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RESIMED Residência Médica COPIA NÃO É ROUBO RESIMED - RESIDÊNCIA MÉDICA RESIMED@PROTON.ME +56 9 39151558 HTTPS://T.ME/RESIMED CÂNCER DE COLO UTERINO P R O F . M O N A L I S A C A R V A L H O E P R O F . A L E X A N D R E M E L I T T O COPIA NÃO É ROUBO / Resimed - Residência Médica / resimed@proton.me / +56 9 39151558 / https://t.me/resimed RESIMED Residência Médica COPIA NÃO É ROUBO RESIMED - RESIDÊNCIA MÉDICA RESIMED@PROTON.ME +56 9 39151558 HTTPS://T.ME/RESIMED Estratégia MED Prof. Monalisa Carvalho e Prof. Alexandre Melitto | Câncer de Colo Uterino 2GINECOLOGIA PROF. MONALISA CARVALHO E PROF. ALEXANDRE MELITTO APRESENTAÇÃO: O câncer de colo uterino é o quarto mais comum entre as mulheres (6,6% dos casos) e o segundo câncer ginecológico mais comum, ficando atrás, apenas, do câncer de mama. Cerca de 85% dos casos são diagnosticados em países menos desenvolvidos, nos quais são registrados 87% dos óbitos pela doença. No Brasil, de acordo com a estimativa 2023 do INCA, excluindo-se o câncer de pele não melanoma, é o terceiro câncer mais comum na população feminina (atrás do câncer de mama e câncer colorretal), mas nas regiões com menor IDH, o câncer do colo do útero ocupa essa posição. Ainda em relação ao Brasil, em termos de mortalidade, em 2017, ocorreram 6.385 óbitos e a taxa de mortalidade bruta, por câncer do colo do útero, foi de 6,17/100 mil. Apesar da mortalidade e da incidência ainda serem altas no Brasil, na última década, ocorreu uma discreta redução dessas taxas, o que pode ser resultado das políticas públicas de rastreamento e, também, da melhora dos índices de desenvolvimento. COPIA NÃO É ROUBO / Resimed - Residência Médica / resimed@proton.me / +56 9 39151558 / https://t.me/resimed RESIMED Residência Médica COPIA NÃO É ROUBO RESIMED - RESIDÊNCIA MÉDICA RESIMED@PROTON.ME +56 9 39151558 HTTPS://T.ME/RESIMED Estratégia MED Prof. Monalisa Carvalho e Prof. Alexandre Melitto | Câncer de Colo Uterino 3GINECOLOGIA TEMAS EM GINECOLOGIA PLANEJAMENTO FAMILIAR RASTREAMENTO DO CÂNCER DE COLO UTERINO VULVOVAGINITES AMENORREIAS CLIMATÉRIO RASTREAMENTO DO CÂNCER DE MAMA DIP/ CERVICITES SANGRAMENTO UTERINO ANORMAL SÍNDROME DOS OVÁRIOS POLICÍSTICOS ENDOMETRIOSE TUMORES ANEXIAIS E CÂNCER DE OVÁRIO CÂNCER DE MAMA MIOMATOSE CÂNCER DE ENDOMÉTRIO/ HIPERPLASIA ENDOMETRIAL INCONTINÊNCIA URINÁRIA INFERTILIDADE DOENÇAS BENIGNAS DAS MAMAS ÚLCERAS GENITAIS CICLO MENSTRUAL CÂNCER DE COLO UTERINO PROLAPSOS DE ÓRGÃOS PÉLVICOS ATENDIMENTO À VITÍMA DE VIOLÊNCIA SEXUAL DOENÇAS DA VULVA E DA VAGINA SÍNDROME PRÉ - MENSTRUAL ABDOME AGUDO EM GINECOLOGIA ANATOMIA DO TRATO GENITAL FEMININO EMBRIOLOGIA DO TRATO GENITAL FEMININO ADENOMIOSE PÓLIPOS UTERINOS DISMENORREIA SEXUALIDADE DOR PÉLVICA CRÔNICA FISTULAS GENITO - URINÁRIAS SÍNDROME DA BEXIGA DOLOROSA 0,00% 1,00% 2,00% 3,00% 4,00% 5,00% 6,00% 7,00% 8,00% 9,00% 10,00% Por meio de uma análise ampla, com avaliação e resolução de mais de 5 mil questões de Ginecologia, observamos que o tema “Câncer de colo uterino” representou, aproximadamente, 3% das questões avaliadas. Apesar de ser bem menos comum que as questões referentes ao rastreamento desse câncer, os dois assuntos caminham juntos, por isso, é muito importante saber seus detalhes. Veja a seguir um gráfico com os temas mais frequentes nas provas de Ginecologia. COPIA NÃO É ROUBO / Resimed - Residência Médica / resimed@proton.me / +56 9 39151558 / https://t.me/resimed RESIMED Residência Médica COPIA NÃO É ROUBO RESIMED - RESIDÊNCIA MÉDICA RESIMED@PROTON.ME +56 9 39151558 HTTPS://T.ME/RESIMED Estratégia MED Prof. Monalisa Carvalho e Prof. Alexandre Melitto | Câncer de Colo Uterino 4GINECOLOGIA O gráfico abaixo mostra a frequência de questões de cada tópico dentro do tema câncer de colo uterino: Ao final deste livro digital, você conhecerá todos os fatores de risco para o câncer de colo uterino, seu estadiamento e tratamento. 6 18 18 19 22 56 10 17 3 Fatores prognós�cos Complicações Disseminação Quadro clínico Epidemiologia CÂNCER DE COLO - TÓPICOS Histologia Fatores de risco Tratamento Diagnós�co Carcinogênese Estadiamento 1 58 @estrategiamed /estrategiamed Estratégia MED t.me/estrategiamed @estrategiamed COPIA NÃO É ROUBO / Resimed - Residência Médica / resimed@proton.me / +56 9 39151558 / https://t.me/resimed https://www.instagram.com/estrategiamed/ https://www.facebook.com/estrategiamed1 https://www.youtube.com/channel/UCyNuIBnEwzsgA05XK1P6Dmw https://t.me/estrategiamed https://t.me/estrategiamed https://www.tiktok.com/@estrategiamed RESIMED Residência Médica COPIA NÃO É ROUBO RESIMED - RESIDÊNCIA MÉDICA RESIMED@PROTON.ME +56 9 39151558 HTTPS://T.ME/RESIMED Estratégia MED Prof. Monalisa Carvalho e Prof. Alexandre Melitto | Curso Extensivo | 2024 GINECOLOGIA 5 Câncer de Colo Uterino SUMÁRIO 1.0 EPIDEMIOLOGIA E FATORES DE RISCO 7 1.1. DISTRIBUIÇÃO RACIAL 7 1.2. IDADE 7 1.3. FATORES DE RISCO 7 1.3.1 INFECÇÃO PELO HPV 8 1.3.2 INÍCIO PRECOCE DA ATIVIDADE SEXUAL 9 1.3.3 MÚLTIPLOS PARCEIROS SEXUAIS 9 1.3.4 INFECÇÕES SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS 9 1.3.5 MULTIPARIDADE 9 1.3.6 HISTÓRIA DE DOENÇA HPV-INDUZIDA EM VAGINA E VULVA 9 1.3.7 IMUNOSSUPRESSÃO 9 1.3.8 TABAGISMO 10 1.3.9 USO DE CONTRACEPTIVOS ORAIS 10 1.3.10 BAIXO NÍVEL SOCIOECONÔMICO 10 2.0 HISTOPATOLOGIA 11 3.0 DIAGNÓSTICO 13 3.1. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS 13 3.2. EXAME FÍSICO 13 3.3. RASTREAMENTO 16 3.4. EXAMES COMPLEMENTARES 17 4.0 PADRÕES DE DISSEMINAÇÃO 17 5.0 ESTADIAMENTO 18 5.1. ESTADIAMENTO POR IMAGEM 21 COPIA NÃO É ROUBO / Resimed - Residência Médica / resimed@proton.me / +56 9 39151558 / https://t.me/resimed RESIMED Residência Médica COPIA NÃO É ROUBO RESIMED - RESIDÊNCIA MÉDICA RESIMED@PROTON.ME +56 9 39151558 HTTPS://T.ME/RESIMED Estratégia MED Prof. Monalisa Carvalho e Prof. Alexandre Melitto | Curso Extensivo | 2024 6 Câncer de Colo UterinoGINECOLOGIA 6.0 FATORES PROGNÓSTICOS 25 7.0 TRATAMENTO 25 7.1. TRATAMENTO CIRÚRGICO 25 7.1.1 CONIZAÇÃO 26 7.1.2 TRAQUELECTOMIA 26 7.1.3 HISTERECTOMIA 27 7.1.4 EXENTERAÇÃO PÉLVICA 28 7.2. RADIOTERAPIA 28 7.2.1 RADIOTERAPIA PRIMÁRIA 30 7.2.2 RADIOTERAPIA ADJUVANTE 30 7.2.3 BRAQUITERAPIA 31 7.3. QUIMIOTERAPIA 33 7.4. RESUMO DO TRATAMENTO PARA CÂNCER DE COLO UTERINO 34 8.0 SEGUIMENTO PÓS-TRATAMENTO 39 9.0 CÂNCER DE COLO UTERINO NA GESTAÇÃO 39 10.0 LISTA DE QUESTÕES 42 11.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 43 12.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS 43 COPIA NÃO É ROUBO / Resimed - Residência Médica / resimed@proton.me / +56 9 39151558 / https://t.me/resimed RESIMED Residência Médica COPIA NÃO É ROUBO RESIMED - RESIDÊNCIA MÉDICA RESIMED@PROTON.ME +56 9 39151558 HTTPS://T.ME/RESIMED Estratégia MED Prof. Monalisa Carvalho e Prof. Alexandre Melitto | Curso Extensivo | 2024 GINECOLOGIA 7 Câncer de Colo Uterino 1.0 EPIDEMIOLOGIA E FATORES DE RISCO O câncer invasor do colo uterino é considerado um câncer evitável, porque o estágio pré-invasor é longo, existem programas de rastreamento por exame citológico e o tratamento das lesões pré-invasoras é eficaz. A incidência mundial de doença invasora está diminuindo e o câncer de colo do útero vem sendo diagnosticado mais cedo, levando a maiores taxas de sobrevida. 1.1. DISTRIBUIÇÃO RACIAL As estimativas de câncer de colo uterino são mais altas para certos grupos raciais: brancos não hispânicos (incidência e mortalidade por 100 mil habitantes: 7,1 e 2,1, respectivamente); negros não hispânicos (9,1 e 3,6, respectivamente); hispânicos/latinos (9,6 e 2,6, respectivamente); ilhas da Ásia/Pacífico (6,0 e 1,7, respectivamente) e índio americano/nativo do Alasca (8,7 e 2,5, respectivamente). 1.2. IDADE A idade média no diagnóstico de câncer de colo uterino é de 50 anos. Apenas 2,7% dos casos são diagnosticados em mulheres com 85 anos ou mais. 1.3. FATORES DE RISCO A tabela a seguir traz os principais fatores de risco para essa doença. FATORES DE RISCO PARA CÂNCERCONDUTA Ca in situ Conização (diagnóstica e terapêutica) Se ADENOCARCINOMA in situ - histerectomia simples IA- Tumor restrito ao colo IA1- invasão 4 cm restrito ao colo do útero e neste estadiamento o tratamento indicado é a radio/ quimioterapia. CAI NA PROVA (UFRJ 2024) Em pacientes com câncer de colo de útero em idade reprodutiva que desejam ter filhos, a traquelectomia radical é uma opção. Pode-se afirmar que é critério para ser candidata a essa opção terapêutica o estádio clínico: A) IA 1 B) IB 2 C) IIA 1 D) II B COMENTÁRIOS: Correta a alternativa A. Esta foi a alternativa considerada como correta pela banca, mas é "questionável". A traquelectomia é uma opção de tratamento para esse estádio, mas a conização pode ser considerada um tratamento "suficiente" e menos agressivo neste estadiamento. Sendo assim, essa questão seria passível de recurso. A traquelectomia é indicada para o tratamento do câncer de colo no estádio IA2 e IB1, nas mulheres sem prole definida. Incorreta a alternativa B, porque o tratamento indicado para o câncer de colo estádio IB2 é a histerectomia Piver III (cirurgia de Wertheim Meigs) + linfadenectomia. Incorreta a alternativa C, porque o tratamento indicado para o câncer de colo estádio IIA1 é a histerectomia Piver III (cirurgia de Wertheim Meigs) + linfadenectomia. Incorreta a alternativa D, porque o tratamento indicado para o câncer de colo estádio IIB é a quimiorradiação. COPIA NÃO É ROUBO / Resimed - Residência Médica / resimed@proton.me / +56 9 39151558 / https://t.me/resimed RESIMED Residência Médica COPIA NÃO É ROUBO RESIMED - RESIDÊNCIA MÉDICA RESIMED@PROTON.ME +56 9 39151558 HTTPS://T.ME/RESIMED Estratégia MED Prof. Monalisa Carvalho e Prof. Alexandre Melitto | Curso Extensivo | 2024 36 Câncer de Colo UterinoGINECOLOGIA Incorreta a alternativa B, porque o estadiamento correto é Ib3. Incorreta a alternativa C, porque no estádio IIa1 o tumor é menor que 4 cm. Incorreta a alternativa D, porque no estadiamento IIIA o tumor está comprometendo o 1/3 inferior da vagina. Incorreta a alternativa E, porque no estadiamento Ia2 o tumor tem entre 2 e 4 cm e está restrito ao colo. (UNIFESP 2023) Mulher, 47 anos de idade, deu entrada no PS com crise hipertensiva. Exames complementares revelaram ureia 60mg/dL e creatinina de 7 mg/dL, US de vias urinárias com dilatação ureteral bilateral acentuada. Refere diagnóstico recente de carcinoma epidermóide de colo de útero, ainda sem tratamento. A conduta mais adequada do ponto de vista oncológico é: A) radioterapia associada a quimioterapia sensibilizadora. B) cirurgia de Werthein Meigs. C) traquelectomia radical e parametrectomia. D) imunoterapia com pembrolizumabe (anti PD-L1). COMENTÁRIOS: Correta a alternativa A: o tratamento indicado para o câncer de colo estádio IIIB é a quimiorradiação. Incorreta a alternativa B, porque a cirurgia de Wertheim Meigs é indicada para os casos de câncer de colo no estádio Ib1, Ib2 e IIa1. Incorreta a alternativa C, porque este é o tratamento indicado para o câncer de colo no estádio Ia2 ou Ib1 em mulheres sem prole definida. Incorreta a alternativa D, porque o tratamento com pembrolizumabe é indicado para os casos de câncer de colo metastático (estádio IV) ou recidivados. (SES PE 2022) Mulher de 30 anos, G4P4, todos os partos vaginais. Procurou o ambulatório de ginecologia com queixa de sangramento durante o ato sexual e secreção vaginal com odor desagradável. O quadro teve início há quatro meses. Durante o exame, foi encontrado um tumor restrito ao colo uterino, com 3,0 cm no maior diâmetro, sem comprometimento parametrial. Exames laboratoriais normais. A propedêutica de imagem revelou tumoração restrita à região cervical sem demais alterações. De acordo com o quadro acima, assinale a alternativa correspondente ao estadiamento e à conduta mais adequada. A) Ia1/conização B) Ib1/traquelectomia C) Ib2/Wertheim-Meigs D) Ib3/radioterapia E) Ia2/CAF COMENTÁRIOS: Estrategista, esta é uma questão sobre o estadiamento do câncer de colo de útero e seu tratamento. Neste caso temos um tumor restrito ao colo uterino, com 3,0 cm no maior diâmetro, sem comprometimento parametrial. Ou seja, estádio IB2, estando indicada a histerectomia Piver III (cirurgia de Wertheim Meigs). Vamos analisar as alternativas: COPIA NÃO É ROUBO / Resimed - Residência Médica / resimed@proton.me / +56 9 39151558 / https://t.me/resimed RESIMED Residência Médica COPIA NÃO É ROUBO RESIMED - RESIDÊNCIA MÉDICA RESIMED@PROTON.ME +56 9 39151558 HTTPS://T.ME/RESIMED Estratégia MED Prof. Monalisa Carvalho e Prof. Alexandre Melitto | Curso Extensivo | 2024 GINECOLOGIA 37 Câncer de Colo Uterino (UNIVERSIDADE ESTADUAL DO PIAUI- UESPI 2018) Paciente de 41 anos, G3 P3 (N) A0, casada, do lar, realizou citologia oncótica de rastreamento, cujo resultado foi lesão de alto grau. A colposcopia mostrou extensa área aceto-reativa, cuja biópsia revelou tratar-se de carcinoma epidermoide invasor, grau 2 de colo uterino. Ao exame físico, útero em AVF, intrapélvico, móvel e indolor, paramétrios livres. Exame especular: colo do útero com área de mácula rubra localizada. Descreva qual a melhor conduta terapêutica e em que a mesmaconsiste.A paciente deverá ser submetida a conização para confirmação diagnóstica, e sendo as margens livres, a paciente pode ser considerada tratada. A) A paciente deverá ser submetida a cirurgia de Werteim-Meigs, seguida de Radioterapia + quimioterapia adjuvante, sendo o prognóstico considerdo bom. B) A paciente deverá ser submetida a Histerectomia total simples com salpingectomia bilateral, uma vez que se trata de lesão em estádio inicial. C) A paciente deverá ser submetida a Radioterapia + quimioterapia, uma vez que se trata de lesão epidermoide, com excelente resposta à radioterapia. D) A paciente deverá ser submetida a Histerectomia Total ampliada, sem a necessidade de tratamento complementar. Correta a alternativa C: trata-se de tumor de 3 cm, restrito ao colo do útero, estádio IB2, estando indicada a histerectomia Piver III. Incorreta a alternativa D, porque o estádio Ib3 se refere a um tumor de 4 cm ou maior. Incorreta a alternativa E, porque o câncer de colo estádio IA2 é um tumor com invasão menor que 5 mm. COMENTÁRIO: A banca deu, como gabarito, a alternativa C, porém consideramos que essa questão não tem nenhuma alternativa correta. Trata-se de uma paciente de 41 anos, com prole definida e alteração na citologia oncótica (lesão intraepitelial de alto grau). A conduta de encaminhamento para colposcopia foi correta e, ao exame, foi observado achado anormal (a questão não especifica se é um achado anormal menor, maior ou sugestivo de invasão). Foi realizada biópsia, cujo resultado foi carcinoma epidermoide invasor moderadamente diferenciado. Ao exame especular, apenas achados normais (ectopia), ou seja, nenhuma lesão de colo visível para a realização de estadiamento clínico. Dessa forma, a conduta adequada, nesse caso, seria a conização do colo uterino para avaliação de profundidade de invasão e avaliação de acometimento de espaço angiolinfático. A partir daí, seria realizado o estadiamento e adequada conduta. A única alternativa que menciona conização como uma possibilidade de tratamento é a letra A, porém, mesmo com o produto de conização com margens livres, em pacientes com prole definida, a melhor conduta é a realização de histerectomia. (HOSPITAL MILITAR DE ÁREA DE SÃO PAULO- HMASP 2019) Paciente com tumor de colo uterino, estadiado em IA2, qual o tratamento mais indicado? A) Radioterapia exclusiva. B) Histerectomia radical e linfadenectomia pélvica. C) Quimioterapia exclusiva. D) Traquelectomia. E) Associação de quimioterapia e radioterapia Incorreta a alternativa A, porque trata-se de câncer de colo estádio IB2. Incorreta a alternativa B, porque trata-se de um tumor de 3 cm, restrito ao colo uterino, estádio IB2. COPIA NÃO É ROUBO / Resimed - Residência Médica / resimed@proton.me / +56 9 39151558 / https://t.me/resimed RESIMED Residência Médica COPIA NÃO É ROUBO RESIMED - RESIDÊNCIA MÉDICA RESIMED@PROTON.ME +56 9 39151558 HTTPS://T.ME/RESIMED Estratégia MED Prof. Monalisa Carvalho e Prof. Alexandre Melitto | Curso Extensivo | 2024 38 Câncer de Colo UterinoGINECOLOGIA COMENTÁRIO: Estadiamento IA2 significa que o carcinoma tem profundidade máxima de invasão (≥3 mm e(INCA 2019) Comparece para atendimento paciente de 26 anos, primigesta, com diagnóstico de carcinoma in situ do colo uterino confirmado por biópsia. A idade gestacional é de 30 semanas. Assinale a alternativa que apresenta a conduta CORRETA a ser adotada: A) Cirurgia de Alta Frequência (CAF). B) Conização cirúrgica. C) Acompanhamento durante a gravidez com reavaliação e tratamento pós parto. D) Interrupção da gestação para tratamento correto. CAI NA PROVA COMENTÁRIO: Incorreta a alternativa A - como vimos, se não há invasão estromal (lesões precursoras), não há indicação de procedimento excisional, pois aumenta a morbidade da gestação (risco de parto prematuro, sangramento, infecção, amniorrexe etc.). Incorreta a alternativa B - devido ao risco de sangramento, aborto espontâneo, parto prematuro e ruptura de membranas, a conização, na gravidez, só deve ser realizada se a confirmação de doença invasiva alterar o tempo ou o modo de parto. Correta a alternativa C - Incorreta a alternativa D - caso a paciente tivesse câncer invasor de colo uterino com estádio 1b2 ou superior, estaria indicada a quimioterapia neoadjuvante e a interrupção da gravidez deveria ser indicada, a depender do protocolo, com 34 ou 37 semanas. O estadiamento do câncer de colo na gestação segue o proposto pela FIGO (2018) e os exames complementares que devem ser solicitados são: • Radiografia de tórax com proteção abdominal: deve ser solicitada para avaliar metástases pulmonares em pacientes com câncer microscópico; • Avaliação do trato urinário por ultrassonografia ou ressonância magnética: deve ser solicitada para todas as pacientes a partir do estádio IB1; • Cistoscopia e retosigmoidoscopia: raramente são indicados, porém, quando necessários, são seguros na gestação. O fluxograma a seguir resume a conduta frente ao câncer de colo uterino em pacientes que desejam manter a gestação: como vimos, devido às mínimas chances de progressão para câncer de colo uterino, na ausência de invasão, nenhuma conduta deve ser tomada, apenas reavaliação da paciente no pós-parto. COPIA NÃO É ROUBO / Resimed - Residência Médica / resimed@proton.me / +56 9 39151558 / https://t.me/resimed RESIMED Residência Médica COPIA NÃO É ROUBO RESIMED - RESIDÊNCIA MÉDICA RESIMED@PROTON.ME +56 9 39151558 HTTPS://T.ME/RESIMED Estratégia MED Prof. Monalisa Carvalho e Prof. Alexandre Melitto | Curso Extensivo | 2024 GINECOLOGIA 41 Câncer de Colo Uterino IA1 / IA2 Adiar tratamento até o pós-parto Conização Linfadenectomia Quimioterapia neoadjuvante Quimioterapia neoadjuvante Conização ou traquelectomia Aguardar parto ou quimioterapia neoadjuvante IB1 ou superior IB3 ou superior IA1 / IA2 ( - ) ( + ) IB1 / IB2 CÂNCER DE COLO NA GRAVIDEZ > 20 semanas . Acesso em: 20 abr. 2020. 3. FRUMOVITZ, M. Invasive cervical cancer: Staging and evaluation of lymph nodes. Uptodate.com. Disponível em: . Acesso em: 20 abr. 2020. 4. KARAM, A. Cervical cancer in pregnancy. Uptodate.com. Disponível em: . Acesso em: 20 abr. 2020. 5. PLANTE, M. Fertility-sparing surgery for cervical cancer. Uptodate.com. Disponível em: . Acesso em: 20 abr. 2020. 6. STRAUGHN JR., J.M.; YASHAR, C. Management of early-stage cervical cancer. Uptodate.com. Disponível em: . Acesso em: 20 abr. 2020. 7. STRAUGHN JR., J.M.; YASHAR, C. Management of locally advanced cervical cancer. Uptodate.com. Disponível em: .Acesso em: 20 abr. 2020. 8. STRAUGHN JR., J.M. Invasive cervical cancer: Patterns of recurrence and post-treatment surveillance. Uptodate.com. Disponível em: . Acesso em: 20 abr. 2020. 9. Tratado de Ginecologia Febrasgo. 1. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2020. 12.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS É muito comum que, ao final dos temas sobre oncologia ginecológica, você se sinta inseguro pelo excesso de estadiamentos e condutas, mas fique tranquilo! Tente entender o assunto em um primeiro momento e, quando chegar perto das provas, foque em ficar com o estadiamento e as condutas na “ponta da língua”. E, lembre-se: estamos aqui por você. Caso surja qualquer dúvida, não hesite em entrar no Fórum de Dúvidas e enviar sua questão. Responderemos o mais breve possível. Espero por você nas videoaulas e no próximo livro digital. Abraços, Profa Monalisa Carvalho e Prof. Alexandre Melitto COPIA NÃO É ROUBO / Resimed - Residência Médica / resimed@proton.me / +56 9 39151558 / https://t.me/resimed RESIMED Residência Médica COPIA NÃO É ROUBO RESIMED - RESIDÊNCIA MÉDICA RESIMED@PROTON.ME +56 9 39151558 HTTPS://T.ME/RESIMED Estratégia MED Prof. Monalisa Carvalho e Prof. Alexandre Melitto | Curso Extensivo | 2024 GINECOLOGIA 44 Câncer de Colo Uterino COPIA NÃO É ROUBO / Resimed - Residência Médica / resimed@proton.me / +56 9 39151558 / https://t.me/resimed http://med.estrategia.comDE COLO UTERINO Infecção pelo HPV Tabagismo Início precoce da atividade sexual Múltiplos parceiros sexuais História de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) Imunossupressão Multiparidade História de neoplasia intraepitelial ou câncer vaginal ou vulvar Baixo nível socioeconômico Uso de contraceptivos orais Raça negra CAPÍTULO COPIA NÃO É ROUBO / Resimed - Residência Médica / resimed@proton.me / +56 9 39151558 / https://t.me/resimed RESIMED Residência Médica COPIA NÃO É ROUBO RESIMED - RESIDÊNCIA MÉDICA RESIMED@PROTON.ME +56 9 39151558 HTTPS://T.ME/RESIMED Estratégia MED Prof. Monalisa Carvalho e Prof. Alexandre Melitto | Curso Extensivo | 2024 8 Câncer de Colo UterinoGINECOLOGIA 1.3.1 INFECÇÃO PELO HPV Como já discutimos no livro digital sobre “Rastreamento de câncer de colo uterino”, a infecção persistente pelo HPV de alto risco oncogênico é o principal fator de risco para o câncer de colo do útero. O HPV é responsável por 99,7% dos casos dessa doença e é por essa razão que o câncer de colo uterino é evitável. Vamos relembrar os níveis de prevenção e as estratégias de cada nível para o câncer de colo uterino, já que é um assunto muito cobrado, tanto nas questões de Ginecologia quanto nas de Preventiva: • Prevenção primária: ações voltadas para impedir o desenvolvimento das doenças/promoção de saúde. As ações de prevenção primária, nesse contexto, visam impedir a aquisição desse vírus: » Vacinação em crianças e adolescentes sem vida sexual ativa; » Medidas educativas para promoção de sexo seguro. • Prevenção secundária: estratégias para detecção precoce das doenças. Nesse contexto, temos que buscar as lesões precursoras do câncer, por meio do programa de rastreamento. • Prevenção terciária: tratamento da doença já instalada. No livro digital sobre rastreamento, tratamos das prevenções primária e secundária. Neste livro, trataremos da prevenção terciária. CAI NA PROVA (HOSPITAL INFANTIL SABARÁ - HIS 2020) O secretário municipal de saúde de uma pequena cidade do interior decidiu investir mais recursos na prevenção primária do câncer de colo do útero. Qual das alternativas a seguir pode ser classificada como estratégia de prevenção primária desta doença? A) Implantação de serviço de cirurgia oncológica no município. B) Vacinação de adolescentes sem vida sexual ativa. C) Aumento do número de exames de colposcopia para cada mulher. D) Rastreamento por meio do exame de Papanicolau a cada 6 meses. E) Implantação de serviço de radioterapia e quimioterapia. COMENTÁRIO: Conforme discutimos anteriormente, para o câncer de colo uterino, quais seriam as medidas dos três níveis de prevenção? Prevenção primária - vacinação em crianças e adolescentes sem vida sexual ativa e medidas educativas para promoção de sexo seguro; Prevenção secundária - buscar lesões precursoras de câncer de colo uterino; Prevenção terciária - tratamento da doença já instalada. Sendo assim, vamos analisar as alternativas: Incorreta a alternativa A - é medida de prevenção terciária. Correta a alternativa B - como foi exposto, ao produzir imunidade contra o vírus, a vacinação é medida de prevenção primária. Incorreta a alternativa C - é medida de prevenção secundária. Incorreta a alternativa D - é medida de prevenção secundária. Incorreta a alternativa E - é medida de prevenção terciária. COPIA NÃO É ROUBO / Resimed - Residência Médica / resimed@proton.me / +56 9 39151558 / https://t.me/resimed RESIMED Residência Médica COPIA NÃO É ROUBO RESIMED - RESIDÊNCIA MÉDICA RESIMED@PROTON.ME +56 9 39151558 HTTPS://T.ME/RESIMED Estratégia MED Prof. Monalisa Carvalho e Prof. Alexandre Melitto | Curso Extensivo | 2024 GINECOLOGIA 9 Câncer de Colo Uterino 1.3.2 INÍCIO PRECOCE DA ATIVIDADE SEXUAL O risco de desenvolver o câncer de colo do útero é, aproximadamente, 1,5 vez maior em pacientes cuja primeira relação sexual ocorre entre 18 a 20 anos e duas vezes maior, em menores de 18 anos, quando comparado com a idade de 21 anos ou mais, na primeira relação sexual. 1.3.3 MÚLTIPLOS PARCEIROS SEXUAIS Comparado a pacientes com parceiro único, o risco é duas vezes maior, em pacientes com dois parceiros, e três vezes maior, em pacientes com seis ou mais parceiros. 1.3.4 INFECÇÕES SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS O herpes vírus e a Chlamydia trachomatis atuam como cofatores para a infecção pelo HPV. A clamídia, devido ao seu processo inflamatório crônico, é capaz de interferir na resposta imune contra o HPV, levando a uma maior persistência da infecção. 1.3.5 MULTIPARIDADE Esse fator de risco é explicado pela exposição ao HPV, por meio das relações sexuais. 1.3.6 HISTÓRIA DE DOENÇA HPV-INDUZIDA EM VAGINA E VULVA A infecção pelo HPV é multifocal e multicêntrica, sendo responsável por 70% dos casos de câncer de vagina e 43% dos casos de câncer de vulva. Sendo assim, infecções nesses locais aumentam o risco de doença HPV-induzida no colo uterino. 1.3.7 IMUNOSSUPRESSÃO Em mulheres com imunossupressão congênita ou adquirida, é alta a prevalência de infecção por HPV e existe maior taxa de persistência do vírus, de forma que a prevalência de lesões precursoras e de câncer, nesse grupo de pacientes, é maior. Em mulheres portadoras de HIV/AIDS, a progressão da doença HPV-induzida é facilitada por ação da infecção pelo HIV, que age na depleção das células de Langerhans, diminuindo a reposta imune local. A terapia antirretroviral mudou o curso de muitas doenças relacionadas ao HIV, porém não surte efeito na história natural da infecção HPV-induzida. COPIA NÃO É ROUBO / Resimed - Residência Médica / resimed@proton.me / +56 9 39151558 / https://t.me/resimed RESIMED Residência Médica COPIA NÃO É ROUBO RESIMED - RESIDÊNCIA MÉDICA RESIMED@PROTON.ME +56 9 39151558 HTTPS://T.ME/RESIMED Estratégia MED Prof. Monalisa Carvalho e Prof. Alexandre Melitto | Curso Extensivo | 2024 10 Câncer de Colo UterinoGINECOLOGIA 1.3.8 TABAGISMO A fumaça do tabaco contém hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, que são carcinógenos. No muco cervical das fumantes, a quantidade dessas substâncias carcinogênicas é três vezes maior que nas não fumantes. Além disso, existe redução do número de células de Langerhans na mucosa cervical das fumantes, o que reduz a resposta celular contra o HPV. O tabagismo está associado a um risco aumentado de carcinoma espinocelular do colo do útero, mas não de adenocarcinoma. 1.3.9 USO DE CONTRACEPTIVOS ORAIS Alguns pesquisadores propuseram aumento de risco de anormalidades glandulares cervicais em pacientes usuárias de contraceptivos orais. Entretanto, essa hipótese nem sempre é confirmada nos estudos. 1.3.10 BAIXO NÍVEL SOCIOECONÔMICO Esse fator de risco ocorre, provavelmente, porque mulheres de baixa renda têm acesso limitado aos cuidados de saúde e programas de rastreio. CAI NA PROVA (HOS 2024) O câncer de colo uterino ocupa o sétimo lugar no ranking mundial, sendo o quarto tipo mais comum na população feminina. Assinale a alternativa que apresenta fator(es) de risco para o câncer de colo uterino. A) Uso de tamoxifeno. B) Menarca precoce. C) Menopausa tardia. D) Mutação do BRCA 1 e 2. E) HPV e tabagismo. COMENTÁRIOS: Incorreta a alternativa A, porque o tamoxifeno é um agonista parcial do estrogênio e é um fator de risco para o desenvolvimento do câncer de endométrio, e não do câncer de colo uterino. Incorreta a alternativa B, porque a menarca precoce não é um fator de risco para o desenvolvimento do câncer de colo uterino. Incorreta a alternativa C, porque a menopausa tardia não é um fator de risco para o desenvolvimento do câncer de colo uterino. Incorreta a alternativa D, porque a mutação do BRCA 1 e 2 são fatores de risco para o desenvolvimento dos cânceres de mama e ovário principalmente, entre outros tipos de câncer, mas não o câncer de colo. Correta a alternativa E: a infecção persistente pelo HPV e o tabagismo são fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de colo uterino. COPIA NÃO É ROUBO / Resimed - ResidênciaMédica / resimed@proton.me / +56 9 39151558 / https://t.me/resimed RESIMED Residência Médica COPIA NÃO É ROUBO RESIMED - RESIDÊNCIA MÉDICA RESIMED@PROTON.ME +56 9 39151558 HTTPS://T.ME/RESIMED Estratégia MED Prof. Monalisa Carvalho e Prof. Alexandre Melitto | Curso Extensivo | 2024 GINECOLOGIA 11 Câncer de Colo Uterino 2.0 HISTOPATOLOGIA CAPÍTULO Os tipos histológicos de câncer de colo uterino estão listados na tabela a seguir. TIPOS HISTOLÓGICOS DO CÂNCER DE COLO UTERINO TIPO HISTOLÓGICO VARIANTES CARCINOMA ESPINOCELULAR (EPIDERMÓIDE) Carcinoma espinocelular de grandes células queratinizantes Carcinoma espinocelular de grandes células não queratinizantes Carcinoma verrucoso Carcinoma papilar Carcinoma basalóide Carcinoma de células escamosas e de transição papilar Carcinoma semelhante ao linfoepitelioma ADENOCARCINOMA Padrão comum/usual Mucinoso, tipo intestinal, variante em anel de sinete Mucinoso, adenoma maligno Adenocarcinoma mucinoso e viloglandular (bem diferenciado) Tipo endometrióide Tipo células claras Tipo seroso papilar Tipo mesonéfrico CARCINOMA ADENOESCAMOSO - CARCINOMA ADENOIDE CÍSTICO - NEUROENDÓCRINO - CARCINOMA INDIFERENCIADO - TUMORES EPITELIAIS E MESENQUIMAIS MISTOS - COPIA NÃO É ROUBO / Resimed - Residência Médica / resimed@proton.me / +56 9 39151558 / https://t.me/resimed RESIMED Residência Médica COPIA NÃO É ROUBO RESIMED - RESIDÊNCIA MÉDICA RESIMED@PROTON.ME +56 9 39151558 HTTPS://T.ME/RESIMED Estratégia MED Prof. Monalisa Carvalho e Prof. Alexandre Melitto | Curso Extensivo | 2024 GINECOLOGIA 12 Câncer de Colo Uterino A maioria dos cânceres de colo uterino são do tipo epidermóide/espinocelular, representando 70-75% dos casos (lembre-se desse detalhe!). Os adenocarcinomas, incluindo o carcinoma adenoescamoso, representam 25% dos casos. Nas últimas décadas, a incidência de adenocarcinoma cervical invasivo e suas variantes aumentou, dramaticamente, especialmente em mulheres mais jovens, muito provavelmente, devido à melhora do diagnóstico. O tipo de HPV mais encontrado no carcinoma espinocelular é o 16 (55,2% dos casos); nos adenocarcinomas, o tipo mais encontrado é o 18 (37,7% dos casos). O grau de diferenciação dos tumores também deve ser avaliado conforme a classificação a seguir: • GX: o grau histológico não pode ser avaliado; • G1: bem diferenciado; • G2: moderadamente diferenciado; • G3: indiferenciado. CAI NA PROVA (UFSC 2022) Qual o tipo histológico mais comum no câncer do colo do útero? A) Tumores adenoescamosos B) Carcinoma de células escamosas C) Carcinoma basocelular D) Rabdomiossarcoma E) Adenocarcinoma COMENTÁRIOS: Incorreta a alternativa A, porque o tumor adenoescamoso é o terceiro tipo histológico mais frequente de câncer de colo uterino. Correta a alternativa B: o tipo histológico mais frequente de câncer de colo uterino é o carcinoma escamoso. Incorreta a alternativa C, porque o carcinoma basocelular não é um tipo histológico de câncer de colo uterino. Incorreta a alternativa D, porque o rabdomiossarcoma não é um dos tipos mais frequentes de carcinoma de colo uterino. Incorreta a alternativa E, porque o adenocarcinoma é o segundo tipo histológico mais frequente de câncer de colo uterino. (SCMBH 2022) O câncer de colo uterino e as suas lesões precursoras ainda são incidentes no nosso meio, e são objeto de várias campanhas governamentais dirigidas à saúde da mulher. Sobre essa patologia, assinale a alternativa correta. A) O HPV 16 é o mais encontrado nas neoplasias intraepiteliais (NIC) 2 e 3 e em quase metade das mulheres com câncer de colo. B) Mesmo nos tumores evidentes clinicamente, a colposcopia do colo uterino está indicada para melhorar a acurácia diagnóstica. C) O tratamento cirúrgico radical pode ser indicado até estádios IB. D) O adenocarcinoma tem diminuído sua proporção em relação ao carcinoma de células escamosas, e seu pico de incidência é na quinta década de vida. COPIA NÃO É ROUBO / Resimed - Residência Médica / resimed@proton.me / +56 9 39151558 / https://t.me/resimed RESIMED Residência Médica COPIA NÃO É ROUBO RESIMED - RESIDÊNCIA MÉDICA RESIMED@PROTON.ME +56 9 39151558 HTTPS://T.ME/RESIMED Estratégia MED Prof. Monalisa Carvalho e Prof. Alexandre Melitto | Curso Extensivo | 2024 13 Câncer de Colo UterinoGINECOLOGIA 3.0 DIAGNÓSTICO CAPÍTULO O diagnóstico de câncer de colo do útero é baseado na anamnese, exame físico e anatomopatológico. 3.1. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS O câncer de colo uterino invasor, em fases iniciais, bem como suas lesões precursoras, é assintomático, por isso, a importância do rastreamento. Em mulheres assintomáticas, essa neoplasia pode ser descoberta por meio do rastreio ou por lesão visível, durante o exame pélvico. Em mulheres sintomáticas, as manifestações mais comuns são: • Sangramento irregular; • Corrimento vaginal mucóide ou com odor (achado inespecífico); • Sinusorragia (sangramento pós-coito). Aproximadamente, 45% das pacientes têm doença localizada, no momento do diagnóstico; 36% têm doença com envolvimento regional e 15% têm metástases à distância. Doença avançada pode apresentar-se com: • Dor pélvica, com irradiação para extremidades; • Sintomas urinários e intestinais devido à invasão ou compressão tumoral. 3.2. EXAME FÍSICO Um exame pélvico deve ser realizado em qualquer mulher com sintomas sugestivos de câncer de colo do útero. A visualização do colo uterino, durante o exame especular, pode revelar uma aparência normal ou uma lesão cervical visível. Qualquer lesão visível suspeita deve ser biopsiada, independentemente dos resultados citológicos benignos anteriores. COMENTÁRIOS: Correta a alternativa A: existem mais de 100 tipos de Papilomavírus humano descritos na literatura, sendo que 40 infectam o trato anogenital. Esses tipos podem ser divididos em baixo risco oncogênico (responsáveis pelos condilomas) e alto risco oncogênico (responsáveis pela neoplasia intraepitelial de alto grau e câncer): Incorreta a alternativa B, porque, nos casos de tumores evidentes clinicamente, podemos fazer a biópsia da lesão "a olho nu", colhendo um fragmento com uma pinça de biópsia, sem a necessidade de colposcopia. Incorreta a alternativa C, porque o tratamento cirúrgico radical pode ser indicado até o estádio IIA (desde que o tumor seja menor que 4 cm). Incorreta a alternativa D, porque a maioria dos cânceres de colo uterino são do tipo epidermóide/espinocelular, representando 70-75% dos casos (lembre-se desse detalhe!). Os adenocarcinomas, incluindo o carcinoma adenoescamoso, representam 25% dos casos. Nas últimas décadas, a incidência de adenocarcinoma cervical invasivo e suas variantes aumentou, dramaticamente, especialmente em mulheres mais jovens, muito provavelmente, devido à melhora do diagnóstico. COPIA NÃO É ROUBO / Resimed - Residência Médica / resimed@proton.me / +56 9 39151558 / https://t.me/resimed RESIMED Residência Médica COPIA NÃO É ROUBO RESIMED - RESIDÊNCIA MÉDICA RESIMED@PROTON.ME +56 9 39151558 HTTPS://T.ME/RESIMED Estratégia MED Prof. Monalisa Carvalho e Prof. Alexandre Melitto | Curso Extensivo | 2024 GINECOLOGIA 14 Câncer de Colo Uterino A lesão pode manifestar-se como úlcera superficial, tumor exofítico (Figura 1) na ectocérvice ou com infiltração da endocérvice. Os tumores endofíticos podem resultar em um colo uterino que parece aumentado, liso e endurecido, geralmente, chamado de "colo em barril". Entre os adenocarcinomas cervicais, aproximadamente metade é exofítica; outros aumentam ou ulceram, difusamente, o colo uterino e cerca de 15% não apresentam lesão visível porque o carcinoma está dentro do canal endocervical. Toque vaginal: necessário para avaliar o volume do colo, tamanho do útero, fundo de saco e paredes vaginais. Toque retal: necessário para avaliar esfíncter anal, paramétrios e possível infiltração tumoral em mucosa retal. Figura1: representação esquemática de tumor exofítico de colo uterino. Figura 2: Lesão sólida,infiltrativa, centrada no colo uterino com invasão do corpo do útero e sinal intermediário na sequência ponderada em T2 CAI NA PROVA (UNESP 2023) Mulher de 49 anos foi submetida à histerectomia devido a dor no baixo ventre e identificação de massa pélvica. Exame macroscópico da peça cirúrgica (imagem): As características macroscópicas da imagem favorecem o diagnóstico de: A) doença inflamatória pélvica com cicatrizes extensas. B) teratoma adulto benigno com áreas de necrose. C) cistos de Naboth com infecções recorrentes. D) câncer avançado do colo do útero. COPIA NÃO É ROUBO / Resimed - Residência Médica / resimed@proton.me / +56 9 39151558 / https://t.me/resimed RESIMED Residência Médica COPIA NÃO É ROUBO RESIMED - RESIDÊNCIA MÉDICA RESIMED@PROTON.ME +56 9 39151558 HTTPS://T.ME/RESIMED Estratégia MED Prof. Monalisa Carvalho e Prof. Alexandre Melitto | Curso Extensivo | 2024 15 Câncer de Colo UterinoGINECOLOGIA COMENTÁRIOS: Incorreta a alternativa A, porque a Doença Inflamatória Pélvica é a infecção do trato genital superior feminino (acima do orifício interno do colo), que poderia ser observado na peça com aderências entre o útero e as trompas, por exemplo. Incorreta a alternativa B, porque o teratoma é um tumor dos ovários e foto mostra somente o útero. Incorreta a alternativa C, porque os cistos de Naboth são formações císticas (cheias de líquido) localizados na zona de transição do colo uterino, e esta paciente apresenta uma tumoração sólida, exofítica no colo. Correta a alternativa D: trata-se de um tumor exofítico de colo uterino que é um câncer avançado. (UFRGS 2023) Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do parágrafo abaixo. Paciente de 42 anos, casada e com 3 filhos, em uso de DIU de cobre, veio à consulta com queixas de sangramento intermitente. Informou ter realizado a última revisão ginecológica há 5 anos (em atraso devido à pandemia). Ao exame físico, a pressão arterial era de 130/85 mmHg, o peso, de 60 kg, e a altura, de 168 cm; mamas, abdômen e vulva não apresentaram particularidades. O exame especular indicou colo com lesão de aspecto tumoral, medindo 1 cm. Foi realizada .......... . Com base no resultado, .......... , foi indicada .......... . A) coleta de material para exame citopatológico – lesão intraepitelial de alto grau – conização B) colposcopia – lesão sugestiva de câncer invasor – histerectomia extrafascial C) biópsia – carcinoma invasor – realização de estadiamento D) biópsia – adenocarcinoma invasor – histerectomia extrafascial COMENTÁRIOS: Incorreta a alternativa A, porque não é necessário colpocitologia se há lesão suspeita visível ao exame especular. Nestes casos deve-se proceder diretamente com a biópsia. Além disso, como a paciente tem um tumor aparente temos a suspeita de carcinoma invasor, e não lesão de alto grau, que é uma lesão subclínica, só visível à colposcopia. Incorreta a alternativa B, porque não é necessária colposcopia já que o tumor é visível ao exame especular e a biópsia pode ser realizada "a olho nu". Além disso, a histerectomia extrafascial só pode ser indicada como tratamento do câncer de colo se após o seu estadiamento for confirmado que se trata de um câncer estadio IA1 (invasãoOs estudos de imagem, em geral, não fazem parte do diagnóstico de câncer de colo do útero, embora alguns sejam utilizados para estadiamento e avaliação de mulheres com malignidade conhecida. Falaremos deles adiante, no tópico sobre estadiamento. Correta a alternativa D. 4.0 PADRÕES DE DISSEMINAÇÃO CAPÍTULO O câncer de colo do útero dissemina-se por: • Invasão direta (mais frequente): a extensão direta pode envolver o corpo uterino, a vagina, os paramétrios, a cavidade peritoneal, a bexiga ou o reto. O envolvimento ovariano, na extensão direta do câncer de colo do útero, é raro; metástases ovarianas ocorrem em, aproximadamente, 0,5% dos carcinomas de células escamosas e 1,7% dos adenocarcinomas. A paciente em questão tem acima de 25 anos, prole definida e apresenta citologia com LIEAG (lesão intraepitelial de alto grau). Cerca de 70% a 75% das mulheres com laudo citopatológico de HSIL apresentam COPIA NÃO É ROUBO / Resimed - Residência Médica / resimed@proton.me / +56 9 39151558 / https://t.me/resimed RESIMED Residência Médica COPIA NÃO É ROUBO RESIMED - RESIDÊNCIA MÉDICA RESIMED@PROTON.ME +56 9 39151558 HTTPS://T.ME/RESIMED Estratégia MED Prof. Monalisa Carvalho e Prof. Alexandre Melitto | Curso Extensivo | 2024 GINECOLOGIA 18 Câncer de Colo Uterino • Via linfática: antigamente, acreditava-se que os linfonodos obturadores eram o primeiro local de metástase linfonodal. Hoje, já se sabe que qualquer um dos grupos de linfonodos pélvicos, e até linfonodos para-aórticos, pode conter o primeiro linfonodo drenante e ser o primeiro local de metástase nodal. O risco de metástase de linfonodo pélvico é maior conforme o aumento da profundidade da invasão e o risco de metastáse para linfonodo para-aórtico aumenta com a extensão da doença. • Via hematogênica: os locais mais comuns para a disseminação hematogênica são os pulmões, fígado e ossos; intestino, glândulas suprarrenais, baço e cérebro são locais menos frequentes. 5.0 ESTADIAMENTO CAPÍTULO A Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia mudou o procedimento de estadiamento do câncer de colo uterino, no ano de 2018. Anteriormente, era apenas clínico, mas, atualmente, a avaliação cirúrgica e radiológica também é utilizada. O estadiamento cirúrgico e radiológico fornece informações importantes, que podem impactar o tratamento. O estadiamento preciso do câncer cervical, no pré-tratamento, é fundamental, pois determina a terapia (isto é, cirurgia, quimioterapia + radioterapia ou quimioterapia apenas) e o prognóstico. Segue o novo estadiamento (Figura 3): CAI NA PROVA (UFES 2022) Entre os tipos de cânceres que acomete a mulher, o terceiro mais frequente é o câncer de colo de útero, e o tipo mais comum é o carcinoma escamoso ou espinocelular. Qual a via de propagação mais frequente dessa neoplasia? A) Linfática. B) Por contiguidade. C) Venosa. D) Arterial. COMENTÁRIOS Incorreta a alternativa A, porque a via linfática é a segunda via mais frequente de disseminação do câncer de colo uterino. Correta a alternativa B: a forma mais frequente de disseminação do câncer de colo uterino é por contiguidade. Incorreta a alternativa C, porque a via hematogênica é a terceira mais frequente do câncer de colo do útero. Incorreta a alternativa D, porque a via hematogênica é a terceira mais frequente do câncer de colo do útero. COPIA NÃO É ROUBO / Resimed - Residência Médica / resimed@proton.me / +56 9 39151558 / https://t.me/resimed RESIMED Residência Médica COPIA NÃO É ROUBO RESIMED - RESIDÊNCIA MÉDICA RESIMED@PROTON.ME +56 9 39151558 HTTPS://T.ME/RESIMED Estratégia MED Prof. Monalisa Carvalho e Prof. Alexandre Melitto | Curso Extensivo | 2024 19 Câncer de Colo UterinoGINECOLOGIA Figura 3: estadiamento do câncer de colo uterino (FIGO, 2018) DETALHES: • O diagnóstico do estádio IA (IA1 e IA2) é feito por meio do exame anatomopatológico de procedimento excisional e este deve ter margens livres (atenção para esse detalhe). Também pode ser feito em amostra de traquelectomia ou histerectomia. • É muito importante que no exame anatomopatológico também conste se há envolvimento do espaço linfovascular (IELV). Esse dado não altera o estadiamento, mas modifica o tratamento. COPIA NÃO É ROUBO / Resimed - Residência Médica / resimed@proton.me / +56 9 39151558 / https://t.me/resimed RESIMED Residência Médica COPIA NÃO É ROUBO RESIMED - RESIDÊNCIA MÉDICA RESIMED@PROTON.ME +56 9 39151558 HTTPS://T.ME/RESIMED Estratégia MED Prof. Monalisa Carvalho e Prof. Alexandre Melitto | Curso Extensivo | 2024 GINECOLOGIA 20 Câncer de Colo Uterino O QUE MUDOU NO NOVO ESTADIAMENTO? Você verá que algumas questões do nosso banco, devido ao ano de realização das provas, utilizam o estadiamento antigo. Nesses casos, colocaremos, sempre, o estadiamento antigo (2009) e o novo (2018), para fins de comparação e atualização da questão. As principais mudanças entre os estadiamentos foram: • O estadiamento, antes, era somente clínico. Agora, também inclui exames de imagem e anatomopatológico; • No estadiamento IA, não é mais considerada a largura da lesão (anteriormente, ela só era considerada, nesse estádio, se fosse ≤7 mm de largura); • Foi acrescentada mais uma subdivisão para os estadiamentos IB e III: a. IB: anteriormente, havia apenas IB1 e IB2 (tumores menores e maiores que 4 cm, respectivamente). Hoje, é subdividido em IB1, IB2 e IB3 (Figura 3); b. III: anteriormente, havia apenas IIIA (envolvimento de terço inferior da vagina) e IIIB (tumor atingindo até a parede óssea). Hoje, é subdividido em IIIA, IIIB e IIIC (Figura 3), ou seja, agora, o envolvimento linfonodal, importante para o prognóstico, também é incluído no estadiamento. (UFPR 2022) De acordo com estadiamento do câncer cervical da FIGO (Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia) 2018, é correto afirmar: A) Estádio IA2: profundidade da invasão menor que 3 mm. B) Estadio IIA1: carcinoma invasor com dimensões acima de 4 cm, envolvendo 1/3 superior de vagina sem envolvimento parametrial. C) Estádio IIIC1: metástases em linfonodos pélvicos somente. D) Estadio IIIB: carcinoma envolvendo 1/3 inferior de vagina, mas não parede pélvica. E) Estádio IV B: disseminação para órgãos pélvicos adjacentes. CAI NA PROVA COMENTÁRIOS: Incorreta a alternativa A, porque o estádio IA2 é caracterizado pela invasão entre 3 e 5 mm. Incorreta a alternativa B, porque o estádio IIA1 é caracterizado por tumor menor que 4 cm. Correta a alternativa C: o estádio IIIC1 se caracteriza pelo encontro de metástases em linfonodos pélvicos somente. Incorreta a alternativa D, porque o estádio IIIB é caracterizado por invasão do paramétrio sem atingir a parede pélvica. Incorreta a alternativa E, porque o estádio IVB é caracterizado pela existência de metástases em órgãos à distância. COPIA NÃO É ROUBO / Resimed - Residência Médica / resimed@proton.me / +56 9 39151558 / https://t.me/resimed RESIMED Residência Médica COPIA NÃO É ROUBO RESIMED - RESIDÊNCIA MÉDICA RESIMED@PROTON.ME +56 9 39151558 HTTPS://T.ME/RESIMED Estratégia MED Prof. Monalisa Carvalho e Prof. Alexandre Melitto | Curso Extensivo | 2024 21 Câncer de Colo UterinoGINECOLOGIA 5.1. ESTADIAMENTO POR IMAGEM Os métodos de imagem como ultrassonografia (US), tomografia computadorizada (TC), ressonância magnética (RM) e tomografia por emissão de pósitrons (PET-CT) apresentam desempenho superior ao exame físico, no estadiamento do câncer de colo do útero. A imagem tem a vantagem de identificar fatores prognósticos adicionais, que podem orientar a escolha da modalidade de tratamento. O objetivo é identificar o método mais adequado e evitar a terapia dupla, com cirurgia e radiação, que podem aumentar bastante a morbidade. A ressonância magnética (RM) é o melhor método de avaliação radiológica de tumores primários maiores que 10 mm. Costuma ser o método de escolha para a estimativa por imagem da localização, tamanho, profundidade e extensões vaginal,parametrial, retal ou vesical dos tumores macroscópicos do colo uterino. Seu alto valor preditivo negativo na exclusão de invasão vesical ou retal dispensa a cistoscopia e a endoscopia digestiva, na maioria das pacientes. A ultrassonografia pode ser utilizada, se houver contraindicação à RM. Para detecção de metástase linfonodal superior a 10 mm, a PET-CT é mais precisa que TC e RM. Como o principal fator prognóstico dessa doença é o seu estádio ao diagnóstico, no novo estadiamento, pacientes com acometimento linfonodal já são classificados como IIIC, o que lhes confere pior prognóstico. Em pacientes com carcinoma invasivo franco, radiografia de tórax e avaliação de hidronefrose (ultrassonografia, pielografia intravenosa, TC ou RM) devem ser feitas. A bexiga e o reto são avaliados por cistoscopia e sigmoidoscopia somente se o paciente for clinicamente sintomático. A cistoscopia também é recomendada em casos de crescimento endocervical em forma de barril (Figura 2) e em casos em que o crescimento se estendeu para a parede vaginal anterior. Os protocolos para indicação de exames complementares, baseados no estadiamento, vão variar de acordo com a disponibilidade de cada serviço. Na tabela a seguir, trazemos uma sugestão (Fonte: Uptodate). (SECRETARIA ESTADUAL DE SAÚDE DO ESTADO DE PERNAMBUCO - SES - PE 2020) Mulher de 30 anos, G5 P5, com queixa de sangramento genital durante o ato sexual, há três meses. Durante o exame ginecológico, foi observada lesão cervical de um centímetro em seu maior diâmetro, restrita ao colo uterino. A vagina se encontra livre de lesões, assim como os paramétrios. Considerando a possibilidade diagnóstica de neoplasia cérvice uterina, assinale a alternativa que representa o estadiamento adequado. A) Ia1 B) Ib3 C) Ib1 D) IIa E) IIb COMENTÁRIO: Veja, na questão apresentada, o estadiamento do câncer de colo uterino. As características do tumor são: visível, restrito ao colo, tamanho de 1 cm, sem atingir vagina ou paramétrios. Portanto, estadiamento Ib1. Correta a alternativa C. COPIA NÃO É ROUBO / Resimed - Residência Médica / resimed@proton.me / +56 9 39151558 / https://t.me/resimed RESIMED Residência Médica COPIA NÃO É ROUBO RESIMED - RESIDÊNCIA MÉDICA RESIMED@PROTON.ME +56 9 39151558 HTTPS://T.ME/RESIMED Estratégia MED Prof. Monalisa Carvalho e Prof. Alexandre Melitto | Curso Extensivo | 2024 GINECOLOGIA 22 Câncer de Colo Uterino Observação: no estadiamento IA1 não há sugestão de solicitação de exames complementares, pois as pacientes têm baixo risco de disseminação tumoral. EXAMES COMPLEMENTARES PARA ESTADIAMENTO DO CÂNCER DE COLO UTERINO ESTADIAMENTO EXAMES FINALIDADE IA2 a IB2 Radiografia de tórax Avaliação de metástases pulmonares Ressonância de pelve Confirmação do tamanho tumoral, avaliação de paramétrios, bexiga e reto Tomografia de abdome e pelve ou PET-CT Avaliação de linfonodos Doença localmente avançada (IB3- IVA) Ressonância de pelve Avaliação de bexiga e reto PET-CT Avaliação de metástases à distância CAI NA PROVA (AMP 2023) Com relação ao estadiamento do câncer de colo uterino, assinale as alternativas abaixo. I. – Recomenda-se, se disponível, tomografia computadorizada por emissão de pósitrons (PET-TC) nas pacientes em estádio > IB2, principalmente na suspeita de envolvimento linfonodal. II - O exame de toque retal se mostra superior ao estudo por ressonância na avaliação dos paramétrios. III - Naquelas que apresentem sinais sugestivos de invasão de bexiga ou reto pelos exames de imagem, devem-se realizar cistoscopia e retossigmoidoscopia, respectivamente. Sobre esta situação selecione a opção correta. A) As afirmativas I e II são verdadeiras. A afirmativa III é falsa. B) As afirmativas I e III são verdadeiras. A afirmativa II é falsa. C) As afirmativas II e III são verdadeiras. A afirmativa I é falsa. D) As afirmativas I, II e III são verdadeiras. E) As afirmativas I, II e III são falsas. COPIA NÃO É ROUBO / Resimed - Residência Médica / resimed@proton.me / +56 9 39151558 / https://t.me/resimed RESIMED Residência Médica COPIA NÃO É ROUBO RESIMED - RESIDÊNCIA MÉDICA RESIMED@PROTON.ME +56 9 39151558 HTTPS://T.ME/RESIMED Estratégia MED Prof. Monalisa Carvalho e Prof. Alexandre Melitto | Curso Extensivo | 2024 23 Câncer de Colo UterinoGINECOLOGIA COMENTÁRIOS: Vamos analisar as assertivas: I. – (Verdadeira) O PET - CT é o melhor exame para avaliar possível comprometimento linfonodal. II - (Falsa) A ressonância magnética é superior ao exame de toque para a avaliação de comprometimento parametrial. III - (Verdadeira) Se a paciente apresentar sintomas de comprometimento vesical ou intestinal é indicada a cistoscopia e/ou retossigmoidoscopia para avaliação de possíveis metástases. Correta a alternativa B: estão corretas as assertivas I e III. (HIAE 2022) Paciente de 35 anos apresenta diagnóstico de câncer do colo do útero com estadiamento IB1 (International Federation of Gynecology and Obstetrics − FIGO). Para investigação de acometimento linfonoidal, dentre as opções abaixo, a mais indicada para este caso é A) tomografia por emissão de pósitrons combinada com tomografia computadorizada. B) ressonância magnética nuclear da pelve. C) ultrassonografia transretal. D) tomografia computadorizada de abdômen e pelve. COMENTÁRIOS: Correta a alternativa A, pois a PET CT é mais precisa que TC e RM para detecção de metástase linfonodal superior a 10 mm. Incorreta a alternativa B, porque a ressonância magnética nuclear da pelve é o melhor método de avaliação radiológica de tumores primários maiores que 10 mm e costuma ser o método de escolha para a estimativa por imagem da localização, tamanho, profundidade e extensões vaginal, parametrial, retal ou vesical dos tumores macroscópicos do colo uterino. Incorreta a alternativa C, porque a ultrassonografia transretal pode ser utilizada para estadiamento do câncer de colo uterino, na identificação de suas dimensões e comprometimento parametrial, mas não é o melhor método para avaliação de comprometimento linfonodal. Incorreta a alternativa D, porque a tomografia computadorizada de abdome e pelve é útil para o estadiamento do câncer de colo e avaliação de suas dimensões e comprometimento parametrial, mas não é o melhor método para avaliação de comprometimento linfonodal. COPIA NÃO É ROUBO / Resimed - Residência Médica / resimed@proton.me / +56 9 39151558 / https://t.me/resimed RESIMED Residência Médica COPIA NÃO É ROUBO RESIMED - RESIDÊNCIA MÉDICA RESIMED@PROTON.ME +56 9 39151558 HTTPS://T.ME/RESIMED Estratégia MED Prof. Monalisa Carvalho e Prof. Alexandre Melitto | Curso Extensivo | 2024 GINECOLOGIA 24 Câncer de Colo Uterino (UNESP 2022) Mulher de 46 anos apresenta sangramento vaginal em grande quantidade há 3 dias. Relata irregularidade menstrual com presença de sangramento intermenstruo recorrente, de moderada quantidade, há 2 anos, além de sinusorragia e secreção vaginal de forte odor de longa data. AP: G5P3A2C2. Exame especular: moderada quantidade de sangramento vaginal, lesão exofítica friável com aproximadamente 2 cm de diâmetro. Toque vaginal: lesão nodular endurecida, confinada a cérvix uterina, útero e anexos de difícil delimitação, fundos de saco vaginais livres. Toque retal: paramétrios livres. Exames laboratoriais: Hb 6,8 g/dL, Ht 27%, ureia 32 mg/dL, creatinina 0,8 mg/dL. A conduta correta é: A) citologia oncótica cervical, conização e radioterapia. B) citologia oncótica cervical, colposcopia e abordagem cirúrgica. C) colposcopia, biópsia da lesão, radioterapia e quimioterapia. D) biópsia da lesão, tomografia computadorizada e abordagem cirúrgica. COMENTÁRIOS: Estrategista, esta paciente tem um câncer de colo uterino de 2 cm de diâmetro. O tumor é confinado ao colo e os paramétrios estão livres, de. tal maneira que os estadiamento é IB2. Um exame pélvico deve ser realizado em qualquer mulher com sintomas sugestivos de câncer de colodo útero. A visualização do colo uterino, durante o exame especular, pode revelar uma aparência normal ou uma lesão cervical visível. Qualquer lesão visível suspeita deve ser biopsiada, independentemente dos resultados citológicos benignos anteriores. Vamos analisar as alternativas: Incorreta a alternativa A, porque a colpocitologia tem o objetivo de diagnosticar lesões precursoras ou neoplásicas subclínicas, que não podem ser vistas no exame físico especular. Incorreta a alternativa B, porque não há necessidade de colposcopia (com uso de ácido acético e lugol) para visibilizar a lesão e proceder com a biópsia. Incorreta a alternativa C, porque esta paciente é passível de tratamento cirúrgico curativo sem necessidade de quimioterapia ou radioterapia. Correta a alternativa D: trata-se de um tumor exofítico de colo de útero que deve ser biopsiado o quanto antes, além disso devemos realizar a tomografia para completar o estadiamento da paciente e proceder com a abordagem cirúrgica para o seu tratamento. COPIA NÃO É ROUBO / Resimed - Residência Médica / resimed@proton.me / +56 9 39151558 / https://t.me/resimed RESIMED Residência Médica COPIA NÃO É ROUBO RESIMED - RESIDÊNCIA MÉDICA RESIMED@PROTON.ME +56 9 39151558 HTTPS://T.ME/RESIMED Estratégia MED Prof. Monalisa Carvalho e Prof. Alexandre Melitto | Curso Extensivo | 2024 GINECOLOGIA 25 Câncer de Colo Uterino 6.0 FATORES PROGNÓSTICOS CAPÍTULO Os principais fatores prognósticos que afetam a sobrevida em mulheres com carcinoma cervical são: estágio da doença, estado nodal, volume do tumor, profundidade da invasão estromal cervical e invasão do espaço linfovascular. O estágio da doença é o fator prognóstico mais importante, seguido pelo status dos linfonodos. A tabela a seguir traz a sobrevida global, em cinco anos, por estadiamento. SOBREVIDA GLOBAL EM CINCO ANOS DO CÂNCER DE COLO UTERINO ESTADIMENTO SOBREVIDA IA >90% IB 80% IIA 63-73% IIB 58-65% III 30% IVA 16-22% IB 9,3% Fontes: FIGO e American Cancer Society. Ainda é controverso se os adenocarcinomas do colo do útero têm pior prognóstico, pois parecem ter disseminação hematogênica mais frequente. 7.0 TRATAMENTO CAPÍTULO O tratamento do câncer de colo uterino é feito com cirurgia ou radioterapia associada à quimioterapia. 7.1. TRATAMENTO CIRÚRGICO A cirurgia é adequada para estágios iniciais, em que conização cervical, histerectomia total simples ou histerectomia total radical podem ser selecionadas, de acordo com o estágio da doença e a extensão da disseminação do câncer cervical. COPIA NÃO É ROUBO / Resimed - Residência Médica / resimed@proton.me / +56 9 39151558 / https://t.me/resimed RESIMED Residência Médica COPIA NÃO É ROUBO RESIMED - RESIDÊNCIA MÉDICA RESIMED@PROTON.ME +56 9 39151558 HTTPS://T.ME/RESIMED Estratégia MED Prof. Monalisa Carvalho e Prof. Alexandre Melitto | Curso Extensivo | 2024 26 Câncer de Colo UterinoGINECOLOGIA 7.1.1 CONIZAÇÃO Já descrevemos o procedimento de conização cervical no livro digital de rastreamento de câncer de colo uterino. Nessa cirurgia, é realizada exérese de zona de transformação (EZT) tipo 3, ou seja, boa parte do canal endocervical (2-2,5 cm) é retirada. A conização (Figura 4) é diagnóstica e, também, terapêutica, nos casos de carcinoma in situ. Como já vimos, o diagnóstico do estadiamento IA só pode ser dado por meio de produto de EZT com margens livres. Sendo assim, caso uma paciente tenha realizado conização e o anatomopatológico apresente, como resultado, carcinoma microinvasor com margens comprometidas, a paciente deve ser submetida a novo procedimento excisional, para descartar doença francamente invasora no restante da peça. Figura 4: conização de colo uterino A conização também pode ser terapêutica, nos casos de pacientes com câncer de colo uterino microinvasor IA1, sem invasão do espaço linfovascular, e com desejo de preservar a fertilidade. 7.1.2 TRAQUELECTOMIA A traquelectomia (Figura 5) é um procedimento que visa à remoção total do colo uterino, com manutenção do útero. É realizada em mulheres com câncer de colo uterino estádio IA2 ou estágio IB1, com desejo de preservação da fertilidade. Pode ser realizada via abdominal ou vaginal. Além da traquelectomia, essas pacientes requerem alguma forma de avaliação dos linfonodos (linfonodo sentinela ou linfadenectomia). Figura 5: traquelectomia COPIA NÃO É ROUBO / Resimed - Residência Médica / resimed@proton.me / +56 9 39151558 / https://t.me/resimed RESIMED Residência Médica COPIA NÃO É ROUBO RESIMED - RESIDÊNCIA MÉDICA RESIMED@PROTON.ME +56 9 39151558 HTTPS://T.ME/RESIMED Estratégia MED Prof. Monalisa Carvalho e Prof. Alexandre Melitto | Curso Extensivo | 2024 GINECOLOGIA 27 Câncer de Colo Uterino A gravidez após traquelectomia está associada a resultados obstétricos favoráveis para a maioria das mulheres. Entretanto, as taxas de perda gestacional no segundo trimestre e parto prematuro são mais altas do que na população em geral. 7.1.3 HISTERECTOMIA A histerectomia é o procedimento de retirada do útero. É a cirurgia ginecológica mais realizada no mundo. Pode ser subtotal (preserva o colo uterino), total (retira o colo uterino) ou radical (utilizada em procedimentos oncológicos). Para o tratamento da neoplasia de colo uterino, pode ser realizada histerectomia total simples ou radical. A tabela a seguir compara os diferentes tipos de histerectomia utilizados no tratamento do câncer de colo uterino: TIPOS DE HISTERECTOMIA PARA TRATAMENTO DE CÂNCER DE COLO UTERINO HISTERECTOMIA SIMPLES EXTRAFASCIAL HISTERECTOMIA RADICAL MODIFICADA HISTERECTOMIA RADICAL OU WERTHEIM-MEIGS (Figura 6) Classificação de Piver and Rutledge I II III Indicação Estádio IA1 Estádio IA1 com IELV Estádio IA2 Estádio IB1 e IB2 Casos selecionados do estádio IIA Corpo e colo uterino Retirado Retirado Retirado Ovários Remoção opcional Remoção opcional Remoção opcional Margem vaginal Nenhuma 1-2 cm Retirado ¼ a 1/3 Paramétrios Seccionados ao nível da borda do colo uterino Seccionados onde o ureter cruza o ligamento largo (remoção parcial) Seccionados ao nível da parede pélvica lateral (remoção total) Ligamentos uterossacros Seccionados ao nível da borda do colo uterino Parcialmente removidos Seccionados perto da sua origem sacral (remoção total) Abordagem cirúrgica Laparotomia, laparoscopia ou cirurgia robótica Laparotomia, laparoscopia ou cirurgia robótica Laparotomia, laparoscopia ou cirurgia robótica COPIA NÃO É ROUBO / Resimed - Residência Médica / resimed@proton.me / +56 9 39151558 / https://t.me/resimed RESIMED Residência Médica COPIA NÃO É ROUBO RESIMED - RESIDÊNCIA MÉDICA RESIMED@PROTON.ME +56 9 39151558 HTTPS://T.ME/RESIMED Estratégia MED Prof. Monalisa Carvalho e Prof. Alexandre Melitto | Curso Extensivo | 2024 28 Câncer de Colo UterinoGINECOLOGIA Figura 6: produto de cirurgia de Wertheim-Meigs para tratamento de adenocarcinoma invasor de colo uterino de, aproximadamente, 4 cm. 7.1.4 EXENTERAÇÃO PÉLVICA A exenteração pélvica consiste na ressecção, em monobloco, dos órgãos genitais femininos, em conjunto com os do trato urinário inferior e/ou reto e sigmoide. Pode ser uma opção de tratamento nos raros casos do estádio IVA, sem envolvimento da parede pélvica (prognóstico ruim), ou nos casos de recidiva, após radioterapia primária. 7.2. RADIOTERAPIA A radioterapia é uma modalidade de tratamento essencial no campo da ginecologia, especialmente no manejo de neoplasias malignas do trato reprodutivo feminino, sendo frequentemente indicada para o tratamento de vários tipos de câncer ginecológico, incluindo o câncer de colo do útero, endométrio, vulva e ovário. Pode ser usada como terapia adjuvante após a cirurgia para eliminar células cancerígenas residuais, como tratamento primário, ou em casos paliativos para aliviar sintomas de doenças avançadas. Tipos de Radioterapia: • Radioterapia Externa (Teleterapia): Utiliza feixes deradiação direcionados de fora do corpo para o tumor e tecidos circundantes. É comumente administrada em várias sessões no período de algumas semanas. • Braquiterapia: Envolve a colocação de fontes radioativas diretamente dentro ou próximo ao tecido tumoral. É bastante eficaz no tratamento de câncer de colo do útero, pois permite aplicar altas doses de radiação diretamente no tumor, com a minimização da exposição aos tecidos circundantes. COPIA NÃO É ROUBO / Resimed - Residência Médica / resimed@proton.me / +56 9 39151558 / https://t.me/resimed RESIMED Residência Médica COPIA NÃO É ROUBO RESIMED - RESIDÊNCIA MÉDICA RESIMED@PROTON.ME +56 9 39151558 HTTPS://T.ME/RESIMED Estratégia MED Prof. Monalisa Carvalho e Prof. Alexandre Melitto | Curso Extensivo | 2024 GINECOLOGIA 29 Câncer de Colo Uterino O planejamento da radioterapia é um processo complexo que envolve a imagenologia avançada, como a tomografia computadorizada (TC), ressonância magnética (RM) e, em alguns casos, a tomografia por emissão de pósitrons (PET) para delinear com precisão o tumor e os órgãos de risco. Técnicas modernas, como a radioterapia conformacional tridimensional (3D-CRT), radioterapia de intensidade modulada (IMRT) e radioterapia guiada por imagem (IGRT), têm melhorado a precisão do tratamento, reduzindo a toxicidade para os tecidos saudáveis circundantes. A eficácia da radioterapia depende do tipo e estágio do câncer. Por exemplo, no câncer cervical, a radioterapia combinada com quimioterapia pode melhorar significativamente as taxas de controle local e sobrevivência global em comparação com a radioterapia isolada. Os efeitos colaterais da radioterapia podem incluir fadiga, reações cutâneas, disfunção gastrointestinal e geniturinária, e linfedema. A toxicidade tardia pode afetar a função sexual e a fertilidade. Além de seu papel curativo, a radioterapia também pode ser usada como paliativa e como terapia adjuvante em pacientes operados, para prevenir a recorrência locorregional, embora o papel da “dupla modalidade” seja desencorajado, pelo aumento da morbidade. CAI NA PROVA (SCMSP 2024) Sobre radioterapia aplicada à ginecologia, analise as proposições abaixo. I. O papel da radioterapia em câncer ginecológico, pode possuir objetivos: curativo, adjuvante ou paliativo. II. Em pacientes com cânceres ginecológicos submetidas à radioterapia pélvica, os sintomas de insuficiência ovariana espelham aqueles da menopausa natural, e o tratamento dos sintomas é semelhante. III. Para minimizar a exposição dos ovários de mulheres pré-menopáusicas à radiação, esses órgãos podem ser reposicionados cirurgicamente – o que se chama de transposição – fora do campo de radiação. IV. A radioterapia pode ser combinada com quimioterapia, terapia biológica ou cirurgia para efeitos aditivos – visando o controle local da doença e reduzir metástases à distância. É correto o que se afirma em A) IV, apenas. B) I e III, apenas. C) I, II e III, apenas. D) I, II e IV, apenas. E) I, II, III e IV. COMENTÁRIOS: Vamos analisar as proposições: I. O papel da radioterapia em câncer ginecológico, pode possuir objetivos: curativo, adjuvante ou paliativo. (CORRETA) A radioterapia desempenha um papel amplo no tratamento do câncer ginecológico. Como tratamento curativo, ela pode ser usada isoladamente ou em combinação com a cirurgia e/ou quimioterapia em cânceres iniciais, onde o objetivo é a erradicação do tumor. No tratamento adjuvante, a radioterapia é aplicada após a cirurgia para destruir as células cancerosas residuais e reduzir o risco de recidiva. No tratamento paliativo, ela é usada para aliviar os sintomas causados por tumores avançados ou metastáticos, como dor ou sangramento, melhorando assim a qualidade de vida do paciente. COPIA NÃO É ROUBO / Resimed - Residência Médica / resimed@proton.me / +56 9 39151558 / https://t.me/resimed RESIMED Residência Médica COPIA NÃO É ROUBO RESIMED - RESIDÊNCIA MÉDICA RESIMED@PROTON.ME +56 9 39151558 HTTPS://T.ME/RESIMED Estratégia MED Prof. Monalisa Carvalho e Prof. Alexandre Melitto | Curso Extensivo | 2024 30 Câncer de Colo UterinoGINECOLOGIA II. Em pacientes com cânceres ginecológicos submetidas à radioterapia pélvica, os sintomas de insuficiência ovariana espelham aqueles da menopausa natural, e o tratamento dos sintomas é semelhante. (CORRETA) A insuficiência ovariana é um efeito colateral comum da radioterapia pélvica em pacientes pré-menopáusicas com câncer ginecológico. Os sintomas podem ser bastante semelhantes com aqueles da menopausa "natural", incluindo os sintomas vasomotores, alterações do sono, secura vaginal, e diminuição da libido. O manejo desses sintomas é similar ao tratamento da menopausa, como a terapia de reposição hormonal, mas deve ser individualizado com base no tipo de câncer e outros fatores de risco do paciente. III. Para minimizar a exposição dos ovários de mulheres pré-menopáusicas à radiação, esses órgãos podem ser reposicionados cirurgicamente – o que se chama de transposição – fora do campo de radiação. (CORRETA) A transposição ovariana é uma técnica cirúrgica que pode ser utilizada para preservar a função ovariana e a fertilidade em mulheres jovens que necessitam de radioterapia pélvica. A cirurgia envolve o reposicionamento dos ovários fora do campo de radiação. Vários estudos relatam a eficácia dessa técnica em preservar a função ovariana, embora não seja garantida, e é recomendada em diretrizes para pacientes selecionadas com desejo de preservação da fertilidade. IV. A radioterapia pode ser combinada com quimioterapia, terapia biológica ou cirurgia para efeitos aditivos – visando o controle local da doença e reduzir metástases à distância. (CORRETA) A radioterapia pode ser combinada com quimioterapia (quimiorradiação), terapia biológica e cirurgia para melhorar os resultados do tratamento em câncer ginecológico. A quimiorradiação é particularmente eficaz no câncer de colo do útero, onde a adição de quimioterapia à radioterapia melhora as taxas de sobrevida e reduz o risco de recidiva. A terapia biológica, que pode incluir agentes como bevacizumabe, também tem sido explorada em combinação com a radioterapia em alguns estudos clínicos. Agora vamos analisar as alternativas: Correta a alternativa E: estão corretas as assertivas I, II, III e IV. 7.2.1 RADIOTERAPIA PRIMÁRIA A radioterapia pode ser utilizada, como terapia inicial, nos estádios IA, IB1, IB2 e IIA1, com bons resultados de controle local e sobrevida. Pode ser adotada como tratamento, nesses estádios, quando a paciente for candidata ruim à cirurgia. O uso da quimiorradiação, atualmente, é considerado padrão inicial de tratamento para os estádios IB3, IIA2, IIB, III e IV. Anteriormente, o estádio IVB era tratado apenas com quimioterapia primária, porém observou-se que a quimiorradiação produz melhores resultados que a quimioterapia isolada. 7.2.2 RADIOTERAPIA ADJUVANTE A radioterapia deve ser utilizada como adjuvante nas pacientes submetidas a tratamento cirúrgico com os seguintes fatores de risco para recorrência: COPIA NÃO É ROUBO / Resimed - Residência Médica / resimed@proton.me / +56 9 39151558 / https://t.me/resimed RESIMED Residência Médica COPIA NÃO É ROUBO RESIMED - RESIDÊNCIA MÉDICA RESIMED@PROTON.ME +56 9 39151558 HTTPS://T.ME/RESIMED Estratégia MED Prof. Monalisa Carvalho e Prof. Alexandre Melitto | Curso Extensivo | 2024 GINECOLOGIA 31 Câncer de Colo Uterino FATORES DE RISCO PARA RECORRÊNCIA DE NEOPLASIA DE COLO UTERINO FATORES DE ALTO RISCO (Na presença de qualquer um deles, a paciente deve realizar radioterapia ou quimiorradiação adjuvante) Margens cirúrgicas comprometidas Linfonodos comprometidos Paramétrios comprometidos microscopicamente FATORES DE RISCO INTERMEDIÁRIO (Na presença de, no mínimo, dois deles, a paciente deve realizar radioterapia adjuvante) Tumor > 4 cm Invasão do espaço linfovascular (IELV) Invasão estromal profunda Sevocê prestar bastante atenção, perceberá que a quimiorradiação é opção de tratamento para qualquer estádio do câncer de colo uterino! 7.2.3 BRAQUITERAPIA A braquiterapia é uma forma de radioterapia interna que envolve o posicionamento de uma fonte radioativa diretamente no tumor ou próximo dele. O termo "braquiterapia" vem do grego brachys, que significa "curta distância". Esta técnica é utilizada no tratamento de diversos tipos de câncer, incluindo ginecológico, de próstata, de mama, de pele e tumores de cabeça e pescoço. Princípios da Braquiterapia: Dose Localizada: Em comparação com a radioterapia externa, a braquiterapia permite aplicar altas doses de radiação diretamente no tecido tumoral, com uma rápida queda da dose à medida que se distancia da fonte, o que reduz a exposição dos tecidos adjacentes saudáveis à radiação. Fontes Radioativas: O tratamento utiliza isótopos radioativos, como o irídio-192, o césio-137 ou o iodo-125, entre outros. A escolha do isótopo depende do tipo e localização do tumor, da dose necessária e do planejamento do tratamento. Tipo de Aplicadores: A colocação das fontes radioativas pode ser feita através de diferentes tipos de aplicadores, como agulhas, cateteres, sondas ou moldes, que podem ser temporários ou permanentes. Técnicas de Braquiterapia: Braquiterapia de Baixa Taxa de Dose (LDR): As fontes radioativas são colocadas por um período prolongado, geralmente de 1 a 2 dias. Braquiterapia de Alta Taxa de Dose (HDR): Uma dose mais alta de radiação é aplicada em um curto período de tempo, geralmente em seções de alguns minutos. Braquiterapia Pulsada (PDR): Uma combinação das técnicas LDR e HDR, onde as doses são entregues em pulsos. Um planejamento detalhado usando imagens avançadas, como tomografia computadorizada (TC), ressonância magnética (RM) ou ultrassonografia, é essencial para determinar a localização exata do tumor e o posicionamento apropriado dos aplicadores. A braquiterapia é bem tolerada, tem um curto período de tratamento e está associada a uma rápida recuperação. A precisão no direcionamento da radiação resulta em menos efeitos colaterais comparado com a radioterapia externa. COPIA NÃO É ROUBO / Resimed - Residência Médica / resimed@proton.me / +56 9 39151558 / https://t.me/resimed RESIMED Residência Médica COPIA NÃO É ROUBO RESIMED - RESIDÊNCIA MÉDICA RESIMED@PROTON.ME +56 9 39151558 HTTPS://T.ME/RESIMED Estratégia MED Prof. Monalisa Carvalho e Prof. Alexandre Melitto | Curso Extensivo | 2024 32 Câncer de Colo UterinoGINECOLOGIA Algumas dificuldades da braquiterapia incluem a necessidade de procedimentos invasivos para colocação dos aplicadores e a necessidade de recursos muito especializados para o planejamento e execução do tratamento. A braquiterapia se mostrou bastante eficaz como uma modalidade de tratamento única ou em combinação com outras terapias, como a cirurgia ou a radioterapia externa. As taxas de controle local do tumor e de preservação de órgãos são altas, principalmente nos tumores ginecológicos e de próstata. CAI NA PROVA (SCMSP 2024) Sobre braquiterapia e seus princípios, no contexto do tratamento de câncer de colo uterino, analise as proposições abaixo e assinale (V) para Verdadeiro ou (F) para Falso. ( ) Braquiterapia significa tratamento a curta distância. Nesse tipo de terapia, radioisótopos selados ou não selados são inseridos ou instilados no câncer ou em sua proximidade. ( ) A braquiterapia atua melhor quando o volume do câncer é pequeno, inferior a 3 a 4 cm em sua maior dimensão. ( ) Geralmente, a braquiterapia é utilizada após a radioterapia com feixe externo ter reduzido o tamanho de um tumor volumoso. ( ) Utilizam-se cilindros intra-vaginais e eles são produzidos com diferentes curvaturas a fim de que se adaptem às diversas formas uterinas. ( ) A unidade utilizada para o tratamento é determinada em Gy (Gray). Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta. A) V / V / V / V / V B) V / V / V / F / F C) V / F / V / V / V D) V / F / F / V / V E) F / F / F / F / V COMENTÁRIOS: Vamos analisar as proposições: (VERDADEIRA) Braquiterapia significa tratamento a curta distância. Nesse tipo de terapia, radioisótopos selados ou não selados são inseridos ou instilados no câncer ou em sua proximidade. A braquiterapia de fato envolve a colocação de fontes radioativas diretamente no local do tumor ou muito próximo a ele. As fontes geralmente são seladas dentro de aplicadores ou cápsulas. (VERDADEIRA) A braquiterapia atua melhor quando o volume do câncer é pequeno, inferior a 3 a 4 cm em sua maior dimensão. A banca considerou essa proposição como verdadeira, porém ela é "duvidosa" em nossa opinião. A eficácia da braquiterapia é maior em tumores de menor volume, pois a distribuição de dose de radiação é mais uniforme e eficaz em volumes menores. Isso permite a aplicação de altas doses de radiação diretamente no tumor, enquanto minimiza a exposição dos tecidos saudáveis circundantes, entretanto, esta proposição pode ser considerada como duvidosa, já que a eficácia da braquiterapia pode ser influenciada pelo tamanho do tumor, mas ela também pode ser eficaz em tumores maiores dependendo de vários fatores, incluindo o tipo histológico do câncer, a localização e a radiossensibilidade do tecido. Por isso essa questão é passível de recurso. COPIA NÃO É ROUBO / Resimed - Residência Médica / resimed@proton.me / +56 9 39151558 / https://t.me/resimed RESIMED Residência Médica COPIA NÃO É ROUBO RESIMED - RESIDÊNCIA MÉDICA RESIMED@PROTON.ME +56 9 39151558 HTTPS://T.ME/RESIMED Estratégia MED Prof. Monalisa Carvalho e Prof. Alexandre Melitto | Curso Extensivo | 2024 GINECOLOGIA 33 Câncer de Colo Uterino 7.3. QUIMIOTERAPIA Como já foi dito acima, atualmente, o padrão é a realização de quimiorradiação, em vez de radioterapia apenas. Essa prática tem algumas vantagens: • Redução do risco de morte, com melhoria absoluta de 10% na sobrevida; • Redução do risco de recorrência; • Redução do risco de recorrência local. A quimioterapia é, geralmente, administrada com cisplatina de agente único ou a combinação de cisplatina mais fluorouracil. (VERDADEIRA) Geralmente, a braquiterapia é utilizada após a radioterapia com feixe externo ter reduzido o tamanho de um tumor volumoso. Em alguns casos, a braquiterapia é usada após a radioterapia externa para fornecer uma dose adicional de radiação (boost) ao tumor, especialmente quando este é inicialmente muito grande. A radioterapia externa pode ser utilizada para reduzir o tamanho do tumor antes da braquiterapia. (VERDADEIRA) Utilizam-se cilindros intra-vaginais e eles são produzidos com diferentes curvaturas a fim de que se adaptem às diversas formas uterinas. No tratamento de cânceres ginecológicos, os aplicadores como cilindros intra-vaginais são utilizados e estão disponíveis em diferentes tamanhos e curvaturas para se adequar à anatomia individual da paciente e garantir a aplicação da dose de radiação adequada. (VERDADEIRA) A unidade utilizada para o tratamento é determinada em Gy (Gray). A dose de radiação na braquiterapia, assim como em outros tipos de radioterapia, é medida em Gray (Gy), que é a unidade de absorção de dose de radiação no Sistema Internacional de Unidades. Um Gray é definido como a absorção de um Joule de energia de radiação por quilograma de matéria. Agora vamos analisar as alternativas: Correta a alternativa A: a banca considerou todas as proposições verdadeiras. COPIA NÃO É ROUBO / Resimed - Residência Médica / resimed@proton.me / +56 9 39151558 / https://t.me/resimed RESIMED Residência Médica COPIA NÃO É ROUBO RESIMED - RESIDÊNCIA MÉDICA RESIMED@PROTON.ME +56 9 39151558 HTTPS://T.ME/RESIMED Estratégia MED Prof. Monalisa Carvalho e Prof. Alexandre Melitto | Curso Extensivo | 2024 34 Câncer de Colo UterinoGINECOLOGIA 7.4. RESUMO DO TRATAMENTO PARA CÂNCER DE COLO UTERINO TRATAMENTO DO CÂNCER DE COLO UTERINO ESTÁDIO