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3 UNINASSAU – MOSSORÓ/RN CURSO DE DIREITO FLÁVIA LUANA BARRETO ABANDONO AFETIVO E RESPONSABILIDADE CIVIL: a configuração do dano moral indenizável decorrente da violação do dever de cuidado parental MOSSORÓ/RN 2026 RESUMO ABANDONO AFETIVO E RESPONSABILIDADE CIVIL: a configuração do dano moral indenizável decorrente da violação do dever de cuidado parental Este projeto de pesquisa investiga em que medida o abandono afetivo decorrente da violação do dever de cuidado parental pode configurar dano moral indenizável no âmbito da responsabilidade civil, à luz da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Desde 2012, o STJ admite, em caráter excepcional, a reparação civil fundada no descumprimento do dever de cuidado e, em outubro de 2025, a Lei nº 15.240 alterou o Estatuto da Criança e do Adolescente para prever a assistência afetiva como dever dos pais e qualificar o abandono afetivo como ilícito civil. Permanece em debate, contudo, o que se exige para configurar o dano indenizável e como ele deve ser provado. O objetivo geral é analisar, na jurisprudência do STJ, os requisitos e a prova do dano moral decorrente do abandono afetivo. A pesquisa será doutrinária, qualitativa e exploratória, com método de abordagem indutivo e procedimentos bibliográfico e documental, mediante a análise de acórdãos do STJ publicados desde 2012, com apoio na legislação e na doutrina. Serão examinados os fundamentos do dever de cuidado e sua distinção em relação ao afeto, os requisitos da responsabilidade civil (conduta, dano e nexo causal) e o tratamento da prova do dano. Espera-se contribuir para a compreensão dos critérios adotados pelo STJ, favorecendo a segurança jurídica na aplicação da responsabilidade civil nas relações parentais, com proteção de crianças e adolescentes e sem banalização da indenização. Palavras-chave: assistência afetiva; ilicitude; jurisprudência; nexo causal; prova. 1 INTRODUÇÃO O abandono afetivo é um dos temas mais debatidos do Direito de Família contemporâneo, pois coloca em tensão a proteção da criança e do adolescente, que a Constituição Federal assegura com absoluta prioridade, e a resistência em transformar sentimentos em objeto de indenização. A discussão ganhou força em 2012, quando a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp 1.159.242/SP, reconheceu a possibilidade de reparação civil por abandono afetivo, fundada na violação do dever de cuidado, e não na falta de amor. Em outubro de 2025, a Lei nº 15.240 alterou o Estatuto da Criança e do Adolescente para incluir a assistência afetiva entre os deveres dos pais e para considerar ilícita, sujeita a reparação de danos, a ação ou a omissão que ofenda direito fundamental de crianças e adolescentes, incluídos os casos de abandono afetivo. A previsão legal reforça a possibilidade de reparação, mas não indica quando a omissão dos pais configura dano moral indenizável nem como esse dano deve ser provado. Como a tutela do dano moral nas relações familiares exige cautela, é preciso evitar que toda ausência afetiva seja tratada como motivo de indenização. A pesquisa parte, assim, da seguinte pergunta: em que medida o abandono afetivo decorrente da violação do dever de cuidado parental pode configurar dano moral indenizável no âmbito da responsabilidade civil, à luz da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça? Para respondê-la, o objetivo geral é analisar, à luz da jurisprudência do STJ, em que medida a violação do dever de cuidado parental pode configurar dano moral indenizável. A pesquisa será doutrinária, qualitativa e exploratória, com método de abordagem indutivo, e analisará acórdãos do STJ publicados desde 2012, com apoio na legislação e na doutrina. Os objetivos específicos orientam a estrutura da pesquisa, organizada em cinco capítulos: o primeiro é esta introdução; o segundo examina os fundamentos do dever de cuidado parental e sua distinção em relação ao afeto; o terceiro identifica, nos acórdãos do STJ, os requisitos da responsabilidade civil por abandono afetivo e os critérios que distinguem o dano moral indenizável do mero dissabor familiar; o quarto investiga o tratamento dado à prova do dano moral, inclusive quanto à sua presunção; e o quinto apresenta as considerações finais. Espera-se, com a pesquisa, contribuir para a compreensão dos critérios que o STJ utiliza para distinguir o dano moral indenizável do mero dissabor familiar, favorecendo a segurança jurídica na aplicação da responsabilidade civil nas relações parentais. Espera-se, ainda, oferecer subsídios a estudantes, profissionais do Direito e famílias, de modo a proteger crianças e adolescentes sem banalizar a indenização por danos morais. 2 PROBLEMA DE PESQUISA A pesquisa busca responder à seguinte pergunta: em que medida o abandono afetivo decorrente da violação do dever de cuidado parental pode configurar dano moral indenizável no âmbito da responsabilidade civil, à luz da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça? A realidade a ser analisada para responder à pergunta é a jurisprudência do STJ, isto é, os acórdãos do Tribunal sobre abandono afetivo publicados a partir de 2012, com a legislação e a doutrina como suporte de interpretação. Esses acórdãos são públicos e de acesso gratuito no sítio oficial do Tribunal, o que permite verificar a análise e realizá-la no prazo disponível. 3 OBJETIVOS O objetivo geral é analisar, à luz da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, em que medida o abandono afetivo decorrente da violação do dever de cuidado parental pode configurar dano moral indenizável no âmbito da responsabilidade civil. Os objetivos específicos são: a) examinar os fundamentos jurídicos do dever de cuidado parental e sua distinção em relação à ausência de afeto, na legislação, na doutrina e na jurisprudência do STJ; b) identificar, nos acórdãos do STJ, os requisitos da responsabilidade civil por abandono afetivo (conduta omissiva, dano e nexo causal) e os critérios que distinguem o dano moral indenizável do mero dissabor familiar; c) investigar o tratamento dado pela jurisprudência do STJ à prova do dano moral decorrente da violação do dever de cuidado parental, inclusive quanto à presunção do dano. 4 JUSTIFICATIVA O abandono parental é uma realidade conhecida das relações familiares e repercute no desenvolvimento emocional de crianças e adolescentes, cuja formação psicológica, moral e social a própria legislação busca proteger. Quando o Judiciário é chamado a decidir, a falta de critérios claros torna o resultado imprevisível: casos semelhantes podem receber respostas opostas, o que gera insegurança tanto para quem busca a reparação quanto para quem é demandado. Do ponto de vista jurídico, o tema é atual. O STJ admite a reparação desde 2012 e a trata como excepcional, e a Lei nº 15.240/2025 passou a prever expressamente a assistência afetiva e a qualificar o abandono afetivo como ilícito civil. A lei, porém, não disciplina como o dano deve ser provado nem como se estabelece o nexo causal, matérias que continuam dependendo da interpretação dos tribunais, em especial do STJ, a quem cabe uniformizar a interpretação da lei federal. Do ponto de vista acadêmico, a doutrina se divide entre quem admite e quem rejeita a indenização por abandono afetivo, e a jurisprudência do STJ já foi examinada quanto aos critérios de reparação em estudos anteriores à mudança legislativa de 2025. A contribuição específica desta pesquisa é atualizar essa análise com os acórdãos mais recentes e com o novo quadro normativo, reunindo em um único recorte os requisitos da responsabilidade civil e a prova do dano moral. A pesquisa é viável. A legislação e os acórdãos do STJ são públicos e podem ser consultados gratuitamente nos sítios oficiais, a doutrina sobre o tema é ampla e inclui posições favoráveis e contrárias à indenização, e o recorte em um único tribunal torna o volume de material compatível com o prazo de um trabalho de conclusão de curso. Além disso, o problema, os objetivos e a metodologia mantêm o mesmo objeto, a jurisprudênciado STJ, o que permite uma análise objetiva e verificável. Assim, a pesquisa se justifica pela relevância social do tema, pela atualidade da mudança legislativa e pela necessidade de critérios claros para a reparação. 5 REFERENCIAL TEÓRICO O dever de cuidado dos pais, ponto de partida do primeiro objetivo específico, tem base constitucional e legal. A Constituição Federal estabelece que os pais “têm o dever de assistir, criar e educar os filhos menores” (Brasil, 1988, art. 229) e atribui à família, à sociedade e ao Estado o dever de assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, direitos como a convivência familiar, colocando-os a salvo de toda forma de negligência (Brasil, 1988, art. 227). O Código Civil inclui a direção da criação e da educação entre os conteúdos do poder familiar (Brasil, 2002, art. 1.634, inciso I), e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), na redação dada pela Lei nº 15.240/2025, passou a mencionar, entre os deveres dos pais, a convivência e a assistência material e afetiva (Brasil, 1990, art. 22). Antes da lei de 2025, a doutrina observava que a afetividade não estava expressa na legislação, mas decorria implicitamente da Constituição, em especial do princípio da solidariedade (Costa; Ramos, 2020, p. 2). Nessa linha, Lôbo (2011, p. 312 apud Costa; Ramos, 2020, p. 5) sustenta que a responsabilidade parental abrange, além da assistência material, o dever jurídico de assistência moral. A previsão expressa da assistência afetiva pela Lei nº 15.240/2025 altera esse quadro e oferece novo ponto de partida à discussão. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) acompanhou essa passagem. Em precedente de 2005, a Quarta Turma entendeu que a indenização por dano moral pressupõe ato ilícito e que o abandono afetivo seria “incapaz de reparação pecuniária” (Brasil, 2005). A orientação foi superada pela Terceira Turma no REsp 1.159.242/SP. Na ocasião, a relatora, Ministra Nancy Andrighi, separou o amor, situado na esfera da motivação e fora dos limites legais, do cuidado, que se apoia em elementos objetivos verificáveis, como a presença, os contatos, ainda que não presenciais, e as ações voluntárias em favor da prole, sintetizando que “amar é faculdade, cuidar é dever” (Brasil, 2012, p. 11). A formulação deslocou a pergunta do Direito: não se indaga se há sentimento, mas se houve descumprimento verificável de um dever jurídico. A decisão recebeu críticas. Ferreira Neto e Eick (2015) apontam que os dispositivos então invocados não previam, de modo expresso, um dever de afeto (p. 231-233); que a fórmula do acórdão conteria um defeito lógico, porque o cuidado seria gênero e o amor, espécie, e que, embora não amar um filho possa ser um ilícito moral, nem todo vício moral se converte em ilícito jurídico reparável em dinheiro (p. 243-244, 256); e que a condenação traz riscos de monetização das relações familiares e de ineficácia social (p. 253-255). Em sentido oposto, a corrente favorável vê a compensação como consequência do reconhecimento da afetividade no Direito contemporâneo (Costa; Ramos, 2020, p. 2-3), e Tartuce (2017), integrante dessa corrente, responde ao argumento da monetização lembrando que a Constituição reconhece expressamente a reparação dos danos morais (Brasil, 1988, art. 5º, incisos V e X). A Lei nº 15.240/2025 responde, em parte, à primeira dessas críticas, a da ausência de previsão legal expressa. O ECA passou a prever que compete aos pais prestar assistência afetiva, por meio de convívio ou de visitação periódica, que permita o acompanhamento da formação psicológica, moral e social da pessoa em desenvolvimento (Brasil, 1990, art. 4º, § 2º), e a definir assistência afetiva como orientação quanto às principais escolhas profissionais, educacionais e culturais, solidariedade e apoio em momentos de intenso sofrimento ou de dificuldade, e presença física espontaneamente solicitada pela criança ou adolescente quando possível de ser atendida (Brasil, 1990, art. 4º, § 3º, incisos I a III). Além disso, o parágrafo único do art. 5º passou a dispor: Considera-se conduta ilícita, sujeita a reparação de danos, sem prejuízo de outras sanções cabíveis, a ação ou a omissão que ofenda direito fundamental de criança ou de adolescente previsto nesta Lei, incluídos os casos de abandono afetivo (Brasil, 1990, art. 5º, parágrafo único, redação da Lei nº 15.240/2025). A definição legal recorre a condutas verificáveis, e não a sentimentos, o que parece aproximar a lei da lógica do cuidado construída pelo STJ; essa leitura será examinada na pesquisa. A lei qualifica a conduta como ilícita e a submete à reparação de danos, mas não trata da prova do dano, do nexo causal nem da quantificação, matérias que seguem dependentes da doutrina e da jurisprudência (Brasil, 2025). No que se refere ao segundo objetivo específico, a responsabilidade civil por abandono afetivo submete-se aos requisitos gerais da responsabilidade extracontratual. O ato ilícito configura-se quando alguém, “por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral” (Brasil, 2002, art. 186), o que gera o dever de repará-lo (Brasil, 2002, art. 927). A omissão está expressamente abrangida, aspecto relevante porque o abandono tem estrutura, em regra, omissiva. No REsp 1.887.697/RJ, o STJ afirmou não haver restrição legal à aplicação dessas regras às relações familiares e admitiu a reparação “em caráter excepcional”, com fundamento no descumprimento do dever jurídico de exercer a parentalidade de maneira responsável (Brasil, 2021, ementa, itens 3 e 4). A síntese mais completa dos requisitos encontra-se no próprio REsp 1.887.697/RJ: Para que seja admissível a condenação a reparar danos em virtude do abandono afetivo, é imprescindível a adequada demonstração dos pressupostos da responsabilização civil, a saber, a conduta dos pais (ações ou omissões relevantes e que representem violação ao dever de cuidado), a existência do dano (demonstrada por elementos de prova que bem demonstrem a presença de prejuízo material ou moral) e o nexo de causalidade (que das ações ou omissões decorra diretamente a existência do fato danoso) (Brasil, 2021, ementa, item 6). No caso, o laudo pericial atestou que as ações e omissões do pai acarretaram quadro de ansiedade e traumas psíquicos, com necessidade de psicoterapia desde os 11 anos de idade, o que o acórdão qualificou como dano psicológico concreto (Brasil, 2021, ementa, item 8). Em outro julgamento, o STJ exigiu “detalhada demonstração do ilícito civil” e que suas especificidades superassem o mero dissabor, a fim de que sentimentos não fossem mercantilizados (Brasil, 2016). Quanto ao terceiro objetivo específico, a prova do dano é o ponto mais controvertido. Para Lôbo, a responsabilidade é subjetiva, os danos não são presumíveis e devem ser comprovados por quem os alega, cabendo ao imputado provar eventuais excludentes, como a alienação parental (Lôbo, 2017, p. 303 apud Costa; Ramos, 2020, p. 8). Tartuce (2017) igualmente exige dano psíquico demonstrado por prova técnica e recomenda que os pedidos venham instruídos com prova psicossocial, pois, segundo seu levantamento, não basta a prova da simples ausência de convivência. Bodin de Moraes (2013, p. 722 apud Costa; Ramos, 2020, p. 9) propõe, como critério para o dano à integridade psíquica de filho menor, o completo abandono somado à ausência de figura substituta, ressalva que Costa e Ramos (2020, p. 9-10) consideram inaplicável de modo absoluto, pois o dano pode ser comprovado por laudo psicológico mesmo quando há figura substituta. O papel do STJ, nesse cenário, tem limites. A própria ementa do REsp 1.159.242/SP assentou que a caracterização do abandono afetivo, a existência de excludentes e os fatores atenuantes demandam revolvimento de matéria fática e não podem ser reavaliados em recurso especial (Brasil, 2012, ementa, item 5). Por isso, segundo Costa e Ramos (2020, p. 14), das doze decisões analisadas que não concederam a compensação, quatro esbarraramna Súmula 7, que impede o reexame de provas em recurso especial, e três na prescrição. Em síntese, os pontos que orientam a pesquisa são a distinção entre afeto e cuidado, os requisitos da responsabilidade civil (conduta, dano e nexo causal) e o tratamento da prova do dano, que correspondem aos objetivos específicos e aos capítulos do trabalho. 6 METODOLOGIA A pesquisa será de natureza doutrinária, também chamada de teórica ou dogmática, com abordagem qualitativa e objetivo exploratório. Será doutrinária porque examinará normas, decisões judiciais e obras jurídicas, sem coleta de dados junto a pessoas, tendo os acórdãos do Superior Tribunal de Justiça como objeto principal de análise; qualitativa porque interpretará fundamentos jurídicos, e não números; e exploratória porque a disciplina legal do tema é recente, com a Lei nº 15.240/2025, e os critérios de configuração do dano moral ainda são controvertidos na doutrina e nos tribunais. O objeto da análise será exclusivamente a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, conforme o problema e os objetivos da pesquisa. A legislação (Constituição Federal, Código Civil e Estatuto da Criança e do Adolescente, com as alterações da Lei nº 15.240/2025) e a doutrina de Direito de Família e de Responsabilidade Civil servirão de fundamentação jurídica para a interpretação dos acórdãos. Como método de abordagem, será adotado o indutivo: a partir dos acórdãos do STJ, examinados caso a caso, serão identificados elementos gerais sobre os requisitos e a prova do dano moral decorrente do abandono afetivo. Como método de procedimento, serão utilizadas a pesquisa bibliográfica e a pesquisa documental, por meio da técnica de documentação indireta. Os acórdãos serão obtidos no sistema de jurisprudência do site oficial do STJ, mediante a busca pelos termos “abandono afetivo”, “dever de cuidado” e “assistência afetiva”, considerando os julgados publicados entre 10 de maio de 2012, data de publicação do REsp 1.159.242/SP, e 31 de dezembro de 2026. A bibliografia será buscada em bases como Periódicos CAPES, SciELO e Google Acadêmico, e a legislação, nos sítios oficiais do Governo Federal. Serão selecionados os acórdãos que examinem o mérito da configuração do dano moral decorrente do abandono afetivo. Serão desconsiderados os que não o analisem, como os não conhecidos por incidência da Súmula 7 do STJ, salvo se apresentarem fundamentação relevante sobre conduta, dano, nexo causal ou prova, caso em que serão examinados em categoria própria. Os julgados serão divididos em anteriores e posteriores à entrada em vigor da Lei nº 15.240/2025 e, se não houver julgados posteriores no período, essa ausência será registrada como resultado. Cada acórdão será lançado em ficha de análise com os campos: identificação (Turma, relator e data), fatos, conduta omissiva alegada, dano e prova produzida, nexo causal, fundamentos do julgador e resultado. A análise será interpretativa e crítica: os fundamentos de cada acórdão serão extraídos do voto condutor e da ementa, comparados entre si, por Turma e por período, e confrontados com a legislação e a doutrina, para identificar convergências, divergências e critérios recorrentes quanto à conduta, ao dano, ao nexo causal e à prova. Os critérios assim identificados permitirão responder em que medida a violação do dever de cuidado parental pode configurar dano moral indenizável, segundo o STJ. A pesquisa não pretende generalizar resultados para todos os casos de abandono afetivo, mas identificar os critérios adotados nos julgados analisados, sem pressupor que toda ausência afetiva resulte em responsabilidade civil ou no dever de indenizar. 7 CRONOGRAMA As etapas previstas para o desenvolvimento da pesquisa, com meses contados a partir do início do TCC II, são as seguintes, devendo ser ajustadas ao calendário acadêmico da instituição: Atividade Mês 1 Mês 2 Mês 3 Mês 4 Mês 5 Mês 6 Revisão bibliográfica e leitura da doutrina X X Levantamento e seleção dos acórdãos do STJ X X Preenchimento das fichas e análise dos acórdãos X X Redação dos capítulos 2 a 4 X X X Redação da introdução e das considerações finais X Revisão, adequação às normas da ABNT e entrega X X Preparação da apresentação e defesa X REFERÊNCIAS BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, [2026]. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 18 out. 2026. BRASIL. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 16 jul. 1990. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069.htm. Acesso em: 18 out. 2026. BRASIL. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, ano 139, n. 8, p. 1-74, 11 jan. 2002. BRASIL. Lei nº 15.240, de 28 de outubro de 2025. Altera a Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), para caracterizar o abandono afetivo como ilícito civil. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 29 out. 2025, p. 3. BRASIL. Superior Tribunal de Justiça (4. Turma). Recurso Especial nº 757.411/MG. Relator: Min. Fernando Gonçalves. Julgado em: 29 nov. 2005. Diário da Justiça: seção 1, Brasília, DF, p. 299, 27 mar. 2006. BRASIL. Superior Tribunal de Justiça (3. Turma). Recurso Especial nº 1.159.242/SP. Relatora: Min. Nancy Andrighi. Julgado em: 24 abr. 2012. Diário da Justiça Eletrônico: Brasília, DF, 10 maio 2012. BRASIL. Superior Tribunal de Justiça (3. Turma). Recurso Especial nº 1.493.125/SP. Relator: Min. Ricardo Villas Bôas Cueva. Julgado em: 23 fev. 2016. Diário da Justiça Eletrônico: Brasília, DF, 1 mar. 2016. BRASIL. Superior Tribunal de Justiça (3. Turma). Recurso Especial nº 1.887.697/RJ. Relatora: Min. Nancy Andrighi. Julgado em: 21 set. 2021. Diário da Justiça Eletrônico: Brasília, DF, 23 set. 2021. Disponível em: https://scon.stj.jus.br/SCON/GetInteiroTeorDoAcordao?num_registro=201902906798&dt_publicacao=23/09/2021. Acesso em: 18 out. 2026. COSTA, Natália Winter da; RAMOS, André Luiz Arnt. 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