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05/12 (Parte nº3 – Alessandra Gonçalves) Aula 3 - Anatomia do Sistema Urinário O sistema urinário é o conjunto de órgãos que filtram o sangue e formam a urina, além de possuir relação com o sistema reprodutor. O sangue que passa pelos rins é pobre em oxigênio e rico em gás carbônico, assim como é rico em nutrientes e em produtos da degradação. Ao passar pelos rins, o produto da degradação subirá pela veia cava e passará pelo átrio, depois passa para o ventrículo e então chegará à artéria pulmonar e assim será direcionado ao pulmão, onde será feita a hematose. A partir disso o sangue estará rico em oxigênio e nutrientes, portanto estará pronto para ser redistribuído ao corpo. Ao fazer a filtração do sangue o rim irá produzir a urina que será eliminada através de um sistema formado por canais e ductos que levam até a sua excreção. Nesta figura todos os órgãos peritoneais foram removidos e atrás possui um músculo viçoso, juntamente com o posicionamento dos rins. O rim direito é mais baixo devido à pressão que o fígado exerce sobre este. O rim é organizado em forma de funil, para que escorra até um ponto, esse escoamento chegará ao ureter e deste irá para a bexiga e pelve para poder ser eliminado. Morfologia externa do rim O rim tem forma similar ao caroço de feijão e possui Faces, Bordas e Pólos. Teremos faces laterais e mediais e é possível perceber os sulcos que são característicos do ser humano. Tem um pólo superior e um inferior, assim como uma borda lateral e uma medial. A coloração do rim é importante para o médico, ele possui cor amarronzada (ou avermelhada). Se apresentar cor escura o rim provavelmente está com problemas de filtração, embora se apresentar cor clara, ele também possivelmente estará com algum problema. Essa forma do rim é justamente por conta do ponto de entrada das artérias renais e saída das veias renais, essa região é chamada de hilo renal. Essas veias se ramificam até pequenas vênulas no glomérulo para que haja filtração, assim como acontece nas artérias, pois é uma circulação fechada. Os ramos são chamados de pedículo renal, mas a chanfradura é o hilo renal. A Glândula Supra-renal regulam o metabolismo das proteínas, carboidratos e gorduras. Morfologia interna do rim Quando o rim é observado por dentro é possível notar uma parte mais clara externamente, chamada de Córtex renal. A parte mais escura é chamada Medula Renal. Isso tem importância na produção da urina, pois no Córtex é feito a filtração e na medula é onde tem os tubos que coletam e levam a urina para o seu destino final. A região mais interna é a pelve (o triangulo), o rim acumula muita gordura, chamada seio renal, é um acúmulo natural de gordura. A artéria chega até a condição de arteríola que irá formar o glomérulo no néfron. O glomérulo é um emaranhado de vênulas e arteríolas onde acontece a filtração. Néfron É a região funcional do rim, está no córtex e a sua unidade filtradora é o glomérulo. O córtex é a área onde se tem a produção e absorção da urina e a sua liberação passa através dos túbulos na parte mais medular. O néfron sempre termina no ducto coletor que sempre vai em direção à medula. Figura ao lado: Nesta ampliação do rim temos o córtex e a medula em aspectos microscópicos. No córtex do rim há túbulos contorcidos proximais e distais e as alças levam o nome de alça de henle. Há milhares de unidades filtradoras nos rins, e cada ponto tem um papel diferente e a partir disso há filtração do sangue e o filtrado será passado a essas estruturas e o que não será absorvido será eliminado pela a urina. Eliminação da urina (Prova) Os ductos coletores desembocam em uma estrutura triangular invertida, cuja ponta do triangulo é para baixo, essa região é chamada de pirâmide renal. Elas possuem vários ductos coletores em seu interior e a ponta da pirâmide está em contato direto, com um tecido conjuntivo de canalização, sem poder de absorção de coloração amarelada. Os ductos coletores desembocam na região chamada de cálice, eles existem em cada pirâmide e são chamados de cálices menores. O conjunto de cálices é chamado de cálice maior. Caminho da urina: Pirâmide, cálices menores e cálices maiores, seio renal, pelve renal, ureter. Ureter É uma estrutura tubular que faz movimentos peristálticos, seu lúmen possui tecidos com várias túnicas e mais internamente possui musculatura lisa com várias reentrâncias e isso aumenta a capacidade de passar líquidos. Por causa dos movimentos de contração que a bexiga e o ureter fazem é possível urinar de cabeça para baixo, porém se ela estiver vazia, o processo de liberação vai ser contra natural. Bexiga É um órgão pélvico ligado aos ureteres que se inserem na bexiga por trás. Essa inserção por trás da bexiga gera os óstios laterais em cada ureter. A bexiga possui outro ponto com musculatura diferenciada que possui forma de triangulo, chamada de trígono da bexiga. Essa forma garante que a urina que está chegando se coloque no fundo dela. 05/12 (Parte nº4 – Gabriela Lessa) Isso na verdade é uma geometria, uma forma que a bexiga tem de garantir que a urina que chega se coloque no fundo dela. A bexiga é um órgão muscular cavitário, ela tem capacidade de expansão, tem esse epitélio interno, que pode variar, aumentar e diminuir, assim como o do estômago, e tem essa camada muscular que permite que ela faça contração também. Então os dois ureteres, que chegam por trás (esse ligamento aqui é o ligamento umbilical. Se a gente pudesse seguir do umbigo pra trás, tem um ligamento que prende a bexiga por cima. Esse ligamento é derivado do nosso cordão umbilical. Como existia o cordão umbilical, ele não era um ligamento, depois ele se degenera, vira uma fibra e prende a bexiga na parte superior). Então essa região dos dois ureteres que chega aqui nessa região, dos dois óstios, forma esse trígono da bexiga, para que o líquido que chega vá para o fundo, ela vai enchendo de baixo para cima. A bexiga tem dois tipos de musculatura, o que permite que ela tenha um reforço, uma elasticidade muito grande. Nós temos dois esfíncteres: o esfíncter uretral interno (na bexiga), e o esfíncter uretral externo (já na uretra). O que são esfíncteres? É uma musculatura que tem a capacidade de se contrair, e quando ele contrai, ele fecha esse canal. Os dois existem tanto no homem quanto na mulher, mas tem localização diferente. Esses esfíncteres tem uma inervação complexa, porque eles tem controle voluntário e involuntário. Eles são os que vão fazer com que você segure estando com vontade de urinar. Você tem mais controle sobre o externo. Sobre o interno, você tem menos controle. No momento que você contrai esses esfíncteres, não tem como a urina passar mesmo com a bexiga lotada. Há dois momentos na vida em que o controle desses esfíncteres é muito complexo. Um é na infância, porque como eles tem controle autônomo e também somático, na infância, você precisa aprender a controlar. A criança quando começa a urinar, ainda no útero, não tem esse controle, ela vai urinando a medida que tem urina. Quando ela nasce, continua sem esse controle, então ela tem que ser ensinada a controlar isso, tem que aprender, ser treinada, a controlar isso. Por isso que muito tempo da vida da criança, ela usa fralda. E é muito complicado se você tira a fralda da criança e a obriga a segurar para procurar o lugar, e depois um dia você bota a fralda de novo, ela desaprende. Depois isso leva até a um tratamento psicológico pra poder controlar isso. Então a infância é um momento de aprendizado a controlar esses esfíncteres. Na velhice, a coisa também acontece, mas acontece diferente, porque de tanto utilizar esses esfíncteres a vida toda, eles perdem a capacidade de contração, eles ficam relaxados e perdem sensibilidade. Então muitas vezes, a pessoa de idade urina sem sequer saber que está urinando, porque ela não teve nem a vontade de urinar. Então simplesmente o esfíncter estava lá, tinha muita urina na bexiga e, além de tudo, a bexiga contrai, então ela elimina. (Tem algunsmedicamentos que podem atuar nessa musculatura e você perder o controle, por exemplo, às vezes você toma algum anestésico para uma cirurgia e você perde o controle, durante a cirurgia você pode urinar. Mas tem remédios que ajudam a controlar também.) Uma coisa importante, que é mais da parte de reprodutor, mas que eu não tenho como não falar agora, é sobre uma característica que diferencia o órgão reprodutor masculino e feminino, e isso tem muito a ver com a uretra. Primeiro, a uretra masculina tem de 18 a 20 cm. E ela é também um canal de reprodução do homem. Na mulher ela tem apenas 4 cm e não tem nada a ver com o aparelho reprodutor. Essa é uma diferença anatômica fundamental, que é importante inclusive quando você vai passar uma sonda, porque você tem que saber onde está colocando a sonda. Outra coisa é a questão da infecção. Se um homem tiver uma infecção aqui, tem toda uma dificuldade, todo um caminho pra que ele possa se defender disso até que a infecção chegue à bexiga, caso seja, por exemplo, uma bactéria. No entanto, a mulher se sentar no chão na praia, por exemplo, ela está totalmente exposta a pegar uma infecção, por conta desses 4 cm, é muito próximo da bexiga. Então as infecções urinárias femininas em geral acabam afetando também a bexiga, o que é muito ruim. Essa distância, no caso dos homens, se dá por conta dos órgãos que entram aqui: o pênis, e também a localização da próstata e da vesícula seminal entre a bexiga e o inicio do pênis, então, por terem esses órgãos ali, a uretra é maior. Por outro lado, na mulher a bexiga é bem menor. Por que ela é menor? As duas estão localizadas no mesmo lugar. Esse osso é a sínfise púbica. Logo atrás dele está a bexiga. Só que a mulher tem o útero, então ela tem uma bexiga um pouco menor, e o homem tem essas glândulas que afastam o esfíncter uretral externo. No homem, a base da pelve é a bexiga. Na mulher, a base da pelve está aqui, mas tem o útero, que invade um pouco, sai um pouco da pelve. Por conta da posição do útero na mulher, existe uma escavação entre o útero e a bexiga. Essa escavação se chama escavação vésico-uterina. Vésico vem de vesical, que tem a ver com urina. Essa escavação é importante e é ela que estabelece uma boa relação, quando a mulher engravida e o útero começa a crescer. Ele é muito pequeno normalmente, mas quando começa a crescer, ele cria uma pressão sobre a bexiga muito grande. E esse espaço é justamente pra essa pressão acontecer e a mulher fica muito pouco tempo com a bexiga cheia, toda hora ela urina, em pouquíssimos volumes, porque a posição física do útero não permite. Existe uma escavação, a reto-uterina, que não é importante pra essa prova. Essas escavações não existem no homem, o homem só tem uma escavação, a reto-vesical. Pedra nos rins Vocês vão ter uma grande dificuldade de ensinar o aluno como é que ele urina. Ele vê a urina, mas ele não vai conseguir associar como um órgão dele produz essa urina. De fato, o processo de produção de urina é molecular. No glomérulo, você tem uma rede de capilares chegando, as artérias ricas em derivados da digestão que vão ser absorvidos, e a água também vai ser absorvida, ou seja, você vai tirar um pouco dessa água pra poder aproveitar ela no corpo. E o que sobrar você vai colocar na urina. Isso é feito em nível molecular, lá no néfron. É muito difícil de o aluno entender que essas moléculas estão sendo geradas e que essas moléculas juntas vão formar a urina. E aí, como são varias moléculas juntas, se você tem uma alta absorção de água e uma concentração de sais na sua urina, você permite que essas moléculas interajam com mais facilidade. Essa interação entre as moléculas formam compostos. E esses compostos formam cristais, e de cristais eles viram pedra. Quando eles são cristais, eles já podem ser percebidos. Você já consegue chegar pra um cara que não ta sentindo absolutamente nada e dizer, você ta formando cristais na sua urina. E porque que ele está formando cristais na urina? Pode ser por hábitos de ingestão de liquido, ou defeito hormonal, ou defeito nas alças de absorção do rim, pode ser por inúmeras formas, ele não consegue ter uma urina diluída o suficiente pra essas moléculas não se agruparem e não formarem cristais. Quando ele descobre que tem cristais, ele tem que fazer um tratamento. Então se faz dosagem hormonal, se não encontrou nada, é um problema anatômico. Se for um problema anatômico, tem que beber muita água, porque você tende a diminuir essa entropia de moléculas, esse encontro de moléculas. Então a urina tem que ser entendida molecularmente, mas tudo o que se vê dela é macromolecular, a urina em si é macromolecular. O sal de cozinha Também influencia. A maior parte da filtração acontece por transporte passivo, essa troca de um ambiente com alta concentração com outro de baixa concentração. Se você coloca muito sal, esse sal vai chegar ao rim e o sódio e potássio tem papel fundamental na fisiologia do rim. Os cristais vão evoluir pra uma pedra, mas como vocês viram o sistema, ele vai desde o glomérulo passando pela pirâmide, pelos ductos coletores, vocês viram como ele é. Então um cristal que se forma lá no néfron, ele já pode criar um problema, dependendo do tamanho desse cristal. Esse cristal pode ser detectado ainda sem estar incomodando a pessoa, mas ele percebe que não urina com tanta freqüência, que a urina tem coloração, é muito concentrada, etc. Então esses cristais podem se associar ao ponto de formar uma pedra como essas aqui. Ela pode adotar qualquer forma, e tem que ser eliminada, seja por destruição física, pra que elas fiquem menores e possam ser eliminadas, ou pela liberação na urina. Se ela for muito grande e ficar entalada no ureter, por exemplo, ela tem que ser destruída, tem laser, remédio, etc. Curiosidades Aqui um exemplo de tumor de rim, um adenocarcinoma renal e aqui uma coisa relativamente comum, que é o chamado rim em ferradura. Na hora de se formar, os rins não se separaram, ficaram unidos. Isso não interfere em nada anatomicamente, ele continua tendo ureteres normais, mas é um defeito que é possível, porque na formação do sistema genito-urinário eles são formados mais ou menos juntos, mas eles se separam em determinado momento e nessa separação do órgão genital, às vezes você pode ter uma não separação dos rins. Isso é uma variação anatômica, não é uma anomalia. O ultimo é uma grande descoberta da humanidade, quando você tem uma falência renal, você pode fazer a filtração do seu sangue por um mecanismo artificial, de hemodiálise. Pra se livrar da hemodiálise, você tem que fazer um transplante de rim. 7