidade à luz e ao barulho) e alucinações auditivas. Schreber construiu um delírio voltado aos sintomas hipocondríacos, que Freud descreveu da seguinte forma a partir do parecer clínico do paciente feito por um dos médicos que o acompanhavam: […] considerava-se morto e apodrecido, doente de peste, supunha que seu corpo fosse de horríveis manipulações de todo tipo e, como afirma ainda hoje, sofria as coisas mais terríveis que se possam imagi- nar – e tudo isso em nome de uma causa sagrada. […]. Pouco a pouco as ideias delirantes assumiram um caráter místico e religioso: ele se comunicava diretamente com Deus, os diabos faziam das suas com ele, via “fenômenos milagrosos”, ouvia “música sacra” e, finalmente, acreditava estar vivendo em um outro mundo. FREUD, 2010, p. 19 A partir de então, o conteúdo do delírio de Schreber passou a se relacionar com o místico/religioso, acreditando estar em outro mundo, como forma de dissociação da realidade discursiva. Além disso, passou a acreditar que estava sendo perse- guido e prejudicado. O delírio de Schreber também o fez acreditar que era uma mulher, algo que, segundo ele, ocorreu por conta de um milagre divino. Acreditava que o milagre havia tocado os seus nervos e seu corpo foi penetrado por raios de Sol, o que o colocava diretamente em cópula com Deus e, a partir disso, novos homens nas- ceriam dele, como consequência dessa fecundação feita com Deus. Diante do fato de ser a mulher de Deus, Schreber delirou que era o salvador da humanidade, sendo que isso se deu como uma resposta de sua paranoia como 17 delírio de grandeza. Freud chamou o fato de Schreber se transformar em mu- lher de “emasculação”, sendo o lado feminino desse homem se sobressaindo em relação aos seus traços de masculinidade. Freud sugeriu que a emasculação de Schreber foi consequência do trabalho, apresentando-se como a primeira forma- ção delirante. As interpretações feitas por Freud perpassaram ideias básicas em sua teoria, como a sexualidade infantil, a libido, as questões envolvendo a diferença sexual entre o homem e a mulher e o complexo paterno. Freud também construiu uma relação entre autoerotismo, narcisismo e homossexualidade, questões essas que precisam ser repensadas e contextualizadas com o momento atual. Esse caso é comumente abordado por psicanalistas para tratar da clínica da psi- cose. O importante é pensar que as formulações feitas por Freud são importan- tes e válidas dentro de um limite teórico e contextual, sendo escritos que abor- dam considerações de um autor específico sobre um caso específico, tornando necessário o exercício de repensar a forma como cada analista entende e utiliza esse caso para operar na clínica da psicose. Vídeo O Caso Schreber. http://www.google.com https://bit.ly/3PzSJFT MATERIAL COMPLEMENTAR LIVROS Estudos Sobre A Histeria FREUD, S.; BREUER, J. Estudos Sobre a Histeria (1893-1895). Rio de Janeiro: Imago Editora, 1967. História de uma Neurose Infantil FREUD, S. História de uma neurose infantil. Porto Alegre: Imago Editora, 1996. Da Psicose Paranoica em suas Relações com a Personalidade LACAN, J. Da Psicose Paranoica em suas Relações com a Personalidade. São Paulo: Forense Universitária, 1987. 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