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ATIVIDADE PRÁTICA - SECRETARIADO

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SUPERIOR TECNOLOGIA EM SECRETARIADO 
2° SEM / 2024 
UNIDADE: GIRAU DO PONCIANO/AL - I(11088955)U 
RA: 3676801703 
 
ELTAMIRIAM JOICE OLIVEIRA SNATOS DE FARIAS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A IMAGEM DO PROFISSIONAL DE SECRETARIADO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Girau do Ponciano – Alagoas, 15 de agosto de 2024. 
 
 
 
Introdução 
 
O artigo tratará sobre a imagem dos profissionais de secretariado executivo, 
observando os estereótipos acerca desses profissionais. Destinado a estudantes e 
profissionais de secretariado, tem como objetivo contribuir para o amadurecimento 
da profissão e fortalecimento da imagem dos profissionais. 
A ideia que originou o tema do artigo surgiu das reações observadas nas pessoas 
quando a autora é questionada sobre sua escolha profissional; tanto há 
encantamento quanto desencantamento sobre a profissão. Notou-se que a 
sociedade esboça preconceito em relação ao profissional de secretariado,pois as 
referências que povoam o imaginário da sociedade acerca deste último, ainda são a 
de tais profissionais que servem café, tenham relacionamento amoroso com seus 
superiores etc. 
No artigo se observará como a mídia cria estereótipos que passam a compor o 
imaginário social e que possivelmente denigrem a imagem do profissional de 
secretariado, avaliando de maneira a questionar sua coerência com relação às 
competências e habilidades que são exigidas pelo mercado. 
Pode-se dizer que hoje em dia a imagem do profissional de secretariado ainda 
estábastante atrelada à imagem da mulher, visto que a própria representação de 
classe,SINSESP (Sindicato das Secretárias do Estado de São Paulo), estima que 
apenas 10% dos profissionais da área sejam homens2. 
O que muito contribuiu com a predominância de mulheres atuantes no secretariado 
foi a necessidade da mão de obra feminina surgida durante a Segunda Guerra 
Mundial quando suas atividades na indústria ainda estavam limitadas às funções 
rotineiras e grosseiras. 
Com o processo de reengenharia das teorias administrativas, ocorrido nas 
organizações nos anos 90, as funções secretariais foram valorizadas, tornando esse 
profissional parte integrante da dinâmica da equipe gerencial. 
 
2http://www.valor.com.br/carreira/2694372/elas-mandam-bem#ixzz256ese0Ji. Acesso em 15.09.12, 
às 20h. 
http://www.valor.com.br/carreira/2694372/elas-mandam-bem#ixzz256ese0Ji
 
 
Para o desenvolvimento deste artigo, foram feitas pesquisasbibliográficas em livros e 
artigos relacionados ao tema, em publicações sobre psicologia e sociologia. 
O primeiro passo, portanto, é entender o que é “estereótipo”. 
 
É possível entender estereótipo como conjunto de características presumidamente 
partilhadas por membros de uma categoria social. Segundo Martinez (2010)3: 
 
“Pode-se definir estereótipo como sendo generalizações, ou pressupostos, 
que as pessoas fazem sobre as características ou comportamentos de 
grupos sociais específicos ou tipos de indivíduos. O estereótipo é 
geralmente imposto, segundo as características externas, tais como a 
aparência (cabelos, olhos, pele), roupas, condição financeira, 
comportamentos, cultura, sexualidade, sendo estas classificações 
(rotulagens) nem sempre positivas que podem muitas vezes causar certos 
impactos negativos nas pessoas”. (grifo do autor) 
 
Para Jodelet (2001, p. 59) o objeto de estudo dos estereótipos são as 
representações que fundam os preconceitos, “nos processos de comunicação e nos 
contextos sócio histórico em função dos quais seus conteúdos se elaboram, muito 
mais do que na sua forma”. Entende-se que são resultantes de processos de 
simplificação próprios do senso comum, onde é mais fácil aceitar uma imagem já 
existente, por exemplo, a exposta pela mídia, do que buscar entender e conhecer 
suas particularidades e do que realmente se trata. 
 
Ainda conforme Jodelet apud Lipmann (2001, p. 59) os estereótipos são 
“representações do meio social que permitem simplificar sua complexidade”. Ou 
seja, é importante entender que essas representações para o senso comum podem 
existir devido a algum interesse seja ele por parte do governo, de uma sociedade, do 
comércio, entre outros, porém não se pode afirmar que são reais/irreais e que não 
tenham variações. Elas existem e influenciam no comportamento da sociedade. 
 
Segundo Saffioti (1987, p. 28) “o pré-conceito nasce do jogo de interesses presente 
na vida social, da defesa de privilégios, da correlação de forças político-sociais”. 
Vale pensar no contexto histórico em que se desenvolveu o mundo contemporâneo 
(as relações de gênero, a grades guerras mundiais, o feminismo, avanços 
tecnológicos, entre outro), e o motivo pelo qual o poder e superioridade de um, pode 
estar relacionado com a inferioridade e subordinação do outro. 
 
3
 http://www.infoescola.com/sociologia/estereotipo/. Acesso em: 18.03.12,às 0h20. 
http://www.infoescola.com/sociologia/estereotipo/
 
 
Para Baccega (1998, p.7-8): 
 
“Não se pode fazer uma distinção precisa entre conceito e estereótipo,não 
ser apontando para o fato de que a descrição da realidade, que se obtém 
através de um processo cognitivo com uma tendência majoritária (não 
unicamente) objetivo-descritiva, resulta do/no conceito, ao passo que no 
estereótipo encontraremos a predominância dos aspectos valorativos, dos 
juízos de valor, com suas bases emocionais.” 
 
As imagens estereotipadas de grupos sociais, na maioria das vezes, segregam/ 
excluem por haver interesse majoritário. Entende-se que não é um processo que 
exige grande complexidade para existir, visto que se pode haver uma necessidade 
por parte do ser humano de representar o desconhecido para torná-lo 
compreendido, onde se administrará as informações/percepções de acordo com 
seus princípios/valores. 
SegundoBaccega apud Lipmann (1998, p. 8): 
 
(...) quando nos aproximamos da realidade, não vemos primeiro para depois 
definir, mas primeiro definimos e depois vemos. Aí está o estereótipo: são 
os tipos aceitos, os padrões correntes, as versões padronizadas. Eles 
interferem na nossa percepção da realidade, levando-nos a ver de um modo 
pré-construído pela cultura e transmitido pela linguagem”. 
Para Baccega apud Lipmann (1998, p. 8) há economia no estereótipo, o que pode 
agilizar a percepção. Por esse motivo deve-se observar como a mídia (por meio de 
filmes, novelas, propagandas, músicas, entre outros) vincula a imagem da 
secretária, e pensar em seus interesses em gerar tais representações para a 
sociedade. 
 
De acordo com Gullar (2006, p. 10), “toda pessoa necessita que as demais pessoas 
a reconheçam tal como ela acredita que é, tal como se inventa para si mesma”. É 
possível estender esse conceito também ao secretariado, uma vez que haja 
interesse de seus profissionais em serem percebidos como realmente são – ou 
acreditam ser. 
 
 
 
DESENVOLVIMENTO 
 
 PERFIL PROFISSIONAL DE SECRETARIADO 
 
De acordo com sites5 e livros que abordam o histórico da área de secretariado, 
devido a essa escassez da mão de obra masculina, a mulher começa a atuar 
também como secretária, de forma expressiva, na Europa e nos Estados Unidos, 
após as duas guerras mundiais. No Brasil, a mulher inicia a trabalhar como 
secretária a partir dos anos 50, com a chegada das multinacionais, cuja cultura 
organizacional já estava habituada com a presença da mulher. 
 
Nos anos 60, iniciaram-se os treinamentos gerenciais, porém as atividades do 
secretariado ainda estavam bastante voltadas às tarefas operacionais. Ainda na 
década de 60, surgiu o Clube das Secretárias, movimento da categoria por melhores 
condições de trabalho. Segundo o Portal do Secretariado Executivo6, somente nos 
anos 70 o profissional passa a ser visto como um membro ativo da gerência e as 
associações de classe começam a atuar em todo o Brasil, buscando mudar a 
imagem e agregar uma nova visão à imagem da profissão. 
 
Para exercerem atividades gerencias, as secretáriaspassam a buscar 
desenvolvimento profissional, por meio dos estudos, até mesmo para 
acompanharem as mudanças que ocorreram nos escritórios devido aos avanços 
tecnológicos - que constantemente impactam no comportamento da sociedade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
5http://www.fenassec.com.br/b_osecretariado_historico.html 
6http://www.portaldosecretariado.com.br/?page=HistoriaSecretarios 
http://www.fenassec.com.br/b_osecretariado_historico.html
http://www.portaldosecretariado.com.br/?page=HistoriaSecretarios
 
 
 ESTEREÓTIPO RELACIONADOS AO PROFISSIONAL 
 
Segundo Santaella&Nöth(2008, p.15)o mundo das imagens se divide em dois 
domínios: 
“O primeiro é o domínio das imagens como representações visuais: 
desenhos, pinturas, gravuras, fotografias e as imagens cinematográficas, 
televisivas, holo e informáticas pertencem a esse domínio. Imagens, nesse 
sentido, são objetos materiais, signos que representam o nosso meio 
ambiente visual. O segundo é o domínio imaterial das imagens na nossa 
mente.Nesse domínio, imagens aparecem como visões, fantasias, 
imaginações, esquemas, modelos ou, em geral, como representações 
mentais. Ambos os domínios da imagem não existem separados, pois estão 
inextricavelmente ligados já na sua gênese. Não há imagens como 
representações visuais que não tenham surgido de imagens mentais que 
não tenham alguma origem no mundo dos objetos visuais.” 
Uma das ideias iniciais para a formação da imagem da profissional de secretariado é 
a observada por Freitas apud Bertoco& Loyola (1979): 
 
“Bertoco e Loyola (1979) explicam que algumas mulheres passaram a 
utilizar o escritório como local para a busca de homens elegíveis para 
maridos, ricos e com carreira executiva promissora. Para tanto, valiam-se da 
profissão de secretária como meio e não como um fim em si mesma. Essa 
ponderação infere em considerar que certos filmes hollywoodianos traziam 
exemplos de secretárias nem sempre confiáveis e éticos. Alguns deles, 
inclusive, deram margens às comédias e romances com a secretária. São 
alguns exemplos, imagens, filmes, músicas, histórias em quadrinhos e 
outros recursos que possibilitaram diversas interpretações e que terminam 
por conduzir às relações sentimentais e/ou sexuais entre secretária e chefia 
direta.” (p. 05). 
Em sentido amplo, a mídia pode construir imagens acerca da profissional de 
secretariado, de maneira negativa, quando representada por personagem 
caricatural7. Como exemplo a novela “Passione”, transmitida pela Rede Globo de 
televisão, em que a secretária do personagem Fred (interpretado por Reynaldo 
Gianecchini) favorece as atitudes do mau caráter, cedendo à ele documentos 
confidencias. 
Bianchi & Alvarenga (2003, p.9) esclarecem que os profissionais devem ter uma 
formação que envolva saberes, nos quais se incluam: “aspectos éticos, 
conhecimentos técnicos e científicos, sociais, políticos e administrativos”. Quanto às 
atribuições da secretária seguem: 
 
 
7personagens cujos traços de personalidade ou padrões de comportamento são propositalmente 
acentuados (às vezes beirando o ridículo) em função do cômico ou da sátira. São personagens muito 
comuns, principalmente, em novelas de televisão. 
 
 
a) funções de atendimento: como recepção a clientes e informações 
gerais; 
b) organização: agendar compromissos, classificar e arquivar documentos, 
controlar estoque de material; 
c) redação: correspondência, relatórios, atas, anotações básicas de 
conferências e palestras; 
d) outras do cotidiano como: elaboração de cartas, circulares, tabelas e 
gráficos. 
 
Um fato a se pensar acerca da profissão de secretariado são as expectativas que os 
profissionais possuem, pois sua postura em relação à carreira acarreta 
consequências à imagem da profissão. Propõe-se então questionar se a profissão 
de secretariado é subestimada pelas próprias profissionais que a exercem, pois 
segundo Castro & Yamamoto(1998, p. 151), no momento da escolha da carreira: 
“haveria uma diferença nas expectativas dos candidatos com relação às suas 
próprias possibilidades, sendo as do sexo feminino mais baixas, o que levaria à 
configuração de carreiras femininas”. 
 
Abaixo uma análise comparativa de informações veiculadas pela mídia e divulgadas 
nos últimos vinte anos. 
Na década de 90, na matéria “Secretárias do futuro serão autônomas”, do jornal 
Shopping News do dia 27.09.92, fez-se uma previsão de mudanças na rotina de 
trabalho das secretárias, decorrente de avanços tecnológicos e da abertura do 
mercado brasileiro: 
“De uma simples datilógrafa a profissional de microcomputador, de 
taquígrafa a redatora e de transmissora de recados a detentora de 
informações: o perfil da secretária está em acelerado processo de mudança. 
‘A tendência é que a secretária transforme-se em assessora executiva, ou 
executiva, com autonomia para tomar decisões e coordenar funcionários e 
prestadores de serviço’, afirma Joel Cândido de Carvalho, gerente do centro 
de Tecnologia em Administração do Senac, responsável pela formação e 
aperfeiçoamento na área secretarial. [...] O domínio de uma língua 
estrangeira, que até então era um diferencial [...] passará a ser obrigatório 
assim como o conhecimento da informática. [...] ela deverá ter uma visão 
global da empresa.” 
Na matéria “Trabalho de Secretária exige equilíbrio e ética”, do jornal Diário Popular, 
do dia 30.08.93, também são abordadas as mudanças de perfil da profissão 
decorridas do novo cenário nacional: 
“Os rumos da profissão diante das mudanças nos cenários mundial e 
nacional serão debatidos no 3º Seminário Internacional da Categoria 
Secretarial. [...] Em termos técnicos, domínio do trabalho com o 
microcomputador e de uma língua estrangeira. Em relação ao 
comportamento é preciso também muito equilíbrio emocional para 
administrar conflitos e uma boa dose de ética profissional, que não significa 
conveniência com atos desonestos.” 
 
 
Ainda nessa matéria, quando a entrevistadaLeida Maria de Moraes (até então 
Presidente do Sindicato das Secretárias de São Paulo) é questionada sobre a antiga 
imagem que a população tinha da secretária. Ela informa que “A imagem estava 
ligada a uma moça jovem e bonita, que atendia telefone, marcava compromissos e 
talvez, até saísse com o executivo”. 
Em 30.09.93, o jornal O Estado de São Paulo, veiculou a matéria “A modernidade 
deve incluir a secretária”, onde novamente se falou sobre mudança no perfil 
profissional: 
“O mercado conta com empresas que se preocupam com as condições de 
trabalho dessas profissionais e dão um tratamento diferenciado. (...) 
qualidade, mudança do perfil da secretária, postura profissional, auto 
realização. (...) com a valorização da profissão secretária.” 
 
Quase um ano depois, no dia 11.08.94, o jornal O Estado de São Paulo, divulga a 
matéria “A dualidade gerente/secretária”, onde se destaca a frase “A chefia sabe que 
a ameaça a seu cargo pode estar na moça da sala ao lado”, apresentando as 
profissionais de secretariado como concorrentes aos cargos de gerência. 
Em agosto de 1994, o Jornal Sindical divulgou a matéria “As secretárias estão 
chegando”, que nega ainformação de que elas seriam atendentes e relata sobre o 
que seria exigido da profissão a partir de então, como pode ser observado na frase 
“Hoje, secretária não é atendente de telefone, como muitos pensam. Exige-se muito 
dela, cursos de língua, de computação.” 
Na matéria “Secretárias ganham valorização e respeito”, do jornal Metro News, de 
11.07.94, observa-se o estereótipo de “amante do chefe” foi tratado como uma ideia 
que pertenceu o imaginário social e que, daquele momento em diante, a profissão 
seria respeitada: 
“Além de adquirir direitos legais, as secretárias estão ganhando o respeito 
da sociedade. Há alguns anos, existiam muitos preconceitos. Gostavam de 
contar aventuras “picantes” sobre os relacionamentos com o chefe. Hoje 
essa história está se transformando em ‘folclore’”. 
Em setembro de 1996, namatéria “Secretária holística... Rumo ao ano 2000”, onde 
já se fez menção de como deveriam ser as profissionais de secretariado, a revista 
Foco aborda a imagem da secretária de maneira afável e idealizada: 
“Meio mãe, amiga e conselheira de seu dia-a-dia, não poderá negar um 
sorriso afável, um ‘cafezinho’ ou parar tudo só para rir de uma piada ‘sem 
graça’ do chefe. Pode parecer jacoso, mas é mais pura realidade. À 
secretária cabem rótulos de responsabilidades interessantes, dos quais 
dificilmente se livrará: é ‘o cartão de visita da empresa’, ‘ é meu braço 
 
 
direito’, é o ‘terceiro hemisfério’ do cérebro do seu chefe, é a ‘fada guardiã’, 
enfim é aquele ser (Humano???), que não tem mau humor, nem problemas 
particulares, nunca compromissos na hora da saída, cansaço e sobretudo 
desenvolver a habilidade de ‘ler pensamentos’... Quando tudo dá certo o 
mérito é do chefe; quando algo ‘furar’ a culpa é da secretária, ou melhor, 
dessa ‘doublê’ para cenas perigosas”. 
Na matéria “Secretária do Futuro”, da revista Carta Capital, do mês de julho de 1997, 
ficou destacado que a profissão não acabaria, mas que passaria por uma 
transformação e as secretárias se tornariam assessoras dos executivos. Assim 
como em outros trechos de matérias, vistos até aqui, foram feitas comparações entre 
a imagem da secretária até a década de 80, e as mudanças de perfil da profissão 
que ocorreram devido à abertura do mercado nacional: 
 
“A profissão era tida como segunda classe até o final da década de 80; com 
a globalização, tornou-se uma das mais promissoras. [...] Entre elas a 
evolução das funções da secretária – cujo estereótipo sempre foi aquela 
assustada mocinha, sem muito estudo, agarrada a um bloquinho de 
estenografia, tentando desesperadamente acompanhar o ditado do patão. 
[...] A secretária tradicional é coisa do passado; na virada do século, ela 
estará mais culta e à altura do executivo que representa. [...] A 
competitividade imposta pela abertura de mercado transformou a assistente 
em instrumento da modernização administrativa. [...] As funções da 
secretária se acumulam: ela tende a evoluir de telefonista bem instalada a 
gerente de produção da companhia.” 
Na matéria “A profissão cresce em quantidade e qualidade”, do jornal Folha 
Metropolitana, dos dias 28 e 29 de setembrode 1997, novamente são feitas 
referências superficiais à imagem da profissão de secretariado e de suas 
atribuições, como se as ideias fossem referências a tempos remotos. Também traz 
informações de uma nova postura profissional, com novas funções, novos 
conhecimentos, e sobre o aumento no número de profissionais do sexo masculino: 
“[...] há algum tempo deixou de ser a moça bem arrumada que 
simplesmente atendia o telefone, anotava os recados e sabia datilografar. 
Embora a aparência impecável continue sendo uma das características da 
profissional, nos dias de hoje a secretária assume uma postura ativa, 
tomando decisões e desempenhando funções de gerenciamento, e sendo 
considerada um elo de ligação entre a empresa e o mundo externo. [...] 
precisa ter conhecimentos gerais, saber no mínimo dois idiomas além do 
português e ter uma visão global da empresa – que inclui os clientes 
internos e externos e os concorrentes. [...] Os homens vem sendo atraídos 
pela profissão nos últimos 5 anos, quando passaram de 1% de integrantes 
para 10%”. [sic] 
O aumento de 10% no número de profissionais de secretariado constatado em 1997 
se manteve até o ano de 2012, conforme o SINSESP (Sindicato das Secretárias do 
Estado de São Paulo), cabendo-se questionar qual motivo da estabilidade nos 
números. Pode-se observar nas próximas matérias analisadas que o secretariado 
sempre é abordado sob a perspectiva de que os profissionais que o exercem são 
 
 
exclusivamente do sexo feminino. 
Na matéria “Não senhor, Chefinho!” da Revista Folha, de 28.09.97, onde há a 
informação que “Driblar situações difíceis com classe é uma das tarefas da 
secretária”, foram entrevistadas oito secretárias. Quando se afirma e questiona “As 
secretárias têm o estigma de destruidoras de lares. Qual o truque para mostrar ao 
chefe que o interesse de vocês é profissional?”, novamente, se observa o 
estereótipo de “amante do chefe” vinculado à imagem da secretária. 
 
Também tratando de mudanças no perfil profissional do secretariado, devido às 
mudanças tecnológicas da época, a matéria “Alto executivo ainda tem secretária 
exclusiva”, do Jornal da Tarde, de 30.09.97, destaca: 
“Segundo Case, o avanço tecnológico criou condições de o próprio 
executivo efetuar tarefas mais operacionais e deixou para as secretárias 
funções mais intelectuais. Com isso, elas passaram a auxiliar na busca de 
soluções junto com os seus superiores, exercendo um papel mais de 
assistente do que de secretária.” 
O mesmo se observa na matéria “Secretárias mudam com tecnologia”, do jornal O 
Estado de São Paulo, de 29.07.97: 
“Além de flores e bombons, as secretárias esperam também um micro novo 
no seu dia, amanhã. Elas aposentaram a máquina de escrever e o papel 
carbono. Usam hoje micros modernos e softwares que organizam muito 
melhor o dia-a-dia do escritório. Para manterem-se atualizadas, as 
secretárias precisam cada vez mais dominar as novas tecnologias.” 
Em 30.09.98, na matéria “Secretárias viram 'chefes’ dos ocupados”, do jornal O 
Estado de São Paulo, destaca-se, novamente de forma idealizadora, que “Fazendo 
cada vez mais tarefas fora do convencional, funcionárias também são anjos da 
guarda e, às vezes, até dão pequenos ‘puxões de orelha’ nos seus ‘comandados’.” 
Cabe-se questionar quais seriam as tarefas fora do convencional exercidas pelas 
secretárias, e quais seriam suas implicações à imagem da profissão. 
Na matéria “Os dilemas da profissão”, da revista Foco, de janeiro de 2008, mesmo 
parecendo uma matéria positiva a respeito da profissão, que enfatiza uma evolução 
de perfil, observam-se ideias negativas a respeito da imagem das secretárias, 
afirma-se que “De bibelô de escritório, ela passou a recusar cantadas, enfrentar 
conflitos políticos e brigar para transformar a imagem da profissão”. 
Comparando seis matérias divulgadas pela mídia no ano de 1999, observou-se que 
todas tratam da mudança de perfil da profissão e fazem menção ao seu futuro. Na 
matéria “Você não vai mais ter secretária”, da revista Exame, a profissional é tida 
 
 
como “babá – do negócio”, “tradutora”, “autônoma” e que “pensa com executivo” a 
chamada da matéria diz: “Veja o que fazer para transformar sua secretária numa 
profissional do futuro”. 
Seguindo o mesmo raciocínio, na matéria, “Secretária do Futuro”, do jornal Diário 
Popular, de 26.09.99, observou-se: 
Elas mudaram de perfil e estão longe de ser lembradas como aquelas que 
pagam as contas, servem cafezinho, marcam reuniões ou resolvem 
problemas pessoais de seus chefes. Cada vez mais solicitadas no mercado 
de trabalho, as secretárias têm conquistado poder de decisão e 
principalmente cargo de assessoras executivas.” 
Não muito diferente, e com o nome da matéria bastante semelhante, “Secretária de 
futuro”, da revista Você S.A., de setembro de 1999, abordanovamente as mudanças: 
“Comece a esquecer aquela secretária que apenas anota recados, organiza 
a agenda do chefe e escolhe quem pode entrar ou não na sala. Ela está 
trombando de frente com a tecnologia, tem cada vez menos a ver as 
exigências do mercado de trabalho e está se tornando, progressivamente, 
uma figura do passado. Em seu lugar, surge uma profissional mais parecida 
com uma assessora, que tem inclusive autonomia para tomar decisões”. 
Na matéria “Secretária muda perfil e ganha mais destaque”, do jornal Folha de São 
Paulo: 
“O perfil dessa profissão vem mudando. Hoje, ela precisa estar preparada 
para atuar ‘como uma parceira’ da chefia e não apenas como executora de 
ordens (...). Portanto, para se dar bem nessa carreira, é preciso mais que 
dedicação e uma boa aparência. (...) ‘a secretáriado ano 2000’ precisa 
estar atenta às necessidades da chefia e antecipar soluções e resultados. 
 
A matéria “Secretária vira alvo de headhunters”, em 24.08.99, o jornal Gazeta 
Mercantil,faz uma abordagem diferente, porém também trata da mudança de perfil 
da profissão e destaca: “Novo perfil das profissionais tornou sua seleção tão 
especializada quanto à de seus chefes.” Em 30.09.99 o mesmo jornal, na matéria 
“Mercado exige profissional polivalente e atualizada”, relata novamente sobre as 
mudanças e destaca: “Profissional tem que falar pelo menos dois idiomas, entender 
de comunicações e liderança, além de ter noções de marketing e finanças”. 
Como pode se constatar, a década de 90 foi marcada pela busca de perfil, sempre 
agregando à profissão novas atribuições decorrentes da abertura do mercado 
brasileiro e das mudanças tecnológicas. 
Na década de 00, a “Secretária conquista novo perfil”, do jornal Diário Popular, de 
02.05.00, afirma que os avanços tecnológicos continuaram gerando mudança no 
perfil da secretária e que a profissão estava em terceiro lugar no ranking das dez 
 
 
profissões que mais cresciam no mundo: 
“O avanço tecnológico e a globalização vem gerando mudanças no perfil 
das secretárias. A profissional de hoje precisa ter, além de organização, 
noções de marketing, recursos humanos e qualidade. Essas adaptações 
vêm abrindo espaço no mercado. (...) Pesquisa realizada nos Estados 
Unidos mostra que as secretárias estão em terceiro lugar no ranking das 
dez profissões que mais crescem no mundo.” 
Na edição de fevereiro de 2000,da revista Você S.A., na “Fiel escudeira”, trata a 
evolução do perfil da secretária e questiona a idealização feita sobre a imagem da 
profissão quando divulga que: 
 
“Uma secretária pode deixar escapar segredos ou pedir demissão amanhã. 
Por isso não a faça de cúmplice nem exija dela tarefas despropositadas. [...] 
“A secretária ideal pressupõe eficiência, desenvoltura para resolver 
problemas, lealdade canina ao chefe e, naturalmente, discrição acima de 
tudo, certo? Não, esse modelo estereotipado já era. Hoje está cada vez 
mais difícil encontrar alguém que se enquadre nesse perfil. [...] as 
secretárias já não acompanham seus chefes por anos a fio. Se eles mudam 
de emprego, elas podem ir junto ou ficar na empresa e conseguir nova 
posição. Muitas também acabam se aperfeiçoando e partem em busca de 
outra carreira.” 
 
“O chefe não se encontra”,matéria veiculada em 27.09.00, pela Revista Veja,aborda 
sobre um personagem caricatural: “Ela é secretária de uma empresa picareta, abusa 
dos gerúndios e um de seus grandes prazeres é dizer que o chefe está em 
reunião.Cria do humorista Marco Bianchi, Suelyn é a estrela do programa Pelotão da 
Má-Vontade, na 89 FM.” 
 
Na matéria “Casa Cheia”, do dia 06.10.00, veiculada no Jornal Folha do Povo, 
informa que: “A estatística é de um tradicional empresário do ramo. O Dia da(o) 
Secretária(o), comemorado no último sábado, foi responsável pela segunda melhor 
invasão de clientes aos motéis de Campo Grande. Só perdeu para o Dia dos 
Namorados. Coisa de doido." 
Ainda no ano 2000, foi divulgada uma propaganda da empresa Chlorophyla, na 
edição de setembro da revista Play Boy, que dizia: “Compre um perfume para sua 
secretária e outro para sua mulher. Assim ela não vai perguntar que perfume é 
esse.” Novamente, é possível perceber o estímulo da mídia na criação do 
estereótipo de que a secretária é “amante do chefe”. 
Referente às informações veiculadas pela mídia em 2001, observou-se duas 
matérias. Na primeira, “Em vez”, do jornal Diário do Nordeste, equipara a profissão 
de secretário (a) a de empregado (a) doméstico (a), quando diz: "Ao longo dos anos 
de casado, já tivemos um sem número de empregadas domésticas, as secretárias 
 
 
do lar". Na segunda matéria, os profissionais de secretariado brasileiros ganham 
destaque como “as melhores do mundo”: 
 
“As secretárias mais bem treinadas do mundo são as brasileiras, diz um 
artigo do jornal inglês ‘The Guardian’. A legislação brasileira exige que as 
secretárias sejam registradas em uma agência governamental, e, desde 
1985, o título de ‘secretária’ só pode ser obtido após um curso universitário 
de quatro anos de duração"
8
. 
 
No ano de 2002, a possibilidade da publicação de um ensaio fotográfico com Karie 
Lemes (ex-secretária envolvida em escândalos políticos por denunciar esquemas de 
corrupção) intitulado "Uma Secretária muito ousada", gerou ameaça de processo por 
danos morais da FENASSEC à Revista Sexy. 
 
Pode-se destacar também a propaganda de cerveja da Kaiser Bock, que segundo 
informações registradas no site da FENASSEC, em 17.06.02, a cervejaria lançou 
uma campanha onde o empregado dá ao chefe uma cerveja da marca. Este fica feliz 
e diz que aquela cerveja é a melhor que existe. Um dos benefícios concedidos pelo 
chefe ao funcionário, devido à cerveja que lhe foi dada, é a contratação de uma 
secretária – em uma agência de modelos. 
 
A matéria “Profissionais locais adoram a profissão”, do jornal Diário da Região, do 
ano de 2003 informa que o perfil da profissão mudou e destaca que “Quando o chefe 
não está, elas assumem o papel de manda chuva”. 
 
O hotel Elegance, na edição do dia 25.09.03, do jornal O Globo, publicou o outdoor 
“Nossas camas são bem mais confortáveis que a mesa do escritório” em virtude das 
vésperas do dia da secretária (30.09). O Sindicato das Secretárias do Rio de Janeiro 
entrou com ação judicial contra o hotel e ganhou. Com base na decisão judicial, o 
hotel formalizou, perante a classe das secretárias, um pedido de desculpas. 
 
No dia 01.10.03, a Rádio Jornal (PE), uma realizou uma pesquisa questionando: “As 
secretárias ainda têm caso com os seus chefes?”; pode-se considerar este 
questionamento, como um claro exemplo de informação que desperta no imaginário 
 
 
 
8http://www.sinsesp.com.br/artigos/imprensa/161-as-melhores-secretarias-do-mundo-sao-as- 
brasileiras-the-guardian-2001. Acesso em 20.11.12. 
http://www.sinsesp.com.br/artigos/imprensa/161-as-melhores-secretarias-do-mundo-sao-as-brasileiras-the-guardian-2001.%20Acesso%20em%2020.11.12
http://www.sinsesp.com.br/artigos/imprensa/161-as-melhores-secretarias-do-mundo-sao-as-brasileiras-the-guardian-2001.%20Acesso%20em%2020.11.12
 
 
social imagens que não condizem com as atribuições dos profissionais de 
secretariado. 
 
Também abordando a imagem da profissão de maneira negativa, ainda no ano de 
2003, o programa “Os Normais”, da Rede Globo de televisão, exibiu o episódio, 
“Desconfiar é Normal”, que associou a imagem da profissão de secretariado a uma 
mulher que ocupou o cargo de secretária, devido ter um corpo escultural eainda sair 
com o chefe. 
 
Em 26.09.04, o jornal Estado de São Paulo, divulga a matéria “De lap top e celular, 
secretária adquire perfil executivo”, onde se destacou a informação de que as 
secretárias, a partir dos anos 90, atendiam mais as corporações do que aos 
executivos. A matéria reforça também as mudanças e o que se manteve no perfil: 
“A carreira de secretária sofreu um grande abalo no início dos anos 90. O 
advento da tecnologia, a política de qualidade e de resultado nas empresas, 
a competitividade e a globalização foram fatores que, segundo a presidente 
da Toucher Desenvolvimento Humano, Bete D'Elia, obrigaram as 
secretárias a mudar sua forma de atuar. ‘Manteve-se o perfil de uma pessoa 
que executava bem tarefas e era bem organizada, mas passou-se a exigir 
uma profissional cada vez mais inteirada com os assuntos do chefe ou da 
empresa, com maior autonomia e poder de decisão’”. 
 
Em 04.10.05, se falou sobre o aumento na circulação de cliente em motéis, devido 
ao dia das secretárias. A matéria foi veiculada pelo jornal O Globo e intitulada “O dia 
delas”. Observam-se na matéria informações sugestivas em decorrência do dia da 
secretária: “Alguns casais chegaram na hora do almoço e saíram uma hora depois”. 
Na matéria“Piadinhas não, por favor: ‘Às vezes, parecemos mágicas’”, também do 
ano de 2005, veiculada pelo jornal Diário do Grande ABC, destaca: 
“Embora os mais desinformados custem a acreditar, secretária, cuja data é 
comemorada na próxima sexta-feira, 30, não é enfeite de antessala dos 
executivos. Cada vez mais qualificadas e incentivadas a abandonar as 
funções meramente operacionais, as profissionais, que somam hoje 2 
milhões no Brasil, ganham espaço privilegiado nas grandes empresas, 
graças ao papel importante que desempenham, que vai além de mediar o 
relacionamento do chefe com os demais departamentos e com o público 
externo. [...]Por conta da proximidade com que trabalha com o executivo, a 
secretária por vezes é obrigada a aguentar insinuações e piadinhas de 
colegas, além do preconceito típico da sociedade. Porém, desrespeito não 
deve ser simplesmente ignorado. ‘Antigamente, dentro do critério de 
avaliação na contratação, pesava a boa aparência. Hoje, a competência é 
que fala alto’”. 
http://www.sinsesp.com.br/artigos/artigo09.htm#1
 
 
Na matéria “Vinte anos de regulamentação do secretariado”, do Jornal de Brasília, 
do dia 26.09.05, aborda-se o perfil e a imagem da profissão: 
 
“Quando alguém diz "secretária", em geral nos vem à mente a imagem de 
uma mulher discreta e elegante em um tailleur, uma expressão neutra e 
eficiente no rosto, anotando alguma coisa e falando ao telefone. A figura 
descrita acima ainda pode ser encontrada em alguns escritórios, mas não 
se engane: o perfil das secretárias está mudando, e elas não são mais 
seres sem liderança e sem opinião, cujas funções se restringem às tarefas 
automáticas de intermediação de ligações e do cafezinho.” 
 
Em 2006, Na matéria “Secretária do Terceiro Milênio”, da revista Vida Executiva,são 
feitasobservações sobre as mudanças nas funções e no perfil da secretária: 
 
“Foi-se o tempo em que uma secretária ficava na mesa da ante-sala do 
diretor atendendo as ligações e encaminhando os visitantes. Aos poucos, 
foram conquistando novas posições no mercado de trabalho e ganhando o 
respeito no mundo corporativo a ponto de nenhuma organização conseguir 
sobreviver sem elas. Para comprovar isso, é só observar o organograma de 
uma empresa. Essas profissionais estão lá em cima, bem perto dos 
diretores, ocupando um lugar de confiança.” 
 
Ainda em 2006, a FENASSEC reclamou junto àsemissoras Globo e Rede TV que, 
fizeram referências negativas à imagem do profissional de secretariado, nas novelas 
“Belíssima” e “Páginas da Vida”, e nos programas “Mais Você” e Super Pop, que não 
condiziam com as atribuições da profissão. 
 
Em 28.07.08, a matéria “Elas são a ‘alma’ das empresas”, do jornal “Diário de São 
Paulo”informa que as secretárias são a imagem da empresa: 
 
“muito mais que atender o telefone e administrar a agenda do chefe, as 
secretárias hoje são a própria imagem da empresa e respondem pela 
organização do dia-a-dia corporativo dentro e fora do país.” [sic] 
 
Novamente tratando a imagem da profissão de maneira evolutiva, na matéria “Dia da 
secretária”, publicada em 30.09.08, pelo site Vila Mulher9, informa sobreimagem da 
profissão: 
“O perfil do profissional de secretariado tem mudado ao longo do tempo, 
atendendo as exigências do mercado de trabalho. É preciso ter criatividade, 
iniciativa, velocidade, conhecimento tecnológico, liderança, atendimento, 
comunicação, atuando juntos aos níveis decisórios e estratégicos. O papel 
hoje é de facilitar a rotina administrativa para que a empresa coloque seu 
foco no produto ou serviço principal.” 
 
 
9http://vilamulher.terra.com.br/dinheiro/. 
http://vilamulher.terra.com.br/dinheiro/
 
 
Na edição de maio de 2008, da revista Cliente S.A., um anúncio da empresa 
Locaweb apresentou uma personagem com o título: “A secretária que não dominava 
o decote nem a internet”. 
A matéria “Sucesso de consultórios depende de boa atuação de secretárias”, de 
setembro de 2009, do jornal ABN News, destacou que: “Formação técnica e 
comportamento humanizado são diferenciais nesse perfil profissional”. 
Ao longo dos anos da década de 2000, o mesmo objetivo foi perseguindo: delinear o 
perfil do profissional de secretariado. No entanto, observou-se que a imagem do 
profissional passou a ser utilizada como figura caricata por programas de TV, 
novelas, rádios, etc., resta saber o por quê? 
Na década de 2010, no mês de setembro do primeiro ano, o Jornal da tarde, na 
matéria “Dia da Secretária, dia 30, celebra um novo perfil da profissão, com mais 
atribuições”, novamente tratou a imagem da profissão de maneira evolutiva fazendo 
referências ao passado: 
“Atendente de telefones? Não, uma profissional multitarefa, 
freqüentementebilíngüe. Esse é o perfil da secretária do século XXI, que 
terá o seu dia, o Dia da Secretária, comemorado em 30 de setembro. Mas o 
que celebrar nessa data? Segundo especialistas e profissionais do setor, a 
profissional que era vista como a pessoa encarregada dos telefonemas e 
recados hoje tem um perfil diferenciado e tem possibilidades de crescimento 
profissional se investir em sua formação.” 
O Estado de São Paulo, em 27.02.11, mais uma vez informou sobre “O novo perfil 
da secretária”, fazendo referência ao passado da profissão: 
“Hoje a secretária é uma profissional completa, deve conhecer diversas 
áreas da empresa, além de todos os processos que envolvem o trabalho de 
seu chefe. [...] Por muito tempo, o ofício de secretária foi estritamente 
operacional. Hoje exige conhecimento de gestão, liderança e assessoria.” 
Enfatizado a valorização da remuneração de secretariado, na matéria “Super 
qualificadas,secretárias executivas ganham salário de até R$ 10 mil”, da revista 
eletrônica Exame.com, do dia 30.09.11, afirma-se que existem estereótipos acerca 
da profissão não condizentes com as atuais atribuições da profissão: 
“Esqueça todos os estereótipos possíveis para a figura da assistente 
executiva. O aquecimento do mercado brasileiro exige profissionais com 
qualificação de tirar o fôlego de qualquer headhunter. E as oportunidades 
não param de pipocar por aí. Só na consultoria Page Personnel, durante os 
seis primeiros meses deste ano, foram contratadas o dobro de secretárias 
 
 
executivas com relação ao mesmo período do ano passado. Multinacionais 
e startups dominam a lista de pedidos.”
10
 
A matéria “A lenda do dia da secretária”, de 12.10.11, da revista Carta Capital, trata 
como mito o aumento da circulação de clientes em motéis, devido ao dia da 
secretária, e ainda adverte que a exploração da imagem do profissional de 
secretariado, em anúncios e propagandas, se deve a exploração comercial. 
Na mesma matéria, a vice presidente do SINSESP, Maria do Carmo Assis Todoro, 
afirma que os estereótipos são consequências de uma época em que “o critério de 
contratação de secretárias era a beleza”. Ao mesmo passado é cogitadoo 
predomínio feminino na carreira. 
Em 30.09.12, na matéria “Profissão de secretária exige dinamismo”, caracteriza do 
jornal Folha Metropolitana de Guarulhos, informa que “atender ligações, gerenciar 
agendas, organizar reuniões e interpretar contatos” são tarefas das secretárias e 
que os salários podem chegar à R$12.000,00, dependendo da formação. 
Na matéria “Elas mandam bem”, do dia 06.06.12, da Revista Valor econômico, 
aborda a valorização e o reconhecimento da profissão: 
“Se uma secretária executiva fizer bem o seu trabalho, será lembrada pelo 
comprometimento e a discrição. Mas já foi o tempo em que elas passavam 
despercebidas pelos headhunters. O aquecimento da economia e a 
chegada de empresas estrangeiras ao Brasil impulsionaram a procura por 
profissionais de apoio à gestão e, agora, exige-se qualificação de nível 
executivo para cargos que até então ficavam nos bastidores.”11 
Nas informações divulgações nos últimos três anos, percebe-se que a profissão de 
secretariado continua atrelada ao gênero feminino, não havendo indicações de que 
o número de profissionaisdo sexo masculino aumente nessa área, uma vez que, 
desde 1997 a participação deles continua em 10%. Também se observa que a 
busca pelo perfil correto/ideal ainda não acabou. 
 
 
 
 
10
 http://exame.abril.com.br/carreira/noticias/super-qualificadas-secretarias-executivas-ganham- 
salario-de-ate-r-10-mil. Acesso em 20.11.12, às 21h. 
11
http://www.valor.com.br/carreira/2694372/elas-mandam-bem#ixzz2AN1xv6mk. Acesso em 20.09.12, 
às 18h45. 
http://exame.abril.com.br/carreira/noticias/super-qualificadas-secretarias-executivas-ganham-
http://www.valor.com.br/carreira/2694372/elas-mandam-bem#ixzz2AN1xv6mk
 
 
Conclusão 
 
A imagem do secretariado está intimamente associada à imagem da mulher, devido 
ao processo histórico onde se desenvolveu a sociedade contemporânea. Sofreu 
prejuízos, por se tratar de uma sociedade patriarcal e benefícios que foram 
conquistados graças evolução da mulher e suas características femininas. 
Porém, diante das informações veiculadas pela mídia, nos últimos vinte anos, 
analisadas neste artigo, observa-se que, a todo o momento, existem referências 
acerca da mudança de perfil do profissional de secretariado. Diante do exposto, 
entende-se que existe uma falta de identidade para categoria profissional. 
As mudanças tecnológicas e o processo de globalização não deveriam interferir no 
que é a identidade da profissão de secretário (a). Por exemplo, na medicina a 
identidade dos profissionais jamais fora questionada, pois o surgimento de novas 
tecnologias apenas auxilia no trabalho desenvolvido pelos médicos (a), porém não 
substituem a genialidade humana. Sendo assim em qualquer outra profissão, por 
que há um questionamento constante de que com o surgimento de alguma nova 
tecnologia a profissão de secretariado estaria ameaçada? Qual o temor que se 
existe em relação à imagem da profissão? 
No século XXI, as empresas estão mudando suas configurações de negócios, 
visando a otimização da mão de obra, criando situações onde se possam aproveitar 
mais e melhor seus recursos humanos. Em meio a esse processo, o profissional de 
secretariado pode se transformar em um officer manager ou assessor, com a 
finalidade de aumentar suas responsabilidades e não somente funções rotineiras e 
operacionais. Portanto, deve-se encarar a profissão mediante os desafios que 
possam surgir, incorporando as novas tecnologias à profissão, identificando o seu 
valor e a sua serventia em um mercado de trabalho cada vez mais globalizado. 
Não havendo uma identidade da categoria, os meios de comunicação acabam 
explorando a imagem, sempre fazendo referências às origens da profissão, e 
atrelando a imagem do profissional de secretariadocom personagens caricaturais 
que acabam na criação de estereótipos no imaginário social. Para serem vencidos, 
precisa-se de uma consonância entre discurso e atitude.