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A Clínica em Freud: 
O Fim da Análise
Conteudista
Prof. Me. Hugo Tanizaka 
Revisão Textual
Esp. Anna Carolina Guimarães 
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OBJETIVOS DA UNIDADE
Atenção, estudante! Aqui, reforçamos o acesso ao conteúdo on-line 
para que você assista à videoaula. Será muito importante para o 
entendimento do conteúdo.
Este arquivo PDF contém o mesmo conteúdo visto on-line. Sua dis-
ponibilização é para consulta off-line e possibilidade de impressão. 
No entanto, recomendamos que acesse o conteúdo on-line para 
melhor aproveitamento.
• Facilitar a compreensão do processo de escuta clínica; 
• Dialogar acerca da narrativa e da discursiva clínica; 
• Estruturar a compreensão acerca do papel do analista em atendimento.
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O Fim de uma Análise
O fim de análise é um tema muito caro à literatura psicanalítica, por mais que 
muitos autores já tenham se debruçado sobre o tema e produzido artigos, livros 
e outras formas de conteúdo para tratar do assunto. É um ponto da teoria psi-
canalítica que requer cuidado e, necessariamente, cautela para definir o que é o 
fim de uma análise. Afinal, quais são os parâmetros que podemos utilizar para 
definir o fim de um processo analítico? 
A sustentação de que uma análise chegou ao fim, deve passar, a priori, pela arti-
culação de que uma análise chegou ao seu início, pois para que possamos esta-
belecer na leitura que fazemos de um caso, que uma análise chegou ao seu fim, 
é porque antes de chegarmos a essa conclusão, um início foi estabelecido. Dessa 
forma, outra pergunta pertinente seria: Quais são os parâmetros utilizados pelo 
psicanalista para definir que um paciente entrou em análise? 
Essa é uma problemática que requer um cuidado, pois comumente muitas pes-
soas buscam analistas, mas não necessariamente estão buscando uma análise.
Primeiro que essas pessoas podem ser guiadas pelo senso comum e acredita-
rem que um psicólogo clínico e um psicanalista são a mesma coisa, ainda que 
esse psicólogo clínico utilize a Psicanálise como orientação para a sua prática. 
Assim, as pessoas buscam um profissional a partir de várias condições, mas não 
necessariamente porque é um psicanalista. Sabemos que para as pessoas que 
buscam esse tipo de serviço, em sua maioria, não têm afinidade com essas dife-
renças. Então pode ser que entre uma psicoterapia e uma Psicanálise, para essas 
pessoas, não haja diferença alguma. Segundo que aquele que busca um analista 
pode buscar exatamente por conhecer a Psicanálise e quer ir a um psicanalista. 
Querer ir a um psicanalista não significa que a queixa que se faz consequente-
mente vá se transformar em uma demanda de análise. Esse é o ponto que nos 
interessa, pois para que a análise termine, é preciso que, no início, o analista 
entenda que houve uma demanda de análise.
A demanda de análise não é simplesmente querer que uma análise aconteça 
e muito menos acreditar que um psicanalista pode resolver os abalos que um 
sintoma pode causar. Quando um analisando chega ao nosso consultório, ele 
vem com uma queixa, pode ser a de um casamento ruim, a morte de um ente 
querido, se sentir abandonado ou que tenha ansiedade. Uma análise se divide 
em entrevistas preliminares e a análise propriamente dita. As entrevistas preli-
minares são o início do processo, não da análise, mas de escutar essas queixas 
que chegam, muitas vezes atrelada ao registro imaginário e que devem ser to-
madas através do simbólico, para tratar o que de real se apresenta na estrutura. 
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Abordar uma queixa pela via do simbólico é articular esse problema a uma outra 
ordem e, com isso, identificar o que é demanda de análise.
A demanda é um circuito que se estabelece em volta do desejo e se articula com 
a cadeia significante, dando voltas que estabelecem uma repetição. Essa repeti-
ção vai ser aquilo com que o analista vai ler no caso e definir se a demanda que 
se apresenta é realmente de análise.
Essa demanda é o que vai possibilitar que a Psicanálise ocorra enquanto prática 
que se dá sob transferência. Segundo Eidelsztein:
Só há Psicanálise em uma clínica concebida e praticada sob trans-
ferência, ou em imisção de subjetividade. Uma demanda é analítica 
se possui a virtude de pôr em cena que o inconsciente é o discurso 
do “Outro” e que não há sujeito sem “Outro”. A condição particular 
requer ser distinguida das características individuais. 
EIDELSZTEIN, 2019, n. p., tradução nossa
Essas condições são indispensáveis para pensar o que fazemos quando faze-
mos uma Psicanálise e como articulamos isso aos casos que atendemos. A partir 
disso, podemos entender que o caso pode ser pensado pela via do tempo lógico 
em que há instante de ver, tempo de compreender e momento de concluir. Esse 
momento de concluir é o que nos interessa aqui, pois se tratando do fim de uma 
análise é a conclusão de uma demanda que se estabelece. 
Freud (1996) articulou em sua teoria a ideia de que uma análise pode chegar ao seu 
fim, seja porque foi interrompida ou porque realmente teve um efeito terapêutico 
e pôde tratar aquilo que se apresentou como um sintoma analítico. O criador da 
Psicanálise assume uma postura que, muitas vezes, parece pessimista em torno do 
que seria o fim da análise e estabelece alguns critérios voltados ao fortalecimento do 
ego em detrimento dos instintos primitivos do id que causam um abalo no psiquismo. 
De encontro a Freud, Araújo (1995) questiona se há um final de análise e como se dá 
isso, aventando a questão da análise pessoal do terapeuta como viés para uma agu-
çada percepção do final de análise do seu cliente. Lembra que a capacidade de amar, 
assim como a de trabalhar, são os critérios freudianos para o final de uma análise 
e traz a fala do fundador da Psicanálise, Freud, quando concluía a Conferência XXXI 
dizendo que a intenção da Psicanálise é “fortalecer o ego, ampliar seu campo de per-
cepção e aumentar sua organização, de maneira que possa apropriar-se de novas 
partes do id. Onde era o id, ficará o ego” (ARAÚJO, 1995, p. 99). 
O fim de uma análise não significa a cura de um sujeito, pois o sujeito não pode 
curar-se de sua própria condição, a direção da análise não é que o sujeito se des-
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faça dos seus sintomas, porque o sintoma é o que ele é, o sujeito será capaz 
de gerenciar seu sintoma. No final de uma análise, o sujeito se defronta com 
o irremediável, o incurável, que equivale à falta do Outro e à própria divisão 
subjetiva. O sujeito não se cura de sua divisão. A proposta de um final de 
análise é que o sujeito que faz análise possa se tornar analista do seu próprio 
sintoma, então, a partir disso, vem à tona a queda da transferência no final da 
análise, pois o sujeito irá perceber que o analista nada sabe sobre ele, o ana-
lista é apenas um instrumento e, assim, o sujeito destitui o analista daquele 
lugar de suposto saber. O fim da análise é uma consequência do amadureci-
mento das diversas etapas do processo da análise que levaram à construção 
no analisando de uma capacidade de suportar a frustração e a perda de uma 
ilusão transferencial (SIQUEIRA, 1998). 
Dessa forma, o sujeito irá continuar tendo suas questões, mas espera-se que 
o analisante tenha saído desse campo das paixões, essa questão passional de 
uma forma demandante mais tranquila e prazerosa, gerenciando seus sintomas 
e analista dos seus próprios sintomas.
Portanto, já cientes de que o fim da análise é uma temática que interessa aos 
psicanalistas desde a criação da Psicanálise e, que as questões teóricas e prá-
ticas têm sido discutidas amplamente na literatura psicanalítica e direcionada 
para os mais diversos pontos de vista, pois a diversidade teórica que temos 
em nosso campo possibilita que várias concepções se estruturem e direcio-
nem as análises para fins muito específicos. Cabe apontar que o fim da aná-
lise não é uma questão consensual entre os psicanalistas, ainda que perten-
çam à mesma tradição. As dissidências internas são comuns e possibilitam 
que várias ideias sejam elaboradas teoricamente a respeito desse tópico.Sabemos, então, que a concepção teórica que estabelecemos e tomamos 
• O fim de uma análise não significa a cura de um sujeito, pois o sujeito 
não pode curar-se de sua própria condição;
• No final de uma análise, o sujeito se defronta com o irremediável, o 
incurável, que equivale à falta do “Outro” e à própria divisão subjetiva
• A proposta de um final de análise é que o sujeito que faz análise 
possa se tornar analista do seu próprio sintoma;
• O analista nada sabe sobre o analisando, o analista é apenas um 
instrumento e, assim, o sujeito destitui o analista daquele lugar de 
suposto saber.
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como fundamento é o que vai direcionar a nossa prática e assim temos que 
pensar esse ponto a partir da nossa clínica. É uma discussão que não apenas 
é cara aos psicanalistas, mas algo que requer tempo de discussão e rigor 
para compreendermos aquilo que acontece em nossos espaços de atuação 
em que temos a Psicanálise como referência. 
Como esse assunto perpassa a Psicanálise desde o seu surgimento, um dos pri-
meiros autores que escreveram sobre o assunto foi o próprio Freud, que escre-
veu, em 1937, o texto clássico “Análise terminável e interminável”. Desde esse 
tempo, o fim da análise já era pensado e criava discussões entre os praticantes 
da Psicanálise. Afinal, se tratamos alguém, até onde isso vai?
Freud (1996) estabelece alguns pontos que nos ajudam a pensar o fim de uma 
análise. A discussão proposta por Freud em seu texto se divide em duas pers-
pectivas: 1) fim de análise prático, e 2) fim de análise terapêutico. Cada uma 
dessas formas de pensar o fim da análise se estrutura de forma específica e, 
consequentemente, diz respeito a efeitos analíticos específicos para cada um 
desses fins. 
Vamos começar tratando apenas do fim prático, que seria a forma mais objeti-
va para pensar o fim da análise, ou seja, a análise acaba quando um analisante 
deixa de ir ao psicanalista para fazer sua análise. 
Vejamos o que nos diz Freud:
De um ponto de vista prático, é fácil responder. Uma análise termina 
quando analista e paciente deixam de encontrar-se para uma ses-
são analítica. Isso acontece quando duas condições foram aproxima-
damente preenchidas: em primeiro lugar, que o paciente não mais 
esteja sofrendo de seus sintomas e tenha superado suas ansieda-
des e inibições; em segundo, que o analista julgue que foi tornado 
consciente tanto material reprimido, que foi explicada tanta coisa 
ininteligível, que foram vencidas tantas resistências internas, que 
não há necessidade de temer uma repetição do processo patológico 
em apreço. Se se é impedido, por dificuldades externas, de alcançar 
esse objetivo, é melhor falar de análise incompleta, de preferência 
a análise inacabada. 
FREUD, 1996, p. 232
Nessa citação podemos ver claramente que o posicionamento de Freud se di-
vide entre o fim prático da análise e o seu fim terapêutico. Nesse caso, o fato 
de a análise parar não significa que ela foi concluída, ou seja, que chegou ao 
seu fim e, finalmente, pôde proporcionar o processo de “cura”. Diante desse 
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pensamento freudiano, temos as análises finalizadas, seja por parte do analisan-
do ou por parte do analista, e temos as análises que foram interrompidas por 
não ter chegado ao seu objetivo terapêutico.
• O fim da análise é uma consequência do amadurecimento das di-
versas etapas do processo da análise que levaram à construção no 
analisando de uma capacidade de suportar a frustração e a perda 
de uma ilusão transferencial;
• Espera-se em um final de análise que o analisante seja capaz de ge-
renciar seus sintomas e tornar-se analista de seus próprios sintomas.
Deparamo-nos aqui com o fim prático como uma situação pontual de interrup-
ção do trabalho de análise, que por outros fatores impossibilita que o processo 
continue. Freud coloca que as interrupções se dão por fatores externos, mas sa-
bemos que isso não é bem assim, pois conteúdos internos ao processo analítico 
podem interferir nessa interrupção, como as resistências do paciente e do ana-
lista, as questões que envolvem as dificuldades em custear a análise e eventos 
que são pontualmente do trabalho de transferência que se dá entre analisando 
e analista. Era do interesse de Freud e ele expõe em seu texto, entender quais 
são os obstáculos que se presentificam e impedem que a análise possa seguir 
adiante. Ainda que em sua época tenha sido um assunto pouco desenvolvido, 
cabe aos analistas de hoje pensarem quais são os fatores internos e externos 
que colaboram com a interrupção de uma análise. A pesquisa psicanalítica deve 
progredir e se pautar na territorialidade e nas políticas de nosso tempo e do es-
paço que atuamos. 
O fim da análise em sua praticidade é um fim de forma muito genérica, pois 
é uma forma de especificar quando um processo chega ao fim de forma não 
espontânea, sem necessariamente ter os seus efeitos e sem que haja um traba-
lho de encerramento analítico. Seria um fim mais voltado às formalidades que 
o setting exige e direcionado à não aplicação da técnica tal como a formulamos. 
Como o próprio Freud sugere, é mais interessante que nesses casos possamos 
entender que a análise está incompleta. 
Podemos pensar que o fato de a análise não estar completa, não necessariamente 
é um caso falido, pois a determinação de como o efeito analítico se estabelece é 
variável e se apresenta nas particularidades de cada caso. Assim, não é possível 
mensurar quais efeitos analíticos se têm ou deixam de ter quando nos deparamos 
com situações em que a análise foi interrompida. É como o tempo da análise que 
não temos como definir exatamente por conta da imprevisibilidade de seus efeitos 
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até chegar em um fim. O tempo é um dos assuntos que interessa ao psicanalis-
ta para discutir o que seria o fim da análise, em seu viés prático ou terapêutico. 
Abreviar para que os efeitos sejam instantâneos não parece que seja algo interes-
sante tendo em vista o conflito inconsciente que se estabelece e a temporalidade 
que implica o processo de uma análise. Para Freud (1996, p. 236) “[...] se quisermos 
atender às exigências mais rigorosas feitas à terapia analítica, nossa estrada não 
nos conduzirá a um abreviamento de sua duração, nem passará por ele”.
Em Síntese
• No fim prático, a análise acaba quando o paciente deixa 
de ir ao analista;
• Quando temos um fim prático é melhor falar em aná-
lise incompleta ou inacabada;
• Os efeitos de uma análise inacabada são mensurados 
na particularidade do caso;
• A análise ser incompleta não é sinônimo de um caso 
falido;
• A análise não deve ser abreviada em seu tempo.
O fim terapêutico é o que nos interessa neste capítulo, pois precisaremos par-
tir de alguns pontos da teoria de Freud para entender o fim de uma análise na 
concepção desse autor. Como sabemos, a Psicanálise passou por avanços teóri-
cos e práticos desde o seu surgimento, pois ainda era uma prática sendo criada 
através dos mais diversos referenciais que Freud dispunha para sustentá-la. As 
investigações psicanalíticas possibilitaram que a teoria fosse formulada e, conse-
quentemente, uma técnica para que o tratamento psicanalítico fosse possível. A 
possibilidade de um tratamento psicanalítico em seu fim terapêutico, para Freud 
(1996), se relaciona com alguns pontos específicos que são indícios de que a aná-
lise chegou ao seu fim terapêutico:
• O paciente não está mais sofrendo com seus sintomas;
• O paciente supera suas ansiedades e inibições;
• O analista julga que foi tornado consciente o material reprimido;
• As resistências internas foram vencidas;
• Não há temor por uma repetição.
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Freud criou um certo parâmetro para definir se o trabalho de análise real-
mente foi concluído, sem que haja necessidade de uma precaução acerca do 
retorno dos sintomas. Assim, o autor define que, para entendermos se há 
sucesso ou não no tratamento psicanalítico, devemos nos atentar às influ-
ências dos traumas na vida no paciente, à força dos instintos e às alterações 
no ego. O segundodiz respeito à força dos instintos e isso é o que mais in-
teressa a Freud.
Freud define a neurose como um conflito entre o ego e o id, em que um conflito 
instintual do id se apropria do ego, causando um abalo no aparelho psíquico, 
causando o sintoma. O id é uma instância do aparelho psíquico que é onde se lo-
caliza o que há de mais arcaico, de mais primitivo no psiquismo humano e quan-
do entramos em contato com a civilização, formamos o ego, que serve de media-
dor entre essas duas dimensões da realidade. Dessa forma, o id faz exigências ao 
aparelho psíquico que nem sempre se torna viável por conta da censura do ego. 
Tendo em vista esse conflito psíquico, o trabalho de análise seria uma forma de 
trabalhar esses instintos mais arcaicos e que geram os sintomas que são levados 
para uma análise. Freud (1996) entende que o trabalho do psicanalista em uma 
análise consiste em fazer um amansamento dos instintos do id, a fim de colocá-
-los em harmonia com o ego, ou seja, essa concepção metapsicológica de Freud 
é o que ele sustenta teoricamente para dizer se o trabalho de análise realmente 
chegou ao seu fim terapêutico.
Esse processo é uma forma de fortalecer o ego para lidar com o retorno do ma-
terial recalcado. Segundo Freud:
A análise, contudo, capacita o ego, que atingiu maior maturidade e 
força, a empreender uma revisão dessas antigas repressões; algu-
mas são demolidas, ao passo que outras são identificadas, mas cons-
truídas de novo, a partir de material mais sólido. 
FREUD, 1996, p. 240
Dessa forma, entende-se que a análise possibilita que o ego esteja fortalecido a 
ponto de não ser mais inibido pelos instintos primitivos do id a ponto de gerar 
sintoma. A ideia básica é a de estabelecer a capacidade de lidar ou de evitar 
conflitos no aparelho psíquico. No trabalho de análise, o analista lida com esses 
conflitos que são estabelecidos através da repressão e que retorna, causando o 
sintoma neurótico. A análise é uma técnica que se vale dos conflitos que já estão 
inseridos na sintomática do paciente, ainda que saibamos que outros podem 
surgir. No caso do surgimento de outros conflitos, eles não devem ser causados 
pela ação do analista, pois cabe ao psicanalista trabalhar com o conflito instin-
tual que já está estabelecido. Para Freud (1996, p. 244), “Se um conflito instin-
tual não está presentemente ativo, se não está manifestando-se, não podemos 
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influenciá-lo, mesmo pela análise”. A ideia de Freud é que a criação de novos con-
flitos psíquicos tornaria o trabalho de análise prolongado e mais difícil, havendo 
a necessidade de atenção nesse aspecto por parte do analista.
Diante dessas construções, Freud também insere a discussão de que a 
Psicanálise tem seus limites a nível teórico e que os próprios pacientes não 
trabalharão todos os seus conflitos em uma análise. Vejamos o que nos diz 
o autor: “Os pacientes não podem, eles próprios, trazer todos os seus confli-
tos para a transferência, nem tampouco está o analista capacitado a invocar 
todos os possíveis conflitos instintuais deles, a partir da situação transferencial” 
(FREUD, 1996, p. 246).
A Psicanálise é entendida por Freud como uma profissão impossível, isso porque, 
além dos limites inerentes ao nosso campo, não podemos prever quais serão os 
resultados de um trabalho de análise. Essa ideia nos coloca diante de uma ca-
racterística específica da Psicanálise, que é a de que seus resultados, ainda que 
dentro dos critérios estabelecidos por Freud, são imprevisíveis. A imprevisibilida-
de do resultado do tratamento não é sinônimo de não saber conduzir a análise, 
pois nos deparamos com problemas da prática que precisam ser trabalhados 
constantemente pelos analistas.
O processo de análise é repleto de altos e baixos, de avanços e retrocessos, mas 
que são partes da própria relação transferencial que se estabelece em um setting 
psicanalítico. Vejamos o que Freud formula a esse respeito:
Durante o tratamento, nosso trabalho terapêutico está constante-
mente oscilando para trás e para frente, como um pêndulo, entre 
um fragmento de análise do id é um fragmento de análise do ego. 
Num dos casos, desejamos tornar consciente algo do id; no outro, 
queremos corrigir algo no ego. A dificuldade da questão é que os 
mecanismos defensivos dirigidos contra um perigo anterior reapa-
recem no tratamento como resistências contra o restabelecimento. 
Disso decorre que o ego trata o próprio restabelecimento como um 
novo perigo. 
FREUD, 1996, p. 251
O trabalho do psicanalista é o de manejar via transferência esses aconteci-
mentos que são específicos da análise e deve estar advertido quanto a esses 
conflitos, pois o manejo é o que vai definir a condução e a efetividade da 
análise.
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De acordo com a proposta de Etchegoyen (1989), é difícil determinar o desfe-
cho de uma psicoterapia psicanalítica, uma vez que os pacientes finalizam o tra-
tamento e nem sempre há confirmação de seu bem-estar subsequente. Nesse 
contexto, alguns terapeutas adotam um acompanhamento denominado follow-
-up, que consiste em encontros de entrevistas pós-analíticas, nos quais o tera-
peuta orienta os pacientes a comparecerem esporadicamente após o término do 
tratamento. Durante essas entrevistas, é possível utilizar a interpretação de con-
teúdos trazidos pelos pacientes, relacionados à fase de encerramento, visando 
contribuir para uma experiência terapêutica bem-sucedida. Embora seja ineren-
te à condição humana enfrentar problemas e frustrações ao longo da vida, geral-
mente se espera que o paciente seja capaz de lidar com os desafios cotidianos de 
maneira mais integrada (ETCHEGOYEN, 1989, p. 21). Quando não é viável obter 
um feedback direto, é necessário que o terapeuta confie nas considerações de 
determinados autores, como apontado por Tyson et al. (1996). Esses autores des-
tacam que o terapeuta deve confiar em sua intuição como um elemento essen-
cial para decidir sobre a continuidade de um tratamento. Independentemente de 
uma variedade de critérios e recomendações, o terapeuta deve levar em conta 
esse elemento-chave, embasado em sua experiência e conhecimento sobre o 
paciente (TYSON et al., 1996).
Por outro lado, Eizirik, Aguiar e Schestatstky (2014) enfatizam que não é possí-
vel discutir o término do tratamento sem considerar a gravidade do transtorno 
em cada paciente com quem se trabalha. Observações feitas por Ferro revelam 
Parâmetros para o fim terapêutico da análise: 
• Para definir o sucesso ou insucesso do caso devemos nos ater à 
influência dos traumas; à força dos instintos; às alterações no ego;
• A análise consiste em trabalhar os instintos arcaicos;
• Trata-se de amansar os instintos do id;
• Os instintos devem estar em harmonia com o ego;
• O ego deve ser fortalecido;
• Não devemos criar conflitos;
• Nem todo conflito pode ser trabalhado em análise;
• O trabalho de análise é repleto de oscilações.
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que não há uma correspondência linear entre o desenvolvimento dos modelos e a 
ampliação dos critérios, ou seja, os analistas que mais aprofundaram o conhecimen-
to no que diz respeito à análise de patologias mais graves apenas marginalmente 
abordaram os critérios de analisabilidade. Para o autor, o critério mais útil seria a ca-
pacidade de autodesafio. Isso implica que o terapeuta/analista deve ter consciência 
dos limites da sua análise, com base na sua própria análise, no seu próprio funcio-
namento mental e na sua capacidade de tolerar o risco e a frustração (FERRO, 1998).
Segundo Ferro (1998), é importante ressaltar um aspecto relevante em relação 
à analisabilidade, que consiste na consideração das possibilidades de operações 
transformadoras durante o primeiro encontro terapêutico. Isso implica na capa-
cidade de criar imagens, histórias e devaneios que se manifestam na interação 
terapeuta-paciente, aliados à fertilidade da própria relação terapêutica. O autor 
ainda destaca que, quando essa dinâmica não ocorre, esse deveria ser o proble-
ma a ser abordado. O encerramento deuma psicoterapia implica que o paciente 
deve assumir as funções desenvolvidas ao longo do processo, ter alcançado seus 
objetivos e ser capaz de usufruir dos avanços alcançados em seu mundo interno. 
Efetuar um término satisfatório significa concluir um processo complexo, com 
início, meio e fim, sustentado pelo vínculo terapêutico, e implica em romper a 
relação terapêutica de forma satisfatória. Portanto, não é algo simples, exigindo 
atenção significativa por parte do terapeuta e do paciente, especialmente por-
que cada um vivencia esse momento de maneira diferente.
É frequente que as expectativas do terapeuta sejam maiores do que as possibilida-
des do paciente. Hollender e Ford (1990) destacam que a meta do terapeuta deve 
ser realista, afastando-se de um ideal de mudança e cura. É crucial avaliar, desde o 
início, as condições egóicas daqueles que procuram ajuda e, assim, ter uma visão 
do desfecho esperado. Portanto, os objetivos estabelecidos previamente também 
servem como indicadores para o encerramento. Machado (1989) ressalta que um 
processo construído nessa perspectiva tem como critério geral de finalização o 
cumprimento dos objetivos estabelecidos, os quais estão relacionados ao autode-
senvolvimento e ao funcionamento psicológico mais independente.
De acordo com Zimerman (2008, p. 49), o trabalho não deve ser concluído en-
quanto ainda for um terreno fértil, e o término do tratamento deve ser abordado 
de maneira gradual em todos os casos. O autor sugere que um “canal aberto” 
deve ser mantido entre terapeuta e paciente, e que mesmo após a experiência 
de conclusão de uma etapa, isso não implica que o paciente esteja “curado”. Caso 
surjam novas situações conflitantes, o paciente necessita de abertura para reto-
mar o tratamento.
Dois aspectos que requerem atenção no início de um tratamento são a presen-
ça do fantasma do término e as repentinas sensações de melhora por parte do 
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paciente, sendo que este último pode levar a interrupções. Em relação ao primei-
ro item, é bastante comum que o indivíduo que busca a psicoterapia questione 
quanto tempo o processo irá durar. Embora seja justificado que não é possível 
determinar antecipadamente uma data exata para o fim, o vínculo estabelecido 
durante o tratamento é alimentado, mesmo que de maneira inconsciente, pela 
promessa ou fantasia inevitável de separação. Zygouris (1999) aborda esse pa-
radoxo da relação terapêutica, descrevendo-a como “um modelo de amor total-
mente inédito”, que é sustentado de forma latente pelo juramento de que um dia 
terá um término. Quinodoz (1993) ressalta que a angústia do fim pode ser tão 
intensa para o paciente a ponto de ameaçar a continuidade do tratamento. Por 
outro lado, o autor destaca que alguns indivíduos podem se engajar nas sessões 
com a intenção de elaborar a separação.
Nesse contexto, Winnicott (1990) propôs que o término do tratamento seja con-
siderado como um dos objetivos a serem alcançados. Portanto, é crucial que o 
profissional esteja atento às fantasias que surgem ao longo das sessões e tra-
balhe nelas, garantindo um holding tão importante quanto a interpretação. Da 
mesma forma, cabe ao psicoterapeuta avaliar cuidadosamente o contexto da 
psicoterapia e as associações relacionadas a relatos repentinos de melhora por 
parte do paciente. Sabe-se que simplesmente desabafar e descarregar angústias 
com alguém pode trazer um alívio imediato, mas isso está longe de represen-
tar uma mudança psíquica genuína, que é o objetivo primordial da psicoterapia 
psicanalítica. À medida que as sessões avançam e o paciente apresenta possí-
veis progressos, ele pode facilmente interpretar a sensação de bem-estar como 
um sinal de que o tratamento deve ser encerrado. Cabe ao terapeuta, além de 
possuir uma compreensão técnica/teórica, ter habilidade para confrontar essas 
ideias de afastamento sem desvalorizar os benefícios relatados. Assim, por meio 
da experiência técnica, são estabelecidas garantias para que o processo não seja 
interrompido. Observar os primeiros indícios do encerramento terapêutico abre 
caminho para tentar responder às perguntas apresentadas anteriormente. O ob-
jetivo é explorar esse percurso traçado na literatura, que, apesar de nos levar a 
um ponto conhecido e esperado, ou seja, o fim do tratamento, suscita diferentes 
sentimentos e percepções ao longo do caminho.
Considerando o papel do terapeuta como objeto de transferência, ou seja, como 
uma figura central que evoca experiências infantis do paciente, é evidente que o 
rompimento desse vínculo acarretará não apenas uma perda real, mas também 
uma perda transferencial significativa para o indivíduo. O término do tratamento 
inevitavelmente desperta sentimentos dolorosos e resgata angústias primitivas 
que se assemelham ao estado de luto. Consequentemente, inquietações infan-
tis relacionadas à vivência de separação e sentimentos de desamparo podem 
emergir com grande intensidade. A aproximação do término tende a desencade-
ar uma variedade de sensações, fantasias, resistências e conflitos não resolvidos, 
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assim como respostas afetivas relacionadas a todas as fases do desenvolvimen-
to do paciente. Esses resultados devem ser devidamente analisados pela dupla 
terapêutica, pois, uma vez que o processo é finalizado, o paciente terá que lidar 
com sua elaboração de forma autônoma. Por outro lado, Tyson et al (1996) ob-
servam que, para alguns pacientes, o encerramento pode gerar uma sensação 
de prazer, manifestada por um alívio e pelo surgimento de expectativas para 
novas experiências. Esses afetos tendem a neutralizar aspectos ansiosos desper-
tados pela proximidade do fim.
Não menos relevante é a atenção que o terapeuta deve dedicar aos seus pró-
prios sentimentos. Hollender e Ford (1990) destacam que não se deve apenas 
observar a relutância do paciente em encerrar a colaboração, mas também con-
siderar a resistência do profissional. Conforme sugerido por Tyson et al. (1996), o 
psicoterapeuta deve abrir mão de qualquer tipo de afeição estabelecida durante 
o acompanhamento, vivenciar o luto pelo fim da relação e superar ambições 
pessoais. O autor enfatiza a importância de superar ambições e culpa resultan-
tes de equívocos contratransferenciais. Portanto, uma das funções mais cruciais 
do clínico nesse momento é reconhecer e interpretar, de maneira empática, tais 
dinâmicas, levando em consideração as limitações da técnica psicanalítica e o 
alcance de suas intervenções.
Além disso, ambas as partes tendem a desenvolver sentimentos genuínos de 
afeição um pelo outro, e esses sentimentos tendem a ser devidamente enluta-
dos diante da iminência da separação. Embora as angústias do paciente se tor-
nem mais evidentes, tanto o terapeuta quanto o paciente precisam lidar com o 
sentimento de perda. O tema do término deve ser trabalhado e explorado para 
que tanto o terapeuta quanto o paciente vivenciem essa fase no seu próprio 
tempo e da melhor forma possível. Com uma aliança sólida e estável, ansiedades 
e fantasias podem ser superadas (HOLLENDER; FORD, 1990; TYSON et al., 1996).
Grinberg (1979) ressalta que, ao longo dos anos, os critérios para o término do 
tratamento sofreram modificações, levando em consideração os ganhos obtidos 
em diferentes áreas. O autor destaca como indicadores:
• Superação das estruturas patológicas manifestas e latentes, incluindo a 
superação dos sintomas, o desaparecimento das resistências e a resolu-
ção da neurose de transferência;
• Estabelecimento de relações objetais maduras, envolvendo a capacida-
de de amar e trabalhar
• Capacidade para remover a amnésia infantil por meio da elaboração do 
Complexo de Édipo;
 15
• Capacidade para tolerar frustrações e lidar com as contradições decor-
rentes do conflito entre as pulsões agressivas;
• Substituição do acting out pela simbolização e do sintoma pela simboli-
zação;
• Substituição da negação pela aceitação da realidade psíquica;
• Uso predominante do pensamento e da comunicação verbal;
• Capacidadepara elaborar o luto pela experiência de separação do ana-
lista e a perda da análise.
Esses critérios indicam o desenvolvimento e a evolução do paciente ao longo do 
tratamento, evidenciando a capacidade de enfrentar desafios, lidar com conflitos 
e simbolizar experiências de forma saudável. O terapeuta deve avaliar o pro-
gresso do paciente com base nesses indicadores para determinar o momento 
adequado para o encerramento do tratamento.
Contudo, é importante lembrar que não se deve esperar uma personalidade 
totalmente integrada como ideal para o término do tratamento, pois nem 
todos os sintomas desaparecerão. Quinodoz (1993) destaca que a redução 
dos sintomas não é tão significativa quanto a capacidade de lidar com a so-
lidão e enfrentar frustrações. Ferenczi (1992) afirma que é possível observar 
alguns traços comuns entre as pessoas que concluíram a análise. Entre esses 
traços está a capacidade de diferenciar com maior clareza a fantasia da reali-
dade, assim como ter um maior controle sobre ações e decisões. Além disso, 
aprender a lidar com suas próprias fraquezas é um bom sinal de amadure-
cimento. Tyson et al. (1996) afirmam que o término do tratamento começa 
quando tanto o terapeuta quanto o paciente reconhecem que os principais 
objetivos foram alcançados. Hollender e Ford (1990) acrescentam que, se as 
metas originais não foram alcançadas, pode-se considerar uma conclusão 
malsucedida. De acordo com os autores, o paciente deve estar se sentindo 
bem ou melhor do que quando iniciou o tratamento, indicando mudanças 
importantes na personalidade.
Alguns autores acreditam que nem o paciente nem o terapeuta devem decidir 
pelo término, mas sim que ambos percebam o esgotamento da psicoterapia, 
quando o paciente se desliga da análise de forma gradual, porém segura. No en-
tanto, em relação ao término, existem evidências de que o terapeuta deve estar 
atento a possíveis transferências, como quando o paciente deseja inconscien-
temente preservar algo de sua neurose. De fato, há controvérsias sobre como 
decidir o término do tratamento.
 16
De acordo com Ferro (1998), o encerramento é um evento singular em cada tra-
tamento, e, segundo o autor, “no fundo, é o analista que assume a responsabi-
lidade das decisões de separar-se e fixar a data” (FERRO, 1998, p. 38), embora 
seja uma decisão que pode ser pensada por ambas as partes. Nesse sentido, 
Hollender e Ford (1990) sugerem que a abordagem sobre o término deve ser 
iniciada pelo paciente, enquanto ao terapeuta cabe sugerir uma exploração mais 
aprofundada dessa questão e avaliar as motivações envolvidas. Por outro lado, 
Etchegoyen argumenta que o término do tratamento não deve ser proposto pelo 
analista, pois, de acordo com o autor, “de nenhuma maneira, deve ser o analista 
quem proponha o término. A única coisa válida que pode fazer o analista é inter-
pretar que o paciente pensa em terminar, que o deseja ou o teme, quando nota 
que desejos existem e o paciente os reprime, mas não deveria em princípio dar 
opiniões” (ETCHEGOYEN, 1989, p. 271).
De acordo com Ferro (1998), o término da análise é considerado um evento es-
pecífico em cada tratamento, e durante esse processo, há uma sinalização repen-
tina e inesperada no campo, através do texto linguístico-emocional das sessões, 
indicando esse acontecimento. O autor destaca que uma dessas sinalizações é a 
maturação do aparelho de pensar pensamentos, e a introjeção desse aparelho é 
um forte indício dessa sinalização, não sendo resultado apenas da descoberta ou 
do conhecimento de si mesmo, mas sim de uma progressiva incorporação das 
qualidades mentais do analista e dos métodos utilizados por ele para lidar com 
as manifestações emocionais, paixões e sentimentos do paciente.
Os critérios de término ocorrem quando o paciente tem a capacidade de reor-
ganizar as experiências passadas com base em novas experiências relacionais, 
construindo novos significados e quando a terapia se mostra eficaz no tratamen-
to dos sintomas, transformando-os em relatos e expressões verbais. Conforme 
Quinodoz (1993), nesse processo, pode-se observar um sentimento de autossus-
tentação como expressão da aquisição de autonomia por parte do paciente e sua 
capacidade de se manter por si só.
É consensual entre os autores estudados que existem critérios para o término 
do tratamento, incluindo a modificação dos sintomas que levaram o paciente 
a buscar ajuda, a elaboração de conflitos relacionados à vida sexual, altera-
ções nas relações familiares e sociais, predominância de defesas saudáveis, 
melhora nas condições egóicas, capacidade de refletir sobre seus próprios 
conflitos e a resolução da neurose de transferência, como indicadores rele-
vantes para orientar o momento de abordar o término. Segundo Tyson et al. 
(1996), o paciente atinge a maturidade emocional quando adquire a capacida-
de de reconhecer a perda, vivenciar e expressar afetos apropriados, fazendo 
o luto pelo objeto perdido e estando finalmente disponível para novos rela-
cionamentos significativos.
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Freud (1996), em seu trabalho “Análise Terminável e Interminável”, afirma que a 
análise chega ao fim quando o paciente não retorna mais. O autor aborda as re-
sistências que surgem ao longo do tratamento e que devem ser trabalhadas para 
permitir que o paciente se torne seu próprio analista. No entanto, como ressalta 
Grinberg (1981), não existe um término ideal, pois nenhum indivíduo que se sub-
meta a tratamento terá todos os conflitos psíquicos ou sintomas desaparecidos, 
nem alcançará uma personalidade totalmente integrada. Tyson et al. (1996) des-
tacam que muitos terapeutas defendem que a escolha da data de término seja 
uma decisão do paciente; no entanto, ressalta que o profissional deve se envol-
ver profundamente nessa decisão. É essencial que o terapeuta esteja disponível 
como um suporte capaz de acolher todos os sentimentos negativos do paciente 
e, caso perceba uma intensa regressão, considere reavaliar a data estabelecida.
Segundo Hollender e Ford (1990), a definição da data de término deve ser feita 
com pelo menos dois meses de antecedência, permitindo tempo para discutir e 
lidar com os sentimentos envolvidos. Os autores destacam que alguns profissio-
nais optam por marcar encontros cada vez mais espaçados, a fim de acostumar 
gradualmente os pacientes à separação, mas o mais importante é aproveitar ao 
máximo o tempo restante para realizar um fechamento efetivo. Quando a deci-
são de encerrar a análise é tomada, é preferível que o paciente seja informado da 
data de término com alguns meses de antecedência. Isso auxilia no processo de 
elaboração e na redução da dor inevitável da separação enquanto ainda está em 
análise, preparando o caminho para que ele conclua com sucesso, por conta pró-
pria, o trabalho de luto. Alguns autores, como Etchegoyen, propõem que, após 
a última sessão, os pacientes possam fazer manutenção do tratamento, compa-
recendo ao consultório a cada três ou seis meses, e depois uma ou duas vezes 
por ano, por um período variável. Etchegoyen chama esses encontros de “entre-
vistas pós-analíticas”, que devem ser previamente combinadas. Essas entrevistas 
promovem um encontro presencial, mas apenas ocasionalmente é interpreta-
do o material compartilhado pelo paciente. O processo de finalização da análise 
abrange tudo o que foi adquirido durante o tratamento, o crescimento que im-
plica em deixar algumas coisas para trás e assumir a responsabilidade pelo que 
é seu, a fim de estabelecer melhores condições para estabelecer vínculos. Alguns 
autores ressaltam que, mesmo que um tratamento tenha sido bem-sucedido em 
reforçar consistentemente as defesas saudáveis do ego, não há imunidade con-
tra futuros conflitos e suas respectivas angústias. 
MATERIAL COMPLEMENTAR
LIVROS
Da História de uma Neurose Infantil [O Homem dos Lobos]
FREUD, S. História de uma neurose infantil (1918). In: FREUD, S. Obras 
psicológicas completas de Sigmund Freud: edição standard brasileira. 
Rio de Janeiro:Imago, 1996b. v. XVII. p. 181-197.
Sobre os Critérios para o Término de uma Psicanálise
Klein, M. (1991). Sobre os critérios para o término de uma psicanálise. 
In M. Klein, Inveja e gratidăo e outros trabalhos: 1946-1963. As obras 
completas de Melanie Klein, Vol. 3, p. 64-69. Rio de Janeiro: Imago. 
(Trabalho original publicado em 1950)
LEITURAS
“Os Dragões dos Primórdios”: O Término e a Persistência do Infantil
https://bit.ly/48za1eT
O Seminário, Livro 12: Os Problemas Cruciais da Psicanálise
https://bit.ly/46ycKnl
REFERÊNCIAS 
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p. 98-106, 1995.
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. Acesso em: 06/05/2023. 
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analítica: fundamentos teóricos e clínicos. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.
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mentos da técnica psicanalítica. 2. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1989.
FERENCZI, S. O problema do fim da análise. In: FERENCZI, S. Psicanálise IV. Trad. A. 
Cabral. São Paulo: Martins Fontes, 1992. p. 15-24.
FERRO, A. Na sala de análise. Rio de Janeiro: Imago, 1998.
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ísmo, Esboço de Psicanálise e outros Trabalhos (1937-1939). Rio de Janeiro: Imago, 
1996. v. XXIII. (Edição standard brasileira das Obras psicológicas completas de Sigmund 
Freud).
GRINBERG, L. Fase final del análises: critérios clássicos y nuevas perspectivas. Psicoanáli-
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GRINBERG, L. Psicoanalisis: aspectos teóricos y clínicos. Buenos Aires: Paidós, 1981.
HOLLENDER, M. H.; FORD, C. V. Dynamic psychotherapy: an introductory approach. [S. 
l.]: Jason Aronson, Inc., 1990.
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