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SUPERIOR TECNOLOGIA EM SECRETARIADO 2° SEM / 2024 UNIDADE: GIRAU DO PONCIANO/AL - I(11088955)U RA: 3676801703 ELTAMIRIAM JOICE OLIVEIRA SNATOS DE FARIAS A IMAGEM DO PROFISSIONAL DE SECRETARIADO Girau do Ponciano – Alagoas, 15 de agosto de 2024. Introdução O artigo tratará sobre a imagem dos profissionais de secretariado executivo, observando os estereótipos acerca desses profissionais. Destinado a estudantes e profissionais de secretariado, tem como objetivo contribuir para o amadurecimento da profissão e fortalecimento da imagem dos profissionais. A ideia que originou o tema do artigo surgiu das reações observadas nas pessoas quando a autora é questionada sobre sua escolha profissional; tanto há encantamento quanto desencantamento sobre a profissão. Notou-se que a sociedade esboça preconceito em relação ao profissional de secretariado,pois as referências que povoam o imaginário da sociedade acerca deste último, ainda são a de tais profissionais que servem café, tenham relacionamento amoroso com seus superiores etc. No artigo se observará como a mídia cria estereótipos que passam a compor o imaginário social e que possivelmente denigrem a imagem do profissional de secretariado, avaliando de maneira a questionar sua coerência com relação às competências e habilidades que são exigidas pelo mercado. Pode-se dizer que hoje em dia a imagem do profissional de secretariado ainda estábastante atrelada à imagem da mulher, visto que a própria representação de classe,SINSESP (Sindicato das Secretárias do Estado de São Paulo), estima que apenas 10% dos profissionais da área sejam homens2. O que muito contribuiu com a predominância de mulheres atuantes no secretariado foi a necessidade da mão de obra feminina surgida durante a Segunda Guerra Mundial quando suas atividades na indústria ainda estavam limitadas às funções rotineiras e grosseiras. Com o processo de reengenharia das teorias administrativas, ocorrido nas organizações nos anos 90, as funções secretariais foram valorizadas, tornando esse profissional parte integrante da dinâmica da equipe gerencial. 2http://www.valor.com.br/carreira/2694372/elas-mandam-bem#ixzz256ese0Ji. Acesso em 15.09.12, às 20h. http://www.valor.com.br/carreira/2694372/elas-mandam-bem#ixzz256ese0Ji Para o desenvolvimento deste artigo, foram feitas pesquisasbibliográficas em livros e artigos relacionados ao tema, em publicações sobre psicologia e sociologia. O primeiro passo, portanto, é entender o que é “estereótipo”. É possível entender estereótipo como conjunto de características presumidamente partilhadas por membros de uma categoria social. Segundo Martinez (2010)3: “Pode-se definir estereótipo como sendo generalizações, ou pressupostos, que as pessoas fazem sobre as características ou comportamentos de grupos sociais específicos ou tipos de indivíduos. O estereótipo é geralmente imposto, segundo as características externas, tais como a aparência (cabelos, olhos, pele), roupas, condição financeira, comportamentos, cultura, sexualidade, sendo estas classificações (rotulagens) nem sempre positivas que podem muitas vezes causar certos impactos negativos nas pessoas”. (grifo do autor) Para Jodelet (2001, p. 59) o objeto de estudo dos estereótipos são as representações que fundam os preconceitos, “nos processos de comunicação e nos contextos sócio histórico em função dos quais seus conteúdos se elaboram, muito mais do que na sua forma”. Entende-se que são resultantes de processos de simplificação próprios do senso comum, onde é mais fácil aceitar uma imagem já existente, por exemplo, a exposta pela mídia, do que buscar entender e conhecer suas particularidades e do que realmente se trata. Ainda conforme Jodelet apud Lipmann (2001, p. 59) os estereótipos são “representações do meio social que permitem simplificar sua complexidade”. Ou seja, é importante entender que essas representações para o senso comum podem existir devido a algum interesse seja ele por parte do governo, de uma sociedade, do comércio, entre outros, porém não se pode afirmar que são reais/irreais e que não tenham variações. Elas existem e influenciam no comportamento da sociedade. Segundo Saffioti (1987, p. 28) “o pré-conceito nasce do jogo de interesses presente na vida social, da defesa de privilégios, da correlação de forças político-sociais”. Vale pensar no contexto histórico em que se desenvolveu o mundo contemporâneo (as relações de gênero, a grades guerras mundiais, o feminismo, avanços tecnológicos, entre outro), e o motivo pelo qual o poder e superioridade de um, pode estar relacionado com a inferioridade e subordinação do outro. 3 http://www.infoescola.com/sociologia/estereotipo/. Acesso em: 18.03.12,às 0h20. http://www.infoescola.com/sociologia/estereotipo/ Para Baccega (1998, p.7-8): “Não se pode fazer uma distinção precisa entre conceito e estereótipo,não ser apontando para o fato de que a descrição da realidade, que se obtém através de um processo cognitivo com uma tendência majoritária (não unicamente) objetivo-descritiva, resulta do/no conceito, ao passo que no estereótipo encontraremos a predominância dos aspectos valorativos, dos juízos de valor, com suas bases emocionais.” As imagens estereotipadas de grupos sociais, na maioria das vezes, segregam/ excluem por haver interesse majoritário. Entende-se que não é um processo que exige grande complexidade para existir, visto que se pode haver uma necessidade por parte do ser humano de representar o desconhecido para torná-lo compreendido, onde se administrará as informações/percepções de acordo com seus princípios/valores. SegundoBaccega apud Lipmann (1998, p. 8): (...) quando nos aproximamos da realidade, não vemos primeiro para depois definir, mas primeiro definimos e depois vemos. Aí está o estereótipo: são os tipos aceitos, os padrões correntes, as versões padronizadas. Eles interferem na nossa percepção da realidade, levando-nos a ver de um modo pré-construído pela cultura e transmitido pela linguagem”. Para Baccega apud Lipmann (1998, p. 8) há economia no estereótipo, o que pode agilizar a percepção. Por esse motivo deve-se observar como a mídia (por meio de filmes, novelas, propagandas, músicas, entre outros) vincula a imagem da secretária, e pensar em seus interesses em gerar tais representações para a sociedade. De acordo com Gullar (2006, p. 10), “toda pessoa necessita que as demais pessoas a reconheçam tal como ela acredita que é, tal como se inventa para si mesma”. É possível estender esse conceito também ao secretariado, uma vez que haja interesse de seus profissionais em serem percebidos como realmente são – ou acreditam ser. DESENVOLVIMENTO PERFIL PROFISSIONAL DE SECRETARIADO De acordo com sites5 e livros que abordam o histórico da área de secretariado, devido a essa escassez da mão de obra masculina, a mulher começa a atuar também como secretária, de forma expressiva, na Europa e nos Estados Unidos, após as duas guerras mundiais. No Brasil, a mulher inicia a trabalhar como secretária a partir dos anos 50, com a chegada das multinacionais, cuja cultura organizacional já estava habituada com a presença da mulher. Nos anos 60, iniciaram-se os treinamentos gerenciais, porém as atividades do secretariado ainda estavam bastante voltadas às tarefas operacionais. Ainda na década de 60, surgiu o Clube das Secretárias, movimento da categoria por melhores condições de trabalho. Segundo o Portal do Secretariado Executivo6, somente nos anos 70 o profissional passa a ser visto como um membro ativo da gerência e as associações de classe começam a atuar em todo o Brasil, buscando mudar a imagem e agregar uma nova visão à imagem da profissão. Para exercerem atividades gerencias, as secretáriaspassam a buscar desenvolvimento profissional, por meio dos estudos, até mesmo para acompanharem as mudanças que ocorreram nos escritórios devido aos avanços tecnológicos - que constantemente impactam no comportamento da sociedade. 5http://www.fenassec.com.br/b_osecretariado_historico.html 6http://www.portaldosecretariado.com.br/?page=HistoriaSecretarios http://www.fenassec.com.br/b_osecretariado_historico.html http://www.portaldosecretariado.com.br/?page=HistoriaSecretarios ESTEREÓTIPO RELACIONADOS AO PROFISSIONAL Segundo Santaella&Nöth(2008, p.15)o mundo das imagens se divide em dois domínios: “O primeiro é o domínio das imagens como representações visuais: desenhos, pinturas, gravuras, fotografias e as imagens cinematográficas, televisivas, holo e informáticas pertencem a esse domínio. Imagens, nesse sentido, são objetos materiais, signos que representam o nosso meio ambiente visual. O segundo é o domínio imaterial das imagens na nossa mente.Nesse domínio, imagens aparecem como visões, fantasias, imaginações, esquemas, modelos ou, em geral, como representações mentais. Ambos os domínios da imagem não existem separados, pois estão inextricavelmente ligados já na sua gênese. Não há imagens como representações visuais que não tenham surgido de imagens mentais que não tenham alguma origem no mundo dos objetos visuais.” Uma das ideias iniciais para a formação da imagem da profissional de secretariado é a observada por Freitas apud Bertoco& Loyola (1979): “Bertoco e Loyola (1979) explicam que algumas mulheres passaram a utilizar o escritório como local para a busca de homens elegíveis para maridos, ricos e com carreira executiva promissora. Para tanto, valiam-se da profissão de secretária como meio e não como um fim em si mesma. Essa ponderação infere em considerar que certos filmes hollywoodianos traziam exemplos de secretárias nem sempre confiáveis e éticos. Alguns deles, inclusive, deram margens às comédias e romances com a secretária. São alguns exemplos, imagens, filmes, músicas, histórias em quadrinhos e outros recursos que possibilitaram diversas interpretações e que terminam por conduzir às relações sentimentais e/ou sexuais entre secretária e chefia direta.” (p. 05). Em sentido amplo, a mídia pode construir imagens acerca da profissional de secretariado, de maneira negativa, quando representada por personagem caricatural7. Como exemplo a novela “Passione”, transmitida pela Rede Globo de televisão, em que a secretária do personagem Fred (interpretado por Reynaldo Gianecchini) favorece as atitudes do mau caráter, cedendo à ele documentos confidencias. Bianchi & Alvarenga (2003, p.9) esclarecem que os profissionais devem ter uma formação que envolva saberes, nos quais se incluam: “aspectos éticos, conhecimentos técnicos e científicos, sociais, políticos e administrativos”. Quanto às atribuições da secretária seguem: 7personagens cujos traços de personalidade ou padrões de comportamento são propositalmente acentuados (às vezes beirando o ridículo) em função do cômico ou da sátira. São personagens muito comuns, principalmente, em novelas de televisão. a) funções de atendimento: como recepção a clientes e informações gerais; b) organização: agendar compromissos, classificar e arquivar documentos, controlar estoque de material; c) redação: correspondência, relatórios, atas, anotações básicas de conferências e palestras; d) outras do cotidiano como: elaboração de cartas, circulares, tabelas e gráficos. Um fato a se pensar acerca da profissão de secretariado são as expectativas que os profissionais possuem, pois sua postura em relação à carreira acarreta consequências à imagem da profissão. Propõe-se então questionar se a profissão de secretariado é subestimada pelas próprias profissionais que a exercem, pois segundo Castro & Yamamoto(1998, p. 151), no momento da escolha da carreira: “haveria uma diferença nas expectativas dos candidatos com relação às suas próprias possibilidades, sendo as do sexo feminino mais baixas, o que levaria à configuração de carreiras femininas”. Abaixo uma análise comparativa de informações veiculadas pela mídia e divulgadas nos últimos vinte anos. Na década de 90, na matéria “Secretárias do futuro serão autônomas”, do jornal Shopping News do dia 27.09.92, fez-se uma previsão de mudanças na rotina de trabalho das secretárias, decorrente de avanços tecnológicos e da abertura do mercado brasileiro: “De uma simples datilógrafa a profissional de microcomputador, de taquígrafa a redatora e de transmissora de recados a detentora de informações: o perfil da secretária está em acelerado processo de mudança. ‘A tendência é que a secretária transforme-se em assessora executiva, ou executiva, com autonomia para tomar decisões e coordenar funcionários e prestadores de serviço’, afirma Joel Cândido de Carvalho, gerente do centro de Tecnologia em Administração do Senac, responsável pela formação e aperfeiçoamento na área secretarial. [...] O domínio de uma língua estrangeira, que até então era um diferencial [...] passará a ser obrigatório assim como o conhecimento da informática. [...] ela deverá ter uma visão global da empresa.” Na matéria “Trabalho de Secretária exige equilíbrio e ética”, do jornal Diário Popular, do dia 30.08.93, também são abordadas as mudanças de perfil da profissão decorridas do novo cenário nacional: “Os rumos da profissão diante das mudanças nos cenários mundial e nacional serão debatidos no 3º Seminário Internacional da Categoria Secretarial. [...] Em termos técnicos, domínio do trabalho com o microcomputador e de uma língua estrangeira. Em relação ao comportamento é preciso também muito equilíbrio emocional para administrar conflitos e uma boa dose de ética profissional, que não significa conveniência com atos desonestos.” Ainda nessa matéria, quando a entrevistadaLeida Maria de Moraes (até então Presidente do Sindicato das Secretárias de São Paulo) é questionada sobre a antiga imagem que a população tinha da secretária. Ela informa que “A imagem estava ligada a uma moça jovem e bonita, que atendia telefone, marcava compromissos e talvez, até saísse com o executivo”. Em 30.09.93, o jornal O Estado de São Paulo, veiculou a matéria “A modernidade deve incluir a secretária”, onde novamente se falou sobre mudança no perfil profissional: “O mercado conta com empresas que se preocupam com as condições de trabalho dessas profissionais e dão um tratamento diferenciado. (...) qualidade, mudança do perfil da secretária, postura profissional, auto realização. (...) com a valorização da profissão secretária.” Quase um ano depois, no dia 11.08.94, o jornal O Estado de São Paulo, divulga a matéria “A dualidade gerente/secretária”, onde se destaca a frase “A chefia sabe que a ameaça a seu cargo pode estar na moça da sala ao lado”, apresentando as profissionais de secretariado como concorrentes aos cargos de gerência. Em agosto de 1994, o Jornal Sindical divulgou a matéria “As secretárias estão chegando”, que nega ainformação de que elas seriam atendentes e relata sobre o que seria exigido da profissão a partir de então, como pode ser observado na frase “Hoje, secretária não é atendente de telefone, como muitos pensam. Exige-se muito dela, cursos de língua, de computação.” Na matéria “Secretárias ganham valorização e respeito”, do jornal Metro News, de 11.07.94, observa-se o estereótipo de “amante do chefe” foi tratado como uma ideia que pertenceu o imaginário social e que, daquele momento em diante, a profissão seria respeitada: “Além de adquirir direitos legais, as secretárias estão ganhando o respeito da sociedade. Há alguns anos, existiam muitos preconceitos. Gostavam de contar aventuras “picantes” sobre os relacionamentos com o chefe. Hoje essa história está se transformando em ‘folclore’”. Em setembro de 1996, namatéria “Secretária holística... Rumo ao ano 2000”, onde já se fez menção de como deveriam ser as profissionais de secretariado, a revista Foco aborda a imagem da secretária de maneira afável e idealizada: “Meio mãe, amiga e conselheira de seu dia-a-dia, não poderá negar um sorriso afável, um ‘cafezinho’ ou parar tudo só para rir de uma piada ‘sem graça’ do chefe. Pode parecer jacoso, mas é mais pura realidade. À secretária cabem rótulos de responsabilidades interessantes, dos quais dificilmente se livrará: é ‘o cartão de visita da empresa’, ‘ é meu braço direito’, é o ‘terceiro hemisfério’ do cérebro do seu chefe, é a ‘fada guardiã’, enfim é aquele ser (Humano???), que não tem mau humor, nem problemas particulares, nunca compromissos na hora da saída, cansaço e sobretudo desenvolver a habilidade de ‘ler pensamentos’... Quando tudo dá certo o mérito é do chefe; quando algo ‘furar’ a culpa é da secretária, ou melhor, dessa ‘doublê’ para cenas perigosas”. Na matéria “Secretária do Futuro”, da revista Carta Capital, do mês de julho de 1997, ficou destacado que a profissão não acabaria, mas que passaria por uma transformação e as secretárias se tornariam assessoras dos executivos. Assim como em outros trechos de matérias, vistos até aqui, foram feitas comparações entre a imagem da secretária até a década de 80, e as mudanças de perfil da profissão que ocorreram devido à abertura do mercado nacional: “A profissão era tida como segunda classe até o final da década de 80; com a globalização, tornou-se uma das mais promissoras. [...] Entre elas a evolução das funções da secretária – cujo estereótipo sempre foi aquela assustada mocinha, sem muito estudo, agarrada a um bloquinho de estenografia, tentando desesperadamente acompanhar o ditado do patão. [...] A secretária tradicional é coisa do passado; na virada do século, ela estará mais culta e à altura do executivo que representa. [...] A competitividade imposta pela abertura de mercado transformou a assistente em instrumento da modernização administrativa. [...] As funções da secretária se acumulam: ela tende a evoluir de telefonista bem instalada a gerente de produção da companhia.” Na matéria “A profissão cresce em quantidade e qualidade”, do jornal Folha Metropolitana, dos dias 28 e 29 de setembrode 1997, novamente são feitas referências superficiais à imagem da profissão de secretariado e de suas atribuições, como se as ideias fossem referências a tempos remotos. Também traz informações de uma nova postura profissional, com novas funções, novos conhecimentos, e sobre o aumento no número de profissionais do sexo masculino: “[...] há algum tempo deixou de ser a moça bem arrumada que simplesmente atendia o telefone, anotava os recados e sabia datilografar. Embora a aparência impecável continue sendo uma das características da profissional, nos dias de hoje a secretária assume uma postura ativa, tomando decisões e desempenhando funções de gerenciamento, e sendo considerada um elo de ligação entre a empresa e o mundo externo. [...] precisa ter conhecimentos gerais, saber no mínimo dois idiomas além do português e ter uma visão global da empresa – que inclui os clientes internos e externos e os concorrentes. [...] Os homens vem sendo atraídos pela profissão nos últimos 5 anos, quando passaram de 1% de integrantes para 10%”. [sic] O aumento de 10% no número de profissionais de secretariado constatado em 1997 se manteve até o ano de 2012, conforme o SINSESP (Sindicato das Secretárias do Estado de São Paulo), cabendo-se questionar qual motivo da estabilidade nos números. Pode-se observar nas próximas matérias analisadas que o secretariado sempre é abordado sob a perspectiva de que os profissionais que o exercem são exclusivamente do sexo feminino. Na matéria “Não senhor, Chefinho!” da Revista Folha, de 28.09.97, onde há a informação que “Driblar situações difíceis com classe é uma das tarefas da secretária”, foram entrevistadas oito secretárias. Quando se afirma e questiona “As secretárias têm o estigma de destruidoras de lares. Qual o truque para mostrar ao chefe que o interesse de vocês é profissional?”, novamente, se observa o estereótipo de “amante do chefe” vinculado à imagem da secretária. Também tratando de mudanças no perfil profissional do secretariado, devido às mudanças tecnológicas da época, a matéria “Alto executivo ainda tem secretária exclusiva”, do Jornal da Tarde, de 30.09.97, destaca: “Segundo Case, o avanço tecnológico criou condições de o próprio executivo efetuar tarefas mais operacionais e deixou para as secretárias funções mais intelectuais. Com isso, elas passaram a auxiliar na busca de soluções junto com os seus superiores, exercendo um papel mais de assistente do que de secretária.” O mesmo se observa na matéria “Secretárias mudam com tecnologia”, do jornal O Estado de São Paulo, de 29.07.97: “Além de flores e bombons, as secretárias esperam também um micro novo no seu dia, amanhã. Elas aposentaram a máquina de escrever e o papel carbono. Usam hoje micros modernos e softwares que organizam muito melhor o dia-a-dia do escritório. Para manterem-se atualizadas, as secretárias precisam cada vez mais dominar as novas tecnologias.” Em 30.09.98, na matéria “Secretárias viram 'chefes’ dos ocupados”, do jornal O Estado de São Paulo, destaca-se, novamente de forma idealizadora, que “Fazendo cada vez mais tarefas fora do convencional, funcionárias também são anjos da guarda e, às vezes, até dão pequenos ‘puxões de orelha’ nos seus ‘comandados’.” Cabe-se questionar quais seriam as tarefas fora do convencional exercidas pelas secretárias, e quais seriam suas implicações à imagem da profissão. Na matéria “Os dilemas da profissão”, da revista Foco, de janeiro de 2008, mesmo parecendo uma matéria positiva a respeito da profissão, que enfatiza uma evolução de perfil, observam-se ideias negativas a respeito da imagem das secretárias, afirma-se que “De bibelô de escritório, ela passou a recusar cantadas, enfrentar conflitos políticos e brigar para transformar a imagem da profissão”. Comparando seis matérias divulgadas pela mídia no ano de 1999, observou-se que todas tratam da mudança de perfil da profissão e fazem menção ao seu futuro. Na matéria “Você não vai mais ter secretária”, da revista Exame, a profissional é tida como “babá – do negócio”, “tradutora”, “autônoma” e que “pensa com executivo” a chamada da matéria diz: “Veja o que fazer para transformar sua secretária numa profissional do futuro”. Seguindo o mesmo raciocínio, na matéria, “Secretária do Futuro”, do jornal Diário Popular, de 26.09.99, observou-se: Elas mudaram de perfil e estão longe de ser lembradas como aquelas que pagam as contas, servem cafezinho, marcam reuniões ou resolvem problemas pessoais de seus chefes. Cada vez mais solicitadas no mercado de trabalho, as secretárias têm conquistado poder de decisão e principalmente cargo de assessoras executivas.” Não muito diferente, e com o nome da matéria bastante semelhante, “Secretária de futuro”, da revista Você S.A., de setembro de 1999, abordanovamente as mudanças: “Comece a esquecer aquela secretária que apenas anota recados, organiza a agenda do chefe e escolhe quem pode entrar ou não na sala. Ela está trombando de frente com a tecnologia, tem cada vez menos a ver as exigências do mercado de trabalho e está se tornando, progressivamente, uma figura do passado. Em seu lugar, surge uma profissional mais parecida com uma assessora, que tem inclusive autonomia para tomar decisões”. Na matéria “Secretária muda perfil e ganha mais destaque”, do jornal Folha de São Paulo: “O perfil dessa profissão vem mudando. Hoje, ela precisa estar preparada para atuar ‘como uma parceira’ da chefia e não apenas como executora de ordens (...). Portanto, para se dar bem nessa carreira, é preciso mais que dedicação e uma boa aparência. (...) ‘a secretáriado ano 2000’ precisa estar atenta às necessidades da chefia e antecipar soluções e resultados. A matéria “Secretária vira alvo de headhunters”, em 24.08.99, o jornal Gazeta Mercantil,faz uma abordagem diferente, porém também trata da mudança de perfil da profissão e destaca: “Novo perfil das profissionais tornou sua seleção tão especializada quanto à de seus chefes.” Em 30.09.99 o mesmo jornal, na matéria “Mercado exige profissional polivalente e atualizada”, relata novamente sobre as mudanças e destaca: “Profissional tem que falar pelo menos dois idiomas, entender de comunicações e liderança, além de ter noções de marketing e finanças”. Como pode se constatar, a década de 90 foi marcada pela busca de perfil, sempre agregando à profissão novas atribuições decorrentes da abertura do mercado brasileiro e das mudanças tecnológicas. Na década de 00, a “Secretária conquista novo perfil”, do jornal Diário Popular, de 02.05.00, afirma que os avanços tecnológicos continuaram gerando mudança no perfil da secretária e que a profissão estava em terceiro lugar no ranking das dez profissões que mais cresciam no mundo: “O avanço tecnológico e a globalização vem gerando mudanças no perfil das secretárias. A profissional de hoje precisa ter, além de organização, noções de marketing, recursos humanos e qualidade. Essas adaptações vêm abrindo espaço no mercado. (...) Pesquisa realizada nos Estados Unidos mostra que as secretárias estão em terceiro lugar no ranking das dez profissões que mais crescem no mundo.” Na edição de fevereiro de 2000,da revista Você S.A., na “Fiel escudeira”, trata a evolução do perfil da secretária e questiona a idealização feita sobre a imagem da profissão quando divulga que: “Uma secretária pode deixar escapar segredos ou pedir demissão amanhã. Por isso não a faça de cúmplice nem exija dela tarefas despropositadas. [...] “A secretária ideal pressupõe eficiência, desenvoltura para resolver problemas, lealdade canina ao chefe e, naturalmente, discrição acima de tudo, certo? Não, esse modelo estereotipado já era. Hoje está cada vez mais difícil encontrar alguém que se enquadre nesse perfil. [...] as secretárias já não acompanham seus chefes por anos a fio. Se eles mudam de emprego, elas podem ir junto ou ficar na empresa e conseguir nova posição. Muitas também acabam se aperfeiçoando e partem em busca de outra carreira.” “O chefe não se encontra”,matéria veiculada em 27.09.00, pela Revista Veja,aborda sobre um personagem caricatural: “Ela é secretária de uma empresa picareta, abusa dos gerúndios e um de seus grandes prazeres é dizer que o chefe está em reunião.Cria do humorista Marco Bianchi, Suelyn é a estrela do programa Pelotão da Má-Vontade, na 89 FM.” Na matéria “Casa Cheia”, do dia 06.10.00, veiculada no Jornal Folha do Povo, informa que: “A estatística é de um tradicional empresário do ramo. O Dia da(o) Secretária(o), comemorado no último sábado, foi responsável pela segunda melhor invasão de clientes aos motéis de Campo Grande. Só perdeu para o Dia dos Namorados. Coisa de doido." Ainda no ano 2000, foi divulgada uma propaganda da empresa Chlorophyla, na edição de setembro da revista Play Boy, que dizia: “Compre um perfume para sua secretária e outro para sua mulher. Assim ela não vai perguntar que perfume é esse.” Novamente, é possível perceber o estímulo da mídia na criação do estereótipo de que a secretária é “amante do chefe”. Referente às informações veiculadas pela mídia em 2001, observou-se duas matérias. Na primeira, “Em vez”, do jornal Diário do Nordeste, equipara a profissão de secretário (a) a de empregado (a) doméstico (a), quando diz: "Ao longo dos anos de casado, já tivemos um sem número de empregadas domésticas, as secretárias do lar". Na segunda matéria, os profissionais de secretariado brasileiros ganham destaque como “as melhores do mundo”: “As secretárias mais bem treinadas do mundo são as brasileiras, diz um artigo do jornal inglês ‘The Guardian’. A legislação brasileira exige que as secretárias sejam registradas em uma agência governamental, e, desde 1985, o título de ‘secretária’ só pode ser obtido após um curso universitário de quatro anos de duração" 8 . No ano de 2002, a possibilidade da publicação de um ensaio fotográfico com Karie Lemes (ex-secretária envolvida em escândalos políticos por denunciar esquemas de corrupção) intitulado "Uma Secretária muito ousada", gerou ameaça de processo por danos morais da FENASSEC à Revista Sexy. Pode-se destacar também a propaganda de cerveja da Kaiser Bock, que segundo informações registradas no site da FENASSEC, em 17.06.02, a cervejaria lançou uma campanha onde o empregado dá ao chefe uma cerveja da marca. Este fica feliz e diz que aquela cerveja é a melhor que existe. Um dos benefícios concedidos pelo chefe ao funcionário, devido à cerveja que lhe foi dada, é a contratação de uma secretária – em uma agência de modelos. A matéria “Profissionais locais adoram a profissão”, do jornal Diário da Região, do ano de 2003 informa que o perfil da profissão mudou e destaca que “Quando o chefe não está, elas assumem o papel de manda chuva”. O hotel Elegance, na edição do dia 25.09.03, do jornal O Globo, publicou o outdoor “Nossas camas são bem mais confortáveis que a mesa do escritório” em virtude das vésperas do dia da secretária (30.09). O Sindicato das Secretárias do Rio de Janeiro entrou com ação judicial contra o hotel e ganhou. Com base na decisão judicial, o hotel formalizou, perante a classe das secretárias, um pedido de desculpas. No dia 01.10.03, a Rádio Jornal (PE), uma realizou uma pesquisa questionando: “As secretárias ainda têm caso com os seus chefes?”; pode-se considerar este questionamento, como um claro exemplo de informação que desperta no imaginário 8http://www.sinsesp.com.br/artigos/imprensa/161-as-melhores-secretarias-do-mundo-sao-as- brasileiras-the-guardian-2001. Acesso em 20.11.12. http://www.sinsesp.com.br/artigos/imprensa/161-as-melhores-secretarias-do-mundo-sao-as-brasileiras-the-guardian-2001.%20Acesso%20em%2020.11.12 http://www.sinsesp.com.br/artigos/imprensa/161-as-melhores-secretarias-do-mundo-sao-as-brasileiras-the-guardian-2001.%20Acesso%20em%2020.11.12 social imagens que não condizem com as atribuições dos profissionais de secretariado. Também abordando a imagem da profissão de maneira negativa, ainda no ano de 2003, o programa “Os Normais”, da Rede Globo de televisão, exibiu o episódio, “Desconfiar é Normal”, que associou a imagem da profissão de secretariado a uma mulher que ocupou o cargo de secretária, devido ter um corpo escultural eainda sair com o chefe. Em 26.09.04, o jornal Estado de São Paulo, divulga a matéria “De lap top e celular, secretária adquire perfil executivo”, onde se destacou a informação de que as secretárias, a partir dos anos 90, atendiam mais as corporações do que aos executivos. A matéria reforça também as mudanças e o que se manteve no perfil: “A carreira de secretária sofreu um grande abalo no início dos anos 90. O advento da tecnologia, a política de qualidade e de resultado nas empresas, a competitividade e a globalização foram fatores que, segundo a presidente da Toucher Desenvolvimento Humano, Bete D'Elia, obrigaram as secretárias a mudar sua forma de atuar. ‘Manteve-se o perfil de uma pessoa que executava bem tarefas e era bem organizada, mas passou-se a exigir uma profissional cada vez mais inteirada com os assuntos do chefe ou da empresa, com maior autonomia e poder de decisão’”. Em 04.10.05, se falou sobre o aumento na circulação de cliente em motéis, devido ao dia das secretárias. A matéria foi veiculada pelo jornal O Globo e intitulada “O dia delas”. Observam-se na matéria informações sugestivas em decorrência do dia da secretária: “Alguns casais chegaram na hora do almoço e saíram uma hora depois”. Na matéria“Piadinhas não, por favor: ‘Às vezes, parecemos mágicas’”, também do ano de 2005, veiculada pelo jornal Diário do Grande ABC, destaca: “Embora os mais desinformados custem a acreditar, secretária, cuja data é comemorada na próxima sexta-feira, 30, não é enfeite de antessala dos executivos. Cada vez mais qualificadas e incentivadas a abandonar as funções meramente operacionais, as profissionais, que somam hoje 2 milhões no Brasil, ganham espaço privilegiado nas grandes empresas, graças ao papel importante que desempenham, que vai além de mediar o relacionamento do chefe com os demais departamentos e com o público externo. [...]Por conta da proximidade com que trabalha com o executivo, a secretária por vezes é obrigada a aguentar insinuações e piadinhas de colegas, além do preconceito típico da sociedade. Porém, desrespeito não deve ser simplesmente ignorado. ‘Antigamente, dentro do critério de avaliação na contratação, pesava a boa aparência. Hoje, a competência é que fala alto’”. http://www.sinsesp.com.br/artigos/artigo09.htm#1 Na matéria “Vinte anos de regulamentação do secretariado”, do Jornal de Brasília, do dia 26.09.05, aborda-se o perfil e a imagem da profissão: “Quando alguém diz "secretária", em geral nos vem à mente a imagem de uma mulher discreta e elegante em um tailleur, uma expressão neutra e eficiente no rosto, anotando alguma coisa e falando ao telefone. A figura descrita acima ainda pode ser encontrada em alguns escritórios, mas não se engane: o perfil das secretárias está mudando, e elas não são mais seres sem liderança e sem opinião, cujas funções se restringem às tarefas automáticas de intermediação de ligações e do cafezinho.” Em 2006, Na matéria “Secretária do Terceiro Milênio”, da revista Vida Executiva,são feitasobservações sobre as mudanças nas funções e no perfil da secretária: “Foi-se o tempo em que uma secretária ficava na mesa da ante-sala do diretor atendendo as ligações e encaminhando os visitantes. Aos poucos, foram conquistando novas posições no mercado de trabalho e ganhando o respeito no mundo corporativo a ponto de nenhuma organização conseguir sobreviver sem elas. Para comprovar isso, é só observar o organograma de uma empresa. Essas profissionais estão lá em cima, bem perto dos diretores, ocupando um lugar de confiança.” Ainda em 2006, a FENASSEC reclamou junto àsemissoras Globo e Rede TV que, fizeram referências negativas à imagem do profissional de secretariado, nas novelas “Belíssima” e “Páginas da Vida”, e nos programas “Mais Você” e Super Pop, que não condiziam com as atribuições da profissão. Em 28.07.08, a matéria “Elas são a ‘alma’ das empresas”, do jornal “Diário de São Paulo”informa que as secretárias são a imagem da empresa: “muito mais que atender o telefone e administrar a agenda do chefe, as secretárias hoje são a própria imagem da empresa e respondem pela organização do dia-a-dia corporativo dentro e fora do país.” [sic] Novamente tratando a imagem da profissão de maneira evolutiva, na matéria “Dia da secretária”, publicada em 30.09.08, pelo site Vila Mulher9, informa sobreimagem da profissão: “O perfil do profissional de secretariado tem mudado ao longo do tempo, atendendo as exigências do mercado de trabalho. É preciso ter criatividade, iniciativa, velocidade, conhecimento tecnológico, liderança, atendimento, comunicação, atuando juntos aos níveis decisórios e estratégicos. O papel hoje é de facilitar a rotina administrativa para que a empresa coloque seu foco no produto ou serviço principal.” 9http://vilamulher.terra.com.br/dinheiro/. http://vilamulher.terra.com.br/dinheiro/ Na edição de maio de 2008, da revista Cliente S.A., um anúncio da empresa Locaweb apresentou uma personagem com o título: “A secretária que não dominava o decote nem a internet”. A matéria “Sucesso de consultórios depende de boa atuação de secretárias”, de setembro de 2009, do jornal ABN News, destacou que: “Formação técnica e comportamento humanizado são diferenciais nesse perfil profissional”. Ao longo dos anos da década de 2000, o mesmo objetivo foi perseguindo: delinear o perfil do profissional de secretariado. No entanto, observou-se que a imagem do profissional passou a ser utilizada como figura caricata por programas de TV, novelas, rádios, etc., resta saber o por quê? Na década de 2010, no mês de setembro do primeiro ano, o Jornal da tarde, na matéria “Dia da Secretária, dia 30, celebra um novo perfil da profissão, com mais atribuições”, novamente tratou a imagem da profissão de maneira evolutiva fazendo referências ao passado: “Atendente de telefones? Não, uma profissional multitarefa, freqüentementebilíngüe. Esse é o perfil da secretária do século XXI, que terá o seu dia, o Dia da Secretária, comemorado em 30 de setembro. Mas o que celebrar nessa data? Segundo especialistas e profissionais do setor, a profissional que era vista como a pessoa encarregada dos telefonemas e recados hoje tem um perfil diferenciado e tem possibilidades de crescimento profissional se investir em sua formação.” O Estado de São Paulo, em 27.02.11, mais uma vez informou sobre “O novo perfil da secretária”, fazendo referência ao passado da profissão: “Hoje a secretária é uma profissional completa, deve conhecer diversas áreas da empresa, além de todos os processos que envolvem o trabalho de seu chefe. [...] Por muito tempo, o ofício de secretária foi estritamente operacional. Hoje exige conhecimento de gestão, liderança e assessoria.” Enfatizado a valorização da remuneração de secretariado, na matéria “Super qualificadas,secretárias executivas ganham salário de até R$ 10 mil”, da revista eletrônica Exame.com, do dia 30.09.11, afirma-se que existem estereótipos acerca da profissão não condizentes com as atuais atribuições da profissão: “Esqueça todos os estereótipos possíveis para a figura da assistente executiva. O aquecimento do mercado brasileiro exige profissionais com qualificação de tirar o fôlego de qualquer headhunter. E as oportunidades não param de pipocar por aí. Só na consultoria Page Personnel, durante os seis primeiros meses deste ano, foram contratadas o dobro de secretárias executivas com relação ao mesmo período do ano passado. Multinacionais e startups dominam a lista de pedidos.” 10 A matéria “A lenda do dia da secretária”, de 12.10.11, da revista Carta Capital, trata como mito o aumento da circulação de clientes em motéis, devido ao dia da secretária, e ainda adverte que a exploração da imagem do profissional de secretariado, em anúncios e propagandas, se deve a exploração comercial. Na mesma matéria, a vice presidente do SINSESP, Maria do Carmo Assis Todoro, afirma que os estereótipos são consequências de uma época em que “o critério de contratação de secretárias era a beleza”. Ao mesmo passado é cogitadoo predomínio feminino na carreira. Em 30.09.12, na matéria “Profissão de secretária exige dinamismo”, caracteriza do jornal Folha Metropolitana de Guarulhos, informa que “atender ligações, gerenciar agendas, organizar reuniões e interpretar contatos” são tarefas das secretárias e que os salários podem chegar à R$12.000,00, dependendo da formação. Na matéria “Elas mandam bem”, do dia 06.06.12, da Revista Valor econômico, aborda a valorização e o reconhecimento da profissão: “Se uma secretária executiva fizer bem o seu trabalho, será lembrada pelo comprometimento e a discrição. Mas já foi o tempo em que elas passavam despercebidas pelos headhunters. O aquecimento da economia e a chegada de empresas estrangeiras ao Brasil impulsionaram a procura por profissionais de apoio à gestão e, agora, exige-se qualificação de nível executivo para cargos que até então ficavam nos bastidores.”11 Nas informações divulgações nos últimos três anos, percebe-se que a profissão de secretariado continua atrelada ao gênero feminino, não havendo indicações de que o número de profissionaisdo sexo masculino aumente nessa área, uma vez que, desde 1997 a participação deles continua em 10%. Também se observa que a busca pelo perfil correto/ideal ainda não acabou. 10 http://exame.abril.com.br/carreira/noticias/super-qualificadas-secretarias-executivas-ganham- salario-de-ate-r-10-mil. Acesso em 20.11.12, às 21h. 11 http://www.valor.com.br/carreira/2694372/elas-mandam-bem#ixzz2AN1xv6mk. Acesso em 20.09.12, às 18h45. http://exame.abril.com.br/carreira/noticias/super-qualificadas-secretarias-executivas-ganham- http://www.valor.com.br/carreira/2694372/elas-mandam-bem#ixzz2AN1xv6mk Conclusão A imagem do secretariado está intimamente associada à imagem da mulher, devido ao processo histórico onde se desenvolveu a sociedade contemporânea. Sofreu prejuízos, por se tratar de uma sociedade patriarcal e benefícios que foram conquistados graças evolução da mulher e suas características femininas. Porém, diante das informações veiculadas pela mídia, nos últimos vinte anos, analisadas neste artigo, observa-se que, a todo o momento, existem referências acerca da mudança de perfil do profissional de secretariado. Diante do exposto, entende-se que existe uma falta de identidade para categoria profissional. As mudanças tecnológicas e o processo de globalização não deveriam interferir no que é a identidade da profissão de secretário (a). Por exemplo, na medicina a identidade dos profissionais jamais fora questionada, pois o surgimento de novas tecnologias apenas auxilia no trabalho desenvolvido pelos médicos (a), porém não substituem a genialidade humana. Sendo assim em qualquer outra profissão, por que há um questionamento constante de que com o surgimento de alguma nova tecnologia a profissão de secretariado estaria ameaçada? Qual o temor que se existe em relação à imagem da profissão? No século XXI, as empresas estão mudando suas configurações de negócios, visando a otimização da mão de obra, criando situações onde se possam aproveitar mais e melhor seus recursos humanos. Em meio a esse processo, o profissional de secretariado pode se transformar em um officer manager ou assessor, com a finalidade de aumentar suas responsabilidades e não somente funções rotineiras e operacionais. Portanto, deve-se encarar a profissão mediante os desafios que possam surgir, incorporando as novas tecnologias à profissão, identificando o seu valor e a sua serventia em um mercado de trabalho cada vez mais globalizado. Não havendo uma identidade da categoria, os meios de comunicação acabam explorando a imagem, sempre fazendo referências às origens da profissão, e atrelando a imagem do profissional de secretariadocom personagens caricaturais que acabam na criação de estereótipos no imaginário social. Para serem vencidos, precisa-se de uma consonância entre discurso e atitude.