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DIREITO DAS OBRIGACOES E RESPONSABILIDADE CIVIL 2013-1

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notó-
ria, visto que foge da demanda sempre crescente do poder judiciário; o sigilo 
por sua vez, se dá na medida em que a regra geral dos processos tramitando 
no Poder Judiciário é a publicidade de seus respectivos atos.
Um detalhe a destacar é o fato de que as partes podem pactuar a utilização de 
um juízo tecnicamente mais especializado preparado para a solução desse litígio.
A atual lei supera os principais entraves que a arbitragem enfrentava an-
teriormente: (i) não havia dispositivo legal possibilitando o uso da cláusula 
compromissória; e (ii) havia necessidade de homologação do laudo arbitral 
pelo poder judiciário.
O compromisso tem um caráter contratual evidente. Através dele, não só 
confl itos são extintos, mas outras obrigações são criadas. Pode árbitro criar, 
modifi car ou extinguir direitos das partes.
Mas como entender essa natureza contratual? Através do pacto compro-
missório, as partes comprometem-se, num eventual litígio, a submeterem-
se ao árbitro e não ao Poder Judiciário. É uma contratação feita de modo 
preliminar. Alguns autores denominam essa relação sujeita à arbitragem de 
contrato base. O art. 4º da lei de arbitragem, nesse sentido, defi ne:
Art. 4º A cláusula compromissória é a convenção através da qual as 
partes em um contrato comprometem-se a submeter à arbitragem os 
litígios que possam vir a surgir, relativamente a tal contrato.
23 O art. 584, III do CPC defi ne que: Art. 
584. São títulos executivos judiciais: 
(...) III a sentença homologatória de 
conciliação ou de transação, ainda 
que verse matéria não posta em juízo; 
(Redação dada pela Lei nº 10.358, de 
27.12.2001).
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FGV DIREITO RIO 77
É interessante destacar que sob a égide do Código de 1916, a negativa de 
uma das partes em submeter-se à arbitragem implicava nos efeitos do inadim-
plemento contratual. A parte prejudicada poderia pleitear perdas e danos. A 
previsão de execução específi ca da avença não era ainda existente à época.
Confusão
Existe confusão quando se observa, numa determinada relação obriga-
cional, a junção numa mesma pessoa das fi guras de credor e devedor. Há 
impossibilidade lógica de que a obrigação persista. O artigo 381 do Código 
Civil prevê que:
Art. 381. Extingue-se a obrigação, desde que na mesma pessoa se 
confundam as qualidades de credor e devedor.
A confusão, segundo o art. 382, pode ser total ou parcial:
Art. 382. A confusão pode verifi car-se a respeito de toda a dívida, 
ou só de parte dela.
Quando o estado de confusão acaba, a obrigação é restabelecida, congre-
gando novamente todos os seus caracteres:
Art. 384. Cessando a confusão, para logo se restabelece, com todos 
os seus acessórios, a obrigação anterior.
A confusão pode se operar de diversas formas. Pode ocorrer por ato inter 
vivos ou causa mortis, nesse caso, quando o herdeiro assume o patrimônio 
do credor e vê extinto o seu débito. Destaque-se que enquanto não houver 
partilha dos bens envolvidos na sucessão, não há que se falar em confusão. Na 
confusão por ato inter vivos, o mesmo pode ainda ser gratuito ou oneroso; a 
título singular ou universal.
O art. 383 do Código Civil trata da hipótese de confusão em obrigações 
solidárias. De acordo com o dispositivo, os efeitos da confusão não se comu-
nicam às demais fi guras abarcadas pela solidariedade.
Art. 383. A confusão operada na pessoa do credor ou devedor soli-
dário só extingue a obrigação até a concorrência da respectiva parte no 
crédito, ou na dívida, subsistindo quanto ao mais a solidariedade.
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Em breve apanhado, são seus requisitos: (i) numa só pessoa devem ser 
congregadas as qualidades de credor e de devedor; (ii) essa reunião de qua-
lidades deve ser atinente a uma mesma relação obrigacional; e (iii) não deve 
haver patrimônios apartados.
Remissão
A remissão ocorre quando o credor libera do devedor do cumprimento da 
obrigação, no todo ou em parte, sem que tenha recebido o pagamento que 
lhe é devido.
Trata-se de uma modalidade de renúncia, e como já observado, renunciá-
veis são os direitos disponíveis, reais, pessoais e intelectuais.
Sob uma perspectiva mais técnica, remissão e renúncia apresentam uma 
distinção: a remissão depende da anuência do devedor, que mesmo tendo 
sua dívida perdoada pelo credor, pode querer pagar, tendo em vista questões 
morais. A remissão é ato unilateral, mas somente se implementa com a con-
cordância do obrigado. Na renúncia, essa necessidade de anuência por parte 
do devedor não está presente.
As partes podem livremente determinar parâmetros para essa remissão, 
dando-lhe uma feição contratual e, portanto, bilateral.
Remissão e doação são institutos diversos. A remissão depende da anuên-
cia do devedor, apresentando um caráter sinalagmático. A doação, por sua 
vez, é uma liberalidade, qualidade nem sempre atribuível à remissão; Para o 
direito pouco importa o intuito com que a remissão é feita, não ocorrendo o 
mesmo para a doação.
É importante observar que a remissão pode ser expressa ou tácita. A sua for-
ma tácita é especifi cada nos arts. 386 e 387 do Código Civil, ao disporem que:
Art. 386. A devolução voluntária do título da obrigação, quando por 
escrito particular, prova desoneração do devedor e seus co-obrigados, se 
o credor for capaz de alienar, e o devedor capaz de adquirir.
Art. 387. A restituição voluntária do objeto empenhado prova a re-
núncia do credor à garantia real, não a extinção da dívida.
Esses artigos contemplam uma presunção de que foi feita a remissão. Essa 
presunção não é absoluta, pois qualquer um dos atos acima referidos pode ser 
inquinado de algum vício de vontade.
Ao remir a dívida principal, o credor promove a conseqüente extinção das 
obrigações acessórias. A recíproca, conforme já examinado, não é verdadeira, 
por é perfeitamente possível a extinção da obrigação acessória sem que prin-
cipal seja atingida.
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Quando houver pluralidade de devedores, deve-se ter em mente que:
Art. 388. A remissão concedida a um dos co-devedores extingue a 
dívida na parte a ele correspondente; de modo que, ainda reservando 
o credor a solidariedade contra os outros, já lhes não pode cobrar o 
débito sem dedução da parte remitida.
No tocante à indivisibilidade, vale ainda destacar o art. 262 do Código 
Civil, o qual dispõe que “se um dos credores remitir a dívida, a obrigação não 
fi cará extinta para com os outros; mas estes só a poderão exigir, descontada 
a quota do credor remitente.” O mesmo critério se observará no caso de 
transação, novação, compensação ou confusão, conforme determinado pelo 
parágrafo único do mesmo artigo.
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AULA 10: ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA E PAGAMENTO INDEVIDO
EMENTÁRIO DE TEMAS:
Enriquecimento sem causa — Ação de in rem verso — Pagamento inde-
vido — Delineamentos gerais da repetição
LEITURA OBRIGATÓRIA:
Konder, Carlos Nelson. “Enriquecimento sem causa e pagamento inde-
vido”, in Gustavo Tepedino (org) Obrigações: Estudos na perspectiva 
civil-constitucional. Rio de Janeiro: Renovar, 2005; pp. 369/388.
LEITURAS COMPLEMENTARES:
Pereira, Caio Mário da Silva. Instituições de Direito Civil, vol. II. Rio de 
Janeiro: Forense, 2004; pp. 285/304. Bevilaqua, Clovis. Direito das Obri-
gações. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1940; pp. 111/120.
1. ROTEIRO DE AULA:
Enriquecimento sem causa
O Código Civil trata do pagamento indevido nos artigos 876 a 883 e o 
enriquecimento sem causa nos artigos 884 a 886. A partir do enquadramento 
conferido pelo Código aos dois institutos, pode-se classifi cá-los como fontes 
unilaterais de obrigações. Ao contrário do que dispõe o Código, a doutrina 
tende a