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LIVRO TEXTO   UNIDADE II   PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO   CICLO VITAL

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destacar que essas características se assentam 
em um desenvolvimento neurológico marcado pela formação de novos neurônios, sinapses e conexões 
dendríticas. Há também uma expansão das habilidades linguísticas, e os julgamentos morais podem se 
tornar muito mais complexos.
6.3 Desenvolvimento psicossocial do adulto jovem
Como mencionado na introdução desse tópico, o adulto jovem tem como eixo central de sua vida o 
amor, o trabalho e a ética. 
De acordo com Erikson (1974), no sexto estágio psicossocial, as pessoas vivem o dilema intimidade 
versus isolamento. O autor sinaliza que durante esse período o indivíduo estabelece a sua independência 
e começa a atuar como adulto, assumindo um trabalho produtivo e estabelecendo relacionamentos 
íntimos – amizades íntimas e uniões sexuais. Na opinião de Erikson (1974), a intimidade não se limita a 
relacionamentos sexuais, mas engloba também carinho e compromisso. 
Figura 26 – Relacionamento de intimidade
A intimidade pressupõe que o indivíduo possa expressar suas emoções abertamente, sem medo 
de “se perder no outro”, isto é, sem medo de perder o senso de autoidentidade. Lembre-se de que a 
árdua tarefa da adolescência foi definir a identidade, ou seja, o adulto jovem teme perder esse bem 
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precioso. Um exemplo de frase típica da vivência desse dilema é: “... Eu amo meu namorado, quero ficar 
com ele, mas casar agora?! Não sei. Temo perder minha liberdade, ter que abrir mão de coisas que são 
importantes para mim...”. Essa frase ilustra que o indivíduo teme fundir a sua identidade com a de outra 
pessoa e, assim, ter que abrir mão da sua própria. Na intimidade supõe-se uma troca interpessoal sem 
que haja a dissolução das respectivas identidades.
Nas relações de intimidade, as pessoas desenvolvem a capacidade de estabelecer de forma integral 
compromissos emocionais, morais e sexuais com outras pessoas. Esse tipo de compromisso exige que 
o indivíduo renuncie a algumas preferências pessoais, aceite algumas responsabilidades e abra mão de 
algum grau de privacidade e independência.
Figura 27 – Intimidade
Os indivíduos que não conseguem estabelecer relações de intimidade desenvolvem uma sensação 
de isolamento, isto é, a incapacidade de se vincular a outros de forma psicologicamente significativa. 
São pessoas que mantêm relações superficiais, evitam contatos sociais, rejeitam as outras pessoas e 
podem até se tornar agressivos em relação a elas; preferem ficar sós porque temem a intimidade, que 
veem como uma ameaça à identidade do seu ego. Mas isolamento não é sinônimo de estar só ou ser 
solteiro, diz respeito à capacidade de entrega em uma relação. Há pessoas que estão solteiras ou sós e 
têm relações de intimidade, ao passo que há uniões conjugais em que existe isolamento.
Portanto, como foi exposto anteriormente, a capacidade de amar é um tema central na vida do 
adulto jovem e é corroborada por uma expectativa social, no sentido de ele assumir alguns papéis 
sociais, como escolher um parceiro e casar-se. 
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 Observação
O relógio social é o conjunto de normas ou expectativas culturais para 
os momentos da vida em que certos eventos importantes, como casar, ter 
filhos, começar a trabalhar e aposentar-se, devem ocorrer.
O outro eixo central na vida do adulto jovem é o trabalho. Uma preocupação típica daqueles que 
estão nessa fase é estabelecer-se profissionalmente, buscar por uma estabilidade profissional, o que 
também é reforçado pela expectativa social. O indivíduo nessa fase tende a trabalhar muito, muitas 
vezes renuncia ao lazer e aos relacionamentos sociais a fim de se dedicar ao trabalho e/ou à carreira. 
Figura 28 – Jovens no trabalho
É a fase em que há uma alteração nas relações de amizade, as grandes turmas da adolescência são 
substituídas por grupos de casais que preferem trocar as grandes e onerosas festas por pequenas e 
acessíveis reuniões na casa dos amigos. O importante não é mais “pertencer a várias tribos ou ter muitos 
amigos”, e sim “ter poucos, mas bons amigos”, são relações de intimidade.
E o terceiro eixo central é a ética, que acompanha os outros dois. O adulto jovem assume um 
compromisso com a própria vida e a repercussão de suas ações sobre a vida dos demais, tanto no 
âmbito do trabalho quanto no afetivo. Para Erikson (1974), a intimidade é a capacidade de “[...] entregar-
se a afiliações e associações concretas e de desenvolver a força ética necessária para cumprir esses 
compromissos, mesmo quando eles podem exigir sacrifícios significativos (p. 237)”. 
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Os indivíduos dos 20 aos 40 anos de idade atravessam períodos difíceis e estressantes porque 
precisam aprender uma série de papéis sociais e passam por muitas mudanças individuais, 
como casamentos, divórcios, nascimentos, busca de emprego etc., que demandam constantes 
adaptações.
 E, justamente, esse é um período no qual as pessoas são definidas por critérios externos (o que faz, o 
que conquistou, o que tem), além do que as pessoas se identificam a si mesmas de acordo com os papéis 
que desempenham, as exigências e os limites dos mesmos e se ocorreram ou não dentro do período de 
vida esperado, como, por exemplo, casar-se e ter filhos nessa fase de vida. 
O percurso da vida adulta é atrelado a uma série de marcadores socioculturais e familiares que 
coconstroem as expectativas em relação ao desenvolvimento. Quando a vida adulta não acompanha 
essa expectativa geralmente há sofrimento por parte do indivíduo. Por exemplo, uma mulher de 30 anos 
pode sofrer porque a maioria de suas amigas já se casou ou têm filhos e ela não. Sente-se à parte do 
desenvolvimento normativo.
Já no final desse período (final dos 30 anos início dos 40 anos) há o fenômeno que Levinson (1996 
apud PAPALIA; OLDS; FELDMAN 2006) denominou “destribalização”, o qual descreve o processo em 
que os adultos, depois de terem aprendido os papéis principais, começam a se libertar dos elementos 
limitadores, tem-se noção de como atender a vários compromissos e ainda manifestar a própria 
individualidade. 
Ao longo dos anos, o indivíduo se depara com desilusões que podem levar ao questionamento de 
regras, uma vez que segui-las e fazer o que se deve não trazem necessariamente quaisquer recompensas. 
Nem sempre, apesar de se ter trabalhado muito, consegue-se promoção, nem sempre se consegue um 
parceiro, mesmo tendo feito corretamente todas as coisas.
Portanto, para Erikson (1987), a intimidade se dá por meio do compromisso com um relacionamento 
que exige concessões e sacrifícios. Para o homem, ela é possibilitada somente após encontrar sua própria 
identidade, ao passo que a mulher obtém sua identidade por meio da própria intimidade.
Além da estabilização da vida afetiva e do início da vida matrimonial, alguns outros fatos são comuns 
nessa fase da vida: o ingresso na vida social plena; autossustento social, psicológico e financeiro; e o 
trabalho.
Elementos básicos para o amadurecimento das pessoas, tais fatos muitos