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Aula 08  Lingustica e o Ensino de Lngua Portuguesa  Cont. Met. e Prat. de Ensino da Lngua Portuguesa

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tipo de 
texto, mais fácil será a sua compreensão. Desse modo, a leitura é de suma importância, 
pois o indivíduo torna-se capaz de: compreender a mensagem; compreender-se na 
mensagem e compreender-se pela mensagem. Faz-se necessário que o ser humano se situe 
no mundo, que saiba diagnosticar a leitura como sendo um bem primordial à sua 
existência, pois apenas assim saberá se posicionar diante dos fatos. 
O ato de ler se faz presente em todos os meios educacionais das sociedades letradas. É 
um ato imprescindível para a formação de um cidadão crítico, participativo e consciente 
de seu papel na sociedade. Apesar da leitura ser tão requisitada e estar presente em todas 
as propostas de enriquecimento na aquisição de experiências, ela ainda é pouco praticada 
e é grande fonte de inquietação no processo educacional brasileiro, tal como afirma o 
autor Ezequiel Theodoro, em seu livro Fundamentos Psicológicos para uma nova Pedagogia 
da Leitura. 
O acesso à cultura se relaciona diretamente com o acesso ao livro, uma vez que o 
patrimônio cultural, histórico e científico da humanidade, encontra-se registrado por meio 
de escritos, e estes registros, como fonte de conhecimento, dão a possibilidade de 
promover discussões e reflexões, de mudança de hábitos e de vivenciarmos novas 
experiências, interagindo com o mundo à nossa volta. 
Segundo Júlio Bueno, presidente da BR Distribuidora: “Cada vez mais o executivo tem que 
ter uma visão diversificada do mundo. Em muitos casos, as habilidades técnicas podem 
ser superadas pelas habilidades culturais e os livros são o motor deste conhecimento. A 
leitura de uma vasta bibliografia é tão importante quanto um grande conselheiro no 
processo decisório de qualquer executivo.” (em Notícias do Salão, edição especial 
- nº 2 – novembro de 2001). 
EXERCÍCIO 
Canguru 
Todo mundo sabe (será?) que canguru vem de uma língua nativa australiana e quer dizer 
“Eu Não Sei”. Segundo a lenda, o Capitão Cook, explorador da Austrália, ao ver aquele 
estranho animal dando saltos de mais de dois metros de altura, perguntou a um nativo 
como se chamava o dito. O nativo respondeu guugu yimidhirr, em língua local, Gan-guruu, 
“Eu não sei”. Desconfiado que sou dessas divertidas origens, pesquisei em alguns 
dicionários etimológicos. Em nenhum dicionário se fala nisso. Só no Aurélio, nossa pequena 
Bíblia – numa outra versão. 
Definição precisa encontrei, como quase sempre, em Partridge: Kangarroo; wallaby 
As palavras kanga e walla, significando saltar e pular, são acompanhadas pelos sufixos rôo 
e by, dois sons aborígines da Austrália, significando quadrúpedes. 
Portanto quadrúpedes puladores e quadrúpedes saltadores. 
Quando comuniquei a descoberta a Paulo Rónai, notável linguista e grande amigo de 
Aurélio Buarque de Holanda, Paulo gostou de saber da origem “real” do nome canguru. 
Mas acrescentou: “Que pena. A outra versão é muito mais bonitinha”. Também acho. 
Millôr Fernandes, 26/02/1999, In <http://www.gravata.com/millor>. 
Pode-se inferir do texto que: 
( ) as descobertas científicas têm de ser comunicadas aos linguistas. 
( x ) os dicionários etimológicos guardam a origem das palavras. 
( ) os cangurus são quadrúpedes de dois tipos: puladores e saltadores. 
( ) o dicionário Aurélio apresenta tendência religiosa. 
( ) os nativos desconhecem o significado de canguru. 
Em contrapartida, o que observamos é uma sociedade voltada às informações televisivas 
e mediáticas, que são oferecidas, muitas vezes, de forma padronizada, impossibilitando o 
indivíduo a desenvolver um olhar mais crítico, diante dos problemas que assolam a 
sociedade em que convive. 
Por isso, a leitura tornar-se de fato uma atividade indispensável a qualquer área do 
conhecimento da vida de um ser humano. O ato de não ler acarreta a todos os indivíduos 
um processo de alienação da herança cultural do seu país. Tornando-o um ser fora do 
contexto social, logo, limitado aos progressos oferecidos pela evolução política, 
econômica, social e cultural. 
Devemos reconhecer que o leitor está sujeito às transformações, críticas, reflexões e 
manifestações de conhecimentos quando se propõe a ler. 
É necessário, desse modo, resgatar a importância e a necessidade da leitura, 
reconhecendo-a como essencial ao conhecimento, ao sucesso acadêmico e profissional, à 
interação, alargando experiências de vida de cada indivíduo. 
A leitura é, sem dúvida, o alicerce fundamental da humanidade. 
A formação do leitor, ampliando seu acesso aos diversos tipos de textos presentes em 
nossa indústria cultural deve ser o processo norteador das práticas escolares. É 
fundamental destacar a importância de trabalhar com a perspectiva de construção do 
sentido de cidadania com as crianças, jovens e adultos, por meio de atividades de reflexão 
crítica da realidade. 
Ao trabalhar a leitura como construção da inventividade e criticidade do indivíduo, 
permitimos que cada um possa construir a sua história de leitura através de outras leituras, 
pois acreditamos que ler é abrir janelas que ampliam as possibilidades de se conhecer 
mais e melhor a si mesmo e ao mundo. 
O objetivo das práticas de leitura no espaço escolar é de buscar caminhos, de fazer a 
criança e o jovem experimentarem um contato diferente com a leitura, que proporcione 
prazer, alegria, reflexão, surpresa, emoção e tudo mais que os bons textos nos provocam. 
Em algumas pesquisas e projetos de leitura desenvolvidos em encontros com as crianças, 
jovens e adultos, percebemos que após o convívio com as variadas formas de expressão e 
motivados pela leitura, têm revelado sonhos, histórias de vida, drama e percepções. Como 
nos diz, Magda Soares (2003): “Letramento é, sobretudo, um mapa do coração do homem, 
um mapa de quem você é, e de tudo que você pode ser”. 
A leitura literária, por exemplo, tem um importante papel na formação dos valores, 
conceitos e da afetividade do indivíduo, pois a cada obra ou texto lido e assimilado, vai 
se construindo algo de significativo. O universo do livro possibilita abrir estradas, 
desvendar mistérios, construir e realizar sonhos. 
Partindo desse princípio, o professor tem um importante papel no processo de mediação 
da leitura como prazer, inventividade e formação do pensamento crítico. Segundo Marc 
Soriano (citado por Pires, 1976), 
“A leitura não é apenas uma técnica de informação e educação, é também um prazer – 
um dos raros que a humanidade inventou – um processo regulador que por uma série de 
identificações e compensações, nos permite uma adaptação mais rápida à sociedade, 
permanecendo nós mesmos. É uma conquista decisiva e insubstituível para a humanidade, 
como o fogo é e o erguer-se sobre os pés, que nos compete manter a todo o custo. Um 
homem que não lê, que não se cultiva, que não utiliza plenamente seus dons, constitui 
um intolerável desperdício, é a mais preciosa energia que não foi empregada e ameaça 
ser perdida num mundo que tem tanta necessidade de se tornar melhor.” (p.137) 
PIRES, Nice. Crianças, jovens e a literatura. Fundação Getúlio Vargas, 1976. 
O que se discute é a formação do leitor que busca a leitura pelo prazer, pelo conhecimento 
e autoconhecimento, para a reflexão sobre o status quo, que busca novos horizontes, que 
forma e transforma uma consciência crítica do mundo, que através da leitura realiza 
viagens fantásticas no mundo imaginário, trazendo para o mundo exterior e concreto seus 
sonhos, anseios, medos. Um leitor capaz de escolher e decidir que obra deseja ler, quando 
começar e quando parar. Um leitor que tem a visão ampla do mundo e que tem um gosto 
variado e consciente do que há para ler. 
Como afirma Lajolo (1997): 
“Cada leitor, na individualidade de sua vida, vai entrelaçando o significado pessoal de 
suas leituras com os vários significados que, ao longo da história de um texto, este foi 
acumulando. Cada leitor tem a história de suas leituras, cada texto,