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PROGRAMA DE LUZ O sucesso da avicultura brasileira está ligado aos altos índices de produtividade que são influenciados pela genética, nutrição, ambiência e manejo, neste contexto o programa de luz constitui-se em ferramenta importante para melhorar o desempenho zootécnico das aves. A luz é um dos fatores ambientais mais importantes no controle das funções biológicas das aves. Programas com iluminação artificial tem sido utilizados na criação poedeiras, para aperfeiçoar o ganho de peso, controlar a idade para maturidade sexual e aumentar a produção de ovos. Para poedeiras os programas de iluminação são usados para estimular o aparelho reprodutor, com o objetivo de aumentar a produção de ovos. A influência da luz foi demostrada pela primeira vez em um trabalho realizado por Rowan em 1921 no Canadá, com o fornecimento de luz artificial simulando dias longos. O pesquisador fez com que as aves produzissem ovos no outono, mesmo com temperaturas abaixo de zero. A partir desses resultados iniciou-se uma série de estudos buscando compreender como a influência da luz era percebida pelas aves e como interferia na produção de ovos. O francês Jacques Benoit iniciou seus estudos por volta de 1930, e uma de suas principais contribuições consiste na constatação de que a via mais importante na recepção de luz, no estímulo luminoso à reprodução, é a via transcraniana. Desta forma ficou comprovado que mesmo as aves que não tinham visão recebiam estímulos luminosos. A duração diária da luminosidade interfere na reprodução, e a franga em crescimento mesmo não estando em reprodução sofre os efeitos do período de iluminação. O uso da iluminação durante a fase de crescimento controla a maturidade sexual, e é necessário para obter um bom número de ovos com tamanho adequado. Os programas variam de acordo com a estação do ano, peso corporal das aves, tipo de galpão e uniformidade. Contudo, alguns princípios devem ser lembrados como, na fase de recria, após a 10ª semana, aumentar a duração e a intensidade de luz antecipa a maturidade sexual e, ao reduzir ocorre o atraso na maturidade. O peso alto tenderá a antecipar a maturidade sexual e, se baixo atrasará, e por último durante a fase de produção a quantidade de horas de luz nunca deverá ser reduzida. Os fotorreceptores hipotalâmicos percebem a luz e transformam o sinal eletromagnético em uma mensagem hormonal, o seu efeito nos neurônios hipotalâmicos faz com que seja secretado o hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH). Esse por sua vez, age na hipófise produzindo as gonadotrofinas (LH - hormônio luteinizante e FSH - hormônio folículo estimulante). O LH e o FSH ligam-se aos seus receptores na teca e nas células granulosas do folículo ovariano, estimulando a produção de andrógenos e de estrógenos pelos folículos menores e a produção de progesterona pelos folículos pré- ovulatórios maiores. Os LH e FSH atuam sobre os folículos menores da hierarquia do ovário promovendo seu crescimento e maturação. Dessa forma, a utilização da luz artificial nas criações de aves comerciais serve tanto para retardar quanto para iniciar a atividade das gônadas. A modificação artificial do fotoperíodo é uma das mais poderosas ferramentas de manejo disponíveis para as aves reprodutoras. O início da postura pode ser adiantado ou atrasado, a taxa de postura pode ser influenciada, a eficiência alimentar, a qualidade da casca e o tamanho do ovo podem ser afetados pelo regime luminoso. Vários estudos demonstram que a resposta aos estímulos da luz é periódica e esse período se denomina fase fotossensível. Quando a ave recebe o primeiro estímulo luminoso (natural ou artificial), o relógio circadiano é ativado. A sensibilidade fotoperíodica é máxima entre 10 e 15 horas. Após esse período, a ave se torna fotorefratária, podendo-se concluir que fotoperiódos curtos não atingem a fase fotossensível, enquanto dias longos têm essa capacidade, coordenando, dessa forma, a postura. As aves distinguem um dia curto de um dia longo e esse é o motivo principal da ocorrência de migração na natureza. O dia mais curto do hemisfério sul, 21 de junho, é conhecido por solstício de inverno, e o mais longo, 21 de dezembro, por solstício de verão. Entre o solstício de inverno e o de verão, os dias têm luminosidade crescente, o que estimula a maturidade sexual. De modo contrário, a partir de solstício de verão, o fotoperíodo diminui, os dias se tornam mais curtos, inibindo o ciclo reprodutivo da galinha. Dias curtos não estimulam a secreção adequada de gonadotrofinas porque não iluminam toda a fase fotossensível. Dias mais longos, entretanto, fazem a estimulação e, desse modo, a produção de LH é iniciada. Esse mecanismo neurohormonal controla as funções reprodutivas, comportamentais e as características sexuais secundárias. A hierarquia folicular é a responsável direta pela intensidade e persistência da postura. EFEITOS DA LUZ O principal efeito da luz é alterar a idade em que as aves alcançam a maturidade sexual. Essa diferença não é produzida pela intensidade da luz, e sim pela duração do período de luz, que altera a idade de produção dos primeiros ovos. A intensidade da luz está mais relacionada com a uniformidade da maturidade sexual e com o aumento da sensibilidade orgânica em responder aos estímulos luminosos. Se diminui a quantidade de luz das aves que estão no período final de crescimento, aumentará a idade necessária para alcançar a maturidade sexual. Ao contrário, se aumenta a duração da luz, diminui a idade para alcançar a maturidade sexual. Em ambos os casos, em lotes recriados em galpões abertos, devem-se empregar sistemas especiais, com luz constante, para amenizar os efeitos sazonais do ano. É importante para lotes em produção (figuras 2 e 3) acender as luzes dos aviários durante o dia quando o tempo estiver muito fechado, para as aves não perderem o período mais fotossensível do dia. Alguns dos efeitos observados em aves criadas sem programa de luz adequado fora de estação são: Demora de três a quatro semanas na idade do início da produção; Picos baixos de produção e atrasados; Falta de persistência de produção; Diferenças de maturidade sexual entre fêmeas e machos; Possíveis problemas de eclosão; e sobrepeso das fêmeas. O programa de iluminação artificial deve ser realizado de acordo com a época em que as aves completarão 10 semanas de idade, pois a partir dessa idade as aves estão sensíveis há estímulos luminosos. Para isso, deve ser verificado se no período do ano a luz está crescente (21 de Junho a 21 de Dezembro) ou decrescente (21 de Dezembro a 21 de Junho). A região Sul apresenta alta latitude, ou seja, precisa adotar um programa de luz na recria. Na região Centro e Norte existe pouca diferença do comprimento do dia, diante disso, não é feito programa de luz na fase de recria. Algumas regras básicas são importantes para o programa de luz: Recria: evitar maturidade sexual precoce; Postura: Estimular a produção de ovos; Aves em crescimento devem ser submetidos à foto período constante e decrescente; Aves em produção devem ser submetidos à fotoperíodo constante e crescente; Não proporcionar estímulos luminosos para aves que não estejam com o peso corporal adequado, principalmente abaixo do esperado, pois resultará em ovos menores e menor produção. O período para estimular as aves com a luz vai depender de alguns fatores: Quando a ave atingir a idade cronológica mínima (18 semanas); O peso corporal mínimo para linhagem: Exemplo: Hy-Line Brown ( 1,48kg) e Hy- Line w-36 ( 1,27kg); O consumode nutrientes para suportar a produção; Luz do dia constante, ( ou em crescente) de pelo menos 12h. COMO ELABORAR O PROGRAMA DE LUZ Para elaborar o programa de luz deve ser determinado o seguinte: A data em que as aves completarão 10 semanas de idade; Verificar o comportamento da luz natural (crescente ou decrescente); Dias crescentes= 21/Junho a 21/dezembro; Dias decrescentes= 21/dezembro a 21/junho. No caso das aves completarem 10 semanas de idade no período CRESCENTE, o programa será o seguinte: O programa deve fornecer luz durante 24 horas, nos primeiros três dias de vida das aves; A partir do 3° dia até o 7° dias, deve ser fornecido 22 horas de luz; Quando as aves atingirem duas semanas de idade até completarem nove semanas, deixe somente a luz natural. Da 10ª semana até 18ª semana, deve ser feito um programa de luz decrescente gradativo, para que não haja desenvolvimento acelerado ao aparelho reprodutor. Quando o lote completar 18 semanas ou atingirem 5% de produção, os estímulos de luz devem começar, podendo ser de 15; 30 ou 60 minutos por semana, até completar 17 horas luz/dia; Para fazer o programa de luz decrescente quando as aves completarem 10 semanas de idade, deve-se verificar a hora em que o dia vai clarear na data que o lote vai completar 18 semanas (por ex: 6 horas), daí é só diminuir 2 horas da hora do nascer do sol. Esse será o momento de ligar o relógio: 6-2=4 horas, depois é só ligar o relógio as 4 horas da manhã, na 10ª semana, (120 min/8 semanas= 15 min/sem) e diminuir 15 min por semana, até a 18ªsemana. No caso das aves completarem 10 semanas de idade no período DECRESCENTE, não será necessário fazer programa de luz decrescente para a fase de recria. Neste tipo de programa deve-se fornecer luz durante 24 horas, nos primeiros três dias de vida das aves; A partir do 3ª dia até o 7° dia fornecer 22 horas de luz, quando as aves atingirem duas semanas de idade, até completarem 18 semanas; Quando o lote completar 18 semanas ou atingirem 5% de produção, comece os estímulos de luz, que podem ser de 15; 30 ou 60 minutos por semana, até completar 17 horas luz/dia. PROGRAMAS DE LUZ INTERMITENTE PARA POEDEIRAS A modificação artificial do fotoperíodo é uma das mais poderosas ferramentas de manejo disponíveis para as aves reprodutoras. O início da postura pode ser adiantado ou atrasado, a taxa de postura pode ser influenciada, a eficiência alimentar, a qualidade da casca e o tamanho do ovo podem ser afetados pelo regime luminoso. Os programas de luz podem ser classificados de acordo com o fotoperíodo, em hemerais ou ahemerais. PROGRAMAS HEMERAIS Os programas hemerais são compostos de períodos de 24horas, distribuídos em duas fases bem distintas uma da outra, chamadas de fotoperíodo ou fotofase (período com luz), e escotoperíodo ou escotofase (período sem luz). Para instalações abertas em que é aproveitada a luz solar, são utilizados somente programas hemerais. Programas hemerais podem ser classificados como contínuos e intermitentes. No programa continuo, a iluminação e feita após a luz natural, para formar um fotoperíodo longo e continuo. Já no intermitente é feita a combinação alternada de períodos de fotofase e escotofase. Quando as duas fases possuem a mesma quantidade de horas de fotofase e escotofase diz se que o programa é simétrico, e quando as fases não apresentam a mesma duração são chamados programas assimétricos. PROGRAMAS AHEMERAIS Nos programas de luz ahemerais são fornecidos períodos de fotofase e escotofase em combinação, que podem ser maiores ou menores que 24 horas, mas nunca iguais a 24 horas, e podem ser contínuos ou intermitentes. Embora existam poucos estudos detalhando o foto esquema ahemeral intermitente, sabe-se que esses programas são possíveis somente em ambiente controlado. Os programas ahemerais são usados para melhorar a qualidade da casca e aumentar o tamanho do ovo sem diminuir a postura. Existem dois programas intermitentes que possuem denominações específicas, Cornell e o programa biomitente. O programa Cornell foi desenvolvido por Tienhovrn e Ostrander (1976), na universidade de Cornell, estabelecendo o fornecimento de 2 horas de luz, 4 horas de escuro, 8 horas de luz e 10 horas de escuro, o que pode ser descrito como 2L:4E:8L:10E. Neste programa a ave interpreta como 14L:10E, ignorando portanto as 4 horas de escuridão e mantendo uma noite principal de 10 horas. Esse programa foi criado para que o avicultor pudesse exercer suas 8 horas de atividade durante o fotoperiodo natural. O programa intermintente biomitente consiste no fracionamento de horário nos ciclos alternados de luz/escuro (25%L:75%E/h). Esse programa foi desenvolvido visando aumentar o tamanho do ovo e melhorar a qualidade da casca. Programa biomitente de apenas 15 minutos de luz em cada hora, no período estimulatório, pode ser considerado interessante devido à redução na iluminação em 75% e melhora da eficiência alimentar em 5 a 7%. No entanto, segundo Rowland (1985), trabalhos realizados com este programa constataram a redução no tamanho dos ovos em 0,5 a 1%. O programa Cornell reduz o consumo de energia elétrica, diminui o consumo de alimento e leva a uma maior produção de ovos. Já o programa Biomitente, resulta em redução no consumo de ração, mas, o tamanho e o peso dos ovos são diminuídos, se for iniciado antes de 22 semanas em galinhas.