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Estado Nutricional em Pacientes Hospitalizados

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Cintra, et al. Estado nutricional de pacientes hospitalizados... 
Rev. Simbio-Logias. V.1, n.1, mai/2008 145 
ESTADO NUTRICIONAL DE PACIENTES HOSPITALIZADOS E SUA 
ASSOCIAÇÃO COM O GRAU DE ESTRESSE DAS ENFERMIDADES 
 
Renata Maria Galvão de Campos Cintra1 
Priscila Garla2 
Mônica Cristina Bosio3 
 Marise Tognoli3 
Alair Swas Soares3 
Mércia Santana Resende Matto4 
 Anderson Marliere Navarro1 
 
Resumo 
 
Estudos sobre incidência da desnutrição na população hospitalizada enfatizam a necessidade 
de atenção à situação nutricional e seu papel no tratamento e recuperação do paciente. Nesse 
estudo objetivou-se conhecer o perfil nutricional de pacientes de um hospital geral e verificar 
a associação com diferentes enfermidades, segundo as alterações fisiológicas. Utilizou-se 
IMC para diagnóstico nutricional. Enfermidades de baixo, moderado ou alto estresse foram 
determinadas de acordo com o comprometimento fisiológico. A desnutrição foi observada em 
18% dos pacientes, com prevalência elevada entre idosos (50%). Excesso de peso foi 
diagnosticado em cerca de 40% dos demais pacientes. Hipertensão e diabetes foram as 
enfermidades mais freqüentes, apontando para a relação entre excesso de peso e suas 
comorbidades. Em estresse fisiológico elevado, metade dos adolescentes e 36% dos idosos 
apresentaram baixo peso. Análise não paramétrica demonstrou associação entre estado 
nutricional e estresse fisiológico. Portanto, a partir dos dados obtidos, conclui-se que há 
associação entre o estado nutricional e a intensidade do estresse imposto pelas alterações 
orgânicas. Assim, o estresse fisiológico da enfermidade pode ser um fator preditivo no 
diagnóstico e tratamento nutricional. 
 
Palavras-chave: desnutrição, obesidade, estado nutricional, atenção a saúde 
 
Introdução 
 
O diagnóstico nutricional, obtido a partir de métodos objetivos ou subjetivos, é uma 
preocupação crescente da equipe multidisciplinar a fim de propor a terapêutica adequada na 
recuperação ou manutenção do estado nutricional e de saúde do indivíduo. Métodos 
subjetivos têm sido amplamente utilizados e têm apresentado boa correlação com métodos 
diretos, como a antropometria (VOLP e PARCIORNICK, 2003), sendo ambos utilizados na 
detecção de distúrbios nutricionais em pacientes hospitalizados. 
Cadwell e colaboradores, citado Waitzberg et al.(2002), definem a desnutrição como o 
estado mórbido devido a uma deficiência ou excesso, relativo ao absoluto, de um ou mais 
 
1 Professores Assistentes Doutores do Curso de Nutrição do Instituto de Biociências – Universidade Estadual 
Paulista”Júlio de Mesquita Filho” – Botucatu/SP 
2 Nutricionista especializanda em Nutrição Clínica – GANEP. 
3 Nutricionistas. 
4 Nutricionista responsável no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Marília/SP. 
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nutrientes essenciais; que se manifesta clinicamente ou é detectado por meio de testes 
bioquímicos, antropométricos topográficos ou fisiológicos 
Estudos indicam a alta prevalência da desnutrição na população hospitalizada, sendo 
que pesquisas nacionais mostraram que esse índice atinge cerca de 30% dos pacientes 
(CABRAL, 1998 ; SENA, 1999). Em amplo estudo o sobre o estado nutricional em hospitais 
da rede pública, o Inquérito Brasileiro de Desnutrição Hospitalar, a desnutrição foi 
diagnosticada em metade daquela população em diferentes regiões do país (WAITZBERG et 
al., 1999). 
O quadro da desnutrição hospitalar é agravado considerando as ocorrências durante o 
período de internação. Pacientes podem desenvolver a desnutrição durante a hospitalização ou 
pacientes desnutridos podem apresentar uma piora do estado nutricional. Fatores que causam 
essa situação podem estar relacionados com a própria doença como comprometimento da 
digestão, alteração do anabolismo e catabolismo; ou mesmo com causas circunstanciais como 
dor, ambiente hospitalar, tipo de alimentação e ação de medicamentos, que podem colaborar 
com o agravo do quadro (WAITZBERG et al., 2002). 
Diferentes patologias apresentam maior ou menor ação desses fatores sobre estado 
nutricional, e podem determinar um diagnóstico nutricional do paciente hospitalizado. Ou seja 
enfermidades catabólicas e/ou enfermidades do sistema digestório e/ou enfermidades que 
exigem uso de fármacos os quais poderão interferir no consumo e utilização de nutrientes 
possivelmente levarão à deterioração do estado nutricional. Em contrapartida a alterações 
metabólicas podem não influenciar no estado nutricional do paciente hospitalizado, e não 
estudos sobre a relação entre o estado nutricional que considerem as enfermidades de base do 
paciente. 
Portanto, embora o estado nutricional do paciente hospitalizado possa ser inadequado 
e agravado no período de internação, a intensidade do estresse fisiológico imposto ao 
organismo pela enfermidade poderá ser um importante determinante desse estado nutricional. 
Assim, esse estudo foi realizado a fim de conhecer o perfil do estado nutricional e 
verificar a associação entre estresse fisiológico e o diagnóstico nutricional de pacientes 
internados em um Hospital de Clínicas. 
 
Material e métodos 
Casuística: a população estudada compreendeu em 304 pacientes de ambos os sexos, 
cuja faixa etária variou de 16 a 85 anos. Os pacientes foram internados na Unidade I no 
Hospital de Clínicas no período de fevereiro a maio de 2005, e apresentavam diferentes 
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diagnósticos clínicos, motivos de internação ou tipos de dieta, e constituíram a quase 
totalidade (95%) daqueles internados no período de estudo. Foram excluídos pacientes que 
apresentaram re-internação no período do estudo. 
Avaliação do estado nutricional: foi utilizado o índice de massa corpórea (IMC) 
apropriado para adultos no diagnóstico de obesidade ou desnutrição protéico-calórica. A 
classificação utilizada segue indicação da Organização Mundial de Saúde (WHO 1995, 1997) 
para adultos até 60 anos, onde IMC abaixo de 18,5 foram classificados como magreza e acima 
de 24,9 ou 30, como pré–obesidade e obesidade, respectivamente (WHO, 1997) 
 
Quadro 1: Classificação Nutricional de adultos de acordo com o IMC 
 
Classificação Nutricional IMC 
Magreza ≤ 18,5 
Eutrofia > 18,6 < 24,9 
Pré- obesidade >25 < 29,9 
Obesidade ≥ 30 
 OMS/ WHO1997 
 
Para a classificação do estado nutricional de idosos, utilizou-se a classificação 
proposta por Lipschitz (1994), como descrito no quadro abaixo. 
 
Quadro 2: Classificação Nutricional de idosos de acordo com o IMC 
 
 
 
 
 
 
 Lipschitz ,1994 
 
Para os pacientes adolescentes, o diagnóstico nutricional foi estabelecido, segundo os 
valores de referência do Center for Disease Control and Prevention, do National Center for 
Health Statistcs – NCHS (2002), utilizando os valores de percentil definidos pela 
Organização Mundial de Saúde (WHO, 1995), conforme Quadro 3. 
 
 
Classificação Nutricional IMC 
Magreza ≤ 22 kg/m2 
Eutrofia > 22 < 27 k/m2 
Excesso de peso ≥ 27 kg/m 
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Quadro 3: Classificação Nutricional de adolescentes de acordo com percentis do IMC 
 
 WHO, 1995. 
 
 As medidas antropométricas foram obtidas no início do período de internação 
dos pacientes. Para estimar peso e estatura, de pacientes que não ambulavam, foram utilizada 
equações propostas por Chumlea et al. (1985; 1988). O peso foi estimado por meio das 
medidas circunferência de panturrilha, circunferência braquial, altura do joelho e dobra 
cutânea sub escapular (CHUMLEA et al., 1988). Para estatura, foi utilizada a equação 
adaptada, que consideraaltura do joelho e idade, para homens e mulheres brancos e negros 
(CHUMLEA et al., 1985). 
Enfermidades e a intensidade de estresse fisiológico: as situações clínicas 
caracterizadas pelo catabolismo elevado (como câncer, queimadura, sepse), ou por alterações 
metabólicas (como hepatopatias, doenças renais, diabetes, hipertensão, grandes cirurgias), ou 
por alterações brandas (como pós-operatório, traumas leves) foram consideradas como 
situação de alto estresse, estresse moderado e baixo estresse fisiológico, respectivamente. 
Análise estatística: utilizou-se teste não paramétrico, com teste de Wilcoxon para 2 
amostras independentes e qui-quadrado (χ2 ) para verificar a associação do estado nutricional 
e de estresse em cada grupo de pacientes de acordo com a faixa de idade. Considerou-se 
probabilidade de erro obtida na avaliação das variáveis dependentes, sendo 5% como menor 
nível estatístico de significância. 
 
Resultados 
Foram avaliados 304 pacientes sendo 176 homens e 128 mulheres. A maioria da 
população foi composta de adultos (53%), e indivíduos idosos (40%), e uma menor proporção 
foi de pacientes adolescentes (7%). 
O diagnóstico nutricional da maior parte dos pacientes apresentou-se alterado. De 
acordo com as observações realizadas neste estudo, 47% do total de apresentaram-se 
Classificação Nutricional IMC 
Baixo peso ≤ 5o Percentil 
Eutrofia > 5o percentil < 85o 
Sobrepeso ≥ 85o percentil < 95o 
Obesidade > 95o percentil 
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eutróficos e 53% dos pacientes apresentaram algum distúrbio nutricional, sendo 35% de 
excesso de peso e 18% de déficit de peso (Figura 1). 
 
FIGURA 1. Distribuição dos pacientes de acordo com estado 
nutricional, Hospital de Clínicas, Marília –SP, 2005 
 
18% 
47% 
35% baixo peso 
eutrofia 
excesso de peso 
 
Em outros estudos realizados por Cabral et al (1998) e Sena et al (1999), foram 
observaram índices de desnutrição em de cerca 30% da população hospitalizada, por meio de 
avaliação direta. Esses níveis foram maiores no estudo multicêntrico realizado em diversos 
estados brasileiros empregando a Avaliação Nutricional Global Subjetiva, no qual desnutrição 
foi diagnosticada em 48% dos pacientes hospitalizados; a prevalência na região sudeste foi de 
44%, sendo as regiões norte e nordeste as mais atingidas (Waitzberg et al 1999). No presente 
levantamento, a desnutrição foi observada em menor proporção (Figura 1), contudo a 
prevalência foi maior entre a população idosa (Tabela 1). De acordo com o estado nutricional, 
observou-se maior prevalência de baixo peso em idosos, e excesso de peso entre os adultos. 
Houve associação entre a classificação do estado nutricional e a faixa etária dos pacientes, 
constatada por meio do teste não paramétrico (p=0,01; χ2 =13,26). 
 
Tabela 1. Prevalência do estado nutricional de acordo com faixa etária, segundo o IMC de 
pacientes hospitalizados* 
 Adolescentes Adultos Idosos Total pacientes de 
acordo com 
diagnóstico 
nutricional 
Diagnóstico Nutricional n %** n %** n %** n % 
Baixo Peso 3 5 22 40 30 54 55 100 
Eutrofia 11 8 70 49 61 43 142 100 
Excesso de Peso 6 6 71 66 30 28 107 100 
Total pacientes de 
acordo com faixa 
etária 
 
20 
 
163 
 
121 
 
304 
 
* avaliação de acordo com IMC com pontos de corte de acordo com a faixa etária. 
** a proporção de pacientes para cada faixa etária diz respeito ao total de pacientes nos diferentes estados 
nutricionais, indicando a prevalência do estado nutricional. 
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 O baixo peso foi predominante em idosos (54% dos pacientes com déficit de peso) 
(Tabela 1). Na população hospitalizada, o excesso de peso foi diagnosticado especialmente 
em pacientes adultos (66% dos pacientes com o diagnóstico de excesso de peso) (Tabela 1) 
 Por outro lado, considerando cada faixa etária, em 44% dos adultos diagnosticou-
se excesso de peso, na metade dos 121 idosos hospitalizados verificou-se eutrofia; e a maioria 
dos adolescentes estava eutrófica, sendo o excesso mais prevalente que o baixo peso (Tabela 
1). A partir de dados antropométricos de pacientes hospitalizados, Cabral et al., (1998) 
também observaram excesso de peso, atingindo 25% daquela população. Alta prevalência de 
excesso de peso tem sido constatada na população em geral, como observado em amplo 
estudo nacional, o qual relata que cerca 40% da população apresenta IMC acima do adequado 
(Fundação IBGE, 2004), confirmando a transição nutricional da população brasileira 
(MONTEIRO et al., 1995). 
 Indivíduos idosos, inclusive hospitalizados, podem apresentar estado nutricional 
alterado devido aos fatores clínicos, e às alterações decorrentes do envelhecimento, como 
fatores sócio-econômicos, psicológicos e dificuldades mecânicas, os quais podem levar a 
apatia, anorexia e à desnutrição. Essa população, portanto associado às doenças crônicas, 
pode ser mais susceptível ao quadro de desnutrição hospitalar, como constatado em nossos 
resultados (Tabela 1). Elevada proporção de pacientes idosos mal nutridos (50%) também foi 
relatada por Thomas e seus colaboradores (2007). Contudo, McWhirter e Pennington (1994) 
observaram grande incidência de desnutrição na população atendida em ambulatório de 
clínica geral bem como no ambulatório geriátrico; o que pode sugerir alta prevalência 
independente do fator idade. 
 A intensidade do estresse fisiológico, a qual foi determinada de acordo com a 
enfermidade e o seu comprometimento metabólico, foi observada na grande maioria dos 
pacientes avaliados como de grau moderado ou alto (FIGURA 2). A população avaliada, 
atendida em hospital de atendimento geral pertencente à rede pública de saúde, apresentou 
enfermidades de base diversas,. Hipertensão e diabetes, entretanto foram as enfermidades 
mais freqüentes na população estudada, sendo diagnosticado em cerca de 1/3 da população 
hospitalizada. 
Cintra, et al. Estado nutricional de pacientes hospitalizados... 
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FIGURA 2. Classificação de acordo de pacientes 
hospitalizados segundo estresse fisiológico, Hospital de 
Clínicas . Marília-SP, 2005. 
47% 
5% 
48% 
alto 
moderado 
baixo 
 
 
 
Entre os pacientes idosos e os adultos observou-se que 50% e 48% apresentavam 
enfermidades de alto estresse fisiológico, respectivamente. Contudo 47% e 45% desses 
pacientes apresentaram estresse moderado, respectivamente. Em adolescentes o grau 
moderado foi o mais prevalente (14 dos 20 pacientes), entretanto baixa associação (x2 =7,51, 
p = 0,1112) foi observada entre o grau de estresse e a faixa de idade desss pacientes (Tabela 
2). 
 
Tabela 2. Prevalência do grau de estresse fisiológico de acordo com faixa etária, de pacientes 
hospitalizados* 
 Adolescentes Adultos Idosos Total pacientes de acordo 
com estresse fisiológico 
Grau de estresse n %** n %** n %** n % 
Baixo 0 0 11 79 3 21 14 100 
Moderado 14 9 74 52 57 39 145 100 
Alto 6 4 78 54 61 42 145 100 
Total pacientes 
de acordo com 
a faixa etária 
 
20 
 
163 
 
121 
 
304 
* avaliação de acordo com grau de estresse da enfermidade. 
**a proporção de pacientes para cada faixa etária diz respeito ao total de pacientes nos diferente estresse 
fisiológico, indicando a prevalência do estresse. 
Não associação significante estatística entre grau de estresse e a faixa etária. 
 
Pacientes com enfermidades caracterizadas por catabolismo elevado, podem ser mais 
susceptíveis à depleção de reservas orgânicas de energia e proteína. A situação de hiper-
metabolismo leva a necessidades nutricionais diferenciadas, alterações hormonais e dos 
substratos energéticos (WAITZBERG et al., 2002). No déficit energético, a insulina e 
triiodotironina diminuem significativamente, e há aumento da secreçãodo glucagon; há 
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degradação de gordura para obtenção de substrato energético, e ainda de aminoácidos como 
substrato da gliconeogênese hepática (CHAMPE e HARVEY, 2000). Enfermidades de 
estresse considerado moderado não obstante podem levar à desnutrição devido às alterações 
fisiológicas, como anorexia, má absorção, depleção de glicogênio hepático, aumento β 
oxidação dos lipídios e desequilíbrio no metabolismo protéico em situações de doença 
hepática (CARVALHO et al., 2007); ou como depleção de glicogênio hepático, a lipólise e 
catabolismo de proteínas, em déficit da ação da insulina em situação de diabetes (SIMONY e 
FERREIRA, 2007). 
Contudo, alterações metabólicas como hipertensão arterial e diabetes foram associadas 
ao excesso de peso na população hospitalizada, como evidenciado em levantamentos sobre o 
estado nutricional realizados Cabral et al. (2003) de Gomes et al (2006). Tais enfermidades 
foram freqüentes em nosso estudo, bem como a prevalência de excesso de peso nos pacientes 
adultos, confirmando nossos dados com aqueles obtidos em outros estudos. 
O comprometimento do estado nutricional pode ocorrer em diferentes situações 
clínicas, no qual estresse fisiológico pode ser fator causal de uma desnutrição ou piora da 
desnutrição hospitalar. Por outro lado, a obesidade pode ser fator de risco de doenças crônico 
degenerativas e um indicador de morbidade em pacientes adultos. 
 A associação entre intensidade do estresse e diagnóstico nutricional, para adolescentes, 
adultos e idosos, no período inicial da internação hospitalar, é demonstrada na Tabela 3. Na 
situação de maior estresse foi observada a maior incidência de magreza em relação às demais 
situações, sendo significativo em pacientes idosos e adolescentes. 
A desnutrição ocorre em vários estados mórbidos, contudo enfermidades crônicas e as 
mudanças metabólicas, contribuem negativamente com o estado nutricional. Embora o 
hipermetabolismo ocorra em pacientes críticos com grande exigência energética, 
hipometabolismo e reduzido gasto energético também foi observado em pacientes críticos, 
como relata Silva e Waitzberg (2002). Nos pacientes adultos hospitalizados com 
enfermidades catabólicas, não foi observado associação com o baixo peso (p= 0,28). 
 Portanto, houve associação significativa entre o estresse fisiológico e IMC dos 
pacientes hospitalizados, indicando que em situações de estresse intenso há maior 
comprometimento do estado nutricional de pacientes hospitalizados. Essa associação 
entretanto foi observada para adolescentes e idosos, mas não para adultos. 
 A avaliação nutricional do paciente hospitalizado têm sido evidenciada como 
importante para determinar o tratamento para manutenção e recuperação do estado nutricional 
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e de saúde do indivíduo, bem como para avaliar o risco de complicações, morbi-mortalidade 
em decorrência da situação nutricional. 
 
Tabela 3. Distribuição dos pacientes de acordo com a classe de estado nutricional e 
intensidade de estresse da enfermidade, dos pacientes adolescentes, adultos e idosos. 
 
 Adolescentes (n= 20) Adultos (n=161) Idosos (n=121) 
 baixo 
peso 
eutrofia excesso 
peso 
baixo 
peso 
eutrofia excesso 
peso 
baixo 
peso 
eutrofia excesso 
peso 
 n % n % n % n % n % n % n % n % n % 
Baixo 
grau de 
estresse 
 
0 
 
 
0 
 
0 
 
0 
 
0 
 
0 
 
2 
 
 
1 
 
5 
 
 
3 
 
4 
 
 
2 
 
1 
 
 
1 
 
1 
 
 
1 
 
1 
 
 
1 
Grau de 
estresse 
moderado 
 
0 
 
0 
 
9 
 
 
45 
 
5 
 
 
25 
 
6 
 
 
4 
 
30 
 
 
19 
 
38 
 
 
24 
 
7 
 
 
6 
 
31 
 
 
26 
 
19 
 
 
16 
Alto grau 
de 
estresse 
 
3 
 
15 
 
2 
 
 
10 
 
1 
 
 
5 
 
14 
 
 
9 
 
35 
 
 
22 
 
29 
 
 
18 
 
22 
 
 
18 
 
29 
 
 
24 
 
10 
 
8 
 x2 = 8,2395 
p= 0,0162 
x2 = 4,9906 
p= 0,2882 NS* 
x2 = 10,7667 
p= 0,0293 
* Não significativo 
 
 Os métodos indiretos, como a avaliação subjetiva global, consideram 
essencialmente história clínica, perda de peso, perdas teciduais, alterações da ingestão 
dietética e exame físico do paciente (DETSKY et al., 1987). A metodologia indireta foi 
empregada na detecção da grande incidência de desnutrição em população hospitalizada em 
todo o país (WAITZBERG et al., 1999). 
 No presente trabalho a desnutrição atingiu cerca de 20% dos pacientes, utilizando 
avaliação antropométrica, a qual tem apresentado boa correlação com avaliação nutricional 
subjetiva global, embora para alguns estudos essa correlação não seja significativa (COPPINI 
et al., 1995 e SENA et al., 1999). Entretanto, a menor prevalência observada não indica 
menor necessidade de atenção ou redução da gravidade da situação nutricional da população 
hospitalizada. 
 A associação entre estresse fisiológico e estado nutricional observada de acordo 
com os resultados obtidos nesse estudo, pode ser um fator preditivo para estado nutricional 
alterado, e pode ser considerado no escore de uma avaliação indireta para auxiliar no 
diagnóstico e tratamento nutricional. 
 
Conclusão 
 A população hospitalizada avaliada nesse estudo apresentou prevalência de cerca 
de 20% de desnutrição, sendo a população idosa a mais atingida. O excesso de peso foi 
observado em 47% dos pacientes, especialmente em adultos. O alto grau de estresse 
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caracterizado, nesse estudo, como enfermidades que apresentam catabolismo elevado, foi o 
mais prevalente em relação ao grau moderado ou baixo de estresse, atingindo 48% dos 
pacientes. 
 A associação entre o grau de estresse da enfermidade e o estado nutricional do 
paciente foi significativa para pacientes idosos e adolescentes, nos quais o maior grau de 
estresse associou-se com o agravamento do estado nutricional. Tal associação não ocorreu 
para pacientes adultos, de acordo com análises não paramétricas. 
 
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NUTRITIONAL STATUS OF HOSPITALYED PATIENTS AND ITS ASSOCIATION 
WITH STRESS DEGREE OF ILLNESS 
 
Abstract 
Studies on malnutrition incidence in hospitalyed patients emphasize the attention demanded 
by the nutritional situation and its role on the patients´ treatment and recovery. In this study 
the aim was to know the nutritional status profile of the patients from a general hospital and to 
verify if there is a correlation with different illnesses, according to their physiological 
Cintra, et al. Estado nutricional de pacientes hospitalizados... 
Rev. Simbio-Logias. V.1, n.1, mai/2008 156 
changes. BMI was used for the nutritional diagnosis. Diseases with low, moderate or high 
stress were determined according to their physiological implications. Malnutrition was 
observed in 18% of patients, with high prevalence in elderly people (50%). Overweight was 
diagnosed in about 40% of the other patients. Hypertension and diabetes were the most 
frequent diseases, indicating a correlation between weigh excess and its associated morbidity. 
On high physiological stress, half of adolescents and 36% of elderly patients showed weight 
less. A non parametric analysis demonstrated association between nutritional status and 
physiological stress. Therefore the physiological stress of the disease can be a predictive 
factor on nutritional diagnosis and treatment. 
 
Keywords: Malnutrition, obesity, nutritional status, Health care

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