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REVISÃO DA AULA PASSADA...
• Princípios científicos da preparação desportiva
- Individualidade biológica: genética + fenótipo, fatores variáveis
- Adaptação OU síndrome geral da adaptação: homeostase, estresse físico/psicológico
1) Formas de adaptação: morfológica e funcional
2) Processos de adaptação: fatores climáticos, condições e métodos de treinamento, alimentação, etc
3) Tipos de adaptação: imediata, posterior e/ou cumulativa → overtraining 
PRINCÍPIOS CIENTÍFICOS DA PREPARAÇÃO DESPORTIVA
Bases do Treinamento Desportivo
abelfreitag
affreitag@uem.br
Pós-Doutor em Educação Física 
MBA em Gestão Empresarial
Mestre em Ciências da Saúde
Especialista em Gestão de Saúde
Bacharel em Educação Física
Empresário e consultor ONLINE
Prof. Dr. Abel Felipe Freitag
O QUE É CARGA DE TREINAMENTO?
É o resultado da relação entre volume total de trabalho e intensidade: trabalho muscular que implica potencial de 
treinamento, oriundo da condição do desportista, produzindo um efeito que leva à adaptação.
Verkhoshanski (1990): a carga não existe isoladamente — é propriamente o trabalho muscular em si mesmo
CARACTERÍSTICAS DA CARGA
CARGA EXTERNA
Quantidade de trabalho desenvolvido — 
volume e distância percorrida.
CARGA INTERNA
Efeito fisiológico que a carga provoca 
sobre o organismo do atleta.
CARGA PSICOLÓGICA
Como o atleta percebe subjetivamente o 
esforço realizado.
Matveev (1964) 
Volkov (1989)
Ozolin (1949).
ADAPTAÇÃO
SUPERCOMPENSAÇÃO – processo de adaptação
Após a suspensão da atividade muscular, 
os processos de ressíntese iniciam com 
tanta intensidade que os recursos 
energéticos alcançam um nível mais alto 
do que o inicial — a chamada fase de 
supercompensação.
Weigert, apud Zhelyazkov, 2001
SÍNDROME DE ADAPTAÇÃO GERAL
O desenvolvimento do estresse e da reação → 03 fases:
REAÇÃO DE ALARME
Respostas ao fator choque; 
intensificação do metabolismo 
e produção de energia.
FASE DE RESISTÊNCIA
Substituição dos mecanismos 
urgentes por mudanças 
estruturais e funcionais a 
longo prazo (semanas ou 
meses).
FASE DE ESGOTAMENTO
Deficiência crônica de 
proteína; mudanças 
irreversíveis nas estruturas 
celulares. Não deve ser 
atingida no treinamento.
G. Selie (1960)
ADAPTAÇÃO A LONGO PRAZO
1
RESERVAS FUNCIONAIS
Aumento do volume muscular, crescimento do VO₂ máx.
2
COORDENAÇÃO
Aperfeiçoamento da estrutura coordenadora dos movimentos.
3
MECANISMOS REGULADORES
Aperfeiçoamento dos sistemas funcionais do organismo.
4
ADAPTAÇÃO PSICOLÓGICA
Prontidão às particularidades da atividade competitiva.
Meerson, 1986
Platonov, 1988
TIPOS DE EFEITOS DE TREINAMENTO
EFEITO IMEDIATO
Alterações durante ou ao fim do exercício 
— mecanismo de adaptação imediata.
EFEITO POSTERIOR
Alterações no período de recuperação até o 
próximo treino.
EFEITO SOMATÓRIO
Resultado da soma dos efeitos de várias 
cargas aplicadas.
EFEITO ACUMULATIVO
Reestruturações de adaptação a longo prazo após 
ciclos de influências.
Zakharov; Gomes, 1992
ASPECTOS DETERMINANTES
CARGA DE TREINAMENTO E SEUS COMPONENTES
VOLUME DA CARGA
MAGNITUDE
Medida quantitativa global das 
cargas em uma sessão, microciclo, 
mesociclo ou macrociclo. Nem 
sempre o maior volume corresponde 
ao melhor rendimento.
INTENSIDADE
Aspecto qualitativo da carga. Não-
treinados: 30–40% da força máxima. 
Treinados: acima de 70%. Repetições 
acima de 90% não melhoram 
resultados.
DURAÇÃO
Cargas aeróbias produzem melhoras 
significativas em 1 mês; anaeróbias 
exigem 3–4 meses, precedidos por 
trabalho aeróbio.
Suslov, 1976
INTENSIDADE DA CARGA: ZONAS
N
º
Zona FC (bpm) % VO₂ máx. Lactato (mmol/L) Duração máx.
I Aeróbia até 140 40–60% até 2 Horas
II Aeróbia (limiar) 140–160 60–85% até 4 > 2 horas
III Mista 160–180 70–95% 4–8 10 min–2 h
IV Anaeróbia (glicolítica) > 180 95–100% 8–20+ até 10 min
V Anaeróbia (alática) — 95–90% — 10–15 s
Classificação de cargas pelas zonas de intensidade.
Zakharov; Gomes, 1992
FÓRMULA DA INTENSIDADE RELATIVA (FC)
Exemplo: 
FC repouso = 50 bpm 
FC máxima = 188 bpm 
FC carga = 160 bpm 
I = 79,71%
Para trabalho anaeróbio, o índice mais 
objetivo é o teor de lactato no sangue 
(Volkov, 1989).
ORIENTAÇÃO DA CARGA
CARGA ESPECIALIZADA → coeficiente de especialização do treinamento
O grau de especialização reflete a semelhança entre a carga do exercício aplicado e a carga competitiva. O coeficiente 
de especialização é calculado como:
Volume de exercícios especializados ÷ Volume total × 100%
Cargas não-especializadas são fundamentais nas etapas iniciais, ampliando a base funcional para a preparação 
especializada posterior.
Macrociclo de uma equipe (04 competições no ano)
• volume total de treino = 500h
• Volume de exercícios especializados = 300h
Qual o coeficiente de especialização do treinamento?
Ex.: 300h ÷ 500h = 60%
FASES DE RECUPERAÇÃO E INTERVALOS DE DESCANSO
1) Primeiros minutos pós-exercício. (2-3min): O 2
*Fadiga em progressão rápida 
2) Restauração do equilíbrio iônico e endócrino (horas)
O2 + CPK + reservas glicogênicas + reservas gordura + proteínas
*Permite um volume maior de trabalho
3) Estado relativamente estável do atleta
Pode superar nível inicial de estoque das reservas energéticas
* Recuperação completa ou quase completa → carga repetida
4) Capacidade de trabalho elevada
Grau de superação do nível inicial 
- Reservas intramusculares de glicogênio: 3/4h – 12h
- Supercompensação → 12-48-72h
* Manifestação de capacidade de trabalho elevada
5) Descanso excessivo reduz a capacidade.
* O descanso deve superar a duração de recuperação completa
DESCANSO ATIVO
Demonstrado por Setchenov (1903): a passagem a outro tipo de 
atividade acelera a recuperação. Após cargas anaeróbio-láticas, a 
eliminação de lactato sobe de 0,02–0,03 g/L/min (passivo) para 
0,08–0,09 g/L/min (ativo a 50–60% VO₂ máx.).
DESCANSO PASSIVO
Preferível em exercícios de coordenação complexa e de intensidade 
máxima. Exercícios de relaxamento também aceleram a recuperação 
nesses casos.
RELAÇÃO DOSE-EFEITO
O processo adaptativo é uma função não-linear da carga física → 05 fragmentos:
01. EXPONENCIAL
Ganhos rápidos na fase inicial.
02. LINEAR
Carga pode crescer com segurança.
03. APLAINAMENTO
Aproximação às cargas máximas.
04. PARABÓLICO
Zona de risco de sobretreinamento.
05. QUEDA BRUSCA
Efeito negativo — carga excessiva. Volkov, 1986 
TIPOS DE CARGA PELO EFEITO
 Carga Positiva (Crescente)
Nova influência no organismo, 
estimulando adaptação. É o único tipo de 
interesse para a teoria e metodologia do 
treinamento.
 Carga Neutra (Manutenção)
Nível médio ou baixo — não estimula nova 
adaptação, apenas mantém o estado 
adquirido.
 Carga Negativa 
(Descendente)
Débil: perda de adaptações. Excessiva: 
risco de sobretreinamento e danos ao 
organismo.
90–100%
75–90%
60–75%
45–60%
até 45%
FAIXAS DE CARGA PEDAGÓGICA
SÍNTESE: CARGA E ADAPTAÇÃO
CARGA = ESTÍMULO
Volume + intensidade determinam o 
potencial de treinamento e o efeito 
adaptativo.
ADAPTAÇÃO = OBJETIVO
OBJETIVO
A fase de resistência às cargas 
específicas é o objetivo central do 
processo de treinamento.
CONTROLE = CIÊNCIA
FC, lactato, volume e coeficiente de especialização são ferramentas essenciais 
de monitoramento.
Affonso, 2017
Individualidade 
Biológica
Síndrome Geral 
da Adaptação
Sobrecarga ContinuidadeAdaptação Reversibilidade
Inter. 
volume/intensidade
Especificidade
Variação de estímulos, devemos treinar mais e mais forte?
Princípios do treinamento
Individualidade 
Biológica
Síndrome Geral 
da Adaptação
Sobrecarga ContinuidadeAdaptação Reversibilidade
Inter. 
volume/intensidade
Especificidade
Princípios do treinamento
INTENSIDADE:
%1-RM
%Fcmáx ou VO2máx
Velocidade de execução (VTB)
Alta → > recrutamento neuromuscular
Baixa → > duração e volume
VOLUME:
Séries X repetições X carga (força)
Tempo total (minutos)
Distância percorrida (natação, corrida)
Alto → adaptações metabólicas e estruturais
Baixo → foco em intensidadee qualidade
DENSIDADE:
Intervalo entre as séries
Pausa entre estímulos
Alta (pouco descanso) →maior estresse metabólico
Baixa → > recuperação neuromuscular
FREQUÊNCIA:
Nº de sessões de treino em um período
3x por semana (iniciantes)
2 sessões por dia (alto rendimento)
Alta →maior estímulo acumulado
Baixa →maior recuperação
Individualidade 
Biológica
Síndrome Geral 
da Adaptação
Sobrecarga ContinuidadeAdaptação Reversibilidade
Inter. 
volume/intensidade
Especificidade
Princípios do treinamento
COMPLEXIDADE (ESPECIFICIDADE TÉCNICA):
Nível de dificuldade motora e coordenação
-Exercícios multiarticulares e isolados
-Movimentos esportivos específicos
Alta →maior exigência neural 
Baixa → foco fisiológico isolado
DURAÇÃO:
Tempo total da sessão ou estímulo (30 vs 90min)
Tempo sob tensão (relevante em modalidades 
aeróbias)
TEMPO DE ESTÍMULO:
Define o sistema energético e neuromuscular 
predominante:
- Aeróbio
- Anaeróbio lático e alático
- Força máxima 
- Potência
RECUPERAÇÃO:
Variável essencial da sobrecarga
- Intervalo intra e inter sessões
- Sono
- Nutrição
REFERÊNCIAS
GIANOLLA, Fábio. História da musculação [2000]. Disponível em: https://www.hipertrofia.org/forum/topic/156623-a-
hist%C3%B3ria-e-a-evolu%C3%A7%C3%A3o-da-muscula%C3%A7%C3%A3o/. Acesso em: 05 mar 2020.
GENTIL, P. Bases científicas do treinamento de hipertrofia. 5 ed. Rio de Janeiro: Sprint; 2005.
HAMILL, J; KNUTZEN, K. M. Bases Biomecânicas do Movimento Humano. 3. ed. Barueri, SP: Manole, 2012.
HERNANDES JR, B. D. O. Treinamento desportivo. Rio de Janeiro: Editora SPRINT, 2002
Treinamento desportivo: estruturação e periodização / Antonio Carlos Gomes. – 2.ed. – Dados eletrônicos.
– Porto Alegre : Artmed, 2009.
GUIMARÃES, WM. Musculação: intensidade total. 2. ed. São Paulo, SP: Phorte, 2012.
AFFONSO, H. Treinamento Esportivo: conheça os princípios que contribuem para a geração de resultados
[2017]. Disponível em: http://www.appto.com.br/blog/2017/10/20/treinamento-esportivo-conheca-os-principios-que-
contribuem-para-a-geracao-de-resultados. Acesso em: 05 mar 2020.
CHAGAS, MH; LIMA, FV. Musculação: variáveis estruturais (programas de treinamento muscular). 3. ed. Belo Horizonte, 
MG: Master, 2015.
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