Prévia do material em texto
FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO INTEGRAL 1 SUMÁRIO Conceitos e princípios da educação integral ............................................................ 2 Histórico da educação integral no brasil .................................................................... 5 Marcos legais da educação integral no brasil ........................................................... 7 Equidade, democracia, participação, contextualização, integralidade e articulação .......................................................................................................................... 8 Multidimensionalidade e desenvolvimento integral ............................................. 10 A interação entre saberes acadêmico se comunitários. ....................................... 13 Diversidades e singularidades das crianças e adolescentes ............................... 14 Inclusão ............................................................................................................................... 15 Ensino personalizado ......................................................................................................16 Reflexões no contexto escolar ......................................................................................16 O currículo na perspectiva da educação integral ..................................................16 O projeto político-pedagógico (ppp) como instrumento de integração e identidade .......................................................................................................................... 19 Políticas públicas e intersetorialidade ...................................................................... 20 Você já ouviu falar no bairro-escola em nova iguaçu? ........................................ 20 O desafio da intersetorialidade no brasil ................................................................. 20 Elementos fundamentais para o trabalho intersetorial e personalizado ........ 21 Estratégias pedagógicas essenciais na intersetorialidade ................................. 22 Espaços, tempos e territórios educativos ................................................................. 22 Por que educar e aprender no território? ................................................................. 23 Os tempos educativos: qualidade e intencionalidade ......................................... 23 Políticas públicas e a implementação da educação integral ............................ 24 Educação integral como política pública ................................................................ 25 Modalidades de ampliação da jornada ................................................................... 25 Diagnóstico como etapa estratégica ........................................................................ 26 Referências bibliográficas: ........................................................................................... 27 2 FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO INTEGRAL Prof.ª: Me.Tamara Juliana Pereira Andrade CONCEITOS E PRINCÍPIOS DA EDUCAÇÃO INTEGRAL A Educação Integral pode ser entendida como uma concepção que concebe que a educação deva garantir o desenvolvimento pleno dos sujeitos em todas as suas dimensões – intelectual física emocional, social e cultural, constituindo-se como um projeto coletivo que é compartilhado por crianças, pela família, educadores e gestores. É possível compreender que as dimensões acima citadas são indissociáveis em relação ao cotidiano em que estamos vivendo. O termo “integral” é entendido não apenas como a extensão do tempo e dos espaços escolares, mas como a promoção de uma formação ampla e completa do indivíduo. Essa concepção visa ao desenvolvimento pleno de suas diversas capacidades, por meio de um processo educativo que integre dimensões científicas, tecnológicas, humanísticas, políticas e estéticas, com o objetivo de favorecer sua emancipação. Portanto: [...] sugere superar o ser humano dividido historicamente pela divisão social do trabalho entre a ação de executar e a ação de pensar, dirigir ou planejar. Trata-se de superar a redução da preparação para o trabalho ao seu aspecto operacional, simplificado, escoimado dos conhecimentos que estão na sua gênese científico-tecnológica e na sua apropriação histórico-social. Como formação humana, o que se busca é garantir ao adolescente, ao jovem e ao adulto trabalhador o direito a uma formação completa para a leitura do mundo e para a atuação como cidadão pertencente a um país, integrado dignamente à sua sociedade política. (CIAVATTA,2005,p.85). Ela ganhou força no fim da década de 90 podendo ser vista como uma concepção que propõe o desenvolvimento e a implementação de práticas educativas e políticas públicas que visam a inclusão e a emancipação dos estudantes. Ao promover um ensino que tem o estudante como centro do processo educativo, reconhecendo como sujeito integral, so-cial, histórico, competente e multidimensional é capaz de co-nectar o verdadeiro sentido da escola e a educação para vida. A integralidade da pessoa humana abarca a intersecção dos aspectos bio-lógico-corporais, do movimento huma- no, da sociabilidade, da cognição, do afeto, da moralidade, em um contexto tempo-espacial. Um processo educati-vo que se pretenda “integral” trabalha- ria com todos estes aspectos de modo integrado — ou seja — a educação visaria à formação e ao desenvolvi- mento humano global e não apenas ao acúmulo informacional (Gatti, 2006, p. 16). 3 Ela não é uma modalidade de ensino, mas sim uma concepção educacional que vê o ser humano como prota-gonismo de forma integral, buscando contemplar todas suas dimensões físicas, culturais, sociais e emocional. Fonte: a autora Os estudantes devem ser vistos como sujeitos multidimensionais que necessitam da articulação de adultos, como por exemplo os professores e a família para apoiar e sustentar o desenvolvimento integral. Uma educação intencional que prepara para a vida além dos conteúdos. Trazendo a possibilidade de construir projetos coerentes que vão de encontro aos interesses dos estudantes e aquilo que eles desejam, atendendo suas necessidades de aprendizagem e desenvolvimento apoiando a construção dos seus projetos de vida. Demo (2010) afirma que para a educação integral em tempo integral, a maior preocupação não é a “transmissão curricular”, mas a reconstrução e (re)significação curricular. Na sua proposta, tudo se planeja em prol da aprendizagem, que não se limita a ensinar mais, mas, sobretudo, ensinar melhor. “Em vez da aula reproduzida, entra em cena a proposta sempre construída, desconstruída e reconstruída, no ritmo disruptivo do conhecimento” (DEMO, 2010, apud PARANÁ, 2012, p.11). Muitos entendem que a educação integral é somente a ampliação do tempo. Mas mais do que isso, para que seja integral é necessário articular diferentes praticas, em um currículo integrado que promove experiencias e que a professora atua como mediadora, valorizando o conhecimento de si mesmo, do seu corpo e de suas emoções, construindo uma educação de 4 grande significância, construindo uma educação articulada entre vinculo e significado, considerando a escola, a cultura e o vínculo dos alunos com os saberes do cotidiano. Nessa perspectiva, além da ampliação do tempo de permanência do estudante na escola, outros aspectos são intervenientes no processo avaliativo, como o papel do professor, o percurso formativo do estudante, seus anseios, seus projetos de vida, a heterogeneidade cultural e social e as práticas educativas como um todo. (Paraná, 2019). Dessa forma é trabalhado de forma alinhada as propostas desenvolvidas ampliando a escola para a cidade. Uma escola focada na EI precisa se apropriar da cidade, do bairro e buscando a participação de todos os indivíduos e promovendo o diálogo e a participação da comunicada. Para que haja um desenvolvimentointegral é necessário engajamento de diferentes setores e também politicas publicas indutoras de projetos que possam transformar as escolas. Envolvendo uma intersetorialidade. Por isso, a Educação Integral evoca um conjunto de estratégias - dentro e fora da escola, mobilizando ações intra e intersetoriais no governo e em parceria com a sociedade, ampliando a rede de proteção à infância, adolescência e juventude, a salvaguarda dos direitos humanos e atenção às diversidades. O dialogo democrático nesse processo é essencial, o papel da EI é garantir que todos possam se tornar cidadãos autônomos, que constroem seus projetos de vida e sigam aprendendo, desenvolvendo autonomia no exercício da cidadania. Para além da ampliação do tempo vivido pelos estudantes dentro da instituição educativa, a EI deve ser vista como uma proposta que visa superar as desigualdades ao promover uma prática contemporânea e por buscar desenvolver uma proposta focada da superação das desigualdades. Segundo Moll e Barcelos (2021, p. 789): Pensar a educação integral, no contexto da escola de educação básica, implica a superação do arraigado dualismo entre desenvolvimento intelectual, cultural, emocional e físico, implica recompor a unidade corpo, mente e espírito, historicizada e temporalizada pelas condições reais de existência de nossos meninos e meninas, assim como a superação do abismo das condições de funcionamento e de acesso ao saber, nas escolas em que estudam os/as filhos/as das diferentes classes sociais. Ao mesmo tempo, implica a superação da naturalização do tempo exíguo, das práticas excludentes e dos métodos arcaicos arraigados em nosso sistema educacional. 5 Os princípios que caracterizam a EI são: • A promoção da equidade ao reconhecer os direitos de aprendizagem de todos, reconhecendo a importância do acesso a oportunidades educativas diferenciadas e diversificadas, abordando diversas linguagens, recursos, saberes, espaços como uma das formas de se enfrentar as desigualdades sociais. • Promove a inclusão ao reconhecer as múltiplas identidades, a singularidade de cada sujeito visando oportunizar um projeto educativo voltado a todos. • Demonstra sua contemporaneidade por que estão alinhadas às demandas do século XXI, visando a formação de sujeitos responsáveis por suas ações em relação ao mundo, capazes de desenvolver sua autonomia refletindo de forma crítica sobre o mundo qual está inserido. • Está alinhada a sustentabilidade visto que se compromete aos processos educativos que integram a prática a teoria e a relação entre o que se aprender e aquilo que se aplica, buscando contextualizar os aprendizados. Dessa forma, a Educação Integral visa promover uma escola contemporânea e alinhadas aos princípios acima citados. HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO INTEGRAL NO BRASIL Linha do tempo dos movimentos e marcos legais associados à Educação Integral no Brasil. Fonte: Centro de Referências em Educação Integral (CREI) Desde as primeiras décadas do século XX, diversos movimentos sociais, intelectuais e experiências locais já apontavam a necessidade de uma formação educacional orientada por princípios humanistas e emancipatórios, valorizando a articulação entre escola e território. Com 6 o tempo, essa concepção foi sendo incorporada ao ordenamento jurídico e às diretrizes educacionais brasileiras, que passaram a reconhecer a educação como um direito que visa ao desenvolvimento pleno dos sujeitos. A ampliação progressiva da jornada escolar também passou a ser considerada um elemento importante nesse processo. Apesar disso, a Educação Integral como política pública nacional estruturada é ainda um campo relativamente novo e em processo de consolidação no Brasil. Sua origem se inicia na década de 1930, a partir do Manifesto dos Pioneiros da Escola Nova. Em 1950, com a criação de algumas escolas, a ampliação dos tempos, espaços e oportunidades de aprendizagem na EI começa a ganhar força e notoriedade. Muitos pesquisadores como Anísio Teixeira defendiam a escola em tempo integral bem como o enriquecimento do programa curricular já existente com propostas práticas que articulassem a comunidade e a vida. Segundo ele a relação entre escola e comunidade era essencial, não podendo limitar-se somente ao espaço da escola, visto que uma aprendizagem se torna significativa quando está conectada a vida e é contextualizada. Tornando o sujeito participe de sua vivencia, em que irá aprender algo para agir e compreender o mundo em que vive, atuando de forma crítica. Não faz sentido uma educação centrada somente no conteúdo, separada do contexto, pois não terá sentido. Em 1980, inspirada nas escola-parque de Anísio Teixeira, Darcy Ribeiro implementou os CIEPS, conhecidos como Centros Integrados de Educação Pública, no decorrer de sua gestão como secretário da educação em Rio Janeiro. Levantou a discussão sobre a necessidade de um programa de educação integral, mesmo que com foco em oferecer saúde, educação, cultura, esporte, assistência social, segurança alimentar aos estudantes, ficou marcado pela ampliação da jornada e pelo projeto arquitetônico de Oscar Niemeyer. A partir desse momento muitas iniciativas de EDI foram implantadas no Brasil, mas somente em 2001 o debate sobre sua importância ganhou mais valor ao discutir sobre os Centros Educacionais Unificados (CEUS), em São Paulo. Um projeto intersecretarial, que envolvia Educação, Esporte e Cultura articulando a comunidade e a gestão participativa e democrática. Em 2007, a EI se fortaleceu ainda mais quando o governo federal instituiu o Programa Mais Educação, como estratégia para ampliação da jornada escolar e a organização curricular, inspirada no conceito de Bairro-Escola. Este programa consiste em uma ação indutora de políticas municipais para a EI, possibilitando o aumento da jornada e a diversificação das atividades, sem necessariamente modificar o espaço físico ou aumenta o número de professores por exemplos, reconhecendo que os educadores populares e agentes dos territórios podem criar um esquema de atuação conjunto aos funcionários e professores da instituição; estimulando o início de parcerias com espaços externos, demandando uma maior conexão entre a escola e o 7 entorno. Com sua chegada, o Programa Mais Educação teve a possibilidade de estimular a articulação de políticas socioeducativas, instigando os gestores e pensa sobre novas possibilidades de implementação de programas de Educação Integral. Não trouxe uma estratégia pronta para a implementação desta política pública, mas levantou um debate a estas novas possibilidade, ampliando a visão do desenvolvimento integral enquanto concepção educativa. Esta concepção tem como foco o desenvolvimento pleno dos sujeitos nas diferentes fases da vida, tendo-o como centro das propostas educativas e acreditando que as aprendizagens são decorrentes das relações de valor deste sujeito com o meio, o outros e os objetos do conhecimento. MARCOS LEGAIS DA EDUCAÇÃO INTEGRAL NO BRASIL A Educação Integral está respaldada por importantes marcos legais no Brasil. As Diretrizes Curriculares Nacionais de 2013, em sintonia com a Constituição Federal de 1988, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação de 1996 e o Estatuto da Criança e do Adolescente de 1990, afirmam que a principal função da educação é garantir o desenvolvimento pleno de cada pessoa. Isso significa reconhecer o direito de todos e todas a se desenvolverem em sua totalidade — considerando seus desejos pessoais, suas formas únicas de ser e a necessidade de convivência respeitosa e coletiva. O Plano Nacional de Educação (2026) reforça essa perspectiva ao estabelecer como meta a expansão da educação integral com a ampliação da jornada escolar. Mais do que aumentar o tempo na escola, trata-se de estimular a articulação com outros espaços educativos e culturais presentes no território, como bibliotecas, praças,centros comunitários, museus, teatros, cinemas e planetários — valorizando, assim, o território como um aliado do processo formativo. Segue abaixo os documentos que amparam legalmente a Educação Integral e a ideia de reconhecimento e desenvolvimento do sujeito em sua multidimensionalidade: CONSTITUIÇÃO FEDERAL DO BRASIL (1988) Art. 205 – Estabelece que a educação é um direito de todos e dever do Estado e da família, sendo promovida com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE – ECA (LEI Nº 8.069/1990) Art. 53 – Garante às crianças e adolescentes o direito à educação visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho. 8 LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL – LDB (LEI Nº 9.394/1996) Art. 2º – Define a educação como processo que visa ao pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO – PNE (LEI Nº 13.005/2014) Meta 6 – Estabelece como objetivo ampliar a oferta da educação em tempo integral, em, no mínimo, 50% das escolas públicas, atendendo pelo menos 25% dos estudantes da educação básica. DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS PARA A EDUCAÇÃO BÁSICA – DCN (RESOLUÇÃO CNE/CEB Nº 4/2010) Reconhecem o desenvolvimento integral como eixo orientador da organização curricular, reafirmando a importância da formação integral dos sujeitos em suas múltiplas dimensões. Sendo assim, compreende-se que a Educação Integral consiste em uma concepção comprometida com uma educação cheia de sentido e significado, usando de aprendizagem que sejam acessíveis, pertinentes, relevantes e que possam ser transformadas pelos estudantes. Estas aprendizagens devem proporcionar o aprofundamento do desenvolvimento dos estudantes, estimulando as diferenças formas de aprendizado. Não existe um único tipo de saber e uma única forma de aprender bem como não há uma receita pronta para ensinar a todos. Propostas eficazes são aquelas que se preocupam com as necessidades e buscam ampliar as possibilidades de aprendizagem dos sujeitos. Para isso é necessário que o professor esteja atento pata avaliar aquilo que os estudantes já sabem, para que possam ampliar e constituir repertórios, sendo essencial por parte da gestão o desenvolvimento de projeto de formação que contribuam com os saberes constituídos por seus professores. EQUIDADE, DEMOCRACIA, PARTICIPAÇÃO, CONTEXTUALIZAÇÃO, INTEGRALIDADE E ARTICULAÇÃO A Educação Integral, enquanto concepção pedagógica e política, se estrutura a partir de princípios fundantes que orientam sua prática e sua intencionalidade formativa. Esses princípios sustentam a ideia de que educar é um processo complexo, situado historicamente, e comprometido com o pleno desenvolvimento humano em todas as suas dimensões. Entre os principais fundamentos que norteiam essa abordagem estão: equidade, democracia, participação, contextualização, integralidade e articulação. Segue abaixo as principais características de cada um destes princípios: • Equidade é um princípio central na Educação Integral, pois reconhece que tratar todos da mesma forma não 9 é suficiente para garantir justiça. A equidade pressupõe o reconhecimento das desigualdades históricas, sociais e culturais e a proposição de estratégias que assegurem oportunidades reais de aprendizagem e desenvolvimento a todas e todos, respeitando suas singularidades e necessidades. • A democracia, por sua vez, não é apenas uma forma de organização política, mas uma prática cotidiana que se constrói na escola e com a escola. A Educação Integral defende a construção de espaços escolares democráticos, onde as vozes de estudantes, educadores, famílias e comunidade sejam ouvidas, respeitadas e valorizadas na tomada de decisões e na construção dos projetos pedagógicos. • O princípio da participação amplia essa lógica democrática, promovendo o protagonismo dos sujeitos no processo educativo. A Educação Integral entende que todos os envolvidos — estudantes, educadores, famílias e demais agentes do território — são corresponsáveis pela construção do conhecimento e pela criação de ambientes educativos significativos. As infâncias, as juventudes e os professores são protagonistas dos saberes e fazeres construídos no, e a partir do território escolar. Os estudantes, no ocupar da escola com práticas e vivências mediadas, total ou parcialmente, por professores, como, por exemplo: grêmio estudantil, clubes juvenis, liderança de turma e conselho de líderes. E os professores, no desenho dos elementos integradores do currículo, na arquitetura de componentes eletivos que serão ofertados semestralmente, na docência, na tutoria e mentoria de estudantes, bem como no coordenar das salas temáticas e ateliês2. Todas ações fundamentais para a construção dos Projetos de Vida dos estudantes e, também de professores e gestores que passam a vivenciar a escola em sua integralidade (Paraná, 2019). • A contextualização é outro eixo estruturante, pois reconhece que a educação precisa dialogar com a realidade dos estudantes. Isso significa partir das experiências, saberes, histórias e desafios do território onde a escola está inserida, promovendo aprendizagens que façam sentido e estejam conectadas às vivências concretas dos sujeitos. 10 • A integralidade refere-se à compreensão de que o ser humano é multidimensional. O processo educativo, portanto, deve considerar o desenvolvimento intelectual, físico, emocional, social e cultural dos estudantes, promovendo experiências formativas que articulem razão e emoção, corpo e mente, indivíduo e coletivo. • A articulação é o princípio que reforça a necessidade de integração entre políticas públicas, setores da sociedade e espaços educativos formais e não formais. A Educação Integral não se restringe aos muros da escola; ela se realiza por meio da construção de redes de apoio, de parcerias entre diferentes atores sociais e da valorização dos saberes presentes na comunidade e no território. Esses princípios não são elementos isolados, mas se entrelaçam para compor uma visão de educação comprometida com a transformação social, com a promoção da justiça e com a formação de sujeitos autônomos, críticos e engajados com o mundo. A Educação Integral, assim, se afirma como um projeto ético e político de sociedade mais humana, inclusiva e solidária. Há inúmeros exemplos bem-sucedidos de experiências em Educação Integral no Brasil e no mundo. Em sua maioria, esses casos destacam-se por uma gestão escolar que coloca o estudante no centro do processo educativo, reconhecendo e valorizando sua multidimensionalidade e, com isso, criando condições concretas para o desenvolvimento integral de todos e todas. A concepção de uma escola pública orientada pelo princípio do desenvolvimento pleno dos sujeitos é não apenas uma diretriz constitucional, mas também um pilar fundamental da democracia. No entanto, persistem inúmeros desafios na estrutura e na lógica organizacional da escola tradicional, que muitas vezes não oferece os instrumentos e estratégias necessários para promover aprendizagens significativas, capazes de preparar os estudantes para os complexos desafios da sociedade contemporânea. MULTIDIMENSIONALIDADE E DESENVOLVIMENTO INTEGRAL As dimensões do desenvolvimento humano: física, emocional, intelectual, social e cultural. Fonte: A autora 11 Todo sujeito é multidimensional. As dimensões física, emocional, social, intelectual e cultural compõem a complexidade do ser humano e, ao refletirmos sobre elas, percebemos que são interdependentes, complementares e inseparáveis. Para promover o desenvolvimento integral de cada umadessas dimensões, é fundamental articular diferentes elemento, sujeitos e contextos que sustentem e favoreçam esse processo de forma integrada e contínua. Segundo o Centro de Referências em Educação Integral11 as dimensões do desenvolvimento integral podem ser definidas como: • Dimensão física: relaciona-se à compreensão das questões do corpo, do autocuidado e da atenção à saúde, da potência e da prática física e motora. • Dimensão emocional ou afetiva: refere-se às questões do autoconhecimento, da autoconfiança e capacidade de auto realização, da capacidade de interação na alteridade, das possibilidades de auto reinvenção e do sentimento de pertencimento. • Dimensão social: refere-se à compreensão das questões sociais, à participação individual no coletivo, ao exercício da cidadania e vida política, ao reconhecimento e exercício de direitos e deveres e responsabilidade para com o coletivo. • Dimensão intelectual: refere-se à apropriação das linguagens, códigos e tecnologias, ao exercício da lógica e da análise crítica, à capacidade de acesso e produção de informação, à leitura crítica do mundo. • Dimensão cultural: diz respeito à apreciação e fruição das diversas culturas, às questões identitárias, à produção cultural em suas diferentes linguagens, ao respeito das diferentes perspectivas, práticas e costumes sociais. Cada dimensão da experiência humana deve ser compreendida em articulação com o contexto em que o estudante está inserido. Os modos de vida — seja no campo, na cidade, nas comunidades tradicionais, nas aldeias ou nos espaços escolares — influenciam diretamente os processos de desenvolvimento e aprendizagem. As etapas do desenvolvimento humano, bem como as culturas próprias de cada fase da vida, precisam ser reconhecidas e valorizadas como parte essencial dos objetivos educacionais. A concepção de multidimensionalidade, portanto, implica o reconhecimento e a valorização das singularidades e das diversas 1 Centro de Referências em Educação Integral (CREI, 2018, Na Prática, Caderno 1, p.34.). Disponível em: . Último acesso em 30/04/2025 12 identidades — étnicas, culturais, territoriais, sociais — como elementos estruturantes do processo educativo. A escola exerce um papel fundamental na articulação de diferentes oportunidades de desenvolvimento para os estudantes. No contexto da Educação Integral, é a instituição educacional que assume a responsabilidade de organizar tempos, espaços e recursos do território, com o objetivo de promover o desenvolvimento integral dos sujeitos. Pensar na oferta de uma formação plena não pressupõe que se possa ensinar e aprender tudo, mas sim possibilitar ao sujeito uma formação completa para a leitura de mundo e para a atuação como cidadão pertencente ao seu país. Assim, a oferta de Educação Integral em Tempo Integral busca ampliar as oportunidades educacionais que visam desenvolver as potencialidades humanas, rompendo com a fragmentação dos conteúdos, articulando e integrando conhecimentos, ampliando os tempos e ressignificando os espaços escolares, de forma a tornar a escola um lugar para a prática da investigação, de experiências pedagógicas e de aprendizagem significativa, tanto para os estudantes como para os professores (Paraná, 2019) Considerando que cada comunidade possui histórias, identidades e características próprias, não é possível adotar um modelo único de organização escolar. A Educação Integral, entendida como concepção pedagógica e também como estrutura programática, exige que cada escola desenvolva estratégias coerentes com seu território. Nesse sentido, alguns aspectos são fundamentais para sua implementação: • Diversificar as práticas educativas, considerando as características e a multidimensionalidade dos estudantes e da comunidade local; • Promover uma gestão participativa em todas as esferas — administrativa, financeira e pedagógica —, criando • espaços de escuta e protagonismo estudantil, especialmente no que se refere ao seu percurso formativo; • Fortalecer a integração com o território, estabelecendo parcerias com famílias e agentes locais na construção coletiva do currículo e na consolidação da escola como espaço de convivência, aprendizagem e transformação social. 13 A INTERAÇÃO ENTRE SABERES ACADÊMICO SE COMUNITÁRIOS. O desenvolvimento integral dos estudantes não pode ser responsabilidade exclusiva da escola. Para que crianças e adolescentes possam se desenvolver plenamente em todas as suas dimensões, é fundamental que organizações públicas e não-governamentais atuem de forma articulada, formando uma rede de apoio e corresponsabilidade. Diversos espaços sociais — como os serviços de saúde, cultura, esporte, assistência social, entre outros — possuem intencionalidade educativa e podem ser parceiros estratégicos na construção de uma proposta de Educação Integral. Essa articulação amplia os horizontes formativos e fortalece a escola como espaço vivo e conectado à realidade dos estudantes. Ressignificar a escola significa transformá-la em um lugar de sentido e pertencimento. Propostas que valorizam a participação ativa e o protagonismo dos estudantes contribuem para que eles se reconheçam como sujeitos de direitos e produtores de conhecimento. Na Educação Integral, é essencial ligar a escola à vida, aproximando os conteúdos escolares dos contextos concretos dos alunos. Isso implica em conectar os saberes formais da escola aos saberes populares e comunitários, reconhecendo que a aprendizagem acontece em múltiplos espaços e relações, dentro e fora da escola. (...) pensar Educação Integral implica pensar no conjunto de oportunidades de formação humana que dialogam com o direito de bem viver. A escola não é uma bolha, e a vida escolar não pode ser reduzida a listas de conteúdos a serem ensinados e avaliados para selecionar os poucos “aproveitáveis” pelo sistema e os muitos que ficarão de fora (Moll et al., 2020, p. 2098). Para Moll et al. (2020, p. 2104): Para construirmos uma escola para todos/as, em um país ainda tão desigual, precisamos de ações intersetoriais. A intersetorialidade é estratégica para que se possa articular territórios educativos, construindo interfaces entre as políticas de museus, de bibliotecas, de cinematecas, de leitura, de direitos humanos, de consciência ambiental, entre outras, para colocar em diálogo as políticas educacionais com as políticas de assistência social, de saúde, de geração de emprego e renda, de infraestrutura urbana, de combate à fome, na perspectiva de construir respostas estatais robustas para os problemas que a população enfrenta (2020, p. 2104). Dessa forma, compreende-se que a Educação Integral vai além da ampliação do tempo escolar, propondo uma transformação profunda no modo como a escola se posiciona diante da vida dos estudantes. Ao ressignificar sua função social, a escola deixa de ser um espaço 14 exclusivamente instrucional e passa a ser compreendida como lugar de pertencimento, onde os sujeitos encontram sentido em suas trajetórias formativas. Nessa perspectiva, a valorização da participação ativa e do protagonismo estudantil é essencial para que crianças, adolescentes e jovens se reconheçam como sujeitos de direitos e como agentes produtores de conhecimento. Essa concepção demanda o rompimento com a lógica da escola isolada do mundo. Conectar os saberes formais aos saberes comunitários e populares é um passo fundamental para que a aprendizagem se torne significativa, ancorada na realidade dos estudantes. É nesse contexto que a Educação Integral se articula com o direito ao bem viver, considerando que a escola deve dialogar com os múltiplos espaços e experiências que constituem a vida de seus sujeitos. Ao ampliar esse olhar, Moll et al. (2020) destacam a urgência de ações intersetoriais como condiçãopara a construção de uma escola verdadeiramente inclusiva e democrática. A intersetorialidade, nesse sentido, emerge como estratégia central para articular territórios educativos e integrar políticas públicas de diferentes áreas — educação, saúde, cultura, assistência social, meio ambiente, entre outras. Essa articulação potencializa a criação de respostas concretas aos desafios enfrentados pelas populações mais vulneráveis, reafirmando a função social da escola como promotora de justiça, equidade e cidadania. DIVERSIDADES E SINGULARIDADES DAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES Vivemos em um país marcado por desigualdades históricas e estruturais. A qualidade da educação pública é constantemente exigida, especialmente diante dos desafios relacionados às desigualdades educacionais. No entanto, é fundamental reconhecer que qualidade e equidade estão diretamente interligadas. Na perspectiva da Educação Integral, a valorização da diversidade é um eixo estruturante do currículo. Isso significa reconhecer e respeitar as múltiplas identidades — étnico-raciais, de gênero, culturais, territoriais e socioeconômicas — como componentes essenciais da construção de uma educação mais justa, inclusiva e significativa. Essa valorização é um passo decisivo para o enfrentamento das desigualdades presentes em nossa sociedade. As desigualdades educacionais se manifestam nas condições desiguais de acesso, permanência e aprendizagem entre diferentes grupos sociais. Embora os sistemas educacionais estejam juridicamente fundamentados na igualdade de tratamento, pesquisas demonstram que estudantes negros(as), 15 indígenas, quilombolas e de classes populares frequentemente apresentam desempenho acadêmico abaixo da média nacional. Segundo Moll et al. (2020, p. 2107): O debate da Educação Integral é eminentemente político, diz da responsabilidade, do esforço, da intenção do país, dos governantes, nos diferentes tempos, para avançar e construir a possibilidade de elevação cultural, educacional e política do povo brasileiro. Não há como enfrentar os ciclos intergeracionais de pobreza e miséria sem enfrentar as desigualdades educacionais, e a ampliação e o redimensionamento da jornada escolar são condições para esses processos. A escola, nesse contexto, não pode se omitir. Ela deve se posicionar de forma ativa no combate às desigualdades, reconhecendo-as, tratando-as e desenvolvendo estratégias que promovam a equidade. Isso inclui tratar com diferença aqueles que precisam de suporte diferenciado, respeitando as necessidades específicas de cada estudante e promovendo condições para o pleno desenvolvimento de todos e todas. A educação no Brasil ainda é profundamente marcada por desigualdades econômicas, raciais, de gênero e territoriais, que se entrelaçam e potencializam umas às outras. Embora tenhamos avançado em algumas políticas públicas, o país continua sendo um dos mais desiguais do mundo, e o direito à educação de qualidade ainda é negado a milhões de crianças e adolescentes. Frente a essa realidade, é essencial que cada instituição educacional reconheça o seu papel social e político, assumindo a responsabilidade de enfrentar essas desigualdades por meio de ações intencionais e transformadoras. Um dos primeiros passos é garantir não apenas o acesso, mas também a permanência dos estudantes na escola, valorizando suas identidades e respeitando suas trajetórias. A promoção da equidade deve estar prevista de forma clara nas políticas e práticas da escola, estruturando estratégias que atendam às singularidades e aos tempos de desenvolvimento de cada estudante. INCLUSÃO A inclusão escolar tem ganhado visibilidade especialmente com a implementação da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. Houve avanços significativos, como o aumento de matrículas de estudantes com deficiência em classes regulares. Contudo, ainda existem inúmeros obstáculos que comprometem a efetivação desse direito. As barreiras não se limitam ao acesso físico à escola. Questões como a falta de transporte adequado, ausência de profissionais especializados 16 (como cuidadores e professores com fluência em Libras), alguns dos desafios enfrentados. A verdadeira inclusão exige a superação dessas barreiras e a construção de uma escola que reconhece e acolhe todas as formas de aprender, promovendo ambientes acessíveis, respeitosos e integradores. ENSINO PERSONALIZADO O ensino personalizado é um conjunto de estratégias pedagógicas que busca promover o desenvolvimento integral de cada estudante de maneira individualizada, levando em consideração suas dificuldades, potencialidades, interesses e contexto de vida. Essa abordagem está intrinsecamente relacionada à concepção de Educação Integral, pois parte do princípio de que educar exige reconhecer o sujeito em sua singularidade. Personalizar o ensino é, portanto, respeitar os ritmos e estilos de aprendizagem, promovendo práticas que favoreçam a autonomia, o protagonismo e a inclusão. REFLEXÕES NO CONTEXTO ESCOLAR Para fortalecer uma educação inclusiva e integral, é essencial que cada escola reflita sobre suas práticas cotidianas. Algumas questões que podem orientar esse processo: • Que recursos pedagógicos são utilizados nas atividades educativas? Eles são inclusivos ou precisam de adaptação? • Há salas de Atendimento Educacional Especializado (AEE) nas escolas da região? Elas atuam de forma integrada com os professores da sala comum? • Os estudantes com deficiência estão inseridos nas turmas regulares? Participam ativamente das atividades junto aos colegas? • Que estratégias têm sido adotadas para engajar esses estudantes e garantir sua participação nas experiências escolares? O CURRÍCULO NA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO INTEGRAL Na Educação Integral, o estudante é colocado no centro do processo educativo. Isso significa reconhecer que suas múltiplas dimensões — física, emocional, intelectual, social e cultural — devem ser consideradas como parte indissociável do planejamento pedagógico. As práticas educativas devem dialogar com essas dimensões, entendendo que o desenvolvimento humano acontece nas interações entre o 17 sujeito, o outro, o meio e o conhecimento. A aprendizagem, portanto, é fruto dessas relações interdependentes e contextuais. Dessa forma, o currículo deve refletir o projeto de ser humano e de sociedade que se deseja construir, sendo orientado não apenas por conteúdos, mas por finalidades formativas comprometidas com a cidadania, a equidade e o desenvolvimento integral. Historicamente, o currículo tem sido atravessado por debates sobre o que ensinar e qual tipo de sujeito formar. Antônio Flávio Moreira e Tomaz Tadeu da Silva, em Currículo, cultura e sociedade, alertam para a importância compreender os “porquês” que fundamentam as formas de organização do conhecimento na escola. O currículo deve ser entendido como uma construção cultural, resultado de disputas simbólicas e sociais, e não como um campo neutro ou técnico. Ele expressa valores, visões de mundo e formas de viver, e, por isso, precisa ser construído coletivamente, respeitando a diversidade de sujeitos, territórios e culturas presentes na escola. Dessa forma, o currículo “define um território prático sobre o qual se pode discutir, investigar, mas, antes de tudo, sobre o qual se pode intervir” (SACRISTÁN e GÓMEZ, 1998, p.145) mostrando a necessidade de refletir também sobre as “formas de organizá-los em áreas apropriadas, nas experiências de aprendizagem que se promoverão, na prática dos professores e em todas as demais condições do meio escolar” (SACRISTÁN e GÓMEZ, 1998, p. 175). A educação brasileira é marcada por uma forte característica da valorização de currículos transmissivos, em que o trabalho com conteúdos conceituais é predominante bem como a fragmentação dos conteúdosconceituais e a falta de articulação entre o cotidiano e os conteúdos. Assim, o trabalho de leitura por exemplo ´não se relaciona a compreensão leitora dos problemas de matemática e da compreensão de fenômenos que acontecem no mundo relacionados as demais disciplinas como geografia e ciências. Nessa perspectiva, não se considera a articulação entre a aprendizagem e o desenvolvimento, de forma a não fomentar o espírito investigativo e a curiosidade por meio de propostas abordadas de forma interdisciplinar. Neste caso muitas vezes o conteúdo não apresenta sentido para o principal intuito da Educação Integral é o enfoque multidimensional e articulador, que fomente o pensamento crítico, os sentimentos, as habilidades de sentir, experimente, descobrir o mundo e se comunicar com ele, utilizando diferentes linguagens, códigos e métodos ao articular as diferentes áreas de conhecimento e componentes curriculares. Tendo por base a premissa de que o papel da escola é garantir o direito dos estudantes a se desenvolverem por meio do aprendizado e de conteúdos 18 que façam sentido para a vida, compreende-se que que o conhecimento é poderoso ao abordar competências, habilidades, linguagens. Comportamento, hábitos e valores que possibilitem aos estudantes o desenvolvimento da autonomia e o uso dela no contexto em que se encontram, desenvolvendo seu próprio projeto de vida carregado de propósito e sentido. A Educação Integral propõe a valorização dos saberes locais e das identidades culturais dos territórios em que a escola está inserida. O currículo, nesse sentido, deve promover o diálogo entre o conhecimento acadêmico e os saberes comunitários, reconhecendo que ambos têm valor formativo. Mais do que uma divisão entre “turno” e “contraturno”, a Educação Integral articula os diferentes tempos e espaços de vida dos estudantes, integrando aprendizagens escolares com experiências sociais, familiares, culturais e comunitárias. Isso fortalece o vínculo entre escola e território, tornando o processo educativo mais significativo e contextualizado. A articulação entre os conhecimentos acadêmicos, os saberes e potenciais educativos do território é valorizada e estimulada a partir das Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica, quando é espaços e disciplinas de forma engessada estimulando a organização dos currículos visando a continuidade e a construção do conhecimento Formar crianças e jovens nesses campos de significados herdados, representados pelas diversas disciplinas do conhecimento, ganha sentido dentro do conjunto de circunstâncias temporais, espaciais e culturais em que se encontra cada escola, cada turma, cada estudante, ou seja, seu contexto de vida e de significação. A contextualização é o primeiro passo para esta construção ativa do conhecimento, pois ao determinar as condições de sua inserção e os limites de sua validade: “a evolução cognitiva não caminha para o estabelecimento de conhecimentos cada vez mais abstratos, mas, ao contrário, para sua contextualização. É a condição essencial da eficácia do funcionamento cognitivo (Morin, 2002, p. 34). Baseada na ideia de Ciclo de aprendizagem contínuo, em que o aprendizado é ativo por meio de práticas pedagógicas que promovem o engajamento, investigação e o a demonstração de aprendizagens pelos estudantes ao desenvolverem competências, as práticas pedagógicas em educação integral devem oferecer: • Múltiplas formas de estudo e de investigação; • Múltiplas linguagens na apresentação dos conteúdos de ensino e de aprendizagem, diversificando e articulando 19 oralidade, imagem, textos, gráficos, vídeo, música, linguagem gestual e corporal, enfim, múltiplos estímulos aos sentidos e aos modos de representação); • Múltiplas ocasiões de interação com os conteúdos de aprendizagem para favorecer sua assimilação mais profunda e significativa; (não basta “dar a aula” sobre um tema uma única vez); • Múltiplas formas de interação entre os estudantes – desenvolver comunicação e argumentação em duplas, • debate ou apresentação – (não basta apenas ler livros didáticos e fazer exercícios); • Múltiplas formas de despertar o interesse e o engajamento na atividade de estudo (para além dos deveres e da obrigação em estudar) para ampliar a motivação e capacidade de construir sentidos e significados compartilhados (não basta estudar para ir bem nas provas e passar ano). (Weffort; Andrade; Costa, 2019). O PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO (PPP) COMO INSTRUMENTO DE INTEGRAÇÃO E IDENTIDADE Para que o currículo expresse os princípios da Educação Integral, é necessário que ele esteja integrado ao Projeto Político-Pedagógico da escola. O PPP deve orientar a construção de uma matriz curricular que seja dinâmica, flexível e multidimensional, capaz de dialogar com os diferentes campos do conhecimento e de despertar o interesse, os desejos e as potencialidades dos estudantes. Essa matriz deve ser pautada pelos fundamentos da Educação Integral, assegurando: • Transversalidade dos conteúdos e saberes; • Inserção e valorização do território como espaço educativo; • Efetiva participação de estudantes, educadores e comunidade; • Personalização das Trajetórias de aprendizagem; • Experimentação como estratégia de construção ativa do conhecimento Assim, o PPP torna-se um instrumento potente de identidade institucional, coerência pedagógica e construção coletiva de sentidos na escola 20 POLÍTICAS PÚBLICAS E INTERSETORIALIDADE A Educação Integral, ao considerar todas as dimensões do desenvolvimento humano — física, emocional, intelectual, social e cultural — , exige uma abordagem que vá além da escola. O trabalho pedagógico deve ser articulado entre pessoas, instituições e políticas públicas. Essa articulação se concretiza por meio do diálogo entre diferentes setores, como saúde, assistência social, cultura, esporte e educação, possibilitando a construção de ações integradas e eficazes frente aos desafios do desenvolvimento integral. Para que isso aconteça, é fundamental a formação de uma rede intersetorial capaz de unir competências diversas e contemplar, de forma ampla, todas as dimensões da vida do estudante. Essa rede deve se basear na corresponsabilidade e na colaboração entre os agentes envolvidos com a infância, a adolescência e a juventude. VOCÊ JÁ OUVIU FALAR NO BAIRRO-ESCOLA EM NOVA IGUAÇU? O município de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense (RJ), foi pioneiro na estruturação de políticas públicas com base na intersetorialidade, tendo como eixo central a Educação Integral. Em 2006, a prefeitura articulou uma política social na qual a educação era o ponto de partida, mobilizando diversas secretarias e setores da sociedade civil. Essa política reconhecia a cidade como uma extensão da escola, organizando o atendimento educativo e socioassistencial com base no bairro como unidade administrativa e integradora das políticas públicas. A proposta tinha como fio condutor o desenvolvimento de crianças e adolescentes, sendo referência nacional para ações intersetoriais voltadas à Educação Integral. O DESAFIO DA INTERSETORIALIDADE NO BRASIL A gestão intersetorial ainda é um campo recente no Brasil e enfrenta desafios estruturais. Como afirma Silva Ferreira (s.d.), “as políticas públicas setoriais estão estruturadas para funcionarem isoladamente. Planejamentos, orçamentos, normatizações técnicas e recursos humanos, em geral, seguem a lógica da especialização e da fragmentação das áreas.” Essa organização dificulta a construção de uma rede integrada e eficiente. Contudo, a Educação Integral propõe a superação dessas barreiras por meio de práticas colaborativas entre diferentes agentes e instituições. Exemplos de territórios educativos e suas funções • Fóruns Públicos: Espaços democráticos de escuta e participação da comunidade na construção das políticas locais.• Diversidade Educativa: Oportunidades de aprendizagem promovidas por diferentes atores — ONGs, empresas, poder público, coletivos culturais. 21 • Escolas Articuladoras: Instituições que pensam sua proposta pedagógica em diálogo com o território e com os saberes da comunidade. • Rede Intersetorial: Integração entre políticas públicas de educação, saúde, assistência social, direitos humanos, entre outras. A efetivação da intersetorialidade exige compromisso coletivo, envolvendo não apenas as escolas e as Secretarias de Educação, mas também outras pastas do governo, universidades, conselhos tutelares, organizações sociais e demais agentes públicos e comunitários. O que requer um compromisso prático com a intersetorialidade e com a personalização das ações educativas. Para tanto, é necessário conhecer profundamente as realidades sociais, culturais e econômicas dos territórios em que as escolas estão inseridas. Isso implica compreender as famílias como parceiras do processo formativo, valorizar suas experiências e promover o diálogo entre diferentes setores e agentes que compõem a rede de proteção e desenvolvimento. A personalização, nesse contexto, deixa de ser uma abordagem individualizante e passa a ser uma estratégia coletiva de cuidado, planejamento e corresponsabilidade. ELEMENTOS FUNDAMENTAIS PARA O TRABALHO INTERSETORIAL E PERSONALIZADO • Compreensão profunda do contexto social, econômico e cultural do território; • Leitura atenta das dinâmicas, identidades e valores das famílias atendidas; • Elaboração de um plano de trabalho personalizado, baseado na realidade local; • Estabelecimento de parcerias estratégicas para apoiar e qualificar as ações desenvolvidas; • Inclusão efetiva das famílias no processo socioeducativo, reconhecendo seu papel formador; • Abertura da escola como espaço de reflexão conjunta e escuta; • Compromisso com a autoformação e formação coletiva das equipes, orientadas pelos princípios da Educação Integral; • Participação ativa e permanente de todos os envolvidos no processo educativo. Para transformar essas intenções em práticas concretas, torna-se fundamental adotar estratégias pedagógicas que fortaleçam o trabalho intersetorial e ampliem a potência educativa da escola. Essas estratégias devem ser guiadas pela escuta, pela cooperação e pelo compromisso com a aprendizagem significativa, garantindo a construção coletiva de propostas 22 alinhadas às necessidades e potencialidades dos estudantes. A intersetorialidade, portanto, não se realiza apenas em documentos e diretrizes, mas ganha vida na prática pedagógica cotidiana, ancorada em valores democráticos, éticos e formativos. ESTRATÉGIAS PEDAGÓGICAS ESSENCIAIS NA INTERSETORIALIDADE • Planejamento como prática reflexiva e contínua; • Caráter coletivo e participativo na elaboração das propostas; • Protagonismo dos participantes na vivência do currículo; • Organização de espaços e tempos efetivos para o diálogo e a cooperação; • Pactuação clara de regras e critérios para tomada de decisão; • Transparência e circulação da informação entre todos os agentes; • Registro sistemático das ações e do cotidiano escolar; • Monitoramento como prática formativa e não apenas técnica; • Avaliação como instrumento de aprendizagem e melhoria contínua; • Escuta sensível e coletiva, compreendida como parte essencial do processo formativo. ESPAÇOS, TEMPOS E TERRITÓRIOS EDUCATIVOS A Educação Integral propõe uma ampliação da concepção tradicional de escola, desafiando-a a se articular com outros tempos, espaços e agentes para promover o desenvolvimento pleno de crianças e adolescentes. Essa ampliação não diz respeito apenas à carga horária, mas à reorganização qualitativa do tempo e à valorização do território como espaço educativo vivo e potente. Na Educação Integral, o currículo não se limita ao conteúdo disciplinar, mas se expressa também na forma como a escola se organiza, se relaciona com a comunidade e articula diferentes agentes educativos. As práticas pedagógicas, os processos de gestão, a formação dos educadores e as estratégias de avaliação fazem parte da construção curricular, que deve considerar o território como um espaço educador. Nesse contexto, a escola assume um papel de articuladora: conecta saberes, tempos e sujeitos, promovendo experiências que permitam aos estudantes compreender, interagir e transformar a realidade em que estão inseridos. O território é compreendido como lugar de vida, história, cultura e relações, e educar a partir dele significa reconhecer e valorizar os contextos diversos em que os estudantes vivem. 23 A Educação Integral entende a formação dos sujeitos como inseparável das relações e transformações que ocorrem em seu ambiente. Essa perspectiva reforça o caráter territorial da educação, considerando a escola e a cidade como espaços complementares de aprendizagem. O território educativo favorece a construção de vínculos, o sentimento de pertencimento e o desenvolvimento da autonomia dos estudantes. Ele amplia as possibilidades de aprendizagem ao convocar novos agentes, linguagens e saberes para o processo educativo. Nesse sentido, o binômio escola-território não é apenas geográfico, mas simbólico e cultural, possibilitando novas experiências formativas. POR QUE EDUCAR E APRENDER NO TERRITÓRIO? Aprender no território é mais do que sair da escola: é vivenciar processos pedagógicos ancorados na realidade dos estudantes. As principais razões para promover a educação a partir do território incluem: 1. Conhecer e reconhecer o território como espaço de aprendizagem e identidade; 2. Construir sentido para a aprendizagem, relacionando conteúdos escolares com a vida real; 3. Vivenciar a cidadania, participando ativamente da comunidade; 4. Valorizar a cultura local e os saberes populares, respeitando diferentes formas de conhecimento; 5. Explorar outros modos de aprender, incluindo experiências práticas, coletivas e criativas; 6. Acessar e ocupar o espaço público como direito; 7. Transformar o território, tornando-o mais justo, acessível e educativo. OS TEMPOS EDUCATIVOS: QUALIDADE E INTENCIONALIDADE As discussões sobre o tempo escolar vão além da Educação Integral, mas dentro dela ganham um novo sentido. Mais importante que a quantidade de horas na escola é a qualidade pedagógica do tempo vivido. O tempo é, portanto, uma questão essencialmente pedagógica. Para que a Educação Integral se efetive, é necessário pensar em mais tempo e mais espaços de aprendizagem, mas também em como utilizar esse tempo de forma significativa. Isso exige planejamento pedagógico intencional, com propostas que dialoguem com as realidades dos estudantes, respeitem seus contextos e valorizem suas vozes. Não se trata de oferecer mais do mesmo, mas de rever o papel da escola e reinventar suas práticas. Miguel Arroyo afirma que “mais educação do mesmo tipo de educação seria uma dose a mais para garantir a visão tradicional do direito à escolarização e uma forma de perder o significado 24 político da educação em tempo integral” (ARROYO, 2012, p. 33). A ampliação da jornada deve vir acompanhada da diversificação de linguagens, conteúdos e experiências, permitindo que a escola se torne um espaço de vivência integral da infância e da adolescência. (...) a ampliação do tempo é uma condição, mas não pode ser o marcador da Educação Integral, assim como a ampliação dos espaços... deseja-se uma escola para além dos espaços das salas de aula, na perspectiva de salas ambiente, de oficinas, de laboratórios, espaços de arte, hortas, jardins e espaços para além dos muros escolares...na articulação com espaços significativos para a vida em sociedade, como os Parlamentos, os teatros, as praças, os parques, os observatórios. (2020, p. 2099). Como aponta o professor Levindo Diniz Carvalho(UFMG), “a ampliação da jornada é uma oportunidade para a escola olhar de maneira mais integral para as crianças; ela pode ser um momento de repensar o papel da escola e seu significado, uma possibilidade de arejar e criar novas formas de utilização do tempo”. A pesquisadora Jaqueline Moll (UFRGS) reforça: “Não queremos mais do mesmo, mas rever a forma como fazemos. O mundo mudou; existem novas tecnologias, mas mantemos o modo de ensino da escola do final do século XIX. A escola precisa baixar seus muros para não ser um simulacro da vida real. Trata-se de pensar a educação desde a perspectiva do território e ampliar este mapa para além do espaço físico em que vivemos, no âmbito da saúde, da cultura, do meio ambiente, para que nossos teatros, cinemas, praças e bibliotecas sejam tomadas por crianças e adolescentes.” POLÍTICAS PÚBLICAS E A IMPLEMENTAÇÃO DA EDUCAÇÃO INTEGRAL As políticas públicas podem ser compreendidas como o conjunto de ações planejadas e executadas pelo Estado — em suas esferas federal, estadual e municipal — com o objetivo de responder às necessidades sociais e promover o bem-estar da população. Elas materializam os princípios estabelecidos na Constituição Federal e buscam atender aos direitos de diferentes grupos sociais por meio de programas, projetos e propostas concretas. No campo educacional, essas políticas devem ser construídas ao longo do tempo, por meio do diálogo constante com a sociedade. A Educação Integral, nesse sentido, encontra respaldo em diversos marcos legais, como a Constituição Federal, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs), que preveem a formação plena dos sujeitos como função essencial da educação. Cada rede de ensino possui suas especificidades, mas há elementos comuns que estruturam uma política coerente com a concepção de Educação Integral. Para isso, propõe-se um modelo de gestão integrada, que articule três pilares fundamentais: currículo, formação docente e avaliação. 25 Essa articulação garante coerência e intencionalidade às ações desenvolvidas. A implementação da Educação Integral em diferentes contextos pode ser orientada por materiais como o programa Educação Integral na Prática, que não oferece uma receita única de “como fazer”, mas apresenta rotas possíveis baseadas em experiências já consolidadas. O processo, portanto, é adaptável, respeitando a história, o tempo e os saberes dos sujeitos e dos territórios envolvidos. EDUCAÇÃO INTEGRAL COMO POLÍTICA PÚBLICA Entender a Educação Integral como uma política pública vai além da simples ampliação do tempo escolar. Embora a ampliação da jornada esteja prevista no Plano Nacional de Educação (PNE) e em muitos Planos Municipais de Educação, ela é apenas um dos aspectos da proposta. “O aumento de horas pode propiciar aprendizagens significativas, mas este processo não é assegurado em uma relação simples de causa e efeito” (MACHADO, 2012, p. 268). Aumentar o tempo de aula sem oportunizar e garantir a aprendizagem efetiva, só reproduz o instrucionismo. O desenvolvimento integral é um processo contínuo e permanente, que começa no nascimento e se estende ao longo da vida, atravessando diferentes espaços — escola, família, território e comunidade. Atualmente, a média da jornada escolar no Brasil é de 4 horas diárias, o que se mostra insuficiente para assegurar o desenvolvimento pleno dos estudantes. A Educação Integral propõe uma jornada ampliada, entre 7 e 9 horas por dia, adaptada às necessidades locais e às características dos estudantes em cada etapa da vida escolar. Essa jornada estendida deve ser planejada de forma cuidadosa e estratégica, com atenção à diversificação das interações, das linguagens e das oportunidades educativas. Quanto mais variadas e significativas forem as experiências vividas pelos estudantes, maior será sua capacidade de compreender o mundo e de intervir na realidade de maneira crítica e transformadora. Uma escola que persiga certo equilíbrio curricular... quanto mais música, organização de peças teatrais, oportunidades de diferentes práticas esportivas, laboratórios de ciências, mais condições para o desenvolvimento em todas as áreas do conhecimento, mais condições para a complexificação do pensamento e construção de autonomia moral e intelectual (Moll et al., 2020, p. 2099) MODALIDADES DE AMPLIAÇÃO DA JORNADA A ampliação da jornada escolar pode ocorrer de duas formas: 26 • Com parcerias diretas, por meio de organizações, coletivos e agentes culturais que atuam junto à escola; • Sem parcerias formais, mas com ações articuladas que ampliem as experiências dos estudantes dentro ou fora da escola. Independentemente da modalidade, é essencial compreender que a relação com o território é um elemento estruturante da Educação Integral. As parcerias não se limitam ao tempo expandido, mas devem ser parte do cotidiano pedagógico da escola, oferecendo oportunidades reais de desenvolvimento humano. DIAGNÓSTICO COMO ETAPA ESTRATÉGICA A decisão de implementar a Educação Integral não deve ser isolada ou verticalizada. Ela precisa surgir de um processo coletivo e responsável, fundamentado em um diagnóstico profundo e participativo da realidade local. Esse levantamento deve considerar: • Os contextos sociais e as condições de vida dos estudantes; • As possibilidades orçamentárias e de infraestrutura da rede; • As práticas pedagógicas existentes; • As metas dos planos municipais de educação. • Além disso, o diagnóstico deve incluir a: Identificação de territórios com maior vulnerabilidade social; • Análise das diferenças entre escolas; • Relação entre o número de estudantes e o número de professores; • Verificação da infraestrutura das escolas para a expansão da jornada; • Mapeamento de possibilidades de oferta de propostas educativas diversificadas. Esses dados orientarão a tomada de decisão de forma democrática, articulada com os Projetos Político-Pedagógicos (PPP) das escolas e com o planejamento da Secretaria Municipal de Educação. 27 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: ARROYO, M. G. O Direito a Tempos-Espaços de Um Justo e Digno Viver. In: MOLL, J. Caminhos da Educação Integral no Brasil: Direito a Outros Tempos e Espaços Educativos. Porto Alegre: Penso, 2012. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Senado Federal, 1988. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/ constituicao.htm. Acesso em: 1 maio 2025. BRASIL. Lei nº 15.388, de 14 de abril de 2026. Institui o Plano Nacional de Educação (PNE) para o decênio 2026-2036 e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, 2026. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023- 2026/2026/lei/l15388.htm. Acesso em: 27 jul. 2026. BRASIL. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA. Brasília, DF: Presidência da República, 1990. Disponível em: https://www. planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069.htm. Acesso em: 1 maio 2025. BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional – LDB. Brasília, DF: Presidência da República, 1996. Disponível em: https:// www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm. Acesso em: 1 maio 2025. BRASIL. Resolução CNE/CEB nº 4, de 13 de julho de 2010. Define Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 14 jul. 2010. Disponível em: https://normativasconselhos. mec.gov.br. Acesso em: 1 maio 2025. CENTRO DE REFERÊNCIAS EM EDUCAÇÃO INTEGRAL. Formação Inicial – Módulo Geral: Fundamentos da Educação Integral – Conceitos e Princípios. São Paulo: CENPEC, s.d. Disponível em: http://educacaointegral.org.br. Acesso em: 1 maio 2025. Ciavatta, M. (2005). A FORMAÇÃO INTEGRADA AESCOLA E O TRABALHO COMO LUGARES DE MEMÓRIA E DE IDENTIDADE. Revista Trabalho Necessário, 3(3). https://doi. org/10.22409/tn.3i3.p6122 DEMO, P. Escola de Tempo Integral. Textos Discutíveis – 11. Disponível em: http://pedrodemo.blogspot.com.br/ search?q=integral. Acesso em: 02/03/2012. Moll, J., & Barcelos, R. G. de. (2022). Educação integral como horizonte pedagógico e político. Retratos Da Escola, 15(33), 787–791. Recuperado de https://retratosdaescola.emnuvens.com.br/ rde/ar ticle/view/1457 MOLL, Jaqueline; PONCE, Branca Jurema; RONCA, Antonio Carlos Caruso; SOARES, José Nildo Oliveira. Escola pública brasileira e educação integral: desafios e possibilidades. Revista e-Curriculum, São Paulo, v. 18, n. 4, p. 2095– 2111, 2020. Disponível em: https://revistas.pucsp.br/curriculum/ article/view/50985. Acesso em: 1 maio 2025. PARANÁ. Secretaria de Estado da Educação. Educação Integral em Tempo Integral – Turno Único: Documento Orientador n.º 01/2019 – 28 DPEB/DEDUC/SEED. Curitiba: SEED, 2019. Disponível em: https://www.educacao.pr.gov.br. Acesso em: 8 maio 2025. SACRISTÁN, J. G. & GÓMEZ, A. I. Compreender e Transformar o Ensino. 4ª ed. Porto Alegre: Artmed, 1998. WEFFORT, Helena Freire; ANDRADE, Julia Pinheiro; COSTA, Natacha Gonçalves da. Currículo e Educação Integral na Prática: uma referência para estados e municípios. São Paulo: Associação Cidade Escola Aprendiz, 2019. Disponível em: https://educacaointegral.org.br/curriculo-na-educacao- integral/wp- content/uploads/2019/01/caderno-1-curriculo-e-ei-na-pratica.pdf. Acesso em: 8 maio 202 29 Sumário Fundamentos da educação integral CONCEITOS E PRINCÍPIOS DA EDUCAÇÃO INTEGRAL HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO INTEGRAL NO BRASIL MARCOS LEGAIS DA EDUCAÇÃO INTEGRAL NO BRASIL Constituição Federal do Brasil (1988) Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA (Lei nº 8.069/1990) Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB (Lei nº 9.394/1996) Plano Nacional de Educação – PNE (Lei nº 13.005/2014) Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Básica – DCN (Resolução CNE/CEB nº 4/2010) EQUIDADE, DEMOCRACIA, PARTICIPAÇÃO, CONTEXTUALIZAÇÃO, INTEGRALIDADE E ARTICULAÇÃO MULTIDIMENSIONALIDADE E DESENVOLVIMENTO INTEGRAL A INTERAÇÃO ENTRE SABERES ACADÊMICO SE COMUNITÁRIOS. DIVERSIDADES E SINGULARIDADES DAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES INCLUSÃO ENSINO PERSONALIZADO REFLEXÕES NO CONTEXTO ESCOLAR O CURRÍCULO NA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO INTEGRAL O PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO (PPP) COMO INSTRUMENTO DE INTEGRAÇÃO E IDENTIDADE POLÍTICAS PÚBLICAS E INTERSETORIALIDADE VOCÊ JÁ OUVIU FALAR NO BAIRRO-ESCOLA EM NOVA IGUAÇU? O DESAFIO DA INTERSETORIALIDADE NO BRASIL ELEMENTOS FUNDAMENTAIS PARA O TRABALHO INTERSETORIAL E PERSONALIZADO ESTRATÉGIAS PEDAGÓGICAS ESSENCIAIS NA INTERSETORIALIDADE ESPAÇOS, TEMPOS E TERRITÓRIOS EDUCATIVOS POR QUE EDUCAR E APRENDER NO TERRITÓRIO? OS TEMPOS EDUCATIVOS: QUALIDADE E INTENCIONALIDADE POLÍTICAS PÚBLICAS E A IMPLEMENTAÇÃO DA EDUCAÇÃO INTEGRAL EDUCAÇÃO INTEGRAL COMO POLÍTICA PÚBLICA MODALIDADES DE AMPLIAÇÃO DA JORNADA DIAGNÓSTICO COMO ETAPA ESTRATÉGICA REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: