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AO JUÍZO DA VARA DO TRABALHO DE ___ – TRT ___ª REGIÃO
MARCOS DAS COUVES BRASIL, qualificação não informada, por intermédio de seu advogado, com o devido respeito, à presença de Vossa Excelência propor a presente
RECLAMAÇÃO TRABALHISTA
em face de LOGÍSTICA RÁPIDA FLASH LTDA., pessoa jurídica de direito privado, pelos fundamentos de fato e de direito a seguir expostos.
I – DOS FATOS
O Reclamante foi admitido em 10/02/2022 para exercer a função de auxiliar de expedição, percebendo salário mensal de R$ 1.980,00, com contrato devidamente registrado em sua CTPS.
Na contratação, ajustou-se jornada de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, com intervalo de uma hora. Contudo, na prática, o Reclamante iniciava suas atividades às 7h30 e, em média, encerrava às 18h30, chegando em períodos de maior demanda a trabalhar até 19h ou 19h30.
Embora houvesse sistema eletrônico de ponto, os registros refletiam apenas os horários contratuais, omitindo as horas efetivamente trabalhadas. Assim, o labor extraordinário não era pago nem compensado.
O intervalo intrajornada também não era respeitado: frequentemente reduzido a 30 minutos e, em alguns dias, totalmente suprimido, sem a devida remuneração.
A partir de 2023, o Reclamante passou a trabalhar habitualmente aos sábados, das 8h às 13h, sem pagamento adicional ou concessão de folga compensatória.
Além disso, a empresa realizava descontos mensais sob as rubricas “quebra operacional” e “avaria de mercadoria”, sem autorização do empregado e sem comprovação de dolo ou culpa.
Em 15/11/2024, o Reclamante foi dispensado sem justa causa, mediante aviso-prévio indenizado. Na rescisão, recebeu apenas saldo salarial, férias vencidas com 1/3 e 13º proporcional, restando pendentes as horas extras, o pagamento pelo intervalo suprimido e a devolução dos descontos indevidos.
II – DO DIREITO
A Constituição Federal, art. 7º, XIII e XVI, fixa a jornada máxima de 8 horas diárias e 44 semanais, assegurando adicional para o serviço extraordinário.
Nos termos do art. 59 da CLT, as horas excedentes devem ser remuneradas com o adicional legal. Como os registros de ponto não refletiam a realidade, requer-se que seja considerada a jornada efetivamente cumprida.
Quanto ao intervalo intrajornada, o art. 71, §4º, da CLT prevê o pagamento do período suprimido com acréscimo legal.
O trabalho aos sábados também deve ser remunerado como extraordinário, diante da ausência de pagamento ou compensação.
Sobre os descontos, o art. 462 da CLT veda abatimentos sem autorização ou comprovação de culpa. Logo, os valores retidos indevidamente devem ser restituídos.
As horas extras reconhecidas devem repercutir em férias + 1/3, 13º salário e FGTS.
III – DOS PEDIDOS
Diante do exposto, requer:
1. Reconhecimento da jornada efetivamente cumprida;
2. Pagamento das horas extras além da 8ª diária e 44ª semanal, com adicional legal;
3. Reflexos das horas extras em férias + 1/3, 13º salário e FGTS;
4. Pagamento do período suprimido do intervalo intrajornada, com adicional legal;
5. Remuneração das horas trabalhadas aos sábados como extraordinárias;
6. Reconhecimento da irregularidade dos descontos efetuados;
7. Restituição dos valores indevidamente descontados;
8. Recolhimento correto do FGTS sobre as parcelas salariais reconhecidas, com multa de 40% quando cabível;
9. Condenação da Reclamada ao pagamento de honorários advocatícios, conforme art. 791-A da CLT.
Requer a citação da Reclamada para apresentar defesa, sob pena de revelia e confissão quanto à matéria de fato.
Protesta pela produção de todos os meios de prova admitidos, especialmente documental, testemunhal e depoimento pessoal da Reclamada.
Dá-se à causa o valor de R$ ___, para fins legais.
Nestes termos, pede deferimento.
Local, data.
Advogado – OAB/UF

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