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FUNDAMENTOS DA 
EDUCAÇÃO INTEGRAL
 
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SUMÁRIO 
Conceitos e princípios da educação integral ............................................................ 2 
Histórico da educação integral no brasil .................................................................... 5 
Marcos legais da educação integral no brasil ........................................................... 7 
Equidade, democracia, participação, contextualização, integralidade e 
articulação .......................................................................................................................... 8 
Multidimensionalidade e desenvolvimento integral ............................................. 10 
A interação entre saberes acadêmico se comunitários. ....................................... 13 
Diversidades e singularidades das crianças e adolescentes ............................... 14 
Inclusão ............................................................................................................................... 15 
Ensino personalizado ......................................................................................................16 
Reflexões no contexto escolar ......................................................................................16 
O currículo na perspectiva da educação integral ..................................................16 
O projeto político-pedagógico (ppp) como instrumento de integração e 
identidade .......................................................................................................................... 19 
Políticas públicas e intersetorialidade ...................................................................... 20 
Você já ouviu falar no bairro-escola em nova iguaçu? ........................................ 20 
O desafio da intersetorialidade no brasil ................................................................. 20 
Elementos fundamentais para o trabalho intersetorial e personalizado ........ 21 
Estratégias pedagógicas essenciais na intersetorialidade ................................. 22 
Espaços, tempos e territórios educativos ................................................................. 22 
Por que educar e aprender no território? ................................................................. 23 
Os tempos educativos: qualidade e intencionalidade ......................................... 23 
Políticas públicas e a implementação da educação integral ............................ 24 
Educação integral como política pública ................................................................ 25 
Modalidades de ampliação da jornada ................................................................... 25 
Diagnóstico como etapa estratégica ........................................................................ 26 
Referências bibliográficas: ........................................................................................... 27 
 
 
 
2 
 
 
 
FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO INTEGRAL 
Prof.ª: Me.Tamara Juliana Pereira Andrade 
CONCEITOS E PRINCÍPIOS DA EDUCAÇÃO INTEGRAL 
A Educação Integral pode ser entendida como uma concepção que 
concebe que a educação deva garantir o desenvolvimento pleno dos sujeitos 
em todas as suas dimensões – intelectual física emocional, social e cultural, 
constituindo-se como um projeto coletivo que é compartilhado por crianças, 
pela família, educadores e gestores. É possível compreender que as dimensões 
acima citadas são indissociáveis em relação ao cotidiano em que estamos 
vivendo. O termo “integral” é entendido não apenas como a extensão do 
tempo e dos espaços escolares, mas como a promoção de uma formação 
ampla e completa do indivíduo. Essa concepção visa ao desenvolvimento 
pleno de suas diversas capacidades, por meio de um processo educativo que 
integre dimensões científicas, tecnológicas, humanísticas, políticas e 
estéticas, com o objetivo de favorecer sua emancipação. Portanto: 
[...] sugere superar o ser humano dividido historicamente pela 
divisão social do trabalho entre a ação de executar e a 
ação de pensar, dirigir ou planejar. Trata-se de superar a 
redução da preparação para o trabalho ao seu aspecto 
operacional, simplificado, escoimado dos conhecimentos que 
estão na sua gênese científico-tecnológica e na sua 
apropriação histórico-social. Como formação humana, o que 
se busca é garantir ao adolescente, ao jovem e ao adulto 
trabalhador o direito a uma formação completa para a leitura 
do mundo e para a atuação como cidadão pertencente a um 
país, integrado dignamente à sua sociedade política. 
(CIAVATTA,2005,p.85). 
Ela ganhou força no fim da década de 90 podendo ser vista como uma 
concepção que propõe o desenvolvimento e a implementação de práticas 
educativas e políticas públicas que visam a inclusão e a emancipação dos 
estudantes. Ao promover um ensino que tem o estudante como centro do 
processo educativo, reconhecendo como sujeito integral, so-cial, histórico, 
competente e multidimensional é capaz de co-nectar o verdadeiro sentido da 
escola e a educação para vida. 
A integralidade da pessoa humana abarca a intersecção 
dos aspectos bio-lógico-corporais, do movimento huma-
no, da sociabilidade, da cognição, do afeto, da 
moralidade, em um contexto tempo-espacial. Um 
processo educati-vo que se pretenda “integral” trabalha-
ria com todos estes aspectos de modo integrado — ou 
seja — a educação visaria à formação e ao desenvolvi-
mento humano global e não apenas ao acúmulo 
informacional (Gatti, 2006, p. 16). 
 
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Ela não é uma modalidade de ensino, mas sim uma concepção 
educacional que vê o ser humano como prota-gonismo de forma integral, 
buscando contemplar todas suas dimensões físicas, culturais, sociais e 
emocional. 
 
Fonte: a autora 
Os estudantes devem ser vistos como sujeitos multidimensionais que 
necessitam da articulação de adultos, como por exemplo os professores e 
a família para apoiar e sustentar o desenvolvimento integral. 
Uma educação intencional que prepara para a vida além dos 
conteúdos. Trazendo a possibilidade de construir projetos coerentes que vão 
de encontro aos interesses dos estudantes e aquilo que eles desejam, 
atendendo suas necessidades de aprendizagem e desenvolvimento apoiando 
a construção dos seus projetos de vida. 
Demo (2010) afirma que para a educação integral em 
tempo integral, a maior preocupação não é a 
“transmissão curricular”, mas a reconstrução e 
(re)significação curricular. Na sua proposta, tudo se 
planeja em prol da aprendizagem, que não se limita a 
ensinar mais, mas, sobretudo, ensinar melhor. “Em vez da 
aula reproduzida, entra em cena a proposta sempre 
construída, desconstruída e reconstruída, no ritmo 
disruptivo do conhecimento” (DEMO, 2010, apud 
PARANÁ, 2012, p.11). 
Muitos entendem que a educação integral é somente a ampliação do 
tempo. Mas mais do que isso, para que seja integral é necessário articular 
diferentes praticas, em um currículo integrado que promove experiencias e 
que a professora atua como mediadora, valorizando o conhecimento de si 
mesmo, do seu corpo e de suas emoções, construindo uma educação de 
 
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grande significância, construindo uma educação articulada entre vinculo e 
significado, considerando a escola, a cultura e o vínculo dos alunos com os 
saberes do cotidiano. 
Nessa perspectiva, além da ampliação do tempo de 
permanência do estudante na escola, outros aspectos 
são intervenientes no processo avaliativo, como o papel 
do professor, o percurso formativo do estudante, seus 
anseios, seus projetos de vida, a heterogeneidade 
cultural e social e as práticas educativas como um todo. 
(Paraná, 2019). 
Dessa forma é trabalhado de forma alinhada as propostas 
desenvolvidas ampliando a escola para a cidade. Uma escola focada na EI 
precisa se apropriar da cidade, do bairro e buscando a participação de 
todos os indivíduos e promovendo o diálogo e a participação da 
comunicada. Para que haja um desenvolvimentointegral é necessário 
engajamento de diferentes setores e também politicas publicas indutoras de 
projetos que possam transformar as escolas. Envolvendo uma 
intersetorialidade. Por isso, a Educação Integral evoca um conjunto de 
estratégias - dentro e fora da escola, mobilizando ações intra e 
intersetoriais no governo e em parceria com a sociedade, ampliando a rede 
de proteção à infância, adolescência e juventude, a salvaguarda dos direitos 
humanos e atenção às diversidades. 
O dialogo democrático nesse processo é essencial, o papel da EI é 
garantir que todos possam se tornar cidadãos autônomos, que constroem 
seus projetos de vida e sigam aprendendo, desenvolvendo autonomia no 
exercício da cidadania. Para além da ampliação do tempo vivido pelos 
estudantes dentro da instituição educativa, a EI deve ser vista como uma 
proposta que visa superar as desigualdades ao promover uma prática 
contemporânea e por buscar desenvolver uma proposta focada da 
superação das desigualdades. 
Segundo Moll e Barcelos (2021, p. 789): 
Pensar a educação integral, no contexto da escola de 
educação básica, implica a superação do arraigado 
dualismo entre desenvolvimento intelectual, cultural, 
emocional e físico, implica recompor a unidade corpo, 
mente e espírito, historicizada e temporalizada pelas 
condições reais de existência de nossos meninos e 
meninas, assim como a superação do abismo das 
condições de funcionamento e de acesso ao saber, nas 
escolas em que estudam os/as filhos/as das diferentes 
classes sociais. Ao mesmo tempo, implica a superação 
da naturalização do tempo exíguo, das práticas 
excludentes e dos métodos arcaicos arraigados em 
nosso sistema educacional. 
 
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Os princípios que caracterizam a EI são: 
• A promoção da equidade ao reconhecer os direitos de 
aprendizagem de todos, reconhecendo a importância do acesso 
a oportunidades educativas diferenciadas e diversificadas, 
abordando diversas linguagens, recursos, saberes, espaços 
como uma das formas de se enfrentar as desigualdades sociais. 
• Promove a inclusão ao reconhecer as múltiplas identidades, a 
singularidade de cada sujeito visando oportunizar um projeto 
educativo voltado a todos. 
• Demonstra sua contemporaneidade por que estão alinhadas às 
demandas do século XXI, visando a formação de sujeitos 
responsáveis por suas ações em relação ao mundo, capazes de 
desenvolver sua autonomia refletindo de forma crítica sobre o 
mundo qual está inserido. 
• Está alinhada a sustentabilidade visto que se compromete aos 
processos educativos que integram a prática a teoria e a relação 
entre o que se aprender e aquilo que se aplica, buscando 
contextualizar os aprendizados. 
Dessa forma, a Educação Integral visa promover uma escola 
contemporânea e alinhadas aos princípios acima citados. 
HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO INTEGRAL NO BRASIL 
Linha do tempo dos movimentos e marcos legais associados à 
Educação Integral no Brasil. 
Fonte: Centro de Referências em Educação Integral (CREI) 
Desde as primeiras décadas do século XX, diversos movimentos sociais, 
intelectuais e experiências locais já apontavam a necessidade de uma 
formação educacional orientada por princípios humanistas e 
emancipatórios, valorizando a articulação entre escola e território. Com 
 
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o tempo, essa concepção foi sendo incorporada ao ordenamento jurídico e 
às diretrizes educacionais brasileiras, que passaram a reconhecer a educação 
como um direito que visa ao desenvolvimento pleno dos sujeitos. 
A ampliação progressiva da jornada escolar também passou a ser 
considerada um elemento importante nesse processo. Apesar disso, a 
Educação Integral como política pública nacional estruturada é ainda um 
campo relativamente novo e em processo de consolidação no Brasil. 
Sua origem se inicia na década de 1930, a partir do Manifesto dos 
Pioneiros da Escola Nova. Em 1950, com a criação de algumas escolas, a 
ampliação dos tempos, espaços e oportunidades de aprendizagem na EI 
começa a ganhar força e notoriedade. 
Muitos pesquisadores como Anísio Teixeira defendiam a escola em 
tempo integral bem como o enriquecimento do programa curricular já 
existente com propostas práticas que articulassem a comunidade e a vida. 
Segundo ele a relação entre escola e comunidade era essencial, não podendo 
limitar-se somente ao espaço da escola, visto que uma aprendizagem se 
torna significativa quando está conectada a vida e é contextualizada. 
Tornando o sujeito participe de sua vivencia, em que irá aprender algo para 
agir e compreender o mundo em que vive, atuando de forma crítica. Não faz 
sentido uma educação centrada somente no conteúdo, separada do 
contexto, pois não terá sentido. 
Em 1980, inspirada nas escola-parque de Anísio Teixeira, Darcy Ribeiro 
implementou os CIEPS, conhecidos como Centros Integrados de Educação 
Pública, no decorrer de sua gestão como secretário da educação em Rio 
Janeiro. 
Levantou a discussão sobre a necessidade de um programa de educação 
integral, mesmo que com foco em oferecer saúde, educação, cultura, esporte, 
assistência social, segurança alimentar aos estudantes, ficou marcado pela 
ampliação da jornada e pelo projeto arquitetônico de Oscar Niemeyer. 
A partir desse momento muitas iniciativas de EDI foram implantadas 
no Brasil, mas somente em 2001 o debate sobre sua importância ganhou mais 
valor ao discutir sobre os Centros Educacionais Unificados (CEUS), em São 
Paulo. Um projeto intersecretarial, que envolvia Educação, Esporte e Cultura 
articulando a comunidade e a gestão participativa e democrática. 
Em 2007, a EI se fortaleceu ainda mais quando o governo federal instituiu 
o Programa Mais Educação, como estratégia para ampliação da jornada 
escolar e a organização curricular, inspirada no conceito de Bairro-Escola. 
Este programa consiste em uma ação indutora de políticas municipais para 
a EI, possibilitando o aumento da jornada e a diversificação das atividades, 
sem necessariamente modificar o espaço físico ou aumenta o número de 
professores por exemplos, reconhecendo que os educadores populares e 
agentes dos territórios podem criar um esquema de atuação conjunto aos 
funcionários e professores da instituição; estimulando o início de parcerias 
com espaços externos, demandando uma maior conexão entre a escola e o 
 
7 
 
 
 
entorno. Com sua chegada, o Programa Mais Educação teve a possibilidade 
de estimular a articulação de políticas socioeducativas, instigando os 
gestores e pensa sobre novas possibilidades de implementação de 
programas de Educação Integral. 
Não trouxe uma estratégia pronta para a implementação desta política 
pública, mas levantou um debate a estas novas possibilidade, ampliando a 
visão do desenvolvimento integral enquanto concepção educativa. Esta 
concepção tem como foco o desenvolvimento pleno dos sujeitos nas 
diferentes fases da vida, tendo-o como centro das propostas educativas e 
acreditando que as aprendizagens são decorrentes das relações de valor 
deste sujeito com o meio, o outros e os objetos do conhecimento. 
MARCOS LEGAIS DA EDUCAÇÃO INTEGRAL NO BRASIL 
A Educação Integral está respaldada por importantes marcos legais no 
Brasil. As Diretrizes Curriculares Nacionais de 2013, em sintonia com a 
Constituição Federal de 1988, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação de 1996 
e o Estatuto da Criança e do Adolescente de 1990, afirmam que a principal 
função da educação é garantir o desenvolvimento pleno de cada pessoa. Isso 
significa reconhecer o direito de todos e todas a se desenvolverem em sua 
totalidade — considerando seus desejos pessoais, suas formas únicas de ser 
e a necessidade de convivência respeitosa e coletiva. 
O Plano Nacional de Educação (2026) reforça essa perspectiva ao 
estabelecer como meta a expansão da educação integral com a ampliação 
da jornada escolar. Mais do que aumentar o tempo na escola, trata-se de 
estimular a articulação com outros espaços educativos e culturais presentes 
no território, como bibliotecas, praças,centros comunitários, museus, teatros, 
cinemas e planetários — valorizando, assim, o território como um aliado do 
processo formativo. 
Segue abaixo os documentos que amparam legalmente a Educação 
Integral e a ideia de reconhecimento e desenvolvimento do sujeito em sua 
multidimensionalidade: 
CONSTITUIÇÃO FEDERAL DO BRASIL (1988) 
Art. 205 – Estabelece que a educação é um direito de todos e dever do 
Estado e da família, sendo promovida com a colaboração da sociedade, 
visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da 
cidadania e sua qualificação para o trabalho. 
ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE – ECA (LEI Nº 8.069/1990) 
Art. 53 – Garante às crianças e adolescentes o direito à educação 
visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício 
da cidadania e qualificação para o trabalho. 
 
8 
 
 
 
LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL – LDB (LEI Nº 9.394/1996) 
Art. 2º – Define a educação como processo que visa ao pleno 
desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e 
sua qualificação para o trabalho. 
PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO – PNE (LEI Nº 13.005/2014) 
Meta 6 – Estabelece como objetivo ampliar a oferta da educação em 
tempo integral, em, no mínimo, 50% das escolas públicas, atendendo pelo 
menos 25% dos estudantes da educação básica. 
DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS PARA A EDUCAÇÃO BÁSICA – DCN 
(RESOLUÇÃO CNE/CEB Nº 4/2010) 
Reconhecem o desenvolvimento integral como eixo orientador da 
organização curricular, reafirmando a importância da formação integral dos 
sujeitos em suas múltiplas dimensões. 
Sendo assim, compreende-se que a Educação Integral consiste em 
uma concepção comprometida com uma educação cheia de sentido e 
significado, usando de aprendizagem que sejam acessíveis, pertinentes, 
relevantes e que possam ser transformadas pelos estudantes. Estas 
aprendizagens devem proporcionar o aprofundamento do desenvolvimento 
dos estudantes, estimulando as diferenças formas de aprendizado. 
Não existe um único tipo de saber e uma única forma de aprender bem 
como não há uma receita pronta para ensinar a todos. 
Propostas eficazes são aquelas que se preocupam com as necessidades 
e buscam ampliar as possibilidades de aprendizagem dos sujeitos. Para isso é 
necessário que o professor esteja atento pata avaliar aquilo que os estudantes 
já sabem, para que possam ampliar e constituir repertórios, sendo essencial 
por parte da gestão o desenvolvimento de projeto de formação que 
contribuam com os saberes constituídos por seus professores. 
EQUIDADE, DEMOCRACIA, PARTICIPAÇÃO, CONTEXTUALIZAÇÃO, 
INTEGRALIDADE E ARTICULAÇÃO 
A Educação Integral, enquanto concepção pedagógica e política, se 
estrutura a partir de princípios fundantes que orientam sua prática e sua 
intencionalidade formativa. Esses princípios sustentam a ideia de que educar 
é um processo complexo, situado historicamente, e comprometido com o 
pleno desenvolvimento humano em todas as suas dimensões. Entre os 
principais fundamentos que norteiam essa abordagem estão: equidade, 
democracia, participação, contextualização, integralidade e articulação. 
Segue abaixo as principais características de cada um destes 
princípios: 
• Equidade é um princípio central na Educação Integral, 
pois reconhece que tratar todos da mesma forma não 
 
9 
 
 
 
é suficiente para garantir justiça. A equidade pressupõe o 
reconhecimento das desigualdades históricas, sociais e 
culturais e a proposição de estratégias que assegurem 
oportunidades reais de aprendizagem e 
desenvolvimento a todas e todos, respeitando suas 
singularidades e necessidades. 
• A democracia, por sua vez, não é apenas uma forma de 
organização política, mas uma prática cotidiana que se 
constrói na escola e com a escola. A Educação Integral 
defende a construção de espaços escolares democráticos, 
onde as vozes de estudantes, educadores, famílias e 
comunidade sejam ouvidas, respeitadas e valorizadas na 
tomada de decisões e na construção dos projetos 
pedagógicos. 
• O princípio da participação amplia essa lógica 
democrática, promovendo o protagonismo dos sujeitos 
no processo educativo. A Educação Integral entende que 
todos os envolvidos — estudantes, educadores, famílias e 
demais agentes do território — são corresponsáveis pela 
construção do conhecimento e pela criação de 
ambientes educativos significativos. 
As infâncias, as juventudes e os professores são 
protagonistas dos saberes e fazeres construídos 
no, e a partir do território escolar. Os estudantes, no 
ocupar da escola com práticas e vivências 
mediadas, total ou parcialmente, por professores, 
como, por exemplo: grêmio estudantil, clubes 
juvenis, liderança de turma e conselho de líderes. E 
os professores, no desenho dos elementos 
integradores do currículo, na arquitetura de 
componentes eletivos que serão ofertados 
semestralmente, na docência, na tutoria e mentoria 
de estudantes, bem como no coordenar das salas 
temáticas e ateliês2. Todas ações fundamentais 
para a construção dos Projetos de Vida dos 
estudantes e, também de professores e gestores que 
passam a vivenciar a escola em sua integralidade 
(Paraná, 2019). 
• A contextualização é outro eixo estruturante, pois 
reconhece que a educação precisa dialogar com a 
realidade dos estudantes. Isso significa partir das 
experiências, saberes, histórias e desafios do território 
onde a escola está inserida, promovendo aprendizagens 
que façam sentido e estejam conectadas às vivências 
concretas dos sujeitos. 
 
10 
 
 
 
• A integralidade refere-se à compreensão de que o ser 
humano é multidimensional. O processo educativo, 
portanto, deve considerar o desenvolvimento intelectual, 
físico, emocional, social e cultural dos estudantes, 
promovendo experiências formativas que articulem razão 
e emoção, corpo e mente, indivíduo e coletivo. 
• A articulação é o princípio que reforça a necessidade de 
integração entre políticas públicas, setores da sociedade e 
espaços educativos formais e não formais. A Educação 
Integral não se restringe aos muros da escola; ela se 
realiza por meio da construção de redes de apoio, de 
parcerias entre diferentes atores sociais e da valorização 
dos saberes presentes na comunidade e no território. 
Esses princípios não são elementos isolados, mas se entrelaçam 
para compor uma visão de educação comprometida com a transformação 
social, com a promoção da justiça e com a formação de sujeitos autônomos, 
críticos e engajados com o mundo. A Educação Integral, assim, se afirma 
como um projeto ético e político de sociedade mais humana, inclusiva e 
solidária. 
Há inúmeros exemplos bem-sucedidos de experiências em Educação 
Integral no Brasil e no mundo. Em sua maioria, esses casos destacam-se por 
uma gestão escolar que coloca o estudante no centro do processo educativo, 
reconhecendo e valorizando sua multidimensionalidade e, com isso, criando 
condições concretas para o desenvolvimento integral de todos e todas. 
A concepção de uma escola pública orientada pelo princípio do 
desenvolvimento pleno dos sujeitos é não apenas uma diretriz constitucional, 
mas também um pilar fundamental da democracia. No entanto, persistem 
inúmeros desafios na estrutura e na lógica organizacional da escola 
tradicional, que muitas vezes não oferece os instrumentos e estratégias 
necessários para promover aprendizagens significativas, capazes de preparar 
os estudantes para os complexos desafios da sociedade contemporânea. 
MULTIDIMENSIONALIDADE E DESENVOLVIMENTO INTEGRAL 
As dimensões do desenvolvimento humano: física, emocional, 
intelectual, social e cultural. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: A autora 
 
11 
 
 
 
Todo sujeito é multidimensional. As dimensões física, emocional, 
social, intelectual e cultural compõem a complexidade do ser humano e, ao 
refletirmos sobre elas, percebemos que são interdependentes, 
complementares e inseparáveis. Para promover o desenvolvimento integral 
de cada umadessas dimensões, é fundamental articular diferentes elemento, 
sujeitos e contextos que sustentem e favoreçam esse processo de forma 
integrada e contínua. 
Segundo o Centro de Referências em Educação Integral11 as dimensões 
do desenvolvimento integral podem ser definidas como: 
• Dimensão física: relaciona-se à compreensão das questões 
do corpo, do autocuidado e da atenção à saúde, da 
potência e da prática física e motora. 
• Dimensão emocional ou afetiva: refere-se às questões 
do autoconhecimento, da autoconfiança e capacidade 
de auto realização, da capacidade de interação na 
alteridade, das possibilidades de auto reinvenção e do 
sentimento de pertencimento. 
• Dimensão social: refere-se à compreensão das questões 
sociais, à participação individual no coletivo, ao exercício 
da cidadania e vida política, ao reconhecimento e 
exercício de direitos e deveres e responsabilidade para 
com o coletivo. 
• Dimensão intelectual: refere-se à apropriação das 
linguagens, códigos e tecnologias, ao exercício da lógica 
e da análise crítica, à capacidade de acesso e produção 
de informação, à leitura crítica do mundo. 
• Dimensão cultural: diz respeito à apreciação e fruição das 
diversas culturas, às questões identitárias, à produção 
cultural em suas diferentes linguagens, ao respeito das 
diferentes perspectivas, práticas e costumes sociais. 
Cada dimensão da experiência humana deve ser compreendida em 
articulação com o contexto em que o estudante está inserido. Os modos de 
vida — seja no campo, na cidade, nas comunidades tradicionais, nas aldeias 
ou nos espaços escolares — influenciam diretamente os processos de 
desenvolvimento e aprendizagem. 
As etapas do desenvolvimento humano, bem como as culturas próprias 
de cada fase da vida, precisam ser reconhecidas e valorizadas como parte 
essencial dos objetivos educacionais. 
A concepção de multidimensionalidade, portanto, implica o 
reconhecimento e a valorização das singularidades e das diversas 
 
1 Centro de Referências em Educação Integral (CREI, 2018, Na Prática, Caderno 1, p.34.). Disponível 
em: . Último acesso em 30/04/2025 
 
12 
 
 
 
identidades — étnicas, culturais, territoriais, sociais — como elementos 
estruturantes do processo educativo. 
A escola exerce um papel fundamental na articulação de diferentes 
oportunidades de desenvolvimento para os estudantes. No contexto da 
Educação Integral, é a instituição educacional que assume a 
responsabilidade de organizar tempos, espaços e recursos do território, com 
o objetivo de promover o desenvolvimento integral dos sujeitos. 
Pensar na oferta de uma formação plena não pressupõe 
que se possa ensinar e aprender tudo, mas sim 
possibilitar ao sujeito uma formação completa para a 
leitura de mundo e para a atuação como cidadão 
pertencente ao seu país. Assim, a oferta de Educação 
Integral em Tempo Integral busca ampliar as 
oportunidades educacionais que visam desenvolver as 
potencialidades humanas, rompendo com a 
fragmentação dos conteúdos, articulando e integrando 
conhecimentos, ampliando os tempos e ressignificando 
os espaços escolares, de forma a tornar a escola um 
lugar para a prática da investigação, de experiências 
pedagógicas e de aprendizagem significativa, tanto 
para os estudantes como para os professores (Paraná, 
2019) 
Considerando que cada comunidade possui histórias, identidades e 
características próprias, não é possível adotar um modelo único de 
organização escolar. A Educação Integral, entendida como concepção 
pedagógica e também como estrutura programática, exige que cada escola 
desenvolva estratégias coerentes com seu território. 
Nesse sentido, alguns aspectos são fundamentais para sua 
implementação: 
• Diversificar as práticas educativas, considerando as 
características e a multidimensionalidade dos 
estudantes e da comunidade local; 
• Promover uma gestão participativa em todas as 
esferas — administrativa, financeira e pedagógica —, 
criando 
• espaços de escuta e protagonismo estudantil, 
especialmente no que se refere ao seu percurso 
formativo; 
• Fortalecer a integração com o território, 
estabelecendo parcerias com famílias e agentes locais 
na construção coletiva do currículo e na consolidação 
da escola como espaço de convivência, aprendizagem 
e transformação social. 
 
13 
 
 
 
A INTERAÇÃO ENTRE SABERES ACADÊMICO SE COMUNITÁRIOS. 
O desenvolvimento integral dos estudantes não pode ser 
responsabilidade exclusiva da escola. Para que crianças e adolescentes 
possam se desenvolver plenamente em todas as suas dimensões, é 
fundamental que organizações públicas e não-governamentais atuem de 
forma articulada, formando uma rede de apoio e corresponsabilidade. 
Diversos espaços sociais — como os serviços de saúde, cultura, esporte, 
assistência social, entre outros — possuem intencionalidade educativa e 
podem ser parceiros estratégicos na construção de uma proposta de 
Educação Integral. Essa articulação amplia os horizontes formativos e 
fortalece a escola como espaço vivo e conectado à realidade dos estudantes. 
Ressignificar a escola significa transformá-la em um lugar de sentido e 
pertencimento. Propostas que valorizam a participação ativa e o 
protagonismo dos estudantes contribuem para que eles se reconheçam como 
sujeitos de direitos e produtores de conhecimento. 
Na Educação Integral, é essencial ligar a escola à vida, aproximando 
os conteúdos escolares dos contextos concretos dos alunos. Isso implica em 
conectar os saberes formais da escola aos saberes populares e comunitários, 
reconhecendo que a aprendizagem acontece em múltiplos espaços e 
relações, dentro e fora da escola. 
(...) pensar Educação Integral implica pensar no conjunto 
de oportunidades de formação humana que dialogam 
com o direito de bem viver. A escola não é uma bolha, e 
a vida escolar não pode ser reduzida a listas de 
conteúdos a serem ensinados e avaliados para 
selecionar os poucos “aproveitáveis” pelo sistema e os 
muitos que ficarão de fora (Moll et al., 2020, p. 2098). 
Para Moll et al. (2020, p. 2104): 
Para construirmos uma escola para todos/as, em um país 
ainda tão desigual, precisamos de ações intersetoriais. A 
intersetorialidade é estratégica para que se possa 
articular territórios educativos, construindo interfaces 
entre as políticas de museus, de bibliotecas, de 
cinematecas, de leitura, de direitos humanos, de 
consciência ambiental, entre outras, para colocar em 
diálogo as políticas educacionais com as políticas de 
assistência social, de saúde, de geração de emprego e 
renda, de infraestrutura urbana, de combate à fome, na 
perspectiva de construir respostas estatais robustas para 
os problemas que a população enfrenta (2020, p. 2104). 
Dessa forma, compreende-se que a Educação Integral vai além da 
ampliação do tempo escolar, propondo uma transformação profunda no 
modo como a escola se posiciona diante da vida dos estudantes. Ao 
ressignificar sua função social, a escola deixa de ser um espaço 
 
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exclusivamente instrucional e passa a ser compreendida como lugar de 
pertencimento, onde os sujeitos encontram sentido em suas trajetórias 
formativas. Nessa perspectiva, a valorização da participação ativa e do 
protagonismo estudantil é essencial para que crianças, adolescentes e jovens 
se reconheçam como sujeitos de direitos e como agentes produtores de 
conhecimento. 
Essa concepção demanda o rompimento com a lógica da escola 
isolada do mundo. Conectar os saberes formais aos saberes comunitários e 
populares é um passo fundamental para que a aprendizagem se torne 
significativa, ancorada na realidade dos estudantes. É nesse contexto que a 
Educação Integral se articula com o direito ao bem viver, considerando que 
a escola deve dialogar com os múltiplos espaços e experiências que 
constituem a vida de seus sujeitos. 
Ao ampliar esse olhar, Moll et al. (2020) destacam a 
urgência de ações intersetoriais como condiçãopara a 
construção de uma escola verdadeiramente inclusiva e 
democrática. A intersetorialidade, nesse sentido, emerge 
como estratégia central para articular territórios 
educativos e integrar políticas públicas de diferentes 
áreas — educação, saúde, cultura, assistência social, 
meio ambiente, entre outras. Essa articulação 
potencializa a criação de respostas concretas aos 
desafios enfrentados pelas populações mais vulneráveis, 
reafirmando a função social da escola como promotora 
de justiça, equidade e cidadania. 
DIVERSIDADES E SINGULARIDADES DAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES 
Vivemos em um país marcado por desigualdades históricas e 
estruturais. A qualidade da educação pública é constantemente exigida, 
especialmente diante dos desafios relacionados às desigualdades 
educacionais. No entanto, é fundamental reconhecer que qualidade e 
equidade estão diretamente interligadas. 
Na perspectiva da Educação Integral, a valorização da diversidade é 
um eixo estruturante do currículo. Isso significa reconhecer e respeitar as 
múltiplas identidades — étnico-raciais, de gênero, culturais, territoriais e 
socioeconômicas 
— como componentes essenciais da construção de uma educação 
mais justa, inclusiva e significativa. Essa valorização é um passo decisivo para 
o enfrentamento das desigualdades presentes em nossa sociedade. 
As desigualdades educacionais se manifestam nas condições desiguais 
de acesso, permanência e aprendizagem entre diferentes grupos sociais. 
Embora os sistemas educacionais estejam juridicamente fundamentados na 
igualdade de tratamento, pesquisas demonstram que estudantes negros(as), 
 
15 
 
 
 
indígenas, quilombolas e de classes populares frequentemente apresentam 
desempenho acadêmico abaixo da média nacional. 
Segundo Moll et al. (2020, p. 2107): 
O debate da Educação Integral é eminentemente 
político, diz da responsabilidade, do esforço, da intenção 
do país, dos governantes, nos diferentes tempos, para 
avançar e construir a possibilidade de elevação cultural, 
educacional e política do povo brasileiro. Não há como 
enfrentar os ciclos intergeracionais de pobreza e miséria 
sem enfrentar as desigualdades educacionais, e a 
ampliação e o redimensionamento da jornada escolar 
são condições para esses processos. 
A escola, nesse contexto, não pode se omitir. Ela deve se posicionar de 
forma ativa no combate às desigualdades, reconhecendo-as, tratando-as e 
desenvolvendo estratégias que promovam a equidade. Isso inclui tratar com 
diferença aqueles que precisam de suporte diferenciado, respeitando as 
necessidades específicas de cada estudante e promovendo condições para o 
pleno desenvolvimento de todos e todas. 
A educação no Brasil ainda é profundamente marcada por 
desigualdades econômicas, raciais, de gênero e territoriais, que se entrelaçam 
e potencializam umas às outras. Embora tenhamos avançado em algumas 
políticas públicas, o país continua sendo um dos mais desiguais do mundo, e 
o direito à educação de qualidade ainda é negado a milhões de crianças e 
adolescentes. 
Frente a essa realidade, é essencial que cada instituição educacional 
reconheça o seu papel social e político, assumindo a responsabilidade de 
enfrentar essas desigualdades por meio de ações intencionais e 
transformadoras. Um dos primeiros passos é garantir não apenas o acesso, 
mas também a permanência dos estudantes na escola, valorizando suas 
identidades e respeitando suas trajetórias. 
A promoção da equidade deve estar prevista de forma clara nas 
políticas e práticas da escola, estruturando estratégias que atendam às 
singularidades e aos tempos de desenvolvimento de cada estudante. 
INCLUSÃO 
A inclusão escolar tem ganhado visibilidade especialmente com a 
implementação da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da 
Educação Inclusiva. Houve avanços significativos, como o aumento de 
matrículas de estudantes com deficiência em classes regulares. Contudo, 
ainda existem inúmeros obstáculos que comprometem a efetivação desse 
direito. 
As barreiras não se limitam ao acesso físico à escola. Questões como 
a falta de transporte adequado, ausência de profissionais especializados 
 
16 
 
 
 
(como cuidadores e professores com fluência em Libras), alguns dos desafios 
enfrentados. 
A verdadeira inclusão exige a superação dessas barreiras e a 
construção de uma escola que reconhece e acolhe todas as formas de 
aprender, promovendo ambientes acessíveis, respeitosos e integradores. 
ENSINO PERSONALIZADO 
O ensino personalizado é um conjunto de estratégias pedagógicas que 
busca promover o desenvolvimento integral de cada estudante de maneira 
individualizada, levando em consideração suas dificuldades, potencialidades, 
interesses e contexto de vida. 
Essa abordagem está intrinsecamente relacionada à concepção de 
Educação Integral, pois parte do princípio de que educar exige reconhecer o 
sujeito em sua singularidade. Personalizar o ensino é, portanto, respeitar os 
ritmos e estilos de aprendizagem, promovendo práticas que favoreçam a 
autonomia, o protagonismo e a inclusão. 
REFLEXÕES NO CONTEXTO ESCOLAR 
Para fortalecer uma educação inclusiva e integral, é essencial que cada 
escola reflita sobre suas práticas cotidianas. Algumas questões que podem 
orientar esse processo: 
• Que recursos pedagógicos são utilizados nas 
atividades educativas? Eles são inclusivos ou precisam 
de adaptação? 
• Há salas de Atendimento Educacional Especializado 
(AEE) nas escolas da região? Elas atuam de forma 
integrada com os professores da sala comum? 
• Os estudantes com deficiência estão inseridos nas 
turmas regulares? Participam ativamente das 
atividades junto aos colegas? 
• Que estratégias têm sido adotadas para engajar esses 
estudantes e garantir sua participação nas 
experiências escolares? 
 
O CURRÍCULO NA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO INTEGRAL 
Na Educação Integral, o estudante é colocado no centro do processo 
educativo. Isso significa reconhecer que suas múltiplas dimensões — física, 
emocional, intelectual, social e cultural — devem ser consideradas como 
parte indissociável do planejamento pedagógico. 
As práticas educativas devem dialogar com essas dimensões, 
entendendo que o desenvolvimento humano acontece nas interações entre o 
 
17 
 
 
 
sujeito, o outro, o meio e o conhecimento. A aprendizagem, portanto, é fruto 
dessas relações interdependentes e contextuais. 
Dessa forma, o currículo deve refletir o projeto de ser humano e de 
sociedade que se deseja construir, sendo orientado não apenas por 
conteúdos, mas por finalidades formativas comprometidas com a cidadania, 
a equidade e o desenvolvimento integral. 
Historicamente, o currículo tem sido atravessado por debates sobre o 
que ensinar e qual tipo de sujeito formar. Antônio Flávio Moreira e Tomaz 
Tadeu da Silva, em Currículo, cultura e sociedade, alertam para a importância 
compreender os “porquês” que fundamentam as formas de organização do 
conhecimento na escola. 
O currículo deve ser entendido como uma construção cultural, 
resultado de disputas simbólicas e sociais, e não como um campo neutro ou 
técnico. Ele expressa valores, visões de mundo e formas de viver, e, por isso, 
precisa ser construído coletivamente, respeitando a diversidade de sujeitos, 
territórios e culturas presentes na escola. 
Dessa forma, o currículo “define um território prático 
sobre o qual se pode discutir, investigar, mas, antes de 
tudo, sobre o qual se pode intervir” (SACRISTÁN e 
GÓMEZ, 1998, p.145) mostrando a necessidade de refletir 
também sobre as “formas de organizá-los em áreas 
apropriadas, nas experiências de aprendizagem que se 
promoverão, na prática dos professores e em todas as 
demais condições do meio escolar” (SACRISTÁN e 
GÓMEZ, 1998, p. 175). 
A educação brasileira é marcada por uma forte característica da 
valorização de currículos transmissivos, em que o trabalho com conteúdos 
conceituais é predominante bem como a fragmentação dos conteúdosconceituais e a falta de articulação entre o cotidiano e os conteúdos. Assim, 
o trabalho de leitura por exemplo ´não se relaciona a compreensão leitora 
dos problemas de matemática e da compreensão de fenômenos que 
acontecem no mundo relacionados as demais disciplinas como geografia e 
ciências. 
Nessa perspectiva, não se considera a articulação entre a 
aprendizagem e o desenvolvimento, de forma a não fomentar o espírito 
investigativo e a curiosidade por meio de propostas abordadas de forma 
interdisciplinar. Neste caso muitas vezes o conteúdo não apresenta sentido 
para o principal intuito da Educação Integral é o enfoque multidimensional e 
articulador, que fomente o pensamento crítico, os sentimentos, as habilidades 
de sentir, experimente, descobrir o mundo e se comunicar com ele, utilizando 
diferentes linguagens, códigos e métodos ao articular as diferentes áreas de 
conhecimento e componentes curriculares. 
Tendo por base a premissa de que o papel da escola é garantir o direito 
dos estudantes a se desenvolverem por meio do aprendizado e de conteúdos 
 
18 
 
 
 
que façam sentido para a vida, compreende-se que que o conhecimento é 
poderoso ao abordar competências, habilidades, linguagens. 
Comportamento, hábitos e valores que possibilitem aos estudantes o 
desenvolvimento da autonomia e o uso dela no contexto em que se 
encontram, desenvolvendo seu próprio projeto de vida carregado de 
propósito e sentido. 
A Educação Integral propõe a valorização dos saberes locais e das 
identidades culturais dos territórios em que a escola está inserida. O currículo, 
nesse sentido, deve promover o diálogo entre o conhecimento acadêmico e 
os saberes comunitários, reconhecendo que ambos têm valor formativo. 
Mais do que uma divisão entre “turno” e “contraturno”, a Educação 
Integral articula os diferentes tempos e espaços de vida dos estudantes, 
integrando aprendizagens escolares 
com experiências sociais, familiares, culturais e comunitárias. Isso 
fortalece o vínculo entre escola e território, tornando o processo educativo 
mais significativo e contextualizado. 
A articulação entre os conhecimentos acadêmicos, os saberes e 
potenciais educativos do território é valorizada e estimulada a partir das 
Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica, quando é espaços e 
disciplinas de forma engessada estimulando a organização dos currículos 
visando a continuidade e a construção do conhecimento 
Formar crianças e jovens nesses campos de significados 
herdados, representados pelas diversas disciplinas do 
conhecimento, ganha sentido dentro do conjunto de 
circunstâncias temporais, espaciais e culturais em que se 
encontra cada escola, cada turma, cada estudante, ou 
seja, seu contexto de vida e de significação. A 
contextualização é o primeiro passo para esta 
construção ativa do conhecimento, pois ao determinar 
as condições de sua inserção e os limites de sua 
validade: “a evolução cognitiva não caminha para o 
estabelecimento de conhecimentos cada vez mais 
abstratos, mas, ao contrário, para sua contextualização. 
É a condição essencial da eficácia do funcionamento 
cognitivo (Morin, 2002, p. 34). 
Baseada na ideia de Ciclo de aprendizagem contínuo, em que o 
aprendizado é ativo por meio de práticas pedagógicas que promovem o 
engajamento, investigação e o a demonstração de aprendizagens pelos 
estudantes ao desenvolverem competências, as práticas pedagógicas em 
educação integral devem oferecer: 
• Múltiplas formas de estudo e de investigação; 
• Múltiplas linguagens na apresentação dos conteúdos de 
ensino e de aprendizagem, diversificando e articulando 
 
19 
 
 
 
oralidade, imagem, textos, gráficos, vídeo, música, 
linguagem gestual e corporal, enfim, múltiplos estímulos 
aos sentidos e aos modos de representação); 
• Múltiplas ocasiões de interação com os conteúdos de 
aprendizagem para favorecer sua assimilação mais 
profunda e significativa; (não basta “dar a aula” sobre um 
tema uma única vez); 
• Múltiplas formas de interação entre os estudantes – 
desenvolver comunicação e argumentação em duplas, 
• debate ou apresentação – (não basta apenas ler livros 
didáticos e fazer exercícios); 
• Múltiplas formas de despertar o interesse e o 
engajamento na atividade de estudo (para além dos 
deveres e da obrigação em estudar) para ampliar a 
motivação e capacidade de construir sentidos e 
significados compartilhados (não basta estudar para ir 
bem nas provas e passar ano). (Weffort; Andrade; Costa, 
2019). 
O PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO (PPP) COMO INSTRUMENTO DE 
INTEGRAÇÃO E IDENTIDADE 
Para que o currículo expresse os princípios da Educação Integral, é 
necessário que ele esteja integrado ao Projeto Político-Pedagógico da escola. 
O PPP deve orientar a construção de uma matriz curricular que seja dinâmica, 
flexível e multidimensional, capaz de dialogar com os diferentes campos do 
conhecimento e de despertar o interesse, os desejos e as potencialidades dos 
estudantes. 
Essa matriz deve ser pautada pelos fundamentos da Educação 
Integral, assegurando: 
• Transversalidade dos conteúdos e saberes; 
• Inserção e valorização do território como espaço 
educativo; 
• Efetiva participação de estudantes, educadores e 
comunidade; 
• Personalização das Trajetórias de aprendizagem; 
• Experimentação como estratégia de construção ativa do 
conhecimento 
Assim, o PPP torna-se um instrumento potente de identidade 
institucional, coerência pedagógica e construção coletiva de sentidos na 
escola 
 
20 
 
 
 
POLÍTICAS PÚBLICAS E INTERSETORIALIDADE 
A Educação Integral, ao considerar todas as dimensões do 
desenvolvimento humano — física, emocional, intelectual, social e cultural —
, exige uma abordagem que vá além da escola. O trabalho pedagógico deve 
ser articulado entre pessoas, instituições e políticas públicas. Essa articulação 
se concretiza por meio do diálogo entre diferentes setores, como saúde, 
assistência social, cultura, esporte e educação, possibilitando a construção 
de ações integradas e eficazes frente aos desafios do desenvolvimento 
integral. 
Para que isso aconteça, é fundamental a formação de uma rede 
intersetorial capaz de unir competências diversas e contemplar, de forma 
ampla, todas as dimensões da vida do estudante. Essa rede deve se basear 
na corresponsabilidade e na colaboração entre os agentes envolvidos com a 
infância, a adolescência e a juventude. 
VOCÊ JÁ OUVIU FALAR NO BAIRRO-ESCOLA EM NOVA IGUAÇU? 
O município de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense (RJ), foi pioneiro 
na estruturação de políticas públicas com base na intersetorialidade, tendo 
como eixo central a Educação Integral. Em 2006, a prefeitura articulou uma 
política social na qual a educação era o ponto de partida, mobilizando 
diversas secretarias e setores da sociedade civil. 
Essa política reconhecia a cidade como uma extensão da escola, 
organizando o atendimento educativo e socioassistencial com base no bairro 
como unidade administrativa e integradora das políticas públicas. A proposta 
tinha como fio condutor o desenvolvimento de crianças e adolescentes, 
sendo referência nacional para ações intersetoriais voltadas à Educação 
Integral. 
O DESAFIO DA INTERSETORIALIDADE NO BRASIL 
A gestão intersetorial ainda é um campo recente no Brasil e enfrenta 
desafios estruturais. Como afirma Silva Ferreira (s.d.), “as políticas públicas 
setoriais estão estruturadas para funcionarem isoladamente. Planejamentos, 
orçamentos, normatizações técnicas e recursos humanos, em geral, seguem 
a lógica da especialização e da fragmentação das áreas.” Essa organização 
dificulta a construção de uma rede integrada e eficiente. 
Contudo, a Educação Integral propõe a superação dessas barreiras por 
meio de práticas colaborativas entre diferentes agentes e instituições. 
Exemplos de territórios educativos e suas funções 
• Fóruns Públicos: Espaços democráticos de escuta e 
participação da comunidade na construção das políticas locais.• Diversidade Educativa: Oportunidades de aprendizagem 
promovidas por diferentes atores — ONGs, empresas, poder 
público, coletivos culturais. 
 
21 
 
 
 
• Escolas Articuladoras: Instituições que pensam sua proposta 
pedagógica em diálogo com o território e com os saberes da 
comunidade. 
• Rede Intersetorial: Integração entre políticas públicas de 
educação, saúde, assistência social, direitos humanos, entre 
outras. 
A efetivação da intersetorialidade exige compromisso coletivo, 
envolvendo não apenas as escolas e as Secretarias de Educação, mas 
também outras pastas do governo, universidades, conselhos tutelares, 
organizações sociais e demais agentes públicos e comunitários. O que requer 
um compromisso prático com a intersetorialidade e com a personalização 
das ações educativas. Para tanto, é necessário conhecer profundamente as 
realidades sociais, culturais e econômicas dos territórios em que as escolas 
estão inseridas. Isso implica compreender as famílias como parceiras do 
processo formativo, valorizar suas experiências e promover o diálogo entre 
diferentes setores e agentes que compõem a rede de proteção e 
desenvolvimento. A personalização, nesse contexto, deixa de ser uma 
abordagem individualizante e passa a ser uma estratégia coletiva de 
cuidado, planejamento e corresponsabilidade. 
ELEMENTOS FUNDAMENTAIS PARA O TRABALHO INTERSETORIAL E 
PERSONALIZADO 
• Compreensão profunda do contexto social, econômico e 
cultural do território; 
• Leitura atenta das dinâmicas, identidades e valores das famílias 
atendidas; 
• Elaboração de um plano de trabalho personalizado, baseado 
na realidade local; 
• Estabelecimento de parcerias estratégicas para apoiar e 
qualificar as ações desenvolvidas; 
• Inclusão efetiva das famílias no processo socioeducativo, 
reconhecendo seu papel formador; 
• Abertura da escola como espaço de reflexão conjunta e escuta; 
• Compromisso com a autoformação e formação coletiva das 
equipes, orientadas pelos princípios da Educação Integral; 
• Participação ativa e permanente de todos os envolvidos no 
processo educativo. 
Para transformar essas intenções em práticas concretas, torna-se 
fundamental adotar estratégias pedagógicas que fortaleçam o trabalho 
intersetorial e ampliem a potência educativa da escola. Essas estratégias 
devem ser guiadas pela escuta, pela cooperação e pelo compromisso com a 
aprendizagem significativa, garantindo a construção coletiva de propostas 
 
22 
 
 
 
alinhadas às necessidades e potencialidades dos estudantes. A 
intersetorialidade, portanto, não se realiza apenas em documentos e 
diretrizes, mas ganha vida na prática pedagógica cotidiana, ancorada em 
valores democráticos, éticos e formativos. 
ESTRATÉGIAS PEDAGÓGICAS ESSENCIAIS NA INTERSETORIALIDADE 
• Planejamento como prática reflexiva e contínua; 
• Caráter coletivo e participativo na elaboração das propostas; 
• Protagonismo dos participantes na vivência do currículo; 
• Organização de espaços e tempos efetivos para o diálogo e a 
cooperação; 
• Pactuação clara de regras e critérios para tomada de decisão; 
• Transparência e circulação da informação entre todos os 
agentes; 
• Registro sistemático das ações e do cotidiano escolar; 
• Monitoramento como prática formativa e não apenas técnica; 
• Avaliação como instrumento de aprendizagem e melhoria 
contínua; 
• Escuta sensível e coletiva, compreendida como parte essencial 
do processo formativo. 
ESPAÇOS, TEMPOS E TERRITÓRIOS EDUCATIVOS 
A Educação Integral propõe uma ampliação da concepção tradicional 
de escola, desafiando-a a se articular com outros tempos, espaços e agentes 
para promover o desenvolvimento pleno de crianças e adolescentes. Essa 
ampliação não diz respeito apenas à carga horária, mas à reorganização 
qualitativa do tempo e à valorização do território como espaço educativo 
vivo e potente. 
Na Educação Integral, o currículo não se limita ao conteúdo disciplinar, 
mas se expressa também na forma como a escola se organiza, se relaciona 
com a comunidade e articula diferentes agentes educativos. As práticas 
pedagógicas, os processos de gestão, a formação dos educadores e as 
estratégias de avaliação fazem parte da construção curricular, que deve 
considerar o território como um espaço educador. 
Nesse contexto, a escola assume um papel de articuladora: conecta 
saberes, tempos e sujeitos, promovendo experiências que permitam aos 
estudantes compreender, interagir e transformar a realidade em que estão 
inseridos. O território é compreendido como lugar de vida, história, cultura e 
relações, e educar a partir dele significa reconhecer e valorizar os contextos 
diversos em que os estudantes vivem. 
 
23 
 
 
 
A Educação Integral entende a formação dos sujeitos como 
inseparável das relações e transformações que ocorrem em seu ambiente. 
Essa perspectiva reforça o caráter territorial da educação, considerando a 
escola e a cidade como espaços complementares de aprendizagem. 
O território educativo favorece a construção de vínculos, o sentimento 
de pertencimento e o desenvolvimento da autonomia dos estudantes. Ele 
amplia as possibilidades de aprendizagem ao convocar novos agentes, 
linguagens e saberes para o processo educativo. Nesse sentido, o binômio 
escola-território não é apenas geográfico, mas simbólico e cultural, 
possibilitando novas experiências formativas. 
POR QUE EDUCAR E APRENDER NO TERRITÓRIO? 
Aprender no território é mais do que sair da escola: é vivenciar 
processos pedagógicos ancorados na realidade dos estudantes. As principais 
razões para promover a educação a partir do território incluem: 
1. Conhecer e reconhecer o território como espaço de 
aprendizagem e identidade; 
2. Construir sentido para a aprendizagem, relacionando conteúdos 
escolares com a vida real; 
3. Vivenciar a cidadania, participando ativamente da comunidade; 
4. Valorizar a cultura local e os saberes populares, respeitando 
diferentes formas de conhecimento; 
5. Explorar outros modos de aprender, incluindo experiências 
práticas, coletivas e criativas; 
6. Acessar e ocupar o espaço público como direito; 
7. Transformar o território, tornando-o mais justo, acessível e 
educativo. 
OS TEMPOS EDUCATIVOS: QUALIDADE E INTENCIONALIDADE 
As discussões sobre o tempo escolar vão além da Educação Integral, 
mas dentro dela ganham um novo sentido. Mais importante que a 
quantidade de horas na escola é a qualidade pedagógica do tempo vivido. 
O tempo é, portanto, uma questão essencialmente pedagógica. 
Para que a Educação Integral se efetive, é necessário pensar em mais 
tempo e mais espaços de aprendizagem, mas também em como utilizar esse 
tempo de forma significativa. Isso exige planejamento pedagógico 
intencional, com propostas que dialoguem com as realidades dos estudantes, 
respeitem seus contextos e valorizem suas vozes. 
Não se trata de oferecer mais do mesmo, mas de rever o papel da 
escola e reinventar suas práticas. Miguel Arroyo afirma que “mais educação 
do mesmo tipo de educação seria uma dose a mais para garantir a visão 
tradicional do direito à escolarização e uma forma de perder o significado 
 
24 
 
 
 
político da educação em tempo integral” (ARROYO, 2012, p. 33). A ampliação 
da jornada deve vir acompanhada da diversificação de linguagens, 
conteúdos e experiências, permitindo que a escola se torne um espaço de 
vivência integral da infância e da adolescência. (...) a ampliação do tempo é 
uma condição, mas não pode ser o marcador da Educação Integral, assim 
como a ampliação dos espaços... deseja-se uma escola para além dos 
espaços das salas de aula, na perspectiva de salas ambiente, de oficinas, de 
laboratórios, espaços de arte, hortas, jardins e espaços para além dos muros 
escolares...na articulação com espaços significativos para a vida em 
sociedade, como os Parlamentos, os teatros, as praças, os parques, os 
observatórios. (2020, p. 2099). 
Como aponta o professor Levindo Diniz Carvalho(UFMG), “a 
ampliação da jornada é uma oportunidade para a escola olhar de maneira 
mais integral para as crianças; ela pode ser um momento de repensar o papel 
da escola e seu significado, uma possibilidade de arejar e criar novas formas 
de utilização do tempo”. 
A pesquisadora Jaqueline Moll (UFRGS) reforça: “Não queremos mais 
do mesmo, mas rever a forma como fazemos. O mundo mudou; existem novas 
tecnologias, mas mantemos o modo de ensino da escola do final do século 
XIX. A escola precisa baixar seus muros para não ser um simulacro da vida 
real. Trata-se de pensar a educação desde a perspectiva do território e 
ampliar este mapa para além do espaço físico em que vivemos, no âmbito 
da saúde, da cultura, do meio ambiente, para que nossos teatros, cinemas, 
praças e bibliotecas sejam tomadas por crianças e adolescentes.” 
POLÍTICAS PÚBLICAS E A IMPLEMENTAÇÃO DA EDUCAÇÃO INTEGRAL 
As políticas públicas podem ser compreendidas como o conjunto de 
ações planejadas e executadas pelo Estado 
— em suas esferas federal, estadual e municipal — com o objetivo de 
responder às necessidades sociais e promover o bem-estar da população. 
Elas materializam os princípios estabelecidos na Constituição Federal e 
buscam atender aos direitos de diferentes grupos sociais por meio de 
programas, projetos e propostas concretas. 
No campo educacional, essas políticas devem ser construídas ao longo 
do tempo, por meio do diálogo constante com a sociedade. A Educação 
Integral, nesse sentido, encontra respaldo em diversos marcos legais, como a 
Constituição Federal, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) 
e as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs), que preveem a formação plena 
dos sujeitos como função essencial da educação. 
Cada rede de ensino possui suas especificidades, mas há elementos 
comuns que estruturam uma política coerente com a concepção de 
Educação Integral. Para isso, propõe-se um modelo de gestão integrada, que 
articule três pilares fundamentais: currículo, formação docente e avaliação. 
 
25 
 
 
 
Essa articulação garante coerência e intencionalidade às ações 
desenvolvidas. 
A implementação da Educação Integral em diferentes contextos pode 
ser orientada por materiais como o programa Educação Integral na Prática, 
que não oferece uma receita única de “como fazer”, mas apresenta rotas 
possíveis baseadas em experiências já consolidadas. O processo, portanto, é 
adaptável, respeitando a história, o tempo e os saberes dos sujeitos e dos 
territórios envolvidos. 
EDUCAÇÃO INTEGRAL COMO POLÍTICA PÚBLICA 
Entender a Educação Integral como uma política pública vai além da 
simples ampliação do tempo escolar. Embora a ampliação da jornada esteja 
prevista no Plano Nacional de Educação (PNE) e em muitos Planos Municipais 
de Educação, ela é apenas um dos aspectos da proposta. 
“O aumento de horas pode propiciar aprendizagens 
significativas, mas este processo não é assegurado em 
uma relação simples de causa e efeito” (MACHADO, 2012, 
p. 268). 
Aumentar o tempo de aula sem oportunizar e garantir a aprendizagem 
efetiva, só reproduz o instrucionismo. O desenvolvimento integral é um 
processo contínuo e permanente, que começa no nascimento e se estende ao 
longo da vida, atravessando diferentes espaços — escola, família, território e 
comunidade. 
Atualmente, a média da jornada escolar no Brasil é de 4 horas diárias, 
o que se mostra insuficiente para assegurar o desenvolvimento pleno dos 
estudantes. A Educação Integral propõe uma jornada ampliada, entre 7 e 9 
horas por dia, adaptada às necessidades locais e às características dos 
estudantes em cada etapa da vida escolar. 
Essa jornada estendida deve ser planejada de forma cuidadosa e 
estratégica, com atenção à diversificação das interações, das linguagens e 
das oportunidades educativas. Quanto mais variadas e significativas forem 
as experiências vividas pelos estudantes, maior será sua capacidade de 
compreender o mundo e de intervir na realidade de maneira crítica e 
transformadora. 
Uma escola que persiga certo equilíbrio curricular... quanto mais 
música, organização de peças teatrais, oportunidades de diferentes práticas 
esportivas, laboratórios de ciências, mais condições para o desenvolvimento 
em todas as áreas do conhecimento, mais condições para a complexificação 
do pensamento e construção de autonomia moral e intelectual (Moll et al., 
2020, p. 2099) 
MODALIDADES DE AMPLIAÇÃO DA JORNADA 
A ampliação da jornada escolar pode ocorrer de duas formas: 
 
26 
 
 
 
• Com parcerias diretas, por meio de organizações, coletivos e 
agentes culturais que atuam junto à escola; 
• Sem parcerias formais, mas com ações articuladas que ampliem 
as experiências dos estudantes dentro ou fora da escola. 
Independentemente da modalidade, é essencial compreender que a 
relação com o território é um elemento estruturante da Educação Integral. 
As parcerias não se limitam ao tempo expandido, mas devem ser parte do 
cotidiano pedagógico da escola, oferecendo oportunidades reais de 
desenvolvimento humano. 
DIAGNÓSTICO COMO ETAPA ESTRATÉGICA 
A decisão de implementar a Educação Integral não deve ser isolada ou 
verticalizada. Ela precisa surgir de um processo coletivo e responsável, 
fundamentado em um diagnóstico profundo e participativo da realidade 
local. Esse levantamento deve considerar: 
• Os contextos sociais e as condições de vida dos estudantes; 
• As possibilidades orçamentárias e de infraestrutura da rede; 
• As práticas pedagógicas existentes; 
• As metas dos planos municipais de educação. 
• Além disso, o diagnóstico deve incluir a: Identificação de 
territórios com maior vulnerabilidade social; 
• Análise das diferenças entre escolas; 
• Relação entre o número de estudantes e o número de 
professores; 
• Verificação da infraestrutura das escolas para a expansão da 
jornada; 
• Mapeamento de possibilidades de oferta de propostas 
educativas diversificadas. 
 
Esses dados orientarão a tomada de decisão de forma democrática, 
articulada com os Projetos Político-Pedagógicos (PPP) das escolas e com o 
planejamento da Secretaria Municipal de Educação. 
 
 
27 
 
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 
ARROYO, M. G. O Direito a Tempos-Espaços de Um Justo e Digno Viver. In: MOLL, J. 
Caminhos da Educação Integral no Brasil: Direito a Outros Tempos e Espaços 
Educativos. Porto Alegre: Penso, 2012. 
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Senado 
Federal, 1988. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/ 
constituicao.htm. Acesso em: 1 maio 2025. 
BRASIL. Lei nº 15.388, de 14 de abril de 2026. Institui o Plano Nacional de Educação 
(PNE) para o decênio 2026-2036 e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência 
da República, 2026. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-
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em: 8 maio 202
 
29 
 
 
 
 
	Sumário
	Fundamentos da educação integral
	CONCEITOS E PRINCÍPIOS DA EDUCAÇÃO INTEGRAL
	HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO INTEGRAL NO BRASIL
	MARCOS LEGAIS DA EDUCAÇÃO INTEGRAL NO BRASIL
	Constituição Federal do Brasil (1988)
	Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA (Lei nº 8.069/1990)
	Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB (Lei nº 9.394/1996)
	Plano Nacional de Educação – PNE (Lei nº 13.005/2014)
	Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Básica – DCN (Resolução CNE/CEB nº 4/2010)
	EQUIDADE, DEMOCRACIA, PARTICIPAÇÃO, CONTEXTUALIZAÇÃO, INTEGRALIDADE E ARTICULAÇÃO
	MULTIDIMENSIONALIDADE E DESENVOLVIMENTO INTEGRAL
	A INTERAÇÃO ENTRE SABERES ACADÊMICO SE COMUNITÁRIOS.
	DIVERSIDADES E SINGULARIDADES DAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES
	INCLUSÃO
	ENSINO PERSONALIZADO
	REFLEXÕES NO CONTEXTO ESCOLAR
	O CURRÍCULO NA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO INTEGRAL
	O PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO (PPP) COMO INSTRUMENTO DE INTEGRAÇÃO E IDENTIDADE
	POLÍTICAS PÚBLICAS E INTERSETORIALIDADE
	VOCÊ JÁ OUVIU FALAR NO BAIRRO-ESCOLA EM NOVA IGUAÇU?
	O DESAFIO DA INTERSETORIALIDADE NO BRASIL
	ELEMENTOS FUNDAMENTAIS PARA O TRABALHO INTERSETORIAL E PERSONALIZADO
	ESTRATÉGIAS PEDAGÓGICAS ESSENCIAIS NA INTERSETORIALIDADE
	ESPAÇOS, TEMPOS E TERRITÓRIOS EDUCATIVOS
	POR QUE EDUCAR E APRENDER NO TERRITÓRIO?
	OS TEMPOS EDUCATIVOS: QUALIDADE E INTENCIONALIDADE
	POLÍTICAS PÚBLICAS E A IMPLEMENTAÇÃO DA EDUCAÇÃO INTEGRAL
	EDUCAÇÃO INTEGRAL COMO POLÍTICA PÚBLICA
	MODALIDADES DE AMPLIAÇÃO DA JORNADA
	DIAGNÓSTICO COMO ETAPA ESTRATÉGICA
	REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

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