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RESUMO LINGUÍSTICA IV

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RESUMO DE LINGUÍSTICA VI 
A primeira aula da disciplina Linguística IV, intitulada "Nossa língua é normal: por um ensino 
de língua portuguesa centrada no uso" (autoria de Carmelita Minelio da Silva Amorim, Lúcia 
Helena Peyroton da Rocha e Jussara Abraçado), discute a necessidade de reformular o ensino de 
língua materna no Brasil. O material contrapõe a visão da gramática tradicional ao ensino focado 
no uso real e contextualizado da linguagem. 
1. Objetivos da Aula 
 Diferenciar língua padrão de norma culta. 
 Mapear as variadas normas linguísticas existentes e a adequação comunicativa de cada uma. 
 Contrastar a abordagem do ensino tradicional com o ensino centrado no uso efetivo da língua. 
 Propor estratégias pedagógicas funcionais para a sala de aula de língua materna. 
2. Conceito de Língua Materna 
 Definição: Adquirida naturalmente por meio da interação social, sem necessidade de intervenção 
pedagógica formal ou de reflexão gramatical explícita. 
 Cenário Brasileiro: O português é a língua oficial e materna da maioria da população. O texto 
ressalta que o país abriga diversas línguas indígenas (como Nheengatu, Guarani e Akwê-Xerente), 
algumas das quais possuem estatuto de cooficialidade em municípios específicos. 
3. Norma Padrão vs. Norma Culta 
A aula utiliza as reflexões do linguista Aldo Bizzocchi para traçar a distinção metodológica entre 
os dois conceitos: 
 
Norma Padrão: Trata-se de um modelo idealizado e codificado pelas gramáticas normativas. 
Tende à homogeneidade, prescrevendo o "dever-ser" da língua. Serve como referência abstrata de 
correção moral ou estética ("certo x errado"), mas não corresponde à fala real de nenhuma 
comunidade no país. 
 Norma Culta: Corresponde ao conjunto de práticas linguísticas reais observadas no uso formal, 
especialmente em textos escritos por falantes escolarizados. Por ser uma norma baseada no uso 
efetivo, admite variações estilísticas e de registro. 
Práticas de Escrita e Níveis de Flexibilização: 
1. Fidelidade estrita à regra: Construções formais rígidas/pedantes (ex.: mesóclises e ênclises 
complexas, muito comuns no meio jurídico). 
2. Flexibilização estilística/mercadológica: Adequação ao público-alvo mantendo a elegância, mas 
evitando o pedantismo (comum no jornalismo, na literatura e na publicidade). 
3. Flexibilização por desconhecimento do redator: Ocorrência de "hipercorreção" (ex.: usar ênclise 
em contexto atrativo de próclise) tentando acertar o padrão. 
4. Padronização e Variação Linguística 
 Fatores Históricos: A fixação de um padrão de escrita/fala no século XX foi influenciada pelo 
avanço dos meios de comunicação de massa (rádio, TV, jornal) e pela expansão do ensino 
primário/livros didáticos. 
 Preconceito Linguístico: A imposição do modelo idealizado cria uma falsa dicotomia de 
"certo/errado" ou "bonito/feio". 
 Adequação Linguística: A sociolinguística propõe substituir o julgamento de valor pela noção de 
adequação comunicativa. O importante é saber empregar o registro adequado ao contexto 
interpessoal (exemplificado no texto pela situação de um surfista na praia vs. um executivo de 
terno). 
 Surgimento de Normas: As normas emergem naturalmente dos usos sociais e frequentes da 
língua. 
5. Crítica ao Ensino Tradicional 
 Método Tradicional: Focado na memorização passiva de regras, listas descontextualizadas e 
exercícios mecânicos de classificação morfológica/sintática e correção ortográfica pontual. 
 Ineficiência: Isolar a frase do seu contexto real de comunicação não desenvolve a competência 
comunicativa dos alunos. 
 Papel da Escola: Em vez de punir desvios ou tentar eliminar o falar nativo do aluno, a escola deve 
instrumentalizá-lo para que ele domine a norma de prestígio como um direito de acesso a 
diferentes esferas sociais, sem demonizar as demais variedades de sua comunidade. 
6. Proposta de Ensino Centrado no Uso 
 Funcionamento Real da Língua: Analisar o idioma em textos de circulação real (canções 
populares, notícias, anúncios, petições, charges). 
 Exemplo Prático (Análise do texto/música): 
o A aula analisa a canção Cuitelinho para demonstrar marcas do falar regional do Pantanal (ex.: "as 
onda se espaia", "cheguei na beira do porto"). 
o A reescrita dessas estruturas conforme a gramática tradicional ("as ondas se espalham", "cheguei 
à beira do porto") destrói a identidade cultural, a estética e o ritmo poético da obra. 
 Respeito à Pluralidade: O professor deve ensinar o aluno a transitar entre os registros, sabendo 
adequar sua linguagem a interlocutores e ambientes variados. 
 
AULA 2 
Esta aula discute o ensino de língua materna focado na inclusão social, combatendo o preconceito 
linguístico e propondo a substituição do conceito de "certo x errado" pelo de "adequação 
linguística". 
Metas e Objetivos 
 Investigar como o ensino de língua materna pode atuar como instrumento de inclusão ou exclusão 
social. 
 Discutir as relações entre preconceito linguístico e discriminação social. 
 Diferenciar os conceitos de correção gramatical e adequação linguística. 
 Propor estratégias pedagógicas para ensinar a norma padrão sem discriminar as demais variedades 
linguísticas. 
 
1. O Papel da Escola e as Origens da Língua 
 Tradição Gramatical: A gramática normativa tradicional teve origem histórica (desde a Grécia e 
Roma antigas) na preservação da língua escrita de poetas e historiadores para evitar sua 
"corrupção". Ao ser replicada no ensino moderno, frequentemente gera o menosprezo pelas 
variedades não cultas. 
 Origem do Português: O português deriva do latim vulgar (falado pelo povo em situações 
cotidianas sem ensino formal) e não do latim clássico ou literário, demonstrando que a própria 
origem do idioma é popular e diversificada. 
 Mito da Homogeneidade: É um erro classificar o português brasileiro como uniforme; a 
variabilidade decorre tanto da dimensão territorial (diferenças regionais) quanto das desigualdades 
sociais que limitam o acesso à norma culta por grande parte da população. 
 
2. Preconceito Linguístico e Discriminação 
 Invisibilidade e Efeitos: Diferente de outras formas de preconceito (racial, religioso, etc.) que são 
abertamente combatidas, o preconceito linguístico costuma ser naturalizado e alimentado pela 
mídia e por materiais educativos tradicionais. 
 Silenciamento: A marginalização da fala de indivíduos sem acesso à norma culta resulta na 
discriminação sociocultural e no silenciamento do falante, rotulado pejorativamente como 
"incapaz" ou "sem cultura". 
3. Mudança de Paradigma: Adequação Linguística 
 Adequado vs. Inadequado: Em vez de focar no julgamento de "certo" ou "errado", o ensino deve 
centrar-se na adequação ao contexto comunicativo. O uso do registro linguístico é comparado à 
escolha do vestuário: ajusta-se a linguagem ao ambiente e ao interlocutor (ex.: uma entrevista de 
emprego exige formalidade, enquanto uma conversa informal entre amigos demanda 
espontaneidade). 
 Diretrizes dos PCNs: Os Parâmetros Curriculares Nacionais reforçam que a variação é 
constituinte das línguas humanas. Cabe à escola ensinar a norma padrão como mais um recurso do 
repertório do aluno, e não como a única forma legítima de comunicação. 
 
4. Propostas Pedagógicas e Análise Linguística 
 Análise da Fala Autêntica: Propõe-se trabalhar em sala de aula com dados reais e corpora do 
português falado (ex.: banco de dados do Projeto VALPB), em vez de restringir a variação 
linguística apenas a estigmas rurais ou caricatos (como nas tirinhas do Chico Bento). 
 Fenômenos do Vernáculo: Fenômenos como a redução de ditongos ("vô" por "vou") ou o 
apagamento da consoante final ("ama" por "amar") são traços constitutivos do vernáculo do 
português brasileiro presentes em todas as regiões. 
 Exploração Artística (Estudo da Canção "Língua" de Caetano Veloso): 
o Contato Cultural: O uso de construções estilísticas e variações celebra a aproximação entre a 
tradiçãoliterária (como a de Camões, Fernando Pessoa e Guimarães Rosa) e a linguagem popular 
e urbana (como o rap e misturas do cotidiano). 
o Prosódias e Paródias: A diversidade de sotaques, ritmos e misturas sintáticas evidencia a riqueza 
e a capacidade de conciliação das diferenças na língua materna. 
AULA 3 
Esta aula explora a diversidade linguística do português brasileiro sob os aspectos regional, 
social e contextual, fundamentando o conceito da língua como uma prática social flexível e 
plural. 
 
Objetivos da Aula 
 Identificar variedades linguísticas em dialetos regionais e sociais. 
 Analisar níveis de formalidade de acordo com gêneros textuais e situações comunicativas. 
 Refletir sobre abordagens pedagógicas para o ensino da língua materna a partir de diferentes 
registros. 
 
1. Dialetos, Sotaques e Idioleto 
 Dialetos Regionais: Variações vocabulares (lexicais), sintáticas e fonéticas que caracterizam 
regiões específicas sem anular a compreensão mútua ou a existência da língua padrão. 
o Exemplos lexicais: Muriçoca / Pernilongo / Carapanã; Mandioca / Aipim / Macaxeira; Mexerica 
/ Bergamota / Tangerina. 
 Sotaques e Formação Histórica: Pronúncias e prosódias regionais influenciadas por fatores 
históricos e fluxos migratórios (ex.: imigração europeia no Sul, presença holandesa em 
Pernambuco, corte portuguesa no Rio de Janeiro e línguas indígenas no Norte). Não há sotaque 
"mais correto" que outro. 
 Idioleto: O conjunto individual e único de usos linguísticos de uma só pessoa (estilo pessoal, 
escolha de metáforas e seleção vocabular). 
 
2. Variedades Sociais, Prestígio e Gírias 
 Dialetos e Grupos Sociais: A estrutura sociopolítica gera gradações e valorações entre as 
variedades (prestigiadas vs. estigmatizadas). 
 Gírias: Recursos linguísticos informais comuns em grupos e faixas etárias específicas (ex.: “tá 
craude, brô” vindo do inglês crowded). Podem eventualmente transitar para mídias formais. 
 
3. O Continuum Fala-Escrita e os Conceitos de Oralidade e Letramento 
 Adequação Contextual: A formalidade/informalidade depende do contexto de interação e do 
gênero textual, não sendo exclusiva da fala ou da escrita. 
o Escrita Informal: Bilhetes, cartas pessoais e mensagens (práticos e passageiros). 
o Oralidade Formal: Conferências, julgamentos e reportagens ao vivo. 
 Modalidades e Práticas: 
o Fala: Produção de sons articulados e prosódia no plano da oralidade. 
o Escrita: Produção gráfica no plano dos letramentos. 
o Oralidade: Prática social interativa pautada na realidade sonora. 
o Letramento: Grau de participação do indivíduo nas diversas práticas sociais de escrita. 
 Hibridismo: Intersecção entre modalidades, como na oralização da escrita (noticiários, peças de 
teatro) ou na editoração da fala (entrevistas impressas). 
 
4. Aplicação Prática e Reflexão Pedagógica 
 Análise Cultural (Samba do Arnesto): A adaptação de textos informais ou dialetais para a 
norma culta pode descaracterizar a intenção artística e o contexto sociocultural das produções. 
 Limites da Variação: A língua deve manter compreensibilidade mútua entre os falantes da 
comunidade. 
 Papel do Professor: O ensino de língua materna deve apresentar a variedade de prestígio não 
como uma forma "superior", mas como mais uma opção adequada a contextos formais 
específicos, valorizando a bagagem dialetal do aluno. 
 
AULA 4 
 
Esta aula aborda a dinamicidade e a natureza evolutiva da linguagem, explicando por que e como 
as línguas mudam ao longo do tempo, focando nas transformações do português brasileiro. 
 
Objetivos Principais da Aula 
 Compreender as razões pelas quais as línguas mudam continuadamente. 
 Observar o uso e o desuso de termos e expressões linguísticas ao longo do tempo. 
 Identificar transformações e mudanças gramaticais em curso no português brasileiro. 
1. A Natureza Dinâmica da Língua e os Arcaísmos 
 Língua como organismo vivo: Como a sociedade, a cultura e as tecnologias evoluem, a língua 
se adapta para suprir as necessidades de comunicação dos falantes. 
 Uso e desuso (Arcaísmos): Palavras ou expressões antigas que caíram em desuso são chamadas 
de arcaísmos (ex.: "janota", "rapagão", "pé-de-alferes", "mata-borrão"). Elas deixam de ser 
usadas porque os objetos, costumes ou dinâmicas que representavam se tornaram obsoletos. 
 Evolução Histórica: O texto ilustra a transformação do português ao comparar documentos de 
três épocas distintas: a Carta de Pero Vaz de Caminha (1500), o romance Iracema de José de 
Alencar (1865) e a crônica de Rubem Braga (1978). Quanto mais antigo o texto, maior o 
distanciamento das formas atuais. 
 
2. Da Variação à Mudança Linguística 
 Variação Linguística: Ocorre quando duas ou mais formas (variantes) concorrem para 
expressar o mesmo sentido no mesmo ambiente (variável). 
o Exemplo de variantes: nós vamos / a gente vai. 
 Sociolinguística e Regras Variáveis: Com base nos estudos de William Labov (Sociolinguística 
Quantitativa), demonstra-se que a escolha entre variantes não é aleatória. Ela obedece a fatores 
linguísticos (ex.: apagamento da consoante final em verbos como comer $\rightarrow$ come) e 
fatores sociais (idade, escolaridade, classe social, gênero). 
 Consolidação da Mudança: Uma mudança linguística se completa quando uma das variantes 
ganha a preferência generalizada dos falantes e a outra cai em desuso, atingindo a regularidade. 
3. Mudanças Gramaticais em Curso no Português Brasileiro O material destaca quatro 
fenômenos do português falado contemporâneo (inclusive na norma culta urbana): 
 
Ter e Haver existenciais: O verbo ter assumindo o sentido existencial no lugar de haver ("Tem 
muitos livros na mesa" em vez de "Há muitos livros..."). 
 Futuro Perifrástico: Substituição do futuro do presente simples pelo futuro 
composto/perifrástico ("Ela vai cantar" em vez de "Ela cantará"). 
 Substituição Pronominal: Alternância e ganho de espaço de a gente em substituição a nós. 
 Indicativo no lugar do Subjuntivo: Expansão do modo indicativo em contextos de dúvida ou 
incerteza ("Talvez eu vou" em vez de "Talvez eu vá"). 
 
4. Processo de Gramaticalização e Redução A aula exemplifica a mudança linguística através 
da palavra embora: 
 
Origem: Surgiu da expressão temporal/optativa medieval "em boa hora". 
 Aglutinação: Por causa do uso frequente na fala coloquial, sofreu redução fônica até se tornar 
uma só palavra (Ir em boa hora $\rightarrow$ Ir embora). 
 Novos Sentidos: Perdeu o sentido original e ganhou novas funções sintáticas: advérbio de 
afastamento ("vou embora") e conjunção concessiva ("embora estivesse frio..."). 
5. Reflexão Crítica sobre o Idioma A partir de crônicas (como as de Carlos Drummond de 
Andrade e Antônio Rocha Neto), o capítulo debate: 
 A contradição aparente de certos prefixos e sentidos na língua (ex.: o prefixo re- e a palavra 
outrora). 
 O uso rotineiro de abreviações e reduções na fala culta e informal (como "tá" vindo de "está", e 
"taí" da junção de "está aí"). 
AULA 5 
Resumo Detalhado da Aula 5: Prestígio Social e Escola — O Fascínio e a Ilusão de uma 
Padronização Linguística 
 
A Aula 5 da disciplina Linguística IV aborda as dinâmicas sociais e históricas por trás da 
criação de uma "língua padrão", questionando os mitos da correção gramatical e propondo um 
papel mais inclusivo e funcional para o ensino escolar. 
 
1. "Expressões Enganadoras" e Semântica do Uso 
 Perspectiva Filosofica: A partir das ideias de Gilbert Ryle trazidas por Sírio Possenti, o texto 
aponta que a interpretação da linguagem cotidiana não se dá por uma relação direta/literal entre 
sintaxe e semântica. 
 Mito da Correção: Expressões do cotidiano frequentemente tidas como "erradas" pela tradição 
gramatical (como "risco de vida") são perfeitamente compreendidas pelo falante ("risco de 
perder a vida"). 
 Função da Linguística: A tarefa da análise linguística deve ser a de interpretar o sentido real 
pretendidopelos falantes, e não a de corrigir arbitrariamente o modo como a língua é usada. 
 
2. Formação Histórica e Estandardização do Português Brasileiro 
 Processo Histórico: O português brasileiro consolida-se em um cenário de intenso contato 
sociolinguístico: a coexistência com línguas indígenas (Língua Geral), o aprendizado do 
português por populações aloglotas, a "relusitanização" no século XIX com a chegada da Corte 
Portuguesa e a posterior imigração europeia e urbanização. 
 Movimentos Culturais: O Romantismo e o Modernismo de 1922 impulsionaram a construção 
de uma identidade nacional para a língua, afastando-se do padrão europeu e buscando fixar 
características propriamente brasileiras. 
 Fatores Extralinguísticos e Instrumentos: A imprensa, a expansão do ensino primário e a 
difusão do livro didático ajudaram no processo de estandardização (padronização de grafias e 
formas). Gramáticas normativas e dicionários atuaram historicamente para moldar e preservar a 
linguagem das elites. 
 Limites das Reformas Ortográficas: Reformas no sistema de escrita não conseguem 
uniformizar o uso real da fala nem refletir fielmente a pronúncia, dadas as intensas variações 
regionais do país. 
 
3. Relação entre Uso da Língua e Prestígio Social 
 Construção do Prestígio: O julgamento de uma forma linguística como "certa" ou "errada" não 
decorre de qualidades linguísticas ou intrínsecas da frase, mas do status socioeconômico e do 
nível de escolarização de quem a emprega. 
 O Fascínio pelo Padrão: A valorização de determinada estrutura não é gramatical, mas sim o 
reflexo do prestígio social e da posição de poder ocupada por seus usuários na sociedade. 
 
4. A Reconfiguração do Papel da Escola 
 
Do Modelo Punitivo ao Orientador: O professor não deve focar no mero apontamento de 
"erros" ou no menosprezo da fala nativa do aluno. Reconhece-se que o estudante já entra na 
escola dominando e usando sua língua nativa de forma plena e eficiente. 
 Língua Padrão como Direito: O ensino da variedade padrão não deve ser imposto como a única 
forma correta, mas sim oferecido como um direito de acesso à cidadania, permitindo que o 
aluno atue em esferas sociais mais amplas e conquiste seus direitos. 
 Ensino Baseado na Adequação Comunicativa: A prioridade pedagógica é desenvolver a 
habilidade de transitar entre diferentes registros. O aluno deve aprender a adequar sua linguagem 
às exigências da situação comunicativa: o uso de formalidade excessiva em um contexto 
descontraído é tão inadequado quanto o uso de oralidade informal em um documento acadêmico 
ou jurídico. 
AULA 6 
Resumo Detalhado da Aula 6: Ensinar Gramática — Eis uma Questão com Diversas 
Alternativas! 
 
A Aula 6 de Linguística IV, de autoria de Carmelita Minelio da Silva Amorim, Lúcia Helena 
Peyroton da Rocha e Jussara Abraçado, aborda os diferentes conceitos de gramática, a 
divergência nas análises sintáticas entre autores tradicionais/dicionários e as propostas 
pedagógicas para o ensino gramatical na escola. 
 
1. Conceitos de Gramática e Evolução Histórica 
 Gramática Tradicional (Prescritiva): Historicamente baseada nas gramáticas grega e latina. 
Entende a gramática como a "arte de falar e escrever bem", atuando como um código prescritivo 
de normas baseadas nas obras de autores de prestígio e da elite culta. Estabelece regras sobre o 
que é considerado "certo" ou "errado". 
 Gramática Descritiva: Surgida com o trabalho do linguista, analisa e explica a organização e os 
fenômenos das línguas naturais com foco na oralidade e no uso real, sem o objetivo de ditar 
normas morais ou comportamentais de fala. Adota critérios formais, funcionais e distribucionais. 
 Gramática Natural (Mente/Intuição do Falante): É a gramática internalizada apreendida 
naturalmente pela criança durante o processo de aquisição da linguagem. Todos os falantes 
nativos dominam a gramática natural do português, diferindo da norma padrão (que é aprendida 
formalmente na escola). 
 Diferença entre "Aprender" e "Apreender": Aprender associa-se ao ato passivo de 
memorizar informações e regras mediante estudo formal; apreender relaciona-se à assimilação 
ativa, à ação, ao entendimento e à apropriação do conhecimento. 
 
2. Divergências Conceituais e Classificatórias: O Caso do Verbo "Morar" 
 
A aula ilustra as inconsistências da tradição gramatical analisando a frase "Neymar mora 
atualmente em Barcelona": 
 Said Ali (1964) e Cunha & Cintra (1985): Classificam "morar" como Verbo Intransitivo (VI) 
e "em Barcelona" como adjunto adverbial de lugar. (Crítica: por definição, o verbo intransitivo 
tem predicação completa, mas "quem mora, mora em algum lugar", gerando sensação de 
incompletude). 
 Dicionário Houaiss (2001): Classifica como Verbo Transitivo Indireto (VTI) e "em 
Barcelona" como objeto indireto. 
 Dicionário Aurélio (1986) e Rocha Lima (1998): Classificam como Verbo Transitivo 
Circunstancial (VTC) e o termo como complemento circunstancial de lugar (CC de L). 
 Kury (1996): Classifica como Verbo Transitivo Adverbial (VTA) e o termo como 
complemento adverbial de lugar (CA de L). 
 Luft (1996): Classifica o verbo como Predicativo Locativo (VpredLoc) e o termo como 
predicativo locativo (PredLoc). 
 
3. Proposta de Abordagem Pedagógica 
 Não exclusão da Gramática: A questão crucial da escola não é banir o ensino de gramática, 
mas sim reformular a maneira de abordá-la. 
 Superação do Ensino Descontextualizado: Evitar o modelo focado na memorização mecânica 
de classificações em frases isoladas ou exercícios de múltipla escolha desvinculados do uso. 
 Exploração das Divergências (A Partir do Ensino Médio): Em vez de impor uma única 
classificação "correta" ou artificial, o professor deve levar aos alunos as controvérsias existentes 
entre os gramáticos, discutindo as diferentes propostas teóricas para estimular o pensamento 
crítico e a reflexão sobre a língua. 
 Atuação no Ensino Fundamental: Trabalhar primeiramente casos prototípicos de transitividade 
(ex: "O jogador chutou a canela do adversário") e intransitividade pura (ex: "Neymar 
adormeceu cedo") para ajudar a fixar a apreensão dos conceitos primários por meio do confronto 
de exemplos simples. 
 Integração Sintática, Semântica e Discursiva: Estudar frases extraídas de textos reais (como 
notícias ou manchetes), relacionando as escolhas sintáticas aos efeitos de sentido, ao tempo 
verbal e ao contexto comunicativo de produção. 
AULA 7

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