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Mastery - Realize Unidade 1 Introdução à Psicologia do Trabalho Me. Bruno Stramandinoli Moreno Minhas Metas Conhecer as origens da Psicologia, seus determinantes históricos, os conceitos que a fundamentam como ciência e profissão e o fenômeno da personalidade. Conhecer e analisar os conceitos que estruturam a Teoria Psicanalítica e entender acerca do comportamento humano e suas implicações para o mundo do trabalho. Compreender a Teoria Comportamental e os conceitos que a estruturam, além de perceber como ela entende o comportamento humano e as implicações que ele traz para o mundo do trabalho. Conhecer e examinar a Teoria Humanista, bem como os conceitos que dão base a ela, além de compreender o modo pelo qual percebe o comportamento dos indivíduos no contexto do trabalho. Compreender a Teoria Cognitiva com base nos conceitos que lhe dão sustentação, além de identificar a maneira com que tal corrente teórica analisa a conduta humana diante do mundo do trabalho. Inicie sua jornada Adotaremos à concepção de Psicologia do Trabalho um sentido de origem e causa. Enquanto origem, dota ao trabalho o significado de fenômeno estudado pela psicologia, ou seja, é explicada no e pelo trabalho. Vamos compreender a psicologia a partir do trabalho. Isso significa que o trabalho é um objeto de estudo necessário para se compreender o fenômeno psicológico. Para Codo, Merlo e Jacques (2010), ele assume extrema importância na construção do que as ciências psicológicas entendem de qualquer ser humano. Nesta perspectiva, para que o trabalhador seja de fato um ser humano, precisará produzir-se a si mesmo. Isto significa dizer que enfrentará diversos desafios no ambiente em que se encontra e sobreviver. Logo, será necessário que se comporte de maneira específica e, assim, poder ser estudado, pesquisado e analisado pelos psicólogos. A causa se relaciona ao fato de que, como seres humanos, comemos, Bebemos, vestimos, moramos, descansamos e sobrevivemos por meio de atuações no meio ambiente (trabalho). Empreendemos ações, de inúmeras naturezas, no e pelo trabalho. Assim, como destacam Codo, Merlo e Jacques (2010), o trabalho precisa ser compreendido para que possamos saber mais sobre nós mesmos. A Psicologia estabeleceu suas “origens” no trabalho e é por meio dele que busca identificar e entender as causas dos fenômenos que estuda. Assim, para compreendermos como trabalho define e impacta o ser humano, restará delimitar onde e quando (ESPAÇO-TEMPO) a psicologia se aprofunda. A preocupação basal desta empreitada é entender as relações estabelecidas/produzidas entre trabalhador-trabalho, em toda a sua abrangência, considerando as conexões, as interfaces, os condicionantes, as determinantes e as consequências desta relação. Assim, será possível promover qualquer tipo de intervenção, melhora, ou mesmo, manutenção a ser estabelecida. Desenvolva seu potencial PSICOLOGIA COMO CIÊNCIA E AS TEORIAS DA PERSONALIDADE E SUA APLICAÇÃO NO CONTEXTO DO TRABALHO Debater Psicologia é adentrar num universo multifacetado e com inúmeras teorias que se prestam a entender como o ser humano se comporta e se constitui como tal. Segundo o Conselho Federal de Psicologia (2017), a Psicologia abrange, oficialmente, algumas áreas em que se especializou, no intuito de promover respostas a questões de áreas pontuais da existência humana. Isso está resumido e descrito no quadro a seguir: Fonte: adaptado de Achcar (1994) e Conselho Federal de Psicologia (2017). Fonte: adaptado de Achcar (1994) e Conselho Federal de Psicologia (2017). Achcar (1994) destaca que, dentre as possibilidades de atuação, a Psicologia tem perscrutado diversos campos e contextos sociais. Resumidamente, identifica treze deles: (a) Psicologia Clínica (presta atendimento a pessoas, de forma individual, ou em grupos, a fim de auxiliá-las sobre seus problemas emocionais); (b) Psicologia Educacional (auxilia pais, professores e alunos a solucionar problemas de aprendizagem, em âmbito de programas educacionais em creches e escolas); (c) Psicologia Econômica (empenha- se em compreender o comportamento de indivíduos, de grupos e de populações em geral, apoiando-se na Economia, e suas decisões concernentes); (d) Psicologia da Saúde (de forma multidisciplinar, atua na assistência à saúde, fortalecendo pacientes e familiares para a recuperação da saúde física e mental); (e) Comportamento do Consumidor (similar à Psicologia Econômica, busca compreender o comportamento de determinado grupo de pessoas, quando no papel de consumidores, em geral, “a serviço” do marketing de empresas públicas e privadas, bem como de agências de publicidade, ofertando orientação); (f ) Psicologia Organizacional e do Trabalho (atua de forma específica na formulação de políticas organizacionais de atração de funcionários para empresas, bem como sua manutenção e retenção, fomentando relações sociais saudáveis entre os trabalhadores e gestores, orientando carreiras e colaborando para a elaboração de programas de reestruturação do trabalho); (g) Psicologia do Trânsito (tem como objetivo trabalhar questões relacionadas ao trânsito, realizando a avaliação psicológica de condutores e futuros motoristas e desenvolvendo ações socioeducativas com pedestres e condutores infratores); (h) Psicologia Hospitalar (presta assistência a pacientes hospitalizados e oferta suporte aos familiares); (i) Psicologia Comunitária (de forma aplicada da Psicologia Social, tem o foco na resolução dos problemas e questões sociais, sejam eles em penitenciárias, asilos e centros de atendimento a crianças e adolescentes; atua, ainda, desenvolvendo programas e pesquisas sobre a saúde mental da população); (j) Psicologia Jurídica (assessora autoridades – juízes, promotores e outros envolvidos – em processos de adoção, violência contra menores e guarda de filhos, atuando em presídios, fazendo a avaliação psicológica de detentos etc.); (k) Psicologia Esportiva (oferta suporte psicológico a atletas e equipes esportivas, como técnicos e comissões técnicas, na preparação para atividades esportivas e competições, auxiliando na otimização do desempenho esportivo); (l) Psicologia Ambiental (o foco da atuação é compreender a inter-relação do comportamento humano e o meio ambiente); e (m) Orientação Profissional (orienta, em geral, estudantes na escolha do curso e da profissão que irão, se assim quiserem, seguir). As Ciências Psicológicas – Aspectos Históricos As origens da Psicologia, enquanto conhecimento, se estendem à Grécia Antiga, quando filósofos, como Aristóteles e Platão, procuravam debater temas sobre a alma, o espírito, a mente, a vontade, a ética etc. Saiba Mais A palavra “Psicologia” tem origem na soma dos radicais gregos psykhè (alma) e logos (estudo). Comumente, é traduzida como o “estudo da alma”. No entanto, tal alma não tem nada a ver com a religião ou a Psicologia Científica dos dias de hoje. Fonte: Bock, Furtado e Teixeira (2011). O que os filósofos gregos buscavam compreender era como o corpo humano recebia, por “sopro divino misterioso”, animação. Ademais, o que governava as ações do homem, seus pensamentos, seus sentimentos? Ou seja, sua mente. Muito mais a frente, séculos para ser mais exato, a Psicologia rompeu com a Filosofia. No ano de 1879, um cientista alemão, Wilhelm Wundt, começou a criar uma série de experimentos com as pessoas, a fim de investigar o funcionamento da consciência, isto é, como se operacionalizavam percepções, pensamentos e sentimentos que ocorrem no “aqui e agora” de cada um. Por conta disso, é considerado o “pai” da Psicologia Científica. Mas a Psicologia como ciência não parou aí e foi bem mais longe. Muitos outros começaram a investigar e alguns foram tão sérios, dedicados e racionalmente exigentes com suas próprias ideias, que construíram teorias muito “fortes” da Psicologia. Esses cientistas criaram o que chamamos de Paradigmas da Psicologia. Entretanto, o que é um paradigma? Paradigma é um termo de origem grega, paradeigma, que significa algo que serve como modelo, padrão, “qualquer campo de investigação e de experiência que está na origem da evolução científica” (MICHAELIS, 2015). Como, a partir de então, a Psicologia assumiu o status de ciência, faz-se necessário reconhecer alguns paradigmas e seus científicos. E será justamente quando outros começam a seguir seus preceitos e paradigmas que a Psicologia passa a ter no seu arcabouço de conhecimentos a emergência de correntes teóricas. A regra é clara: para que novos cientistas construam suas teorias, foi necessário que as teorias dos “pioneiros” servissem de referência e, assim, formassem uma corrente de teorias. Será esta ideia de continuidade do Paradigma Científico que se alicerçará a construção da Psicologia enquanto Ciência e, consequentemente, prática profissional. Para pensadores como Deleuse, Guatarri, Foucault, entre outros, um campo de saber científico valida seus conhecimentos e verdades a partir da construção de teorias. Estas podem ser definidas como uma caixa de ferramentas. Uma ferramenta só tem validade se servir para algo. Se não funcionar, não será utilizada e não será uma verdade. Obviamente, esta utilização precisa de parâmetros/critérios que balizem seu funcionamento. No caso das Ciências Humanas, os próprios pensadores salientam fazer uso de: (a) uma concepção de homem; (b) uma metodologia; e (c) um resultado a ser atingido. Descrição da imagem : Desenho de um cérebro Assim sendo, é preciso entender que a Psicologia, em sua caixa de ferramentas, busca explicar (construir teorias sobre) o porquê, como e para quê o ser humano desenvolve e manifesta seus comportamentos, sentimentos, relacionamentos, pensamentos e ações. Bock, Furtado e Teixeira (2011) destacam que a Psicologia, por meio de suas diversas correntes teóricas, se articula no estudo científico dos comportamentos humanos e processos mentais (experiências internas), tais como: sentimentos, afetos, lembranças, desejos, sonhos etc. Outra referência interessante a ser destacada é a perspectiva feita por Bock, Furtado e Teixeira (2011, p.15) no clássico livro Psicologias: uma introdução ao estudo Usamos o termo psicologia, no nosso cotidiano, com vários sentidos. Por exemplo, quando falamos do poder de persuasão do vendedor, dizemos que ele usa de “psicologia” para vender seu produto; quando nos referimos à jovem estudante que usa seu poder de sedução para atrair o rapaz, falamos que ela usa de “psicologia”; e quando procuramos aquele amigo, que está sempre disposto a ouvir nossos problemas, dizemos que ele tem“psicologia” para entender as pessoas. Será essa a psicologia dos psicólogos? Certamente não. Essa psicologia, usada no cotidiano pelas pessoas em geral, é denominada de psicologia do senso comum. Mas nem por isso deixa de ser uma psicologia. O que estamos querendo dizer é que as pessoas, normalmente, têm um domínio, mesmo que pequeno e superficial, do conhecimento acumulado pela Psicologia científica, o que lhes permite explicar ou compreender seus problemas cotidianos de um ponto de vista psicológico. Em linhas gerais, o que as ciências psicológicas se prestam a compreender abarca três grandes vias: (a) a manifestação ativa (do movimento corporal); (b) a manifestação afetiva (dos sentimentos e emoções); e (c) a manifestação cognitiva (da percepção e da memória). Figura 1 – Manifestações Psicológicas Fonte: o autor. Ao analisar estas vias e suas articulações, a Psicologia se debruça sobre suas expressões, considerando que o ser humano produz “grandes sínteses”, ou seja, mobiliza interagindo o que serão, de forma mais concreta, as expressões daquilo que lhe é próprio, que o torna singular, quanto a: (a) atenção; (b) linguagem; (c) inteligência; (d) raciocínio; (e) consciência; (f ) pensamento; (g) julgamento; e (h) personalidade. Figura 2 – Manifestações psicológicas: grandes sínteses Fonte: o autor. Ao longo da disciplina abordaremos as “manifestações psicológicas” e suas “grandes sínteses”, de modo a aplicá-las no e pelo trabalho. Nesta aula em especial, nos concentraremos no conceito de personalidade e seus desdobramentos ao contexto do trabalho. O Conceito de Personalidade O termo “personalidade”, mesmo que, a princípio, se apresente simplificado (pelo senso comum, diga-se de passagem) como “o indivíduo que é bravo, é teimoso, é vingativo, é pavio curto, é amoroso” e por aí vai, traz consigo a difícil e árdua tarefa de responder à seguinte questão: “se somos o que somos, por que somos assim?”. Isso demanda compreender vários outros aspectos que, ao serem articulados, se demonstrarão complexos. Entre as várias empreitadas que as ciências psicológicas têm se imbuído (sejam elas com um viés de pesquisa acadêmica, seja de atuação profissional) na tentativa de compreender como os fenômenos psicológicos (básicos ou superiores) são mobilizados a fim de estruturar e subsidiar a formação do indivíduo, levando em consideração seus aspectos biológicos, seu ambiente e o contexto físico-social. O conceito de personalidade, segundo Funder (2001), precisa ser encarado na busca por sua compreensão, a partir de três possibilidades (aplicações): Figura 3 – Conceito de personalidade / Fonte: adaptado de Funder (2001). A partir desta perspectiva, como se pode definir o conceito de personalidade? Conforme Hall e Lindzey (1984), muitas e variadas são as maneiras de se buscar a definição do que venha a ser personalidade. A grosso modo, os autores identificam suas “constelações” (agrupamentos) em: (a) naquelas que a relacionam às habilidades sociais; e (b) pela impressão que a pessoa provoca nos outros. Se na primeira “constelação” de teorias o indivíduo pode se modificar, ser “treinado” e “modificar” sua personalidade, na segunda “constelação” ele simplesmente altera a condição de“ser”. A perspectiva adaptada pelo observador para empreender a análise e a avaliação do que venha a ser a personalidade de alguém definirá, consubstancialmente, seu entendimento sobre a natureza e as implicações individuais (teoricamente), ambientais (empiricamente) e sociais (institucionalmente) (FUNDER, 2001). Para Funder (2001), será, especificamente, esta delimitação que definirá qual corrente teórica será selecionada e, por conseguinte, qual aspecto será valorizado. Isso implicará a construção de diferentes significados sobre o conceito de personalidade. Numa tentativa mais simplista, tomemos a seguinte postura. Daremos ao termo [...] globalizante [...] o termo personalidade se refere a tudo quanto diz respeito ao indivíduo[;] integradora [onde] a personalidade é a organização dada aos vários comportamentos do indivíduo, [ou] uma força ativa dentro do indivíduo[;] [como] ajustamento do indivíduo, [a personalidade reuniria] os diversos esforços que o indivíduo faz para ajustar-se[;] [como] aspectos únicos ou individuais do comportamento, [designando] aspectos próprios do indivíduo e pelos quais ele se distingue dos outros[;] [e por último, uma que designe] a essência do homem, [ou seja, se refere àquilo] que é mais representativo no indivíduo, não apenas ao que o distingue dos outros, mas ao que realmente ele é (HALL; LINDZEY, 1984, p. 6-7). Nenhuma definição será suficientemente, completa, como é possível perceber, quando a intenção é delimitar o que é personalidade, pois, como destacado, cada perspectiva teórica, de uma forma ou de outra, dará mais ênfase um dado aspecto. Hall e Lindzey (1984, p. 7) já haviam afirmado que “[...] a personalidade [pode] ser definida [como] um conjunto de valores ou termos descritivos usados para caracterizar o indivíduo estudado de acordo com as variáveis ou dimensões que ocupam posição central na teoria adotada”. Para fins didáticos, adotaremos o seguinte norte para nossa trilha de aprendizagem sobre as teorias da personalidade. O itinerário será: (a) Teoria Psicanalítica; (b) Teoria Comportamental; (c) Teoria Humanista; e (d) Teoria Cognitiva. Nas próximas aulas desta unidade seguiremos este caminho. TEORIA PSICANALÍTICA Numa primeira tentativa de descrever e explicar a personalidade, apresentamos a Teoria Psicanalítica, ou simplesmente Psicanálise, incluída no grupo de Teorias Psicodinâmicas da Personalidade. Para a Psicanálise, a personalidade se mostra como uma consequência da dinâmica estabelecida entre as estruturas psíquicas, ou seja, os arranjos entre forças e organizações internas, conforme aponta Freud (1996-[1920]). No entanto, antes e adentrarmos em aspectos mais conceituais, descrevamos, historicamente, o que é a Psicanálise. Segundo Sigmund Freud (1856-1939), médico austríaco interessado em estudar os seres humanos, somos animais a partir das necessidades fisiológicas. Ele identificou que todos buscam satisfazer essas necessidades, seja com o intuito de aliviar tensão ou de obter aquilo que falta. Isto posto, se há uma necessidade biológica instaurada, o comportamento será guiado com vistas a atendê-la. Freud identificou que, para isso, o indivíduo será mobilizado, com tudo a seu alcance, em sua energia, ao foco que deseja atender, tirando-o de um estado de calmaria (ação de motivação), para alçar alívio e descansar, retornando a um estado de repouso. Pense nos momentos que já sentiu sono e fome, por exemplo. Para a Psicanálise, os instintos humanos têm a capacidade de gerar desejos. Você já se pegou fissurado(a) por algo e não sossegou até que conseguisse fazer, buscar ou atender? Isso significa que você tem algum tipo de desejo, que nada mais são do que representações mentais (psíquicas) de determinadas necessidades que, por meio do corpo, nos provocam e mobilizam-se a serem atendidas. Normalmente, o desejo satisfaz ou alivia uma tensão psíquica (similar a uma tensão corpórea). Imagine você, diante de uma plateia, iniciando uma palestra, um curso ou uma conferência em um congresso de vendas. O estômago embrulha, a mão transpira, a voz fica trêmula, ou seja, você não vê a hora de sair de lá para aliviar a tensão de estar diante a plateia. No entanto, não pode satisfazer a tudo o tempo todo, então é necessário ir até o fim do discurso para produzir este efeito. Será esta intensa busca que balizará a estruturação da personalidade. Figura 5 – Parte consciente e inconsciente da mente Para a Psicanálise, a personalidade é arquitetada a partir de três estruturas básicas: o ID, o Ego e o Superego. Freud (1996[1923]) identificou estas três partes da mente humana formam uma estrutura, uma trindade, que, ao mesmo tempo, ocupa a mente do indivíduo (psiquê). A estrutura da imagem respeita uma condição: conteúdos, assuntos, temas e outras questões identificadas como indesejáveis, ou muito complicadas de serem tratadas em nível consciente, ficam inconscientes para o indivíduo. O ID é a parte na qual são depositados os impulsos. Fonte dos desejos. Sua premissa básica: buscar satisfação ou evitar desprazer. Entretanto, tais impulsos irracionais não diferenciam representação mental de objeto real (realidade de fantasia). Assim, durante o desenvolvimento humano, a mente cria uma segunda parte da mente: o Ego – parte na qual se constrói o senso de realidade. A partir da criação do Ego, os impulsos irracionais serão controlados, ou seja, é só a partir de situações possíveis e passíveis de realidade que o desejo ou tensão será atendido. Entretanto, como decidir o que se pode e o que não se pode fazer e o que se deve, ou não, fazer. Assim, uma terceira parte desponta como parâmetro: o Superego – parte responsável pela “normatização” da mente. Sofre forte influência externa (cultural) e tem a função de estabelecer qual modelo ideal de comportamento deve-se seguir. O Superego atua controlando o Ego e reprimindo os impulsos. Em suma, o Ego atua como administrador, gestor de conflitos de duas forças em embate constante, como se vê na imagem a seguir: Figura 6 – Diferença entre ID, Ego e Superego Fonte: adaptado de Freud (1996[1923]). A Psicanálise se imbuiu em entender, justamente, como se dá o desenvolvimento da dinâmica psíquica de mobilização da energia para satisfazer, adiar ou impedir satisfação de desejos e a evitação de desprazer. Compreender esta batalha cotidiana dentro de nós define quem somos e como nos comportamos. Em uma frase, resume- se: há um esforço constante (Ego) em equilibrar impulsos (ID) e o controle moral (Superego). Freud afirmava que gastamos muita energia para mantermos isso e o equilíbrio dessa dinâmica energética de repressões e impulsos (psicodinâmica) precisa ser estabelecido pela sociedade (escola, família, cultura). Marcuse (1964), grande sociólogo alemão e entusiasta da Psicanálise, apontava que a personalidade, via de regra, é formada nos primeiros anos de vida, até por volta dos 7-8 anos. Ele destaca que o Ego vai sendo construído de forma a conseguir lidar com os desejos do Id, ou seja, o indivíduo começa a se capacitar com vistas a solucionar as demandas provocadas por esses impulsos irracionais (vontades, medos, desejos etc.), articulando-as com as demandas e exigências imputadas pelo mundo externo, por exemplo, metas de vendas a serem entregues, comportamento ético a ser seguido, entre outras. Frente a esses conflitos não dirimidos ao nível da consciência, Freud (1996[1894]) percebeu o surgimento de metaprocessos, ou seja, processos em nível subconsciente (entre os níveis consciente e inconsciente) que são lançados a mão pelo Ego para tentar resolver, ou pelo menos aliviar o sofrimento causado. Ele os denominou de “mecanismos de defesa”, recursos utilizados diante deste conflito entre o ID e o Superego, a fim de promover uma solução mínima possível, ou seja, uma defesa para que a mente humana não se desfaça. Diversos são os mecanismos de defesa. Freud conseguiu, ao longo de seus estudos, identificar alguns mais comumente utilizados pelos indivíduos, até mesmo por questões culturais (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 2011). São eles: Figura 7 – Mecanismos de defesa / Fonte: adaptado de Bock, Furtado e Teixeira (2011). Freud (1996[1930]) destaca que sempre haverá algum grau de conflito presente no ser humano, desde seu nascimento até a fim de sua vida. Logo, o indivíduo, tem a capacidade de estabelecer maneiras satisfatórias de agir no mundo: amar, trabalhar, se exercitar etc. TEORIA COMPORTAMENTAL As ditas Teorias Comportamentais , ou teorias da aprendizagem social, têm como premissa a busca pela elaboração de um modelo que explique como o comportamento humano se constrói, e fazem uso de normativas científicas de investigação com a experimentação, a correlação e a observação. Os adeptos destas teorias se baseiam na perspectiva de que os processos mais significativos giram em torno do ajustamento humano ao contexto em que esteja inserido. Logo, o comportamento humano é entendido como algo que pode ser observado, medido e aprendido. Diferentes conjuntos de condições ambientais exercem efeito sobre nosso comportamento. Paras teóricos dessas perspectivas, é a partir da relação entre comportamento e condições ambientais que se pode definir uma concepção de personalidade, representada a seguir: Figura 8 – Relação entre comportamento e condições ambientais Fonte: adaptado de Skinner (1994). Dentre as teorias comportamentais, os modelos mais tradicionais concebem a personalidade como: Behaviorismo Metodológico: conjunto de comportamentos que, basicamente, envolvem respostas públicas de um dado indivíduo. O estudo da personalidade se estabelece, sob esta percepção, a partir de suas dimensões diretamente observáveis e passiveis de replicação (o pensamento, por exemplo, careceria de capacidade observacional). Beaviorismo Radical: organização do comportamento em dois grandes grupos de interações: o comportamento como reposta a algum evento ou estímulo (respondente) e o comportamento como antecipação a algum evento ou estímulo (operante). As Teorias Comportamentais, deste modo, entendem personalidade como: [...] um artifício para representar um sistema de respostas funcionalmente unificado [algo que se refere] a um modo de ação comum. Em uma mesma pele encontramos o homem de ação e o sonhador, o solitário e o de espírito social [...]. Por outro lado, uma personalidade pode se restringir a um tipo particular de ocasião [...]. Tipos de comportamento que são eficazes ao conseguir reforço em uma ocasião A são mantidos juntos e distintos daqueles eficazes na ocasião B. Então a personalidade de alguém [junto à família pode variar daquela] na presença de amigos íntimos (SKINNER, 1994, p. 273). A fim de ilustrar de forma mais emblemática a perspectiva das Teorias Comportamentais, elegeremos o Behaviorismo Radical como o representante para a presente discussão. Isto, pois, ao contrário de teorias psicodinâmicas, por exemplo, o Behaviorismo Radical compreende a personalidade considerando princípios de aprendizagem, ou seja, algo que pode ser adquirido, aprendido e mantido num ambiente por esquemas de reforçamento/punição. Assim, a forma de ser (de se comportar) no mundo é estabelecida a partir de elementos de controle ambientais ou variáveis (estímulos ou contingências) presentes num determinado contexto. A fim de explicar melhor essa dinâmica, Skinner elenca alguns princípios norteadores: Condicionamento respondente: aquele comportamento que surge em resposta a um estímulo ambiental. Dito de outra forma, trata-se de um estímulo que tenha poder de provocar um dado comportamento. Saiba Mais O condicionamento respondente foi divulgado, principalmente, pelos trabalhos de Ivan Pavlov (1849-1936), que o compreendia como um fenômeno em interação. Seus trabalhos consistiam na busca para explicar a origem de comportamentos reflexos, ao longo da história de vida de um indivíduo.Fonte: o autor. Condicionamento operante: comportamento por meio do qual o ser humano atua no ambiente em que está inserido. Logo, falar de personalidade, à luz do Comportamentalismo, é destacar como os indivíduos frequentam e modificam o mundo em que vivem. Cada pessoa se comporta no meio a partir de princípios do condicionamento, no caso, o operante. Aprendemos, ao logo de nossas vidas, formas de atuarmos e modificarmos o meio em que vivemos, desde as mais simples até os padrões mais complexos. Saiba Mais Skinner (1994) entendia que discutir personalidade remete a erigir um entendimento sobre ações e atitudes (os comportamentos de intervenção) do indivíduo sobre o ambiente, bem como os diversos aspectos do mundo. Fonte: adaptado de Skinner (1994). As consequências de nossas ações regulam o que fazemos (as circunstâncias antecedentes para sua ocorrência futura do comportamento), pois, ao adotarmos este ou aquele comportamento, o fazemos em função dos efeitos no ambiente e pelas circunstâncias que os precedem. Para os comportamentalistas, o indivíduo acaba por se posicionar no mundo a fim de produzir certas consequências e, não, pela sua forma. Pense naquela reunião em que você é convidado a sugerir formas de melhorar o desempenho de uma dada equipe problemática. As várias formas de se comportar serão “filtradas” e sugeridas em razão da probabilidade de trazerem melhores resultados e, não, porque você se sente mais afável com o jeito de trabalhar. Whaley e Malott (1981) afirmam que quando uma consequência segue um comportamento e aumenta sua probabilidade de ocorrência futura, essa consequência é chamada de reforço. Este reforçamento designa o aumento real da frequência do comportamento em si. No outro lado da moeda, quando há a diminuição da probabilidade de ocorrência futura, os autores destacam a existência da punição. Sob este viés, o termo “personalidade” nada mais se refere do que a um padrão de comportamento aprendido, adquirido e mantido por contingências (um conjunto de estímulos antecedentes e precedentes no meio ambiente, como a história da espécie, do indivíduo e a cultura). Por conseguinte, traços de personalidade referem-se a padrões de comportamento, em tese, estruturados a repertórios individuais e instalados ao longo da história de cada um. A história de reforçamentos e condicionamentos de cada indivíduo e sua interação com o contexto mudou-muda-mudará ou foi-está sendo-será modificada. Logo, o comportamento será diferente no modo de agir de cada pessoa. Nesta ótica, o ser humano é compreendido a partir das determinações em que está inserido (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 2011). TEORIA HUMANISTA O grande nome da teoria humanista da personalidade, é Carl Rogers (1902-1987), o qual destacava a relação entre os valores e as normas sociais e sua influência no comportamento humano. Pois para os humanistas existe uma tendência, em todo ser vivo, para a busca do aumento de sua complexidade, seu desenvolvimento, sua melhora. Essa tendência é a mais forte encontrada nos seres humanos. Logo, em geral, todas as pessoas possuem dentro de si uma tendência a aprimorarem-se, sempre. Rogers (2002) identificou que todas as pessoas materializam, em seu dia a dia, um processo de crescimento por meio de um conceito denominado, por elas, como “tendência para a realização” ou autorrealização. Se analisarmos comportamentos, muitas vezes, considerados cruéis ou autodestrutivos, à luz da “autorrealização”, veremos formas defensivas de atuação, ou maneiras inadequadas de comportamento aprendidas. O humanista entende que todo o comportamento, em seu cerne, carrega uma motivação “boa”. Tal comportamento busca oferecer ao indivíduo uma maior e melhor integração consigo mesmo e com outros com que se relaciona. No entanto, quem guia essas ações com um propósito tão benéfico, ou mesmo benevolente? Para Rogers (2001), a estrutura da personalidade se pauta a partir de um“processo organísmico de valoração”, o qual: Avalia as experiências vividas. Julga as experiências que contribuem e aquelas que prejudicam a autorrealização. Direciona a pessoa para posições benéficas, afastando-a das posições prejudiciais. Constitui-se como uma experiência interna, subjetiva, natural e inerente ao sujeito. Caracteriza-se como uma experiência singular à pessoa e a sua referência principal. O comportamento é orientado, para sempre, a algo que promova uma melhora do indivíduo. A questão é que muitas vezes este processo mostra-se conflitante com as normas sociais (balizado pelas particularidades de um dado momento histórico e social no qual o comportamento se dá). Rogers (2001) destaca que o descompasso ocorre, justamente, se a pessoa, ao internalizar as regras e valores socioculturais, “abafa” seu processo organísmico de valoração. Isso acarreta o surgimento de sentimentos de medo e atitudes defensivas que, frequentemente, afastam-na de uma vida mais sustentável e saudável. Este tipo de situação é facilmente percebido quando identificamos pessoas que adotam posturas mais defensivas em relação à vida, como evitar novas experiências e vivências, de ordem subjetiva ou objetiva. Quanto menos experiências, menor será a capacidade de interação com outras pessoas e de resolver e dirimir conflitos. Entretanto, são menos situações que podem gerar, criar e encontrar alternativas que empoderem o indivíduo na tomada de decisões, fator imprescindível no contexto organizacional. As ações dos indivíduos são norteadas, em grande parte, pela percepção de si criada a partir do processo organísmico de valoração. A confrontação entre a percepção de si “real” e “ideal” (oriunda de expectativas e valores advindos da sociedade) gera uma “congruência” ou uma “incongruência” (experiência de conflito entre o que se é e o que se quer ser). Quando ocorre incongruência, maior é a dependência de referências externas para organizar seu processo de realização. As experiências vividas pelo indivíduo tendem a ser percebidas não como algo bom, levando-o a adotar hábitos defensivos, não muito saudáveis. Para Rogers (2001; 2002), a incongruência só pode ser evitada quando se possibilitam experiências fundamentadas em uma “consideração positiva incondicional”. Isso, em geral, gera fortalecimento para a percepção de um ambiente mais seguro e dá as bases para o desenvolvimento de autoconfiança, bem como a capacidade mais ampliada de abertura para novas possibilidades de vivências, experimentando formas de agir e atuar no contexto e utilizando recursos como criatividade e resiliência. Para a Teoria Humanista, a personalidade é compreendida como uma síntese da própria vida empreendida pela pessoa. A palavra de ordem é o grau de autonomia construído pelo indivíduo e sua capacidade de agir, de julgar, de compreender e de aceitar-se. TEORIA COGNITIVA Em grande parte, a principal preocupação das Teorias Cognitivas é a construção de uma compreensão sobre o funcionamento da mente humana. Em seus estudos, os teóricos desta escola das Ciências Psicológicas empenham-se em sistematizar os processos mentais envolvidos com a aprendizagem (cognição), bem como aqueles da sensação, da percepção, da memória etc. No que se refere o constructo da personalidade, tudo orbita em torno de como o conceito se encaixa na organização geral dos elementos mentais. Para os cognitivistas, conhecer as dimensões em termos de processos e a sua operacionalização é o que baseia as avaliações adequadas e, assim, procede as intervenções individualizadas. Para a Escola Cognitiva, é necessário entender como o ser humano processa informações, além das leis e regras de funcionamento e as estratégias de intervenção criadas para enfrentar dificuldades e problemas. Sternberg (2010) faz uma comparação do cérebro humano (Sistema de Processamento de Informação Humano) a um hardware-software (Sistema de Processamento de Informação Computacional). Com isso, é possível identificar que as bases de compreensão sobre o conceito de personalidade, para os cognitivistas, residem no entendimento sobre a organização da mente. Sobre o funcionamento de cada um de seus elementos (memória, percepção, pensamento etc.), Sternberg (2010) concebe o cérebro humano com a capacidade produzir inúmeros modelos da mente, e cada um deles apresenta um arranjo diferente. Assim, similar a um modelo computacional, existem características “básicas” e características “secundárias” da mente humana. Logo, à personalidade são concebidas características básicas, estruturadas em um processo que difere em níveis de complexidade. O autor ainda destaca que as categorias comportamentais, sua combinação mais complexa de traços básicos e representações mentais, é que subsidiarão a estruturação da personalidade. Por fim, ainda será necessário a adição do conjunto daquelas características adquiridas ao longo da vida do indivíduo. As representações construídas pelo indivíduo sobre o ambiente e a situação em que se encontra governam seu comportamento (STERNBERG, 2010). Em suma, as características básicas dadas por um dado modelo de funcionamento mental se assemelham a um modelo de carro. Existem os carros hatch, os carros sedan, as peruas, os SUV, os esportivos etc. A forma como cada motorista vai utilizar e aplicar a estrutura básica dependerá de outros elementos, mas sempre condicionado às possibilidades projetadas para cada modelo de carro. Logo, quando você tem um determinado carro “rebaixado” ou pintado (modificado), este funcionará de forma diferente, ou seja, foram acrescidos opcionais que o diferenciam por completo. Com a mente humana, sob esta perspectiva, os princípios aludidos são os mesmos. A personalidade é o modelo de carro e as representações mentais são os opcionais. Descrição da imagem : Desenho de um cérebro Segundo Sternberg (2010), as representações (os opcionais) são constituídas por crenças e esquemas que se desenvolvem e se diferenciam a partir da interação com o meio. Logo, as experiências pessoais de convívio com outros indivíduos e instituições sociais darão a tônica de desenvolvimento e comportamento humano. Para a Teoria Cognitivista, a personalidade será constituída pelos traços básicos e “secundários” (os opcionais), que serão a base para a codificação, categorização e avaliação das experiências ao longo da vida. EM FOCO O documentário “A Ciência e a Personalidade” debate a perspectiva da Psicologia e do contexto do trabalho, articulando-os a o conceito de personalidade. Para acessar o vídeo, clique no link, disponível em: Vídeo Aprofundando Como sugestão, para aprofundamento nos estudos, convido você a refletir sobre alguns aspectos que têm impacto direto no cotidiano organizacional e do trabalho. De forma mais ampla, as características pessoais e sua relação com contexto do trabalho. Vejamos algumas ponderações: Há uma relação entre configurações de poder e características individuais, bem como entre a subjetividade e sua influência sobre o bem-estar de quem trabalha e onde trabalha (organizações)? As características pessoais dos indivíduos têm impacto sobre as características da organização e o seu bem-estar (e dos trabalhadores)? Quais os principais fatores nos quais as pessoas variam e como eles se caracterizam? As características humanas (seus fatores) podem ser identificadas, inicialmente, sob cinco formatos básicos. São eles: Extroversão (extraversion) A extroversão se refere ao grau de tolerância à estimulação sensorial vinda de outras pessoas e situações, sendo relacionada ao número e à força das interações com outras pessoas e à capacidade de estar feliz. Seu alto grau significa que o indivíduo tende a ser sociável, ativo, otimista e envolvido com muitas atividades. O oposto são pessoas reservadas e quietas. Neuroticismo (neuroticism) O neuroticismo é o grau de sensibilidade ao estresse e de ajustamento emocional que identifica indicadores de propensão ao sofrimento psicológico. Um nível alto significa maior ansiedade, depressão, impulsividade, hostilidade e ideias irreais. Um nível baixo indica que o indivíduo lida com o estresse de forma calma e segura. Esse é um domínio bem conhecido da personalidade e que envolve, principalmente, características como: afeto positivo e negativo, ansiedade e estabilidade emocional. Abertura (openness) A abertura refere-se ao grau de abertura a novas experiências ou formas de fazer as coisas, estando relacionada aos comportamentos de exploração. Pessoas com abertura elevada são curiosas, criativas e exploram bastante o ambiente, sendo o oposto pessoas convencionais, conservadoras e rígidas. Esse é um fator que considera a percepção da pessoa quanto à flexibilidade de pensamento, fantasia, imaginação, abertura para novas experiências e interesses culturais. Socialização ou amabilidade (agreeableness) A socialização, ou amabilidade, indica a tendência do indivíduo a ser socialmente agradável, caloroso e dócil. Refere-se ao tipo de interação que uma pessoa mantém com as outras, estando relacionada ao grau em que esta defere ou se acomoda aos outros, que pode variar de compaixão a antagonismo. Elevados níveis significam tendências generosas, prestativas e altruístas; baixos níveis indicam pessoas cínicas, com tendências manipuladoras e vingativas. Realização ou conscienciosidade (conscientiousness). A realização, ou conscienciosidade, agrupa características que se relacionam com a responsabilidade e a honestidade, de um lado, e a negligência e irresponsabilidade, de outro. Tal fator refere-se ao grau em que os indivíduos lutam por seus objetivos. Pessoas conscienciosas são mais organizadas, persistentes, decididas, ambiciosas e perseverantes. O contrário corresponde a pessoas descuidadas, negligentes e sem objetivos claros. É possível apreender, rapidamente, que há uma possível relação entre características individuais e organizacionais e o bem-estar no trabalho. Esta conclusão advém da premissa de que existem várias configurações de poder que explicam o bem-estar e será preciso analisar as características de personalidade dos indivíduos que impactam o cotidiano organizacional frente às diversas relações existentes. Dessen e Paz (2010) têm a concepção de que o bem-estar pessoal, bem como as relações de troca entre o trabalhador e a organização precisam ser considerados. A maneira como é estabelecida a relação entre eles será a marca do contrato social erigido, que terá em suas partes: (a) o trabalhador, que fornece sua força de trabalho para a (b) organização, que, em troca, retorna uma contrapartida (o salário, por exemplo). Portanto, a negociação caracteriza esta relação. Logo, o bem-estar decorrerá de como as relações de reciprocidade serão estabelecidas entre as partes (trabalhador e organização). Os autores destacam que o bem-estar será afetado por características e pela forma com que a organização se estrutura. Fonte: adaptado de Dessen e Paz (2010). Novos Desafios Neste estudo iniciamos um debate sobre como a Psicologia concebe o ser humano. Em nosso itinerário, nos embrenhamos em conhecer: Como a Psicologia, em termos científicos, entende o homem (sua subjetividade e os elementos que são focados para tal: as manifestações psicológicas) e como ele possui uma diversidade de correntes teóricas para compreendê-la também, por exemplo: neurociência, evolucionista, cognitiva, comportamental, psicodinâmica, sociocultural, genética do comportamento. O conceito de personalidade e entendê-lo a partir de três aplicações (óticas): teóricas, empíricas e institucionais. Cada perspectiva teórica, de uma forma ou de outra, dará mais ênfase a um dado aspecto. A Psicanálise, que entende a personalidade como uma consequência da dinâmica estabelecida entre as estruturas psíquicas (forças e organizações internas, bem como os arranjos entre elas; inconsciente e inconsciente; e as instâncias da mente humana (ID, Ego e Superego). A Teoria Comportamental, que entende a personalidade considerando princípios de aprendizagem, ou seja, algo que pode ser adquirido, aprendido e mantido num ambiente por esquemas de reforçamento/punição. A forma de ser (de se comportar) no mundo é estabelecida a partir de elementos de controle ambientais ou variáveis (estímulos ou contingências) presentes num determinado contexto. As Teorias Humanistas, que entendem que o comportamento dos indivíduos é orientado para algo que promova sua melhora. A questão é que muitas vezes este processo mostra- se conflitante com as normas sociais (balizado pelas particularidades de um dado momento histórico e social no qual o comportamento se dá), por meio do processo organísmico de valoração e de esquemas de congruência e incongruência. As Teorias Cognitivas, que dão ênfase às leis e às regras de funcionamento, às estratégias de intervenção criadas para enfrentar dificuldades e problemas, bem como ao funcionamento do cérebro e às representações mentais. Vamos Praticar ? Chegou o momento de testar o conhecimento adquirido até aqui! Para isso, por favor, participe da autoatividade que preparamos especialmente para você. São apenas 5 questões. 1. Para a Psicanálise, a instância denominada “Ego” é considerada uma parte essencial do aparelho psíquico, pois está em contato com a realidade externa. Como tal, tem a responsabilidade de criar: a) Os desejos. b) Os mecanismos de defesa. c) As regras. d) Os tipos de personalidade. e) Os medos. Resposta Correta: b) Os mecanismos de defesa. Muito bem! Está bem atento aos estudos! 2. Qual das principais correntes teóricas dá grande ênfase à necessidade de manter, na medida do possível, considerações positivas em relação a uma pessoa, para que ela possa ter um desenvolvimento saudável da sua personalidade? a) Psicanalítica. b) Comportamentalista. c) Humanista. d) Cognitiva. e) Geral. Resposta Correta: c) Humanista. Muito bem! Está bem atento aos estudos! 3. O comportamentalismo compreende a personalidade a partir da concepção: a) De um esquema estímulo-resposta. b) Do inconsciente. c) De processamento de informações. d) Da busca pelo prazer. e) Da coerência do comportamento. Resposta Correta: a) De um esquema estímulo-resposta. Muito bem! Está bem atento aos estudos! 4. Sobre a personalidade, assinale a alternativa correta: a) Os padrões instáveis de personalidade só se formam nas idades mais avançadas da formação humana. b) Nossas autorrepresentações mentais e de nossas interações não interferem diretamente nas interações com outras pessoas. c) As pessoas se comportam sempre de forma lúcida, e sob plena consciência, compreendendo o que e o por que fazem. d) Os processos mentais superiores têm pouca influência sobre o comportamento humano. e) Os padrões instáveis de personalidade começam a se formar na infância. Resposta Correta: e) Os padrões instáveis de personalidade começam a se formar na infância. Muito bem! Está bem atento aos estudos! 5. Para as teorias cognitivas, o indivíduo se mostra capaz: a) Quando alivia tensões e medos. b) Quando utiliza recursos adquiridos no dia a dia para solucionar problemas cotidianos. c) Quando estabelece a relação condicionante ou operante. d) Quando estabelece congruência entre pensamento e comportamento. e) Quando os mecanismos de defesa estabelecem a generalização dos comportamentos. Resposta Correta: b) Quando utiliza recursos adquiridos no dia a dia para solucionar problemas cotidianos. Muito bem! Está bem atento aos estudos! REFERÊNCIAS ACHCAR, R. (Org.) Psicólogo brasileiro: práticas emergentes e desafios para a formação. São Paulo: Casa do Psicólogo,1994. BOCK, A. M. B.; FURTADO, O.; TEIXEIRA, M. L. T. Psicologias: uma introdução ao estudo da Psicologia. 14. ed. São Paulo: Saraiva, 2011. CODO, W.; MERLO, A. R. C.; JACQUES, M. G. C. L. Mesa - Saúde do trabalhador: dignidade e qualidade de vida no mundo do trabalho In: LEONARDI, A. I. et al. 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