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Resumo de Semiologia
Neurológica
Danilo Fernando – Medicina UFRGS
Resumo baseado em anotações de aula e nos livros Neuroanatomia Funcional 3ªEd – Ângelo
Machado, Netter – Neurologia Essencial, The Netter Collection of Medical Illustration 2ed – Ner-
vous System, Propedêutica Médica – Barbara Bates 11ªEd, Tratado de Semiologia Medica 7ªEd –
Swartz, Semiologia Médica7ªEd – Porto, Tratado de Semiologia Médica – Rose Mary Lisboa,
Semiologia Médica 1ªEd – Rocco
Danilo Fernando Semiologia Neurológica Med-UFRGS
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Danilo Fernando Semiologia Neurológica Med-UFRGS
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Sumário
Neurologia ................................................................................................................................................................................................. 3
Noções de Anatomia e Fisiologia .......................................................................................................................................................... 3
Sistema Nervoso Central (SNC) ........................................................................................................................................................ 3
Sistema Nervoso Periférico (SNP) .................................................................................................................................................... 6
Reflexos ............................................................................................................................................................................................ 9
Avaliação Clínica Neurológica ............................................................................................................................................................. 10
Atitude Física ou Posição do Paciente ............................................................................................................................................ 10
Avaliação das Funções Mentais Superiores ................................................................................................................................... 10
Estado Mental .......................................................................................................................................................................... 10
Coerência ................................................................................................................................................................................. 10
Orientação ............................................................................................................................................................................... 11
Memória .................................................................................................................................................................................. 11
Fala e Linguagem ..................................................................................................................................................................... 11
Avaliação da Marcha (Equilíbrio Dinâmico) ................................................................................................................................... 13
Equilíbrio Estático .......................................................................................................................................................................... 15
Coordenação Apendicular .............................................................................................................................................................. 15
Tônus Muscular e Trofismo ............................................................................................................................................................ 17
Movimentos Involuntários ............................................................................................................................................................. 19
Movimento Voluntário – Força ...................................................................................................................................................... 21
Reflexos Miotáticos ........................................................................................................................................................................ 24
Reflexos Superficiais (Cutâneos) .................................................................................................................................................... 26
Sensibilidade – Modalidades Sensoriais Simples ........................................................................................................................... 27
Sensibilidade – Gnosias .................................................................................................................................................................. 28
Praxia ............................................................................................................................................................................................. 30
Nervos Cranianos ........................................................................................................................................................................... 31
Nervo Olfatório (NC I) .............................................................................................................................................................. 31
Nervo Óptico (NC II) ................................................................................................................................................................. 32
Nervos Oculomotor (NC III), Troclear (NC IV) e Abducente (NC VI) ......................................................................................... 34
Nervo Trigêmeo (NC V) ............................................................................................................................................................ 36
Nervo Facial (NC VII) ................................................................................................................................................................ 37
Nervo Vestibulococlear (NC VIII) .............................................................................................................................................. 39
Nervos Glossofaríngeo (NC IX) e Vago (NC X) .......................................................................................................................... 40
Nervo Acessório (NC XI) ........................................................................................................................................................... 40
Nervo Hipoglosso (NC XII) ........................................................................................................................................................ 40
Principais Síndromes Neurológicas ..................................................................................................................................................... 41
Síndromes Motoras ........................................................................................................................................................................ 41
Paralisias ou Impedimentos ao Movimento Voluntário ........................................................................................................... 41
Anormalidades da Postura e do Movimento Involuntário ....................................................................................................... 43
Síndromes Medulares ....................................................................................................................................................................44
Síndromes Sensitivas ...................................................................................................................................................................... 45
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Neurologia
Noções de Anatomia e Fisiologia
Sistema Nervoso Central (SNC)
• Encéfalo: compreende o tronco encefálico, constituído
pelo bulbo, ponte e mesencéfalo; o cerebelo; e o cérebro;
este último é constituído pelo diencéfalo e pelo telencéfalo.
Responsável pelas funções mentais motoras, sensitivas,
associativas e superiores;
O encéfalo é constituído por uma vasta rede de neurô-
nios (células nervosas) interconectados, formados por cor-
pos celulares e axônios (longas fibras que conduzem impul-
sos para outras partes do sistema nervoso);
Essas estruturas, contidas na cavidade craniana, juntam-se à medula espinal, contida no canal
vertebral, formando o sistema nervoso central (SNC).
• Cérebro: composto por diencéfalo (tálamo, hipotálamo, epitálamo e subtálamo) e telencéfalo
(compreende os dos hemisférios cerebrais – direito e esquerdo).
Parte mais desenvolvida do encéfalo e ocupa cerca de 80% da cavidade craniana;
- O córtex tem aspecto enrugado, constituindo os giros e os sulcos, disposição esta que possibilita o
aumento considerável da camada cortical.
a) Diencéfalo: estrutura ímpar, situada na região central encefálica
que é recoberta pelos dois hemisférios cerebrais – composto por
tálamo, hipotálamo, epitálamo e subtálamo (imagem ao lado).
a1) Tálamo: região de grande importância funcional e atua como
uma estação de retransmissão para os principais sistemas sensiti-
vos (exceto a via olfatória).
Está ainda implicado no controle da motricidade (extrapirami-
dal), no comportamento emocional e no grau de ativação do córtex – as atividades do tálamo estão
estreitamente relacionadas com o córtex cerebral.
a2) Hipotálamo: envolvido na coordenação das respostas fisiológicas dos diferentes órgãos → man-
tém a homeostasia.
Funções: controle da atividade visceral, regulação da temperatura, controle emocional, regula-
ção do sono/vigília, regulação da fome/sede, regulação da diurese, regulação do metabolismo, re-
gulação da adeno-hipófise e comportamentos emocionais (p.e. raiva e impulso sexual).
a3) Epitálamo: possui função endócrina (secreção de melatonina) e não-endócrina, onde atua no
sistema límbico (centro de integração de vias aferentes olfatórias, viscerais e somáticas).
a4) Subtálamo: importante no controle motor – ajustes do movimento (extrapiramidal).
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b) Telencéfalo: composto por dois hemisférios cere-
brais, onde cada um deles possui um córtex cerebral
(substância cinzenta organizada em camadas celula-
res, e localizada superficialmente nos hemisférios), a
substância branca subjacente e os núcleos da base
(substância cinzenta organizada em núcleos, situada
profundamente nos hemisférios).
Os hemisférios cerebrais compreendem os lobos
frontais, temporais, parietais, occipitais e os lobos
das ínsulas (conforme a imagem ao lado).
- Cada lobo exerce tarefas especiais, apesar de o sistema nervoso funcionar de modo integrado.
Lobo frontal: planejamento e processamento motor voluntário, integração de funções superio-
res, como expressão da linguagem, consciência, raciocínio e tomada de decisão;
Lobo temporal: processamento de informações auditivas, gustativas e olfatórias, além de inte-
gração multimodal e de linguagem (percepção linguística);
Lobo parietal: processamento de informações táteis e integração sensorial multimodal;
Lobo occipital: processamento de informações visuais e integração sensorial multimodal;
Lobo da insula: processamento emocional para coordenação de comportamentos e estados
emocionais.
• “Dominância hemisférica”: estabelece o predomínio inato e
funcional de um dos hemisférios cerebrais.
±80% dos indivíduos apresenta dominância no hemisfério
esquerdo, especialmente para as funções práxicas (atividade
motora coordenada com uma finalidade – p.e. abrir uma porta),
gnósicas (percepção tátil de ‘objetos/coisas’ existentes na me-
mória do indivíduo) e da linguagem;
- Hemisfério direito, nesses indivíduos, auxilia o esquerdo em
suas funções (i.e. ele é muito ativo!).
Nos canhotos, entretanto, a dominância costuma ser no hemis-
fério direito no que diz respeito à linguagem e à habilidade manual.
*Importante: o hemisfério esquerdo controla funções do lado direito do corpo, assim como o he-
misfério esquerdo controla o lado direito. A exceção é o olfato, que é ipsilateral.
• Núcleos da base: situados profundamente nos hemisférios cerebrais.
Funções: controle motor, controle da motricidade ocular, seleção e automatização de rotinas,
controle de funções “executivas”, controle da motivação, controle da atenção, controle do afeto;
- As mais conhecidas funções estão associadas aos sistemas motores somático (circuito motor) e
visual (circuito oculomotor).
Envolvidos com movimentos finos das extremidades;
Grande importância no sistema extrapiramidal – relacionado com a modulação dos movimentos
corporais voluntários, alterações posturais e integração autonômica.
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• Cerebelo: estrutura dividida filogeneticamente em arquicerebelo (parte mais
primitiva – responsável pela manutenção do equilíbrio através da coordenação
muscular), paleocerebelo (controle do tônus muscular e manutenção postural) e
neocerebelo (coordenação do movimento voluntário).
Ocupa cerca de 10% da cavidade craniana;
Realiza conexão ipsilateral (i.e. em caso de lesões cerebelares, os sinais e sin-
tomas corresponderão ao mesmo lado em que ocorreu a lesão).
• Tronco encefálico: conecta a medula espinal com as estruturas encefálicas
localizadas superiormente – dividido em mesencéfalo, ponte e bulbo.
Mesencéfalo: origem dos núcleos dos pares cranianos III e IV;
- Áreas integrativas visuais, auditivas e pupilares.
Ponte: origem dos núcleos dos pares cranianos V, VI e VII;
- Áreas de integração visceral (mastigação, salivação), expressão facial (mo-
vimentos oculares, fixação do olhar, expressão facial);
- Equilíbrio postural do corpo.
Bulbo: origem dos núcleos dos pares cranianos VIII, IX, X, XI, XII.
- Áreas de integração visceral (respiratório, vasomotor, vomito, tosse,
movimentos linguais, etc.);
- Pirâmides: estrutura formada por um feixe compacto de fibras nervosas
descendentes que ligam as áreas motoras do cérebro aos neurônios
motores da medula.
∟Este trato é chamado de trato piramidal (ou trato córtico-espinhal);
∟ Cerca de 90% dessas fibras motoras cruzam-se na linha
média, formando a decussação das pirâmides.
• Medula espinal: situada abaixo do bulbo – possui aspecto alongado,
envolta pela coluna vertebral e que termina ao nível da primeira ou
da segunda vértebra lombar (L1 ou L2) – abaixo disso encontra-se a
cauda equina (formada por raízes nervosas do SNP e líquor).
Atua como um conduto para o fluxo de informações aferentes e
eferentes do cérebro;
Apresenta duas regiões de intumescência – cervical e lombar (ple-
xos braquial e lombo-sacral, responsáveis, respectivamente, pela co-
ordenação dos membros superiores e inferiores).
Dividida em segmentos:
- Cervical (C1-C8);
- Torácico (T1-T12);
- Lombar (L1-L5);
- Sacral (S1-S5);- Coccígeo.
*Curiosidade: para não lesionar a medula espinal, a maioria das punções lombares é realizada nos
interespaços vertebrais de L3-L4 ou L4-L5.
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Sistema Nervoso Periférico (SNP)
• Sistema nervoso periférico (SNP): formado por nervos (cranianos, 12 pares – espinhais, 31 pares),
gânglios e terminações nervosas.
Dividido em sistemas nervoso somático e nervoso autônomo.
- Somático: controla fundamentalmente a musculatura esquelética, de contração voluntária;
- Autônomo: exerce controle de funções geralmente independentes da vontade.
∟Subdivido em simpático e parassimpático.
• Nervos cranianos: doze pares de nervos especializados, denominados nervos cranianos, que
emergem da abóbada craniana através dos forames e canais do crânio e se conectam às estruturas
na cabeça e no pescoço.
Origem dos nervos: III a XII originam-se no diencéfalo e no tronco encefálico.
- NCs I e II são, na verdade, tratos de fibras que emergem do cérebro.
• Nervos cranianos (NC) e suas funções:
1) NC I (olfatório): olfato;
2) NC II (óptico): visão;
3) NC III (oculomotor): constrição pupilar, abertura dos olhos (elevação da pálpebra)
e a maioria dos movimentos extraoculares;
4) NC IV (troclear): rotação interna (medial) e para baixo do olho;
5) NC V (trigêmeo): possui funções sensoriais e motoras;
Motor: músculos temporal e masseter (ato de cerrar
a mandíbula), músculos pterigoideos laterais (movi-
mento de lateralização da mandíbula);
Sensorial – facial: o nervo tem três divisões: oftálmica
(V1), maxilar (V2) e mandibular (V3).
6) NC VI (abducente): desvio lateral (externo) do olho;
7) NC VII (facial): possui funções sensoriais e motoras;
Motor: movimentos faciais, inclusive aqueles da expressão facial, fechamento dos olhos e fecha-
mento da boca;
Sensorial: paladar para substâncias salgadas, doces, azedas e amargas nos ⅔ anteriores da língua
8) NC VIII (vestibulococlear): audição (divisão coclear) e equilíbrio (divisão vestibular);
9) NC IX (glossofaríngeo): possui funções sensoriais e motoras;
Motor: faringe;
Sensorial: partes posteriores da membrana timpânica e do meato acústico, a faringe e o ⅓ pos-
terior da língua, inclusive paladar (salgado, doce, azedo, amargo).
10) NC X: (vago): possui funções sensoriais e motoras;
Motor: palato, faringe e laringe;
Sensorial: faringe e laringe.
11) NC XI (acessório): músculo esternocleidomastoideo e a parte
superior do músculo trapézio;
12) NC XII (hipoglosso): movimento da língua.
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• Vias motoras (eferentes): se estendem desde os neurônios motores superiores, por meio de lon-
gos tratos de substância branca, e fazem sinapse com os neurônios motores inferiores, seguindo
depois para a periferia por meio de estruturas nervosas periféricas – podemos dividir didatica-
mente em vias piramidal (passa pelas pirâmides bulbares) e extrapiramidal (não passa).
Neurônios motores superiores: localizados na faixa motora do córtex cerebral e em vários nú-
cleos do tronco encefálico – possuem axônios que fazem sinapses com núcleos motores no tronco
encefálico (nervos cranianos) e na medula espinal (nervos periféricos);
Neurônios motores inferiores: têm corpos celulares na medula espinal, denominadas células do
corno anterior; seus axônios transmitem impulsos através das raízes anteriores e dos nervos espi-
nais para os nervos periféricos, terminando na junção neuromuscular.
a) Via piramidal:
Trato córtico-espinhal (piramidal): une o córtex cerebral aos neurônios motores da medula.
- A maioria das fibras são motoras somáticas – 90% decussam na região das pirâmides bulbares
(TCE lateral – “motricidade voluntária é cruzada”), 10% não decussa (TCE anterior).
- Medeia o movimento voluntário e faz a integração de movimentos delicados, complicados ou que
exijam destreza;
- Carreiam impulsos que inibem o tônus muscular, ou seja, a discreta tensão mantida pelos múscu-
los normais mesmo quando relaxados – há estimulação/inibição de determinadas ações musculares
Trato córtico-nuclear (bulbar): transmite impulsos aos neurônios motores do tronco encefálico.
- Fazem sinapse no tronco encefálico com os núcleos motores dos nervos cranianos.
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Influenciam a
musculatura do
esqueleto axial e a
musculatura proxi-
mal dos membros.
b) Via extrapiramidal:
Trato teto-espinhal: responsável pela orientação reflexa da cabeça e manu-
tenção da focalização visual aos estímulos visuais – possui projeção homolateral;
Trato vestíbulo-espinhal: atuam no controle do tônus dos músculos exten-
sores na manutenção anti-gravitacional da postura – manutenção do equilíbrio;
Trato retículo-espinhal (pontino e bulbar): responsável pela postura básica
necessária a execução de movimentos delicados;
Trato rubro-espinhal: controla os músculos distais dos membros, sob o comando de influencias
corticais – possui projeção contralateral.
• Vias sensoriais (aferentes): levam diferentes formas de sensibilidade dos receptores periféricos
ao córtex – as vias exteroceptivas e proprioceptivas são avaliadas no exame neurológico.
Todas as formas de sensibilidade geral estão representadas na medula e formam as grandes vias
aferentes – as sensibilidades especiais têm correspondência com o tronco encefálico (visão, audi-
ção, equilíbrio, gustação e olfato);
Funções da sensibilidade: percepção sensorial, manutenção do estado consciente, controle do
movimentos somáticos, regulação dos órgãos viscerais internos;
Vias aferentes: iniciam na periferia, nos receptores (terminações nervosas sensíveis aos estímu-
los específicos de cada via) e seguem para um nervo espinhal (ou craniano) e um gânglio sensitivo
associado; depois, em direção ao SNC, agrupam-se em feixes (tratos, fascículos, lemniscos) de
acordo com a função; seguem para áreas de projeção corticais e podem ter como destino o cérebro
(sensibilidade consciente) ou o cerebelo (sensibilidade inconsciente).
a) Vias exteroceptivas:
a1) Protopática: responsável pela sensação de dor, temperatura,
tato protopático (grosseiro) e pressão – há decussação à nível
medular e, em seguida, ascensão da aferência pelo trato espino-
talâmico (conforme a imagem ao lado).
Trato espinotalâmico anterior: responsável pelo tato protopá-
tico (grosseiro) e pressão;
Trato espinotalâmico lateral: responsável pela sensação de
dor e temperatura (termoalgesia).
a2) Epicrítica (tato preciso e localizado): localiza e descreve as características táteis de um objeto.
*Importante¹: o tato epicrítico e a propriocepção consciente possuem vias idênti-
cas de condução – elas permitem que o indivíduo reconheça e discrimine a forma
e tamanho dos objetos sem o auxílio da visão → estereognosia.
- Fascículo grácil (conduzem impulsos dos membros inferiores e porção inferior
do tronco) e fascículo cuneiforme (conduzem impulsos dos membros superiores
e da porção superior do tronco);
- Essas duas vias ascendem até o bulbo pelos funículos grácil e cuneiforme e so-
frem decussação no bulbo (conforme a imagem ao lado).
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*Importante²: as aferências táteis (protopática e epicrítica) são sobrepostas e têm suas funções du-
plicadas nas vias entre a periferia e o córtex → em caso de lesão emuma via, o tato permanecerá.
b) Vias proprioceptivas:
b1) Consciente: responsável pela sensibilidade vibratória (p.e. estímulos vibratórios de um diapa-
são) e sensibilidade cinético-postural (capacidade de situar partes do corpo ou perceber seu movi-
mento sem auxílio visual).
b2) Inconsciente: reconhecimento da posição de membros e articulações.
Trato espino-cerebelar anterior: estímulos oriundos dos membros;
- Via homolateral (as fibras se cruzam 2 vezes – 1ª na medula e a 2ª antes de penetrar no cerebelo);
Trato espino-cerebelar posterior: estímulos oriundos do tronco.
Reflexos
• Conceitos importantes:
Fuso neuromuscular: capaz de realizar ajustes muito rápidos
quando o músculo é estirado – mantém o comprimento do muscular
em um valor desejado (responsável pelo tônus muscular);
Órgão tendinoso de Golgi: diminui a ativação do músculo quando
forças excepcionalmente grandes são geradas → proteção da integri-
dade muscular.
• Reflexos espinais: resposta estereotipada involuntária que envolve até
mesmo dois neurônios, um aferente (sensorial) e um eferente (motor), atra-
vés de uma sinapse única – são retransmitidos para estruturas do SNC e SNP.
Para que o reflexo ocorra, todos os componentes do arco-reflexo têm de
estar íntegros: fibras nervosas sensoriais, sinapse na medula espinal, fibras
nervosas motoras, junção neuromuscular e fibras musculares.
• Reflexo monossinaptico: envolve arcos-reflexos com uma sinapse do SNC.
É a base das respostas testadas em exames neurológicos;
- Reflexos tendinosos profundos: aquileu (S1, basicamente), patelar (L2, L3,
L4), supinador/braquiorradial (C5, C6), bicipital (C5,C6), tricipital (C6, C7).
∟Um reflexo anormal pode ajudar a localizar uma lesão patológica.
Estiramento do músculo (p.e. ao percutir com o martelo sobre o tendão)
→ reflexo miotático (ocorre uma contração da musculatura agonista e o re-
laxamento da antagonista [inervação recíproca]);
Mecanismos (conforme o esquema ao lado):
a) O estímulo é sentido pelo órgão receptor, enviado à medula através de
neurônios aferentes;
b) Na medula, neurônios associativos recebem a informação e emitem uma
ordem de ação através dos neurônios motores;
c) Os neurônios eferentes chegam ao órgão efetor que realizará uma res-
posta ao estímulo inicial.
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Avaliação Clínica Neurológica
Atitude Física ou Posição do Paciente
• Atitude ativa: pode ser indiferente (quando não há desconforto e o indivíduo pode ficar em qual-
quer posição) ou eletiva (indivíduo adota uma posição peculiar com o objetivo de diminuir um des-
conforto ou devido a limitação funcional);
• Atitude passiva: quando o paciente não é capaz de movimentar voluntariamente.
Avaliação das Funções Mentais Superiores
Estado Mental
• Nível de consciência: refere-se ao estado de alerta do indivíduo, portanto, de sua capacidade
para interagir com o meio.
a) Estado de vigília (lucidez): percepção consciente do mundo exterior e de si mesmo – paciente
abre os olhos, olha para o examinador e responde de modo pleno e apropriado aos estímulos.
Abordagem: converse com o paciente com um tom normal de voz.
b) Sonolência/letargia: paciente é facilmente despertado, abre os olhos e olha para o examinador,
responde mais ou menos adequadamente e volta a dormir.
Abordagem: converse com o paciente em voz mais alta – por exemplo, chame o nome do paci-
ente ou pergunte como ele está passando.
c) Obnubilação: consciência levemente comprometida e estado de alerta comprometido discreta-
mente – paciente abre os olhos e olha para o examinador, mas responde lentamente e parece algo
confuso – o grau de interesse e o nível de consciência estão diminuídos.
Abordagem: sacuda gentilmente o paciente como se o estivesse acordando.
d) Estupor ou torpor: nível de consciência mais comprometido, paciente desperta por estímulos
fortes (p.e. estímulos dolorosos) e pode apresentar movimentos espontâneos.
- Abordagem: aplique um estímulo álgico – por exemplo, belisque um tendão, friccione o esterno
ou risque um leito ungueal com a ponta aguçada de um lápis (não mais intensos do que isso!).
As respostas verbais são lentas ou até mesmo inexistentes;
O paciente retorna ao estado não reativo quando o estímulo cessa;
Existe mínima conscientização de si mesmo ou do ambiente.
e) Coma: incapacidade de o paciente perceber e compreender o mundo exterior e a si mesmo – pa-
ciente não responde aos estímulos e permanece com os olhos fechados;
Abordagem: aplique repetidamente estímulos álgico.
Coerência
• Coerência: característica daquilo que tem lógica e coesão, quando um conjunto de ideias ou fatos
apresenta nexo e uniformidade;
• Incoerência: forma grave de transtorno do pensamento e da linguagem, cujas características prin-
cipais consistem em distorções gramaticais, mudanças inexplicáveis de um tópico para outro e au-
sência de uma conexão lógica entres as partes do discurso.
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Orientação
• Orientação: capacidade de estar orientado quanto à própria pessoa, tempo e espaço.
Na pessoa: perguntar o nome do paciente, idade, local de nascimento e nome dos pais;
No tempo: pergunta-se ao paciente o ano, o mês, o dia do mês, da semana e a estação do ano;
No espaço: pergunta-se o número do andar ou o setor em que se encontra no momento, o
nome do local onde se encontra, a cidade, o estado e o país.
• Desorientação: síndrome frequente em quadros psicorgânicos (sendo denominada confusão
mental ou delirium), mas pode ocorrer em pacientes psicóticos.
Memória
• Memória: capacidade para acumular e reter informações percebidas – relacionada o tempo
transcorrido entre sua aquisição e o momento em que são evocadas.
a) Imediata: informações adquiridas há segundos, minutos.
Abordagem: dizer uma sequência de números ao paciente (em torno de 6-7 números) e pedir
para que ele repita em seguida – também podemos dizer 3 palavras (utilizadas para testar a memó-
ria recente – exemplos: “pente, rua, azul” ou “orangotango, quente, China”) e pedir para que ele
repita em seguida (teste de memória imediata) e memorize para que seja perguntado posterior-
mente (teste de memória recente).
b) Recente: informações adquiridas há minutos, horas, poucos dias.
Abordagem: dizer 3 palavras ao paciente e pedir para que ele as memorize (p.e. “pente, rua,
azul”, “orangotango, quente, China”), após 5-10 minutos pedir para que ele repita as palavras.
*Importante: a memória recente é comprometida na demência e no delirium.
- Os transtornos amnésicos comprometem a memória ou a capacidade de aprender coisas novas e
reduzem a capacidade funcional social ou ocupacional do indivíduo, sem ter as características glo-
bais do delirium ou da demência;
- Ansiedade, depressão e retardamento mental também comprometem a memória recente.
c) Memória remota: informações adquiridas há semanas, meses, anos.
Abordagem: perguntar sobre datas de nascimento, aniversários, número da identidade, nomes
de escolas frequentadas, empregos que a pessoa teve ou eventos históricos passados, como guer-
ras relevantes no passado do paciente.
- Devem ser passiveis de verificação pelo orientador – a presença de acompanhante pode ser de
grande ajuda para confirmar os fatos.
*Importante: a memória remota está comprometida na fase avançada da demência.
Fala e Linguagem
• Linguagem: qualquer meio sistemático de comunicar ideias ou sentimentosatravés de signos convencionais, sonoros, gráficos, gestuais;
Área de Broca: responsável pela expressão da linguagem;
Área de Wernicke: responsável pela formação da linguagem.
• Disfasia: dificuldade de compreender ou de falar em decorrência de disfunção cerebral;
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• Afasias: distúrbios da compreensão e da expressão da linguagem falada e escrita.
Afasia motora (de expressão): paciente sabe o que quer dizer, mas tem um comprometimento
motor e não consegue articular apropriadamente – os pacientes compreendem ordens escritas e
verbais, mas não conseguem repeti-las.
- Geralmente os pacientes apresentam-se nervosos, inquietos e alguns tentam expressar alguma
forma de vocalização (sons monossílabos, dissílabos) – podemos abordá-los perguntando se estão
nos compreendendo como: “Se o senhor. estiver compreendendo, poderia levantar a mão?”.
Afasia sensitiva (de recepção): paciente articula espontaneamente a fala, porém usa palavras im-
próprias – ele tem dificuldade de compreender ordens escritas e verbais e não consegue repeti-las.
- Geralmente os pacientes apresentam-se dispersos e respondem com palavras aleatórias e sem
coerência.
∟Exemplo: entrevistador – “Qual o nome da senhora.?”
paciente – “O ônibus está atrasado!”
*Importante: demência degenerativa pode iniciar o quadro com afasia.
• Avaliação da linguagem:
Fala espontânea:
- Articulação das palavras: observar se as palavras são pronunciadas de modo claro e distinto;
- Fluência: essa característica envolve a velocidade, o fluxo e a melodia da fala, além do conteúdo e
do uso das palavras;
- Parafasias palavras deformadas (“eu escrevo com uma paneta”), erradas (“eu escrevo com um
chapéu”) ou inventadas (“eu escrevo com um cristóbolo”).
Nomeação: pedir ao paciente para dizer nome de objetos comuns (relógio, mesa, caneta);
Repetição: pedir ao paciente para repetir uma frase curta, como "sem nem, mas nem porquê";
Leitura: pedir ao paciente para ler uma passagem curta em voz alta;
Escrita: pedir ao paciente para que escreva uma passagem curta.
Transtornos da linguagem (tabela – Bates):
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Avaliação da Marcha (Equilíbrio Dinâmico)
• Marcha ou equilíbrio dinâmico: ao observar a maneira pela qual o paciente se locomove é possí-
vel, em algumas afecções neurológicas, suspeitar ou fazer o diagnóstico sindrômico.
Marcha normal: paciente anda em linha reta e vira-se – normalmente o equilíbrio é fácil, os bra-
ços se deslocam alternadamente ao lado do tronco e o ato de virar é realizado sem oscilação;
Disbasia: todo e qualquer distúrbio da marcha – pode ser uni ou bilateral.
• Avaliação da marcha:
Observar a marcha;
- Solicitar que o paciente caminhe pelo aposento ou no corredor, vire e retorne;
- Avaliar postura, o equilíbrio, o balanço dos membros superiores e os movimentos dos membros
inferiores (se o paciente estiver desequilibrado, protege-lo para evitar quedas).
Marcha tandem: caminhar com um pé atrás do outro em linha reta;
- Pode revelar ataxia até então despercebida.
Caminhar na ponta dos pés e depois apoiado nos calcanhares.
- Testes sensíveis, respectivamente, para flexão plantar e dorsiflexão dos calcanhares, assim como
para equilíbrio;
∟Caminhar na ponta dos pés e apoiado nos calcanhares pode revelar fraqueza da musculatura dis-
tal nos membros inferiores;
∟A incapacidade de andar apoiado nos calcanhares é um teste sensível de lesão do TCE.
• Marchas anormais (principais):
a) Marcha ceifante (ou hemiplégica): paciente mantém o membro superior fletido em 90°
no cotovelo e em adução, e a mão fechada em leve pronação.
O membro inferior do mesmo lado é espástico, e o joelho não flexiona – descreve um se-
micírculo quando o paciente troca o passo (lembra o movimento de uma foice em ação).
Causas: acidente vascular cerebral (AVC), síndrome piramidal.
b) Marcha parkinsoniana: paciente anda como um bloco, enrijecido, sem o movimento au-
tomático dos braços – a cabeça permanece inclinada para a frente, e os passos são miúdos
e rápidos, dando a impressão de que o paciente “corre atrás do seu centro de gravidade” e
vai cair para a frente.
Causa: doença de Parkinson.
c) Marcha cerebelar (marcha do ébrio ou ataxia cerebelar): paciente ziguezagueia como um bê-
bado – marcha insegura, titubeante e de base alargada, com dificuldade exagerada nas viradas.
Paciente não consegue ficar na posição ortostática com os pés juntos, estejam os
olhos fechados ou abertos.
Causa: ataxia cerebelar (incoordenação de movimentos em decorrência de lesões
do cerebelo).
- Existem outros sinais de comprometimento cerebelar, tais como dismetria, nistagmo
e tremor intencional.
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d) Marcha escarvante (pé caído): paciente com paralisia do movimento de flexão dorsal do
pé – ao tentar caminhar, toca com a ponta do pé o solo e tropeça – para evitar que isso
aconteça, ele levanta acentuadamente o membro inferior.
Paciente arrasta os pés ou levantam muito os pés, com os joelhos flexionados, e os abai-
xam com uma pancada no solo, parecendo que estão subindo degraus de uma escada.
- Esses pacientes não conseguem caminhar apoiados nos calcanhares.
Causas: lesão de nervo fibular ou ciático ou raiz de L5.
e) Marcha tabética (talonante ou ataxia sensitiva): paciente mantém o olhar fixo no
chão; os membros inferiores são levantados abrupta e explosivamente, e, ao serem re-
colocados no chão, os calcanhares tocam o solo de modo bem pesado – com os olhos
fechados, a marcha apresenta acentuada piora, ou se torna impossível (indica perda da
sensibilidade proprioceptiva).
Causas: tabes dorsalis (neurolues), mielose funicular (mielopatia por deficiência de
vitamina B12, ácido fólico ou vitamina B6), mielopatia vacuolar (ligada ao vírus HIV), mi-
elopatia por deficiência de cobre após cirurgias bariátricas, compressões posteriores da
medula (mielopatia cervical).
f) Marcha em tesoura: paciente avança cada membro inferior lentamente, e as coxas tendem a
cruzar uma com a outra anteriormente a cada passo – marcha rígida com passos curtos;
Os membros inferiores encontram-se enrijecidos e espásticos e permanecem semifletidos, os
pés se arrastam e as pernas se cruzam uma na frente da outra quando o paciente tenta caminhar;
O paciente parece estar caminhando na água;
Causa: manifestações espásticas da paralisia cerebral.
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Equilíbrio Estático
• Prova de Romberg: paciente é colocado em posição ortostática, com os calcanhares unidos e
pontas dos pés separados em 30°, cabeça reta, braços ao longo do corpo na posição anatômica,
olhos fechados (para inibir a visão) por um período de 30-60s sem apoio (deve-se, no entanto, pro-
teger o paciente para que ele não se machuque caso caia).
É um teste proprioceptivo (observa a capacidade de o paciente de manter a posição ortostática).
Prova de Romberg negativa: ocorre apenas oscilação mínima;
Prova de Romberg positiva: paciente apresenta oscilações do corpo,
com desequilíbrio e forte tendência à queda.
- Tendência para a queda pode ser para qualquer lado e imediatamente
após interromper a visão, indicando lesão das vias de sensibilidade pro-
prioceptivaconsciente (como acontece na síndrome cordonal posterior
– lesão dos funículos posteriores [fascículos grácil e cuneiforme]).
∟Na ataxia cerebelar, o paciente terá dificuldades em ficar de pé com
os pés juntos, estejam os olhos abertos ou fechados.
*Importante: diagnóstico diferencial para lesão do aparelho vestibular.
- Tendência de queda sempre para o mesmo lado, após transcorrer pequeno período de latência;
- Repetir a manobra com a cabeça do paciente virada para outro lado (queda mudará de sentido).
Coordenação Apendicular
• Coordenação: ação dos mecanismos reguladores na execução dos movimentos (por mais simples
que eles sejam) – regulam a direção, velocidade e a medida → econômicos, precisos e harmônicos.
Coordenação adequada traduz o bom funcionamento de, pelo menos, dois setores do sistema
nervoso: o cerebelo (centro coordenador) e a sensibilidade proprioceptiva (informa continuamente
ao centro coordenador as modificações de posição dos vários segmentos corporais);
Ataxia: perda de coordenação motora – pode ser cerebelar, sensorial ou mista.
• Provas de coordenação motora: dedo-nariz, dedo-nariz-dedo e calcanhar-joelho.
Repete-se a prova algumas vezes: primeiro, com os olhos abertos e, depois, fechados;
- Movimento normal esperado é limpo (sem ruídos e tremores) e preciso.
Durante o movimento, observamos a harmonia, a medida e o aparecimento de tremores (em
qual momento do movimento ele surge e sua intensidade).
Dismetria: consiste na execução defeituosa de movimentos que visam atingir um alvo, pois o in-
divíduo não consegue dosar exatamente o movimento.
- Hipermetria: quando paciente passa o alvo;
- Hipometria: quando paciente não atinge o alvo.
• Prova índex-nariz: com o membro superior estendido lateralmente, o paciente é solicitado a to-
car a ponta do nariz com o indicador.
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• Prova índex-nariz-índex: com o membro superior estendido
lateralmente, o paciente é solicitado a tocar o dedo do examinador
e, em seguida, tocar o próprio nariz.
• Prova calcanhar-joelho: realizado na posição de decúbito dorsal com os
membros inferiores estendidos, o paciente é solicitado a tocar o joelho oposto
com a ponta do calcanhar do membro a ser examinado.
Deslizar o calcanhar pela crista da tíbia (conforme a imagem ao lado).
*Importante: a realização dessas manobras de olhos fechados é fundamental na diferenciação de
ataxias sensoriais, que pioram muito ao fechar os olhos, diferente da cerebelar.
- Paciente com síndrome cerebelar pode decompor o movimento (fazer em "etapas"), errar o nariz
(dismetria) e apresentar tremor durante o movimento (tremor de intenção).
• Diadococinesia: consiste na alternância de movimentos rápidos – realização movimentos alterna-
tivos de pronação e supinação (conforme as imagens abaixo).
Eudiadococinesia: capacidade de realizar estes movimentos;
Disdiadococinesia: dificuldade em realiza-los;
Adiadococinesia: incapacidade de realiza-los.
• Prova de Stewart-Holmes (ou do rechaço): com o antebraço parcialmente fletido, forçando em
direção ao tórax (nunca direcionado à face – pedir para que o paciente vire a cabeça) e contra resis-
tência interposta pelo examinador que lhe segura o punho, este é bruscamente liberado.
Uma pessoa normal freia o movimento rapidamente;
Em lesões cerebelares, por falta de coordenação e de ação dos antagonistas, seu
punho choca-se contra o ombro ou tórax.
- Também pode ocorrer em hipotonia, déficit motor periférico e distúrbios extrapiramidais.
• Prova da indicação de Bárány: examinador com os braços estendidos e indicado-
res apontados para o paciente, paciente fecha os olhos, estende os braços e aponta
o dedo indicador no dedo indicador do examinador – se houver desvio nos dois
membros superiores: disfunção vestibular; se em só um membro, cerebelar.
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Tônus Muscular e Trofismo
• Tônus: estado de tensão constante no repouso ou a resistência a movimento passivo na ausência
de contração voluntária – a intensidade do tônus de repouso em um músculo depende da atividade
no segmento da medula espinal que o inerva.
Quando um músculo normal com inervação preservada está normalmente relaxado, ele mantém
uma discreta tensão residual denominada tônus muscular.
• Exame do tônus: realizado com paciente em decúbito dorsal em completo relaxamento muscular.
Inspeção: observar a posição dos membros (em flexão nas hemiplegias) e o contato das massas
musculares com o leito/maca;
Palpação: identificar se os músculos estão flácidos demais (hipotonia), normais, ou hipertônicos;
- Normalmente aumentada nas lesões motoras centrais e diminuída nas periféricas.
Movimentos passivos: realizar movimentos naturais de flexão e ex-
tensão nos membros com o objetivo de procurar por resistência (tônus
aumentado) ou resistência abaixo do normal (tônus diminuído) – tam-
bém procurar se existe ou não exagero no grau de extensibilidade da fi-
bra muscular.
- Exemplo: há diminuição do tônus quando a flexão da perna sobre a
coxa faz com que o calcanhar toque facilmente a região glútea.
Balanço passivo: o examinador, com as suas duas mãos, segura e balança o antebraço do paci-
ente, observando se a mão se movimenta de forma normal, exagerada (na hipotonia) ou diminuída
(na hipertonia) – manobra também pode ser aplicada nos membros inferiores.
• Hipotonia: diminuição do tônus muscular – observa-se consistência muscular diminuída, passivi-
dade aumentada, extensibilidade aumentada;
Causas: lesões do cerebelo, coma profundo, estado de choque do SNC, lesões das vias da sensi-
bilidade proprioceptiva consciente e dos nervos, na coreia aguda e no mongolismo.
• Hipertonia: aumento do tônus muscular – observa-se consistência muscular aumentada, passivi-
dade diminuída e extensibilidade aumentada.
Causas: lesões das vias motoras piramidal e extrapiramidal.
a) Hipertonia piramidal (espasticidade): observada comumente na hemiplegia, na diplegia
cerebral infantil, na esclerose lateral amiotrófica (ELA) e na mielopatia compressiva.
Principais características:
- Eletiva: tem predomínio nos extensores dos membros inferiores e flexores dos membros
superiores e atinge globalmente os músculos → postura de Wernicke-Mann (imagem ao lado);
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- Elástica: possui retorno à posição inicial de um segmento do
corpo (antebraço, por exemplo) no qual se interrompeu o mo-
vimento passivo de extensão;
- Sinal do canivete: possui resistência inicial, porém uma vez
vencida esta resistência inicial, o movimento fica fácil, quase
espontâneo, até a flexão total do mesmo (imagem ao lado).
b) Hipertonia extrapiramidal (rigidez): encontrada no parkinsonismo, na degeneração hepatolenti-
cular e em outras doenças desse sistema.
Tem duas características básicas que a diferenciam da hipertonia piramidal:
- Não-eletiva: acomete globalmente a musculatura agonista, sinergista e antagonista;
- Plástica: possui resistência constante à movimentação passiva, como se o
segmento fosse de cera (rigidez cérea) – está habitualmente associada ao
sinal da roda dentada, que se caracteriza por interrupções sucessivas do
movimento, lembrando os dentes de uma engrenagem em ação.
Distúrbios do tônus muscular (tabela – Bates):• Trofismo muscular: indicador da massa muscular – avalia-se a circunferência
os braços, antebraços, coxas e pernas.
Hipotrofia: redução do trofismo;
- Atrofia: ocorre em casos mais intensos (observe a imagem ao lado).
- Causas: lesão do neurônio motor inferior, miopatias, desuso resultante de lesão
de neurônio motor superior ou imobilização do membro.
Hipertrofia: aumento do trofismo.
- Causa neurológica (rara): miotonia congênita.
• Exame do trofismo muscular: inspeção visual e palpação, observando-se seu volume.
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Movimentos Involuntários
• Extrapiramidais:
Movimentos atetóticos: mais lentos, sinuosos, frequentemente contí-
nuos, acometendo predominantemente extremidades distais (uni ou bilate-
ralmente), com contorção dos membros, hiperextensão e flexão dos dedos;
- Pode ocorrer simultaneamente à coreia (coreoatetose);
- Causas: anormalidades dos núcleos da base.
Movimentos coreicos: início abrupto, amplos, desordenados, rápidos e arrítmi-
cos – localizados na face ou nos membros;
- Paciente tende a esconder os movimentos anormais segurando os próprios membros;
- Causas: hereditária (coreia de Huntington), febre reumática (coreia de Sydenham).
Movimentos distônicos: lentos, com contrações musculares muito vigorosas, de
longa duração e que podem acometer grupos musculares isolados, um segmento cor-
poral ou grandes extensões corporais.
• Convulsões: são movimentos musculares súbitos e incoordenados, involuntários e paroxísticos,
que ocorrem de maneira generalizada ou apenas em segmentos do corpo (focais).
Convulsões focais: oriundas de redes limitadas a um hemisfério – podem ser bem localizadas ou
apresentar distribuição mais ampla.
Transtornos convulsivos focais (tabela – Bates):
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Convulsões generalizadas: oriundas em algum ponto em redes bilateralmente distribuídas que
são rapidamente recrutadas – incluem estruturas corticais e subcorticais, mas não incluem necessa-
riamente todo o córtex.
- Podem começar com movimentos corporais e/ou comprometimento da consciência.
Transtornos convulsivos generalizados (tabela – Bates):
• Sincinesias: movimentos associados anormais que se evidenciam nos membros deficitários
quando o paciente executa um determinado movimento no lado não comprometido (p.e. a mão do
lado hemiplégico se contrai quando o paciente fecha fortemente a mão do lado normal).
• Fasciculações: contrações breves, arrítmicas e limitadas a um feixe muscular – pode ser visível
sob a pele ou detectada mais profundamente com eletromiografia.
Em indivíduos normais podem ser espontâneas (ocasional), após exercício (fadiga), tensão, ansi-
edade, uso de café e cigarro;
Causas patológicas: síndrome do neurônio inferior, tétano, tireotoxicose.
• Hemibalismo ou balismo (quando bilateral): movimentos amplos, de início e
fim abruptos, envolvendo frequentemente os segmentos proximais dos mem-
bros e, também, tronco e segmento cefálico → deslocamentos bruscos, violen-
tos envolvendo grandes massas musculares.
Causas: lesão do núcleo subtalâmico contralateral devido AVC, traumatismo,
tumor cerebral etc.
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• Tremores: movimento involuntário estereotipado, rítmico, produzido por contrações alternadas
ou sequenciais de músculos agonistas e antagonistas de um segmento corporal.
Classificados em:
a) Tremor de repouso: são mais proeminentes em repouso e diminuem ou
desaparecem com os movimentos voluntários.
- Comum na doença de Parkinson.
b) Tremor postural: ocorre quando existe a manutenção voluntária de uma posição contra a gravi-
dade (testa-se com os braços estendidos em frente ao corpo).
Desaparece quando os músculos estão relaxados;
Tremores essenciais: condição esporádica com movimentos bilaterais,
de alta frequência dos membros superiores que ocorrem com o movi-
mento dos dois membros e a postura sustentada – tremores da cabeça,
da voz e dos membros inferiores também podem ocorrer.
c) Tremor intencional: aparecem com o movimento e frequentemente se agra-
vam à medida que a mão se aproxima do alvo.
Podem ser uni ou bilaterais, acometem tanto os membros superiores quanto
os membros inferiores;
Causas: transtornos das vias cerebelares (p.e. esclerose múltipla) ou em qual-
quer outra doença do cerebelo.
Movimento Voluntário – Força
• Em geral, a fraqueza proximal está relacionada com doença muscular e a fraqueza distal está rela-
cionada com doença neurológica.
Se for encontrada fraqueza muscular, compare as forças proximal e distal.
• Graduação da força muscular:
Grau V: força muscular normal, vence a gravidade e a resistência do examinador;
Grau IV: vence a gravidade mas vence com dificuldade a resistência;
Grau III: vence a gravidade mas não vence a resistência;
Grau II: não vence a gravidade , apenas desloca o membro;
Grau I: não desloca o membro, apenas apresenta movimentos vestigiais, contração muscular;
Grau 0: ausência de contração muscular (plégico).
• Provas deficitárias: realizadas para verificar deficiência motora dos membros.
Exame dos braços estendidos: paciente mantém os membros superiores estendi-
dos para frente no plano horizontal, com os dedos afastados entre si, por ±1 minuto;
- Alterações podem indicar lesão do trato corticoespinal no hemisfério contralateral;
- Deslocamento lateral ou ascendente, algumas vezes associado a movimentos contor-
cidos das mão, é um achado sugestivo de perda da propriocepção.
Manobra de Mingazzini: paciente em decúbito dorsal, com as coxas fazendo ân-
gulo de 90º com abdome e as pernas fazendo um ângulo de 90ª com as coxas e os pés
na vertical por por ±1 minuto.
- É comum o paciente elevar os membros inferiores durante a manobra.
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• Avaliação por contra resistência: execução de um determinado movimento contra resistência
oposta pelo examinador.
EXAME DAS EXTREMIDADES SUPERIORES:
Exame da extensão e da flexão do braço: pode ser testada pedindo-se ao paciente que puxe e
empurre contra resistência.
- Você pode dizer: "Empurre para baixo... relaxe." "Empurre para cima... relaxe." "Empurre para
trás... relaxe." "Empurre para a frente... relaxe."
Exame da abdução do braço: peça ao paciente para estender os braços com
as palmas voltadas para baixo;
- Coloque suas mãos na parte lateral dos braços do paciente e oriente-o a abdu-
zir os braços contra resistência;
- Teste de abdução do braço pelo nervo axila, das raízes C5-C6.
Exame da flexão do antebraço: peça ao paciente para cerrar o punho e flexionar o
antebraço.
- Segure o punho do paciente e solicite a ele que puxe o braço contra sua resistência;
- Teste de flexão do antebraço pelo nervo musculocutâneo das raízes C5-C6.
Exame da extensão do antebraço: peça ao paciente para abduzir o braço e
mantê-lo a meio caminho entre a flexão e a extensão.
- Apoie o braço do paciente, segurando seu punho – oriente o paciente a estender o
braço contra sua resistência;
- Teste de extensão do antebraço pelo nervo radial das raízes C6-C8.
Exame da extensão do punho: oriente o paciente a cerrar o punho e estendê-lo
enquanto você tenta empurrá-lo para baixo.
- Teste de extensão do punho pelo nervo radial das raízes C6-C8. Exame da flexão do punho: solicite ao paciente que cerre o punho e o flexione
enquanto você tenta puxá-lo para cima.
- Teste de flexão do punho pelo nervo mediano das raízes C6-C7.
Exame da adução dos dedos: peça ao paciente para segurar seu segundo e ter-
ceiro dedos e apertá-los o mais forte que puder.
- Importante que o examinador faça com as mãos cruzadas para evitar que a mão
do paciente fique levemente pronada;
- Teste de adução dos dedos pelo nervo mediano das raízes C7-T1.
Exame da abdução dos dedos: peça ao paciente para estender a mão com a
palma voltada para baixo e abrir os dedos o máximo que puder – diga para resistir
à sua tentativa de unir os dedos.
- Teste de abdução dos dedos pelo nervo ulnar das raízes C8-T1.
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Teste do movimento de pinça: paciente é orientado a realizar uma pinça com o pole-
gar e o indicador enquanto o examinador tenta desfazer a pinça.
- Teste de abdução do polegar pelo nervo mediano das raízes C8-T1.
EXAME DAS EXTREMIDADES INFERIORES:
Exame da adução do quadril: peça ao paciente para afastar os dois membros
inferiores e coloque suas mãos na parte medial dos joelhos dele – oriente-o a fe-
char os membros inferiores contra sua resistência.
- Teste de adução do quadril pelo nervo obturador das raízes L2-L4.
Exame da abdução do quadril: coloque suas mãos nas margens laterais dos joe-
lhos do paciente. Peça a ele que abra os membros inferiores contra sua resistência.
- Teste de adução dos quadris pelo nervo glúteo superior das raízes L4-S1.
Exame da flexão do joelho: peça ao paciente para elevar um joelho com o pé
descansando sobre a mesa de exame – oriente-o a manter o pé para baixo en-
quanto você tenta estender a perna.
- Teste de flexão do joelho pelo nervo ciático das raízes L4-S1.
Exame da extensão do joelho: oriente o paciente a elevar o joelho com o pé
descansando sobre o leito – coloque sua mão esquerda sob o joelho e peça ao
paciente para estender a perna contra a resistência de sua mão direita, que
está colocada na face anterior da perna dele.
- Teste de extensão do joelho pelo nervo femoral das raízes L2-L4.
Exame da flexão dorsal do tornozelo: coloque suas mãos sobre o dorso do pé e
peça ao paciente para fazer a flexão dorsal do pé no tornozelo contra sua resistência.
- Teste de flexão dorsal do tornozelo pelo nervo fibular profundo das raízes L4-L5.
Exame da flexão plantar do tornozelo: coloque sua mão sobre a planta do pé –
peça ao paciente para fazer a flexão plantar do pé no tornozelo contra a resistência.
- Teste de flexão plantar do tornozelo pelo nervo tibial das raízes L5-S2.
Exame da flexão dorsal do hálux: coloque sua mão sobre a face dorsal do hálux do
paciente – peça a ele para fazer a flexão dorsal do hálux contra sua resistência.
- Teste de flexão dorsal do hálux pelo nervo fibular profundo das raízes L4-S1.
Exame da Flexão Plantar do hálux: coloque sua mão na superfície plantar do hálux
do paciente – peça a ele para fazer a flexão plantar do hálux contra sua resistência.
- Teste de flexão plantar do hálux pelo nervo tibial posterior, das raízes L5 a S2.
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Reflexos Miotáticos
• Há uma variação individual na resposta reflexa – somente com experiência o examinador será ca-
paz de fazer uma avaliação adequada dos reflexos normais;
• Os reflexos são graduados em uma escala de 0 a 4+ da seguinte maneira:
0: abolido / 1 (+): diminuído / 2 (++): normal / 3 (+++): aumentado / 4 (++++): hiperativo.
• Reflexos da face:
a) Reflexo glabelar: percutir a glabela (região entre a base do nariz e os olhos).
Via do reflexo: nervo intermédio (aferente), nervo facial (eferente).
Resposta: contração bilateral do orbicular do olho com oclusão da rima palpebral;
Alterações: hiperativo nas lesões supranucleares bilateralmente (síndrome par-
kinsoniana, alterações pseudobulbares, quadros demencial).
b) Reflexo orbicular dos lábios: percussão no lábio superior na linha média, pode
ser feito com o martelo de reflexo ou o dedo médio do examinador.
Via do reflexo: nervo trigêmeo (aferente), nervo facial (eferente);
Resposta: contração da musculatura perioral com discreta protrusão dos lábios.
Alterações: normalmente existe discreta ou nenhuma resposta – hiperativo em
lesões cerebrais difusas.
c) Reflexo mentoniano: percutir levemente o mento com a interposição do dedo do
examinador, sendo que o paciente deve estar com a boca entreaberta.
Via do reflexo: nervo trigêmeo (aferente e eferente);
Resposta: contração dos masseteres, fazendo que haja elevação da mandíbula;
Alterações: normalmente existe discreta ou nenhuma resposta – hiperativo em le-
sões cerebrais difusas, Parkinson.
d) Reflexo palmomentual: pesquisa é feita pela excitação cutânea da eminência tenar.
Via do reflexo: nervo mediano (aferente), nervo facial (eferente);
Resposta: elevação do mento e do lábio inferior ipsilateral à estimulação;
Alterações: normalmente existe discreta ou nenhuma resposta – pode estar
presente em pacientes com síndrome do neurônio motor, tumores cerebrais, AVC.
• Reflexos fásicos (piramidais):
a) Reflexo bicipital: percute-se o tendão do bíceps na dobra do cotovelo com in-
terposição do polegar do examinador.
Resposta: contração do bíceps e consequente flexão e supinação do antebraço;
Teste dos nervos nas raízes C5-C6 – nervo musculocutâneo.
b) Reflexo tricipital: percute-se o tendão do tríceps acima da inserção do processo
olécrano da ulna.
Resposta: contração do tríceps, com extensão do cotovelo;
Teste dos nervos nas raízes C6-C8 – nervo radial.
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c) Reflexo braquiorradial (estilorradial): percute-se a apófise estiloide do rádio.
Resposta: contração do braquiorradial, flexão do antebraço
- Pode haver hiperreflexia → flexão dos dedos.
Teste dos nervos nas raízes C5-C6 – nervo radial.
d) Reflexo dos flexores dos dedos:
Resposta: normalmente não há resposta, quando alterado há contração dos
músculos flexores dos dedos (indivíduos com lesão piramidal ou hiperreflexia);
Teste dos nervos nas raízes C8-T1 – nervos mediano e ulnar.
Manobra de Hoffmann: falange média do dedo médio do paciente é fixada
entre o segundo e terceiro dedos que com seu polegar determina a flexão brusca
da última falange do paciente, pressionando a unha e relaxando-a subitamente;
Manobra de Trömner: percussão brusca da polpa dos dedos médio e indica-
dor do paciente com seu próprio dedo médio.
e) Reflexo patelar: percute-se o tendão patelar firmemente com a base do mar-
telo de reflexos.
Resposta: contração do quadriceps e extensão no joelho;
Teste dos nervos nas raízes L2-L4 – nervo femoral.
f) Reflexo do tendão de Aquiles: tendão do calcâneo é percutido pouco acima de
sua inserção na parte posterior do calcâneo.
Resposta: flexão plantar no tornozelo;
- Teste dos nervos nas raízes S1-S2 – nervo tibial.
g) Reflexo dos flexores dos pododáctilos (reflexo de Rossolimo): percute-se a su-
perfície plantar dos pododáctilos.
Resposta: não há resposta em indivíduos normais – um curto movimento de
preensão dos dedos do pé indica uma lesão piramidal.
*Importante²: quando os reflexos profundos estão assimétricos, é importante ava-
liar qual deles está aumentado ou diminuído– faz-se uso dos reflexos peitoral e
dos adutores da coxa (geralmente presentes em pacientes com hiperreflexia).
- Reflexo peitoral: percute-se o tendão do músculo peitoral maior na linha axilar
anterior com a interposição de um dedo e com o braço ligeiramente abduzido.
- Reflexo do adutor da coxa: percute-se o tendão dos adutores na parte distal da
face medial da coxa, com o membro levemente abduzido e também com a inter-
posição de um dedo.
*Importante²: clônus – série de contrações musculares involuntárias devido a um estiramento sú-
bito do músculo – normalmente está presente em pacientes com hiperreflexia e espasticidade.
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• Reflexos tônicos/posturais (extrapidamidais): contribuem para o tônus muscular.
Quando um indivíduo está de pé, de forma inconsciente um grupo de músculos é estendido e
outro grupo de músculo é flexionado – esse tipo de reflexo miotático tônico permite que o indiví-
duo mantenha sua postura natural.
Reação de Foix-Thevenard: realiza-se uma flexão dorsal no pé do paciente.
- Resposta: essa movimentação passiva desencadeia uma contração prolongada dos músculos en-
volvidos, levando à persistência dessa postura por algum tempo.
Reflexos Superficiais (Cutâneos)
• Reflexos cutâneos: são reflexos polissinápticos – são mediados por arco-reflexo, mas são contro-
lados inerentemente pelo sistema corticoespinal.
• Reflexo cutâneo-abdominal: obtido pelo estímulo da parede do abdome
com objeto semipontiagudo aplicado em sentido látero-medial nas regiões
epigástrica, umbilical e hipogástrica.
Resposta: contração dos músculos abdominais, desviando-se a cicatriz um-
bilical em direção ao estímulo.
*Observação: mulheres que não são nulíparas podem não apresentar o reflexo de-
vido à distensão dos músculos abdominais durante a gestação.
• Reflexo cutâneo-plantar: estimulação com instrumento semi-pontiagudo da
borda externa da planta do pé no sentido posteroanterior.
Resposta: contração dos músculos flexores dos dedos do pé.
- A via piramidal exerce inibição sobre este reflexo, o que determina a flexão plan-
tar dos dedos do pé quando for estimulada a planta do pé.
• Sinal de Babinski (indicador de lesão piramidal): após a estimulação, o
hálux responde com extensão lenta e majestosa.
Resposta do sinal de Babinski pode ser evocada de outras maneiras (além
do reflexo cutâneo plantar) em pacientes com síndrome do neurônio motor
superior – são os chamados sucedâneos ou equivalentes de Babinski.
- Sinal de Gordon: compressão da panturrilha;
- Sinal de Schafer: compressão do tendão de Aquiles;
- Sinal de Oppenheim: atrito da crista tibial;
- Sinal de Chaddock: obtido pela estimulação da face lateral do pé em torno do maléolo externo.
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toque com ambas alternativas
de modo aleatório
Sensibilidade – Modalidades Sensoriais Simples
• Exame sensitivo: subjetivo → depende totalmente da atenção e cooperação do paciente.
A percepção e interpretação de estímulos semelhantes difere entre indivíduos, e difere nas di-
versas partes do corpo do indivíduo e no mesmo indivíduo em circunstâncias diferentes;
Para um exame confiável o paciente deve compreender o procedimento e estar disposto a cola-
borar – devemos explicar de maneira simples o método dos testes que vamos realizar;
Os exames sensitivos são realizados com o paciente com os olhos fechados.
• Modalidades sensoriais:
Exteroceptivas: tato e pressão, dor, temperatura.
Proprioceptivas: sensibilidade vibratória (palestesia), sensibilidade cinético-postural.
• As alterações sensoriais podem ser no sentido de:
Aumento: hiperalgesia ou hiperestesia;
Perversão: sensação fantasma, parestesia (sensação percebida na ausência de estímulos), dises-
tesia (má interpretação – p.e. sensação dolorosa quando o estimulo é tátil);
Redução ou perda: hipoestesia ou anestesia.
• Avaliação da sensibilidade:
a) Tátil-algésica: avaliação entre hemicorpos (membros inferiores e superiores – no
sentido distal-proximal), nível entre metâmeros e discriminação entre estímulo tátil-
algésico usando agulha.
Tato: pode ser testado com um pedaço de algodão – o estímulo não deve ser sufici-
entemente pesado para produzir pressão sobre os tecidos subcutâneos.
Algesia: estimulação dos pés e mãos com uma agulha, ora com a ponta (estímulo
semi-algésico), ora com a base (estímulo tátil), de modo aleatório e com o indivíduo
com os olhos fechados.
b) Vibratória: examinada por meio de aplicação de estímulos vibratórios em proeminências
ósseas ou em articulações – estimulo vibratório produzido por diapasão de 128 Hz.
Membro superior: pinça entre o polegar e indicador (critério: examinador);
- Se alterado, fazer nos cotovelos.
Membro inferior: interfalângica do 1º pododáctilo (critério: ≥ 11 segundos).
- Se alterado, fazer nas rótulas e cristas ilíacas.
*Importante: se o examinador duvidar da fidedignidade da resposta, pode interromper a vibração
(tocando os ramos do diapasão) e observar a reação do paciente.
c) Térmica: uso de dois tubos de ensaio ou copos com água quente e fria, ou
até mesmo objetos com diferentes condutâncias térmicas – ou o cabo do
martelo (frio) e cabo de caneta esferográfica de material plástico ('quente').
Membros superiores: dorso das mãos (10x);
Membros inferiores: dorso dos pés (10x).
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d) Cinético-postural: pesquisada colocando-se passivamente o segmento
do membro em determinada posição, solicitando-se ao paciente que reco-
nheça essa posição sem o auxílio da visão.
Membros superiores: ao menos cinco posturas passivas do polegar;
Membros inferiores: ao menos cinco posturas passivas do pododáctilo.
*Importante: antes de iniciar o teste, explique ao paciente o que será realizado – exemplo: “com o
polegar assim (estendido) está para cima e, assim (flexionado) está para baixo.
Sensibilidade – Gnosias
• Gnosia: função que permite a pessoa interpretar estímulos previamente aprendidos que vêm do
exterior (p.e. objetos, pessoas, lugares) através dos órgãos dos sentidos.
• Tipos de gnosias:
Tátil (ou estereognosia): reconhecimento de objetos comuns pelo tato da mão;
Visual: reconhecimento de imagens e objetos pela visão;
Auditiva: reconhecimento de sons familiares;
Somatognosia: reconhecimento das diferentes partes do corpo.
• Agnosia: falha em reconhecer um estímulo sensitivo, apesar da sensibilidade primária
normal – as sensações elementares chegam até o córtex cerebral, mas não são integra-
das em padrões preexistentes, impossibilitando o reconhecimento do objeto.
Consiste na distorção da capacidade de reconhecer objetos como um lápis, pessoas,
familiares ou até mesmo sua figura diante de um espelho (exemplo – imagem ao lado).
• Tipos de agnosias:
a) Asterognosia (agnosia tátil): incapacidade de reconhecer os objetos pelo tato.
Causas: lesões do córtex parietal contralateral;
Exame: pedimos que o paciente feche os olhos e damos objetos de uso comum (p.e. caneta,
chave, papel) para que ele os identifiquem.
b) Agnosia visual: incapacidade de reconhecer objetos, pessoas, cores e símbolos gráficos, sob o
controle visual e na ausência de déficit significativo da visão.
Paciente pode ver o objeto que lhe é apresentado, mas não identifica seu significado; É incapaz de nomeá-lo e não se lembra de tê-lo visto antes, porém consegue nomeá-lo ou em-
pregá-lo corretamente quando o examina através de outro canal sensorial, como o tato.
Causa: lesão das áreas corticais de associação do lobo occipital.
Exame: pedimos que o paciente identifique objetos e cores.
*Adendo: prosopagnosia é a dificuldade ou impossibilidade para identificar fisionomias familiares.
- Paciente não consegue reconhecer, por meio da fisionomia, as pessoas de seu
relacionamento, mas as reconhece através da estatura, da voz e da vestimenta –
geralmente é capaz de denominar as diferentes partes da face da pessoa, mas
não consegue a síntese dos traços fisionômicos.
- Causa: lesão parietoccipital direita.
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c) Agnosia auditiva: incapacidade de reconhecer os distinguir vários sons que tenha ouvido, em-
bora a audição não esteja prejudicada.
Surdez verbal: dificuldade ou impossibilidade de compreensão da palavra e agnosia dos sons.
- Paciente pode não compreender a linguagem verbal, assim como também pode não identificar
sons não-linguísticos (p.e. animais, sinos);
- Fala espontânea, a leitura e a escrita são normais (diagnóstico diferencial de Wernicke);
- Exame: apresenta-se sons comuns (p.e. de animais, chuva etc.) e pedimos para que o paciente os
descrava. Também podemos ditar algumas palavras e pedir para que o paciente as transcreva.
- Causa: lesão das áreas secundárias do córtex auditivo do lobo temporal do hemisfério dominante.
Agnosia musical ou amusia: disfunção que compromete o processamento musical, embora tam-
bém possa englobar a memória e o reconhecimento musical.
- Pacientes com incapacidade para reconhecer um determinado tom de uma música ou percebem
inadequadamente as notas de uma melodia conhecida e são geralmente pessoas desinteressadas
por música e que habitualmente argumentam "não perceber nada de música".
- Causa: lesões no hemisfério cerebral direito.
*Curiosidade: estima-se que 4% da população é afetada por amusia congênita.
d) Assomatognosia: incapacidade de reconhecer partes do próprio corpo.
Diferem caso sejam lesões do hemisfério dominante ou do não-dominante;
Lesão no hemisfério não-dominante: ocorre negligência de um dos hemicorpos e diminuição na
percepção ou atenção extracorpórea decorrente de lesão parietal posterior do hemisfério cerebral
não-dominante – seu comprometimento determina falha no reconhecimento da metade do corpo
e do espaço contralateral à lesão.
- Podemos observar:
1) Negligência pelo hemicorpo – p.e. o paciente não faz a barba da hemiface contralateral à lesão;
2) Paciente não reconhece os membros de um dos lados do corpo como sendo próprios;
3) Ao solicitar que estenda os membros superiores, só o faz com o membro homolateral à lesão;
4) Fenômeno de extinção sensitiva – pesquisado por meio do duplo estímulo simultâneo em partes
simétricas do corpo (somente o hemicorpo não lesado será percebido).
Lesão no hemisfério dominante:
- Autotopagnosia: caracteriza-se pela incapacidade de o paciente nomear e locali-
zar partes de seu corpo devido a lesão parietal posterior do hemisfério dominante
– o paciente, por exemplo, pode perceber que há um braço próximo ao seu corpo,
não se dando conta que é o seu próprio;
- Exame:
∟Pedir para que o paciente mostre o seu dedo indicador (ou do examinador), o
anular e assim por diante (falha = agnosia digital, i.e., incapacidade de reconhecer, de distinguir, de
mostrar e de designar os dedos da própria mão ou do examinador);
∟Peça ao paciente que troque a própria orelha direita com o indicador da mão esquerda; o
examinador cruzará as suas mão e perguntará ao paciente qual é a sua mão direita (falha = agnosia
direita-esquerda).
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• Grafestesia: capacidade de perceber a escrita de palavras ou números es-
crita sobre a pele estando de olhos fechados.
O teste é feito na palma das mãos ou no dorso dos pês.
- Devemos ter o cuidado de usar números os letras diferentes e facilmente
identificáveis (p.e. 3 e 4 e não 3 e 9).
Anormalidades no teste podem indicar lesão do córtex parietal ou das
projeções talamocorticais que se estendem aos lobos parietais.
Praxia
• Praxia: caracterizam-se como funções neuropsicológicas complexas que correspondem a sistemas
de movimentos coordenados em função de um resultado ou intenção.
• Principais tipos de práxis:
Praxia ideativa: execução de atos que têm relação com o próprio corpo.
- Solicita-se ao paciente que use/simule o uso de objetos como pente, escova de dente etc.;
- Realização de atos complexos com objetos (p.e. colocar água no copo).
Praxia ideomotora: solicita-se ao paciente executar gestos de significação simbólica tradicional
(p.e. chamar alguém com a mão, gesto de despedida, fazer positivo e negativo com o polegar etc.).
Praxia construtiva: solicita-se ao paciente para desenhar uma casa, uma árvore, uma circunfe-
rência, um quadrado.
• Dispraxia: diminuição da capacidade de realizar a atividade (lesão profunda do lobo frontal).
• Apraxia: incapacidade de realizar um movimento voluntário mesmo quando não há déficits de
força motora, de sensibilidade ou de coordenação.
Paciente ouve e entende a ordem, mas não consegue integrar as atividades motoras que com-
pletarão a ação.
• Principais apraxias:
Apraxia ideativa: caracterizada pelo distúrbio da representação mental do ato a ser cumprido e
manifesta-se pela utilização defeituosa dos objetos – agnosia da utilização dos objetos.
- Paciente mostra-se incapaz de executar a sucessão lógica e harmônica dos diferentes gestos que
compõem o ato complexo.
- Causa: lesão do lobo parietal do hemisfério dominante.
Apraxia ideomotora: perturbação da representação simbólica de uma ação ou atividade gestual
de valor simbólico convencional (sinal da cruz, continência militar etc.).
- Causa: lesão no hemisfério dominante.
Apraxia construtiva: manifesta-se nas atividades complexas que ne-
cessitam de percepção e de representação das relações espaciais exis-
tentes entre diversos objetos ou diversas partes do objeto.
- Impossibilidade de o paciente executar um desenho ou reproduzir
uma figura geométrica;
- Causas: lesões parietoccipitais (mais frequentemente à direita).
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Nervos Cranianos
• Observe na tabela abaixo as funções dos nervos cranianos:
Nervo Olfatório (NC I)
• Nervo olfatório (NC I): não é rotineiramente examinado.
Exame: informar ao paciente que será apresentado odores para ele sentir, pedir para
que ele feche os olhos e que oclua uma das narinas (deve-se realizar uma de cada vez),
e o examinador fará apresentação ao paciente de odores familiares e não irritativos
(p.e. café, chocolate);
- Deve-se evitar substâncias irritativas, como amônia e mentol, que podem estimular o NC V.
Alterações: anosmia (perda do olfato), hiposmia (diminuição), hiperosmia (aumento), parosmia
(perversão), fantosmia (sensação de odores que não existem – em geral, descritos como pútridos);
Causas de alterações: meningiomas, doença de Parkinson (alterações olfatórias anos antes do
aparecimento de outros sintomas), crises epilépticas parciais no lobo temporal.
*Importante: perguntar se houve alterações em sabores de comidas (±80% provém do olfato).
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Nervo Óptico (NC II)
• Nervo óptico: o exame óptico consiste, em geral, em acuidade visual e campos visuais.
a) Acuidade visual: pede-se que o paciente identifique os caracteres da tabela de Snellen.
Examina-se cada olho em separado;
- Paciente deve manter ambos os olhos abertos – não se deve ocluir os olhos.
Caso o paciente use lentes corretivas, solicitar que ele as coloque.
b) Campos visuais: examinam-se os campos visuais do paciente para determinar a localização dos
déficits visuais na via óptica (conforme a imagem abaixo).
Exame: confrontação visual
- Olhos do paciente e examinador na mesma altura;
- Manter a ±60cm de distância;
- Testa-se um olho de cada vez (manter o outro
aberto, tapado com a mão);
- Pedir para que o paciente fixe o olhar (nariz, olho
ou pálpebra inferior do examinador);
- Mostrar um objeto ou dedo do examinador nos 4
campos de fora para dentro até que o paciente iden-
tifique o objeto.
Alterações dos campos visuais:
- Amaurose: perda de visão sem lesão do olho (A);
∟Pode ser causada por neurite óptica (esclerose múltipla, neurossífilis).
- Hemianopsia heterônima bitemporal: perda dos campos visuais nasais (B);
∟Pode ser causada por tumor de hipófise.
- Hemianopsia homônima: acometimento dos campos visuais nasal e temporal – quando a lesão é
do lado direito, haverá acometimento dos campos visuais nasal direito e temporal esquerdo (C);
∟Pode ser causada por neoplasia, abscesso, doença vascular.
- Quadrantanopsia homônima: acometimento de apenas um quadrante dos dois lados do campo
visual (D).
∟Pode ser causada por lesões em regiões específicas da alça temporal (de Meyer) da radiação óp-
tica (que ocorre frequentemente em cirurgias preventivas contra epilepsias, em que se retira o hi-
pocampo, havendo, frequentemente este tipo de lesão).
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Reflexos Ópticos – NCs II e III e Ramos Autonômicos
• Tamanho das pupilas:
normal miose midríase anisocoria
Diâmetro normal entre 2-5mm (varia de acordo com o indivíduo);
Miose: pupilas com menos de 2mm;
- Inervação parassimpática (NC III) é responsável pela miose.
Midríase: pupilas com mais de 5mm;
- Inervação simpática (chega por meio dos ramos carotídeos – também realiza elevação palpebral).
Anisocoria: diferença grosseira de diâmetro entre ambas.
• Exames de reflexos pupilares:
Exame fotomotor: examinador incide o feixe de luz em
uma pupila e observa a resposta nos dois lados – depende da
função dos NCs II e III.
- Exame fotomotor direto: contração ou constrição rápida da
pupila do lado estimulado;
- Exame fotomotor indireto ou consensual: contração da pu-
pila contralateral ao lado estimulado.
Reflexo de acomodação e convergência (fixação
central): paciente fixa o olhar em um ponto bem dis-
tante – haverá dilatação da pupila (midríase); depois
volta a olhar imediatamente para ponta do indicador
do examinador (ou algum objeto colocado subitamente
próximo ao paciente), situado próximo ao seu nariz –
resposta é a rápida constrição das pupilas (miose).
• Causas de anisocoria:
Síndrome de Claude Bernard-Horner: decorre de lesão do simpático cervical (traumatismo, tu-
mor do ápice pulmonar, pós-cirurgia cervical).
- Caracterizada pela tríade: miose, enoftalmia (retração anormal
do olho em relação à órbita – devido à paralisia do músculo de
Müller) e diminuição da fenda palpebral (ptose incompleta);
- Outros achados: reflexo fotomotor preservado, além de vasodila-
tação e anidrose da hemiface ipsilateral à lesão e na conjuntiva.
Lesão/compressão do NC III: ocorre midríase ipsilateral à lesão/compressão.
- Principal causa: compressão por aneurismas (p.e. na artéria comunicante posterior – T. Willis).
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Nervos Oculomotor (NC III), Troclear (NC IV) e Abducente (NC VI)
• A associação dos nervos cranianos oculomotor, troclear e abducente são responsáveis pela movi-
mentação dos olhos – motricidade ocular extrínseca.
• Os músculos da movimentação dos olhos e suas respectivas
inervações são:
Músculos retos lateral (NC VI) e medial (NC III);
Músculos retos superior (NC III) e inferior (NC III);
Músculos oblíquos superior (NC IV) e inferior (NC III).
• Avaliação palpebral:
Ptose: paralisia do elevador superior das pálpebras (NC III);
Pseudoptose (ptose incompleta): indivíduo consegue elevar a pálpebra
por esforço voluntário – ocorre na paralisia do simpático.
• Teste da movimentação dos olhos: avalia-se os NC III, IV e VI simultaneamente em razão de o
olhar ser um movimento conjugado.
Solicita-se ao paciente que mova os olhos no sentido lateral, oblíquo e horizontal.
- Isso pode ser feito pedindo ao paciente para que ele siga a ponta do teu dedo ou a ponta de um
objetivo nos sentidos vertical, horizontal e oblíquo (conforme a imagem abaixo).
O examinador deverá observar:
- O acompanhamento visual (pursuit);
- A velocidade e a precisão das sacadas visuais;
- A existência de paresias (redução/limitação do movimento);
- A existência de nistagmos*
*Importante: sacadas visuais – são os movimentos oculares rápidos que podem ocorrer de maneira
involuntária (sacada reflexa) ou voluntária – utiliza os NCs III, IV e VI para posicionar a fóvea a um
alvo específico e transmitir a visão (NC II).
- Alterações da sua precisão, ou seja, a incapacidade de acertar no alvo, sugere doença cerebelar
(são as chamadas sacadas hipométricas ou hipermétricas);
- Alterações na velocidade podem resultar de paresias.
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*Nistagmos: trata-se de uma oscilação voluntária, ou um tremor, do globo ocular – pode ser rít-
mico ou não-rítmico, pode ser horizontal ou vertical, pendular ou circular.
- Observa-se nistagmo nas doenças cerebelares, especialmente em associação a ataxia da marcha e
disartria (acentuação com a fixação retiniana), nos transtornos vestibulares (diminui com a fixação
retiniana) e na oftalmoplegia internuclear;
- A presença de nistagmo pode ser verificada no exame de movimento dos olhos.
• Significância das alterações dos nervos da motricidade extrínseca ocular:
a) Nervo oculomotor (NC III): inerva os músculos extraoculares reto superior, reto inferior, reto
medial, oblíquo inferior e elevador das pálpebras – sua porção parassimpática inerva o esfíncter
pupilar (responsável pela miose).
Funções: elevação da pálpebra, olhar para cima, para baixo e medial.
Lesões completas do NC III: resulta em ptose (queda da pálpebra superior –
conforme a imagem ao lado), paralisia do olhar medial, para cima e para baixo, e
estrabismo divergente → movimentos oculares anormais;
Compressão do NC III: como o NC III é revestido por fibras parassimpáticas
(conforme ao lado) que atuam na inervação do esfíncter pupilar, quando
há compressão do nervo (p.e. aneurisma) o parassimpático é bloqueado e
resulta em midríase.
- O início da compressão é marcado pela midríase – caso a compressão per-
sista, pode haver lesão nervosa cujos sintomas se somam (lesões comple-
tas + compressão).
b) Nervo troclear (NC IV): inerva o músculo oblíquo superior –
realiza abaixamentocom adução.
Lesões do NC IV: olho desviado para cima e para dentro;
- Paciente pode referir dificuldades de descer escadas.
Causas: DM, traumatismo cranioencefálico.
c) Nervo abducente (NC VI): nervo intracraniano mais longo – inerva o músculo reto lateral.
Lesões do NC VI: olho desviado para dentro (estrabismo convergente) – causa mais comum de
diplopia (visão dupla).
Causas: traumatismo cranioencefálico, meningites, DM, aneurisma.
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Nervo Trigêmeo (NC V)
• Nervo trigêmeo (NC V): o exame do nervo trigêmeo consiste em exame do reflexo da córnea,
exame da função sensitiva e exame da função motora.
• Exame do reflexo da córnea: depende da função dos NCs V e VII.
Estimulação mecânica da córnea (trigêmeo) causa o fechamento bilateral dos olhos (facial) e o
lacrimejamento – normalmente testado em pacientes comatosos.
- O fechamento palpebral ocorre por causa da estimulação bilateral do núcleo facial e a secreção
lacrimal pela estimulação do núcleo lacrimal (cujo nervo eferente emerge com o VII par);
- Função: proteção contra corpos estranhos.
Avaliação clínica: paciente com os olhos abertos olhando para
um dos lados, com um chumaço de algodão ou cotonete o exami-
nador irá tocar na córnea do olho contralateral.
- Deve-se aproximar lateralmente para fazer o toque para não des-
pertar o reflexo retiniano de defesa.
Resposta: oclusão de ambas as pálpebras.
- Quando existem lesões do NC V ou do NC VII o paciente não pisca.
∟Causas: consequências de herpes-zóster, traumatismo e tumores.
• Exame das funções motoras:
Pedir para o paciente morder ou cerrar os dentes enquanto se
palpam os músculos masseter e temporal bilateralmente.
- Perda de força unilateral faz que a mandíbula se desvie para o
lado da lesão.
Pedir para o paciente abrir bastante a boca;
- A mandíbula desviará em sentindo da lesão do NC V.
• Exame da sensibilidade da face:
Pedir ao paciente para fechar os olhos e responder quando sentir um
toque nas regiões inervadas pelos ramos oftálmico (V1), maxilar (V2) e man-
dibular (V3) (conforme a imagem ao lado).
- Aplica-se um pedaço de gaze em um lado da fronte e depois na posição
correspondente do outro lado, depois nas maçãs do rosto e na mandíbula;
∟Perguntar ao paciente se a sensibilidade de um dos lados dá a mesma
sensação que o outro lado ou dá uma sensação diferente.
Causas de perda de sensibilidade:
- Lesão do gânglio trigeminal (p.e. herpes zoster) – perda de toda a sensibilidade facial;
- Lesão contralateral do lobo temporal (córtex sensório) – perda ipsilateral do tato.
• Neuralgia do trigêmeo (tique doloso): ocorrência de dor angustiante (“em facada”) que dura ape-
nas segundos e é localizada na distribuição das divisões maxilar ou mandibular (mais comuns).
Frequentemente é provocada por movimento, toque, alimentação ou temperaturas frias;
Causas: schwannoma no NC V, compressão por meningioma ou aneurisma, esclerose múltipla.
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Nervo Facial (NC VII)
• Nervo facial (NC VII): o exame refere-se a parte motora do NC VII – músculos da expressão facial.
• Exame das funções motoras:
Pedir ao paciente para mostrar os dentes (sorriso);
Solicitar ao paciente que enrugue a testa;
Solicitar ao paciente que fecha os olhos o mais apertado possível.
- O examinador pode dizer: "Não me deixe abri-los!".
*Importante: observar se há presença de assimetrias.
• Tipos de paralisia do nervo facial: central e periférica (de Bell).
Vias de condução (observe a imagem abaixo):
- NC VII inerva bilateralmente a parte superior da face pelas fibras corticobulbares;
- Parte inferior da face tem apenas inervação unilateral dos centros corticais contralaterais.
a) Paralisia facial central: envolve as vias corticobulbares.
Causas: doenças vasculares (p.e. AVC), tumor, abscesso cerebral.
Paresia contralateral à lesão na parte inferior da face com função normal da parte superior;
- Paciente ainda consegue enrugar a testa porque a paresia facial ocorre nos ⅔ inferiores da face;
- Pode haver piscamentos desordenados.
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b) Paralisia facial periférica (paralisia de Bell): lesão nuclear (no núcleo motor do nervo facial) ou
no próprio nervo.
Causas: idiopática, viral, diabetes, trauma do nervo.
Paralisia homolateral à lesão que atinge toda a hemiface.
- Causa incapacidades de enrugar a testa e fechar o olho da região afetada (também resulta em res-
secamento da córnea → danos oculares), além de queda do canto da boca (incapacidade de sorrir).
Tipos de paralisia facial (tabela – Bates):
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Nervo Vestibulococlear (NC VIII)
• Nervo vestibulococlear (NC VIII): o exame consiste em avaliar a acuidade auditiva.
As funções vestibulares já foram abordadas separadamente no exame do equilíbrio estático e da
motricidade ocular extrínseca (nistagmo).
• Tipos de surdez (acusia – perda total de audição; e hipoacusia – diminuição da audição):
a) Surdez de condução/transmissão: quando existe uma lesão no ouvido externo (orelha ou pavi-
lhão e canal auditivo externo) ou no ouvido médio (tímpano e ossículos).
Causas: ‘rolha’ de cerume, perfuração do tímpano, otosclerose etc.
b) Surdez de percepção/neurossensorial: quando existe uma lesão no ouvido ou nas vias e centros
nervosos → afetam a capacidade de descodificação do som.
Causas: lesões do ouvido interno (traumatismo do nervo coclear, neuroma acústico, meningi-
oma ângulo ponto-cerebelar).
• Avaliação da audição: exame neurológico grosseiro.
a) Teste da fricção com os dedos (realizado em um ouvido de cada vez):
A mão do examinador deve ficar próxima ao ouvido do paciente;
Pedir ao paciente que feche os olhos e avisar quando começar a ouvir algum som;
Esfregar os dedos (conforme a imagem ao lado) de forma suave e se afastando la-
teralmente do paciente – pedir para o paciente avisar quando parar de ouvir.
b) Teste de Schwabach: comparação da condução óssea do paciente com a do examinador.
Examinador coloca o diapasão em vibração em sua própria mastoide e, a seguir, na do paciente.
c) Teste de Rinne: comparação da condução aérea com a óssea, de um mesmo ouvido.
Diapasão é aplicado sobre o mastoide (condução óssea) e, quando o som deixa de
ser percebido, o diapasão é colocado próximo ao ouvido externo (audição aérea).
Resposta normal: condução aérea > condução óssea → “Rinne positivo”;
- Distúrbios neurossensoriais: “Rinne positivo”;
- Distúrbios de condução: condução óssea > condução aérea → “Rinne negativo”.
d) Teste de Weber: permite detectar déficit na condução aérea.
Posicionar firmemente o diapasão vibrando no meio da testa do paciente;
Perguntar se ele ouve ou sente o som na orelha direita, esquerda ou no meio da testa;
Resposta normal: ouvir o som ou sentir a vibração no meio da testa – se o som não for ouvido no
meio ou se lateralizar, considera-se que há perda auditiva.
Surdez condutiva: som lateraliza para o lado afetado;
Deficiência auditiva sensorioneural unilateral: som não é ouvido no
lado afetado, mas é ouvido ou localizado pela orelha não afetada.
*Importante: na avaliação auditiva utiliza-seo diapasão de 512Hz.
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Nervos Glossofaríngeo (NC IX) e Vago (NC X)
• Nervo glossofaríngeo (NC IX): exame envolve a verificação do movimento do palato mole e o re-
flexo do vômito; nervo vago (NC X): exame envolve a verificação do movimento do palato mole.
• Exame da função sensitiva:
a) Reflexo do vômito: o examinador pode usar um abaixador de língua ou a haste de um aplicador.
Examinador deverá tocar o terço posterior da língua, o palato mole ou a parede faríngea poste-
rior para desencadear um reflexo de náusea;
b) “Teste do AHHHH”: examinador observa a se há elevação simétrica
do palato mole (normal) e se há desvio da úvula (normal é a úvula na
linha média – desvios representam lesões dos nervos).
Pedir ao paciente para abrir bem a boca e dizer "Ah...";
Resposta anormal: em caso de paralisia unilateral, o palato do lado
afetado não sobe e a úvula e a rafe mediana da faringe desviam para o
lado são (sinal da cortina).
*Importante: lesão dos nervos pode causar disfonia e disfagia.
- Disfonia: paralisia das cordas vocais (NC X) (observe as alterações nas cordas na imagem acima);
∟Alteração da fonação (fonação é a produção de sons pela vibração das cordas vocais) – alteração
do volume e da qualidade da voz (voz rouca – ocorre com o envolvimento do nervo recorrente).
- Disfagia: dificuldade de deglutir (comprometimento das fases oral e faríngea da deglutição).
Nervo Acessório (NC XI)
• Nervo acessório (NC XI): exame consiste nas provas de força contra-resistência
dos músculos trapézio e esternocleidomastoideo.
• Exame da função motora:
Exame do músculo trapézio: pode ser testado pedindo-se ao paciente para que
eleve os ombros em direção aos ouvidos e, em seguida, não deixe que o examina-
dor empurre para baixo.
- Lesão: ombro do lado afetado fica caído e há atrofia dos músculos envolvidos.
Exame do músculo esternocleidomastoideo: pode ser testado pedindo-se ao
paciente para que vire o pescoço e, em seguida, não deixe que o examinador pu-
xar para o lado contrário (deve ser realizado de ambos os lados).
- Lesão: diminuição de força na manobra e diminuição da massa muscular.
Nervo Hipoglosso (NC XII)
• Nervo hipoglosso (NC XII): nervo da motricidade da língua – exame inclui a observação da posição
da língua em protusão e em repouso e a força dos movimentos para a direita e para a esquerda.
• Exame da função motora:
Pedir ao paciente para protuir a língua, ora para frente, ora
para os lados – observar se há atrofia, fasciculações ou desvios;
Lesão unilateral do NC XII: desvio ipsilateral à lesão (língua em
protusão).
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Principais Síndromes Neurológicas
Síndromes Motoras
• As síndromes motoras consistem em:
Alterações do movimento voluntário;
- Síndrome do neurônio motor superior;
- Síndrome do neurônio motor inferior.
Alterações do movimento involuntário;
- Síndromes hipercinéticas;
- Síndrome parkinsoniana.
Paralisias ou Impedimentos ao Movimento Voluntário
Síndrome do Neurônio Motor Inferior (ou do 2º Neurônio Motor ou Periférica)
• Síndrome do neurônio motor inferior (NMI): caracteriza-se por alterações na única saída da
transmissão das eferências, ou seja, no segundo neurônio motor (corpo celular ou axônio), que se
localiza no corno anterior da medula espinal ou nos núcleos dos nervos cranianos do tronco cere-
bral – os impulsos motores que partem do centro não chegam à periferia.
Afeta toda a unidade motora da região comprometida → abolição de todos os atos motores (vo-
luntários, automáticos e reflexos).
• Causas principais: poliomielite, esclerose lateral amiotrófica (ELA), amiotrofia espinal progressiva,
siringomielia, polineuropatia periférica, mononeuropatia e neuropatia múltipla.
Diagnóstico diferencial: radiculopatia (acometimento da raiz nervosa por compressão da raiz
nervosa ou inflamação) e lesão do nervo periférico.
• Manifestações clínicas:
Fraqueza muscular devido à paresia (paralisia incompleta ou diminuição da
motricidade) ou plegia (paralisia total) – depende do grau de acometimento;
Redução do trofismo da região afetada → atrofia muscular;
Bloqueio do arco-reflexo miotático → arreflexia ou atonia;
Desaferentação das fibras motoras → fasciculações.
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Síndrome do Neurônio Motor Superior (ou do 1º Neurônio Motor ou Piramidal)
• Síndrome do neurônio motor superior (NMS): decorre da interrupção, anatômica ou funcional,
do trato córtico-espinal (piramidal) (além de alguns acessórios extrapiramidais), cuja origem é nas
células do córtex motor, e os seus axônios terminam em sinapse com os neurônios situados na co-
luna ventral da medula.
Compreende sintomas deficitários ou negativos e sintomas de liberação ou positivos;
Principais causas: AVC, neoplasias, doenças desmielinizantes (esclerose múltipla), processos de-
generativos (esclerose lateral amiotrófica), traumatismos e infecções.
*Importante: a síndrome do neurônio motor superior é caracterizada por paralisia espástica (parali-
sia com hipertonia e hiperreflexia), havendo discreta atrofia muscular.
• Manifestações clínicas:
a) Sinais de supressão (déficits funcionais primários ou sinais negativos): decorrem diretamente à
perda de uma estrutura nervosa.
Paresia ou plegia – ocorre de maneira lateralizada e acomete globalmente os membros (afeta o
movimento voluntário) → perda ou diminuição da motricidade;
Diminuição ou abolição dos reflexos cutâneo-abdominais (definitiva ou transitória);
Atrofia muscular (afeta globalmente o segmento paralisado) devido ao desuso.
b) Sinais de liberação (efeitos secundários ou sinais positivos): surgem a partir de outras estrutu-
ras, inibidas pelo centro nervoso que foi perdido.
Sincinesias;
Sinal de Babinski;
Liberação de respostas reflexas primitivas;
Hiperreflexia;
Espasticidade (hipertonia).
- Eletiva: tem predomínio nos extensores dos membros inferio-
res e flexores dos membros superiores e atinge globalmente os
músculos → paciente adota posição antigravitacional;
- Elástica: possui retorno à posição inicial de um segmento do corpo (antebraço, por exemplo) no
qual se interrompeu o movimento passivo de extensão;
- Sinal do canivete: possui resistência inicial, porém uma vez vencida esta resistência inicial, o movi-
mento fica fácil, quase espontâneo, até a flexão total do mesmo (conforme a imagem abaixo).
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Anormalidades da Postura e do Movimento Involuntário
• Decorrem de disfunção dos núcleos da base.
Movimentos voluntários prejudicados;
Tônus muscular anormal;
Movimentos involuntários espontâneos anormais;
Posturas e reflexos posturais anormais;
Síndromes hipocinéticas;
Síndromes hipercinéticas.
Síndromes Hipercinéticas
• Síndromes hipercinéticas: constituem-se de sinais de liberação → movimentos involuntários
anormais (atetose, distonia, balismo, coreias).
Topografia de lesão: conexão entre o núcleo subtalâmico de Luys e o tálamo.
• Atetose: movimentos lentos, sinuosos, previsíveis, frequentemente
contínuos e rítmicos, acometendo predominantemente as extremidades
distais (uni ou bilateralmente), com contorção dos membros, hiperexten-
são eflexão dos dedos (conforme a imagem ao lado).
Pode ocorrer simultaneamente à coreia (coreoatetose).
• Coreia: movimentos de início abrupto, bruscos, inesperados, amplos, de-
sordenados, rápidos, arrítmicos e geralmente distais (balismo) – localiza-
dos na face ou nos membros.
Ocorre apenas na vigília (i.e. desaparece durante o sono).
• Distonia: movimentos lentos, com contrações musculares muito vigorosas,
de longa duração e que podem acometer grupos musculares isolados, um
segmento corporal ou grandes extensões corporais → manutenção de posi-
ção anômala sustentada (conforme a imagem ao lado).
• Hemibalismo ou balismo (quando bilateral): movimentos amplos, de início e
fim abruptos, envolvendo frequentemente os segmentos proximais dos mem-
bros e, também, tronco e segmento cefálico → deslocamentos bruscos, violentos
envolvendo grandes massas musculares.
Síndrome Hipocinética ou Parkinsoniana
• Síndrome hipocinética ou Parkinsoniana: constitui-se de sinais de liberação e supressão.
Topografia de lesão: substância negra.
• Manifestação clínica – sinal de liberação:
Bradicinesia: caracteriza-se por lentidão e redução da amplitude da execução
de movimentos – também há redução da expressão facial (fácies parkinsoniana).
- Correlaciona-se com a redução dos níveis de dopamina no sistema nigroestriatal.
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• Manifestação clínica – sinal de supressão:
Tremores de repouso;
- Diminuem com a extensão dos braços;
- Pioram com o estresse.
Hipertonia extrapiramidal;
- Não-eletiva: acomete globalmente a musculatura agonista, sinergista e antagonista;
- Plástica: possui resistência constante à movimentação passiva, "como se o segmento fosse de cera
(rigidez cérea) → hipertonia muscular (pode manter-se sustentado em uma posição).
Sinal da roda dentada – caracteriza-se por interrupções sucessivas do movimento, lembrando os
dentes de uma engrenagem em ação.
• Outras manifestações clínicas:
Alterações olfatórias (manifesta anos antes do aparecimento de outros sintomas);
Alterações posturais – postura fletida e instabilidade postural;
Marcha parkinsoniana – movimento em bloco, enrijecido, sem o movimento automático dos
braços e execução de rotação corpórea (“girar/virar”) de modo não-automático;
Reação de Foix-Thevenard (reflexo extrapiramidal).
Síndromes Medulares
• Transecção completa da medula espinal: causa abolição imediata de todos os ti-
pos de sensibilidade (tanto superficial quanto profunda) e da motricidade voluntária
abaixo do nível da lesão.
• Hemissecção medular (síndrome de Brown-Séquard): provoca a perda da motricidade voluntá-
ria ipsilateral e inferior à lesão (decussação à nível bulbar) e a perda da sensação
termoalgésica contralateral e inferior à lesão (decussação à nível medular).
A sensibilidade tátil é preservada devido à sobreposição das aferências protopá-
tica (decussação à nível bulbar) e epicrítica (decussação à nível medular), que têm
suas funções duplicadas nas vias entre a periferia e o córtex → em caso de lesão em
uma via, o tato permanecerá.
• Lesão dos funículos posteriores: caracterizada por perda da propriocepção cons-
ciente, também denominada sensibilidade cinético-postural.
Este comprometimento condiciona a ataxia, que piora com o fechamento dos
olhos (sinal de Romberg), e a estereoanestesia (incapacidade de reconhecer a forma
de objetos pelo tato) – também há acometimento da sensibilidade vibratória;
- Não há perda significativa das outras modalidades sensoriais.
Causas principais: esclerose múltipla e tabes dorsalis (complicação tardia da infecção sifilítica).
• Lesão do canal central da medula: caracterizada pela interrupção das fibras de
dor e de temperatura (decussação à nível medular), com característica dissociação
da sensação cujas perdas ocorrem apenas no segmento corporal envolvido (não
acima e não abaixo dele – acomete apenas o dermátomo em questão) – não há
perda tátil (sobreposição das aferências táteis) nem proprioceptiva (decussação à nível bulbar).
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Síndromes Sensitivas
• Anormalidades sensitivas são classificadas de acordo com a qualidade da alteração e a distribui-
ção da alteração.
a) Qualidade da alteração:
Aumento: hiperalgesia ou hiperestesia;
Redução ou perda: hipoestesia ou anestesia;
Perversão: sensação fantasma, parestesia (sensação percebida na ausência de estímulos), dises-
tesia (má interpretação – p.e. sensação dolorosa quando o estimulo é tátil).
b) Distribuição da alteração sensitiva: lesão de nervo.
b1) Mononeuropatia: decorre da lesão de um único nervo – quando há lesão de vários
nervos (>2 nervos), de forma assimétrica, é denominada mononeuropatia multifocal.
Causas: compressão, trauma, diabetes, intoxicação.
Manifestações sensório-motoras na distribuição de um nervo craniano ou periférico;
- Possui início agudo e doloroso devido a um infarto vascular do fascículo neural;
- Processo frequentemente autolimitado, com resolução do quadro entre 6 e 8 semanas;
Mononeuropatia focal mais frequente é a do nervo mediano, levando a uma sín-
drome do túnel do carpo de rápida instalação.
b2) Polineuropatia periférica sensitivo-motora: há acometimento em formato de “bota
e/ou luva”, de modo simétrico – acometimento é dependente do comprimento do nervo
(motivo pelo qual acomete preferencialmente os membros inferiores).
Sintomas:
- Positivos: ardor, queimação, pontadas, cãibras, choques, dormência, disestesia ou hipe-
ralgesia.
- Negativos: sensação de pé frio, perda da sensibilidade.
b3) Radiculopatia: lesão de uma única raiz nervosa que resulta em distribui-
ção da alteração sensitiva em faixas – representam os dermátomos (con-
forme a imagem ao lado) – quando há lesão de várias raízes nervosas é de-
nominada multirradiculopatia.
Causa mais comum: compressão por hérnia de disco intervertebral.
- Outras causas (menos comuns): infecções e tumores.
Neurologia
Noções de Anatomia e Fisiologia
Sistema Nervoso Central (SNC)
Sistema Nervoso Periférico (SNP)
Reflexos
Avaliação Clínica Neurológica
Atitude Física ou Posição do Paciente
Avaliação das Funções Mentais Superiores
Estado Mental
Coerência
Orientação
Memória
Fala e Linguagem
Avaliação da Marcha (Equilíbrio Dinâmico)
Equilíbrio Estático
Coordenação Apendicular
Tônus Muscular e Trofismo
Movimentos Involuntários
Movimento Voluntário – Força
Reflexos Miotáticos
Reflexos Superficiais (Cutâneos)
Sensibilidade – Modalidades Sensoriais Simples
Sensibilidade – Gnosias
Praxia
Nervos Cranianos
Nervo Olfatório (NC I)
Nervo Óptico (NC II)
Reflexos Ópticos – NCs II e III e Ramos Autonômicos
Nervos Oculomotor (NC III), Troclear (NC IV) e Abducente (NC VI)
Nervo Trigêmeo (NC V)
Nervo Facial (NC VII)
Nervo Vestibulococlear (NC VIII)
Nervos Glossofaríngeo (NC IX) e Vago (NC X)
Nervo Acessório (NC XI)
Nervo Hipoglosso (NC XII)
Principais Síndromes Neurológicas
Síndromes Motoras
Paralisias ou Impedimentos ao Movimento Voluntário
Síndrome do Neurônio Motor Inferior (ou do 2º Neurônio Motor ou Periférica)
Síndrome do Neurônio Motor Superior (ou do 1º Neurônio Motor ou Piramidal)
Anormalidades da Postura e do Movimento Involuntário
Síndromes Hipercinéticas
Síndrome Hipocinética ou Parkinsoniana
Síndromes Medulares
Síndromes Sensitivas