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Larissa Rosignoli Sampaio É também conhecido como ataque cardíaco e consiste na necrose do músculo cardíaco que resulta de isquemia Sua principal causa subjacente é a aterosclerose Apesar de poder ocorrer em qualquer idade, a frequência dos IMs sobe progressivamente com o aumento da idade e dos fatores de risco ateroscleróticos Patogenia A maior parte dos IMs é causada pela trombose aguda da artéria coronária Na maioria dos casos, a ruptura de uma placa aterosclerótica preexistente atua como um núcleo para a formação de um trombo, seguida por obstrução vascular e do subsequente infarto transmural do miocárdio Alguns infartos transmurais não tem relação com a placa aterosclerótica (10% dos casos), mas são atribuídos aos vasoespasmos de uma coronária ou a êmbolos que se desprendem de trombos murais ou de vegetações valvares Em infartos subendocárdicos, a aterosclerose coronariana difusa grave aumenta a demanda cardíaca, podendo levar à necrose isquêmica do miocárdio mais distal aos vasos epicárdicos Oclusão de uma artéria coronária, em um IM típico, ocorre na sequência de eventos: • Uma placa ateromatosa rompe-se subitamente, em consequência, o colágeno subendotelial e o conteúdo necrosado da placa entram em contato com o sangue • As plaquetas aderem à placa rompida, agregam-se e são ativas, liberando tromboxano A2, difosfato de adenosina (ADP) e serotonina- que causam mais adesão plaquetária e vaso espasmo • A ativação da coagulação pela exposição do fator tecidual e por outros mecanismos aumenta o trombo em crescimento, podendo, futuramente, evoluir e obstruir totalmente o lúmen da artéria coronária Estudos mostram que, em uma angiografia realizada dentro de 4h após inicio do IM mostra trombose coronariana em 90% dos casos, enquanto a angiografia realizada entre 12-24h após aparecimento dos sintomas mostra trombose coronariana em apenas 60% dos casos (mesmo sem intervenção) Pode-se afirmar, portanto, que algumas oclusões desaparecem espontaneamente por causa da lise do trombo ou relaxamento do espasmo Resposta do miocárdio à isquemia Segundos após a obstrução vascular, a glicólise cessa, levando à queda do nível de trifosfato de adenosina (ATP) e ao acumulo de metabolitos potencialmente nocivos, como o ácido láctico nos miocitos A perda de contratilidade ocorre aproximadamente 1min após início da isquemia Larissa Rosignoli Sampaio As alterações estruturais também são vistas rapidamente e englobam o relaxamento das miofibrilas, depleção do glicogênio e a tumefação celular e mitocondrial Essas alterações são reversíveis, a menos que a isquemia grave dure pelo menos de 20-40 min, causando morte de miocitos e levando à necrose por coagulação Mesmo quando a reperfusão é realizada a tempo, no estado pós-isquemico , o miocárdio permanece disfuncional por vários dias, resultado das alterações da bioquímica celular que causa um estado não contrátil (miocárdio atordoado) , podendo ser grave o bastante para produzir insuficiência cardíaca transitória (reversível) Isquemia contribui para o aparecimento de isquemias, provavelmente por causar instabilidade elétrica (irritabilidade) nas regiões isquêmicas A lesão irreversível dos miocitos isquêmicos ocorre primeiramente na zona subendocárdica, pois é a última área a receber sangue transportados pelos vasos epicárdicos e também porque está exposta a pressões intramurais relativamente altas, que agem impedindo a chegada do sangue. Sem intervenção medica, pode evoluir e envolver toda a parede (infarto transmural) Padrões de infarto A localização, tamanho e as características morfológicas de um infarto dependem de vários fatores: • Tamanho e distribuição dos vasos envolvidos • Velocidade do desenvolvimento e da duração da oclusão • Das demandas metabólicas do miocárdio (afetado, p.ex.: pela PA e FC) • Da extensão da irrigação colateral A oclusão da artéria descendente anterior esquerda é causa da metade dos infartos na parede anterior do VE, nos 2/3 do septo ventricular e na maior parte do ápice do coração O terço posterior do septo é considerada “vaso dominante” Em um coração com vaso dominante direito, a oclusão da ACD pode causar lesão isquêmica no VE, enquanto em um coração com vaso dominante esquerdo, a oclusão da artéria principal esquerda geralmente afeta todo ventrículo esquerdo e septo Os infartos transmurais envolvem toda a espessura do ventrículo e são causados pela oclusão de vasos epicárdicos, a qual resulta da combinação de aterosclerose crônica com trombose aguda Os IM transmurais normalmente produzem elevações do segmento ST do ECG e pode haver ondas Q negativas, com perda de amplitude da onda R. também são chamados de infartos com ST elevados (IMESTs) Larissa Rosignoli Sampaio Os infartos subendocárdicos são IMs limitados ao terço interno do miocárdio Normalmente não exibem elevações do segmento ST ou ondas Q no traçado do ECG Esse padrão pode ocorrer quando um trombo oclusivo sofre lise antes que ocorra um infarto de espessura total Os infartos microscópicos ocorrem quando há oclusões de pequenos vasos e podem não exibir nenhuma alteração diagnostica de ECG. Podem ocorrer em casos de vasculite, formação de êmbolos a partir de vegetações valvares ou trombos murais, ou de espasmo vascular decorrente da elevação de catecolaminas Morfologia Os aspectos macroscópicos e microscópicos de um IM dependem da idade da lesão As alterações morfológicas na área de lesão englobam necrose por coagulação, inflamação aguda, inflamação crônica e, por fim, fibrose. A necrose do miocárdio progride até a formação de uma cicatriz sem ocorrer regeneração significativa. A identificação dos IM recentes é um pouco desafiador. Os IM com menos de 12h geralmente não são macroscopicamente visíveis. Os infartos com mais de 3h são observados quando se tinge o miocárdio com corantes vitais, como o cloreto de trifeniltetrazólio (área infartada não se cora, enquanto cicatrizes antigas ficam brancas e brilhantes) Cerca de 12-24 h após um IM, a área afetada geralmente pode ser identificada macroscopicamente pela coloração vermelho- azulada que resulta em sangue aprisionado, estagnado Depois disso, os infartos tornam-se progressivamente mais bem definidos como áreas amarelo-acastanhadas e amolecidas Cerca de 10-14 dias os infartos são margeados por tecido de granulação hiperêmico (altamente vascularizado). Durante as próximas semanas, o tecido infartado transforma-se em tecido fibroso. Microscopicamente, as alterações típicas de necrose por coagulação tornam-se detectáveis 4- 12 h após infarto. “fibras onduladas” podem ser encontradas nas bordas do infarto. Elas refletem o estiramento e o encurvamento das fibras mortas não contrateis. A isquemia subletal também pode induzir a vacuolização intracelular dos miocitos (viáveis, mas muito pouco contrateis) Larissa Rosignoli Sampaio Figura 1 Infarto agudo do miocárdio da parte posterolateral do ventrículo esquerdo revelado pela falha de tingimento nas áreas de necrose (seta); a ausência de tingimento se deve ao vazamento das enzimas que ocorre após a morte. A cicatriz anterior (cabeça da seta) indica infarto antigo. A hemorragia no miocárdio da borda direita do infarto (*) e se deve à ruptura do ventrículo, causa mortis do paciente Figura 2Características microscópicas do infarto do miocárdio e seu reparo. A, Infarto com um dia que mostra necrose por coagulação e fibras onduladas que podem ser comparadas com as fibras normais adjacentes (direita). Células necrosadas isoladas pelo liquido do edema. B, infiltrado neutrofilico denso na área de um infarto de 2-3 dias. C, remoção quase completa dos miócitos necrosados por macrófagos fagocitários (7-10 dias). D, tecido de granulação caracterizado por tec. Conjuntivo frouxo e capilares abundantes.E, infarto do miocárdio cicatrizado que consiste em uma cicatriz colagenosa densa. Presença de algumas células musculares cardíacas residuais O miocárdio necrosado provoca inflamação aguda (normalmente mais intensa 1-3 dia após infarto), seguida por uma onda de macrófagos que removem os miocitos necrosados e os de neutrófilos (mais pronunciada de 5-10 dias após IM) A zona infartada é substituída progressivamente por tecido de granulação que, por sua vez, forma a base provisória sobre a qual se assenta a cicatriz colagenosa densa. Na maioria dos casos, a cicatrização está bem avançada perto da 6º semana, mas a eficiência do reparo depende do tamanho da lesão original. A cicatrização requer migração de células inflamatórias e crescimento de novos vasos a partir das margens do infarto. Assim, o IM cicatriza das bordas para o centro Modificação de um infarto pela reperfusão Nos casos de IAM, o objetivo terapêutico é salvar a maior quantidade possível de miocárdio isquêmico, realizando a reperfusão tecidual o mais rápido possível. A reperfusão é obtida por trombólise (dissolução do trombo pelo ativador tecidual do plasminogênio), angioplastia ou cirurgia de revascularização do miocárdio. A reperfusão pode causar lesão e os fatores que contribuem para isso englobam: • Disfunção mitocondrial: a isquemia altera a permeabilidade da membrana, permitindo a entrada de proteínas nessas organelas. Como consequencia, a mitocôndria torna- se tumefata e sua membrana externa se rompe, liberando o conteúdo da mitocôndria e promovendo apoptose • Hipercontratura dos miocitos: durante os períodos de isquemia, os níveis intracelulares de cálcio estão aumentados como resultado da perturbação do ciclo do cálcio e da lesão do sarcolema. Larissa Rosignoli Sampaio Depois da reperfusão a contração das miofibrilas fica aumentada e descontrolada, o que causa danos no citoesqueleto e morte celular • Os radicais livres que incluem o ânion superóxido (O2 -), peroxido de hidrogênio (H2O2), o ácido hipocloroso (HOCL), o peroxinitrito derivado do oxido nítrico e os radicais hidroxilas são produzidos minutos após início da reperfusão e danificam os miócitos ao alterarem as proteínas, fosfolipídios da membrana • A agregação de leucócitos, que pode obstruir a micro vasculatura e contribuir para o fenômeno de “não refluxo”. Além disso, os leucócitos produzem proteases e elastases que provocam a morte celular • Ativação das plaquetas e do complemento também contribui para lesão da microcirculação. Ao exame microscópico, os miócitos com lesão irreversível que sofrem reperfusão exibem necrose com faixas de contração; nesse processo patológico, a entrada de cálcio através da membrana plasmática dos miócitos intensifica as interações actina-miosina, resultando na formação de faixas intensamente eosinofílicas de sarcômeros hipercontraídos. Na ausência de ATP, os sarcômeros não conseguem relaxar e ficam presos em um estado agonizante de tetania. Assim, enquanto a reperfusão pode salvar as células com lesão reversível, ela também altera a morfologia das células com lesão irreversível. Características clinicas O IM clássico é anunciado por dor (ou pressão) torácica subesternal intensa e em aperto, que pode irradiar para pescoço, mandíbula, epigástrio ou braço esquerdo Ao contrário da angina pectoris, a dor dura vários minutos a horas e não diminui com a administração de nitroglicerina ou com repouso. Em uma minoria considerável de pacientes provocam sinais e sintomas atípicos e podem ser totalmente silenciosos. Esses infartos são particularmente comuns em pacientes diabéticos (cuja neuropatia autônoma pode impedir a percepção de dor) e nos idosos. O pulso geralmente é rápido e fraco, os pacientes muitas vezes apresentam sudorese intensa e náuseas (particularmente quando o IM afeta parte posterior) A dispneia é comum e atribuída à contratilidade miocárdica deficiente e à disfunção do aparelho da valva atrioventricular esquerda, que levam à congestão e ao edema pulmonar agudo Nos IMs maciços (que envolve mais de 40% do VE), pacientes desenvolvem choque cardiogênico As alterações eletrocardiográficas para o diagnostico de IM engloba ondas Q, segmentos ST anormais e ondas T invertidas (as duas últimas são decorrentes à repolarização do miocárdio) Arritmias causadas por anomalias elétricas no miocárdio isquêmico e no sistema de condução do coração são comuns Avaliação laboratorial do IM Larissa Rosignoli Sampaio Baseia-se na determinação dos níveis sanguíneos de macromoléculas que extravasam através das membranas lesadas do miocárdio. • A CK-MB é um marcador de lesão miocárdica, perdendo apenas para troponinas especificas do coração. A CK total não é confiável, uma vez que existem formas isoformas são encontradas no encéfalo, miocárdio e musculo esquelético. A isoforma CK-MB tem maior concentração no miocárdio, apesar de estar presente em baixas doses no músculo esquelético. A atividade da enzima começa a se elevar 2-4 horas após o IM, atinge pico entre 24-48h e depois volta ao normal em aproximadamente 72h • A TnI e a TnT normalmente não são encontradas na circulação, mas são detectáveis de 2-4h após IAM e seus níveis atingem valores máximos em 48h e permanecem elevados de 7-10 dias. Quando a reperfusão acontece, os níveis de troponina e CK-MB podem atingir valores séricos máximos mais cedo por conta da remoção rápida de enzima do tecido necrosado. Consequências e complicações do IAM Pacientes que sofrem um IM com elevação do segmento ST (IMEST) morre geralmente de arritmia, dentro de uma hora após inícios dos sintomas Complicações após um IAM: • Disfunção contrátil: os IMs afetam a função de bombeamento do VE de modo proporcional ao volume da lesão. Na maioria dos casos, há algum grau de insuficiência do VE manifestada como hipotensão, congestão pulmonar e edema pulmonar. A “falência da bomba” grave (choque cardiogênico) ocorre em aproximadamente 10% dos pacientes com IM transmural • Disfunção dos músculos papilares. Apesar da ruptura dos músculos ser pouco comum após IM, esses músculos se tornam disfuncionais e como resultado da isquemia, podem se contrair de modo deficiente, causando regurgitação mitral pós IM. Posteriormente, a fibrose e encurtamento dos músculos papilares ou dilatação ventricular global também podem causar insuficiência da valva AV esquerda • Infarto do VD, embora seja raro de modo isolado, o infarto do septo ou VE pode ser acompanhado de lesão no VD. A insuficiência é um desfecho comum, levando ao acumulo de sangue na circulação venosas e à hipotensão sistêmica. • Ruptura do miocárdio. É vista em apenas 1- 5% dos infartos, mas é fatal. A ruptura da parede livre do VE é mais comum e geralmente causa hemopericárdio e tamponamento cardíaco rapidamente faltal. A ruptura do septo ventricular cria uma DSV com shunt da esquerda para direita e a ruptura dos músculos papilares produz regurgitação mitral grave. Ocorre principalmente 3-7 dias após infarto- o período do processo de cicatrização Larissa Rosignoli Sampaio Terapia O objetivo é reduzir o consumo de oxigênio (diminuindo a frequência cardíaca, pressão arterial e contratilidade miocárdica) ou aumentar a oferta de oxigênio (administrando oxigênio ou promovendo vasodilatação Nitratos Os benefícios dos nitratos estão relacionados aos seus efeitos na circulação periférica e coronária. Seu efeito vasodilatador, diminuindo o efeito venoso ao coração e o volume diastólico final do VE, reduz o consumo de oxigênio pelo miocárdio. Além disso, observam-se efeitos de vasodilatação das artérias coronárias, normais ou ateroscleróticas, redirecionamento de fluxo intercoronário, com aumento da circulação colateral e inibição da agregação plaquetária Os nitratos também agem reduzindo a congestão pulmonar, principalmente pelaredução do retorno venoso sistêmico. O tratamento é iniciado na sala de emergência, administrando-se via sublingual (nitroglicerina, mononitrato ou dinitrato de isossorbida) Caso não haja65865 alivio rápido de dor, esses pacientes podem se beneficiar com a administração intravenosa (nitroglicerina e mononitrato de isossorbida são os disponíveis) São contraindicados na presença de hipotensão arterial importante (PAS 110bpm/min ou PAS